segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Catequese com o padre Zezinho:

Está confusa porque casou de novo?

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Em prantos e olhos vermelhos de tanto chorar ela veio conversar com meu colega padre que trabalha com casais de segunda união. O colega padre voltava da missa na paróquia. Nesse ínterim atendi os dois: ele, viúvo, ela separada há cinco anos. O ex-marido já está com outra e com dois filhos da outra!

Ela ouvira um pregador super rígido que, literalmente, falou na mídia que não existe segunda união.

Literalmente disse que o viúvo está em pecado e que ela não pode coabitar com ninguém, mesmo que o ex esteja com outra. Literalmente sentenciou que os quatro estão em pecado.

O viúvo porque estava vivendo com ela; ela porque estava vivendo com o viúvo a nova mulher do ex-marido e o ex-marido porque está no segundo “casamento”.

Enfim, ouvira do rígido pregador que ela devia viver solteira até o fim da vida, porque não existe nem segundo casamento, nem segunda união!

Expliquei o que a Igreja pensa e o que o bispo permite na sua diocese e qual o papel dos padres e leigos que estudaram o Direito Canônico. É rígido, mas não insolúvel. Há muitos casos com solução.

A pessoa abandonada deve procurar ajuda não apenas na confissão, mas também na cúria diocesana. Lá se cuida das dores, conflitos, injustiças e lá se explica o que pastoral do matrimônio.

Não vale apenas a pregação de um padre radical. A igreja também é radical porque vai às raízes dos problemas. Uma coisa é o púlpito, outra o confessionário, outra a sala de consulta onde um padre advogado, ou um leigo advogado ajuda a distinguir as uniões de dada fiel. Os párocos sabem o endereço exato. É lá que se resolvem as primeiras e segundas uniões.

Hoje em dia há pregadores tão rígidos que acabam mandando para o inferno quem estava de novo no céu.

Dona D.A.R, que tinha marcas no queixo e no ombro direito da queda que levou escada abaixo, vítima de um ex-marido brucutu. Hoje ela separou-se e agora vive um céu com o novo companheiro, viúvo, pai de duas adolescentes que a amam como mãe. Merece o inferno?

A Igreja Católica tem solução para esses tipos de conflito. E a solução não é do padre brucutu nem do padre bonzinho demais. Está nesses três livros e na sala dos conselheiros da diocese.

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

A Igreja celebra hoje

a festa da exaltação da Santa Cruz

A festa em honra da Santa Cruz foi celebrada pela primeira vez em 335, por ocasião da dedicação de duas basílicas constantinianas de Jerusalém, a do Martyrium ou Ad Crucem no Gólgota, e a do Anástasis, isto é, da Ressurreição. A dedicação se realizou a 13 de dezembro. Com o termo exaltação, a festa passou também para o Ocidente, e a partir do século VII comemora-se a recuperação da preciosa relíquia pelo imperador Heráclio em 628. Da Cruz, roubada 14 anos antes pelo rei persa Cosroe Parviz, durante a conquista da cidade Santa, perderam-se definitivamente todas as pistas em 1187, quando foi tirada do bispo de Belém que a havia levado na batalha de Hattin.

A celebração atual tem um significado bem maior do que o lendário encontro pela piedosa mãe do imperador Constantino, Helena. A glorificação de Cristo passa através do suplício da Cruz e a antítese sofrimento-glorificação se torna fundamental na história da Redenção. Cristo, encarnado na sua realidade concreta humano-divina, se submete voluntariamente à humilde condição de escravo (a cruz era o tormento reservado para os escravos) e o suplício infame transformou-se em glória perene. Assim a cruz torna-se o símbolo e o compêndio da religião cristã.

A própria evangelização, efetuada pelos apóstolos é a simples apresentação de Cristo Crucificado. O cristão, aceitando esta verdade, é crucificado com Cristo, isto é, deve carregar diariamente a sua cruz, suportando injúrias e sofrimentos, como Cristo. Este, oprimido pelo peso do patíbulo (“patíbulo” é o braço transversal da cruz, que o condenado levava nas costas até o lugar do suplício onde era encaixado estavelmente com a parte vertical), foi constrangido a expor-se aos insultos do povo no caminho que levava ao Gólgota. Os sofrimentos que reproduzem no corpo místico da Igreja o estado de morte de Cristo são contributo à redenção dos homens, e garantem a participação na glória do Ressuscitado.

Esta é a razão que fez os mártires cristãos suportarem tão grandes sofrimentos: “A minha paixão está crucificada — escreve santo Inácio de Antioquia antes de sofrer o martírio — não existe mais em mim o fogo da carne. Agora começo a ser discípulo … Prefiro morrer em Cristo Jesus a reinar de uma extremidade à outra da terra. Procuro-o, ele que morreu por nós; quero-o, ele que ressuscitou por nós… Concedei-me que eu seja imitador da paixão do meu Deus”.

Extraído do livro: Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

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                                              Fonte: paulus.com.br  Banner: diocesedesaojoaodelrei.com.br

domingo, 13 de setembro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 14 - Segunda-feira

19h - Novena em louvor a São Geraldo na matriz e na comunidade

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Dia 15 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h - Missa na comunidade de Áreas

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Dia 16 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor ao São José na matriz

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Dia 17 - Quinta-feira

7h - Missa na matriz

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Missa nas comunidades São Luiz e do Uruguaia

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Dia 18 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

19h - Missa na comunidade Betel e dos Jacintos

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

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Dia 19 - Sábado

9h -  Missa na capela Santa Luzia

14h -  Encontro de formação para proclamadores, leitores e salmistas 

19h -  Missa na matriz e na comunidade São Francisco

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Dia 20 - 25º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Missa na igreja de Santo Antônio       19h - Missa na matriz

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Papa no Angelus deste domingo:

o perdão é indispensável para viver em paz

Leão XIV alertou para as consequências da falta de perdão: conflitos, acusações, rancores e vinganças que destroem as relações, dividem as famílias e podem desencadear guerras. “Só o perdão liberta e traz de volta a luz”, afirmou o Pontífice.

O céu ensolarado acolheu os peregrinos e fiéis reunidos na Praça São Pedro para a oração mariana do Angelus com o Papa Leão XIV, neste domingo, 13 de setembro. Na reta final do verão europeu, as temperaturas começaram a diminuir lentamente em Roma, embora ainda permaneçam em torno dos 30 graus.

Da janela do Palácio Apostólico, o Pontífice comentou o Evangelho proposto pela liturgia deste XXIV Domingo do Tempo Comum (cf. Mt 18,21-35), no qual Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar um irmão que o ofende. Para Leão XIV, o trecho apresenta um valor fundamental da vida cristã, ensinado e testemunhado por Cristo até a cruz, quando rezou ao Pai por seus perseguidores.

LEIA A REFLEXÃO DO PAPA NA ÍNTEGRA

Perdoar além de qualquer limite

O Papa explicou que a pergunta de Pedro revela um coração generoso, pois o número sete, na Bíblia, simboliza a plenitude. Jesus, porém, convida os discípulos a ir ainda mais longe: “A resposta de Jesus, porém, vai além: ‘Não te digo até sete vezes — afirma Ele —, mas até setenta vezes sete’ (v. 22), ou seja, além de qualquer limite, sem medida.”

Para esclarecer esse ensinamento, Cristo conta a parábola do servo que recebeu de seu senhor o perdão de uma dívida tão grande que era praticamente impossível de pagar, mas não demonstrou a mesma misericórdia para com um companheiro. Por isso, acabou repreendido e severamente castigado.

Tudo é dom de Deus

Leão XIV recordou que tudo o que existe é dom gratuito do amor de Deus e que ninguém pode considerar perfeita a própria resposta a tanta bondade. Essa consciência, acrescentou, deve orientar também as relações humanas:

“Por isso, a gratuidade – que é a fonte da nossa própria vida – é também a melhor regra para a nossa convivência. Experimentamo-lo todos os dias. O perdão é indispensável e, se faltar, não se pode viver em paz: mais cedo ou mais tarde, no coração e entre as pessoas, surgem conflitos, acusações, rancores e vinganças que destroem as relações, dividem as famílias e desencadeiam guerras.”

A caridade que esquece e cura

“Só o perdão liberta e traz de volta a luz, mesmo ali onde a pobreza material e moral do homem, por um momento, tornou o horizonte sombrio e o caminho incerto”, sublinhou o Santo Padre, comparando o perdão a um vento favorável, capaz de afastar até as nuvens mais densas e permitir que o sol volte a brilhar. Como exemplo, citou a experiência de São Pedro, que negou e abandonou Jesus durante a Paixão, mas, ao reencontrá-lo ressuscitado às margens do lago, ouviu apenas uma pergunta: “Simão, tu me amas?”, acompanhada do convite: “Segue-me!”. Era como se tudo recomeçasse, observou o Papa, quase como no dia do primeiro encontro. A confirmação da missão do primeiro dos Apóstolos foi, assim, marcada por uma caridade “que esquece e cura”.

Por fim, Leão XIV pediu a intercessão da Virgem Maria, Mãe da Misericórdia, para que ajude os cristãos a perdoar sempre, mesmo quando é difícil dar o primeiro passo, e a difundir “a luz serena e curativa do amor que vence o ódio e desarma todo o rancor”.

Saudação aos peregrinos do Brasil

Após a oração mariana, o Papa saudou com afeto os romanos e peregrinos presentes, dando especial destaque aos grupos provenientes do Brasil. Leão XIV acolheu os fiéis de São Paulo e a “Família de Belluno” com a Escola Fainors de Erechim, no Rio Grande do Sul.

O Pontífice dirigiu ainda uma saudação aos membros da Associação Religiosa Jesús Nazareno Cautivo residentes em Roma, ao grupo do Oratório Salesiano de Chieri, aos fiéis de Dolianova, na Sardenha, aos peregrinos que chegaram de Assis pela Via de São Francisco e aos motociclistas reunidos em defesa da paz e da vida. “A todos vocês, desejo um bom domingo”, concluiu.

Thulio Fonseca – Vatican News

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Assista:

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                                                                  Fonte: vaticanews.va    Foto: (@Vatican Media

Reflexão para este domingo:

O que seria de nós sem o perdão

José Antonio Pagola

Chama-se “Parábola do Servo Cruel” porque trata de um homem que, tendo sido perdoado pelo rei de uma dívida impossível de pagar, é incapaz de perdoar, por sua vez, a um companheiro que lhe deve uma pequena quantia. O relato parece simples e claro, mas os autores continuam discutindo sobre o sentido original, pois tal como o apresenta Mateus, encaixa-se muito bem no convite de Jesus de “perdoar até setenta vezes sete”.

A parábola que havia começado de maneira tão promissora, com o perdão do rei, acaba tragicamente. Tudo termina mal. O perdão do rei não consegue provocar um comportamento mais compassivo entre seus subordinados. O servo perdoado não sabe compadecer-se de seu companheiro. Os outros servos não se perdoam e pedem ao rei que faça justiça. O rei, indignado, retira seu perdão e entrega o servo aos verdugos.

Por um momento parecia que podia ter começado uma era nova de compreensão e mútuo perdão. Não foi assim. No final, a compaixão fica anulada por todos. Nem o servo nem seus companheiros, nem sequer o rei escutam o convite ao perdão. Houve um gesto inicial de perdão do rei que também não sabe perdoar “setenta vezes sete”.

O que Jesus está sugerindo? Às vezes pensamos ingenuamente que o mundo seria mais humano se tudo fosse regido pela ordem, pela estrita justiça e pelo castigo aos que praticam o mal. Mas não construiríamos assim um mundo tenebroso? O que seria uma sociedade onde fosse suprimido radicalmente o perdão? O que seria de nós se Deus não soubesse perdoar?

A negação do perdão nos parece às vezes a reação mais normal e até a mais digna diante da ofensa, da humilhação ou da injustiça. Mas não é isso que humanizará o mundo. Um casal sem mútua compreensão se destrói; uma família sem perdão é um inferno; uma sociedade sem compaixão é desumana.

A parábola de Jesus é uma espécie de “armadilha”. A todos nós parece que o servo perdoado pelo rei “devia” perdoar a seu companheiro. É o mínimo que dele se podia exigir. Mas então, o perdão não é o mínimo que se pode esperar de quem vive do perdão e da misericórdia de Deus? Nós falamos do perdão como um gesto admirável e heroico. Para Jesus era o mais normal.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 12 de setembro de 2026

Reflexão com o frei Almir Guimarães para este sábado:

Não existe seguimento de Jesus sem o perdão

O perdão abre as portas dentro de nós. Então desistimos de carregar os pesos de ontem para descobrirmos as asas de hoje. (José Tolentino Mendonça)

Novamente diante nós o complexo e intrincado tema do perdão. Quantas vezes em contextos pequenos de nossa vida pessoal sentimo-nos mais ou menos gravemente ofendidos, preteridos, esquecidos, desrespeitados, caluniados. Claro, de outro lado também ofendemos e magoamos. Quando ofendidos, por vezes, reagimos. Proclamamos nossa pureza ou nossa inocência neste ou naquele assunto com suavidade ou com veemência. Podemos até responder o mal com o mal. Outras vezes negamos a palavra, o peso da ofensa bloqueia nosso caminhar. Uns carregam uma ofensa por toda a vida. Cada pessoa tem seu modo reagir. Há, é claro, situações muito delicadas: o assassinato de um filho, o descuido com que um amigo foi tratado no hospital, a tortura, os campos de concentração de guerra, essa guerra que mata aqueles que amamos. Não podemos, no entanto, escapar da exigência do Evangelho no tocante ao perdão. Tolentino tem razão, o perdão abre as portas de dentro de nós.

Não há escapatória. Somos discípulos de Jesus que nos lembrou o mandamento de sempre: amar o semelhante. Ele mesmo vai ilustrar esse amor dando a vida pelos seus, aceitando a cascata de ofensas, de modo particular no decorrer de seu processo de condenação e nos episódios de sua morte. “Pai, perdoai, eles não sabem o que fazem”. Não há escapatória. Afinal, o Pai faz chover sobre justos e injustos, faz o sol nascer sobre bons e maus. Se somos cumulados de bens pelo Pai, cumularemos de bens os que vivem à nossa volta. Se o patrão da parábola havia perdoado o seu empregado devedor, por que ele adotou outra postura com o outro que lhe devia uma ninharia? O sentido da parábola é claro. Deus perdoa gratuitamente o pecado a quem lhe pede perdão demonstrando benevolência absoluta supondo que o homem prove seu arrependimento e repulsa pelo mal cometido. Cabe-nos ser bons como o Pai é bom. Ou não?

“Quando Jesus fala de amor aos inimigos não está pensando em sentimentos de afeto, simpatia ou carinho para com os que nos fazem o mal. O inimigo continua sendo inimigo e dificilmente poderá despertar em nós tais sentimentos. Amar o inimigo é pensar em seu bem; não buscar o mal, mas aquilo que possa contribuir para que ele viva melhor e de maneira mais digna. Isso supõe esforço, porque precisamos aprender a depor o ódio, superar o ressentimento e buscar o que é bom para ele. Jesus fala de rezar “por aqueles que nos perseguem” provavelmente como uma maneira concreta de ir despertando em nós a capacidade de amá-los” (Pagola, Grupos de Jesus, p. 252-253). Deveríamos, nesse contexto, rezar e cantar a famosa oração da paz atribuída a São Francisco: Senhor, fazei de mim instrumento de vossa paz… onde houver ofensa que eu leve o perdão…

Quando o mundo toma conhecimento de determinadas barbaridades responde com violência. Neste ano um policial americano matou um homem negro colocando seu pesado joelho no seu pescoço. As câmaras registraram a ocorrência e em poucos instantes o mundo inteiro tomou conhecimento do fato. Manifestações de revolta em todo o mundo, violência, ódio. Podemos, até certo ponto, compreender tais reações, embora não concordemos com a violência. O ódio destrói. Há outros modos de reagir. O ódio universal se compreende, mas não se justifica. O homem está preso e certamente será condenado a uma pesada pena. O que o cristão não pode aceitar é entrar numa roda viva de violência.

Uma história contada por Elie Wiesel, escritor judeu, prêmio nobel da paz. O texto aqui reproduzido é de livro de José Tolentino Mendonça: “Na infância esteve prisioneiro em Auschwitz, na companhia dos pais, irmãos, amigos. Praticamente só ele sobreviveu. Podemos imaginar até que ponto sentia-se espoliado. A partir de 1945, quando a guerra acaba, passa anos em que o único objetivo de sua vida era procurar uma possível justiça para o irreparável. “Como foi possível tamanho horror?… Como foi possível?” E a sua vida era isso. Cada dia amanhecia e acordava num inferno. Não conseguia encontrar a sua alma. Até que foi falar com um rabino. E o rabino disse-lhe: “Meu filho, enquanto tu não perdoares serás prisioneiro de Auschwitz”. E essa palavra redimensionou o seu coração para sempre”.

E para terminar: “O perdão é um nascimento espiritual, um novo começo, a ruptura com o passado. É uma oportunidade de viver novamente, de reconstruir o vínculo, a chama da vida. É o sinal visível da liberdade espiritual. Tudo está programado para respondermos sob a lógica da ação e reação, aplicando a conhecida Lei do Talião, olho por olho dente por dente, mas o perdão quebra este ciclo e nos torna verdadeiramente livres, imprevisíveis, espirituais” (Francesc Torralba).

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Oração

Reina em mim a escuridão,
mas em ti está a luz.
Eu estou só
mas tu não me abandonas.
Estou desanimado
mas em ti está a ajuda.
Estou intranquilo,
mas em ti está a paz.
A amargura me domina,
mas em ti está a paciência.
Não compreendo teus caminhos,
mas Tu conheces o caminho para mim. (Dietrich Bonhoeffer)
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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

24º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Eclo 27,33-28,9

Leitura do livro do Eclesiástico

O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las. Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas contas dos seus pecados. Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão perdoados. Se alguém guarda raiva contra o outro, como poderá pedir a Deus a cura? Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados? Se ele, que é um mortal, guarda rancor, quem é que vai alcançar perdão para os seus pecados? Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; pensa na destruição e na morte e persevera nos mandamentos. Pensa nos mandamentos e não guardes rancor ao teu próximo. Pensa na aliança do Altíssimo e não leves em conta a falta alheia!

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Responsório: Sl 102(103)

- O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.

- O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.

1. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / e todo o meu ser, seu santo nome! / Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / não te esqueças de nenhum de seus favores!

2. Pois ele te perdoa toda culpa / e cura toda a tua enfermidade; / da sepultura ele salva a tua vida / e te cerca de carinho e compaixão.

3. Não fica sempre repetindo as suas queixas / nem guarda eternamente o seu rancor. / Não nos trata como exigem nossas faltas / nem nos pune em proporção às nossas culpas.

4. Quanto os céus por sobre a terra se elevam, / tanto é grande o seu amor aos que o temem; / quanto dista o nascente do poente, / tanto afasta para longe nossos crimes.

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2ª Leitura: Rm 14,7-9

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos, ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor. Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos.

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Evangelho: Mt 18,21-35

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: «Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: ‘Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo’. Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague logo o que me deve’. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você’. Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: ‘Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.»

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Reflexão do padre Johan Konings:

Perdão e reconciliação

No domingo passado ouvimos o ensinamento de Jesus sobre a correção fraterna. Mas não basta “corrigir”, importa que o que estava errado seja realmente superado pelo perdão. E que adianta pedir perdão a Deus, se a gente mesmo não perdoa?

Já o Antigo Testamento nos ensina que não podemos pedir perdão se não perdoamos. A 1ª leitura fundamenta o perdão fraterno na Aliança: somos todos “povo de Deus”. Como posso condenar para sempre o meu irmão, que é filho de Deus? Se fizesse tal coisa, eu negaria minha comunhão com Deus, e então, o perdão de Deus não me alcançaria.

E Jesus, no evangelho, nos ensina a estarmos sempre dispostos a perdoar, inúmeras vezes. Conta a parábola do homem que foi absolvido de uma dívida enorme, mas não quis perdoar uma ninharia a seu colega. Resultado: seu patrão o condenou a pagar tudo. Quem não é capaz de perdoar não é capaz de viver em fraternidade, em comunhão.

O que importa para Deus, em última instância, não é acertar contas, e sim, promover a comunhão, a amizade e a reconciliação. Talvez seja preciso primeiro pôr as contas em dia, mas o objetivo final é a fraternidade. Quem não sabe reconciliar-se com seu irmão não pode ser amigo de Deus, que é o Pai de todos.

Num mundo de competição, como é o nosso, nada se perdoa, não se leva desaforo para casa, vinga-se a honra etc. Devemos substituir esse modelo de competição e de vingança pelo modelo de comunhão. Quando perdoo, não perco nada: pelo contrário, ganho a comunhão com o irmão e a realização de minha vocação: a semelhança com Deus (cf. Gn 1,26).

O ser humano é tão coitado, que qualquer coisa que alguém lhe estiver devendo lhe parece uma carência vital… Apenas Deus é bastante rico para perdoar sempre a quem se arrepende. A Igreja deve ser um sinal de Deus no mundo. Deve imitar Deus no perdão – no sacramento da reconciliação – e ensinar a mesma coisa aos homens. O sacramento da reconciliação é uma alegria, não um desagradável dever. É uma celebração da magnanimidade de nosso Deus. “Confessar” significa proclamar não só os pecados, mas, sobretudo o louvor do Deus que perdoa. O sacramento da reconciliação é um serviço que Deus confiou à Igreja, comunidade de salvação, para ajudar o irmão a corrigir seu caminho, a reconciliar-se com Deus e com seus irmãos na fé, e a proclamar a grandeza do amor de Deus. Para quem vivia em pecado grave, é uma verdadeira ressurreição.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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                 Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: vaticannews.va  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos