que não se impõe pela força
Somos chamados a
assumir um estilo evangélico, sem adotarmos precipitadamente uma postura de
oposição marcada por julgamentos arrogantes, sem nos impormos pelo poder e pela
força e sem perdermos a confiança na obra de Deus.
A parábola do
semeador, o joio e o trigo, o grão de mostarda e o fermento na farinha: imagens
usadas por Jesus em três pequenas parábolas "que pretendem evocar a
chegada do Reino de Deus na história, a sua ação na vida dos homens, a maneira
como cresce, se expande e transforma o mundo a partir de dentro".
Deus prefere a
pequenez
No Angelus deste
XVI domingo do Tempo Comum, Leão XIV dirigiu-se à multidão de fiéis reunidas em
Castel Gandolfo sob um sol escaldante e uma temperatura de cerca 32 graus,
explicando que com os relatos contidos nestas parábolas, "Jesus nos
adverte contra a tentação de pensar em Deus como uma figura poderosa, que se
impõe pela força, que ocupa o espaço para dominar, que chega de forma
triunfante":
Pelo contrário, Deus prefere a pequenez, sinal de seu amor discreto. Ele nos deixa livres para acolhê-lo ou rejeitá-lo, procura abrir caminho mesmo em meio ao joio e age de forma oculta e invisível, como a menor de todas as sementes, fermentando a massa sem fazer barulho.
Saber reconhecer
o bem que brota mesmo nas trevas do mal
Com essas
parábolas - continuou explicando - "Jesus nos diz algo importante sobre o
modo como Deus opera em nossa vida e na história":
Às vezes, esperamos algo espetacular, desejamos um Deus que intervenha do alto, arrancando imediatamente o joio, que é o mal. Imaginamos um Deus forte e poderoso e, infelizmente, também adequamos nossa maneira de ser cristãos e de ser Igreja a essa imagem. Em vez disso, o Reino de Deus se difunde também em meio ao joio e nos pede um olhar capaz de reconhecer o bem que brota mesmo nas trevas do mal, sem que julguemos tudo apressadamente.
Ter confianças,
mesmo quando Deus parece ausente
O Reino de Deus,
acrescentou, "vem como a menor das sementes e exige, portanto, a paciência
de saber acompanhar os processos, reconhecendo-o na simplicidade do cotidiano e
na singeleza da vida comum":
Cresce invisivelmente, como o fermento na farinha, e assim nos liberta do desânimo, convidando-nos a ter confiança, ainda que nos pareça que Deus está ausente. Pois, na verdade, Ele nos acompanha continuamente e seu amor está sempre agindo em nosso favor.
A "lógica
da semente"
E esse estilo de
Deus - pontuou - "deve se tornar também o modelo segundo o qual vivemos a
realidade que nos rodeia, tanto como indivíduos quanto como Igreja":
Somos chamados a assumir um estilo evangélico, sem adotarmos precipitadamente uma postura de oposição marcada por julgamentos arrogantes, sem nos impormos pelo poder e pela força e sem perdermos a confiança na obra de Deus. Trata-se – dizia o então cardeal Ratzinger – de nos submetermos à lógica da semente, que não é a do sucesso e da grandeza, mas que nos pede para nos tornarmos pequenos e servirmos à vida das pessoas. Assim, nós mesmos nos tornaremos como uma pequena semente do Evangelho que brota e como um fermento de amor que transforma a massa do mundo.
Oremos a Maria
Santíssima - disse ao concluir - que soube acolher a semente da Palavra em sua
humildade, para que Ela nos sustente em nosso caminho e interceda por nós.
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