terça-feira, 9 de junho de 2026

Eis um questionamento interessante:

Você sabe concordar e discordar sem odiar?

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Padre Zezinho

Discordar ou concordar são coisas de gente inteligente, né? Os dois verbos vêm da mesma raiz e mostram que a gente tá pensando com o coração e com a cabeça. Em latim, “COR”, “CORDIS” e “CORDA” são da mesma família de palavras, e significam agir ou pensar com o coração e a mente juntos!

É perfeitamente normal concordar ou discordar sem deixar de amar. Isso acontece em famílias boas, entre amigos verdadeiros e com pessoas inteligentes. Mas quando a discordância vira discórdia, é sinal de que alguém deixou de usar o coração e o cérebro, e começou a raciocinar com o estômago, usando o fígado e a bílis.

Em grego, “histera” significa estômago, e é por isso que a gente chama de histérico quem não se controla. A gente vê isso em família, na escola, no estádio, no púlpito, no palanque e na mídia.

Discordo de você, mas isso não significa que eu odeio você. Pode ser porque você não concorda comigo, porque você não crê como eu creio, porque você é de esquerda ou de direita, porque você é de outra cor, porque você é mulher ou homem, porque você é gay, machista ou feminista, porque você é rico ou pobre, porque você é empresário ou assalariado, porque você é carismático da RCC ou um TL, porque você é conservador demais ou avançado demais.

Quem não consegue discordar sem odiar é um atropelador. Chuta o outro ciclista, chuta o adversário do outro time, ou joga o outro motorista para fora da pista tudo porque não suporta quem dirige ou corre com outra velocidade. Ou, pior ainda: não aceita perder.

A palavra é egoísmo e desequilíbrio mental! Milhões de homens e mulheres são pessoas descontroladas.

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Em época de eleições é o que mais se vê. Os candidatos dizem barbaridades, enlouquecem e perdem o bom senso, se é que um dia o tiveram.

E o eleitor que briga por causa deles é sinal que também ele parou de usar o cérebro e o coração. Pelo seu ídolo e por seu partido ele destrói, quebra tudo, xinga, calúnia e até mata. E acha que isto é amor à pátria! Acontece em países comunistas e direitistas. Respiram as fumaças tóxicas do palanque ou do púlpito e acabam intoxicados de fé e de política.

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Discordar sem odiar é atitude de discípulo de Jesus! E coisa de quem pensa! Jesus discordava sem odiar.

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Confundir discordância com discórdia é típico da pessoa biliosa. Se um dia foi serena, deixou de ser depois de ouvir um pregador ou um político influente.

Engoliu uma ideologia ou uma fé biliosa e não conseguiu digerir. Agora vomita rancores. Não suporta que pensa diferente!

Os fariseus que crucificaram Jesus também não suportavam o que ele dizia!

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 9 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h30 - Reunião com a comunidade São Francisco

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Dia 10 - Quarta-feira

19h - Missa do 1º dia do tríduo na igreja de Santo Antônio - Pe. Sebastião Márcio Maciel

19h - Celebração na comunidade Nossa Senhora Aparecida da Bela Vista

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Dia 11 - Quinta-feira

8h30 - Missa no Colégio Santa Ângela

9h - Oração pelo Dia de Santificação do Clero em Pouso Alegre

19h - Missa do 2º dia do tríduo na igreja de Santo Antônio - Côn. Benedito Ramon Pinto Ferreira

19h - Celebração na comunidade dos Carneiros

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Dia 12 - Sexta-feira - Dia do Sagrado Coração de Jesus

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa em louvor ao Sagrado Coração de Jesus na matriz

19h - Missa do 3º dia do tríduo na igreja de Santo Antônio - Pe. Carlos César Raimundo

19h - Grupo de oração maranathá na capela da Soledade

19h - Celebração nas comunidades da Lagoa e Serra dos Pereiras

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Dia 13 - Sábado - Dia de Santo Antônio

9h -  Reunião Setorial do COMIDI no Centro Pastoral São José

9h -  Meditação da Mil Ave-Marias na igreja de Santo Antônio

17h -  Procissão em louvor a Santo Antônio, seguida de missa na igreja

18h -  Missa na matriz

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Dia 14 - 11º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Papa Leão XIV nesta segunda-feira:

uma sociedade justa
defende toda vida humana, os pobres, a paz e a liberdade

Leão XIV é o primeiro Papa a visitar o Congresso dos Deputados, sede da vida institucional, jurídica e democrática da Espanha. Ele exortou à paz através da coragem da negociação, denunciando o rearmamento na Europa e no mundo: "A verdadeira segurança vem do respeito pelo direito internacional". Ele fez um apelo em prol da defesa da vida e da família, bem como da proteção da liberdade religiosa. Pediu respostas concretas para a crise migratória a fim de garantir acolhimento e integração.

Temas políticos: paz, negociações, rearmamento, migração, leis, polarização; temas éticos: a família e a proteção da vida em todas as suas fases. Em seguida, o apelo à liberdade de consciência e de religião (incluindo o sigilo da confissão), o cuidado dos pobres e, por fim, uma mensagem para a Espanha, a Europa e o mundo: "Toda sociedade verdadeiramente justa se funda no reconhecimento da dignidade inviolável da pessoa humana."

Leão XIV discursou no coração do templo da vida institucional, jurídica e democrática espanhola: o Palácio das Cortes, sede do Congresso dos Deputados. Ele é o primeiro Papa a discursar nesta câmara onde a convivência social toma forma jurídica. Quinhentos parlamentares e senadores estiveram presentes e acompanham com um longo aplauso a entrada de Leão XIV, que chegou por volta das 10h30 ao pátio da Carrera de San Jerónimo, recebido pelos presidentes do Congresso e do Senado, Francina Armengol e Pedro Rollán. Estava presente o presidente do governo, Pedro Sánchez, que já tinha sido recebido pela manhã na Nunciatura Apostólica. Leão XIV agradeceu, cumprimentou e apertou a mão dos diversos representantes das instituições, além de assinar o Livro de Honra. No discurso em espanhol, ele esclareceu imediatamente que se apresenta ao Congresso “como Bispo de Roma e Pastor da Igreja Católica” para dar “um gesto de proximidade para com a Espanha, no âmbito da cooperação recíproca, e uma palavra oferecida a serviço da pessoa humana”. Sempre, ressaltou, “no respeito à missão própria das instituições e da legítima responsabilidade daqueles que receberam o mandato de legislar”.

O legado da Espanha na consciência internacional

É justamente a atividade legislativa, observou o Papa, para além de todas as diferenças, que se deparar com uma pergunta decisiva: “Que concepção da pessoa humana inspira as leis e que tipo de sociedade essas leis constroem?” A essa questão segue-se um longo e rico excurso sobre a história e o patrimônio de Espanha, uma terra onde a fé se entrelaçou com a razão, a arte com o direito, a tradição com o pensamento: "Um legado que moldou uma forma singular de viver a liberdade, praticar a justiça e ordenar a vida comum". As palavras de Leão XIV alternam, assim, entre Dom Quixote e Santa Teresa de Ávila, a tradição jurídica e a metafísica de Unamuno. Depois, a Escola de Salamanca, 500 anos atrás, que "contribuiu para a formação de uma consciência jurídica e moral" capaz de recordar que "todo o ser humano deve ser reconhecido como sujeito de direitos e deveres". Um anseio que ainda hoje ressoa:

Que a dignidade, a justiça e o bem comum sejam a medida das relações sociais, tanto no âmbito nacional quanto internacional.

Esta é uma das grandes heranças do país, que entrou na consciência da comunidade internacional, onde, como afirma Leone, continua a ser colocada a questão de "como construir a paz com base no reconhecimento da pessoa e não na imposição da força".

Paz, um imperativo moral. Guerra, uma derrota dolorosa

E à paz, não apenas uma "aspiração política", mas um "verdadeiro imperativo moral" numa era de violência e polarização, Leão XIV dedicou a maior parte do seu discurso. A paz, disse ele aos políticos espanhóis, exige "instituições a serviço do encontro", "verdade e reconciliação", "amizade civil" e "respeito mútuo mesmo em meio a divergências". No âmbito internacional, "a paz exige coragem diplomática, responsabilidade ética e uma visão de futuro baseada no respeito pela identidade de cada povo e na obrigação dos Estados de resolverem suas controvérsias através de meios pacíficos oferecidos pelo direito internacional".

Toda guerra é uma dolorosa derrota para a capacidade de negociação e também para aquela consciência humana comum que reconhece os laços de justiça entre as nações. As armas podem impor um silêncio temporário, mas jamais poderão construir uma paz autêntica e duradoura.

O desenvolvimento de tecnologias e IA

De acordo com o Papa, é "preocupante" que, em várias partes do mundo e na Europa, o rearmamento esteja ressurgindo como uma "resposta quase inevitável" diante da fragilidade do cenário internacional: "A verdadeira segurança, ao contrário, provém da justiça, do diálogo paciente, do respeito ao direito internacional e de uma política capaz de colocar a vida dos povos acima dos interesses que lucram com a guerra." E "o desenvolvimento de novas tecnologias e da Inteligência Artificial na esfera militar também exige uma vigilância ética rigorosa, para que as decisões sobre a vida e a morte nunca sejam delegadas a automatismos nem subtraídas à responsabilidade moral da pessoa humana”.

A Comunidade internacional é chamada a redescobrir o valor indispensável do diálogo como um caminho paciente rumo a acordos justos e duradouros, baseados no respeito dos tratados, na transparência da ação diplomática e na sincera vontade de antepor a paz ao uso da força. Daí nascem a confiança e a esperança.

A defesa da vida humana, objetivo da civilização

O Papa, portanto, apelou a uma “cultura da reciprocidade”, recordando que “o pluralismo político não deve degenerar em descrédito permanente do adversário” e que “na convivência madura, até mesmo o conflito pode se tornar um passo rumo à paz”. O perigo, continuou o Pontífice, reside em outro tipo de cultura: a “cultura do descarte”, termo cunhado por Francisco para indicar a principal ameaça à convivência social. Leão XIV a invocou para dirigir “uma palavra serena e decisiva” aos responsáveis ​​pela regulamentação jurídica dessa convivência social. Ele introduz o tema da vida, um “valor fundamental” para o futuro das sociedades.

Uma comunidade pode ser considerada plenamente justa se deixar à margem a criança ainda por nascer, o idoso, o doente, aquele que sofre em silêncio ou quem depende inteiramente dos cuidados dos outros? A defesa da vida humana não é uma questão de interesse particular ou confessional: é um objetivo da civilização.

“Toda vida humana deve ser reconhecida e protegida desde a concepção até o seu fim natural, em todas as circunstâncias de sua existência”, afirmou o Papa. “Quando essa certeza se ofusca, os mais vulneráveis são as primeiras vítimas e a lei perde seu significado mais profundo: servir e proteger cada pessoa”.

A grandeza moral de uma nação manifesta-se, sobretudo, na sua capacidade de acompanhar, proteger e amar aquelas vidas marcadas por maior fragilidade.

O valor da família

Neste contexto específico, a família tem uma importância crucial, "o alicerce natural da comunidade" e "a escola da humanidade", onde se aprende "a gramática elementar da convivência". Quando a família é apoiada, "a estabilidade espiritual e social das nações também se fortalece", assegurou o Papa, pedindo uma colaboração com as instituições educacionais, que são chamadas a "respeitar o direito primordial e inalienável dos pais de escolher o tipo de educação e formação que darão aos seus filhos, em consonância com as suas próprias convicções morais, culturais e religiosas".

Respostas concretas ao drama da migração

Na perspectiva da dignidade humana, o Papa Leão abordou a questão da migração, drama que "hoje desafia a consciência das nações e o fundamento ético da ordem internacional". "Muitos homens, mulheres e crianças são forçados, frequentemente devido a circunstâncias dramáticas, a deixar suas comunidades e abandonar entes queridos, histórias e laços", observou o Pontífice. "Essa realidade vai além de qualquer interpretação puramente demográfica ou econômica: é uma questão eminentemente moral e jurídica."

Quando uma pessoa é discriminada com base em sua origem nacional, étnica, religiosa ou linguística, ou em sua condição econômica ou social, o princípio universal da igual dignidade de todos os seres humanos é gravemente violado.

Proteção, acolhimento e integração

A situação dos migrantes e refugiados exige, portanto, uma resposta que aborde as causas que os obrigam a partir e que vá além da simples gestão dos fluxos migratórios. Isso significa garantir "vias seguras e legais, condições de acolhimento dignas e percursos concretos de integração. Por outro lado, promover igualmente o direito de permanecer em paz e segurança na própria terra, enfrentando as causas profundas que forçam à migração, incluindo as relacionadas com as injustiças econômicas e a crise climática".

Leão XIV não deixou de apontar o dedo para "as rotas cada vez mais perigosas" com pessoas "vítimas de traficantes e contrabandistas que exploram seu desespero". "É necessário fortalecer a prevenção, o resgate e a assistência às vítimas especialmente no âmbito da cooperação regional e multilateral", insistiu. Mas "nenhuma nação pode enfrentar sozinha um desafio dessa magnitude". É necessária "uma resposta coordenada, solidária e eficaz, capaz de garantir proteção, acolhimento e oportunidades reais de integração aa quem emigra".

Quando a resposta institucional é imediata, equitativa e coordenada, as fronteiras deixam de ser lugares de abandono e podem se tornar espaços para a proteção responsável da dignidade humana.

"Desarmar a linguagem"

"Reconciliação" é a outra direção indicada pelo Bispo de Roma aos deputados espanhóis. A reconciliação combate o "rancor", a "indiferença" e o "ódio"; ela também se estabelece por meio da linguagem: "As palavras podem abrir caminhos ou fechá-los; podem iluminar a realidade ou distorcê-la a ponto de tornar o encontro impossível", comentou Leão XIV, recordando a obrigação especial de "desarmar a linguagem": "A firmeza não exige desprezo; a discordância não implica humilhação."

Proteção jurídica da liberdade de consciência e religião

Desse mesmo respeito surge também o dever de garantir "a liberdade de pensamento, consciência e religião, um direito fundamental que protege a esfera mais íntima das pessoas". O Papa Leão XIV pediu que a dimensão religiosa seja respeitada e protegida juridicamente, e recordou que "toda sociedade verdadeiramente livre requer também uma delimitação justa do poder público, para que a liberdade dos indivíduos, das comunidades e das associações não seja indevidamente limitada".

A fé não pretende impor-se por meio de privilégios ou coerção; contudo, não pode ser relegada ao silêncio como se fosse irrelevante para a vida pública.

Nesse contexto, “o sigilo sacramental da Confissão tem especial importância para a Igreja Católica”, explicou o Pontífice. Protegê-lo legalmente significa “preservar um espaço sagrado de liberdade interior, onde o fiel pode abrir sua alma a Deus sem temor de pressão externa, como também reconhecem as normas internacionais”.

Cuidando dos pobres

Por fim, elevando o olhar para as pinturas que adornam a Sala das Sessões, algumas das quais evocam o Evangelho, o Sucessor de Pedro reiterou que "os pobres pertencem plenamente à comunidade", "o estrangeiro deve ser acolhido segundo a sua dignidade" e "a vida humana nunca pode ser tratada como uma mercadoria".

Uma lei não atinge sua verdadeira grandeza simplesmente por ser formalmente aprovada; ela a atinge quando, além de ser válida na forma, consegue se apresentar diante da dignidade da pessoa e vencer esse teste sem se envergonhar.

Memória das raízes, coragem para o futuro

Daí o convite a "alzar la mirada", lema da viagem apostólica: "Ergue o olhar, não para se distanciar da realidade, mas para lembrar que toda decisão das autoridades públicas diz respeito a pessoas reais, especialmente aquelas que menos podem se fazer ouvir". Por fim, desejou que "esta nobre nação" jamais perca "a memória" de suas raízes nem "a coragem" de olhar para o futuro.

Que a Espanha continue sendo uma terra de encontro, cultura, solidariedade e esperança.

Ao término de seu discurso, os deputados, todos de pé, aplaudiram o Papa por quase 10 minutos, com alguns gritos de "Viva o Papa!", que continuaram por alguns instantes após o Pontífice deixar o Palácio das Cortes.

Salvatore Cernuzio – Correspondente em Madri

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Fonte: vaticanews.va     Foto e vídeo: (@Vatican Media)

Objetivo das Diretrizes da Ação Evangelizadora

vira música para animar comunidades em todo o Brasil

Motivado por tornar uma ideia em música, o arcebispo de Palmas (TO), dom Pedro Brito Guimarães, deu uma melodia ao objetivo geral das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), aprovadas durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, no mês de abril. A intenção é popularizar a proposta dos bispos para dinamizar a missão da Igreja nos próximos anos. A música foi apresentada ao Conselho Episcopal Pastoral, na última semana.

O texto da música é baseado no objetivo geral das DGAE e a melodia é conduzida pelo verbo “Evangelizar”. Na composição, dom Pedro contou com o apoio do padre Wallison Rodrigues. A produção musical, os arranjos, a gravação e a mixagem e masterização são de Renato Moreira, do Estúdio Pauta, em Palmas (TO). Os instrumentistas são Ananias Nascimento e Rentato Moreira. O intérprete é o próprio padre Wallison Rodrigues, junto com Maria da Guia, Renata Alves e Renato Moreira no coro.

Confira a música:

Evangelizar, evangelizar,
anunciando Jesus Cristo,
evangelizar.

Como Igreja Sinodal,
– evangelizar
sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos,
– evangelizar,
em comunidades de discípulos missionários,
– evangelizar,
fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres,
– evangelizar,
a caminho da plenitude do Reino de Deus,
– evangelizar, evangelizar.

Baixe a partitura da música “Evangelizar”

Poesia na ação evangelizadora

Durante a Assembleia Geral, dom Pedro chamou atenção dos irmãos bispos para que o objetivo geral das diretrizes deveria ser métrico para ser musicado. Essa iniciativa, segundo ele, partiu de uma inquietação sobre a falta de poesia na ação evangelizadora.

“Nós somos muito racionais, é só a cabeça que determina, não passa pelo sentimento, pelo coração, pela emoção. Eu fiquei feliz que, durante a Assembleia, muitos bispos vieram falar comigo que gostaram da ideia e que às vezes falta poesia nas nossas ações”, refletiu dom Pedro.

O bispo destacou também que o grande problema do contexto atual “não é intelectual e racional, mas está nos afetos”.

“O problema está nos afetos. os afetos desordenados não ajudam as pessoas a fazer a teoria (aquilo que se sabe que é bom e justo) em prática. Então, a música funciona nos afetos, a onda da música está nos sentimentos, na emoção, no som e isso ajuda muito a memorizar”, afirmou.

Música popular

O desejo de dom Pedro Brito é tornar o objetivo geral das DGAE popular. “Na harmonização para orquestra, foi feito em ritmo de Chorinho, um ritmo bem brasileiro, bem popular”, contou, destacando a oferta da canção para ser cantada nos momentos celebrativos e nos encontros, e assim enfatizar as diretrizes.

A expectativa do bispo é que a Igreja no Brasil acolha a canção. Dom Pedro espera que o esforço e o investimento da produção sejam recompensados pela acolhida nas comunidades, “pelo canto, pela liturgia, pela oração, para chegar nos corações das pessoas”.

Luiz Lopes Jr.

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                                                                                Fonte: cnbb.org.br

domingo, 7 de junho de 2026

Papa na Solenidade de Corpus Christi celebrada hoje em Madri:

Cristo não permanece fechado no templo,
mas caminha com o seu povo

Na Solenidade de Corpus Christi, celebrada neste domingo (7/06) em diversos países, o Papa presidiu a Santa Missa na Plaza de Cibeles, em Madri, diante de mais de 1,2 milhão de fiéis. Em sua homilia, o Pontífice recordou que a Eucaristia é a presença viva de Cristo no meio do seu povo e convidou os católicos a transformarem a fé em testemunho concreto de caridade e esperança.

Neste domingo, 7 de junho, segundo dia de sua quarta Viagem Apostólica, o Papa Leão XIV presidiu a celebração de Corpus Christi na Plaza de Cibeles, em Madri. Em alguns países, como a Espanha, a solenidade é transferida da tradicional quinta-feira para o domingo seguinte, permitindo uma participação mais ampla dos fiéis nas celebrações e procissões eucarísticas. Também na capital espanhola, os fiéis prepararam os tradicionais tapetes ornamentais que serviram de cenário para a procissão do Santíssimo Sacramento pelas ruas da capital espanhola, uma tradição presente na história e na espiritualidade do país.

Tapetes preparados para a procissão   (@Vatican Media)


A presença viva de Cristo no meio do povo

Em sua homilia, com o olhar voltado para o tema da Eucaristia, Leão XIV recordou que Corpus Christi celebra o dom da presença viva de Cristo, que continua a alimentar o seu povo e a caminhar com ele ao longo da história. O Papa destacou que a solenidade não representa apenas uma expressão cultural ou folclórica, mas a manifestação da fé na presença real do Senhor.

“Não se trata de uma manifestação exterior, de uma sobrevivência folclórica ou de um simples adorno estético: trata-se aqui da fé na presença do Senhor Ressuscitado, que está vivo e continua a passar no meio de nós.”

Leão XIV profere a homilia   (@Vatican Media)


Corpus Christi além da tradição

Ao refletir sobre o significado da procissão eucarística, o Pontífice explicou que ela expressa a proximidade de Deus com a humanidade. Segundo ele, Cristo não permanece fechado nos templos, mas vai ao encontro das pessoas em suas realidades concretas:

“Jesus caminha pelas ruas, atravessa as praças, visita os nossos bairros, habita os lugares da nossa vida quotidiana. Ele é o Deus próximo que caminha com o seu povo.”

Leão XIV recordou ainda que a Igreja na Espanha associa há muitos anos a Solenidade de Corpus Christi ao Dia da Caridade, ressaltando que a adoração eucarística deve conduzir ao compromisso com os mais pobres, os doentes, os que sofrem e os que vivem situações de abandono.

Momento do ofertório   (@Vatican Media)

A religião não é um museu do passado, mas uma escola de fé

Dirigindo-se especialmente à sociedade espanhola, o Santo Padre fez um apelo para que a rica herança religiosa do país continue sendo uma fonte viva para o presente e para o futuro:

“Não seja a religiosidade que anima este país há séculos um museu do passado para ser visitado, mas uma escola de fé da qual ainda hoje se pode beber.”

Segundo o Papa, essa escola de fé ensina a colocar Deus e o próximo no centro da vida, a viver a gratuidade do amor e a assumir responsabilidades diante dos desafios da sociedade, contribuindo para a construção do bem comum.

A Eucaristia como fonte de esperança

Na conclusão da homilia, Leão XIV convidou os fiéis a retornarem continuamente à fonte da Eucaristia para encontrar força, esperança e renovação espiritual. Inspirando-se em São João da Cruz, recordou que Cristo permanece presente mesmo nas noites mais escuras da existência, oferecendo uma luz que não se apaga:

"A graça eucarística transforma-nos, mas também nos converte em protagonistas da transformação da história e em sinal de esperança para aqueles que encontramos. Que o Senhor Jesus, presente na Eucaristia, faça de vocês pão partido, entregue e oferecido, para que uma vida plena possa brotar para vocês, para as suas famílias e para o seu país."

Procissão pelas ruas de Madri   (@Vatican Media)

Após a celebração da Santa Missa, o Papa conduziu a tradicional procissão de Corpus Christi pelas ruas de Madri e concedeu a bênção eucarística aos milhares de fiéis reunidos no centro da capital espanhola.

Thulio Fonseca - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media)

Reflexão para este domingo:

Caminhar não na aparência dos ritos religiosos

Dom Anuar Battisti - Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

Viver o que se celebra e prega no amor e na caridade! Cuidado com as aparências externas!

Há uma cena no Evangelho deste 10º Domingo do Tempo Comum – Mt 9,9-13 – que merece atenção. Jesus passa por uma coletoria de impostos, olha para um homem chamado Mateus e diz apenas duas palavras: “Segue-me.” Mateus se levanta e o segue. Sem negociação, sem lista de condições, sem exigência prévia de perfeição. O chamado vem antes da conversão. A misericórdia precede a mudança.

Isso não é detalhe. É o coração do Evangelho. A cena seguinte é igualmente reveladora. Jesus está à mesa com cobradores de impostos e pecadores. Os fariseus estranham. Para eles, a santidade se media pela distância: quanto mais longe do impuro, mais perto de Deus. Jesus inverte essa lógica completamente. Ele cita Oséias, o mesmo profeta que ouvimos na primeira leitura: “Quero misericórdia, e não sacrifício” (Os 6,6). Não é uma citação decorativa. É uma correção de rota para quem confunde religiosidade com proximidade de Deus.

O que Oséias já havia dito? – Os 6,3-6 – Oséias fala a um povo que pratica o culto, mas não pratica o amor. Oferece holocaustos, mas não oferece o coração. O Senhor, pela voz do profeta, é direto: “O vosso amor é como nuvem pela manhã, como orvalho que cedo se desfaz” (Os 6,4). Amor inconstante. Devoção de fachada. Essa é uma tentação antiga e muito atual. É possível participar da Santa Missa, rezar o terço, cumprir os ritos e, ao mesmo tempo, ter o coração fechado para o irmão que está ao lado. É possível ser rigoroso na observância religiosa e completamente indiferente ao sofrimento alheio. Oséias chama isso pelo nome: não é conhecimento de Deus. É performance religiosa.

O que Deus quer não é o sacrifício do animal sobre o altar. Quer o sacrifício do orgulho, da autossuficiência, da ilusão de que somos melhores do que os outros. “Quero amor, e não sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Os 6,6). Conhecer a Deus, na linguagem bíblica, não é acumular informação teológica. É entrar em relação. É deixar que o coração de Deus toque o nosso coração.

A fé de Abraão como modelo. São Paulo, na carta aos Romanos – Rm 4,8-15 –, apresenta Abraão como modelo de fé que não depende das circunstâncias. Abraão tinha cem anos. Sara era estéril. Do ponto de vista humano, a promessa era impossível. Mas ele “contra toda a humana esperança, firmou-se na esperança e na fé” (Rm 4,18). Não fraquejou. Não calculou. Confiou. Essa fé não é ingenuidade. É a disposição de colocar a vida nas mãos de Deus mesmo quando os sinais externos dizem o contrário. É exatamente o que Mateus fez quando se levantou da coletoria. Ele não pediu garantias. Não fez perguntas. Levantou-se e foi. Há momentos em que Deus nos pede exatamente isso: levantar antes de entender. Confiar antes de ver. Caminhar antes de ter o mapa completo.

O médico que busca os doentes. Jesus, diante da crítica dos fariseus, usa uma imagem simples e poderosa: o médico não vai visitar os que estão bem. Vai onde estão os doentes. Não é uma defesa da mediocridade moral. É uma declaração sobre a lógica da misericórdia divina. Deus não espera que estejamos prontos para nos chamar. Ele nos chama no meio da nossa fragilidade, das nossas contradições, das nossas cobranças que pesam sobre os outros. O chamado de Mateus é o chamado de cada um de nós. Nenhum de nós foi chamado porque era perfeito. Fomos chamados porque Deus quis.

Isso tem uma consequência pastoral concreta: a Igreja não pode ser uma comunidade de chegados que olha de longe para os que ainda estão de fora. A Igreja é a casa do médico. E o médico sai para buscar quem precisa de cuidado.

Irmãos e irmãs, neste domingo somos convidados a rever onde colocamos o peso da nossa vida de fé. Nos rituais que cumprimos ou no amor que praticamos? Na observância que exibimos ou na misericórdia que oferecemos?

A resposta de Jesus é clara. E o lema que nos guia também: caminhai no Senhor, não na aparência da religião, mas na profundidade do amor.

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Fonte: cnbb.org.br     Imagem: vaticannews.va

sábado, 6 de junho de 2026

Quarta viagem apostólica de Leão XIV:

no voo para a Espanha,
a saudação aos jornalistas e o apelo pela paz

A bordo do voo para Madri, o Papa encontrou-se com os jornalistas para uma breve saudação. Em suas respostas às perguntas, reforçou a importância do diálogo para a Ucrânia, manifestou proximidade ao Líbano e refletiu sobre os abusos e a guerra, especialmente sobre a perigosidade das armas utilizadas nos conflitos atuais. Das monjas de clausura espanholas, um rosário para cada profissional da imprensa que acompanha a viagem papal.

“¡Muy buenos días a todos!”. Com estas palavras, pronunciadas em espanhol, Leão XIV saudou na manhã deste sábado, 6 de junho, os mais de oitenta jornalistas que o acompanham na viagem apostólica à Espanha. O voo papal decolou do Aeroporto Internacional de Roma-Fiumicino às 8h13, com destino a Madri, primeira etapa da visita que levará o Pontífice ao encontro de comunidades eclesiais, autoridades e fiéis do país ibérico.

Como acontece tradicionalmente nas viagens internacionais, o Papa dirigiu-se à parte traseira da aeronave pouco antes do pouso para cumprimentar pessoalmente os representantes dos meios de comunicação. O encontro, breve e cordial, foi marcado por apertos de mão, sorrisos e algumas perguntas sobre a atualidade internacional. Entre os temas mais sérios, também houve espaço para um momento descontraído. Ao ser perguntado, já a caminho da Espanha, se torcia pelo Real Madrid ou pelo Barcelona, Leão XIV respondeu sorrindo que torce “por todos os times”, provocando risos entre os presentes.


A Igreja tem uma mensagem para todos

“Esta é a primeira viagem de um Papa à Espanha depois de muito tempo, e pessoalmente estou muito feliz”, afirmou Leão XIV em sua saudação aos jornalistas. “É uma visita apostólica para encontrar os fiéis, celebrar a fé e anunciar a mensagem de Jesus Cristo, mas, ao mesmo tempo, para saudar a todos, toda a sociedade, porque a Igreja tem uma mensagem para todos, como acredito que tenha ficado muito claro na carta encíclica publicada em 25 de maio.”

Os jovens, mensageiros do amor de Deus

O Papa sabe que o entusiasmo dos jovens marcará de forma especial esta viagem. “Parece que haverá um grande número de jovens com todo o seu entusiasmo e acredito que, nesse sentido, compartilhando todos a alegria da fé, poderemos transmitir uma mensagem muito bonita”, destacou. Uma mensagem que, acrescentou, deverá ser levada a Madri, Barcelona e às Ilhas Canárias, “para viver a fé e anunciar a mensagem do amor de Deus, da caridade e do respeito por cada ser humano”.

Os abusos, uma ferida ainda aberta

Questionado sobre os abusos cometidos por membros do clero, o Papa afirmou que encontrará algumas vítimas durante a viagem, assegurando seu compromisso pessoal e o de toda a Igreja na luta contra aquilo que definiu como “uma ferida ainda aberta”. Na noite de ontem, 5 de junho, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, já havia informado sobre esse encontro organizado pela Igreja local.

Irã: não existe uma “guerra justa”

Ao ser perguntado se haveria uma guerra justa no Irã, Leão XIV respondeu: “Creio que isso já foi dito com muita clareza: no Irã não se encontram os elementos de uma guerra justa. A teoria da guerra justa remonta a séculos passados, quando não se imaginavam as armas e a capacidade de destruição de que o ser humano dispõe hoje”. Entre os temas abordados pelos jornalistas esteve também o conflito na Ucrânia, sobre o qual o Papa reiterou a necessidade de prosseguir com determinação pelo caminho do diálogo e da paz. O Pontífice dirigiu ainda seu pensamento ao Líbano, confirmando a atenção da Santa Sé à situação do país por meio do contato constante com as autoridades religiosas. Ao responder, por fim, sobre a questão da guerra, Leão XIV recordou as reflexões desenvolvidas nos últimos anos pelo magistério da Igreja a respeito das profundas transformações introduzidas pelas modernas tecnologias militares e pelo poder destrutivo dos armamentos contemporâneos.


O presente das monjas

Enquanto o avião sobrevoava o Mediterrâneo, a viagem era acompanhada também por um sinal discreto, mas significativo. Diversos mosteiros de clausura da Espanha decidiram sustentar espiritualmente a visita apostólica rezando um rosário por cada jornalista presente no voo papal. Cada profissional da imprensa recebeu uma coroa do rosário como presente das comunidades contemplativas, que confiaram à oração o trabalho daqueles que relatarão estes dias por meio de reportagens, fotografias, transmissões de rádio e serviços televisivos. Um gesto simples que une simbolicamente o trabalho da informação e a vida escondida da oração, duas realidades que frequentemente acompanham, cada uma à sua maneira, as viagens do Sucessor de Pedro. Ao Papa também foi entregue um desenho preparado pelos pequenos pacientes do Hospital Pediátrico Bambino Gesù.

Madri em festa

Enquanto isso, na Espanha, os sinos das igrejas de toda a arquidiocese de Madri repicavam para acolher a chegada do Pontífice. A capital espanhola recebe Leão XIV para uma das primeiras grandes viagens internacionais de seu pontificado. Entre palavras dedicadas à paz, o trabalho dos jornalistas e a oração silenciosa das comunidades contemplativas, a viagem rumo à Península Ibérica já ganhava vida durante as horas do voo.

Silvina Perez – do voo papal Roma-Madri

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Papa na Espanha:

é preciso abandonar as narrativas divisórias e polarizadoras

Em seu primeiro discurso no país ibérico, Leão XIV encontrou-se com as autoridades, representantes da sociedade civil e o corpo diplomático no Palácio Real de Madri. O Pontífice destacou as raízes cristãs do país, fez um apelo pela superação das polarizações e afirmou que a paz se constrói por meio da verdade, do diálogo e da educação.

A quarta Viagem Apostólica do Papa Leão XIV teve início neste sábado, 6 de junho, na Espanha. Após sua chegada a Madri, o Santo Padre dirigiu-se ao Palácio Real, onde se encontrou com o rei Felipe VI, a rainha Letizia, autoridades civis, representantes da sociedade e membros do corpo diplomático. Em seu primeiro discurso em território espanhol, o Papa apresentou uma reflexão sobre a identidade histórica do país, a busca da verdade, a necessidade da reconciliação e os desafios enfrentados pelo mundo contemporâneo.

Uma história marcada pelo Evangelho

Ao iniciar sua intervenção, Leão XIV agradeceu o convite para visitar a Espanha e recordou a antiga tradição que associa a evangelização da Península Ibérica ao apóstolo São Tiago Maior. Segundo o Pontífice, a ligação entre a fé cristã e a história espanhola moldou profundamente a cultura do país e continua sendo uma fonte de esperança diante dos desafios atuais.

O Papa também destacou a riqueza das manifestações da religiosidade popular, das irmandades, das associações de caridade e do vasto patrimônio artístico e musical espanhol, frutos do encontro entre o Evangelho e a vida do povo: “Com o patrimônio artístico-musical e as múltiplas irmandades e associações de caráter caritativo, dão testemunho do fecundo encontro entre Jesus Cristo e o vosso povo. Sois um povo cheio de paixão, que ama a vida e o manifesta!”

Papa com os monarcas espanhóis


A cultura do encontro

Leão XIV explicou que sua visita deseja fortalecer a fidelidade ao Evangelho e favorecer uma cooperação mais profunda entre os diversos setores da sociedade espanhola. Nesse contexto, destacou uma das principais lições da história do país: “Com efeito, a vossa própria história sugere que não é a cultura do confronto, mas a do encontro, que gera estabilidade e prosperidade.”

O Santo Padre recordou ainda um ensinamento do Papa Francisco sobre a necessidade de manter um diálogo constante entre as ideias e a realidade concreta. Segundo ele, a verdade nunca pode ser reduzida a construções ideológicas ou narrativas abstratas, mas deve ser procurada com humildade e abertura: “A verdade é sempre maior do que nós e, por isso, surpreende-nos e atrai-nos para caminhos de purificação e reconciliação.”

São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila

Ao refletir sobre os desafios do tempo presente, o Papa evocou duas das maiores figuras espirituais da Espanha: São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila. Ambos, afirmou, ensinaram a descobrir a presença de Deus justamente nos momentos de escuridão e incerteza. Referindo-se ao Ano Jubilar dedicado a São João da Cruz, Leão XIV observou que muitos homens e mulheres vivem hoje a experiência da desorientação diante das rápidas transformações sociais, culturais e tecnológicas. Por isso, disse, é necessário aprender a reconhecer a luz que surge mesmo em meio às noites da história.

“Também hoje, o que mais nos assusta, provocando em muitos a escuridão da razão e a violência das emoções, é o desconhecido, diante do qual pode prevalecer a desorientação, a sensação de já não termos mapas.”

Um mundo que clama por paz

O Pontífice afirmou que, apesar dos conflitos e tensões que marcam o cenário internacional, existe um profundo desejo de paz no coração da humanidade:

“A nossa época, que aparentemente se vê abalada por terríveis desequilíbrios e conflitos, no seu íntimo clama por paz, por um novo conhecimento da pessoa humana e da sua dignidade inviolável, pela civilização do amor.”

Segundo o Papa, a construção dessa paz passa pela valorização da liberdade religiosa e de consciência, pela promoção da cultura e pela formação de pessoas capazes de cultivar a interioridade e a busca sincera da verdade.

Leão XIV profere seu discurso


Contra as polarizações

Leão XIV manifestou preocupação com o crescimento das divisões sociais e políticas que marcam muitas sociedades contemporâneas. Para ele, a tentação de obter consenso alimentando conflitos e antagonismos representa uma ameaça à dignidade humana e à convivência pacífica, e lançou um apelo direto aos espanhóis:

“Hoje, a tentação de ganhar popularidade atiçando o fogo das polarizações parece crescer, em vez de diminuir; a dignidade humana continua a ser violada. Convido todos, por amor à verdade, a abandonarem as narrativas divisórias e polarizadoras da vossa realidade social e da vossa história, a fim de que se passe das simplificações estéreis a uma apreciação fecunda da complexidade.”

Educação, tecnologia e responsabilidade

O Papa também dedicou parte significativa do seu discurso aos desafios trazidos pelas novas tecnologias. Segundo ele, o ambiente digital pode favorecer a difusão de preconceitos, enfraquecer o pensamento crítico e amplificar interesses que ameaçam a vida e a dignidade humana. Diante desse cenário, defendeu uma mudança de prioridades nos investimentos públicos e privados:

“É necessário — sobretudo por parte de quem tem responsabilidades econômicas, políticas e institucionais — dar um salto qualitativo, uma mudança de rumo nos investimentos destinados à escola, à universidade e à pesquisa, às comunidades locais e à sociedade civil.”

O Santo Padre ressaltou ainda que a verdadeira segurança não nasce da lógica dos muros e das armas, mas da capacidade de caminhar juntos. “A segurança — que pensamos, com demasiada frequência, provir das armas e dos muros — amadurece, pelo contrário, quando se aprende a avançar com o outro, a crescer juntos, ombro a ombro.”

Papa durante o encontro com as autoridades civis


A contribuição da Espanha para a Europa e para o mundo

Ao recordar momentos históricos de convivência entre cristãos, judeus e muçulmanos na Península Ibérica, o Papa destacou cidades como Toledo e Córdoba como exemplos de encontro entre culturas, religiões e saberes. Leão XIV afirmou que a Espanha possui uma vocação especial para ajudar a Europa a redescobrir sua missão de promover o diálogo e a cooperação entre os povos. Ao concluir seu discurso, agradeceu o compromisso espanhol com o direito internacional, o multilateralismo e a solidariedade:

“Encorajo a cultivar o diálogo e a amizade social também internamente, a levar em conta as perspectivas dos pobres e dos jovens ao imaginar o futuro, a harmonizar as exigências de autonomia e de unidade, e a impulsionar o processo de união europeia.”

Ao final, confiou o país à proteção divina e dirigiu uma breve invocação: “Que Deus abençoe a Espanha!”

Thulio Fonseca – Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media)