Construtor de pontes
![]() |
| Dom Paulo Mendes Peixoto |
Não é alusão ao trabalho de um governo, que
deve construir as pontes na sua administração, mas às atitudes da pessoa
humana, principalmente ao colocar em prática a vida
comunitária, pois aproxima as pessoas e cria relacionamento
fraterno. Assim fez Jesus em conversa e interação no encontro
com a mulher samaritana diante do Poço de Jacó, apresentando-se como “água
viva” (cf. Jo 4,13-15).
A ponte, no contexto do Evangelho, é a
água, a motivação para Jesus dialogar com aquela senhora que buscava água
naquele poço. Sabe-se que havia uma total aridez na relação entre um judeu e um
samaritano, um homem e uma mulher. Era como se faltasse uma ponte, que deveria
ser construída por alguém, usando o material que fosse possível.
Jesus a constrói e aproxima as pessoas entre si.
Durante a travessia do deserto,
o povo de Deus passou necessidade de água para beber. Moisés, com uma vara, por
iniciativa divina, fez jorrar abundante água da pedra e saciou a sede
de todo o povo (cf. Ex 17,3-6), que estava perdendo a confiança em
Deus. Então, Moisés e sua vara mágica transformaram-se em ponte para a
recuperação da relação das pessoas com o Senhor.
A Quaresma pode ser construtora de pontes,
de recuperação da fraternidade entre as pessoas e delas com Deus. A
centralidade de tudo isto está na Pessoa de Jesus Cristo, porque Ele é a
verdadeira ponte construída entre o divino e o humano, dando possibilidade ao
ser humano de alcançar o inalcançável, o Senhor da eternidade. E o caminho se
faz na esperança de um futuro de felicidade.
As pontes construídas, no caminhar da
história, dão muitas possibilidades para a prática de diversas experiências
comunitárias. Elas eliminam as diferenças, as barreiras e superam o
individualismo. Isto era evidente entre judeus e samaritanos, como uma
verdadeira cultura no tempo de Jesus. Como ponte, Ele foi ao encontro de uma
mulher samaritana e dialogou com ela diante de um poço de água.
Aproximar as pessoas, com
preconceito, é uma tarefa de humanidade, porque supera as divisões e
facilita muito as relações fraternas. As palavras da
samaritana, preconceituosa, para Jesus, “Senhor, dai-me dessa água”,
revela sede de sentido, uma questão existencial que deveria ser superada na
vida dela. Situação que só é capaz de mudança quem se abre para a ajuda de
Deus.
Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário