quinta-feira, 7 de maio de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

 Horários de missa e outros eventos

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Dia 8 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

  19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

19h - Celebração na comunidade São Benedito (Goiabal)

19h - Celebração na comunidade da Serra dos Pereiras

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Dia 9 - Sábado

19h -  Missa na Matriz

19h - Celebração na comunidade São Geraldo

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Dia 10 - 6º Domingo de Páscoa

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Bela e importante catequese:

Uma Igreja que existe para anunciar: voltar ao essencial 

Dom Leomar Antônio Brustolin - Arcebispo Metropolitano de Santa Maria (RS) - Presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB

Há momentos na vida da Igreja em que é preciso parar e perguntar: afinal, para que existimos? Não para manter estruturas, nem apenas para organizar atividades, mas para algo muito mais profundo e decisivo: anunciar Jesus Cristo.

As novas Diretrizes recordam isso logo no início: a missão recebida de Jesus é clara — “Proclamai o Evangelho” (Mc 16,15). Não é uma opção entre tantas. É a identidade da Igreja. Tudo o que somos e fazemos precisa nascer dessa fonte. Quando isso se perde, a pastoral se torna pesada, repetitiva e sem força transformadora.

Mas há um detalhe importante que o texto nos ajuda a perceber: evangelizar não é apenas falar de Deus. É testemunhar a misericórdia que recebemos. Antes de anunciar, a Igreja experimenta. Antes de ensinar, ela acolhe. Isso muda tudo. O anúncio deixa de ser teoria e passa a ser vida compartilhada.

Outro ponto decisivo é este: Jesus Cristo não é apenas o conteúdo da evangelização — Ele é o próprio Evangelho. Isso significa que evangelizar não é transmitir uma mensagem distante, mas tornar presente uma pessoa viva. Jesus continua a caminhar, a falar, a curar, a acolher — agora através da Igreja.

E como Ele evangeliza? As Diretrizes são muito concretas: com palavras e gestos. Ele anuncia o Reino, mas também se aproxima, serve, toca as feridas, busca quem está perdido. Não exclui ninguém. Vai ao encontro de todos. Esse estilo não é secundário — é o próprio caminho da Igreja hoje.

Por isso, as Diretrizes insistem: não basta repetir métodos antigos. Estamos diante de uma mudança de época. O mundo mudou, as perguntas mudaram, e a forma de anunciar também precisa ser renovada. Mas sem perder o essencial: o centro continua sendo Jesus.

Há ainda um chamado forte à conversão. Não apenas pessoal, mas também das relações, dos processos e dos vínculos. Em outras palavras: não basta querer evangelizar, é preciso mudar o modo de ser Igreja. Torná-la mais aberta, mais acolhedora, mais próxima, mais sinodal.

A imagem da “tenda” ajuda a entender isso. Uma Igreja que não é fechada, mas que se alarga. Que escuta mais. Que acolhe melhor. Que permanece firme na fé, mas com as portas abertas para todos.

No fundo, a Introdução das Diretrizes nos coloca diante de uma pergunta simples e exigente: estamos realmente anunciando Jesus ou apenas mantendo a Igreja funcionando?

Se voltarmos ao essencial, tudo se reorganiza. A fé ganha vida. As comunidades se tornam mais missionárias. E a Igreja volta a ser aquilo que sempre foi chamada a ser: sinal vivo do amor de Deus no mundo.

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Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

Editorial do Vatican News - Andrea Tornielli:

Testemunhas do Evangelho através da unidade

O fio condutor do magistério de Leão XIV sobre a missão e as palavras de Jesus: “Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”.

O Papa Leão XIV no papamóvel na esplanada de Saurimo, Angola, em 20 de abril de 2026

A paz e a unidade da Igreja foram os dois temas recorrentes e fundamentais do primeiro ano de pontificado de Leão XIV, que continua a pedir orações por essas intenções. Se a paz se impôs como uma urgência devido à multiplicação de conflitos insensatos e à progressiva erosão do direito internacional, a unidade da Igreja é um fio condutor que atravessa todo o magistério do Bispo de Roma, nascido em Chicago e que se tornou missionário no Peru. A maneira como Leão repetiu seus apelos à unidade dos fiéis em Cristo é particularmente significativa e nada tem a ver com a exigência de “normalidade” ou de uma tranquilidade que abata as diferenças e talvez dilua os contrastes. O Papa explicou isso claramente no discurso aos cardeais durante o consistório extraordinário de 7 de janeiro de 2026, quando, ao apresentar a perspectiva conciliar abraçada pelos pontificados de seus predecessores, falou da atração citando estas palavras de Bento XVI: «A Igreja não faz proselitismo. Ela se desenvolve, antes, por “atração”: assim como Cristo “atrai a todos a si” com a força do seu amor, que culminou no sacrifício da Cruz, também a Igreja cumpre a sua missão na medida em que, unida a Cristo, realiza todas as suas obras em conformidade espiritual e concreta com a caridade do seu Senhor». O Papa Leão, depois de recordar que seu predecessor imediato «se encontrou em perfeita sintonia com esta abordagem e a repetiu várias vezes em diferentes contextos», acrescentava: «Hoje, com alegria, retomo-a e a partilho convosco. E convido a mim e a vós a prestarmos muita atenção ao que o Papa Bento indicava como a “força” que preside a esse movimento de atração: tal força é a Charis, é a Ágape, é o Amor de Deus que se encarnou em Jesus Cristo…».

Naquele discurso, Leão XIV afirmava: «O amor de Cristo nos impele na medida em que nos possui, nos envolve, nos cativa. Eis a força que atrai todos a Cristo... A unidade atrai, a divisão dispersa. Parece-me que a física também confirma isso, tanto no micro quanto no macrocosmo. Portanto, para sermos uma Igreja verdadeiramente missionária, isto é, capaz de testemunhar a força atrativa da caridade de Cristo, devemos sobretudo pôr em prática o seu mandamento, o único que Ele nos deu, depois de ter lavado os pés dos discípulos: “Como eu vos amei, assim também vós vos ameis uns aos outros”».

As palavras de Jesus a esse respeito apontam para o cerne da missão: «Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros». A unidade da Igreja manifesta-se, portanto, nessa capacidade de viver, pela graça, novas relações com os irmãos e irmãs. Manifesta-se nessa capacidade de amar-se e perdoar-se mutuamente, fazendo resplandecer a comunhão que, na experiência cristã autenticamente vivida, prevalece sobre qualquer diferença e divisão. Manifesta-se nessa capacidade de superar tensões e conflitos, reconhecendo-nos todos chamados, todos pecadores perdoados necessitados de misericórdia e servos inúteis, todos igualmente inundados por um amor infinito que não merecemos. Manifesta-se na capacidade de viver a sinodalidade, que nada mais é do que a forma concreta de estar em comunhão na Igreja.

É assim, é somente quando vive assim, que a comunidade cristã atrai. E atrai quando não é autocentrada, quando não pensa em brilhar com luz própria ou imita as estratégias de marketing das agências de publicidade, quando não fomenta a polarização ideológica. A comunidade cristã atrai, e é, portanto, missionária, quando reflete, por meio de sua unidade, a luz de Outro, sabendo oferecer a todos aquele abraço de misericórdia que ela mesma, em primeiro lugar, experimentou e continua a experimentar dia após dia no encontro com Cristo.

A unidade da Igreja não é conformismo nem uma vida tranquila, mas o fruto de um amor que nos envolve e deseja irradiar-se por toda parte, fazendo prevalecer o estar juntos sobre o protagonismo, a comunhão sobre a divisão, a mansidão sobre a prepotência, palavras de paz sobre a linguagem de ódio que, infelizmente, aflige grande parte do mundo digital. A unidade da Igreja não diz respeito apenas aos cristãos, nem apenas aos crentes. O Papa Leão explicou isso na Missa pelo início de seu ministério petrino, expressando «o grande desejo» de «uma Igreja unida, sinal de unidade e de comunhão, que se torne fermento para um mundo reconciliado», convidando o mundo a olhar para Cristo, a aproximar-se d’Ele, a ouvir «sua proposta de amor para nos tornarmos sua única família: no único Cristo, nós somos um. E este é o caminho a percorrer juntos, entre nós, mas também com as Igrejas cristãs irmãs, com aqueles que trilham outros caminhos religiosos, com quem cultiva a inquietação da busca de Deus, com todas as mulheres e homens de boa vontade, para construir um mundo novo em que reine a paz».

Em um momento dramático para a história da humanidade, em um mundo dilacerado pelas guerras, a unidade da Igreja é profecia de paz para todos.

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Fonte: vaticanews.va  Foto de arquivo: vaticanews.va

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Papa na catequese desta quarta-feira:

a Igreja não anuncia a si própria,
mas aponta para a salvação em Cristo

Continuando o ciclo de catequeses sobre a Constituição Dogmática "Lumen Gentium", Leão XIV dedicou sua catequese desta quarta-feira, 6 de maio, para a dimensão escatológica da Igreja, com frequência esquecida. "Somos chamados a considerar a dimensão comunitária e cósmica da salvação em Cristo e a voltar o nosso olhar para este horizonte final, a medir e a avaliar tudo a partir desta perspectiva."

Depois da viagem à África, o Papa retomou suas catequeses sobre os documentos conciliares, comentando hoje o Capítulo VII da Lumen Gentium. Neste tópico, a Constituição sobre a Igreja do Concílio Vaticano II reflete sobre uma das suas características definidoras: a dimensão escatológica.

"A Igreja, de fato, percorre esta história terrena sempre orientada para o seu objetivo final, que é a pátria celeste", explicou o Pontífice. Essa é uma dimensão essencial que, no entanto, muitas vezes é negligenciada ou minimizada porque se foca no que é imediatamente visível e nas dinâmicas mais concretas da vida da comunidade cristã.

Denunciar o mal em todas as suas formas

Povo de Deus que caminha na história, a Igreja tem o Reino de Deus como fim de todo o seu agir. Isto significa que ela não se identifica perfeitamente com o Reino de Deus, pois o cumprimento definitivo deste somente ocorrerá no fim dos tempos. Guardiã de uma esperança que ilumina o caminho, afirmou o Papa, é também investida da missão de pronunciar palavras claras para rejeitar tudo o que mortifica a vida e impede o seu desenvolvimento e a tomar posição em favor dos pobres, dos explorados, das vítimas da violência e da guerra e de todos os que sofrem, no corpo e no espírito.

“Sinal e sacramento do Reino, a Igreja é o povo de Deus em peregrinação na terra, que, partindo da promessa final, lê e interpreta a dinâmica da história a partir do Evangelho, denunciando o mal em todas as suas formas e anunciando, por palavras e ações, a salvação que Cristo deseja realizar para toda a humanidade e o seu Reino de justiça, amor e paz. A Igreja, portanto, não anuncia a si própria; pelo contrário, tudo nela deve apontar para a salvação em Cristo.”

Nenhuma instituição eclesial pode ser absolutizada

Nesta perspetiva, a Igreja é chamada a reconhecer humildemente a fragilidade humana e a transitoriedade das suas instituições, que, embora sirvam o Reino de Deus, transportam a imagem fugaz deste mundo (cf. LG, 48). "Nenhuma instituição eclesial pode ser absolutizada", recordou Leão XIV. Pelo contrário, já que vivem na história e no tempo, são chamadas à conversão contínua, à renovação das formas e à reforma das estruturas, à regeneração constante das relações, para que possam verdadeiramente corresponder à sua missão.

Na comunhão dos santos, formamos uma única Igreja

No contexto do Reino de Deus, outro ponto a ser compreendido é a relação entre os cristãos que cumprem a sua missão hoje e aqueles que já concluíram a sua existência terrena e se encontram em estado de purificação ou beatitude.

Lumen Gentium, de fato, afirma que todos os cristãos formam uma só Igreja, que existe uma comunhão e partilha dos bens espirituais fundada na união de todos os fiéis com Cristo, uma fraterna sollicitudo entre a Igreja terrena e a Igreja celeste. Ao rezarmos pelos defuntos e ao seguirmos os passos daqueles que já viveram como discípulos de Jesus, também nós somos amparados na nossa caminhada e fortalecemos a nossa adoração a Deus.

"Sejamos gratos aos Padres Conciliares por nos terem recordado essa dimensão tão importante e bela do ser cristãos, e procuremos cultivá-la nas nossas vidas", pediu o Santo Padre, ao concluir a sua catequese.

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Assista:

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va  Foto de arquivo: vaticanews.va

terça-feira, 5 de maio de 2026

Reflexão esclarecedora:

Está confusa porque casou de novo?

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Em prantos e olhos vermelhos de tanto chorar ela veio conversar com meu colega padre que trabalha com casais de segunda união. O colega padre voltava da missa na paróquia. Nesse ínterim atendi os dois: ele, viúvo, ela separada há cinco anos. O ex-marido já está com outra e com dois filhos da outra!

Ela ouvira um pregador super rígido que, literalmente, falou na mídia que não existe segunda união.

Literalmente disse que o viúvo está em pecado e que ela não pode coabitar com ninguém, mesmo que o ex esteja com outra. Literalmente sentenciou que os quatro estão em pecado.

O viúvo porque estava vivendo com ela; ela porque estava vivendo com o viúvo a nova mulher do ex-marido e o ex-marido porque está no segundo “casamento”.

Enfim, ouvira do rígido pregador que ela devia viver solteira até o fim da vida, porque não existe nem segundo casamento, nem segunda união!

Expliquei o que a Igreja pensa e o que o bispo permite na sua diocese e qual o papel dos padres e leigos que estudaram o Direito Canônico. É rígido, mas não insolúvel. Há muitos casos com solução.

A pessoa abandonada deve procurar ajuda não apenas na confissão, mas também na cúria diocesana. Lá se cuida das dores, conflitos, injustiças e lá se explica o que pastoral do matrimônio.

Não vale apenas a pregação de um padre radical. A igreja também é radical porque vai às raízes dos problemas. Uma coisa é o púlpito, outra o confessionário, outra a sala de consulta onde um padre advogado, ou um leigo advogado ajuda a distinguir as uniões de dada fiel. Os párocos sabem o endereço exato. É lá que se resolvem as primeiras e segundas uniões.

Hoje em dia há pregadores tão rígidos que acabam mandando para o inferno quem estava de novo no céu.

Dona D.A.R., que tinha marcas no queixo e no ombro direito da queda que levou escada abaixo, vítima de um ex-marido brucutu. Hoje ela separou-se e agora vive um céu com o novo companheiro, viúvo, pai de duas adolescentes que a amam como mãe. Merece o inferno?

A Igreja Católica tem solução para esses tipos de conflito. E a solução não é do padre brucutu nem do padre bonzinho demais. Está nesses três livros e na sala dos conselheiros da diocese.

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

O Papa nesta terça-feira:

a Igreja anuncia o Evangelho.
Se alguém me criticar, que o faça com sinceridade.

Em Castel Gandolfo, Leão XIV responde às perguntas dos jornalistas e comenta as últimas críticas do presidente dos Estados Unidos, Trump: “Há anos que a Igreja se pronuncia contra todas as armas nucleares. Espero ser ouvido pelo valor da palavra de Deus”. Sobre o encontro com o secretário de Estado dos EUA, Rubio, o Pontífice expressa a esperança de um “bom diálogo” para que “nos entendamos bem”.

“A missão da Igreja é anunciar o Evangelho, pregar a paz. Se alguém quiser me criticar por anunciar o Evangelho, que o faça com a verdade”. Depois do cardeal Pietro Parolin, nesta manhã, foi o próprio Papa Leão XIV a comentar as declarações de hoje do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a criticar o Pontífice.

Na saída da Villa Barberini, sua residência em Castel Gandolfo, Leão se deteve com o grupo de jornalistas e respondeu às perguntas: “Há anos a Igreja se pronuncia contra todas as armas nucleares, portanto, não há dúvida alguma a esse respeito”, disse o Papa, respondendo às afirmações de Trump, segundo as quais o Pontífice consideraria aceitável que o Irã possua armas nucleares, colocando em risco todos os católicos.

“Espero simplesmente ser ouvido pelo valor da palavra de Deus”, destacou Leão XIV, reiterando que “já falei desde o primeiro momento em que fui eleito e agora estamos próximos do aniversário. Eu disse: que a paz esteja convosco”.

Sobre o encontro com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, marcado para a manhã de quinta-feira, 7 de maio, o Papa expressou a esperança de que seja “um bom diálogo” para que “com confiança” e “com abertura” seja possível “nos entender bem”. “Acho que os temas pelos quais ele vem não são os de hoje. Vejamos...”, acrescentou Leão, referindo-se mais uma vez às declarações do presidente dos Estados Unidos. 

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Fonte: vaticanews.va  Foto de arquivo: vaticanews.va

segunda-feira, 4 de maio de 2026

O mês mariano:

a pedagogia da Virgem Maria e a força espiritual da Igreja 

Cardeal Orani João Tempesta - Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

O mês de maio estabelece um ritmo espiritual distinto e inconfundível na vida da Igreja Católica. A Tradição milenar consagra este período de trinta e um dias à veneração da Virgem Maria. A devoção mariana não representa um apêndice teológico, uma piedade periférica ou um enfeite litúrgico. Ela constitui o núcleo incandescente da experiência cristã. Maria garante a concretude da humanidade do Verbo Encarnado. Sem a sua aceitação livre, consciente e corajosa, o mistério da Salvação não atingiria a história humana. A Igreja dedica o mês de maio para mergulhar na compreensão daquela que gerou o próprio Deus, oferecendo aos fiéis uma escola permanente de fé e ortodoxia. 

Historicamente, a dedicação de maio à Virgem Maria remonta à Europa medieval e consolida-se na modernidade. O mês que marca o ápice da primavera no hemisfério norte simboliza a renovação da vida, o desabrochar das flores e a superação do inverno rigoroso. A Igreja assumiu essa simbologia natural e a elevou à ordem da graça. Maria representa o florescimento da redenção humana. No calendário litúrgico, este período habitualmente sucede a Oitava de Páscoa e pavimenta o caminho para a Solenidade de Pentecostes. Essa localização possui um significado teológico exato. Maria esteve fisicamente presente no Cenáculo. Ela sustentou a fé incipiente dos apóstolos, atemorizados após o drama da crucificação, e aguardou com eles a efusão do Espírito Santo. A vivência íntegra do mês mariano exige que o cristão assuma essa exata postura: uma expectativa vigilante, ancorada na certeza da ressurreição e inflamada pela coragem apostólica. 

A dinâmica pastoral do mês mariano opera através de práticas seculares que nutrem e sustentam a fé do povo de Deus. A recitação diária do Santo Rosário, o canto da Ladainha Lauretana e as tradicionais coroações de Nossa Senhora nas paróquias não configuram meros ritos folclóricos ou tradicionalismos vazios. O Rosário funciona como um compêndio perfeito do Evangelho. A cada mistério contemplado, o fiel medita os passos, o sofrimento e a glória de Cristo através dos olhos daquela que O conheceu com a intimidade absoluta de uma mãe. A Igreja reconhece no Rosário uma arma espiritual de eficácia histórica e comprovada contra as forças da desagregação moral, contra as crises familiares e contra a violência social. As comunidades e as famílias que assumem esta oração com seriedade e constância transformam o ambiente ao seu redor. 

O Magistério da Igreja reafirma a centralidade inegociável da Mãe de Deus na economia da salvação. O atual Sumo Pontífice, Papa Leão XIV, mantém firme a bússola de São Pedro ao apontar a Virgem de Nazaré como o antídoto supremo contra o narcisismo e o individualismo contemporâneos. O Papa Leão XIV ensina que Maria destrói a soberba do homem moderno exatamente pela via da obediência radical aos desígnios de Deus. Enquanto a cultura vigente exalta a autossuficiência egoísta e a rebelião contra qualquer autoridade, o exemplo mariano demonstra que a verdadeira grandeza e a autêntica liberdade humana residem na submissão irrestrita à vontade divina. A Igreja precisa respirar com este pulmão mariano para não sufocar na burocracia institucional ou no pragmatismo estéril de ações que esquecem a dimensão do sagrado. 

O aprofundamento deste período exige a compreensão dos dogmas que estruturam a figura de Maria. O Concílio de Éfeso, no ano 431, decretou Maria como Theotókos, a Mãe de Deus. Essa verdade dogmática protege a própria integridade da cristologia. Negar a maternidade divina de Maria significa fragmentar a pessoa de Jesus Cristo, separando a sua divindade de sua humanidade. O dogma da Imaculada Conceição proclama que Maria foi preservada da mancha do pecado original desde o primeiro instante de sua existência. Ela exibe o projeto original de Deus para a humanidade, não corrompido pela queda. A Assunção de Maria em corpo e alma aos céus antecipa a glória escatológica que aguarda a totalidade da Igreja. O povo simples, ao entoar os cânticos de maio e enfeitar os andores, defende essas verdades de fé com a mesma precisão e eficácia dos grandes tratados acadêmicos de teologia. 

A figura da Virgem impõe obrigações práticas e imediatas aos fiéis. A espiritualidade mariana autêntica rejeita a inércia e o comodismo espiritual. O Evangelho relata que, imediatamente após o anúncio do Arcanjo Gabriel, Maria partiu apressadamente para a região montanhosa da Judeia a fim de servir sua prima Isabel, que estava grávida em idade avançada. A verdadeira devoção exige a mesma pressa no serviço aos mais vulneráveis. O fiel que desfia o rosário nos bancos da igreja, mas ignora a fome do vizinho, a injustiça em seu ambiente de trabalho ou a exclusão dos marginalizados, frauda a própria fé. No episódio das bodas de Caná, Maria percebe a falta de vinho antes de qualquer outra pessoa e exige uma intervenção do seu Filho. O cristão precisa cultivar esse mesmo olhar clínico mariano para detectar as imensas faltas de vinho da sociedade atual: a miséria extrema, o desemprego estrutural, a desintegração das famílias e o abandono impiedoso dos idosos. 

O cântico do Magnificat explicita a força transformadora dessa mulher. Maria profetiza com clareza cristalina que o Senhor derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes; enche de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias. Este texto não permite uma leitura passiva ou alienada da fé. A Virgem Maria endossa a justiça divina que subverte as lógicas opressoras do mundo. A devoção mariana possui, portanto, uma inegável dimensão de transformação social, baseada na dignidade de cada filho de Deus. 

O mês mariano entrega aos fiéis um programa de vida robusto e estruturado. A Igreja orienta e exige de seus membros a intensificação rigorosa da oração pessoal, a frequência redobrada aos sacramentos da Eucaristia e da Confissão, e o engajamento prático em obras de caridade durante estas semanas. O cristão deve extrair da vivência de maio a reserva de força espiritual necessária para enfrentar as provações do ano inteiro. A consagração pessoal a Nossa Senhora forja homens e mulheres resilientes, dotados de uma fibra moral que os torna capazes de suportar a cruz sem ceder ao desespero. 

O Evangelho de São João atesta que Maria permaneceu de pé junto à cruz de Jesus. O mundo contemporâneo, marcado por guerras, colapsos éticos e desesperança, exige fiéis que permaneçam igualmente de pé diante das tragédias modernas. A Igreja precisa de católicos que sustentem a esperança nos ambientes onde a sociedade civil decreta a derrota absoluta. O mês de maio reafirma a promessa de que a vitória definitiva sobre a morte e sobre o mal pertence a Cristo, e a Tradição atesta que o caminho mais seguro, rápido e perfeito para alcançar o coração de Jesus passa, inevitavelmente, pelo Imaculado Coração de Sua Mãe. 

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Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va