domingo, 11 de janeiro de 2026

Na Festa do Batismo do Senhor, Papa batiza 20 crianças:

a fé é um bem essencial para a vida

Neste domingo (11/01), na Festa do Batismo do Senhor, Leão XIV presidiu a Missa com o rito do Batismo de 20 crianças na Capela Sistina. “Assim como receberam a vida, elas recebem agora o sentido para a viver: a fé”, sublinhou o Pontífice em sua homilia.

Na manhã deste domingo, 11 de janeiro, a Capela Sistina, conhecida pelos afrescos de Michelangelo e por sua relevância singular na história da Igreja, acolheu familiares e fiéis reunidos para a tradicional celebração por ocasião da Festa do Batismo do Senhor. Durante a Missa, 20 crianças, filhos de funcionários do Vaticano, receberam o sacramento da iniciação cristã.

Esta foi a primeira vez que Leão XIV presidiu esta celebração como Papa. A tradição teve início em 1981, com São João Paulo II, e foi continuada por Bento XIV e pelo Papa Francisco. A única diferença nos primeiros anos foi o local: em 1981 e 1982, os batismos ocorreram na Capela Paulina; a partir de 1983, passaram a ser realizados na Capela Sistina.


O Batismo, encontro com a misericórdia de Deus

Na homilia, o Papa destacou o significado do Batismo de Jesus como um gesto de proximidade e de amor de Deus pela humanidade. “Quando o Senhor entra na história, vem ao encontro da vida de cada um com coração aberto e humilde”, afirmou, ressaltando que Cristo se faz presente onde menos se espera, assumindo plenamente a condição humana.

Ao recordar o diálogo entre Jesus e João Batista, o Pontífice explicou que o Batismo do Senhor revela a justiça de Deus, que salva e justifica pela misericórdia: “A de Deus, que no batismo de Jesus realiza a nossa justificação: na sua infinita misericórdia, o Pai torna-nos justos por meio do seu Cristo, o único Salvador de todos”. Dirigindo o olhar às crianças que seriam batizadas, Leão XIV ressaltou que o sacramento é dom gratuito do amor divino:

“Eis o Sacramento que celebramos hoje com estas crianças: porque Deus as ama, elas tornam-se cristãs, nossos irmãos e irmãs.”


A fé, dom essencial para a vida

Falando aos pais e mães, o Papa destacou a responsabilidade e a beleza de transmitir a fé aos filhos desde o início da vida. “Assim como receberam a vida de vocês, pais e mães, eles recebem agora o sentido para a viver: a fé”, disse, comparando a fé aos cuidados essenciais que ninguém deixaria de oferecer a um recém-nascido.

“Se comida e vestuário são necessários para viver, a fé é mais do que necessária, porque com Deus a vida encontra a salvação.”

Sinais que acompanham todo cristão

O Papa também recordou o valor simbólico dos gestos do rito batismal, que acompanham o cristão por toda a vida: a água, a veste branca e a vela acesa. “A água da fonte é o lavacro no Espírito, que purifica de todos os pecados; a veste branca é o traje novo que Deus Pai nos dá para a festa eterna do seu Reino; a vela acesa no Círio pascal é a luz de Cristo ressuscitado, que ilumina o nosso caminho”.

Ao concluir, Leão XIV desejou que o Batismo fortaleça os laços familiares e a caminhada de fé: “O Batismo, que nos une na única família da Igreja, santifique sempre todas as suas famílias, dando força e constância ao afeto que as une”.

Thulio Fonseca – Vatican News

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Leão XIV no Angelus:
nas horas sombrias da vida, o Batismo é luz e reconciliação

Durante o Angelus deste domingo, na Festa do Batismo do Senhor, o Papa convidou os fiéis, ao recordarem este grande dom recebido, a comprometerem-se a testemunhá-lo com alegria e coerência.

O Papa Leão XIV introduziu a reflexão do Angelus deste domingo (11/01), na Praça São Pedro, recordando que a Igreja celebra hoje a Festa do Batismo do Senhor, celebração que marca o início do Tempo Comum. Trata-se de um período que, explicou o Pontífice, convida os fiéis a caminhar juntos, seguindo o Senhor, escutando a sua Palavra e imitando os seus gestos de amor para com o próximo. O Papa destacou que é precisamente assim que se confirma e se renova o Batismo, o sacramento que liberta do pecado e transforma cada cristão em filho de Deus, pela ação do Espírito Santo.

A Trindade revelada no Jordão

Comentando o Evangelho do dia, Leão XIV recordou o momento em que Jesus é batizado por João Batista no rio Jordão. Enquanto o Filho entra nas águas, o Espírito desce como uma pomba e a voz do Pai ressoa do céu: “Este é o meu Filho muito amado”. Um acontecimento que revela a presença viva da Trindade na história humana.

“Tal como o Filho desce nas águas do Jordão, assim o Espírito Santo desce sobre Ele e, através d’Ele, é-nos dado como força de salvação”, afirmou o Papa, sublinhando que Deus não permanece distante da humanidade, mas entra na sua história, tocando a vida, as feridas e as esperanças de cada pessoa.


Um Deus que serve e salva

Leão XIV chamou a atenção para a pergunta cheia de admiração de João Batista: “Tu vens a mim?” e explicou que, ao aceitar o batismo, Jesus manifesta a infinita misericórdia de Deus. O Filho Unigênito faz-se solidário com os pecadores para revelar o verdadeiro rosto do Pai: um Deus que serve e salva, e não que domina ou condena.

“O Cristo Redentor toma sobre si o que é nosso, incluindo o pecado, e dá-nos o que é seu: a graça de uma vida nova e eterna.”

O Batismo, dom que acompanha toda a vida

Recordando que este mesmo acontecimento se renova em todos os tempos através do sacramento do Batismo, que introduz cada pessoa na Igreja, povo de Deus formado por homens e mulheres de todas as nações e culturas, regenerados pelo Espírito, o Papa partilhou com os fiéis que, na manhã deste domingo, celebrou a Santa Missa na Capela Sistina e administrou o Batismo a 20 crianças. “Como é belo celebrar, como uma única família, o amor de Deus que nos chama pelo nome e nos liberta do mal”, afirmou. Por fim, o Santo Padre sublinhou que o Batismo é um sinal sagrado que acompanha o cristão por toda a vida:

“O primeiro dos Sacramentos é um sinal sagrado, que nos acompanha para sempre. Nas horas sombrias, o Batismo é luz; nos conflitos da vida, o Batismo é reconciliação; na hora da morte, o Batismo é a porta do céu. Oremos juntos à Virgem Maria, pedindo-lhe que sustente diariamente a nossa fé e a missão da Igreja.”

Thulio Fonseca - Vatican News

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Reflexão para este domingo:

Para que crer?

José Antonio Pagola

São muitos os homens e as mulheres que um dia foram batizados por seus pais e hoje não saberiam definir exatamente qual é sua postura diante da fé. Talvez a primeira pergunta que surge em seu interior seja muito simples: Para que crer? A vida muda alguma coisa pelo fato de crer ou não crer? Serve a fé realmente para alguma coisa?

Estas perguntas nascem de sua própria experiência. São pessoas que, pouco a pouco, foram empurrando Deus para um canto de sua vida. Hoje Deus não conta absolutamente para elas na hora de orientar e dar sentido à sua existência.

Quase sem elas se darem conta, um ateísmo prático foi se instalando no fundo de seu ser. Essas pessoas não preocupam que Deus exista ou deixe de existir. Tudo isso lhes parece um problema estranho que é melhor deixar de lado para assentar a vida sobre bases mais realistas.

Deus não lhes diz nada. Acostumaram-se a viver sem ele. Não experimentam nostalgia ou vazio algum por sua ausência. Abandonaram a fé e tudo em sua vida corre bem, ou melhor do que antes. Para que crer?

Esta pergunta só é possível quando alguém “foi batizado com água”, mas não descobriu o que significa “ser batizado com o Espírito de Jesus Cristo”. Quando alguém continua pensando erroneamente que ter fé é crer uma série de coisas muito estranhas, que nada têm a ver com a vida, e não conhece ainda a experiência viva de Deus.

Encontrar-nos com Deus significa saber-nos acolhidos por Ele no meio da solidão, sentir-nos consolados na dor e na depressão, reconhecer-nos perdoados do pecado e da mediocridade, sentir-nos fortalecidos na impotência e na caducidade, ver-nos impulsionados a amar e criar vida no meio da fragilidade.

Para que crer? Para viver a vida com mais plenitude, para situar tudo em sua verdadeira perspectiva e dimensão, para viver inclusive os acontecimentos mais triviais e insignificantes com mais profundidade.

Para que crer? Para atrever-nos a ser humanos até o fim; para não sufocar nosso desejo de vida até o infinito; para defender nossa liberdade sem entregar nosso ser a qualquer ídolo; para permanecer abertos a todo o amor, a toda a verdade, a toda a ternura que existe em nós. Para não perder nunca a esperança no ser humano, nem a vida.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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sábado, 10 de janeiro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis (MG):

Horários de missa e outros eventos

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Dia 11 - Solenidade do Batismo do Senhor Jesus

7h - Missa na matriz         9h - Missa na Matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

16h - Missa na igreja de Santo Antônio     19h - Missa na matriz

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Papa na manhã deste sábado:

os jovens são o futuro do mundo
e precisam de modelos autênticos de santidade

Durante o encontro na Sala Paulo VI, Leão XIV agradeceu às entidades que colaboraram ao longo do Ano Jubilar e destacou o entusiasmo dos jovens como sinal de esperança para a Igreja e para a humanidade.

Na manhã deste sábado, 10 de janeiro, o Papa Leão XIV encontrou-se com os representantes das entidades civis e eclesiásticas que colaboraram para a realização do Jubileu da Esperança, encerrado há poucos dias. Aproximadamente 6 mil pessoas participaram do encontro, realizado na Sala Paulo VI, no Vaticano.

Gratidão pelo trabalho realizado durante o Ano Jubilar

Em seu discurso, o Pontífice expressou profunda gratidão a todos os organismos envolvidos, desde autoridades italianas e instituições da Santa Sé até forças de segurança, associações de voluntariado e os cinco mil Voluntários do Jubileu, pelo trabalho realizado antes e durante o Ano Santo. Graças a esse esforço conjunto, recordou o Papa, mais de 30 milhões de peregrinos puderam viver a experiência jubilar em um clima de fé, ordem e acolhimento.

Leão XIV destacou que Roma soube oferecer aos peregrinos “o seu rosto de casa acolhedora, de comunidade aberta”, favorecendo uma vivência espiritual marcada pelo recolhimento, pela alegria e pelo respeito.

A experiência do encontro com Cristo

O Papa recordou que a peregrinação às Portas Santas, a visita aos túmulos dos Apóstolos e a experiência do perdão foram, para muitos fiéis, ocasiões decisivas de encontro com Cristo. Segundo Leão XIV, esses momentos permitiram experimentar de modo concreto que “a esperança não decepciona” (Rm 5,5), porque o Senhor caminha com o seu povo tanto nos momentos decisivos quanto na simplicidade da vida cotidiana.

Voluntários do Jubileu durante a audiência com o Papa


O Jubileu visto pelos olhos dos jovens

Um trecho do discurso do Santo Padre foi dedicado especialmente aos jovens e adolescentes que participaram do Jubileu, vindos de diversas partes do mundo. O Papa elogiou o entusiasmo, a alegria e a seriedade com que viveram os momentos de oração e celebração e reforçou que “todos, em vários níveis, são responsáveis pelo futuro da juventude, no qual está o futuro do mundo”, e completou:

“Os jovens precisam de modelos saudáveis, que os orientem para o bem, para o amor, para a santidade, como nos mostram as figuras de São Carlo Acutis e de São Pier Giorgio Frassati, canonizados no último mês de setembro. Mantenhamos diante de nós os seus olhos límpidos e vivos, cheios de energia e, ao mesmo tempo, tão frágeis: eles poderão nos ajudar muito a discernir com sabedoria e prudência nas graves responsabilidades que temos para com eles.”

“Deixemo-nos desde já atrair pela esperança”

Ao retomar as palavras do Papa Francisco na Bula de proclamação do Ano Santo, Leão XIV renovou o convite a levar adiante os frutos do Jubileu: “Deixemo-nos desde já atrair pela esperança e permitamos que, através de nós, ela se torne contagiosa para quantos a desejam.” Para o Pontífice, este é o mandato que permanece após o encerramento do Ano Jubilar, para que os muitos germes de bem semeados nos corações possam crescer e dar frutos duradouros.

Ao final do encontro, o Papa presenteou os participantes com o Crucifixo do Jubileu, como sinal de reconhecimento e memória da colaboração vivida durante o Ano Santo. Em seguida, concedeu sua bênção e expressou votos de um novo ano marcado pela esperança.

Thulio Fonseca - Vatican News

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Reflexão de frei Almir Guimarães para este sábado:

Inauguração da missão do Messias

O Senhor vem se fazer batizar junto com os servos, o juiz junto com os réus.  Que isso não te perturbe, pois é justamente em tais humilhações que a grandeza dele mais resplandece. Por que te surpreenderias com o fato de ele consentir em receber o batismo e se aproximar de seu servidor com os outros, visto que ficou tanto tempo no seio virginal, saiu dele revestido de nossa natureza, deixou-se esbofetear e crucificar, e se submeteu a tantos outros sofrimentos?  O mais estupendo é que ele, sendo Deus, tenha desejado se fazer homem; o resto é apenas  consequência lógica disso. (São João Crisóstomo)

Lá estava ele, esse João, conhecido como o “batizador” João Batista.  Estava às margens do Jordão.  Costumava administrar um rito de purificação e de expressão de mudança do coração  que  chamamos de conversão. Levava as pessoas a celebraram nas águas a vontade de mudar. Houve até  quem pensasse que João fosse o Messias.  Havia uma expectativa do povo nesse sentido.  O evangelista procurará  colocar as coisas claras.  João não é Messias e ele diz mesmo  que não é digno de desamarrar as correias de suas sandálias.

João contemplava os que vinham. Iam se adentrando nas águas, molhando os pés, as pernas, o corpo todo e chegando a purificar o ser inteiro, o corpo e o espírito.  Nesse momento o filho da velhice de Isabel e Zacarias prefigurava,  de alguma maneira,  o estilo de pregação de  Jesus: a urgência da conversão,  do doce se transformar em amargo e o amargo, em doce.  Seu batismo era um batismo de conversão.

De repente,  Jesus se associa ao cortejo dos pecadores.  João acha estranho. Não quer aceitar de colocar o gesto de batizar Jesus.  Jesus insiste.  É preciso que tudo se cumpra. Aquele seria o rito e momento de inauguração da  missão do Messias.  Mais tarde o batismo de Jesus seria na água e no Espírito.  Mas agora Jesus queria se associar visivelmente ao cortejo dos pecadores.  Não conhecendo o pecado se juntou aos pecadores.

Santo Efrém  escreve  como que um diálogo entre João e Jesus. Assim fala  Jesus: “Pelo meu batismo é que as águas serão santificadas recebendo de mim  o fogo e o Espirito. Se eu não receber o batismo nas águas elas  não terão o poder de gerar  filhos imortais. É absolutamente   necessário que me batizes, sem discussão, como te ordenei.  Eu te batizei no seio materno;  batiza-me no Jordão”.  Belas, da mesma maneira, as palavras que Efrém coloca nos lábios do Batista:  “Sou um servo totalmente indigente. Tu, que a todos libertas, tem piedade de mim. Não sou digno sequer de desatar as correias de tuas sandálias. Quem me tornará digno de tocar tua sublime cabeça?  Obedeço  Senhor, segundo a tua palavra; vem, pois, ao batismo ao qual o teu amor te impele. Com suma veneração, o homem pó se vê chegar ao extremo de impor a mão àquele que o plasmou”.

“Quando todo o povo  estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E enquanto rezava o céu se abriu e o Espírito  Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem querer”. A partir desse momento Jesus começará sua vida pública, seu ministério. Os céus se rasgam e o Pai  unge o  Filho amado.  Nele  o Pai coloca todo o seu agrado e a partir desse momento  Jesus haverá de falar.  O Filho amado do Pai vai começar a falar e felizes os que ouvirem a sua palavra ungida.  Os discípulos de Jesus haverão de colocar como ponto de honra de seu viver escutar o Filho amado do Pai.

“A experiência  vivida  por Jesus  ao ser batizado  é modelo de toda experiência  cristã de Deus. Quando em algum momento de nossa vida  – cada qual sabe o seu  –  “o céu se rasga” e as trevas nos permitem ver algo do mistério que nos envolve, o cristão,  da mesma forma  que Jesus, só ouve uma voz que pode transformar  sua vida inteira; “Tu és o meu filho amado”. No futuro   será difícil haver cristãos que  não tenham tido a  experiência  pessoal  de sentir-se filhos amados de Deus”  (Pagola, Lucas p.  66).

Quanta profundidade  nessas reflexões de  Pedro Crisólogo  sobre a festa do batismo do Senhor: “ Hoje o Espírito Santo, em forma de pomba, paira sobre as águas:  assim como uma pomba anunciou a Noé o fim do dilúvio, por sua presença os homens saberiam que havia terminado o ininterrupto naufrágio do mundo. Esta pomba não trouxe, como a outra, um ramo da antiga oliveira, mas derramou sobre a cabeça do Senhor, toda a riqueza do novo óleo,   cumprindo assim  o que o profeta anunciara:  “É por isso  que  Deus te ungiu  com seu óleo, deu-vos mais alegria que aos vossos amigos (Sl 44,8)”  (Lecionário Monástico I, p. 458).

A partir desse momento Jesus não voltará mais para  Nazaré, nem permanecerá com os discípulos do Batista.  Ele é o  Filho Amado do Pai que vai realizar sua missão evangelizadora.  Ninguém poderá segura-lo.  Para isso ele veio?

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Textos  para a reflexão

Que batismo é este?

Hoje o Cristo é batizado no Jordão. Que batismo é este, em que o batizado é mais puro do que que a fonte?  Onde a água que lava o corpo não se torna impura, mas enriquecida de bênçãos?  Que batismo é este o do Salvador, no qual as águas, em vez de purificar, são purificadas?  Num novo gênero de santificação,  a água não lava,  mas é lavada.  Desde o momento em que imergiu na água, o Salvador  consagrou todas as fontes no mistério do batismo, para que todo aquele que desejar ser batizado  em nome do Senhor seja lavado não pela água do mundo, mas purificado pela água de Cristo.  Assim,  o Salvador  quis ser batizado não visando adquirir pureza para si, mas a fim de purificar as águas para nós. (São Máximo de Turim, Lecionário Monástico  I, p.526-527)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Solenidade do Batismo do Senhor Jesus:

Leituras e reflexão
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1ª Leitura: Is 42,1-4.6-7

Leitura do Livro do Profeta Isaías

Assim fala o Senhor: “Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se compraz minha alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega, mas promoverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.

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Responsório: Sl 28(29)

- Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

- Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

1. Filhos de Deus, tributai ao Senhor, / tributai-lhe a glória e o poder! / Dai-lhe a glória devida ao seu nome, / adorai-o com santo ornamento!

2. Eis a voz do Senhor sobre as águas, / sua voz sobre as águas imensas! / Eis a voz do Senhor com poder! / Eis a voz do Senhor majestosa.

3. Sua voz no trovão reboando! / No seu templo, os fiéis bradam: “Glória!” / É o Senhor que domina os dilúvios, / o Senhor reinará para sempre!

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2ª Leitura: At 10,34-38

Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-nova da paz por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio, porque Deus estava com ele”.

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Evangelho: Mt 3,13-17

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. Mas João protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele. E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.

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Reflexão do padre Johan Konings

Tomado do meio do povo e enviado por Deus

Às vezes se percebe, na Igreja, certo conflito entre os agentes de evangelização que procuram inserir-se nas lutas do povo e os que tentam puxar o povo para a igreja, para rezar. Será que, necessariamente, essas duas coisas são incompatíveis?

Com trinta anos de idade, Jesus se deixou batizar por João Batista (evangelho). Ele aderiu ao movimento de conversão lançado por João. Nem todos os judeus aderiam a esse movimento. Os fariseus e os sacerdotes o criticavam. Mas os pecadores, os publicanos, os soldados e as prostitutas, estes se deixavam purificar por João, para poderem participar do Reino de Deus. E também Jesus, solidário com os que se queriam converter, se deixou batizar. Batizado assim junto com todo o povo e encontrando-se em oração – encontrando-se junto a Deus no meio do povo – Jesus ouviu a voz: “Tu és o meu filho amado, em ti encontro o meu agrado”. E recebeu o Espírito de Deus, para cumprir a sua missão, para anunciar a boa-nova do Reino aos pobres e libertar os oprimidos (1ª leitura). Deus o chamou e o enviou, exatamente, no momento em que ele vivia em total solidariedade com o povo e com Deus mesmo. Por isso, enviado por Deus do meio do povo, ele podia ser o libertador desse povo.

Houve um tempo em que a Igreja não entendia bem essas coisas. Considerava o povo como mero objeto de evangelização. Mandava evangelizadores que não viviam em solidariedade com o povo; havia até padres que sentiam nojo, não só do pecado como também do pecador … Nossa Igreja redescobriu a importância de seus evangelizadores viverem solidários com os que devem ser evangelizados, sentirem seus problemas e dificuldades … e sua boa vontade. Mas, para poderem transmitir a sua mensagem evangelizadora, é preciso também que estejam perto de Deus e, na oração, escutem a sua voz. E isso vale não só para os padres e os religiosos, mas para todos os que Deus quiser enviar para levar sua palavra a seus irmãos: catequistas, ministros leigos, líderes, pessoas que ocasionalmente têm que transmitir um recado de Deus … Têm de ser solidários com o povo e unidos a Deus. Então, seu batismo – ao modelo do batismo de Jesus – será realmente a base de sua missão.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Papa Leão a diplomatas nesta sexta:

"A guerra voltou a estar na moda".
É preciso reforçar o multilateralismo.

Na Sala das Bênçãos, no Vaticano, Leão XIV discursou para cerca de 420 diplomatas, guiados por George Poulides, embaixador de Chipre e Decano do Corpo Diplomático. O Papa denunciou a diplomacia da força, que está substituindo a diplomacia do diálogo: "A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está se alastrando. Foi quebrado o princípio, estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia os países de recorrerem à força para violar fronteiras alheias”.

Realizou-se na manhã desta sexta-feira, 9 de janeiro, uma das audiências mais importantes do ano. Tradicionalmente, ao receber o Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, o Papa faz uma análise da conjuntura internacional, passando em resenha os principais fatos que marcaram os últimos meses. E assim foi para Leão XIV, que pessoalmente viveu o encontro como uma “novidade”, por ser sua primeira vez com os diplomatas de 184 países e organizações internacionais. 

O Santo Padre começou recordando o Jubileu recém-concluído e a morte do seu predecessor, o Papa Francisco: “No dia do funeral, o mundo inteiro se reuniu em torno do seu caixão, sentindo a perda de um pai que guiou o Povo de Deus com profunda caridade pastoral”. Outro evento eclesial de destaque foi a viagem à Turquia e ao Líbano, pela qual o Papa agradeceu às autoridades de ambos os países pelo acolhimento.

A saudação do Papa ao Decano do Corpo Diplomático, George Poulides


Ao partilhar a sua visão sobre este tempo “tão conturbado por um número crescente de tensões e conflitos”, o Pontífice se deixou guiar pela grande obra de Santo Agostinho De Civitate Dei, "A Cidade de Deus". O livro não propõe um programa político, mas alerta para os graves perigos decorrentes de falsas representações da história, de um nacionalismo excessivo e da distorção do ideal do estadista. Para Leão XIV, certas semelhanças permanecem bastante atuais, como os movimentos migratórios e a reestruturação dos equilíbrios geopolíticos e dos paradigmas culturais.

“Neste nosso tempo, preocupa particularmente a fragilidade do multilateralismo no plano internacional. Uma diplomacia que promove o diálogo e procura o consenso de todos está a ser substituída por uma diplomacia da força, de indivíduos ou de grupos de aliados. A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está se alastrando. Foi quebrado o princípio, estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia os países de recorrerem à força para violar fronteiras alheias.”

A importância da ONU e da defesa dos direitos humanos fundamentais

Hoje, analisou o Papa, não se procura a paz como um dom de Deus, mas através das armas, como condição para afirmar o próprio domínio, comprometendo gravemente o Estado de direito. O Pontífice recordou que a Organização das Nações Unidas foi criada 80 anos atrás tendo como eixo justamente a cooperação multilateral para salvaguardar a paz e defender os direitos humanos fundamentais.

A propósito do direito internacional humanitário, Leão XI recordou que deve sempre prevalecer sobre as veleidades dos beligerantes: “A Santa Sé reitera com firmeza a sua condenação de qualquer forma de envolvimento de civis em operações militares”.

Sobre o direito de expressão, reforçou a necessidade do diálogo, mas advertiu para o uso e o significado das palavras, cada vez mais utilizadas como uma arma com a qual se engana, se atinge e ofende os adversários, seja na política, seja nas redes sociais.

Ainda sobre a linguagem, o Santo Padre manifestou sua preocupação com o desenvolvimento de uma nova linguagem, que, na tentativa de ser cada vez mais inclusiva, “acaba por excluir aqueles que não se adaptam às ideologias que a animam”.

Papa se reúne pela primeira vez com o Corpo Diplomático


A crescente perseguição aos cristãos

O Papa Leão falou ainda da liberdade de consciência, sobretudo na rejeição de práticas como o aborto ou a eutanásia, e da liberdade religiosa, pedindo “total respeito” de culto para os cristãos e para todas as outras comunidades religiosas. A propósito, condenou mais uma vez com veemência o antissemitismo.

O Pontífice lamentou a crescente perseguição aos cristãos, que afeta mais de 380 milhões de fiéis em todo o mundo, ou seja, um em cada sete. E citou países como Bangladesh, Nigéria, Síria e Moçambique. Já na Europa ou nas Américas, verifica-se uma forma sutil de discriminação por razões políticas ou ideológicas, especialmente quando se defende a dignidade dos mais frágeis.

Nesta categoria, o Papa incluiu os migrantes, pedindo ações contra a ilegalidade e o tráfico de seres humanos, e os detentos, renovando o chamado pela abolição da pena de morte. 

Leão XIV discursou ainda a favor da família e do matrimônio, como união exclusiva e indissolúvel entre a mulher e o homem. E condenou o chamado “direito ao aborto seguro” e a gravidez de substituição, transformando-a num serviço comercializado. Semelhantes considerações podem ser estendidas aos doentes e às pessoas idosas e sozinhas, e aos jovens, mais expostos à toxicodependência. 

Respeitar a vontade do povo venezuelano

Diante de um verdadeiro “curto-circuito” dos direitos humanos, Leão XIV mencionou novamente Santo Agostinho para reivindicar o “direito de cidadania” à cidade de Deus. “Na ausência de um fundamento transcendente e objetivo, prevalece apenas o amor a si mesmo”, afirmou o Santo Padre, que ofusca a empatia para com o próximo. 

É o que se constata no prolongamento da guerra na Ucrânia e na Terra Santa, com enorme sofrimento infligido à população civil. No primeiro caso, o Papa reafirmou a urgência de um cessar-fogo imediato. No segundo, a solução de dois Estados para responder às legítimas aspirações de ambos os povos.

No continente americano, Leão XIV manifestou preocupação com as tensões no Mar do Caribe, ao longo da costa americana do Pacífico e no Haiti. E sobre a Venezuela, afirmou: 

“Renovo o apelo ao respeito pela vontade do povo venezuelano e ao empenho na defesa dos direitos humanos e civis de todos e na construção de um futuro de estabilidade e concórdia, haurindo inspiração no exemplo dos seus dois filhos que tive a alegria de canonizar em outubro passado, José Gregorio Hernández e Irmã Carmen Rendiles, a fim de construir uma sociedade baseada na justiça, na verdade, na liberdade e na fraternidade, e assim superar a grave crise que há muitos anos aflige o país.”

No panorama mundial, o Pontífice falou das crises em Mianmar e na região africana dos Grandes Lagos, no Sudão e Sudão do Sul. 

Audiência ao Corpo Diplomático é uma tradição no início do novo ano


O perigo do aumento dos arsenais nucleares e a IA

Além de fronteiras geográficas, a paz também está ameaçada pela existência de arsenais nucleares. A propósito, o Papa Leão apontou para a importância de dar seguimento ao Tratado New START, que termina em fevereiro próximo. “O perigo é que o sonho seja o da corrida a produzir novas armas cada vez mais sofisticadas”, disse o Papa, incluindo neste tópico o desafio da inteligência artificial, ferramenta que também requer uma gestão adequada e ética.

Leão XIV concluiu seu discurso em tom esperançoso, pois mesmo diante deste quadro dramático, a paz continua possível. Exige humildade e coragem: "A humildade da verdade e a coragem do perdão".

Para finalizar, citou São Francisco de Assis, cuja morte completará 800 anos no próximo mês de outubro: “A sua vida é luminosa porque foi animada pela coragem da verdade e pela consciência de que um mundo pacífico se constrói a partir de um coração humilde, voltado para a cidade celestial. Um coração humilde e construtor de paz é o que desejo a cada um de nós e a todos os habitantes dos nossos países no início deste novo ano. Obrigado!”.

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

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                                       Fonte: vaticannews.va   Vídeo e fotos: (@Vatican Media