sexta-feira, 24 de abril de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 25 - Sábado

16h -  Celebração na comunidade da Bomba

19h -  Missa na Matriz

19h - Celebração na comunidade São Geraldo

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Dia 26 - 4º Domingo de Páscoa

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Quarto Domingo da Páscoa:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: At 2,14.36-41

Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos

No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, no meio dos onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão. “Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”. Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, o que devemos fazer?” Pedro respondeu: “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si”. Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho e os exortava, dizendo: “Salvai-vos dessa gente corrompida!” Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo. Naquele dia, mais ou menos três mil pessoas se uniram a eles.

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Responsório: Sl 22(23)

- O Senhor é o pastor que me conduz; / para as águas repousantes me encaminha.

- O Senhor é o pastor que me conduz; / para as águas repousantes me encaminha.

1. O Senhor é o pastor que me conduz; / não me falta coisa alguma. / Pelos prados e campinas verdejantes / ele me leva a descansar. / Para as águas repousantes me encaminha / e restaura as minhas forças.

2. Ele me guia no caminho mais seguro, / pela honra do seu nome. / Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, / nenhum mal eu temerei; / estais comigo com bastão e com cajado: / eles me dão a segurança!

3. Preparais à minha frente uma mesa, / bem à vista do inimigo, / e com óleo vós ungis minha cabeça; / o meu cálice transborda.

4. Felicidade e todo bem hão de seguir-me / por toda a minha vida; / e na casa do Senhor habitarei / pelos tempos infinitos.

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2ª Leitura: 1Pd 2,20-25

Leitura da Primeira Carta de São Pedro

Caríssimos, 20se suportais com paciência aquilo que sofreis por ter feito o bem, isso vos torna agradáveis diante de Deus. De fato, para isso fostes chamados. Também Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos. Ele não cometeu pecado algum, mentira nenhuma foi encontrada em sua boca. Quando injuriado, não retribuía as injúrias; atormentado, não ameaçava; antes, colocava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça. Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Por suas feridas fostes curados. Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas.

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Evangelho: Jo 10,1-10

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. Jesus contou-lhes essa parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”

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Reflexão do padre Johan Konings:

Salvação - Só por Cristo?

No evangelho, Jesus narra uma parábola. Naquele tempo, os povoados tinham seu curral (redil) comunitário. O curral tinha um portão, por onde os pastores entravam para chamar as suas ovelhas (que conheciam a voz de seu pastor), e por onde as ovelhas passavam para ir pastar. Mas também apareciam sujeitos que abriam uma brecha na cerca em vez de entrar pela porta: os ladrões. Até aí a parábola (versos 1-5). Depois, Jesus explica: ele mesmo é essa porta por onde pastores e ovelhas devem passar. Pastor que não passa por ele, não serve para os fiéis. E também os fiéis têm de passar por ele para encontrar a vida que procuram.

Pastor mesmo é quem passa através de Jesus e faz o rebanho passar por ele. Neste sentido, as pregações apostólicas apresentadas nas leituras de hoje são eminentemente pastorais. São obra de pastores que passaram por Cristo e nos conduzem a ele e – através dele – ao Pai. Veja só, na 1ª leitura o apelo à conversão e a entrada no “rebanho” mediante o batismo, depois da pregação de Pedro. E, na 2ª leitura Pedro lembra aos fiéis que, outrora ovelhas desgarradas, eles estão agora junto ao verdadeiro pastor, Jesus.

O sentido fundamental da pastoral é ir aos homens por Cristo e conduzi-los através dele ao verdadeiro bem. As maneiras podem ser muitas; antigamente, mais paternalista talvez; hoje, mais participativa. Mas pode-se chamar de pastoral uma mera ação social ou política associada a setores da Igreja ou a suas instituições? Isso ainda não é, de per si, pastoral. Para ser pastoral, a atuação precisa ser orientada pelo projeto de Cristo, que ele nos revelou dando sua vida por nós.

Nesta ótica, os pastores devem ir aos fiéis (não aguardá-los de braços cruzados), através de Cristo (não através de mera cultura ou ideologia), para conduzi-los a Deus ( e não apenas à instituição da Igreja), fazendo-os passar por Cristo, ou seja, exigindo adesão à prática de Cristo. E os fieis devem discernir se seus pastores não são “ladrões e assaltantes”. O critério para discernir isso é este: se eles chegam através de Cristo e fazem passar os fiéis por ele.

Pelas palavras do Novo Testamento, parece que toda salvação passa por Cristo. Mas isso deve ser entendido num sentido inclusivo, não exclusivo. Todo caminho que verdadeiramente conduz a Deus, em qualquer religião e na vida de “todos aqueles que procuram de coração sincero”(Concílio Vaticano II; Oração Eucarística IV), passa de fato pela porta que é Jesus. Portanto – e é isso que acentua o evangelho de João, escrito para pessoas que já aderiram à fé em Jesus: não precisam procurar a salvação fora desse caminho. Isso vale ser repetido para os cristãos de hoje. Por outro lado, não é preciso que todos confessem o Cristo explicitamente; basta que, nas opções da vida, eles optem pela prática que foi, de fato, a de Cristo. Agir como Cristo é a salvação. E é a isso que a pastoral deve conduzir.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

____________________________________________________          Fonte: franciscanos.org.br    Imagem: vaticannews.va    Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

Bispos do Brasil divulgam mensagem ao povo

e alertam para violência, desigualdade e crise social

Reunidos no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, o episcopado brasileiro divulgou, nesta sexta-feira, 24, a tradicional Mensagem ao Povo Brasileiro durante o último dia da 62ª Assembleia Geral, que acontece no Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida. O documento traz reflexões sobre o momento atual do país e do mundo, destacando tanto sinais de esperança quanto desafios urgentes.

Inspirados pelo tempo Pascoal, os bispos afirmam que há motivos para esperança, como iniciativas de solidariedade, promoção da cidadania e defesa da vida. No texto, também são valorizadas ações voltadas à economia solidária, à democracia e aos direitos humanos.

Apesar disso, a mensagem faz um alerta contundente sobre o cenário global e nacional. Segundo os bispos, o mundo vive “tempos de incertezas e sofrimentos”, marcados por guerras, fome e destruição. O documento cita ainda preocupações com a concentração de poder e interesses econômicos que impactam negativamente a vida das populações.

No contexto brasileiro, a mensagem chama atenção para o avanço da violência e do crime organizado. De acordo com o texto, práticas como o narcotráfico e a atuação de milícias têm fortalecido um ambiente de insegurança, especialmente nas periferias, onde essas organizações chegam a controlar territórios e enfraquecer instituições legítimas.

A mensagem também reforça a defesa da vida “desde a concepção até a morte natural” e destaca a necessidade de políticas públicas que garantam dignidade à população, sobretudo aos mais pobres.

Ao final, os bispos reafirmam o compromisso da Igreja Católica com a promoção da paz, da justiça social e da esperança, convidando a sociedade brasileira a construir caminhos de fraternidade e solidariedade.

Confira a mensagem na íntegra (aqui).

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Assista o vídeo com a divulgação da mensagem:

Foto de capa: Bia Braz - Studio Brazil

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Fonte: cnbb.org.br

Reflita com Dom Pedro Carlos Cipollini:

Por que calar o Papa?

Vivemos uma mudança de época, na qual tudo multiplicam-se os conflitos. Os embates são frequentes. Um exemplo são as críticas que o presidente dos Estados Unidos fez ao papa Leão XIV. Irritado pela pregação do papa, em favor da paz, ele o criticou de forma contundente e desaforada ao seu estilo. O papa, no entanto, segue os ensinamentos de Jesus Cristo que recusou a violência como método de ação. Jesus ensinou que são “Bem-aventurados os que promovem a paz” (Mt 5,9). 

 O cristão combate o mal pelo bem. A lógica da violência e da guerra só destroem. Com a guerra todos perdem, ninguém ganha. A proposta de Jesus Cristo irrita os donos do poder que preferem a lei da selva: o mais forte manda, os outros obedecem. É a lei da força em detrimento da razão e da fraternidade.   

Já vimos esse “filme” antes na história do século XVIII. O imperador da França, Napoleão Bonaparte, devastou a Europa com guerras sem fim. Confiscou os bens da Igreja e levou o papa prisioneiro para a França. O papa era submetido a constantes pressões para ceder à vontade do imperador. Devia estar subordinado, como instrumento a serviço do império napoleônico.  

Muitos julgaram que o papado tinha chegado ao fim. Porém, a Igreja, sem exército para defender-se, rezava, e o papa invocava o auxílio de Nossa Senhora Auxiliadora dos cristãos. Em 1814 o imperador perde a batalha de Leipzig e parte para o exílio, no qual morre. O papa volta para Roma e continua a sua missão. 

O argumento mais usado para calar a Igreja, submetê-la, e até expulsar a religião da sociedade é o “Estado laico”. A fé seria uma questão pessoal e privada, não devendo estar e nem se manifestar no espaço público. Contudo, isto não é “Estado laico”, é laicismo. 

Infelizmente permanece até nas sociedades democráticas, expressões de laicismo intolerante, que hostilizam qualquer forma de relevância política e cultural da fé, a não ser que estejam submetidas aos caprichos de quem governa. Procura-se desqualificar o empenho social e político dos cristãos, porque se reconhecem nas verdades ensinadas pela Igreja e obedecem ao dever moral de ser coerentes com a própria consciência: chega-se até a negar a ética natural. 

O papa Francisco, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2013, disse que o Estado laico é aquele que, sem assumir como própria nenhuma posição confessional, respeita e valoriza a presença da dimensão religiosa na sociedade, favorecendo suas expressões mais concretas. O “Estado laico” longe de ser um “Estado ateu” – que nega a existência de Deus – protege a liberdade de consciência de crença de seus cidadãos, permitindo a coexistência de vários credos. 

O falso Estado laico que temos, inclusive no Brasil, é taxativo ao afirmar que, esse Estado laico, mas na verdade laicista.  Professa uma confessionalidade ideológica agnóstica, que ensina: “Quem tem convicção religiosa deve calar-se, quem é ateu ou agnóstico pode falar e impor-se aos outros. Assim, quem tem sempre razão é quem não tem religião e impõe o ateísmo como um dogma”.  

Não é um Estado de Direito Laico, democrático e pluralista, aquele no qual somente os ateus e agnósticos têm direito de falar e modelar as leis, e governar segundo os seus princípios. Ou ainda o Estado que pretende calar a voz das religiões e seus líderes, quando se sente incomodado. E pior ainda: colocar as religiões a seu serviço. 

A liberdade religiosa de a liberdade de expressão, são direitos universalmente reconhecidos. 

Dom Pedro Carlos Cipollini - Bispo de Santo André (SP)

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Fonte: cnbb.org.br    Foto do Papa em Angola: vaticannews.va

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Bispos aprovam novas Diretrizes que vão orientar

 a evangelização no Brasil nos próximos 6 anos

Os bispos do Brasil aprovaram, nesta manhã, 23 abril, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. O documento, que orientará as ações da Igreja nos próximos seis anos, foi aprovado por unanimidade dos bispos, reunidos durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que trouxe como tema central a discussão e aprovação das diretrizes.

Desde o início da assembleia, no dia 15 de abril, os bispos tem se dedicado a analisar o texto das diretrizes, apresentado pela Comissão de elaboração das diretrizes.

Divididos em grupos por regionais, o episcopado apresentou um total de 656 emendas ao texto original, que foram acatadas pela comissão e está presente, em quase sua totalidade, no texto final apresentado nesta manhã aos bispos.

Expressão da caminhada comum

Antes da aprovação, dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da comissão responsável pelas diretrizes, apresentou ponto a ponto o novo texto com a inclusão das emendas. Segundo o bispo, quase 90% das emendas recebidas foram incorporadas ao texto final. “Sempre preservando a unidade, a coerência e o horizonte global do texto”, destacou dom Leomar. “Fizemos o melhor possível para que esse texto seja a expressão real da nossa caminhada comum.”

Ao final da apresentação das diretrizes por dom Leomar, os bispos aplaudiram de pé, reconhecendo todo trabalho da comissão e o empenho em espírito de verdadeira comunhão, como destacou dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB. “Creio que temos em mãos um verdadeiro pentecostes, isto é obra do Espírito, não nossa, é do Espírito de Deus”, falou dom Jaime.

Após a correção do texto, as diretrizes estarão disponíveis, de forma impressa pelas Edições CNBB, em quatro semanas.

Parte da equipe que conduziu o processo de aprovação das diretrizes durante a 62ª AG CNBB. | Fotos: Jaison Alves.


19º Congresso Eucarístico Nacional

Dom João Justino, arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), falou aos bispos sobre 19º Congresso Eucarístico Nacional, que será realizado em setembro de 2027 em Goiânia (GO). O evento é organizado pela Arquidiocese de Goiânia em colaboração com as dioceses do regional Centro-Oeste da CNBB, que abrange o Distrito Federal e o estado de Goiás.

O tema desta edição será “Hóstias vivas, no mundo, para a glória do Pai”. Jesus, que desejou ardentemente comer a páscoa com seus discípulos (cf. Lc 22,15), instituiu em seu Corpo e Sangue a Nova Aliança com a humanidade, ordenando que seus discípulos repetissem aquele gesto em sua memória. Ao final da fala de dom Justino, os bispos rezaram juntos a oração do 19º Congresso Eucarístico Nacional.

Edições CNBB

Monsenhor Jamil Alves de Souza, diretor-geral das Edições CNBB, falou aos bispos sobre a editora, destacando algumas produções publicadas. As Edições CNBB são a editora oficial voltada à publicação, divulgação e distribuição de documentos e subsídios da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e de outras instâncias da Igreja. Seu catálogo abrange livros, folhetos, revistas e conteúdos digitais, com foco no apoio à missão evangelizadora.

Monsenhor Jamil apresentou também uma novidade que está sendo preparada pelas Edições CNBB: um aplicativo para celular da Bíblia e a biblioteca CNBB Digital, com os textos oficiais para dispositivos móveis. “O projeto contempla uma trilha de leitura orientada pelo método da Lectio Divina, o acesso integral à liturgia da palavra e comentários bíblicos oficiais. No ambiente web, a biblioteca CNBB Digital vai centralizar todo o acervo de documentos da Igreja com pesquisa de palavras e outros termos contidos nos documentos”.

Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja

Os bispos aprovaram também, nesta manhã, a criação do Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil. O objetivo é a preservação do patrimônio cultural da Igreja Católica, com estudos iniciados em 2025. A iniciativa visa captar recursos para restaurar e manter bens sacros.

Em setembro de 2025, a Presidência da CNBB aprovou e constituiu o “Grupo de Trabalho sobre o Fundo Patrimonial Filantrópico para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil”. Desde então, o grupo de trabalho realizou diversas reuniões para o estudo técnico sobre o tema e a elaboração da proposta conceitual.

Por Juliana Mastelini - 62ª AG CNBB.

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Fonte: cnbb.org.br

Papa a jornalistas em voo de retorno da África:

como pastor,
não posso ser a favor da guerra; há muitos mortos inocentes

No voo para Roma, Leão XIV reitera que sua primeira missão é anunciar o Evangelho. Lembra as crianças vítimas da guerra no Irã e no Líbano, condena a pena de morte e insiste no direito internacional. Sobre os migrantes, questiona: “O que o Norte faz pelo Sul do mundo?” e denuncia o fato de serem tratados pior que animais. Sobre os casais homossexuais, confirma que a Santa Sé não concorda com a bênção formalizada adotada na Alemanha, mas reforça o princípio de acolhida a "todos, todos, todos".

“Bom dia a todos, espero que estejam bem e prontos para mais uma viagem. Já com as baterias recarregadas!.” O Papa Leão XIV concluiu a longa viagem apostólica à África e, no voo de Malabo — última etapa na Guiné Equatorial — rumo a Roma, responde às perguntas de cinco dos cerca de 70 jornalistas que o acompanharam nessa viagem internacional. A guerra, as negociações entre os EUA e o Irã, a questão migratória, a pena de morte e a bênção de casais homossexuais estão entre os temas abordados pelo Pontífice durante a entrevista, precedida por uma reflexão do Papa Leão sobre a experiência que acaba de viver na África.

“Quando faço uma viagem, falo por mim mesmo; porém, hoje, como Papa, Bispo de Roma, trata-se sobretudo de uma viagem apostólica pastoral para encontrar, acompanhar e conhecer o povo de Deus. Muitas vezes, o interesse é mais político: ‘O que o Papa diz sobre este ou aquele tema? Por que não julga o governo de um país ou de outro?’. E há certamente muitas coisas a dizer. Falei de justiça e há temas a esse respeito. Mas essa não é a palavra principal: a viagem deve ser interpretada sobretudo como a expressão da vontade de anunciar o Evangelho, de proclamar a mensagem de Jesus Cristo, o que, então, é uma forma de se aproximar do povo em sua alegria, na profundidade de sua fé, mas também em seu sofrimento. Lá, claro, muitas vezes é necessário fazer comentários ou procurar como encorajar o próprio povo a assumir responsabilidades em sua vida. É importante conversar também com os chefes de Estado, para incentivar uma mudança de mentalidade ou uma maior abertura para pensar no bem do povo, uma oportunidade de analisar questões como a distribuição dos recursos de um país. Nas conversas que tivemos, fizemos um pouco de tudo, mas acima de tudo, ver e encontrar o povo com esse entusiasmo. Estou muito contente com toda a viagem, mas viver, acompanhar e caminhar com o povo da Guiné Equatorial foi realmente uma bênção com a água… Eles estavam contentes com as chuvas do outro dia, mas, acima de tudo, esse sinal de compartilhar com a Igreja universal o que celebramos em nossa fé."

Papa interage com os jornalistas   (@Vatican Media)


Ignazio Ingrao (Tg1): Santidade, obrigado por esta viagem rica de encontros, histórias e rostos. No encontro pela paz em Bamenda, Camarões, o senhor descreveu um mundo de cabeça para baixo, onde um punhado de tiranos ameaça destruir o planeta. A paz, disse, não deve ser inventada, mas acolhida. As negociações sobre o conflito no Irã estão em caos, com graves repercussões na economia mundial. O senhor espera uma mudança de regime no Irã, visto que a sociedade civil e os estudantes saíram às ruas nos últimos meses e há preocupação mundial em relação à corrida atômica? Que apelo o senhor faz aos Estados Unidos, ao Irã e a Israel para sair do impasse e interromper a escalada? A OTAN e a Europa deveriam se envolver mais?

Gostaria de começar dizendo que é preciso promover uma nova atitude e uma cultura de paz. Muitas vezes, quando avaliamos certas situações, a resposta imediata é que é preciso intervir com a violência, com a guerra, atacando. O que vimos foi a morte de muitos inocentes. Acabei de ler a carta de algumas famílias das crianças que morreram no primeiro dia do ataque. Elas falam sobre o fato de terem perdido seus filhos, as filhas, as crianças que morreram naquele ataque. A questão não é se o regime muda — o regime não muda —, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes. A questão do Irã é evidentemente muito complexa. As tratativas que estão fazendo, um dia o Irã diz sim e os Estados Unidos dizem não, e vice-versa, e não sabemos para onde isso vai. Foi criada essa situação caótica, crítica para a economia mundial, mas também há toda uma população no Irã de pessoas inocentes que estão sofrendo com essa guerra. Então, sobre a mudança de regime, sim ou não: não está claro que regime existe neste momento, após os primeiros dias dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã. Em vez disso, eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz, para que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado. É muito importante que os inocentes sejam protegidos, o que não aconteceu em vários lugares. Carrego comigo a foto de um menino muçulmano que, durante minha visita ao Líbano, me esperava com um cartaz que dizia "Bem-vindo, Papa Leão". Depois, nesta última fase da guerra ele foi morto. São muitas as situações humanas e creio que devemos ter a capacidade de pensar dessa forma. Como Igreja — repito — como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão.

Eva Fernández (Radio Cope): Estamos deixando um continente em que muitas pessoas desejam, sonham, viajar para a Europa. Sua próxima viagem será à Espanha, onde a questão migratória ocupa um lugar importante, sobretudo nas Ilhas Canárias. O senhor sabe que o tema da migração na Espanha suscita grande debate e polarização; inclusive entre os católicos não há uma posição clara. O que poderemos dizer aos espanhóis e, em particular, aos católicos a respeito da imigração? Depois, se me permite: a próxima viagem será à Espanha, mas sabemos que o senhor tem o desejo, a intenção de viajar ao Peru e talvez à Argentina e ao Uruguai, mas também gostaria de saudar a Virgem de Guadalupe?

O tema da imigração é muito complexo e afeta muitos países, não apenas a Espanha, não apenas a Europa, os Estados Unidos — é um fenômeno mundial! Portanto, uma resposta minha começa com uma pergunta: o que faz o Norte do mundo para ajudar o Sul do mundo ou aqueles países onde os jovens hoje não encontram um futuro e, por isso, vivem esse sonho de querer ir para o Norte? Todos querem ir para o Norte, mas muitas vezes o Norte não tem respostas sobre como lhes oferecer possibilidades. Muitos sofrem… O tema do tráfico de seres humanos, o “trafficking”, também faz parte da migração. Pessoalmente, acredito que um Estado tem o direito de estabelecer regras em suas fronteiras. Não estou dizendo que todos devam entrar sem ordem, criando às vezes, nos lugares para onde vão, situações mais injustas do que aquelas que deixaram. Porém, dito isso, eu me pergunto: o que fazemos nos países mais ricos para mudar a situação nos países mais pobres? Por que não podemos tentar, seja com ajuda estatal, seja com investimentos das grandes empresas ricas, das multinacionais, mudar a situação em países como aqueles que visitamos nesta viagem? A África, para muitas pessoas, é considerada um lugar onde se pode ir buscar minerais, extrair suas riquezas para a riqueza de outros, em outros países. Talvez, em nível mundial, devêssemos trabalhar mais para promover maior justiça, igualdade e o desenvolvimento desses países da África, para que não tenham a necessidade de emigrar para outros países, para a Espanha, etc. E o outro ponto que gostaria de abordar é que, em todo caso, são seres humanos e devemos tratar os seres humanos de maneira humana, não tratá-los muitas vezes pior do que os animais. Há um grande desafio: um país pode declarar que atingiu o limite de sua capacidade de acolhimento, porém, quando as pessoas chegam, são seres humanos e merecem o respeito que cabe a todo ser humano por sua dignidade.

E as próximas viagens?

Tenho um grande desejo de visitar vários países da América Latina. Até agora não está confirmado, veremos. Vamos aguardar.

O Papa respondeu a cinco perguntas   (@Vatican Media)


Arthur Herlin (Paris Match): Santo Padre, agradecemos-lhe imensamente por esta viagem extraordinária. Foi maravilhosa. Durante esta viagem, o senhor encontrou alguns dos líderes mais autoritários do mundo. Como o senhor evita que a sua presença confira autoridade moral a esses regimes? Não se trata, por assim dizer, de uma “lavagem de imagem” graças ao Papa?

Certamente, a presença de um Papa ao lado de qualquer chefe de Estado pode ser interpretada de maneiras diferentes. Pode ser interpretada — e por alguns foi interpretada — como se o Papa ou a Igreja estivesse dizendo que é aceitável viver daquela maneira. Outros podem dizer coisas diferentes. Gostaria de voltar ao que disse em minhas observações iniciais sobre a importância de compreender o objetivo principal das viagens que faço, que o Papa realiza: visitar as pessoas. E sobre o grande valor que a Santa Sé continua a atribuir, às vezes com grandes sacrifícios, à manutenção de relações diplomáticas com países do mundo inteiro. E, às vezes, temos relações diplomáticas com países que têm líderes autoritários. Temos a oportunidade de falar com eles em nível diplomático, em nível formal. Nem sempre fazemos grandes declarações de crítica, de julgamento ou de condenação. Mas há muito trabalho sendo feito nos bastidores para promover a justiça, para promover causas humanitárias, para procurar, às vezes, situações em que há presos políticos e encontrar uma maneira de libertá-los. Situações de fome, de doença, etc. Portanto, a Santa Sé, mantendo uma neutralidade e buscando formas de manter relações diplomáticas positivas com tantos países diferentes, está, na verdade, tentando aplicar o Evangelho às situações concretas para que a vida das pessoas possa melhorar. As pessoas interpretarão o resto como quiserem, mas acredito que seja importante para nós buscarmos a melhor maneira possível de ajudar o povo de qualquer país.

Verena Stefanie Schälter (ARD Rundfunk): Santo Padre, parabéns por sua primeira viagem papal ao Sul do mundo. Vimos muito entusiasmo e também, diria, euforia. Imagino que tenha sido muito comovente também para o senhor. Gostaria de saber como o senhor avalia a decisão do cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising, de conceder permissão para abençoar casais do mesmo sexo em sua diocese. E, à luz das diferentes perspectivas culturais e teológicas, sobretudo na África, como o senhor pretende preservar a unidade da Igreja universal sobre essa questão?

Em primeiro lugar, acredito que seja muito importante compreender que a unidade ou a divisão da Igreja não deve girar em torno de questões sexuais. Temos a tendência de pensar que, quando a Igreja fala de moral, o único tema moral é o sexual. Na verdade, acredito que existam questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que deveriam ter prioridade em relação a essa questão específica. A Santa Sé já conversou com os bispos alemães. A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais — neste caso, casais homossexuais, como a senhora perguntou — ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção. Quando um sacerdote dá a bênção no final da Missa, quando o Papa dá a bênção no final de uma grande celebração como a que tivemos hoje, há bênçãos para todas as pessoas. A famosa expressão de Francisco “todos, todos, todos” expressa a convicção da Igreja de que todos são acolhidos, todos são convidados, todos são convidados a seguir Jesus e todos são convidados a buscar a conversão em sua própria vida. Ir além disso hoje, creio que pode causar mais desunião do que unidade, e que devemos procurar construir nossa unidade em Jesus Cristo e no que Jesus Cristo ensina. Esta é a minha resposta à pergunta.

Anneliese Taggart (Newsmax TV - USA): Santo Padre, nesta viagem, o senhor falou sobre como as pessoas têm fome e sede de justiça. Ainda esta manhã foi noticiado que o Irã executou mais um membro da oposição, e isso ocorre enquanto o regime já enforcou publicamente muitas outras pessoas e assassinou milhares de seus próprios cidadãos. O senhor condena essas ações? O senhor tem alguma mensagem para o regime iraniano?

Condeno todas as ações injustas. Condeno o assassinato de pessoas. Condeno a pena de morte. Acredito que a vida humana deve ser respeitada e que a vida de todas as pessoas — desde a concepção até a morte natural — deve ser respeitada e protegida. Portanto, quando um regime, quando um país toma decisões que tiram injustamente a vida de outras pessoas, isso é evidentemente algo que deve ser condenado.

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Confira a coletiva:

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Fonte: vaticanews.va

Papa se despede da África,

um tesouro com histórias de alegria e sofrimento

"Parto da África com um tesouro inestimável de fé, esperança e caridade: um tesouro feito de histórias, rostos, testemunhos de alegria e de sofrimento que enriquecem grandemente a minha vida e o meu ministério como sucessor de Pedro", disse Leão XIV ao final da missa que recebeu 30 mil pessoas no Estádio de Malabo, último compromisso público do Papa em terras africanas.

Em um momento carregado de emoção e fé, além da alegria dos 30 mil fiéis no Estádio de Malabo, ao final da missa desta quinta-feira (23/04) o Papa Leão XIV se despediu do povo da Guiné Equatorial e de toda a África. Durante 10 dias, o Pontífice percorreu quatro países - inclusive a Argélia, Angola e Camarões - para consolidar a fé e encorajar as Igrejas locais para a reconciliação, a paz, a justiça e a fé. Pela duração, a viagem apostólica de Leão XIV foi semelhante àquela realizada à África por João Paulo II, em 1985, quando visitou 7 países em 11 dias. O continente, com a maior quantidade de países - um total de 54 - é o que apresenta os piores indicadores socio-econômicos, a segunda maior população e a terceira maior em extensão do mundo.

“Queridos irmãos e irmãs, chegou o momento de me despedir de vocês, da Guiné Equatorial e também de África, no final da viagem apostólica que Deus me concedeu realizar nestes 10 dias.”

O Pontífice também agradeceu às autoridades civis e eclesiásticas locais, sacerdotes e todo povo de Deus "a caminho nesta terra" desde a chegada dos primeiros evangelizadores que vieram por mar, há 170 anos. Leão XIV cumpriu agenda intensa em apenas três dias na Guiné Equatorial, que teve o lema da viagem recordado pelo Papa nas palavras de despedida, evocando a memória do passado e a confiança em um caminho de fé e esperança rumo ao futuro:

“Cristo, a luz da Guiné Equatorial e vocês são sal da terra e luz do mundo.”

Assim como nos primeiros séculos da Igreja, continuou o Papa Leão XIV ao final da missa no Estádio de Malabo, "a África é chamada hoje a dar uma contribuição decisiva à santidade e ao caráter missionário do povo cristão". E antes de confiar "de coração" todas as famílias e comunidades dos povos africanos à intercessão de Nossa Senhora, o Pontífice finalizou:

"Parto da África com um tesouro inestimável de fé, esperança e caridade: um tesouro feito de histórias, rostos, testemunhos de alegria e de sofrimento que enriquecem grandemente a minha vida e o meu ministério como sucessor de Pedro."

Andressa Collet - Vatican News

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Assista à partida de Leão XIV:

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Fonte: vaticanews.va