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segunda-feira, 9 de março de 2026
A moradia na Campanha da Fraternidade 2026
e os padres da Igreja
Dom Vital Corbellini - Bispo de Marabá (PA)
A moradia digna é o ponto fundamental,
o objetivo central a ser alcançado pela Campanha da Fraternidade
sendo esta uma alusão para ser promovida a partir da Boa
Nova do Reino de Deus e também no espírito de conversão quaresmal, ser
um direito e prioridade para todas as pessoas. No entanto como a moradia se
tornou uma mercadoria especial, cara, é preciso rezar e
trabalhar para que se formulem políticas públicas dos governos
para que ajudem a todas as pessoas com a moradia, voltadas,
sobretudo para as classes sociais mais necessitadas. A Igreja no
Brasil estimula a reflexão sobre a moradia para que as pessoas vivam na paz e
no amor através de suas casas, locais de convivência humana e
espiritual. “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14): É o lema que
norteia a CF 2026. Nós veremos a seguir a visão dos padres da Igreja,
os primeiros escritores cristãos em relação à moradia.
A criação unânime
A CF 2026 ressalta muito a casa como local
de profundas relações para todas as pessoas. São João Crisóstomo, Bispo de
Constantinopla nos séculos IV e V afirmou a criação de Deus em
relação ao ser humano feita de uma forma unânime, em conjunto. O Senhor quis
que tudo permanecesse na múltipla concórdia e boa ordem entre o homem e a
mulher. Ao criar Deus o homem e depois a mulher disse que Ele iria dar-lhe uma
ajudante (cfr. Gn 2,18), afirmando com isso que ela estava
ao lado do homem para ajudá-lo e ele ser ajudado por ela, unindo desta forma
ele e ela num profundo amor. As duas pessoas fazem parte da criação
unânime de Deus Criador de todas as coisas.
As relações se alargam com a constituição
da família
A CF 2026 concebe um ponto
fundamental que a vida humana prossegue com a família tendo presente que
Jesus veio morar entre nós (Jo 1,14). Ele nasceu dentro de uma
família, com os pais adotivos, José e Maria. O Bispo de
Constantinopla ainda ressaltou que as relações na família vão se alargando com
a graça de Deus, o fato de que a pessoa ser da mesma substância
faz o amor entre o homem e a mulher conduzir a criação de filhos e de filhas.
Eles derivam de um e de outro. Disso nascem os múltiplos contatos de afeto na
qual a família humana é convidada a amar o pai, o avô, e também a
mãe, a avó, os netos e as netas como irmãos e irmãs. O Senhor também quis
que as pessoas não se unissem com os próprios parentes, mas com pessoas
estranhas, fora do contexto familiar (cfr. Lv 18,8.10) de modo que as
relações familiares pudessem se alargar sempre mais e todos crescessem nos
valores humanos e espirituais.
A criação da amizade
A moradia possibilita a vida fraterna, a
amizade entre os seus membros, conforme a CF 2026. Nesta linha está também
a visão de São João Crisóstomo que tinha presentes muitos elementos
provenientes do Senhor concedidos ao ser humano para que fossem cultivados na
família, numa moradia. Ele dispôs que nós tivéssemos necessidade de uns aos
outros, tornando a unidade, valor fundamental na convivência humana e com Deus.
A amizade é dada também quando uma pessoa familiar passa pelo sofrimento,
pela cruz onde todos se unem para aliviar o sofrimento da pessoa. No caso
nosso quando a pessoa necessita de uma casa digna é preciso a unidade de todos
os membros da família para ajudar a quem mais necessita.
Os cristãos unidos com outras pessoas
A CF 2026 alude à convivência fraterna para
a moradia, sobretudo para com as pessoas que a tem na sua precariedade. A
Carta a Diogneto, escrito do século II ilustrou que os cristãos
viviam nas casas, moradias como quaisquer outras pessoas. Não se distinguiam
dos outros seres humanos, nem por terra, nem por língua ou costumes. Eles
não moravam em cidades próprias, nem falavam língua estranha, nem tinham nenhum
modo especial de viver. Eles viviam em cidades gregas e bárbaras, conforme a
sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes do lugar, quanto à roupa, ao
alimento testemunhavam um modo de vida social muito
importante, parodoxal no seguimento a Jesus Cristo e à sua
Igreja.
A construção da casa
A CF 2026 alude às pessoas para
fazerem obras que enalteçam o corpo de Cristo. Muitas pessoas perdem tudo
por causa das enchentes ou por viverem em locais de risco para as suas vidas e
de seus familiares. Santo Agostinho, bispo de Hipona dos séculos IV e V afirmou
a unidade entre os seus membros que podem se ajudar mesmo estando de
formas longíquas umas com as outras, mas todas junto
à Cabeça que é o Cristo Jesus. Se de fato habitássemos numa única casa,
tornar-nos-emos de estar juntos quanto mais formamos a unidade pelo único corpo
do Senhor. A verdade em Pessoa que é Jesus Cristo na Igreja, corpo de Cristo
diz ao mesmo modo que a Igreja é casa de Deus (cfr.
1Tm 3,15).
Casa eterna
O bispo de Hipona
também disse que as pessoas vão se encaminhando para a casa da
festa eterna, ressoando agora como uma harmonia agradável e doce aos ouvidos do
coração. No entanto ele tem presente neste mundo a casa de passagem,
como tenda aqui de baixo, que é o tempo de preparação em vista da eterna
moradia, alimentada pela alegria, pelo bem, pelo amor realizados junto aos
irmãos e irmãs que mais necessitam de moradias, para ter uma vida
digna.
A moradia na Campanha da Fraternidade 2026 alude a importância de que todas as pessoas tenham um local para viver, para rezar, para crescer nas relações com Deus com o próximo e consigo mesmo. As nossas comunidades fazem alguma coisa em vista do bem de nossos irmãos e irmãs. Os santos padres colocaram a importância em comunhão com a Palavra de Deus que a moradia é o local importante de vida e de amor ainda neste mundo e um dia na eternidade.
domingo, 8 de março de 2026
Papa Leão XIV no Angelus deste domingo:
Jesus é a resposta de Deus à nossa sede
Jesus “é a resposta de Deus à nossa sede”.
Foi o que disse o Papa Leão XIV durante o Angelus na Praça São Pedro neste 3º
Domingo da Quaresma. “Não é tempo de confrontos entre um templo e outro, entre
o “nós” e os “outros”.
Jesus “é a resposta de Deus à nossa
sede”. “Ainda hoje, quantas pessoas, em todo o mundo, procuram esta fonte
espiritual”, disse o Santo Padre, que durante o Angelus falou sobre o episódio
do Evangelho do diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, acrescentando: “Às
vezes – escrevia a jovem Etty Hillesum no seu diário – consigo alcançá-la, mas
frequentemente ela está coberta por pedras e areia: Deus está, então,
sepultado. É preciso, por isso, voltar a desenterrá-lo".
“Caríssimos, não há energia melhor empregada do que aquela que dedicamos a libertar o coração. Por isso, a Quaresma é um dom: estamos entrando na terceira semana e podemos, portanto, intensificar o caminho!”
No Evangelho também está escrito – recordou o Papa - que “chegaram os seus discípulos e ficaram admirados de Ele [Jesus] estar a falar com uma mulher". Sentem tanta dificuldade em aceitar a própria missão que o Mestre precisa desafiá-los: “Não dizeis vós: ‘Mais quatro meses e vem a ceifa’? Pois Eu digo-vos: Levantai os olhos e vede os campos que estão dourados para a ceifa”. O Senhor diz também à sua Igreja: “Levanta os olhos e reconhece as surpresas de Deus!”.
Jesus está atento, disse o Papa. Segundo os
costumes, Ele deveria simplesmente ignorar aquela mulher samaritana; mas, em
vez disso, Jesus fala com ela, escuta-a, dá-lhe atenção, sem segundas intenções
e sem desprezo.
“Quantas pessoas procuram na Igreja esta mesma delicadeza, esta disponibilidade! E como é belo quando perdemos a noção do tempo para dar atenção àqueles que encontramos, tal como são. Jesus chegava a esquecer-se de comer, de tal modo o alimentava a vontade de Deus chegar a todos em profundidade”.
Assim, a samaritana torna-se a primeira de
muitas evangelizadoras, continuou o Papa. Por causa do seu testemunho, a partir
da sua aldeia de desprezados e rejeitados, muitos vão ao encontro de Jesus e
também neles brota a fé como água pura.
Daí a advertência: “Irmãs e irmãos, peçamos
hoje a Maria, Mãe da Igreja, para podermos servir, com Jesus e como Jesus, a
humanidade sedenta de verdade e justiça. Não é tempo de confrontos entre
um templo e outro, entre o “nós” e os “outros”: os adoradores que Deus procura
são homens e mulheres de paz, que O adoram em Espírito e verdade”.
Silvonei José – Vatican News
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Assista:
Reflexão para este domingo:
A religião de Jesus
José Antonio Pagola
Cansado da caminhada, Jesus se senta junto ao poço de Jacó, nas proximidades da cidade de Sicar. Logo chega uma mulher samaritana para saciar sua sede. Espontaneamente Jesus começa a falar com ela do que traz em seu coração.
No decorrer da conversa, a mulher lhe fala dos conflitos que enfrentam judeus e samaritanos. Os judeus peregrinam a Jerusalém para adorar a Deus. Os samaritanos sobem o monte Garizim, cujo cume se divisa do poço de Jacó. Onde se deve adorar a Deus? Qual é a verdadeira religião? O que pensa o profeta da Galileia?
Jesus começa esclarecendo que o verdadeiro culto a Deus não depende de um determinado lugar, por muito venerável que possa ser. O Pai do céu não está atado a nenhum lugar e não é propriedade de nenhuma religião. Não pertence a nenhum povo concreto.
Não devemos esquecer que para encontrar-nos com Deus não é necessário ir a Roma ou peregrinar a Jerusalém. Não é preciso entrar numa capela ou visitar uma catedral. Do cárcere mais secreto, da sala de terapia intensiva de um hospital, de qualquer cozinha ou lugar de trabalho podemos elevar nosso coração a Deus.
Jesus não fala à samaritana de “adorar a Deus”. Sua linguagem é nova. Até por três vezes lhe fala de “adorar o Pai”. Por isso não é necessário subir a uma montanha para aproximar-nos um pouco de um Deus longínquo, alheio aos nossos problemas, indiferente aos nossos sofrimentos. O verdadeiro culto começa por reconhecer a Deus como Pai querido que nos acompanha de perto ao longo de nossa vida.
Jesus lhe diz algo mais. O Pai está buscando “verdadeiros adoradores”. Não está esperando de seus filhos grandes cerimônias, celebrações solenes, incensos e procissões. Corações simples que o adorem “em espírito e em verdade” é o que Ele deseja.
“Adorar o Pai em espírito” é seguir os passos de Jesus e deixar-nos conduzir como Ele, pelo Espírito do Pai, que o envia sempre para os últimos. Aprender a ser compassivos como o é o Pai. Jesus o diz de maneira clara: “Deus é Espírito, e aqueles que o adoram, devem fazê-lo em espírito”. Deus é amor, perdão, ternura, sopro vivificador … e os que o adoram devem assemelhar-se a Ele.
“Adorar o Pai em verdade” é viver na verdade. Voltar constantemente à verdade do Evangelho, sermos fiéis à verdade de Jesus sem fechar-nos em nossas próprias mentiras. Depois de vinte séculos de cristianismo, será que aprendemos a dar culto verdadeiro a Deus? Somos os verdadeiros adoradores que o Pai está buscando?
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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.
sábado, 7 de março de 2026
Paróquia São José - Paraisópolis (MG):
Horários de missa e outros eventos
Dia 8 - 3º Domingo da Quaresma
7h - Missa na matriz 9h - Missa na matriz
11h - Missa na igreja de Santa Edwiges
15h - Roda de conversa sobre vocação com membros da Pastoral Vocacional do setor Paraíso no CPSJ
18h - Missa na igreja de Santo Antônio
19h - Missa na matriz
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Papa em mensagem:
Em sua mensagem aos participantes do
Encontro Internacional pela Paz e Reconciliação na Loyola University Chicago,
Leão XIV exorta a uma colaboração global e interdisciplinar que combata a
“globalização da indiferença”. Essa concórdia, escreve o Pontífice, “não é como
a que o mundo nos oferece, que infelizmente muitas vezes é imposta com
violência e engano”.
| Papa Leão XIV - Exercícios espirituais (@Vatican Media) |
Em um mundo atravessado por conflitos que
abalam todos os cantos do planeta em que vivemos, toda a humanidade é chamada a
se despertar do torpor da “impotência”, daquela resignação que leva a acreditar
que uma era livre de guerras é “inatingível”. Um apelo para recompor a
comunidade internacional, sem subestimar a contribuição que cada disciplina
pode dar, assim como cada fé, porque “quando pessoas de diferentes tradições
religiosas se reúnem em oração, ela tem o poder de mudar o curso da história”.
Esta é a exortação que o Papa Leão XIV confia aos participantes do Encontro
Internacional pela Paz e Reconciliação na Loyola University Chicago, que se realiza
neste sábado, 7 de março, na universidade da cidade natal do Pontífice.
No sulco da iniciativa “Building Bridges”
A iniciativa, lembra o Papa, insere-se no
âmbito do projeto Building Bridges Initiative, introduzido pelo Papa
Francisco em 2022 e levado adiante pela universidade norte-americana através de
uma série de eventos nos quais os próprios estudantes são os protagonistas.
Em uma época cada vez mais marcada pelas feridas da guerra e da violência, seus esforços são mais necessários do que nunca.
Rejeitar a concórdia oferecida com
“violência e engano”
Leão XIV enumera, então, vários princípios
a serem lembrados na promoção da paz. Em primeiro lugar, sua natureza de “dom”
divino, e não simplesmente a ausência de conflito: uma reconciliação bem diferente
daquela “infelizmente muitas vezes” oferecida pelo mundo, imposta através da
“violência e do engano”. Sem medo, confiantes em Sua presença, o Pontífice
exorta a sermos “colaboradores de Cristo para a paz”.
O Senhor caminha conosco enquanto trabalhamos para promover a harmonia em nossas famílias, em nossas comunidades locais, em nossos respectivos países e no mundo inteiro.
O compromisso da comunidade internacional
Em segundo lugar, o Papa deseja o
envolvimento e o compromisso de toda a comunidade internacional pela concórdia
global, que transcenda “fronteiras, tradições de fé e culturas”. Isso não pode
prescindir de uma “colaboração interdisciplinar sistemática” que reúna
“instituições, organizações, cientistas e líderes de vários campos”.
O caminho permanente da reconciliação
Em terceiro lugar, Leão XIV lembra que a
“verdadeira harmonia” é um “caminho permanente de reconciliação”, como já
afirmado por ocasião do Encontro Internacional de Oração pela Paz organizado
pela Comunidade de Sant'Egidio em outubro passado. Um caminho que envolve a nós
mesmos, o próximo e toda a Criação.
Nesse espírito, somos chamados a promover uma cultura de reconciliação capaz de superar a globalização da impotência, que nos leva a acreditar que uma era livre de conflitos é inatingível.
A força da oração
Por fim, o Pontífice reafirma a poderosa
força reconciliadora da oração comum.
Quando pessoas de diferentes tradições religiosas se reúnem em oração, ela tem o poder de mudar o curso da história.
Edoardo Giribaldi – Vatican News


