segunda-feira, 16 de março de 2026

Papa a jornalistas:

mostrar a guerra com seus sofrimentos,
não como um videogame

Nos 50 anos do TG2, o telejornal do segundo canal da RAI na Itália, Leão XIV parabenizou pelo aniversário e recordou que a história do noticiário contada pelo convívio de "posições culturais diferentes", ainda hoje pode ser "exemplo de diálogo" em tempos de guerra. Alertou para os riscos do jornalista em se tornar porta-voz do poder e do conflito virar videogame: "cabe a vocês mostrar o sofrimento que a guerra traz às populações; mostrar o rosto da guerra e contá-la com os olhos das vítimas".

O Papa Leão XIV se uniu às felicitações italianas pelos 50 anos do telejornal do segundo canal da RAI (Radiotelevisione Italiana SpA), o serviço público de rádio e televisão da Itália, que só de oferta na TV administra 13 canais nacionais. A RAI 2 é uma das três redes de editoria generalista, com abordagem mais leve e inovadora em relação ao canal nacional RAI 1, que desde a fundação em 1961 apresenta uma programação direcionada ao entretenimento e à informação. O TG2, então, o telejornal da RAI 2, nasceu 15 anos após a fundação da rede, em 15 de março de 1976, graças a uma reforma do serviço público que, na época, reorganizou o panorama de TV na Itália. Segundo a própria primeira-ministra, Giorgia Meloni, "o TG2 sempre foi caracterizado como o telejornal da inovação e da busca por novos formatos".

A audiência foi realizada na Sala Clementina, no Vaticano

A saudação do Papa Leão XIV

Nesta segunda-feira (16/03), um dia após as comemorações oficiais do TG2, o Papa Leão XIV recebeu em audiência os profissionais que compõem aa redação com seus familiares na Sala Clementina, no Vaticano. Após parabenizar o noticiário por "ter alcançado a marca de 50 anos", o Pontífice propôs uma reflexão "de aniversário" sobre o caminho percorrido, "como paradigma dos desafios que o jornalismo televisivo enfrentou e daqueles que ainda tem pela frente":

"Penso na transição do sistema analógico para o digital, na qual vocês foram protagonistas ao aproveitar as oportunidades e compreender que nenhuma novidade tecnológica pode substituir a criatividade, o discernimento crítico e a liberdade de pensamento. E se o desafio do nosso tempo é aquele da inteligência artificial, penso na necessidade de regular a comunicação de acordo com o paradigma humano e não com o tecnológico. O que significa, em última instância, saber distinguir entre os meios e os fins."

O Papa junto ao grupo de jornalistas para a foto oficial do encontro


O desafio do TG2 em tempos de guerra

O Papa, então, recordou das características distintivas que, desde o início, marcaram a identidade do TG2: a laicidade e o pluralismo das fontes de informação, "inclusive na televisão estatal". Ao comentar sobre a "forte tentação" de buscar somente o que confirma a própria opinião, Leão XIV alertou que "não pode haver boa comunicação, nem verdadeira liberdade e pluralismo saudável" sem uma abertura autêntica ao fatos, encontros, olhares e vozes dos outros. E a história do TG2, contada pelo convívio de "posições culturais diferentes", ainda hoje pode ser "um exemplo de diálogo" diante de uma época dominada "por polarizações, fechamentos ideológicos e slogans, que impedem de ver e compreender a complexidade da realidade":

"Sempre, mas de maneira especial nas circunstâncias dramáticas de guerra, como as que estamos vivendo, a informação deve evitar o risco de se transformar em propaganda. E a tarefa dos jornalistas, ao verificar as notícias, para não se tornar megafone do poder, torna-se ainda mais urgente e delicada, diria que essencial."

“Cabe a vocês mostrar o sofrimento que a guerra sempre traz às populações; mostrar o rosto da guerra e contá-la com os olhos das vítimas para não transformá-la em um videogame. Não é fácil nos poucos minutos de um telejornal e dos seus espaços de aprofundamento. Mas é aí que está o desafio.”

A audiência foi em comemoração aos 50 anos do telejornal do segundo canal da RAI

Andressa Collet - Vatican News

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domingo, 15 de março de 2026

É tempo de agradecer a Deus

pelo nosso querido Padroeiro e de seguir seu exemplo!






































































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Reflexão para o seu domingo:

Jesus é para os excluídos

José Antonio Pagola

É “cego de nascença”. Não sabe o que é a luz. Nunca a conheceu. Nem ele nem seus pais têm culpa, mas ali está ele, sentado, pedindo esmola. Seu destino é viver em trevas.

Um dia, ao passar Jesus por ali, vê o cego. O evangelista diz que Jesus é a “Luz do mundo”. Talvez lembrando as palavras do antigo profeta Isaías, garantindo que um dia chegará a Israel alguém que “gritará aos cativos: ‘Saí’ e aos que estão nas trevas: ‘Vinde à luz’”. Jesus passa nos olhos do pobre cego a mistura de barro e saliva para infundir-lhe sua força vital. A cura não é automática. Também o cego deve colaborar. Ele faz o que Jesus lhe indica: vai lavar os olhos, limpar seu olhar e começa a ver.

Quando as pessoas lhe perguntam quem foi que o curou, ele não sabe como responder. Foi “um homem chamado Jesus”. Não sabe dizer mais nada. Também não sabe onde ele está. Só sabe que, graças a este homem, pode ver a vida com olhos novos. É isto que importa. Quando os fariseus e entendidos em religião o acossam com suas perguntas, o homem responde com toda simplicidade: “acho que ele é um profeta”. Não sabe muito bem quem é, mas alguém capaz de abrir os olhos só pode vir de Deus. Então os fariseus se enfurecem, o insultam e o “expulsam” de sua comunidade religiosa.

A reação de Jesus é comovente. “Quando ficou sabendo que o expulsaram, foi procurá-lo”. Assim é Jesus. Não devemos esquecer jamais que é Ele que vem ao encontro dos homens e mulheres que não são acolhidos pela religião. Jesus não abandona quem o busca e o ama, mesmo que tenha sido excluído de sua comunidade religiosa.

O diálogo é breve: “Crês no Filho do homem?” Ele está disposto a crer. Seu coração já é crente, mas ignora tudo: “Quem é Ele, Senhor, para que eu creia nele?” Jesus lhe diz que não está longe: “Tu o estás vendo: é aquele que fala contigo, é esse”. Segundo o evangelista, esta história aconteceu em Jerusalém por volta do ano trinta, e continua acontecendo hoje entre nós no século XXI.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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sábado, 14 de março de 2026

Reflexão para este sábado:

Quaresma: Jesus vem abrir nossos olhos

Frei Almir Guimarães

♦ Vai avançado nosso retiro quaresmal. Ouvimos, neste domingo, o belo e dramático relato da cura do cego de nascença. Tema da luz e da claridade. Esse Jesus que se dirige para Jerusalém é luz. Vem para ser claridade na vida dos homens, Filho do Pai que é luz inacessível. A epístola aos efésios, por sua vez, afirma que nós cristãos, como filhos da luz, caminhamos de claridade em claridade. Na primeira leitura, entre os filhos de Jessé, Samuel resolve ungir Davi, aquele que não tinha condições de ser escolhido por sua frágil aparência. As aparências podem enganar. Deus vê de modo diferente do olhar dos homens. Deus tem um olhar diferente do olhar dos mortais.

♦ No famoso relato de João, o cego não procura Jesus, nem Jesus está a buscá-lo. As coisas acontecem ao sabor das andanças do Senhor. Em seus deslocamentos o Mestre encontra pessoas: pescadores, cobradores de impostos, gente de certa importância, pecadores, cegos, coxos, homens, mulheres. Estabelece com uns e outros diferentes tipos de relacionamentos. É sempre no coração da vida que Jesus aproxima-se das pessoas. Os guias do povo complicam a vida com suas leis frias e sem alma. Jesus vê um cego e quer ilumina-lo.

♦ Neste episódio, Jesus está presente o tempo todo, só intervém, no entanto, no começo e no fim. A figura central é o próprio cego. Ele é testemunha da luz e, no final, será um pessoa gratíssima a Jesus que lhe abriu os olhos do rosto e fez com que ele fosse inundado por uma claridade de existir. Será missionário da luz. Evoca-se aqui o drama da história humana: trata-se de aceitar ou rejeitar a luz.

♦ Os circunstantes viam na cegueira do homem um castigo pelo pecados. O homem sofre duplamente. Não enxerga e os outros enxergam-no como um pecador e coberto com a sina do pecado cometidos por seus pais. Os discípulos de Jesus participam dessa crença. O Mestre rejeita esta interpretação. Jesus elimina o aspecto degradante de seu mal, restitui-lhe a dignidade e faz despontar um horizonte de aurora. O cego começa a se sentir livre. Alguém se interessa por ele.

♦ Nós somos o cego. Precisamos ver as trilhas a caminhar, as providências que precisamos tomar para sair do nevoeiro, para enxergar o sentido destas pernas e destes braços, desta vista e deste ouvido. Não queremos apenas olhar o que nos convém e o que serve para satisfazer nosso pequeno eu. Queremos poder enxergar o que está por detrás do rosto fechado dos que vivem perto de nós, ver para além da graça do corpo e do redondo dos bíceps, o que está para além da fala de um doente, ver para além das aparências, porque as aparências enganam. Jesus se apresenta ao cego como Messias como aquele que veio para que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos. Veio para espancar as trevas do legalismo, da indiferença. No final de todos os caminhos o cego haverá de der: “Creio que tu és o Messias”. No momento atual quais são as cegueiras que nos afetam?

♦ “O gesto terapêutico aplicado por Jesus ao cego, quando fez uma pasta de lama e a aplicou sobre seus olhos recorda o gesto com que Deus criou Adão, moldando-o do pó da terra. A recriação nada tem de mágico ou espiritualista, mas tem um valor humaníssimo, e conduz aquele que era apenas objeto de palavras e juízo de outros a tornar-se sujeito, a assumir a sua própria vida, a tomar a palavra e a reivindicar a sua identidade: “Sou eu”. Aquele “sou eu” é essencial para poder chegar a proclamar em liberdade e com convicção: “Eu creio”. Tornarmo-nos crentes não nos exime de nos tornarmos pessoas. Antes o exige” (Luciano Manicardi).

♦ O ser humano todo inteiro é chamado à luz em corpo e alma como bem exprime Paul Claudel:

“Acabe eu por completo de ser obscuro
Libertai todo o sol que há em mim
toda capacidade da vossa luz.
Possa eu ver-vos não apenas com os olhos,
mas com todo meu corpo e todo meu ser
com toda minha materialidade resplandecente e sonora.

“Eu vim a este mundo para fazer um novo julgamento: para que os que não viam, passem a ver, e os que viam, se tornem cegos”.

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Oração

Quando meu pecado me desanimar,
ajuda-me a crer que tu não deixas
nunca de semear no barro de minha mediocridade.
Quando o sofrimento me deixa sem forças,
ajuda-me a crer que tu estás semeando em mim
uma secreta fecundidade.
Quando a morte próxima me causar medo,
ajuda-me a crer que o grão que morre
é semente de uma espiga dourada.
Quando a desgraça dos oprimidos me entristecer,
ajuda-me a crer que nosso amor solidário
é semente de justiça e liberdade. (Inspirada em Michel Hubaut)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 13 de março de 2026

Frei Roberto Pasolini na seguna pregação da Quaresma:

em um mundo de guerras
fraternidade não é um ideal, mas responsabilidade

A graça e a responsabilidade da comunhão estão no centro da segunda meditação da Quaresma da manhã desta sexta-feira, 13 de março, na Sala Paulo VI, na presença do Papa. O pregador da Casa Pontifícia detém-se na intuição de São Francisco ao ver as relações interpessoais como uma oportunidade para aprender a lógica do Evangelho: “Não estamos sozinhos e não somos tudo – afirma ele – e quando não conseguimos fazer as pazes com essa realidade, a presença do outro pode tornar-se insuportável”

Da arte aos modelos econômicos, diversos campos tentaram imaginar uma harmonia universal entre os homens, deparando-se com uma realidade que, nos dias de hoje, é marcada por divisões e conflitos que a fazem parecer “um ideal a ser alcançado”. A fraternidade, por outro lado, é um dom, mas também uma responsabilidade “séria e urgente”, pois recorre à diversidade para derreter os corações e permite que cada um faça as pazes com aquela parte de si que gostaria de fazê-lo acreditar que é único e autossuficiente. Estas são algumas das reflexões oferecidas na manhã desta sexta-feira, 13 de março, pelo pregador da Casa Pontifícia, padre frei Roberto Pasolini, na Sala Paulo VI, no Vaticano, na presença do Papa Leão XIV.

A fraternidade, lugar da conversão autêntica

O frade capuchinho desenvolve sua segunda meditação da Quaresma, com o tema “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. A conversão ao Evangelho segundo São Francisco”, detendo-se na fraternidade, definida como “a graça e a responsabilidade da comunhão fraterna”.

A fraternidade não é um acessório da vida espiritual, nem apenas um contexto favorável no qual crescer mais facilmente na graça. É o lugar onde a conversão realmente se realiza: o banco de provas mais sério e, ao mesmo tempo, o sinal mais eloquente do que o Evangelho pode operar em nossa vida.

O exemplo das primeiras comunidades franciscanas

Pasolini remete à vida das primeiras comunidades franciscanas, que o Pobrezinho de Assis desejava sem relações de poder ou superioridade, à semelhança das primeiras comunidades cristãs. Não um lugar “onde se refugiar para viver em paz”, mas um espaço onde somos conduzidos “às profundezas do próprio coração”, com suas sombras e suas inquietudes.

Os irmãos são um dom do Senhor. Mas, justamente por isso, não têm simplesmente a função de nos ajudar ou apoiar ao longo do caminho: são-nos confiados para que nossa vida possa mudar.

“Aquele que vem do mesmo ventre”

Refletindo sobre o significado etimológico da palavra irmão, adelphós, literalmente “aquele que vem do mesmo ventre”, o pregador da Casa Pontifícia observa como os irmãos não confirmam simplesmente “o que somos”, mas nos chamam a uma transformação.

Em sua diversidade, em seus limites e, às vezes, até mesmo em suas fadigas, eles se tornam o espaço concreto em que Deus trabalha nossa humanidade, dissolvendo nossas rigidez e nos ensinando a viver com um coração mais verdadeiro e mais capaz de amar.

Abel e Caim, um “problema de olhar”

Uma das histórias que melhor descreve essas resistências é a “relacionamento sofrido” entre Abel e Caim. Uma ruptura que nasce de “um problema de olhar”, segundo o frade capuchinho. O primeiro irmão, na história do Gênesis, oferece os primogênitos de seu rebanho – oferta que Deus “olha com favor” –, enquanto o segundo apresenta simplesmente alguns frutos da terra.

Não é tanto a qualidade da oferta que faz a diferença, mas o fato de que o que se oferece represente verdadeiramente a própria vida. Por isso Deus não aceita a oferta de Caim: não para condená-lo, mas para provocá-lo. Aceitar aquele gesto significaria deixá-lo na convicção de que realmente não tem nada de bom a oferecer. Deus, ao contrário, parece querer ajudá-lo a acreditar que também a sua vida pode se tornar uma oferta.

“Quem é Caim dentro de nós”

A partir desse episódio, Pasolini nos convida a nos questionar, perguntando-nos “quem é Caim dentro de nós”: ou seja, quanto espaço ocupa o ressentimento, que se transforma em distância e depois em violência, no coração de cada um. Aquele rancor que nasce da constatação de que “não estamos sozinhos” e “não somos tudo”.

Quando não conseguimos fazer as pazes com essa realidade, a presença do outro pode se tornar insuportável.

A lógica da misericórdia para com quem erra

Para São Francisco, no entanto, a fraternidade não era um problema a ser enfrentado, mas uma oportunidade para aprender a lógica misericordiosa do Evangelho para com o próximo que erra. Uma dinâmica que se encontra também na breve, mas intensa, Carta a Filêmon de São Paulo.

Nas ocasiões em que as relações se deterioram e a comunhão é ferida, o Evangelho não sugere, em primeiro lugar, defender os próprios direitos, mas buscar o bem maior e sempre possível: aquele que permite reconhecer no outro não mais um adversário ou um devedor, mas um irmão amado pelo Senhor.

Acolher em meio a feridas, decepções e aversões

Essa realidade pode parecer distante da vida concreta, mas torna-se tangível quando as relações se baseiam em “um vínculo de liberdade”. Não na simpatia ou na afinidade, mas no “fato de que Deus nos escolheu e nos chamou para viver juntos na Igreja como irmãos e irmãs”.

A Páscoa começou a agir em nós no momento em que descobrimos que podemos acolher os outros mesmo quando nos ferem, quando nos decepcionam, quando se comportam como adversários. Não porque nos tornamos mais fortes ou mais virtuosos, mas porque algo em nós já morreu e algo novo começou a viver.

Não perder de vista o horizonte

A intuição do Pobrezinho de Assis, explica ainda o pregador da Casa Pontifícia, é ver a conversão que brota “precisamente daquilo que os outros nos fazem, mesmo quando nos ferem ou nos colocam à prova”.

Isso amplia muito nosso olhar. Na vida cotidiana, as fadigas da fraternidade podem ser pesadas. As distâncias entre nós, as palavras que ferem, os mal-entendidos que permanecem em aberto podem se tornar dolorosos. Precisamente por isso, nunca devemos perder o horizonte. Quando perdemos a perspectiva da vida eterna, certas fadigas se tornam totalmente inaceitáveis.

Receber a fraternidade como dom e responsabilidade

A fé, conclui Pasolini, não separa, mas nos lembra que “ninguém pode ser excluído do nosso coração”. Liberados, por meio da ressurreição de Jesus, não do cansaço das relações, mas da suspeita de que tal esforço seja inútil.

Por isso, nestes dias da Quaresma, enquanto a história do mundo continua a ser atravessada por divisões, guerras e conflitos, nós, cristãos, não podemos nos limitar a falar de fraternidade como um ideal a ser alcançado. Somos chamados a recebê-la como um dom e, ao mesmo tempo, a assumi-la como uma responsabilidade muito séria e urgente.

 Edoardo Giribaldi – Vatican News

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Quarto Domingo da Quaresma:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: 1Sm 16,1b.6-7.10-13a

Leitura do Primeiro Livro de Samuel

Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: Enche o chifre de óleo e vem para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos. Assim que chegou, Samuel viu a Eliab e disse consigo “Certamente é este o ungido do Senhor!” Mas o Senhor disse-lhe: Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”.

Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: “O Senhor não escolheu a nenhum deles”. E acrescentou: “Estão aqui todos os teus filhos?”

Jessé respondeu: Resta ainda o mais novo que está apascentando as ovelhas”. E Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa enquanto ele não chegar”. Jessé mandou buscá-lo. Era Davi, ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: “Levanta-te, unge-o: é este!”

Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o espírito do Senhor se apoderou de Davi.

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Responsório: Sl 22

— O Senhor é o pastor que me conduz;/ não me falta coisa alguma.

— O Senhor é o pastor que me conduz;/ não me falta coisa alguma.

— O Senhor é o pastor que me conduz;/ não me falta coisa alguma./ Pelos prados e campinas verdejantes/ ele me leva a descansar./ Para as águas repousantes me encaminha,/ e restaura as minhas forças.

— Ele me guia no caminho mais seguro,/ pela honra do seu nome./ Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso,/ nenhum mal eu temerei./ Estais comigo com bastão e com cajado,/ eles me dão a segurança!

— Preparais à minha frente uma mesa,/ bem à vista do inimigo;/ com óleo vós ungis minha cabeça,/ e o meu cálice transborda.

— Felicidade e todo bem hão de seguir-me,/ por toda a minha vida;/ e, na casa do Senhor, habitarei/ pelos tempos infinitos.

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2ª Leitura: Ef 5,8-14

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios

Irmãos: Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade. Discerni o que agrada ao Senhor. Não vos associeis às obras das trevas, que não levam a nada; antes, desmascarai-as. O que essa gente faz em segredo, tem vergonha até de dizê-lo. Mas tudo que é condenável torna-se manifesto pela luz; e tudo o que é manifesto é luz. É por isso que se diz: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá”.

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Evangelho: Jo 9,1-41

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Ao passar, Jesus viu um cego de nascença. Os discípulos perguntaram: «Mestre, quem foi que pecou, para que ele nascesse cego? Foi ele ou seus pais?» Jesus respondeu: «Não foi ele que pecou, nem seus pais, mas ele é cego para que nele se manifestem as obras de Deus. Nós temos que realizar as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Está chegando a noite, e ninguém poderá trabalhar. Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo.» Dizendo isso, Jesus cuspiu no chão, fez barro com a saliva e com o barro ungiu os olhos do cego. E disse: «Vá se lavar na piscina de Siloé.» (Esta palavra quer dizer «O Enviado»). O cego foi, lavou-se, e voltou enxergando.

Os vizinhos e os que costumavam ver o cego, pois ele era mendigo, perguntavam: «Não é ele que ficava sentado, pedindo esmola?» Uns diziam: «É ele mesmo.» Outros, porém, diziam: «Não é ele não, mas parece com ele.» Ele, no entanto, dizia: «Sou eu mesmo.» Então lhe perguntaram: «Como é que seus olhos se abriram?» Ele respondeu: «O homem que se chama Jesus fez barro, ungiu meus olhos e me disse: ‘Vá se lavar em Siloé’. Eu fui, me lavei, e comecei a enxergar.» Perguntaram-lhe: «Onde está esse homem?» Ele disse: «Não sei.»

Então levaram aos fariseus aquele que tinha sido cego. Era sábado o dia em que Jesus fez o barro e abriu os olhos do cego. Então os fariseus lhe perguntaram como é que tinha recuperado a vista. Ele disse: «Alguém colocou barro nos meus olhos, eu me lavei, e estou enxergando.» Então os fariseus disseram: «Esse homem não pode vir de Deus; ele não guarda o sábado.» Outros diziam: «Mas como pode um pecador realizar esses sinais?» E havia divisão entre eles. Perguntaram outra vez ao que tinha sido cego: «O que você diz do homem que abriu seus olhos?» Ele respondeu: «É um profeta.»

As autoridades dos judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista. Até que chamaram os pais dele e perguntaram: «Este é o filho que vocês dizem ter nascido cego? Como é que ele agora está enxergando?» Os pais disseram: «Sabemos que é o nosso filho e que nasceu cego. Como é que ele agora está enxergando, isso não sabemos. Também não sabemos quem foi que abriu os olhos dele. Perguntem a ele. É maior de idade e pode dar explicação.» Os pais do cego disseram isso porque tinham medo das autoridades dos judeus, que haviam combinado expulsar da sinagoga quem confessasse que Jesus era o Messias. Foi por isso que os pais disseram: «É maior de idade; perguntem a ele.»

Então as autoridades dos judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego e lhe disseram: «Confesse a verdade. Nós sabemos que esse homem é um pecador.» Ele respondeu: «Se ele é pecador, isso eu não sei; só sei que eu era cego e agora estou enxergando.» Eles insistiram: «Que é que ele fez? Como foi que abriu seus olhos?» Ele respondeu: «Eu já lhes disse, e vocês não me escutaram. Por que vocês querem ouvir de novo? Será que também vocês querem se tornar discípulos dele?» Então insultaram o cego curado e disseram: «Você é que é discípulo dele. Nós, porém, somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés, mas quanto a esse homem, nem sabemos de onde ele é.» Ele respondeu: «Isso é de admirar! Vocês não sabem de onde ele é. No entanto, ele abriu meus olhos. Sabemos que Deus não ouve os pecadores, mas ouve aquele que o respeita e faz a sua vontade. Nunca se ouviu falar que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. Se esse homem não vem de Deus, não poderia fazer nada.» Eles disseram: «Você nasceu inteirinho no pecado e quer nos ensinar?» E o expulsaram.

Jesus, ouvindo dizer que tinham expulsado aquele que fora cego, foi à procura dele e perguntou-lhe: «Você acredita no Filho do Homem?» Ele respondeu: «Quem é ele, Senhor, para que eu acredite nele?» Jesus disse: «Você o está vendo; é aquele que está falando com você.» O cego que tinha sido curado disse: «Eu acredito, Senhor.» E se ajoelhou diante de Jesus. Então Jesus disse: «Eu vim a este mundo para um julgamento, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos.» Alguns fariseus que estavam perto dele ouviram isso e disseram: «Será que também somos cegos?» Jesus respondeu: «Se vocês fossem cegos, não teriam nenhum pecado. Mas como vocês dizem: ‘Nós vemos’, o pecado de vocês permanece.»

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Reflexão do padre Johan Konings:

O batismo, unção e luz

As leituras deste domingo são escolhidas com vista à preparação do batismo ou da renovação do compromisso batismal. Esclarecem o sentido dos ritos complementares que se seguem ao batismo propriamente, os assim chamados ritos pós-batismais: a unção, que significa a participação do fiel na missão de Cristo, profeta, sacerdote e rei; a veste branca, que significa a pureza da fé batismal; e a vela acesa, que significa Cristo como a luz que ilumina nossa vida.

Na 1ª leitura, Davi é ungido rei por Samuel. Jesus é o novo Davi, o Messias, “ungido” (com o Espírito) no batismo no rio Jordão. O próprio termo “Cristo ”significa “ungido” (em hebraico: “Messias”). Assim, na liturgia batismal, o recém-batizado é ungido em sinal de que ele é “Cristo com Cristo”, membro do povo messiânico.

No evangelho, Jesus “unge” os olhos do cego de nascença. (Para a catequese, o fato de ele ser cego de nascença faz pensar no pecado original: uma cegueira que acompanha a vida da gente). Depois de ter untado os olhos do cego, Jesus manda-o lavar-se (o “banho da regeneração”!) no “Siloé, que quer dizer Enviado” ( a piscina de Siloé é uma figura de Cristo). Então, ele recebe luz dos olhos. O batismo é aqui evocado como unção e iluminação.

O sentido profundo disso tudo é que o batizado deve ser uma testemunha da luz que recebeu. O cego de nascença nos dá o exemplo: ele testemunha o Cristo, com convicção e firmeza sempre crescentes. O batizado é um homem da luz (“filho da luz”, diz a Bíblia), alguém que enxerga com clareza, e que anda na luz. Pois a luz não é só para ser contemplada, mas para caminharmos nela, realizando as obras que ela nos permite enxergar e levar a termo. “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor… Desperta, tu que estás dormindo, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (2ª leitura).

Como é que se realiza este testemunho cristão no Brasil hoje? Quais são as grandes cegueiras que devem ser iluminadas? Vamos assumir o nosso testemunho, mesmo para aqueles que não querem ver.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Renunciar por algum tempo ou renunciar até o fim da vida?

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Este é o desafia de quem fez seus votos no matrimônio ou no celibato.

Estive a lembrar os casamentos e os juramentos que vi. Lembrei os casais ajoelhados e as trocas de alianças e o que aconteceu 5 ou 15 anos depois.

Lembrei também os padres e as freiras que se deitaram no chão de um convento ou catedral jurando que aquilo seria para sempre. Mas não deu. Dez ou vinte anos depois pediram dispensa daqueles votos.

Muitas vezes a solidão dói demais no casal ou nos religiosos!

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O que seria viver pelo povo e para sempre? O que é viver por um outro alguém? O que é viver pelo país ou pela Igreja?

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Há uma dor chamada PERSEVERANÇA que nem todos conseguem suportar por toda a vida! A Igreja pede para não julgarmos quem mudou de rumo e de propósito de vida.

Não se julga quem interrompeu a caminhada ou mudou de afeto!

Mateus registra isso no capítulo 7,1-6. Jesus deixou claro que este é um assunto para Deus e não para nós, até porque nenhum de nós tem certeza de que não vai se cansar mais adiante …

Penso nos pregadores severos e radicais demais, ou nos bonzinhos e radicais demais: quase sempre erram na dose!…

Dores de alma não se resolvem no púlpito ou diante de um microfone ou de uma câmera. A direção espiritual, o aconselhamento e a psicologia existem para quem assumiu o dom da escuta!

O ditado assim reza: “Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca. Ouçamos muito e falemos menos”.

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc