a Lumen Gentium
explica positivamente a natureza e a missão dos leigos
Na Audiência
Geral desta quarta-feira, Leão XIV falou sobre o quarto capítulo da
Constituição Dogmática Lumen Gentium relativo aos leigos. "Perante
qualquer diferença de ministério ou estado de vida, o Concílio afirma a
igualdade de todos os batizados", frisou o Papa.
O Papa Leão XIV
deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição Conciliar Lumen
Gentium na Audiência Geral, desta quarta-feira (1º/04), realizada na Praça
São Pedro que contou com a participação de quinze mil pessoas.
Hoje, o
Pontífice abordou o quarto capítulo, "que trata dos leigos". A
seguir, recordou as palavras do Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii
Gaudium: «A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. Ao seu
serviço, está uma minoria: os ministros ordenados».
De acordo com o
Papa, essa seção da Constituição Dogmática Lumen Gentium relativa aos
leigos "procura explicar positivamente a natureza e a missão dos
leigos, depois de séculos em que foram definidos simplesmente como aqueles que
não faziam parte do clero ou das pessoas consagradas".
Igualdade de
todos os batizados
"Perante
qualquer diferença de ministério ou estado de vida, o Concílio afirma a
igualdade de todos os batizados", disse Leão XIV, acrescentando:
“A própria
descrição dos leigos que o Concílio nos oferece diz: «Por leigos entendem-se
aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado
religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo
pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu
modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que
lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo».”
O povo santo de
Deus não é uma massa informe
"O povo
santo de Deus, portanto, nunca é uma massa informe, mas o corpo de Cristo ou,
como dizia Santo Agostinho, o Christus totus: é a comunidade
organicamente estruturada, em virtude da relação fecunda entre as duas
formas de participação no sacerdócio de Cristo: o sacerdócio comum dos fiéis e
o sacerdócio ministerial", disse ainda o Papa.
“Em virtude do
Batismo, os fiéis leigos participam no mesmo sacerdócio de Cristo. De fato, «O
supremo e eterno sacerdote Cristo Jesus, querendo também por meio dos leigos
continuar o Seu testemunho e serviço, vivifica-o pelo Seu Espírito e sem cessar
os incita a toda a obra boa e perfeita».”
A seguir, Leão
XIV citou a Exortação Apostólica Christifideles laici de São João
Paulo II. Nela o Pontífice polonês sublinhou "que «o Concílio, com o seu
riquíssimo patrimônio doutrinal, espiritual e pastoral, dedicou páginas
maravilhosas à natureza, dignidade, espiritualidade, missão e responsabilidade
dos fiéis leigos. E os Padres conciliares, feitos eco do chamamento de
Cristo, convidaram todos os fiéis leigos, homens e mulheres, a trabalhar
na Sua vinha»".
O vasto campo do
apostolado laico estende-se ao mundo
"Desta
forma, o meu venerável Predecessor relançou o apostolado dos leigos, ao qual o
Concílio tinha dedicado um documento específico, que abordaremos mais
adiante", disse o Papa Leão.
“O vasto campo
do apostolado laico não se limita à Igreja, mas estende-se ao mundo. A Igreja,
de fato, está presente onde quer que os seus filhos professem e testemunhem o
Evangelho: no trabalho, na sociedade civil e em todas as relações humanas, onde
eles, com as suas escolhas, demonstram a beleza da vida cristã, que antecipa
aqui e agora a justiça e a paz que serão plenas no Reino de Deus.”
Uma Igreja
encarnada na história, sempre aberta à missão
"É preciso
que o mundo «seja penetrado pelo espírito de Cristo e, na justiça, na caridade
e na paz, atinja mais eficazmente o seu fim». E isso só é possível com o
contribuição, o serviço e o testemunho dos leigos", sublinhou o Papa.
“É o convite
para sermos aquela Igreja “em saída” de que nos falou o Papa Francisco: uma
Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão, na qual todos somos
chamados a ser discípulos-missionários, apóstolos do Evangelho, testemunhas do
Reino de Deus, portadores da alegria de Cristo que encontramos!”
"Irmãos e
irmãs, que a Páscoa que nos preparamos para celebrar renove em nós a graça de
sermos, como Maria Madalena, como Pedro e João, testemunhas do
Ressuscitado", concluiu Leão XIV.
Mariangela Jaguraba - Vatican News
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Fonte: vaticannews.va Foto: (@Vatican Media