sábado, 21 de fevereiro de 2026

Leão XIV em audiência neste sábado:

nenhum jovem deve ser deixado "no banco de reservas"

Durante audiência com participantes do Projeto Policoro, Leão XIV destacou a importância de apoiar a juventude, promover o trabalho digno e fortalecer a vida comunitária: "nenhum jovem pode ser deixado 'no banco de reservas', mas deve ser apoiado na realização de seus sonhos e na melhoria do mundo."

Ninguém deve ser negligenciado, ninguém deve se sentir abandonado, sobretudo em um contexto marcado pelo inverno demográfico e pelas dificuldades sociais e econômicas. Foi o que afirmou o Papa Leão XIV ao receber em audiência, neste sábado, 21 de fevereiro, os participantes do Projeto Policoro da Conferência Episcopal Italiana (CEI), por ocasião dos 30 anos da iniciativa, dedicada à promoção do trabalho digno e ao acompanhamento dos jovens.

Ao saudar os presentes, o Papa agradeceu pelo bem realizado ao longo de três décadas e elogiou o compromisso dos jovens envolvidos no Projeto. “Vocês são o rosto bonito de uma Itália que não desiste, não se resigna, arregaça as mangas e se levanta novamente”, afirmou, recordando que, nesses anos, foram semeadas inúmeras iniciativas no campo social, político e econômico, inspiradas pelo Evangelho e pela doutrina social da Igreja.

Evangelizar o mundo do trabalho

O Santo Padre recordou a origem do Projeto Policoro, nascido em 1995 a partir da criatividade pastoral da Igreja na Itália, com especial atenção às regiões mais frágeis do país. Segundo Leão XIV, ao longo do tempo, a iniciativa cresceu com o objetivo de responder às novas exigências sociais e, sobretudo, de “evangelizar o mundo do trabalho”. Entre os frutos do Projeto, o Papa mencionou a criação de cooperativas, o reaproveitamento social de bens confiscados das máfias e o acompanhamento de jovens na construção de atividades empreendedoras: 

“Vocês dedicaram horas nas escolas e nas paróquias para educar para o sentido do trabalho e da justiça, para formar para a paz e para sensibilizar para o bem comum. Vocês trataram as feridas de jovens mantidos à margem, desiludidos e desmotivados. Obrigado por todo esse bem semeado! Obrigado porque vocês têm bem claro que nenhum jovem pode ser deixado 'no banco de reservas', mas deve ser apoiado na realização de seus sonhos e na melhoria do mundo.”

O Evangelho como bússola

Ao falar do método de trabalho do Projeto, Leão XIV destacou o valor do acompanhamento: “As dioceses estendem a mão a vocês, e vocês caminham ao lado de jovens que procuram um caminho no trabalho, na economia e na sociedade”. Esse estilo, segundo o Papa, permitiu que a experiência se expandisse também para além do Sul da Itália, envolvendo outras regiões do país.

Indicando os pilares que sustentam o compromisso do Projeto, o Papa afirmou que “a bússola do caminho de vocês é o Evangelho”, pois nele se encontra “a verdadeira força que transforma os corações e o mundo”. Recordou ainda a importância da doutrina social da Igreja como instrumento para interpretar a realidade, convidando os jovens a não se deixarem levar por visões pessimistas nem por ingenuidades. Citando São Paulo, exortou: “Examinem tudo e fiquem com o que é bom”. Entre os princípios que devem orientar a ação social e pastoral, o Pontífice recordou a centralidade da pessoa humana, o bem comum, a solidariedade, a subsidiariedade, a destinação universal dos bens, a participação, a ecologia integral e a paz.


A comunidade como “incubadora de futuro”

Leão XIV chamou a atenção para o valor da vida comunitária em uma cultura marcada pelo individualismo e pela competição:

"O trabalho, a economia, a política e a comunicação não se sustentam no gênio de líderes solitários, mas em especialistas em relações sociais. Quando cresce a vida comunitária, tanto na sociedade quanto na Igreja, então criamos a condição para que a vida possa germinar. Vocês serão fecundos sempre que cuidarem das redes comunitárias. A inteligência, o talento, o conhecimento, a organização social e a capacidade de trabalhar se desenvolvem graças a boas relações. Se sonharem juntos, se dedicarem tempo para fazer crescer caminhos compartilhados, se amarem suas cidades, vocês se tornarão como o sal que dá sabor a tudo (cf. Mt 5,13)."

Testemunhas de santidade social

Na parte final do discurso, o Papa recordou diversas figuras que marcaram a história da Itália e da Igreja pelo compromisso social e cristão, convidando os jovens a conhecer e narrar essas biografias. “Há um rio de santidade que tornou férteis as nossas comunidades. É o sinal concreto de que Deus nunca nos deixa sozinhos”, afirmou. Segundo o Santo Padre, por meio de pessoas concretas, Deus continua a transformar a vida social e a evangelizar o mundo do trabalho.

O Pontífice também encorajou os participantes a seguirem adiante com confiança: “A Itália e a Europa precisam de vocês e do entusiasmo de vocês”. Exortou ainda a não deixarem de sonhar e de criar laços com jovens de outros países. “Acompanho vocês com esperança, recordo vocês na oração e concedo de coração a vocês e às suas famílias a bênção apostólica”, concluiu.

Thulio Fonseca - Vatican News 

___________________________________________________________________________
                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

Reflexão de frei Almir Guimarães

A difícil arte de bem escolher os caminhos da vida
As tentações de ontem e de sempre

Há tentações em nosso caminho que, se cairmos, podem arruinar nossa vida e nos afastar do seguimento de Jesus. Dizemos todos os dias: “Não nos deixeis cair em tentação!”

O deserto é o lugar onde ficamos completamente desprotegidos. Lá estamos sozinhos, frente a frente com nós mesmos, com nosso vazio interior, nosso desamparo, nossa solidão, com o imenso nada ao redor e dentro de nós. (Grün-Reepen)

 Tentações, sugestões que nos são feitas para apequenar nossa vida. Convites atraentes para que aproveitemos a vida, de nosso jeito e a partir de nossos interesses, nem sempre os mais generosos, nem sempre os mais transparentes. As tentações sugerem que acolhamos o que nos é proposto sem outras preocupações, deixando de lado de ouvir o grito de plenitude que ecoa dentro de nós nos momentos de verdade, sem prestar atenção ao murmúrio daqueles que perderam a força de viver e clamam à beira dos caminhos da vida.

 O tempo da quaresma sempre foi tido como uma bem propícia ocasião para exercitarmo-nos no combate contra as forças que sempre perturbaram e continuam perturbando a implantação de um mundo transparente que veio criar Cristo Jesus, nosso amado e nosso Senhor. Jesus, tentado no deserto, resiste aos convites do poder, do prestígio da autorreferencialidade. O homem vive, isto sim, de toda palavra que sai da boca de Deus.

 Começando sua vida pública Jesus vai ao deserto e sai vitorioso. Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Haverás de adorar ao Senhor teu Deus e só a ele servirás. Não tentarás ao Senhor teu Deus.

 “Dizer sim ao que posso fazer em conformidade com Cristo. Dizer não às pulsões idolátricas e egocêntricas que nos alienam e contradizem nossas relações com Deus, com os outros, com as coisas, conosco mesmos, relações chamadas a se caracterizarem pela liberdade e pelo amor” (Enzo Bianchi).

 Não somos completamente autônomos. Não existimos porque tenhamos nos inventado a nós mesmos. Somos parte dos sonhos de Deus. Escutaremos sempre sua voz, seus apelos para permanecer em seu amor e no bem querer de todos os que também por ele foram sonhados e inventados. Dependemos do Senhor e caminhamos com companheiros de viagem. Vivemos numa definitiva dependência. Não há como sair. Eu e tu, tu e eu.

 O diabo havia sugerido que Jesus transformasse pedras em pães. Jesus não se colocará a serviço de seu próprio interesse esquecendo o desígnio do Pai. “Nossas necessidades não ficam satisfeitas apenas com o fato de termos assegurado nosso pão material. O ser humano necessita de muito mais. Inclusive para regatar da fome e da miséria os que não têm pão, precisamos escutar a Deus, nosso Pai, e despertar em nossa consciência a fome de justiça, a compaixão e solidariedade (Pagola, A Boa Nova de Jesus, Vozes, p. 31). Os anseios do homem não se apagam com o consumo. Homem e mulher vão se tornando humanos quando aprendem a viver como irmãos.

 Terrível a tentação do poder, de dominar, de não possibilitar a participação de outros em nossos projetos, de deixar de ouvir o murmúrio que vem do mistério da vida do outro. Tal acontece em nossa vida pessoal, na sociedade e na Igreja. Quanto mais bens e prestigio se tem, mais se deseja. Francisco de Assis quis que seus seguidores e ele mesmo fossem designados de frades, irmãos menores: “E nenhum se chame prior, mas todos, indistintamente se chamem irmãos menores. E lavem os pés uns dos outros” (Regra não-bulada 6,3).

 Não se pode viver de maneira inerte e esperar presunçosamente tudo de Deus. Quem entendeu um pouco o que é ser fiel a um Deus que é Pai de todos, arrisca-se cada dia mais na luta pela construção de um mundo mais digno e justo para todos Não tentarás ao Senhor teu Deus.

 Tentações de retirar-se da luta, do isolamento, da ideia de que as pessoas se arranjem sozinhas. Do indiferentismo e do “salve-se-quem-puder”. Tentação de enfiar a cabeça na areia e não tomar consciências dos problemas que afetam o presente e o futuro. Tentações nos desertos de ontem e na aridez de nossa vida humana e cristã. Tentação da intolerância e da intransigência. Tentação de parar tomados pelo desânimo.

 Nossa escolha será a de tentar ouvir a voz do Senhor, de buscar simplicidade de vida, de colocar de lado a busca da realização de tantos desejos que, uma vez realizados, deixam um sem gosto em nossos lábios, de tentar olhar com carinho efetivo todos os rostos que andam nos olhando.

 AFINAL DE CONTAS, QUAL É A NOSSA ESCOLHA?

_____________________________________________________________

Texto para reflexão

“Adão, onde estás?”

O Senhor não esperou os teólogos para se explicar em poucas palavras. Todo o esforço de Deus desde a criação tem sido, por todos os meios, fazer o homem compreender que o amava. Esgotados todos os argumentos, apresenta a maior prova. “Não há maior amor do que dar a vida por aqueles que amamos”. Eis tudo. Depois disso não há mais nada a dizer. Quem quiser que compreenda. Aí está o livro aberto sobre a cruz. Toda infelicidade dos homens vem do amor inimaginável que Deus lhes tem. O único pecado é o da recusa. Só se recusa o que é oferecido. “Se eu não tivesse vindo eles estariam sem pecado. Agora não têm mais desculpa”.

O Cristo na cruz traduz para o homem um uma linguagem universal, em um sinal tão simples como o pão e a água, o amor incompreensível que o consome. Eis por que não há pecado senão de infidelidade. Os moralistas podem esforçar-se por organizar listas e calcular as contas; é um meio como outro qualquer de escapar ao amor. A verdade é que os caminhos que permitem fugir são numerosos. Não importa qual seja o que se toma: o pecado é o afastamento. Cristo morreu por correr atrás do homem que o atraiu a uma sociedade que sempre mata quem a atrapalha.

Em vez de dizer que a Paixão foi a salvação para a humanidade, seria mais exato ver nela o derradeiro apelo: “Adão, onde estás?”

É o grito que escapa de todas as chagas do crucificado e impede o autêntico cristão de dormir tranquilo. (Jean Sulivan, Provocação ou a fraqueza de Deus, Ed. Herder, São Paulo 1966, p. 111-112)
_____________________________________________________________

Oração

“E não nos deixeis cair em tentação”
Rezo devagar estas palavras, fazendo-as minhas.
Não me deixes quando as paredes do tempo se tornam instáveis e as palavras de hoje têm a dureza do pão amassado ontem.
Não me deixes quando recuo porque é difícil, quando quase me inclino perante idolatria do que é cômodo e vulgar.
Não me deixes atravessar sozinho os embaciados corredores da incerteza, ou perder-me no sentimento do cansaço e da desilusão.
Não me deixes tombar na maledicência e no descrédito quanto à vida.
Que a tua mão levante à altura da luz a minha esperança. (José Tolentino Mendonça - Um Deus que dança, Paulinas, p. 97)

_____________________________________________________________________________________

FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

_______________________________________________                                                                     Fonte: franciscanos.org.br   Banner: vaticannews.va

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis (MG):

Horários de missa e outros eventos

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

Dia 21 - Sábado

14h - Reunião do Conselho Paroquial de Pastoral (CPP) no Centro Pastoral São José

19h - Missa na matriz

19h - Celebração da Palavra na igreja de São Geraldo

______________________________________________________________________________

Dia 22 - 1º Domingo da Quaresma

7h - Missa na matriz          9h - Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges      16h - Missa na igreja de Santo Antônio

19h - Missa na matriz

______________________________________________________________________________

1º Domingo da Quaresma:

Leituras e reflexão

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

1ª Leitura: Gn 2,7-9; 3,1-7

Leitura do Livro do Gênesis

O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente. Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden, ao oriente, e ali pôs o homem que havia formado. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores de aspecto atraente e de fruto saboroso ao paladar, a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: “É verdade que Deus vos disse: ‘Não comereis de nenhuma das árvores do jardim’?” E a mulher respondeu à serpente: “Do fruto das árvores do jardim nós podemos comer. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus nos disse: ‘Não comais dele nem sequer o toqueis, do contrário morrereis’”. A serpente disse à mulher: “Não, vós não morrereis. Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”. A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para se alcançar conhecimento. E colheu um fruto, comeu e deu também ao marido, que estava com ela, e ele comeu. Então, os olhos dos dois se abriram; e, vendo que estavam nus, teceram tangas para si com folhas de figueira.

_______________________________________________________

Responsório: Sl 50(51)

- Piedade, ó Senhor, tende piedade, / pois pecamos contra vós.

- Piedade, ó Senhor, tende piedade, / pois pecamos contra vós.

1. Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! / Na imensidão de vosso amor, purificai-me! / Lavai-me todo inteiro do pecado / e apagai completamente a minha culpa!

2. Eu reconheço toda a minha iniquidade, / o meu pecado está sempre à minha frente. / Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei / e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

3. Criai em mim um coração que seja puro, / dai-me de novo um espírito decidido. / Ó Senhor, não me afasteis de vossa face / nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

4. Dai-me de novo a alegria de ser salvo / e confirmai-me com espírito generoso! / Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, / e minha boca anunciará vosso louvor! 

_______________________________________________________

2ª Leitura: Rm 5,12-19

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos: Consideremos o seguinte: O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram.

Na realidade, antes de ser dada a Lei, já havia pecado no mundo. Mas o pecado não pode ser imputado, quando não há lei. No entanto, a morte reinou, desde Adão até Moisés, mesmo sobre os que não pecaram como Adão – o qual era a figura provisória daquele que devia vir –. Mas isso não quer dizer que o dom da graça de Deus seja comparável à falta de Adão! A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobres todos. Também, o dom é muito mais eficaz do que o pecado de um só. Pois a partir de um só pecado o julgamento resultou em condenação, mas o dom da graça frutifica em justificação, a partir de inúmeras faltas.

Por um só homem, pela falta de um só homem, a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça. Como a falta de um só acarretou condenação para todos os homens, assim o ato de justiça de um só trouxe, para todos os homens, a justificação que dá a vida.

Com efeito, como pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida numa situação de pecado, assim também, pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça.

_______________________________________________________
Evangelho: Mt 4,1-11

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Então o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, sentiu fome. Então, o tentador se aproximou e disse a Jesus: «Se tu és Filho de Deus, manda que essas pedras se tornem pães!» Mas Jesus respondeu: «A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.’ «Então o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o na parte mais alta do Templo. E lhe disse: «Se tu és Filho de Deus, joga-te para baixo! Porque a Escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra.’ «Jesus respondeu-lhe: «A Escritura também diz: ‘Não tente o Senhor seu Deus.’ «O diabo tornou a levar Jesus, agora para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e suas riquezas. E lhe disse: «Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar.» Jesus disse-lhe: «Vá embora, Satanás, porque a Escritura diz: ‘Você adorará ao Senhor seu Deus e somente a ele servirá.’ «Então o diabo o deixou. E os anjos de Deus se aproximaram e serviram a Jesus.

______________________________________________________________________________

Reflexão do padre Johan Konings:

A libertação do pecado

Se a Quaresma é um tempo de conversão, deve haver de que se converter: o pecado. Mas para muitos, hoje, já não existe pecado. Sobretudo para os que se iludem com seu aparente sucesso e não sentem na pele quanto seu pecado faz sofrer os outros.

A história humana se move entre o projeto de Deus e o poder do mal.

O mal tenta seduzir o homem para que o adore no lugar de Deus. A 1ª leitura e o evangelho de hoje mostram como Satanás disfarça sua tentação por trás de bens aparentes: conhecimento que nos faz capazes de brincar de deus, satisfação material, poder, sucesso… desde que adoremos o diabo no lugar de Deus!

Todos, desde Adão até nós, caímos muitas vezes, ensina o apóstolo Paulo (2ª leitura). O pecado parece estar inscrito na nossa vida. Chama-se isso o “pecado original” – o mal que nos espreita desde a origem, com as suas conseqüências. Será que se pode atribuir um defeito à nossa origem? Deus não fez bem sua obra? Fez bem, sim, mas deixou o acabamento para nós. Deixou um espaço para a nossa liberdade, para que pudéssemos ser semelhantes a Ele de verdade! E é no mau uso dessa liberdade que se manifesta a força do mal que nos espreita.

Somos esboços inacabados daquilo que o ser humano, em sua liberdade, é chamado a ser. Mas em uma única pessoa o esboço foi levado à perfeição, e essa pessoa nos serve de modelo. Jesus foi tentado, à maneira de nós, mas não caiu, não se dobrou à tentação do “Satanás”, do Sedutor. Ele obedeceu somente a Deus, não apenas quando das tentações no deserto, mas em toda a sua vida, especialmente na “última tentação”, a hora de sua morte. Por isso, tornou-se para nós fundamento de uma vida nova. Reparou o pecado de Adão.

_________________________________________________________________

PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

____________________________________________________          Fonte: franciscanos.org.br    Imagem: vaticannews.va    Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

Reflita com dom Geraldo dos Reis Maia:

Moradia e territórios 

A Igreja no Brasil propõe, no período da Quaresma, desde 1964, a Campanha da Fraternidade (CF) que proporciona conversão pessoal, coletiva, estrutural e ecológica. A cada ano são escolhidos um tema e um lema especiais para iluminar esta importante campanha proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. Neste ano de 2026, o tema escolhido foi “Fraternidade e Moradia”, com o seguinte lema: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). 

O objetivo geral desta campanha é “promover, a partir da Boa-Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais a toda a população”. Logo na Apresentação do Texto-base da CF/2026 (TB-CF), os bispos da Presidência da CNBB assim se expressam: “Inspirados pelo mistério da Encarnação, que revela a proximidade amorosa de Deus com a humanidade, voltamos nosso olhar para a realidade dramática da moradia no Brasil. A falta de um teto digno não é apenas uma carência material, mas expressão concreta da exclusão social que nega a dignidade de filhos e filhas de Deus”. 

Os bispos continuam a expressar a relação entre conversão pessoal e responsabilidades sociais inerentes à fé cristã: “Em tempos de tantos desafios sociais, a Igreja é chamada a ser pobre com os pobres, a fixar seu olhar no Senhor, mas com os pés na história. A conversão quaresmal não é apenas pessoal e interior, mas também comunitária e social, como ensina o Concílio Vaticano II. Por isso, esta Campanha é um chamado à conversão integral, que nos torne discípulos missionários comprometidos com a dignidade humana e o bem comum”. 

O Texto-base nos apresenta os grandes frutos desta grande campanha realizada em todo o Brasil, desde suas origens, como inspiração das orientações pastorais do Concílio Vaticano II. Assim lemos no nº 7 do Texto-base: “Desde então, ela se tornou uma das principais ações evangelizadoras da Igreja no Brasil, alcançando, com suas propostas de oração, reflexão e ação, os mais longínquos rincões do nosso país, e um eloquente testemunho da tão necessária e desejada Pastoral de Conjunto. A CF é herdeira de muitas vidas que se entregaram e se entregam à causa do Evangelho por ouvir o chamado de Cristo e o clamor dos irmãos”. 

Tratar o tema da moradia nos remete a um tema relacionado: território. Sem ele, não há moradia. O território é o espaço onde se instalam as moradias. O território é limitado, diferente dos bens de consumo que podem ser multiplicados de acordo com a demanda. Se existe uma luta pelos bens de consumo, a luta pelos territórios é mais intensa e mais grave. Há interesses de proprietários e empresários do agronegócio, das monoculturas e da atividade minerária, em detrimento das comunidades tradicionais, que privilegiam a ecologia integral. 

A história da nação brasileira é uma história de invasões de territórios. Primeiramente, entre os habitantes autóctones que travavam suas batalhas pelo domínio dos territórios apropriados para suas permanências. Com a chegada dos europeus, os conflitos aumentaram e grandes civilizações foram dizimadas. O território Pindorama passou a ser cada vez mais invadido, a partir dos mares, interior afora, por onde adentravam os invasores à procura de terras e riquezas. A partir das “civilizações da orla”, os bandeirantes se apossavam dos territórios dos povos originários, que ficavam sempre mais acuados pelo interior do Brasil. 

Os interesses pelos territórios continuam intensos nos tempos atuais, sempre motivados pelo lucro do capital. A monocultura se estende, invadindo territórios de tradição familiar. Pequenos proprietários veem seus territórios serem anexados a conglomerados para aumentar a produção, seja da cana-de-açúcar, seja da soja, do milho, ou do eucalipto… A cultura de subsistência vai cedendo espaço aos latifúndios de larga produção. Quando não invadidos, os pequenos territórios são anexados às grandes propriedades quase sempre a preço de banana. A atividade minerária age com o mesmo modus operandi. As propriedades de agricultura familiar, territórios quilombolas e indígenas passam a ser expropriados pelas grandes empresas de mineração. 

Essa realidade gera constante êxodo rural. As famílias, que sempre viveram instaladas em suas pequenas propriedades, veem-se na obrigação de se mudar para a zona urbana. Aumenta a especulação imobiliária nas cidades e cresce o número de submoradias. Esse ciclo de moer gente desrespeita a dignidade do ser humano, e gera uma cultura de descarte da sociedade. É preciso estancar essa sangria e fixar o homem do campo no seu habitat, proporcionando a ele condições de viver dignamente, com sua moradia e sua pequena propriedade familiar de subsistência. 

Segundo as reflexões do TB-CF, nº 136, “a casa ou a moradia, na Bíblia, está ligada à terra, ao trabalho e aos vínculos familiares, sendo um espaço para viver de forma digna. A falta de moradia, a exclusão, a migração por causa da fome ou da falta de recursos, a expulsão por causa da guerra, de dívidas, da manipulação jurídica ou da exploração são vistas como ruptura da Aliança. São pecados passíveis de condenação por parte de Deus, como é possível constatar nos oráculos dos profetas, na fala e nas atitudes de Jesus, pois a terra é um dom, não uma mercadoria”. 

Não obstante tantos interesses sobre os territórios e o desrespeito à dignidade do ser humano, ainda há horizonte. A profecia do antigo povo de Deus “inspirou a esperança de um novo céu e uma nova terra (de uma nova criação), na qual haveria a convivência harmoniosa na terra, conforme anunciam os profetas acerca da volta do exílio e da era messiânica: ‘vão construir casas e nelas morar, plantar vinhas e consumir seu fruto’ (cf. Is 65,16b-25; Am 9,14-15)” (TB-CF, 118). 

Inspirados pela Palavra de Deus, acreditamos que o respeito haverá de vencer os interesses; que o amor haverá de vencer o ódio, que o olhar do irmão que nos interpela haverá de vencer a ganância. “Vi então um novo céu e uma nova terra… O que está sentado no trono declarou então: Eis que eu faço novas todas as coisas” (Ap 21,1.5). 

Desejo às nossas leitoras e aos nossos leitores uma ótima caminhada quaresmal, olhos fixos na madrugada da Ressurreição, para que nossos processos de conversão nos ajudem a discernir o que o Espírito nos diz hoje e nos ajuda a interpretar os sinais deste tempo presente, acolhendo Aquele que veio morar entre nós (cf. Jo 1,14). Tenhamos a coragem de alargar nossas tendas (cf. Is 54,2) para que a nossa morada seja espaço de acolhida e solidariedade. Então será Páscoa em nossas vidas!

Dom Geraldo dos Reis Maia - Bispo de Araçuaí (MG)

____________________________________________________________________________
                                                              Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Catequese para o seu dia:

Meu Pai e vosso Pai!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

_____________________________

Padre Zezinho

Quem já leu os evangelhos 5 a 10 vezes, provavelmente já parou para refletir sobre as expressões MEU e VOSSO PAI. Jesus era totalmente FILHO!

***

Meu Pai, Vosso Pai, Meu Pai e Eu, Somos Um Só, de Deus recebi todo o poder, Meu Pai me enviou, Meu Pai o amará, Meu Pai e eu moraremos nessa pessoa, Quem me conhece Meu Pai, aquele que me renegar diante dos outros, também eu o renegarei diante de Meu Pai que está nos céus”.

O que Jesus queria dizer quando falava como Filho e com poder igual ao Pai, porque ele recebera todo o poder que vinha do Pai?

***

Como entender, nos quatro evangelhos, estas expressões? Os evangelistas inventaram ou reproduziram o que tinham ouvido? Não era perigoso falar daquele jeito? Tanto era que morreu por isso!

***

Então, será que os seguidores conviveram com um jovem profeta judeu de Nazaré que tinha a pretensão de posar como o Filho de Javé? Que provas ele tinha de que tinha vindo do Céu?

Ele inventou isto, ou de fato este jovem profeta poderia dizer que antes de Abraão ter nascido ele já existia?

***

Quem ele pensava que era? Enlouquecera? Posando de ser igual a Deus? Era linguagem de um blasfemo! Assim pensavam os fariseus e o escribas. Assim pensam até hoje os que não entendem, ou diminuem ou exageram o que está escrito nos quatro evangelhos e nas epístolas.

***

Que provas ele tinha? Jesus era pobre, não lucrava com sua pregação, amava os enfermos e os pobres, dialogava, não mentia, não discriminava, vivia o que falava, prometia e fazia, curava ali mesmo, não fazia espetáculo, ressuscitava mortos e desafiava os doutores da Lei e escribas que também eles mostrassem seu poder. Ele mostrava o seu!

Os agora pseudoprofetas de palco e de internet gritam, prometem que farão mas não fazem , não provam e não submetem suas curas à ciência , não vivem o que pregam , muitos deles estão milionários enquanto anunciam um Jesus que era pobre , gostam muito de dinheiro , tomam partido político, atacam quem não crê como eles , dizem que Jesus lhes manda recados durante a noite e durante o culto , prometem o que não podem prometer , e falam com certeza absoluta de que Jesus os escolheu e não escolheu os outros… Chegam dizer que eles são filhos, mas os outros são apenas criaturas ! Em geral não aceitam ecumenismo! Os eleitos são eles ...

Em resumo: não aceitam que Jesus seja irmão deles e também dos outros ...

Sua “piedade” não tem “fraternidade” e seu LOUVOR não tem amor!...

________________________________________________________________________________
                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Papa Leão XIV nesta quarta:

nas cinzas está o peso de um mundo em chamas.
A Quaresma estimula a conversão.

Pela primeira vez em seu pontificado, Leão XIV presidiu à tradicional procissão da Quarta-feira de Cinzas, que tem início na Igreja de Santo Anselmo até a Basílica de Santa Sabina, onde foi celebrada a Santa Missa com a imposição das cinzas.

As cinzas do direito internacional e da justiça, de ecossistemas inteiros, do pensamento crítico e do sentido do sagrado: para os católicos, a Quaresma que hoje se inicia carrega o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra. Esta metáfora está contida na homilia que o Papa Leão XIV pronunciou na Missa de Quarta-feira de Cinzas celebrada na Basílica de Santa Sabina, após a tradicional procissão que partiu da Igreja de Santo Anselmo, no bairro romano do Aventino.

Quaresma, tempo forte de comunidade

No início de cada tempo litúrgico, disse o Santo Padre, redescobrimos com alegria sempre renovada a graça de ser Igreja, e também hoje a Quaresma é um forte tempo de comunidade: "Sabemos como é cada vez mais difícil reunir as pessoas e sentir-se povo, não de forma nacionalista e agressiva, mas na comunhão em que cada um encontra o seu lugar".

Na Igreja, ganha forma um povo que reconhece os próprios pecados, ou seja, que o mal não vem de presumíveis inimigos, mas está dentro da própria vida e dos próprios corações - pecados que devem ser enfrentados com a assunção de responsabilidades, mesmo que se trate de uma "atitude contracorrente", defendeu o Papa.

Certamente, o pecado é sempre pessoal, afirmou, mas ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos, muitas vezes dentro de autênticas “estruturas de pecado” de ordem econômica, cultural, política e até religiosa. "Como é raro encontrar adultos que se arrependem, pessoas, empresas e instituições que admitem ter errado!", lamentou Leão XIV.

E a Quaresma trata precisamente desta possibilidade e, por isso, atrai sobretudo os jovens. Opor o Deus vivo à idolatria significa ousar a liberdade. São os jovens que percebem nitidamente que é possível um modo de vida mais justo e que existem responsabilidades por tudo o que não funciona na Igreja e no mundo. "É necessário, portanto, começar por onde se pode e com quem está presente", exortou o Santo Padre, reiterando ainda o alcance missionário da Quaresma, de se abrir a pessoas que procuram caminhos para uma autêntica renovação de vida. 

“A Quaresma, com efeito, estimula-nos às mudanças de direção – conversões – que tornam mais crível o nosso anúncio.”

Apologia das Cinzas

Este anúncio passa também pelo Rito das Cinzas, que São Paulo VI desejou celebrar publicamente sessenta anos atrás, poucas semanas após a conclusão do Concílio Vaticano II. Na época, o Papa Montini usou a expressão "apologia das cinzas" para sintetizar o pessimismo que permeava a produção intelecutal, em que emergia a imensa tristeza da vida e a metafísica do absurdo e do nada. 

“Hoje podemos reconhecer a profecia contida nestas palavras e sentir nas cinzas que nos são impostas o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, as cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais, as cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura.”

Eis a necessidade de testemunhar Cristo Ressuscitado. Reconhecer os nossos pecados para nos convertermos, acrescentou o Papa, é já um presságio e um testemunho da ressurreição: "Significa, efetivamente, não nos determos nas cinzas, mas levantarmo-nos e reconstruirmos. Então, o Tríduo Pascal, que celebraremos ao culminar o caminho quaresmal, desprenderá toda a sua beleza e significado".

Neste percurso rumo à Páscoa, nos inspiram os mártires antigos e contemporâneos, que escolheram o caminho das Bem-aventuranças e levaram até ao fim as suas consequências. A Quaresma então é a oportunidade de restabelecer a profunda sintonia com o Deus da vida. "A Ele redirecionemos, com sobriedade e alegria, todo o nosso ser, todo o nosso coração", concluiu o Santo Padre.

Vatican News - Bianca Fraccalvieri

___________________________________________________________________________
                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media