domingo, 19 de julho de 2026

Leão XIV convida a confiarmos na ação silenciosa de Deus,

que não se impõe pela força

Somos chamados a assumir um estilo evangélico, sem adotarmos precipitadamente uma postura de oposição marcada por julgamentos arrogantes, sem nos impormos pelo poder e pela força e sem perdermos a confiança na obra de Deus.

A parábola do semeador, o joio e o trigo, o grão de mostarda e o fermento na farinha: imagens usadas por Jesus em três pequenas parábolas "que pretendem evocar a chegada do Reino de Deus na história, a sua ação na vida dos homens, a maneira como cresce, se expande e transforma o mundo a partir de dentro".

Deus prefere a pequenez

No Angelus deste XVI domingo do Tempo Comum, Leão XIV dirigiu-se à multidão de fiéis reunidas em Castel Gandolfo sob um sol escaldante e uma temperatura de cerca 32 graus, explicando que com os relatos contidos nestas parábolas, "Jesus nos adverte contra a tentação de pensar em Deus como uma figura poderosa, que se impõe pela força, que ocupa o espaço para dominar, que chega de forma triunfante":

Pelo contrário, Deus prefere a pequenez, sinal de seu amor discreto. Ele nos deixa livres para acolhê-lo ou rejeitá-lo, procura abrir caminho mesmo em meio ao joio e age de forma oculta e invisível, como a menor de todas as sementes, fermentando a massa sem fazer barulho.

Saber reconhecer o bem que brota mesmo nas trevas do mal

Com essas parábolas - continuou explicando - "Jesus nos diz algo importante sobre o modo como Deus opera em nossa vida e na história":

Às vezes, esperamos algo espetacular, desejamos um Deus que intervenha do alto, arrancando imediatamente o joio, que é o mal. Imaginamos um Deus forte e poderoso e, infelizmente, também adequamos nossa maneira de ser cristãos e de ser Igreja a essa imagem. Em vez disso, o Reino de Deus se difunde também em meio ao joio e nos pede um olhar capaz de reconhecer o bem que brota mesmo nas trevas do mal, sem que julguemos tudo apressadamente.

Ter confianças, mesmo quando Deus parece ausente

O Reino de Deus, acrescentou, "vem como a menor das sementes e exige, portanto, a paciência de saber acompanhar os processos, reconhecendo-o na simplicidade do cotidiano e na singeleza da vida comum":

Cresce invisivelmente, como o fermento na farinha, e assim nos liberta do desânimo, convidando-nos a ter confiança, ainda que nos pareça que Deus está ausente. Pois, na verdade, Ele nos acompanha continuamente e seu amor está sempre agindo em nosso favor.

A "lógica da semente"

E esse estilo de Deus - pontuou - "deve se tornar também o modelo segundo o qual vivemos a realidade que nos rodeia, tanto como indivíduos quanto como Igreja":

Somos chamados a assumir um estilo evangélico, sem adotarmos precipitadamente uma postura de oposição marcada por julgamentos arrogantes, sem nos impormos pelo poder e pela força e sem perdermos a confiança na obra de Deus. Trata-se – dizia o então cardeal Ratzinger – de nos submetermos à lógica da semente, que não é a do sucesso e da grandeza, mas que nos pede para nos tornarmos pequenos e servirmos à vida das pessoas. Assim, nós mesmos nos tornaremos como uma pequena semente do Evangelho que brota e como um fermento de amor que transforma a massa do mundo.

Oremos a Maria Santíssima - disse ao concluir - que soube acolher a semente da Palavra em sua humildade, para que Ela nos sustente em nosso caminho e interceda por nós.

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Assista:

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  Fonte: vaticanews.va     Foto e vídeo: (@Vatican Media

Reflexão para este domingo:

Fermento de uma vida mais humana

José Antonio Pagola

Surpreende ver com que frequência Jesus se dirige a seus discípulos para adverti-los contra uma falsa “impaciência messiânica” que não sabe respeitar o ritmo da ação discreta, mas vigorosa, de Deus.

Aos que esperam que Ele dê início a um movimento contundente e arrojado, capaz de terminar com outras correntes e alternativas, Jesus lhes fala de uma ação mais humilde e respeitosa de Deus. O mundo é um campo de sementeiras opostas. E o Reino de Deus cresce aí na densidade dessa vida às vezes tão ambígua e complexa.

Aí está Deus salvando o ser humano: nesses comportamentos coletivos, animados umas vezes por grandes ideais e outras vezes por obscuros egoísmos; nesses mil gestos que fazemos cada dia e onde se mescla a generosidade com as mesquinharias mais inconfessáveis.

Àqueles que esperam o desenrolar imediato de algo espetacular e poderoso, Jesus lhes fala de um reinado de Deus mais simples e discreto. Algo que não visa desencadear movimentos grandiosos de massa. O Reino de Deus já está atuando, mas a modo de um grão de mostarda minúsculo e quase irrisório que germina com humildade, ou como uma porção quase imperceptível de fermento que se perde na massa fermentando-a totalmente.

Não é lançando excomunhões sobre outros grupos, partidos ou ideologias, nem condenando tudo o que não coincide com o nosso pensamento que vamos abrir caminho ao Reino de Deus. Não o implantaremos na sociedade concentrando grandes massas ou conseguindo o aplauso passageiro das multidões.

O Reino de Deus é um “fermento de humanidade” que cresce em qualquer rincão obscuro do mundo, onde se ama o ser humano e onde se luta por uma humanidade mais digna. Só abriremos caminho ao Reino de Deus deixando que a força do Evangelho transforme nosso modo de viver, amar, trabalhar, desfrutar, lutar e ser.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 18 de julho de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 19 - 16º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Reflexão de frei Almir Guimarães para este sábado:

Jesus, contador de histórias

♦ Continuamos a leitura do evangelho de Mateus em nossas liturgias dominicais. Jesus aparece hoje como um contador de histórias com três de suas saborosas parábolas: joio e trigo, grãozinho de mostarda e fermento que a mulher coloca na massa que descrevem o Reino, o mundo novo cuja inauguração o Pai confiou a Jesus. Para falar do assunto curiosamente Jesus se serve de imagens “culinárias”, coisas do campo e da cozinha.

♦ Por detrás dessas figurações-historietas e das outra leituras somos convidados a corrigir a rota de nosso caminhar. O texto do Livro da Sabedoria exalta a excelsa grandeza do Senhor e a certeza de que o olhar que o Senhor nos dirige é benigno e bondoso. Paulo lembra que em nossa oração o Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. Deus mesmo reza em nós. Nesse pano de fundo vamos colaborando na construção do Reino.

♦ Reino, Reino de Deus, mundo novo, mundo segundo os sonhos do Altíssimo. Jesus veio anunciar e inaugurá-lo. Colocou depois, em nossas mãos sobre nossos ombros a continuação de sua obra, reino de justiça e de paz, de vida e verdade, de amor e de graça. Somos artesãos do Mundo segundo o coração de Deus.

♦ Não podemos ir rápido demais na construção e aperfeiçoamento do Reino. Será preciso dar tempo ao tempo. Vivemos, damos nossos testemunho de amigos e discípulos do Senhor. A experiência está sempre a nos dizer a erva daninha que não lançamos à terra cresce e abafa o trigo. Há santos caminhando por ai, mas há aproveitadores, gente que destrói a beleza dos inocentes, pessoas que ardilosamente inventam meios e modos em derrubar os outros, que contaminam com o veneno da maldade.

♦ Não dá para separar os bons dos maus antes da hora. Jesus veio como Pastor e não aquele que condena. Nenhum pecado pode cortar irremediavelmente as pontes de comunicação com de Deus. Trigo e joio estão misturados. A parábola fala da paciência de Deus, do dar tempo ao tempo. “Não nos deve perturbar o escândalo de uma Igreja medíocre, comprometida, distante do ideal evangélico de pureza, de santidade, de desapego. Sendo feita de homens e vivendo mergulhada no mundo, a Igreja corre sempre o risco de se contaminar com o mundo e ver crescer em suas fileiras o joio ao lado do trigo” (Missal da Paulus, p.750). Sempre houve na Igreja a tentação de cortar e queimar o joio antes: hereges condenados à fogueira, excomunhões, anátemas. A parábola do joio e do trigo fala da paciência de Deus.

♦ Construção do Reino: esforços de semear a verdade, recolher os jogados à beira do caminho, dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, entrar no silêncio do quarto, fazer com que os inimigos se deem as mãos. Para que isso aconteça com pequenos gestos: uma palavra amiga, um serviço prestado, uma dívida perdoada, um generosidade demonstrada, os pés de alguém lavados. O Reino é semelhante a coisa pequenas. Cuidado com os grandes êxitos nesse terreno. Podem ocultar poder. Somos operários do Reino no cotidiano das coisas pequenas.

♦ “Para seguir a Jesus não é preciso sonhar com coisas grandiosas. Que seus seguidores busquem uma Igreja poderosa que se imponha às outras é um erro. O ideal não é o exaltado cedro no alto da montanha, mas o arbusto de mostarda que cresce junto aos caminhos e acolhe os pintassilgos. Deus não esta no êxito, no poder, ou na superioridade. Para descobrir sua presença salvadora será preciso prestar atenção ao pequeno, ao comum e cotidiano. A vida não é apenas aquilo que se vê. É muito mais. Assim pensava Jesus” (Pagola, Mateus, p. 161)

♦ Irradiação é a palavra que pode ajudar a compreender a imagem do fermento. Algo minúsculo em relação ao todo. Quando juntado ao trigo a tudo penetra escondidamente. Assim, os discípulos de Jesus estão em todas em todas partes: são doutores e padeiros, políticos e empregados domésticos, são pais, mães, novos e idosos. Vivem no mundo, mas carregam em si os germes do mundo novo. Não são apenas pessoas de missa de domingo mas gente de discretamente coloca o “vírus” de Jesus por onde passam. Quando pensamos na missão do laicato no mundo de hoje temos em mente ações concretas em prol da humanização do humano, mas sobretudo no testemunho, no força do fermento, do sal e da luz. Os cristãos são fermento de um mundo novo.

Como são importantes essas histórias que Jesus contava!!

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Oração

Olhar-te lentamente,
isto é tudo.
Olhar-te lentamente.
E desta forma
algo se move dentro de mim.
Olhar-te lentamente,
nada mais e isto é tudo,
olhar-te lentamente.
Que tenho eu de mim
se não o que me concedeste,
teu fogo, teu amor,
teu ar, teu vento? (J. Zubiaurre)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 17 de julho de 2026

16º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Sb 12,13.16-19

Leitura do Livro da Sabedoria

Não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas e a quem devas mostrar que teu julgamento não foi injusto.

A tua força é princípio da tua justiça, e o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente.

Mostras a tua força a quem não crê na perfeição do teu poder; e nos que te conhecem, castigas o seu atrevimento.

No entanto, dominando tua própria força, julgas com clemência e nos governas com grande consideração; pois, quando quiseres, está ao teu alcance fazer uso do teu poder.

Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano; e a teus filhos deste a confortadora esperança de que concedes o perdão aos pecadores.

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Responsório: Sl 85(86)

- Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel!
- Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel!

1. Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca. Escutai, ó Senhor, minha prece, o lamento da minha oração!

2. As nações que criastes virão adorar e louvar vosso nome. Sois tão grande e fazeis maravilhas; vós somente sois Deus e Senhor!

3. Vós, porém, sois clemente e fiel, sois amor, paciência e perdão. Tende pena e olhai para mim! Confirmai com vigor vosso servo!

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2ª Leitura: Rm 8,26-27

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos: O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis.

E aquele que penetra o íntimo dos corações sabe qual é a intenção do Espírito. Pois é sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos.

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Evangelho: Mt 13,24-43

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’

O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’

O dono respondeu: ‘Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!’”

Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos”.

Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.

Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”.

Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!”

Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos, e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes.

Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Paciência na evangelização

O evangelho apresenta um Jesus muito tolerante. Isso pode até desagradar a quem gostaria de um Jesus mais radical. A Igreja parece tão pouco radical. Por que não romper de vez com os que não querem acompanhar? Ou será que a radicalidade do evangelho é outra coisa do que imaginamos? Neste evangelho (Mt 13, 24-43), Jesus descreve o Reino de Deus (o agir de Deus na história), em três parábolas. Na primeira, explica que junto com os frutos bons (o trigo) podem crescer frutos menos bons (o joio); é melhor deixar a Deus a responsabilidade de separá-los, na hora certa….Na segunda, ensina que o agir de Deus tem um alcance que sua humilde aparência inicial não deixa suspeitar (a sementinha).

Na terceira, adverte que a obra de Deus muitas vezes é escondida, enquanto na realidade penetra e leveda o mundo, invisivelmente, como o fermento da massa.

Nós gostamos de ver resultados imediatos. Somos impacientes e dominadores para com os outros. Deus tem tanto poder, que ele domina a si mesmo… Não é escravo de seu próprio poder. Sabe governar pela paciência e o perdão (1ª leitura). Seu “reino” é amor, e este penetra aos poucos, invisivelmente, como o fermento. Impaciência em relação ao Reino de Deus é falta de fé. O crescimento do Reino é “mistério”, algo que pertence a Deus.

No tempo de Mateus, a impaciência era explicável: espera-se a volta de Cristo (a Parusia) para breve. Hoje, já não é essa a razão da impaciência. A causa da impaciência bem pode ser o imediatismo de pessoas aparentemente “superengajadas”, e podemos questionar se muito ativismo é verdadeira generosidade a serviço de Deus ou apenas auto-afirmação. É preciso dar tempo às pessoas para que fiquem cativados pelo Reino. E a nós mesmos também. Isso exige maior fé e dedicação do que certo radicalismo mal-entendido, pelo qual são rechaçadas as pessoas que ainda estão crescendo.

Devemos ter paciência especial para com aqueles que, vivendo em condições subumanas, não conseguem assimilar algumas exigências aparentemente importantes da Igreja. Para com os jovens. Para com os que perderam a cabeça pelas complicações da vida moderna urbana, ou por causa da televisão, que pouco se preocupa em propor às pessoas critérios de vida equilibrada. Devemos dar tempo ao tempo… e entrementes dar força ao trigo, para que não se deixe sufocar pelo joio.

Em nossas comunidades, importa cativar os outros com paciência. Fanatismo só serve para dividir. Moscas não se apanham com vinagre. Importa ter confiança em Deus, sabendo que ele age, mesmo. E então nos sentiremos seguros para colaborar com ele, com “magnanimidade”, com grandeza de alma – pois é assim que se deveria traduzir o que geralmente se traduz com o termo desvirtuado “paciência”…. Deus reina por seu amor, e o amor não força ninguém, mas cativa a livre adesão.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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                   Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: vaticanews.va  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Assinada a “Declaração de Roma”,

um compromisso sobre armas nucleares e IA

Seis pontos compõem o texto assinado por vencedores do Prêmio Nobel, especialistas e cientistas de projeção internacional, líderes religiosos e ex-chefes de Estado e de governo reunidos nesta quarta-feira, 16 de julho, no Capitólio, em Roma. O evento concluiu o congresso realizado no Borgo Laudato si’. O desarmamento, o desenvolvimento responsável das novas tecnologias e o compromisso de promover “uma paz desarmada e desarmante” são as linhas orientadoras da declaração.

“A humanidade encontra-se em um momento decisivo de sua história.” Assim começa a “Declaração de Roma por uma Paz Desarmada e Desarmante na Era da Inteligência Artificial, das Armas Nucleares e Autônomas, dos Novos Protocolos Digitais e dos Modelos Emergentes de Desenvolvimento Digital”, assinada na manhã desta quinta-feira, 16 de julho, no Capitólio, em Roma, ao término dos dois dias de trabalhos realizados no Borgo Laudato si’, sob o tema: “Assembleia Global dos Prêmios Nobel sobre Inteligência Artificial e Guerra Nuclear”. O evento contou com a participação de laureados com o Prêmio Nobel, importantes especialistas em inteligência artificial, ex-chefes de Estado e de governo, além de representantes de universidades e instituições de pesquisa entre as mais influentes do mundo.

Trata-se de um “desafio sem precedentes”, afirma o texto, que interpela a todos, sobretudo porque a inteligência artificial oferece grandes oportunidades, mas provavelmente provocará “uma perda massiva de postos de trabalho e acentuará a competição econômica entre as potências nucleares”. Concentrando-se nas mãos de poucos países e grandes empresas, a IA pode provocar profundas assimetrias de poder. Desenvolvendo-se em um ritmo sem precedentes, está destinada a produzir “transformações econômicas, militares e sociais de grande alcance”. A declaração destaca ainda que a crescente corrida armamentista nuclear caminha lado a lado com “uma corrida pela inteligência artificial igualmente perigosa”. Por isso, acolhendo o convite do Papa Leão XIV para promover “uma paz desarmada e desarmante”, os signatários rejeitam a ideia de que a segurança possa ser fundamentada no medo, na dominação, na ameaça e na destruição mútua.

Interesse da humanidade

Nos seis pontos que compõem o documento, faz-se um apelo para “desarmar a próxima corrida armamentista, tanto no campo da inteligência artificial quanto no nuclear, antes que sejam elas a determinar a face do próximo século”. É forte o convite dirigido aos desenvolvedores de sistemas de inteligência artificial para que atuem no interesse da humanidade, “em conformidade com o direito internacional e os direitos humanos”. Daí o apelo para que organizações e governos monitorem os processos totalmente automatizados nos sistemas de inteligência artificial.

Um tratado internacional para os sistemas de controle da IA

“A decisão final de empregar uma arma nuclear — afirma a declaração — jamais deve ser confiada a um sistema automatizado.” Por isso, pede-se a adoção de “um tratado internacional que proíba a integração irresponsável da inteligência artificial nos sistemas de comando, controle e lançamento de armas nucleares, garantindo que permaneça sempre um controle humano efetivo e significativo”. O objetivo é impedir o uso malicioso da IA em operações cibernéticas e em ataques contra infraestruturas nucleares. “Promovemos o desenvolvimento e o uso responsável da inteligência artificial — afirma o texto — para melhorar o bem-estar humano, acelerar o progresso científico e médico, proteger o meio ambiente, fortalecer a resiliência das sociedades e promover a paz, o desenvolvimento sustentável e o bem comum.”

Criar um bem comum digital

Os últimos pontos dizem respeito à necessidade de “identificar novos caminhos institucionais para uma governança global da inteligência artificial e favorecer, no futuro, a implementação de iniciativas de governança global nesse campo”. A declaração apoia iniciativas inspiradas na encíclica Magnifica humanitas do Papa Leão XIV e sustenta o Painel Científico Internacional Independente das Nações Unidas sobre Inteligência Artificial. O apelo dos signatários é para a criação de um “bem comum digital” (digital commons), que favoreça a coleta e o compartilhamento dos dados necessários para aprofundar o conhecimento e sustentar ações eficazes relacionadas às armas nucleares e à inteligência artificial. De fato, o mundo enfrenta múltiplas ameaças interligadas, cujas consequências recaem frequentemente sobre aqueles que não têm acesso nem controle sobre as tecnologias que as geram.

Desarmamento nuclear

Na conclusão da declaração, é solicitado com urgência o início de negociações para alcançar “a eliminação verificável e irreversível das armas nucleares”. São reafirmados, assim, os compromissos assumidos no Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e no Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPNW). Daí o pedido aos Estados para que interrompam a corrida armamentista, apostando no diálogo e no cumprimento das obrigações assumidas. “As nações que possuem armas nucleares — lê-se no documento — devem promover políticas e doutrinas que reduzam progressivamente o papel desses armamentos, reforcem a estabilidade estratégica e diminuam o risco de seu primeiro uso e de uma guerra com consequências catastróficas.” “Está em jogo — escrevem os signatários — a nossa sobrevivência e a das futuras gerações.”

Benedetta Capelli - Vatican News 

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  Fonte: vaticanews.va     Foto: (@Vatican Media

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Catequese com o padre Zezinho:

A nós descei, Divina Luz

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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O Espírito Santo age em nós!

NÃO CABE A MIM CORRIGIR VOCÊ, mas eu também já fui corrigido e aceitei a explicação e mudei.

Eu orava: VINDE ESPÍRITO SANTO e um bispo teólogo me ensinou a dizer: AGE EM NÓS, ESPÍRITO SANTO.

Entendi a ilação. O Espírito Santo de Deus age em tudo e em todos e não está apenas lá. Está aqui também.

Em Gênesis, se lê que o Espírito de Deus pairava sobre as águas (Gn 1,2). Ele criou tudo desde o princípio (Gn 1,1-30; 2,1-20)

São mais de 1000 passagens a falar que ele agiu e age (Gn 6,3) (Ex 35,31) na criação, em cada pessoa e em cada comunidade.

Então, aprendi a não pedir que ele “desça ou venha, porque ele já está aqui”.

A maneira de dizer “Venha e desça sobre nós” mostra nossa submissão de criaturas pequenas, mas, quando crescemos em catequese, aprendemos que Deus faz SHEKINAH e RAHAMIN: mora ao nosso lado e nos carrega no colo.

Faz 50 anos que não oro mais para que o Deus Uno e Trino faça descer seu Espírito sobre mim.

No batismo e em todos sacramentos que recebo, nem o Pai, nem o Filho, nem o seu Espírito Santo desce: “O Deus Trindade já está entre nós!”.

Então, por que ainda se pode orar ao Deus que atua de cima para baixo?

Porque nossa linguagem mostra que continuamos pequenos de entendimento.

- “Ninguém jamais viu a Deus. Mas se nos amarmos uns aos outros, Deus permanecerá em nós, porque seu amor é perfeito.”  (1ªSão João 4, 12)

E quem disse que viu Deus não agiu como quem o viu (Gn 32,30) (Gn 18,1 ) (Gn 33,25-28) Era um anjo ou era o próprio Deus? Por suas ações mostraram que não o vira.

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Acontece que se crescermos na compreensão de quem é Deus, na missa e nas pregações, aos poucos entenderemos que Deus não desce: ele está no meio de nós e atua e age no seu povo!

Na verdade, muito depende de como deixemos que Ele aja!

Se Deus nos criou livres, a decisão sempre será nossa, porque não somos pedras nem tijolos. Ele nos criou pensantes.

Quero ou não quero? Entendo ou não entendo?

Quero ou não quero saber mais sobre quem me criou? Amo ou não amo o Deus que me ama? Correspondo ou não correspondo ao seu convite?

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O estudo sobre a GRAÇA SANTIFICANTE nos levará a pensar diferente. Nem nós subimos nem Deus desce, mas dá sinais de cima para baixo ou mostra que já está entre nós! Aprendamos a olhar para os lados e não apenas para cima. Deus faz Shekinah, do verbo SHAKAM: veio habitar entre nós.

Segundo muitos tradutores, Javé teria dito a Moisés: “SOU QUEM SOU” ou VOCÊ saberá aos poucos como sou e ajo! Por enquanto você me verá na penumbra e pelas costas (Ex 33.23) (Ex 33,20) mas como não sou humano, não tenho um rosto humano. Você nunca verá meu rosto enquanto você vive.

EYEH ASCHER AHWEH tem sido traduzido como: “Para você irei sendo quem sou aos poucos! Vou me revelar aos poucos!”

E tem sido isto que Deus fez e faz e fará! É a pedagogia de Deus.

Tentemos saber como ele age. Não inventemos. Criou-nos você como almas pensantes. Então pensemos o universo com Ele! Há uma parte que cabe a mim e a você! Daí vem a palavra CONTEMPLAR. Não vemos, mas vivemos em situação de TEMPLO. Foi isso que os apóstolos pediram: “ensina-nos a orar como oras!”

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc