Em entrevista às emissoras NBC e Telemundo, o Papa exorta os migrantes a não perderem a esperança, destacando a beleza que nasce da superação das diferenças e do reconhecimento da riqueza de cada ser humano. O Pontífice também manifesta o desejo de visitar os Estados Unidos e reafirma seu papel como pastor da Igreja universal, a serviço das pessoas de todo o mundo.
O sentido de liberdade, das oportunidades e o fato de, ao longo das gerações, ter acolhido pessoas vindas de todas as partes do mundo para fazerem parte de uma única nação. Esse é o aspecto mais profundo dos Estados Unidos da América que mais toca o coração do Papa Leão XIV, como emerge da entrevista concedida às emissoras NBC e Telemundo ao término do encontro de oração Cântico de Paz, realizado nesta quarta-feira, 29 de julho, no Borgo Laudato si', nos Jardins Pontifícios de Castel Gandolfo, acompanhado pelas vozes de Andrea Bocelli e do coro ABF Voices. O Pontífice também manifestou o desejo de visitar seu país natal e voltou a abordar a questão dos migrantes, exortando-os a não perderem a esperança e a viverem “de maneira ordenada”.
As crianças podem ensinar muito
Crianças provenientes de diferentes partes do mundo e pertencentes a diversas religiões, unidas pela beleza do canto e da música. O cenário proporcionado pelo Cântico de Paz representou, na visão do Papa, um convite a “olhar além” e a reconhecer a beleza que nasce — e da qual todos podem participar — “quando deixamos de lado algumas diferenças e reconhecemos a riqueza representada por cada ser humano, todos criados à imagem de Deus”. Leão XIV recordou ainda alguns trechos das orações recitadas pelas crianças, que dirigiam aos adultos uma pergunta tão simples quanto desarmante: “Por que existe a guerra e não a paz? Por que existe o ódio e não o amor?”.
“Acredito que as crianças podem nos ensinar muito e que precisamos redescobrir os valores, o tesouro que existe no ser humano, no fato de sermos todos irmãos e irmãs, percebendo que todos podemos realmente participar de uma sociedade que ama a paz, que busca a paz, que acolhe uns aos outros apesar das diferenças. Se todos trabalharmos para construir a paz, poderemos superar tantas situações que geram conflito e ódio.”
Primeiro Papa americano
A entrevista volta-se, em seguida, para a importância de Robert Francis Prevost ser o primeiro Pontífice proveniente dos Estados Unidos. Diante dessa consideração, o Bispo de Roma faz uma ressalva: “Penso em mim antes de tudo como o Papa que, apenas por circunstância, é americano.” Não se trata de diminuir o valor de sua pátria, pela qual o Pontífice afirma nutrir “um grande amor”, mas de reafirmar sua missão como “pastor da Igreja universal”, com uma voz e uma oportunidade de diálogo voltadas ao mundo inteiro.
“Por isso coloco as coisas nessa ordem e, ao mesmo tempo, reconheço que, tanto para mim quanto para o povo dos Estados Unidos, a julgar pela reação que vimos desde 8 de maio do ano passado, ser o primeiro Papa americano tem um grande significado.”
O sentido de liberdade e de oportunidade
Questionado sobre aquilo de que mais ama nos Estados Unidos, Leão XIV revela apreciar sobretudo os princípios que o país representa.
“Aquilo que a América representa: o sentido de liberdade, o sentido de oportunidade, o fato de, por gerações, ter convidado pessoas de todas as partes do mundo a fazerem parte da América.”
A riqueza dos Estados Unidos
O próprio Prevost recorda que, por parte dos avós, descende de uma família de imigrantes, enquanto, pelo lado materno, “há pessoas que foram tanto escravizadas quanto proprietárias de escravos”.
“A história (americana) de crescimento, e esse tipo de experiência, ajudam-me a reconhecê-la como uma das maiores riquezas dos Estados Unidos. E continuo a defender os princípios que, por tantos anos, fizeram parte do que significa ser americano. E isso continuará assim.”
“Vocês me verão lá”
Durante seu pontificado, Leão XIV dirigiu numerosas mensagens a diferentes realidades de seu país. Questionado sobre uma possível visita aos Estados Unidos, o Papa não escondeu o desejo de ir pessoalmente, para testemunhar com ainda “maior força” seu compromisso em favor da paz, do amor e do esforço comum para construir a harmonia.
“Vocês me verão lá. Por coincidência, justamente hoje estávamos olhando o calendário para os próximos dois anos. Ainda não há nada definitivo, mas espero sinceramente poder ir em breve.”
Que os migrantes tenham esperança
O pensamento conclusivo do Pontífice foi dirigido aos migrantes.
“Tenham esperança. Procurem, certamente, viver de maneira ordenada. É preciso reconhecer que, se alguém cometeu delitos ou crimes, não se pode construir uma sociedade dessa forma. Portanto, devemos aprender a viver em paz, mas também precisamos ter coragem e esperança, que sempre nos sustentem.”
Edoardo Giribaldi – Vatican News


