Dom Diamantino
Prata de Carvalho - Bispo Emérito da Campanha (MG)
Dando
continuidade à celebração do mês vocacional, após refletirmos sobre os dons das
vocações ordenadas e matrimoniais, uma partindo da comemoração pelo “Dia do
Padre” e outra pelo “Dia dos Pais”, avançamos neste terceiro domingo com a
reflexão em torno dos dons das vocações religiosas e à vida consagrada. A Vida
Religiosa não nasce de uma simples escolha profissional ou de um projeto humano
de filantropia; nasce de um encontro transformador com a pessoa de Jesus
Cristo.
Em um mundo
frequentemente marcado pelo individualismo, pelo consumo desenfreado e pelo
imediatismo, os conselhos evangélicos professados pelos religiosos funcionam
como uma profecia viva. A Pobreza nos lembra que o maior tesouro do coração
humano é Deus e que a solidariedade e a partilha devem se sobrepor ao acúmulo
material. A Castidade proclama a capacidade de amar a todos com coração livre,
doando-se sem posse, espelhando o amor incondicional do Pai. A Obediência
ensina a escuta atenta da vontade divina em comunhão com os irmãos, oposta à
autossuficiência e ao egocentrismo.
Seja no silêncio
dos mosteiros contemplativos, onde homens e mulheres sustentam a Igreja
invisivelmente pela oração contínua, seja no dinamismo da vida ativa, presente
nas escolas, hospitais, periferias e terras de missão, a vida consagrada
manifesta a maternidade e o cuidado de Deus pela humanidade. A história da
Igreja confunde-se com a atuação dos carismas religiosos. Onde há dor, abandono
ou fome, tanto física quanto espiritual, há a presença de um religioso ou de
uma religiosa. Eles são os braços estendidos da Igreja que chegam às geografias
e às existências mais distantes. Como afirmava o Papa Francisco: “A vida consagrada
é a história de um amor apaixonado pelo Senhor e pela humanidade. Onde estão os
religiosos, há alegria e profecia.”
Pela vida
contemplativa, a Igreja se faz presente e atuante na sociedade através da
oração incessante, da intercessão e do testemunho da primazia de Deus no
silêncio dos claustros. Pela vida missionária e ativa, a Igreja contribui
significativamente com uma evangelização encarnada, no sentido de que esta
supera os vãos discursos, concretizando-se por meio de obras em favor da justa
educação, saúde, assistência aos marginalizados e defesa dos direitos humanos.
Por fim, pelos Institutos Seculares e novas comunidades, a Igreja se põe em
saída através de uma consagração no meio do mundo, santificando as realidades
temporais no cotidiano.
De modo geral,
contemplamos a partir dos Consagrados uma ampla e plural frente de atuação da
Igreja. Tamanha riqueza, no tocante à Caridade, nos provoca a uma atenção
particular ao testemunho de nossos irmãos religiosos e religiosas, aos quais
precisamos constantemente dizer: A Igreja precisa do seu sim diário!
Neste ano de
2026, ao celebrarmos o Mês Vocacional, renovamos o nosso agradecimento pela
doação silenciosa, pelas orações na madrugada, pelas mãos gotejantes de
trabalho nas missões e pelo testemunho de fé que não esmorece diante das
dificuldades do tempo presente. Vocês são a prova viva de que o Evangelho é
viável, de que vale a pena entregar tudo por Cristo e de que a santidade é um
caminho aberto e fascinante.
Que a Virgem
Maria, Nossa Senhora da Assunção, modelo perfeitíssimo de consagração e
resposta fiel ao Pai, cubra cada missionário e missionária com seu manto
materno, sustentando a perseverança e renovando o ardor vocacional. E a toda a
comunidade eclesial, fica o convite: rezemos pelas vocações à Vida Religiosa
Consagrada, promovamos em nossas famílias e paróquias uma cultura vocacional
onde os jovens sintam a coragem de responder ao chamado do Mestre e apoiemos
com carinho e gratidão aqueles que já entregaram suas vidas por nós e pelo
Reino.
Aos fiéis
reunidos na Praça da Liberdade em Castel Gandolfo, Leão XIV comentou a liturgia
deste XX Domingo do Tempo Comum, que apresenta o episódio da mulher cananeia.
"À luz desta fé, as desigualdades, as discriminações e as barreiras que
pisam a dignidade de tantos filhos e filhas de Deus tornam-se
insuportáveis", disse o Santo Padre.
O Angelus
dominical do Papa Leão XIV foi em Castel Gandolfo, para onde se dirigiu por
ocasião da Solenidade da Assunção da Virgem Maria, celebrada em 15 de agosto.
Nesta festa, afirmou o Pontífice, contempla-se Nossa Senhora na sua inseparável
relação com o Filho: nem mesmo a morte conseguiu interromper essa comunhão de
alma e corpo, que é vida eterna. Assim, todos os domingos, Ela nos recorda que
essa mesma plenitude está reservada a quem segue Jesus: a sua ressurreição não
é um acontecimento do passado, mas uma vida nova que nos envolve.
Comunicar a paz
de Cristo para além das fronteiras
Isso é
demonstrado hoje pela mulher cananeia, protagonista do Evangelho proclamado na
liturgia (Mt 15, 21-28). Apesar de não pertencer ao seu povo e de viver
numa região estrangeira, ela procura insistentemente falar com Jesus, desejando
a paz para a sua filha atormentada. Os discípulos veem-na como uma pessoa
incômoda, e o próprio Jesus resiste aos seus pedidos. Em certo momento, porém,
acontece algo inesperado, Jesus se deixa tocar pelo que vê e ouve. Por fim,
diz: «Mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas».
"Também
hoje a Igreja pode deixar-se surpreender pela obra de Deus e comunicar a paz de
Cristo para além das fronteiras já traçadas", disse Leão XIV. A sua missão
é antecipada pela graça divina, que atua no segredo das consciências, de modo
que, em cada encontro, mesmo naqueles que perturbam os nossos planos, "é
preciso prestar atenção, abrir os olhos e abrir o coração ao que Deus nos quer
dizer".
Desigualdades e
discriminações são insuportáveis
Para o Santo
Padre, da mulher cananeia devemos aprender a humildade e a determinação:
“Graças à sua
fé, aprendemos que a mesa de Deus está preparada para todos e que a ninguém
estão reservadas só as migalhas porque cada um, junto do Pai, tem o seu lugar.
À luz desta fé, as desigualdades, as discriminações e as barreiras que pisam a
dignidade de tantos filhos e filhas de Deus tornam-se insuportáveis.”
O Pontífice
concluiu recordando aos fiéis que "somos a Igreja de Jesus Cristo num
mundo atormentado, que procura a paz. A Maria, nossa Mãe, pedimos que interceda
por nós".
A visita de Maria a Isabel permite ao evangelista Lucas pôr em contato o Batista e Jesus, antes mesmo de nascer. A cena está carregada de uma atmosfera muito especial. As duas mulheres vão ser mães. As duas foram chamadas a colaborar no plano de Deus. Não há varões. Zacarias ficou mudo. José está surpreendentemente ausente. As duas mulheres ocupam toda a cena.
Maria, que veio apressadamente de Nazaré, transforma-se na figura central. Tudo gira em torno dela e de seu Filho. Sua imagem brilha com certos traços mais genuínos do que muitos outros que lhe foram acrescentados ao longo dos séculos, a partir de invocações e títulos alheios aos evangelhos.
Maria, “a mãe de meu Senhor”. Assim o proclama Isabel em alta voz e cheia do Espírito Santo. Isto é certo: para os seguidores de Jesus, Maria é, antes de tudo, a Mãe de nosso Senhor. Daí parte sua grandeza. Os primeiros cristãos nunca separam Maria de Jesus. Eles são inseparáveis. “Bendita por Deus entre todas as mulheres”, ela nos oferece Jesus, “fruto bendito de seu ventre”.
Maria, a crente. Isabel proclama Maria feliz porque ela “acreditou”. Maria é grande não simplesmente por sua maternidade biológica, mas por ter acolhido com fé o chamado de Deus para ser Mãe do Salvador. Ela soube ouvir a Deus; guardou sua Palavra dentro de seu coração; meditou-a; a pôs em prática cumprindo fielmente sua vocação. Maria é mãe crente.
Maria, a evangelizadora. Maria oferece a todos a salvação de Deus, que ela acolheu em seu próprio Filho. Essa é sua grande missão e seu serviço. De acordo com o relato, Maria evangeliza não só com seus gestos e palavras, mas porque traz consigo, para onde vai, a pessoa de Jesus e seu Espírito. Isto é o essencial do ato evangelizador.
Maria, portadora de alegria. A saudação de Maria comunica a alegria que brota de seu Filho Jesus. Ela foi a primeira a ouvir o convite de Deus: “Alegra-te…, o Senhor está contigo”. Agora, a partir de uma atitude de serviço e de ajuda a quem precisa, Maria irradia a Boa Notícia de Jesus, o Cristo, que ela sempre traz consigo. Ela é para a Igreja o melhor modelo de uma evangelização prazerosa.
JOSÉ ANTONIO PAGOLAcursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.
Na Solenidade da
Assunção de Nossa Senhora, Leão XIV convida os fiéis a redescobrirem a
verdadeira beleza, que não está na aparência exterior, mas nos sinais de um
amor capaz de transformar e elevar. Na homilia da Missa celebrada em Castel
Gandolfo, o Pontífice alertou ainda para os padrões estéticos impostos pelo
mundo, que podem nos aprisionar “naquilo que realmente não tem valor nem dura
para sempre”.
Neste sábado, 15
de agosto, a Igreja celebra a Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem
Maria, uma das principais festividades marianas do calendário litúrgico e
também feriado nacional na Itália. Como no ano passado, o Papa Leão XIV
escolheu celebrar a data junto aos fiéis de Castel Gandolfo, cidade próxima a
Roma e local de sua residência de verão. Ali, o Pontífice presidiu à Santa
Missa na Paróquia Pontifícia de São Tomás de Villanova, que fica a poucos
metros do Palácio Pontifício.
A liturgia
recorda Maria que, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada em corpo
e alma à glória do Céu. E foi justamente a partir da imagem de Nossa Senhora da
Assunção que Leão XIV desenvolveu sua homilia, propondo uma reflexão sobre a
verdadeira beleza: aquela que não procura esconder as marcas do tempo, mas
deixa transparecer os sinais de um amor que não passa.
A verdadeira
beleza
O Papa recordou
que muitas obras de arte representam Nossa Senhora da Assunção como uma jovem
belíssima que se eleva da terra em direção ao Céu. Uma imagem que, à primeira
vista, contrasta com a experiência humana do envelhecimento e com as marcas que
os anos deixam no corpo.
“A glorificação
de Maria, em corpo e alma, ensina-nos que a nossa verdadeira beleza não
consiste em esconder os sinais do tempo que passa, mas em mostrar, impressos
também na nossa carne, os sinais do amor que não tem fim.”
A partir dessa
reflexão, Leão XIV convidou a rever os padrões estéticos impostos pelo mundo,
“predominantemente de caráter hedonista e consumista”, que correm o risco de
aprisionar as pessoas em condicionamentos e levá-las a desperdiçar energias
“naquilo que realmente não tem valor nem dura para sempre”. Para o Pontífice, a
experiência cotidiana mostra onde reside a verdadeira beleza: há pessoas cujos
rostos são marcados pelos anos e pelos sofrimentos e que, ainda assim, são
capazes de irradiar serenidade, benevolência e paz.
A beleza divina,
prosseguiu o Papa, pode ser reconhecida em todas as fases e circunstâncias da
existência: “no rosto terno de uma criança” e “nas rugas de um idoso”, na
vivacidade dos jovens, na maturidade dos adultos e também na simplicidade das
roupas e dos instrumentos de trabalho.
“É o amor o mais
belo ornamento do homem: o amor que transfigura, transforma, enobrece, eleva;
que torna leves, livres, próximos de Deus, mesmo através das vicissitudes da
vida.”
Trazer um pouco
do Céu à terra
O mistério
celebrado neste 15 de agosto, ressaltou Leão XIV, não deve ser procurado longe
da vida cotidiana. A verdadeira caridade pode ser encontrada nos olhos dos pais
que regressam cansados do trabalho, mas felizes por estar com os filhos; nos
avós que, apesar dos limites da idade, encontram uma energia inesperada ao
cuidar dos netos; e nos jovens que procuram crescer íntegros e honestos, mesmo
quando isso significa ir contra a corrente. Ela está também na vida de tantos
homens e mulheres que, “diariamente, com fé e dedicação, contribuem para trazer
um pouco do Céu à terra e levar a terra para o Céu”. E acrescentou:
“Queridos
irmãos, o belíssimo rosto de Nossa Senhora da Assunção é único, ultrapassa
qualquer representação possível. No entanto, ao mesmo tempo, é familiar: é o
rosto das pessoas que estão ao nosso lado, mesmo neste momento, dos irmãos e
irmãs com quem partilhamos, na fé, a oferta diária da nossa vida. […] Na sua
humanidade santa, pela graça de Deus, está também a nossa; lá estamos também
nós, chamados a viver a sua mesma plenitude de vida e a partilhar a sua mesma
glória.”
Ao concluir a
homilia, o Papa convidou os fiéis a seguir “a luz do Ressuscitado”, mudando de
rumo quando necessário, e a olhar para Maria, que Deus deu à humanidade como
“Mãe, guia, companheira de viagem e protetora no caminho para o Céu”.
Papa
confia a Maria todos os povos necessitados de consolação
Na Praça da
Liberdade, em Castel Gandolfo, Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus,
explicando aos fiéis as duas iconografias que nos fazem contemplar o mistério
da da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Na sequência, confiou a Maria
todos os povos necessitados de consolação
“Santa Maria,
rogai por nós!”: com esta súplica, o Papa Leão confiou todos os povos que
necessitam especialmente serem consolados e continuarem a ter esperança.
“Penso nos
irmãos e irmãs da Terra Santa, que é, por excelência, também a Terra de Maria.
Penso no povo ucraniano e no povo russo, ambos unidos pela devoção filial à
Santa Mãe de Deus. Penso nos cristãos que sofrem discriminação ou até mesmo
perseguição. Continuo rezando nestes dias pelas populações colombianas que
sofrem por causa do terremoto.”
Ao final da
oração mariana do Angelus, o Pontífice recordou que a Santíssima Maria,
assumida na glória do céu, é para todo o povo de Deus um sinal de esperança e
de consolo. Por isso, invocou sua intercessão maternal em nome daquelas
comunidades que vivem em contextos difíceis.
A
iconografia da solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Já em sua
alocução, o Pontífice recordou que esta festa tem grande importância, seja para
a teologia católica, seja para a devoção popular. Para contemplar este mistério
da fé, o Papa recorreu a dois modelos iconográficos. O primeiro, o mais antigo,
que foi o único durante quase um milênio, é o da “dormição” da Mãe de Deus: ela
aparece deitada num catafalco, adormecida na morte; à sua volta estão os
Apóstolos, que a veneram comovidos em oração; no centro, de pé, está Jesus
ressuscitado, que segura nos braços a alma de Maria, como uma criança
recém-nascida. Ele veio buscá-la para a levar consigo para a glória de Deus.
Este primeiro
modelo realça a verdade central: é Cristo, morto e ressuscitado, que nos conduz
à meta para a qual estamos desde sempre destinados, a vida eterna. É isto que
gerações e gerações de fiéis contemplaram ao rezarem perante os ícones da
Dormição.
Corpo
glorificado da Virgem
A iconografia
mais recente, que se desenvolveu posteriormente no Ocidente, mostra, por sua
vez, a Virgem Maria de corpo inteiro, no céu, envolta de luz, frequentemente
rodeada por anjos e santos. Aqui, no centro, encontra-se o corpo glorificado da
Virgem, em consonância com o que se lê no Livro do Apocalipse: «Apareceu no céu
um grande sinal: uma Mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma
coroa de doze estrelas na cabeça» (Ap 12, 1).
Alguns artistas
combinaram os dois esquemas, representando, na parte superior, a Virgem
gloriosa e, na parte inferior, o seu túmulo vazio, frequentemente repleto de
flores multicoloridas, e os Apóstolos com o olhar voltado para ela, no céu.
Este segundo
modelo realça a verdade de que Maria foi elevada em corpo e alma, ou seja, na
integridade da sua pessoa. Aquela mulher que, na terra, deu corpo e sangue ao
Verbo encarnado e o seguiu até à união perfeita no sacrifício de amor, foi por
Ele atraída para sempre à glória.
Para o Santo
Padre, esta iconografia permite contemplar o nosso destino último: "A
plenitude de vida, que hoje admiramos com alegria em Maria, espera-nos também a
nós, no fim dos tempos, quando, como diz São Paulo, Cristo Ressuscitado
«transfigurará o nosso pobre corpo, conformando-o ao seu corpo
glorioso», revestindo o que é corruptível de incorruptibilidade e o que é
mortal de imortalidade. Então, com a nossa carne transformada pelo amor do
Redentor, viveremos eternamente, na festa sem fim. Louvemos o Senhor, que fez
grandes coisas na sua e nossa Santíssima Mãe!".
Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas (Ap 11,19a)
Nossa viagem através do tempo
Nossa vida pode se comparar a uma viagem através do tempo. Entre o nascer e o morrer atravessamos planícies, escalamos montanhas, andamos com facilidade no terreno plano e, com o tempo, as pessoas nos sugerem delicadamente o uso de uma bengala ou nos oferecem o braço. Colocamos gestos, tomamos decisões, acertamos e erramos. E tudo passa. Não conseguimos reter essa sucessão de coisas, de estados interiores, esse incessante fluir. Tudo tem perfume de caducidade.
Ao longo do tempo que passa vamos modelando nosso semblante interior, nosso verdadeiro rosto. Não somos donos do tempo. Temos a graça de viver no tempo. E há tempo para tudo, como diz o Eclesiastes: tempo para rir e para chorar, tempo para trabalhar e descansar, tempo pra viver e tempo para morrer.
A impressão que temos é que Na estrada percorrida houve tempos fortes, belos, fecundos que deixaram marcas para sempre. De outro lado, também, houve tempos mortos. Permanece para sempre o bem que foi sendo feito. Terrível pensar nesses tempos vazios, tempos que nos ocupamos demais de nós mesmos, tempo em que não fizemos questão de marcar ou aceitar os toques do Senhor, tempo marcado pelo dilaceramento do pecado.
Hoje, solenidade da Assunção de Maria à glória, Maria, a cheia de graça, o tabernáculo do Senhor, comemoramos o tempo de Maria que se transformou em eternidade. Claro, ela também vivera sob o signo do efêmero e transitório. Vicissitudes, tempo de menina moça, promessa de casamento, a visita do anjo, o menino que nasceu nas palhas e toda a sua trajetória até o momento de sua dormição. Nasceu ela num cantinho do Oriente Médio: cuidados com as coisas de todos os dias, o pão que precisava ser assado, o cântaro para buscar água poço, a conversa com as vizinhas sobre coisas que se passavam aldeia, ramalhete de preocupações e sofrimentos, buquê de alegrias, horas cinzentas e momentos doloridos como todos vivemos.
Mas com Maria acontece alguma coisa diferente daquilo que conosco sucede. Em seu caminhar, por graça de Deus, ela não conheceu a tragédia do pecado, essa fissura interior, esse desejo contrariado de fazer o bem, mas de efetivamente fazer o mal. Maria não conheceu o drama do pecado. De nada teve que se arrepender, de renegar o que quer que seja de seu passado. Quando terminou sua carreira estava pronta para entrar na glória. Maria não conheceu tempos mortos.
Fixando nosso olhar nessa mulher agraciada divisamos aquela na qual o Senhor opera maravilhas, fiel serva do Senhor que levava para o fundo dos corações tudo que lhe era anunciado, aquela que teve sua vida profundamente vinculada a de Jesus, a segunda pessoa da Trindade que tomou nossa carne na carne de Maria. Dele, desse Deus encarnado, ela fora mãe. Em tudo acompanhou o Filho e teve como ápice desse acompanhamento o estar ao pé da cruz. Ela não conheceu o pecado e por privilégio, ao terminar sua peregrinação foi elevada à glória.
Maria é a porteira da glória. Está nos espaços espirituais que designamos de céu. Seu nome é Maria da Glória, Maria do face-a-face eterno. Nós que não fomos poupados do pecado, mas resgatados pelo filho de Virgem, por sua paixão, morte e ressurreição somos também destinados à mesma glória que Maria.
Pio XII, no dia 1° de novembro de 1950 declarou como verdade de fé assunção da Virgem: “Desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, Imaculada na concepção, virgem completamente intacta na divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor que obteve pleno triunfo sobre o pecado e suas consequências, ela alcançou ser guardada imune da corrupção do sepulcro como suprema coroa de seus privilégios, Semelhantemente a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à pátria celeste, onde, rainha, refulge à direita de seu Filho, o Imortal, rei dos séculos”.
FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.
O Papa responde a um casal de brasileiros em lua de mel
Yago e Danielly são mineiros de Divinópolis e participaram da bênção dos recém-casados na Audiência Geral desta quarta-feira (12/08) com Leão XIV. Eles foram surpreendidos com a atenção do Pontífice ao responder à pergunta sobre o sonho de construir uma família santa: "coloquem tudo nas mãos de Deus. Rezem muito: o rosário, a santa missa, os sacramentos. E muita paciência entre vocês", disse o Papa ao aconselhar os jovens brasileiros na Basílica de São Pedro extensivo a casais do mundo inteiro.
“Coloquem tudo nas mãos de Deus. Rezem muito: o rosário, a santa missa, os sacramentos. E muita paciência entre vocês.”
Esse foi o conselho simples e prático dado a um jovem casal brasileiro ao final da Audiência Geral desta quarta-feira (12/08), na Basílica de São Pedro, quando Yago Barbosa Moreira questionou o Papa sobre "como ser uma família santa". Pouco tempo antes da pergunta, porém, ele conta das incertezas sobre o que dizer ao estar diante do próprio Pontífice:
"Naquele momento, quando ele estava vindo, cumprimentando a gente, só vinha uma pergunta: o que eu posso perguntar? E, pra mim, a pergunta que me vinha mais no meu coração era isso: o meu maior desejo do coração é ter uma família santa. Então eu vou perguntar isso pra ele. Aí eu fiquei treinando em italiano. Como que eu pergunto isso? Eu falo até meio travado assim, porque eu queria perguntar em italiano pra que ele pudesse entender. E foi mágico ver ele olhando meus olhos, respondendo essa pergunta. Eu achei que meu coração ia parar ali, naquele momento!"
Do pão de mel à vaquinha dos amigos para encontrar o Papa
Membros da Comunidade Sacramento de Amor, Yago, de 30 anos, e Danielly Cristina de Faria, de 29 anos, são naturais de Divinópolis/MG, casaram-se em 1º de agosto na Igreja Nossa Senhora da Guia e a viagem à Itália é de lua de mel. Para realizar o sonho do casal de vir ao Vaticano para receber a bênção dos recém-casados do Papa Leão XIV, foram meses de economia, além da generosidade de amigos. E não só: para ajudar nas despesas, inclusive nos gastos do casamento, Yago, que trabalha com abordagem social na sua cidade de origem, vendeu pães de mel pelas ruas, que vinham com mensagens de evangelização e de divulgação da Novena do Abandono. A iniciativa voluntária gerou apenas um quarto do valor da viagem, mas junto a uma "megavaquinha" dos amigos, o casal conseguiu fazer então a viagem de uma semana para Itália com parada obrigatória na Basílica de São Pedro, com a experiência de encontrar o Papa, como explica Danielly:
"Com a graça de Deus queríamos conversar com ele: uma palavra, uma frase, aquilo que ele dissesse, que iria edificar o nosso coração, iria edificar o nosso matrimônio. E valeu muito a pena! Valeu muito a pena a viagem, a visita, algo sobrenatural mesmo, muito, muito além do que a gente podia imaginar ou sonhar."
"Esperança na santidade acima de tudo"
De fato, acrescenta Yago, "estar diante do Papa e pegar na sua mão, foi o entendimento que o amor de Deus é verdadeiro, e que não há nada que nos impeça de conquistar os nossos sonhos, sendo o maior deles a santidade e o Céu". O sentimento do casal agora é de gratidão aos amigos e a Deus pelo "carinho e pela sua providência", e pela oportunidade de compartilhar com outros jovens casais o conselho do Papa para construir uma família santa:
"Deus comprovou de novo o grande amor na sua providência, no seu carinho, é mais do que a gente merece, a gente não merece essas coisas, essas graças, mas Deus é maravilhoso. E às vezes a mensagem que eu posso deixar é de sonhar alto e grande, sonhar principalmente com o Céu, com um sonho sobrenatural. O desejo de ser santo não é algo que não é tangível. Tipo assim, se não era possível a gente vir no Vaticano conhecer o Papa, a gente achava impossível e Deus nos concedeu essa graça, então, as graças espirituais também são superpossíveis. Da mesma maneira que Deus deu uma viagem para Roma, Deus pode nos conceder a graça de sermos santos e ter uma família santa, como foi a pergunta para o Papa. Então é isso: esperança na santidade acima de tudo."