Ao comentar o
episódio da ressurreição de Lázaro, proposto pela Liturgia desta V domingo de
Quaresma, Leão XIV recorda que no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da
violência e da superficialidade não há vida, mas apenas desorientação,
insatisfação e solidão.
"Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus": palavras de Leão XIV ao rezar com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a oração do Angelus neste quinto domingo da Quaresma.
A Liturgia
propõe o Evangelho da ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11, 1-45), que o
Pontífice comenta como um sinal que fala da vitória de Cristo sobre a
morte e do dom da vida eterna que recebemos com o Batismo. "Hoje, Jesus
diz também a nós, tal como a Marta, irmã de Lázaro: «Eu sou a Ressurreição e a Vida.
Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê
em mim não morrerá para sempre» (Jo 11, 25-26)."
Assim, explica o
Papa, a Liturgia convida os fiéis a reviver, na Semana Santa que se aproxima,
os acontecimentos da Paixão do Senhor para compreender o seu sentido mais
autêntico e nos abrir ao dom da graça que eles encerram.
| Tempo chuvoso no primeiro domingo de primavera em Roma |
Fama e bens
materiais não saciam nossa sede de infinito
Na verdade, é em
Cristo Ressuscitado que tais acontecimentos encontram o seu cumprimento. A sua
graça ilumina este mundo que, afirma o Santo Padre, parece estar em constante
busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas
importantes, como tempo, energias, valores, afetos. "Como se a fama, os
bens materiais, os divertimentos e as relações passageiras pudessem preencher o
nosso coração ou tornar-nos imortais", diz ainda o Papa, recordando que
não é no efêmero que podemos confiar a nossa necessidade de infinito.
“Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus e não encontramos paz enquanto não descansarmos Nele” (cf. Confissões, I, 1.1).
Libertar-se dos
sepulcros que nos desorientam
A narrativa da
ressurreição de Lázaro, portanto, nos convida a estar atentos a essa
necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, libertar os nossos
corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar que, como grandes
pedras, "nos aprisionam no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da
violência e da superficialidade". Nestes lugares não há vida, afirmou o
Santo Padre, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.
Eis então que
Jesus ordena também a nós: «Vem cá para fora!» (Jo 11, 43),
encorajando-nos a sair desses espaços confinados para caminharmos na luz do
amor, como mulheres e homens novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo
da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites. Leão XIV então conclui:
"Que a
Virgem Maria nos ajude a viver assim estes dias santos: com a sua fé, com a sua
confiança, com a sua fidelidade, a fim de que também para nós se renove, todos
os dias, a experiência luminosa do encontro com o seu Filho ressuscitado."
Maratona de Roma
Ao final do
Angelus, o Pontífice saudou os atletas provenientes de todo o mundo que
participaram este domingo da "Maratona de Roma": "Este é um
sinal de esperança! Possa o esporte traçar sendas de paz, de inclusão social e
de espiritualidade".
| Atletas passaram diante da Praça São Pedro |
Bianca Fraccalvieri - Vatican News
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