domingo, 24 de maio de 2026

Papa Leão XIV na homilia de Pentecostes:

só a Onipotência do amor,
e não uma superpotência, nos salvará da guerra

Com a solenidade de Pentecostes, chega ao fim o Tempo Pascal. Ao celebrar a missa na Basílica Vaticana, Leão XIV afirmou que a humanidade é redimida não por uma riqueza incalculável, mas por um dom inesgotável.

“Rezemos hoje para que o Espírito do Ressuscitado nos salve do mal da guerra, que é vencida não por uma superpotência, mas pela Onipotência do amor.”

Com esta invocação, o Papa concluiu a homilia pronunciada na celebração eucarística por ocasião da Solenidade de Pentecostes, presidida na Basílica de São Pedro com a participação de cinco mil fiéis. 

O Pontífice se deteve no Evangelho do dia, que narra a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos, mostrando-lhes «as mãos e o peito». O Senhor revela o seu corpo glorioso, isto é, as suas chagas, as feridas da crucificação. Estes sinais da Paixão, explicou Leão XIV, são mais eloquentes do que qualquer discurso, pois Aquele que estava morto agora vive para sempre.

Ao verem o Senhor, também os discípulos voltam à vida. No mesmo cenáculo onde instituiu a nova e eterna aliança, Jesus efunde o Espírito: o lugar da ceia e da traição transforma-se e, de sepulcro dos Apóstolos, torna-se para toda a Igreja seio de ressurreição. Por isso, acrescentou o Papa, o Pentecostes é festa pascal e festa do corpo de Cristo, que nós somos por graça.

O momento do ofertório   (@Vatican Media)


Pentecostes é a festa da Nova Aliança

Do Espírito do Ressuscitado, Leão XIV sublinhou três aspectos: paz, missão e verdade.

Na sua Páscoa, Cristo estabelece a paz entre Deus e a humanidade, e o Espírito Santo infunde-a nos corações e difunde-a pelo mundo. Esta paz, observou o Santo Padre, provém do perdão e nos leva ao perdão. Jesus nos confia assim uma obra divina, porque só Deus pode perdoar os pecados, e tal autoridade é concedida em sinal de uma reconciliação universal. Deste modo, o Pentecostes realiza-se como festa da Nova Aliança: a aliança entre Deus e todos os povos da terra. 

“Por isso, com o nosso coração podemos invocar: «Veni Sancte Spiritus», porque Ele já nos foi dado. Podemos desejá-Lo, porque já nos foi prometido. Podemos acolhê-Lo, porque Ele próprio é o doce hóspede da alma.”

A missão foi o segundo aspecto salientado pelo Papa. «Assim como o Pai me enviou», diz o Senhor, «também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21). Somos deste modo envolvidos na missão de Jesus. Agora que os Apóstolos receberam o Sopro do Ressuscitado dentro de si, este anúncio sai da sua boca, tem a voz de Pedro e dos que estão com ele. 

"Somos verdadeiramente participantes do Evangelho: toda a Igreja é dele protagonista, não apenas guardiã", disse o Papa. Com a força do Espírito, o anúncio enche-se de alegria e esperança. Se por um lado há mudanças que não renovam o mundo, mas o envelhecem entre erros e violências; por outro, o Espírito Santo ilumina as mentes e suscita nos corações novas forças de vida. É assim que transfigura a história, abrindo-a à salvação.

O Espírito nos protege das facções e hipocrisias

Esta missão leva ao terceiro aspecto, pois o anúncio consiste em proclamar a verdade de Deus e do homem. O Espírito, afirmou Leão XIV, promove sempre a unidade na verdade, porque suscita em nós compreensão, concórdia e coerência de vida.

“O Paráclito nos defende de tudo o que impede esta compreensão: das facções, das hipocrisias, das modas que obscurecem a luz do Evangelho. A verdade que Deus nos dá permanece assim como palavra libertadora para todos os povos, mensagem que transforma por dentro cada cultura.”

O Espírito do Ressuscitado é derramado constantemente e não apenas uma vez, como atestam os inúmeros dons e carismas. O Papa então concluiu:

"Caríssimos, com coração ardente, rezemos hoje para que o Espírito do Ressuscitado nos salve do mal da guerra, que é vencida não por uma superpotência, mas pela Onipotência do amor. Rezemos para que Ele liberte a humanidade da miséria, que é redimida não por uma riqueza incalculável, mas por um dom inesgotável. Rezemos para que nos cure da ferida do pecado, pela redenção anunciada a todos os povos em nome de Jesus. Esta é a graça que infunde coragem aos Apóstolos: por intercessão de Maria, Mãe da Igreja, a infunda também em nós, hoje e sempre."

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Assista:

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Papa na oração Regina Caeli:

a Igreja seja capaz de dialogar com os tempos que mudam

Na Solenidade de Pentecostes, recordou Leão XIV no Regina Caeli, somos chamados a contemplar o dom do Espírito Santo, derramado em abundância sobre a Igreja nascente e, hoje, novamente dado aos seus membros, como luz e força que os acompanha em todas as situações da vida.

Após celebrar a missa na Basílica Vaticana por ocasião da Solenidade de Pentecostes, Leão XIV rezou com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a oração do Regina Caeli. Em sua alocução, de modo especial, o Pontífice se deteve em uma imagem oferecida pela liturgia de hoje, de que o Espírito abre as portas. O Santo Padre então questionou: quais seriam essas portas?

"A primeira porta é a do próprio Deus, no sentido em que nos abre o acesso ao mistério de Deus, revelado em Jesus Cristo", respondeu. Com o dom do seu Espírito, Deus nos concede a verdadeira fé e nos faz compreender o sentido das Escrituras. E não só, pois nos ajuda a fazer uma experiência pessoal de Deus e a encontrá-Lo em Jesus e não apenas na observância de uma lei.

O Espírito abre as portas da Igreja

A segunda porta é a do Cenáculo, ou seja, da Igreja:

“Sem o fogo do Espírito, a Igreja permanece prisioneira do medo, assustada diante dos desafios do mundo, fechada em si mesma e, por isso, incapaz de dialogar com os tempos que mudam. O Espírito abre as portas da Igreja para que esta seja acolhedora e hospitaleira em relação a todos, mesmo aqueles que fecharam as portas a Deus, aos outros, à esperança e à alegria de viver.”

Por fim, o Espírito Santo abre as portas dos nossos corações, ajudando-nos a vencer as resistências, os egoísmos, as desconfianças e os preconceitos, e tornando-nos capazes de viver como filhos de Deus e irmãos uns com os outros. "Onde está o Espírito do Senhor, nasce a fraternidade entre as pessoas, os grupos, os povos da Terra, e todos falam a única língua do amor, que une e harmoniza as diversidades", afirmou o Papa, que então concluiu:

"Irmãos e irmãs, também nos nossos dias, especialmente neste dia de Pentecostes, devemos invocar o Espírito Santo, para que Ele abra as portas que permanecem fechadas. Precisamos de redescobrir Deus como Pai que nos ama, de edificar uma Igreja onde todos se sintam em casa e de fazer crescer um mundo fraterno, onde reine a paz entre todos os povos."

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Leão XIV:

rezemos pelos católicos chineses
e pelos cristãos do Oriente Médio

Em suas saudações após a oração do Regina Caeli, o Papa pediu orações pela Igreja na China, confiando a Nossa Senhora Auxiliadora a comunidade de fiéis chineses para que "sejam semente de esperança e paz". Leão XIV recordou as pessoas que no Oriente Médio "sofrem por causa da guerra".

Após a missa celebrada na Basílica de São Pedro, neste domingo 24 de maio, Solenidade de Pentecostes, o Papa Leão XIV conduziu a oração mariana do Regina Caeli da janela da Residência Apostólica Vaticana.

Os fiéis e peregrinos que participaram deste encontro dominical com o Pontífice eram cerca de trinta mil, na Praça São Pedro.

Leão XIV recordou que neste domingo, celebra-se "o Dia de Oração pela Igreja na China, memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem Maria Auxíliadora dos Cristãos, venerada com grande devoção no Santuário de Sheshan, em Xangai".

“Unamos a nossa oração à dos católicos chineses, como sinal de nosso carinho por eles e de sua comunhão com a Igreja universal e com o Sucessor de Pedro. Que a intercessão da Rainha do Céu obtenha para a comunidade de fiéis na China a graça da unidade e conceda a todos a força de testemunhar o Evangelho em suas fadigas cotidianas, para que sejam sementes de esperança e paz. Em particular, invoco a paz eterna para as vítimas do acidente ocorrido dias atrás numa mina no norte da China.”

O Papa confiou a Senhora Auxiliadora "as comunidades cristãs da Terra Santa, do Líbano e de todo o Oriente Médio, que sofrem por causa da guerra".

A seguir, saudou os fiéis de Roma e os peregrinos de vários países, em particular "o grupo de pessoas com deficiência da Polônia" e "os peregrinos que vieram de bicicleta de Kelmis, na Bélgica".

O Pontífice concluiu, desejando a todos um feliz Domingo de Pentecostes.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Vídeo e foto: (@Vatican Media)

Reflexão para o seu domingo:

Só o Espírito de Jesus nos converte em Igreja viva

José Antonio Pagola

João teve um cuidado especial com a cena em que Jesus vai confiar a seus discípulos sua missão. Ele quer deixar bem claro o que é essencial. Jesus está no centro da comunidade, cumulando todos com sua paz e alegria. Mas aos discípulos, espera-lhes uma missão. Jesus não os convidou só para desfrutar dele, mas para fazê-lo presente no mundo.

Jesus os “envia”. Não lhes diz em concreto a quem devem ir, o que devem fazer ou como hão de atuar: “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio”. Sua tarefa é a mesma de Jesus. Não têm outra: a que Jesus recebeu do Pai. Eles têm que ser no mundo o que Ele foi.

Eles viram de quem Ele se aproximava. Como Ele tratava os mais desvalidos, como levou adiante seu projeto de humanizar a vida, como semeou gestos de libertação e de perdão. As feridas de suas mãos e seu lado lembram-lhes sua entrega total. Jesus os envia agora para que “reproduzam” sua presença entre as pessoas do mundo inteiro.

Mas sabe que seus discípulos são frágeis. Mais de uma vez ficou surpreso com sua “pouca fé”. Precisam de seu próprio Espírito para cumprir sua missão. Por isso dispõe-se a fazer com eles um gesto muito especial. Não lhes impõe as mãos, nem os abençoa, como fazia com os enfermos e os pequenos: “Sopra sobre eles e lhes diz: “Recebei o Espírito Santo”.

O gesto de Jesus tem uma força que nem sempre sabemos captar. Segundo a tradição bíblica, Deus modelou Adão com barro; depois soprou sobre Ele seu “sopro de vida”, e aquele barro converteu-se num “vivente”. Isso é o ser humano: um pouco de barro animado pelo espírito de Deus. E a Igreja será sempre isso: barro animado pelo Espírito de Jesus.

Crentes frágeis e de pouca fé: cristãos de barro, teólogos de barro, sacerdotes e bispos de barro, comunidades de barro … Só o Espírito de Jesus nos converte em Igreja viva. As zonas em que seu Espírito não é acolhido permanecem “mortas”. Prejudicam a todos nós, pois nos impedem de atualizar sua presença viva entre nós. Muitos não podem captar em nós a paz, a alegria e a vida renovada por Cristo. Não devemos batizar só com água, mas infundir o Espírito de Jesus. Não só temos de falar de amor, mas amar as pessoas como Ele as amou.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 23 de maio de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 24 - Domingo de Pentecostes

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz com a 1ª Eucaristia e Crisma de adultos

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Papa Leão na cidade de Acerra neste sábado:

“É preciso
confiar, escutar e crer mais uma vez para não voltar atrás”

“É preciso confiar, escutar e crer mais uma vez. Os pequenos e grandes recomeços com os quais enfrentaram a dor ainda não são tudo. Se pararmos, voltaremos para trás”. Palavras do Papa Leão XIV no encontro com o clero e familiares das vítimas na cidade de Acerra, neste sábado (23/05), na Catedral de Nossa Senhora da Assunção.

Na manhã deste sábado (23/05) o Papa Leão XIV visitou a cidade de Acerra, localizada no sul da Itália, na região da Campânia, tristemente chamada “Terra dos fogos”. Tal nominativo deve-se à ação das máfias ambientais que causaram consequências dramáticas para a saúde da população. Neste primeiro encontro, realizado na Catedral de Nossa Senhora da Assunção, estavam presentes os bispos, o clero, os religiosos e as famílias das vítimas da poluição ambiental.

Papa Francisco e a Laudato si’

Papa Leão iniciou seu discurso recordando que Papa Francisco gostaria de ter visitado a cidade, mas não lhe foi possível. Por isso, disse, queremos realizar o seu desejo, reconhecendo o grande dom que a Encíclica Laudato si’ representou para a missão da Igreja nesta terra. “De fato, o grito da criação e dos pobres foi ouvido nesta comunidade de forma mais dramática, devido a uma concentração mortal de interesses obscuros e de indiferença ao bem comum, que envenenou o ambiente natural e social. É um grito que clama por conversão!”. “Vim, antes de tudo”, disse o Papa, “para colher as lágrimas daqueles que perderam pessoas queridas, mortas pela poluição ambiental causada por pessoas e organizações inescrupulosas, que por muito tempo puderam agir impunemente. [...] Também para agradecer a quem respondeu ao mal com o bem, especialmente a uma Igreja que soube ousar na denúncia e na profecia, para reunir o povo na esperança.


Responsabilidade com a ajuda de Deus

Em seguida o Santo Padre citou das Sagradas Escrituras, a visão do profeta Ezequiel no vale dos ossos secos (Ez 37, 1-10), quando , levado pelo Senhor a viver uma experiência que, para o povo no exílio, deverá se tornar uma forte mensagem de ressurreição. “Deus”, refletiu Papa Leão, “havia colocado o homem e a mulher em um jardim para que o cultivassem e o guardassem. Tudo era vida, beleza, fertilidade. Esta terra também, antigamente, era chamada de Campania felix, porque era capaz de encantar por sua fecundidade. [...] No entanto, eis a morte, da terra e dos homens. [...] Diante desta realidade, pode-se ter duas atitudes: a indiferença ou a responsabilidade. Vocês escolheram a responsabilidade e, com a ajuda de Deus, iniciaram um caminho de compromisso e de busca pela justiça.

Tu mesmo nos pega pela mão

Citando novamente o profeta Ezequiel no vale dos ossos, Leão recorda a passagem que o Senhor faz uma pergunta a Ezequiel: “Filho do homem, porventura tornarão a viver estes ossos? [...] ‘Senhor Deus, tu o sabes’, lhe responde. “Eis que Deus tem novas perguntas para nós”, afirma o Santo Padre, “que alargam o nosso horizonte. Ele sabe que temos um coração que busca a vida e suspira pela eternidade, mas que facilmente as adia para um tempo indefinido e distante, para um mundo diferente e que ainda não existe”. Da mesma forma”, continua, “as nossas Igrejas têm a missão de fazer ecoar aqui e hoje a Palavra de Deus. Esta Palavra nos pergunta se acreditamos nas suas próprias possibilidades: é Palavra de vida”. E voltando ao profeta Ezequiel repete que cremos e dizemos: “Senhor Deus, tu o sabes!”. “Tu sabes que podemos nos levantar, porque tu mesmo nos pega pela mão. Tu sabes que o nosso deserto pode florescer. Tu sabes transformar o luto em alegria.


Obstinada resistência

Advertindo em seguida: “Tudo isso é muito concreto: é uma promessa que já está se tornando realidade. O Papa Francisco, na Encíclica Laudato si’, embora denunciando um paradigma de morte, anunciou claramente o surgimento silencioso da vida nova ao perguntar: “Será uma promessa permanente, apesar de tudo, que brota como uma obstinada resistência daquilo que é autêntico?” (Laudato si’, 112). “Caríssimos”, disse o Papa, “sejam testemunhas desta ‘obstinada resistência’ que se transforma em renascimento, lá onde o Evangelho ilumina e transforma a vida”.

Confiar mais uma vez para não voltar atrás

Tornando mais uma vez ao profeta Ezequiel que obedece ao Senhor e percebe que os ossos, mesmo se movimentando ainda não têm espírito, o Papa Leão observa: "Compreendemos, portanto, que o milagre não acontece de uma só vez. O profeta está certamente maravilhado com o que vê e ouve, mas ainda não basta, ainda falta algo. Vale também para nós: é preciso confiar mais uma vez, escutar mais uma vez, crer mais uma vez. As escolhas que vocês fizeram, o caminho eclesial que percorreram, os pequenos e grandes recomeços com os quais enfrentaram a dor ainda não são tudo. Se pararmos, voltaremos para trás”.


Exército de paz

Assim como se formou o “exército” de Ezequiel após receberem o espírito, Papa Leão acrescentou: “Que o Espírito Santo lhes conceda ver um ‘exército’ de paz que se levanta e cura as feridas desta terra e das suas comunidades. Não mais o fogo que destrói, mas o fogo que aviva e aquece, o fogo do Espírito que acende os corações e as mentes de milhares e milhares de homens e mulheres, de crianças e de idosos, e inspira cuidado, consolação, atenção, amor verdadeiro”. Recomendando ainda: “Deixem morrer o ressentimento, pratiquem por primeiro a justiça que pedem, testemunhem a vida, eduquem para o cuidado”.

A mudança começa pelo coração

Por fim o Pontífice disse ainda aos presentes: “Manifestem cotidianamente a autoridade do serviço, que se abaixa e se aproxima, que dá o primeiro passo e perdoa. De fato, deve ser desmantelada a cultura do privilégio, da arrogância, do não prestamento de contas, que tanto mal fez a esta terra, como a muitas outras regiões da Itália e do mundo”. "Existe, de fato, uma espiritualidade dos lugares, mas que deve tudo à espiritualidade das pessoas. A mudança do mundo, de fato, começa sempre pelo coração”.

Jane Nogara - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Vídeo e foto: (@Vatican Media)

Um vento impetuoso e um gemido murmurante -

O Espírito renova a face da terra

Frei Almir Guimarães

Vê, Senhor, desse vento que é teu próprio sopro, hálito de tua vida e de teu amor, o que andamos fazendo. O Espírito da vida tornou-se um pássaro de pedra numa parede de nossos templos. Petrificamos o vento do Espírito. (Revista “Prier”, maio de 1988)

Belíssima solenidade esta do fogo, do vento violento e da brisa suave. Sopro, hálito, vento. O Espírito procede do Pai e do Filho. É o Defensor. Mais uma vez mergulhamos no mistério da Trindade. O Pai, o Filho unidos. O Filho gerado, não criado. Entre o Pai e o Verbo, o sopro do Vento, do Espírito. O Pai envia o Filho e o Espírito o unge ao sair das águas do Jordão. O Espírito está sobre Jesus. O Filho é ungido. Depois da missão do Filho o Espírito vela pela obra do mundo novo inaugurada pelo Verbo feito carne.

No alto da cruz, no momento da morte, segundo o quarto evangelista, “Jesus entrega o Espirito”. Não se trata apenas de dar o espírito, com e minúsculo, mas o Sopro, o Vento, a Luz. Ele, o Espírito foi derramado em nossos corações. Depois ele seria derramado sobre os apóstolos numa radiosa manhã.

É como o vento… Não é vento, mas como o vento. Vento, sopro, hálito. Vento que chega ao Cenáculo onde estavam reunidos os apóstolos com medo. Não se pode reter ou guardar o vento. Como o vento, o Espírito não pode ser “estocado”, nem percebido com as coisas palpáveis. O vento do Espírito sopra onde quiser e como quiser. Para onde sopra, em nossos dias, o Vento de Deus? Vento que mexe com as coisas paradas, mornas, estratificadas, rotineiras. Vento que não deixa o projeto de Jesus envelhecer.

É como o fogo. A junção entre fogo e Espírito aparece em fala do Batista. Jesus receberia um batismo diferente daquele que o filho de Isabel e Zacarias administrava. Ele batizaria no Espirito e no fogo. “Apareceram línguas como que de fogo que se repartiram e se colocaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo”. Fogo: ardor, novo ardor, ardor sempre renovado. Nova evangelização, novo modo de ler a figura de Jesus. Jesus havia afirmado que, quando viesse o Paráclito, ele ensinaria todas as coisas.

Sim, insistamos. O Espírito não admite os caminhos batidos. Ele é propulsor da novidade. A ele se atribui o excepcional, o extraordinário. É fonte inesgotável de criatividade. Entra em conivência com toda novidade quando esta venha a favorecer a instauração e consolidação do Reino. A presença do Espírito na Igreja faz com que ela se embrenhe pelos caminhos de um futuro não previsível.

O Espírito é impregnação. É água que a tudo penetra. Ao lado das imagens do Espírito como movimento e ação ele é mostrado como impregnação. O Espírito é derramado como a água. Impregnação, interiorização, casa, habitação, morada. Nesta linha vão as imagens do óleo e da unção. Apoiado nessa imagens Santo Agostinho falará do Espírito como alma da Igreja. Dizemos que estamos “repletos” do Espírito Santo.

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Para a reflexão e oração

Dá-nos teu Espirito, Senhor!
Onde não há Espírito surge o medo.
Onde não há Espírito a rotina invade tudo.
Onde não há Espírito a esperança murcha.
Onde não há Espírito não podemos reunir-nos em teu nome.
Onde não há Espírito esquece-se o essencial.
Onde não há Espírito introduzem-se normas.
Onde não há Espírito não pode brotar a vida.
Dá-nos teu Espírito, Senhor.   (F.Ulíbarri)

Penso nos vários sentidos que a palavra Espírito tem no texto bíblico: sopro, hálito vital, vento…E é isso que me apetece rezar nesta manhã, Senhor. Sopra sobre o indeciso, venha o sussurro do teu alento íntimo renovar o hesitante, a ventania de Deus nos mova. Parecemo-nos tanto a embarcações travadas, velas erguidas sem a energia de novas praias, de intactos e aventurosos cabos… Os nossos barcos rodam apenas em torno de si próprios. Manda, Senhor, a pulsão do Espírito, o ânimo criador que incessantemente nos coloca ao encontro da novidade e da beleza de teu Reino. (José Tolentino Mendonça, Um Deus que dança, Paulinas, p. 80)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 23 - Sábado

15h -  Atendimento de confissões de adultos para a Crisma na matriz

19h -  Missa na matriz

19h - Celebração na comunidade São Geraldo

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Dia 24 - Domingo de Pentecostes

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz com a 1ª Eucaristia e Crisma de adultos

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Solenidade de Pentecostes:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: At 2,1-11

Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos

Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!”

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Responsório: Sl 103(104)

- Enviai o vosso Espírito, Senhor, / e da terra toda a face renovai.

- Enviai o vosso Espírito, Senhor, / e da terra toda a face renovai.

1. Bendize, ó minha alma, ao Senhor! / Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! / Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras! / Encheu-se a terra com as vossas criaturas!

2. Se tirais o seu respiro, elas perecem / e voltam para o pó de onde vieram. / Enviais o vosso espírito e renascem, / e da terra toda a face renovais.

3. Que a glória do Senhor perdure sempre, / e alegre-se o Senhor em suas obras! / Hoje, seja-lhe agradável o meu canto, / pois o Senhor é a minha grande alegria!

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2ª Leitura: 1Cor 12,3-7.12-13

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

Irmãos, ninguém pode dizer: “Jesus é o Senhor”, a não ser no Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.

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Evangelho: Jo 20,19-23

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”. 

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Reflexão do padre Johan Konings:

O Espírito do Senhor Jesus e nossa missão

A 1ª leitura e o evangelho nos contam como os apóstolos viveram as últimas aparições de Jesus ressuscitado: como despedida provisória e como promessa. Jesus não voltaria até a consumação do mundo, mas deixou nas mãos deles a missão de levar a salvação e o perdão dos pecados a todos que quisessem converter-se, no mundo inteiro. E prometeu-lhes o Espírito Santo, a força de Deus, que os ajudaria a cumprir sua missão.

A vitalidade e juventude da Igreja, até hoje, tem sua raiz nesta herança que Deus lhe deixou. “É bom para vocês que eu me vá – diz Jesus no evangelho de João – porque, senão, não recebereis o Paráclito, o Espírito da Verdade” (16,7). Jesus salvou o mundo movido pelo Espírito e dando a sua vida pelos homens. Agora, nós devemos dar continuidade a esta obra, geração após geração. O Espírito de Jesus e do Pai deve animar em nós, e através de nós, um testemunho igual ao de Jesus: deve fazer reviver Jesus em nós. O que salva o mundo não é a presença física de Jesus para todas as gerações, mas sim o Espírito que ele gerou em nós pela morte por amor – o Espírito do Pai e dele mesmo.

A Igreja não caiu no vazio depois da Ascensão de Jesus. Antes, entrou com ele na plenitude do tempo da salvação e da reconciliação, embora não de vez e por completo. Tem que lutar para realizar o que Jesus já vive em plenitude. Ainda não está na mesma glória, na mesma união definitiva com Deus em que está o seu fundador, mas vive movida pelo mesmo Espírito, e este nunca lhe faltará até a hora do reencontro completo. A Igreja terá que expor às claras as contradições, as injustiças, as opressões que impedem a reconciliação e o perdão. Terá que urgir opção e posicionamento, e também transformação dos corações e das estruturas do mundo, para que um dia o Cristo glorioso seja a realidade de todos nós.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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