Na Audiência
Geral, Leão XIV fala sobre a recente viagem apostólica ao país, ainda com
impressões "tão vivas" e relembra os momentos vividos com os fiéis e
a “inesquecível” Vigília dos jovens. A Catedral de Notre-Dame restaurada é um
sinal de que é possível a “colaboração entre a Igreja, o Estado, as
instituições públicas e a sociedade civil” e “a sinergia em prol do bem comum”.
De Metz, a lição de que a Europa pode se renovar como um projeto de paz.
O Papa Leão XIV
procurou compartilhar com os fiéis presentes na Praça São Pedro as suas
reflexões e impressões "ainda tão vivas" da recente viagem apostólica
à França que teve como tema “Pour que le monde ait la vie” — “Para que o mundo
tenha vida” (cf. Jo 6, 51). Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira
(30/09), o Pontífice deu detalhes dos quatro dias no país, divididos em três
etapas: Paris, Lourdes e Metz. Após os agradecimentos pela acolhimento e
organização, tanto a autoridades e pastores da Igreja como "à multidão que
quis encontrar o Papa ou simplesmente saudá-lo nas ruas como apóstolo de Cristo
e mensageiro da paz. Obrigado a todos!".
O renascimento
da Catedral de Notre-Dame
Ao começar a
falar sobre a visita pastoral realizada de 25 a 28 de setembro, o Pontífice
quis destacar o grande símbolo da Catedral de Notre-Dame em Paris que, há
apenas 7 anos, "parecia mortalmente ferida" pelo incêndio de grandes
proporções que sofreu. Mas ela foi reconstruída e está mais resplandecente
do que nunca, tanto que o Papa celebrou as Vésperas em honra da Santíssima
Virgem Maria no local, com uma liturgia solene e jubilosa. A catedral de Paris,
continuou o Pontífice, "com o drama que viveu", ensina que a
Igreja e a sociedade civil podem trabalhar juntas pelo bem comum,
"oferecendo uma chave de leitura que eu resumiria numa única palavra:
renascimento":
"Tal
sinergia em prol do bem comum deveria ser o padrão de atuação para as
instituições, forças políticas e sociais, e para todos aqueles que detêm
responsabilidades cívicas e econômicas. É esta a mensagem que desejei
transmitir às autoridades francesas, bem como aos membros da Unesco — a
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, com sede
em Paris —, ao destacar o critério fundamental sobre o qual tal colaboração
deve assentar: a dignidade da pessoa humana."
Fazendo um
paralelo com outro compromisso na capital francesa, a vigília dos jovens no
Stade de France, "dois cenários completamente diferentes, mas dois
acontecimentos complementares — quase espiritualmente unidos. O que os unia? A
Igreja, que não é feita de pedra nem de cimento, mas de pessoas que amam Jesus
Cristo porque foram amadas por Ele", disse o Papa. Assim como foi
o encontro no lar Maison Bakhita que acolhe pessoas em situação
de necessidade, um lugar com o "compromisso diário de servir a
dignidade da pessoa humana com amor".
A verdadeira
reconstrução da Igreja na França
A renovação da
Igreja na França também se manifesta pelo número notável e crescente de jovens
e adultos que pedem o Batismo. Uma "bela 'surpresa' de Deus", disse o
Papa, que também pode encontrar e incentivar a caminhada dos catecúmenos e
neófitos. E não só:
"O ponto
alto da minha visita à capital foi a Missa na Place de la Concorde. Ali, um
sinal de renascimento manifestou-se de modo notável: a assembleia litúrgica —
reunindo sacerdotes, o coro e uma vasta multidão naquela praça espaçosa —
estendia-se por toda a Avenue des Champs-Élysées, chegando ao Arco do Triunfo e
mais além. No momento da Comunhão, todos puderam aproximar-se da Eucaristia,
que foi distribuída por toda a área. Eis a verdadeira reconstrução, a
restauração da Igreja que só Deus pode realizar, por intercessão da Virgem
Maria."
Depois de Paris,
a peregrinação a Lourdes para venerar a Mãe da Igreja que, através do cuidado
materno, dá esperança a milhares de peregrinos e, especialmente, "aos que
sofrem no corpo e no espírito", disse Leão XIV, ao acrescentar:
“Toda a vida
humana, em qualquer condição — mesmo na de mais extrema fragilidade —, conserva
a sua dignidade inviolável e merece ser cuidada, acompanhada e aliviada do
sofrimento com compaixão humana e o auxílio de meios oferecidos pela ciência.
Por isso, Lourdes apresenta-se ao mundo inteiro como um santuário da
civilização do amor.”
O Papa também
recordou o encontro que teve em Lourdes com pessoas que sofreram abusos,
quando pediu que o ajudassem "a transmitir — também a outras vítimas — a
minha determinação e a de toda a Igreja em ouvi-las e caminhar com elas na
busca da cura, reconhecendo a dor causada nas suas vidas e trabalhando para
prevenir abusos".
Renovar o mundo
com o exemplo de Metz
Na última etapa
da viagem apostólica, o Papa recordou dos encontros com representantes de
diversas tradições religiosas na cidade de Metz, "situada numa região de
França e da Europa marcada pelas cicatrizes da Segunda Guerra Mundial. Foi aí
que Robert Schuman — uma das figuras-chave que inspirou o processo de
unificação europeia — desenvolveu o seu trabalho". Leão XIV teve a
oportunidade de recordar os horrores do conflito e o sonho de uma Europa unida,
que "nasceu precisamente como um projeto de paz, na sequência da
devastação da guerra", fundada em valores cristãos, entre eles, a abertura
ao diálogo, tanto que foi assinado o "Apelo de Metz" pela paz:Andressa Collet - Vatican News
"Podemos
dizer que aquilo que aconteceu à Catedral de Notre-Dame de Paris com o
incêndio, já havia ocorrido na Europa durante a Segunda Guerra Mundial.
Contudo, a Europa renasceu, alicerçada em princípios de democracia,
solidariedade e fraternidade entre os povos — princípios que muito devem às
suas raízes cristãs. Ainda hoje, é sobre estes fundamentos e com esta 'seiva'
vital que o projeto europeu pode se renovar num mundo muito mais globalizado,
onde o diálogo inter-religioso desempenha um papel crucial."
A Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil é a instituição permanente que reúne os bispos da
Igreja Católica no País e assim promover a vida da Igreja e responder aos
desafios de cada época, colocando-se à serviço da edificação de uma sociedade
justa e fraterna. Ao longo dos anos, a Conferência tem publicado orientações e
reflexões sobre as eleições e a participação dos cristãos na vida pública.
Em diferentes
processos eleitorais, a Conferência tem chamado a atenção para temas como
democracia, cidadania, bem comum, dignidade humana, participação política e
responsabilidade no exercício do voto.
Abaixo, confira
alguns desses pronunciamentos para recordar que a Igreja não apoia partidos nem
candidatos e que a participação na vida pública também faz parte da
responsabilidade cristã.
2018 – “O bem do
país está acima de ideologias e interesses particulares”
56ª Assembleia
Geral dos Bispos do Brasil –
Nas eleições de
2018, a CNBB divulgou uma mensagem
de compromisso e esperança. Os bispos chamaram a atenção para a crise
democrática, a polarização, a intolerância, a violência e a disseminação
de notícias falsas. No pronunciamento, defenderam eleições realizadas
dentro dos princípios democráticos e éticos e lembraram que o voto não
encerra a participação cidadã.
2020 – Mensagem
por ocasião das Eleições Municipais
Na ocasião os
bispos chamaram atenção para a compra e a venda de votos: práticas que
“constituem crimes eleitorais que atentam contra a honra do eleitor e a
cidadania”.
Vender ou
comprar votos significa transformar um direito de cidadania em objeto de
troca. Para a Igreja, participar da vida política também exige
responsabilidade, consciência e compromisso com o bem comum.
2022 –
Condenação ao uso da religião como ferramenta de campanha eleitoral
A nota
da Presidência da CNBB por ocasião do 2º turno das Eleições de 2022, lamentou
a exploração da fé e da religião para conseguir votos. Naquele pleito, a
Conferência também promoveu orientações para a checagem de informações e
alertou para a circulação de conteúdos falsos durante o processo eleitoral.
“Ratificamos que
a CNBB condena, veementemente, o uso da religião por todo e qualquer candidato
como ferramenta de sua campanha eleitoral. Convocamos todos os cidadãos e
cidadãs, na liberdade de sua consciência e compromisso com o bem comum, a
fazerem deste momento oportunidade de reflexão e proposição de ações que foquem
na dignidade da pessoa humana e na busca por um país mais justo, fraterno e
solidário”, escreveram os bispos na ocasião.
“O exercício da
cidadania não se esgota com o fim do processo eleitoral”, recordaram os bispos
da Presidência da CNBB após a conclusão do processo eleitoral de 2022.
Na mensagem, a
orientação foi acompanhar, exigir e fiscalizar a atuação dos eleitos. Também
houve um chamado à reconciliação, depois de um processo eleitoral marcado por
forte polarização.
“Todos possam
caminhar unidos para a construção da política melhor, aquela que está a serviço
do bem comum, conforme define o nosso amado Papa Francisco. São os votos da
CNBB. É o que suplicamos em preces para o nosso país.”
2024 – A
corrupção compromete os caminhos da democracia
Às vésperas das
eleições municipais de 2024, o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Jaime Spengler, ofereceu no
portal da CNBB uma série de orientações sobre pontos importantes para a
realidade dos municípios brasileiros.
Dom Jaime chamou
atenção para a corrupção:
“E não podemos
esquecer que o governo justo, deve-se superar toda forma de corrupção. Não só
no período eleitoral, mas em todo o percurso de governo. É necessário, da parte
do povo, acompanhar, vigiar e analisar criticamente os atos dos escolhidos para
o serviço público. A corrupção, seja de que proporção for, está intimamente
ligada ao autoritarismo, à ganância de quem detém o poder e à falta de
inteligência nos mecanismos de controle. Ela destrói valores, prejudica a
representatividade e compromete os caminhos da democracia”, afirmou o
presidente da CNBB.
2026 – A Igreja
Católica não indica candidatos nem partidos
A Mensagem
da CNBB por ocasião das Eleições 2026foi divulgada pelo Conselho
Permanente, em junho. O texto retoma temas como dignidade humana, bem
comum, justiça social, democracia, verdade, participação cidadã, respeito às
instituições, combate à corrupção e à desinformação.
“As eleições são
oportunidades privilegiadas para o exercício da cidadania e da
corresponsabilidade social. Mais do que escolher governantes e representantes,
somos chamados a renovar nosso compromisso com os valores que sustentam a
convivência democrática, a justiça social e a fraternidade”, escreveram os
bispos.
"um novo olhar" e atenção na era do "caça-cliques"
No tema
escolhido para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2027, Leão XIV
ressalta que "comunicar não é captar nem vender a atenção" com uma
manchete sensacionalista, um "clickbait", "caça-cliques",
mas olhar e se abrir para o outro e para a verdade, sem superficialidade ou
preconceito.
Clickbait, na internet ou nas redes sociais, é um conteúdo que tenta atrair a atenção do maior número possível de usuários com títulos chamativos ou sensacionalistas
Foi divulgado,
nesta terça-feira (29/09), dia em que a Igreja recorda os Santos Arcanjos
Miguel, Gabriel e Rafael, o tema escolhido pelo Papa Leão XIV para o 61° Dia
Mundial das Comunicações Sociais 2027 intitulado "Um novo olhar: 'prestar
atenção' na era do clickbait".
O termo
clickbait significa "caça-cliques" e tem como objetivo chamar a
atenção do maior número possível de usuários com títulos chamativos ou
sensacionalistas, conduzindo o usuário a páginas que não têm a informação
anunciada. Essa tática não tem necessariamente a intenção de informar, mas
criar o maior volume possível de cliques, visualizações e engajamento do
conteúdo publicado, que se transformam em receita para os portais e redes
sociais.
Conversão do
nosso olhar
Num comunicado,
o Dicastério para a Comunicação explica o tema escolhido pelo Pontífice,
ressaltando que "a economia da atenção, com a sua luta por alguns
instantes de interesse no fluxo rápido e interminável de conteúdos, está
transformando não só as nossas capacidades cognitivas, mas também a
profundidade da nossa comunicação interpessoal".
De acordo com a
nota do organismo vaticano, o Papa Leão XIV nos convida "a uma conversão
do nosso olhar: a renová-lo, com atenção e com amor. Só assim conseguiremos ver
o mundo, os outros e também nós mesmos como Cristo nos vê: chamados pelo nome e
amados. A nossa comunicação muda quando o nosso olhar opta por encontrar o outro
em vez de o julgar".
Redescobrir uma
higiene da atenção
"A falta de
uma verdadeira atenção, alimentada pela cultura digital, habituou-nos a uma
rotina de reações imediatas, a uma superficialidade nas relações, a uma
facilidade em rotular e rejeitar os outros. A atenção é, pelo contrário, uma
forma preciosa de generosidade: 'atenção' deriva de ad-tendere, tender em
direção ao outro e à verdade. A comunicação cristã pode redescobri-la como dom
e como olhar – o de Jesus, que viu e se deixou tocar."
"Comunicar
não é captar nem vender a atenção, mas guardá-la como um recurso precioso de
relação. Para comunicar na era do clickbait, somos chamados a 'prestar
atenção', a redescobrir uma higiene da atenção", ressalta o comunicado do
Dicastério para a Comunicação, que conclui, sublinhando que "a comunicação
não se resume apenas em palavras: envolve a pessoa na sua totalidade e pede-nos
que voltemos a olhar, a ouvir e a sentir, para podermos responder ao apelo que
Cristo nos dirige".
Configurar a
vida é organizá-la de forma a dar-lhe sentido e motivações para uma existência
feliz. Por outro lado, desorganização é reflexo de descontrole interno, que
dificulta a condução saudável das ações do cotidiano. Consequentemente, é
importante repensar, com certa frequência, o real caminho que está sendo
percorrido e encontrar a direção certa e segura para atingir seus objetivos.
O mês de
setembro é celebrado como o mês da Palavra de Deus, mês da bíblia. A
configuração da vida das pessoas deve estar consolidada a partir da Palavra
orientadora do Senhor, que cria uma cultura particular na forma de se viver ao
construir a própria história pessoal. É pautar um olhar de esperança numa
utopia de futuro, mas com convicção firme de que ela poderá ser realizada.
A construção é
caminho de configuração, de conduta da vida pessoal, mas também da vida social.
Tudo supõe responsabilidade e querer realizar o bem, principalmente o bem comum
na sociedade. Estamos no momento bonito das eleições, espaço de fazer acontecer
a configuração do Brasil, porque vamos escolher pessoas responsáveis pela
conduta do nosso país. Isto exige responsabilidade.
O eleitor
precisa ter uma vista clínica neste momento, olhar que ultrapasse seus
interesses particulares e com uma visão do todo da sociedade. O bem comum não é
um bem individual, intimista e exclusivista, fechado em si mesmo. Isto tem
fundamento bíblico, pois a Palavra fala de ter o sentimento de fraternidade,
convicto de que o voto tem força comunitária e ajuda a toda a comunidade.
O clima
eleitoral tem um histórico de tensão. A Palavra de Deus diz: “aspirai à mesma
coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade” (Fl 2,2).
Mas é a disputa pelo poder, que pode ser uma armadilha para dificultar as
relações de fraternidade e desenvolvimento do país. Aí está a importância de
escolher pessoas aparelhadas com a prática do bem comum.
A vida tem seus
erros e acertos, aquilo que pode acontecer também numa eleição. As tensões têm
que ser harmonizadas, cada um sabendo ganhar ou perder. Assim é a trajetória da
vida, mesmo com polarizações e extremismos, é possível apaziguar os ânimos, entender
as paixões como limites do humano e projetar um futuro de sociedade onde o bem
de todos seja construído.
Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)
cartilha “Cuidar da Vida” sobre prevenção ao suicídio
A Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece a cartilha Cuidar da Vida revisada e atualizada. O material oferece subsídios para agentes de pastoral, educadores e lideranças que desejam desenvolver ações de prevenção do suicídio e promoção da vida entre adolescentes e jovens.
A iniciativa, aprovada pela CNBB e proposta pela Comissão Episcopal para a Juventude, nasceu da preocupação com a realidade enfrentada pelas novas gerações e da necessidade de preparar lideranças para reconhecer situações de sofrimento, promover a escuta e fortalecer redes de cuidado.
Desde 2024, o projeto vem percorrendo diferentes regiões do país, formando multiplicadores para a prevenção do suicídio e a promoção da vida. As formações presenciais passaram por Cuiabá (MT), Manaus (AM), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Imperatriz (MA) e São Paulo (SP), reunindo participantes de diferentes regionais da CNBB.
Em janeiro de 2025, uma edição especial foi realizada em Nova Santa Rita (RS), ampliando esse processo de formação. Ao todo, 193 participantes foram capacitados nas sete edições realizadas. A proposta é que esses agentes levem os conhecimentos adquiridos para suas dioceses, pastorais, grupos e movimentos juvenis e também para os espaços educacionais. Uma formação que se multiplica
Projeto Cuidar da Vida
O projeto Cuidar da Vida foi desenvolvido em parceria com a Pastoral Juvenil e a Pastoral da Educação, contando também com a colaboração voluntária de psicólogos e educadores católicos que unem conhecimento profissional e experiência pastoral.
A formação busca preparar lideranças para atuar na prevenção do suicídio entre adolescentes e jovens, especialmente nos ambientes onde eles vivem, estudam, convivem e desenvolvem sua experiência de fé.
A ideia de multiplicação está no centro da proposta. Quem participa da formação é chamado a compartilhar os conhecimentos em sua realidade local, ampliando uma rede de pessoas preparadas para promover o cuidado, identificar sinais de sofrimento e encaminhar situações que necessitem de acompanhamento especializado.
Dessa forma, o projeto não se limita às pessoas que participaram diretamente das formações. Cada multiplicador torna-se uma ponte para que o cuidado chegue a novas comunidades e grupos.
A cartilha: fruto de um caminho pela vida
É nesse contexto que a Comissão Episcopal para a Juventude disponibiliza a edição revisada e atualizada da cartilha Cuidar da Vida.
O material oferece subsídios para agentes de pastoral, educadores e lideranças que desejam desenvolver ações de prevenção do suicídio e promoção da vida entre adolescentes e jovens.
A cartilha também contempla o cuidado e o consolo às pessoas e famílias que enfrentam a perda de alguém por suicídio, reconhecendo que a atenção não termina diante da perda, mas continua no acolhimento daqueles que permanecem.
Mais do que um material de consulta, a publicação representa a continuidade de um trabalho que vem sendo construído em diferentes partes do Brasil. A cartilha é fruto de um caminho de formação e uma ferramenta para que esse caminho continue se multiplicando.
Cuidar da vida é missão permanente
A promoção da vida das juventudes é uma responsabilidade que ultrapassa o mês de setembro. O Setembro Amarelo contribui para ampliar a conversa sobre prevenção do suicídio, mas o cuidado precisa estar presente durante todo o ano, nos espaços de convivência, nas comunidades, nas escolas, nas famílias e também na vida pastoral.
Ao incentivar a formação de multiplicadores, a Igreja no Brasil busca fortalecer comunidades capazes de acolher, escutar e acompanhar adolescentes e jovens em suas diferentes realidades.
O projeto Cuidar da Vida expressa, assim, uma escolha: estar ao lado das novas gerações e trabalhar para que cada vida seja cuidada e valorizada.
A Comissão Episcopal para a Juventude convida dioceses, paróquias, comunidades, pastorais, movimentos, escolas e demais espaços que acompanham adolescentes e jovens a conhecerem e utilizarem o material.
Cartilha “Cuidar da vida – Prevenção de suicídio entre adolescentes e jovens”Baixar
Baixe AQUI gratuitamente a cartilha “Cuidar da Vida – Prevenção do Suicídio entre Adolescentes e Jovens” e ajude a multiplicar essa rede de cuidado e promoção da vida.
países como Rússia e Ucrânia devem sentar-se para dialogar
Durante o voo de
Metz para Roma, ao conversar com os jornalistas, Leão XIV falou sobre os
conflitos e os interesses econômicos que os sustentam: “A Igreja continua a
levantar a voz, anunciando o Evangelho. Poucos estão enriquecendo com a
indústria bélica; com esses bilhões, seria possível resolver problemas como a
fome no mundo”.
No voo de
retorno a Roma, após quatro dias de Viagem Apostólica à França, Leão XIV
conversou com os jornalistas que o acompanharam durante a visita. Em um balanço
da peregrinação, o Papa destacou os momentos vividos em Lourdes e o encontro
com 80 mil jovens no Stade de France, em Paris, como experiências marcadas pela
esperança, pela fé e pela proximidade com pessoas que sofrem. “Os quatro dias
foram literalmente repletos de muitas bênçãos”, afirmou, recordando
especialmente os doentes, os idosos e aqueles que são marginalizados pela
sociedade.
Na conversa,
Leão XIV também respondeu a questões sobre os abusos sexuais na Igreja, a
defesa da vida e o fim da vida, o problema da habitação, as guerras entre
Rússia e Ucrânia, os gastos com armamentos, os riscos relacionados à
inteligência artificial e a situação da Igreja na Alemanha. Ao longo das
respostas, o Papa reafirmou a missão da Igreja de anunciar o Evangelho,
defender a dignidade humana e promover o diálogo, a paz e o cuidado com os mais
vulneráveis.
Matteo
Bruni: Boa noite, Santidade. Obrigado por estes dias de viagem, por esta
viagem tão intensa. Era, certamente, uma viagem muito aguardada, que deixou
muitos franceses felizes com a sua presença e com as suas palavras. Penso que,
com suas palavras, o senhor também tocou em aspectos profundos da alma do povo
francês. E acredito que tenha feito felizes também muitos católicos, muitos
cristãos, que se sentiram confirmados na fé. Talvez o senhor possa começar nos
dizendo como viveu esta viagem.
Depois, se
precisarem de tradução, poderemos ajudá-los. Antes de tudo, mais uma vez,
obrigado pelo trabalho que vocês realizaram. Penso que estiveram bastante
ocupados nestes últimos quatro dias e, de certo modo, foi um programa muito
intenso. Os quatro dias foram literalmente repletos de muitas bênçãos. Eu
diria até de quase milagres, especialmente o tempo passado em Lourdes,
caminhando com tantas pessoas doentes e sofredoras, acompanhando-as, e vendo
como a graça da presença de Deus se manifestou de tantas maneiras diferentes:
tocando o coração das pessoas, transformando suas vidas e, para usar uma
expressão que mencionei ali, devolvendo dignidade aos doentes, aos idosos e
àqueles que, em algumas partes da sociedade, são descartados. Assim, foram
muitos os sinais, as expressões e os símbolos ao longo desses quatro dias. E,
pessoalmente, senti-me muito abençoado pelo privilégio de visitar a França e,
sobretudo, de encorajar os jovens, que evidentemente estão à procura de alguma
coisa. Isso ficou muito evidente no estádio, naquela noite em que 80 mil
jovens, vindos de toda a França, se reuniram. Seu entusiasmo, sua alegria e o
sentimento de esperança que transmitiram foram muito marcantes. Mas, sobretudo,
penso que eles próprios receberam essa esperança e poderão compartilhá-la com
outros. Portanto, entre as muitas coisas que celebramos e vivemos durante
esses quatro dias, eu diria que esses foram alguns dos momentos mais marcantes.
Sem excluir os outros, é claro, mas considero esses particularmente significativos. Estou
muito feliz por ter tido vocês comigo nesta viagem. E, se tiverem algumas
perguntas...
Cyriac Zeller
(I.Media): Boa noite, Santidade. Ontem, durante uma coletiva de imprensa,
as vítimas que o senhor encontrou nos disseram que o senhor havia reconhecido
diante delas o caráter sistêmico dos abusos sexuais na Igreja. É realmente essa
a sua posição? Poderia explicar melhor seu ponto de vista? O senhor considera
que os abusos sexuais na Igreja são sistêmicos?
Eu diria — sem
querer contradizer ninguém, porque considero isso muito importante — que, antes
de tudo, gostaria de dizer que, ao me encontrar com aquelas sete vítimas, pedi
a elas que também me ajudassem a transmitir a outras vítimas a disposição,
tanto minha quanto da Igreja, de escutá-las e de caminhar com elas enquanto
buscam a cura, reconhecendo a dor que as situações de abuso causaram em suas
vidas. Várias delas falaram de abuso sistêmico. Pessoalmente, prefiro
expressá-lo de outra maneira, embora tenha falado de algumas organizações
dentro da Igreja que, em determinados momentos, funcionaram, por assim dizer,
como sistemas abusivos.
Mas penso que é
importante fazer uma distinção. O abuso sexual é, antes de tudo, um problema
humano. Quando acontece dentro da Igreja, porém, acrescenta-se uma dimensão
completamente diferente, porque a vida de fé das pessoas é profundamente ferida
e, às vezes, até destruída. Existe uma responsabilidade particular da
Igreja de caminhar com essas pessoas e ajudá-las a buscar a cura. Nesse
sentido, falei com elas sobre como a Igreja, de certas maneiras, foi vista como
responsável, mas, ao mesmo tempo, penso que a própria Igreja tem um papel
importante a desempenhar para ajudá-las a encontrar o caminho da cura.
Xavier Normand
(Le Pèlerin): Santíssimo Padre, boa noite. Antes de tudo, gostaria de
agradecer pela sua viagem apostólica à França. Durante quatro dias, nosso país
viveu ao ritmo do entusiasmo geral provocado pela sua visita. O que, na França,
é um feito. Muito obrigado, Santíssimo Padre. O lema de sua viagem
apostólica foi “Para que o mundo tenha vida”. O tema dos cuidados no fim da
vida apareceu repetidamente em seus discursos. Na verdade, penso que o senhor o
mencionou em mais da metade de seus discursos na França. Penso, em
particular, no discurso no Palácio do Eliseu e no de ontem, em Lourdes, quando
o senhor afirmou que aquilo que é legal não é necessariamente moral — uma
referência clara à recente legalização da eutanásia na França. Na França,
temos também o princípio da laïcité, que estabelece uma separação entre
religião e política. O senhor considera que, quando algo é importante, quando
os interesses em jogo são elevados, essa fronteira, essa linha, deve ser
ultrapassada em nome da primazia da consciência? E, nesse caso, o senhor
ultrapassou essa linha?
Obrigado pela
sua pergunta. Eu diria que, segundo a compreensão que a Igreja tem da separação
entre Igreja e política, ou entre Igreja e Estado, eu não ultrapassei essa
linha. E convido vocês a lerem ou relerem Magnifica Humanitas, onde falo sobre
a Doutrina Social da Igreja na primeira seção, nos dois primeiros capítulos, e
afirmo que, quando a Igreja fala sobre a defesa da vida ou sobre questões da
Doutrina Social, não está entrando na política; está aplicando o Evangelho à
vida das pessoas. E podem existir políticos, se assim quisermos dizer,
tanto de esquerda quanto de direita, que afirmam: “A religião deve permanecer
apenas na esfera privada”. Que cada um faça o que quiser em sua vida pessoal,
mas, enquanto Estado, precisamos manter essa separação. Ora, justamente
por isso, quando fui à França, fui principalmente para anunciar o Evangelho,
para proclamar a Boa-Nova, para reafirmar aquilo que o próprio Jesus Cristo diz
quando afirma: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Ou seja, para proclamar
a verdade que Jesus nos oferece. A defesa da vida é algo que, como todos
vocês sabem, a Igreja ensina e no qual acredita profundamente. Por isso, por um
lado, evidentemente sabendo que na França uma lei foi recentemente aprovada — e
que também em outros países da Europa, assim como em outras partes do mundo, há
um amplo debate sobre as questões relacionadas ao fim da vida —, é preciso
considerar essa realidade. Mas estar em um lugar como Lourdes, onde as
pessoas estão em busca de algo muito mais profundo, significa compreender que
suas vidas, mesmo em meio à doença, à deficiência ou a diferentes formas de
sofrimento, têm um sentido. A Igreja, por causa do próprio Jesus, quer estar
próxima dessas pessoas e afirmar os valores que a própria vida, penso eu,
representa para todos nós. Portanto, eu diria que, se isso é política,
então eu a fiz. Mas não foi para me envolver na política francesa. Foi para
ensinar aquilo em que a Igreja realmente acredita.
Íñigo Domínguez
(EL PAÍS) Obrigado, Santo Padre, por compartilhar este momento conosco. O
senhor já falou muitas vezes, inclusive nesta viagem, sobre a cultura do
descarte que nos cerca e sobre a marginalização daqueles que não são
considerados produtivos, entre eles os idosos e as pessoas com deficiência. Na
Espanha, temos atualmente um caso que representa um pouco tudo isso e que
causou grande indignação no país: o de Mari Carmen, uma mulher de 87 anos com
deficiência que foi despejada de sua casa, em Madri, porque não conseguia pagar
o aluguel. O valor do aluguel foi aumentado cinco vezes de uma só vez. Não sei
se o senhor conhece esse caso, o caso de Mari Carmen. Mas, de qualquer forma, o
que o senhor acha do problema da moradia que existe em toda a Europa, em todo o
mundo, onde a especulação imobiliária expulsa os moradores das cidades e os
jovens não têm condições de comprar uma casa? O que o senhor acha de todo esse
problema?
Acredito que
esse seja um bom exemplo de que a Igreja, como comunidade — ou nós, como seres
humanos, como comunidade, mesmo para pessoas que não têm fé —, precisamos
buscar soluções mais justas para que casos como esse não ocorram. Não conheço o
caso ao qual o senhor se refere, mas me parece que seria um caso em que os
vizinhos, a comunidade, a paróquia, a diocese ou o Estado teriam que se
manifestar e perguntar: como é possível que algo assim aconteça? Qual é o
problema no sistema que permite que uma idosa, além de ter deficiência ou
alguma dificuldade, seja, digamos, expulsa de sua casa? A Igreja fala muito
sobre a exclusão e também sobre justiça. Ela convida, promove e busca, digamos,
despertar em todos a capacidade de responder com um senso mais humano, de ser
verdadeiramente sensível à dor e ao sofrimento dos outros. O problema da
moradia, que existe em muitos países hoje, é um problema que uma paróquia
sozinha, uma diocese sozinha ou a própria Igreja não poderão resolver. Mas
acredito que há aí um grande desafio, no qual talvez tenhamos que exigir também
dos líderes políticos e das autoridades que busquem uma solução para isso. Pois
é evidente que o problema está aumentando, e muitas vezes reagimos apenas no
momento da emergência, mas precisamos realmente identificar qual é a causa
sistêmica desse problema e como ajudar.
Manuela Tulli
(ANSA) Boa noite, Santidade. Hoje, e ao longo de toda esta viagem, o
senhor enfatizou a necessidade do diálogo e, ao se dirigir à Europa, falou da
ilusão do rearmamento, mas, ao mesmo tempo, disse que é preciso ter coragem
para fazer renúncias e sacrifícios em prol do bem maior da paz. O conflito na
Europa é aquele entre a Rússia e a Ucrânia; o que o senhor quis dizer ao falar
desses sacrifícios? Além disso, o senhor acredita na negociação, pois enviou
seus representantes — primeiro foi dom Gallagher e, nestes dias, está lá o
Cardeal Zuppi —, mas como é possível dialogar com um Estado que agride,
bombardeia e ameaça não apenas a Ucrânia, mas também outros países europeus?
Obrigada.
A primeira coisa
seria destacar os princípios da doutrina social da Igreja, na qual buscamos não
promover a violência, o ódio, o armamento e os perigos que existem no mundo de
hoje, inclusive por parte de alguns líderes de países que voltam a falar de armas
nucleares e de guerras cada vez mais destrutivas, sobretudo no que diz respeito
à questão da vida humana. Continuar a se armar, a gastar nessa tremenda
indústria militar, que já há muitas décadas — desde o ano passado, há cinco
anos — continua promovendo os gastos militares. Alguns poucos estão
enriquecendo enormemente com uma indústria que promove a guerra. Quando, com
esses milhares de milhões de milhões de euros ou dólares, seria possível
resolver problemas como a fome no mundo, a pobreza, o desemprego, etc. Todos
estão buscando uma voz que possa oferecer outro caminho, que não seja o de
“vamos gastar mais em armas”, o que apenas promove cada vez mais a tensão que
poderia resultar na eclosão de outra guerra, outro conflito. E vemos que a
violência, que essas potências que buscam sempre impor com o poder em vez de
dialogar e promover negociações sobre as diferenças que naturalmente podem
existir, nos leva cada vez mais perto de uma guerra ou de várias guerras,
conflitos como os que encontramos no mundo de hoje. Não sei quanto aos outros,
e não é por ser político ou não político, mas uma voz que tenta promover os
valores da dignidade humana, da importância da vida, da possibilidade de,
talvez, gastar mais com saúde e educação e menos com armas, acredito que a
Igreja tem a responsabilidade de promover esses valores, convidando
continuamente líderes da Rússia, da Ucrânia e de outros países a virem,
sentarem-se, dialogarem e buscarem soluções para os problemas sem dar
continuidade a essas guerras que já não fazem sentido. Portanto, nesse sentido,
a Igreja continua levantando a voz. Não podemos obrigar ninguém; às vezes
parece que isso pode ser inútil, mas vamos continuar falando, vamos continuar
convidando, vamos continuar anunciando o Evangelho.
Justin McLellan
(National Catholic Reporter) Em Paris, o senhor falou sobre a necessidade
urgente de um discernimento ético em torno do desenvolvimento da Inteligência
Artificial e, após vários ataques cibernéticos realizados por agentes de IA
fora de controle, diversos líderes da indústria tecnológica alertaram que essa
tecnologia poderia destruir o mundo. Até que ponto o preocupa a possibilidade
de a IA representar riscos catastróficos para a humanidade ou até mesmo
extingui-la por completo? E o que as nações, especialmente os Estados Unidos e
a China, devem fazer para garantir que suas tecnologias sejam seguras para a
humanidade?
Se alguém me
perguntasse: “Estou em pânico?”. Não, não estou. Durmo tranquilamente à noite.
Mas penso, sim, que as preocupações levantadas por muitos especialistas em
Inteligência Artificial devem ser levadas a sério. Não penso que isso seja fake
news, como alguns disseram, com o objetivo de obter algum tipo de benefício,
seja financeiro ou de outra natureza. É interessante observar que justamente
hoje li que o responsável pela NVIDIA afirma ter encontrado alguma maneira de
inserir na IA certas salvaguardas, por assim dizer, ou limites, para que esses
sistemas não ultrapassem seus próprios limites e causem os danos sobre os quais
as pessoas estão falando. No entanto, ele é o mesmo que diz que não deveriam
ser impostos limites nem regulamentações governamentais, etc. Esse é um
problema sobre o qual penso que precisamos sentar e conversar. Precisamos
continuar convidando líderes políticos, responsáveis pelo setor da Inteligência
Artificial, organizações sociais e associações a se reunirem e analisarem aquilo
que já está acontecendo e aquilo que poderá acontecer no futuro. Simplesmente
dizer: “Ah, isso não vai acontecer”, e fechar os olhos para a questão, penso
que provavelmente não seja a maneira mais responsável de lidar com isso. O
Vaticano criou sua própria comissão sobre Inteligência Artificial que, por um
lado, por assim dizer, surgiu como uma maneira de coordenar aquilo que nós
mesmos estamos fazendo na Santa Sé, como estamos utilizando a IA e quais são os
seus riscos e benefícios. Mas, desde a publicação da Magnifica Humanitas,
recebemos muitos contatos de pessoas de diversas áreas e setores. Por isso,
estamos procurando continuar promovendo o diálogo, o estudo e a pesquisa, a fim
de encontrar maneiras de garantir que a IA não chegue a um ponto em que possa
destruir a humanidade ou excluir o ser humano da discussão. Sou relativamente
otimista de que isso seja possível. Penso que há um número suficiente de
pessoas seriamente interessadas nessa questão e dispostas a olhar para além,
mais uma vez, das questões de poder: quem chegará primeiro, o que acontecerá
quando a IA alcançar aquilo que chamam de Inteligência Artificial Geral, e
assim por diante. Mas precisamos continuar trabalhando. Não podemos ficar de
braços cruzados e fingir que nada vai acontecer.
Ludwig
Ring-Eifel (KNA) Hoje estivemos em Metz, muito perto da fronteira alemã, mas,
até agora, o senhor ainda não foi à Alemanha. Portanto, minha pergunta básica
é: quando podemos esperá-lo do outro lado da fronteira? E isso tendo como pano
de fundo dois fenômenos que talvez também o preocupem: o declínio constante da
Igreja Católica na Alemanha e o surpreendente crescimento de partidos
extremistas no país, que ameaçam romper o consenso em torno da Europa, sobre o
qual o senhor falou hoje em Metz.
Com toda a
humildade, direi que sou Papa há apenas cerca de quinze meses. Há muitos
lugares que ainda não visitei. Tenho, sim, um convite. Espero voltar à Alemanha
— quero dizer, já estive lá antes, mas não como Papa — e espero visitar a
Alemanha, assim como espero visitar muitos outros lugares. Mas ainda não tenho
uma programação definida. Ainda estou trabalhando na agenda do próximo ano, e a
única viagem definitivamente programada é a Jornada Mundial da Juventude, na
Coreia. Portanto, aos poucos estamos chegando lá. Mas obrigado pela paciência e
pela pergunta. Sobre a expressão que o senhor usou, de que “a Igreja está
morrendo na Alemanha”, ou sobre a diminuição dos números: as pessoas já
disseram isso sobre a França no passado e, no entanto, vimos o que aconteceu ao
longo destes últimos quatro dias. Acredito que, se encontrarmos o verdadeiro
espírito missionário e a maneira adequada de colocá-lo em prática, ainda
existem muitas, muitas pessoas na Alemanha que desejam viver e celebrar sua fé
cristã e católica. Portanto, sou otimista em relação a isso, embora reconheça
os problemas e as diferentes causas que atingiram duramente a Igreja. Mas isso
também atingiu duramente — por assim dizer — a Igreja evangélica ou protestante
e afetou a sociedade praticamente da mesma maneira. Mas espero poder me
aproximar dessa realidade. Espero continuar trabalhando com os responsáveis
pela Igreja na Alemanha e encontrar maneiras de responder a essa situação.
Seria interessante estudar e analisar se existe, e de que maneira poderia
existir, uma relação, por exemplo, entre o crescimento desses grupos de extrema
direita. A própria extrema direita está se fragmentando agora, como se pode
observar: um determinado grupo está se tornando ainda mais extremista em
relação a outros grupos considerados de extrema direita. Ao mesmo tempo, vemos
também algumas manifestações que combinam essas posições de extrema direita com
um determinado tipo de religião. E não é apenas a minha opinião: tanto os
líderes da Igreja Católica quanto os da Igreja Protestante na Alemanha já se
pronunciaram a respeito, afirmando que isso não constitui uma expressão
autêntica do cristianismo. E, mais uma vez, voltamos aos valores do Evangelho,
que não são valores de ódio e divisão, mas de compreensão, compaixão e
acompanhamento.
Espero
profundamente — e espero que a Igreja também possa contribuir para isso — que
possamos encontrar maneiras de nos aproximar da maioria das pessoas de boa
vontade, que compreenderão a importância de seu compromisso, inclusive por meio
da participação nos processos políticos, para que possam fazer escolhas claras
em favor do bem comum, e não de ideias extremistas que talvez possam causar
danos muito maiores do que aqueles dos quais temos consciência neste momento.
Portanto, penso que todos nós devemos encorajar nessa direção. Mais uma vez, de
nossa parte, como Igreja, por meio da Doutrina Social da Igreja, cabe-nos
falar, ensinar e pregar aquilo que acreditamos serem valores que promovem a
vida, e não a destruição, a divisão e o ódio.
O Papa concluiu
a conversa com os jornalistas acrescentando algumas palavras de agradecimento:
Quero aproveitar
esta oportunidade para agradecer às tantas pessoas que trabalham nos
bastidores, que não recebem os aplausos que o Papa recebe quando passa, mas que
desempenharam um papel fundamental na organização desta viagem: tanto as
pessoas na Santa Sé quanto as pessoas na França, os bispos franceses e tantos,
tantos leigos que trabalharam nas diferentes atividades e em sua organização.
Quero, portanto, dirigir uma palavra especial de gratidão a todos eles e também
a vocês. Muito obrigado.