sábado, 11 de julho de 2026

Neste sábado, Papa almoça com os pobres:

"Temos fome de justiça e de uma Igreja que acolha a todos"

Antes do almoço com pessoas em situação de vulnerabilidade em Castel Gandolfo, o Papa destacou a necessidade de construir uma Igreja de portas abertas, comprometida com a justiça, a paz e a superação das causas da pobreza.

"Vim sem discurso, mas com fome." Com essas palavras espontâneas, o Papa Leão XIV saudou os cerca de 200 participantes do almoço promovido neste sábado, 11 de julho, no Borgo Laudato Si', em Castel Gandolfo. A iniciativa reuniu pessoas em situação de vulnerabilidade acompanhadas pela Diocese de Roma e por diversas associações de caridade e assistência social. Antes da oração e da bênção dos alimentos, o Pontífice explicou o sentido de sua afirmação:

“Com fome de justiça, com fome de uma caridade autêntica, com fome de uma Igreja que verdadeiramente saiba abrir as portas, acolher e receber a todos.”

Em um clima familiar e de proximidade, Leão XIV recordou que ninguém deve ser considerado inimigo e que a comunidade cristã é chamada a viver a reconciliação, o perdão e a paz. O Papa ressaltou ainda que a Igreja deve ser um lugar onde haja amor para todos, especialmente para aqueles que vivem situações de fragilidade e exclusão.

Construir pontes e eliminar as causas da pobreza

Retomando um dos títulos tradicionalmente atribuídos ao Papa, o de "Pontífice", ou seja, construtor de pontes, Leão XIV afirmou que o encontro no Borgo Laudato Si' representa também a vontade de criar laços entre as pessoas, as famílias e a sociedade:

"E nós hoje também queremos construir uma ponte com todos vocês, com as suas famílias e com a sociedade na qual desejamos viver; mas viver com justiça, viver em um lugar onde se possam eliminar as causas da pobreza, onde se possam eliminar as causas das injustiças que ainda existem no nosso mundo. Esta é a Igreja que queremos ser."

Um sinal de esperança

Leão XIV agradeceu aos organizadores, voluntários e benfeitores que tornaram possível a realização do almoço. Segundo o Pontífice, momentos como este manifestam o verdadeiro espírito do encontro e da fraternidade.  "Quando nos reunimos e partilhamos a mesma mesa, estamos verdadeiramente construindo um mundo diferente, um mundo de esperança", afirmou.

O Papa observou que a sociedade contemporânea é frequentemente marcada pela violência, pelo ódio e pela discriminação, mas destacou que experiências de acolhida e partilha se tornam sinais concretos de luz e esperança. Ao encerrar sua saudação, antes da bênção dos alimentos, Leão XIV convidou todos a trabalharem juntos para que a Igreja continue sendo uma experiência viva de justiça, paz e amor. Por fim, concluiu sua saudação dizendo: "Bom apetite! Sejam todos bem-vindos!"

Thulio Fonseca – Vatican News

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  Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media)

Reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

Sementes e semeaduras

Há um momento na vida em que compreendemos: o conhecimento decisivo provém da escuta, e esta é a forma de hospitalidade de que precisamos. (José Tolentino Mendonça)

O evangelho de Mateus está recheado de parábolas, essas deliciosas histórias e historietas que de um lado nos encantam e, de outro, chamam nossa atenção para um estilo de viver que possa ter tudo com o Reino, com o mundo novo de Jesus. Não dá para viver uma vida sem vida. Uma das parábolas que temos mais gravada em nosso interior é certamente a do semeador. Sabemo-la de cor: semente cai em terra dura e não vinga, semente que cai nos espinheiros e é, de alguma forma sufocada, aquela que germinando no terreno bom encontra pedras mais abaixo e a que cai em terra boa. A semente é a Palavra e a terra o coração dos homens. Nem sempre Jesus encontrou ouvintes desejos de sua Palavra. Houve resistências.

Escrituras sagradas, sinais dos tempos, visitas do Espirito, pérolas que brotam da vida e da palavra dos outros chegam nós, a nossos ouvidos. No dia a dia, ao longo de uma celebração litúrgica, no nascimento de um filho, no enterro de um ente querido, nas epidemias e pandemias, o Senhor tenta nos falar. Bate à porta de nossa vida para que o ouçamos! Novamente Tolentino: “A escuta não é apenas a recolha do discurso sonoro. Antes de tudo é atitude, é inclinar-se para o outro, é disponibilidade para acolher o dito e o não dito, o entusiasmo da história ou o seu avesso, a dor”

Estamos diante do diálogo, de uma escuta, de uma qualidade de escuta do Senhor em nossos projetos, empreendimentos, nosso presente e nosso futuro. A Palavra é uma força, um dinamismo que constrói o novo. Cristãos tomados e em particular e a Igreja no seu todo realizam maravilhas. A semente tem uma força que age quando o terreno lhe é oferecido. “Se pudéssemos observar o interior das vidas, ficaríamos surpresos ao encontrar tanta bondade, entrega, sacrifício, generosidade e amor verdadeiro. Há violência e sangue no mundo, mas cresce em muitos o anseio por uma verdadeira paz. Impõe-se um consumismo egoísta em nossa sociedade, mas são muitos os que descobrem a alegria de uma vida simples e compartilhada. A indiferença parecer ter apagado a religião, mas em não poucas pessoas vê-se despertar a nostalgia de Deus e a necessidade da oração” (Pagola, Mateus, p. 153). Há, evidentemente, disposições nesses ouvintes para que o diálogo se efetue.

Inspirados em Luciano Manicardi, prior da comunidade de Bose, perto de Milão, no norte da Itália, podemos assim precisar nosso tema:

◊ Interiorização: a semente caída ao longo da estrada e comida pelas aves antes de chegar a germinar, simboliza a escuta superficial, sem interiorização, sem uma assimilação profunda da Palavra. Sem esse habitar a si mesmo do ouvinte, a Palavra nada fecunda.

◊ Perseverança: a semente caída em terreno pedregoso denuncia um tipo de escuta sem frutos, porque não acompanhada de perseverança. A pessoa acolhe no momento, com certa alegria, mas não tem raízes em si própria. No momento em que a Palavra exige um empenho maior, desiste. Trata-se do homem de um momento. Incapaz de fazer tornar-se história sua fé, de submeter a fé à prova do tempo.

◊ Luta espiritual – O homem ouve a Palavra, mas permanece seduzido por outras palavras, tentações mundanas, riquezas. Não sabe desencadear a luta para reter a Palavra. As resistências à Palavra são resistências à conversão, ao esforço do coração que, para acolher a Palavra, deve deixar-se purificar pela própria Palavra. Tememos a purificação e o despojamento.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 11 - Sábado

18h -  Terço e festa julina na comunidade dos Martins

19h -  Missa na matriz

19h -  Celebração na comunidade São Geraldo

19h - Celebração na comunidade da Serra dos Pereiras - Festa de Nossa Senhora Aparecida

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Dia 12 - 15º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

11h -  Missa da festa de Nossa Senhora Aparecida na Serra dos Pereiras

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Reflita com dom Itacir Brassiani:

Será que Jesus Cristo deveria voltar à escola? 

Dom Itacir Brassiani  - Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

Está no evangelho segundo Lucas (15,1-7): “Haverá mais alegria no céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão”. É como o caso de um pastor dedicado: ele deixa as 99 ovelhas no campo e vai atrás de uma que se perdeu. E, quando a encontra, toma ela no colo, volta para casa e reúne os vizinhos para festejar e participar da sua alegria. Será que 1 vale mais que 99? 

Está no evangelho segundo João (6,1-13). Uma multidão segue Jesus na travessia do mar para escutá-lo. Vendo toda aquela gente, Jesus pergunta aos discípulos como alimentá-la. Eles fazem um rápido orçamento e concluem que custaria a renda de sete meses. Mas, com cinco pães e dois peixes que lhe são entregues, cinco mil cidadãos se alimentam o quanto querem, e a sobra enche doze cestos. Será que essa divisão é possível? 

Está no evangelho segundo Mateus (20,1-16). Alguns assalariados começam a trabalhar para o mesmo patrão bem cedo, outros às nove horas, ao meio-dia e à tarde. Todos recebem o mesmo valor como pagamento: o necessário para viver um dia. Os primeiros murmuraram porque foram igualados aos últimos. Mas o patrão responde que a justiça considera a necessidade e não o mérito. Será que Jesus desconhece as leis? 

Está em todos os evangelhos: “Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”; “o primeiro e maior é o último e aquele que serve” (cf. Lc 13,30; 22,26; Mc 10,31.43; Mt 19,30; 20,16; 23,11; Jo 13,14). Isso é estranho, pois os primeiros sempre são os vencedores e bem-sucedidos, e os perdedores, condenados a servir e se submeter, são os imprestáveis. Será que Jesus não conhece os valores que garantem a ordem social? 

Jesus não ignora o funcionamento das religiões e das instituições. Mas ele as critica com radicalidade, e propõe outra escala de valores e outros paradigmas de justiça. Não o representam as igrejas e comunidades que se fecham como gueto dos 99 justos, como seita que reúne os cidadãos mais honrados, ou as sociedades que premiam os vencedores por terem mérito e punem os empobrecidos porque os consideram fracassados. 

Edifiquemos comunidades eclesiais que se alegram com cada pessoa que é protegida e supera a vulnerabilidade, porque “todas as vidas importam”. Elaboremos arcabouços legais que deem prioridade aos setores sociais que pagam com uma vida precária o desenvolvimento do país. E trabalhemos sem tréguas por estruturas econômicas e judiciais que assegurem a todos os cidadãos as condições básicas para uma vida digna. 

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  Fonte: cnbb.org.br     Foto: (@Vatican Media)

15º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Is 55,10-11

Leitura do livro do profeta Isaías

Isto diz o Senhor: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.

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Responsório: Sl 64

— A semente caiu em terra boa e deu fruto.

— A semente caiu em terra boa e deu fruto.

— Visitais a nossa terra com as chuvas,/ e transborda de fartura./ Rios de Deus que vêm do céu derramam águas,/ e preparais o nosso trigo.

— É assim que preparais a nossa terra:/ vós a regais e aplainais,/ os seus sulcos com a chuva amoleceis/ e abençoais as sementeiras.

— O ano todo coroais com vossos dons,/ os vossos passos são fecundos;/ transborda a fartura onde passais,/ brotam pastos no deserto.

— As colinas se enfeitam de alegria,/ e os campos, de rebanhos;/ nossos vales se revestem de trigais:/ tudo canta de alegria!

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2ª Leitura: Rm 8,18-23

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos: Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós. De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus. Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por sua dependência daquele que a sujeitou; também ela espera ser libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus.

Com efeito, sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo.

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Evangelho: Mt 13,1-23

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele dia, Jesus saiu de casa, e foi sentar-se às margens do mar da Galileia. Numerosas multidões se reuniram em volta dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé na praia. E Jesus falou para eles muita coisa com parábolas: «O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os passarinhos foram e as comeram. Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. Porém, o sol saiu, queimou as plantas, e elas secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e renderam cem, sessenta e trinta frutos por um. Quem tem ouvidos, ouça!»

Os discípulos aproximaram-se, e perguntaram a Jesus: «Por que usas parábolas para falar com eles?» Jesus respondeu: «Porque a vocês foi dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não. Pois, a quem tem, será dado ainda mais, será dado em abundância; mas daquele que não tem, será tirado até o pouco que tem. É por isso que eu uso parábolas para falar com eles: assim eles olham e não veem, ouvem e não escutam nem compreendem. Desse modo se cumpre para eles a profecia de Isaías: ‘É certo que vocês ouvirão, porém nada compreenderão. É certo que vocês enxergarão, porém nada verão. Porque o coração desse povo se tornou insensível. Eles são duros de ouvido e fecharam os olhos, para não ver com os olhos, e não ouvir com os ouvidos, não compreender com o coração e não se converter. Assim eles não podem ser curados’. Vocês, porém, são felizes, porque seus olhos veem e seus ouvidos ouvem. Eu garanto a vocês: muitos profetas e justos desejaram ver o que vocês estão vendo, e não puderam ver; desejaram ouvir o que vocês estão ouvindo, e não puderam ouvir.»

Ouçam, portanto, o que a parábola do semeador quer dizer: Todo aquele que ouve a Palavra do Reino e não a compreende, é como a semente que caiu à beira do caminho: vem o Maligno e rouba o que foi semeado no coração dele. A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a Palavra, e logo a recebe com alegria. Mas ele não tem raiz em si mesmo, é inconstante: quando chega uma tribulação ou perseguição por causa da Palavra, ele desiste logo. A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a Palavra, mas a preocupação do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a Palavra, e ela fica sem dar fruto. A semente que caiu em terra boa é aquele que ouve a Palavra e a compreende. Esse com certeza produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta por um.»

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Reflexão do padre Johan Konings:

O porquê das parábolas

Isaías disse que a palavra de Deus é eficaz “como a chuva no chão”(1ª leitura). Mas Jesus acrescenta: depende da qualidade do chão! A semente da palavra tem tudo para crescer, mas precisa ser acolhida num chão aberto, generoso, preparado… num coração acessível e profundo ao mesmo tempo (evangelho). Jesus usa imagens, parábolas. Uma pessoa simples as pode entender, enquanto os de “coração empedernido” ouvem e vêem exteriormente, mas não percebem interiormente o que a palavra significa, ao contrário da “terra boa”, que “ouve a palavra e a compreende”.

Jesus falou em parábolas, para que os mais simples pudessem entender, e aparecesse o endurecimento daqueles que a ouvem sem entender. Uns ouvem e não compreendem. A palavra não cria raízes neles. Jesus explica as causas disso: o “maligno” (as forças contrárias a Jesus e ao Reino de Deus), a superficialidade, a desistência na hora da dificuldade, as “preocupações do mundo e a ilusão da riqueza”. Mas, graças a Deus, há também aqueles que ouvem e compreendem, e produzem fruto. A diferença está na disposição do ouvinte.

As causas da incompreensão da palavra são ainda as mesmas hoje: estratégia das forças antievangélicas, consumismo, idolatria da riqueza. Em compensação, os “mistérios do reino”, quando apresentados em imagens compreensíveis ao povo, são tão transparentes que até os mais simples os entendem e se tornam seus melhores propagandistas.

Importa, pois, prepararmos o chão dos corações para que possam receber a palavra: combater os fatores de “endurecimento” (dominação ideológica, alienação, consumismo, culto da riqueza e do prazer etc). Em vez do fascínio dos sempre novos (e tão rapidamente envelhecidos) objetos do desejo, a formação para a autenticidade e simplicidade, a educação libertadora com vistas ao evangelho. Então, a Palavra, que desce como a chuva do céu, poderá penetrar no chão e fazer a semente frutificar.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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         Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: diocesefranca.org.br  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Posicionamento dos arcebispos de São Paulo e de Niterói:

Em comunhão com a Igreja

Dom Odilo Pedro Scherer – Cardeal Arcebispo de São Paulo

No dia 1º de julho passado, aconteceu a excomunhão de dois bispos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, por terem ordenado quatro bispos novos, também ligados à mesma Fraternidade, sem terem o Mandato Pontifício, com a aprovação e nomeação dos novos bispos, sempre requerido para ordenar um novo bispo. Falou-se muito na imprensa e nas mídias sobre o fato; mesmo assim, desejo apresentar algumas reflexões e esclarecimentos. Afinal, não é todos os dias que acontecem cismas e excomunhões na Igreja, graças a Deus!

Dom Odilo Pedro Scherer

A excomunhão é a pena mais grave que a Igreja impõe a um fiel (clérigo, religioso ou leigo) por alguma falta muito grave cometida por ele, com a consequente exclusão da comunhão com a Igreja. O efeito principal da excomunhão é a separação (cisma) da comunhão visível com a Igreja e, portanto, também a suspensão dos direitos que fazem parte da comunhão eclesial, como a recepção válida dos Sacramentos e, para os clérigos, a exclusão da celebração dos Sacramentos. A excomunhão, em determinados casos previstos pela norma da Igreja, é automática; em outros, ela pode ser declarada e imposta a alguém após o devido processo canônico. No caso que tratamos, ela foi automática.

Quem são e o que fizeram os novos excomungados para receberem pena tão grave? A Fraternidade São Pio X foi fundada em 1970 pelo Arcebispo francês Marcel Lefebvre, que não aceitou o Concílio Vaticano II e se opôs ostensivamente à sua aplicação. Na Fraternidade, foram sendo acolhidos outros católicos, que igualmente não aceitam o Concílio Vaticano II e toda a Igreja pós-conciliar. Não se trata apenas de rezar a missa em latim e de costas para o povo, na forma pre-conciliar, mas de muito mais. De fato, significa não aceitar a Igreja pós-conciliar, que consideram desviada e fora da autêntica “tradição” católica; por isso, ela já não seria mais a verdadeira Igreja de Cristo. Alguns mais extremados chegam a negar a legitimidade de todos os Papas que sucederam a Pio XII: São João XXIII, São Paulo VI, João Paulo I, São João Paulo II, Bento XVI, Francisco e Leão XIV. E isso, naturalmente, é muito grave e espalha uma grande confusão, insegurança e divisão no meio da Igreja.

Se isso já não bastasse, o próprio Dom Marcel Lefebvre, junto com outros dois bispos cismáticos, ordenou alguns bispos da linha dele, sem a aprovação do Papa, em 1988, sendo excomungado junto com os outros bispos ordenantes e os bispos ordenados por ele. E agora, dia 1º de julho, foram ordenados outros quatro bispos novos, também sem o Mandato Pontifício, ou seja, sem a aprovação do Papa, que é o único que aprova a nomeação de bispos na Igreja Católica. Leão XIV, em diversas ocasiões, pediu e até suplicou paternalmente à Fraternidade São Pio X que não o fizesse. E a Santa Sé deixou claro que, com esse ato, os bispos ordenantes e os bispos ordenados incorreriam automaticamente na pena de excomunhão. Ainda no dia 30 de junho, véspera da ordenação, o Papa Leão XIV fez um último apelo aos responsáveis da Fraternidade para que não fizessem a ordenação. Tudo inútil. A ordenação foi feita e, portanto, os autores desse ato incorreram em excomunhão. O que a Santa Sé fez, através do Dicastério para a Doutrina da Fé, foi apenas formalizar a excomunhão, já acontecida com a decisão e atitude dos citados bispos.

Tratou-se, portanto, de um ato cismático, ou seja, de separação da comunhão da Igreja, para escolher autonomamente um caminho fora da comunhão da Igreja. E foi uma desobediência gravíssima ao Papa e à própria Igreja, que tem a autoridade para estabelecer as suas normas sobre a reta ordem e para assegurar o maior bem dos fiéis. Sobre as questões doutrinais em jogo, é preciso ir mais a fundo e não seria o lugar de fazê-lo aqui, mediante este breve artigo. Mas é certo que não se tratou apenas de desobediência ao Papa e às normas da Igreja, mas foi ferida a própria fé na Igreja Católica e no Espírito Santo, que conduz a Igreja através dos seus legítimos Pastores, sobretudo em referência ao Papa, o que é, de forma prática, negado pela Fraternidade São Pio X.

Nestes últimos anos, a Igreja está refletindo muito sobre a “comunhão eclesial” que, lamentavelmente, é ferida e até rompida de diversas formas. A comunhão eclesial refere-se à aceitação da mesma fé, afirmada no “Creio em Deus Pai” e explicada oficialmente pelo Magistério da Igreja, sobretudo no Catecismo da Igreja Católica, nos documentos conciliares, nos escritos e na voz do Papa e dos bispos em comunhão com ele. Mas refere-se também na comunhão litúrgica, ou seja, na forma de celebrar os mistérios da fé na forma aprovada pelo Magistério da Igreja. E a Igreja conclama a todos a viverem e testemunharem essa comunhão na caridade fraterna, no serviço evangélico ao reino de Deus no mundo e na esperança na salvação prometida.

A celebração da Eucaristia representa o momento visível mais forte dessa comunhão invisível da Igreja. Que nossas celebrações eucarísticas unam sempre mais a Igreja e que todos os que se reúnem em torno do altar (que representa Cristo), ouvem a Palavra de Deus e acolhem o Pão da Vida sejam sempre mais um só corpo, sem divisões.

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Dom José Francisco Rezende Dias:

Estamos com Pedro

No doloroso impasse de ver alguém ser excluído da totalidade dos bens espirituais comuns aos fiéis, nada nos resta dizer, senão, que estamos com Pedro. Afinal, Pedro esteve com Jesus e, antes de tudo, Jesus esteve com Pedro.

Dom José Francisco

Se as últimas notícias nos encheram de tristeza, também nos deram a confiança na continuidade de Pedro: essa continuidade traz a marca da identidade e da segurança.

Identidade e segurança são achados preciosos no incerto momento atual. Nunca nossa espécie esteve tão insegura de encontrar segurança. Nunca a marca da identidade faltou tanto a uma geração consumidora de novidades.

O que mais pesa no momento é a ruptura de alguns, apenas em prol de si mesmos, como se tivessem encontrado a chave que abre todas as portas.

Quando nenhum apelo parece suficiente para não rasgarem a túnica inconsútil de Cristo, é a hora da verdade abrir caminho.

Por isso, ficamos com Pedro onde encontramos a identidade e a segurança da verdade sob a guarda do Espírito.

Nesse momento, o Evangelho é a nossa luz.

Vem dele a imagem, três vezes repetida, de Jesus andando sobre o lago de Cafarnaum, à noite, com o vento contrário e sob forte neblina, na direção dos discípulos. Todos estão amedrontados e Pedro assim como os outros.

Foi quando eles se assustaram com um fantasma, antes de distinguir quem vinha caminhando sobre as águas.

Então, Pedro sai ao encontro de Jesus munido só das suas certezas. Mas aí, ele afunda e grita. Jesus estende os braços e o agarra. Ao subirem à barca, o vento cessou.

A Igreja é feita de homens dispostos a irem ao encontro de Jesus. Homens parecidos com Pedro. O caminho, todos sabemos. Agora, só nos resta seguir.

Estamos com Pedro na barca de Jesus. Estamos com ele aonde ele nos levar. Porque Pedro sempre esteve com Jesus. E Jesus nunca o abandonou.

Dom José Francisco Rezende Dias - Arcebispo Metropolitano de Niterói

João Dias

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  Fontes: osaopaulo.org.br    arqnit.org.br

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Reflexão para esta quarta-feira:

A gratuidade de nossa oração pequena e sincera! 

Dom Antônio Carlos Altieri - Arcebispo Emérito de Passo Fundo (RS)

Se olharmos atentamente ao nosso redor, e talvez para dentro de nós mesmos, perceberemos que a nossa época carrega uma marca muito dolorosa. Cientistas sociais e filósofos costumam chamar o tempo em que vivemos de “Sociedade do Cansaço”. Nunca fomos tão cobrados e nunca nos cobramos tanto. O Mercado exige hiperprodutividade; as empresas exigem metas cada vez mais intangíveis; as escolas e universidades impõem uma competição feroz; e até as redes sociais nos pressionam a exibir uma vida perfeita, feliz e incansável. O resultado? Uma geração esgotada, ansiosa, vivendo sob o peso do Burnout (o esgotamento físico e mental) e de fardos invisíveis que parecem esmagar a alegria de viver. 

É exatamente no coração dessa frenesi pós-moderna que a voz de Jesus ecoa hoje com uma atualidade cortante: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (Mt 11,28). A pós-modernidade se orgulha de ser a era da informação, da inteligência artificial, dos “sábios e intelectuais” da tecnologia e das finanças. No entanto, toda essa engrenagem falha em nos dar paz. Por quê? Porque a lógica do mundo diz que o seu valor é igual à sua utilidade. Você vale o que produz, vale o que consome, vale o status que ostenta. Jesus quebra essa lógica e louva ao Pai porque o Reino é revelado aos pequeninos (Mt 11,25).  

O “pequenino” na pós-modernidade é aquele que tem a coragem de dizer: “Eu não sou uma máquina. Eu tenho limites. Eu sou humano”. Os humildes compreendem que o amor de Deus por nós é gratuito. Deus não nos ama pelo que fazemos, mas pelo que somos: seus filhos queridos. Descer da arrogância de tentar dar conta de tudo sozinhos é o primeiro passo para a cura. Mas precisamos compreender bem o que Jesus está nos oferecendo. O descanso em Deus não significa esmorecimento, preguiça ou uma fuga covarde das responsabilidades da vida. Jesus não nos promete anestesia ou isenção dos problemas. Logo após oferecer descanso, Ele diz: “Tomai sobre vós o meu jugo” (Mt 11,29). Ora, o jugo continua sendo uma ferramenta de trabalho. 

O descanso que Jesus oferece é uma recuperação profunda das forças, da saúde e das energias. É parar o ativismo estéril para reencontrar o sentido das coisas. Na engrenagem do mundo, nós paramos apenas quando o corpo adoece e quebra. Em Jesus, o descanso é um ato de confiança: nós paramos para lembrar que o mundo não gira em torno de nós, mas nas mãos de Deus. É um repouso que nos refaz por dentro, que devolve o oxigênio à alma e a sanidade à mente, para que possamos nos levantar novamente e carregar a cruz de cada dia com dignidade e esperança. 

Ao nos convidar a aprender d’Ele, que é “manso e humilde de coração”, Jesus propõe um estilo de vida alternativo à pressa doentia do nosso tempo. Ele nos convida a caminhar no seu ritmo. Quando dividimos o jugo com Ele, a nossa carga se torna suportável. O trabalho continua existindo, os boletos continuam chegando, os desafios familiares permanecem, mas o peso interno muda. Não carregamos mais a vida com o desespero de quem está sozinho, mas com a paz de quem caminha ao lado do Senhor da História. 

Irmãos e irmãs, que esta celebração seja hoje o nosso oásis. Deixemos no altar do Senhor as nossas fadigas, as cobranças do Mercado, as ansiedades pelo amanhã e a exaustão que nos rouba o sono. Sejamos pequenos o suficiente para aceitar que precisamos parar e receber o abraço de Deus. Que o Senhor nos restaure hoje, nos devolva a saúde do corpo e do espírito, para que continuemos nossa jornada firme e fielmente até o fim, até o dia em que, cruzada a linha de chegada desta vida, Ele mesmo tirará definitivamente todo jugo de nossos ombros e nos acolherá no descanso eterno de Suas moradas. Amém. 

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  Fonte: cnbb.org.br     Foto: (@Vatican Media)