sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Solenidade de Todos os Santos:

Leituras e Reflexão
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1ª Leitura:  Ap 7,2-4.9-14

Leitura do Livro do Apocalipse de São João:

Eu, João, vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: “Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”.

Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel.

Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Todos proclamavam com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”.

Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos, e dos quatro Seres vivos, e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: “Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém”. E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?”

Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor”. E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”.

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Responsório: Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R.cf. 6)
- É assim a geração dos que procuram o Senhor!
- É assim a geração dos que procuram o Senhor!

- Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.

- "Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?". "Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime.

- Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador". "É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face".

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2ª Leitura: 1Jo 3,1-3

Leitura da Primeira Carta de São João:

Caríssimos: Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.

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Evangelho: Mt 5,1-12a

Proclamação do Evangelho de São Mateus:

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los:

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.

Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus!

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

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Reflexão do padre Johan Konings:

A comunhão dos Santos

Atualmente pouco se ouve falar na “comunhão dos santos”. Além disso, muitos fiéis talvez tenham uma ideia muito restrita a respeito de quem são os santos… Nas suas cartas, Paulo chama os fiéis em geral de “santos”. Todos os que pertencem a Cristo e seu Reino constituem uma comunidade viva e real, a “Comunhão dos Santos”.

As bem-aventuranças (evangelho) proclamam a chegada do Reino de Deus e, por isso, a boa ventura daqueles que “combinam com ele”. Assim, caracterizam a comunidade dos “santos”, os “filhos do Reino”, e proclamando a sua felicidade e salvação.

Jesus felicita os “pobres de Deus”, os que confiam mais em Deus do que na prepotência, os que produzem paz, os que vêem o mundo com a clareza de um coração puro etc. Sobretudo os que sofrem por causa do Reino, pois sua recompensa é a comunhão no “céu”, isto é, em Deus. Dedicando sua vida à causa de Deus, eles “são dele”. É o que diz S. João (2ª Leitura): já fomos filhos de Deus, e nem imaginamos o que seremos! Mas uma coisa sabemos: seremos semelhantes a ele, realizaremos a vocação de nossa criação (Gn 1,26). O amor de Deus tomará totalmente conta de nosso ser, ao ponto de nos tornar iguais a ele.

A santidade não é o destino de uns poucos, mas de uma imensa multidão (1ª leitura): todos aqueles que, de alguma maneira, até sem o saber, aderiram e aderirão à causa de Cristo e do Reino: a comunhão ou comunidade dos santos.

Ser santo significa ser de Deus. Não é preciso ser anjo para isso. Santidade não é angelismo. Significa um cristianismo libertado e esperançoso, acolhedor para com todos os que “procuram Deus com um coração sincero” (Oração Eucarística IV). Mas significa também um cristianismo exigente. Devemos viver mais expressamente a santidade de nossas comunidades (a nossa pertença a Deus e a Jesus), por uma prática da caridade digna dos santos e por uma vida espiritual sólida e permanente.

Sobretudo: santidade não é beatice, não é medo de viver. É uma atitude dinâmica, uma busca de pertencer mais a Deus e a assemelhar-se sempre mais a Cristo. Não exige boa aparência!

Desprezar os pobres é desprezar os santos! Mas exige disponibilidade para se deixar atrair por Cristo e entrar na solidariedade dos fiéis de todos os tempos, santificados e unidos por ele.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Reflexão em vídeo de Frei Gustavo Medella:


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                                                     Reflexões e ilustração: franciscanos.org.br        Banner: cnbb.com.br 

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Francisco no Bahrein:

a vocação de todo ser humano na terra
é de fazer a vida prosperar

"Rejeitemos a lógica das armas e invertamos o rumo, transformando as enormes despesas militares em investimentos para combater a fome, a falta de cuidados da saúde e da educação", disse Francisco em seu primeiro discurno no Bahrein.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco encontrou-se, nesta quinta-feira (03/11), com as Autoridades, Representantes da sociedade civil e o Corpo diplomático no Palácio Real Sakhir, em Awali, no Bahrein, no âmbito de sua 39ª Viagem Apostólica Internacional por ocasião do "Fórum do Bahrein para o Diálogo: Oriente e Ocidente para a Coexistência Humana".

Francisco agradeceu ao Rei do Bahrein, Sua Majestade Hamad bin Isa bin Salman Al Khalifa, pelo "amável convite para visitar o Reino do Bahrein", pelo "caloroso e generoso acolhimento" e suas palavras de boas-vindas.

"Aqui, onde as águas do mar circundam as areias do deserto e imponentes arranha-céus se erguem ao lado dos tradicionais mercados orientais, cruzam-se realidades muito diferentes: convergem antiguidade e modernidade, fundem-se história e progresso, e sobretudo pessoas da mais variada proveniência formam um original mosaico de vida", disse o Papa no início de seu discurso.

Pesquisa e valorização de seu passado

A fala do Papa foi norteada pelo «emblema de vitalidade» que caracteriza o país: a «árvore da vida» (Shajarat-al-Hayat). "Uma majestosa acácia, que, há séculos, sobrevive numa zona deserta, onde a chuva é muito escassa. Parece impossível que uma árvore tão longeva resista e prospere em tais condições. Na opinião de muitos, o segredo estaria nas raízes, que se estendem por dezenas de metros sob o solo, recorrendo aos depósitos subterrâneos de água."

"As raízes! O Reino do Bahrein empenha-se na pesquisa e valorização do seu passado, que fala de uma terra extremamente antiga, para onde acorriam os povos: sempre foi lugar de encontro entre populações diferentes", sublinhou Francisco, ressaltando que a maior riqueza das raízes do Bahrein "se vê na sua variedade étnica e cultural, na convivência pacífica e no tradicional acolhimento da população".

Segundo o Papa, os vários "grupos nacionais, étnicos e religiosos que coexistem" no Bahrein "testemunham que é possível e se deve conviver em nosso mundo", que se tornou uma "aldeia global, na qual dando como certa a globalização, ainda é em muitos aspectos desconhecido «o espírito da aldeia»", formado de "hospitalidade, solicitude pelo outro e fraternidade".

Trabalhar em prol da esperança

De acordo com Francisco, vemos o "crescimento em larga escala da indiferença e mútua suspeita, da extensão de rivalidades e contraposições que se esperavam superadas, de populismos, extremismos e imperialismos que põem em perigo a segurança de todos. Não obstante o progresso e tantas conquistas civis e científicas, aumenta a distância cultural entre as várias partes do mundo e, às benéficas oportunidades de encontro, antepõem-se perversas atitudes de conflito".

Em vez disso, pensemos na árvore da vida e distribuamos, nos desertos áridos da convivência humana, a água da fraternidade: não deixemos evaporar-se a possibilidade do encontro entre civilizações, religiões e culturas, não permitamos que sequem as raízes do humano!

“Trabalhemos juntos, trabalhemos em prol do todo, em prol da esperança! Estou aqui, na terra da árvore da vida, como semeador de paz, para viver dias de encontro, participar do Fórum de diálogo entre Oriente e Ocidente em prol da coexistência humana pacífica.”

O Pontífice disse que esses dias passados no Bahrein "marcam uma etapa preciosa no percurso de amizade que tem vindo a intensificar-se, nos últimos anos, com vários líderes religiosos islâmicos: um caminho fraterno que, sob o olhar do Céu, quer favorecer a paz na Terra".

Contribuição de diferentes povos

Francisco manifestou apreço "pelas conferências internacionais e as oportunidades de encontro que este Reino organiza e favorece, centrando-se especialmente na temática do respeito, da tolerância e da liberdade religiosa".

Voltando à árvore da vida, o Papa sublinhou que "os vários ramos de diferentes tamanhos que a caracterizam, com o passar do tempo, deram vida a espessas ramagens, fazendo crescer a sua altura e circunferência. Neste país, foi a contribuição de tantas pessoas de diferentes povos que consentiu um notável progresso produtivo".

“Isto tornou-se possível graças à imigração, que regista no Reino do Bahrein uma das taxas mais elevadas do mundo: cerca de metade da população residente é estrangeira e trabalha de forma significativa para o progresso de um país, onde – tendo deixado a própria pátria – se sente em casa.”

Todavia não se pode esquecer que, nos nossos dias, há ainda muita falta de trabalho e demasiado trabalho desumano: isto acarreta não só graves riscos de instabilidade social, mas representa um atentado à dignidade humana. De fato, o trabalho não é necessário apenas para se ganhar a vida, mas constitui também um direito indispensável para nos desenvolvermos integralmente e moldarmos uma sociedade à medida do ser humano.

Promoção em toda a área dos direitos 

A seguir, o Papa chamou a atenção para a crise do trabalho em todo o mundo. "Muitas vezes falta o trabalho, precioso como o pão; frequentemente é pão envenenado, porque escraviza". Ele pediu para que "sejam garantidas condições de trabalho seguras e dignas do ser humano, que não impeçam, mas favoreçam a vida cultural e espiritual; que promovam a coesão social, em prol da vida comum e do próprio progresso dos países".

O Bahrein pode gloriar-se de preciosas conquistas neste sentido: penso, por exemplo, na primeira escola feminina surgida no Golfo e na abolição da escravatura.

“Continue sendo farol na promoção em toda a área dos direitos e condições justas e cada vez melhores para os trabalhadores, as mulheres e os jovens, garantindo ao mesmo tempo respeito e solicitude por quantos se sentem mais à margem da sociedade, como os emigrantes e os reclusos: o desenvolvimento verdadeiro, humano, integral mede-se sobretudo pela atenção que lhes é prestada.”

A questão ambiental

A árvore da vida, que se ergue, solitária, na paisagem deserta, sugeriu ao Papa refletir sobre "dois âmbitos decisivos para todos e que interpelam primariamente quem, governando, detém a responsabilidade de servir o bem comum".

Em primeiro lugar, a questão ambiental: quantas árvores são derrubadas, quantos ecossistemas devastados, quantos mares poluídos pela ganância insaciável do homem, cuja conta se deve pagar depois! Não nos cansemos de trabalhar em prol desta dramática pendência, realizando opções concretas e previdentes, pensando nas gerações mais jovens, antes que seja demasiado tarde e se comprometa o seu futuro.

“Que a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP27), que terá lugar no Egito dentro de poucos dias, constitua um passo em frente no referido sentido!”

Fazer a vida prosperar

Em segundo lugar, "a vocação de todo ser humano na terra: fazer a vida prosperar". Infelizmente, vemos hoje e cada vez mais "ações e ameaças de morte". O Papa pensou em "particular na realidade monstruosa e insensata da guerra, que semeia por toda a parte destruição e erradica a esperança. Na guerra, aparece o lado pior do ser humano: egoísmo, violência e mentira. Sim, porque a guerra, qualquer guerra, constitui também a morte da verdade".

Rejeitemos a lógica das armas e invertamos o rumo, transformando as enormes despesas militares em investimentos para combater a fome, a falta de cuidados da saúde e da educação. Tenho no coração a tristeza por tantas situações de conflito.

“Olhando para a Península Arábica, cujos países desejo saudar com cordialidade e respeito, dirijo um pensamento especial e sentido ao Iêmen, martirizado por uma guerra esquecida que, como qualquer guerra, não leva a nenhuma vitória, mas apenas a amargas derrotas para todos.”

Recordo na oração sobretudo os civis, as crianças, os idosos, os doentes, e imploro: calem-se as armas, comprometemo-nos por toda parte e de verdade em prol da paz!

"A respeito disto, a Declaração do Reino do Bahrein reconhece que a fé religiosa é «uma bênção para todo o gênero humano», o alicerce «para a paz no mundo». Estou aqui como fiel, como cristão, como homem e peregrino da paz, porque hoje, mais do que nunca, somos chamados a nos comprometer seriamente com a paz", concluiu.

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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Papa em missa pelos fiéis falecidos:

deixemo-nos surpreender pela presença de Deus

"No dia da nossa despedida, a surpresa será feliz se agora nos deixarmos surpreender pela presença de Deus, que nos espera entre os pobres e feridos do mundo". Palavras do Papa Francisco na homilia de sufrágio pelos Cardeais e Bispos falecidos durante o último ano, nesta quarta-feira (02/11) na Basílica Vaticana

Jane Nogara - Vatican News

Na manhã desta quarta-feira (02/11), dia comemoração dos fiéis defuntos o Papa Francisco celebrou uma Santa Missa em sufrágio dos Cardeais e Bispos que faleceram durante o ano. O Papa iniciou sua homilia recordando as leituras que foram lidas, das quais duas palavras chamaram sua atenção: espera e surpresa.

Espera

espera, disse Francisco, “expressa o sentido da vida, porque vivemos na espera do encontro: o encontro com Deus, que é a razão da nossa oração de intercessão de hoje, especialmente pelos Cardeais e Bispos que faleceram durante o último ano, pelos quais oferecemos em sufrágio este Sacrifício Eucarístico”. E o Papa disse: "É belo quando o Senhor vem para secar nossas lágrimas! Mas não é nada bom quando esperamos que seja outra pessoa e não o Senhor a secá-las. E pior ainda, não ter lágrimas". Continuando a falar sobre o tema recordou “alimentemos nossa espera do Céu, exercitemos nosso desejo do paraíso. Faz-nos bem hoje nos perguntarmos se nossos desejos têm algo a ver com o Céu. Pois corremos o risco de aspirar constantemente à coisas que passam, de confundir desejos com necessidades, de antepor as expectativas do mundo à espera de Deus”. Advertindo em seguida:

“Olhemos para cima, pois estamos caminhando para o Alto, enquanto as coisas daqui não irão para cima: as melhores carreiras, as maiores conquistas, os títulos e distinções mais prestigiosas, a riqueza acumulada e os ganhos terrenos, tudo isso desaparecerá em um instante. E todas as expectativas neles depositadas serão desapontadas para sempre”

Concluindo este ponto disse: “Perguntemo-nos: eu vivo o que digo no Credo, "espero a Ressurreição dos mortos e a vida do mundo que virá"? E como é a minha espera? Vou ao essencial ou me distraio com coisas supérfluas? Cultivo a esperança ou vou adiante reclamando porque dou muito valor a coisas que não contam?”.

Quando foi

Referindo-se à segunda palavra das Leituras, “surpresa” Francisco disse: “enquanto esperamos pelo amanhã, somos ajudados pelo Evangelho de hoje. Porque a surpresa é grande toda vez que ouvimos Mateus capítulo 25. É semelhante à dos protagonistas que dizem: "Senhor, quando foi que te vimos com fome e te alimentamos, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos forasteiro e te recolhemos ou nu e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso e fomos te ver? (vv. 37-39). Quando foi? Assim se exprime a surpresa de todos, o espanto dos justos e a consternação dos injustos”.

Que surpresa!

Quando foi?” Nós também podemos dizer, continuou o Papa: "esperamos que o julgamento sobre a vida e sobre o mundo ocorra sob a bandeira da justiça, diante de um tribunal decisivo que, avaliando todos os elementos, esclareça para sempre as situações e intenções”. E o Papa adverte mais uma vez:

“No tribunal divino, a única avaliação de mérito e de acusação é a misericórdia para com os pobres e os descartados”. “O Altíssimo está nos pequenos, Aquele mora nos céus entre os mais insignificantes para o mundo. Que surpresa!!”

“A sua medida é um amor que vai além das nossas medidas e seu método de avaliação é a gratuidade. Assim, para nos prepararmos, sabemos o que fazer: amar gratuitamente e infinitamente,  sem esperar reciprocidade, os que estão na sua lista de preferências, os que não podem nos dar nada em troca, os que não nos atraem”.

Comprometimento com o Evangelho

Continuando sua homilia Francisco pondera: “Sejamos realistas, nos tornamos muito bons em fazer compromissos com o Evangelho: alimentar os famintos sim, mas a questão da fome é complexa e eu certamente não posso resolvê-la! Ajudar os pobres sim, mas depois as injustiças têm que ser tratadas de uma certa maneira e então é melhor esperar, também porque se você se comprometer, corre o risco de ser perturbado o tempo todo e talvez você perceba que poderia ter feito melhor!”. E recorda a todos que assim não funciona, “com os "mas" e "porém", fazemos da vida um compromisso com o Evangelho. De simples discípulos do Mestre nos tornamos mestres da complexidade, que discutem muito e fazem pouco, que buscam respostas mais na frente do computador do que na frente do Crucifixo”, disse o Papa.

O quando é agora

Quando foi? Perguntam-se surpresos tanto os justos quanto os injustos”, continua o Papa. Dando uma resposta clara: “o quando é agora. Está nas nossas mãos, nas nossas obras de misericórdia: não em análises detalhadas, não em justificativas individuais ou sociais”. Dizendo em seguida:

“Hoje o Senhor nos recorda que a morte vem para mostrar a verdade da vida e remover qualquer atenuante à misericórdia”

Concluindo disse: “não podemos dizer que não sabemos. O Evangelho explica como viver a espera: vai-se ao encontro de Deus amando, porque Ele é amor. E no dia da nossa despedida, a surpresa será feliz se agora nos deixarmos surpreender pela presença de Deus, que nos espera entre os pobres e feridos do mundo. E espera ser acariciado não com palavras, mas com ações.

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Francisco faz oração pelos falecidos no Cemitério Teutônico

O momento foi privado ao final da missa na Basílica de São Pedro em sufrágio pelos cardeais e bispos falecidos nos últimos 12 meses. Segundo comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, à espera do Pontífice estavam as Irmãs Servas de Cristo Sacerdote, que cuidam do cemitério que fica dentro do Vaticano.

Como acontece todo 2 de novembro, Dia de Finados, o Papa Francisco celebrou uma missa na Basílica de São Pedro em sufrágio pelos cardeais e bispos falecidos nos últimos 12 meses. Em seguida, o Pontífice se dirigiu ao Cemitério Teutônico para um momento privado de oração e comemoração da partida dos fiéis.

Segundo comunicado divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, à espera do Papa Francisco estavam as Irmãs Servas de Cristo Sacerdote, que cuidam do cemitério, além da superiora da congregação, do reitor do Pontifício Colégio Teutônico de Santa Maria, em Camposanto, e o vice-reitor: "o Papa fez uma oração silenciosa, depois de ter abençoado com aspersor os túmulos mantidos ali". Logo depois, o Pontífice retornou à Casa Santa Marta.

O cemitério dentro do Vaticano

O Campo Santo dos Teutônicos foi construído sobre a área onde estava o Circo de Nero, na região localizada agora entre a Basílica de São Pedro e a Sala Paulo VI. No pátio interno, provavelmente construído no século XVII, em meio à vegetação, há estátuas e sepulturas de várias épocas, onde foram sepultados alemães ilustres. Nas lápides dos túmulos, nomes e sobrenomes em alemão. E ao longo do trajeto entre as subdivisões da área, caminha-se sobre lápides de mármores que recobrem algumas sepulturas. Entre as personalidades sepultadas estão George da Baviera, príncipe da Baviera (+1943) e Engelbert Kirschbaum, S.J., arqueólogo e colaborador acadêmico na descoberta do túmulo de São Pedro (+1970), por exemplo.

Dada a sua localização particular - dentro do Estado da Cidade do Vaticano - o cemitério recebe milhares de pedidos para sepultamento todos os anos. Porém, de acordo com os estatutos da fundação, as solicitações devem obedecer cânones bem precisos: ser membro da arquiconfraria responsável pelo cemitério, ser religioso de origem alemã e membro de Colégios Teutônicos de Roma.

Mas há exceções. Em fevereiro de 2015, por desejo do Papa Francisco, foi sepultado “Willy” - como era conhecido - o indigente que vagava pelas ruas nos arredores do Vaticano.

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O Papa
confia a Nossa Senhora sua viagem ao Reino do Bahrein

Francisco foi à Basílica de Santa Maria Maior na tarde desta quarta-feira, como faz habitualmente desde o início de seu pontificado antes de cada viagem internacional. O Pontífice rezou diante do ícone da Virgem Salus Populi Romani para confiar-lhe sua 39ª viagem apostólica internacional que o levará ao Reino do Bahrein de 3 a 6 de novembro

Na tarde desta quarta-feira (02/11), o Papa Francisco visitou a Basílica Papal de Santa Maria Maior para confiar à Virgem Salus Populi Romani sua 39ª viagem apostólica internacional ao Reino do Bahrein que terá início no dia 3 de novembro até o dia 6. 

Diante do ícone mariano que segundo a tradição foi pintado por São Lucas, o Papa rezou por alguns minutos por essa viagem, definida por ele, no Angelus do Dia de Todos os Santos (01/11) como uma "uma visita em nome do diálogo”. O Papa participará de um Fórum que tematiza, disse ainda no Angelus, “a necessidade imprescindível de que o Oriente e o Ocidente se encontrem cada vez mais para o bem da convivência humana. Terei a oportunidade de conversar com representantes religiosos, especialmente muçulmanos”. Por fim o Papa pediu que todos “me acompanhem com a oração, para que cada encontro e evento possa ser uma ocasião fecunda para apoiar, em nome de Deus, a causa da fraternidade e da paz, de que nossos tempos têm extrema e urgente necessidade”.

A visita desta tarde é a centésima que o Papa Francisco fez à Basílica de Santa Maria Maior desde que foi eleito Papa. Depois da oração diante do ícone de Nossa Senhora, o Papa retornou ao Vaticano.

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Sobre o Dia de Finados, dom Walmor

motiva compreensão de que todos somos peregrinos

O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, divulgou um vídeo sobre o Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro. Segundo o presidente da CNBB, a data é convite para amadurecer a compreensão de que “todos somos peregrinos”.

“Essa vida é uma passagem. Essa compreensão é educativa, é a nossa fé, ajuda-nos a valorizar cada instante da vida, perceber que cada momento da vida é dom precioso de Deus”, afirmou.

Segundo dom Walmor, o Dia de Finados “convoca-nos a viver adequadamente o que significa investir a nossa vida na prática do bem, buscando servir a cada pessoa, cada irmão e irmã na fidelidade aos ensinamentos de Jesus Cristo nosso mestre redentor ressuscitado”.

O presidente da CNBB motivou as preces pelos falecidos e “também uns pelos outros, cultivando a esperança que vem de Cristo Rei nosso Mestre, Senhor e Redentor ressuscitado”.

Liturgia

A celebração litúrgica, a Comemoração de todos os fiéis defuntos, reafirma o sentido da fé na esperança. A Igreja peregrina na terra se une na fé para rezar pelos que partiram deste mundo, mantendo a sua fé na misericórdia de Deus que acolhe com amor.

O Diretório de Liturgia da Igreja no Brasil detalha as indulgências que podem ser lucradas em favor dos defuntos:

Aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos: diariamente, do dia 1º ao dia 8º de novembro, nas condições de costume, isto é: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial (Enchir. Indulgentiarum, n. 13).

Ainda neste dia, em todas as igrejas, oratórios públicos ou semi-públicos, igualmente lucra-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos: a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar a Oração dominical e o Símbolo (Pai nosso e Creio), confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai Nosso e Ave Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção).

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terça-feira, 1 de novembro de 2022

Papa no Angelus desta terça-feira:

a paz tem que ser construída.

Nunca é violenta, nunca está armada.

Francisco disse que "a paz de Jesus é muito diferente do que imaginamos. Todos desejamos a paz, mas muitas vezes o que queremos é estar em paz, sermos deixados em paz, não ter problemas, mas tranquilidade. Na verdade, a paz tem que ser construída e, como qualquer construção, ela requer compromisso, colaboração e paciência".

Mariangela Jaguraba/Silvonei José – Vatican News

O Papa Francisco conduziu a oração mariana do Angelus na Solenidade de Todos os Santos celebrada, no Vaticano e na Itália, nesta terça-feira (1º/11). A Igreja no Brasil celebra a Solenidade de Todos os Santos no domingo, 6 de novembro.

Na alocução que precedeu a oração, Francisco disse que podemos ter uma impressão enganosa dessa Solenidade, pensando que estamos celebrando os irmãos e irmãs que "na vida foram perfeitos, sempre lineares, precisos e engomados".

A paz tem que ser construída

"Em vez disso, o Evangelho de hoje desmente esta visão estereotipada, esta "santidade perfeita de imagem". De fato, as bem-aventuranças de Jesus, que são a carteira de identidade dos santos, mostram totalmente o contrário: falam de uma vida contracorrente, de uma vida revolucionária, os santos são os verdadeiros revolucionários", disse o Papa, tomando como exemplo uma bem-aventurança muito atual: "Bem-aventurados os agentes de paz". "Vemos como a paz de Jesus é muito diferente do que imaginamos. Todos desejamos a paz, mas muitas vezes o que queremos não é a paz, mas estar em paz, sermos deixados em paz, não ter problemas, mas tranquilidade. Jesus, por outro lado, não chama bem-aventurados os tranquilos, os que estão em paz, mas aqueles que fazem a paz e lutam para fazer a paz, os construtores, os agentes de paz", sublinhou Francisco, acrescentando:

Na verdade, a paz tem que ser construída e, como qualquer construção, ela requer compromisso, colaboração, paciência. Gostaríamos que a paz chovesse do alto, ao invés disso a Bíblia fala de "semente da paz", porque ela germina do solo da vida, da semente do nosso coração; cresce em silêncio, dia após dia, através de obras de justiça e obras de misericórdia, como nos mostram as testemunhas luminosas que hoje festejamos. Mais ainda, somos levados a acreditar que a paz vem com a força e o poder: para Jesus é o oposto. Sua vida e a dos santos nos dizem que a semente da paz, para crescer e dar frutos, deve primeiro morrer. A paz não é alcançada conquistando ou derrotando alguém, nunca é violenta, nunca está armada.

O Papa disse ainda que viu no programa italiano "Sua Immagine" os muitos santos e santas que lutaram, que fizeram a paz com o trabalho, dando a própria vida, oferecendo a vida.

Desmilitarizar o campo do coração

"Como então alguém se torna um agente de paz? Primeiramente, é necessário desarmar o coração", disse ainda o Papa.

Sim, porque todos nós estamos equipados com pensamentos agressivos, um contra o outro, palavras afiadas, e pensamos em nos defender com os arames farpados da lamentação e com os muros de concreto da indiferença. Entre lamentação e indiferença nos defendemos e isso não é paz. Isso é guerra. A semente da paz pede para desmilitarizar o campo do coração. Como? Abrindo-nos a Jesus, que é "a nossa paz"; permanecendo diante de sua cruz, que é a cátedra da paz; recebendo d’Ele, na Confissão, "o perdão e a paz". É aqui que começamos, porque ser agentes de paz, ser santos, não é capacidade nossa, são dons, é um dom seu, é graça.

O Pontífice nos convidou a olhar para dentro de nós e nos perguntar: "Somos construtores de paz? Ali onde vivemos, estudamos e trabalhamos, levamos tensão, palavras que ferem, conversas que envenenam, polêmicas que dividem? Ou abrimos o caminho para a paz: perdoamos aqueles que nos ofenderam, cuidamos daqueles que estão à margem, curamos alguma injustiça ajudando aqueles que têm menos? Isso se chama construir a paz", reiterou.

Aquele que ama a todos e não fere ninguém vence

A seguir, o Papa perguntou: "Vale a pena viver assim? Não é ser um perdedor?"

É Jesus quem nos dá a resposta: os que promovem a paz "serão chamados filhos de Deus": no mundo eles parecem estar fora de lugar, porque não cedem à lógica do poder e do prevalecer. No céu serão os mais próximos de Deus, os mais semelhantes a Ele. Mas, na realidade, também aqui aquele que prevarica permanece de mãos vazias, enquanto aquele que ama a todos e não fere ninguém vence: como diz o Salmo, "o homem de paz terá uma descendência".

O Papa concluiu, pedindo à Virgem Maria, Rainha de todos os santos, para que "nos ajude a sermos construtores de paz na vida de cada dia".

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Papa Francisco na intenção de oração deste mês:

 as crianças não são números, são seres humanos

"Cada criança marginalizada, abandonada por sua família, sem escolaridade, sem cuidados médicos, é um grito! Um grito que se eleva a Deus e acusa o sistema que nós, adultos, construímos", diz o Papa na mensagem de vídeo.


O Papa Francisco recorda as crianças que sofrem na intenção de oração, para o mês de novembro, divulgada nesta segunda-feira (31/10).

Na mensagem de vídeo, o Pontífice se dirige às crianças abandonadas, que sofrem diariamente de rejeição, miséria, pobreza e todos os tipos de conflitos, sem uma oportunidade real de crescimento, de desenvolvimento e sem ter acesso a direitos básicos.

Há ainda milhões de crianças que sofrem e vivem em condições muito semelhantes à escravidão. Não são números: são seres humanos com um nome, com um rosto, com uma identidade dada por Deus.

Segundo o Papa, "muitas vezes esquecemos a nossa responsabilidade e fechamos os olhos à exploração destas crianças que não têm direito de brincar, nem de estudar, nem de sonhar. Elas nem sequer têm o calor de uma família".

Cada criança marginalizada, abandonada por sua família, sem escolaridade, sem cuidados médicos, é um grito! Um grito que se eleva a Deus e acusa o sistema que nós, adultos, construímos.

Para contextualizar a mensagem deste mês, basta recordar algumas referências globais. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirma que 1 bilhão de crianças em todo o mundo vivem na pobreza multidimensional (sem acesso a educação, saúde, moradia, alimentação, saneamento ou água) e estima que 153 milhões de crianças são órfãs. Além disso, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos declarou numa carta recente que "no final do ano passado, mais de 450 milhões de crianças, uma a cada seis, viviam em zona de conflito, o número mais elevado em 20 anos. Um recorde de 36,5 milhões de crianças foram deslocadas de seus lares em consequência de conflitos, guerras, violência e outras crises".

Para o Santo Padre, "uma criança abandonada é culpa nossa. Não podemos continuar permitindo que se sintam sozinhas e abandonadas; elas precisam receber uma educação e sentir o amor de uma família para saberem que Deus não as esquece."

"Rezemos para que as crianças que sofrem, as crianças que vivem nas ruas, as vítimas da guerra e os órfãos, possam ter acesso à educação e possam redescobrir o afeto de uma família", concluiu Francisco.

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Celebra-se hoje

a Solenidade de Todos os Santos

 “Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: ‘Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito’ “(Mt 5,48)
(Catecismo da Igreja Católica 2013).

Fruto da conversão realizada pelo Evangelho é a santidade de muitos homens e mulheres do nosso tempo; não só daqueles que foram proclamados oficialmente santos pela Igreja, mas também dos que, com simplicidade e no dia a dia da existência, deram testemunho da sua fidelidade a Cristo.

(1) São João Paulo II, Homilia durante a Missa de encerramento da II Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Europa (23 de Outubro de 1999), 4: AAS 92 (2000), 179.

Durante o ano, a Igreja celebra ou faz memória de um santo diariamente. Mas no dia 1º de novembro, ela reúne-os todos numa festa comum. Isso porque, mesmo entre os canonizados, muitos santos não têm um dia exclusivo para sua homenagem. Essa celebração começou no século III, na Igreja do Oriente. Já em Roma, a festa de Todos os Santos ocorreu pela primeira no dia 13 de maio de 609, quando o papa Bonifácio IV transformou o Panteão, templo dedicado a todos os deuses pagãos do Olimpo, em uma igreja em honra à Virgem Maria e a Todos os Santos.

Próximo do ano 800, houve a mudança do dia graças à intervenção do abade inglês Alcuíno de York, professor de Carlos Magno. Os pagãos celtas entendiam o dia 1º de novembro como um dia de comemoração que anunciava o início do inverno. Quando eles se convertiam, queriam continuar com a tradição da festa. Assim, a veneração de Todos os Santos, lembrando os cristãos que morreram em estado de graça, foi instituída no dia 1º de novembro.

O papa Gregório IV, em 835, fixou e estendeu para toda a Igreja a comemoração em 1º de novembro. Oficialmente, a mudança do dia da festa de Todos os Santos, de 13 de maio para 1º de novembro, só foi decretada em 1475, pelo do papa Xisto IV.

Mas quem são os santos? Santos são todos os que foram canonizados pela Igreja ao longo dos séculos e também os que não foram e nem sequer a Igreja conhece o nome e que nos precederam em vida na terra perseverando na fé em Cristo. Todos viveram na terra uma vida semelhante à nossa. Batizados, marcados com o sinal da fé, fiéis aos ensinamentos de Cristo, eles precederam-nos na pátria celeste e convidam-nos a irmos ter consigo. Nos primeiros séculos, os cristãos praticavam o culto dos santos, a começar pelos mártires, por isto hoje vivemos esta tradição, na qual nossa Mãe Igreja convida-nos a contemplarmos os nossos “heróis” da fé, esperança e caridade.

Além disso, a solenidade de Todos os Santos enche de sentido a homenagem de Todos os Finados, que ocorre no dia seguinte.

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