Naqueles dias, Filipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo. As multidões seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia. E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia. De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados. Era grande a alegria naquela cidade. Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a Palavra de Deus e enviaram lá Pedro e João. Chegando ali, oraram pelos habitantes da Samaria, para que recebessem o Espírito Santo. Porque o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles; apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus. Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.
- Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / cantai salmos a seu nome glorioso!
- Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / cantai salmos a seu nome glorioso!
1. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / cantai salmos a seu nome glorioso, /dai a Deus a mais sublime louvação! / Dizei a Deus: “Como são grandes vossas obras!
2. Toda a terra vos adore com respeito / e proclame o louvor de vosso nome!” /Vinde ver todas as obras do Senhor: / seus prodígios estupendos entre os homens!
3. O mar ele mudou em terra firme, / e passaram pelo rio a pé enxuto. / Exultemos de alegria no Senhor! / Ele domina para sempre com poder!
4. Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: / vou contar-vos todo bem que ele me fez! / Bendito seja o Senhor Deus, que me escutou, † não rejeitou minha oração e meu clamor / nem afastou longe de mim o seu amor!
Caríssimos, santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo e estai
sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência. Então, se em
alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o
vosso bom procedimento em Cristo. Pois será melhor sofrer praticando o bem,
se essa for a vontade de Deus, do que praticando o mal. Com efeito, também
Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos
injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte na sua existência
humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Se me amais, guardareis os
meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para
que permaneça sempre convosco: o Espírito da verdade, que o mundo não é capaz
de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele
permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos. Eu
virei a vós. Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me
vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no
meu Pai e vós em mim e eu em vós. Quem acolheu os meus mandamentos e os
observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”.
Continuando nossas reflexões sobre o batismo, consideramos hoje o sacramento da crisma. Antigamente, o dia da crisma era um dia muito especial para as comunidades, quando o bispo vinha “confirmar” as crianças (hoje, muitas vezes, é o vigário episcopal que faz isso). De onde vem esse costume? Na 1ª leitura lemos que o diácono Filipe batizou novos cristãos na Samaria. Depois, vieram os apóstolos Pedro e João de Jerusalém para confirmar os batizados, impondo-lhes as mãos, para que recebessem o Espírito Santo. Assim, os apóstolos predecessores dos bispos, completaram e “confirmaram” o batismo.
Como “alicerces” da Igreja, os apóstolos garantem aos recém-batizados o dom do Espírito, que lhes foi confiado por Cristo (evangelho) e expressam a unidade das igrejas (no caso, a de Jerusalém e a de Samaria). A confirmação do batismo pela imposição das mãos do bispo – sucessor dos apóstolos – tornou-se o sacramento da crisma: completa o batismo e realiza o dom do Espírito Santo. Chama-se “crisma”, isto é, “unção”, porque o bispo unge a fronte do crismado em sinal da dignidade e vocação do cristão. Antigamente era administrado na mesma celebração do batismo e da eucaristia, que com a crisma constituem a “iniciação cristã”.
Quando se introduziu o costume de batizar as crianças, a confirmação e a eucaristia ficaram para um momento ulterior, geralmente no início da adolescência, pelo que a crisma adquiriu o significado de “sacramento do cristão adulto”. O adolescente ou jovem é confirmado na sua fé, pelo dom do Espírito. Agora, ele terá de assumir pessoalmente o que, quando do batismo, os pais e padrinhos prometeram em seu nome. Pois a fé pode ser exigente (2ª leitura). Para a comunidade, a celebração da crisma significa também a unidade das diversas comunidades locais na “Igreja particular” ou diocese, graças à presença do bispo ou do vigário episcopal.
O evangelho de hoje nos ensina algo mais sobre o Espírito que Jesus envia aos seus. Muitos imaginam o Espírito de modo sensacionalista. Ora, Jesus envia o Espírito para que os fiéis continuem sua obra no mundo. Pois o lugar de Jesus “na carne” era limitado, no tempo e no espaço, e os fiéis são chamados a ampliar, com a força do Espírito-Paráclito, a sua obra pelo mundo afora. É este o sentido profundo da crisma, que assim completa nosso batismo.
PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.
____________________________________________________ Fonte: franciscanos.org.br Imagem: vaticannews.va Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos
viagens, apelos pela paz e a missão de pastorear o mundo
O Papa Leão XIV
celebra o primeiro aniversário de sua eleição à Sé de Pedro em 8 de maio de
2026. Doze meses marcados por audiências, encontros, mensagens, grandes viagens
ao Oriente Médio e à África, pelo Consistório com o Colégio Cardinalício,
ajustes e renovações na Cúria Romana e por um compromisso com a paz expresso em
vigorosos apelos e pelo trabalho diplomático nos bastidores.
O primeiro
Habemus Papam, em 8 de maio de 2025, foi anunciado pela multidão reunida na
Praça São Pedro ao ver o primeiro fio de fumaça branca que saiu da chaminé da
Capela Sistina. Em seguida, veio o anúncio do Cardeal Protodiácono, às 19h12
locais: "Robertum Franciscum..." Por fim, a aparição do balcão
central da Basílica Vaticana às 19h23 locais: vestindo uma murça vermelha, mãos
unidas, um leve sorriso, olhos marejados de emoção. Robert Francisco Prévost é
o 267º Sucessor de Pedro: Leão XIV.
“Que a paz
esteja com todos vocês.”
Ao cair da tarde
deste mesmo dia, doze meses atrás, a história bimilenar da Igreja iniciou um
novo capítulo com a eleição de um novo Pontífice, escolhido num conclave rápido
por 133 cardeais. O primeiro Papa oriundo dos Estados Unidos, nascido 69 anos
atrás em Chicago, de espírito peruano depois de mais de 22 anos vividos naquele
país latino-americano. Um "filho de Santo Agostinho", proveniente da
Ordem Agostiniana, da qual serviu dois mandatos como Prior Geral. Um Papa de
origens mistas, especialista em matemática, línguas e Direito Canônico, pároco
e bispo de Chulucanas, Trujillo e Chiclayo, e cardeal prefeito do Dicastério
para os Bispos. Um Pontífice com uma formação multifacetada, que se dirigiu ao
mundo em sua primeira aparição em italiano, espanhol e latim, lendo um texto de
sua autoria, no qual a palavra "paz" apareceu dez vezes.
O Papa, após a eleição, no balcão central da Basílica de São Pedro
Esforços pela
paz
Por esta paz —
"desarmada e desarmante", como ele a definiu em 8 de maio, com uma
expressão que se tornou uma marca registrada de seu pontificado — o Papa Leão
XIV fez apelos vigorosos ao longo deste ano: de o "Nunca mais a
guerra!", no primeiro Regina Caeli do balcão central da Basílica Vaticana,
ao apontar o dedo para os senhores da guerra cujas mãos "pingam
sangue", durante a missa do Domingo de Ramos (29 de março), e ao denunciar
quem é "escravo" da morte "para fazer de si mesmo e do próprio
poder o ídolo mudo, cego e surdo ao qual sacrifica todos os valores e diante do
qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe", expresso na Vigília de
Oração pela Paz na Basílica de São Pedro, em 11 de abril.
Pela paz, Leão
encontrou-se com representantes do Hezbollah no Líbano, recebeu os presidentes
da Palestina e de Israel, Abbas e Herzog, para reiterar a ambos a urgência do
cessar-fogo em Gaza e da solução de dois Estados, e manteve conversas
telefônicas com vários líderes de nações em guerra, incluindo o presidente
russo Vladimir Putin, que durante o pontificado anterior do Papa Francisco não
havia mostrado nenhum sinal de interlocução.
O Papa durante a procissão de Corpus Christi
Apelos públicos
e trabalho "nos bastidores"
Leão XIV
promoveu o trabalho diplomático pela paz, talvez menos visível ao público em
geral e aos holofotes da mídia, mas fundamental para a nobre causa do bem dos
povos, objetivo primordial da Igreja. Esse trabalho acontece "nos
bastidores", como ele próprio confidenciou a jornalistas no voo de retorno
do Líbano, destino de sua primeira viagem apostólica junto com a Turquia:
"Nosso trabalho não é, primordialmente, algo público que declaramos nas
ruas; é algo que acontece 'nos bastidores'". É algo que já fizemos e
continuaremos a fazer, para tentar, digamos, convencer as partes a abandonarem
as armas, a violência e a se reunirem à mesa de diálogo".
O Papa em uma paróquia em Roma
Estas
declarações do Papa são a chave para muitas iniciativas lançadas neste primeiro
ano de pontificado, começando pela primeira disponibilidade, poucos dias após a
sua eleição, de abrir as portas do Vaticano para acolher as negociações entre a
Rússia e a Ucrânia. Esta proposta foi recebida com ceticismo por parte dos
russos e entusiasmo por parte dos ucranianos, expresso pelo presidente
Volodymyr Zelensky, com quem o Papa se encontrou três vezes. Duas dessas
ocasiões foram em Castel Gandolfo, onde — após doze anos — Leão XIV retomou o
retorno à residência de verão, deixando a Residência Papal como museu aberto ao
público e passando a residir na Villa Barberini. Esta residência tornou-se
familiar a muitos jornalistas que se encontram com o Papa todas as terças-feiras
à noite, depois de ouvirem as suas declarações e observações sobre assuntos da
atualidade. Ou apelos, mesmo que breves, mas sempre com o objetivo de instar os
"grandes líderes mundiais" a "pôr fim à guerra" e trabalhar
pela paz "não com armas", mas "com diálogo", ou a estimular
a ação popular, como quando, após o ataque dos EUA ao Irã, ele exortou seus
compatriotas estadunidenses a "encontrarem maneiras de se comunicar com os
'membros do Congresso', com as autoridades, para dizer que não queremos guerra,
queremos paz!". Essa ação sem precedentes provocou uma reação da
administração dos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump criticando
duramente o Pontífice no mesmo dia em que ele embarcava para a Argélia,
destino, juntamente com Camarões, Angola e Guiné Equatorial, de sua até então
viagem apostólica mais longa (13 a 23 de abril). Solicitado por jornalistas no
avião, o Papa não respondeu a essas críticas, mas sim recordou seu papel e
missão: o de "pastor" e não o de "político". Portanto,
"nenhum debate" com Trump, nem "medo" de potenciais ataques
daquela administração, mas apenas a missão de proclamar a "mensagem do
Evangelho", que infelizmente alguns hoje abusam. Palavras reiteradas
recentemente em Castel Gandolfo: "A Igreja proclama o Evangelho, prega a
paz. Se alguém quiser me criticar, que o faça com a verdade."
O Papa na prisão de Bata, Guiné Equatorial
A peregrinação
africana
O anúncio do
Evangelho, como missão primordial do Sucessor de Pedro, Leão XIV reverberou
pelas elegantes praças do Principado de Mônaco durante sua viagem em 28 de
março, e depois nas ruas, estádios e igrejas dos quatro países africanos que
visitou, em meio a filas e plateias de milhares de fiéis em clima de festa,
apesar do calor escaldante e das chuvas tropicais. Os apelos do Pontífice por
uma paz que "não deve ser inventada, mas sim acolhida" em um
território como Bamenda, no noroeste de Camarões, devastado por guerras
separatistas. Exortações à fraternidade numa Argélia 90% muçulmana; apelos por
justiça — a "verdadeira" justiça que corrige e cura — proferidos na
prisão de Bata, na Guiné Equatorial, diante de 630 detentos sob a chuva. E,
mais uma vez, orações e invocações pela distribuição justa de recursos e pelo
desenvolvimento integral em Angola, um país rico em petróleo e diamantes, onde,
no entanto, 50% da população vive em extrema pobreza. O Papa também exortou os
jovens a assumirem um papel de liderança, a respeitarem os direitos humanos, a
defenderem a dignidade dos pobres e das mulheres e a preservarem a fé, um
verdadeiro recurso que ninguém pode saquear. Estas são ideias e motivações para
que o continente caminhe de cabeça erguida rumo ao futuro pelo qual os seus
povos anseiam.
Leão XIV abraça uma menina durante uma missa em Camarões
A viagem à
Turquia e ao Líbano
A viagem à
África foi rica em imagens e palavras; uma viagem que Leão XIV desejava fazer,
como revelou no voo para Argel, desde o início de seu pontificado, mas que
adiou para priorizar a promessa e o desejo de seu antecessor, Francisco.
Tratava-se de ir à Turquia para celebrar em Iznik, hoje Niceia, o aniversário
de 1.700 anos do Concílio e depois ir ao Líbano para encontrar um povo exausto
pela guerra, crises, pobreza, emigração e imigração. Esta também foi uma
peregrinação — de 27 de novembro a 2 de dezembro — que revigorou o caminho
ecumênico, com inúmeros encontros com o Patriarca Bartolomeu, oferecendo
oportunidades de diálogo com líderes de outras religiões e proporcionando
preciosos registros. Dentre eles, o Papa em oração silenciosa diante da devastação
do porto de Beirute, palco da explosão de 2020, ou o Papa imerso no abraço
coletivo de 15 mil jovens libaneses e de outras nacionalidades em Bkerké.
O Papa reza diante do memorial em homenagem às vítimas da explosão no porto de Beirute
Entre os jovens
O Papa Leão viu
muitos jovens nos últimos meses, graças às numerosas celebrações do Jubileu da
Esperança, aberto por Francisco e concluído por ele em 6 de janeiro, Solenidade
da Epifania, com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro. O momento
culminante do Ano Santo foi, sem dúvida, o Jubileu dedicado aos jovens, de 28
de julho a 3 de agosto. Mais de um milhão de jovens, rapazes e moças, de
diversas idades e origens, lotaram as ruas de Roma durante dias, e depois
acorreram à Tor Vergata para a vigília e a missa com o Sucessor de Pedro. Foi
um espetáculo de rostos, luzes, cores, bandeiras e celulares prontos para
registrar as palavras do Pontífice, que encorajou as novas gerações a não se
contentarem com a superficialidade, mas a construírem laços autênticos,
superando a hiperconexão e a falta de comunicação, e aspirando à santidade.
Também ficou
gravada na memória daqueles dias a surpresa da aparição do Papa num jipe na Via della
Conciliazione, na Praça São Pedro, para saudar a multidão reunida para a
abertura das comemorações do Jubileu.
"Vocês são a luz do
mundo!", exclamou o Bispo de Roma na praça. E por falar
em surpresas, não podemos esquecer a chegada do Papa a Óstia, no dia 17 de outubro, a bordo do Med25 Bel Espoir, o navio que
percorreu os portos do Mediterrâneo
transportando 25 jovens de diferentes nacionalidades e religiões. Ele, Leão XIV, estava no leme com eles, os marinheiros da paz,
"sinais de esperança" em meio ao ódio e à violência.
Leão carrega a cruz do Jubileu com jovens em Tor Vergata
Rearmamento,
violência e o domínio da força
Essa mesma
violência que o Papa por vezes descreveu como "diabólica", como
afirmou em seu discurso monumental na sessão plenária da Reunião das Obras de
Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO), condenando a "lógica da divisão e da
retaliação", o comércio de armas que sufoca o desenvolvimento de escolas e
hospitais e a "falsa propaganda do rearmamento". Esse apelo foi
reiterado com força em sua mensagem para o 59º Dia Mundial da Paz, na qual o
Pontífice denunciou "a irracionalidade de uma relação entre os povos"
baseada "no medo e no domínio da força", mais do que na justiça, na
confiança e no diálogo.
Diálogo é talvez
a palavra que mais se repetiu nos discursos, homilias, saudações e reflexões de
Leão XIV neste primeiro ano de seu pontificado. O diálogo é a chave para abrir
todas as portas fechadas, uma ponte para superar todos os muros. O Papa tem apelado
ao diálogo, inclusive dentro da Igreja, para superar essas
"polarizações" que criam feridas no corpo eclesial. É o caso das
fraturas no Vetus Ordo, pelas quais o Pontífice, como escreveu em mensagem aos
bispos franceses, expressou preocupação, ao mesmo tempo que exortou a
"soluções concretas que permitam a inclusão generosa de pessoas
sinceramente" ligadass ao antigo rito, "de acordo com as diretrizes
estabelecidas pelo Concílio Vaticano II sobre a liturgia".
A Via-Sacra no Coliseu
Divisões sobre a
Liturgia
O tema da
Liturgia também foi proposto entre os quatro temas que Leão XIV apresentou aos
mais de 170 cardeais reunidos no Vaticano nos dias 7 e 8 de janeiro para o
primeiro, mas não o último (o próximo será em junho), Consistório com os
membros do Colégio Cardinalício. Com este evento, o Papa procurou iniciar um
método de escuta, trabalho "em conjunto" e colegialidade. Assim,
disse ele em seu discurso de abertura, "algo novo pode começar, algo que
coloque o presente e o futuro em jogo". Dos quatro temas propostos, os
cardeais reunidos durante dois dias no Vaticano votaram por uma clara maioria
os temas sobre os quais refletir: Sínodo e Sinodalidade, Evangelização e
missionariedade na Igreja, conforme interpretado pela Evangelii Gaudium.
O Papa Leão XIV abençoa a multidão na Praça São Pedro
Atenção aos
migrantes
Dois temas
representam fortes ligações com o pontificado do Papa Francisco, citado
inúmeras vezes por Leão XIV em discursos públicos. Embora o atual Pontífice
tenha revisto algumas das decisões de governança de seu antecessor (a
reintegração do Setor Central da Diocese de Roma, a supressão da Comissão de
Doações à Santa Sé e do Comitê para o Dia Mundial da Criança), ele também
concentrou e revitalizou a questão da migração, denunciando o tratamento
dispensado a milhares de migrantes: como se fossem "lixo", disse ele
em seu discurso aos Movimentos Populares, ou "animais", declarou em
sua viagem de retorno da Guiné Equatorial. O Papa irá ver de perto a tragédia
migratória e suas consequências em sua visita a Lampedusa em 4 de julho, terra
que ainda recorda a histórica visita do Papa Francisco em 2013, e sua parada
nas Ilhas Canárias como parte de sua viagem apostólica à Espanha, de 6 a 12 de
junho. Além de Madri e Barcelona, o Papa também visitará Gran Canária e Tenerife, em meio ao fluxo de homens e
mulheres que chegam a essas costas há anos.
Leão XIV reza no túmulo do Papa Francisco
Dilexi te e
o foco nos últimos
A missão do
Pontífice para os migrantes está livre de qualquer agenda política, sendo
puramente pastoral, fruto de um foco nos últimos que estão no coração do
Evangelho e da missão da Igreja. O Papa recordou isso na Dilexi te, a primeira
exortação apostólica assinada em 4 de outubro. É um projeto iniciado por
Francisco e relançado por Leão XIV sobre o tema do serviço aos pobres, em cujo
rosto – lemos – encontramos “o sofrimento dos inocentes”. No texto magisterial,
o Papa denuncia a economia que mata, a falta de igualdade, a violência contra
as mulheres, a desnutrição, a crise educacional e “as estruturas de injustiça”
que “devem ser destruídas com a força do bem”.
O Papa com uma criança doente
Ecumenismo e
criação
Outros caminhos
abertos por Bergoglio, e nos quais Prevost está trilhando, são os do diálogo,
do ecumenismo e do respeito pela Criação. Esse compromisso foi reafirmado
durante o momento histórico com os membros da realeza inglesa, Carlos III e
Camilla, vivido na manhã de 23 de outubro, na Capela Sistina, onde ocorreu uma
celebração em louvor a Deus Criador. Esse evento fortaleceu o caminho rumo à
unidade, buscando superar divisões que hoje parecem ainda mais
"escandalosas", como reiterou Leão XIV em sua audiência com a
arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally, a primeira mulher a ocupar o cargo de
Primaz da Igreja Anglicana. Mullally foi recebida em 27 de abril, sessenta anos
após o "encontro memorável" entre o arcebispo Michael Ramsey e São
Paulo VI, que anunciou o primeiro diálogo teológico entre anglicanos e
católicos.
O Papa em Santa Maria de Galeria
Visitas na
Itália
Neste primeiro
ano na Sé de Pedro — marcado por aproximadamente 50 audiências gerais, cerca de
100 audiências públicas e privadas e mais de 60 missas — também merece destaque
a primeira visita do Papa à Itália, a Assis, em 20 de novembro, para a conclusão
da Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e a oração no
túmulo de São Francisco, no oitavo centenário de sua morte. O Pontífice
retornará à cidade da Úmbria em 4 de agosto, no âmbito de suas visitas pelas
dioceses italianas em 2026, que começa na sexta-feira, 8 de maio, dia do
primeiro aniversário de pontificado, com visitas a Pompeia e Nápoles. Ele
visitará então Acerra, na Terra dos Fogos, a já mencionada Lampedusa e Assis, e
participará do Encontro de Rimini (o primeiro Papa em quase 30 anos) e da missa
com a Diocese de Rimini.
Leão XIV rezando no túmulo de São Francisco em Assis
Reformas da
Cúria
Em 2026, o Papa
também fez suas primeiras nomeações internas importantes: dois chefes de
dicastérios, o arcebispo Filippo Iannone, prefeito para os Bispos, e o
arcebispo Anthony Randazzo, prefeito para os Textos Legislativos; o novo
substituto da Secretaria de Estado, o arcebispo Paolo Rudelli, que substituiu o
arcebispo Edgar Peña Parra, nomeado núncio na Itália; o prefeito da Casa
Pontifícia, Petar Rajič; o padre Agostiniano Edward Daniang Daleng,
vice-regente da Prefeitura da Casa Pontifícia; o monsegnhor Anthony Onyemuche
Ekpo, assessor da Secretaria de Estado; e as nomeações dos arcebispos de Nova
York, Ronald Hicks, e de Westminster, Charles Phillip Richard Moth. Por meio de
motu proprio, rescritos e quirógrafos, Leão XIV já iniciou o processo de reforma
financeira do Vaticano, retirando do IOR seus direitos exclusivos de
investimento e introduzindo uma "responsabilidade compartilhada" com
a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA). Publicou o novo
Regulamento da Cúria Romana e promoveu a inclusão de pessoas com deficiência na
comunidade de trabalho da Santa Sé.
O Papa na Praça São Pedro
Rumo ao novo ano
Doze meses,
portanto, de sinais e orientações, com algumas diretrizes já evidentes, como a
centralidade da missão, a atenção às periferias e a diplomacia ativa em
conflitos. Os próximos meses deixarão clara a marca do pontificado, com a
publicação da primeira encíclica e outras viagens internacionais, incluindo uma
à América Latina, desejada pelo Papa Leão.
Salvatore Cernuzio – Vatican News
_____________________________________________________________________ Fonte: vaticanews.vaVídeo e fotos: (@Vatican Media)
Final das
madrugadas dos últimos anos da década de 50. Acariciando o orvalho que
enfeitava o verde de montes e vales, o sol anunciava um novo dia. Colinas e
várzeas, antes adormecidas, ganhavam vida com o harmônico coral de centenas de
pássaros multicores. Era nesse momento que belos acordes musicais vindos pelas
ondas da Rádio Paraisópolis proporcionavam graça e beleza aos dias de
paraisopolenses do campo e da cidade.
Fachada da sede da Paraíso FM, 92,3
Eu, ainda
criança, já procurava desvendar os primeiros mistérios da existência na pequena
comunidade rural em que nasci. Descobria ali as belezas do rádio. Nascia também
ali meu amor pela querida emissora.
Cada manhã era
nova, com beleza própria na venda de meu saudoso pai. O som da viola caipira e
das afinadas vozes sertanejas com a original e bela música raiz davam encanto e
brilho aos nossos dias. Nos domingos, declamadores e duplas caipiras dos
bairros enriqueciam os concorridos programas de auditório com poemas originais
e belas canções.
E eu, um menino
da roça, em época distante da cidade, nem imaginava que grande parte da minha
vida estaria ligada à emissora que aprendera a amar. No final dos anos 70,
comecei a emprestar minhas primeiras e modestas colaborações à sua programação.
Apresentação de programas de caráter formativo e evangelizador como “Nos
caminhos de Emaús”, ou de debates de ideias durante a Constituinte do final dos
anos 80, participação em transmissões externas – ordenações diaconais e
presbiterais ou sessões cívicas – e há aproximadamente quinze anos a
apresentação, nas segundas-feiras, do tradicional “A Voz da Paróquia”, que mais
recentemente tem a participação de minha esposa, fortaleceram os laços do afeto
que tenho pela Radio Paraisópolis, verdadeiro amor nascido em minha saudosa
infância.
A Rádio
Paraisópolis tem uma história muito bonita, escrita por muitas mãos, mentes,
corações, vozes e a carinhosa escuta de diversas gerações paraisopolenses,
mineiros e paulistas. Registramos apenas alguns dos momentos importantes
vividos pela emissora.
A Rádio
Paraisópolis foi fundada no dia 8 de maio de 1954 por cinco cidadãos que viam a
importância da radiodifusão para a comunicação e o progresso dos pequenos
municípios como era o caso de nossa cidade. Foram eles: Ademir de
Oliveira, Antônio Costa Pinto, Fernando Ribeiro Penchel, José
Lima Santos e Willibaldo Brandão Almeida. A emissora sempre se
preocupou em servir seus ouvintes com notícias atualizadas e de utilidade
pública e entretenimento. Com o passar dos anos, aperfeiçoou sua programação e
passou a fazer reportagens externas dos principais acontecimentos da história
local e regional.
Em 1969, A
Paróquia São José, por meio de seu pároco, Cônego Benedito Profício, e de
seu auxiliar, Padre Ângelo Lázaro Nogara, efetuou a aquisição da Rádio
Paraisópolis, emissora AM local, com o objetivo de dar continuidade aos
serviços prestados à comunidade pela emissora e torná-la também um importante
veículo de formação de valores e evangelização. Surgia a primeira emissora
católica da Arquidiocese de Pouso Alegre.
No dia 15 de
dezembro de 1980, em atendimento à legislação vigente, o Cônego João
Aparecido de Faria criou a Fundação São José do
Paraíso, mantenedora da Rádio Paraisópolis. Como pároco, tornou-se o
Presidente do Conselho Diretor da nova entidade. Demais membros: Diretor do
Departamento de Radiodifusão: Padre Vanir Ramos Barbosa; Diretor
Administrativo: Celso Augusto Ribeiro de Carvalho; Diretor de
Programação: José Lima Santos; Diretor Tesoureiro: Luiz Gonzaga da
Rosa.
No ano de 1982,
sob a liderança do pároco, Padre Vanir Ramos Barbosa, foi construída na
Travessa Cônego Benedito Profício a sede da Fundação São José do Paraíso e da
Rádio Paraisópolis. Muitos foram os que contribuíram para o desenvolvimento da
emissora desde sua criação, entre eles, sacerdotes, religiosos e leigos,
voluntários, funcionários, patrocinadores e ouvintes associados.
Na sequência,
foram presidentes da Fundação São José do Paraíso e muito contribuíram com a
emissora os párocos, padre José Dimas de Lima, cônego Braz Tenório
Rocha, padre Padre José Setembrino de Melo (Bino), padre Sebastião Márcio Maciel e padre Leandro carvalho.
Diversos vigários
paroquiais deixaram também sua marca própria na contribuição prestada aos
ouvintes. Por diversos anos, até seu falecimento, o Sr. José Lima Santos,
um dos fundadores da emissora, foi seu Diretor Executivo. Registre-se que, excetuando
os funcionários, todas as demais funções exercidas, tanto no Conselho Diretor
quanto na Rádio, têm caráter voluntário, sem nenhum ônus para a mantenedora.
No início de
2013, Padre Vanir nomeou o então vigário paroquial Padre Sebastião Márcio
Maciel, hoje presidente do Conselho, como Diretor Geral da Rádio, dando novo
impulso à emissora. Durante diversos anos o diretor administrativo o padre Omar Aparecido de Siqueira.
Hoje a presidência é exercida pelo senhor arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella delgado, C.Ss.R. Representam nossa paróquia no Conselho o pároco da paróquia São José, padre João Bosco de Freitas, o vigário, diácono Lucas Lázaro Carvalho e o professor Luiz Gonzaga da Rosa.
Uma Igreja que
existe para anunciar: voltar ao essencial
Dom Leomar
Antônio Brustolin - Arcebispo Metropolitano de Santa Maria (RS) - Presidente da
Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB
Há momentos na
vida da Igreja em que é preciso parar e perguntar: afinal, para que existimos?
Não para manter estruturas, nem apenas para organizar atividades, mas para algo
muito mais profundo e decisivo: anunciar Jesus Cristo.
As novas
Diretrizes recordam isso logo no início: a missão recebida de Jesus é clara —
“Proclamai o Evangelho” (Mc 16,15). Não é uma opção entre tantas. É a
identidade da Igreja. Tudo o que somos e fazemos precisa nascer dessa fonte.
Quando isso se perde, a pastoral se torna pesada, repetitiva e sem força
transformadora.
Mas há um
detalhe importante que o texto nos ajuda a perceber: evangelizar não é apenas
falar de Deus. É testemunhar a misericórdia que recebemos. Antes de anunciar, a
Igreja experimenta. Antes de ensinar, ela acolhe. Isso muda tudo. O anúncio
deixa de ser teoria e passa a ser vida compartilhada.
Outro ponto
decisivo é este: Jesus Cristo não é apenas o conteúdo da evangelização — Ele é
o próprio Evangelho. Isso significa que evangelizar não é transmitir uma
mensagem distante, mas tornar presente uma pessoa viva. Jesus continua a
caminhar, a falar, a curar, a acolher — agora através da Igreja.
E como Ele
evangeliza? As Diretrizes são muito concretas: com palavras e gestos. Ele
anuncia o Reino, mas também se aproxima, serve, toca as feridas, busca quem
está perdido. Não exclui ninguém. Vai ao encontro de todos. Esse estilo não é
secundário — é o próprio caminho da Igreja hoje.
Por isso, as
Diretrizes insistem: não basta repetir métodos antigos. Estamos diante de uma
mudança de época. O mundo mudou, as perguntas mudaram, e a forma de anunciar
também precisa ser renovada. Mas sem perder o essencial: o centro continua
sendo Jesus.
Há ainda um
chamado forte à conversão. Não apenas pessoal, mas também das relações, dos
processos e dos vínculos. Em outras palavras: não basta querer evangelizar, é
preciso mudar o modo de ser Igreja. Torná-la mais aberta, mais acolhedora, mais
próxima, mais sinodal.
A imagem da
“tenda” ajuda a entender isso. Uma Igreja que não é fechada, mas que se alarga.
Que escuta mais. Que acolhe melhor. Que permanece firme na fé, mas com as
portas abertas para todos.
No fundo, a
Introdução das Diretrizes nos coloca diante de uma pergunta simples e exigente:
estamos realmente anunciando Jesus ou apenas mantendo a Igreja funcionando?
Se voltarmos ao
essencial, tudo se reorganiza. A fé ganha vida. As comunidades se tornam mais
missionárias. E a Igreja volta a ser aquilo que sempre foi chamada a ser: sinal
vivo do amor de Deus no mundo.
O fio condutor
do magistério de Leão XIV sobre a missão e as palavras de Jesus: “Nisto todos
reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”.
O Papa Leão XIV no papamóvel na esplanada de Saurimo, Angola, em 20 de abril de 2026
A paz e a
unidade da Igreja foram os dois temas recorrentes e fundamentais do primeiro
ano de pontificado de Leão XIV, que continua a pedir orações por essas
intenções. Se a paz se impôs como uma urgência devido à multiplicação de
conflitos insensatos e à progressiva erosão do direito internacional, a unidade
da Igreja é um fio condutor que atravessa todo o magistério do Bispo de Roma,
nascido em Chicago e que se tornou missionário no Peru. A maneira como Leão
repetiu seus apelos à unidade dos fiéis em Cristo é particularmente
significativa e nada tem a ver com a exigência de “normalidade” ou de uma
tranquilidade que abata as diferenças e talvez dilua os contrastes. O Papa
explicou isso claramente no discurso aos cardeais durante o consistório extraordinário de 7
de janeiro de 2026, quando, ao apresentar a perspectiva conciliar abraçada
pelos pontificados de seus predecessores, falou da atração citando estas
palavras de Bento XVI: «A Igreja não faz proselitismo. Ela se desenvolve,
antes, por “atração”: assim como Cristo “atrai a todos a si” com a força do seu
amor, que culminou no sacrifício da Cruz, também a Igreja cumpre a sua missão
na medida em que, unida a Cristo, realiza todas as suas obras em conformidade
espiritual e concreta com a caridade do seu Senhor». O Papa Leão, depois de
recordar que seu predecessor imediato «se encontrou em perfeita sintonia com
esta abordagem e a repetiu várias vezes em diferentes contextos», acrescentava:
«Hoje, com alegria, retomo-a e a partilho convosco. E convido a mim e a vós a
prestarmos muita atenção ao que o Papa Bento indicava como a “força” que
preside a esse movimento de atração: tal força é a Charis, é a Ágape, é o Amor
de Deus que se encarnou em Jesus Cristo…».
Naquele
discurso, Leão XIV afirmava: «O amor de Cristo nos impele na medida em que nos
possui, nos envolve, nos cativa. Eis a força que atrai todos a Cristo... A
unidade atrai, a divisão dispersa. Parece-me que a física também confirma isso,
tanto no micro quanto no macrocosmo. Portanto, para sermos uma Igreja
verdadeiramente missionária, isto é, capaz de testemunhar a força atrativa da
caridade de Cristo, devemos sobretudo pôr em prática o seu mandamento, o único
que Ele nos deu, depois de ter lavado os pés dos discípulos: “Como eu vos amei,
assim também vós vos ameis uns aos outros”».
As palavras de
Jesus a esse respeito apontam para o cerne da missão: «Nisto todos reconhecerão
que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros». A unidade da Igreja
manifesta-se, portanto, nessa capacidade de viver, pela graça, novas relações
com os irmãos e irmãs. Manifesta-se nessa capacidade de amar-se e perdoar-se
mutuamente, fazendo resplandecer a comunhão que, na experiência cristã
autenticamente vivida, prevalece sobre qualquer diferença e divisão.
Manifesta-se nessa capacidade de superar tensões e conflitos, reconhecendo-nos
todos chamados, todos pecadores perdoados necessitados de misericórdia e servos
inúteis, todos igualmente inundados por um amor infinito que não merecemos.
Manifesta-se na capacidade de viver a sinodalidade, que nada mais é do que a
forma concreta de estar em comunhão na Igreja.
É assim, é
somente quando vive assim, que a comunidade cristã atrai. E atrai quando não é
autocentrada, quando não pensa em brilhar com luz própria ou imita as
estratégias de marketing das agências de publicidade, quando não fomenta a
polarização ideológica. A comunidade cristã atrai, e é, portanto, missionária,
quando reflete, por meio de sua unidade, a luz de Outro, sabendo oferecer a
todos aquele abraço de misericórdia que ela mesma, em primeiro lugar,
experimentou e continua a experimentar dia após dia no encontro com Cristo.
A unidade da
Igreja não é conformismo nem uma vida tranquila, mas o fruto de um amor que nos
envolve e deseja irradiar-se por toda parte, fazendo prevalecer o estar juntos
sobre o protagonismo, a comunhão sobre a divisão, a mansidão sobre a
prepotência, palavras de paz sobre a linguagem de ódio que, infelizmente,
aflige grande parte do mundo digital. A unidade da Igreja não diz respeito
apenas aos cristãos, nem apenas aos crentes. O Papa Leão explicou isso na Missa pelo início de seu ministério
petrino, expressando «o grande desejo» de «uma Igreja unida, sinal de
unidade e de comunhão, que se torne fermento para um mundo reconciliado»,
convidando o mundo a olhar para Cristo, a aproximar-se d’Ele, a ouvir «sua
proposta de amor para nos tornarmos sua única família: no único Cristo, nós
somos um. E este é o caminho a percorrer juntos, entre nós, mas também com as
Igrejas cristãs irmãs, com aqueles que trilham outros caminhos religiosos, com
quem cultiva a inquietação da busca de Deus, com todas as mulheres e homens de
boa vontade, para construir um mundo novo em que reine a paz».
Em um momento
dramático para a história da humanidade, em um mundo dilacerado pelas guerras,
a unidade da Igreja é profecia de paz para todos.
_____________________________________________________________________ Fonte: vaticanews.vaFoto de arquivo: vaticanews.va