sábado, 3 de setembro de 2022

Papa Francisco neste sábado:

 a Igreja chamada a ser um “hospital de campo”

Em seu discurso aos participantes da iniciativa “Hospitais Abertos” o Papa convida a não desistir, ir em frente, ajudar, curar, amar. “Uma gota de água no deserto, porém até mesmo o deserto pedregoso da Síria, após as primeiras chuvas da primavera, está coberto por um manto verde”. O encontro foi nesta manhã (03) no Vaticano.

O Papa Francisco recebeu na manhã deste sábado, 3 de setembro, os participantes da iniciativa “Hospitais Abertos” na Síria. “Pensando na Síria – iniciou o Papa - vêm à mente as palavras do Livro das Lamentações: ‘Pois tão grande como o mar é a tua perdição, quem te curará’" (2,13). Estas são expressões que se referem aos sofrimentos de Jerusalém e também podem trazer à mente aqueles vividos pela população síria durante estes doze anos de conflito sangrento”.

"Quem te curará, Síria?". É a pergunta que o Papa se faz diante da realidade de hoje, continuando “a crise síria, segundo os observadores internacionais, continua sendo uma das crises mais graves do mundo, com destruição, crescentes necessidades humanitárias, colapso socio-econômico, pobreza e fome em níveis extremamente severos”. Diante deste imenso sofrimento, continuou Francisco “a Igreja é chamada a ser um ‘hospital de campo’, para curar tanto as feridas espirituais quanto físicas”.

“A Igreja, desde o tempo dos Apóstolos, tem permanecido fiel ao mandato de Jesus: ‘Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebeste, de graça dai' (Mt 10,8)”

Hospitais para todos

O Papa destacou que "Hospitais Abertos", significa, “aberto a pacientes pobres, independentemente de afiliação étnica ou religiosa. Esta característica - continuou - expressa uma Igreja que quer ser uma casa com as portas abertas e um lugar de fraternidade humana.

“Em nossas instituições de caridade, as pessoas, especialmente os pobres, devem se sentir ‘em casa’ e sentir um clima de acolhida digna”

O efeito deste gesto recordou ainda, é duplo: “curar os corpos e recompor o tecido social, promovendo aquele mosaico de convivência exemplar entre vários grupos étnico-religiosos que é característico da Síria. A este respeito, é significativo que os muitos muçulmanos atendidos em seus hospitais sejam os mais gratos”, concluiu.

O Bom Samaritano

“Hoje vocês me presentearam com um belo ícone de Jesus, o Bom Samaritano. O homem infeliz da parábola do Evangelho, roubado e deixado meio morto na beira da estrada, pode ser outra imagem dramática da Síria, atacada, roubada e abandonada meio morta na beira da estrada. Mas não esquecida e abandonada por Cristo, o Bom Samaritano, e por tantos bons samaritanos: indivíduos, associações, instituições”. Então Francisco cita a Fratelli tutti confirmando: “A história do bom samaritano repete-se: torna-se cada vez mais evidente que a incúria social e política faz de muitos lugares do mundo estradas desoladas, onde as disputas internas e internacionais e o saque de oportunidades deixam tantos marginalizados, atirados para a margem da estrada”.

Uma gota de água é importante

Por fim o Papa disse ainda: “Diante de tantas e graves necessidades, sentimos o limite de nossas possibilidades de intervenção. Sentimo-nos um pouco como os discípulos de Jesus diante da grande multidão a ser alimentada: ‘Não temos nada além de cinco pães e dois peixes; mas o que é isto para tanta gente?’ (Jo 6,5-9). Uma gota de água no deserto, poder-se-ia dizer. No entanto, até mesmo o deserto pedregoso da Síria, após as primeiras chuvas da primavera, está coberto por um manto verde. Tantas pequenas gotas, tantos fios de grama!”

Concluindo disse:

“Que os doentes possam ser curados, que a esperança possa renascer, que o deserto possa reflorescer!”

Jane Nogara

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Dom Walmor na última coletiva da 59ª AG CNBB:

“Como Igreja temos a missão de anunciar o Reino de Deus

e marcar o Brasil com o sabor do evangelho”

As principais decisões da 59ª Assembleia Geral da CNBB foram pauta da última coletiva de imprensa na tarde da sexta-feira, 2 de setembro, na voz do arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo. Para ele, “Uma assembleia de grande relevância e importância para todos nós”.

O presidente da CNBB ressaltou que os bispos do Brasil ficaram 3 anos e meio sem um encontro presencial em razão da pandemia da Covid-19 e, por isso, esta segunda etapa da 59ª Assembleia ganhou uma importância ainda maior para o episcopado brasileiro. “Voltamos ao Santuário Nacional de Aparecida para nos encontrarmos e vivermos aquilo que é o mais importante na Conferência dos Bispos do Brasil: a comunhão entre nós”, comenta dom Walmor.

Novos documentos

Nos 5 dias de encontro foram refletidos, debatidos, decididos e votados mais de 10 temas relacionados com a evangelização e com a organização da Igreja no Brasil, alguns deles destacados pelo presidente da CNBB na coletiva: a aprovação das atualizações do estatuto, da revisão do Missal, o Documento 114 e o itinerário para instituição do Ministério dos Catequistas.

Sobre a renovação do estatuto, aprovada pela Assembleia na manhã deste último dia, dom Walmor destaca que foi “Um trabalho relevante para além das letras legislativas, mas numa perspectiva de nos colocarmos em condições de sermos uma instituição que congrega todos os bispos a serviço da Igreja e do seu Povo, de maneira moderna, ágil e competente”.

Uma aprovação muito comemorada pelos bispos do Brasil foi a tradução do Missal depois de 18 anos de trabalho: “A tradução do novo missal, que se refere à liturgia, concluímos como uma grande vitória e terá um impacto muito grande em nossas comunidades de fé no que diz respeito às celebrações litúrgicas”, ressaltou o presidente durante a coletiva.

Outro destaque importante no que diz respeito às votações na assembleia foi o Documento 114, que estava publicado como estudo e agora será editado como documento pela CNBB, sobre a animação bíblica da pastoral. “Trata-se da experiência importante e bonita de colocar a Palavra de Deus no centro, em todo o lugar”, analisou o presidente da CNBB.

A presença da Igreja no Brasil

Dom Walmor afirmou que a 59ª Assembleia Geral marcou a celebração dos 70 anos da CNBB, uma data importante para revisitar uma história de grande importância para a sociedade brasileira. “A comemoração foi ocasião também para a Igreja olhar a si mesma, revendo o passado, analisando o presente, planejando o futuro e reafirmando sua missão no Brasil”, disse.

Como missão da Igreja, após a 59ª AG CNBB, dom Walmor apontou:

“Como Igreja no coração do mundo temos uma missão enorme de anunciar o Reino de Deus e de marcar a nossa sociedade brasileira, em tempos muitos difíceis, com o sabor do Evangelho de Jesus Cristo. Deus seja louvado por este caminho e que Ele nos enriqueça para que nós possamos abrir novos caminhos com as luzes do Evangelho para a vida do povo brasileiro, superando descompassos, desigualdades sociais vergonhosas e, sobretudo, o enfrentamento do problema gravíssimo da fome em todo o Brasil. Queremos que tudo aquilo que fizemos, rezamos, discutimos e decidimos se torne uma grande força para a sociedade brasileira no cumprimento da tarefa missionária da Igreja”.

Dom Walmor finalizou sua participação na coletiva ressaltando a importância do respeito a democracia, em um contexto de esperança no seguimento de Jesus Cristo, caminho de diálogo, respeito e apreço pela vida em todas as suas etapas.

Por Victória Holzbach

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Sobre a mensagem, dom Jaime salienta que as alegrias

e as angústias do povo brasileiro são assumidas pelos bispos do Brasil

A última coletiva de imprensa da 59° Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) contou com a participação dos membros da presidência da CNBB. Na ocasião, eles fizeram um balanço geral dos trabalhos realizados ao longo da semana e apresentaram a mensagem ao povo de Deus, divulgada na manhã dessa sexta-feira, 2 de setembro.

Na ocasião, o arcebispo de Porto Alegre (RS) e primeiro vice-presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, destacou que Assembleia é uma experiência muito bonita de colegialidade. “Acompanhar os bispos, provenientes de várias realidades diferentes, rezando, discutindo. O que conseguimos, eu creio, que é obra de Deus. O desejo de cada um colaborar é imensa”, ressaltou.

Nesse sentido, dom Jaime falou sobre a “Mensagem da CNBB ao povo brasileiro sobre o momento atual”, aprovadas pelos bispos e divulgada nesta sexta-feira, 2 de setembro, na parte da manhã. “Optamos por divulgar uma mensagem ao nosso povo. Um texto sobre esse momento que estamos vivendo que é desafiador”.

“O que nos move é o Evangelho. As alegrias, as angústias de nosso povo são as nossas. E os bispos trazem isso muito presente diante dos olhos e do coração”, enfatizou.

Dom Jaime salientou que a fé traz para os bispos exigências éticas que se traduzem em compaixão e solidariedade e encontram inspiração no Evangelho de Jesus Cristo. Na sequência, o arcebispo destacou os principais eixos da mensagem: família, cuidado com a Casa Comum, com os pobres, a vida, democracia.

“Um dos outros aspectos que vale a pena destacar é que a Igreja é advogada da justiça e dos pobres. Por outro lado, a igreja não se identifica com nenhum partido político, mas não se retira das exigências das atividades políticas. O bem comum é aquilo que deve ocupar todos os cidadãos”, disse.

“A fome é criminosa”

Na mensagem, dom Jaime salientou que o episcopado reconhece que o Brasil está vivendo um tempo difícil. Essa dificuldade, segundo o primeiro vice-presidente da CNBB, marca a vida do povo brasileiro e tem raízes profundas, históricas.

“Constatamos o descuido com a Casa Comum, a violência latente e crescente entre nós e certamente potencializada pela flexibilização do porte de armas, que não promove o bom convívio entre as pessoas”, disse.
A mensagem também traz aspectos sobre o desemprego e a exigência do acesso à educação com qualidade. “É uma exigência, um desafio, uma necessidade”, disse.

Conforme o arcebispo de Porto Alegre esses aspectos trazem certamente um desafio com um futuro próximo da nação e que, a fome, é certamente o desafio maior. O bispo, fazendo eco à mensagem aprovada, disse que a fome se apresenta criminosa num país como o Brasil que produz tantos alimentos. “Nós conclamamos o nosso povo, com consciência, para que se aproximem do próximo pleito escolhendo candidatos que apresentem projetos com o cuidado com a casa Comum, a defesa da família e da vida”.

Por fim, dom Jaime finalizou seu discurso citando uma fala do Papa Francisco que fala sobre a necessidade de promover o amor político com os mais necessitados. “Precisamos de homens e mulheres capazes de desfrutar desse amor político para que todos possam ter vida plena”, finalizou.

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“É bom estarmos juntos. Da nossa comunhão brota

o nosso compromisso solidário na Igreja no Brasil,

afirmou o secretário-geral”

“É preciso manter o trem no trilho, às vezes acelerando e às vezes reduzindo a velocidade, mas sempre em unidade e comunhão para ser possível cumprir toda a pauta” afirmou o bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, o “maquinista” que foi o grande condutor dos trabalhos da 59ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em Aparecida (SP), de 28 de agosto a 2 de setembro.

Durante a última coletiva de imprensa da 59ª AG da CNBB, dom Joel apresentou pontos de uma avaliação parcial dos trabalhos realizados e lembrou que ela aconteceu em duas etapas. A primeira online, realizada em abril de 2022, na qual foram tratados todos os temas que não necessitavam de votação e o trabalho, inicialmente, de alguns dos temas que seriam votados nessa segunda etapa presencial.

Segundo dom Joel, “conviver, rezar, votar foram os verbos que caracterizam os cinco dias de convivência do episcopado”, reunidos em Aparecida (SP). “Uma vez que tivemos cinco dias para votar dez assuntos, no mínimo e, cada um algumas vezes, exigiu dos participantes dias de trabalho, com rigor, flexibilidade e muita unidade”, ressaltou.

Dom Joel enfatizou a alegria de perceber a unidade significativa do episcopado refletida no resultado das votações. De acordo com ele, dos 10 processos de votação, a maioria foi aprovado por unanimidade: “não somos iguais, pensamos diferente, temos posturas diferentes em relação às soluções concretas a serem buscadas, diferente na origem, na história, mas comungamos da mesma postura diante das preocupações em respeito a vida da Igreja e vivemos em comunhão”, afirma.

“É bom estarmos juntos”

Outro ponto destacado por dom Joel foi a força encontrada no encontro e na convivência entre os irmãos bispos: “foi marcante durante toda a assembleia a alegria do reencontro, da partilha, de estar junto, da comunhão na diversidade, considerando que a última vez que nos reunimos foi em 2019”.

O secretário-geral disse que os momentos de votação e convivência caminharam lado a lado com os momentos de oração. “Participamos de uma procissão a caminho da Casa da Mãe, rezamos o terço, as orações da manhã e as missas no final do dia. Eu costumo dizer e reafirmo é muito bom estarmos juntos. É dessa comunhão entre nós que brota o compromisso solidário”, reforça o bispo.

Segundo dom Joel, o resultado da avaliação da primeira assembleia presencial no pós-pandemia é bem positivo e deixa como marca a força da “experiência de fé cristã, que não se resume à CNBB, nem à sua presidência, mas deve envolver cada batizado e cada batizada, deve envolver cada um de nós, que devemos querer construir comunhão em um mundo com tantas sequelas. Em comunhão, vamos enfrentar as dificuldades e terminar por vencer essas e outras que possam vir”, afirmou.

O secretário-geral disse que o último dia de assembleia contou com vários assuntos, entre eles o início de uma grande convocação que convida o Povo de Deus a participar do processo de elaboração das diretrizes gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, que serão finalizadas na Assembleia Geral de 2025. Além deste, foram aprovados diversos processos e documentos com a finalização dos processos de votação e divulgada a Mensagem ao Povo Brasileiro, elaborada pelo episcopado.

Por Vanuza Wistuba

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                                                                                                                              Fonte: cnbb.org.br

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

“Comunhão, participação e missão”, eixos que marcaram

a  celebração jubilar dos 70 anos da CNBB

Na noite da quinta-feira, 1º de setembro, foi celebrado um momento jubilar em torno da memória dos 70 anos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Uma história de “comunhão, participação e missão, que se faz expressão de corresponsabilidade, que confirmou e alargou o horizonte eclesial da colegialidade episcopal”, segundo um trecho do roteiro lido pela jornalista Camila Morais e pelo irmão Alan Patrick Zuccherato, ambos da TV Aparecida, que foram os mestres de cerimônia.

A celebração aconteceu no Santuário Nacional e contou com homenagens e agradecimentos a todos os que fizeram parte da história da CNBB, com a exibição de vídeos e depoimentos de bispos e outros personagens. Uma orquestra, um grupo de bailarinos e cantores como a Ziza Fernandes, Eliana Ribeiro, padre Antônio Maria e grupo Ir ao povo, foram convidados para animar o momento.



A CNBB e a Comunhão

Em vista de uma comunhão eclesial desejada, inclusive, antes do Concílio Vaticano II, já nasce uma das maiores Conferências do mundo, que vai inspirar, posteriormente, outras Conferências. No início da década de 50 foi criada a CNBB. Num clima de convivência, nasce esta história que hoje conta com 465 bispos, dentre os quais 308 são titulares e auxiliares, 157 eméritos servindo às 278 Igrejas Particulares do nosso país.

E para este tema, o arcebispo emérito de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da CNBB de 2007 a 2011, e o arcebispo de Porto Alegre (RS) e primeiro vice-presidente da CNBB, dom Jaime Spengler falaram sobre o desafio inicial de se criar uma Conferência Nacional para promover a comunhão entre os pastores da Igreja num país de dimensões continentais como o Brasil.

“A palavra chave já foi pronunciada: comunhão. A CNBB nasceu para que se expressasse a comunhão num momento em que o país começava a passar por problemas”, afirmou dom Geraldo Lyrio.

Dom Geraldo salientou que se deve a dom Hélder Câmara a criação da CNBB, em 1952, que teve importante papel de enfrentamento à ditadura militar brasileira. Graças a esse trabalho, foi elevado ao título de bispo da igreja católica, em 1952, tornando-se o secretário geral da organização. Em 1964, ele se tornaria arcebispo de Recife e Olinda.

Dom Geraldo recordou que a sede da Conferência se situava, a princípio, no Palácio São Joaquim, no Rio de Janeiro. “A CNBB já nasce trazendo as marcas e as conservas ao longo desses 70 anos”. Já dom Jaime Spengler enfatizou as motivações que levaram a mudar a sede da Conferência para a capital federal. Segundo ele, a transferência para Brasília (DF) “favorecia a comunhão geográfica das diversas dioceses com a Conferência”.

Homenagens aos que serviram a CNBB

Sônia Milhomen, responsável pelos arquivos da presidência da entidade, foi reconhecida e agraciada pelos valiosos serviços prestados à CNBB e à Igreja no Brasil. 


O momento também trouxe a oportunidade de lembrança e agradecimento a todos os homens e mulheres que dedicaram suas vidas à serviço da CNBB.

Representando todos esses homens e mulheres, a Sônia Milhomen, responsável pelos arquivos da presidência da entidade, foi reconhecida e agraciada pelos 36 anos de valiosos serviços prestados à CNBB e à Igreja no Brasil.

Ela recebeu flores, uma plaquinha comemorativa e a imagem de Nossa Senhora Aparecida das mãos do presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo e do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus (AM) e ex-secretário-geral da CNBB.

“Assessores e colaboradores são um coração que bate na Conferência”, disse dom Walmor se referindo à Sônia.

Dom Leonardo entregou as flores à colaborada e disse que era com “muita alegria”, pois a Sôninha, como é carinhosamente tratada, cuidava da Conferência e de todos os colaboradores. “Muito obrigado pela sua presença e pelo seu jeito de viver o Evangelho servindo a Igreja e a CNBB”, agradeceu dom Leonardo.

História

E para falar um pouco mais sobre a história da Conferência, o bispo auxiliar do Rio de Janeiro e atual secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, salientou que o primeiro ponto principal da CNBB é estimular a vivência da fé a partir das comunidades eclesiais missionárias.


O bispo recordou que a instituição passou por momentos importantes de animação, desde a década de 70, tocando em importantes pontos como justiça e paz. Ele recordou os pronunciamentos da CNBB em diversos momentos e, em especial, sobre a fome, temática de duas Campanhas da Fraternidade. “A CNBB é Igreja, luz, sal, fermento e compromisso”, disse dom Joel.

Futuro e missão da Conferência

A Conferência é uma instância de comunhão, congregando os Bispos da Igreja Católica no Brasil, para que, a exemplo dos Apóstolos, possam exercer funções pastorais em favor do povo de Deus. Juntos, eles procuram dinamizar a própria missão evangelizadora, para melhor promover a vida eclesial, respondendo aos desafios contemporâneos e realizando evangelicamente seu serviço de amor, na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária, a caminho do Reino definitivo.


O arcebispo de Cuiabá (MT) e vice-presidente da CNBB, dom Antônio Mário da Silva. 

Para se ter um vislumbre sobre o presente e o futuro da missão da Conferência, o arcebispo de Cuiabá (MT) e vice-presidente da CNBB, dom Antônio Mário da Silva, afirmou que clamores não são poucos.

“Olhar para a nossa realidade é olhar para as pessoas. E nós podemos dizer que a CNBB tem escutado as pessoas para identificar os clamores. Clamores por justiça, por paz, por evangelização, por saúde, por educação, por pão”.

Dom Mário evidenciou que a CNBB não ignora a situação do desemprego, do luto, da violência contra a pessoa, contra os indígenas, o povo negro, idosos, com a criação.

“A fome dói, machuca, mata. E diante de tantos clamores reais a presença missionária da nossa Conferência indica um caminho de esperança. A resposta dos clamores está nos 4 pilares: palavra, pão, caridade e ação missionária”, disse.

E o presidente da CNBB, dom Walmor de Oliveira Azevedo, disse que um dos sentimentos ao revisitar a história da CNBB é o de gratidão:

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
presidente da CNBB

“O ouro da CNBB é a comunhão. Na força da comunhão o nosso compromisso é o de abrir o coração de homens e mulheres ao amor de Deus. Que Deus nos ajude e que a Mãe Aparecida nos inspire nesse caminho”.

Toda a celebração foi gravada pela TV Aparecida e será transmitida nesta sexta-feira, dia 2 de setembro, às 19h.

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Fonte: cnbb.org.br     Crédito das fotos: Thiago Leon – Santuário Nacional de Aparecida

Bispos reunidos na 59ª Assembleia Geral da CNBB divulgaram

a “mensagem da CNBB

ao povo brasileiro sobre o momento atual”

Os 292 bispos católicos do Brasil reunidos na 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde o último domingo, 28 de agosto, divulgaram na manhã desta sexta-feira, 2 de setembro, “a mensagem da CNBB ao povo brasileiro sobre o momento atual”.

Reunidos, em colegialidade e comunhão, os bispos católicos se dirigem na mensagem aos homens e mulheres de boa vontade. “Nossas alegrias e esperanças, tristezas e angústias (cf. Gaudium et Spes, 1) são as mesmas de cada brasileira e brasileiro. Com esta mensagem, queremos falar ao coração de todos”, escreveram.

Na mensagem, os bispos afirmam que “nossa fé comporta exigências éticas que se traduzem em compaixão e solidariedade concretas. O compromisso com a promoção, o cuidado e a defesa da vida, desde a concepção até o seu término natural, bem como, da família, da ecologia integral e do estado democrático de direito está  intrinsicamente vinculado à nossa missão apostólica. “Todas as vezes que esses compromissos têm sido abalados, não nos furtamos em levantar nossa voz”, afirmaram.

Brasil: país envolto em crise complexa e sistêmica

Os pastores reconhecem o tempo difícil pelo qual o povo brasileiro e o país atravessam. “Nosso País está envolto numa complexa e sistêmica crise, que escancara a desigualdade estrutural, historicamente enraizada na sociedade brasileira. Constatamos os alarmantes descuidos com a Terra, a violência latente, explícita e crescente, potencializada pela flexibilização da posse e porte de armas que ameaçam o convívio humano harmonioso e pacífico na sociedade. Entre outros aspectos destes tempos estão o desemprego e a falta de acesso à educação de qualidade para todos”, pontuaram.

A fome, para os bispos do Brasil, é certamente o mais cruel e criminoso deles, “pois a alimentação é um direito inalienável’ (cf. Papa Francisco, Fratelli Tutti, 189). A mensagem reforça os dados do relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, 2022), que aponta que a quantidade de brasileiras e brasileiros que enfrentam algum tipo de insegurança alimentar ultrapassou a marca de 60 milhões.

Além destes problemas, no documento os bispos fazem uma contundente defesa da democracia brasileira: “Como se não bastassem todos os desafios estruturais e conjunturais a serem enfrentados, urge reafirmar o óbvio: Nossa jovem democracia precisa ser protegida, por meio de amplo pacto nacional. Isso não significa somente ‘um respeito formal de regras, mas é o fruto da convicta aceitação dos valores que inspiram os procedimentos democráticos […] se não há um consenso sobre tais valores, se perde o significado da democracia e se compromete a sua estabilidade’” – (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 407).

Os bispos reforçaram ainda a preocupação com a manipulação religiosa e a disseminação de fake News que têm o poder de desestruturar a harmonia entre pessoas, povos e culturas, colocando em risco a democracia. “A manipulação religiosa, protagonizada por políticos e religiosos, desvirtua os valores do Evangelho e tira o foco dos reais problemas que necessitam ser debatidos e enfrentados em nosso Brasil. É fundamental um compromisso autêntico com o Evangelho e com a verdade”, afirmaram.

O documento afirma que as tentativas de ruptura da ordem institucional, veladas ou explícitas, buscam colocar em xeque a lisura desse processo, bem como, a conquista irrevogável do voto.  “Pelo seu exercício responsável e consciente, a população tem a capacidade de refazer caminhos, corrigir equívocos e reafirmar valores. Reiteramos nosso apoio incondicional às instituições da República, responsáveis pela legitimação do processo e dos resultados das eleições”.

Na mensagem, os bispos conclamam, mais uma vez, toda a sociedade brasileira a participar ativa e pacificamente das eleições, escolhendo candidatos e candidatas, para o executivo (presidente e governadores) e o legislativo (senadores e deputados federais, estaduais e distritais), que representem projetos comprometidos com o bem comum, a justiça social, a defesa integral da vida, da família e da Casa Comum.

Conheça a íntegra da Mensagem da CNBB ao povo brasileiro sobre o momento atual

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59ª AG CNBB aprova 3ª edição do Missal Romano, o Estatuto,

o Estudo 114 e os critérios
para instituição do Ministério do Catequista

O primeiro ponto da pauta na manhã dessa sexta-feira, 2 de setembro, na 59ª Assembleia Geral da CNBB, foi o anúncio do resultado das votações realizadas pelos bispos. As votações foram realizadas com cédulas de papel, na qual o bispo escolhia entre as opções: sim, não ou abstenção. Então, as cédulas eram encaminhadas a uma equipe de trabalho, designada pela CNBB, para fazer a contagem dos votos. 

O resultado dos escrutínios foi apresentado aos bispos pelo secretário-geral da CNBB, dom Joel Protela Amado. O primeiro anúncio foi a aprovação final da tradução da terceira edição típica do missal romano. Ela obteve 270 votos positivos e uma abstenção. Agora, o texto segue para o Vaticano, para ser submetido à aprovação final pelo Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Saiba mais:

Atualizações do Estatuto da CNBB

O segundo resultado anunciado foi sobre a aprovação do Estatuto da CNBB. A aprovação se deu com 214 votos positivos e duas abstenções. 

Saiba mais:

Estudo 114

O terceiro resultado anunciado foi sobre o Estudo 114, cujo título é: “E a Palavra habitou entre nós” (Jo 1,14): Animação Bíblica da Pastoral a partir das comunidades eclesiais missionárias”. Os bispos aprovaram que o Estudo passe a ser um documento da CNBB com 263 votos positivos, dois negativos e três abstenções. 

Saiba mais:

“A Palavra de Deus seja a base de toda a pastoral” motivou dom Peruzzo em coletiva sobre documento de estudo nº 114 – CNBB

Ministério do Catequista

O quarto resultado apresentado foi a aprovação do subsídio com os critérios e itinerários para a instituição do Ministério de Catequistas. O texto foi aprovado com 259 votos e cinco abstenções. Cada resultado anunciado foi aclamado pelos bispos com palmas.

Saiba mais:

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                                                                                                                              Fonte: cnbb.org.br

23º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e Reflexão

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1ª Leitura:  Sabedoria 9,13-18

Leitura do Livro da Sabedoria:

Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Ou quem pode imaginar o desígnio do Senhor? Na verdade, os pensamentos dos mortais são tímidos e nossas reflexões incertas: porque o corpo corruptível torna pesada a alma, e tenda de argila oprime a mente que pensa.

Mal podemos conhecer o que há na terra, e com muito custo compreendemos o que está ao alcance de nossas mãos; quem, portanto, investigará o que há nos céus? Acaso alguém teria conhecido o teu desígnio, sem que lhe desses Sabedoria e do alto lhe enviasses teu santo espírito? Só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na terra, e os homens aprenderam o que te agrada, e pela Sabedoria foram salvos.

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Responsório: Sl 89

- Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós.
- Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós.

- Vós fazeis voltar ao pó todo mortal,/ quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!”/ Pois mil anos para vós são como ontem,/ qual vigília de uma noite que passou.

- Eles passam como o sono da manhã,/ são iguais à erva verde pelos campos:/ De manhã ela floresce vicejante,/ mas à tarde é cortada e logo seca.

- Ensinai-nos a contar os nossos dias,/ e dai ao nosso coração sabedoria!/ Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis?/ Tende piedade e compaixão de vossos servos!

- Saciai-nos de manhã com vosso amor,/ e exultaremos de alegria todo o dia!/ Que a bondade do Senhor e nosso Deus/ repouse sobre nós e nos conduza!/ Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.

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2ª Leitura: Filêmon 9b-10.12-17

Leitura da Carta de São Paulo a Filêmon:

Caríssimo: Eu, Paulo, velho como estou e agora também prisioneiro de Cristo Jesus, faço-te um pedido em favor do meu filho, que fiz nascer para Cristo na prisão, Onésimo. Eu o estou mandando de volta para ti. Ele é como se fosse o meu próprio coração. Gostaria de tê-lo comigo, a fim de que fosse teu representante para cuidar de mim nesta prisão, que eu devo ao Evangelho.

Mas eu não quis fazer nada sem o teu parecer, para que a tua bondade não seja forçada, mas espontânea. Se ele te foi retirado por algum tempo, talvez seja para que o tenhas de volta para sempre, já não como escravo, mas, muito mais do que isso, como um irmão querido, muitíssimo querido para mim quanto mais ele o for para ti, tanto como pessoa humana quanto como irmão no Senhor. Assim, se estás em comunhão de fé comigo, recebe-o como se fosse a mim mesmo.

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Evangelho: Lucas 14,25-33

Proclamação do Evangelho de São Lucas:

Naquele tempo, grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.

Com efeito, qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’

Ou ainda: Qual o rei que, ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz.

Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”

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Reflexão do padre Johan Konings:

Os cristãos e as estruturas sociais

“Se Deus só serve para deixar tudo como está, não precisamos dele”; palavra de uma agente de educação popular. O Deus que é apenas o arquiteto do universo, mas fica impassível diante da injustiça dos habitantes de sua arquitetura, não tem relevância alguma. O cristianismo serve ou não para mudar as estruturas da sociedade? São Paulo tinha um amigo, Filêmon.

Este – como todos os ricos de seu tempo – tinha escravos, que eram como se fossem as máquinas de hoje. Um dos escravos, sabendo que Paulo tinha sido preso, fugiu de Filêmon para ajudar Paulo na prisão. Paulo o batizou (“o fez nascer para Cristo”).

Depois mandou-o de volta a Filêmon, recomendando que este o acolhesse, não como escravo, mas como irmão… Mais: como se ele fosse o próprio Paulo (2ª leitura).

Essa história é emocionante, mas nos deixa insatisfeitos. Por que Paulo não exigiu que o escravo fosse libertado, em vez de acolhido como irmão, continuando como escravo? Aliás, a mesma pergunta surge ao ler outros textos do Novo Testamento (1 Cor 7,21; 1Pd 2,18). Por que o Novo Testamento não condena a escravidão?

A humanidade leva tempo para tomar consciência de certas incoerências, e mais tempo ainda para encontrar-lhes remédio. A escravidão, naquele tempo, era uma forma de compensação de dívidas contraídas ou de uma guerra perdida. Imagine que se resolvesse desse jeito a dívida externa do Brasil! Seríamos todos vendidos (se já não é o caso…) Antigamente (?), a escravidão fazia parte da estrutura econômica. Na Idade Média, com os numerosos raptos praticados pelos piratas mouros, surgiram ordens religiosas para resgatar os escravos, até tomando o lugar deles. Mas ainda na época moderna, a Igreja foi conivente com a escravidão dos negros. A consciência moral cresce devagar, e mudar alguma coisa nas estruturas é mais demorado ainda, porque depende da consciência e das possibilidades históricas. As estruturas manifestam só aos poucos sua injustiça, e então leva séculos para transformá-las.

Porém, a lição de Paulo é que, não obstante essa lentidão histórica, devemos viver já como irmãos, vivenciando um espírito novo, que vai muito além das estruturas vigentes e que – como uma bomba-relógio – fará explodir, cedo ou tarde, a estrutura injusta. Novas formas de convivência social, voluntariados dos mais diversos tipos, organismos não-governamentais, pastorais junto aos excluídos – a criatividade cristã pode inventar mil maneiras para viver aquilo que as estruturas só irão assimilar muito depois.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Reflexão em vídeo de Frei Gustavo Medella:

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