quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 3 - Quinta-feira

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Missa nas comunidades da Bomba e dos Moreiras

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Dia 4 - 1ª Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa na matriz

  19h - Missa na capela da Soledade    

19h - Missa na comunidade São Benedito no Goiabal

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Dia 5 - Sábado

7h - Missa na capela de Santa Ágata

  14h - Terço das crianças no Centro Pastoral São José

 18h - Terço do Movimento dos Restauradores do Imaculado Coração de Maria

  19h - Missa na matriz 

19h - Missa na comunidade São Francisco

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Dia 7 - 23º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Missa na igreja de Santo Antônio   19h - Missa na matriz

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Leão XIV na catequese desta quarta-feira:

a Igreja não pode permanecer passiva
nem indiferente ao que acontece no mundo

Após a Sacrosanctum Concilium, agora é a vez da Constituição Pastoral Gaudium et Spes ser aprofundada pelo Papa Leão XIV em seu ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II. O texto trata da relação da Igreja com o mundo contemporâneo, buscando "responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida".

A Audiência Geral desta quarta-feira voltou para a Praça São Pedro, depois de quatro semanas sendo realizada na Basílica Vaticana. Diante de cerca de 15 mil fiéis, Leão XIV introduziu um novo documento do Concílio Vaticano II, a Constituição Pastoral Gaudium et spes.

O texto aprofunda um tema fundamental, que é a relação da Igreja com o mundo contemporâneo, reconhecendo "uma nova ordem de relações humanas", como definiu São João XXIII. A Constituição Conciliar Gaudium et spes começa por declarar que a Igreja sente como suas "as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem" (GS 1).

"Essa partilha com a humanidade é o caminho que Cristo pede à Igreja", afirmou Leão XIV.

“É uma partilha que nos convida a sair de toda a passividade e indiferença perante os acontecimentos, a história e a vida das pessoas, sobretudo perante a mudança rápida e profunda que hoje vivemos. Não é possível permanecer como espectadores desinteressados; pelo contrário, é preciso escutar com o coração, deixar-se interpelar, envolver-se.”

Papa saúda os recém-casados


A ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz

Os fiéis são então chamados a assumir as dificuldades dos irmãos, "sobretudo daqueles que são oprimidos pela injustiça, pela discriminação e pela violência". Nesse sentido, acrescentou o Pontífice, a proximidade com a humanidade abre caminho a uma leitura mais profunda dos acontecimentos e da própria Revelação e, nessa mesma perspectiva, a Gaudium et spes recorda o «dever de a Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho» (GS 4).

Esta Constituição conciliar, portanto, exortou a Igreja a um compromisso permanente de conversão e a desmascarar as contradições que caracterizam o mundo contemporâneo. Como exemplo, o Papa citou o progresso científico e tecnológico que oferece sempre novas possibilidades, mas apenas a alguns; ou ainda, uma maior disponibilidade de riquezas desproporcionamente distribuídas; ou ainda, diante de ações que ameaçam o futuro do planeta, a incapacidade de renunciar ao consumo egoísta e à ilusão de que a guerra é um caminho eficaz para construir a paz.

Papa se entretém com os fiéis


A Igreja é chamada a servir o ser humano

Assim, concluiu Leão XIV, numa época de profundas mudanças, "das quais decorrem desequilíbrios preocupantes, a Igreja é chamada a servir o ser humano, escutando e acolhendo as questões mais profundas do seu coração e os anseios que nele habitam, indicando em Cristo «a chave, o centro e o fim de toda a história humana» (GS 10)". 

“Queridos irmãos e irmãs, que a alegria e a esperança – gaudium et spes – sejam as características distintivas de uma Igreja que anuncia e testemunha o Evangelho, aproximando-se das mulheres e dos homens do nosso tempo.”

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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                                             Fonte: vaticanews.va    Vídeo e fotos: (@Vatican Media

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Papa na intenção de oração do mês de setembro:

a água é um direito,
não uma mercadoria; denunciar o dsperdício

A intenção de oração do Papa para o mês de setembro convida a reconhecer a água como um dom de Deus e um direito "sem fronteiras".

O Papa Leão XIV dedica a sua intenção de oração do mês de setembro ao cuidado da água, neste início do Tempo da Criação.

O Pontífice inicia sua mensagem de vídeo divulgada, nesta terça-feira (1°/09), dando graças ao "Senhor da Vida" pelo "dom da água, fonte de fecundidade, frescor e esperança. Ela sacia a sede, fecunda a terra e cura as feridas". É "símbolo da tua graça e do teu amor que nos renovam através do Batismo", diz ainda o Papa, convidando os fiéis e as pessoas de boa vontade a rezar para que a humanidade aprenda a cuidar da água "com gratidão, justiça e responsabilidade".

“Pedimos-te perdão porque fizemos dela mercadoria, esquecendo que é um presente universal, um direito sem fronteiras, destinado a todos os teus filhos. Com dor vemos tantos irmãos e irmãs sem acesso a água potável, que caminham quilômetros para a encontrar, e que adoecem por causa da sua escassez.”

Leão XIV pede ao Espírito Santo que "nos transforme em peregrinos do essencial, capazes de viver com sobriedade, denunciando o desperdício e a contaminação, e defendendo o direito de cada irmão e irmã a beber sem medo, sem desigualdade".

O Papa conclui a mensagem de vídeo, dizendo:

“Que o nosso cuidado com a água seja sinal de amor ao Criador e compromisso com a vida dos mais pobres, educando novas gerações que valorizem e protejam os recursos da Terra.”

A intenção do Papa surge perante uma realidade confirmada pelos dados internacionais. Segundo o relatório "Progressos em relação à água potável, saneamento e higiene domiciliares" 2000-2024, do Programa Conjunto de Monitorização (JMP) da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), apresentado em agosto de 2025, 2,1 bilhões de pessoas continuam sem acesso seguro à água potável - por exemplo, com acesso intermitente, insuficiente, demasiado dispendioso ou a grande distância -, e 106 milhões dependem diretamente de rios, lagos ou outras águas superficiais sem tratamento. Embora, entre 2015 e 2024, a cobertura mundial de acesso seguro à água potável tenha aumentado de 68% para 74%, o mesmo relatório alerta que, para alcançar o acesso universal até 2030, os países de baixo rendimento terão de progredir a um ritmo sete vezes superior ao atual.

A falta de água potável está, além disso, intimamente ligada à ausência de saneamento e de higiene: 3,4 bilhões de pessoas não dispõem de saneamento gerido de forma segura, 1,7 bilhão de pessoas carecem de serviços básicos de higiene em casa e 611 milhões não têm nenhuma instalação para lavar as mãos, segundo os dados da OMS/UNICEF (agosto de 2025). Além disso, estima-se que 1 milhão e 400 mil mortes por ano estejam associadas à água insegura e à falta de saneamento.

Nesta terça-feira (1°/09), o Papa inaugura o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, data que marca também o início do Tempo Ecumênico da Criação, que se concluirá em 4 de outubro, Festa de São Francisco de Assis, e tem como lema "Água Viva".

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                                                           Fonte: vaticanews.va    Foto: (@Vatican Media

Leão XIV renova convite a uma conversão ecológica:

"Ainda não é tarde demais"

A missa por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação foi celebrada nos jardins pontifícios de Castel Gandolfo, mais precisamente no Jardim de Nossa Senhora do Borgo Laudato si’. Foi utilizado o formulário da “Missa pelo Cuidado da Criação", fruto do caminho compartilhado entre os Dicastérios para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para a Doutrina da Fé e para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Em meio à natureza dos jardins pontifícios de Castel Gandolfo, Leão XIV presidiu na tarde desta terça-feira (1º/09) à Santa Missa por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que chega à sua 11ª edição. 

O dia 1º de setembro marca também, todos os anos, o início do Tempo da Criação -, caminho ecumênico de oração e comprometimento com o cuidado da Casa Comum, que se encerra em 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, de quem celebramos os 800 anos de falecimento. Trata-se de um período em que a Igreja, juntamente com as outras comunidades cristãs, é convidada a renovar seu compromisso com a Criação, deixando-se guiar pela oração, pela conversão e por gestos concretos de cuidado.

Colocar em "modo silencioso" as obras humanas para ouvir a voz da criação

Em sua homilia, o Pontífice comentou as leituras escolhidas especialmente para este Dia, em que nos são dirigidos dois convites à contemplação das obras do Senhor. O Livro da Sabedoria exorta a contemplar a beleza e o poder da criação para que possamos apreciar o seu Artífice (cf. Sb 13, 1-9). O Salmo 18 incentiva a erguer o olhar para contemplar os céus que proclamam a glória de Deus e o firmamento que anuncia a obra de suas mãos. "Toda a criação fala-nos da grandeza do Criador", recorda o Santo Padre, desde que o olhar e o coração estejam abertos a tão grande mistério. Também o texto evangélico de Mateus (cf. Mt 6, 24-34) convida à contemplação da criação, sublinhando o amor especial do Senhor pelo ser humano. 

Inspirado nesses textos sagrados, a exortação do Papa é para reservar alguns minutos de pausa na agitação das atividades quotidianas para saborear a grande harmonia da qual fazemos parte. 

“Coloquemos em “modo silencioso” todos os ruídos das obras humanas para ouvir a voz melodiosa da criação, na qual Deus, Autor de todas as coisas, nos fala.”

Papa se dirige ao Borgo Laudato si'


Ainda não é tarde demais!

Para o Santo Padre, este exercício contemplativo constitui um primeiro passo para uma autêntica conversão ecológica, onde os efeitos do nosso encontro com Jesus Cristo se tornam evidentes na nossa relação com o mundo que nos rodeia.

"Da contemplação da criação e do encontro com o Criador nasce a consciência do nosso lugar especial no maravilhoso plano de Deus e da nossa responsabilidade pessoal e coletiva no cuidado da harmonia original. Assim, da tomada de consciência das nossas falhas e erros, nasce um esforço renovado para restaurar as relações entre as criaturas segundo a vontade do seu Autor", afirmou Leão XIV.

Citando sua Mensagem para este Dia, o Papa retomou o apelo profético a “transformar as espadas em relhas de arados” (Is 2, 4), a transformar o mal em vida.

“Ainda não é tarde demais, e o Tempo da Criação convida-nos a uma profunda conversão: o que tem sido utilizado para a destruição pode ser redirecionado para a vida, para o cuidado dos pobres, para a alimentação dos famintos e para a salvaguarda da criação.”

Leão XIV encerrou sua homilia recordando seu predecessor, Papa Francisco, que por sua vez se inspirou no Pobrezinho de Assis para para escrever a sua Carta Encíclica Laudato si’. "Com São Francisco, queremos renovar o nosso compromisso de viver e promover aquela fraternidade universal que está inseparavelmente ligada ao dever de cuidar da criação." E recitou um trecho do Cântico de louvor de São Francisco:

"Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão Sol, […]Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Lua e pelas estrelas, […]Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento […].Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água […].Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo […].Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe Terra,que nos sustenta e governa."

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Assista:


Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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                                             Fonte: vaticanews.va    Fotos e vídeo: (@Vatican Media

Setembro - Mês da Bíblia

Livro de Daniel

Setembro é dedicado à Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, que deve ocupar lugar especial em nossa vida, pois, de acordo com São Jerônimo, “ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo”! Ou seja, para se ter o conhecimento sobre Deus e para amar de verdade a Deus, temos como uma das fontes mais importantes os Escritos Sagrados, por meio dos quais Ele se revela a nós e nos dá a mensagem de seu amor e de sua salvação.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, já há anos, propõe que, especialmente neste mês, tomemos conhecimento de um livro da Sagrada Escritura. Neste ano, o livro escolhido é o de Daniel, o quarto e último livro dos chamados profetas maiores da Bíblia. O livro surgiu em uma época de grandes perseguições e sofrimento do povo. Seu objetivo era animar as pessoas e fortalecer sua fé e fidelidade a Deus, aqueles que arriscavam a própria vida para trilhar os caminhos da salvação.

O livro não foi escrito por uma pessoa chamada Daniel e sim por um autor desconhecido, provavelmente um grupo piedoso dos “homens esclarecidos” é o redator da união de diversas histórias e momentos. O nome do livro vem de um recurso bíblico que consiste em atribuir a autoria a personagem importante do passado. Daniel fora um homem justo e sábio (cf. Ezequiel 14,14.20; 28,3), que, mesmo diante das ameaças de violência e morte, se tornou modelo de fidelidade e confiança em Deus.

O livro não narra apenas a história de uma pessoa, mas demonstra a fé de comunidades que permaneceram fiéis aos seus ideais no enfrentamento das perseguições e da morte no período em que governava um terrível perseguidor dos judeus, o rei Antíoco IV Epifanes (175-164 a.C.).

O autor utiliza a linguagem apocalíptica. O vocábulo apocalipse significa “revelação”. Por meio de sonhos, visões e símbolos, o livro demonstra uma verdade fundamental: “Deus continua se revelando como o Senhor da história, e os poderes que oprimem seu povo não são eternos, estão destinados a desaparecer”[1].

É nesse cenário de perseguições e martírios que o livro de Daniel anuncia a fé na ressurreição dos mortos. Essa esperança é uma resposta ao grande questionamento daqueles que eram perseguidos: vale a pena permanecer fiel até a morte? Daniel proclama que Deus fará justiça e que a vida dos justos não será perdida. A ressurreição torna-se sinal de que a fidelidade a Deus é mais forte que a morte, e de que o martírio não é derrota, mas vitória, caminho para a vida plena[2].

Daniel é modelo de oração e perseverança em meio às crises da vida. “No exílio babilônico, Daniel e seus amigos tornaram-se paradigma de coragem e fidelidade, sustentados por uma disciplina espiritual concreta e pública. A vida de Daniel nos ensina que a oração diária sustenta o coração em tempos de paz e de crise. Ela forma em nós confiança, discernimento e coragem para permanecermos fiéis quando tudo ao redor vacila. A oração pessoal e comunitária torna-se refúgio, força e caminho de transformação interior. Quem ora de verdade descobre que Deus vê o oculto, restaura a esperança e mantém firme o seu povo”[3].

Daniel é também exemplo de pessoa que age, que atua em defesa da justiça e defende quem sofre. É o que ocorreu com uma importante personagem do livro, Susana, que foi difamada e a quem foi atribuído um grande pecado. Daniel sai em sua defesa e, exigindo um julgamento justo, faz com seja reconhecida a sua inocência.

Por outro lado, o contexto de violência e perseguição da época também se fez presente na história da humanidade e hoje se revela com suas garras que oprimem nações e pessoas. Tem, portanto, a temática de Daniel atualidade e importância.

Conhecer, estudar e rezar com o livro de Daniel no mês da Bíblia é uma interessante forma de, à luz de seus ensinamentos, iluminar as crises pessoais e coletivas do mundo atual para firmar nossa fé n’Aquele que jamais nos decepciona e quer a realização e a salvação de todos os homens e mulheres que aspiram à vida plena em Deus.

Luiz Gonzaga da Rosa - Autor do livro Discípulos e missionários na paróquia (Paulus) e membro da Comissão de Formação Permanente da arquidiocese de Pouso Alegre

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[1] https://deg.paulus.com.br/9788534961080.pdf

[2] https://deg.paulus.com.br/9788534961080.pdf

  [3] Prof. Dr. Luiz Alexandre Solano Rossi – Vida pastoral n. 371 – Paulus Editora.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Reflita com dom Paulo Mendes Peixoto:

Seduções de hoje

Muita coisa da atualidade sensibiliza o coração das pessoas e, às vezes, somente pelas aparências. Compactuamos com situações de verdadeira sedução, que conseguem mudar nossos objetivos e nos levam para escolhas sem objetividade. São aparências que acabam influenciando em nossas atitudes. O profeta Jeremias se diz seduzido pelo Senhor, a quem entrega sua vida, para servi-lo (cf. Jr 20,7).

Ser seduzido por Deus implica, inevitavelmente, investir na dignidade da vida, mesmo que isto custe a nós ter que assumir conflitos e passar por momentos de dores, porque ela é um dom divino e de um inestimável valor. A atual mentalidade secularizada da cultura dificulta muito o seguimento da vontade de Deus e causa ação pessoal sem consistência e com vazio de objetividade.

O itinerário da vida humana não passa pelo prestígio que a pessoa tem diante dos outros, mas pela forma como são colocados em prática os gestos de amor de uns para com os demais. Esse amor se transforma em dom de si mesmo e em uma entrega pessoal para exaltar o valor próprio da vida na comunidade. Isto depende muito de um maduro discernimento e também atitude de responsabilidade.

É importante a gente não ser iludido pelas aparências, pois uma decisão imatura pode causar desilusão, desânimo e sofrimento. As aparências seduzem os olhares, as mentes e as escolhas. Também têm capacidade para enganar e conduzir as pessoas ao ridículo. Se Deus é sedutor, os frutos dessa ação é a comunhão com Ele, com os outros e com o mundo, fortalecendo a existência de cada pessoa.

Deixar-se ser seduzido por Deus é fazer a oferta da própria vida a Ele. Essa atitude faz com que haja um inconformismo com muita coisa da atualidade, principalmente com práticas e estruturas que privilegiam o espírito egoísta e injusto. Muitos corações e mentes estão fechados para uma cultura que seja libertadora. É preciso Caminhar, mas renunciando o espírito de orgulho e vaidade.

Seguir os caminhos de Jesus Cristo não é tão fácil, mas não significa impossibilidade, pois o ser humano consegue fazer escolhas determinadas e objetivas. Mesmo diante da verdadeira condição de vulnerabilidade, a vida é espaço de conquista de situações melhores. É uma questão de fidelidade aos ensinamentos de Deus e coragem na prática do bem. A luz do fim do túnel é chegar a eternidade.

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG) 

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                                                               Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

domingo, 30 de agosto de 2026

Papa no Angelus deste domingo:

onde termina a nossa lógica, começa a confiança.
Pedro e a difícil aprendizagem da fé

A grandeza de Pedro manifesta-se justamente na sua capacidade de deixar-se transformar por aquilo que Jesus lhe ensina. Depois de compreender que o Messias não veio para conquistar pelo poder, mas para entregar a própria vida, o apóstolo permanecerá fiel a Cristo até o fim, inclusive no martírio. A sua trajetória mostra que a fé não significa ter todas as respostas imediatamente, mas confiar o suficiente para continuar caminhando quando ainda não compreendemos tudo. Como Pedro, somos convidados.

"Efetivamente, também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos". A reação de Pedro diante da revelação de Jesus de sua Páscoa imininente, inspirou a reflexão de Leão XIV antes de rezar o Angelus diante da multidão aglomerada na Praça da Liberdade, diante do Palácio Apostólico, em Castel Gandolfo.

O Evangelho proposto pela liturgia neste XXII Domingo do Tempo Comum - começou explicando o Papa aos presentes - apresenta Jesus anunciando a seus discípulos que "deverá ir a Jerusalém, sofrer, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar". Uma revelação, que " está muito distante da imagem de um Messias triunfante e poderoso que os discípulos esperavam"

Pedro, que pouco antes havia proclamado sua fé em Jesus como «o Messias, o Filho de Deus vivo», reage com espanto e repreende o Mestre: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há de acontecer!». Sua atitude nasce de um amor sincero, mas também revela a dificuldade de aceitar um caminho de salvação diferente daquele que imaginava.

A reação de Pedro - recorda o Papa - toca uma realidade profundamente humana e presente também na experiência de fé de cada pessoa:

Efetivamente, também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos. Nessa altura, surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós.

E perante esta incerteza - explica o Santo Padre - Pedro, apesar da sua impulsividade, ensina-nos duas coisas importantes: primeiramente, é necessário manter sempre aberto o diálogo com o Senhor e apresentar-Lhe com confiança aquilo que trazemos no coração, inclusive nossas dúvidas, incompreensões e angústias:

A segunda, porém, é nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele nos está a revelar por meio da sua ação, mesmo quando isso não corresponde às nossas expectativas.

 Jesus repreende Pedro — «Afasta-te, Satanás!» — e deixa claro que o pensamento do discípulo ainda está preso à lógica humana. Para seguir Cristo, é preciso aceitar uma lógica diferente: negar a si mesmo, tomar a própria cruz e segui-lo. O caminho da salvação não passa pelo poder, pela imposição ou pela vitória segundo os critérios do mundo, mas pelo amor que se entrega, pelo sofrimento assumido com esperança e pela fidelidade à vontade do Pai. E a grandeza do Primeiro dos Apóstolos manifesta-se também na sua capacidade de deixar-se transformar por aquilo que Jesus lhe ensina:

Peçamos ao Senhor, então, que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-Lhe humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso, e, ao mesmo tempo, que saibamos cultivar a sua mesma docilidade, ao aceitar o que Ele nos pede para além das nossas expectativas.

Que Maria nos ajude - foi o pedido de Leão XIV ao concluir - ela que foi obediente aos desígnios de Deus até junto à Cruz do seu Filho Jesus.

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