sábado, 4 de abril de 2026

Bela catequese sobre a Páscoa:

A ressurreição de Cristo: uma nova existência

A partir das reflexões de Bento XVI, exploramos como o evento pascal inaugura uma nova dimensão do ser e exige de nós um olhar profundo para reconhecer o divino.

A Páscoa é o evento central da fé cristã, mas frequentemente corre o risco de ser mal compreendida em uma visão simplória, como por exemplo, uma simples reanimação de um cadáver. Bento XVI, na obra “Jesus de Nazaré: Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição”, convida-nos a olhar para este mistério não como um evento do passado, mas como uma “mutação decisiva” na história da humanidade. Baseados nesse livro, aprofundemo-nos nesse mistério.

O escândalo do testemunho feminino

Um dos pontos mais intrigantes das “novidades” da ressurreição é a escolha de Maria Madalena como a primeira testemunha. Na tradição jurídica judaica da época, o testemunho das mulheres não era aceito em tribunais; era considerado irrelevante e pouco confiável.

Se a ressurreição fosse uma invenção dos discípulos para convencer o mundo, eles jamais teriam escolhido uma mulher como porta-voz inicial. No entanto, há uma coerência profunda aqui: as mulheres, que permaneceram ao pé da cruz com João enquanto os outros apóstolos fugiam, foram as mesmas que receberam o privilégio do encontro. A fidelidade no sofrimento abriu as portas para a primazia no reconhecimento da Glória. Como os evangelhos narram fatos reais, eles não deixaram de colocar o que era estranho à sociedade da época.

A natureza do corpo ressuscitado

As narrativas evangélicas apresentam uma tensão fascinante entre a corporeidade e a transcendência.

A corporeidade real: Jesus não é um fantasma. Ele caminha com os discípulos de Emaús, convida Tomé a tocar Suas chagas e come peixe diante dos Apóstolos. Isso afirma que a matéria é boa e que a nossa identidade corporal é redimida, não descartada. Um exemplo dessa continuidade é que o Ressuscitado carrega as marcas da crucificação.

A nova existência: Ao mesmo tempo, Jesus atravessa portas fechadas e não é imediatamente reconhecido. Ele não está mais sujeito às leis da física biológica (espaço e tempo) da mesma forma que nós.

Bento XVI enfatiza que Jesus entrou em um “novo gênero de existência”. Ele é o mesmo, mas de uma forma totalmente diversa. Ele agora tem um corpo glorioso, primícias do que teremos também. Esse é um “novo”, difícil de explicar, mas certo em sua composição nas Escrituras.

As teofanias: reconhecer “a partir de dentro”

Para compreender como os discípulos viam o Ressuscitado, podemos olhar para algumas Teofanias (manifestações de Deus) no Antigo Testamento.

Abraão em Mambré: Vê três homens, mas dirige-se a eles como “Meu Senhor”. Há um saber interior que vai além do olhar físico (Gn 18, 1-33).

Josué e o Chefe do Exército: A figura parece um homem comum até que sua identidade divina é revelada pela sua autoridade. Josué vê um homem com uma espada desembainhada na mão. “És tu um dos nossos, ou dos nossos inimigos?”. “Não, mas sou chefe do exército do Senhor” (Js 5, 13-15).

Gedeão e Sansão: Para Gedeão (Jz 6, 11-24) e Sansão (Jz 13), o anjo do Senhor lhes aparece com aspecto de homem, mas é reconhecido como tal quando se esquiva.

Estas foram manifestações que reconheceram o caráter divino de quem ali se apresentava. Mas também havia medo, pois na teologia do Antigo Testamento, acreditava-se que ninguém poderia ver a face de Deus e sobreviver. Com Cristo, foi possível ir mais adiante. Ao olhar para Ele, fazia-se mister ver o Deus e homem, em uma única pessoa. Com Ele era possível ver o próprio Deus frente à frente! Contudo, para isso, a visão externa não bastava. O Ressuscitado exige um reconhecimento a partir de dentro. Só quem tem familiaridade com Ele, quem “sabe quem Ele realmente é”, conseguia vê-Lo. Vejamos o Novo Testamento: assim como os discípulos de Emaús só O reconheceram no “partir do pão”, nós também somos chamados a um encontro que transcende os sentidos físicos.

Proximidade e mistério

A Ressurreição nos deixa duas grandes certezas. Primeiro, a proximidade: Deus não é um motor imóvel distante, mas Alguém que quer ser nosso hóspede, que caminha conosco e partilha da nossa mesa. Deus quer se fazer próximo de mim e de você. Segundo, a necessidade de conversão do olhar: para ver o Ressuscitado, é preciso que o nosso coração esteja iluminado por Ele, para conseguir reconhecer quem Ele é em sua totalidade.

A Ressurreição não é o final de uma história, mas a abertura de um novo horizonte para o que significa ser humano: uma vida que, embora toque a terra, já não pertence mais à morte. Cristo ressuscitou, e com Ele, somos chamados a esse novo também.

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

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                                                      Fonte: vaticannews.va   Imagem: (@Vatican Media

Reflexão para este Sábado Santo:

Ele vive e nos dá vida

Frei Almir Guimarães

Ó maravilha de amor pelos homens!  Em seus pés e mãos inocentes, Cristo recebeu os cravos e suportou a dor; e eu, sem dor nem esforço, mas apenas pela comunhão em suas dores, recebo gratuitamente a salvação. (Das Catequeses de Jerusalém)

Celebrar é tornar atual, conhecida, divulgada alguma coisa, um evento que nos encheu de vida, de alegria, de esperança e de vigor: a chegada de um amigo, a volta de um filho querido depois de gestos de loucura e desvario, a lembrança de um amor que nos foi manifestado no passado. Celebrar a ressurreição de Jesus é fazer de sorte que a vida nova do Mestre seja para nós, hoje, luz para a caminhada, profunda alegria para nossa vida e claridade para o mundo. Importante o “hoje”. Somos chamados a viver a vida nova de Jesus.  Páscoa, festa da vida.  Convite a que vivamos intensamente, e não de maneira queixosa. Na medida em que os anos passam, mesmo sem nenhuma autorização de nossa parte, sentimos, cristãos que somos, que nossa vida se renova.  É proibido envelhecer.  Nossa nudez foi coberta com a veste de Cristo. Somos renascidos, “renatos”.

Vida nova, vida no Senhor. Que bom, na manhã de Páscoa, ouvir Paulo a nos dizer: “Vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo em Deus”. Vida, corpo, sonhos, esperas, anelos, casamento, paternidade, maternidade, coração, contradições, rejeições…tudo está escondido em Cristo Jesus.  A glória da vida sem fim já habita em cada um de nós. Nada de pensamentos de morte.  A vida venceu a morte.

Não nos foi dado de ver o Senhor ressuscitado. Os apóstolos, os discípulos de Emaús, Maria Madalena disseram que o viram.  Tomé, por sua vez, lamentou não tê-lo visto quando ele se tinha manifestado a seus companheiros.  Precisava tocar com seus dedos suas feridas.

Os apóstolos se tornaram testemunhas da ressurreição. Visão?  Visão especial para testemunhar que, por sua pregação e jeito de viver, haveriam de nos dizer que a vida não é banal, que ela não existe para terminar de qualquer jeito. Ele vive, o Senhor vive e nos arrasta num movimento de vida.  Temos a graça de crer em sua presença.  Os que tiveram a graça de vê-lo ressuscitado nô-lo garantem.  Não podemos dizer outra coisa:  somos profundamente felizes por crer na vida do corpo que veio de Maria, do condenado do Gólgota e que as graças da morte do Senhor redundaram em vida para nós que, apesar de toda fragilidade, renascemos nele.  Vida, sempre a vida do Ressuscitado.

Viera da parte do Pai. Tinha querido que os seus desígnios se inscrevessem nos projetos dos homens e das mulheres.  Fez com que compreendêssemos que somente morrendo a nós mesmos renasceríamos na sua vida. Ele havia proposto um novo estilo de viver: os últimos seriam os primeiros, os que lavam os pés dos outros seriam príncipes, irmãos cuidam de irmãos e vivem como irmãos. Quis um mundo de transparência, de reza no quarto, de gestos colocados sem alarido. Pessoas simples.  Nos que assim agem ele continua vivendo.

Ele andou por toda a terra fazendo o bem, curando os que eram presa do mal. Conheceu a perseguição, a condenação, o sofrimento, a morte.  Foi literalmente o grão que morre e que morrendo dá a vida.  Quando seu peito estava para estourar inclinou a cabeça e nos deu o seu Espírito.

Nada da reanimação de um cadáver. É ele, mas reconhecido nos gestos de amor sem limites e no despertar da fé nos corações adormecidos.  Certeza nossa é que ele vive, transfiguradamente. Madalena, os discípulos de Emaús, os apóstolos viram o Senhor. Com seus olhos do rosto? Ou com a luminosidade do olhar da fé que enxerga além da barba, das pernas e do rosto?  Sim, ele está presente.  Presente de modo particular na comunidade dos fiéis que aprenderam a conjugar o verbo amar em todos os modos e tempos, nos sacramentos-sinais onde ele se imiscui, no pão branco e no vinho generoso e nos rostos contorcidos do mais humilde homens da face da terra.

Na segunda leitura desta liturgia, Paulo pede que busquemos as coisas do alto.  A vida espiritual consiste precisamente em buscar as coisas do alto. Um pensamento para terminar: “A vida espiritual do batizado se delineia como dinâmica da espera do Senhor e como vida interior, não exibida nem gritada, mas envolta em discrição e pudor como pedem toda as realidades preciosas”.

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Texto para meditação e reflexão

Explodindo de alegria

Das homilias de Santo Astério, bispo

Alegre-se hoje a Igreja herdeira: Cristo, seu Esposo, depois da Paixão, ressuscitou!  Ela, que chorou por sua paixão, alegre-se por sua ressurreição!

Alegre-se, Igreja-Esposa!   A ressurreição do Esposo te levantou do chão, onde jazias prostrada, e eras pisoteada.  Os pés da cortesã não mais dançam por causa da morte de João Batista, mas os da Igreja calcam a morte. A fé não é mais negada, e todos os joelhos se dobram; cessaram os sacrifícios, e os salmos brotam como flores.  Não é mais a fumaça dos sacrifícios que se eleva, mas o incenso das orações:  Minha oração suba a vós como o incenso (Sl 140,2). As imolações de animais não têm mais valor, depois que foi imolado o Cordeiro que tira o pecado do mundo.

Ó maravilha! A mansão dos mortos devorou o Cristo Senhor e não o digeriu. O leão engoliu o Cordeiro não pôde conserva-lo em seu estômago. A morte sorveu a vida, mas tomada de náuseas, os que anteriormente devorara. O gigante não conseguiu levar Cristo que morria; morto, ele tornou-se terrível para o gigante; lutou com alguém que estava vivo e esse caiu vencido pelo morto.

Um só grão foi semeado e o mundo inteiro alimentado.   Imolado como homem, voltou à vida como Deus, dando a vida ao universo. Como ostra foi esmagado e como pérola adornou a Igreja. Como ovelha foi sacrificado, e como um pastor com o cajado, expulsou com a cruz a tropa dos demônios.  Como uma lâmpada no candelabro, extinguiu-se na cruz e, como sol, levantou-se do túmulo.  Presenciou-se um duplo prodígio: enquanto Cristo estava sendo crucificado, o dia era encoberto pelas trevas; e enquanto ressurgia, a noite brilhava como o dia.

Por que o dia escureceu?  Por que acerca desse dia está escrito:  Das trevas fez o seu esconderijo (Sl 17,2). E por que a noite brilhou como o dia?  Porque o profeta disse: “Mesmo as trevas para vós não serão escuras, a própria noite resplandecerá como o dia” (Sl 138, 12).

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Ó noite mais clara que o dia!  Ó noite mais fúlgida que o sol! Ó noite mais alva que a neve!  Ó noite mais brilhante que os archotes! Ó noite mais deleitável que o paraíso.

Ó noite livre das trevas! Ó noite que repeles o sono! Ó noite que ensinas a vigiar com os anjos! Ó noite terrível para os demônios! Ó noite desejo do ano!

Ó noite que apresentas a Igreja a seu Esposo! Ó noite que geras os recém-nascidos pelo batismo! Ó noite na qual o diabo adormecido foi desarmado! Ó noite na qual o herdeiro introduz a herdeira na herança! (Lecionário Monástico III., p. 21-22)

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Oração da Manhã de Páscoa

Dá-nos, Senhor, a coragem dos recomeços. Mesmo nos dias quebrados, faz-nos descobrir limiares límpidos. Não nos deixes acomodar ao saber daquilo que foi:  dá-nos largueza de coração para abraçar aquilo que é. Afasta-nos do repetido, do juízo mecânico que banaliza a história, pois a desventura de qualquer surpresa e esperança.  Torna-nos atônitos como os seres que florescem. Torna-nos livres, insubmissos. Torna-nos inacabados, como quem deseja e de desejo vive… Torna-nos confiantes como os que  se atrevem a olhar tudo, e a si mesmos, uma primeira vez.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Semana Santa na Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 4 - Sábado Santo

9h às 11h - Atendimento de confissões na matriz

15h -  Celebração das Sete Dores de Maria na Matriz

20h - Vigília Pascal na Matriz, Santo Antônio, São Geraldo e São Francisco (Trazer Vela)

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Dia 5 - Domingo da Páscoa do Senhor Jesus

7h e 9h Missa de Páscoa na Matriz

9h - Celebração de Páscoa nas comunidades São Francisco e São Geraldo

11h - Missa de Páscoa na igreja de Santa Edwiges

18h - Missa de Páscoa na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa de Páscoa na Matriz

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Bela reflexão para esta Sexta-feira Santa:

Venerar e adorar

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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1 - Não estive lá. Vim 2 mil anos depois. Nunca vi aquela cruz na qual Jesus morreu!

2 - Hoje eu apenas venero aqueles dois madeiros, um vertical e o outro horizontal.

3 - Venero-os, mas não os adoro

4 - Também não estive ao pé daquela cruz. Vim 2 mil anos depois. Também nunca vi Jesus que eu creio que ressuscitou e está vivo numa outra dimensão do viver.

5 - Mas a Jesus eu adoro por crer que ele era e é o Filho.

6 - Hoje, às 16 horas, inclinei-me em veneração por uma cruz que lembra aquela cruz na qual Jesus morreu. Dizem que há um pedaço da cruz original em alguma igreja do mundo. Mas nunca estive lá...

7 - Porém eu me inclinei reverente. Porque cruzes lembram Jesus.

8 - Mais tarde subi ao altar da nossa capela e lá adorei, adorei Jesus que creio que está oculto naquela hóstia.

9 - Há quem duvide ou não distinga. Não comunguei aquela cruz de agora, mas comunguei o Cristo que está vivo no sacrário e atua em qualquer coração que o ame e tenha intenção de viver como ele viveu!

10 - Isto: nesta sexta-feira santa, no corredor da capela, eu venerei uma cruz, mas minutos depois eu adorei Jesus e entrei em comunhão com ele!

11 - Foi mais um ato de crente católico nesta Semana Santa de 2026.

Espero que v. também tenha ido fazer o mesmo: Lembrar as dores dele e as dores do mundo atual que está cada dia mais violento!

Oremos por todos os crucificados no nosso tempo! E continuemos nossa semana santa! Pz

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

Domingo de Páscoa:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: At 10,34.37-43

Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio, porque Deus estava com ele. E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos. E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu juiz dos vivos e dos mortos. Todos os profetas dão testemunho dele: ‘Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados’”.

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Responsório: Sl 117(118)

- Este é o dia que o Senhor fez para nós: / alegremo-nos e nele exultemos!

- Este é o dia que o Senhor fez para nós: / alegremo-nos e nele exultemos!

1. Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! / “Eterna é a sua misericórdia!” / A casa de Israel agora o diga: / “Eterna é a sua misericórdia!”

2. A mão direita do Senhor fez maravilhas, / a mão direita do Senhor me levantou. / Não morrerei, mas, ao contrário, viverei / para cantar as grandes obras do Senhor!

3. A pedra que os pedreiros rejeitaram / tornou-se agora a pedra angular. / Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: / que maravilhas ele fez a nossos olhos!

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2ª Leitura: Cl 3,1-4

Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses

Irmãos, se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória.

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Evangelho: Jo 20,1-9

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”. Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Páscoa: o Ressuscitado em nossa vida

Conforme o evangelho da missa da tarde, os discípulos de Emaús estavam desanimados. Tinham pensado que Jesus fosse o Messias revolucionário, que expulsasse o poder romano. Mas foi morto. Passaram três dias, e nada aconteceu. Desistiram de esperar. Não se lembravam de que na Bíblia está escrito: “Depois de dois dias nos fará reviver, no terceiro dia nos levantará” (Os 6,2).

Não havia por que permanecerem abatidos. Após uns três dias, Jesus reviveu para os discípulos, no caminho de Emaús, abrindo-Ihes as Escrituras. Moisés, os Profetas, os Salmos, tudo começou a falar-lhes de Jesus, como para moça apaixonada tudo fala do namorado. Para quem ama Jesus, os textos da Escritura revelam sua lógica: entrar na glória através da cruz. De repente, os discípulos entenderam que este foi o plano de Deus para com Jesus.

Mais ainda lhes falou o gesto do repartir o pão. Tantas vezes Jesus lhes tinha partido o pão, à maneira de um pai de família que o distribui a seus filhos. Tinha feito disso o sinal da partilha de sua própria vida, na Última Ceia. Agora, reconheceram-no ao partir o pão. Então, ele retirou-se da vista deles, mas não do coração…

A memória de Jesus, na Palavra e na Eucaristia, ensina-nos que ele vive conosco. Ele é o centro de nossa vida. Temos que relacionar tudo com ele, enxergar tudo à sua luz, que venceu as trevas, a vida que venceu a morte, a graça que superou a desgraça e o pecado. Isso é vivenciar a ressurreição de Cristo em nossa própria vida, “procurar as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (2ª leitura). A nossa vida velha e abatida morreu, temos uma vida nova escondida lá com ele. Isso transforma nosso modo de viver. Mesmo se exteriormente andamos envolvidos com as lidas e lutas desta sociedade injusta, interiormente já não nos deixamos vencer por ela. Após uns pequenos três dias, experimentamos a presença daquele que venceu a morte. Por isso, vamos viver de cabeça erguida, os olhos fixos em nossa verdadeira vida, que está nele. Se o pecado nos abate, vamos abrir-nos na comunidade, no sacramento. Se a injustiça nos faz morrer, vamos unir-nos em comunidade em torno a Cristo. Isto é Páscoa, nossa ressurreição com Cristo.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

____________________________________________________          Fonte: franciscanos.org.br    Imagem: vaticannews.va    Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

Segundo dia do Tríduo Pascal -

Sexta-feira Santa

A Sexta-feira Santa nasceu como dia da morte de Jesus (dia 14 do mês de Nissan, que caía numa sexta-feira). Trata-se de um dia de luto, acompanhado de "jejum", depois estendido a todas as sextas-feiras do ano.

A liturgia é composta de três momentos: Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Comunhão. Neste dia, por meio desta liturgia, os fiéis são convidados a fixar seu olhar em Jesus Crucificado, que morreu na cruz para cumprir a sua missão salvífica, que o Pai lhe havia confiado: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo".

O profeta Isaías diz: “Ele tomou sobre si os nossos pecados, as nossas dores e sofrimentos, e nós o julgamos castigado por Deus” (Is 52,13-53,12). Com a sua vida, Jesus pagou um alto preço pela nossa desobediência, mas o fez com amor e por amor: “Sendo rico, Jesus se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer com a sua pobreza” (2Cor 8,9).

No contexto desta Sexta-feira Santa, cada um de nós pode ficar diante da cruz e dialogar com o Senhor Jesus sobre os próprios problemas, dramas, sofrimentos. Todas as questões sobre a vida são iluminadas pela Cruz, a ponto de chegarmos a dizer, realmente, que "o coração tem suas razões, que a razão não pode compreender". O Senhor Jesus deve ser acompanhado com amor, até o fim, como Ele o fez.

“Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis aí teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe”. E dessa hora em diante o discípulo a acolheu como mãe. Em seguida, sabendo que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, Jesus disse: “Tenho sede”. Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados embeberam uma esponja no vinagre e, fixando-a numa vara de hissopo, levaram-lhe à boca. Havendo Jesus tomado vinagre, disse: “Tudo está consumado”. Inclinou a cabeça e entregou seu espírito" (Jo 19,25-30).

Comentário em forma de Oração:

Senhor Jesus, Homem da cruz, ao vosso grito de dor, uno a minha dor, meus medos e perplexidades, decepções e o vazio do coração; eu grito a minha necessidade de vós.

Senhor Jesus, Homem da cruz, como sacerdote, apresento-me como intercessor de todos os irmãos e irmãs: ao vosso grito, uno os gritos dos corações, que choram pela morte dos seus entes queridos.

Senhor Jesus, Homem da cruz, ao vosso grito, uno o medo dos doentes e idosos, o cansaço dos agentes da saúde, o esgotamento das famílias, a desconfiança dos jovens, crianças e adolescentes.

Senhor Jesus, Homem da cruz, ao vosso grito, uno a preocupação dos empresários, o temor dos trabalhadores, a apreensão dos professores, a falência das nossas comunidades cristãs arruinadas.

Senhor Jesus, Homem da cruz, acolhei nossos gritos e ouvi-nos. Ensinai-nos a confiar em vosso Pai e nosso Pai e a deixar-nos proteger pelos seus braços amorosos.

Senhor Jesus, Homem da cruz, acolhei nosso grito e ouvi-nos, cientes de que nada acontece fora dos vossos desígnios de amor; ensinai-nos a acreditar que, em vós, tudo tem sentido.

Senhor Jesus, Homem da cruz, entrego-me a vós, confio em vós!

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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Quinta-feira Santa Tríduo Pascal -

 “In Coena Domini” - Na Ceia do Senhor

A Igreja primitiva celebrava o dia de Páscoa, em toda a sua plenitude, apenas na Vigília Pascal até à manhã da Páscoa. Esta festa foi distribuída, gradualmente, em três dias ou tríduo, somente a partir do século IV.

O tríduo começa com a Missa “in Coena Domini” e encontra seu ápice na Vigília Pascal: começa na quinta-feira à noite, porque, segundo os judeus, o dia começava já na noite anterior. Logo, as solenidades e os domingos começavam a ser celebrados, liturgicamente, com as Vésperas do dia anterior; além do mais, na Última Ceia de Jesus, é antecipada, sacramentalmente, a sua doação na Cruz.

Segundo a lei e o costume judaico, Jesus celebrou a festa judaica da Páscoa, com seus discípulos, em memorial da libertação do Povo de Israel da escravidão no Egito.

Durante este banquete, Jesus instituiu a Eucaristia, sacramento da salvação, e o sacerdócio ministerial. Ele não se limitou apenas em pronunciar palavras, mas realizou um gesto, que revela o "sentido" mais profundo do que acabava de celebrar: o lava-pés, ou seja, serviço, amor. Este gesto era usado pelos escravos com seus senhores e convidados: lavar os pés da poeira do caminho. Jesus, por sua vez, quebra esta regra de superioridade e serviço.

Eis a “chave” para compreender e viver a Última Ceia, em obediência às palavras do próprio Jesus: “Fazei isto em memória de mim”. Não se trata apenas de “repetir” os gestos e as palavras da Última Ceia, hoje nossa Eucaristia, mas “fazer isto” também como serviço e amor mútuo, começando pelos excluídos. Eis o verdadeiro sentido da Eucaristia.

Desta forma, a Quinta-feira Santa torna-se um livro aberto, uma escola de fé e sabedoria cristã.

“Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os seus, que estavam no mundo, os amou até o fim. Durante a ceia, quando o demônio já havia lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo, sabendo Jesus que o Pai lhe dera tudo nas mãos, e que havia saído de Deus e para Ele voltaria, levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando uma toalha, cingiu-se com ela... Chegou a Simão Pedro, que lhe disse: “Senhor, quereis lavar-me os pés?”... Respondeu-lhe Jesus: “O que eu faço não pode compreender agora, mas compreenderá depois”. Pedro disse-lhe: “Jamais vos deixarei lavar meus pés!”... Respondeu-lhe Jesus: “Se não os lavar, você não terá parte comigo”. E Simão Pedro exclamou: “Senhor, então não apenas os pés, mas também as mãos e a cabeça”. Disse-lhe Jesus: “Quem tomou banho não precisa lavar tudo, porque está todo puro. Vocês estão puros, mas nem todos”..., pois sabia quem o haveria de trair; por isso, disse que “nem todos estão puros”. Depois de lhes lavar os pés, retomou suas vestes e se sentou novamente à mesa. Então Jesus lhes perguntou: “Sabem o que lhes fiz? Vocês me chamam Mestre e Senhor, e dizem bem, porque eu sou. Logo, se eu, seu Senhor e Mestre, lavei seus pés, também vocês deverão lavar os pés uns dos outros. Dei-lhes o exemplo para que, como eu lhes fiz, assim vocês também deverão fazer" (Jo 13,1-15) .

Comentário em forma de Oração:

Senhor Jesus, antecipastes aos discípulos o vosso supremo ato de amor. Vós os convocastes no andar de cima, onde instituístes o sacerdócio. Tomastes o pão e o vinho, destes graças e os destes a eles. Vós vos levantastes, tiraste o manto, pegaste uma bacia e lavastes seus pés dos discípulos.

Convocar! Compartilhar! Servir! Três movimentos, Senhor, para ensinar-nos a lógica da Eucaristia, a lógica da vida. Três movimentos, Senhor, entrelaçados uns aos outros, que se revelam mutuamente. Onde há Eucaristia, há fraternidade. Onde há Fraternidade, há partilha. Onde há Partilha, há serviço. Onde há serviço, há Eucaristia.

Da cátedra da Eucaristia vós nos ensinastes, Senhor, a arte de nos relacionar, o estilo de compartilhar, a liberdade de servir. Hoje, vós nos convidais à vossa mesa: porém, meu coração me diz que não sou digno; mas Vós, Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, dizeis uma só palavra e serei salvo!

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