sábado, 2 de maio de 2026

Eis um chamado salvador:

Voltar sempre de novo a Jesus

Frei Almir Guimarães

Eu sou o caminho, a verdade e a vida!

A Igreja precisa levar a Jesus: este é o centro da Igreja. Se alguma vez acontecer que a Igreja não leve a Jesus, ela seria uma Igreja morta. Jesus pode romper com os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisioná-lo e surpreende-nos com sua constante criatividade divina. (José A. Pagola)

Não há dúvida. Precisamos voltar a Jesus. Um Jesus vivo, ressuscitado, misteriosamente presente em nosso meio e impulsionando-nos a caminhar em frente na busca de um mundo novo, de uma nova ordem de coisas em que os pequenos são reis, os servos são santos, os que recolhem os jogados à beira da estrada mostram que querem fazer da terra um antegozo do paraíso. Sim, antes de tudo buscamos sua presença humana mas também de ressuscitado. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Hoje quem nos dirige estas palavras é o Ressuscitado.

É verdade que a figura de Cristo impressiona a muitos homens e mulheres de nossos tempos pelo seu lado humano: atenção para com os mais simples, respeito pelas crianças, revolta contra os praticantes da lei pela lei e sem coração, compaixão, capacidade de criar laços de amizade, coragem diante das perseguições, alguém que não compactua com a corrupção e a mentira, buscadores de seres dilacerados. A leitura dos evangelhos nos coloca diante de uma figura atraente e que merece toda atenção. Os que o ouvem têm vontade de andar no seu seguimento.

Um aspecto de nosso relacionamento com Jesus é o da amizade. Ele mesmo disse que já não nos chamaria de servos, mas de amigos. Pela leitura em silêncio das páginas das escrituras, pela contemplação do Sacrário, sem muitas falas e hinos, vamos cultivando em nós essa dimensão da amizade com Jesus. Outras vezes preferimos chama-lo de Mestre. Gostamos de chama-lo de Senhor, de nosso Senhor. Não seria essa uma preocupação que deviam ter pais e catequistas já com as crianças chamando atenção para um Jesus amigo, mestre e senhor?

Sabemos que esse Jesus humano foi a presença do Altíssimo entre nós. Nele Deus visitou ( e visita) nossa terra. Percorre nossos caminhos, senta-se à nossa mesa. Se ele é nosso irmão, é também nosso Senhor, tendo passado pela morte e ganhado nova vida é o Senhor. O Jesus histórico encantador e fascinante é o Ressuscitado.

Importante vivermos uns com os outros. Termos o gosto pela convivência, pela comunidade. No seio dessas comunidades ouviremos sua Palavra, falaremos das coisas que precisamos fazer, comeremos seu corpo. É um modo de fazer-se presente a nós. Assim voltamos a Jesus.

“Voltar a Jesus é reavivar nossa relação com ele. Deixar-nos alcançar por sua pessoa. Deixar-nos seduzir não só por uma causa, um ideal, uma missão, uma religião, mas pela pessoa de Jesus, pelo Deus vivo nele encarnado. Deixar-nos transformar pouco a pouco por este Deus apaixonado por um vida mais digna, mais humana e feliz para todos, a começar pelos últimos, os mais pequenos, indefesos e excluídos” (Pagola).

Voltar a Jesus é empreender um caminho de transformação pessoal que designamos de conversão. Mudança interior em que os valores de Cristo passam a ser nossos valores: simplicidade de vida, extinção de toda vontade de dominar e colocar-se acima dos outros, respeito pelas manifestações de vida, sobretudo nos mais frágeis ( crianças, idosos, aqueles que pela ganância de alguns vivem o inferno antes da hora, os doentes e os idosos).

“Muitas vezes nosso trabalho pastoral é concebido e desenvolvido de tal foram que tendemos a estruturar a fé dos cristãos não a partir da experiência do encontro pessoal com Jesus, o Filho querido de Deus encarnado entre nós, mas a partir de certas crenças, da docilidade a certas pautas de comportamento moral e de celebração fiel de uma liturgia sacramental. Mas só com isto não conseguimos despertar nas comunidades a adesão mística a Jesus Cristo, nem a vinculação própria dos discípulos e seguidores. Fizemos uma Igreja na qual muitos cristãos e não poucos pastores pensam que, pelo fato de viver nela aceitando certas doutrinas e cumprindo certas práticas religiosas, já estão vivendo a experiência vivida pelos primeiros discípulos a comprometer-se a seguir Jesus” (Pagola, Voltar a Jesus, Vozes, p.52).

Concluindo

Cristo é o caminho: não há outras vias para atingir a Deus e para chegar aos homens. Cristo é a verdade: na confusão ruidosas das mil verdades que só duram um dia, ele permanece como termo último de todas as verdades.Cristo é a vida: todos os esforços do homem para vencer as barreiras da morte só conseguem retardar de um momento o terrível encontro. Só Cristo destrói essa barreira que nos abre as portas, para uma vida sem fim, em plenitude total (Inspirado no Missal Dominical da Paulus, p. 383)

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Oração pelas Mães - 2º domingo de maio

Senhor Deus, grato por teu olhar, por tua bondade,
pela tua delicada presença em todo o tempo de minha vida.
Hoje penso em minha mãe, hoje já envelhecida.
Muito obrigado pela mãe que me deste.
Seu sangue corre em minhas veias.
Junto dela, escondido, comecei a viver quando era quase nada,
quando a força da vida que vem de ti me fez começar a viver.
Ele me deu proteínas, sangue, noites de vigília, cuidados de todos os jeitos, seu leite generoso, cuca de banana, leite queimado com mel nos dias de resfriado, presentes no natal, afago e beijo na hora de dormir e por minha causa e em meu benefício suportou provações e viveu muitas preocupações.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 1 de maio de 2026

5º Domingo da Páscoa:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: At 6,1-7

Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário. Então os doze apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram: “Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”. A proposta agradou a toda a multidão. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um grego que seguia a religião dos judeus. Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles. Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.

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Responsório: Sl 32(33)

- Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, / da mesma forma que em vós nós esperamos!

- Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, / da mesma forma que em vós nós esperamos!

1. Ó justos, alegrai-vos no Senhor! / Aos retos fica bem glorificá-lo. / Dai graças ao Senhor ao som da harpa, / na lira de dez cordas celebrai-o!

2. Pois reta é a palavra do Senhor, / e tudo o que ele faz merece fé. / Deus ama o direito e a justiça, / transborda em toda a terra a sua graça.

3. O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem / e que confiam, esperando em seu amor, / para da morte libertar as suas vidas / e alimentá-los quando é tempo de penúria.

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2ª Leitura: 1Pd 2,4-9

Leitura da Primeira Carta de São Pedro

Caríssimos, aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. Com efeito, nas Escrituras se lê: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar não será confundido”. A vós, portanto, que tendes fé, cabe a honra. Mas para os que não creem, “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, pedra de tropeço e rocha que faz cair”. Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra; esse é o destino deles. Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.

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Evangelho: Jo 14,1-12

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais também vós. E para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Acreditai-me, eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa dessas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço e fará ainda maiores do que essas. Pois eu vou para o Pai”.

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Reflexão do padre Johan Konings:

O sacerdócio dos fiéis

O tempo litúrgico depois da Páscoa aprofunda o sentido do batismo cristão, intimamente ligado à Páscoa.

As leituras de hoje convidam a uma reflexão sobre o sacerdócio comum de todos os batizados. A 1ª leitura nos fala do desenvolvimento da jovem comunidade. A caridade cria novas tarefas: surgem os “diáconos” (= servidores) da comunidade, ao lado dos apóstolos (que serão em primeiro lugar servidores da palavra e fundadores de comunidades, seus sucessores são os bispos). As comunidades estabelecidas recebem um colégio de anciãos ou presbíteros. Nestes serviços reconhecemos o que hoje se chama a “ordem” do sacerdócio ministerial (bispos, presbíteros, diáconos).

A 2ª leitura fala do mistério da Igreja, templo de pedras vivas, sustentadas pela pedra de arrimo que é Jesus Cristo, “pedra angular rejeitada pelos construtores”. A Igreja é chamada com o título do povo de Israel segundo Ex 19,6, “sacerdócio régio”, sacerdócio do Reino. Assim como o povo de Israel foi escolhido por Deus para celebrar a sua presença no meio das nações, assim a Igreja é o povo sacerdotal, escolhido por Deus para santificar o mundo. Ela é chamada a ser o “sacramento do reino”, sinal e primeira realização do Reino no mundo. Com essas imagens, Pedro destaca a dignidade e responsabilidade daqueles que receberam o batismo na noite pascal.

O sacerdócio dos féis, reafirmado no Concílio Vaticano II, designa a santificação do mundo como vocação do povo de Deus como tal, de todos os que podem ser chamados de “leigos” (em grego, laós = povo; neste sentido, também os membros da hierarquia são “leigos”!). Como o sacerdote santifica a oferenda, assim todos os que levam o nome cristão devem santificar o mundo pelo exercício responsável de sua vocação específica, na vida profissional, no empenho pela transformação da sociedade, na humanização, na cultura etc. Tal “sacerdócio dos fiéis” não entra em concorrência com o sacerdócio ministerial. Pois este é o serviço (“ministério”) de santificação dentro da comunidade eclesial, aquela é a missão santificadora da Igreja no mundo, como tal. O sacerdócio dos fiéis significa que a Igreja como comunidade e todos os fiéis pessoalmente, em virtude de seu batismo, recebem a missão de santificar o mundo, continuando a obra de Cristo.

No belíssimo evangelho deste domingo aprendemos como é esse Deus do qual nossa vida será o culto, a celebração no mundo em que vivemos: ele tem o rosto de Jesus.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 2 - Sábado

14h -  Terço das crianças no Centro Pastoral São José

19h -  Missa na Matriz

19h - Celebração na comunidade São Francisco

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Dia 3 - 5º Domingo de Páscoa

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Intenção de oração do Papa para o mês de maio:

com milhões de pessoas
que passam fome, promover gestos de solidariedade

Leão XIV, no vídeo de intenção de oração para o mês de maio, pede para rezarmos juntos "por uma alimentação para todos", através de gestos concretos que transformem "a lógica do consumo egoísta em cultura de solidariedade": promover "campanhas de sensibilização, bancos alimentares, e um estilo de vida sóbrio e responsável" para que "ninguém fique excluído da mesa comum".


"Senhor da criação,
Tu nos deste a terra fértil e, com ela, o nosso pão de cada dia,
como sinal do teu amor e da tua providência.
Hoje reconhecemos com dor
que milhões de irmãos e irmãs continuam a passar fome,
enquanto tanto alimento é desperdiçado nas nossas mesas.

Desperta em nós uma nova consciência:
que aprendamos a agradecer cada alimento,
a consumir com simplicidade,
a partilhar com alegria,
e a cuidar dos frutos da terra como um dom teu,
destinado a todos, não apenas a alguns.

Pai bondoso,
torna-nos capazes de transformar a lógica do consumo egoísta
em cultura de solidariedade.
Que as nossas comunidades promovam gestos concretos:
campanhas de sensibilização, bancos alimentares,
e um estilo de vida sóbrio e responsável.

Tu que nos enviaste o teu amado Filho Jesus,
pão partido para a vida do mundo,
dá-nos um coração novo, faminto de justiça e sedento de fraternidade.
Que ninguém fique excluído da mesa comum
e que o teu Espírito nos ensine a olhar para o pão
não como objeto de consumo,
mas como sinal de comunhão e cuidado.
Amém."

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O vídeo de intenção de oração para maio

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Num mundo em que milhões de pessoas não têm acesso a uma alimentação digna, o Papa Leão XIV eleva a sua voz em oração. A intenção para o mês de maio, “Por uma alimentação para todos”, coloca em destaque um dos desafios mais urgentes da nossa época: a fome e o desperdício alimentar. Através da campanha “Reza com o Papa”, a Rede Mundial de Oração do Papa convida os fiéis e as pessoas de boa vontade a se unirem todos os meses às intenções que o Pontífice traz no coração.

Na sua oração, Leão XIV reconhece com dor que “milhões de irmãos e irmãs continuam a passar fome, enquanto tantos bens são desperdiçados nas nossas mesas”. O Pontífice convida a despertar nos crentes uma nova consciência: aprender a agradecer cada alimento, a consumir com simplicidade e a partilhar com alegria, entendendo os frutos da terra como um dom de Deus “destinado a todos, não apenas a alguns”.

O Papa pede a Deus que torne as comunidades capazes de transformar “a lógica do consumo egoísta numa cultura de solidariedade”, promovendo gestos concretos: campanhas de sensibilização, bancos alimentares e um estilo de vida sóbrio e responsável. A oração conclui com um apelo evangélico: “Que ninguém fique excluído da mesa comum”.

Uma crise alimentar mundial crescente

Os dados mais recentes dos organismos das Nações Unidas traçam um panorama de urgência crescente. De acordo com o WFP 2026 Global Outlook, publicado pelo Programa Alimentar Mundial, 318 milhões de pessoas enfrentarão, em 2026, níveis de crise de fome ou situações ainda mais graves. O mesmo relatório alerta que o conflito no Médio Oriente poderá empurrar mais 45 milhões de pessoas para uma situação de fome aguda até meados do ano. Além disso, em 2025, foram confirmadas duas fomes simultâneas em partes de Gaza e do Sudão, as primeiras deste século.

O relatório O estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo 2025 - elaborado conjuntamente pela FAO, o FIDA, a UNICEF, o PMA e a OMS - já estimava em 673 milhões o número de pessoas que passaram fome em 2024, e em 2.300 mil milhões aquelas que viviam em situação de insegurança alimentar moderada ou grave. Mais de 2.600 mil milhões de pessoas não tinham meios para uma alimentação saudável. A FAO e o PMA alertam ainda que a insegurança alimentar aguda continuará a agravar-se ao longo de 2026, em, pelo menos, 16 países e territórios identificados como pontos críticos.

Esta realidade torna-se ainda mais escandalosa quando contrastada com o desperdício alimentar global. De acordo com o Relatório sobre o Índice de Desperdício Alimentar do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o mundo desperdiça mais de 1.000 milhões de toneladas de alimentos. Além disso, a perda e o desperdício de alimentos constituem um grave problema climático, uma vez que geram entre 8% e 10% das emissões globais de gases com efeito de estufa. Um paradoxo global que o Papa Leão XIV coloca no centro da sua oração para este mês de maio.

Agir com determinação perante uma injustiça

O diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, o Padre Cristóbal Fones, sublinhou a urgência desta intenção de oração e a proximidade pessoal do Papa com esta causa: “esta intenção nasce do coração do Papa. Dói-lhe profundamente que tantas pessoas no mundo não tenham acesso a algo tão essencial e tão humano como é o alimento. Por isso, convoca-nos a todos a não ficarmos indiferentes, mas a agir com determinação, a partir da oração e de gestos concretos de solidariedade”.

A Rede Mundial de Oração do Papa recorda que esta intenção não é apenas um apelo à contemplação, mas à ação. O Papa Leão XIV convida as comunidades a promoverem iniciativas concretas - bancos alimentares, campanhas de sensibilização, redução do desperdício doméstico - entendendo que o pão não é “um objeto de consumo, mas um sinal de comunhão e cuidado”.

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Fonte: vaticanews.va

A Igreja celebra hoje

São José Operário

Ao celebrarmos a festa de São José Operário, recordamos que todo trabalho é digno e que não existe trabalho pior ou melhor do que o outro. Através do trabalho, é possível garantir o salário para o sustento da família e para as necessidades básicas.

Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Celebramos no dia 1º de maio a festa litúrgica de São José Operário. Recordamos, nesse dia, São José como o homem trabalhador, chefe da família e carpinteiro. No dia 19 de março, recordamos São José como patrono universal da Igreja e pai adotivo de Jesus, protetor das famílias, e, nesse dia 1º de maio, recordamos São José como protetor dos trabalhadores e intercessor dos desempregados.

O dia de São José Operário, artesão e do trabalhador é feriado nacional, momento oportuno para participarmos da Santa Missa e agradecer a Deus pelo trabalho que temos, e, quem está desempregado, pedir um emprego por intercessão de São José Operário. Que São José interceda para que todos tenham condições dignas de trabalho e que ninguém seja explorado.

Ao celebrarmos a festa de São José Operário, recordamos que todo trabalho é digno e que não existe trabalho pior ou melhor do que o outro. Através do trabalho, é possível garantir o salário para o sustento da família e para as necessidades básicas.

Podemos nos espelhar em São José, que era um humilde carpinteiro, mas, com o suor e a dignidade de seu trabalho, levava o alimento para a mesa da Sagrada Família. Que todos os homens sigam o exemplo de São José como chefe de família e com o seu salário sustente a sua família.

Nos dias de hoje, infelizmente, acontecem muitas discriminações no ambiente de trabalho: homens ganham mais que as mulheres; pessoas brancas ganham mais que pessoas negras, ocupando o mesmo cargo. Até mesmo aqueles que ocupam determinados cargos menosprezam os outros que estão em cargos inferiores.

Peçamos, nesse dia, que São José abençoe todos aqueles que têm trabalho, para que continuem firmes em seus empregos e, trabalhando com dignidade, levem o alimento diário para a mesa de suas famílias. E peçamos por todos os desempregados, para que logo encontrem um trabalho e possam levar o sustento para a sua família.

A comemoração do dia de São José Operário teve início em 1955, através do Papa Pio XII. A Praça de São Pedro estava lotada, com mais de 200 mil pessoas. Já se comemorava o Dia do Trabalho e, para dar um caráter religioso à festa civil, o Papa cristianizou essa festa, e assim dignificou os frutos do esforço do trabalho de cada um.

Através da comemoração desse Dia do Trabalho e de São José Operário, pedimos a Deus, por intercessão de São José, que ninguém seja explorado em seu trabalho, mas seja respeitado naquilo que faz e ganhe o seu salário dignamente. Rezemos por aqueles que estão desempregados, para que logo consigam uma colocação e, com o salário que receberem no trabalho, possam pagar as contas e sustentar a família. Recordamos que o trabalho dignifica a pessoa humana. Todos devem ter um trabalho ou uma ocupação, de forma honesta. Os pais que trabalham são exemplos para os filhos, pois, vendo que os pais trabalham, seguirão o exemplo no futuro e darão a mesma importância ao trabalho.

Em nosso trabalho devemos ser como São José: justos e, no silêncio, realizar as nossas obrigações. Somos chamados a viver a santidade no dia a dia, através do nosso batismo. Inclusive, podemos santificar o nosso trabalho, ou seja, trabalhar rezando ou, no descanso da hora do almoço, rezar o terço, como somos convidados no mês de maio, dedicado a Nossa Senhora, ou ler um livro espiritual. Enfim, falar de Deus para os outros, convidar os colegas de trabalho a participarem da Igreja. Dessa forma, vamos tornando o ambiente de trabalho mais agradável.

Peçamos a intercessão de São José por todos aqueles que sofrem algum tipo de discriminação ou injustiça no trabalho, para que sejam respeitados em sua dignidade e tenham paz no seu ambiente de trabalho.

O ambiente de trabalho deve ser um lugar de satisfação e alegria, pois é de lá que tiramos o nosso sustento, e passamos boa parte do nosso dia. Não deve ser um local triste e de insatisfação. Se temos um trabalho, é porque foi abençoado por Deus, e devemos dar graças a Ele por esse emprego. Ao acordar pela manhã, devemos ter satisfação em levantar e ir para o trabalho.

Que São José Operário, modelo de todo trabalhador, seja nosso socorro e auxílio em meio às labutas do dia a dia. Que Ele abençoe o nosso trabalho e, para aqueles que ainda não têm trabalho, que tão logo possam conseguir um emprego. Sejamos fiéis ao nosso trabalho, à nossa família e a Deus. Que, da mesma forma, possamos ser gratos com aqueles que nos deram a oportunidade do emprego. Tenhamos fé em Deus e em São José, que tudo vai melhorar.

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Segue a oração a São José Operário composta por São Pio X:

Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência, para expiação de meus numerosos pecados; de trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações;

De trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus. De trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades;

De trabalhar, sobretudo, com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência nos sucessos, tão funesta à obra de Deus!

Tudo por Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, oh! Patriarca São José!

Tal será a minha divisa na vida e na morte. Amém.

São José Operário, rogai por nós!

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Fonte: vaticanews.va

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Importante reflexão de dom Zanoni Demettino Castro:

Uma Igreja que escuta e inclui


Após dez dias de encontro fraterno, vivência e convivência, oração e partilha, retornamos da 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, realizada em Aparecida, São Paulo, com o coração cheio de alegria e graça. Foi um tempo fecundo, marcado por intensos momentos de reflexão, discernimento e comunhão episcopal.

Neste contexto, aprovamos as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, expressão da palavra oficial dos Bispos, como sucessores dos Apóstolos. Trata-se de uma orientação que brota da escuta do Espírito e do povo de Deus, iluminada pelo espírito do Concílio Vaticano II e enriquecida pelo magistério das Conferências Episcopais da América Latina — de Medellín a Aparecida. É uma palavra encarnada, próxima do povo, fiel ao Evangelho de Jesus Cristo e atenta aos sinais do nosso tempo.

Essa escuta nos levou, mais uma vez, a reconhecer a realidade histórica e social do nosso povo, profundamente marcada pela presença e pela contribuição do povo negro. Sua dignidade, tantas vezes ferida ao longo da história, continua a clamar por justiça, reconhecimento e inclusão. Não podemos anunciar o Evangelho sem escutar esse clamor.

Num clima de escuta fraterna e espírito sinodal, tive a graça de apresentar aos irmãos bispos o Do umento da Pastoral Afro-Brasileira. Trata-se de um texto que nasce do chão das comunidades, fruto de um longo caminho de escuta, discernimento e compromisso com a vida e a dignidade do povo afrodescendente em nosso país. Ele dialoga com o Magistério da Igreja e responde aos desafios atuais, em sintonia com a consciência internacional que reconhece a escravidão e o tráfico transatlântico como graves crimes contra a humanidade.

Recordei, naquela ocasião, algo fundamental: pastoral é o nome que a Igreja dá ao cuidado com o povo. É o zelo apostólico, especialmente para com os pobres e abandonados. Pastoral é, em sua essência, a própria evangelização em sentido pleno. É fidelidade à missão que Jesus confiou à sua Igreja: “Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos” (cf. Mt 28,19-20).

Neste horizonte, a Pastoral Afro-Brasileira não é algo paralelo ou opcional. Ela é expressão concreta do pastoreio de Jesus na história. É a presença da Igreja junto ao povo negro, reconhecendo sua dignidade, valorizando sua cultura de matriz africana e assumindo, com coragem evangélica, o compromisso de superar as marcas históricas do racismo e da exclusão.

O Documento agora está nas mãos de cada bispo. O chamamos de “documento mártir”, no sentido mais eclesial do termo: um texto que se coloca em caminho, aberto ao discernimento da Igreja. Ele será lido, rezado, acolhido e enriquecido por todos, para que possa amadurecer e, oportunamente, tornar-se Documento Oficial da CNBB, tão esperado pela comunidade afrodescendente.

Este é o caminho sinodal que estamos vivendo: caminhar juntos, escutar nos mutuamente e discernir à luz do Espírito. Não se trata apenas de produzir textos, mas de gerar processos de conversão pastoral, capazes de transformar nossas comunidades em sinais vivos do Reino de Deus.

Diante de uma sociedade marcada por tantas feridas — desigualdades, preconceitos, violências — a Igreja é chamada a ser presença samaritana, promotora da dignidade humana e construtora de fraternidade. Isso exige de nós coragem, humildade e fidelidade ao Evangelho.

Que o Espírito Santo nos conduza neste caminho. E que possamos ser, no coração do mundo, uma Igreja que escuta, acolhe e serve, especialmente os irmãos e irmãs que mais sofrem as consequências da exclusão e da injustiça.

Dom Zanoni Demettino Castro - Arcebispo de Feira de Santana (BA)

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Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

Aumenta o número de católicos no mundo.

No Brasil,
análise do Censo 2022 orientou construção das DGAE

Foi divulgado, nesta semana, o aumento do número de católicos no mundo. De acordo com os dados do Anuário Pontifício 2026 e do Annuarium Statisticum Ecclesiae 2024, os católicos no mundo somam pouco mais de 1,422 bilhão de pessoas em 2024, ante 1,406 bilhão em 2023. O aumento foi de 1,14%, cerca de 16 milhões de fiéis. Os números proporcionam interpretações, análises e guiam tomadas de decisão em toda parte. Aqui no Brasil, atentos à missão de anunciar o Evangelho a todos, os bispos consideraram os dados do Censo 2022 na reflexão das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE). 

Estabilidade 

Os dados do Anuário Pontifício mostraram que a participação dos católicos na população global permaneceu estável, em torno de 17,8%. A América continua como o continente com maior número de católicos, concentrando 47,7% do total mundial e com 64% da população que se declara católica. 

No Brasil, os dados do Censo 2022 apontaram para o número de 56,7% de católicos no país, uma redução de 8,3% em relação a 2010. Porém, a redução foi menor que a década anterior. Outro destaque diz respeito ao aumento no número de pessoas sem religião, freando a expectativa de aumento crescente no número de evangélicos.  

Mudança de cenário 

Os dados do Censo 2022 “constatam uma mudança importante”, segundo a análise do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (Inapaz) apresentada na 62ª Assembleia Geral da CNBB.   

“O Brasil deixa de ser um país hegemonicamente católico para se configurar como uma nação religiosamente plural e dinâmica”.  

Essa análise reforça o que tem sido apresentado pelo Inapaz desde o ano passado, quando começaram a ser divulgados os recortes sobre religião a partir do Censo. A compreensão é de que os números censitários “são insuficientes para uma aproximação mais consistente da realidade verificada no ethos religioso brasileiro. Eles precisam ser interpretados, entre outros aspectos, à luz de aspectos culturais mais amplos”. 

Assim, as análises de conjuntura eclesial elaboradas pelo Inapaz tiveram a preocupação de analisar não só os dados do Censo, mas o modo como pessoas e grupos lidam com a vida, com a dimensão religiosa em geral e com o catolicismo em particular, o chamado ethos religioso.  

De acordo com o Inapaz, a experiência religiosa brasileira se deslocou de um perfil monocêntrico, institucional, doutrinal e estático para um perfil altamente plural, individualizado. “O Brasil está passando da cristandade para a pós-cristandade, no qual o cristianismo se torna uma escolha pessoal em um contexto bastante plural, perdendo força institucional”. 

Além desses aspectos há um contexto mundial de policrise, o que é entendido a partir do termo utilizado por Edgar Morin a respeito das mudanças nos diversos âmbitos da vida humana como sintomas de uma crise maior da civilização ocidental.  

Assim, observa o Inapaz, “o desafio consiste em anunciar o Evangelho em um contexto no qual crer já não significa necessariamente pertencer nem seguir”.  

“Trata-se de redescobrir a força do testemunho, da comunidade e do encontro pessoal como caminhos privilegiados para que a fé cristã continue a oferecer sentido, esperança e horizonte à existência humana no Brasil de hoje. Trata-se de buscar itinerários para que a fé seja transmitida às novas gerações, seja alimentada e mantenha seu vigor profético-solidário”. 

Nesse cenário, a ação evangelizadora não pode se limitar à conservação de estruturas e métodos herdados de um contexto de cristandade, alertou o Inapaz. A exigência, é de uma “conversão pastoral e missionária que coloque a Igreja em estado permanente de missão”, apontou inspirado no Documento de Aparecida.  

“Tal conversão passa pela redescoberta da centralidade do encontro pessoal com Jesus Cristo, pela valorização das pequenas comunidades como mediações privilegiadas em uma sociedade fragmentada, pelo fortalecimento da iniciação à vida cristã, pela adequada animação bíblica da vida e da pastoral, pela integração entre liturgia e piedade popular e pelo compromisso com a transformação da realidade à luz do Evangelho”. 

Confira a análise oferecida aos bispos na íntegra.  

As novas Diretrizes que recolhem os apontamentos da análise  

Após um percurso de quatro anos, o episcopado brasileiro concluiu, durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, a construção das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto recolhe, entre as diversas fontes que o inspiram, as contribuições oferecidas pelo Inapaz.  

Elas são a forma com a qual os bispos propõem uma resposta ao apelo do Espírito “a ser uma tenda sempre aberta, capaz de ampliar a escuta e o acolhimento, sustentada por estacas firmes na fé, esperança e caridade, diante dos desafios atuais”. 

As Diretrizes querem assegurar que a Igreja no Brasil permaneça fiel às suas três tarefas permanentes: anunciar, santificar e testemunhar a fé. 

Os bispos, cientes da nova realidade, convidam a Igreja a “rever os métodos de anúncio da Boa-Nova, de transmissão da fé e de fortalecimento do senso de pertença à comunidade eclesial”. Nas novas DGAE, também falam em “reavivar em toda a Igreja no Brasil a busca pela santidade e o sentido de participação e comunhão orientados pela missão”.  

A imagem da tenda, assim como no processo do Sínodo sobre a Sinodalidade vivido por toda a Igreja, foi escolhida para expressar o espírito que vai nortear a ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Essa figura da tenda pode ser entendida como o chamado à Igreja a ser “comunidade que se alarga, escuta os sinais dos tempos, faz o discernimento para a conversão pastoral e sai em missão”. 

O texto será publicado nas próximas semanas e estará disponível para todas as comunidades do Brasil para aquisição na editora oficial da CNBB, a Edições CNBB. 

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Fonte: cnbb.org.br