domingo, 4 de dezembro de 2016

A caminho do Natal

Oito dicas para viver um Advento inesquecível

O Advento chega sempre discreto em meio a tantas luzes, presentes, comidas, e tantas outras coisas que foram inseridas nessa época natalina. Mas, sabemos que a celebração cristã vai muito além de tudo isso e que o Advento é um tempo importante para bem vivermos o Natal.
Por isso, se você não quer cair nessa de chegar dia 25 e nem ter visto o Advento passar, compartilhamos aqui algumas dicas que a Aleteia selecionou para você se preparar e viver de maneira inesquecível esse tempo:
















Faça suas compras no começo de dezembro: Pode parecer impossível! Mas se você fizer suas compras na primeira semana de dezembro, terá mais tempo depois para se dedicar ao que é essencial no Advento: oração, estar presente, preparar-se para a grande festa do Natal.
Escolha viver, no máximo, três tradições do Advento: É uma tentação querer fazer tudo e isso pode nos levar a não fazer nada direito no final. Decida quais são as tradições mais importantes para você neste momento e comprometa-se com elas. Não adianta sair correndo depois para comprar a coroa do advento ou deixar para a última semana aquela oração especial de preparação. Escolha agora e comece a viver já!
Comprometa-se com a leitura espiritual neste Advento: Procure reservar 10 minutinhos do seu dia à leitura de uma passagem Bíblica ou de algum bom livro de espiritualidade (se for sobre o Natal, melhor ainda). Você pode também ler as leituras da liturgia do dia e algum comentário sobre elas. Na internet é muito fácil de achar! E no A12, temos um canal especial para Formação e Liturgia.
- Crie um espaço de oração na sua casa: Esta época merece um espaço especial para orar. Pode ser um canto do quarto, um aparador na sala ou até a prateleira de um armário. O importante é criar um espaço físico que ajude a direcionar a mente e o coração aos temas do Advento. Nesse espaço, você pode colocar a Bíblia, imagens sacras, folhetos com orações, vela, terço entre outros objetos religiosos.
Saiba dizer “não”: Esta época é cheia de compromissos sociais, encontros de confraternização, amigo secreto, etc. Agende tudo isso com responsabilidade, sem deixar de participar, claro. Mas saiba dizer “não” a todos os “extras” que possam distrair você da vivência de um Advento com mais sentido. É difícil rejeitar coisas boas, mas cada “não” aqui significa um “sim” ao que realmente importa.
Acrescente à sua agenda uma boa confissão: Decida desde já quando e onde você receberá o sacramento da confissão neste Advento. Se você programar isso desde já, não terá motivos para se lamentar depois. Ofereça a Jesus e a todas as pessoas a quem você ama um lindo presente neste Natal: você renovado.
Prepare músicas de Advento: A música ajuda a preparar a alma. Faça a sua seleção, com as músicas e cânticos que mais o ajudem a encontrar-se com Deus e viver o clima de preparação para o Natal. Você pode ouvir no carro, na academia, em casa, onde quiser.
Escolha um jeito especial de se doar: Durante o Advento, somos convidados a prestar mais atenção às pessoas ao nosso redor e a ser generosos. Há muitas formas de fazer isso. Você já pensou em reunir seus filhos e preparar docinhos para os bombeiros da sua cidade? Ou reunir as economias da família inteira e fazer uma pequena doação a um instituto de caridade? Seja criativo no amor e na doação!
Viver um Advento com mais sentido começa com a preparação e o planejamento antecipados. As próximas semanas certamente serão agitadas, mas seu coração estará agradecido por ter se preparado para o Natal!
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sábado, 3 de dezembro de 2016

Papa recebe Presidente do Uruguai:

Situação regional na pauta

Cidade do Vaticano (RV) – A situação política nacional e regional - com especial referência ao desenvolvimento das instituições democráticas e a situação social e humanitária da América Latina – pautou o encontro de 40 minutos do Papa Francisco com o Presidente da República do Uruguai, Tabaré Ramion Vázquez Rosas na manhã desta sexta-feira, no Vaticano. A seguir, o mandatário uruguaio manteve conversações com o Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin.
Presidente uruguaio Tabaré Vázquez e Papa Francisco saúdam-se no Vaticano 
Os cordiais colóquios evidenciaram as boas relações existentes entre a Santa Sé e o Uruguai e o comum interesse pelo desenvolvimento integral da pessoa, o respeito dos direitos humanos e a paz social. Em tal contexto, foi evidenciado o papel e a contribuição positiva das instituições católicas na sociedade uruguaia, especialmente na promoção humana, na formação e na assistência aos mais necessitados.
O Presidente uruguaio chegou ao Vaticano acompanhado de sua esposa, María Auxiliadora Delgado, e um de seus filhos, Alvaro, assim como dos Secretários.
Durante a troca de dons, Francisco recebeu do Presidente uma típica ametista do país sul-americano, enquanto entregou a ele uma medalha de bronze e uma cópia de três documentos por ele escritos: Laudato Sii, Amoris laetitia  e Evangelii Gaudium.
Enquanto entregava a Rosas este que é o conteúdo programático de sue pontificado, Francisco exclamou, com um tom de surpresa: “Ouvi que o Mujica falava na rádio da Evangelii Gaudium”. O Papa, de fato, encontrou o ex-Presidente Mujica – com quem mantém relações de cordialidade e respeito -  durante a audiência com os Movimentos Populares realizada recentemente no Vaticano. (JE)
Assista:
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Fórum Social Fortune-Time:

"Criar um novo pacto social e modelos econômicos"

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre concluiu suas atividades, na manhã deste sábado (03/12), recebendo em audiência, na Sala Clementina, cerca de 400 Empresários participantes no Encontro promovido pela Time-Life.
O Papa iniciou seu discurso aos presentes, partindo do tema que abordaram nestes dois dias de trabalhos: “O desafio do século XXI: criar um novo pacto social”.
Trata-se de um tema bastante oportuno, disse Francisco, que visa a necessidade urgente de modelos econômicos mais inclusivos e justos:
Pacto pela justiça e pela paz
“O mais se requer, no momento, não é um novo acordo social abstrato, mas ideias concretas e ações eficazes em prol de todos, em resposta às prementes questões do nosso tempo”. Agradeço-lhes pelo que estão fazendo para promover a centralidade da dignidade da pessoa humana no âmbito das instituições e da economia e para atrair a atenção para a chaga dos pobres e refugiados, muitas vezes esquecidos pela sociedade”.
“Quando ignoramos o grito de tantos nossos irmãos e irmãs no mundo, afirmou o Papa , não só negamos os seus direitos e valores recebidos de Deus, mas também rejeitamos a sua sabedoria e talentos, tradições e culturas”. Esta atitude faz aumentar o sofrimento dos pobres e marginalizados e nós mesmos nos tornamos mais pobres, não só materialmente, mas moral e espiritualmente:
“O nosso mundo, hoje, é marcado por grande inquietação. A desigualdade entre os povos continua a aumentar e muitas comunidades são atingidas pela guerra, pobreza ou crescente número de migrantes e refugiados. Apesar disso, estamos vivendo um momento de esperança”.
A própria presença dos empresários aqui, hoje, constatou Francisco, é sinal de esperança, ao reconhecer os problemas e agir com decisão. Esta estratégia de renovação, porém, requer uma conversão institucional e pessoal, uma mudança de coração. Tal renovação fundamental não deve se referir apenas à economia de mercado:
“Estamos falando do bem comum da humanidade, do direito de cada pessoa de participar dos recursos deste mundo e de ter a oportunidade de realizar as suas potencialidades, que se baseiam na dignidade dos filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança”.
Na conclusão do seu discurso, Francisco reafirmou: “Nosso grande desafio é responder aos níveis globais de injustiça promovendo um sentido de responsabilidade local e individual, de modo que ninguém seja excluído da vida social. A renovação, a purificação e a solidez dos modelos econômicos depende da nossa conversão pessoal e generosidade com os necessitados. E o Papa terminou, dizendo:
“Encorajo-os a continuar o trabalho que vocês iniciaram neste Fórum e a buscar meios, cada vez mais criativos, para transformar as instituições e as estruturas econômicas; estejam sempre a serviço da pessoa humana, especialmente dos marginalizados e excluídos, dando-lhes voz, ouvindo as suas histórias e compreendendo as suas necessidades”.
O Santo Padre se despediu dos empresários da Time-Life prometendo-lhes suas orações “para que seus esforços possam produzir muitos frutos”. (MT)
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Leituras do

2º Domingo do Advento


1ª Leitura: Is 11,1-10
Naqueles dias, 1nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de ciência e temor de Deus; no temor do Senhor encontra ele seu prazer. Ele não julgará pelas aparências que vê nem decidirá somente por ouvir dizer; 4mas trará justiça para os humildes e uma ordem justa para os homens pacíficos; fustigará a terra com a força da sua palavra e destruirá o mau com o sopro dos lábios.
Cingirá a cintura com a correia da justiça e as costas com a faixa da fidelidade.
O lobo e o cordeiro viverão juntos e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leão comerão juntos e até mesmo uma criança poderá tangê-los. A vaca e o urso pastarão lado a lado, enquanto suas crias descansam juntas; o leão comerá palha como o boi; a criança de peito vai brincar em cima do buraco da cobra venenosa; e o menino desmamado não temerá pôr a mão na toca da serpente.
Não haverá danos nem mortes por todo o meu santo monte; a terra estará tão repleta do saber do Senhor quanto as águas que cobrem o mar.
Naquele dia, a raiz de Jessé se erguerá como um sinal entre os povos; hão de buscá-la as nações, e gloriosa será a sua morada.
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Salmo: 71 
Nos seus dias a justiça florirá.
- Nos seus dias a justiça florirá.
- Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,/ vossa justiça aos descendentes da realeza!/ Com justiça ele governe o vosso povo,/ com equidade ele julgue os vossos pobres.
- Nos seus dias a justiça florirá/ e grande paz, até que a lua perca o brilho!/ De mar a mar estenderá o seu domínio,/ e desde o rio até os confins de toda a terra!
- Libertará o indigente que suplica,/ e o pobre ao qual ninguém quer ajudar./ Terá pena do indigente e do infeliz,/ e a vida dos humildes salvará.
- Seja bendito o seu nome para sempre!/ E que dure como o sol sua memória!/ Todos os povos serão nele abençoados,/ todas as gentes cantarão o seu louvor!
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2ª Leitura: Rm 15,4-9
Irmãos: Tudo o que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que, pela nossa constância e pelo conforto espiritual das Escrituras, tenhamos firme esperança.
O Deus, que dá constância e conforto, vos dê a graça da harmonia e concórdia, uns com os outros, como ensina Cristo Jesus. Assim, tendo como que um só coração e a uma só voz, glorifiqueis o Deus e Pai do Senhor nosso, Jesus Cristo.
Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu, para a glória de Deus.
Pois eu digo: Cristo tornou-se servo dos que praticam a circuncisão, para honrar a veracidade de Deus, confirmando as promessas feitas aos pais.
Quanto aos pagãos, eles glorificam a Deus, em razão da sua misericórdia, como está escrito: “Por isso, eu vos glorificarei entre os pagãos e cantarei louvores ao vosso nome”.
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Evangelho:  Mt 3,1-12
Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”.
João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!”
“Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”
João usava uma roupa feita de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo.
Os moradores de Jerusalém, de toda a Judeia e de todos os lugares em volta do rio Jordão vinham ao encontro de João. Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão. Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? Produzi frutos que provem a vossa conversão. Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’, porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão.
O machado já está na raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo.
Eu vos batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
Ele está com a pá na mão; ele vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga”.
Reflexão:
Converter-se ao Cristo, que vem
Uma atitude fundamental para o tempo do Advento e para a vida inteira é a conversão: para nos encontrar com Cristo, devemos corresponder ao que ele espera de nós. O enviado de Deus, o Messias, assume o projeto de Deus: a justiça e a felicidade do povo. Ele julgará com retidão em favor dos pobres (1ª leitura). O Messias se alinha com os pobres. Será que nós estamos alinhados com ele?
O cristão reconhece Jesus como o Messias ou Cristo (o “descendente de Davi” anunciado por Isaías). A Escritura se cumpre, o projeto de Deus entra em fase de realização. João Batista é o profeta que prepara a sua chegada. Como porta-voz de Deus, ele convida para a conversão (evangelho). E depois da vinda de Cristo, o apóstolo Paulo exorta os fiéis a imitarem o exemplo de Cristo: como ele assumiu nossa salvação, executando o projeto do Pai, cabe a nós assumir-nos mutuamente (2ª leitura).
A conversão deve continuar sempre. Comporta dois momentos: 1) O momento da consciência: reconhecer o que está errado, conceber o propósito de mudar e pedir perdão. Assim faziam os que recebiam o batismo de João “para a conversão” (Mt 3, 11). Hoje podemos fazer isso, com a garantia da Igreja, no sacramento da reconciliação; 2) O momento da prática. A verdadeira conversão se comprova na prática: viver a vida que Jesus nos ensina por sua palavra e exemplo, assumir-nos mutuamente no amor fraterno, como o Messias assume a causa dos fracos. Essa prática será o fruto que comprova nossa conversão e um ato de louvor a Deus, que nos enviou seu Filho como Messias.
Celebrar a proximidade do Messias, como fazemos no Advento, implica reaquecer nossa caridade. Quando uma família espera a visita de uma pessoa querida, seus membros começam a melhorar seus relacionamentos …  Mas talvez falte a consciência desta proximidade. Precisamos de uma voz profética, como a do Batista, para proclamar que o Messias e o Reino estão próximos, pois Jesus nos convida cada dia a assumir a sua causa (cf. domingo passado). Converter-se a Jesus continua sendo necessário também para o “bom católico”. Sempre de novo devemos abandonar nossa vida egoísta, para viver a justiça e a caridade que Jesus Messias veio ensinar e mostrar.
                            Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
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                                             Reflexão e Ilustração: franciscanos.org.br  Banner: cnbb.org.br

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

CNBB emite nota

contra o aborto diante da decisão do STF

Os bispos conclamam as comunidades a se manifestarem publicamente em defesa da vida
Nesta quinta-feira, 01 de dezembro, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta nota oficial na qual reafirma a posição da Igreja de “defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural”.
Os bispos reafirmam também “incondicional posição em defesa da vida humana, condenando toda e qualquer tentativa de liberação e descriminalização da prática do aborto. Conclamamos nossas comunidades a rezarem e a se manifestarem publicamente em defesa da vida humana, desde a sua concepção”.
Leia a Nota:

NOTA DA CNBB EM DEFESA DA VIDA
“Propus a vida e a morte; escolhe, pois, a vida” (cf. Dt. 30,19)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, por meio de sua Presidência, manifesta sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural (cf. Constituição Federal, art. 1°, III; 3°, IV e 5°, caput).
A CNBB respeita e defende a autonomia dos Poderes da República. Reconhece a importância fundamental que o Supremo Tribunal Federal (STF) desempenha na guarda da Constituição da República, particularmente no momento difícil que atravessa a nação brasileira. Discorda, contudo, da forma com que o aborto foi tratado num julgamento de Habeas Corpus, no STF.
Reafirmamos nossa incondicional posição em defesa da vida humana, condenando toda e qualquer tentativa de liberação e descriminalização da prática do aborto.
Conclamamos nossas comunidades a rezarem e a se manifestarem publicamente em defesa da vida humana, desde a sua concepção.
Nossa Senhora, Mãe de Jesus e nossa Mãe, interceda por nós, particularmente pelos nascituros.
Brasília, 1º de dezembro de 2016
             Dom Sergio da Rocha - Cardeal Arcebispo de Brasília-DF - Presidente da CNBB                   
Dom Murilo S. R. Krieger - Arcebispo de S. Salvador da Bahia-BA - Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner - Bispo Auxiliar de Brasília-DF - Secretário-Geral da CNBB
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Papa Francisco na missa desta quinta-feira:

Vencer as resistências à graça de Deus

Cidade do Vaticano (RV) – Todos temos no coração resistências à graça: é preciso encontrá-las e pedir ajuda ao Senhor, reconhecendo-se pecadores. Esta foi a exortação do Papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã de quinta-feira (01/12) na Casa Santa Marta.
A homilia do Pontífice teve início com uma frase da oração da coleta: “Que a tua graça vença as resistências do pecado”. E se concentrou sobre as resistências na vida cristã de ir avante. O Papa distingui vários tipos de resistências. Há “resistências abertas, que nascem da boa vontade”, como aquela de Saulo que resistia à graça, mas “estava convencido em fazer a vontade de Deus”. É Jesus que lhe diz de parar e Saulo se converte. “As resistências abertas são saudáveis”, no sentido que “são abertas à graça para se converter”. De fato, somos todos pecadores.
Resistências escondidas
Capela Santa Marta
Ao invés, para Francisco “as resistências escondidas” são as mais perigosas, porque são as que não se mostram. “Cada um de nós tem o próprio estilo de resistência escondida à graça”. Porém, é preciso encontrá-la e “colocá-la diante do Senhor, para que ele nos purufique”. É a resistência de que Estevão acusava os Doutores da Lei: resistir ao Espirito Santo enquanto fingiam buscar a glória de Deus. Dizer isso a Estevão custou-lhe a vida:
“Mas essas resistências escondidas, que todos temos, como são? Sempre vêm para deter um processo de conversão. Sempre! É deter, não é lutar contra. Não, não! É ficar parado; sorrir, talvez: mas você não passa. Resistir passivamente, de maneira escondida. Quando há um processo de mudança numa instituição, numa família, eu ouço dizer: ‘Há resistências ali’… Mas graças a Deus! Se não existissem, a coisa não seria de Deus. Quando há essas resistências é o diabo que as semeia ali, para que o Senhor não prossiga”.
Palavras vazias
Francisco falou então de três tipos de resistências escondidas. Há a resistência das “palavras vazias”. Para explicar, Francisco citou o Evangelho de hoje, quando Jesus diz que nem todo mundo que disser “Senhor, Senhor” entrará no reino dos céus. Como na parábola dos dois filhos que o Pai convida à vinha: um diz “não” e depois acaba indo, o outro diz “sim” e não aparece:
“Dizer sim, tudo sim, muito diplomaticamente; mas é ‘não, não, não’. Tantas palavras: ‘Sim, sim, sim; mudaremos tudo! Sim!’, para não mudar nada, não? Ali esta a camuflagem espiritual: os que tudo sim, mas que é tudo não. É a resistência das palavras vazias”.
Palavras justificatórias
Depois, tem a resistência “das palavras justificatórias”, ou seja, quando uma pessoa se justifica continuamente, “sempre há uma razão para se opor”: Não, fiz isso por aquilo”. Quando as justificações são muitas, “não há o bom cheiro de Deus”, disse o Papa, mas “existe o mau cheiro do diabo”. “O cristão não precisa se justificar”, esclarece Francisco. “Foi justificado pela Palavra de Deus”. Trata-se de resistência das palavras “que buscam justificar a minha posição para não seguir aquilo que o Senhor nos indica”, disse ainda o Pontífice.
Palavras acusatórias
Depois, existe a resistência “das palavras acusatórias”: quando se acusam os outros para não olhar para si mesmos, não se necessita de conversão e assim se resiste à graça como evidencia a Parábola do fariseu e do publicano.
As resistências não são somente aquelas grandes resistências históricas como a Linha Maginot ou outras, mas aquelas que “estão dentro de nosso coração todos os dias!” A resistência à graça é um bom sinal “porque nos indica que o Senhor está trabalhando em nós”. Devemos “deixar cair as resistências para que a graça vá adiante”. A resistência, de fato, procura sempre se esconder nas formalidades das palavras vazias, das palavras justificatórias, das palavras acusatórias e muitas outras, procura “não deixar-se levar pelo Senhor” porque “sempre existe uma cruz”. “Onde está o Senhor, pequena ou grande, haverá uma cruz. É a resistência à Cruz, a resistência ao Senhor que nos leva à redenção”, explica o Papa. Portanto, quando existem resistências não é preciso ter medo, mas pedir ajuda ao Senhor, reconhecendo-se pecador:
“Digo-lhes para não ter medo quando cada um vocês, cada um de nós, vê que em seu coração existem resistências. Digam claramente ao Senhor: ‘Olha, Senhor, eu procuro cobrir isso, fazer aquilo para não deixar entrar a sua palavra. Senhor, com grande força, socorre-me. A sua graça vença as resistências do pecado’. As resistências são sempre um fruto do pecado original que nós levamos. É feio ter resistências? Não, é bonito! O feito é tomá-las como defesa da graça do Senhor. Ter resistência é normal. É dizer: Sou pecador, ajuda-me Senhor! Preparemo-nos com esta reflexão para o próximo Natal.”
Beato Charles de Foucauld
No final da missa, o Papa recordou que hoje se celebra os 100 anos do assassinato do Beato Charles de Foucauld, ocorrido na Argélia em primeiro de dezembro de 1916. Era “um homem – disse – que venceu tantas resistências e deu um testemunho que fez bem à Igreja. Peçamos que nos abençoe do céu e nos ajude a caminhar nos caminhos de pobreza, contemplação e serviço aos pobres”. (BF/MJ)
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