domingo, 31 de maio de 2026

Leão XIV no Angelus desta manhã:

polarizações e desprezo pelas diferenças levam à destruição

"Hoje, porém, queridos irmãos e irmãs, é festa! A festa de Deus é a nossa festa", disse Leão XIV em sua alocução antes de rezar o Angelus. "Quem não acolhe este Espírito, envelhece cedo, na lamentação; encontra-se sozinho, nunca tem alegria no coração".

Uma circulação de amor que vivifica e une as três Pessoas divinas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Assim, no Angelus deste domingo, que encerra o mês tradicionalmente dedicado à Virgem Maria, Leão XIV explica aos milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, o significado da Solenidade da Santíssima Trindade celebrada neste domingo, 31 de maio. Um amor sempre ardente ao qual a humanidade pode recorrer para criar unidade, para além de todas as barreiras do ódio.

A vida em Jesus é uma comunhão dinâmica e fecunda

A Igreja, observa o Papa em sua reflexão, é "sacramento de comunhão, espaço de encontro". Portanto, é um reflexo desse amor trinitário alimentado pelo fogo do Espírito. Esse Espírito de que Jesus falou a Nicodemos é relembrado na Liturgia, cuja noite foi iluminada "com a verdade que, na festa de hoje, ressoa em todas as nossas igrejas":

“Quem não acolhe este Espírito, envelhece cedo, na lamentação; encontra-se sozinho, nunca tem alegria no coração. Hoje, porém, queridos irmãos e irmãs, é festa! A festa de Deus é a nossa festa.”

Ao celebrarmos hoje o Mistério do Deus Trindade, é-nos oferecida a oportunidade de repensar o caminho percorrido, a partir do seu centro: a vida de Deus que nos foi dada em Jesus Cristo. Esta vida é uma comunhão dinâmica, inesgotável e fecunda, que agora nos envolve: o Espírito que une o Pai e o Filho foi, efetivamente, derramado nos nossos corações, de modo que no mundo toma forma a Igreja, sacramento de comunhão, espaço de encontro, de amor e de vida, onde o céu e a terra já se tocam.

A Trindade nos faz amar tudo e todos

Nicodemos era membro do Sinédrio, o Conselho dos chefes de Israel. O Pontífice recorda como ele não se juntou ao coro de desprezo por Jesus, convidando, em vez disso, a todos a ouvi-lo antes de o condenarem. Ele havia vivenciado um encontro que o transformaria profundamente, abrindo seu coração "para a nova verdade e a verdadeira novidade", a da vida em Cristo. Leão XIV nos exorta a reviver a jornada de Nicodemos e a celebrar com um espírito de alegria:

A vida de Deus é maravilhosa e envolvente, traz paz ao nosso coração, muitas vezes tão inquieto, e faz-nos encontrar irmãos e irmãs na alegria do Espírito. A Trindade leva-nos a amar tudo e todos: descobrimos que cada criatura foi feita para a comunhão, a relação, o encontro. E, por contraste, compreendemos por que razão as divisões, as polarizações e o desprezo pelas diversidades trazem ao mundo destruição, tristeza e aridez.

Papa Leão XIV
Angelus
Praça de São Pedro
Solenidade da Santíssima Trindade
31 de maio de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!

Há uma semana, com a solenidade de Pentecostes, concluiu-se o Tempo Pascal. Ao celebrarmos hoje o Mistério do Deus Trindade, é-nos oferecida a oportunidade de repensar o caminho percorrido, a partir do seu centro: a vida de Deus que nos foi dada em Jesus Cristo. Esta vida é uma comunhão dinâmica, inesgotável e fecunda, que agora nos envolve: o Espírito que une o Pai e o Filho foi, efetivamente, derramado nos nossos corações, de modo que no mundo toma forma a Igreja, sacramento de comunhão, espaço de encontro, de amor e de vida, onde o céu e a terra já se tocam.

O Evangelho da Liturgia de hoje (Jo 3, 16-18) apresenta-nos Nicodemos, uma importante personalidade de Israel, que se sentiu profundamente atraído por Jesus. Tanto assim que foi ter com Ele – à noite, para não ser visto –, ansioso por conhecer melhor este misterioso Mestre e de fazer-lhe algumas perguntas. Recebendo-o, o Senhor deu importância à sua busca. Surpreendeu-o, declarando-lhe que também um adulto podia renascer e deixou-o intuir que a vida de Deus poderia transformar a sua vida. Jesus falou a Nicodemos sobre o Espírito Santo, iluminou a sua noite com a verdade que, na festa de hoje, ressoa em todas as nossas igrejas: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (v. 16). E ainda: «Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele» (v. 17).

Caríssimos, no Mistério de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, estamos em casa, tal como Nicodemos sentiu-se em casa junto de Jesus. A vida de Deus é maravilhosa e envolvente, traz paz ao nosso coração, muitas vezes tão inquieto, e faz-nos encontrar irmãos e irmãs na alegria do Espírito. A Trindade leva-nos a amar tudo e todos: descobrimos que cada criatura foi feita para a comunhão, a relação, o encontro. E, por contraste, compreendemos por que razão as divisões, as polarizações e o desprezo pelas diversidades trazem ao mundo destruição, tristeza e aridez.

Nicodemos fazia parte do Sinédrio, o Conselho dos chefes de Israel. Quando ouviu ali palavras de desprezo contra Jesus, convidou todos a ouvi-lo antes de o condenarem. Tinha recebido de Deus, por intermédio do próprio Cristo, o Espírito de comunhão, que abre o coração à nova verdade e à verdadeira novidade. Quem não acolhe este Espírito, envelhece cedo, na lamentação; encontra-se sozinho, nunca tem alegria no coração. Hoje, porém, queridos irmãos e irmãs, é festa! A festa de Deus é a nossa festa. Por isso, São Paulo escreve aos Coríntios: «sede alegres, tendei para a perfeição, confortai-vos uns aos outros, tende um mesmo sentir, vivei em paz e o Deus do amor e da paz estará convosco» (2 Cor 13, 11).

E agora, com a oração do Angelus, dirigimo-nos à Virgem Maria: que no seu “sim” à Vontade divina floresça também o nosso “sim” ao amor da Santíssima Trindade.

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Assista:

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Papa no final da tarde no Vaticano:

que Deus ilumine 

a consciência de quem pode decidir sobre a paz

Após a oração do Angelus, Leão XIV recordou que durante o mês maio, pela "corrente ininterrupta" do Rosário, a Igreja invocou a paz, confiando "os povos martirizados pela guerra" à intercessão de Maria. Rezou para que a Sabedoria divina ilumine a consciência das autoridades para a busca do fim dos conflitos.

No final da tarde de sábado, o Papa Leão XIV rezou na Gruta de Lourdes dos Jardins Vaticanos, pedindo a intercessão da Virgem Maria pelo dom da paz, que é um dom de Deus. Junto com ele nos Jardins Vaticanos, cerca de 20 mil fiéis, acompanhados por outros cem mil espalhados por mais de 200 santuários ao redor do mundo. que acompanhavam a oração pela TV.

Um dia depois, na Praça São Pedro, diante de 20 mil fiéis vindos de várias partes do mundo, o Pontífice voltou a insistir no tema da paz, com particular referência a quem detém autoridade:

Neste mês de maio, toda a Igreja elevou uma prece comum pela paz. Especialmente através da oração do Santo Rosário, como uma corrente ininterrupta, confiou à intercessão da Virgem Maria os povos martirizados pela guerra. Que a Sabedoria Divina ilumine a consciência de quem detém autoridade e oriente as decisões para a busca sincera de uma paz justa e duradoura.

"Dia do Alívio": propaguem a proximidade e o cuidado

O Santo Padre recorda depois, que neste domingo a Itália celebra o 25º "Dia do Alívio", intitulado este ano "Eu Cuido".

Sinto-me próximo das pessoas doentes e de todos os que cuidam delas; agradeço e encorajo quem promove a cultura da proximidade e do cuidado.

Promovido pelo Ministério da Saúde, pela Conferência das Regiões e das Províncias Autônomas e pela Fundação Nacional "Gigi Ghirotti", este Dia contará com iniciativas de informação e sensibilização destinadas a propagar a cultura do alívio do sofrimento físico e mental, com especial atenção aos cuidados paliativos, à gestão da dor, à humanização dos cuidados e à formação de voluntários para apoiar os doentes e as suas famílias.

Maria, Mãe da Justiça Social

Entre as diversas saudações, também aquela dirigida aos participantes da grande peregrinação ao Santuário de Piekary, na Polônia, onde Maria é venerada como Mãe da Justiça Social.

Este local de culto foi dedicado a Maria no século XVII. Segundo a tradição, a peregrinação dos jovens e homens se realiza em maio, com dezenas de milhares de participantes, enquanto a das jovens e mulheres ocorre no mês de agosto.

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Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media)

Reflita com dom Paulo Mendes Peixoto:

Mistério da excelência

A palavra “mistério” parece ser alguma coisa escondida e está em segredo. Dizemos que Deus, para nós, é um mistério, porque não é visto, a não ser na pessoa do outro, porque ele é sua imagem e semelhança. Talvez pudéssemos falar que existe uma excelência no mistério de Deus-Pai, humanizado na Pessoa de Jesus Cristo e agora presente na história através da ação concreta do Espírito Santo. 

A excelência do mistério da Santíssima Trindade acontece no exercício da vida fraterna e na maneira como as comunidades cristãs vivem o Amor. Ela deve ter o reflexo da forma como se relacionam, na Trindade Divina, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Neste contexto, a palavra que tem maior expressividade é a “unidade”, com profundo respeito pela natural diversidade entre as pessoas. 

A prática da unidade exige renúncias, superação de atitude individualista e fechamento ao outro. As consequências são saudáveis e de alegria, porque faz bem conviver bem, principalmente quando a vivência do Batismo e a prática da fé são colocadas em compromissos comunitários. O isolamento dificulta a unidade e causa desconforto na vida de quem conta com a participação de todos na convivência. 

Creio que podemos dizer de mistério da excelência o fato de Deus entregar a Moisés as Tábuas da Lei, os Dez Mandamentos do Decálogo, atualizando a promessa de Aliança que tinha feito com o nômade Abraão no primitivo tempo histórico do Mistério da Salvação. Mistério que se revela como relação entre o divino e o humano. Deus se fez próximo, mesmo preservando o mistério de sua existência. 

Deus realmente é mistério para todos os humanos, por ser perfeito e onipotente, exigindo dos crentes uma verdadeira atitude de fé e de abandono nesse grande mistério. Acontece que o ser humano também não deixa de ser mistério, pois ninguém conhece a si mesmo de modo totalmente perfeito. A vida toda é espaço de conhecimento, de trabalho e de amadurecimento, com auxílio da tecnologia. 

Nesse mistério da excelência de Deus está presente, como objetivo, o mistério da salvação, que acontece através da mediação de Jesus Cristo. Agora é encontrar, nos sinais realizados por Jesus, as motivações para uma fé madura, com prática comunitária, no caminho de salvação, nossa incorporação ao amor divino. Assim devemos saber que a Trindade não é para ser entendida, mas vivida.

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)

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Fonte: cnbb.org.br     Imagem: (@Vatican Media)

Reflexão para este domingo:

Deus é de todos

José Antonio Pagola

Poucas frases terão sido tão citadas como esta que o Evangelho de João coloca nos lábios de Jesus. Os autores veem nela um resumo do essencial da fé, tal como era vivida entre os poucos cristãos nos começos do século II: “Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único”.

Deus ama o mundo inteiro, não só aquelas comunidades cristãs às quais chegou a mensagem de Jesus. Deus ama todo gênero humano, não só a Igreja. Deus não é propriedade dos cristãos. Não deve ser monopolizado por nenhuma religião. Não cabe em nenhuma catedral, mesquita ou sinagoga.

Deus habita em todo ser humano acompanhando cada pessoa em suas alegrias e desgraças. Não deixa ninguém abandonado, pois tem seus caminhos para encontrar-se com cada qual, sem que tenha que seguir necessariamente os caminhos que nós lhe indicamos. Jesus o via cada manhã “fazendo surgir o Sol sobre bons e maus”.

Deus não sabe nem quer, nem pode fazer outra coisa senão amar, pois, no mais íntimo de seu ser, Ele é amor. Por isso diz o Evangelho que Ele enviou seu Filho único, não para “condenar o mundo”, mas para que “o mundo se salve por meio dele”. Deus ama o corpo tanto como a alma, e o sexo tanto como a inteligência. O que Ele deseja unicamente é ver já, desde agora e para sempre, a humanidade inteira desfrutando de sua criação.

Este Deus sofre na carne dos famintos e humilhados da Terra; está nos oprimidos defendendo sua dignidade e nos que lutam contra a opressão dando ânimo a seu esforço. Está sempre em nós para “buscar e salvar” o que nós deturpamos e deixamos se perder.

Deus é assim. Nosso maior erro seria esquecê-lo. Mais ainda, fechar-nos em nossos preconceitos, condenações e mediocridade religiosa, impedindo as pessoas de cultivar esta fé primeira e essencial. Para que servem os discursos dos teólogos, dos moralistas, dos pregadores e dos catequistas, se não despertam o louvor ao Criador, se não fazem crescer no mundo a amizade e o amor, se não tornam a vida mais bela e luminosa, lembrando que o mundo está envolto nos quatro lados pelo amor de Deus?

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 30 de maio de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 31 - Solenidade da Santíssima Trindade

Ação de Graças pelos 176 anos da Paróquia São José

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

15h - Encontro de formação para membros e agentes da Pastoral do Batismo

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Papa à Igreja no Brasil:

olhar para as famílias com realismo e compaixão

O 16º Simpósio Nacional das Famílias deste fim de semana, no Santuário de Aparecida, ganhou reflexão de Leão XIV. E mensagem em vídeo aos 3 mil participantes, o caminho que a Igreja deve percorrer: "é preciso olhar para as famílias com realismo e compaixão, sabendo das inúmeras dificuldades que as afligem, isto é, das suas fragilidades, crises, angústias e tantas outras situações de sofrimento. Tudo isso exige da Igreja e agentes de pastoral abordagem misericordiosa e prudente discernimento".

“Caríssimas famílias, com grande alegria dirijo esta mensagem a todos os participantes desse Simpósio Nacional organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil na Casa da Mãe Aparecida, lugar especial para todos os brasileiros e também para os católicos do mundo inteiro. Sinto-me em profunda sintonia com vocês e com os trabalhos que juntos desenvolvem, com a oração e a reflexão de cada um, sobre um tema de tamanha relevância: a família.”

O próprio Papa Leão XIV, falando num português bem claro e articulado, fez questão de participar do 16º Simpósio Nacional das Famílias que está sendo realizado neste final de semana no Centro de Eventos Padre Victor Coelho de Almeida, no Santuário Nacional em Aparecida, São Paulo. Através de uma mensagem em vídeo, o Pontífice se dirigiu a todos os envolvidos na Pastoral Familiar do Brasil e àqueles dos movimentos, serviços, novas comunidades e, especialmente, às famílias participantes que decidiram se aprofundar no tema. De fato, neste ano, o evento celebra o aniversário de duas exortações apostólicas que são os pilares da Pastoral Familiar moderna: os 10 anos de Amoris laetitia, do Papa Francisco, e os 45 anos de Familiaris consortio, de São João Paulo II. Ao analisar os documentos, o evento quer mostrar que a Doutrina da Igreja sobre a família é viva e atual, unindo a sabedoria do Papa polonês com o olhar acolhedor do Pontífice argentino:

Papa à Igreja no Brasil: olhar para as famílias com realismo e compaixão

"A Igreja ensina que a família é a «primeira e essencial célula da sociedade» e, por isso, deve ser protegida e promovida. Chamada a anunciar o amor de Deus no mundo de hoje, a singular comunidade de pessoas formada por um homem e uma mulher, de tal modo unidos no amor que se tornam «uma só carne», só compreende plenamente a sua identidade quando olha para o Senhor Jesus e o sacrifício que Ele fez de si mesmo sobre a cruz em favor da sua Esposa, a Igreja (cf. Ef 5, 21-33; São João Paulo II, Familiaris consortio, 13). É em Cristo que aprendemos a ver no outro a imagem de Deus, amando o próximo como Ele nos amou (cf. Jo 13, 34)."

Leia também:

Simpósio Nacional das Famílias em Aparecida

reforça a vocação que nasce no lar

O caminho da Igreja é o da misericórdia pastoral

Em vídeo, o Papa Leão XIV também procurou alertar sobre as dificuldades e os desafios enfrentados pelas famílias, demonstrando também a sua preocupação em relação ao bem vivido dentro dos lares, que como o próprio Papa Francisco chamou a atenção em Amoris laetitia, é um fator decisivo para o futuro tanto do mundo como da Igreja. Por isso, a Igreja precisa percorrer o caminho da misericórdia de Deus para integrar todas as pessoas incondicionalmente, a luz do Evangelho e com discernimento pastoral cheio de amor misericordioso:

“É preciso olhar para as famílias com realismo e compaixão, sabendo das inúmeras dificuldades que as afligem, isto é, das suas fragilidades, crises, angústias e tantas outras situações de sofrimento. Tudo isso exige da Igreja e dos agentes de pastoral uma abordagem misericordiosa e um prudente e maduro discernimento.”

"Portanto, estejamos atentos ao exemplo da Sagrada Família de Nazaré. As pequenas e fundamentais virtudes do lar em que Jesus nasceu e cresceu, aprendendo com São José e a Virgem Maria, devem servir de inspiração e modelo para todos os nossos lares e ser a fonte onde se busca a verdadeira paz. De fato, como indicou Bento XVI, a família desempenha uma missão primordial e insubstituível como «educadora para a paz». Em vista disso, caríssimos irmãos e irmãs, como penhor dos mais abundantes dons celestiais e por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, envio a minha bênção aos Bispos, aos participantes desse Simpósio e a todas as famílias. Deus vos abençoe!"

Andressa Collet - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media)

Reflexão para este sábado:

Altíssimo, Onipotente e Bom Senhor

Frei Almir Guimarães

Vós sois nossa esperança, Vós sois nossa fé, Vós sois nossa caridade, Vós sois toda nossa doçura, Vós sois nossa vida eterna: grande e admirável Senhor, Deus onipotente, misericordioso salvador” (São Francisco de Assis)

Ao dirigir-se ao Senhor, Francisco de Assis mostrava desmedida admiração. Não encontrava palavras que fossem capazes de descrever esse Mistério insondável de amor que é a Trindade: altíssimo, onipotente, bom, ternura, paz… Aproximamo-nos sempre de Deus com imenso respeito. Pedimos que ele se digne nos olhar com complacência. Temos certeza do amor dessa Trindade. Não receamos nos lançar em seu abismo de caridade. Festa de Deus, insondável abismo de Deus. Um Deus em Três pessoas. Uma fornalha de dom entre as Pessoas.

Nosso coração anseia pelo Numinoso. Vivemos irrequietos enquanto nele não descansarmos. Deus está para além do que podemos ver, ouvir, alcançar. Chamamo-lo de Tu, numinoso, simplesmente Deus. Pena que a palavra parece gasta e já não nos fala às entranhas. Altíssimo e Bom Senhor, sempre buscado e nunca alcançado. Chama a nos atrair.

Moisés estava diante de um arbusto que ardia e não se consumia. Calor, fogo que cega, queima e aquece. Ele é convidado a tirar as sandálias dos pés porque santa era a terra em que estava pisando.

Isaías tem uma visão no templo. O três vezes santo está num trono elevado, circundado pelos anjos que o adoram. O profeta sente todo o peso de sua indignidade. Tem certeza de seu pecado. Um serafim toma um brasa e queima os lábios do profeta para que possa dizer com candura e limpeza interior: Santo, Santo, Santo.

Elias está desanimado com tanta oposição que lhe é feita. Retira-se do campo de batalha, de sua pregação e de suas exortações. Entra numa caverna. O Senhor não estava na tempestade, nem no fogaréu. Quando sopra uma brisa suave reconhece a passagem do Senhor e com o manto cobre o semblante.

Jesus, expressão humana de Deus, Deus mesmo vivendo entre nós, procura nos levar ao Mistério. Fala de um Pai que é amor, que o estreita, que o cerca. Fala de um envolvimento todo especial dele com Pai. Fala mesmo que ele e o Pai são um. Quem o vê, vê o Pai. Todo poder recebe do Pai. Ele e o Pai não deixarão órfãos os homens, mas enviarão o Paráclito que procede do Pai e do Filho. Fornalha de amor: Pai, Filho e Espírito.

O Pai não é gerado, é eternamente Pai. O Filho, o Verbo, a Palavra também eternamente gerado. Consubstancial ao Pai. Na plenitude dos tempos o Verbo se fez carne e habitou entre nós. O “segundo” da Trindade se revestiu da natureza humana. O amor, o liame, o laço entre o Pai e o Verbo é o Sopro, o Vento, o Espírito. Como o Verbo, também o Espírito tem uma missão “ad extra”. Belamente esse abismo é expresso na antífona ao Magnificat da Solenidade da Trindade: “Deus Pai não gerado, Deus Filho Unigênito, Deus Espírito Santo, divino Paráclito, ó Santa, indivisa e una Trindade: com todas as fibras da alma e da voz, vos louvamos, cantando, na fé confessando: Glória a vós pelos séculos”.

Estamos mergulhados e envoltos na Trindade: fazemos o sinal da cruz invocando a Trindade, nela somos batizados, nela absolvidos. Todas as orações dirigidas ao céu se dirigem à Trindade. Morremos com a bênção da Trindade.

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Texto para reflexão

É necessário crer na Trindade? É possível? Serve para algo? Não é uma construção intelectual desnecessária? Vai mudar algo em nossa fé, se não crermos no Deus trinitário? Há dois séculos o célebre filósofo Immanuel Kant escrevia estas palavras: “Do ponto de vista prático, a doutrina da Trindade é perfeitamente inútil”. Esta afirmação é certamente falsa. A fé na Trindade muda não só nossa visão de Deus, mas também nossa maneira de entender a vida. Confessar a Trindade de Deus é crer que Deus é um mistério de comunhão e de amor. Não um ser fechado e impenetrável, imóvel e indiferente. Sua intimidade misteriosa é só amor e comunicação. Consequência: no fundo último da realidade, dando sentido e existência a tudo, não há senão Amor. Tudo o que existe vem do Amor.

O Pai é amor, a fonte de todo amor. Ele começa o amor. “Só ele começa a amar sem motivos; mais ainda, é ele que desde sempre começou a amar” (Eberhard Junge). O Pai ama desde sempre e para sempre, sem ser obrigado ou motivado de fora. É o “eterno Amante”. Ama e continuará amando sempre. Nunca vai retirar de nós seu amor e fidelidade. Dele só brota amor. Consequência: criados à sua imagem, fomos feitos para amar. Só amando acertamos na vida.

O ser do Filho consiste em receber o amor do Pai. Ele é o “Amado eternamente”, antes da criação do mundo. O Filho é o amor que acolhe, a resposta eterna ao amor do Pai. O mistério de Deus consiste, pois, em dar e também em receber amor. Em Deus, deixar-se amar não é menos que amar. Receber amor é também divino! Consequência: criados à imagem desse Deus fomos feitos não só para amar, mas para sermos amados.

O Espírito Santo é a comunhão do Pai e do Filho. Ele é o Amor eterno entre o Pai Amante e o Filho Amado, aquele que revela que o amor divino não é possessão ciumenta do Pai nem açambarcamento egoísta do Filho. O amor verdadeiro é sempre abertura, dom, comunicação transbordante. Por isso, o amor de Deus não se detém em si mesmo, mas se comunica e se estende até suas criaturas. “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Consequência: criados à imagem desse Deus, fomos feitos para amar-nos, sem açambarcar e sem encerrar-nos em amores fictícios e egoístas” (Mateus, Pagola, p.349).

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Oração

Tu, Senhor, me conheces.
Conheces minha vida e minhas entranhas,
minhas veredas e meus rodeios, minhas dúvidas de sempre.
Tu és, apesar dos meus erros,
o Senhor de minhas alegrias e de minhas penas,
Deixa-me estar em tua presença.
Traquiliza-me. Serena meu espírito.
Abre meus sentidos.
Lava-me com água fresca. (F. Ulíbarri)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Solenidade da Santíssima Trindade:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Êx 34,4-6.8-9

Leitura do Livro do Êxodo

Naqueles dias, Moisés levantou-se, quando ainda era noite, e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe havia mandado, levando consigo as duas tábuas de pedra. O Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés, e este invocou o nome do Senhor. Enquanto o Senhor passava diante dele, Moisés gritou: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. Imediatamente, Moisés curvou-se até o chão e, prostrado por terra, disse: “Senhor, se é verdade que gozo de teu favor, peço-te, caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua”.

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Responsório: Dn 3

- A vós louvor, honra e glória eternamente!

- A vós louvor, honra e glória eternamente!

1. Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais.

2. Sede bendito, nome santo e glorioso.

3. No templo santo onde refulge a vossa glória.

4. E em vosso trono de poder vitorioso.

5. Sede bendito, que sondais as profundezas.

6. E superior aos querubins vos assentais.

7. Sede bendito no celeste firmamento.

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2ª Leitura: 2Cor 13,11-13

Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios

Irmãos, alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.

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Evangelho: Jo 3,16-18

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Pois Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele. Quem acredita nele, não está condenado; quem não acredita, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Três pessoas em um só Deus

Para muitas pessoas, inclusive cristãs, a SS. Trindade não passa de um problema de matemática: como pode haver três pessoas divinas em um só Deus? Parece que nada tem a ver com sua vida.

Se a Trindade fosse um problema matemático, deveríamos procurar uma “solução”. Mas, na realidade, não se trata de uma fórmula matemática, mas de um resumo de duas certezas de nossa fé: 1) Deus é um só; 2) o Pai, o Filho e o Espírito Santo são Deus. Isso nos convida à “contemplação” do mistério de Deus. Pois um mistério não é para a gente colocá-lo dentro da cabeça, mas para colocar a cabeça nele…

Na 1ª Leitura, Moisés invoca o nome de Deus: “O Senhor (Javé), Deus misericordioso e clemente, lento para a ira, rico em amor e fidelidade…”. São essas as primeiras qualidades de Deus. Deus é um Deus que ama. Segundo o evangelho, Jesus revela em que consiste a manifestação maior do amor de Deus para com o mundo: ele deu o seu Filho, que quis morrer por amor a nós. O Pai e o Filho estão unidos num mesmo amor por nós. Em sua carta, João retoma o mesmo ensinamento: “Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu filho único ao mundo, para que tenhamos a vida por ele” (1 Jo 4,9)

Assim, tanto no Antigo Testamento como no Novo, Deus é conhecido como sendo “amor e fidelidade”. Estas são as qualidades que se manifestam com toda a clareza em Cristo (a “graça e verdade” de que fala Jo 1,14). Em Jesus, Deus aparece como comunhão de amor: o Pai, Jesus e o Espírito que age no mundo, esses três estão unidos no mesmo amor por nós. Um solitário não ama. Deus não é um ancião solitário. Deus é amor (1Jo 4,8), pois ele é comunidade em si mesmo, amor que transborda até nós.

Se Deus é comunidade de amor, também nós devemos sê-lo, nele. Se tanto ele nos amou, a ponto de enviar seu Filho, que deu sua vida por nós, nós também devemos dar a vida pelos irmãos, amando-os com ações e de verdade (cf. 1Jo 3,16-18). No amor que nos une, realizamos a “imagem e semelhança de Deus”, a vocação de nossa criação (Gn 1,26).

O conceito clássico do homem é individualista. Isso não é cristão… Se Deus é comunidade, e nós também devemos sê-lo, não realizaremos nossa vocação vivendo só para nosso sucesso individual, propriedade privada e liberdade particular. A Trindade serve de modelo para o homem novo, que é comunhão. Devemos cultivar os traços pelos quais o povo se assemelha ao Deus-Trindade: bondade, fidelidade, comunicação, espírito comunitário etc.

Como pode haver três pessoas em um só Deus? Pelo mistério do amor, que faz de diversas pessoas um só ser. Deus é comunidade, e nós também devemos sê-lo.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

____________________________________________________          Fonte: franciscanos.org.br    Imagem: vaticannews.va    Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos