sexta-feira, 8 de maio de 2026

6º Domingo da Páscoa:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: At 8,5-8.14-17

Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias, Filipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo. As multidões seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia. E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia. De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados. Era grande a alegria naquela cidade. Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a Palavra de Deus e enviaram lá Pedro e João. Chegando ali, oraram pelos habitantes da Samaria, para que recebessem o Espírito Santo. Porque o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles; apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus. Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.

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Responsório: Sl 65(66)

- Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / cantai salmos a seu nome glorioso!

- Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / cantai salmos a seu nome glorioso!

1. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / cantai salmos a seu nome glorioso, /dai a Deus a mais sublime louvação! / Dizei a Deus: “Como são grandes vossas obras!

2. Toda a terra vos adore com respeito / e proclame o louvor de vosso nome!” /Vinde ver todas as obras do Senhor: / seus prodígios estupendos entre os homens!

3. O mar ele mudou em terra firme, / e passaram pelo rio a pé enxuto. / Exultemos de alegria no Senhor! / Ele domina para sempre com poder!

4. Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: / vou contar-vos todo bem que ele me fez! / Bendito seja o Senhor Deus, que me escutou, † não rejeitou minha oração e meu clamor / nem afastou longe de mim o seu amor!

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2ª Leitura: 1Pd 3,15-18

Leitura da Primeira Carta de São Pedro

Caríssimos, santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência. Então, se em alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo. Pois será melhor sofrer praticando o bem, se essa for a vontade de Deus, do que praticando o mal. Com efeito, também Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito.

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Evangelho: Jo 14,15-21

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós. Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”.

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Reflexão do padre Johan Konings:

A iniciação cristã e a crisma

Continuando nossas reflexões sobre o batismo, consideramos hoje o sacramento da crisma. Antigamente, o dia da crisma era um dia muito especial para as comunidades, quando o bispo vinha “confirmar” as crianças (hoje, muitas vezes, é o vigário episcopal que faz isso). De onde vem esse costume? Na 1ª leitura lemos que o diácono Filipe batizou novos cristãos na Samaria. Depois, vieram os apóstolos Pedro e João de Jerusalém para confirmar os batizados, impondo-lhes as mãos, para que recebessem o Espírito Santo. Assim, os apóstolos predecessores dos bispos, completaram e “confirmaram” o batismo.

Como “alicerces” da Igreja, os apóstolos garantem aos recém-batizados o dom do Espírito, que lhes foi confiado por Cristo (evangelho) e expressam a unidade das igrejas (no caso, a de Jerusalém e a de Samaria). A confirmação do batismo pela imposição das mãos do bispo – sucessor dos apóstolos – tornou-se o sacramento da crisma: completa o batismo e realiza o dom do Espírito Santo. Chama-se “crisma”, isto é, “unção”, porque o bispo unge a fronte do crismado em sinal da dignidade e vocação do cristão. Antigamente era administrado na mesma celebração do batismo e da eucaristia, que com a crisma constituem a “iniciação cristã”.

Quando se introduziu o costume de batizar as crianças, a confirmação e a eucaristia ficaram para um momento ulterior, geralmente no início da adolescência, pelo que a crisma adquiriu o significado de “sacramento do cristão adulto”. O adolescente ou jovem é confirmado na sua fé, pelo dom do Espírito. Agora, ele terá de assumir pessoalmente o que, quando do batismo, os pais e padrinhos prometeram em seu nome. Pois a fé pode ser exigente (2ª leitura). Para a comunidade, a celebração da crisma significa também a unidade das diversas comunidades locais na “Igreja particular” ou diocese, graças à presença do bispo ou do vigário episcopal.

O evangelho de hoje nos ensina algo mais sobre o Espírito que Jesus envia aos seus. Muitos imaginam o Espírito de modo sensacionalista. Ora, Jesus envia o Espírito para que os fiéis continuem sua obra no mundo. Pois o lugar de Jesus “na carne” era limitado, no tempo e no espaço, e os fiéis são chamados a ampliar, com a força do Espírito-Paráclito, a sua obra pelo mundo afora. É este o sentido profundo da crisma, que assim completa nosso batismo.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

 Horários de missa e outros eventos

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Dia 9 - Sábado

19h -  Missa na Matriz

19h - Celebração na comunidade São Geraldo

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Dia 10 - 6º Domingo de Páscoa

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Um ano de Leão:

viagens, apelos pela paz e a missão de pastorear o mundo

O Papa Leão XIV celebra o primeiro aniversário de sua eleição à Sé de Pedro em 8 de maio de 2026. Doze meses marcados por audiências, encontros, mensagens, grandes viagens ao Oriente Médio e à África, pelo Consistório com o Colégio Cardinalício, ajustes e renovações na Cúria Romana e por um compromisso com a paz expresso em vigorosos apelos e pelo trabalho diplomático nos bastidores.

O primeiro Habemus Papam, em 8 de maio de 2025, foi anunciado pela multidão reunida na Praça São Pedro ao ver o primeiro fio de fumaça branca que saiu da chaminé da Capela Sistina. Em seguida, veio o anúncio do Cardeal Protodiácono, às 19h12 locais: "Robertum Franciscum..." Por fim, a aparição do balcão central da Basílica Vaticana às 19h23 locais: vestindo uma murça vermelha, mãos unidas, um leve sorriso, olhos marejados de emoção. Robert Francisco Prévost é o 267º Sucessor de Pedro: Leão XIV.

“Que a paz esteja com todos vocês.”

Ao cair da tarde deste mesmo dia, doze meses atrás, a história bimilenar da Igreja iniciou um novo capítulo com a eleição de um novo Pontífice, escolhido num conclave rápido por 133 cardeais. O primeiro Papa oriundo dos Estados Unidos, nascido 69 anos atrás em Chicago, de espírito peruano depois de mais de 22 anos vividos naquele país latino-americano. Um "filho de Santo Agostinho", proveniente da Ordem Agostiniana, da qual serviu dois mandatos como Prior Geral. Um Papa de origens mistas, especialista em matemática, línguas e Direito Canônico, pároco e bispo de Chulucanas, Trujillo e Chiclayo, e cardeal prefeito do Dicastério para os Bispos. Um Pontífice com uma formação multifacetada, que se dirigiu ao mundo em sua primeira aparição em italiano, espanhol e latim, lendo um texto de sua autoria, no qual a palavra "paz" apareceu dez vezes.

O Papa, após a eleição, no balcão central da Basílica de São Pedro


Esforços pela paz

Por esta paz — "desarmada e desarmante", como ele a definiu em 8 de maio, com uma expressão que se tornou uma marca registrada de seu pontificado — o Papa Leão XIV fez apelos vigorosos ao longo deste ano: de o "Nunca mais a guerra!", no primeiro Regina Caeli do balcão central da Basílica Vaticana, ao apontar o dedo para os senhores da guerra cujas mãos "pingam sangue", durante a missa do Domingo de Ramos (29 de março), e ao denunciar quem é "escravo" da morte "para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe", expresso na Vigília de Oração pela Paz na Basílica de São Pedro, em 11 de abril.

Pela paz, Leão encontrou-se com representantes do Hezbollah no Líbano, recebeu os presidentes da Palestina e de Israel, Abbas e Herzog, para reiterar a ambos a urgência do cessar-fogo em Gaza e da solução de dois Estados, e manteve conversas telefônicas com vários líderes de nações em guerra, incluindo o presidente russo Vladimir Putin, que durante o pontificado anterior do Papa Francisco não havia mostrado nenhum sinal de interlocução.

O Papa durante a procissão de Corpus Christi

Apelos públicos e trabalho "nos bastidores"

Leão XIV promoveu o trabalho diplomático pela paz, talvez menos visível ao público em geral e aos holofotes da mídia, mas fundamental para a nobre causa do bem dos povos, objetivo primordial da Igreja. Esse trabalho acontece "nos bastidores", como ele próprio confidenciou a jornalistas no voo de retorno do Líbano, destino de sua primeira viagem apostólica junto com a Turquia: "Nosso trabalho não é, primordialmente, algo público que declaramos nas ruas; é algo que acontece 'nos bastidores'". É algo que já fizemos e continuaremos a fazer, para tentar, digamos, convencer as partes a abandonarem as armas, a violência e a se reunirem à mesa de diálogo".

O Papa em uma paróquia em Roma


Estas declarações do Papa são a chave para muitas iniciativas lançadas neste primeiro ano de pontificado, começando pela primeira disponibilidade, poucos dias após a sua eleição, de abrir as portas do Vaticano para acolher as negociações entre a Rússia e a Ucrânia. Esta proposta foi recebida com ceticismo por parte dos russos e entusiasmo por parte dos ucranianos, expresso pelo presidente Volodymyr Zelensky, com quem o Papa se encontrou três vezes. Duas dessas ocasiões foram em Castel Gandolfo, onde — após doze anos — Leão XIV retomou o retorno à residência de verão, deixando a Residência Papal como museu aberto ao público e passando a residir na Villa Barberini. Esta residência tornou-se familiar a muitos jornalistas que se encontram com o Papa todas as terças-feiras à noite, depois de ouvirem as suas declarações e observações sobre assuntos da atualidade. Ou apelos, mesmo que breves, mas sempre com o objetivo de instar os "grandes líderes mundiais" a "pôr fim à guerra" e trabalhar pela paz "não com armas", mas "com diálogo", ou a estimular a ação popular, como quando, após o ataque dos EUA ao Irã, ele exortou seus compatriotas estadunidenses a "encontrarem maneiras de se comunicar com os 'membros do Congresso', com as autoridades, para dizer que não queremos guerra, queremos paz!". Essa ação sem precedentes provocou uma reação da administração dos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump criticando duramente o Pontífice no mesmo dia em que ele embarcava para a Argélia, destino, juntamente com Camarões, Angola e Guiné Equatorial, de sua até então viagem apostólica mais longa (13 a 23 de abril). Solicitado por jornalistas no avião, o Papa não respondeu a essas críticas, mas sim recordou seu papel e missão: o de "pastor" e não o de "político". Portanto, "nenhum debate" com Trump, nem "medo" de potenciais ataques daquela administração, mas apenas a missão de proclamar a "mensagem do Evangelho", que infelizmente alguns hoje abusam. Palavras reiteradas recentemente em Castel Gandolfo: "A Igreja proclama o Evangelho, prega a paz. Se alguém quiser me criticar, que o faça com a verdade."

O Papa na prisão de Bata, Guiné Equatorial


A peregrinação africana

O anúncio do Evangelho, como missão primordial do Sucessor de Pedro, Leão XIV reverberou pelas elegantes praças do Principado de Mônaco durante sua viagem em 28 de março, e depois nas ruas, estádios e igrejas dos quatro países africanos que visitou, em meio a filas e plateias de milhares de fiéis em clima de festa, apesar do calor escaldante e das chuvas tropicais. Os apelos do Pontífice por uma paz que "não deve ser inventada, mas sim acolhida" em um território como Bamenda, no noroeste de Camarões, devastado por guerras separatistas. Exortações à fraternidade numa Argélia 90% muçulmana; apelos por justiça — a "verdadeira" justiça que corrige e cura — proferidos na prisão de Bata, na Guiné Equatorial, diante de 630 detentos sob a chuva. E, mais uma vez, orações e invocações pela distribuição justa de recursos e pelo desenvolvimento integral em Angola, um país rico em petróleo e diamantes, onde, no entanto, 50% da população vive em extrema pobreza. O Papa também exortou os jovens a assumirem um papel de liderança, a respeitarem os direitos humanos, a defenderem a dignidade dos pobres e das mulheres e a preservarem a fé, um verdadeiro recurso que ninguém pode saquear. Estas são ideias e motivações para que o continente caminhe de cabeça erguida rumo ao futuro pelo qual os seus povos anseiam.

Leão XIV abraça uma menina durante uma missa em Camarões


A viagem à Turquia e ao Líbano

A viagem à África foi rica em imagens e palavras; uma viagem que Leão XIV desejava fazer, como revelou no voo para Argel, desde o início de seu pontificado, mas que adiou para priorizar a promessa e o desejo de seu antecessor, Francisco. Tratava-se de ir à Turquia para celebrar em Iznik, hoje Niceia, o aniversário de 1.700 anos do Concílio e depois ir ao Líbano para encontrar um povo exausto pela guerra, crises, pobreza, emigração e imigração. Esta também foi uma peregrinação — de 27 de novembro a 2 de dezembro — que revigorou o caminho ecumênico, com inúmeros encontros com o Patriarca Bartolomeu, oferecendo oportunidades de diálogo com líderes de outras religiões e proporcionando preciosos registros. Dentre eles, o Papa em oração silenciosa diante da devastação do porto de Beirute, palco da explosão de 2020, ou o Papa imerso no abraço coletivo de 15 mil jovens libaneses e de outras nacionalidades em Bkerké.

O Papa reza diante do memorial em homenagem às vítimas da explosão no porto de Beirute


Entre os jovens

O Papa Leão viu muitos jovens nos últimos meses, graças às numerosas celebrações do Jubileu da Esperança, aberto por Francisco e concluído por ele em 6 de janeiro, Solenidade da Epifania, com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro. O momento culminante do Ano Santo foi, sem dúvida, o Jubileu dedicado aos jovens, de 28 de julho a 3 de agosto. Mais de um milhão de jovens, rapazes e moças, de diversas idades e origens, lotaram as ruas de Roma durante dias, e depois acorreram à Tor Vergata para a vigília e a missa com o Sucessor de Pedro. Foi um espetáculo de rostos, luzes, cores, bandeiras e celulares prontos para registrar as palavras do Pontífice, que encorajou as novas gerações a não se contentarem com a superficialidade, mas a construírem laços autênticos, superando a hiperconexão e a falta de comunicação, e aspirando à santidade.

Também ficou gravada na memória daqueles dias a surpresa da aparição do Papa num jipe ​​na Via della Conciliazione, na Praça São Pedro, para saudar a multidão reunida para a abertura das comemorações do Jubileu. "Vocês são a luz do mundo!", exclamou o Bispo de Roma na praça. E por falar em surpresas, não podemos esquecer a chegada do Papa a Óstia, no dia 17 de outubro, a bordo do Med25 Bel Espoir, o navio que percorreu os portos do Mediterrâneo transportando 25 jovens de diferentes nacionalidades e religiões. Ele, Leão XIV, estava no leme com eles, os marinheiros da paz, "sinais de esperança" em meio ao ódio e à violência.

Leão carrega a cruz do Jubileu com jovens em Tor Vergata


Rearmamento, violência e o domínio da força

Essa mesma violência que o Papa por vezes descreveu como "diabólica", como afirmou em seu discurso monumental na sessão plenária da Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO), condenando a "lógica da divisão e da retaliação", o comércio de armas que sufoca o desenvolvimento de escolas e hospitais e a "falsa propaganda do rearmamento". Esse apelo foi reiterado com força em sua mensagem para o 59º Dia Mundial da Paz, na qual o Pontífice denunciou "a irracionalidade de uma relação entre os povos" baseada "no medo e no domínio da força", mais do que na justiça, na confiança e no diálogo.

Diálogo é talvez a palavra que mais se repetiu nos discursos, homilias, saudações e reflexões de Leão XIV neste primeiro ano de seu pontificado. O diálogo é a chave para abrir todas as portas fechadas, uma ponte para superar todos os muros. O Papa tem apelado ao diálogo, inclusive dentro da Igreja, para superar essas "polarizações" que criam feridas no corpo eclesial. É o caso das fraturas no Vetus Ordo, pelas quais o Pontífice, como escreveu em mensagem aos bispos franceses, expressou preocupação, ao mesmo tempo que exortou a "soluções concretas que permitam a inclusão generosa de pessoas sinceramente" ligadass ao antigo rito, "de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Concílio Vaticano II sobre a liturgia".

A Via-Sacra no Coliseu


Divisões sobre a Liturgia

O tema da Liturgia também foi proposto entre os quatro temas que Leão XIV apresentou aos mais de 170 cardeais reunidos no Vaticano nos dias 7 e 8 de janeiro para o primeiro, mas não o último (o próximo será em junho), Consistório com os membros do Colégio Cardinalício. Com este evento, o Papa procurou iniciar um método de escuta, trabalho "em conjunto" e colegialidade. Assim, disse ele em seu discurso de abertura, "algo novo pode começar, algo que coloque o presente e o futuro em jogo". Dos quatro temas propostos, os cardeais reunidos durante dois dias no Vaticano votaram por uma clara maioria os temas sobre os quais refletir: Sínodo e Sinodalidade, Evangelização e missionariedade na Igreja, conforme interpretado pela Evangelii Gaudium.

O Papa Leão XIV abençoa a multidão na Praça São Pedro


Atenção aos migrantes

Dois temas representam fortes ligações com o pontificado do Papa Francisco, citado inúmeras vezes por Leão XIV em discursos públicos. Embora o atual Pontífice tenha revisto algumas das decisões de governança de seu antecessor (a reintegração do Setor Central da Diocese de Roma, a supressão da Comissão de Doações à Santa Sé e do Comitê para o Dia Mundial da Criança), ele também concentrou e revitalizou a questão da migração, denunciando o tratamento dispensado a milhares de migrantes: como se fossem "lixo", disse ele em seu discurso aos Movimentos Populares, ou "animais", declarou em sua viagem de retorno da Guiné Equatorial. O Papa irá ver de perto a tragédia migratória e suas consequências em sua visita a Lampedusa em 4 de julho, terra que ainda recorda a histórica visita do Papa Francisco em 2013, e sua parada nas Ilhas Canárias como parte de sua viagem apostólica à Espanha, de 6 a 12 de junho. Além de Madri e Barcelona, ​​o Papa também visitará Gran Canária e Tenerife, em meio ao fluxo de homens e mulheres que chegam a essas costas há anos.

Leão XIV reza no túmulo do Papa Francisco


Dilexi te e o foco nos últimos

A missão do Pontífice para os migrantes está livre de qualquer agenda política, sendo puramente pastoral, fruto de um foco nos últimos que estão no coração do Evangelho e da missão da Igreja. O Papa recordou isso na Dilexi te, a primeira exortação apostólica assinada em 4 de outubro. É um projeto iniciado por Francisco e relançado por Leão XIV sobre o tema do serviço aos pobres, em cujo rosto – lemos – encontramos “o sofrimento dos inocentes”. No texto magisterial, o Papa denuncia a economia que mata, a falta de igualdade, a violência contra as mulheres, a desnutrição, a crise educacional e “as estruturas de injustiça” que “devem ser destruídas com a força do bem”.

O Papa com uma criança doente


Ecumenismo e criação

Outros caminhos abertos por Bergoglio, e nos quais Prevost está trilhando, são os do diálogo, do ecumenismo e do respeito pela Criação. Esse compromisso foi reafirmado durante o momento histórico com os membros da realeza inglesa, Carlos III e Camilla, vivido na manhã de 23 de outubro, na Capela Sistina, onde ocorreu uma celebração em louvor a Deus Criador. Esse evento fortaleceu o caminho rumo à unidade, buscando superar divisões que hoje parecem ainda mais "escandalosas", como reiterou Leão XIV em sua audiência com a arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally, a primeira mulher a ocupar o cargo de Primaz da Igreja Anglicana. Mullally foi recebida em 27 de abril, sessenta anos após o "encontro memorável" entre o arcebispo Michael Ramsey e São Paulo VI, que anunciou o primeiro diálogo teológico entre anglicanos e católicos.

O Papa em Santa Maria de Galeria


Visitas na Itália

Neste primeiro ano na Sé de Pedro — marcado por aproximadamente 50 audiências gerais, cerca de 100 audiências públicas e privadas e mais de 60 missas — também merece destaque a primeira visita do Papa à Itália, a Assis, em 20 de novembro, para a conclusão da Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e a oração no túmulo de São Francisco, no oitavo centenário de sua morte. O Pontífice retornará à cidade da Úmbria em 4 de agosto, no âmbito de suas visitas pelas dioceses italianas em 2026, que começa na sexta-feira, 8 de maio, dia do primeiro aniversário de pontificado, com visitas a Pompeia e Nápoles. Ele visitará então Acerra, na Terra dos Fogos, a já mencionada Lampedusa e Assis, e participará do Encontro de Rimini (o primeiro Papa em quase 30 anos) e da missa com a Diocese de Rimini.

Leão XIV rezando no túmulo de São Francisco em Assis


Reformas da Cúria

Em 2026, o Papa também fez suas primeiras nomeações internas importantes: dois chefes de dicastérios, o arcebispo Filippo Iannone, prefeito para os Bispos, e o arcebispo Anthony Randazzo, prefeito para os Textos Legislativos; o novo substituto da Secretaria de Estado, o arcebispo Paolo Rudelli, que substituiu o arcebispo Edgar Peña Parra, nomeado núncio na Itália; o prefeito da Casa Pontifícia, Petar Rajič; o padre Agostiniano Edward Daniang Daleng, vice-regente da Prefeitura da Casa Pontifícia; o monsegnhor Anthony Onyemuche Ekpo, assessor da Secretaria de Estado; e as nomeações dos arcebispos de Nova York, Ronald Hicks, e de Westminster, Charles Phillip Richard Moth. Por meio de motu proprio, rescritos e quirógrafos, Leão XIV já iniciou o processo de reforma financeira do Vaticano, retirando do IOR seus direitos exclusivos de investimento e introduzindo uma "responsabilidade compartilhada" com a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA). Publicou o novo Regulamento da Cúria Romana e promoveu a inclusão de pessoas com deficiência na comunidade de trabalho da Santa Sé.

O Papa na Praça São Pedro


Rumo ao novo ano

Doze meses, portanto, de sinais e orientações, com algumas diretrizes já evidentes, como a centralidade da missão, a atenção às periferias e a diplomacia ativa em conflitos. Os próximos meses deixarão clara a marca do pontificado, com a publicação da primeira encíclica e outras viagens internacionais, incluindo uma à América Latina, desejada pelo Papa Leão.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

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Fonte: vaticanews.va  Vídeo e fotos: (@Vatican Media)

Rádio Paraisópolis/Paraíso FM - 8 de maio de 1954 – 8 de maio de 2026

Amor de Infância

Final das madrugadas dos últimos anos da década de 50. Acariciando o orvalho que enfeitava o verde de montes e vales, o sol anunciava um novo dia. Colinas e várzeas, antes adormecidas, ganhavam vida com o harmônico coral de centenas de pássaros multicores. Era nesse momento que belos acordes musicais vindos pelas ondas da Rádio Paraisópolis proporcionavam graça e beleza aos dias de paraisopolenses do campo e da cidade.

Fachada da sede da Paraíso FM, 92,3

Eu, ainda criança, já procurava desvendar os primeiros mistérios da existência na pequena comunidade rural em que nasci. Descobria ali as belezas do rádio. Nascia também ali meu amor pela querida emissora.

Cada manhã era nova, com beleza própria na venda de meu saudoso pai. O som da viola caipira e das afinadas vozes sertanejas com a original e bela música raiz davam encanto e brilho aos nossos dias. Nos domingos, declamadores e duplas caipiras dos bairros enriqueciam os concorridos programas de auditório com poemas originais e belas canções.

E eu, um menino da roça, em época distante da cidade, nem imaginava que grande parte da minha vida estaria ligada à emissora que aprendera a amar. No final dos anos 70, comecei a emprestar minhas primeiras e modestas colaborações à sua programação. Apresentação de programas de caráter formativo e evangelizador como “Nos caminhos de Emaús”, ou de debates de ideias durante a Constituinte do final dos anos 80, participação em transmissões externas – ordenações diaconais e presbiterais ou sessões cívicas – e há aproximadamente quinze anos a apresentação, nas segundas-feiras, do tradicional “A Voz da Paróquia”, que mais recentemente tem a participação de minha esposa, fortaleceram os laços do afeto que tenho pela Radio Paraisópolis, verdadeiro amor nascido em minha saudosa infância.

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Destaques históricos

A Rádio Paraisópolis tem uma história muito bonita, escrita por muitas mãos, mentes, corações, vozes e a carinhosa escuta de diversas gerações paraisopolenses, mineiros e paulistas. Registramos apenas alguns dos momentos importantes vividos pela emissora.

A Rádio Paraisópolis foi fundada no dia 8 de maio de 1954 por cinco cidadãos que viam a importância da radiodifusão para a comunicação e o progresso dos pequenos municípios como era o caso de nossa cidade. Foram eles: Ademir de Oliveira, Antônio Costa Pinto, Fernando Ribeiro Penchel, José Lima Santos e Willibaldo Brandão Almeida. A emissora sempre se preocupou em servir seus ouvintes com notícias atualizadas e de utilidade pública e entretenimento. Com o passar dos anos, aperfeiçoou sua programação e passou a fazer reportagens externas dos principais acontecimentos da história local e regional.

Em 1969, A Paróquia São José, por meio de seu pároco, Cônego Benedito Profício, e de seu auxiliar, Padre Ângelo Lázaro Nogara, efetuou a aquisição da Rádio Paraisópolis, emissora AM local, com o objetivo de dar continuidade aos serviços prestados à comunidade pela emissora e torná-la também um importante veículo de formação de valores e evangelização. Surgia a primeira emissora católica da Arquidiocese de Pouso Alegre.

No dia 15 de dezembro de 1980, em atendimento à legislação vigente, o Cônego João Aparecido de Faria criou a Fundação São José do Paraíso, mantenedora da Rádio Paraisópolis. Como pároco, tornou-se o Presidente do Conselho Diretor da nova entidade. Demais membros: Diretor do Departamento de Radiodifusão: Padre Vanir Ramos Barbosa; Diretor Administrativo: Celso Augusto Ribeiro de Carvalho; Diretor de Programação: José Lima Santos; Diretor Tesoureiro: Luiz Gonzaga da Rosa.

No ano de 1982, sob a liderança do pároco, Padre Vanir Ramos Barbosa, foi construída na Travessa Cônego Benedito Profício a sede da Fundação São José do Paraíso e da Rádio Paraisópolis. Muitos foram os que contribuíram para o desenvolvimento da emissora desde sua criação, entre eles, sacerdotes, religiosos e leigos, voluntários, funcionários, patrocinadores e ouvintes associados.

Na sequência, foram presidentes da Fundação São José do Paraíso e muito contribuíram com a emissora os párocos, padre José Dimas de Lima, cônego Braz Tenório Rocha, padre Padre José Setembrino de Melo (Bino), padre Sebastião Márcio Maciel e padre Leandro carvalho.

Diversos vigários paroquiais deixaram também sua marca própria na contribuição prestada aos ouvintes. Por diversos anos, até seu falecimento, o Sr. José Lima Santos, um dos fundadores da emissora, foi seu Diretor Executivo. Registre-se que, excetuando os funcionários, todas as demais funções exercidas, tanto no Conselho Diretor quanto na Rádio, têm caráter voluntário, sem nenhum ônus para a mantenedora.

No início de 2013, Padre Vanir nomeou o então vigário paroquial Padre Sebastião Márcio Maciel, hoje presidente do Conselho, como Diretor Geral da Rádio, dando novo impulso à emissora. Durante diversos anos o diretor administrativo o padre Omar Aparecido de Siqueira.

Hoje a presidência é exercida pelo senhor arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella delgado, C.Ss.R. Representam nossa paróquia no Conselho o pároco da paróquia São José, padre João Bosco de Freitas, o vigário, diácono Lucas Lázaro Carvalho e o professor Luiz Gonzaga da Rosa.

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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Bela e importante catequese:

Uma Igreja que existe para anunciar: voltar ao essencial 

Dom Leomar Antônio Brustolin - Arcebispo Metropolitano de Santa Maria (RS) - Presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB

Há momentos na vida da Igreja em que é preciso parar e perguntar: afinal, para que existimos? Não para manter estruturas, nem apenas para organizar atividades, mas para algo muito mais profundo e decisivo: anunciar Jesus Cristo.

As novas Diretrizes recordam isso logo no início: a missão recebida de Jesus é clara — “Proclamai o Evangelho” (Mc 16,15). Não é uma opção entre tantas. É a identidade da Igreja. Tudo o que somos e fazemos precisa nascer dessa fonte. Quando isso se perde, a pastoral se torna pesada, repetitiva e sem força transformadora.

Mas há um detalhe importante que o texto nos ajuda a perceber: evangelizar não é apenas falar de Deus. É testemunhar a misericórdia que recebemos. Antes de anunciar, a Igreja experimenta. Antes de ensinar, ela acolhe. Isso muda tudo. O anúncio deixa de ser teoria e passa a ser vida compartilhada.

Outro ponto decisivo é este: Jesus Cristo não é apenas o conteúdo da evangelização — Ele é o próprio Evangelho. Isso significa que evangelizar não é transmitir uma mensagem distante, mas tornar presente uma pessoa viva. Jesus continua a caminhar, a falar, a curar, a acolher — agora através da Igreja.

E como Ele evangeliza? As Diretrizes são muito concretas: com palavras e gestos. Ele anuncia o Reino, mas também se aproxima, serve, toca as feridas, busca quem está perdido. Não exclui ninguém. Vai ao encontro de todos. Esse estilo não é secundário — é o próprio caminho da Igreja hoje.

Por isso, as Diretrizes insistem: não basta repetir métodos antigos. Estamos diante de uma mudança de época. O mundo mudou, as perguntas mudaram, e a forma de anunciar também precisa ser renovada. Mas sem perder o essencial: o centro continua sendo Jesus.

Há ainda um chamado forte à conversão. Não apenas pessoal, mas também das relações, dos processos e dos vínculos. Em outras palavras: não basta querer evangelizar, é preciso mudar o modo de ser Igreja. Torná-la mais aberta, mais acolhedora, mais próxima, mais sinodal.

A imagem da “tenda” ajuda a entender isso. Uma Igreja que não é fechada, mas que se alarga. Que escuta mais. Que acolhe melhor. Que permanece firme na fé, mas com as portas abertas para todos.

No fundo, a Introdução das Diretrizes nos coloca diante de uma pergunta simples e exigente: estamos realmente anunciando Jesus ou apenas mantendo a Igreja funcionando?

Se voltarmos ao essencial, tudo se reorganiza. A fé ganha vida. As comunidades se tornam mais missionárias. E a Igreja volta a ser aquilo que sempre foi chamada a ser: sinal vivo do amor de Deus no mundo.

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Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

Editorial do Vatican News - Andrea Tornielli:

Testemunhas do Evangelho através da unidade

O fio condutor do magistério de Leão XIV sobre a missão e as palavras de Jesus: “Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”.

O Papa Leão XIV no papamóvel na esplanada de Saurimo, Angola, em 20 de abril de 2026

A paz e a unidade da Igreja foram os dois temas recorrentes e fundamentais do primeiro ano de pontificado de Leão XIV, que continua a pedir orações por essas intenções. Se a paz se impôs como uma urgência devido à multiplicação de conflitos insensatos e à progressiva erosão do direito internacional, a unidade da Igreja é um fio condutor que atravessa todo o magistério do Bispo de Roma, nascido em Chicago e que se tornou missionário no Peru. A maneira como Leão repetiu seus apelos à unidade dos fiéis em Cristo é particularmente significativa e nada tem a ver com a exigência de “normalidade” ou de uma tranquilidade que abata as diferenças e talvez dilua os contrastes. O Papa explicou isso claramente no discurso aos cardeais durante o consistório extraordinário de 7 de janeiro de 2026, quando, ao apresentar a perspectiva conciliar abraçada pelos pontificados de seus predecessores, falou da atração citando estas palavras de Bento XVI: «A Igreja não faz proselitismo. Ela se desenvolve, antes, por “atração”: assim como Cristo “atrai a todos a si” com a força do seu amor, que culminou no sacrifício da Cruz, também a Igreja cumpre a sua missão na medida em que, unida a Cristo, realiza todas as suas obras em conformidade espiritual e concreta com a caridade do seu Senhor». O Papa Leão, depois de recordar que seu predecessor imediato «se encontrou em perfeita sintonia com esta abordagem e a repetiu várias vezes em diferentes contextos», acrescentava: «Hoje, com alegria, retomo-a e a partilho convosco. E convido a mim e a vós a prestarmos muita atenção ao que o Papa Bento indicava como a “força” que preside a esse movimento de atração: tal força é a Charis, é a Ágape, é o Amor de Deus que se encarnou em Jesus Cristo…».

Naquele discurso, Leão XIV afirmava: «O amor de Cristo nos impele na medida em que nos possui, nos envolve, nos cativa. Eis a força que atrai todos a Cristo... A unidade atrai, a divisão dispersa. Parece-me que a física também confirma isso, tanto no micro quanto no macrocosmo. Portanto, para sermos uma Igreja verdadeiramente missionária, isto é, capaz de testemunhar a força atrativa da caridade de Cristo, devemos sobretudo pôr em prática o seu mandamento, o único que Ele nos deu, depois de ter lavado os pés dos discípulos: “Como eu vos amei, assim também vós vos ameis uns aos outros”».

As palavras de Jesus a esse respeito apontam para o cerne da missão: «Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros». A unidade da Igreja manifesta-se, portanto, nessa capacidade de viver, pela graça, novas relações com os irmãos e irmãs. Manifesta-se nessa capacidade de amar-se e perdoar-se mutuamente, fazendo resplandecer a comunhão que, na experiência cristã autenticamente vivida, prevalece sobre qualquer diferença e divisão. Manifesta-se nessa capacidade de superar tensões e conflitos, reconhecendo-nos todos chamados, todos pecadores perdoados necessitados de misericórdia e servos inúteis, todos igualmente inundados por um amor infinito que não merecemos. Manifesta-se na capacidade de viver a sinodalidade, que nada mais é do que a forma concreta de estar em comunhão na Igreja.

É assim, é somente quando vive assim, que a comunidade cristã atrai. E atrai quando não é autocentrada, quando não pensa em brilhar com luz própria ou imita as estratégias de marketing das agências de publicidade, quando não fomenta a polarização ideológica. A comunidade cristã atrai, e é, portanto, missionária, quando reflete, por meio de sua unidade, a luz de Outro, sabendo oferecer a todos aquele abraço de misericórdia que ela mesma, em primeiro lugar, experimentou e continua a experimentar dia após dia no encontro com Cristo.

A unidade da Igreja não é conformismo nem uma vida tranquila, mas o fruto de um amor que nos envolve e deseja irradiar-se por toda parte, fazendo prevalecer o estar juntos sobre o protagonismo, a comunhão sobre a divisão, a mansidão sobre a prepotência, palavras de paz sobre a linguagem de ódio que, infelizmente, aflige grande parte do mundo digital. A unidade da Igreja não diz respeito apenas aos cristãos, nem apenas aos crentes. O Papa Leão explicou isso na Missa pelo início de seu ministério petrino, expressando «o grande desejo» de «uma Igreja unida, sinal de unidade e de comunhão, que se torne fermento para um mundo reconciliado», convidando o mundo a olhar para Cristo, a aproximar-se d’Ele, a ouvir «sua proposta de amor para nos tornarmos sua única família: no único Cristo, nós somos um. E este é o caminho a percorrer juntos, entre nós, mas também com as Igrejas cristãs irmãs, com aqueles que trilham outros caminhos religiosos, com quem cultiva a inquietação da busca de Deus, com todas as mulheres e homens de boa vontade, para construir um mundo novo em que reine a paz».

Em um momento dramático para a história da humanidade, em um mundo dilacerado pelas guerras, a unidade da Igreja é profecia de paz para todos.

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Fonte: vaticanews.va  Foto de arquivo: vaticanews.va