Leitura do livro da Sabedoria [A forma breve está entre colchetes.]
[A vida dos justos está nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido; sua saída do mundo foi considerada uma desgraça, e sua partida do meio de nós, uma destruição; mas eles estão em paz. Aos olhos dos homens parecem ter sido castigados, mas sua esperança é cheia de imortalidade; tendo sofrido leves correções, serão cumulados de grandes bens, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de si. Provou-os como se prova o ouro no fogo e aceitou-os como ofertas de holocausto;] no dia do seu julgamento hão de brilhar, correndo como centelhas no meio da palha; vão julgar as nações e dominar os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre. [Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que perseveram no amor ficarão junto dele, porque a graça e a misericórdia são para seus eleitos.]
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Responsório: Sl 41(42)
- A minha alma tem sede de Deus e deseja o Deus vivo.
- A minha alma tem sede de Deus e deseja o Deus vivo.
1. Assim como a corça suspira / pelas águas correntes, / suspira igualmente minha alma / por vós, ó meu Deus!
2. A minha alma tem sede de Deus / e deseja o Deus vivo. / Quando terei a alegria de ver / a face de Deus?
3. Peregrino e feliz caminhando / para a casa de Deus, / entre gritos, louvor e alegria / da multidão jubilosa.
4. Enviai vossa luz, vossa verdade: / elas serão o meu guia; / que me levem ao vosso monte santo, / até a vossa morada!
5. Então irei aos altares do Senhor, / Deus da minha alegria. / Vosso louvor cantarei ao som da harpa, / meu Senhor e meu Deus!
6. Por que te entristeces, minha alma, / a gemer no meu peito? / Espera em Deus! Louvarei novamente / o meu Deus salvador! – R.
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2ª Leitura: Ap 21,1-7
Leitura do livro do Apocalipse
Eu, João, vi um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido. Então, ouvi uma voz forte que saía do trono e dizia: “Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus estará com eles. Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes”. Aquele que está sentado no trono disse: “Eis que faço novas todas as coisas. Eu sou o alfa e o ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede eu darei, de graça, da fonte da água viva. O vencedor receberá essa herança, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”.
Naquele tempo, Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!” Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”. E a notícia do fato espalhou-se pela Judeia inteira e por toda a redondeza.
Finados
A Igreja considera o 1º de novembro – Todos os Santos dia santo de guarda, mas os fiéis “guardam” o dia 2, Finados que inclusive é feriado nacional. Por quê?
O povo dá mais importância à oração pelos familiares falecidos do que à celebração dos santos gloriosos. Acha que os parentes falecidos lhe estão mais próximos e precisam mais de oração. Por isso, Finados ganha de Todos os Santos. Também, o povo sofrido é mais sensível ao pensamento do sofrimento e da morte do que ao da glória. Glória, nunca conheceu, sofrimento, sim. (Por isso, celebra mais a Sexta-feira Santa que a Páscoa da Ressurreição!)
Mas os falecidos, não são santos também? Se não fossem santos, isto é, pertencentes ao “Santo”, a Deus, que sentido teria rezar por eles. Para aliviar as penas do purgatório? Mas isso tem sentido apenas porque já estão encaminhados para Deus. Só lhes falta o “acabamento”! A 2ª leitura de hoje diz que os batizados já co-ressuscitaram com Cristo. Se já somos “filhos de Deus” e ainda não se manifestou o que seremos (2ª leitura de Todos os Santos), os que já percorreram o caminho são santos, pertencem a Deus, mesmo se ainda lhes falta alguma purificação. A festa de Todos os Santos e o Dia dos Finados são uma coisa só: inclui toda a Igreja militante, padecente e triunfante. Se estamos convencidos disso, estes dias não se tornam dias tristes, mas dias para curtirmos o pensamento da glória e da paz que recebem os que procuram, durante sua caminhada na terra, o rosto amoroso do Pai.
Os santos “acabados” – a Igreja triunfante e os santos “em fase de acabamento” – as almas do purgatório são solidários com os que ainda estamos a caminho da santidade, a Igreja militante aqui na terra. Esta é a comunhão de todos os santos, que hoje celebramos. Temos presentes os que nos precederam, não nos fixando na sua imperfeição, mas no destino glorioso que lhes foi designado por Deus. Assim recordamos os nossos pais, que nos derrama vida e a fé cristã, os nossos irmãos e amigos que lembramos com grata saudade, por todo o bem que nos fizeram. E pensamos também em todos aqueles que estão ainda a caminho, os que estamos lutando lado a lado. Pois a “Igreja pelejante” aqui na terra é a que mais precisa das nossas preces.
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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.




