Planejamento pastoral
deve priorizar processos, sinodalidade e abertura ao Espírito
O
secretário-executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), padre Jean Poul Hansen, conduziu, nesta sexta-feira, 24 de julho, a
conferência de encerramento do Encontro de Coordenadores de Pastoral, promovido
pela CNBB, com uma reflexão sobre o planejamento pastoral à luz das novas
Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032.
Em sua
exposição, intitulada “Planejamento pastoral e orientações práticas”, o
sacerdote apresentou critérios e caminhos para que dioceses, regionais e
paróquias elaborem seus planos pastorais em sintonia com as novas Diretrizes,
destacando que o planejamento deve ser compreendido como um processo de
discernimento comunitário e não apenas como a elaboração de um documento.
Logo no início
da conferência, padre Jean Poul recordou uma reflexão do então padre José
Tolentino de Mendonça, hoje cardeal: “É urgente passar de uma pastoral de
eventos a uma pastoral de processos. E os eventos só são bem-vindos quando
fazem parte dos processos”. A partir dessa provocação, afirmou que assembleias,
encontros e iniciativas pastorais precisam ser compreendidos como etapas de um
caminho contínuo de escuta, discernimento e participação, evitando que se
reduzam a acontecimentos isolados.
Planejamento faz
parte da história da Igreja no Brasil
Ao apresentar a
primeira das 15 orientações, padre Jean Poul destacou que o planejamento
pastoral integra a história da Igreja no Brasil há mais de um século. Recordou
iniciativas como a Carta Pastoral Coletiva dos Bispos do Brasil e as
Constituições Eclesiásticas de 1916, passando pelo Plano de Emergência de 1962,
pelo Plano de Pastoral de Conjunto e pela evolução das Diretrizes Gerais da
Ação Pastoral até as atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.
Segundo ele,
conhecer esse percurso ajuda a compreender que o planejamento pastoral não
representa uma novidade, mas uma tradição consolidada da Igreja no país.
Prioridades e
abertura ao Espírito
Entre as
orientações apresentadas, padre Jean Poul explicou que planejar significa
eleger prioridades, sem abandonar as demais ações pastorais. Para ele,
estabelecer prioridades é direcionar os melhores recursos humanos, financeiros
e materiais para determinados desafios, mantendo vivas todas as dimensões da
ação evangelizadora.
O sacerdote
também alertou para o risco de transformar os planos pastorais em “camisas de
força”. Segundo ele, os processos de planejamento devem permanecer abertos à
ação do Espírito Santo, favorecendo a capacidade de discernir os sinais dos
tempos e responder aos novos desafios da missão da Igreja.
Os processos são
mais importantes que os resultados
Outro ponto
enfatizado foi a centralidade dos processos sinodais. Padre Jean Poul afirmou
que assembleias pastorais, conselhos e espaços de participação precisam ser
vividos como experiências de escuta, oração, discernimento e comunhão.
Na avaliação do
assessor, são esses processos que formam os agentes de pastoral e fortalecem a
vida das comunidades, enquanto o plano pastoral constitui apenas o registro do
caminho percorrido. Por isso, insistiu na importância de cuidar da
espiritualidade e da mística das assembleias, valorizando não apenas as
decisões finais, mas todo o percurso realizado.
DGAE inspiram os
planos diocesanos
Ao tratar da
relação entre as Diretrizes Gerais e os planos das dioceses, padre Jean Poul
explicou que as DGAE não devem ser simplesmente reproduzidas nos documentos
locais. Conforme destacou, cabe às dioceses elaborar seus próprios planos em
sintonia com as orientações da Conferência, considerando a realidade de cada
território.
Nesse sentido,
recordou que a CNBB oferece Diretrizes Gerais; as dioceses elaboram os planos
pastorais; e as paróquias realizam o planejamento para colocar essas
prioridades em prática na realidade local.
Sinodalidade,
missão e avaliação permanente
Entre as demais
orientações apresentadas, o secretário-executivo defendeu que os processos de
planejamento sejam marcados por ampla escuta, discernimento comunitário e
participação efetiva das diversas forças pastorais e dos diferentes territórios
das dioceses. Também ressaltou que os planos precisam ultrapassar uma lógica de
conservação e voltar-se para a missão, olhando especialmente para aqueles que
estão distantes da vida eclesial.
Padre Jean Poul
ainda recomendou que os planos contemplem mecanismos permanentes de avaliação
participativa, com objetivos concretos e realistas, permitindo acompanhar o
caminho percorrido e promover os ajustes necessários ao longo da implementação
das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.
Encerrando sua
reflexão, convidou os participantes a compreenderem o planejamento pastoral
como um instrumento a serviço da construção do Reino de Deus já no presente,
inspirando comunidades cada vez mais missionárias, sinodais e comprometidas com
a evangelização.
Conheça as 15
orientações práticas citadas pelo Pe. Jean Poul
1. O planejamento
pastoral faz parte da história da igreja no Brasil;
2. Planejar é
eleger prioridades;
3. Não construir
camisas de força, mas espaços de abertura ao Espírito;
4. Os processos
(assembleias) são mais importantes que os resultados (planos);
5. Não tente
colocar as DGAE dentro dos Planos Diocesanos de Pastoral, mas coloque o Plano
Diocesano na sintonia/ frequência das DGAE;
6. A Conferência
oferece Diretrizes Gerais; a diocese faz plano; a paróquia faz planejamento.
7. Realizem
verdadeiras experiências sinodais, de escuta ampla e discernimento comunitário;
8. Contemplem
forças e territórios;
9. Não fazer planos
ad intra, apenas para a ovelha que está no redil. É preciso buscar as 99
ovelhas que estão perdidas, fora do redil;
10. Pensar na
presença pública da igreja: ela serve ao mundo;
11. Não se ocupar em
responder perguntas que ninguém fez/faz. Escutar as reais questões das pessoas
e sociedades;
12. Contemplar, no
plano, mecanismos regulares de avaliação participativa, a partir dos objetivos
estabelecidos – que sejam realistas!;
13. Plano de
Pastoral ou Plano de Ação Evangelizadora? Coordenador de Pastoral ou
Coordenador da Ação Evangelizadora?
14. Os caminhos da
missão são prioridades, não são estruturas;
15. Apontar o Reino
como fim escatológico e não apenas o Céu.
Por Larissa
Carvalho
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Fonte: cnbb.org.br