domingo, 2 de agosto de 2026

Leão XIV no Angelus deste domingo:

no deserto da guerra e da arrogância
redescobrir a lógica da partilha e da caridade

“Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida”. O Papa durante o Angelus deste 18º Domingo do Tempo Comum, realizado da janela do Palácio Apostólico, na Praça de São Pedro, com uma catequese dedicada ao Evangelho da multiplicação dos pães.

“No deserto da guerra e da arrogância”, os cristãos são chamados a redescobrir a lógica da partilha e da caridade, que encontra seu ápice na Eucaristia. Foi o que disse o Papa Leão XIV durante o Angelus deste 18º Domingo do Tempo Comum, conduzido da janela do Palácio Apostólico, na Praça de São Pedro, com uma catequese dedicada ao Evangelho da multiplicação dos pães.

Recordando o gesto de Jesus que “levantou os olhos ao céu, proferiu a bênção, partiu os pães e os deu” aos discípulos para que os distribuíssem à multidão, o Pontífice convidou a reconhecer nesse milagre o modelo de uma fraternidade capaz de vencer a violência, o egoísmo e a indiferença. Essas mesmas ações, observou, encontram sua plenitude na Última Ceia, quando Cristo se entrega como pão de vida para a humanidade. Daí o convite para traduzir a celebração eucarística em gestos concretos.


“Enquanto saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar sua beleza em nossos gestos cotidianos”, disse Leão XIV, indicando como primeiro sinal “a bênção da mesa”, quando o pão é compartilhado “em família e entre amigos”.

E o Papa afirmou:

“Caríssimos, Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida. Ao mesmo tempo, o seu gesto ensina que nada se desperdiça quando é partilhado. A acumulação e o desperdício, por outro lado, são duas faces do mesmo mal: a ganância”.

Esta doença da alma faz perder o juízo, - continuou o Papa -, “porque embriaga de riquezas, ao ponto de ignorar aqueles que choram de fome e clamam de sede. E assim, perante a opulência das coisas que perecem, estão as mãos estendidas de quem não tem o que comer, as casas incendiadas de quem não tem paz”.

Peçamos, à Virgem Maria, concluiu o Papa, mãe atenciosa, que nos faça crescer na caridade, para que a ninguém falte o pão de cada dia.

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Assista:

Silvonei José – Vatican News

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  Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media

Reflexão para o 18º Domingo do Tempo Comum:

Dai-lhes vós de comer

José Antonio Pagola

O Evangelista Mateus não se preocupa com os detalhes do relato. Só lhe interessa emoldurar a cena apresentando Jesus no meio da “multidão” em atitude de “compaixão”. Também o faz em outras ocasiões. Esta compaixão está à origem de toda sua atuação.

Jesus não vive de costas para o povo, encerrado em suas ocupações religiosas e indiferente à dor daquele povo. “Vê a multidão, sente compaixão e cura os enfermos”. Sua experiência de Deus o faz viver aliviando o sofrimento e saciando a fome daquela pobre gente. Assim deve viver a Igreja, se quiser fazer Jesus presente no mundo de hoje.

O tempo passa e Jesus continua ocupado em curar. Os discípulos o interrompem com uma sugestão: “Já é muito tarde; seria melhor ‘despedir’ a multidão para que cada um ‘compre’ o que comer”. Não aprenderam nada de Jesus. Não se importam com os famintos e os abandonam à sua sorte: que cada um “compre sua comida”. O que farão os que não podem comprar?

Jesus lhes responde com uma ordem taxativa que os cristãos satisfeitos dos países ricos não querem nem escutar: “Dai-lhes vós de comer”. Diante do “comprar”, Jesus propõe “dar de comer”. Não pode dizê-lo de maneira mais clara. Ele vive gritando ao Pai: “Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia”. Deus quer que todos os seus filhos e filhas tenham pão, também aqueles que não podem comprá-lo.

Os discípulos continuam céticos. Entre a multidão só se encontram cinco pães e dois peixes. Para Jesus é suficiente: se compartilhamos o pouco que temos, pode-se saciar a fome de todos, inclusive podem até “sobrar” doze cestos de pão. Esta é sua alternativa: uma sociedade mais humana, capaz de compartilhar seu pão com os famintos, terá recursos suficientes para todos.

Num mundo onde morrem de fome milhões de pessoas, nós cristãos só podemos viver envergonhados. A Europa não tem alma cristã e “despede” como delinquentes aqueles que vêm buscando pão. E, neste nosso tempo, quem são na Igreja os que caminham na direção marcada por Jesus? Infelizmente, a maioria de nós cristãos vivemos surdos a seu apelo, distraídos por nossos interesses, discussões, doutrinas e celebrações. Por que nos chamamos seguidores de Jesus?

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 1 de agosto de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

 Horários de missa e outros eventos

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Dia 2 - 18º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Reflexão sobre a liturgia deste domingo:

O convite ao banquete da vida

Dom Antonio Carlos Rossi Keller - Bispo de Frederico Westphalen (RS)

A liturgia do 18.º Domingo do Tempo Comum, no Ano A, coloca-nos diante de um dos temas mais centrais da fé cristã: o convite gratuito de Deus para o banquete da vida plena. As leituras formam um conjunto harmonioso que nos fala de fome e de fartura, de sede e de água viva, de solidão e de comunhão, de ameaças e de um amor que nada pode vencer.

A primeira leitura, tirada do final do “Livro da Consolação” de Isaías (caps. 40-55), ressoa como um grito de esperança dirigido aos exilados da Babilônia. “Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas… Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite.” Deus não se dirige apenas aos que têm recursos; dirige-se especialmente aos que não têm nada. O convite é gratuito. O profeta interroga o povo: “Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta e o vosso trabalho naquilo que não sacia?” A pergunta permanece atual. Quantas vezes gastamos tempo, energia e vida atrás de coisas que não matam a nossa sede mais profunda? Isaías anuncia uma aliança eterna, fundada nas “graças prometidas a David”. Trata-se de um novo êxodo: sair da terra da escravidão (a Babilônia, mas também as nossas escravidões interiores) e dirigir-se à Jerusalém nova, onde Deus prepara a mesa da vida abundante.

O Salmo responsorial (Sl 144/145) responde a este convite com confiança serena: “Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome.” O Senhor é clemente e compassivo; todos têm os olhos postos n’Ele e, a seu tempo, recebem o alimento. A imagem das mãos abertas de Deus é profundamente consoladora. Não se trata de um Deus distante ou exigente, mas de um Pai que se inclina para saciar generosamente toda a criação.

A segunda leitura, de Romanos 8, eleva o olhar para a dimensão mais radical desta certeza. Paulo pergunta com força retórica: “Quem poderá separar-nos do amor de Cristo?” Enumera depois as realidades mais temíveis — tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada — e conclui que, em tudo isto, “somos vencedores, graças Àquele que nos amou”. Nem a morte nem a vida, nem anjos nem potestades, nem o presente nem o futuro poderão separar-nos do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus. Esta página é um hino à segurança absoluta do cristão. O amor de Deus não é um sentimento passageiro; é a força mais real e definitiva da história. Por isso o crente pode enfrentar as dificuldades sem medo de ser abandonado.

O Evangelho traz este mistério para o concreto da vida de Jesus. Depois de saber da morte de João Batista, Jesus retira-se para um lugar deserto. Mas as multidões seguem-no. Ao desembarcar, “viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes”. Quando chega a tarde, os discípulos sugerem que se despeça a gente para irem comprar comida. Jesus responde: “Dai-lhes vós de comer.” Eles apresentam o pouco que têm: cinco pães e dois peixes. Jesus toma-os, ergue os olhos ao céu, pronuncia a bênção, parte e dá aos discípulos, que os distribuem. Todos comem e ficam saciados; sobram doze cestos.

Este milagre é, ao mesmo tempo, sinal e antecipação. Jesus revela-se como o novo Moisés que alimenta o povo no deserto, mas sobretudo como Aquele que oferece o verdadeiro pão que desce do céu. A multiplicação dos pães prefigura a Eucaristia: o gesto de tomar, benzer, partir e dar é o mesmo que Jesus fará na Última Ceia. Na Eucaristia, o pouco que somos e temos, quando colocado nas mãos de Cristo, torna-se abundância para a multidão. O milagre acontece não apesar da pobreza dos discípulos, mas precisamente a partir dela. A lógica do Reino é a partilha, não a acumulação.

A liturgia deste domingo desafia-nos em vários níveis. Em primeiro lugar, convida-nos a reconhecer a nossa fome mais profunda — a fome de sentido, de amor, de eternidade — e a não a confundir com as fomes secundárias que o mundo tenta saciar com miragens. Em segundo lugar, lembra-nos que Deus oferece o banquete de graça, mas pede a nossa disponibilidade: é preciso “vir”, “escutar”, “desinstalar-se”. Em terceiro lugar, mostra que a resposta a esta oferta passa pela partilha. O “dai-lhes vós de comer” continua a ressoar na Igreja. A Eucaristia que celebramos não pode ficar confinada ao templo; deve tornar-se vida partilhada, pão partido pelos pobres, gesto de compaixão concreta.

Finalmente, a liturgia assegura-nos que nada — absolutamente nada — pode separar-nos deste amor que se faz pão e se faz presença. Mesmo quando a noite parece longa e os recursos escassos, as mãos de Deus continuam abertas e o amor de Cristo permanece vitorioso. Nesta certeza, somos convidados a sentar-nos à mesa, a deixar-nos saciar e a tornar-nos, por nossa vez, pão para os outros.

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  Fonte: cnbb.org.br

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Intenção de oração do Papa para o mês de agosto:

rezemos para que ninguém
se sinta invisível nas grandes cidades

Na intenção de oração para o mês de agosto, divulgada pela Rede Mundial de Oração do Papa, Leão XIV convida os fiéis a rezarem para que, em meio ao anonimato e à solidão que marcam a vida urbana, surjam novas formas de anunciar o Evangelho e de construir comunidades acolhedoras, onde ninguém se sinta invisível.

“Rezemos para que, nas grandes cidades, muitas vezes marcadas pelo anonimato e pela solidão, encontremos novas formas de anunciar o Evangelho, descobrindo caminhos criativos para construir comunidade.”

Este é o convite de Leão XIV na intenção de oração para o mês de agosto, divulgada pela Rede Mundial de Oração do Papa em colaboração com o Dicastério para a Comunicação. O Pontífice pede aos fiéis que voltem o olhar para as grandes cidades, reconhecendo nelas não apenas os desafios da vida urbana, mas também um campo fecundo para a missão evangelizadora da Igreja.

Na oração, Leão XIV dirige-se a Jesus, o Bom Pastor, recordando que o Senhor percorre ruas e praças, entra nos edifícios altos e nos bairros mais humildes e acompanha, em silêncio, milhões de pessoas que procuram um sentido para a vida em meio ao ruído e à pressa. O Papa reconhece que, embora as cidades sejam chamadas a ser lugares de liberdade e oportunidades, elas também podem transformar-se em espaços de anonimato e isolamento. Por isso, pede a graça de um olhar renovado, capaz de descobrir na realidade urbana um terreno fértil para anunciar o Evangelho.

Tornar visível quem é esquecido

Ao concluir a oração, Leão XIV suplica o dom de uma fé "criativa e profunda", que não permaneça apenas nas palavras, mas se traduza em gestos concretos de proximidade. O Pontífice pede que a Igreja seja verdadeiramente "em saída", capaz de estender a mão às periferias, consolar quem vive na solidão e semear fraternidade onde prevalece a indiferença.

O Papa reza ainda para que as comunidades cristãs nas cidades se tornem "lares abertos e acolhedores", onde a esperança seja partilhada, "ninguém se sinta invisível" e a alegria do Evangelho ilumine a vida escondida de tantos irmãos e irmãs. A intenção reforça o chamado para uma evangelização que se faça presente no cotidiano, especialmente junto àqueles que passam despercebidos em meio às multidões.

Um dos grandes campos de missão do nosso tempo

Atualmente, cerca de 45% da população mundial vive em áreas urbanas, tornando as grandes cidades um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das maiores oportunidades para a missão da Igreja. O crescimento das metrópoles trouxe consigo fenômenos como o isolamento social, relações cada vez mais superficiais e a perda do sentido de comunidade, realidade que afeta de modo particular os jovens, mesmo em uma sociedade permanentemente conectada pelas tecnologias digitais.

Nesse contexto, a intenção de oração de agosto convida os cristãos a testemunhar o Evangelho justamente onde a vida parece mais acelerada e impessoal. A proposta é redescobrir, no coração das cidades, espaços de encontro, proximidade e fraternidade, tornando visível o amor de Deus por meio de gestos simples, capazes de transformar a realidade ao redor. Como recordou Leão XIV no encontro anual da International Catholic Legislators Network, em agosto de 2025, "o futuro do florescimento humano depende de qual amor escolhemos para organizar a nossa sociedade: um amor egoísta, voltado para si mesmo, ou o amor a Deus e ao próximo". É essa escolha que, segundo o Papa, pode transformar as cidades em lugares onde a esperança, a solidariedade e o Evangelho encontrem espaço para florescer.

Thulio Fonseca – Vatican News

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  Fonte: vaticanews.va     Vídeo: (@Vatican Media

Papa assina

a nova “Constituição” do Estado da Cidade do Vaticano

Leão XIV promulgou nesta sexta-feira, 31 de julho, uma nova Lei Fundamental, que substitui a de 2023 para responder à necessidade de “levar em consideração novas exigências de governo e algumas importantes alterações normativas ocorridas nos últimos anos”. A nova legislação incorpora em um único texto a modificação já introduzida pelo Motu Proprio de novembro de 2025, relativa à presidência da Pontifícia Comissão, que deixa de ser reservada exclusivamente aos cardeais.

O Papa Leão XIV assinou nesta sexta-feira, 31 de julho, memória de Santo Inácio de Loyola, a nova Lei Fundamental do Estado da Cidade do Vaticano que, conforme explica o preâmbulo, responde à necessidade de “levar em consideração novas exigências de governo e algumas importantes alterações normativas ocorridas nos últimos anos”. A norma entra em vigor imediatamente e substitui a anterior, vigente desde 13 de maio de 2023.

Nova norma sobre a presidência da Pontifícia Comissão

Promulgada de forma significativa por Leão XIV no início do seu pontificado, esta Lei confirma e integra essas modificações, que dizem respeito às funções legislativa, executiva e judiciária. Em particular, no que se refere à função legislativa, a nova legislação incorpora em um único texto a alteração já introduzida pelo Motu Proprio de 19 de novembro de 2025, relativa à presidência da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano, organismo que exerce tanto a função legislativa quanto a executiva.

O Motu Proprio de 2025 e a nova Lei

Naquela ocasião, o Pontífice revogou o artigo 8, nº 1, da anterior Lei Fundamental do Estado da Cidade do Vaticano, que previa que apenas cardeais pudessem exercer o cargo de presidente da Comissão. Atualmente, a função é desempenhada pela irmã Raffaella Petrini, que também preside o Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano. O artigo 8 da nova Lei Fundamental estabelece, de fato, que “A Pontifícia Comissão é composta por cardeais e por outros membros, entre os quais o presidente, nomeados pelo Sumo Pontífice para um mandato de cinco anos”.

As funções executiva e judiciária

No que diz respeito à função executiva, por um lado é confirmada a missão do Governatorato que, por meio de sua estrutura organizacional, contribui para a missão própria do Estado e está a serviço do Sucessor de Pedro, a quem responde diretamente. Por outro lado, são especificadas as atribuições do presidente e do secretário-geral, bem como a relação de colaboração entre ambos. Quanto à função judiciária, o artigo 22, nº 1, confirma expressamente que o regime jurídico dos órgãos judiciais é estabelecido pela Lei sobre o Ordenamento Judiciário. Trata-se de uma legislação que, graças às importantes intervenções realizadas nos últimos anos, garante plenamente o serviço de administração da justiça.

Uma Lei para dar “fisionomia constitutiva” ao Estado

Com essa estrutura rigorosa, a nova Lei Fundamental, que, assim como as anteriores, foi elaborada, conforme especifica o preâmbulo, “para dar fisionomia constitutiva ao Estado da Cidade do Vaticano”, aos seus poderes e ao exercício das funções deles decorrentes, permanece como fundamento e referência de toda a legislação do Estado, confirmando a singularidade e a autonomia do ordenamento jurídico vaticano.

A missão do Governatorato

Ainda no preâmbulo da Lei, esclarece-se que é reafirmada “a missão do Governatorato, que contribui para a missão própria do Estado e está a serviço do Sucessor de Pedro, a quem responde diretamente”. Como já ocorria anteriormente, conclui o preâmbulo, “aos órgãos de governo e a todos aqueles que, exercendo diferentes funções de responsabilidade e animados por um verdadeiro espírito eclesial, desempenham de forma estável o seu serviço para o Estado, é confiado o exercício de todos os poderes correspondentes no território definido pelo Tratado de Latrão e nos imóveis e áreas onde atuam instituições do Estado ou da Santa Sé e onde vigoram, em virtude do direito internacional, garantias e imunidades pessoais e funcionais”.

Alessandro Di Bussolo – Vatican News

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  Fonte: vaticanews.va     Foto: (@Vatican Media

18º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Is 55,1-3

Leitura do livro do profeta Isaías

Assim diz o Senhor: “Ó vós todos que estais com sede, vinde às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite sem nenhuma paga. Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa? Ouvi-me com atenção e alimentai-vos bem, para deleite e revigoramento do vosso corpo. Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida; farei convosco um pacto eterno, manterei fielmente as graças concedidas a Davi”.

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Responsório: Sl 144(145)

- Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos.

- Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos.

1. Misericórdia e piedade é o Senhor, / ele é amor, é paciência, é compaixão. / O Senhor é muito bom para com todos, / sua ternura abraça toda criatura.

2. Todos os olhos, ó Senhor, em vós esperam / e vós lhes dais no tempo certo o alimento; / vós abris a vossa mão prodigamente / e saciais todo ser vivo com fartura.

3. É justo o Senhor em seus caminhos, / é santo em toda obra que ele faz. / Ele está perto da pessoa que o invoca, / de todo aquele que o invoca lealmente.

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2ª Leitura: Rm 8,35.37-39

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos, quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação? Angústia? Perseguição? Fome? Nudez? Perigo? Espada? Em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou! Tenho a certeza de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os poderes celestiais, nem o presente, nem o futuro, nem as forças cósmicas, nem a altura, nem a profundeza, nem outra criatura qualquer será capaz de nos separar do amor de Deus por nós, manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor.

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Evangelho: Mt 14,13-21

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado. Mas, quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé. Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes. Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!” Jesus, porém, lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!” Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. Jesus disse: “Trazei-os aqui”. Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Então pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões. Todos comeram e ficaram satisfeitos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios. E os que haviam comido eram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

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Reflexão do padre Johan Konings:

O dom do pão

Significativamente, depois da abundância da palavra de Cristo na pregação, o evangelho de Mt e a liturgia nos confrontam com a fartura de comida, na multiplicação dos pães. A 1ª leitura traz o convite de Deus para nos me saciarmos com o dom de sua instrução, na Lei e no culto verdadeiro, dom que não exige dinheiro para comprar como exigem as idolatrias do mundo. Neste sentido, na multiplicação dos pães segundo Mt (evangelho), não é a façanha de Jesus que está no centro da atenção, mas sua própria pessoa: ele é o Messias e Enviado do Pai. Depois de sua farta pregação na campanha da Galileia (Mt 5–13), terminada por uma inquietante nota a respeito do juízo (Mt 13,49s), defrontamo-nos com o mistério da incredulidade em várias formas: na pátria de Jesus (13,53-58) e na figura de Herodes, intrigado por Jesus, julgando-o João Batista redivivo (Mt 14,1-2) – pois o tinha mandado executar (14,3-12). Diante dessa incredulidade, Jesus muda de área, vai para o deserto (14,13), o lugar preferido para Deus encontrar sua gente. Aí afluem as multidões de pobres e humildes, os prediletos do Reino, e o Enviado de Deus é movido por compaixão (“graça”, hésed, a qualidade divina por excelência; Mt 14,14) e cura todos os seus enfermos. Quando, ao entardecer, chega a hora da refeição, Jesus realiza o que a 1ª leitura prefigurou: o banquete que não exige riqueza. Aos discípulos, que querem mandar a turma embora, ele diz que eles mesmos lhes dêem de comer – implicando-os assim, misteriosamente, na sua missão (como ele já fizera quando os chamou, cf. Mt 10,1; 11º dom. do T.C.): nas suas mãos, enquanto distribuem, multiplica-se a humilde comida de uns pãezinhos e peixes até uma fartura messiânica. A “compaixão”, a cura do povo, o deserto, a semelhança com o alimento que Deus aí deu aos antigos israelitas, o convite de Is 55 para ver nisto uma nova aliança: eis alguns elementos que caracterizam esta cena como uma manifestação messiânica de Jesus. Para os cristãos imbuídos do espírito da liturgia é uma prefiguração da Ceia da Nova Aliança.

As orações da presente liturgia, como também o canto da comunhão, sublinham o significado escatológico: a alimentação que recebemos aqui é recriação para a vida eterna. O salmo responsorial sublinha o carinho de Deus, que alimenta suas criaturas.

A 2ª leitura é a conclusão da primeira parte de Rm: a exposição sobre a salvação pela graça de Deus e a fé em Jesus Cristo. Paulo termina sua exposição por uma efusiva proclamação de fé e confiança na obra de Deus em Jesus Cristo. Se Deus é conosco (pois nos deu seu próprio Filho), quem será contra nós, quem nos condenará (Rm 8,31-34)? “Quem nos separará do amor de Cristo?”, inicia a leitura de hoje (Rm 8,35). “Amor de Cristo” significa o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo (8,39), portanto, um amor que vence o mundo (8,37; cf. 1Jo 5,1-5). Não se trata de amor sentimental. Paulo trata de expressar o mesmo que escreve João: “Nós acreditamos no amor” (1Jo 4,16). Paulo está polemizando com os que situam a salvação em outras coisas que não o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo: o legalismo farisaico, a cultura helenística e tantos outros pretensos caminhos da salvação. Não, me exclama Paulo com paixão: o que nos salvou é o amor que Deus nos mostrou em Jesus Cristo (cf. Rm 5,1-11), e este amor, não o largamos, ou melhor, ele não nos larga! Pois esse amor não é “criatura” (falta no elenco das criaturas nos v. 38-39a, que inclui até os anjos), mas graça de Deus mesmo.

Assim, a liturgia de hoje nos convida a ler no sinal do pão uma revelação da “compaixão”, do terno amor de Deus para conosco, que se revelou plenamente no dom de seu filho, do qual o pão também se tornou o sinal sacramental.

Para a práxis, uma sugestão a respeito do sentido messiânico (= realização escatológica da vontade de Deus) do “multiplicar o pão”: enfrentar o problema da fome, no espírito de Cristo (portanto, não por cálculo político mas por verdadeira “com-paixão”). Isso será certamente um sinal da presença de Deus e de seu Reino.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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                 Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: vaticannews.va  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos