sexta-feira, 6 de março de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis (MG)

 Horários de missa e outros eventos

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

Dia 7 - Sábado

19h - Missa na matriz

19h - Celebração na igreja de São Geraldo

_______________________________________________________________________________

Dia 8 - 3º Domingo da Quaresma

7h - Missa na matriz          9h - Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

15h - Roda de conversa sobre vocação com membros da Pastoral Vocacional do setor Paraíso no CPSJ

18h - Missa na igreja de Santo Antônio

19h - Missa na matriz

______________________________________________________________________________

Padre Roberto Pasolini na primeira meditação da Quaresma:

a paz nasce
da coragem de fazer-se pequeno, renunciando à violência

“A conversão. Seguir o Senhor Jesus no caminho da humildade” é o tema da primeira meditação da Quaresma esta manhã, 6 de março, na Sala Paulo VI, na presença do Papa. O pregador da Casa Pontifícia destaca a necessidade, neste tempo forte da Igreja, de “verificar a vitalidade do nosso Batismo”. “O pecado, a conversão e a graça – afirma ele – estão entrelaçados na vida concreta”, mas é na pequenez que o cristão se abre à graça e se torna um homem novo.

O estrondo das guerras que inflamam o mundo chega também à Sala Paulo VI, onde esta manhã, 6 de março, o pregador da Casa Pontifícia, padre Roberto Pasolini, ofereceu na presença do Papa a primeira de suas meditações sobre o tema: “A conversão. Seguir o Senhor Jesus no caminho da humildade”. As reflexões, que serão realizadas todas as sextas-feiras até 27 de março, antes do início da Semana Santa, têm como tema central “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura (2Cor 5,17). A conversão ao Evangelho segundo São Francisco”.

“Em dias que voltam a ser marcados pela dor e pela violência”, afirma o frade capuchinho, “falar de pequenez pode parecer um discurso abstrato, quase um luxo espiritual. Na realidade, é uma responsabilidade concreta, ligada ao destino do mundo”.

A paz não nasce apenas de acordos políticos nem de estratégias diplomáticas ou militares, mas de homens e mulheres que encontram a coragem de se tornarem pequenos: capazes de dar um passo atrás, de renunciar à violência em todas as suas formas, de não ceder à tentação da vingança e da prepotência, de escolher o diálogo mesmo quando as circunstâncias parecem negar essa possibilidade.


O despertar da imagem de Deus

“Um trabalho exigente e diário”, sublinha Pasolini, que diz respeito a todos aqueles que se reconhecem filhos de Deus e que sabem que “esta conversão do coração” lhes diz respeito.  Ao introduzir sua reflexão, ligada à vida de São Francisco, padre Pasolini o define como “um homem atravessado pelo fogo do Evangelho, capaz de reacender em cada um a nostalgia de uma vida nova no Espírito”. Mas o que se entende por “conversão”? A pergunta é um “ponto de partida”, porque existe o risco de “construir sobre fundamentos frágeis”. “A conversão evangélica – afirma o pregador – é antes de tudo uma iniciativa de Deus, à qual o homem é chamado a participar com toda a sua liberdade”, acontece “no ponto mais íntimo da nossa natureza, onde a imagem de Deus impressa em nós espera ser despertada”. É quando algo, que permaneceu em silêncio por muito tempo, volta a vibrar no homem.

A resposta à graça

Francisco fala de “fazer penitência” quando entra no caminho da conversão, mas alude a uma “mudança de sensibilidade”, a olhar para os outros com misericórdia e à luz do Evangelho, varrendo “a amargura de uma vida cheia de muitas coisas, mas ainda vazia do seu valor essencial”. Fazer penitência como início de uma luta para defender o “sabor novo das coisas”, alimentar com fidelidade a semente que Deus colocou no coração de cada um.

A conversão não é mais a tentativa de endireitar a vida com as próprias forças, mas a resposta a uma graça que redefiniu os parâmetros de nossa maneira de perceber, julgar e desejar.

Reconhecer o pecado

A conversão está ligada à “profundidade do sulco que o pecado cavou em nós”, explica o capuchinho, mas pecado é uma palavra que hoje parece ter desaparecido. “Na consciência comum – e às vezes também na vida da Igreja – tudo é explicado como fragilidade, ferida, limite, condicionamento. Quando ainda se fala de pecado, muitas vezes ele é reduzido a um pequeno erro ou a uma fraqueza”. Se nos limitarmos a isso, desaparece também “a grandeza da liberdade humana e de sua responsabilidade”.

Se não existe mais a possibilidade de um mal verdadeiro, não podemos acreditar nem mesmo na possibilidade de um bem verdadeiro. Se o pecado desaparece, também a santidade se torna um destino abstrato e incompreensível.

No pecado, o homem reconhece que “sua liberdade é real e que com ela pode construir e destruir: a si mesmo, aos outros, ao mundo”. É necessária, portanto, “uma cura profunda”, por isso a conversão é “um itinerário exigente” para recuperar a relação com Deus, uma repetição nos gestos da escolha de viver no amor e na liberdade, mesmo com esforço, que não é em si “estéril”, mas expressão da “fidelidade de quem já vislumbrou o sentido e o valor do que vive”.

O retorno à humildade

São Francisco é reconhecido como o santo da pobreza, mas nele é indissolúvel o vínculo com a humildade. Ambas são caminhos que brotam do mistério da encarnação; são os próprios traços de Deus que o homem é convidado a viver para se assemelhar a Ele. “A humildade – destaca Pasolini – é um caminho que todo batizado é chamado a percorrer se quiser acolher plenamente a graça da vida em Cristo”. É “uma maneira de habitar o mundo e as relações”, para redimensionar “a imagem inflada que temos de nós mesmos”, devolvendo a verdade. “É um dom do Espírito antes mesmo de ser um exercício ascético”.

A humildade não empobrece o homem: ela o devolve a si mesmo. Não o diminui: ela o devolve à sua verdadeira grandeza. Por isso está tão intimamente ligada à conversão. O pecado original nasce precisamente da recusa da humildade: da não aceitação de nós mesmos como seres humanos, finitos e dependentes de Deus. A conversão, então, só pode ser entendida também como um retorno à humildade.

O rosto do homem novo

A grandeza do homem, explica o pregador, passa pela sua pequenez. O santo de Assis, ao abraçar os mais pequenos, ao inclinar-se para eles, compreende que esse é “o lugar privilegiado” escolhido pelo Senhor. “Neles se manifesta aquele ‘poder’ de que fala o Evangelho, o de se tornarem filhos de Deus”. Um filho que não tem vergonha de pedir ao Pai e que experimenta “uma força particular: a capacidade de suscitar o bem nos outros”. “Os pequenos, com sua fragilidade, despertam – continua Pasolini – a misericórdia, que é talvez a energia mais preciosa do mundo”. Uma abertura radical, portanto, que implica a hospitalidade do outro, “tornar-se pequeno é uma dimensão essencial do ser cristão”.

Quando escolhemos nos tornar – e não permanecer – pequenos porque reconhecemos a pequenez de Deus e nos sentimos acolhidos e amados por Ele, então essa escolha não é uma forma de regressão ou renúncia: é o rosto do homem novo, que o Batismo nos devolve.

Uma conversão contínua

O último passo a dar é reconhecer que a conversão nunca termina. Continuamos pecadores, pedimos para ser santificados pelo Espírito. “Converter-se significa recomeçar continuamente esse movimento do coração, através do qual nossa pobreza se abre à graça de Deus”, fazê-lo mesmo com a reticência de diminuir nossa imagem, realizando um trabalho interior incessante que nos coloca “a serviço, de maneira livre e concreta”. O frade recorda São Paulo quando compreende que “a fraqueza não é uma fase a superar, mas a própria forma de sua vida em Cristo”, “a forma da vida batismal”.

Muitas vezes, porém, pensamos que a pequenez evangélica só é possível quando tudo vai bem. Na realidade, acontece o contrário: é precisamente nos conflitos e nas dificuldades que ela se torna mais necessária. Quando o instinto nos leva a nos defender ou a nos impor, é aí que vemos se realmente aprendemos o Evangelho da cruz. A luz, de fato, mostra sua força não quando tudo está claro, mas quando reina a escuridão.

A meditação termina com uma oração de São Francisco e a invocação para “seguir os passos de seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo”.

Benedetta Capelli - Vatican News

___________________________________________________________________________
                                                       Fonte: vaticannews.va   Fotos: (@Vatican Media

Terceiro Domingo da Quaresma:

Leituras e reflexão

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

1ª Leitura: Êx 17,3-7

Leitura do Livro do Êxodo

Naqueles dias, o povo, sedento de água, murmurava contra Moisés e dizia: “Por que nos fizeste sair do Egito? Foi para nos fazer morrer de sede, a nós, nossos filhos e nosso gado?”

Moisés clamou ao Senhor, dizendo: “Que farei por este povo? Por pouco não me apedrejam!”

O Senhor disse a Moisés: “Passa adiante do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma a tua vara com que feriste o rio Nilo e vai. Eu estarei lá, diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Ferirás a pedra e dela sairá água para o povo beber”. Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel. E deu àquele lugar o nome de Massa e Meriba, por causa da disputa dos filhos de Israel e porque tentaram o Senhor, dizendo: “O Senhor está no meio de nós ou não?”

_______________________________________________________

Responsório: Sl 94

— Hoje não fecheis o vosso coração,/ mas ouvi a voz do Senhor!

— Hoje não fecheis o vosso coração,/ mas ouvi a voz do Senhor!

— Vinde, exultemos de alegria no Senhor,/ aclamemos o Rochedo que nos salva!/ Ao seu encontro caminhemos com louvores,/ e com cantos de alegria o celebremos!

— Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra,/ e ajoelhemos ante o Deus que nos criou!/ Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor,/ e nós somos o seu povo e seu rebanho,/ as ovelhas que conduz com sua mão.

— Oxalá ouvísseis hoje a sua voz:/ “Não fecheis os corações como em Meriba,/ como em Massa, no deserto, aquele dia,/ em que outrora vossos pais me provocaram,/ apesar de terem visto as minhas obras”.

_______________________________________________________

2ª Leitura: Rm 5,1-2.5-8

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos: Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus.

E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa talvez alguém se anime a morrer. Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.

_______________________________________________________
Evangelho: Jo 4,5-42

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Chegou, então, a uma cidade da Samaria chamada Sicar, perto do campo que Jacó tinha dado ao seu filho José. Aí ficava a fonte de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto à fonte. Era quase meio-dia. Então chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe pediu: «Dê-me de beber.» (Os discípulos tinham ido à cidade para comprar mantimentos). A samaritana perguntou: «Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou samaritana?» (De fato, os judeus não se dão bem com os samaritanos). Jesus respondeu: «Se você conhecesse o dom de Deus, e quem lhe está pedindo de beber, você é que lhe pediria. E ele daria a você água viva.»

A mulher disse a Jesus: «Senhor, não tens um balde, e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? Certamente não pretendes ser maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, e do qual ele bebeu junto com seus filhos e animais!» Jesus respondeu: «Quem bebe desta água vai ter sede de novo. Mas aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe darei, vai se tornar dentro dele uma fonte de água que jorra para a vida eterna.» A mulher disse a Jesus: «Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise vir aqui para tirar.»

Jesus disse à samaritana: «Vá chamar o seu marido e volte aqui.» 1A mulher respondeu: «Eu não tenho marido.» Jesus disse: «Você tem razão ao dizer que não tem marido. De fato, você teve cinco maridos. E o homem que você tem agora, não é seu marido. Nisso você falou a verdade.» A mulher então disse a Jesus: «Senhor, vejo que és profeta! Os nossos pais adoraram a Deus nesta montanha. E vocês judeus dizem que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.»

Jesus disse: «Mulher, acredite em mim. Está chegando a hora, em que não adorarão o Pai, nem sobre esta montanha nem em Jerusalém. Vocês adoram o que não conhecem, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores vão adorar o Pai em espírito e verdade. Porque são estes os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade.» A mulher disse a Jesus: «Eu sei que vai chegar um Messias (aquele que se chama Cristo); e quando chegar, ele nos vai mostrar todas as coisas.» Jesus disse: «Esse Messias sou eu, que estou falando com você.»

Nesse momento, os discípulos de Jesus chegaram. E ficaram admirados de ver Jesus falando com uma mulher, mas ninguém perguntou o que ele queria, ou por que ele estava conversando com a mulher. Então a mulher deixou o balde, foi para a cidade e disse para as pessoas: «Venham ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Será que ele não é o Messias?» O pessoal saiu da cidade e foi ao encontro de Jesus.

Enquanto isso, os discípulos insistiam com Jesus, dizendo: «Mestre, come alguma coisa.» Jesus disse: «Eu tenho um alimento para comer, que vocês não conhecem.» Os discípulos comentavam: «Será que alguém trouxe alguma coisa para ele comer?» Jesus disse: «O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. Vocês não dizem que faltam quatro meses para a colheita? Pois eu digo a vocês: ergam os olhos e olhem os campos: já estão dourados para a colheita. Aquele que colhe, recebe desde já o salário, e recolhe fruto para a vida eterna; desse modo, aquele que semeia se alegra junto com aquele que colhe. Na verdade é como diz o provérbio: ‘Um semeia e outro colhe’. Eu enviei vocês para colher aquilo que vocês não trabalharam. Outros trabalharam, e vocês entraram no trabalho deles.»

Muitos samaritanos dessa cidade acreditaram em Jesus, por causa do testemunho que a mulher tinha dado. «Ele me disse tudo o que eu fiz.» Os samaritanos então foram ao encontro de Jesus e lhe pediram que ficasse com eles. E Jesus ficou aí dois dias. Muitas outras pessoas acreditaram em Jesus ao ouvir sua palavra. E diziam à mulher: «Já não acreditamos por causa daquilo que você disse. Agora, nós mesmos ouvimos e sabemos que este é, de fato, o salvador do mundo.»

______________________________________________________________________________

Reflexão do padre Johan Konings:

O batismo "água viva"

A água é tão vital que sua escassez até poderá provocar uma terceira guerra mundial. Sem água não há vida. Quando os hebreus no deserto desafiaram Deus exigindo água, Deus lhes deu água física (1ª leitura). No evangelho, Jesus conscientiza a mulher samaritana de sua sede bem mais profunda, não por água material, mas por “espírito e verdade”. Esta sede é aliviada pelo dom de Jesus Cristo.

Ele é a “água viva”, que acaba definitivamente com a sede e faz o mundo viver para Deus. Paulo, na 2ª leitura, evoca “simbolismo da água para falar do amor de Deus, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. O batismo é a efusão do Espírito sobre os fiéis.

Esse dom de Deus é gratuito. Os hebreus, no deserto, desconfiaram de Deus e acharam que deviam desafiá-lo. Mas o dom do Espírito trazido por Cristo, que dá sua vida por nós, e pura graça. Nem sequer conseguimos pedi-lo como convém, porque ultrapassa o que pedimos. Por isso, devemos deixar Deus converter e educar o nosso desejo, para que nosso desejo material nos leve ao desejo da vida no Espírito.

Por outro lado a consciência do dom espiritual (= divino) não leva a desprezar o desejo materialista daqueles que realmente estão necessitados. O desejo fundamental conforme a vontade de Deus orienta também a busca dos bens materiais necessários e sua justa distribuição.

Precisamos de verdadeira “educação do desejo”. Nossa sociedade consumista não “cultiva” o desejo, mas exacerba-o e o torna desenfreado. Em vez disso, devemos aprofundar nosso desejo, para que ele reconheça a sua meta verdadeira: a “água viva”, Cristo, o dom de Deus na comunhão com o nossos irmãos… O desejo da água natural significa o desejo de viver. Aliviada a sede, o desejo continua. Qual é o seu fim? O desejo não é pecado: é bom, é vital, mas deve ser orientado; através das criaturas para seu verdadeiro fim, o Criador.

A Quaresma é na tradição da Igreja, o tempo da preparação para o batismo. A água do batismo significa uma realidade invisível, aponta para a satisfação de nosso grande desejo: a vida que Cristo nos dá, o Espírito de Deus, derramado em nossos corações. A “educação” de nosso desejo pode ser a preparação da renovação do nosso compromisso batismal. E a melhor pedagogia para isso é começar a não mais satisfazer qualquer desejo mesquinho e egoísta, mas concentrar nossa vida em torno do desejo profundo – material e espiritual – de nós mesmos e dos nossos irmãos.

_________________________________________________________________

PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

____________________________________________________          Fonte: franciscanos.org.br    Imagem: vaticannews.va    Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 5 de março de 2026

Intenção de oração do Papa Leão para este mês:

desarmar os corações para construir a paz

A intenção de oração do Papa para o mês de março convida as nações a apostar no diálogo, na diplomacia e no desarmamento.

Foi divulgada, nesta quinta-feira (05/03), a mensagem de vídeo do Papa Leão XIV em que o Pontífice pede para rezar pelo desarmamento e pela paz, neste mês de março.

Num contexto internacional marcado por conflitos armados e pelo aumento dos gastos militares, o Papa Leão XIV dedica a sua intenção de oração deste mês, retomando as palavras com que saudou o mundo no início de seu pontificado, «A paz esteja convosco», um lema que tem repetido como um apelo constante à reconciliação.

Através da Rede Mundial de Oração do Papa, o Santo Padre exorta a Igreja e todas as pessoas de boa vontade a rejeitar a lógica da violência e a construir uma segurança fundada na confiança, na justiça e na fraternidade entre os povos.

Através da iniciativa "Reza com o Papa", o Pontífice dirige uma súplica profunda e esperançosa pela paz, recordando que Deus "nos criou para a comunhão, não para a guerra; para a fraternidade, não para a destruição". Na sua oração, Leão XIV pede o dom da paz e a fortaleza para a tornar realidade na história concreta dos nossos povos.

“Hoje, elevamos a nossa súplica pela paz no mundo, pedindo que as nações renunciem às armas e escolham o caminho do diálogo e da diplomacia.”

O Santo Padre exorta a desarmar "os corações do ódio, do rancor e da indiferença, para que possamos ser instrumentos de reconciliação".

“Ajuda-nos a compreender que a verdadeira segurança não nasce do controle que alimenta o medo, mas da confiança, da justiça e da solidariedade entre os povos.”

Em particular, ele pede aos "líderes das nações, para que tenham a coragem de abandonar projetos de morte, parar a corrida ao armamento e colocar no centro a vida dos mais vulneráveis", expressando também uma firme rejeição à ameaça nuclear que continua condicionando o futuro da humanidade.

“Espírito Santo, faz de nós construtores fiéis e criativos de paz quotidiana: no nosso coração, nas nossas famílias, nas nossas comunidades e nas nossas cidades. Que cada palavra amável, cada gesto de reconciliação e cada decisão de diálogo sejam sementes de um mundo novo.”

Um mundo cada vez mais armado

A intenção de oração do Papa insere-se num contexto global marcado pelo aumento financiado das despesas militares. De acordo com dados recentes do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), as despesas militares mundiais aumentaram pelo décimo ano consecutivo em 2024, chegando aos 2,7 biliões de dólares, impulsionadas pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia, bem como por outros conflitos armados e tensões geopolíticas.

O aumento de 9,4% em relação ao ano anterior elevou os gastos militares mundiais ao nível mais alto já registado pelo SIPRI. Como consequência, a carga militar global — os gastos militares como percentagem do produto interno bruto mundial — subiu para 2,5%. Nos países afetados por conflitos armados importantes ou de alta intensidade durante 2024, este encargo atingiu uma média de 4,4 %, em comparação com 1,9 % nos países sem conflitos.

Estes dados evidenciam o forte contraste entre os recursos destinados à indústria armamentista e as necessidades urgentes de desenvolvimento humano, assistência social e construção da paz, especialmente para as populações mais vulneráveis.

Uma oração que convida à conversão

A oração pela paz tem tido central no magistério recente da Igreja. Em janeiro de 2020, o Papa Francisco dedicou O Vídeo do Papa à intenção de oração pela “Promoção da paz no mundo”, e em abril de 2023 voltou a colocar o foco nesta urgência, pedindo para rezar “Por uma cultura da não violência”.

Por sua vez, o Papa Leão XIV confirmou que a paz é uma das grandes prioridades de seu pontificado. Em sua primeira bênção Urbi et Orbi, o Papa falou de uma paz “desarmada e desarmante”, e na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2026, voltou a insistir na urgência de desativar as lógicas de confronto e substituí-las por caminhos de reconciliação, justiça e fraternidade entre os povos.

A Rede Mundial de Oração do Papa sublinha que esta intenção não se limita a uma denúncia da violência estrutural, mas propõe um caminho espiritual e concreto de conversão pessoal e compromisso comunitário. A oração, unida a ações de diálogo, educação para a paz e solidariedade entre os povos, apresenta-se como uma força capaz de transformar as relações humanas e as dinâmicas internacionais.

Com esta intenção de oração para o mês de março, o Papa renova o seu apelo para que a humanidade escolha a vida, a fraternidade e a paz, confiando que a oração partilhada possa abrir caminhos de esperança.

Sobre a Rede Mundial de Oração do Papa

A Rede Mundial de Oração do Papa é uma Obra Pontifícia confiada à Companhia de Jesus. Está presente em mais de 90 países e reúne uma comunidade espiritual de mais de 22 milhões de pessoas que procuram viver cada dia com disponibilidade para colaborar na missão de Cristo. No centro desta missão estão as intenções mensais de oração do Papa, que convidam a centrar-se nos desafios da humanidade e na missão da Igreja.

Foi fundada em 1844 como Apostolado da Oração. Em dezembro de 2020, o Papa Francisco instituiu esta Obra Pontifícia como Fundação Vaticana e aprovou os seus estatutos definitivos em julho de 2024.

___________________________________________________________________________
                                                       Fonte: vaticannews.va   Vídeo: (@Vatican Media

Catequese com o padre Zezinho:

Orar como Jesus orava!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

_____________________________

É possível orar sem fazer alarde! Jesus recomendava isso!

Padre Zezinho

Orações e jejuns de praça, palco e televisão correm o risco de serem como os jejuns e as orações de esquina e praças que Jesus condenou em (Mt 6,5).

***

“Quando rezais, não façais como os hipócritas que gostam de rezar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos pelos outros. Na verdade, vos digo: eles já receberam sua recompensa.”

***

É claro que devemos orar em silêncio, no quarto, em grupo e até em praça pública para um ou dois milhões de fiéis. Se for preciso devemos fazê-lo.

***

O que Jesus condenava era a ostentação do crente que rezava para ser visto e aplaudido por sua plateia. Oravam com segundas intenções.

***

Jesus rezava em público, em segredo ou a sós com o Pai. Ele sabia quando e como! E seu jeito de orar impressionava tanto que os discípulos pediram que ele ensinasse o seu jeito! (Lc 11,1)

***

Por que devemos tomar cuidado como nossos jeito de orar? Porque na era do celular, do microfone, do palco, da TV e da internet sempre haverá o risco de alguém fingir que ora bonito, mas ora sem humildade, para aparecer e até tirar proveito e monetizar o que dizemos a Deus!

Observe alguns pregadores de rádio e TV. Aquilo não é orar; é atuar. Enganam o povo, mas não a Deus. Ele também os vê!

________________________________________________________________________________
                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

quarta-feira, 4 de março de 2026

Catequese do Papa nesta quarta-feira:

a Igreja é humana e divina,
sinal visível da ação de Cristo na história

Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 4 de março, Leão XIV refletiu sobre a natureza da Igreja à luz da Constituição dogmática Lumen Gentium. “Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história”, destacou o Pontífice.

Na Audiência Geral desta quarta-feira (4/03), na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição dogmática Lumen Gentium, refletindo sobre a natureza da Igreja. O Pontífice destacou que ela é uma realidade “complexa”, não por ser confusa, mas porque reúne, de modo harmonioso, a dimensão humana e a divina, sem que uma se oponha à outra. Não existe, segundo o Santo Padre, uma Igreja ideal separada da história, mas a única Igreja de Cristo, encarnada no tempo e formada por pessoas reais.

Ao explicar o sentido dessa “complexidade”, o Papa recordou que o primeiro capítulo da Lumen Gentium procura responder à pergunta fundamental: o que é a Igreja? Para isso, o Concílio a define como “um organismo bem estruturado, no qual coexistem as dimensões humana e divina, sem separação nem confusão”.

A dimensão humana e a origem divina da Igreja

Leão XIV explicou que a dimensão humana da Igreja é a mais visível: trata-se de uma comunidade de homens e mulheres que vivem a alegria e o peso de ser cristãos, com suas forças e fragilidades, anunciando o Evangelho e sendo sinal da presença de Cristo no mundo. Contudo, essa descrição não é suficiente para compreender plenamente a Igreja, que possui também uma origem e uma dimensão divina.

“A Igreja não é fruto de uma perfeição ideal dos seus membros, mas nasce do plano de amor de Deus pela humanidade, realizado em Cristo.”

A Igreja à luz da humanidade de Cristo

O Papa recordou que, por isso, a Igreja é, ao mesmo tempo, comunidade terrena e Corpo Místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade inserida na história e povo em peregrinação rumo ao céu. Para ilustrar essa realidade, recorreu à experiência dos discípulos com Jesus. Eles encontravam um homem concreto, com rosto, voz e gestos, mas, ao segui-lo, abriam-se ao encontro com o próprio Deus: “A carne de Cristo, o seu rosto, os seus gestos e as suas palavras manifestam visivelmente o Deus invisível.”

Da mesma forma, ao olhar para a Igreja, vê-se uma dimensão humana feita de pessoas que, por vezes, refletem a beleza do Evangelho e, em outras, mostram limites e erros. No entanto, é precisamente através dessa fragilidade que Cristo continua a agir e a salvar.

Não há oposição entre Evangelho e instituição

O Santo Padre recordou as palavras de Bento XVI para reafirmar que não existe oposição entre o Evangelho e as estruturas da Igreja, pois elas servem justamente para tornar o Evangelho concreto na vida do nosso tempo:

“Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história. A santidade da Igreja consiste nisto: no fato de Cristo habitar nela e continuar a doar-se através da pequenez e fragilidade dos seus membros.”

A caridade edifica a Igreja

Já na parte final da catequese, Leão XIV recordou que Deus se manifesta por meio da fraqueza humana e convidou os fiéis a edificarem a Igreja não apenas por meio das suas estruturas visíveis, mas sobretudo através da comunhão e da caridade, que geram constantemente a presença do Ressuscitado.

E, citando Santo Agostinho, o Pontífice concluiu: “Queira o céu que todos pensem somente na caridade: ela só, de fato, conquista todas as coisas, e sem ela todas as coisas são inúteis; onde quer que se encontre, atrai todas as coisas a si”.

Thulio Fonseca – Vatican News

_____________________________________________________________________________________

Assista:

___________________________________________________________________________
                                       Fonte: vaticannews.va   Fotos e vídeo: (@Vatican Media

terça-feira, 3 de março de 2026

Papa Leão XIV a jornalistas neste noite:

“Trabalhar pela paz, menos ódio. Buscar soluções sem armas”

O Pontífice concede uma breve declaração aos jornalistas em Castel Gandolfo, fora da residência da Villa Barberini, e volta a reiterar o apelo para “trabalhar pela paz” e “promover o diálogo”.

“Rezar pela paz, trabalhar pela paz, menos ódio. O ódio está sempre aumentando no mundo.” É o apelo que o Papa Leão XIV compartilha, na noite desta terça-feira, 3 de março, com um grupo de jornalistas do lado de fora da Villa Barberini, a residência de Castel Gandolfo, onde passou seu habitual dia de descanso e trabalho.

Enquanto no Oriente Médio se multiplicam os ataques e crescem o medo e a tensão no mundo, o Papa exorta a perseguir o objetivo da paz. Ao mesmo tempo, convida a “buscar verdadeiramente promover o diálogo” e a “procurar soluções, sem armas, para resolver os problemas”.

Palavras que se inserem na mesma linha daquelas pronunciadas no último domingo durante o Angelus, quando, referindo-se ao ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e aos bombardeios deste último em diversas regiões do Oriente Médio, Leão XIV havia dito: “A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças mútuas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente através de um diálogo razoável, autêntico e responsável. Perante a possibilidade de uma tragédia de enormes proporções, dirijo às partes envolvidas um veemente apelo para que assumam a responsabilidade moral de pôr um fim a espiral de violência antes que se torne um abismo irreparável!” “Que a diplomacia — foi o pedido do Papa da janela do Palácio Apostólico — recupere o seu papel e que seja promovido o bem dos povos, que anseiam por uma convivência pacífica, baseada na justiça. E que continuemos a rezar pela paz!”

___________________________________________________________________________
                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media