quarta-feira, 15 de abril de 2026

Editorial Vatican News - Andrea Tornielli:

Os Papas e as guerras na era contemporânea

Diante do poder destrutivo das armas modernas, é muito difícil falar, como se fazia nos séculos passados, da possibilidade de uma "guerra justa". Já em 1963, João XXIII, na Pacem in Terris, escreveu que, na era atômica, é quase impossível pensar na guerra como instrumento de justiça. Leão XIV segue essa linha, fazendo da paz um dos temas centrais de seu pontificado.

Leão XIV durante a vigília de oração pela paz, sábado, 11 de abril, na Basílica de São Pedro 


Enquanto se volta a falar de “guerra justa”, vale a pena recordar o magistério de paz dos Pontífices que se sucederam na Cátedra de Pedro nos últimos cem anos. Um magistério que foi-se enriquecendo e aprofundando gradualmente, chegando a definir como cada vez mais difícil a possibilidade de que exista uma “guerra justa”. As reflexões sobre a teologia dos séculos passados e sobre as possíveis justificativas para a guerra não levam em conta o fato de que, quando os teólogos do passado escreviam sobre esses temas, as guerras eram travadas com espadas e bastões, e não com bombas e drones controlados por máquinas — um fato que abre questões morais de intensidade dramática. De fato, amadureceu cada vez mais a consciência de que a guerra não é um caminho a seguir.

Desde a carta de Bento XV aos beligerantes, de 1917, que define a Primeira Guerra Mundial como um “massacre inútil”, até às tentativas de Pio XII de evitar o início da Segunda Guerra Mundial; das palavras de João XXIII na “Pacem in terris”, que já em 1963 escrevia que “é quase impossível pensar que, na era atômica, a guerra possa ser utilizada como instrumento de justiça”, ao grito de Paulo VI na ONU “nunca mais a guerra”, até às tentativas ignoradas de João Paulo II de evitar os desastrosos conflitos no Oriente Médio; os Sucessores de Pedro não deixaram de levantar a sua voz, marcada pela profecia e pelo realismo, infelizmente, na maioria das vezes, sem serem ouvidos.

O texto de referência é, antes de tudo, o Catecismo da Igreja Católica, que contempla o direito à legítima defesa, mas impõe “condições restritas” também à guerra defensiva: “É necessário, contemporaneamente: que o dano causado pelo agressor à nação ou à comunidade das nações seja duradouro, grave e certo; que todos os outros meios de eliminá-lo se tenham revelado impraticáveis ou ineficazes; que haja condições fundamentadas de sucesso; que o recurso às armas não provoque males e desordens mais graves do que o mal a eliminar. Na avaliação dessa condição, a potência dos meios modernos de destruição tem um peso enorme”. Quem pode negar que a humanidade se encontra hoje à beira do abismo justamente por causa da escalada do conflito e da potência dos “meios modernos de destruição”?

O “não” à guerra foi reiterado com cada vez mais força também durante o pontificado do Papa Francisco, que na Encíclica “Fratelli tutti” escreveu: “É fácil optar pela guerra, invocando todo tipo de desculpas aparentemente humanitárias, defensivas ou preventivas, recorrendo inclusive à manipulação da informação. De fato, nas últimas décadas, todas as guerras alegaram ter uma ‘justificativa’ (...). A questão é que, a partir do desenvolvimento de armas nucleares, químicas e biológicas, e das enormes e crescentes possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, foi conferido à guerra um poder destrutivo incontrolável, que atinge muitos civis inocentes. Na verdade, “nunca a humanidade teve tanto poder sobre si mesma e nada garante que o utilizará bem”. Portanto, não podemos mais pensar na guerra como solução, já que os riscos provavelmente serão sempre superiores à hipotética utilidade que se lhe atribui. Diante dessa realidade, hoje é muito difícil defender os critérios racionais desenvolvidos em outros séculos para falar de uma possível ‘guerra justa’. Nunca mais a guerra!”

Seu sucessor, Leão XIV, fez da paz um dos temas centrais de seu pontificado: diante da loucura da escalada bélica e dos gastos desmedidos com o rearmamento, ele trilha com igual realismo e profecia o caminho já aberto por seus antecessores, clamando por paz, diálogo e negociação. Os massacres de civis perpetrados nos últimos anos abalam as consciências de bilhões de pessoas em todo o mundo, que voltam os olhos para o Bispo de Roma. O Papa Leão, como fez Jesus no Getsêmani, convida com veemência a colocar a espada na bainha: “Por toda parte, se ouvem ameaças em vez de apelos à escuta e ao encontro”, disse ele durante a Vigília de oração no sábado, 11 de abril, explicando que “quem reza não mata nem ameaça com a morte, mas tem consciência dos próprios limites. Em vez disso, é escravo da morte aquele que virou as costas ao Deus vivo, para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo, ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe. Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta com a ostentação da força! Basta com a guerra! A verdadeira força manifesta-se no serviço à vida”.

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Fonte: vaticanews.va       Foto: (@Vatican Media)

Bispos reunidos em Aparecida, São Paulo,

iniciam 62ª Assembleia Geral da CNBB

Acolhendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu, na manhã desta quarta-feira, 15 de abril, sua 62ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP). Reunidos sob o olhar materno de Nossa Senhora, os bispos do Brasil se encontram para refletir os desafios e as oportunidades do tempo presente, à luz do Evangelho e das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.

Acolhida da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Foto: Fiama Tonhá


Compuseram a mesa de honra da solenidade de abertura a presidência da CNBB, dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da conferência; dom João Justino, arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente; dom Paulo Jackson, arcebispo de Olinda e Recife e segundo vice-presidente, dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar da arquidiocese de Brasília e secretário geral da CNBB; o núncio apostólico no Brasil, dom Giambatista Diquattro; o arcebispo da Arquidiocese de Aparecida, dom Orlando Brandes, o arcebispo nomeado de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva; o reitor do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, padre Eduardo Catalfo; e, o prefeito da cidade de Aparecida, José Luiz Rodrigues.

Em sua fala, dom Jaime Spengler convidou os bispos a um momento de silêncio e oração pelo Papa Francisco, falecido no ano passado, dias antes da data prevista para a assembleia dos bispos. Também deu graças a Deus pelo novo sucessor de Pedro, o Papa Leão XIV.

Lembrando que a Assembleia Geral é o órgão supremo da conferência, exercício de colegialidade e comunhão, o presidente da CNBB falou da importância de testemunhar a verdade, a transparência e verdade profética. Fez votos de que a assembleia transcorra em espírito de união e fraternidade. “Bom e frutuoso trabalho a todos!”, desejou dom Jaime.

Após a fala do presidente, foi lida a mensagem e bênção apostólica enviada pelo Papa Leão XIV aos bispos e à assembleia. Nela, o Papa voltou a destacar o tema da paz: “O Senhor Ressuscitado diz-nos novamente a todos: ‘A paz esteja convosco!’ (Jo 20, 19).”

Apresentação da mensagem do Papa. Foto: Jaison Alves da Silva


Num mundo marcado por violentos conflitos armados, é urgente suplicar ao Príncipe da Paz luzes para os corações e as mentes dos líderes das nações envolvidas nas guerras atuais, escreveu o Sumo Pontífice. “Entretanto, sabemos que a verdadeira paz não é somente a ausência de conflitos. A convivência pacífica nasce do reconhecimento do valor do outro, da consciência de que somos todos irmãos, criados por Deus à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26).”

Além da mensagem, o Papa Leão XIV se faz próximo da assembleia através da presença do núncio apostólico no Brasil, dom Giambatista Diquattro. Dom Giambatista renovou o convite a cada pastor do Brasil a uma Igreja missionária, que abre os braços e vai falar ao povo.

“Que esta assembleia seja aurora de comunhão, que Nossa Senhora Aparecida interceda por nós e por todo povo brasileiro”, finalizou o Núncio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também enviou uma mensagem ao episcopado brasileiro reunido na 62ª Assembleia Geral da CNBB. Na mensagem, o presidente destacou a realização da assembleia no contexto das comemorações dos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, falando da contribuição da Igreja Católica na promoção de ações sociais e no apoio às populações mais vulneráveis ao longo desse período.

Em seguida, a Presidência da CNBB deu continuidade à Assembleia, com a memória dos acontecimentos dos últimos dois anos na Igreja no Brasil, a pauta do encontro e o início das votações. Na parte da tarde haverá retiro, com a pregação de dom Armando Bucciol, e às 18h a missa de abertura no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo cardeal dom Jaime Spengler.

Por Juliana Mastelini | Arquidiocese de Londrina (PR) | 62ª AG CNBB

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Papa Leão XIV envia mensagem
à 62ª Assembleia Geral da CNBB e reforça apelo pela paz

O Papa Leão XIV enviou uma mensagem aos bispos reunidos na 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Aparecida (SP) até o dia 24, manifestando proximidade, esperança e um forte apelo pela paz diante dos conflitos armados no mundo. O subsecretário adjunto geral da CNBB, padre Leandro Megeto, leu a mensagem.

Na mensagem, o Santo Padre saudou cordialmente os participantes do encontro, reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, e recordou a alegria da Ressurreição de Cristo como fonte de esperança para a missão da Igreja.

“Com a alegria e a esperança que nos vêm da boa nova da Ressurreição do Senhor, saúdo cordialmente a todos vós”, escreveu o Papa.

Leão XIV retomou também a saudação “A paz esteja convosco”, dirigida aos fiéis na Praça São Pedro após sua eleição como Sucessor de Pedro. Segundo ele, a atual realidade internacional, marcada por guerras e tensões, exige uma oração insistente pela paz.

“Num mundo marcado por violentos conflitos armados, devemos com urgente insistência suplicar ao Príncipe da Paz que ilumine os corações e as mentes dos líderes das nações envolvidas nas guerras atuais”, afirmou.

O Papa destacou ainda que a verdadeira paz não se resume à ausência de conflitos, mas nasce do reconhecimento da dignidade de cada pessoa e da fraternidade entre os povos.

Na mensagem, Leão XIV recordou o ensinamento da Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, ao afirmar que todos são “iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade”.

A 62ª Assembleia Geral da CNBB reúne bispos de todo o Brasil para momentos de oração, reflexão e deliberação sobre temas importantes para a vida da Igreja no país. Entre os assuntos debatidos estão as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, além de temas pastorais e sociais.

A mensagem do Papa foi recebida com gratidão pelos participantes da Assembleia, reforçando a comunhão entre a Igreja no Brasil e a Santa Sé.

Confira (aqui) a mensagem na íntegra.

Por Larissa Carvalho

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Fonte: cnbb.org.br

terça-feira, 14 de abril de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 15 - Quarta-feira

19h - Missa votiva em louvor a São José na matriz

19h - Celebração na comunidade das Áreas

19h - Celebração na comunidade dos Cochos

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Dia 16 - Quinta-feira

  19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração na comunidade dos Carneiros

19h - Celebração na comunidade dos Lucianos

19h - Celebração na comunidade da Ponte de Ferro

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Dia 17 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

  19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

19h - Celebração na comunidade no Eldorado

19h - Celebração na comunidade de Santa Vitória

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Dia 18 - Sábado

14h às 17h -  Encontro de Formação com as equipes de Canto no CPSJ

19h -  Missa na Matriz

19h - Celebração na  igreja de São Francisco

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Dia 19 - 3º Domingo de Páscoa

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Leão XIV na missa desta terça-feira em Annaba:

perante a indigência
e a opressão, os cristãos têm como código a caridade

A fé no único Deus, Senhor do céu e da terra, une os homens segundo uma justiça perfeita, que convida todos à caridade, isto é, a amar cada criatura com o amor que Deus nos dá em Cristo. Por isso, sobretudo perante a indigência e a opressão, os cristãos têm como código fundamental a caridade: disse o Papa na Santa Missa celebrada em Annaba, antiga Hipona - onde Leão XIV transcorreu este seu segundo dia em terras argelinas -, nas pegadas de Santo Agostinho

Leão XIV concluiu suas atividades em seu segundo dia na Argélia presidindo a celebração Eucarística na Basílica de Santo Agostinho, em Annaba, antiga Hipona, nos passos do do bispo e doutor da Igreja, esta terça-feira, 14 de abril. Na homilia da Missa votiva de Santo Agostinho, o Pontífice ateve-se, em particular, na página do Evangelho do dia (Jo 3,7b-15) na qual Jesus convida Nicodemos a uma vida nova: “tendes de nascer do Alto” (vers. 7). Nascer de novo do alto, isto é, de Deus. Eis o convite dirigido a cada homem e a cada mulher que procura a salvação!

Podemos renascer do alto, graças a Deus

O dever expresso por Jesus é para nós um dom de liberdade, porque nos revela uma possibilidade inesperada: podemos renascer do alto, graças a Deus. Devemos fazê-lo, portanto, segundo a sua vontade de amor, que deseja renovar a humanidade chamando-a a uma comunhão de vida, que começa com a fé.

O Papa prosseguiu ressaltando que temos tantos problemas, insídias e tribulações:  “Será que a nossa vida pode realmente recomeçar do zero? Sim! A afirmação do Senhor, tão cheia de amor, enche os nossos corações de esperança. Não importa quão oprimidos estejamos pela dor ou pelo pecado: o Crucificado carrega todos esses fardos conosco e por nós. Não importa quão desanimados estejamos pelas nossas fraquezas: é precisamente então que se manifesta a força de Deus, que ressuscitou Cristo dentre os mortos para dar vida ao mundo”.


A liberdade da vida nova que provém da fé no Redentor

Cada um de nós pode experimentar a liberdade da vida nova que provém da fé no Redentor, frisou o Santo Padre, afirmando que, a esse propósito, Santo Agostinho nos oferece o exemplo:

Antes mesmo que pela sua sabedoria, olhamos para ele pela sua conversão. Nesse renascimento, providencialmente acompanhado pelas lágrimas da mãe, Santa Mônica, ele tornou-se ele mesmo, exclamando: «Não existiria, meu Deus, de modo algum existiria, se não estivésseis em mim. Ou antes, existiria eu se não estivesse em Vós» (Confissões, I, 2).

A fé no único deus convida todos à caridade

Citando os Atos dos Apóstolos (4, 32-37), ouvido na primeira leitura da liturgia, lembrou que “a multidãodos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma”.

A fé no único Deus, Senhor do céu e da terra, une os homens segundo uma justiça perfeita, que convida todos à caridade, isto é, a amar cada criatura com o amor que Deus nos dá em Cristo. Por isso, sobretudo perante a indigência e a opressão, os cristãos têm como código fundamental a caridade: façamos aos que estão ao nosso lado o que gostaríamos que nos fosse feito (cf. Mt 7, 12).

Cristãos da Argélia: sede sinal humilde e fiel do amor de Cristo

Antes de concluir, o Papa exortou os cristãos da Argélia a permanecerem como sinal humilde e fiel do amor de Cristo. “Testemunhai o Evangelho com gestos simples, relações autênticas e um diálogo vivido cada dia: assim, dais sabor e luz onde viveis. A vossa presença no país faz lembrar o incenso: um grão em brasa, que exala perfume porque dá glória ao Senhor e alegria e consolo a tantos irmãos e irmãs”.

E, mais uma vez, lembrou o bispo de Hipona: “aqui Santo Agostinho amou o seu rebanho, buscando a verdade com paixão e servindo Cristo com fé ardente. Sede herdeiros desta tradição, testemunhando na caridade fraterna a liberdade daqueles que nascem do alto como esperança de salvação para o mundo.

Viagem apostólica à Argélia, um dom especial da Providência

Por fim ao término da Missa, Leão XIV agradeceu a todos pelo acolhimento destes dias, às autoridades civis pela atenção com que zelaram pelo bom êxito de sua visita à Argélia, dizendo considerar a viagem um dom especial da Providência de Deus, um dom que mediante um Papa agostiniano o Senhor quis fazer a toda a Igreja, resumindo-o como as seguintes palavras:

Deus é Amor, é pai de todos os homens e de todas as mulheres. Dirijamo-nos a Ele com humildade, confessemos que a situação atual do mundo, como uma espiral negativa, depende, no fundo, do nosso orgulho.Precisamos D’Ele, da Sua misericórdia. Somente N’Ele o coração humano encontra paz e somente com Ele poderemos, todos juntos, reconhecendo-nos como irmãos, trilhar caminhos de justiça, de desenvolvimento integral e de comunhão.

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Assista:

Raimundo de Lima – Vatican News

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Fonte: vaticanews.va       Fotos e vídeo: (@Vatican Media)

Assembleia Geral da CNBB deve votar novas Diretrizes

após percurso sinodal marcado por escuta e comunhão

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, de 15 a 24 de abril, em Aparecida (SP), sua próxima Assembleia Geral tendo como tema central a votação e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento em chave sinodal. 

A expectativa é que o episcopado brasileiro consolide, nesta Assembleia, um documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja no país nos próximos anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal vivido pela Igreja no mundo. 

Ao longo desse percurso, dois marcos se destacam como referências fundamentais: a carta dos bispos à Igreja no Brasil, que deu início ao processo, e a mensagem enviada pelo Papa Francisco ao episcopado brasileiro, que confirmou e encorajou o caminho adotado. 

A carta à Igreja no Brasil: ponto de partida do caminho sinodal

Ainda em 2022, durante a 59ª Assembleia Geral, os bispos brasileiros divulgaram uma carta à Igreja no Brasil apresentando o itinerário de construção das novas Diretrizes. Mais do que um cronograma, o documento expressou uma escolha clara: trilhar um caminho sinodal, com ampla participação do Povo de Deus. 

Painel da 59ª AG CNBB

Na carta, o episcopado reafirma o compromisso de construir “uma Igreja decididamente sinodal”, destacando a necessidade de avançar sem retrocessos, com mais escuta, diálogo e corresponsabilidade. O texto também aponta para a urgência de uma Igreja mais fraterna, missionária e comunitária, capaz de responder aos desafios do tempo presente. 

Esse documento teve papel decisivo ao mobilizar dioceses, organismos e fiéis em todo o país, incentivando a participação ativa e o envio de contribuições. Ao mesmo tempo, situou a elaboração das Diretrizes em sintonia com o Sínodo sobre a Sinodalidade, ampliando o horizonte eclesial da reflexão. 

Discernimento Pastoral

Em 2023, o processo avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e desafios como a pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial. Nesse contexto, ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que passaram a orientar a elaboração do texto. 

A carta do Papa Francisco: encorajamento e confirmação

Em 2024, durante a 61ª Assembleia Geral, o Papa Francisco enviou uma carta ao episcopado brasileiro na qual manifestou alegria pelo processo de elaboração das Diretrizes, destacando seu caráter sinodal. 

61ª Assembleia Geral da CNBB

A mensagem foi recebida como sinal de comunhão com a Igreja no Brasil e como confirmação do caminho percorrido. O Papa encorajou os bispos a manterem viva a caridade, a busca pela verdade e o compromisso com o Evangelho, recordando que toda ação pastoral deve ser guiada pelo amor e pela entrega. 

Consolidação e aprofundamento em 2024

Ainda em 2024, os bispos trabalharam sobre um instrumento de trabalho que sistematizou as contribuições recebidas. A metodologia incluiu a “conversa no Espírito”, com grupos de discernimento voltados à escuta dos sinais dos tempos e à definição de caminhos pastorais. 

A imagem da “tenda alargada” tornou-se inspiração central, expressando o desejo de uma Igreja mais acolhedora, aberta e missionária. O processo também buscou integrar as conclusões do Sínodo e dialogar com questões emergentes, como o impacto das novas tecnologias, a crise climática e o crescimento do individualismo. 

Equipe de Elaboração e amadurecimento do texto

Ao longo do processo, o texto passou por sucessivas revisões e foi profundamente marcado pela atuação da Equipe de Elaboração das Diretrizes, que teve papel decisivo na escuta, sistematização e discernimento das contribuições vindas de dioceses, organismos e conselhos pastorais. Em 2026, o documento alcançou sua 23ª versão, consolidando um caminho construído de forma colegiada, marcado pela escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante. O texto também incorpora inspirações do Papa Leão XIV e do magistério recente.

A assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da Equipe de Elaboração das Diretrizes, Mariana Aparecida Venâncio, destaca a relevância do grupo nesse percurso:

“Dom Leomar Brustolin foi designado para presidir a equipe e buscou constituí-la com bispos que representassem todo o Brasil. Além disso, ela conta com a assessoria de peritos e assessores da CNBB”, afirma. 

Segundo Mariana, a composição plural e representativa da equipe foi fundamental para garantir que o texto refletisse a diversidade e a riqueza da realidade eclesial brasileira, contribuindo de maneira decisiva para a qualidade e a unidade das Diretrizes. 

Dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da Equipe de Elaboração das DGAE

Também para dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS), o trabalho da equipe tem favorecido um maior aprofundamento e comunhão entre os bispos.

“Há uma grande participação, comunhão e senso de pertença. Acho que nas Diretrizes teremos grandes linhas para a evangelização”, destacou. 

Versão final e votação em 2026

Em março de 2026, o Conselho Permanente da CNBB recebeu a versão final das Diretrizes, considerada uma das mais abrangentes já elaboradas pela Conferência em termos de escuta e participação. 

Conselho Permanente reunido em março de 2026

O documento está estruturado em seis capítulos, abordando desde a imagem da comunidade como “tenda” até compromissos sinodais concretos. Para Mariana Venâncio, um dos aspectos mais significativos é a mudança na forma de organização do texto. 

“Aquilo que, em diretrizes passadas, denominávamos prioridades ou eixos, agora são caminhos por meio dos quais a Igreja no Brasil busca atender ao chamado à sinodalidade”, explica. 

Ela destaca ainda o vínculo direto com o Sínodo:

“Uma das referências fundamentais dessas DGAE é o Sínodo da Sinodalidade. Ela se constitui como um grande instrumento de recepção, apontando o modo como a Igreja no Brasil pode viver a sinodalidade em suas realidades, desafios e potencialidades”. 

Sobre a vigência do documento, Mariana ressalta que a decisão caberá ao conjunto dos bispos reunidos em Assembleia:

“A equipe de elaboração levará uma proposta, mas esse é um discernimento que deverá ser feito por todo o episcopado durante os trabalhos da Assembleia”, afirma. 

O objetivo geral do texto, ainda a ser aprovado, é “evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal sustentada pela Palavra e pelos sacramentos”, com forte ênfase na missão, na comunhão e na participação. 

Um marco para a Igreja no Brasil

A Assembleia de abril representa o ponto culminante de um processo de quase quatro anos, marcado por escuta, diálogo e amadurecimento coletivo. Caso aprovadas, as novas Diretrizes deverão orientar a ação evangelizadora da Igreja no Brasil em um cenário de profundas transformações sociais, culturais e religiosas. 

Mais do que um documento, as DGAE expressam um modo de ser Igreja: sinodal, missionária e atenta aos sinais dos tempos. Sustentadas pela carta inicial dos bispos e confirmadas pelo encorajamento do Papa Francisco, elas apontam os rumos da evangelização no país para os próximos anos. 

Composição atual da Equipe de Elaboração das DGAE

Dom Leomar Antônio Brustolin | Arcebispo de Santa Maria (RS)
Dom José Altevir da Silva | Bispo de Tefé (AM)
Dom Pedro Carlos Cipollini | Bispo de Santo André (SP)
Dom Francisco de Sales Alencar Batista | Bispo de Mossoró (RN)
Dom Paulo Renato Campos | Bispo de Barra do Garças (MT)
Dom Jânison de Sá Santos | Bispo auxiliar de Fortaleza (CE)
Padre Abimar Oliveira de Moraes | PUC Rio
Padre Jean Poul Hansen | Secretário-executivo de Campanhas da CNBB
Mariana Aparecida Venâncio | Assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB

Por Larissa Carvalho

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Fonte: cnbb.org.br

Nos passos de Santo Agostinho,

Papa em silêncio e oração entre as ruínas de Hipona

A área arqueológica da antiga sede episcopal do Padre da Igreja foi a primeira parada do segundo dia da viagem do Papa à Argélia. Devido ao mau tempo e à chuva torrencial, a visita pelas ruas da cidade portuária, outrora próspera, foi reduzida. O Pontífice plantou uma oliveira e depositou uma coroa de rosas brancas e amarelas.

Chove torrencialmente em Annaba, e é um dia cinzento. Mas entre as ruínas da antiga Hipona, o passado e o presente parecem se fundir nesta terça-feira, 14 de abril. Duas épocas diferentes, distantes mais de 16 séculos, mas das quais chega ao mundo a mesma mensagem, de Santo Agostinho e de Leão XIV: é possível viver como irmãos se construirmos juntos a paz.

É o segundo dia da viagem apostólica do Papa à África, umas das jornadas mais esperadas. O Pontífice agostiniano, sob a chuva torrencial, percorre um breve trecho da área arqueológica, parte de uma estrada tantas vezes atravessada pelo bispo Aurelio Agostinho, natural de Tagaste, a atual Souk Ahras, e bispo da florescente cidade portuária. Alargando o olhar, avista-se a colina de Annaba com a basílica dedicada ao grande pai da Igreja. Ontem e hoje, o primeiro Pontífice em solo argelino presta homenagem ao seu pai espiritual, para colher sua herança e dar voz novamente ao seu convite a viver em concórdia, para que haja harmonia entre os povos. Porque “a paz é o fim do nosso bem”, escreve Agostinho em “A Cidade de Deus”, no capítulo XIX (11), onde repete a palavra “paz” mais de cem vezes.

Entre as ruínas da cidade onde Agostinho viveu

Recebido na entrada das escavações por um responsável pelo local, Leão observa, visivelmente emocionado, as ruínas de Hippo Regius, habitada até o século V por pescadores, marinheiros, soldados, comerciantes, artesãos, além de funcionários públicos e agricultores, mas também por famílias abastadas, armadores e empresários. O mau tempo obriga a uma cerimônia mais breve, durante a qual o Papa, sob um gazebo, com a ajuda de dois jovens escoteiros, deposita uma coroa de rosas brancas e amarelas e depois planta uma oliveira, símbolo de paz e que remete àquela secular de sua cidade natal, que a tradição atribui à sua época. Leão XIV permanece por alguns instantes absorto em oração, com as mãos postas. Enquanto isso, pombas brancas são soltas no céu cinzento e carregado de chuva, enquanto o coro do Instituto de Música de Annaba entoa cantos em latim, berbere e argelino, com textos do bispo de Hipona sobre a paz e a fraternidade. Um grupo de jovens vestidos com trajes típicos, aos quais o Pontífice se aproxima para ouvir a execução da última música. O Papa os aplaude no final e lhes agradece; depois, ainda sob a chuva incessante, dirige-se para a saída do local para prosseguir este segundo dia de viagem seguindo os passos de Santo Agostinho.

Tiziana Campisi – enviada em Annaba, na Argélia

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Fonte: vaticanews.va       Foto: (@Vatican Media)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Primeiro dia do Papa na Argélia,

em um minuto

A chuva acolhe Leão XIV na Argélia, primeira etapa de sua viagem apostólica à África, a terceira desde o início de seu pontificado. Uma viagem que se entrelaça com as raízes agostinianas de Robert Prevost.

As imagens mais marcantes do primeiro dia de viagem do Papa Leão XIV à Argélia. Nesta manhã, 13 de abril, a partida do aeroporto romano de Fiumicino e a saudação, a bordo do avião, aos cerca de 70 jornalistas que o acompanham. Depois da acolhida pelo presidente Abdelmadjid Tebboune, o Pontífice prestou homenagem ao monumento Maqam Echahid, memorial dos mártires argelinos, lançando uma mensagem de esperança para um mundo dilacerado pelos conflitos. Logo em seguida, realizou uma visita privada ao Palácio El Mouradia, onde se encontrou com o presidente argelino, seguida do discurso às autoridades, no qual insistiu na urgência de uma mudança de rumo diante dos numerosos conflitos. Em seguida, invocou a promoção do diálogo, uma justiça maior entre os povos e um exercício da autoridade que evite a lógica da dominação. Após a visita à Grande Mesquita de Argel, houve o encontro na Basílica de Nossa Senhora da África com a comunidade argelina, que encerrou o primeiro dia do Papa em solo africano.

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Fonte: vaticanews.va       Foto: (@Vatican Media)