é um chamado para o gesto concreto da CF
2026
No dia dedicado
ao padroeiro dos lares, São José, 19 de março, a Comissão Episcopal para a Ação
Sociotransformadora, a Pastoral da Moradia e Favela e o Setor de Campanhas da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançaram um convite a todas
as comunidades católicas para uma iniciativa e gesto concreto da Campanha da
Fraternidade (CF) 2026.
Com a inspiração
do tema “Fraternidade e Moradia” e do lema “Ele veio morar entre nós” (Jo
1,14), o projeto “Cada paróquia, um mutirão por moradia” tem o objetivo de
buscar viabilizar a solidariedade, diante do grave cenário no qual cerca de 26
milhões de famílias brasileiras vivem em moradias precárias ou inadequadas,
outras tantas pagam um aluguel que pesa no orçamento familiar, enfrentam
despejos, enchentes e todo tipo de vulnerabilidade.
Diante dessa
realidade, e em convergência com a Doutrina Social da Igreja, a iniciativa
“Cada paróquia, um mutirão por moradia” propõe que cada comunidade paroquial se
organize para reformar ou construir, ao menos, uma moradia em seu território ou
nas proximidades da paróquia.
“A Campanha da Fraternidade no tempo da Quaresma abre espaço para que cada comunidade e paróquia se desperte para a necessidade de colocar em prática a missão do amor ao próximo. Com este despertar, cada paróquia é chamada também a formar a Pastoral da Moradia, envolvendo mais pessoas na solidariedade, nesta missão de estarmos atentos, sobretudo, às necessidades existentes nas periferias de nossas paróquias”, destaca o bispo da diocese de Registro (SP) e referencial para a Pastoral da Moradia e Favela, Dom Manoel Ferreira dos Santos Júnior.
Mobilização
pastoral
Para o
secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Paul, a iniciativa é uma
resposta missionária . “O que inspira esse projeto é o compromisso da Igreja no
prosseguimento da missão de Jesus, para que todos tenham vida e a tenham em
plenitude, e portanto, encontrem numa moradia adequada o espaço propício para o
seu desenvolvimento humano integral”, afirma.
Padre Jean Paul
destaca que a Igreja não vai resolver essa questão histórica no Brasil, mas por
sua missão fundamental de proteger a vida, tem o compromisso de mobilizar as
forças pastorais nesta direção. “A Igreja não vai resolver, com essa iniciativa
ou com a Campanha da Fraternidade, a questão da moradia. Mas ela tem a
capacidade de mobilizar a sociedade para que encontre soluções concretas para a
do déficit habitacional do Brasil. E nada melhor do que o testemunho, do que a
ação concreta, para despertar outros atores sociais nesta tarefa tão urgente”,
propõe.
O coordenador
nacional da Pastoral de Moradia e Favela, frei Marcelo Toyansk, enfatiza que o
seguimento de Jesus Cristo, que também nasceu sem um teto, deve nos mover na
direção da solidariedade a quem vive sem acesso à moradia.
“Somos um país com muitos recursos e muita riqueza, porém tudo isso é distribuído de forma muito desigual. Nesse sentido, somos provocados, como paróquia que celebra sempre a fé em Jesus Cristo, a encontrá-lo nos sem-teto, nos que moram em situações precárias nesse país”.
Indicações para
o mutirão
Para contribuir
com a organização das paróquias que desejam realizar a iniciativa proposta, a
Cepast-CNBB, com a Pastoral da Moradia e Favela e a Campanha da Fraternidade,
sugerem 10 passos para organizar o Mutirão por Moradia.
O itinerário
proposto inclui identificação das famílias, conexão com a comunidade,
acompanhamento da situação, arrecadação de recursos, mutirão de construção,
protagonismo da família, iniciativas permanentes, incidência nas políticas
públicas, integração com a Doutrina Social da Igreja e celebração da vida.
“Embora algumas
pessoas digam que as paróquias e comunidades católicas do Brasil não estão em
condições financeiras de construir casas para os seus desabrigados, isso não é
verdade. Porque a proposta do projeto não é que a paróquia retire do seu caixa
aquilo que é necessário para a construção de casas para as pessoas que não as
têm. O que está em causa neste processo metodológico oferecido pelo projeto é a
força mobilizadora da Igreja, da comunidade, da paróquia, da palavra do padre e
do bispo. Por isso não se trata só de construir casas. Trata-se de desenvolver
um processo metodológico de escuta, de diálogo, de ação comum com os irmãos e
irmãs que vivem, que padecem do problema da falta de moradia”, conclui padre
Jean Paul.
Acesse aqui o Guia da Iniciativa
Igreja em saída
Para o frei
Marcelo Toyansk, a iniciativa pode fortalecer ainda mais o sonho de uma Igreja
em saída. “A partir desta ação podemos repensar como nos colocamos na cidade,
na realidade em que vivemos. Muitas vezes nos limitamos à realidade estrita no
nosso pequeno local confortável, mas sempre temos a oportunidade de nos
tornarmos definitivamente uma Igreja em saída e repensarmos a nossa presença e
nosso compromisso com uma realidade gritante de negação de direitos
fundamentais como da moradia, especialmente a partir da nossa presença nas
periferias, nos bairros mais empobrecidos em nossas cidades”.
O religioso
lembra que apesar da consciência de que mudanças estruturais não vão acontecer
sem uma efetiva ação dos poderes públicos, e da incidência política dos grupos
sociais organizados, a comunidade católica tem um dever ético com a justiça
social. “É importante entender que, assim como dar um prato de comida é um
dever ético, um dever cristão, contribuir com a melhoria ou construção de uma
moradia para quem passa frio, sofre com enchentes, com chuvas, com riscos em
terrenos inseguros, igualmente se faz necessário. Essa conexão com as
periferias é fundamental para que nós também possamos entender e reivindicar
uma mudança da estrutura excludentes das cidades em que vivemos”, alerta o
frei.
Com informações
de Juce Rocha - Comissão Sociotransformadora

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