sábado, 23 de maio de 2026

Papa Leão na cidade de Acerra neste sábado:

“É preciso
confiar, escutar e crer mais uma vez para não voltar atrás”

“É preciso confiar, escutar e crer mais uma vez. Os pequenos e grandes recomeços com os quais enfrentaram a dor ainda não são tudo. Se pararmos, voltaremos para trás”. Palavras do Papa Leão XIV no encontro com o clero e familiares das vítimas na cidade de Acerra, neste sábado (23/05), na Catedral de Nossa Senhora da Assunção.

Na manhã deste sábado (23/05) o Papa Leão XIV visitou a cidade de Acerra, localizada no sul da Itália, na região da Campânia, tristemente chamada “Terra dos fogos”. Tal nominativo deve-se à ação das máfias ambientais que causaram consequências dramáticas para a saúde da população. Neste primeiro encontro, realizado na Catedral de Nossa Senhora da Assunção, estavam presentes os bispos, o clero, os religiosos e as famílias das vítimas da poluição ambiental.

Papa Francisco e a Laudato si’

Papa Leão iniciou seu discurso recordando que Papa Francisco gostaria de ter visitado a cidade, mas não lhe foi possível. Por isso, disse, queremos realizar o seu desejo, reconhecendo o grande dom que a Encíclica Laudato si’ representou para a missão da Igreja nesta terra. “De fato, o grito da criação e dos pobres foi ouvido nesta comunidade de forma mais dramática, devido a uma concentração mortal de interesses obscuros e de indiferença ao bem comum, que envenenou o ambiente natural e social. É um grito que clama por conversão!”. “Vim, antes de tudo”, disse o Papa, “para colher as lágrimas daqueles que perderam pessoas queridas, mortas pela poluição ambiental causada por pessoas e organizações inescrupulosas, que por muito tempo puderam agir impunemente. [...] Também para agradecer a quem respondeu ao mal com o bem, especialmente a uma Igreja que soube ousar na denúncia e na profecia, para reunir o povo na esperança.


Responsabilidade com a ajuda de Deus

Em seguida o Santo Padre citou das Sagradas Escrituras, a visão do profeta Ezequiel no vale dos ossos secos (Ez 37, 1-10), quando , levado pelo Senhor a viver uma experiência que, para o povo no exílio, deverá se tornar uma forte mensagem de ressurreição. “Deus”, refletiu Papa Leão, “havia colocado o homem e a mulher em um jardim para que o cultivassem e o guardassem. Tudo era vida, beleza, fertilidade. Esta terra também, antigamente, era chamada de Campania felix, porque era capaz de encantar por sua fecundidade. [...] No entanto, eis a morte, da terra e dos homens. [...] Diante desta realidade, pode-se ter duas atitudes: a indiferença ou a responsabilidade. Vocês escolheram a responsabilidade e, com a ajuda de Deus, iniciaram um caminho de compromisso e de busca pela justiça.

Tu mesmo nos pega pela mão

Citando novamente o profeta Ezequiel no vale dos ossos, Leão recorda a passagem que o Senhor faz uma pergunta a Ezequiel: “Filho do homem, porventura tornarão a viver estes ossos? [...] ‘Senhor Deus, tu o sabes’, lhe responde. “Eis que Deus tem novas perguntas para nós”, afirma o Santo Padre, “que alargam o nosso horizonte. Ele sabe que temos um coração que busca a vida e suspira pela eternidade, mas que facilmente as adia para um tempo indefinido e distante, para um mundo diferente e que ainda não existe”. Da mesma forma”, continua, “as nossas Igrejas têm a missão de fazer ecoar aqui e hoje a Palavra de Deus. Esta Palavra nos pergunta se acreditamos nas suas próprias possibilidades: é Palavra de vida”. E voltando ao profeta Ezequiel repete que cremos e dizemos: “Senhor Deus, tu o sabes!”. “Tu sabes que podemos nos levantar, porque tu mesmo nos pega pela mão. Tu sabes que o nosso deserto pode florescer. Tu sabes transformar o luto em alegria.


Obstinada resistência

Advertindo em seguida: “Tudo isso é muito concreto: é uma promessa que já está se tornando realidade. O Papa Francisco, na Encíclica Laudato si’, embora denunciando um paradigma de morte, anunciou claramente o surgimento silencioso da vida nova ao perguntar: “Será uma promessa permanente, apesar de tudo, que brota como uma obstinada resistência daquilo que é autêntico?” (Laudato si’, 112). “Caríssimos”, disse o Papa, “sejam testemunhas desta ‘obstinada resistência’ que se transforma em renascimento, lá onde o Evangelho ilumina e transforma a vida”.

Confiar mais uma vez para não voltar atrás

Tornando mais uma vez ao profeta Ezequiel que obedece ao Senhor e percebe que os ossos, mesmo se movimentando ainda não têm espírito, o Papa Leão observa: "Compreendemos, portanto, que o milagre não acontece de uma só vez. O profeta está certamente maravilhado com o que vê e ouve, mas ainda não basta, ainda falta algo. Vale também para nós: é preciso confiar mais uma vez, escutar mais uma vez, crer mais uma vez. As escolhas que vocês fizeram, o caminho eclesial que percorreram, os pequenos e grandes recomeços com os quais enfrentaram a dor ainda não são tudo. Se pararmos, voltaremos para trás”.


Exército de paz

Assim como se formou o “exército” de Ezequiel após receberem o espírito, Papa Leão acrescentou: “Que o Espírito Santo lhes conceda ver um ‘exército’ de paz que se levanta e cura as feridas desta terra e das suas comunidades. Não mais o fogo que destrói, mas o fogo que aviva e aquece, o fogo do Espírito que acende os corações e as mentes de milhares e milhares de homens e mulheres, de crianças e de idosos, e inspira cuidado, consolação, atenção, amor verdadeiro”. Recomendando ainda: “Deixem morrer o ressentimento, pratiquem por primeiro a justiça que pedem, testemunhem a vida, eduquem para o cuidado”.

A mudança começa pelo coração

Por fim o Pontífice disse ainda aos presentes: “Manifestem cotidianamente a autoridade do serviço, que se abaixa e se aproxima, que dá o primeiro passo e perdoa. De fato, deve ser desmantelada a cultura do privilégio, da arrogância, do não prestamento de contas, que tanto mal fez a esta terra, como a muitas outras regiões da Itália e do mundo”. "Existe, de fato, uma espiritualidade dos lugares, mas que deve tudo à espiritualidade das pessoas. A mudança do mundo, de fato, começa sempre pelo coração”.

Jane Nogara - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Vídeo e foto: (@Vatican Media)

Um vento impetuoso e um gemido murmurante -

O Espírito renova a face da terra

Frei Almir Guimarães

Vê, Senhor, desse vento que é teu próprio sopro, hálito de tua vida e de teu amor, o que andamos fazendo. O Espírito da vida tornou-se um pássaro de pedra numa parede de nossos templos. Petrificamos o vento do Espírito. (Revista “Prier”, maio de 1988)

Belíssima solenidade esta do fogo, do vento violento e da brisa suave. Sopro, hálito, vento. O Espírito procede do Pai e do Filho. É o Defensor. Mais uma vez mergulhamos no mistério da Trindade. O Pai, o Filho unidos. O Filho gerado, não criado. Entre o Pai e o Verbo, o sopro do Vento, do Espírito. O Pai envia o Filho e o Espírito o unge ao sair das águas do Jordão. O Espírito está sobre Jesus. O Filho é ungido. Depois da missão do Filho o Espírito vela pela obra do mundo novo inaugurada pelo Verbo feito carne.

No alto da cruz, no momento da morte, segundo o quarto evangelista, “Jesus entrega o Espirito”. Não se trata apenas de dar o espírito, com e minúsculo, mas o Sopro, o Vento, a Luz. Ele, o Espírito foi derramado em nossos corações. Depois ele seria derramado sobre os apóstolos numa radiosa manhã.

É como o vento… Não é vento, mas como o vento. Vento, sopro, hálito. Vento que chega ao Cenáculo onde estavam reunidos os apóstolos com medo. Não se pode reter ou guardar o vento. Como o vento, o Espírito não pode ser “estocado”, nem percebido com as coisas palpáveis. O vento do Espírito sopra onde quiser e como quiser. Para onde sopra, em nossos dias, o Vento de Deus? Vento que mexe com as coisas paradas, mornas, estratificadas, rotineiras. Vento que não deixa o projeto de Jesus envelhecer.

É como o fogo. A junção entre fogo e Espírito aparece em fala do Batista. Jesus receberia um batismo diferente daquele que o filho de Isabel e Zacarias administrava. Ele batizaria no Espirito e no fogo. “Apareceram línguas como que de fogo que se repartiram e se colocaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo”. Fogo: ardor, novo ardor, ardor sempre renovado. Nova evangelização, novo modo de ler a figura de Jesus. Jesus havia afirmado que, quando viesse o Paráclito, ele ensinaria todas as coisas.

Sim, insistamos. O Espírito não admite os caminhos batidos. Ele é propulsor da novidade. A ele se atribui o excepcional, o extraordinário. É fonte inesgotável de criatividade. Entra em conivência com toda novidade quando esta venha a favorecer a instauração e consolidação do Reino. A presença do Espírito na Igreja faz com que ela se embrenhe pelos caminhos de um futuro não previsível.

O Espírito é impregnação. É água que a tudo penetra. Ao lado das imagens do Espírito como movimento e ação ele é mostrado como impregnação. O Espírito é derramado como a água. Impregnação, interiorização, casa, habitação, morada. Nesta linha vão as imagens do óleo e da unção. Apoiado nessa imagens Santo Agostinho falará do Espírito como alma da Igreja. Dizemos que estamos “repletos” do Espírito Santo.

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Para a reflexão e oração

Dá-nos teu Espirito, Senhor!
Onde não há Espírito surge o medo.
Onde não há Espírito a rotina invade tudo.
Onde não há Espírito a esperança murcha.
Onde não há Espírito não podemos reunir-nos em teu nome.
Onde não há Espírito esquece-se o essencial.
Onde não há Espírito introduzem-se normas.
Onde não há Espírito não pode brotar a vida.
Dá-nos teu Espírito, Senhor.   (F.Ulíbarri)

Penso nos vários sentidos que a palavra Espírito tem no texto bíblico: sopro, hálito vital, vento…E é isso que me apetece rezar nesta manhã, Senhor. Sopra sobre o indeciso, venha o sussurro do teu alento íntimo renovar o hesitante, a ventania de Deus nos mova. Parecemo-nos tanto a embarcações travadas, velas erguidas sem a energia de novas praias, de intactos e aventurosos cabos… Os nossos barcos rodam apenas em torno de si próprios. Manda, Senhor, a pulsão do Espírito, o ânimo criador que incessantemente nos coloca ao encontro da novidade e da beleza de teu Reino. (José Tolentino Mendonça, Um Deus que dança, Paulinas, p. 80)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 23 - Sábado

15h -  Atendimento de confissões de adultos para a Crisma na matriz

19h -  Missa na matriz

19h - Celebração na comunidade São Geraldo

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Dia 24 - Domingo de Pentecostes

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz com a 1ª Eucaristia e Crisma de adultos

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Solenidade de Pentecostes:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: At 2,1-11

Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos

Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!”

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Responsório: Sl 103(104)

- Enviai o vosso Espírito, Senhor, / e da terra toda a face renovai.

- Enviai o vosso Espírito, Senhor, / e da terra toda a face renovai.

1. Bendize, ó minha alma, ao Senhor! / Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! / Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras! / Encheu-se a terra com as vossas criaturas!

2. Se tirais o seu respiro, elas perecem / e voltam para o pó de onde vieram. / Enviais o vosso espírito e renascem, / e da terra toda a face renovais.

3. Que a glória do Senhor perdure sempre, / e alegre-se o Senhor em suas obras! / Hoje, seja-lhe agradável o meu canto, / pois o Senhor é a minha grande alegria!

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2ª Leitura: 1Cor 12,3-7.12-13

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

Irmãos, ninguém pode dizer: “Jesus é o Senhor”, a não ser no Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.

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Evangelho: Jo 20,19-23

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. 

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Reflexão do padre Johan Konings:

O Espírito do Senhor Jesus e nossa missão

A 1ª leitura e o evangelho nos contam como os apóstolos viveram as últimas aparições de Jesus ressuscitado: como despedida provisória e como promessa. Jesus não voltaria até a consumação do mundo, mas deixou nas mãos deles a missão de levar a salvação e o perdão dos pecados a todos que quisessem converter-se, no mundo inteiro. E prometeu-lhes o Espírito Santo, a força de Deus, que os ajudaria a cumprir sua missão.

A vitalidade e juventude da Igreja, até hoje, tem sua raiz nesta herança que Deus lhe deixou. “É bom para vocês que eu me vá – diz Jesus no evangelho de João – porque, senão, não recebereis o Paráclito, o Espírito da Verdade” (16,7). Jesus salvou o mundo movido pelo Espírito e dando a sua vida pelos homens. Agora, nós devemos dar continuidade a esta obra, geração após geração. O Espírito de Jesus e do Pai deve animar em nós, e através de nós, um testemunho igual ao de Jesus: deve fazer reviver Jesus em nós. O que salva o mundo não é a presença física de Jesus para todas as gerações, mas sim o Espírito que ele gerou em nós pela morte por amor – o Espírito do Pai e dele mesmo.

A Igreja não caiu no vazio depois da Ascensão de Jesus. Antes, entrou com ele na plenitude do tempo da salvação e da reconciliação, embora não de vez e por completo. Tem que lutar para realizar o que Jesus já vive em plenitude. Ainda não está na mesma glória, na mesma união definitiva com Deus em que está o seu fundador, mas vive movida pelo mesmo Espírito, e este nunca lhe faltará até a hora do reencontro completo. A Igreja terá que expor às claras as contradições, as injustiças, as opressões que impedem a reconciliação e o perdão. Terá que urgir opção e posicionamento, e também transformação dos corações e das estruturas do mundo, para que um dia o Cristo glorioso seja a realidade de todos nós.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

____________________________________________________          Fonte: franciscanos.org.br    Imagem: vaticannews.va    Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

O valor da dignidade humana

e o limite da máquina

A Inteligência Artificial (IA) já faz parte da vida e do cotidiano das pessoas, criadas à imagem e semelhança de Deus, mesmo quando não percebemos. A todo momento estamos conectados com máquinas inteligentes, utilizando esses sistemas em aplicativos para compra, venda, informação, orientação, conhecimento, em redes sociais, plataformas digitais e em serviços públicos.

Os algoritmos influenciam escolhas, organizam informações e interferem no modo como nos comunicamos e compreendemos o mundo. O papa Leão demonstra preocupação da Igreja com os impactos sociais e culturais da IA, especialmente quanto à necessidade de preservar a dignidade humana, diante do avanço tecnológico (cf. Encontro do Papa com Líderes de Tecnologia, no Vaticano, em 21/06/2025).

Dom Edson Oriolo - autor deste artigo

No entanto, com o rápido avanço da tecnologia cresce também a preocupação com suas consequências éticas e sociais. Os sistemas de IA são desenvolvidos para tomar decisões a partir de dados e padrões previamente definidos. Apesar de sua capacidade de aprendizado, eles não possuem consciência moral e nem compreensão humana sobre o que é justo, correto ou ético.

A IA é vista com uma extensão das ações humanas, logo, os seus criadores, proprietários e operadores, não podem furtar-se à responsabilidade. Na mensagem do papa Leão XIV para a cúpula da Inteligência Artificial para o Bem, em Genebra, reunida entre 7 a 11 de julho de 2025, ele mencionou que a IA “requer, portanto, uma gestão ética adequada e quadros regulamentares centrados na pessoa humana, que vão além dos meros critérios de utilidade ou eficiência”.

Destarte, a responsabilidade pelo uso da IA não pode ser atribuída às máquinas, dada a sua limitação em relação ao ser humano, mas sim às pessoas e empresas que desenvolvem, programam, administram e utilizam essas tecnologias. A IA deve ser entendida como uma extensão das ações humanas e, consequentemente, precisa estar orientada por valores éticos e pelo compromisso com o bem comum. Afinal, quando utilizada de forma ética, ela se mostra capaz de automatizar tarefas, prever comportamentos e auxiliar em estudos e tomadas de decisões complexas.

No entanto, quando utilizada de forma responsável, a IA pode trazer inúmeros benefícios para a sociedade. Ela auxilia em pesquisas cientificas, otimiza processos, contribui para diagnósticos médicos, amplia o acesso à informação e facilita a realização de tarefas complexas. O desenvolvimento tecnológico precisa caminhar junto com reflexões morais. 

Construir IA ética não significa tornar a IA perfeita, mas sim orientá-la para diretrizes que reduzem danos e maximizem benefícios compartilhados. Espera-se que sistemas algorítmicos sejam seguros e justos eticamente. A ética fornece o norte para usarmos as inovações da IA sem perder de vista aquilo que nos torna humanos.

Avaliar os impactos éticos de um sistema de IA é uma tarefa complexa. Muitas vezes, identificar vieses presentes em um algoritmo exige análises detalhadas e um acompanhamento contínuo do funcionamento dessas tecnologias. As decisões produzidas por algoritmos costumam transmitir uma aparência de neutralidade, apenas porque são baseadas em cálculos matemáticos.

Concluindo, a Inteligência Artificial transforma nosso cotidiano, mas a neutralidade dos algoritmos não substitui a consciência humana. Como alerta o papa Leão XIV, o avanço tecnológico exige uma gestão ética voltada para o bem comum e para a dignidade. Devemos nos preocupar urgentemente em preservar elementos singulares da nossa identidade, como o rosto e a voz, contra manipulações. Assim, a responsabilidade permanece com os criadores, que devem guiar a inovação pelo discernimento moral e pelo respeito ao que nos torna humanos.

Dom Edson Oriolo - Diocese de Leopoldina

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Fonte: cnbbleste2.org  Imagem: (@Vatican Media)

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Leão XIV em audiência a embaixadores:

hoje se busca a paz com armas;
é urgente fortalecer o diálogo e o multilateralismo

Leão XIV recebe em audiência os novos embaixadores junto à Santa Sé de Serra Leoa, Bangladesh, Iêmen, Ruanda, Namíbia, Maurício, Chade e Sri Lanka, por ocasião da apresentação das cartas credenciais. O Pontífice pede que se promova o diálogo para encontrar “caminhos de paz” e lembra que nenhuma nação e nenhuma ordem internacional pode se definir como “justa e humana” se medir o próprio sucesso “em termos de poder ou prosperidade”, negligenciando aqueles que vivem à margem.

"Em uma época em que se busca a paz por meio das armas como condição para afirmar o próprio domínio, há uma necessidade urgente de retornar a uma diplomacia que promova o diálogo e busque o consenso em todos os níveis: bilateral, regional e multilateral."

O Papa Leão XIV recordou aos novos embaixadores extraordinários e plenipotenciários da Serra Leoa, Bangladesh, Iêmen, Ruanda, Namíbia, Maurício, Chade e Sri Lanka a sua vocação, a essência da missão, o papel fundamental de construir “pontes” e promover “o diálogo”, bem como a importância do multilateralismo. O Pontífice recebeu o grupo em audiência na manhã desta quinta-feira, 21 de maio, no Palácio Apostólico Vaticano, por ocasião da apresentação das cartas credenciais.

Leia a íntegra das palavras do Papa Leão XIV


Uma diplomacia que promove o diálogo

Em vista de Pentecostes, solenidade que recorda “como o Espírito Santo”, descendo sobre os discípulos, transformou “o medo em coragem e a divisão em unidade”, o Pontífice expressa a esperança de que “uma visão semelhante de unidade possa inspirar o mundo da diplomacia”. Um mundo, sublinha ele, “onde as relações construtivas entre as nações floresçam por meio de uma sincera abertura, da promoção do respeito mútuo e de um senso compartilhado de responsabilidade”.

"Em um momento em que as tensões geopolíticas continuam a fragmentar ainda mais o nosso mundo, é necessário torná-las mais representativas, eficazes e orientadas para a unidade da família humana."

Os embaixadores junto à Santa Sé desempenham, nesse sentido, um papel crucial, que é o de criar “uma preciosa ponte de confiança e cooperação” com os países representados. A eles, Leão XIV confia a missão de revigorar um diálogo “motivado por uma busca sincera de caminhos que conduzam à paz”; isso exige que “as palavras voltem a expressar realidades claras, sem distorções nem hostilidades”. “Só assim se poderão evitar os mal-entendidos”, afirma o Papa. E “só assim se poderão superar as incompreensões e reconstruir a confiança no contexto das relações internacionais”.

O sucesso se mede pelo amor aos mais necessitados

A esse diálogo “cortês e claro”, que certamente permanece “essencial”, deve, no entanto, acompanhar-se uma “profunda conversão do coração”, destaca o Papa, ou seja, “a disposição de deixar de lado os interesses particulares em nome do bem comum”. É precisamente esse “espírito de solidariedade” que deve, de fato, “animar o serviço dos diplomatas” e “fortalecer as organizações internacionais”. Instituições que, sublinha o Pontífice, “continuam sendo instrumentos indispensáveis para resolver controvérsias e promover a cooperação”. A esse respeito, ele recorda no discurso proferido em inglês uma das passagens mais significativas da exortação apostólica Dilexi te

"Nenhuma nação, nenhuma sociedade e nenhuma ordem internacional pode definir-se como justa e humana se medir o próprio sucesso exclusivamente em termos de poder ou prosperidade, negligenciando aqueles que vivem à margem. O amor de Cristo pelos últimos e pelos esquecidos nos impele a rejeitar toda forma de egoísmo que torna invisíveis os pobres e os vulneráveis."


A paz de que o mundo precisa

O Papa Leão garante, por fim, suas orações para que os “esforços comuns contribuam para renovar o compromisso no âmbito das relações bilaterais e multilaterais e ajudem a chamar a atenção para aqueles que, à margem de nossas sociedades, são frequentemente esquecidos”. “Desta forma, poderemos trabalhar juntos para lançar bases mais sólidas para um mundo mais justo, fraterno e pacífico”, afirma ele. Por parte da Secretaria de Estado e dos Dicastérios da Cúria Romana, haverá sempre plena “disponibilidade” para assistir os novos diplomatas.

"Que a missão de vocês possa fortalecer o diálogo, aprofundar a compreensão mútua e contribuir para a paz de que o nosso mundo tanto necessita."

Salvatore Cernuzio - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Vídeo e foto: (@Vatican Media)

Ecos do Dia Mundial das Comunicações:

A comunicação daquele Galileu

"Perpassando o Dia Mundial das comunicações, que celebramos na Festa da Ascensão do Senhor, o Papa pede que na comunicação possamos revelar rostos e não deturpá-los pelos sistemas digitais".


A Instrução Pastoral Communio et Progressio sobre os Meios de Comunicação Social, publicada em 23 de maio de 1971, destaca a comunicação como instrumento fundamental para promover a comunhão humana, o entendimento entre os povos e a construção da paz. Inspirado pelas orientações do Concílio Vaticano II, especialmente pelo Decreto Inter Mirifica, o texto reconhece a importância dos meios de comunicação social na formação cultural, ética e espiritual da sociedade. O documento também enfatiza a responsabilidade moral dos comunicadores e dos receptores da informação, defendendo uma comunicação baseada na verdade, na justiça e no respeito à dignidade humana.

Nesse contexto, Jesus Cristo é apresentado como modelo perfeito de comunicador, pois sua mensagem era transmitida com clareza, proximidade e amor ao próximo. Jesus utilizava parábolas, exemplos do cotidiano e uma linguagem acessível para alcançar diferentes públicos, sempre promovendo acolhimento, esperança e transformação. Sua comunicação não se limitava às palavras, mas era confirmada por suas atitudes e pela coerência entre discurso e prática, tornando-se referência ética para todos aqueles que trabalham com a comunicação.

Precisamente neste contexto, Pe. Gerson Schmidt* nos propõe hoje "A comunicação daquele Galileu":

"Papa Leão afirmou, em suas Audiências Gerais, que a Igreja não é simplesmente um clube, uma ONG, uma associação humana, uma obra de cunho social desvinculada do divino.: “Por isso, a Igreja é comunidade terrena e ao mesmo tempo corpo místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade presente na história e povo peregrino rumo ao céu (LG, 8; CIC, 771)”. Para iluminar esta condição eclesial, a Lumen Gentium refere-se à vida de Cristo. A luz da Igreja se reflete a partir de Cristo, luz para os povos, luz das nações. A Igreja é Lumen Gentium não por si mesma, mas enquanto reflete a luz do Ressuscitado.

Com efeito, quem encontrava Jesus ao longo das estradas da Palestina, experimentava a sua humanidade, os seus olhos, as suas mãos, o som extraordinário da sua voz. Quem decidia segui-lo era impelido precisamente pela experiência do seu olhar acolhedor e cativante, pelo toque das suas mãos abençoadoras, pelas suas palavras de libertação, de cura e salvação. Mas ao mesmo tempo, seguindo aquele Homem, com “H” maiúsculo, os discípulos abriam-se ao encontro com Deus. Sim, a carne de Cristo, o seu rosto, os seus gestos e as suas palavras manifestam de modo visível o Deus invisível. O rosto de Deus, escondido a Moisés e a tantos profetas, finalmente agora é contemplado no rosto revelador do Homem de Nazaré, filho não simplesmente de um carpinteiro, mas do Deus verdadeiro e único Senhor da História e do Universo. Perpassando o Dia Mundial das comunicações, que celebramos na Festa da Ascensão do Senhor, o Papa pede que na comunicação possamos revelar rostos e não deturpá-los pelos sistemas digitais. Buscamos nós resgatar rostos humanos, a partir daquele divino rosto daquele que revelou a face de Deus.  Para tanto, em algumas semanas, queremos refletir sobre a comunicação deste que foi o maior comunicador do planeta: Jesus Cristo.

Na plenitude dos tempos, Sua Palavra se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Tornou-se forma de comunicação e comunhão, ponte entre o humano e divino, o abraço do céu com a terra. Tornou-se o arquétipo da comunhão entre os homens e dos homens com Deus. A COMISSÃO PONTIFÍCIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, nos aponta assim no documento Communio et Progressio sobre os MCS: “...é um Deus feito Homem, nosso irmão, que se encontra o fundamento e protótipo da comunicação entre os homens”[1].

É o modelo de comunicador. A fundadora do Movimento Focolares, que tem como bandeira a unidade, Chiara Lubich, escrevia assim|: “Jesus era um grande comunicador: ‘Jamais um homem falou como ele...’ (Jo 7,46), ‘o povo todo ficava fascinado ao ouvi-lo falar’ (Lc 19,48), admitiam os seus contemporâneos”[2]. Jesus se fez entender com todos os recursos da linguagem da época: a palavra, os gestos, o silêncio, as histórias, as estórias, as parábolas, os milagres, o testemunho... Jesus fala a língua do povo de seu tempo. Escolhe nas parábolas muitas imagens agropastoris da sua época. Ele escolheu formas e lugares para uma comunicação mais atraente e adequada.

Jesus soube usar linguagem atraente quando era necessário. Falou por meio de parábolas. Quando proclamou o Sermão da Montanha escolheu um local em que a acústica era adequada para que todos o ouvissem, e de maneira confortável. Todos podiam se acomodar[3].

Por meio desses recursos, o mestre da Galileia veio criar amor-comunhão, que é o grandioso ato de comunicar. Ensinou na sinagoga de Cafarnaum (cf. Jo 6,59), no templo (cf. Jo 7,15), perto do lago (cf. Jo 6,25) e em qualquer lugar. Falava para as multidões, para os doentes, para os grupos, para os apóstolos à parte ou para pessoas isoladas, como foi o caso de Nicodemos, no período da noite (cf. Jo 3,2). Em sua promessa, garantiu que, onde dois ou mais estivessem reunidos em seu nome, ele se achegaria para entrar no “chat” (Mt 18,20), na vídeo-chamada, na comunhão fraterna, tal como fez no caminho de Emaús. O comunicador de Nazaré falou por meio de parábolas, histórias e estórias comparativas para falar do Reino, comparando-o com as coisas simples do cotidiano. Com os sinais e milagres, confirmava os seus discursos e homilias, carimbando-os com o passaporte da verdade e da lealdade".

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.
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[1] COMISSÃO PONTIFÍCIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, Communio et Progressio sobre os MCS, Vozes, 1971, número 10, p. 6.
[2] LUBICH, Chiara. PERSPECTIVAS DE COMUNHÃO. Revista de Espiritualidade e Pastoral, ano XII 5  set-out. São Paulo: 2000, p.11.
[3] CNBB, Grupo de Estudos, 2001, 7.
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Jackson Erpen - Cidade do Vaticano
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                                      Fonte: vaticanews.va     Imagem: (@Vatican Media)