quarta-feira, 24 de junho de 2026

Papa na catequese desta quarta-feira:

a Eucaristia é antídoto
contra as divisões que minam o nosso mundo

Depois da visita à Espanha e da catequese dedicada a esta viagem apostólica, Leão XIV retomou esta quarta-feira o ciclo dedicado aos documentos conciliares. O comentário de hoje foi sobre o mistério eucarístico, a partir da Constituição "Sacrosanctum Concilium" (SC) sobre a Liturgia.

Mesmo sob forte sol, com temperatura acima dos 35 graus, milhares de fiéis se reuniram na Praça São Pedro para a última Audiência Geral antes da pausa de verão. Como de costume, no mês de julho são canceladas todas as audiências no Vaticano. O único momento público do Papa é a oração do Angelus todos os domingos. Leão XIV deu continuidade às catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, em particular sobre a Constituição Sacrosanctum Concilium (SC) sobre a Liturgia, destacando a influência de Santo Agostinho neste texto.

"Para os cristãos, participar na ceia do Senhor significa, de fato, «ser instruídos pela palavra de Deus; alimentar-se à mesa do Corpo do Senhor; dar graças a Deus». É ao recebê-Lo na Sua Palavra e na Eucaristia que nos tornamos aquilo que recebemos. Tornamo-nos o Corpo cuja Cabeça é o Cristo ressuscitado, sentado à direita do Pai, que nos prepara um lugar nos céus."

A Eucaristia é oblação

Assim, explicou o Pontífice, a Eucaristia é "o sacramento do Reino que vem". É o Pão do caminho, que nos conduz para a Pátria celestial. A Eucaristia é a forma do sacrifício espiritual dos cristãos, na medida em que é o caminho da união com Deus e da união recíproca. Ao participarem dela, aprendem a oferecer-se a si mesmos, a adotar o estilo de vida do próprio Senhor Jesus, marcado pela doação gratuita. Esta doação, prosseguiu o Papa, nos faz entrar na dinâmica da unidade, "que oferece um poderoso antídoto contra os fermentos de divisão que minam o nosso mundo, as nossas comunidades, as nossas famílias, o nosso coração".

Deste modo, quando participamos da Missa, somos convidados a ouvir a Palavra de Deus e a alimentar-nos à mesa do Senhor. A Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística estão intimamente ligadas entre si a ponto de formarem um só ato de culto.

O Lecionário, fruto da reforma litúrgica

No que diz respeito à Palavra, Leão XIV recordou que não se trata apenas de adquirir um conhecimento intelectual sobre as Escrituras, mas de receber a Palavra «viva e eficaz», dirigida por Deus a todos e, ao mesmo tempo, a cada um; Palavra que, juntamente com o Pão eucarístico, nos nutre e alimenta e nos faz passar da decadência do pecado para a vida nova em Cristo. 

O Vaticano II pediu que os fiéis fossem bem preparados para receber "os tesouros da Bíblia". Fruto da reforma litúrgica foi, portanto, o Lecionário, ou seja, o livro que reúne todas as leituras bíblicas para as celebrações litúrgicas, de modo a conjugar «fidelidade à tradição» com a «abertura a um progresso legítimo».

"Queridos irmãos e irmãs, bebamos com fé desta fonte de vida divina e deixemo-nos transformar pelo mistério que celebramos", foi o apelo de Leão XIV na conclusão de sua catequese.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Assista:

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Fonte: vaticanews.va     Foto e vídeo: (@Vatican Media)


João Batista

nos aponta o Cordeiro de Deus! 

Dom Diamantino Prata de Carvalho - Bispo Emérito da Campanha (MG)

Para além da diversidade cultural e até mesmo folclórica por detrás dos festejos juninos, estes embalados pelas tradições vinculadas ao popular São João, somos convidados pela Igreja a debruçarmo-nos com solene e grande alegria sobre a Natividade de São João Batista, à luz do Evangelho de Lucas 1,57-66.80, o qual descreve tamanho acontecimento. 

 Enriquecidos por tão bela narrativa, apoiados nos escritos dos santos Padres, a Natividade de São João Batista não só causa admiração pelo conhecimento dos sagrados mistérios, senão pela meditação impetrada a partir dos mesmos, meditação esta que, ultrapassando gerações, produz efeitos espirituais profundamente vivos e pertinentes ao tempo presente, bem como ao vindouro da Igreja e de cada filho seu. 

Sob a auspiciosa sabedoria de Santo Agostinho, podemos contemplar tal Solenidade em uma perspectiva sumamente cristocêntrica, uma vez que o mesmo, partindo de João Batista, nos leva até Cristo e sua Igreja; isto considerando a eloquente afirmação de que “João nasce de uma anciã estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem”. 

Último dos profetas da Antiga Aliança, João é a síntese de todo percorrido do Povo de Israel até os tempos da plenitude com a esperada vinda do Messias. Síntese não só por sua sabedoria expressada aos quatro cantos, apontando o Cordeiro, mas síntese também por que resume um tempo antes de Cristo marcado por vãos lampejos de certeza rumo à verdadeira Esperança. 

A estéril de que nos fala Agostinho, Isabel, representa as antigas investidas do Povo de Israel, muitas vezes calcadas em erros e corações endurecidos, incapazes do Amor, mais tarde engendrado do seio de Maria Santíssima. Povo que ao corromper-se pela ganância e vãs ambições, tornou-se por demais estéril e distante do projeto de Deus. Povo que se vê renovado, por dom e graça de Deus, mediante o mistério mais sublime na história da humanidade. 

A encarnação de Cristo, Mistério por excelência, traduz-se assim como a fonte mais pura e bela da reconciliação e restauração plena do povo de Deus, que outrora tropeçava em sua dureza de coração, mas que agora firma seus passos naqu’Ele que é verdadeiramente o Caminho, a Verdade e a Vida. Tal mistério, pelos desígnios do Altíssimo, exigiu antes o anúncio feito por João, voz que clamava no deserto, pavimentando os corações daqueles que porventura se deixavam guiar pelas veredas dos Céus.  

Se João, pois, resumia a jornada de Israel antes de Cristo, Cristo por sua vez introduz uma nova era na história da Salvação. Sinal de contradição, na contramão dos malfeitores que usurpavam do poder religioso e do prestígio reservado aos santos sacerdotes, Jesus introduz renovada Esperança, superando a estéril Aliança, não a abolindo, mas dando-lhe pleno cumprimento. Nosso Senhor elege para o mundo e a partir deste a Senhora que, diferente da estéril, apresenta-se agora virgem, pura, reluzente, repleta de força e vigor para a geração de uma nova humanidade. 

Assim Maria Santíssima traduz a Igreja, novo povo de Deus, que já não se restringe a um punhado de fiéis errantes, mas sim a uma vasta gama de povos e nações que, ainda hoje, abandonando suas estéreis verdades, dedicam-se à Verdade que é Cristo; que escutando a voz do precursor, dedicam-se a seguir o Caminho, comungando do Santo Sacrifício, do Cordeiro de Deus que de uma vez por todas tira o Pecado do Mundo, e o refaz para jamais jazer no erro, na escuridão. 

A exemplo do precursor, renovados pela profecia que nos liberta de toda escravidão, possamos anunciar com esmero e convicção o mesmo Cristo de ontem, hoje e sempre, perpetuando este reinado de amor e esperança, que rompendo a estéril tristeza da humanidade, a eleva à fértil alegria do novo que nos anuncia Cristo e sua Igreja para toda a eternidade. 

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Fonte: cnbb.org.br   Imagem: (@Vatican Media)

Leão XIV a escritores nesta manhã:

Deus se revela em meio a histórias muito humanas dos livros

Por ocasião dos 100 anos da Livraria Editora Vaticana, a editora oficial da Santa Sé, Leão XIV encontrou um grupo de 50 escritores e refletiu sobre as formas de compreender Jesus através também dos livros, já que "escrever é um ato de verdade", amplia a nossa humanidade e nos deixa mais próximos de Deus: "é ali, em meio a histórias muito humanas, que Deus se revela", na libertação da escravidão, no nascimento do filho, no amor misericordioso, "por meio de fatos e encontros, rostos e histórias".

O Papa Leão XIV, antes da Audiência Geral desta quarta-feira (24/06), encontrou um grupo de 50 escritores provenientes de várias partes do mundo, reunidos em Roma por ocasião dos 100 anos da Livraria Editora Vaticana (LEV). A editora oficial da Santa Sé, fundada em 1926 pelo Papa Pio XI, já serviu 9 Pontífices, "divulgando o magistério como contribuição para a difusão do Evangelho no mundo", como recordou Leão XIV no início de maio, na audiência de aniversário do centenário da editora da Igreja Católica Romana.

Escrever é um ato de verdade

No escritório junto à Sala Paulo VI nesta quarta-feira (24/06), Prevost recebeu os escritores e falou sobre a importância do livro e da própria escrita, "uma forma de expressão humana da qual vocês são, com variedade de estilos e de linguagens, mestres e modelos". Recordando São Paulo VI, enfatizou o quanto precisamos dos artistas, "da sua imaginação, da sua fantasia narrativa, da sua vivacidade de pensamento. Precisamos disso para criar espaços de liberdade e autenticidade, nos quais a graça divina possa fazer ressoar uma promessa de consolo e de paz". O Papa, então, agradeceu "por todas as vezes em que semearam a reconciliação, o encontro e a amizade", além de pedir que "sejam capazes de suscitar o interesse pela verdade, pois vocês mesmos são atraídos por ela":

"Escrever – da maneira como vocês o fazem – é um ato de verdade, de revelação. Escrever nos diz quem somos, aquilo em que acreditamos e esperamos, o mundo para o qual nos dirigimos, o futuro com que sonhamos. Nessa tensão pela verdade, percebemos como ela é discreta, como se apresenta a nós no diálogo interior com Deus e no diálogo aberto e respeitoso com o próximo. «A verdade não é um território a ser defendido, mas um bem a ser compartilhado» (Magnifica humanitas, 25). Nunca somos senhores da verdade; é ela, de fato, que nos 'conquista'."

Escrever é um gesto de humanidade

Para falar sobre a escrita que amplia a nossa humanidade, Leão XIV citou o dramaturgo e poeta romano Terêncio, que foi eternizado pela célebre frase “Sou um ser humano; nada do que é humano me é estranho”; além do próprio Papa Francisco, que escreveu uma Carta sobre o Papel da Literatura na Educação, argumentando sobre o valor formativo da literatura através das experiências humanas. A escrita, aprofundou Prevost através das palavras de Bergoglio, ativa "o poder empático da imaginação", veículo fundamental para levar a sentimentos como a solidariedade, a partilha, a compaixão e a misericórdia:

"É nisso que reside a grande escola de humanidade que vocês fazem os leitores experimentarem, pois quem lê, de certa forma, vive muitas vidas além da própria. E isso nos ajuda a descobrir as diversidades de pontos de vista, a não absolutizar o nosso e a compor, como em um mosaico, o perfil daquela verdade que sempre passa por nós."

Escrever não é estranho a Cristo

Por fim, finalizou o Papa em discurso, "escrever tem a ver com Deus. Pode parecer ousado dizer isso, mas vários teólogos refletiram e escreveram sobre a consonância entre a forma da escrita e a revelação do Deus bíblico". Leão XIV, então, citou o renomado frade dominicano, teólogo e escritor britânico, cardeal Timothy Radcliffe, que, retomando Terêncio, afirmou que, para os cristãos, "nada do que é humano é estranho a Cristo. Toda tentativa de dar resposta às questões fundamentais da nossa vida – como amar, ser justo, ser livre, enfrentar o sofrimento e a morte – nos ajuda a compreender Cristo, aquele que é o mais humano de todos" (T. Radcliffe, Acender a imaginação, Verona 2021, p. 29). E o Pontífice acrescentou:

“Quando chegamos ao âmago da nossa humanidade, não estamos distantes de Deus: é ali, em meio a histórias muito humanas, que Deus se revela. O Deus da Bíblia se manifesta na libertação da escravidão, no nascimento inesperado de um filho, no amor misericordioso e fiel. Fala por meio de fatos e encontros, rostos e histórias. «Deus opera na nossa vida através do que fazemos e do que somos, e através das muitas pessoas que encontramos».”

Andressa Collet - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Fotos: (@Vatican Media)

terça-feira, 23 de junho de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 24 - Quarta-feira

18h - Missa em louvor a São José na matriz

18h - Celebração na comunidade dos Inácios

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Dia 25 - Quinta-feira

 8h30 - Missa na capela do Colégio Santa Ângela

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração na comunidade das Andorinhas

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Dia 26 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa no Asilo São Vicente de Paulo

19h - Grupo de oração maranathá na capela da Soledade

19h - Celebração no Eldorado e nas comunidades da Pedra Branca e da Serrinha

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Dia 27 - Sábado

14h30-  Encontro de formação dos Meces no CPSJ

15h -  Celebração na comunidade da Bomba

19h -  Missa na matriz

19h -  Celebração nas comunidades São Geraldo

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Dia 28 - 13º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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CNBB divulga mensagem ao povo brasileiro

por ocasião das eleições de 2026

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de seu Conselho Permanente, divulgou na quinta-feira, 18 de junho, uma mensagem ao povo brasileiro por ocasião das eleições de 2026. No texto, os bispos reafirmam o compromisso da Igreja com a promoção da vida, da dignidade humana e do bem comum, ao mesmo tempo em que destacam a importância da participação consciente dos cidadãos no processo eleitoral.

Inspirada na passagem bíblica “Examinai tudo e guardai o que for bom” (1Ts 5, 21), a mensagem recorda que a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos políticos. Entretanto, ressalta que a fé cristã e a Doutrina Social da Igreja reconhecem a política, quando orientada pela ética, como uma das mais elevadas formas de caridade e serviço à sociedade.

Os bispos afirmam que as eleições representam uma oportunidade privilegiada para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social. Segundo o texto, mais do que escolher governantes e representantes, os brasileiros são chamados a renovar o compromisso com valores fundamentais para a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.

Desafios que afetam a vida pública

mensagem também faz um alerta diante de desafios que afetam a vida pública do país. A CNBB manifesta preocupação com a desigualdade social, a corrupção, a compra de votos, o uso indevido de recursos públicos e a disseminação deliberada de notícias falsas. Os bispos ressaltam ainda que o abuso do poder econômico e político, assim como as diversas formas de violência, fragilizam a confiança nas instituições democráticas e comprometem a convivência social.

Outro ponto destacado é a necessidade de fortalecer a democracia por meio do respeito às instituições da República, à Constituição Federal, ao Estado Democrático de Direito e aos mecanismos legítimos de apuração da vontade popular. O texto reafirma a importância da confiança no processo eleitoral, do respeito aos resultados das urnas e da observância da Lei da Ficha Limpa.

Ao dirigir-se aos eleitores, a CNBB convida cada cidadão a assumir sua responsabilidade no processo democrático. A mensagem observa que a abstenção não é a melhor escolha e propõe um discernimento que vá além das promessas de campanha, considerando a trajetória de vida dos candidatos e as consequências dos compromissos assumidos.

“O Brasil necessita reforçar a capacidade de construir pontes, promover encontros e cultivar a amizade social”, afirmam os bispos.

A Conferência destaca, ainda, que a esperança cristã se expressa por meio da participação, do diálogo, da defesa da verdade, da proteção da democracia e da promoção da justiça. Os bispos convidam todos os homens e mulheres de boa vontade a serem promotores da paz social e construtores da fraternidade.

Ao final, a mensagem encerra com uma oração pela nação brasileira, confiando o país à proteção de Nossa Senhora Aparecida e pedindo que Deus ilumine cada eleitor e eleitora no exercício de sua responsabilidade cidadã.

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Acesse (aqui) a mensagem na íntegra.

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Assista à mensagem do presidente da CNBB: 

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                                                                                                           Fonte: cnbb.org.br

A copa da Paz:

quando o esporte se torna linguagem de esperança

Dom Leomar Brustolin - Arcebispo de Santa Maria (RS)

Em tempos marcados por guerras, divisões, intolerâncias e feridas abertas entre povos e nações, um evento esportivo pode parecer algo pequeno diante dos grandes desafios da humanidade. No entanto, o esporte possui uma força singular: é capaz de reunir pessoas, culturas, línguas e histórias diferentes em torno de uma experiência comum. Por isso, a Copa do Mundo pode ser contemplada também como um sinal de esperança, um convite a sonhar e a trabalhar por um mundo mais fraterno, reconciliado e justo.

A Igreja sempre reconheceu o valor humano, educativo e social do esporte. São João Paulo II afirmava que o esporte é uma verdadeira “escola de virtudes”, capaz de educar para a disciplina, a solidariedade, o respeito e a amizade. Bento XVI recordava que a atividade esportiva ajuda a superar barreiras culturais e linguísticas, favorecendo o encontro entre os povos. Já o Papa Francisco ensinou que o esporte possui a capacidade de construir pontes onde muitos erguem muros, tornando-se instrumento de paz, fraternidade e cultura do encontro.

Também o Papa Leão XIV tem insistido na necessidade do diálogo e da construção paciente da paz. Em uma de suas recentes manifestações, pediu que os povos tenham “o coração aberto ao diálogo” e trabalhem pela fraternidade entre as nações. Ao falar sobre futebol, em sua visita à Espanha, recordou que o Papa deve ser “de todos os times”, uma expressão simples, mas profundamente simbólica: acima das rivalidades, das cores e das bandeiras, existe uma pertença maior, que nos irmana como membros da única família humana.

O futebol é uma das mais belas metáforas da vida. A bola que corre pelo campo recorda os sonhos que carregamos no coração e que nunca devem permanecer parados. O gol aponta para os horizontes que buscamos alcançar, fruto de perseverança, esforço, esperança e confiança. Os jogadores nos ensinam que ninguém constrói uma vitória sozinho; é preciso confiar, colaborar e colocar os talentos pessoais a serviço da equipe. E a torcida, com sua paixão e seu entusiasmo, lembra-nos que o ser humano precisa caminhar acompanhado, sustentado pelo incentivo e pela presença dos outros.

Quando a bola rola, não se movimenta apenas um jogo: movimentam-se emoções, memórias, pertencimentos e esperanças. Por isso, o futebol continua sendo uma linguagem universal capaz de unir pessoas diferentes em torno da alegria de sonhar, lutar e celebrar juntas.

O esporte nos ensina que adversário não é inimigo. Ensina que regras existem para proteger a convivência. Ensina que a vitória só tem verdadeiro valor quando é alcançada com honestidade. Ensina, sobretudo, que ninguém vence sozinho.

Num mundo que frequentemente transforma diferenças em conflitos, a Copa nos recorda que é possível competir sem destruir, divergir sem odiar e celebrar sem excluir. Que cada partida seja, portanto, um convite a reconhecer no outro não um rival a ser vencido, mas um irmão com quem partilhamos o mesmo campo da existência.

A esperança nasce quando aprendemos a jogar juntos. E a paz começa quando descobrimos que pertencemos à mesma equipe: a família humana, sonhada e amada por Deus.

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                                                       Fonte: vaticanews.va      Vídeo: (@Vatican Media)

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Papa Leão nesta segunda-feira:

é mais fácil "alimentar" conflitos do que pessoas.
Deve-se apostar no multilateralismo.

Em sua primeira visita à sede do Programa Alimentar Mundial (World Food Programme), em Roma, Leão XIV reforçou que água, alimento e acesso à saúde não podem ser subordinados a considerações de mercado ou a interesses geopolíticos. E pediu uma renovada aliança entre as nações no combate à fome.

O Papa Leão deixou o Vaticano na manhã desta segunda-feira, 22 de junho, para visitar a sede do Programa Mundial de Alimentos (PAM), que fica na zona sul de Roma. As anfitriãs do Pontífice foram a ex-diretor executiva, Cindy McCain, que concluiu seu mandato há poucos dias, e a diplomata brasileira Carla Barroso Carneiro, presidente da assembleia, que discursaram antes do Santo Padre.

A convergência entre o PAM e a Igreja

Ao tomar a palavra, Leão XIV enalteceu o trabalho da instituição, que foi condecorado com o Nobel da Paz em 2020, e reforçou a convergência com a missão da Igreja Católica em proteger a dignidade humana e promover a fraternidade. "Juntos, compartilhamos a urgente tarefa de combater a fome e a desnutrição, enfrentando ao mesmo tempo as causas estruturais que as alimentam."

Entre essas causas, o Pontífice aponta as crises hodiernas que não são mais "eventos isolados", mas se transformaram em "realidades persistentes", caracterizadas por conflitos prolungados, insegurança alimentar crônica, volatilidade econômica e crescente vulnerabilidade climática. E não só, como observou na encíclica Magnifica humanitas, esta situação é fruto ainda da crise do sistema multilateral e da fragmentação da ordem mundial. Assim, não se trata somente de como intervir, mas compreender o motivo pelo qual este sistema produz os problemas que ele mesmo é forçado a corrigir. 

Esse clima de desconfiança, analisou Leão XIV, levou os Estados a destinarem progressivamente os próprios recursos à segurança nacional e à estabilidade interna, ignorando a cooperação internacional.

O paradoxo atual

Esta tendência gera o evidente paradoxo de uma “capacidade produtiva global sem precedentes” paralela “à expansão de áreas de extrema vulnerabilidade”, que o Papa assim sintetizou: "As mesmas forças que alimentam o crescimento econônimo muitas vezes agravam a exclusão e a marginalização". Assistimos a uma "burocratização da solidariedade" junto a uma "silenciosa mercantilização da vida humana". O resultado é que o acesso aos bens essenciais, inclusive ao alimento, é influenciado por considerações econômicas ou estratégicas. E quem não produz um valor quantificável corre o risco de se tornar invisível. 

A solidariedade impedida por "incompreensíveis decisões políticas"

Desta forma, a pessoa humana perdeu a sua centralidade, e como denunciou o Papa Francisco em 2016, nesta mesma sede, as ajudas são obstaculizadas "por intrincadas e incompreensíveis decisões políticas, por tendenciosas visões ideológicas ou por insuperáveis barreiras alfandegárias", enquanto "as armas não".

Sendo assim, é mais fácil "alimentar" conflitos do que pessoas. "Esta realidade reflete não apenas carências operativas, mas também um profundo desequelíbrio nas prioridades políticas e morais", denunciou Leão XIV.

O risco de perpetuar "ciclos de fragilidade"

As consequências da fome, prosseguiu, se estendem para além dos diretos interessados, podendo comprometer toda a coesão social, aumentando o risco de conflitos e migrações forçadas, “perpetuando assim cliclos de fragilidade que, em última análise, incidem sobre a comunidade internacional”. São instituições como o PAM, ressaltou o Papa, que impedem que crises humanitárias degenerem num "colapso irreversível". 

Retomar o multilateralismo

Para todas essas questões, o Pontífice propõe retomar a cooperação multilateral, porque nenhum Estado, hoje, pode enfrentar sozinho os desafios globais. A comunidade internacional deve estar unida pela preocupação por quem se encontra vulnerável, opondo-se à exclusão. Assim, o convite a caminhar juntos, em harmonia fraterna, deve se tornar o "princípio inspirador".

O encorajamento aos governos 

Eis então o apelo do Santo Padre aos governos de todo o mundo, para que "renovem e reforcem seu compromisso, aumentem os recursos destinados à luta contra a fome e às suas causas profundas e removam os obstáculos que impedem às ajudas de alcançar quem necessita".

Para traduzir essas palavras em fatos, é preciso reduzir a burocracia supérflua, de modo que a transparência e responsabilidade estejam a serviço das pessoas e não se tornem um obstáculo às ajudas. Onde os Estados vacilam e o acesso humanitário é limitado, a Igreja Católica tem um papel importante, pois com frequência alcança as populações mais vulneráveis em regiões inacessíveis. 

Resistir à mercantilização

Outro apelo do Papa é para resistir à "mercantilização das necessidades humanas fundamentais":

“Água, alimento e acesso à saúde não podem ser subordinados a considerações de mercado ou a interesses geopolíticos. O acesso ao alimento adequado é um direito humano fundamental radicado na dignidade de cada pessoa.”

Para Leão, não se trata somente de aliviar o sofrimento, mas enfrentar as causas de instabilidade geopolítica, já que a segurança alimentar é um componente essencial da segurança global e integral. 

Um novo percurso é possível

O Pontífice concluiu afirmando que o que está em jogo não é só a eficácia de uma agência, mas a credibilidade da própria cooperação internacional. Um novo percurso é possível, afirmou, partindo da simplificação do método, priorizando o essenvial, sem que nenhuma pessoa seja esquecida. 

"De fato, esse compromisso está enraizado no reconhecimento de que toda pessoa humana possui uma dignidade inerente e inalienável, que permanece intacta independentemente das circunstâncias, das condições ou da posição social. Enraizada no amor incondicional e ilimitado de Deus, essa dignidade pode ser descrita como infinita, pois nada pode diminuir, apagar ou negar o seu valor. É precisamente pela nossa fidelidade a essa verdade que se mede a humanidade da nossa política e, com ela, o futuro da comunidade internacional."

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Fonte: vaticanews.va     Vídeo: (@Vatican Media)