domingo, 4 de outubro de 2026

No Angelus deste domingo, Papa recorda São Francisco:

grande operário na vinha do Senhor!

No Angelus na Praça São Pedro, ao comentar a Liturgia deste XXVII Domingo do Tempo Comum, Leão XIV recordou os 800 anos da morte do Pobrezinho de Assis e exortou: "Enquanto celebramos o ano jubilar franciscano, imploremos com perseverança o dom da paz e comprometamo-nos sinceramente a construir a concórdia entre os povos".

Edificar a nossa vida sobre o alicerce de Cristo: para Leão XIV, este é o ensinamento deixado por São Francisco, ao recordar no Angelus dominical os 800 anos da morte do Pobrezinho de Assis.

Comentando a Liturgia do dia, a parábola evangélica fala da vida de Jesus e esclarece o sentido da sua missão (cf. Mt 21, 33-43). Ele é o Filho de Deus enviado ao mundo, mas rejeitado precisamente por aqueles que deveriam tê-lo acolhido de braços abertos. Aquele que veio para trazer a salvação recebe uma condenação; aquele que quer dar a vida é condenado à morte. "Ao mesmo tempo que nos faz refletir sobre as tantas crueldades que assolam o mundo e a história dos povos, o ensinamento de Cristo revela a misericórdia cada vez maior do seu Pai", afirmou o Papa.

Com efeito, essa rejeição violenta não quebra a vontade de Deus, que, na sua infinita justiça, transforma o mal em redenção: "É assim que o Todo-Poderoso guia a história, socorrendo-nos em todas as nossas quedas: Deus nunca descarta a nossa vida!".

LEIA A ALOCUÇÃO DO SANTO PADRE

São Francisco, homem de oração ardente

De acordo com a imagem utilizada na parábola, a vinha a cultivar com justiça é a Igreja, que podemos construir ou prejudicar com as nossas escolhas:

“A este respeito, precisamente hoje, no oitavo centenário da sua morte, desejo recordar um operário que trabalhou com grande fruto na vinha do Senhor: São Francisco de Assis, a quem o próprio Jesus pediu que reparasse a sua Igreja. Inspirado pelo Crucificado, Francisco edificou, antes de mais, a sua própria vida sobre o alicerce de Cristo, partilhando a sua pobreza, a sua alegria e os seus sofrimentos, até ao sinal místico dos estigmas.”

O Santo Padre o definiu um "homem de oração ardente, cheio de caridade para com todos", um exemplo para os primeiros frades que partilharam a sua ascese como condição autêntica para a reforma da Igreja. "São Francisco reparou-a em virtude da fé no Senhor Jesus, sanando as fissuras da discórdia com o testemunho do amor fraterno."

O carisma de São Francisco, ressaltou o Papa, continua a dar frutos ainda hoje, após oito séculos: disso dão testemunho não só a grande e viva família franciscana, mas também os muitos dons que o seu legado espiritual difunde no Povo de Deus. Por isso, exortou, "enquanto celebramos o ano jubilar franciscano, imploremos com perseverança o dom da paz e comprometamo-nos sinceramente a construir a concórdia entre os povos".

Ao concluir, pedindo a intercessão de Maria Santíssima, Leão XIV convidou os presentes a se unirem espiritualmente aos fiéis reunidos no Santuário de Pompeia para elevar a Súplica à Virgem do Santo Rosário.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Leão XIV:
rezemos o Terço
para que os povos sejam libertados do flagelo da guerra

O Pontífice pediu aos fiéis que intensifiquem a oração do Terço neste mês de outubro em particular pela Terra Santa e pelas vítimas inocentes da violência. Ao final do Angelus, o Papa recordou ainda a realização de um encontro no Vaticano sobre os 10 anos da Exortação Apostólica Amoris laetitia.

Na Sala de Imprensa da Santa Sé, a coletiva sobre o encontro dez anos depois de Amoris laetitia 

Ao final do Angelus, Leão XIV recordou que domingo passado, em Lourdes, convidou os fiéis a rezarem o Santo Rosário durante o mês de outubro, com a intenção especial de que "cessem as guerras e se construa a paz".

Entre os primeiros a rezar estiveram as crianças, e continuam a fazê-lo através da iniciativa promovida pela Fundação "Ajuda à Igreja que sofre" de 1º a 7 de outubro, intitulada "Um milhão de crianças reza o Santo Rosário"

“Agradeço de coração a todas as crianças que, em tantas partes do mundo, se unem a esta oração. Sigamos todos o seu exemplo, invocando a intercessão da Virgem Maria para que os povos sejam libertados do flagelo da guerra. Em particular, rezemos pela Terra Santa e pelas vítimas inocentes da violência.”

Famílias, sinal de esperança e riqueza inestimável

O Pontífice recordou ainda um importante evento que terá lugar no Vaticano nos próximos dias, por ocasião do décimo aniversário da Exortação Apostólica Amoris laetitia. Trata-se de um encontro convocado pelo próprio Papa do qual foram convidados os líderes das Igrejas Orientais Católicas e os Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo.

"Será um momento de discernimento sinodal, para identificar os passos a dar para anunciar hoje o Evangelho junto das famílias e das jovens gerações", disse o Santo Padre, confiando à oração dos fiéis este compromisso e, sobretudo, das famílias, que "são sinal de esperança e riqueza inestimável para a Igreja e para a sociedade".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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                                                                Fonte: vaticanews.va   Vídeo: (@Vatican Media

Reflexão para este domingo:

O perigo de calar a voz dos profetas

José Antonio Pagola

Quando no ano 70 as tropas romanas destruíram Jerusalém e o povo judeu desapareceu como nação, os cristãos fizeram uma leitura terrível deste fato trágico. Israel, aquele povo tão querido por Deus, não soube responder a seus apelos. Seus dirigentes religiosos foram matando os profetas enviados por Ele; crucificaram, por último, seu próprio Filho. Agora, Deus os abandona e permite sua destruição: Israel será substituído pela Igreja cristã.

Assim liam os primeiros cristãos a Parábola dos “Vinhateiros Homicidas”, dirigida por Jesus aos sumos sacerdotes de Israel. Os lavradores encarregados de cuidar da “vinha do Senhor” vão matando um depois do outro os criados que ele envia para recolher os frutos. Por último matam também o filho do proprietário, com a intenção de suprimir o herdeiro e ficar com a vinha. O senhor não pode fazer outra coisa senão dar-Ihes a morte e entregar sua vinha a outros lavradores mais fiéis.

Esta parábola não foi coligida pelos evangelistas para alimentar o orgulho da Igreja, novo Israel, diante do povo judeu, derrotado por Roma e disperso por todo o mundo. A preocupação era outra: será que pode acontecer com a Igreja cristã o mesmo que sucedeu ao antigo Israel? Pode ela defraudar as expectativas de Deus? E se a Igreja não produz os frutos que Deus espera, que caminhos Ele seguirá para realizar seus planos de salvação?

O perigo é sempre o mesmo. Israel se sentia seguro: tinha as Sagradas Escrituras, possuía o templo, celebrava escrupulosamente o culto, pregava a Lei e defendia as instituições. Não parecia necessário nada de novo. Bastava conservar tudo em ordem. É o mais perigoso que pode acontecer a uma religião: que ela faça calar a voz dos profetas e que os sacerdotes, sentindo-se os donos da “vinha do Senhor”, queiram administrá-la como propriedade deles. Este é também o nosso perigo: pensar que a fidelidade da Igreja está garantida porque ela pertence à Nova Aliança; sentir-nos seguros por termos Cristo como propriedade. Mas Deus não é propriedade de ninguém. Sua vinha pertence só a Ele. E, se a Igreja não produz os frutos que Ele espera, Deus continuará abrindo novos caminhos de salvação.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 3 de outubro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos
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Dia 4 - 27º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa na comunidade São Geraldo

11h - Missa da festa na comunidade São Francisco

18h - Missa na igreja de Santo Antônio e no Goiabal

18h - Novena em louvor a Nossa Senhora Aparecida na matriz

19h - Missa na matriz

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Oportuna e sábia reflexão:

Façamos política, mas do jeito certo!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Quando você diz que não devemos fazer política no púlpito e no altar eu concordo: altar e púlpito não são lugares para isso!

Mas, quando você acha que nossa Igreja não deve ensinar a fazer política, você mesmo já está politizando. Já escolheu o seu partido ao achar que devemos nos abster de assuntos políticos! A Igreja diz que sim! Devemos fazer política, mas do jeito certo!

Ou você pode, mas bilhões de católicos não podem, só porque você acha que isto é errado? E se sua opinião estiver errada? E se você estiver errado?

Você tem Bíblia, Catecismo, Livros de Teologia, História da Igreja, Sociologia, Filosofia?

Se já leu vai descobrir que, em mais de 50 livros da Bíblia que você tem mas não lê, o assunto sempre foi

- justiça, libertação, política, direitos de um povo que esperava ser livre em busca da própria felicidade e da felicidade do seu povo. (livros sapienciais e proféticos).

E sempre houve gente que achava que Deus resolveria nossos problemas de lá do Céu.

Ora, o Filho de Deus, segundo você mesmo crê, veio aqui para nos ensinar a conviver e melhorar a vida para todos! Morreu por isso! Ele não aderiu a nenhum partido, mas claramente viveu defendendo os pobres e os injustiçados.

É isso não é fazer política? Ele ensinou a melhor de todas as políticas, porque ensinou a solidariedade, a caridade e a fraternidade e, se preciso, a dar a própria vida pelos outros!

Vá lá e vote. Vote com consciência! Mas vote direito! Católico faz política sem ódio, mas também sem medo.

Pz

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

Reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

Àquele que nos envolve com seu amor
UMA RESPOSTA DE AMOR

Amo-te, Senhor, com uma consciência não vacilante, mas firme.
Feriste o meu coração com tua palavra e eu amei-te. (Santo Agostinho)

O Senhor quer estabelecer pacto, aliança, núpcias com o Povo de Israel. Através dos profetas do Antigo Testamento e de Jesus, no alvorecer dos novos tempos, o tema sempre retorna. As imagens da vinha e da esposa parecem se entrelaçar nos escritos bíblicos. Há uma calorosa atmosfera de intimidade, tanto no relato de Isaías quanto na parábola dos vinhateiros. Vinha e núpcias falam, pois, de uma certa qualidade do amor do Senhor e, naturalmente, num amor tão denso que atinge até o último dos irmãos. Contudo, nem sempre as pessoas responderam ao apelo do amor. Estamos diante de textos com luzes e sombras. Há um quê de irritação.

Estamos diante do tema do amor. Todos já vivemos experiências de dom de nós mesmos. Aqui e ali damo-nos conta de que somos seres feitos para sair do cercado de nós mesmos e buscar espaço para querer bem, soerguer, incentivar, acolher, promover, desculpar. Na medida da intensidade de nosso querer bem somos seres livres, alegres, sem azedume. A prova de que amamos a Deus é que nos acercamos daqueles que ele ama. Os dois amores se confundem.

Dois amores num só. Concomitantemente há esse enamoramento do Senhor e pelo Senhor que nos envolve. Ouvimos sua voz. Ele quer nos levar para o deserto, para nosso interior, para uma terra árida, seca, sem brilho para nos sussurrar palavras de amor e para que aceitemos o seu convite para deixar a porta de nossa vida apenas entreaberta para que o sopro de nosso peito se misture ao Hálito do Espirito. O belo, o Altíssimo, o Todo Outro se torna um esposo desejoso de ser nosso amável companheiro na tarefa de amar até o fim.

Não estaríamos necessitando, sem pieguices e melosidade, ouvir os passos e a voz do amado, quer dizer, parar um pouco e contemplar. “Se tiramos da vida todo elemento contemplativo ela acaba por sofrer de uma hiperatividade mortal. No seu próprio fazer o homem se sufoca. A revitalização da vida contemplativa (vita contemplativa) é necessário para abrir espaços de respiração” (Byung-Chul Han).

Deus, o mais belo, o mais luminoso, o mais impenetrável quer que joguemos nossa aventura de viver nele e que em nome dele nos abeiremos de nossos companheiros de viagem: um pedaço de pão, alívio de suas dores, luta em prol da justiça, oferta de tempo para ouvi-los, parar para que eles tenham a certeza de que existem com a ternura e atenção de nosso coração.

Pequenas regras para que o Senhor seja ouvido e sua vontade observada:

♦ demorar-se diante do Mistério: uma oração simples, desinteressada, gratuita, um abrir-se diante daquele que nos inventou e pede a melhor atenção de nossa parte;

♦ rever seriamente nosso jeito de nos colocar diante do  Senhor na oração e no dia a dia: respeito carinhoso, postura de pessoas cobertas de dons do Senhor; dimensão contemplativa da vida;

♦ dar uma resposta pessoal às visitas do  Senhor;

♦ colocar-se diante do Senhor numa postura de pessoas que tudo receberam e que precisam tudo restituir, porque a Esposa que ouve sussurros de amor passa necessariamente esse amor adiante; o amor ama aqueles que são amados pelo  Amado;

♦ cultivar sempre uma atitude de atenção aos que circulam à nossa volta e olhar com os olhos interiores de  quanto amor precisam, sempre lembrando que existimos para a vida pelos irmãos; passar da fala para atos;

♦ a Igreja é a vinha do Senhor: ele enviou o seu Filho no lugar dos vinhateiros homicidas; o Senhor contava com uvas de verdade, mas produziu uvas selvagens.

Por fim, ficamos admirados diante do fato que o senhor da parábola envia seu filho que o vinhateiros matam. Mais não era possível!!!

Para sua reflexão

♦ “Na vinha de Deus não há lugar para os que não produzem frutos. No projeto do Reino de Deus, anunciado e promovido por Jesus, não podem continuar ocupando lugar os “lavradores” indignos que não reconhecem o senhorio de seu Filho porque se sentem proprietários e senhores do Povo de Deus. Hão de ser substituídos por um povo que produza frutos” (Pagola).

♦ “A parábola põe-nos diante do enigma da violência que pode escandalosamente tornar-se presente num espaço religioso. No terreno eclesial a violência não reveste normalmente formas ostensivas como a violência física, porém mais sutis, como a não escuta, a rejeição, a marginalização, o desprezo, o não acolhimento, o desinteresse, a pressão e o abuso psicológico (Manicardi).

Oração

Senhor, tu és a nossa luz.
Senhor, tu és a verdade.
Senhor, tu és a nossa paz.
Querendo acompanhar-nos
te fizeste peregrino;
compartilhas nossa vida,
nos mostras o caminho.
Não basta rezar a ti,
dizendo que te amamos;
devemos imitar-te,
amar-te nos irmãos.
Tu pedes que tenhamos
humilde confiança;
teu amor saberá encher-nos
de vida e esperança.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Leão XIV a artistas nesta sexta:

a Igreja precisa de vocês,
especialmente nesta era da inteligência artificial

O Papa recebeu artistas e curadores no âmbito do encontro "A arte da possibilidade: tecer juntos", promovido pelo Dicastério para a Cultura e a Educação. "Torna-se urgente distinguir a arte humana daquilo que é produzido pelas máquinas", disse Leão XIV, recordando que "para a Igreja, a arte é um lugar fundamental de escuta, onde se pode aprender sobre as aspirações e as feridas da humanidade, sobre sua sede de beleza, justiça e paz, sobre sua busca por sentido".

O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta sexta-feira (02/10), na Sala do Consistório, no Vaticano, os artistas e curadores que participam do encontro intitulado "A arte da possibilidade: tecer juntos", promovido pelo Dicastério para a Cultura e a Educação.

O Pontífice iniciou o seu discurso, agradecendo aos artistas e curadores pela colaboração deles com a Santa Sé nos últimos anos, "em particular pela montagem do Pavilhão da Bienal de Veneza e pelos projetos de arte contemporânea promovidos pelo Dicastério para a Cultura e a Educação". "Obrigado pela confiança com que aceitaram caminhar ao lado da Igreja, inclusive por novos caminhos", ressaltou Leão XIV.

A seguir, o Papa recordou que o Papa Francisco visitou o pavilhão montado no Cárcere Feminino da Ilha da Giudecca, situada a sul do centro de Veneza, na Itália.

“Quem já passou por lá sabe que não se tratava de levar a arte para a prisão, mas de permitir que o cárcere, com sua verdade muitas vezes ignorada, ensinasse algo à arte e a todos nós. Pois «a pessoa humana é 'digna' pelo simples fato de existir e de ter como fim a eternidade», e é sempre maior do que sua fragilidade ou seus erros.”

Depois, recordou o lema, inspirado em Santa Hildegarda de Bingen, do Pavilhão de Veneza deste ano: "O ouvido é o olho da alma", e disse que "a arte, como uma antena, capta as grandes questões do coração humano, às vezes semelhantes a um grito, mas frequentemente como um sussurro, e as torna audíveis, visíveis e compartilháveis".

De acordo com o Papa, "Santo Agostinho nos deixou um testemunho imortal da inquietação do coração humano em busca da verdade. A arte, quando autêntica, é animada por essa inquietação. Por isso, a Igreja jamais considerou a arte um acessório".

“Para a Igreja, a arte é um lugar fundamental de escuta, onde se pode aprender sobre as aspirações e as feridas da humanidade, sobre sua sede de beleza, justiça e paz, sobre sua busca por sentido.”

"Vivemos na era dos mecanismos de busca, que nos oferecem milhares de respostas em um segundo. Mas eles, por mais poderosos que sejam, apresentam o que já existe e tendem a nos dar o que já queremos", sublinhou Leão XIV, acrescentando:

“Na era da tecnologia e do consumo, o grande perigo não é mais apenas a censura, mas a uniformização; não apenas o silêncio imposto, mas o ruído que torna impossível ouvir.”

De acordo com o Papa, "a arte é outro tipo de 'mecanismo de busca'. Ela não funciona por indexação, mas por interrogação. Sua pergunta é uma atenção tensa, que não se contenta com a mera soma dos fatos, pois não para de cavar mais fundo, buscando a trama que os une". "A arte de vocês", sublinhou o Papa, "quando resiste à uniformização, quando desacelera o olhar, quando obriga a parar diante do que não se deixa consumir, é uma forma de regeneração cultural e espiritual".

A seguir, Leão XIV recordou o Papa São Paulo VI que "proferiu palavras que permanecem um marco na relação da Igreja com os artistas": "Precisamos de vocês", disse Paulo VI na homilia da missa com os artistas em maio de 1964. "Nosso ministério precisa da colaboração de vocês. Porque, como vocês sabem, nosso ministério é pregar e tornar acessível e compreensível, aliás, comovente, o mundo do espírito, do invisível, do inefável, de Deus. E nessa tarefa, que traduz o mundo invisível em fórmulas acessíveis e compreensíveis, vocês são mestres", disse ainda o Papa Giovanni Battista Montini.

“Hoje, eu também lhes digo: a Igreja precisa de vocês. Especialmente nesta era da inteligência artificial, em que se torna urgente distinguir a arte humana daquilo que é produzido pelas máquinas.”

De acordo com o Papa Leão, "há uma diferença ontológica, antes mesmo de estética, entre a arte e o que uma máquina pode gerar por meio de cálculos estatísticos a partir de milhões de imagens de outras pessoas. Faltam aos algoritmos a centelha do humano". «A cultura e a arte, quando são autênticas, conservam essa centelha», disse o Papa, citando um trecho de sua Encíclica Magnifica humanitas.

Leão XIV reiterou que "a Igreja deseja renovar uma aliança com artistas e instituições culturais: uma aliança para proteger o ser humano". Recordou suas palavras proferidas durante sua recente visita à sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em Paris, no âmbito de sua viagem à França: «É impossível promover a educação, as ciências e a cultura sem promover a vida do homem e da mulher, que são seus protagonistas».

"Queridos artistas, queridos curadores, saibam que a Igreja olha para vocês com estima, gratidão e esperança, que precisa de vocês e que deseja caminhar ao lado de vocês, para que, juntos, possamos zelar pela magnífica humanidade que nos foi confiada", concluiu.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

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                                                                  Fonte: vaticanews.va   Foto: (@Vatican Media

27º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Is 5,1-7

Leitura do livro do profeta Isaías

Vou cantar para o meu amado o cântico da vinha de um amigo meu: Um amigo meu possuía uma vinha em fértil encosta. Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar; esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens.

Agora, habitantes de Jerusalém e cidadãos de Judá, julgai a minha situação e a de minha vinha. O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz? Eu contava com uvas de verdade, mas por que produziu ela uvas selvagens?

Pois agora vou mostrar-vos o que farei com minha vinha: vou desmanchar a cerca, e ela será devastada; vou derrubar o muro, e ela será pisoteada. Vou deixá-la inculta e selvagem: ela não será podada nem lavrada, espinhos e sarças tomarão conta dela; não deixarei as nuvens derramar a chuva sobre ela. Pois bem, a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação; eu esperava deles frutos de justiça — e eis a injustiça; esperava obras de bondade — e eis a iniquidade.

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Responsório: Sl 79

— A vinha do Senhor é a casa de Israel.

— A vinha do Senhor é a casa de Israel!

— Arrancastes do Egito esta videira,/ e expulsastes as nações para plantá-la;/ até o mar se estenderam seus sarmentos,/ até o rio os seus rebentos se espalharam.

— Por que razão vós destruístes sua cerca,/ para que todos os passantes a vindimem,/ o javali da mata virgem a devaste,/ e os animais do descampado nela pastem?

— Voltai-vos para nós, Deus do universo!/ Olhai dos altos céus e observai./ Visitai a vossa vinha e protegei-a!

— Foi a vossa mão direita que a plantou;/ protegei-a, e ao rebento que firmastes!

— E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus!/ Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!/ Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo,/ e sobre nós iluminai a vossa face!/ Se voltardes para nós, seremos salvos!

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2ª Leitura: Fl 4,6-9

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses

Irmãos: Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus. Quanto ao mais, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor.

Praticai o que aprendestes e recebestes de mim, ou que de mim vistes e ouvistes. Assim, o Deus da paz estará convosco.

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Evangelho: Mt 21,33-43

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

«Escutem essa outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, cercou-a, fez um tanque para pisar a uva, e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou a vinha para alguns agricultores, e viajou para o estrangeiro. Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos agricultores para receber os frutos. Os agricultores, porém, agarraram os empregados, bateram num, mataram outro, e apedrejaram o terceiro. O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu próprio filho, pensando: ‘Eles vão respeitar o meu filho’. Os agricultores, porém, ao verem o filho, pensaram: ‘Esse é o herdeiro. Venham, vamos matá-lo, e tomar posse da sua herança’. Então agarraram o filho, o jogaram para fora da vinha, e o mataram. Pois bem: quando o dono da vinha voltar, o que irá fazer com esses agricultores?» Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: «É claro que mandará matar de modo violento esses perversos, e arrendará a vinha a outros agricultores, que lhe entregarão os frutos no tempo certo.» Então Jesus disse a eles: «Vocês nunca leram na Escritura: ‘A pedra que os construtores deixaram de lado tornou-se a pedra mais importante; isso foi feito pelo Senhor, e é admirável aos nossos olhos’? Por isso eu lhes afirmo: o Reino de Deus será tirado de vocês, e será entregue a uma nação que produzirá seus frutos.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Deus rejeitou o povo que elegera?

As leituras de hoje suscitam uma pergunta: se Deus escolheu Israel como povo eleito, por que mudou de ideia? Será que rejeitou os judeus? No evangelho, Jesus narra uma parábola a respeito disso. No Antigo Testamento, o povo de Israel é a “vinha de Deus”. O profeta Isaías denuncia que ela não produz frutos (1ª leitura). Jesus, no evangelho, diz que são os arrendatários – os chefes de Israel – que não querem pagar sua parte ao “Senhor da vinha”. Mais: quando este manda seu filho, matam-no, querendo apoderar-se de sua herança… Mas a vinha lhes é tirada e dada a “outro povo”, que entregará seus frutos no devido tempo.

Jesus se refere à sua própria missão e também ao nascimento do novo povo de Deus, a Igreja, a partir da ressurreição de Cristo, “pedra rejeitada pelos construtores, mas que se tornou pedra angular”. Os líderes do antigo povo de Deus não queriam produzir frutos para Deus. Queriam a vinha para si. É como os opressores de hoje, que querem o poder pelo poder e pelo proveito, e não como liderança responsável para, junto com o povo, produzir “frutos de justiça”. Jesus e seus fiéis constituem uma denúncia viva contra tais usurpadores. E, como na parábola, também hoje acontece que os enviados do “senhor da vinha” são rechaçados e mortos. Porém, como Deus fundou seu novo povo sobre seu enviado e “mártir” (testemunha) por excelência, que é Jesus Cristo, assim também o sangue dos mártires da América Latina hoje será embasamento do povo de Deus.

Os opressores matam os enviados, os profetas. Mas os que sentem arder em si a voz profética de Deus devem reclamar da sociedade humana “frutos de justiça”. Por outro lado, os que são constituídos no poder (os arrendatários) devem considerar o poder como um serviço, a fim de produzir com o povo a justiça que Deus espera. O povo não é sua propriedade. O único senhor do povo é Deus.

Deus não “rejeitou os judeus”, mas rechaça os líderes que dominam o povo para proveito próprio e não estão a serviço da justiça e do amor. Israel recebeu a missão de ser o povo-testemunha de Deus; mas quando seus líderes rejeitaram Jesus, que veio inaugurar o reinado de Deus, este reuniu em torno do seu Cristo o novo povo-testemunha, constituído de todas as nações: a Igreja, comunidade dos seguidores de Jesus.

Por outro lado, também nesta Igreja existe o perigo de querer guardar os frutos para si. O evangelista João diz expressamente que a glória do Pai se manifesta nos frutos do amor fraterno produzido por aqueles que estão unidos à videira que é Cristo (Jô 15, 1-8). E os que se separarem da videira e não produzirem esse fruto serão cortados fora. Fique, pois, claro; que ser a vinha de Deus não é um privilégio irrevogável, mas uma missão para produzir fruto, e isso vale tanto para o povo no tempo de Jesus como para sua Igreja hoje.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Fonte: franciscanos.org.br Imagem: parsaovicentedepaulo.com.br  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos