Papa em silêncio e oração entre as ruínas de Hipona
A área
arqueológica da antiga sede episcopal do Padre da Igreja foi a primeira parada
do segundo dia da viagem do Papa à Argélia. Devido ao mau tempo e à chuva
torrencial, a visita pelas ruas da cidade portuária, outrora próspera, foi
reduzida. O Pontífice plantou uma oliveira e depositou uma coroa de rosas
brancas e amarelas.
Chove
torrencialmente em Annaba, e é um dia cinzento. Mas entre as ruínas da antiga
Hipona, o passado e o presente parecem se fundir nesta terça-feira, 14 de
abril. Duas épocas diferentes, distantes mais de 16 séculos, mas das quais
chega ao mundo a mesma mensagem, de Santo Agostinho e de Leão XIV: é possível
viver como irmãos se construirmos juntos a paz.
É o segundo dia
da viagem apostólica do Papa à África, umas das jornadas mais esperadas. O
Pontífice agostiniano, sob a chuva torrencial, percorre um breve trecho da área
arqueológica, parte de uma estrada tantas vezes atravessada pelo bispo Aurelio
Agostinho, natural de Tagaste, a atual Souk Ahras, e bispo da florescente
cidade portuária. Alargando o olhar, avista-se a colina de Annaba com a
basílica dedicada ao grande pai da Igreja. Ontem e hoje, o primeiro Pontífice
em solo argelino presta homenagem ao seu pai espiritual, para colher sua
herança e dar voz novamente ao seu convite a viver em concórdia, para que haja
harmonia entre os povos. Porque “a paz é o fim do nosso bem”, escreve Agostinho
em “A Cidade de Deus”, no capítulo XIX (11), onde repete a palavra “paz” mais
de cem vezes.
Entre as ruínas
da cidade onde Agostinho viveu
Recebido na
entrada das escavações por um responsável pelo local, Leão observa,
visivelmente emocionado, as ruínas de Hippo Regius, habitada até o século V por
pescadores, marinheiros, soldados, comerciantes, artesãos, além de funcionários
públicos e agricultores, mas também por famílias abastadas, armadores e
empresários. O mau tempo obriga a uma cerimônia mais breve, durante a qual o
Papa, sob um gazebo, com a ajuda de dois jovens escoteiros, deposita uma coroa
de rosas brancas e amarelas e depois planta uma oliveira, símbolo de paz e que
remete àquela secular de sua cidade natal, que a tradição atribui à sua época.
Leão XIV permanece por alguns instantes absorto em oração, com as mãos postas.
Enquanto isso, pombas brancas são soltas no céu cinzento e carregado de chuva,
enquanto o coro do Instituto de Música de Annaba entoa cantos em latim, berbere
e argelino, com textos do bispo de Hipona sobre a paz e a fraternidade. Um
grupo de jovens vestidos com trajes típicos, aos quais o Pontífice se aproxima
para ouvir a execução da última música. O Papa os aplaude no final e lhes
agradece; depois, ainda sob a chuva incessante, dirige-se para a saída do local
para prosseguir este segundo dia de viagem seguindo os passos de Santo
Agostinho.
Tiziana Campisi – enviada em Annaba, na Argélia
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Fonte: vaticanews.va Foto: (@Vatican Media)
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