sábado, 15 de julho de 2023

“The Mystery Man”,

o Sudário em 3D em exibição em Chioggia

Depois do sucesso de público em Espanha, chega à cidade veneziana de Chioggia a exposição que de 31 de julho a janeiro permitirá ver a escultura tridimensional hiper-realista obtida a partir da imagem conservada pelo Sudário. O evento tem a parceria da mídia vaticana.

Um detalhe do rosto de "O Homem Misterioso"

Desde que foi encontrado há séculos, saindo de um esquecimento histórico durante o qual escapou de perigos e mudanças de mãos, o Sudário representou e ainda constitui um enigma insuperável para as possibilidades da ciência, apesar das abordagens cíclicas oferecidas pelos meios investigativos e tecnológicos sempre mais sofisticados.

Mas há cerca de um ano aquela marca indecifrável do Homem morto após torturas desumanas incrivelmente semelhantes às sofridas por Jesus "saiu" por assim dizer dos limites bidimensionais do pano de linho que o preserva para se tornar um rosto e um corpo tridimensionais .

E é este o resultado da ArtisSplendore, empresa ítalo-espanhola que criou The Mystery Man, exposição que tem seu ápice na escultura hiper-realista que reproduz a imagem do Homem do Sudário em 3D, com um detalhamento preciso e ao mesmo tempo impressionante do complexo de feridas infligidas por todo o corpo.

Mortalha fúnebre que interpela as consciências

Hóspede da catedral de Salamanca desde outubro passado, onde foi visitada por 120 mil pessoas, The Mystery Man prepara-se para se transferir para Itália, mais precisamente para Chioggia, Veneza, de 31 de julho a 7 de janeiro de 2024.

A exposição - que tem como parceiros de mídia a Rádio Vaticana Vatican News e o L'Osservatore Romano - foi apresentada na terça-feira, 11, na cidade lagunar pelo prefeito Mauro Armelao, com a participação, entre outros, do bispo Giampaolo Dianin e Francisco Moya, CEO da Artisplendore.

Armelao, ao introduzir a coletiva de imprensa, definiu o evento como "um encontro extraordinário de arte, ciência, história e iconografia religiosa", enquanto Dom Dianin se concentrou na "provocação" do Sudário, um "lençol que interpela quem crê e também quem não acredita” e que fala da crueldade de que o homem é capaz.

Destacou-se também a histórica igreja de San Domenico in Chioggia, onde será montada a exposição, particularmente oportuna, disse o prelado, porque encerra "outro mistério", aquele representado pelo antigo e monumental crucifixo, famoso por o seu "duplo olhar", que, conforme se olhe o crucifixo pela direita ou pela esquerda, exprime a agonia de Jesus ou a serenidade da sua morte à espera da Ressurreição.

Uma exposição itinerante

Nos próximos dias, a exposição será montada segundo um roteiro imersivo em seis etapas, que ajudam o visitante a contextualizar a figura de Jesus, sua condenação e morte, o Sudário, estudos forenses até chegar à escultura 3D do corpo feito em silicone e látex.

Tudo - desde os sinais de suplício, à postura, à cor dos cabelos e da pele, à tez morena de um cadáver originário da Judeia - é o resultado de 15 anos de estudo e do trabalho de 6 artistas, como explicado na coletiva de imprensa por dois representantes da ArtisSpelondore. Francisco Moya explicou que The Mystery Man foi concebido "como uma exposição itinerante" que pudesse "ser vista não só por crentes mas também por não crentes". Alvaro Blanco, que dirigiu o trabalho de artistas de diversas origens, forneceu por outro lado detalhes técnicos sobre a sua realização, executada também levando em consideração os critérios da ciência forense.

Voltar a narrar Jesus

A coletiva de imprensa foi encerrada com a mensagem em vídeo de nosso diretor editorial Andrea Tornielli, que falou da contribuição de contatos oferecida ao prefeito de sua cidade, que pretende sediar a exposição em Chioggia. Aquele manto na qual estão impressos os sinais que recordam a Paixão de Cristo, disse Tornielli, ainda tem "muito a nos dizer sobre os sofrimentos de Jesus e, portanto, de alguma forma é um espelho dos muitos sofrimentos da humanidade hoje".

O desejo final, partilhado pelo prefeito e pelo bispo, é que a exposição não se limite a ser "uma bela mas isolada iniciativa cultural", mas que possa ser "um estímulo para um renovado dinamismo em torno da figura de Jesus", que "muitos procuram sem saber", esperando "uma palavra de misericórdia".

Alessandro De Carolis - Cidade do Vaticano

.........................................................................................................................................................................

Assista:

.............................................................................................................................................................
                                                                                                                     Fonte: vaticannews.va

sexta-feira, 14 de julho de 2023

15º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e Reflexão
_____________________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________________

1ª Leitura: Is 55,10-11

Leitura do Livro do Profeta Isaías:

Isto diz o Senhor: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.

............................................................................................................................................................

Responsório: Sl 64(65)

A semente caiu em terra boa e deu fruto.

- A semente caiu em terra boa e deu fruto.

- Visitais a nossa terra com as chuvas, e transborda de fartura. Rios de Deus que vêm do céu derramam águas, e preparais o nosso trigo.

- É assim que preparais a nossa terra: vós a regais e aplainais, os seus sulcos com a chuva amoleceis e abençoais as sementeiras.

- O ano todo coroais com vossos dons, os vossos passos são fecundos; transborda a fartura onde passais, brotam pastos no deserto.

- As colinas se enfeitam de alegria, e os campos, de rebanhos; nossos vales se revestem de trigais: tudo canta de alegria!

............................................................................................................................................................

2ª Leitura: Rm 8,18-23 

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

Irmãos: Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós. De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus. Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por sua dependência daquele que a sujeitou; também ela espera ser libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus.

Com efeito, sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo.

............................................................................................................................................................
Evangelho: Mt 13,1-23

Proclamação do Evangelho de São Mateus:

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia. Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. 

E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. 

Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas.

Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. Quem tem ouvidos, ouça!”

Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que falas ao povo em parábolas?” 

Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. Pois à pessoa que tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem será tirado até o pouco que tem. 

É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam nem compreendem. Desse modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos, nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’.

Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram.

Ouvi, portanto, a parábola do semeador: Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.

A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento; quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo. 

A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto. A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta”.

............................................................................................................................................................

Reflexão do padre Johan Konings:

O porquê das parábolas

Isaías disse que a palavra de Deus é eficaz “como a chuva no chão”(1ª leitura). Mas Jesus acrescenta: depende da qualidade do chão! A semente da palavra tem tudo para crescer, mas precisa ser acolhida num chão aberto, generoso, preparado… num coração acessível e profundo ao mesmo tempo (evangelho). Jesus usa imagens, parábolas. Uma pessoa simples as pode entender, enquanto os de “coração empedernido” ouvem e vêem exteriormente, mas não percebem interiormente o que a palavra significa, ao contrário da “terra boa”, que “ouve a palavra e a compreende”.

Jesus falou em parábolas, para que os mais simples pudessem entender, e aparecesse o endurecimento daqueles que a ouvem sem entender. Uns ouvem e não compreendem. A palavra não cria raízes neles. Jesus explica as causas disso: o “maligno” (as forças contrárias a Jesus e ao Reino de Deus), a superficialidade, a desistência na hora da dificuldade, as “preocupações do mundo e a ilusão da riqueza”. Mas, graças a Deus, há também aqueles que ouvem e compreendem, e produzem fruto. A diferença está na disposição do ouvinte.

As causas da incompreensão da palavra são ainda as mesmas hoje: estratégia das forças antievangélicas, consumismo, idolatria da riqueza. Em compensação, os “mistérios do reino”, quando apresentados em imagens compreensíveis ao povo, são tão transparentes que até os mais simples os entendem e se tornam seus melhores propagandistas.

Importa, pois, prepararmos o chão dos corações para que possam receber a palavra: combater os fatores de “endurecimento” (dominação ideológica, alienação, consumismo, culto da riqueza e do prazer etc). Em vez do fascínio dos sempre novos (e tão rapidamente envelhecidos) objetos do desejo, a formação para a autenticidade e simplicidade, a educação libertadora com vistas ao evangelho. Então, a Palavra, que desce como a chuva do céu, poderá penetrar no chão e fazer a semente frutificar.

_____________________________________________________________________________________

PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

_____________________________________________________________________________________

Reflexão em vídeo de Frei Gustavo Medella:

..........................................................................................................................................................................
   Reflexão/banner: franciscanos.org.br  Banner: Fr. Fábio M. Vasconcelos  Imagem: vaticannews.va

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Para dar razões à nossa fé:

A catequese e a Doutrina Social da Igreja

Não são poucos os párocos que acusam o afastamento dos jovens logo após a crisma. Parece que a celebração da crisma é uma meta a ser alcançada e, daí basta, entra-se em férias da Igreja. Há um grupo que continua, mas se afastam da vivência dos sacramentos.  

Esse é um fato que merece ser refletido com espírito crítico sobre a metodologia da catequese, seu conteúdo e o andamento da gestão da Iniciação à Vida Cristã na paróquia. 

As Paróquias, são chamadas a ser, de verdade, “espaços da iniciação cristã, da educação e celebração da fé, abertas à diversidade de carismas, serviços e ministérios, organizadas de modo comunitário e responsável, integradoras de movimentos de apostolado já existentes, atentas à diversidade cultural de seus habitantes, abertas aos projetos pastorais e supra-paroquiais e às realidades circundantes” (Aparecida, 170). 

“Uma comunidade que assume a iniciação cristã renova sua vida comunitária e desperta seu caráter missionário. Isso requer novas atitudes pastorais por parte dos bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e agentes de pastoral” (Aparecida, 291). 

A iniciação à vida cristã promovida pela pastoral catequética, partindo de Jesus Cristo, passa pela acolhida da dignidade humana (vocação humana), encara os desafios à maturidade humana, se alimenta da Palavra de Deus, se robustece através da participação na Eucaristia, estimula formas de engajamento na comunidade eclesial e social, apresenta formas de experiências de solidariedade e cresce no fervor missionário (cf. Aparecida, 292). 

Continuando uma série de reflexões já publicadas sobre a catequese, retomemos esse assunto na perspectiva da Doutrina Social da Igreja que tem muito a oferecer à catequese. A sensibilidade da Doutrina Social da Igreja enriquece profundamente a Catequese. Não podemos pensar numa Iniciação à Vida Cristã sem a assimilação das exigências do Pai Nosso. Isso não deve ser reduzido a um puro rito. Não é uma experiência puramente intelectual, mas deve ser socioafetiva. A crise da pastoral juvenil em muitas paróquias, a meu ver, tem uma direta relação com o dinamismo da pastoral catequética. Nesta primeira reflexão, observemos alguns horizontes da catequese sensível à Doutrina Social da Igreja.   

A catequese busca apresentar e aprofundar a identidade da fé cristã, seu dinamismo e seus efeitos na vida do discípulo de Jesus Cristo. A experiência da fé não dispensa a razão. A fé não pode ser irracional. Fé e razão se complementam. A razão livra a fé da superstição e alienação; e esta, por sua vez, preserva a razão da prepotência e da cegueira. Sem a catequese a fé se torna mal-educada, míope, enganosa, agressiva, intolerante, contrariando a Deus. Todavia, a catequese não deve se limitar com a dimensão meramente doutrinal, mas deve se abrir ao dinamismo que brota da sensibilidade da Doutrina Social da Igreja (cf. Aparecida, 299). 

A fé tem muitas dimensões: cognitiva, afetiva, celebrativa, moral, comunitária, social. Seria insignificante uma experiência de fé aprisionada no íntimo do crente. Por isso diz São Tiago: “A fé sem obras é morta” (Tg 2,17). Jesus alertou seus discípulos dizendo-lhes: “Não basta dizer: Senhor, Senhor” (Mt 7,21). Isso nos fala de vida, atitudes, experiências! 

A catequese não é somente estudo e reflexão sobre doutrina, mas deve ser sempre um processo de iniciação no dinamismo da vida da Igreja e do Reino de Deus; isso significa que o catequizando deve fazer a experiência dos múltiplos compromissos que brotam da fé, mantendo seu vínculo com a Igreja. Dependendo da sua situação existencial, é chamado a estar engajado e servindo com alegria. Para muitos, por motivos de doenças ou outras situações, eles mantém seu sentido de pertença através da oração. Isso também é uma forma de engajamento. Contudo, não é admissível um cristão, reduzir seu dinamismo de fé ao conhecimento, assumindo uma postura doutrinalista, criticista e sem amor à Igreja com a sua totalidade de dimensões como serva do Reino de Deus.  

A catequese é uma atividade que está a serviço da missão da Igreja. O Reino de Deus tem uma dimensão social, porque onde se evangeliza também se deve estimular a promoção da justiça, da paz, da solidariedade; a luta contra a miséria, a fome e a corrupção; o combate à violência, a todas as formas de opressão e escravidão. A catequese, portanto, tem uma irrenunciável dimensão social. O Reino de Deus é a transformação do mundo segundo a vontade de Deus, em vista da Civilização do Amor.  

A catequese está a serviço da promoção da vida e da missão do discípulo de Jesus Cristo que está inserido numa história concreta com sua cultura, economia, política etc. Por isso deverá, onde vive, ser “sal e luz”, sabendo testemunhar sua fé em Jesus Cristo. Ele pediu ao Pai para não tirar seus discípulos do mundo: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Assim como eu não sou do mundo, eles também não são. Que eles sejam teus por meio da verdade; a tua mensagem é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei” (Jo 17,15-23). 

A dimensão social da Catequese nos apresenta os múltiplos desafios da fé presentes na sociedade: a fé tem uma direta relação com todas as realidades da vida da pessoa humana e da sociedade. O cristão não deve viver no anonimato, indiferente a tudo, demonizando as realidades mundanas (típicas do mundo). Hoje há muitos e graves fenômenos sociais que agridem a dignidade humana. A catequese não pode ficar a alheia a esses fenômenos.  

A dimensão social da Catequese tem seu fundamento na Sagrada Escritura. O amor a Deus é inseparável do amor ao próximo; isso aparece muito claramente na literatura dos profetas, com forte sensibilidade social em todos eles e culmina com a vida de Jesus Cristo. 

Nos Atos dos Apóstolos, vemos que da Ascensão do Senhor, brota uma advertência à responsabilidade social da fé dos discípulos de Jesus Cristo. Após a ascensão de Jesus os apóstolos continuavam olhando para o céu, mas foram advertidos por dois homens vestidos de branco: “homens da Galiléia, por que ficam aí, parados, olhando para o céu?” (At 1,11). Quem tem fé não deve ficar parado, acomodado, olhando para o alto, ou seja, sem fazer nada e esperando a Salvação. O tempo da fé é também o tempo da prática do amor! A compreensão desse dinamismo de fé é de fundamental importância para os nossos catequizandos, sobretudo, adolescentes e jovens crismandos.  

A religião cristã não deve ser alienada, negando os compromissos concretos consequentes do amor ao próximo que se faz luta pela justiça, promoção e defesa da dignidade humana. É necessário sim, buscar as coisas do alto (cf. Cl 3,1), mas sendo dinamizados pela Esperança lutando pela transformação das realidades deste mundo, sendo assim, “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-14). Esse é o compromisso da Igreja com o Reino de Deus (cf. Rm 12,2). Por outro lado, a catequese dando atenção à dignidade humana, deve também fazer objeto de reflexão o grave problema da baixa autoestima, do vazio existencial, da automutilação, tentativas de suicídio, drogadição etc, que vivem muitos adolescentes e jovens crismandos. Por isso a catequese deve fazer-se ajudar pela psicologia. Há muitas formas de atividades como serviço da psicologia à catequese.  

A contemplação divina e o culto religioso não podem ser estéreis, sem impacto social, sem compaixão, sem a experiência da “boa samaritanidade” (cf. Lc 10,35-46). Ai de nós se exaltarmos o nome de Jesus, mas formos egoístas, avarentos, frios diante dos necessitados; seremos rejeitados (cf. Mt 25,31-46). Quando a Catequese é bem assimilada em sintonia com a Doutrina Social da Igreja promove-se católicos engajados nas pastorais, líderes sensíveis, pessoas disponíveis a trabalhar, abertas à missionariedade, atentas aos desafios da sociedade… Em muitas comunidades católicas (e paróquias) já é notório o envelhecimento das lideranças. A catequese deve ser fonte de rejuvenescimento das forças vivas da paróquia.  

PARA A REFLEXÃO PESSOAL: 

- Na sua paróquia como está o percentual de jovens que se afastam após a Crisma? 

- Aos párocos: os catequistas da sua paróquia já receberam alguma formação sobre a Doutrina Social da Igreja, são portadores dessa sensibilidade? 

- É possível catequizar sem levar em conta a situação existencial do catequizando: sim, não, por quê? 

Dom Antonio de Assis - Bispo auxiliar de Belém do Pará (PA)

.............................................................................................................................................................
                                                                                                                          Fonte: cnbb.org.br

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Sábia e oportuna catequese do padre Zezinho:

CATÓLICOS INTEGRALMENTE FORMADOS

Pe. Zezinho scj ||||||||||||||||||||||||||||||

_aula de 12 /7/2023. _______

Seus pais lhes deram formação inicial e básica. O resto, as escolas e os outros aprendizados completaram.

Hoje, vc pode dizer que se especializou em algum ramo de conhecimento com o qual serve nosso povo , mas até os 21 anos vc teve os conhecimentos básicos para viver pelo resto da vida! A base foi sólida!

Nenhum cardiologista, psicólogo, psiquiatra, neurologista, oncologista, ou especialista em qualquer ramo da medicina saberia ser quem é, se não tivesse estudado o básico da medicina. Tudo começou com o básico!

O básico em tudo significa que há conhecimentos gerais, sem os quais ninguém pode exercer sua função. Engenheiros não começam erguendo pontes ou casas. Vão ter que estudar, no mínimo onze matérias para começarem a dizer que serão engenheiros .

Para quem prega ou lida com almas e fé em Jesus, a formação integral é sumamente necessária para quem deseja passar seus conhecimentos para os outros.

Então, não faz sentido alguém querer apenas pregar suas devoções preferidas, ensinar novas eficazes orações, e dar novos testemunhos de fé , ocupar 90% do tempo de uma emissora de rádio e de TV, sem nunca ensinar o básico da fé judaica e cristã!

São quase quarenta séculos de busca de Deus vividos por bilhões e bilhões de pessoas. Isto virou ciência! Uma vasta ciência com quase 100 ramos de estudos.

Quando alguém se propõe a ensinar isto, ele se torna: ou catequista, ou padre, ou bispo, ou monge , ou freira ou leigo em liderança. Estudou para isto!

Seu microfone, seu púlpito, sua sala de aula, seu estrado, seu computador, seu violão ou teclado estão a serviço da sua CULTURA, adquirida por aulas, cursos, leituras e reflexões e retiros. ELE SABE O BÁSICO para ir lá falar de Jesus, dos santos e do catolicismo, igreja com 2 mil anos de pregação!

Então , começa-se pela leitura da Bíblia, pelos Evangelhos, pelo Novo Testamento, pelo CIC, pela DSI, pelo CVII, pelos documentos básicos que todo padre tem que conhecer, e que todo leigo precisa ler, para subir àquele estrado e empunhar aquele microfone! O sujeito estudou e leu!

E quando lhe derem um programa de rádio ou de TV não faz sentido só ensinar a orar, proclamar curas e divulgar devoções .

Há mais de 150 documentos desde 1965 que um pregador da fé católica precisa conhecer.

Se não quiser fazer isto, não terá formação integral para agarrar aqueles microfones.

FALAR COM DEUS todos os crentes podem e devem. FALAR SOBRE DEUS e para a multidão exige-se o básico!

E este básico ultimamente está sendo ignorado …

E quando um professor ousa lembrar isto, acaba ouvindo nomes feios. Ora, qual é a missão do mestre? Não é preparar pregadores da fé?

E , quando um católico que nunca leu nada sobre o ofício de ensinar a fé católica, deita a falar contra o Papa, contra a CNBB, contra padres e dá a entender que ele ou ela é mais fiel a Jesus do que todos eles,

porque ele ACHA que sabe mais espiritualidade,

porque frequenta uma vez por semana algum grupo de oração,

ele católico crítico certamente está extrapolando! Sabemos mais do que eles!

Sim, muitos leigos vivem a santidade de maneira admirável. Também muitos bispos e padres e monges. Talvez sejam mais piedosos e mais santos do que nós! Minha mãe era mais rezadeira e mais santa do que eu, mas eu sabia mais de religião que ela! Ela não sabia ler, mas sabia rezar!…

Contudo, vivência é uma coisa, ciência é outra. Médicos e engenheiros precisam saber muito, antes de montar consultório ou firma.

Pregador da fé precisa saber mais e provar que estudou e leu . Se não fizer isto estará distribuindo sopa rala no prato do povo .

E o povo quer alimentação e refeição sólida que o sustente. E isto significa: DOUTRINA !

Releiam Efésios 3 , 14-21

Timóteo e Tessalonicenses.

Entenderá porque Paulo exigia mais raiz, mais fundamentos e mais conhecimentos da fé!

Ao menos para quem deseja empunhar algum microfone católico!…

.............................................................................................................................................................
                                                                                        Fonte: facebook.com/padrezezinhoscj

terça-feira, 11 de julho de 2023

Frei Luis Pascual Dri:

foi uma delicadeza do Papa. Continuarei a atender confissões.

Aos 96 anos, o frade capuchinho argentino será criado cardeal pelo Papa Francisco no Consistório de 30 de setembro. Depois do anúncio do Papa no Angelus, ele compartilha suas emoções com a mídia vaticana e fala de sua longa experiência no confessionário. Depois, o encorajamento nestes tempos difíceis para a Igreja e para o mundo: "Nunca desânimo, nunca pessimismo, o Senhor está sempre conosco"

"Foi uma grande surpresa." É assim que frei Luis Pascual Dri, capuchinho argentino, comenta a decisão do Papa Francisco de criá-lo cardeal no Consistório de 30 de setembro, como anunciado no Angelus do último domingo. O religioso de 96 anos foi confessor do cardeal Jorge Mario Bergoglio, e como Papa o citou em várias ocasiões.

Com Francisco um conhecido de longa data

O religioso responde às perguntas do Vatican News desde o Santuário de Nossa Senhora de Pompeia, em Buenos Aires, onde administra o Sacramento da Reconciliação várias horas ao longo do dia, há anos.

“Não faz nenhuma diferença para mim”, diz ele, referindo-se ao fato de o Papa tê-lo incluído entre os 21 novos cardeais. No domingo, 9 de julho, quando Francisco fez seu anúncio no final do Angelus, Dri estava se preparando para ir ao confessionário e ficou imensamente comovido. "Agora estou mais calmo", diz ele.

Mesmo sendo uma velha amizade, ele nunca teria pensado que Francisco lhe confiaria esta nova missão. Diz-se infinitamente grato ao Pontífice e considera este gesto “uma delicadeza”. E antecipa que, em breve, entrará em contato com o Papa para expressar sua gratidão.

Uma vida dedicada ao Sacramento da Reconciliação

No seu serviço à Igreja, a confissão é o que sempre apaixonou padre Luís. “A primeira coisa é reconhecer que sou tão pecador quanto aquele que se aproxima de mim”, diz ele. Para ele receber pessoas que sofrem muito e estão sobrecarregadas com vários problemas, é uma "grande alegria" poder dar alívio e poder dizer: "Em nome do Senhor eu te absolvo".

O futuro cardeal convida-nos a recordar que Jesus Cristo nos torna justos perdoando-nos com a sua graça e lança uma mensagem de encorajamento para todos: "Vá em frente! Alegrem-se, sem medo, sem medo".

Ele nos revela que fica “muito feliz” quando consegue fazer “um pouco mais” por quem sofre. "Esta é uma maneira de encontrar a paz, a felicidade da vida". De sua cadeira de rodas, ele acolhe humildemente o chamado de Francisco. "O Papa conhece meus limites", diz ele, sublinhando que está disposto a fazer tudo o que lhe for pedido e que continuará a doar-se de todo o coração, "com toda a minha cidade, não deixando ninguém fora da Igreja".

Nunca desanimar, pois Deus está sempre perto de nós

Recordando sua etapa pastoral no Uruguai, durante a qual, entre outras tarefas, foi educador no Colégio Secco Illa, o capuchinho conta que ainda hoje recebe saudações de seus alunos, felizes pelos anos passados ​​com ele. Ele garante que sempre buscou o respeito pelas pessoas, e não a imposição de regras rígidas. Talvez sejam idosos, sejam avós, sejam profissionais  diz, falando dos seus ex-alunos  escrevem-me agradecendo por aqueles tempos”.

Ao final, com voz paterna e serena, o religioso deixa algumas palavras de esperança aos ouvintes da Rádio Vaticano. Nestes tempos difíceis, na Igreja, na política, na cultura, na saúde, devemos confiar-nos a Jesus e a Maria, para que nos escutem e nos acompanhem: "Nunca o desânimo, nunca o pessimismo, nunca o desespero, porque o Senhor está lá e nos prometeu: 'Estarei convosco até o fim dos tempos'”.

Sebastián Sansón Ferrari – Cidade do Vaticano

.............................................................................................................................................................
                                                                                                                     Fonte: vaticannews.va

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Confessor que se desculpava com Jesus

por ter perdoado muito será cardeal

O último da lista de novos purpurados é o padre Luis Dri, 96 anos, frade capuchinho que há anos atende confissões no Santuário de Nossa Senhora de Pompeia, em Buenos Aires. À noite era comum pedir perdão diante do Tabernáculo pelas muitas absolvições dizendo: "Foi você quem me deu o mau exemplo!"

Ele é o último da lista, mas certamente não está no último lugar no coração de Jorge Mario Bergoglio. Ao anunciar os novos cardeais que receberão o barrete roxo no Consistório do próximo dia 30 de setembro, o Papa Francisco pronunciou ao final da lista o nome de um frade franciscano idoso que, desde que se aposentou em 2007, vive no confessionário com isolamento acústico do Santuário de Nossa Senhora de Pompeia em Buenos Aires: trata-se do frei Luis Pascual Dri, capuchinho, nascido em Federación, província de Entre Ríos, Argentina, em 17 de abril de 1927, em uma família onde todos os filhos, exceto um, se consagraram a Deus na vida religiosa.

Francisco falou dele várias vezes. Pela primeira vez em 6 de março de 2014, encontrando os párocos de Roma. Havia repetido o exemplo alguns meses mais tarde, em 11 de maio de 2014, na homilia da Missa de ordenações sacerdotais. Ele voltou a citá-lo no livro-entrevista "O nome de Deus é misericórdia", depois o repropôs em fevereiro de 2016 durante a homilia da Missa em São Pedro com os frades capuchinhos e novamente no recente encontro com os padres de Roma em São João de Latrão e com os confessores do Jubileu. Quando fala da confissão e da acolhida dos penitentes no confessionário, o pensamento do Papa Bergoglio sempre se volta para ele.

«Lembro-me de outro grande confessor, mais novo do que eu, um padre capuchinho, que exercia o seu ministério em Buenos Aires. Uma vez me procurou para conversar. Ele me disse: ‘Queria te pedir ajuda; tenho sempre tantas pessoas na fila do confessionário, pessoas de todos os tipos, humildes e menos humildes, mas também muitos padres... Eu perdoo muito e às vezes sinto o escrúpulo de ter perdoado demais’. Conversamos sobre a misericórdia, e eu lhe perguntei o que fazia quando sentia aquele escrúpulo. Ele me respondeu assim: ‘Vou até a nossa capelinha, diante do Sacrário, e digo a Jesus: ‘Senhor, perdoa-me, porque perdoei demais. Mas foi o Senhor que me deu o mau exemplo’.’ Isto eu jamais esquecerei. Quando um sacerdote vive assim a misericórdia a si mesmo, pode concedê-la aos outros».

Há sete anos fomos procurá-lo no Santuário dedicado à Virgem de Pompeia, em Buenos Aires. Havia muito poucas pessoas, era uma tarde bastante abafada. Apenas um confessionário aberto, dentro um frade com hábito capuchinho à espera, entre os painéis brancos de isolamento acústico semelhantes aos de um antigo estúdio de rádio. Era ele. Ele nos contou por que o Papa o citou tantas vezes. «Eu, no final das contas, sou, não digo escrupuloso, mas digamos um pouco preocupado nas confissões. Quando ele era cardeal aqui em Buenos Aires, eu confiava muito nele, fui conversar com ele e uma vez contei tudo isso a ele. Ele me disse: “Perdoe, perdoe, é preciso perdoar”. E eu: sim, perdoo, mas depois fico com uma certa inquietação e por isso depois vou a Jesus e digo-lhe que foi Ele quem me ensinou, que me deu o mau exemplo, porque Ele perdoou tudo, nunca rejeitou ninguém. Percebe-se que essas palavras tocaram Bergoglio, ficaram impressas nele. Ele sabe que eu confesso muito, por muitas horas, de manhã e à noite. E mais de uma vez ele aconselhou alguns sacerdotes, por algum problema, a virem falar comigo, eu os ouvi e agora somos grandes amigos, com alguns deles que vêm com frequência, conversamos, e eles se encontram muito bem espiritualmente, pastoralmente. Tenho de agradecer muito ao Papa esta confiança que depositou em mim, porque não a mereço. Não sou uma pessoa, um sacerdote, um frade que estudou, não tenho nenhum doutorado, não tenho nada. Mas a vida ensinou-me muito, a vida marcou-me, e depois nasci muito pobre, parece-me que devo ter sempre uma palavra de misericórdia, de ajuda, de proximidade para quem aqui chega. Ninguém deve sair pensando não ter sido compreendido, ou desprezado ou rejeitado".

O frade que passa todas as manhãs e todas as tardes no confessionário, continuando "até que se apaguem as velas", não tinha nenhum conselho particular a dar aos seus "colegas" confessores: "O que diz o Papa. Não posso dizer outra coisa, porque sinto isso, porque eu vivo isso. Misericórdia, compreensão, colocar toda a vida em escuta, para entender, para conseguir se colocar na pele do outro, para entender o que está acontecendo. Não devemos ser, a começar por mim mesmo, funcionários que realizam alguma coisa e basta: 'Sim, dei-lhe a absolvição'. 'Sim, não, e acaba aí'. Muito pelo contrário. Penso que devemos ter uma certa proximidade, uma especial amabilidade, porque às vezes há pessoas que não sabem muito bem o que é a confissão. 'Não te assuste, não te preocupe'. A confissão... a única coisa que precisa é o desejo de ser melhor, nada mais. Não deves pensar com quem, nem quantas vezes, nem isso nem aquilo. Todas essas coisas não servem. Parece-me que afastam a pessoa. E tenho que fazer com que as pessoas se aproximem de Deus, de Jesus”.

Já aos penitentes, o frade que agora será revestido com a púrpura, sempre deu este conselho: “Não tenham medo. Eu sempre mostro esta imagem, esta foto que representa o abraço do Pai ao Filho Pródigo. Porque eles me perguntam: 'Mas Deus vai me perdoar?'. Mas Deus te abraça, Deus te quer bem, Deus te ama, Deus caminha contigo, Deus veio para perdoar, não para castigar, veio para estar conosco, deixou o céu para estar conosco. Então, como podemos ter medo! Quase me parece um absurdo, uma falta de conhecimento, uma ideia errada sobre nosso Deus Pai".

Sua figura recorda a do padre Leopoldo Mandic, que tinha a mesma atitude com as pessoas no confessionário. “Sim, sim, eu o conheço muito bem; li sobre sua vida e aprendi muito com ele – nos confidenciou padre Dri –. Aprendi também com padre Pio: estive com ele em 1960. E tudo isso me ensinou muito. Estive com o padre Pio, confessei-me com ele, estive no mesmo convento em 1960. São Leopoldo e São Pio ensinaram-me tanto, tantas coisas bonitas sobre a misericórdia, o amor, a paz, a tranquilidade, a proximidade. Embora padre Pio fosse assim forte, assim enérgico, quando tinha que ouvir e perdoar, era Jesus”.

Andrea Tornelli

.............................................................................................................................................................
                                                                                                                     Fonte: vaticannews.va

domingo, 9 de julho de 2023

Santa Sé:

avançam processos de beatificação
de dom Vital e dom Helder Camara

O Dicastério das Causas dos Santos comunicou que nomeou o monsenhor espanhol Melchor José Sanchez de Toca y Alameda como relator da Positio do processo de dom Helder Camara. No ano passado, a Santa Sé anunciou a validação jurídica de todo o material enviado a Roma. Também foi dado início à impressão da Positio do processo de dom Vital. A expectativa agora é que nos próximos dias o documento seja entregue aos membros das comissões romanas formadas por historiadores, teólogos, bispos e cardeais

A Igreja no Brasil, em especial o Regional Nordeste 2 da CNBB, celebra os mais recentes avanços nos processos de beatificação e canonização dos Servos de Deus dom Vital (1844-1878) e dom Helder Camara (1909-1999). Ambos, além de epíscopos – o primeiro pastor da Diocese de Olinda (PE) e o segundo da Arquidiocese de Olinda e Recife – foram em vida exemplos de cristãos e, por isso, caminham para o reconhecimento de suas virtudes.

O Dicastério das Causas dos Santos comunicou, nesta sexta-feira (7), que nomeou o monsenhor espanhol Melchor José Sanchez de Toca y Alameda como relator da Positio do processo de dom Helder Camara.

Este arquivo, que agora será elaborado, resume toda documentação já enviada pela arquidiocese e prova que o Servo de Deus viveu, em grau heróico, as Virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade); b) Virtudes Cardeais (Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança); e as Virtudes de Estado Clerical (Pobreza, Humildade, Castidade e Obediência).

O relatório também incluirá depoimentos de testemunhas (Summarium Testium), além de reunir os documentos mais relevantes de autoria de dom Helder ou produzidos sobre ele (Summarium Documentorum). 

O processo de beatificação e canonização de dom Helder foi aberto pela Igreja pernambucana em 2014 e a fase arquidiocesana foi concluída em 2018. No ano passado, no encerramento do 18º Congresso Eucarístico Nacional, a Santa Sé anunciou a validação jurídica de todo o material enviado a Roma.

O administrador Apostólico de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, comemora mais um passo dado para reconhecer a santidade de dom Helder. “Esse é nosso desejo, a declaração oficial da Igreja, pois conhecemos de perto as virtudes de dom Helder e o tomamos como modelo de santidade, na luta pela dignidade dos pobres, na vida de oração, na humildade e sabedoria”, afirmou.

Dom Vital a um passo de se tornar Venerável

A Tipografia Vaticana deu início à impressão da Positio do processo de beatificação e canonização de dom Vital. A expectativa agora é que nos próximos dias o documento seja entregue aos membros das comissões romanas formadas por historiadores, teólogos, bispos e cardeais.

“A depender da agenda dessas comissões, é possível que o Papa Francisco declare dom Vital como Venerável. Daí restará apenas um milagre para a beatificação”, explicou o confrade e vice-postulador da causa de dom Vital, Frei Jociel Gomes.

O processo de beatificação e canonização de dom Vital foi aberto oficialmente em 1953 e retomado em 1992. A fase diocesana foi encerrada em 2003 e a documentação enviada ao Vaticano. Na última terça-feira (4), a Igreja fez memória aos 145 anos de morte do religioso que foi o primeiro bispo capuchinho do Brasil.

Oração pela Beatificação de dom Helder Camara

“Ó Deus de amor e misericórdia, que destes à igreja o bispo dom Helder Camara, nós vos agradecemos pelo dom de sua vida e vos bendizemos por suas virtudes. Exercendo o seu ministério em favor da justiça e da paz, e dedicando sua missão à causa dos pobres, imitou o bom pastor que deu a vida por suas ovelhas. Vós que prometestes glorificar aqueles que vos servirem, dignai-vos glorifica-lo com a honra dos altares e, por sua intercessão, dai-nos a graça que vos suplicamos (menciona-se a graça em silêncio). Fazei que, seguindo o seu exemplo, possamos testemunhar o vosso amor e a vossa misericórdia, junto aos nossos irmãos e às nossas irmãs. Por nosso Ssenhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!”

Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai.

Oração pela Beatificação de dom Vital

Ó eterno, Divino Pai, pelos merecimentos do vosso Unigênito, peço-vos glorifiqueis nesta terra o vosso servo Dom Frei Vital Maria, concedendo-me a graça que vos imploro na minha presente necessidade (menciona-se a graça em silêncio). Ó eterno, Divino Filho, pelos merecimentos da vossa paixão e morte, peço-vos glorifiqueis nesta terra o vosso servo Dom Frei Vital Maria, concedendo-me a graça que ardentemente desejo (menciona-se a graça em silêncio). Ó eterno, Divino Espírito Santo, pela vossa infinita caridade, peço-vos glorifiqueis nesta terra o vosso servo Dom Frei Vital Maria, concedendo-me a graça de que tanto necessito (menciona-se a graça em silêncio).

Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai.

**************************************

Com informações da Pascom Olinda e Recife - (CNBB NE2)

.............................................................................................................................................................
                                                                                                                     Fonte: vaticannews.va