sábado, 24 de outubro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG: sábado

Horários de missa e outros eventos
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Dia 25 - 30º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa da festa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Missa na igreja de Santo Antônio

18h - Missa na matriz

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Reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

O amor precisa de mandamento?

♦ Tema do amor, mandamento e testamento do Senhor. Somos discípulos daquele que, por amor, deu a vida no alto do madeiro. Ressoa sempre diante de nossos ouvidos as palavras Daquele que amou até o fim: amar a Deus de todo o coração, amor ao próximo como a nós mesmo, não há maior amor do que dar a vida pelos seus. Amor, palavra gasta, colocada em tudo tantas vezes sem critério. O amor é o que é de mais importante numa existência. Ele nos arranca da banalidade de anos em que se podemos ter dançado a dança macabra em torno de nós mesmos num pequeno e tacanho universo.

♦ A Trindade, essa fornalha de dom, de entrega, de ventura de amor. Mistério dos Mistérios. Não conseguimos imaginar. O amor é difuso. Não fica em si. Quer expandir. O fogo do amor trinitário a tudo cria por amor. Os espaços, os planetas, a terra, o sol, os colibris, a chuva e o bom tempo, o homem e a mulher: expressões de um amor que se difunde da fogueira de amor da Trindade. E quando chegou a plenitude dos tempos o amor se manifesta nos olhinhos de um garoto na Palestina e de um homem estira os braços na cruz do Gólgota. Tudo dom. Tudo excesso de amor. Dois amores num amor: ao Senhor e ao irmão. Três amores: amar a si mesmo.

♦ Ao Senhor toda honra e toda glória. Fonte, mistério, destino, rochedo, baluarte. Um Tu a nos sustentar. O que queres de mim? Reconhecimento. Ele nos inventou. Valemos para ele com a pupila de seus olhos. Vivemos nele e nele somos. Fundamental privar de sua intimidade em nossa verdade mais profunda. Saborear os salmos. Desobstruir todos os canais para que a escuta de sua voz se faça ouvir. Não ser surdo ao que ele pede. Deixa-se seduzir por seu mistério. Permitir que ele nos leve ao deserto para nos sussurrar: “Vamos caminhar juntos… tu vales aos meus olhos!”

♦ Querer bem ao outro. Aos de perto e aos de longe. Aos peregrinos e aos mais próximos. Não se trata apenas de gestos de civilidade, de boas maneiras. Significa existir para. Colocar o outro no centro: o filho, os pais, os colegas de trabalho, o diferente, o certinho e o ‘erradinho’, os refugiados, do infectados. O amor requer previdência e providências. Fidelidade à verdade do outro e paciência com suas lentidões. Amar o outro é desejar que ele seja… Esse amor fraterno tem muitos nomes. Somos convidados a ler e reler o cap. 13 da 1ª. aos Coríntios.

♦ Muitas vezes esse amor fraterno é paciência, sempre firmeza, fidelidade. Por vezes tolerância. Em outras ocasiões, perdão. Sofrer com seus sofrimentos e rir com seu rir. Por vezes é feito de silêncio respeitoso e a decisão de não espalhar aos quatro ventos aquilo que o torna menos belo. E, contudo, isso o amor corrige, pode mudança.

♦ Missal dominical e festivo da Paulus: “A atenção a Deus e a atenção ao homem não são tão facilmente separáveis. O cultivo da “vida interior” é um valor cristão, um valor permanente, como a necessidade de recolhimento. Mas a “vida interior”, quando é cristã, não é monólogo nem é falar com Deus só. Encontrando Deus na oração, o cristão, mais cedo ou mais tarde, encontra inevitavelmente os homens que Deus cria e quer salvar. Ele não pode deixar de subscrever estas linhas de Paul Ricoeur: “Minha fonte interior é a fonte de minhas relações exteriores. Contrariamente à sabedoria meditativa e contemplativa do fim do paganismo grego ou do Oriente, a pregação cristã jamais opôs o ser ao fazer, o interior ao exterior, a teoria à práxis, a oração à vida, a fé às obras, Deus ao próximo. E sempre no momento em que a comunidade cristã se desfaz ou a fé decai, que ela abandona o mundo e suas responsabilidades, reconstruindo o mito da interioridade. Então o Cristo não é mais reconhecido na pessoa do pobre, do exilado e do prisioneiro”.

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Oração

Senhor, ama-me

Ama-me Tu, Senhor,
ainda que eu não seja amável,
ainda que seja pobre,
ainda que não o mereça,
ainda que te ame pouco,
ama-me Tu, Senhor.

Quando me levanto pela manhã, cheio de sonhos,
quando me deito à noite, cheio de desilusões,
quando trabalho por inércia,
quando repouso e me sinto vazio,
quando rezo distraído,
quando não tenho vontade de te amar,
ama-me Tu, Senhor.

Quando penso amar-te
sem amar os homens,
quando me iludo de amar os homens
sem te amar
quando temo mar demasiado
ama-me tu, Senhor.

Quando tenho de me comprometer,
e tenho responsabilidades,
quando fujo do amor
quando ninguém me ama
ama-me Tu, Senhor. (Adriana Zarri)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

30º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Êx 22,20-26

Leitura do livro do Êxodo

Assim diz o Senhor: Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito. Não façais mal algum à viúva nem ao órfão. Se os maltratardes, gritarão por mim, e eu ouvirei o seu clamor. Minha cólera, então, se inflamará e eu vos matarei à espada; vossas mulheres ficarão viúvas e órfãos os vossos filhos.

Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, a um pobre que vive ao teu lado, não sejas um usurário, dele cobrando juros. Se tomares como penhor o manto do teu próximo, deverás devolvê-lo antes do pôr-do-sol. Pois é a única veste que tem para o seu corpo, e coberta que ele tem para dormir. Se clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso.

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Responsório: Sl 17

— Eu vos amo, ó Senhor,/ sois minha força e salvação.

— Eu vos amo, ó Senhor,/ sois minha força e salvação.

— Eu vos amo, ó Senhor!/ Sois minha força,/ minha rocha, meu refúgio e Salvador!/ Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga,/ minha força e poderosa salvação.

— Ó meu Deus,/ sois o rochedo que me abriga,/ sois meu escudo e proteção: em vós espero! Invocarei o meu Senhor:/ a ele a glória!/ E dos meus perseguidores serei salvo!

— Viva o Senhor!/ Bendito seja o meu Rochedo!/ E louvado seja Deus, meu Salvador!/ Concedeis ao vosso rei grandes vitórias/ e mostrais misericórdia ao vosso Ungido.

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2ª Leitura: 1Ts 1,5c-10

Leitura da Carta de São Paulo aos Tessalonicenses

Irmãos: Sabeis de que maneira procedemos entre vós, para o vosso bem. E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações. Assim vos tornastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia.

Com efeito, a partir de vós, a Palavra do Senhor não se divulgou apenas na Macedônia e na Acaia, mas a vossa fé em Deus propagou-se por toda parte. Assim, nós já nem precisamos falar, pois as pessoas mesmas contam como vós nos acolhestes e como vos convertestes, abandonando os falsos deuses, para servir ao Deus vivo e verdadeiro, esperando dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos: Jesus, que nos livra do castigo que está por vir.

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Evangelho: Mt 22,34-40

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito os saduceus se calarem. Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus para o tentar: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?» Jesus respondeu: «Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.»

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Reflexão do padre Johan Konings:

Amar a Deus e ao próximo

Jesus resume a Lei, a norma ética, em “amar Deus e o próximo”. Tendo claro que “amar”, neste contexto, não significa mero sentimento, mas opção ética, podemos desdobrar este ensinamento em duas perguntas:

1) Pode-se amar Deus sem amar ao próximo? Não. Já na antiga “Lei da Aliança”, mil anos antes de Cristo, “amar a Deus” significa, concretamente, ajudar ao próximo: a viúva, o órfão, o estrangeiro, o povo em geral: o direito do pobre clama a Deus (1ª leitura).

Na mesma linha, Jesus, interrogado sobre qual é o maior mandamento, vincula o amor a Deus ao amor ao próximo, e acrescenta que desses dois mandamentos dependem todos os outros (evangelho). Todas as normas éticas devem ser interpretadas à luz do amor a Deus e ao próximo, que são inseparáveis. É impossível optar por Deus sem ser solidário com seus filhos (1Jo 4,20). A verdadeira religião é dedicar-se aos necessitados (Tg 1,27). Na prática, o “amor a Deus” (a religião) passa necessariamente pelo “sacramento do pobre e do oprimido”, ou seja, pela opção por aqueles cuja miséria clama a Deus, seu “Defensor”. Entre Deus e nós está o necessitado. Só se dedicando a este, temos acesso a Deus. Mas não basta uma esmola. Com a nossa atual compreensão da sociedade e da história, a dedicação ao empobrecido não se limita à escola, mas exige novas estruturas. Importa trabalhar as estruturas da sociedade e transforma-las de tal modo que o bem-estar do fraco e do pobre estejam garantido pela solidariedade de todos, numa estrutura política e social que seja eficaz.

2) Pode-se amar o próximo sem amar a Deus? Nosso mundo é, como se diz, “secularizado”. Não dá muito lugar a Deus. Não nos enganem as aparências, os shows religiosos que aparecem em teatro e televisão, pois esse tipo de religiosidade, muitas vezes, não passa de um produto de consumo, no meio de tantos outros. Não é compromisso com Deus. Ao mesmo tempo, pessoas com profundo senso ético dizem: já não precisamos de Deus para explicar o universo. Será que ainda precisamos dele para sermos éticos, para respeitar nosso semelhante, para “amar o próximo?” Será que não basta ser bom para com os outros, sem apelar a Deus? Para que “amar a Deus”? Para que a religião? Eis a resposta: para amar bem o irmão, devemos também “amar a Deus”, aderir a ele (embora não necessariamente por uma religião explícita). Isso, porque o que entendemos por Deus é o absoluto, o incondicional, aquele que tem a última palavra, que sempre nos transcende e está acima de nossos interesses pessoais. Se não buscamos ouvir essa palavra última, pode acontecer que nos ocupemos com o próximo para nos amar a nós mesmos (amor pegajoso, interesseiro, sufocante etc.)

Como cristão, conhecendo “Deus” como Pai de Jesus Cristo e como a fonte do amor que este nos manifestou, devemos perguntar sempre se nossa prática de solidariedade é realmente orientada pelo absoluto, por Deus, aquele que Jesus chama de Pai. Senão, vamos conceber nosso amor de acordo com a nossa medida, que é sempre pequena demais…

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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               Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: vaticannews.va  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Doutrina da Fé:

na crise da transmissão da fé, recomeçar a partir do Kerygma

“Vinde a Mim. Considerações sobre a transmissão da fé em uma mudança de época” é o título do documento do Dicastério para a Doutrina da Fé, divulgado hoje, quinta-feira, 22 de outubro. Em uma sociedade secularizada e permeada por uma nova cultura, “a transmissão da fé exige hoje, de maneira especial, a evangelização dos adultos e a superação de uma ação pastoral concentrada exclusivamente na catequese de crianças e adolescentes”.

Em uma mudança de época marcada pela crise na transmissão da fé, é preciso “recomeçar a partir de uma grande época de anúncio do Evangelho”, colocando no centro o primeiro anúncio, o kerygma: ‘Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar’ (EG 164).

Este é o coração da exortação contida no documento “Vinde a Mim. Considerações sobre a transmissão da fé em uma mudança de época”, do Dicastério para a Doutrina da Fé, divulgado hoje, quinta-feira, 22 de outubro.

LEIA AQUI O TEXTO INTEGRAL DO DOCUMENTO "VENITE AD ME"

Na esteira do Concílio e do magistério dos Pontífices

As Considerações são um texto intenso, composto por oito capítulos, além de uma introdução e uma conclusão, repleto de referências ao magistério dos Pontífices, em particular de Leão XIV e do Papa Francisco, ao Concílio Vaticano II e a outros documentos.

Esclarece-se também que o gênero do documento é o de Considerações e não uma Nota doutrinária. Por isso, o texto examina “uma pluralidade de pontos de vista, sem, no entanto, pretender encerrar a questão, que permanece aberta a novas análises e desenvolvimentos”.

O objetivo específico é, portanto, sugerir “caminhos concretos para o anúncio do kerygma na mudança de época que estamos atravessando”.

O documento foi aprovado pelo Papa em 21 de agosto de 2026 e traz a assinatura do cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e de monsenhor Armando Matteo, secretário da Seção Doutrinária do mesmo Dicastério. Foi valiosa a contribuição de muitas Conferências Episcopais para este trabalho, bem como os testemunhos — enviados pelos bispos — daqueles que descobriram ou redescobriram o Senhor Jesus, relatados no último capítulo destas Considerações.

Testemunhar a experiência pessoal do encontro com Cristo

O ponto de partida são as palavras de Jesus no Evangelho de Mateus: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso”. Trata-se, como indicado nas conclusões, de “um apelo aos fiéis para que retornem ao coração do patrimônio da fé cristã: o kerygma”, que “ilumina todos os conteúdos do depositum fidei, atraindo para a experiência de um encontro pessoal e comunitário com o Cristo vivo”, considerando também que, em algumas regiões do mundo, a transmissão da fé “está praticamente interrompida”.

O anúncio do amor do Pai

O primeiro capítulo começa justamente ressaltando que “Jesus é realmente a verdadeira luz que ilumina todo ser humano”. “Esta é a boa nova do Evangelho do Filho: Deus é, para sempre e para todos, amor”. A fé, ressalta-se, “não se transmite, em primeiro lugar, como um conjunto de conteúdos doutrinários ou de informações religiosas”, mas como “uma forma de vida eclesial na qual o crente é progressivamente introduzido”.

Pastoral também para adultos, não apenas para crianças e adolescentes

Ao analisar as formas de transmissão da fé, destaca-se como a Igreja se desenvolve “por atração”, como a família constitui “o primeiro e mais essencial lugar de transmissão da fé” e a importância da sinergia, nesse sentido, entre a Igreja e a família. Constata-se, porém, que a transmissão da fé nos contextos familiares “foi interrompida em muitas partes do mundo” e que “a transmissão da experiência da fé cristã às novas gerações não ocorre mais de forma, por assim dizer, automática”.

“É somente nesse momento, e em um segundo estágio, que a comunidade eclesial entra no processo de transmissão da fé”, afirma o documento, que constata como “nos países de antiga tradição cristã, esse contexto de transmissão da fé parece hoje comprometido, pois é caracterizado cada vez mais pela presença de ‘pessoas batizadas que, porém, não vivem as exigências do Batismo’, não sentem uma pertença cordial à Igreja e já não experimentam a consolação da fé”. Diante dessa realidade, o documento destaca que “a transmissão da fé exige hoje, particularmente, a evangelização dos adultos e a superação de uma ação pastoral concentrada exclusivamente na catequese de crianças e adolescentes”.

A mudança de época

O terceiro capítulo concentra-se no contexto, ou seja, na mudança de época que vivemos. A urgência de responder às perguntas sobre para onde estamos indo e qual direção escolher é manifestada por Leão XIV na Magnifica humanitas, justamente a respeito dessa mudança de época. Um aspecto característico, sobretudo no Ocidente, é justamente “a crise da transmissão geracional da fé cristã”. Observa-se, de fato, que “cada vez menos pais cumprem a tarefa de colocar seus filhos em contato com a luz viva da mensagem evangélica” e que é justamente desses contextos familiares que provém a maioria das pessoas que, apesar de terem frequentado os ambientes católicos da paróquia, acabam vivendo a transição para a idade adulta com uma atitude de indiferença religiosa substancial.

Uma nova cultura que relega a fé a uma questão privada

“A crise da modernidade, símbolo da mudança de época, contribuiu assim para o surgimento de uma nova cultura, que passou a competir com as estruturas tradicionais de transmissão da fé”, observa-se no documento. A tendência dessa cultura parece consistir na exaltação da “soberania do eu”, que é um dos aspectos mais evidentes do processo de secularização, o qual tende a reduzir a fé e a Igreja ao âmbito privado e íntimo.

O desafio não é tecnológico, mas antropológico

Outro dos sinais da mudança de época é a disseminação das tecnologias digitais. A inteligência artificial não apenas interfere nos ecossistemas informacionais, mas também invade o relacionamento entre as pessoas. “O desafio, por conseguinte, não é tecnológico, mas antropológico”, escreve Leão XIV na Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026.

Onde crescem as conversões, cresce também a dificuldade de perseverar

É verdade que, em algumas regiões do mundo altamente secularizadas, crescem as conversões e os retornos à Igreja, mas “constata-se uma dificuldade paralela na perseverança dos neófitos, que, muitas vezes, após um breve período após a recepção do Batismo, retornam a um estado de indiferença prática”. Portanto, a situação descrita “convida a redescobrir a importância da comunidade no acolhimento e no acompanhamento dos novos fiéis”.

A centralidade do kerygma

Salienta-se, portanto, a necessidade de “uma profunda renovação kerygmática da própria catequese”, com atenção também à linguagem, que deve caracterizar-se como “um apelo do coração”, e como uma relação interpessoal envolvente. O anúncio do kerygma deve “ser capaz de apresentar a boa nova do amor e da misericórdia de Deus de tal forma que aqueles que a recebem possam compreender efetivamente que é justamente a eles que esse amor e essa misericórdia se dirigem”.

Comunidade, Palavra de Deus, liturgia e testemunho

No centro do capítulo quinto está a importância da comunidade cristã em relação à Palavra de Deus, à liturgia e ao testemunho. “Parece absolutamente urgente, sobretudo nos países de evangelização antiga — ressalta-se —, insistir na importância de promover, em cada comunidade eclesial, grupos de escuta, meditação, partilha e oração da Palavra, para cuja realização sejam dedicados horários específicos e fixos, que acompanhem a celebração da Eucaristia dominical”.

A segunda consideração diz respeito à liturgia. “Se o coração do anúncio cristão é o encontro com o amor salvífico de Deus em Cristo — destaca-se —, a liturgia constitui o lugar privilegiado no qual esse mistério é celebrado e comunicado sacramentalmente”. A terceira consideração essencial diz respeito ao testemunho dos fiéis, que possui três dimensões: “o testemunho da santidade, o da proximidade e o da opção preferencial pelos pobres”. Uma quarta observação diz respeito à arte e à beleza, com destaque especial para a música.

Fé e cultura

O texto também aborda a inculturação da fé, que “constitui uma etapa necessária em sua transmissão”. Um exemplo particularmente significativo a ser considerado na construção de tal apresentação razoável da fé é, sem dúvida, a Doutrina Social da Igreja.

Algumas atenções específicas

A primeira dessas atenções é voltada para a piedade popular, que é “ainda hoje, um importante meio de transmissão da fé”, assim como são importantes as peregrinações de origem antiga e recente e o desejo de pertencer a alguma confraria. Em seguida, destaca-se o papel da homilia. Fala-se das atividades de voluntariado como oportunidades de aproximação à realidade da Igreja. Destaca-se ainda “a necessidade de ampliar os espaços de presença das mulheres na condução dos processos eclesiais”.

Conclusões

Essas Considerações pretendem, em resumo, relembrar com veemência que Cristo é a verdadeira luz. “Cabe agora a nós — exorta-se — transmitir esse mesmo dom aos homens e às mulheres do nosso tempo”, que também aguardam “poder iluminar sua existência com essa mesma fonte de toda graça, luz que resplandece no mundo”.

Debora Donnini – Vatican News

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                                                                  Fonte: vaticanews.va   Foto: (@Vatican Media

Conselho Permanente da CNBB reforça defesa da democracia

e incentiva voto consciente no segundo turno das eleições

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, na quarta-feira, 21 de outubro, uma mensagem ao povo brasileiro por ocasião do segundo turno das eleições nacionais de 2026. No documento, os bispos reforçam a importância da participação consciente dos eleitores, da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados das urnas.

A mensagem destaca a necessidade de garantir direitos fundamentais, como trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança, além da preservação do meio ambiente e da promoção da paz.

Os bispos também lembram que o voto é livre e secreto e condenam práticas de ameaças, pressões e negociação de votos. O documento incentiva os eleitores a considerarem a trajetória dos candidatos e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida da população.

Ao final, o Conselho Permanente pede a intercessão de Nossa Senhora Aparecida para que os brasileiros construam uma convivência fundamentada na verdade, na fraternidade e na paz.

Confira a mensagem na íntegra (aqui).

Foto de capa: Fernando Frazão/Agência Brasil

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                                                                                                                     Fonte: cnbb.org.br

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Papa na catequese desta quarta-feira:

obrigado a Deus pela generosidade e aos fiéis pelas orações

A vida matrimonial e familiar foi o tema da catequese do Papa, inspirado na segunda parte da Constituição Pastoral "Gaudium et spes". Leão XIV recordou que os filhos são o maior dom do matrimônio, e os pais têm a responsabilidade de os acolher, proteger e educar, segundo a lei de Deus. Mas antes, um agradecimento especial aos fiéis!

Leão XIV retomou esta quarta-feira a Audiência Geral uma semana após a operação para a retirada de um tumor maligno no pulmão direito. O encontro semanal com os fiéis foi realizado na Praça São Pedro e o Pontífice manteve o giro de papamóvel entre os presentes.

Antes de sua catequese, Leão XIV agradeceu mais uma vez aos fiéis pelas orações: 

“A primeira coisa que gostaria de dizer a vocês é: obrigado! Obrigado pelo apoio de suas orações. Obrigado a Deus por sua generosidade. Renovemos todos nossa confiança na bondade e na misericórdia de Deus.”

Leia a íntegra da catequese

Vida matrimonial e familiar

Prosseguindo o ciclo sobre a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, o Papa refletiu acerca do bem da pessoa e da sociedade, que está intimamente ligado à vida matrimonial e familiar. 

Este documento define o matrimônio como "íntima comunidade da vida e do amor conjugal", fundada na entrega recíproca dos esposos, na fidelidade e na união indissolúvel, fortalecida pela graça de Cristo. A Gaudium et spes reforça que o amor conjugal não se limita à atração erótica, mas envolve toda a vontade dos cônjuges, "reavivando os afetos da alma e expressando-se através de sentimentos e gestos de ternura", explicou o Pontífice.

Iguais em dignidade, este amor permeia toda a vida dos cônjuges, abrindo-os à fecundidade. Com efeito, os filhos são "o maior dom do matrimônio" e os pais têm a responsabilidade humana e cristã de os acolher, proteger e educar, segundo a lei de Deus.

Papa saúda um casal de noivos


Proteger a vida desde a concepção

O documento reitera que vida humana nunca deve ser descartada e deve ser salvaguardada desde o primeiro momento da concepção, evitando o aborto e o infanticídio. Ao transmitirem a vida, os cônjuges tornam-se "cooperadores do amor de Deus criador ".

Por fim, o ensinamento da Gaudium et spes destaca a função social da família, definida como "uma escola de valorização humana" e "o fundamento da sociedade", exortando todos aqueles que têm responsabilidades sociais, especialmente nos âmbitos político e cultural, ao dever de "contribuir eficazmente para a promoção do matrimônio e da família".

Para o Santo Padre, este compromisso é mais urgente do que nunca. A Igreja está consciente deste desafio, como demonstra a solicitude pastoral dos Papas que se sucederam após o último Concílio, até à dupla Assembleia sinodal promovida pelo Papa Francisco. Leão XIV concluiu cofiando as as famílias de todo o mundo à Sagrada Família de Nazaré, para que as ilumine e proteja.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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                                                                 Fonte: vaticanews.va   Fotos: (@Vatican Media

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Para a CNBB, redução da maioridade penal

não enfrenta as causas da violência
nem oferece respostas para a segurança pública

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é contra a redução da maioridade penal. O tema retornou ao debate público nesta quarta-feira, 14, após o pedido para inserir no texto da PEC da Segurança Pública (Proposta de Emenda à Constituição nº 18/2025) a alteração do artigo 228 da Carta Magna, reduzindo para dezesseis anos como regra geral e para quatorze anos em determinadas hipóteses.

Os bispos recordam a carta enviada aos parlamentares em junho deste ano, na qual chamam atenção de que “a redução da maioridade penal não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas duradouras para a segurança pública”.

Para o Conselho Permanente, “o Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de adolescentes”.

Os bispos pediram, na ocasião, que o Congresso Nacional “priorize políticas públicas capazes de enfrentar as causas da violência: educação de qualidade, fortalecimento das famílias, proteção da infância e da adolescência, ampliação de oportunidades para os jovens e aperfeiçoamento das medidas socioeducativas”.

Leia a carta na íntegra:

Brasília – DF, 26 de junho de 2026

Aos

PARLAMENTARES

Ref.: Redução da maioridade penal.

Senhoras e Senhores Parlamentares,

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, fiel à missão evangelizadora da Igreja, dirige-se respeitosamente a Vossas Excelências diante das discussões e iniciativas legislativas que visam reduzir a maioridade penal em nosso país.

A CNBB reafirma sua posição contrária à redução da maioridade penal. Essa convicção nasce da defesa da dignidade da pessoa humana, especialmente dos adolescentes, que se encontram em processo de desenvolvimento e devem ser responsabilizados por seus atos sem serem privados da possibilidade de recuperação e reintegração social.

O ordenamento jurídico brasileiro já prevê mecanismos de responsabilização para adolescentes por meio das medidas socioeducativas estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. O desafio não está na ausência de instrumentos legais, mas na fragilidade de sua implementação e na insuficiência de investimentos em educação, proteção social e oportunidades para a juventude.

O simples endurecimento das penas não reduz a violência. Adolescentes envolvidos em atos infracionais são também vítimas da pobreza, da exclusão educacional, da desestruturação familiar, da dependência química e do aliciamento pelo crime organizado. Inseri-los precocemente no sistema prisional tende a ampliar ciclos de violência e exclusão, comprometendo sua ressocialização.

Por isso, apelamos ao Congresso Nacional para que priorize políticas públicas capazes de enfrentar as causas da violência: educação de qualidade, fortalecimento das famílias, proteção da infância e da adolescência, ampliação de oportunidades para os jovens e aperfeiçoamento das medidas socioeducativas.

A redução da maioridade penal não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas duradouras para a segurança pública. O Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de adolescentes.

Confiando à intercessão de Nossa Senhora Aparecida os trabalhos desta Casa Legislativa e o futuro da juventude brasileira, renovamos nossa estima e nossas orações por todos os que exercem o nobre serviço da representação popular.

Dom Jaime Cardeal Spengler - Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS - Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva - Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO - 1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa - Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE - 2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers - Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF - Secretário-Geral da CNBB

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                                                                                                                     Fonte: cnbb.org.br