Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim. Todas as vezes que falo, levanto a voz, clamando contra a maldade e invocando calamidades; a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro.
Disse comigo: “Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele”. Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo; desfaleci, sem forças para suportar.
— A minh’alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!
— A minh’alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!
— Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!/ Desde a aurora ansioso vos busco! / A minh’alma tem sede de vós,/ minha carne também vos deseja,/ como terra sedenta e sem água!
— Venho, assim, contemplar-vos no templo,/ para ver vossa glória e poder. / Vosso amor vale mais do que a vida;/ e por isso meus lábios vos louvam.
— Quero, pois, vos louvar pela vida,/ e elevar para vós minhas mãos!/ A minh’alma será saciada,/ como em grande banquete de festa;/ cantará a alegria em meus lábios,/ ao cantar para vós meu louvor!
— Para mim fostes sempre um socorro;/ de vossas asas à sombra eu exulto!/ Minha alma se agarra em vós;/ com poder vossa mão me sustenta.
Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus
E Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém, e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Então Pedro levou Jesus para um lado, e o repreendeu, dizendo: «Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!» Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: «Fique longe de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!»
Então Jesus disse aos discípulos: «Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta.
“É proibido proibir”. Hoje em dia existe o pensamento de que nada pode restringir o prazer e o poder. Privar-se de algum prazer é contrário ao que ensinam os grandes doutrinadores da sociedade – a publicidade, a televisão… “Chega de cristianismo triste! Para que sempre falar em cruz e sacrifício?”
No domingo passado vimos que Pedro, com entusiasmo, proclamou a fé em Jesus Messias. No evangelho de hoje, Jesus começa a ensinar que“o filho do Homem” vai sofrer e morrer. Ao ouvir essas palavras, Pedro fica indignado. Mas Jesus o repreende, porque pensa segundo categorias humanas e não segundo o projeto de Deus. Ensina-lhe que, para segui-lo, é preciso assumir a cruz. Séculos antes, Jeremias já experimentara a estranha lógica de Deus. Ele disse abertamente que Deus o “seduziu” para a tarefa ingrata de ser profeta (1ª leitura).
Os critérios humanos se opõem ao modo de proceder de Deus. O homem envereda pelo sucesso e pela eficiência, Deus pelo dom da própria vida. O caminho de Jesus e de seus seguidores é convencer o mundo do amor de Deus.
Deus não deseja “sacrificar pessoas” (como é praxe em estratégias militares e políticas). Apenas deseja que sejam testemunhas de seu projeto. Mas os que não concordam com este projeto matam os profetas, os enviados de Deus, quando estes querem ser fiéis à sua missão. Exemplos disto não faltam em nosso mundo. Por isso, quando Pedro protesta contra a ideia da morte de Jesus, este o vê do lado do grande “adversário”, Satanás: “Vai para trás de mim, Satanás, tu és uma pedra de tropeço para mim”. Pedro deve ir atrás de Jesus, em vez de seduzi-lo para um caminho que não condiz com o projeto de Deus (Satanás significa sedutor). Pedro pensava num Messias de sucesso, Jesus pensa no Servo Sofredor de Deus, que liberta o mundo por sua dedicação até a morte.
A lição que Pedro recebe ensina-nos a olhar para Cristo, para ver nele a lógica de Deus; a olhar para os pobres, para ver neles o resultado da estratégia do adversário… Pois o sucesso e a ganância produzem os porões de miséria.
Devemos analisar o sistema de Deus e o sistema do Adversário hoje. O sistema de Deus proíbe ao homem dominar seu irmão, porque Deus é o único “dono”, os sistemas contrários são baseados na dominação do homem pelo homem. Quem quiser ser mensageiro do Reino de Deus experimentará na pele a incompatibilidade com os sistemas deste mundo (2ª leitura). O mensageiro de Deus, seguidor de Jesus, será rejeitado pela sociedade como “corpo alheio”. Tomando consciência disso, vamos rever nossa escala de valores e critérios de decisão. A mania de sucesso, o prazer de dominar, de aparecer, de mandar… já não valem. Vale agora o amor fiel, que assume a Cruz, até o fim.
PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.
Os pais,
geralmente, vivem cercados por grandes projetos para o futuro dos filhos.
Desde cedo, pensam na escola, nos cursos, no aprendizado de idiomas, na
universidade e na profissão. Tudo isso é importante.
Mas jamais podemos esquecer uma pergunta fundamental: que pessoa
queremos formar? Não basta desejar filhos bem-sucedidos; mas,
aspirar pessoas humanamente maduras, moralmente bem formadas e de reto
caráter.
Educar não é
apenas preparar alguém para ser profissionalmente competente. É preparar para a
vida. Uma pessoa pode acumular conhecimentos, dominar tecnologias e alcançar
sucesso profissional e, ainda assim, não saber enfrentar uma frustração,
respeitar quem pensa diferente, cuidar de alguém fragilizado, agradecer,
perdoar ou encontrar sentido para a própria existência.
Na família, a
formação humana acontece, em grande parte, nas pequenas experiências do
cotidiano. Arrumar a própria cama pode ensinar responsabilidade. Ajudar nas
tarefas de casa ensina que todos devem colaborar. Esperar pelos demais para
iniciar uma refeição educa para a convivência. Visitar um avô ou uma pessoa
enferma ensina que ninguém perde sua dignidade porque envelheceu ou adoeceu.
Pedir desculpas mostra que reconhecer um erro não nos diminui. Evitar
desperdícios educa para o cuidado com a criação. Rezar juntos abre o coração
para reconhecer que a vida é dom.
São gestos
simples, mas possuem enorme força educativa.
Talvez um dos desafios
de nosso tempo seja justamente recuperar o valor dessas pequenas coisas em
nossos lares e nas relações familiares. Numa sociedade marcada pela pressa,
podemos morar na mesma casa e, ainda assim, encontrar pouco tempo para
verdadeiramente estarmos juntos. Presença não significa apenas
proximidade física. Estar presente é olhar, escutar, perceber o outro e
interessar-se pelo que ele está vivendo.
Às vezes, dez
minutos de atenção verdadeira valem mais do que horas de convivência
distraída.
Por isso, algumas
práticas muito simples precisam ser valorizadas em nossas famílias: conversar
durante uma refeição, perguntar como foi o dia e realmente ouvir a resposta,
brincar com as crianças, cozinhar juntos, visitar os avós, repartir tarefas,
preservar momentos de convivência e encontrar tempo para a oração.
É assim que se
educa a pessoa inteira.
Naturalmente,
desejamos que nossos filhos estudem, trabalhem, desenvolvam seus talentos e
construam uma vida digna. Mas desejamos algo maior: que sejam pessoas capazes
de amar, livres e responsáveis, honestas e solidárias; que saibam perder e
recomeçar; que respeitem os outros, cuidem dos mais frágeis e não reduzam a
felicidade ao dinheiro ou ao sucesso.
Nenhuma dessas
virtudes nasce de repente na vida adulta. Elas são cultivadas lentamente no
ambiente familiar, por meio da convivência, do exemplo e das escolhas de cada
dia.
A educação
possui muito dessa pedagogia silenciosa: pequenos gestos, repetidos
cotidianamente, transformam-se em hábitos; os hábitos consolidam valores; e os
valores, pouco a pouco, formam o caráter.
Talvez não
possamos oferecer aos filhos tudo aquilo que desejamos. Podemos, porém,
oferecer-lhes algo indispensável: presença, exemplo, tempo, limites, afeto
e valores capazes de acompanhá-los pela vida inteira. E assim, nas
pequenas coisas de cada dia, que ajudamos a formar pessoas capazes não apenas
de construir o próprio futuro, mas também de tornar melhor o mundo ao seu
redor.
Leão XIV dedicou
a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (26/08) às razões que levaram
o Concílio Vaticano II a promover a reforma litúrgica. O Pontífice destacou que
a liturgia é uma realidade viva, inserida na tradição da Igreja, e deve favorecer
a participação consciente, ativa e piedosa. "Os fiéis não podem nem devem
continuar a permanecer em silêncio e passivos. A sua presença material não pode
coexistir com a sua ausência espiritual", afirmou.
A reforma
litúrgica não surgiu de maneira repentina nem representou uma ruptura com o
passado. Foi o que afirmou o Papa Leão XIV na Audiência Geral desta
quarta-feira, 26 de agosto, realizada na Basílica de São Pedro, em sua última
catequese dedicada à Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio
Vaticano II. Segundo o Pontífice, esse caminho amadureceu no interior da
Igreja e foi preparado pelo Movimento Litúrgico e pelo Magistério ao longo do
século XX. Ao retomar as razões da reforma, Leão XIV recordou uma carta de 1962
do então arcebispo de Milão, cardeal Giovanni Battista Montini, futuro São
Paulo VI, que definia a liturgia como expressão do divino e do humano e como
voz do diálogo com Deus.
Fiéis não podem
permanecer passivos
Na carta,
Montini afirmava que os fiéis “não podem nem devem continuar a permanecer em
silêncio e passivos” e que a presença material não pode coexistir com a
ausência espiritual. Leão XIV observou que essas palavras estão em sintonia com
a Sacrosanctum Concilium, que pede aos cristãos que não entrem no mistério
da fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem da ação sagrada de
modo consciente, ativo e piedoso:
“Uma vez que os
gestos e as palavras da sagrada liturgia são decisivos para concretizar esta
experiência, a participação dos fiéis não pode ser passiva.”
Por meio das
ações rituais da Igreja, explicou o Papa, realiza-se a memória da obra da
salvação e os fiéis podem viver uma verdadeira relação com Deus, entrando em
contato com o acontecimento salvífico. Os gestos e as palavras da celebração
são, portanto, essenciais para que essa experiência se concretize.
A liturgia, uma
realidade viva
Ao colocar no
centro o que constitui o cerne da experiência eclesial, a reforma buscou tornar
a riqueza dos textos bíblicos e das orações mais acessível a todos os fiéis e
simplificar a estrutura das celebrações em relação à prevista nos livros
litúrgicos então em vigor:
“A reforma
conciliar, ao colocar no centro aquilo que constitui o cerne da experiência
eclesial, procurou fazer resplandecer a liturgia como ‘fonte primeira da vida
divina que nos é comunicada’.”
A liturgia,
recordou Leão XIV, é uma realidade viva e esteve sempre sujeita a evoluções e
mudanças. Com respeito pelo patrimônio da tradição, o Concílio distinguiu os
elementos divinos e imutáveis daqueles que podem ser modificados com o passar
do tempo, para que os textos e os ritos expressem com maior clareza as
realidades santas e favoreçam uma celebração plena, ativa e comunitária. Essa
distinção, acrescentou, já havia sido apresentada por Pio XII na
encíclica Mediator Dei, de 1947.
Um caminho
preparado antes do Concílio
O desejo de uma
“reforma geral” não surgiu de repente, observou Leão XIV, mas já se manifestava
na ação dos Papas desde o início do século XX, em sintonia com as solicitações
do Movimento Litúrgico. A constituição apostólica Divini Cultus, de Pio
XI, também já havia retomado a necessidade de os fiéis não assistirem às
celebrações como estranhos ou espectadores mudos. Pio XII, por sua vez,
reorganizou os ritos da Semana Santa, recolocando-os nos horários
correspondentes aos acontecimentos pascais, depois de terem sido antecipados
por séculos para o período da manhã. São João XXIII também promoveu uma
simplificação das rubricas do Breviário e do Missal por meio do motu
proprio Rubricarum instructum, de 25 de julho de 1960, remetendo ao futuro
Concílio Ecumênico a definição dos princípios fundamentais de uma reforma
litúrgica.
Tradição viva da
Igreja
Esse percurso
histórico, explicou o Pontífice, ajuda a compreender a reforma litúrgica em
continuidade com a vida da Igreja. Leão XIV advertiu, porém, que alguns
princípios da reforma foram absolutizados ou interpretados de maneira
equivocada no período pós-conciliar: “A reforma litúrgica promovida pelo
Concílio Vaticano II se insere, portanto, na tradição viva da Igreja.”
Uma compreensão
correta da reforma, acrescentou, permite rejeitar esses abusos. O Papa recordou
ainda que as ações litúrgicas não são privadas, mas celebrações da Igreja, povo
santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos. Elas pertencem a todo o Corpo
da Igreja e o manifestam.
Uma liturgia de
nobre simplicidade
Ao concluir a
catequese, o Santo Padre ressaltou a responsabilidade dos bispos e de cada
sacerdote de zelar pela liturgia e promovê-la no respeito às normas, para que
as celebrações manifestem a Igreja una, santa, católica e apostólica:
“É, portanto,
responsabilidade primordial dos pastores, dos bispos, mas também de cada
sacerdote, zelar e promover uma liturgia que, no respeito pelas normas
litúrgicas, brilhe por sua nobre simplicidade e manifeste assim a Igreja una,
santa, católica e apostólica.”
Uma liturgia
assim, concluiu Leão XIV, torna-se um veículo fundamental de evangelização e um
instrumento de graça, por meio do qual os fiéis aprendem a oferecer a si mesmos
e, pela mediação de Cristo, crescem na unidade com Deus e entre si.
Política
partidária no púlpito ou no altar? Não! Padres candidatos? O bispo decide! Leigos
candidatos? Não só podem como devem! Padres não devem dizer em quem votar. Mas
devem mostrar as orientações da nossa Igreja e deixem o povo decidir de maneira
serena.
_____________________________
RELIGIÃO e
POLÍTICA REALMENTE NÃO SE MISTURAM, mas não se iluda: a Igreja sempre pediu que
os leigos se envolvam na administração da coisa pública.
Só rezar não
basta. Os leigos qualificados uma vez eleitos devem agir para fazer leis mais
justas!
Se algum
pregador radical lhe ensinou errado, ouça os bispos. Sim, a igreja faz política
sim! Jesus não aderiu a nenhum dos nove partidos em Israel, mas pregou em favor
de políticas mais justas. Se você nunca leu isso é porque você não tem lido
direito o Novo Testamento.
Além disso há um
livro chamado COMPÊNDIO DE DOUTRINA SOCIAL, o documento 16 do Concilio de 60
anos atrás; e há mais de 46 encíclicas que falam de POLÍTICA e das necessidades
do povo!
Então, não é
honesto ensinar aos féis que política é coisa do demônio! Pode ser coisa de
Deus! Depende de nós denunciar e mudar o que está injusto!
***
Muitos santos
foram políticos e até morreram pelo povo. Na Bíblia fala-se de bons e maus reis.
No cristianismo
houve muitos bons políticos, hoje venerados como santos entre os quais, reis,
rainhas, príncipes e advogados. Fizeram política honesta.
***
Seu catequista
ou palestrante padre ou leigo exagerou ou não estudou direito a Moral Católica.
***
Há rios limpos
que acabam sujos e há rios sujos que acabam limpos.
Pode-se
purificar a política e pode-se purificar a religião, porque também há
pregadores fanáticos pró direita ou pró esquerda que andam caluniando o Papa, a
CNBB e todos os padres porque ousam pregar a Doutrina Social. Podemos e devemos
falar de política no devido lugar e na ocasião adequada!
Mas a missa não
é este lugar!
Santo Ambrósio
foi prefeito de Milão! Thomas Morus morreu por defender a Igreja contra um rei
devasso e ditatorial.
Faz 150 anos,
que, desde Leão XIII até Leão XIV, a Igreja ensina que católicos devem fazer
política.
Faça você também,
ao invés de ver o demônio em tudo!
Igreja
purificada e política purificada? Isto depende do povo daquela região. Não
culpemos os rios, nem aquelas águas.
É claro que
padre não deve servir a nenhum partido. Isto depende do bispo!
Culpemos os
católicos pessimistas e detonadores que não aprenderam o que era a POLIS, ou o
CIVES na Grécia e em Roma
“Polis”
significava CIDADE. “Urbis” também. Ora, alguém tem que administrar um povo,
uma cidade, uma aldeia e até um condomínio!
A igreja vê isso
como um chamado de Deus.
Então, mude seu
coração e sua mente. Se quer ajudar seu povo, faça mais do que adorar Jesus. Vá
servir o povo do seu país ou da sua cidade.
Meta-se em
política! Só não se torne fanático adorando um político ou um partido.
Seja inteligente!
Nem tudo é do demônio. Servir o povo é coisa de Deus.
Em uma mensagem
assinada pelo secretário de Estado, cardeal Parolin, o Papa saúda os
participantes da 76ª Semana Litúrgica Nacional, que ocorre em Catânia – sul da
Itália - de 24 a 27 de agosto, e destaca a “importância especial” que o tema
escolhido, liturgia e iniciação cristã, reveste hoje na vida da Igreja. O
Pontífice encoraja os responsáveis pela pastoral a ensinar a “riqueza dos
gestos litúrgicos”, dos quais brotam a “comunhão” e a “reconciliação”.
Somente uma fé
que brota e é forjada pela liturgia é capaz de alcançar as “ruas da humanidade”
e trazer “frutos de bem, de reconciliação e de paz” . Esse é o cerne da
mensagem, assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, que Leão
XIV faz chegar, por meio do arcebispo metropolita de Catanzaro, dom Claudio
Maniago, aos participantes da 76ª Semana Litúrgica Nacional, que ocorre em
Catânia, na Sicília, sul da Itália, de 24 a 27 de agosto. O Pontífice define o
tema do encontro, “Uma Igreja que gera. Liturgia e Iniciação Cristã”, como de
“especial importância”, retomando as palavras que proferiu aos bispos italianos
durante a 82ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana.
A Igreja nasce
da liturgia e da catequese
A iniciação
cristã, baseada na oferta catequética, argumenta o Bispo de Roma, não deve ser
concebida como mera “preparação para os sacramentos”, mas deve ser, antes, o
“ventre” no qual uma comunidade gera para a fé e “introduz à vida pascal”. Foi
justamente essa sinergia entre catequese e celebração que caracterizou as
origens da vida da Igreja: os irmãos absorviam, por um lado, “o ensinamento dos
Apóstolos” e, por outro, partiam o pão juntos, “na comunhão”. Leão XIV convida,
portanto, a retornar a essa fonte, “reforçando e, quando necessário,
recuperando, na formação cristã, o valor da Liturgia, na qual o mistério de
Cristo nos envolve, nos transforma e nos faz nascer como criaturas novas”.
Um tema que o
próprio Pontífice escolheu aprofundar em suas catequeses semanais, durante a
audiência geral de quarta-feira, centradas nos grandes documentos do Concílio
Vaticano II, entre os quais a Sacrosanctum Concilium: a constituição
conciliar que destaca como a “liturgia cristã” não é um simples “revestimento
exterior do mistério sacramental”, mas “a mediação eclesial por meio da qual o
dom divino nos alcança”. Daí a importância de recuperar a “gestualidade” e a
“simbolística litúrgica”, educando o povo de Deus — e especialmente aqueles que
estão dando os primeiros passos no caminho da fé — a estilos de celebração que
“favorecem a abertura do coração à ação atual e real de Deus em nós”.
Uma celebração
autêntica traz frutos de caridade
A liturgia
celebrada pela Igreja é uma educação contínua para a comunhão. Para que essa
transmissão seja eficaz, é necessário ensinar a cultivar a “sobriedade solene
dos gestos litúrgicos”, ajudando as pessoas a compreender o significado dos
ritos “em toda a sua riqueza”. O teste decisivo da autenticidade de toda
celebração, como reiterava o Papa Francisco na carta apostólica Desiderio
desideravi, é sua capacidade de evangelizar, ou seja, de produzir, em última
instância, um “testemunho de caridade”.
Mas a liturgia é
também “um lugar privilegiado para a escuta da Palavra de Deus”, que a Igreja
oferece aos fiéis ao proclamar os textos sagrados e explicá-los. Nesse sentido,
observa o Pontífice, o Concílio Vaticano II deu uma enorme contribuição para o “enriquecimento
da quantidade e variedade dos textos”, um patrimônio do qual devemos “fazer
tesouro”. É “fundamental” torná-lo conhecido àqueles que se aproximam da
iniciação cristã, fornecendo-lhes instrumentos interpretativos adequados, que
os tornem capazes de “mergulhar frequentemente” na riqueza da Palavra.
No final da
mensagem — antes de confiar à intercessão de Maria o “pleno bom êxito” dos
trabalhos da assembleia —, o Papa resume as atitudes necessárias para que a
liturgia possa representar um “espaço gerador” da iniciação cristã. Os
responsáveis pela pastoral devem “ter a peito” o acolhimento, ensinar o
significado dos mistérios sagrados e zelar para que a celebração litúrgica
traga de fato frutos concretos na vida, promovendo a caridade e a
reconciliação.