Jesus é para os excluídos
José Antonio Pagola
É “cego de nascença”. Não sabe o que é a luz. Nunca a conheceu. Nem ele nem seus pais têm culpa, mas ali está ele, sentado, pedindo esmola. Seu destino é viver em trevas.
Um dia, ao passar Jesus por ali, vê o cego. O evangelista diz que Jesus é a “Luz do mundo”. Talvez lembrando as palavras do antigo profeta Isaías, garantindo que um dia chegará a Israel alguém que “gritará aos cativos: ‘Saí’ e aos que estão nas trevas: ‘Vinde à luz’”. Jesus passa nos olhos do pobre cego a mistura de barro e saliva para infundir-lhe sua força vital. A cura não é automática. Também o cego deve colaborar. Ele faz o que Jesus lhe indica: vai lavar os olhos, limpar seu olhar e começa a ver.
Quando as pessoas lhe perguntam quem foi que o curou, ele não sabe como responder. Foi “um homem chamado Jesus”. Não sabe dizer mais nada. Também não sabe onde ele está. Só sabe que, graças a este homem, pode ver a vida com olhos novos. É isto que importa. Quando os fariseus e entendidos em religião o acossam com suas perguntas, o homem responde com toda simplicidade: “acho que ele é um profeta”. Não sabe muito bem quem é, mas alguém capaz de abrir os olhos só pode vir de Deus. Então os fariseus se enfurecem, o insultam e o “expulsam” de sua comunidade religiosa.
A reação de Jesus é comovente. “Quando ficou sabendo que o expulsaram, foi procurá-lo”. Assim é Jesus. Não devemos esquecer jamais que é Ele que vem ao encontro dos homens e mulheres que não são acolhidos pela religião. Jesus não abandona quem o busca e o ama, mesmo que tenha sido excluído de sua comunidade religiosa.
O diálogo é breve: “Crês no Filho do homem?” Ele está disposto a crer. Seu coração já é crente, mas ignora tudo: “Quem é Ele, Senhor, para que eu creia nele?” Jesus lhe diz que não está longe: “Tu o estás vendo: é aquele que fala contigo, é esse”. Segundo o evangelista, esta história aconteceu em Jerusalém por volta do ano trinta, e continua acontecendo hoje entre nós no século XXI.
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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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