segunda-feira, 23 de março de 2026

Coleta Nacional da Solidariedade -

a caridade quaresmal 

Dom Leomar Antônio Brustolin- Arcebispo de Santa Maria (RS)

A Campanha da Fraternidade, vivida anualmente pela Igreja no Brasil durante a Quaresma, nasceu como um caminho pastoral que une oração, reflexão e compromisso concreto com a vida do povo. Inspirada pelo Evangelho e pela tradição da Igreja, ela expressa o desejo de viver a conversão cristã também em sua dimensão social e comunitária. 

Comunhão, conversão e partilha 

Desde suas origens, a Campanha da Fraternidade assumiu três dimensões inseparáveis: comunhão, conversão e partilha. Comunhão, porque convida toda a Igreja a caminhar unida na busca de uma sociedade mais fraterna. Conversão, porque chama os cristãos a se deixarem transformar pelo Evangelho, revisando critérios, atitudes e estilos de vida. E partilha, porque a fé em Cristo não pode permanecer apenas no plano das palavras, mas precisa traduzir-se em gestos concretos de solidariedade. 

Nesse contexto, a Coleta Nacional da Solidariedade, realizada nas celebrações do Domingo de Ramos, torna-se um dos sinais mais visíveis desse compromisso. Ela não é apenas uma arrecadação financeira, mas um gesto eclesial que expressa a responsabilidade comum de cuidar da vida e da dignidade humana. Trata-se de uma partilha que nasce da consciência cristã e da adesão ao chamado do Evangelho. 

A Campanha da Fraternidade surgiu, inicialmente, também como uma coleta destinada a sustentar a ação sociocaritativa da Igreja no Brasil. Ao longo de mais de seis décadas, essa prática permaneceu fiel à sua inspiração original. A Coleta da Solidariedade continua sendo um gesto concreto que une comunidades, paróquias e dioceses em todo o país. 

Um gesto concreto que transforma realidades  

Do valor arrecadado, 60% permanecem na própria (arqui)diocese, constituindo o Fundo Diocesano de Solidariedade, destinado ao apoio de projetos sociais que respondem às necessidades locais. Os outros 40% são destinados ao Fundo Nacional de Solidariedade, administrado pela CNBB, que apoia iniciativas em diversas regiões do Brasil. Dessa forma, a partilha realizada nas comunidades transforma-se em ações concretas de promoção humana, de cuidado com os mais vulneráveis e de defesa da vida. 

Mais do que uma coleta, trata-se de um verdadeiro processo de formação da consciência cristã. A Campanha da Fraternidade procura despertar o espírito comunitário, educar para a fraternidade e renovar o compromisso dos fiéis com a construção de uma sociedade justa e solidária. 

O Concílio Vaticano II recorda que a penitência quaresmal não deve ser apenas interior e individual, mas também externa e social (Sacrosanctum Concilium, 110). A Coleta da Fraternidade expressa justamente essa dimensão da conversão cristã: reconhecer que nossa fé em Cristo nos impele a cuidar dos irmãos e irmãs, especialmente dos mais pobres. 

Assim, ao participar desse gesto no Domingo de Ramos, os cristãos unem sua oferta ao mistério pascal de Cristo. A partilha torna-se sinal concreto de que a Páscoa já começa a transformar o mundo por meio da caridade, da justiça e da solidariedade. 

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                                                                                                           Fonte: cnbb.org.br   

domingo, 22 de março de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 24 - Terça-feira

15h -  Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h - Celebração na comunidade da Penha

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Dia 25 - Quarta-feira

19h - Missa votiva em louvor a São José na matriz

19h - Celebração na comunidade da Ponte do Neneco

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Dia 26 - Quinta-feira

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração na comunidade dos Moreiras

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 Dia 27 - Sexta-feira

5h30 - Missa, procissão da penitência e Oração das Mil Misericórdias na matriz

14h às 17h - Mutirão de confissões na matriz

19h - Mutirão de confissões na matriz

19h - Celebração na comunidade dos Inácios

19h - Celebração na comunidade do Uruguaia

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

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Dia 28 - Sábado

14h às 17h - Formação sobre a Semana Santa no Centro Pastoral São José

19h - Celebração penitencial na matriz (Trazer vela)

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Dia 29 - Domingo de Ramos

8h - Bênção de Ramos na praça Cel. José Vieira (praça da concha acústica), procissão e missa na matriz

9h - Celebração com Bênção de Ramos nas comunidades São Francisco e São Geraldo

11h - Bênção e missa de Ramos na igreja de Santa Edwiges

15h - Celebração com Bênção de Ramos nas comunidades do Goiabal, da Serra dos Pereira e do Uruguaia

18h - Bênção e missa de Ramos na igreja de Santo Antônio

19h - Missa de Ramos na matriz

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Lembrete: nas missas e celebrações, será feita a Coleta da Solidariedade - Gesto concreto da Campanha da Fraternidade e da Quaresma

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Leão XIV no Angelus deste domingo:

libertar-se do sepulcro do materialismo,
pois fomos feitos para Deus

Ao comentar o episódio da ressurreição de Lázaro, proposto pela Liturgia desta V domingo de Quaresma, Leão XIV recorda que no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade não há vida, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

"Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus": palavras de Leão XIV ao rezar com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a oração do Angelus neste quinto domingo da Quaresma.

A Liturgia propõe o Evangelho da ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11, 1-45), que o Pontífice comenta como um sinal que fala da vitória de Cristo sobre a morte e do dom da vida eterna que recebemos com o Batismo. "Hoje, Jesus diz também a nós, tal como a Marta, irmã de Lázaro: «Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre» (Jo 11, 25-26)."

Assim, explica o Papa, a Liturgia convida os fiéis a reviver, na Semana Santa que se aproxima, os acontecimentos da Paixão do Senhor para compreender o seu sentido mais autêntico e nos abrir ao dom da graça que eles encerram.

Tempo chuvoso no primeiro domingo de primavera em Roma


Fama e bens materiais não saciam nossa sede de infinito

Na verdade, é em Cristo Ressuscitado que tais acontecimentos encontram o seu cumprimento. A sua graça ilumina este mundo que, afirma o Santo Padre, parece estar em constante busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas importantes, como tempo, energias, valores, afetos. "Como se a fama, os bens materiais, os divertimentos e as relações passageiras pudessem preencher o nosso coração ou tornar-nos imortais", diz ainda o Papa, recordando que não é no efêmero que podemos confiar a nossa necessidade de infinito.

“Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus e não encontramos paz enquanto não descansarmos Nele (cf. Confissões, I, 1.1).

Libertar-se dos sepulcros que nos desorientam

A narrativa da ressurreição de Lázaro, portanto, nos convida a estar atentos a essa necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, libertar os nossos corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar que, como grandes pedras, "nos aprisionam no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade". Nestes lugares não há vida, afirmou o Santo Padre, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.

Eis então que Jesus ordena também a nós: «Vem cá para fora!» (Jo 11, 43), encorajando-nos a sair desses espaços confinados para caminharmos na luz do amor, como mulheres e homens novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites. Leão XIV então conclui:

"Que a Virgem Maria nos ajude a viver assim estes dias santos: com a sua fé, com a sua confiança, com a sua fidelidade, a fim de que também para nós se renove, todos os dias, a experiência luminosa do encontro com o seu Filho ressuscitado."

Maratona de Roma

Ao final do Angelus, o Pontífice saudou os atletas provenientes de todo o mundo que participaram este domingo da "Maratona de Roma": "Este é um sinal de esperança! Possa o esporte traçar sendas de paz, de inclusão social e de espiritualidade".

Atletas passaram diante da Praça São Pedro

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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                                           Fonte: vaticannews.va   Vídeo e fotos: (@Vatican Media

Reflexão para este domingo:

Chorar e confiar

José Antonio Pagola

Acontece o mesmo com todos nós. Não queremos pensar na morte. É melhor esquecê-la. Não falar disso. Continuar vivendo cada dia como se fôssemos eternos. Já sabemos que isto é um engano, mas não conseguimos viver de outra maneira. Seria insuportável para nós.

Mas, a qualquer momento, a enfermidade vem sacudir-nos da inconsciência. Nos nossos dias é cada vez mais frequente uma experiência antes desconhecida: a espera pelos resultados dos exames médicos. Qual será o diagnóstico? Negativo ou positivo? De repente descobrimos ao mesmo tempo a fragilidade de nossa vida e nosso desejo enorme de viver.

Se o tumor for benigno, um alívio: podemos continuar com nossas ilusões e projetos. Se for maligno, desabamos: por que agora, por que tão depressa, por que tenho que morrer? Sempre é assim. Seja qual for a nossa ideologia, nossa fé ou nossa postura diante da vida, todos teremos que enfrentar esse final inevitável. Diante da morte, sobram as teorias. O que podemos fazer: rebelar-nos, ficar deprimidos ou simplesmente enganar-nos? Diante da morte, Jesus fez duas coisas: chorar e confiar em Deus.

Em Betânia morreu seu amigo Lázaro. Ao ver sua irmã chorar e os que a acompanhavam, Jesus, profundamente comovido, se põe a chorar. As pessoas comentam: “Vede como Ele o amava!” É sua primeira reação: pena, compaixão e pranto. Jesus sofre ao ver a distância enorme que há entre o sofrimento dos seres humanos e a vida que Deus quer para todos eles.

Mas Jesus tem fé no Pai: “Esta enfermidade não acabará em morte”. É sua segunda reação: uma confiança total em Deus. Um dia Lázaro morrerá. O próprio Jesus terminará seus dias executado numa cruz. Ninguém escapa da morte. Mas Deus, amigo da vida, é mais forte do que a morte. Temos que confiar nele.

Inevitavelmente, um dia nossas análises médicas nos indicarão que nosso fim está próximo. Será duro. Certamente vamos começar a chorar. Nossos familiares e amigos mais queridos chorarão conosco sua aflição e impotência. Mas, se cremos em Jesus Cristo, poderemos dizer com fé: “Nem sequer esta enfermidade acabará em morte”, porque Deus só quer para nós vida, e vida eterna.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 21 de março de 2026

Leia, reflita e pense. Vale a pena!

Curvados, mas não entortados!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Em São Paulo existe um templo católico no qual um arquiteto imaginou Jesus carregando a cruz nos ombros; no caso, a paróquia vive a mística de quem vive levando a cruz de quem sofre. A cruz não está reta, mas curvada; curvada, mas não torta!

Catolicismo curvado não é catolicismo torto. Jesus e Simão Cireneu subiram o Calvário curvados, mas não entortados.

Erram feio os pessimistas que gostam de acentuar que nossa Igreja perdeu o rumo e entortou. Vivem querendo endireita-la achando que a maioria entortou, só eles estão retos e corretos.

Você vê isso todos os dias, ao abrir sua TV ou seu celular. Os consertadores da fé católica, do pós-concílio, dos Papas, da CNBB e quem não é do seu viés político vivem jogando sua insatisfação contra a Igreja de agora, e tentando “consertar” o que, para eles, entortou!…

Definitivamente não gostaram nem de João XXIII, Paulo VI, João Paulo II e Francisco de Buenos Aires. E agora olham Leão XIV com olhar vigilante… Se tivessem vivido no Século XIII também teriam deposto Francisco de Assis. Também ele sofreu dura oposição!

Jesus se curvou para escrever algo no chão, enquanto defendia a mulher em perigo de morrer a pedradas. Onde estava o homem? Adulterou sozinha?

Então a mulher ficou em pé e Jesus se curvou. Deveria ser o contrário, mas não foi.

Imaginem a cena!

Ao se levantar, o mestre lança um repto: - Comecem a apedrejá-la! Mas o primeiro de vocês machistas, que pegar uma pedra vai ouvir o que não quer. Vocês sabem que eu sei quem vocês são e conheço o seu passado! A fama do profeta de Nazaré chegara até eles. Nenhum deles ousou enfrentar Jesus. Saíram de mansinho. A mulher foi salva, mas não sem a advertência: mude de vida!

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Jesus se curvou várias vezes, mas nem por isso se entortou! Ele tinha prumo e rumo. Assim deveria ser nossa Igreja e assim nós deveríamos ser!

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Talvez os tortos sejam os que vivem entortando e deturpando tudo que lhes agrada, porque acham que já acharam tudo! Politicamente nem a direita, nem o centro, nem a esquerda estão corretos ou retos. Vivem das vantagens da política ou da fé!

Jesus se curvou, mas não era torto. Porém nenhum de nós, porém, é tão reto e correto quando achamos que temos resposta para tudo.

Jesus as tinha, mas nós não! Erramos! Somos todos pecadores! Quem levanta a voz ao microfone corrigindo os desvios dos outros, frequentemente esquece de recitar o KYRIE da missa. Senhor, tende piedade de nós porque SOMOS PECADORES!

Curvados sim, mas não entortados. Aquele templo em São Paulo faz pensar: - Sejamos católicos que se curvam para ajudar, mas nunca católicos de mentes ou corações tortos. Achemos nosso rumo e nosso prumo. Pz

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

Reflita com frei Almir Guimarães:

Aquele que veio nos dar vida

“Lázaro,  vem para fora!”

O  homem de hoje,  como o de todas as épocas,  traz cravada em seu coração a pergunta mais inquietante e  mais difícil de responder:  o que vai ser de todos e de cada um de nós?  É inútil tentar enganar-nos. O que podemos fazer diante da morte? Rebelar-nos?  Ficar deprimido? (Pagola)

À beira do fim,  há sempre  tanta coisa que começa. (José Tolentino Mendonça)

 Estamos para terminar o tempo da Quaresma. Desde a segunda metade de fevereiro, vivenciamos um retiro espiritual que nos permite avaliar nossa caminhada  como seres humanos, como peregrinos de uma vida em plenitude e como discípulos  de Jesus. Será que a expressão “discípulos de Jesus” no diz alguma coisa?  Ou  discípulos missionários? Semana após semana  fomos e estamos nos preparando  para renovar nossas promessas batismais na  noite da vigília pascal, tradicional noite dos batismos,  da iluminação de  homens e mulheres que  quiseram e querem  nascer para Deus. A samaritana e sua sede, o cego que passa a enxergar,  a vida na ressurreição de Lázaro que hoje ouvimos.  Tudo pode  fazer nascer e alimentar  em nós o homem.

 Jesus costumava passar momentos de felicidade em casa  de  Marta, Maria e Lázaro.  Aquela casa era para ele um oásis de paz. Quando não perambulava em suas andanças, gostava de se recolher ali.  Assim,  Éloi Leclerc examina o quadro do encontro de Jesus  com a morte de seu  “amigo”:  “Jesus se sentiu  profundamente abalado com a morte repentina de Lázaro e  a dor experimentada por suas duas irmãs.  A  notícia despedaçou-lhe o coração.  E deixou  transparecer o sentimento.  Quando se encontrou  com as irmãs do amigo  morto, a sua comoção foi tal  que não pode conter as lágrimas.  Daí o comentário de alguns: “Vejam como era amigo dele”.  A  humanidade de Jesus não era uma  humanidade de fachada.

 Morte, realidade incontornável. Morte de corpos doentes, cansados e gastos. Coração sem força,  pulmões sem ar,  falência múltipla dos órgãos,  palidez.   Lá se foi o sangue.  Lá se foram as cores.  Fim de sonhos e de projetos. Realidade que nos amedronta.  Nossos tempos evitam de falar no tema.  Somos incapazes de derrotá-la.  Somos pó e ao pó  voltamos.  Mas somos pó com o sopro do Espírito.

 Morte do corpo, morte do homem velho, morte de ilusões,  morte de amizades,  morte de afetos de que andávamos precisando,  morte do  jovem que éramos,  grão que morre para dar vida.  Estamos sempre nesse processo misterioso de morte e vida.  Não sabemos  administrar a morte.  Certo  que esse desejo de vida que borbulha em nós  não pode ser ilusório.  Ficamos extasiados com a vida:  a vida da criança de bochechas rosadas,  a vida  recuperada pelo amigo,  a vida das quaresmeiras.  Quantos tipos de vida.  E há essa saudade de viver  com a Vida com vê maiúsculo.  Somos fadados a viver.

 “Jesus fixou seus olhos em Marta, aquele olhar que não se limita a pousar na superfície dos seres, mas penetra até o fundo.  Via bem como ela se sentia dilacerada e recusava violentamente a separação, e o seu desejo de uma vida isenta de morte e das consequentes rupturas.  E, para além  do desespero de Marta, via a humanidade inteira, o imenso mar  humano a soerguer-se, na sua ânsia de vida, como um vagalhão enorme  que no entanto se esboroava contra o muro intransponível da morte”.

 Jesus opera um sinal. Em estilo dramático  João descreve a cena.  Manda que tirem a pedra.  Os circunstantes advertem que o  morto já cheira mal  Jesus ergue os olhos para o Pai.  Com voz forte,  grita: “Lázaro, vem para fora!” O morto tem as mãos e os  pés atados e o rosto envolto num sudário. O morto sai.   Trata-se de um sinal que  Jesus coloca  para anunciar a vitória da  vida sobre a morte que está para acontecer  em sua ressurreição,  sua morte pascal.  Jesus havia chorado  diante do sepulcro. Não estaria ele pensando em sua próxima e violenta morte?  E derramando lágrimas por antecipação?

 Soam retumbantemente aos  nossos ouvidos  as palavras   que  Jesus dirigiu a Marta:  “Eu sou a ressurreição e vida.  Quem crê em mim,  mesmo que morra, viverá e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá.  Crês isto,  Marta?”  Na sepultura fria ou no ato da cremação vidas desaparecem.  Os cristãos andam dizendo a todos através dos tempos que a vida não é tirada,  mas transformada. Os seres que agora sepultamos sepultamos vivem de outro modo no universo de Deus.  Com sua individualidade   continuam a viver na comunhão dos santos.  “Crês isto, Marta?”

  Esses corpos  criados à imagem e semelhança de  Deus,  corpos marcados pelo batismo  renovado ao longo de toda a vida,  apontam para a  Vida. “A vida deles é incomparavelmente mais         intensa do que a nossa. Sua alegria não tem fim. Sua capacidade de amar não conhece limites nem fronteiras.  Não vivem separados de nós, mais muito dentro de nosso ser como nunca.  Sua presença transfigurada e seu carinho nos acompanham sempre”  (Pagola).

 Recentemente, Hans Küng, o teólogo mais crítico do século XX, próximo  já de seu final, disse que, para ele, “morrer é descansar  no mistério da  misericórdia de Deus.

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Oração

Tu estás perto,   Senhor.

Estás sempre nos oferecendo  teu amor.

Perdão por nossa falta de fé. 

Respeitas nossa liberdade, caminhas conosco,

sustentas nossa vida e não nos damos conta.

Perdão pela nossa mediocridade.

Tu nos ajudas a conhecer-nos,

nos falas como a filhos,

nos animas a viver, e não te escutamos.

Perdão por nossa falta de acolhida.

Tu nos amas com ternura,

queres o melhor para nós,

e não  te agradecemos.

Perdão por nossa ingratidão.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Padre Roberto Pasolini na terceira meditação da Quaresma:

o Evangelho não se anuncia para vencer, mas para encontrar

Na Sala Paulo VI, o pregador da Casa Pontifícia reflete sobre São Francisco e lembra que anunciar Cristo com humildade, e não com superioridade, é a verdadeira autoridade na evangelização.

Agir com humildade, aceitando depender da sensibilidade dos outros, preparar o terreno para o encontro com Jesus, não oferecer respostas prontas, mas suscitar perguntas, deixar espaço para o diálogo, prontos para acolher o bem do outro num “dinamismo de amor”. Trata-se de um caminho articulado e rico de inspirações, centrado na evangelização a partir da experiência espiritual de São Francisco. É o que o pregador da Casa Pontifícia, padre Roberto Pasolini, propõe em sua terceira meditação sobre o tema: “A missão. Anunciar o Evangelho a toda criatura”, nesta manhã (20/03), na Sala Paulo VI, na presença do Papa Leão XIV.

O anúncio do Evangelho, enfatiza o capuchinho, não deve ser feito “a partir de uma posição de superioridade ou de controle”, pois isso correria o risco de traí-lo.

A nossa autoridade não nasce do nosso cargo, mas de uma vida que aceita entrar nesse dinamismo de amor. Foi o que Francisco intuiu ao chamar seus frades de “menores”: atribuindo-lhes não um título, mas um modo concreto de estar no mundo. É justamente essa pequenez, essa humildade vivida, que torna fecundo o anúncio do Evangelho. 

O Evangelho toma forma na vida

A missão, cumprimento da conversão e da fraternidade, nasce “do desejo de compartilhar com os outros a experiência e o anúncio do Evangelho”, mas tudo provém da Palavra. “Não se pode falar verdadeiramente, afirma padre Pasolini, daquilo que ainda não criou raízes na própria vida”.

Não se pode permanecer “abrigado”, mas “é preciso paciência: guardar aquilo que vimos e ouvimos, deixá-lo amadurecer na oração, até que, sublinha, se torne vida antes mesmo de se tornar palavra”. Atenção à tentação de “usar as coisas de Deus para buscar aprovação ou reconhecimento”: é preciso proteger o que é precioso, deixá-lo amadurecer e depois transformá-lo em testemunho.

“Cristo não é uma informação a ser transmitida, mas um mistério que habita a humanidade e pede para ser reconhecido, para que possa emergir na vida. O Evangelho não se comunica como uma simples notícia; oferece-se como uma vida que lentamente toma forma.”

Como um renascimento

Padre Pasolini recorre a um exemplo eficaz para explicar como a presença de Deus no coração humano transforma a vida e a relação com os outros: “É a experiência de uma mãe: primeiro ela traz o filho dentro de si, dá-lhe tempo para crescer, e só depois o dá à luz. Assim também é a fé. Primeiro Cristo ocupa espaço dentro de nós, em silêncio, na oração, nas escolhas cotidianas. E só depois pode aparecer exteriormente, nos gestos e na forma como nos relacionamos com os outros”.

A humanidade do outro

Partir sem seguranças, preparando um encontro que o próprio Jesus deseja realizar. “Não somos nós o centro do anúncio, explica o capuchinho, mas o rosto de Deus que podemos, com simplicidade, tornar transparente e acessível”. É um movimento claro: deixar-se acolher e depois anunciar, reconhecendo o valor do outro. “Significa levar a sério a sua humanidade, a sua capacidade para o bem, a sua disponibilidade”.

A pobreza real

Para isso é necessária “uma pobreza real”, ressalta o pregador: “apresentar-se sem ter tudo e sem controlar tudo, aceitar depender também da bondade e da sensibilidade dos outros, e perceber que o Reino de Deus já está presente, de maneira oculta, também na vida de quem ainda não o conhece”.

Evangelizar, nessa perspectiva, significa dizer aos outros, mesmo sem dizer nada, que é bom que existam, que a sua vida tem valor. Não para confirmá-los simplesmente no que já são, mas para acompanhá-los a reconhecer, pouco a pouco, a verdade e a beleza que carregam dentro de si, sem pressa de conduzi-los às nossas ideias.

Pasolini recorda as palavras do Papa Francisco sobre a evangelização: “a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração”, isto é, quando “a nossa presença não sufoca a liberdade do outro, mas a desperta”. 

Palavras abstratas não convencem ninguém

Reconhecer no outro a presença de Deus e aproximar-se com respeito: estas são as condições essenciais para o diálogo. “Não se trata apenas de saber falar, mas antes de tudo de saber escutar. E, quando chegar o momento, saber comunicar as palavras de esperança que vêm de Deus”. Não dar respostas imediatas, mas saber esperar pelas perguntas, porque é Deus quem “completa o nosso pobre testemunho”.

Padre Pasolini recorda o episódio dos bandidos que viviam perto dos frades acima do Borgo de San Sepolcro; uma convivência difícil que levou Francisco a uma verdadeira iluminação: oferecer-lhes pão e vinho e, depois, anunciar Deus. Só assim os bandidos podem mudar de vida, porque experimentam “acolhimento, respeito e confiança”. O que realmente prepara o encontro é o caminho a ser trilhado juntos, que leva as pessoas a se questionarem: “essas perguntas, acrescenta o pregador, já são um lugar onde Deus está presente e em ação”.

“Quando as palavras nascem de uma experiência real, elas chegam aos outros. Quando permanecem abstratas e impessoais, não convencem ninguém, nem mesmo nós que as pronunciamos. Anunciar o Evangelho significa aproximar-se com respeito da vida dos outros e reconhecer que, na complexidade de suas histórias, já existe uma busca de sentido, de bem e de verdade.”

Preservar a diferença

Um episódio central na vida de São Francisco é o encontro com o sultão do Egito, Al-Malik al-Kamil, durante a Quinta Cruzada. “À primeira vista, explica o capuchinho, pouco parece acontecer: o sultão não se converte e Francisco não encontra o martírio que procurava”. Mas aquele encontro torna-se terreno de diálogo e crescimento. O frade de Assis apresenta-se “simples, pobre, sem defesas”. “Não procura impor a própria ideia, mas coloca-se diante do outro tal como é”. O sultão reconhece nele “a pobreza e a humildade de Cristo”, não se sente atacado nem questionado, e por isso se abre. O milagre é que dois homens, em meio à guerra, descobrem a humanidade um do outro e se deixam em paz.

O Evangelho não se anuncia para vencer, mas para encontrar. O outro não é um alvo a ser atingido, mas um limiar diante do qual se para, esperando ser acolhido. Evangelizar não significa reduzir a distância a qualquer custo, mas atravessá-la sem anulá-la, preservando a diferença como o espaço onde Deus continua a agir no coração de cada um. 

Uma vida a ser encontrada

Encontrar o outro significa não apenas dar, mas também receber. Nessa atitude de “radical abertura ao outro”, Francisco recomenda aos seus frades que sejam “submissos” diante de pessoas de diferentes crenças. Submissão, esclarece padre Pasolini, não significa perder a própria identidade, nem resignar-se por fraqueza diante do outro.

Trata-se de uma escolha livre de respeito e diálogo. Significa reconhecer que o outro não é um terreno a ser conquistado, mas uma vida a ser encontrada, respeitada e acolhida. Quem aceita posicionar-se assim permite que o outro se abra, emerja, mostre-se como é. Esse modo de se colocar já é, por si só, um ato profundamente evangélico. 

O Mistério de Deus

“Deus não se impôs ao homem, afirma o capuchinho, mas lhe deu espaço. Não guardou zelosamente a própria grandeza: entregou-a, para que o outro pudesse acolhê-la e viver. Quando há acolhimento, o bem emerge, aquele bem, conclui o pregador da Casa Pontifícia, no qual, de modo escondido, já está presente o mistério de Cristo”.

Benedetta Capelli- Vatican News

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                                                        Fonte: vaticannews.va   Fotos: (@Vatican Media