terça-feira, 21 de julho de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 21 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

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Dia 22 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor a São José na matriz

19h - Celebração nas comunidades da Bomba e Santa Vitória

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Dia 23 - Quinta-feira

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração nas comunidades da Lagoa e dos Moreiras

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Dia 24 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

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Dia 25 - Sábado

19h -  Missa na matriz

19h -  Celebração na comunidade São Geraldo

19h -  Celebração nas comunidades Uruguaia e São Benedito do Goiabal (Festa Julina)

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Dia 26 - 17º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Reflexão para esta terça-feira:

Verdade e beleza  

Dom Geraldo dos Reis Maia - Bispo de Araçuaí (MG)

Existe um nexo entre verdade e beleza? A Filosofia Grega já relacionava a tríade: beleza, verdade e bondade. Essa concepção levou pensadores a buscar a harmonia estética, o conhecimento verdadeiro e a virtude moral como via para se chegar à boa vida. Esse pensamento foi assim condensado pelo Papa Leão XIV: “O desejo do bem, da beleza, da verdade está enraizado no ‘DNA da humanidade’”. (Discurso, 07/06/2026). Para São Tomás de Aquino, todo ser é bom, verdadeiro e belo na medida em que participa do Ser em si, que é Deus. Esses três transcendentais do ser se atraem na completude do ser.

Dom Geraldo dos Reis Maia

Santo Agostinho ensinava que não amamos senão o que é belo (cf. De musica, VI, 13, 38; Confessiones, IV, 13, 20). Mais recentemente, o Papa Francisco nos falou sobre a Via pulchritudinis (a via da beleza) como caminho para recuperar a estima da beleza e poder chegar ao coração do homem, fazendo resplandecer nele a verdade e a bondade. E advertiu para o risco de fomentar “um relativismo estético” que pode obscurecer o vínculo indivisível entre verdade, bondade e beleza (Evangelii gaudium, 167). Numa cultura em que se estetiza tudo, o risco de uma dicotomia da beleza com a verdade é considerável.

Francisco alertou os artistas para que estivessem atentos a “escapar ao poder sugestivo daquela suposta beleza artificial e superficial, que hoje se difunde, e que é muitas vezes cúmplice dos mecanismos econômicos geradores de desigualdades. Aquela beleza não atrai, porque é uma beleza que nasce morta. Não há vida ali, não atrai. É uma falsa beleza, cosmética, uma maquiagem que esconde em vez de revelar” (Discurso aos Artistas, 23/06/2023). A cultura do esteticismo, com o auxílio da tecnologia, cria essas belezas cosméticas, desvinculadas da dura realidade.

O grande escritor russo F. Dostoiévski abordou essa temática em sua memorável obra “O Idiota”. Ali nos deparamos com um diálogo inesquecível. Disse Ippolit: “Príncipe, é verdade que o senhor disse uma vez que a ‘beleza’ salvará o mundo? Senhores – gritou alto para todos –, o príncipe afirma que a beleza salvará o mundo! (…) Qual é a beleza que vai salvar o mundo?” (Ed. Presença, p. 396). O príncipe a que se refere Ippolit é Lev Nikoláevitch Míchkin, protagonista da obra, que encarna a figura de O Idiota.

O príncipe, tal qual Jesus diante da pergunta de Pilatos – “o que é a verdade?” (Jo 18,38) –, nada responde a Ippolit sobre que beleza salvará o mundo. Ele vai ao encontro de um jovem de 18 anos que agonizava. Ali permanece, cheio de compaixão e amor, até ele morrer. Com isso, quis dizer que a beleza é aquilo que nos conduz ao amor solidário diante da dor do outro, que nos interpela. O mundo será salvo hoje e sempre enquanto houver essa atitude: o amor solidário, característica mais profunda do ser humano. Páginas à frente segue a descrição do impacto causado pelo quadro do “Cristo Morto”, de Hans Hosbein (1521).

De fato, Dostoiévski havia contemplado essa obra de arte quando visitara Basileia, na Suíça, e passa a descrever o quadro. “A pintura não era grande coisa em termos artísticos, mas mergulhou-me numa estranha inquietação. Nesse quadro está pintado um Cristo que acabaram de tirar da cruz. Parece que os pintores têm o hábito de representar Cristo, tanto crucificado como tirado da cruz, sempre com um toque de beleza no rosto; mesmo nos momentos de sofrimento mais terrível, acham que devem conservar-lhe a beleza”. O relato continua, e vem a afirmação de que naquela pintura não havia o mínimo de beleza. E segue a descrição dos sinais da crueldade no corpo representado pelo artista.

E continua a narrativa da obra: “É estranho que, quando olhamos para este cadáver de homem torturado, surge uma pergunta especial e curiosa: se um cadáver assim (…) foi visto por todos os seus discípulos, pelos principais futuros apóstolos dele, pelas mulheres que tinham fé nele e o adoravam, como foi possível que acreditassem, à vista deste cadáver, que este mártir ia ressuscitar? Com este quadro parece estar expressa precisamente a noção de uma força obscura, descarada e eternamente sem sentido a que tudo fica submisso”. A pintura em questão trata-se de uma espécie de antítese da beleza: a beleza de quem foi fiel até o fim, sofreu os tormentos mais cruéis por amor à humanidade. É precisamente esta a beleza que salva o mundo.

A verdadeira beleza que salva o mundo está vinculada ao senso ético. Não se trata de um esteticismo puro. A sensibilidade artística e profundamente humana consegue perceber uma beleza no corpo torturado “de uma pessoa que sofreu infinitamente, ainda antes da crucificação, feridas, torturas, espancamentos por parte dos guardas e do povo (…). Também é verdade que há ainda muita vida, muito calor, no rosto de um homem que acabaram de tirar da cruz: o cadáver ainda não teve tempo de tornar-se rígido, no rosto do morto ainda transparece o sofrimento, como que sentido no próprio instante (…)” (id., p. 421).

Não se pode tolerar a dicotomia entre o ético, o verdadeiro e o bom. A “beleza cosmética”, desvinculada da verdade e da bondade fica fadada à inautenticidade. Ela é plástica, artificial, fora da realidade. A beleza do Cristo de Hosbein não condiz com a beleza de um esteticismo convencional, mas está vinculada à verdade e à bondade. É essa beleza que somos chamados a cultivar nos espaços de nossa existência: Uma beleza que vai ao encontro do outro que nos interpela, assim como Deus se apequenou, humilhou-se, “quenotizou-se” para assumir em tudo a condição humana (cf. Filp 2,5-11) e nos apontar o horizonte da vocação humana, a verdadeira humanização do ser humano (cf. GS, 22). É essa beleza que salva o mundo.

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  Fonte: cnbb.org.br

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Veja que lamentável:

Tão novos e tão intolerantes...

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Padre Zezinho

Disseram-me que há um grupo católico que proibiu seus jovens de cantar minhas músicas porque sou um padre comunista da TL. Que dó desses meninos!

Respondi que eles têm todo direito de escolher o que cantar, só não tem o direito de caluniar quem prega as encíclicas sociais católicas.

Não sou tijolo do formato que eles querem. Na construção desses católicos, um velho padre de 85 anos com 60 anos de sacerdócio já não tem utilidade.

Conhecem um pequeno ângulo da vida e já falam como se conhecessem todos os dogmas da fé cristã!

Não me ofendi. Eles olham nossa Igreja a partir do ângulo que algum pregador de retiro lhes ensinou. Falta-lhes a amplitude de Efésios 3,4-21. Não estudaram as dimensões da cristologia! Conhecem a “altura” do louvor.

Não lhes ensinaram a profundidade, a largura e o comprimento da fé católica!

No salto do Rio Novo em Corupá SC onde fui seminarista, havia uma ponte de madeira.

Quem olhava do lado direito via uma paisagem. Que olhasse do centro veria outra. E que o olhasse do lado esquerdo veria ainda outro panorama. O rio é límpido e de águas correntes.

E quem fosse lá olhando de cima ou de baixo ainda veria dos outros ângulos.

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Depois que estudei Teologia, Filosofia, Sociologia e História e depois que estudei catequese, li encíclicas e adquiri mais cultura, aprendi que aquelas eram as mesmas águas límpidas.

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Minhas canções, meus livros e minhas catequese são para quem não tem preconceito de idade, de fé, de política ou de visão católica. Enfim, vê valor nos outros!

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Eu dialogo. Canto minhas canções e as dos outros grupos.

Não vivo em gueto! Como Jesus, bebo da água que me oferecem, desde que eu possa conversar fraternalmente com quem aceita me ler e ouvir.

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Um bom católico tem muitos conceitos e pouquíssimos preconceitos.

Só temos pena de quem acha que achou tudo só porque ouviu três palestristas do mesmo movimento!… Não leu Efésios nem as outras epístolas de Paulo. Lá ele ensinava os primeiros cristãos a conviver com todos e ver outros valores além da Igreja de Éfeso!

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Aliás há 60 anos que vivo divulgando os novos autores e cantores que têm algo de novo a cantar.

Que bom que tem aparecido novos talentos na nossa Igreja. Este é o dever de qualquer padre católico: promover novos talentos!

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Acho, porém que esses meninos e meninas fechadinhos não andaram estudando o CIC, o DSI e o CVII e nem a Bíblia. Ainda não abriram os seus horizontes. A Igreja é muito mais do que liturgia e louvor. Também é solidariedade.

Deveriam ler Dilexi Te, Dilexit Nos, Magnífica Humanitas, Populorum Progressio, Gaudium et Spes, Socilitudo Rei Socialis. Há cursos e retiros sobre isso. Deveriam frequentá-los !

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

domingo, 19 de julho de 2026

Leão XIV convida a confiarmos na ação silenciosa de Deus,

que não se impõe pela força

Somos chamados a assumir um estilo evangélico, sem adotarmos precipitadamente uma postura de oposição marcada por julgamentos arrogantes, sem nos impormos pelo poder e pela força e sem perdermos a confiança na obra de Deus.

A parábola do semeador, o joio e o trigo, o grão de mostarda e o fermento na farinha: imagens usadas por Jesus em três pequenas parábolas "que pretendem evocar a chegada do Reino de Deus na história, a sua ação na vida dos homens, a maneira como cresce, se expande e transforma o mundo a partir de dentro".

Deus prefere a pequenez

No Angelus deste XVI domingo do Tempo Comum, Leão XIV dirigiu-se à multidão de fiéis reunidas em Castel Gandolfo sob um sol escaldante e uma temperatura de cerca 32 graus, explicando que com os relatos contidos nestas parábolas, "Jesus nos adverte contra a tentação de pensar em Deus como uma figura poderosa, que se impõe pela força, que ocupa o espaço para dominar, que chega de forma triunfante":

Pelo contrário, Deus prefere a pequenez, sinal de seu amor discreto. Ele nos deixa livres para acolhê-lo ou rejeitá-lo, procura abrir caminho mesmo em meio ao joio e age de forma oculta e invisível, como a menor de todas as sementes, fermentando a massa sem fazer barulho.

Saber reconhecer o bem que brota mesmo nas trevas do mal

Com essas parábolas - continuou explicando - "Jesus nos diz algo importante sobre o modo como Deus opera em nossa vida e na história":

Às vezes, esperamos algo espetacular, desejamos um Deus que intervenha do alto, arrancando imediatamente o joio, que é o mal. Imaginamos um Deus forte e poderoso e, infelizmente, também adequamos nossa maneira de ser cristãos e de ser Igreja a essa imagem. Em vez disso, o Reino de Deus se difunde também em meio ao joio e nos pede um olhar capaz de reconhecer o bem que brota mesmo nas trevas do mal, sem que julguemos tudo apressadamente.

Ter confianças, mesmo quando Deus parece ausente

O Reino de Deus, acrescentou, "vem como a menor das sementes e exige, portanto, a paciência de saber acompanhar os processos, reconhecendo-o na simplicidade do cotidiano e na singeleza da vida comum":

Cresce invisivelmente, como o fermento na farinha, e assim nos liberta do desânimo, convidando-nos a ter confiança, ainda que nos pareça que Deus está ausente. Pois, na verdade, Ele nos acompanha continuamente e seu amor está sempre agindo em nosso favor.

A "lógica da semente"

E esse estilo de Deus - pontuou - "deve se tornar também o modelo segundo o qual vivemos a realidade que nos rodeia, tanto como indivíduos quanto como Igreja":

Somos chamados a assumir um estilo evangélico, sem adotarmos precipitadamente uma postura de oposição marcada por julgamentos arrogantes, sem nos impormos pelo poder e pela força e sem perdermos a confiança na obra de Deus. Trata-se – dizia o então cardeal Ratzinger – de nos submetermos à lógica da semente, que não é a do sucesso e da grandeza, mas que nos pede para nos tornarmos pequenos e servirmos à vida das pessoas. Assim, nós mesmos nos tornaremos como uma pequena semente do Evangelho que brota e como um fermento de amor que transforma a massa do mundo.

Oremos a Maria Santíssima - disse ao concluir - que soube acolher a semente da Palavra em sua humildade, para que Ela nos sustente em nosso caminho e interceda por nós.

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Assista:

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  Fonte: vaticanews.va     Foto e vídeo: (@Vatican Media

Reflexão para este domingo:

Fermento de uma vida mais humana

José Antonio Pagola

Surpreende ver com que frequência Jesus se dirige a seus discípulos para adverti-los contra uma falsa “impaciência messiânica” que não sabe respeitar o ritmo da ação discreta, mas vigorosa, de Deus.

Aos que esperam que Ele dê início a um movimento contundente e arrojado, capaz de terminar com outras correntes e alternativas, Jesus lhes fala de uma ação mais humilde e respeitosa de Deus. O mundo é um campo de sementeiras opostas. E o Reino de Deus cresce aí na densidade dessa vida às vezes tão ambígua e complexa.

Aí está Deus salvando o ser humano: nesses comportamentos coletivos, animados umas vezes por grandes ideais e outras vezes por obscuros egoísmos; nesses mil gestos que fazemos cada dia e onde se mescla a generosidade com as mesquinharias mais inconfessáveis.

Àqueles que esperam o desenrolar imediato de algo espetacular e poderoso, Jesus lhes fala de um reinado de Deus mais simples e discreto. Algo que não visa desencadear movimentos grandiosos de massa. O Reino de Deus já está atuando, mas a modo de um grão de mostarda minúsculo e quase irrisório que germina com humildade, ou como uma porção quase imperceptível de fermento que se perde na massa fermentando-a totalmente.

Não é lançando excomunhões sobre outros grupos, partidos ou ideologias, nem condenando tudo o que não coincide com o nosso pensamento que vamos abrir caminho ao Reino de Deus. Não o implantaremos na sociedade concentrando grandes massas ou conseguindo o aplauso passageiro das multidões.

O Reino de Deus é um “fermento de humanidade” que cresce em qualquer rincão obscuro do mundo, onde se ama o ser humano e onde se luta por uma humanidade mais digna. Só abriremos caminho ao Reino de Deus deixando que a força do Evangelho transforme nosso modo de viver, amar, trabalhar, desfrutar, lutar e ser.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 18 de julho de 2026

Reflexão de frei Almir Guimarães para este sábado:

Jesus, contador de histórias

♦ Continuamos a leitura do evangelho de Mateus em nossas liturgias dominicais. Jesus aparece hoje como um contador de histórias com três de suas saborosas parábolas: joio e trigo, grãozinho de mostarda e fermento que a mulher coloca na massa que descrevem o Reino, o mundo novo cuja inauguração o Pai confiou a Jesus. Para falar do assunto curiosamente Jesus se serve de imagens “culinárias”, coisas do campo e da cozinha.

♦ Por detrás dessas figurações-historietas e das outra leituras somos convidados a corrigir a rota de nosso caminhar. O texto do Livro da Sabedoria exalta a excelsa grandeza do Senhor e a certeza de que o olhar que o Senhor nos dirige é benigno e bondoso. Paulo lembra que em nossa oração o Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. Deus mesmo reza em nós. Nesse pano de fundo vamos colaborando na construção do Reino.

♦ Reino, Reino de Deus, mundo novo, mundo segundo os sonhos do Altíssimo. Jesus veio anunciar e inaugurá-lo. Colocou depois, em nossas mãos sobre nossos ombros a continuação de sua obra, reino de justiça e de paz, de vida e verdade, de amor e de graça. Somos artesãos do Mundo segundo o coração de Deus.

♦ Não podemos ir rápido demais na construção e aperfeiçoamento do Reino. Será preciso dar tempo ao tempo. Vivemos, damos nossos testemunho de amigos e discípulos do Senhor. A experiência está sempre a nos dizer a erva daninha que não lançamos à terra cresce e abafa o trigo. Há santos caminhando por ai, mas há aproveitadores, gente que destrói a beleza dos inocentes, pessoas que ardilosamente inventam meios e modos em derrubar os outros, que contaminam com o veneno da maldade.

♦ Não dá para separar os bons dos maus antes da hora. Jesus veio como Pastor e não aquele que condena. Nenhum pecado pode cortar irremediavelmente as pontes de comunicação com de Deus. Trigo e joio estão misturados. A parábola fala da paciência de Deus, do dar tempo ao tempo. “Não nos deve perturbar o escândalo de uma Igreja medíocre, comprometida, distante do ideal evangélico de pureza, de santidade, de desapego. Sendo feita de homens e vivendo mergulhada no mundo, a Igreja corre sempre o risco de se contaminar com o mundo e ver crescer em suas fileiras o joio ao lado do trigo” (Missal da Paulus, p.750). Sempre houve na Igreja a tentação de cortar e queimar o joio antes: hereges condenados à fogueira, excomunhões, anátemas. A parábola do joio e do trigo fala da paciência de Deus.

♦ Construção do Reino: esforços de semear a verdade, recolher os jogados à beira do caminho, dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, entrar no silêncio do quarto, fazer com que os inimigos se deem as mãos. Para que isso aconteça com pequenos gestos: uma palavra amiga, um serviço prestado, uma dívida perdoada, um generosidade demonstrada, os pés de alguém lavados. O Reino é semelhante a coisa pequenas. Cuidado com os grandes êxitos nesse terreno. Podem ocultar poder. Somos operários do Reino no cotidiano das coisas pequenas.

♦ “Para seguir a Jesus não é preciso sonhar com coisas grandiosas. Que seus seguidores busquem uma Igreja poderosa que se imponha às outras é um erro. O ideal não é o exaltado cedro no alto da montanha, mas o arbusto de mostarda que cresce junto aos caminhos e acolhe os pintassilgos. Deus não esta no êxito, no poder, ou na superioridade. Para descobrir sua presença salvadora será preciso prestar atenção ao pequeno, ao comum e cotidiano. A vida não é apenas aquilo que se vê. É muito mais. Assim pensava Jesus” (Pagola, Mateus, p. 161)

♦ Irradiação é a palavra que pode ajudar a compreender a imagem do fermento. Algo minúsculo em relação ao todo. Quando juntado ao trigo a tudo penetra escondidamente. Assim, os discípulos de Jesus estão em todas em todas partes: são doutores e padeiros, políticos e empregados domésticos, são pais, mães, novos e idosos. Vivem no mundo, mas carregam em si os germes do mundo novo. Não são apenas pessoas de missa de domingo mas gente de discretamente coloca o “vírus” de Jesus por onde passam. Quando pensamos na missão do laicato no mundo de hoje temos em mente ações concretas em prol da humanização do humano, mas sobretudo no testemunho, no força do fermento, do sal e da luz. Os cristãos são fermento de um mundo novo.

Como são importantes essas histórias que Jesus contava!!

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Oração

Olhar-te lentamente,
isto é tudo.
Olhar-te lentamente.
E desta forma
algo se move dentro de mim.
Olhar-te lentamente,
nada mais e isto é tudo,
olhar-te lentamente.
Que tenho eu de mim
se não o que me concedeste,
teu fogo, teu amor,
teu ar, teu vento? (J. Zubiaurre)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 17 de julho de 2026

16º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Sb 12,13.16-19

Leitura do Livro da Sabedoria

Não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas e a quem devas mostrar que teu julgamento não foi injusto.

A tua força é princípio da tua justiça, e o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente.

Mostras a tua força a quem não crê na perfeição do teu poder; e nos que te conhecem, castigas o seu atrevimento.

No entanto, dominando tua própria força, julgas com clemência e nos governas com grande consideração; pois, quando quiseres, está ao teu alcance fazer uso do teu poder.

Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano; e a teus filhos deste a confortadora esperança de que concedes o perdão aos pecadores.

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Responsório: Sl 85(86)

- Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel!
- Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel!

1. Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca. Escutai, ó Senhor, minha prece, o lamento da minha oração!

2. As nações que criastes virão adorar e louvar vosso nome. Sois tão grande e fazeis maravilhas; vós somente sois Deus e Senhor!

3. Vós, porém, sois clemente e fiel, sois amor, paciência e perdão. Tende pena e olhai para mim! Confirmai com vigor vosso servo!

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2ª Leitura: Rm 8,26-27

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos: O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois nós não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis.

E aquele que penetra o íntimo dos corações sabe qual é a intenção do Espírito. Pois é sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos.

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Evangelho: Mt 13,24-43

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’

O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’

O dono respondeu: ‘Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!’”

Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos”.

Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.

Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”.

Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!”

Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos, e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes.

Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Paciência na evangelização

O evangelho apresenta um Jesus muito tolerante. Isso pode até desagradar a quem gostaria de um Jesus mais radical. A Igreja parece tão pouco radical. Por que não romper de vez com os que não querem acompanhar? Ou será que a radicalidade do evangelho é outra coisa do que imaginamos? Neste evangelho (Mt 13, 24-43), Jesus descreve o Reino de Deus (o agir de Deus na história), em três parábolas. Na primeira, explica que junto com os frutos bons (o trigo) podem crescer frutos menos bons (o joio); é melhor deixar a Deus a responsabilidade de separá-los, na hora certa….Na segunda, ensina que o agir de Deus tem um alcance que sua humilde aparência inicial não deixa suspeitar (a sementinha).

Na terceira, adverte que a obra de Deus muitas vezes é escondida, enquanto na realidade penetra e leveda o mundo, invisivelmente, como o fermento da massa.

Nós gostamos de ver resultados imediatos. Somos impacientes e dominadores para com os outros. Deus tem tanto poder, que ele domina a si mesmo… Não é escravo de seu próprio poder. Sabe governar pela paciência e o perdão (1ª leitura). Seu “reino” é amor, e este penetra aos poucos, invisivelmente, como o fermento. Impaciência em relação ao Reino de Deus é falta de fé. O crescimento do Reino é “mistério”, algo que pertence a Deus.

No tempo de Mateus, a impaciência era explicável: espera-se a volta de Cristo (a Parusia) para breve. Hoje, já não é essa a razão da impaciência. A causa da impaciência bem pode ser o imediatismo de pessoas aparentemente “superengajadas”, e podemos questionar se muito ativismo é verdadeira generosidade a serviço de Deus ou apenas auto-afirmação. É preciso dar tempo às pessoas para que fiquem cativados pelo Reino. E a nós mesmos também. Isso exige maior fé e dedicação do que certo radicalismo mal-entendido, pelo qual são rechaçadas as pessoas que ainda estão crescendo.

Devemos ter paciência especial para com aqueles que, vivendo em condições subumanas, não conseguem assimilar algumas exigências aparentemente importantes da Igreja. Para com os jovens. Para com os que perderam a cabeça pelas complicações da vida moderna urbana, ou por causa da televisão, que pouco se preocupa em propor às pessoas critérios de vida equilibrada. Devemos dar tempo ao tempo… e entrementes dar força ao trigo, para que não se deixe sufocar pelo joio.

Em nossas comunidades, importa cativar os outros com paciência. Fanatismo só serve para dividir. Moscas não se apanham com vinagre. Importa ter confiança em Deus, sabendo que ele age, mesmo. E então nos sentiremos seguros para colaborar com ele, com “magnanimidade”, com grandeza de alma – pois é assim que se deveria traduzir o que geralmente se traduz com o termo desvirtuado “paciência”…. Deus reina por seu amor, e o amor não força ninguém, mas cativa a livre adesão.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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                   Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: vaticanews.va  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos