sábado, 6 de junho de 2026

Quarta viagem apostólica de Leão XIV:

no voo para a Espanha,
a saudação aos jornalistas e o apelo pela paz

A bordo do voo para Madri, o Papa encontrou-se com os jornalistas para uma breve saudação. Em suas respostas às perguntas, reforçou a importância do diálogo para a Ucrânia, manifestou proximidade ao Líbano e refletiu sobre os abusos e a guerra, especialmente sobre a perigosidade das armas utilizadas nos conflitos atuais. Das monjas de clausura espanholas, um rosário para cada profissional da imprensa que acompanha a viagem papal.

“¡Muy buenos días a todos!”. Com estas palavras, pronunciadas em espanhol, Leão XIV saudou na manhã deste sábado, 6 de junho, os mais de oitenta jornalistas que o acompanham na viagem apostólica à Espanha. O voo papal decolou do Aeroporto Internacional de Roma-Fiumicino às 8h13, com destino a Madri, primeira etapa da visita que levará o Pontífice ao encontro de comunidades eclesiais, autoridades e fiéis do país ibérico.

Como acontece tradicionalmente nas viagens internacionais, o Papa dirigiu-se à parte traseira da aeronave pouco antes do pouso para cumprimentar pessoalmente os representantes dos meios de comunicação. O encontro, breve e cordial, foi marcado por apertos de mão, sorrisos e algumas perguntas sobre a atualidade internacional. Entre os temas mais sérios, também houve espaço para um momento descontraído. Ao ser perguntado, já a caminho da Espanha, se torcia pelo Real Madrid ou pelo Barcelona, Leão XIV respondeu sorrindo que torce “por todos os times”, provocando risos entre os presentes.


A Igreja tem uma mensagem para todos

“Esta é a primeira viagem de um Papa à Espanha depois de muito tempo, e pessoalmente estou muito feliz”, afirmou Leão XIV em sua saudação aos jornalistas. “É uma visita apostólica para encontrar os fiéis, celebrar a fé e anunciar a mensagem de Jesus Cristo, mas, ao mesmo tempo, para saudar a todos, toda a sociedade, porque a Igreja tem uma mensagem para todos, como acredito que tenha ficado muito claro na carta encíclica publicada em 25 de maio.”

Os jovens, mensageiros do amor de Deus

O Papa sabe que o entusiasmo dos jovens marcará de forma especial esta viagem. “Parece que haverá um grande número de jovens com todo o seu entusiasmo e acredito que, nesse sentido, compartilhando todos a alegria da fé, poderemos transmitir uma mensagem muito bonita”, destacou. Uma mensagem que, acrescentou, deverá ser levada a Madri, Barcelona e às Ilhas Canárias, “para viver a fé e anunciar a mensagem do amor de Deus, da caridade e do respeito por cada ser humano”.

Os abusos, uma ferida ainda aberta

Questionado sobre os abusos cometidos por membros do clero, o Papa afirmou que encontrará algumas vítimas durante a viagem, assegurando seu compromisso pessoal e o de toda a Igreja na luta contra aquilo que definiu como “uma ferida ainda aberta”. Na noite de ontem, 5 de junho, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, já havia informado sobre esse encontro organizado pela Igreja local.

Irã: não existe uma “guerra justa”

Ao ser perguntado se haveria uma guerra justa no Irã, Leão XIV respondeu: “Creio que isso já foi dito com muita clareza: no Irã não se encontram os elementos de uma guerra justa. A teoria da guerra justa remonta a séculos passados, quando não se imaginavam as armas e a capacidade de destruição de que o ser humano dispõe hoje”. Entre os temas abordados pelos jornalistas esteve também o conflito na Ucrânia, sobre o qual o Papa reiterou a necessidade de prosseguir com determinação pelo caminho do diálogo e da paz. O Pontífice dirigiu ainda seu pensamento ao Líbano, confirmando a atenção da Santa Sé à situação do país por meio do contato constante com as autoridades religiosas. Ao responder, por fim, sobre a questão da guerra, Leão XIV recordou as reflexões desenvolvidas nos últimos anos pelo magistério da Igreja a respeito das profundas transformações introduzidas pelas modernas tecnologias militares e pelo poder destrutivo dos armamentos contemporâneos.


O presente das monjas

Enquanto o avião sobrevoava o Mediterrâneo, a viagem era acompanhada também por um sinal discreto, mas significativo. Diversos mosteiros de clausura da Espanha decidiram sustentar espiritualmente a visita apostólica rezando um rosário por cada jornalista presente no voo papal. Cada profissional da imprensa recebeu uma coroa do rosário como presente das comunidades contemplativas, que confiaram à oração o trabalho daqueles que relatarão estes dias por meio de reportagens, fotografias, transmissões de rádio e serviços televisivos. Um gesto simples que une simbolicamente o trabalho da informação e a vida escondida da oração, duas realidades que frequentemente acompanham, cada uma à sua maneira, as viagens do Sucessor de Pedro. Ao Papa também foi entregue um desenho preparado pelos pequenos pacientes do Hospital Pediátrico Bambino Gesù.

Madri em festa

Enquanto isso, na Espanha, os sinos das igrejas de toda a arquidiocese de Madri repicavam para acolher a chegada do Pontífice. A capital espanhola recebe Leão XIV para uma das primeiras grandes viagens internacionais de seu pontificado. Entre palavras dedicadas à paz, o trabalho dos jornalistas e a oração silenciosa das comunidades contemplativas, a viagem rumo à Península Ibérica já ganhava vida durante as horas do voo.

Silvina Perez – do voo papal Roma-Madri

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Papa na Espanha:

é preciso abandonar as narrativas divisórias e polarizadoras

Em seu primeiro discurso no país ibérico, Leão XIV encontrou-se com as autoridades, representantes da sociedade civil e o corpo diplomático no Palácio Real de Madri. O Pontífice destacou as raízes cristãs do país, fez um apelo pela superação das polarizações e afirmou que a paz se constrói por meio da verdade, do diálogo e da educação.

A quarta Viagem Apostólica do Papa Leão XIV teve início neste sábado, 6 de junho, na Espanha. Após sua chegada a Madri, o Santo Padre dirigiu-se ao Palácio Real, onde se encontrou com o rei Felipe VI, a rainha Letizia, autoridades civis, representantes da sociedade e membros do corpo diplomático. Em seu primeiro discurso em território espanhol, o Papa apresentou uma reflexão sobre a identidade histórica do país, a busca da verdade, a necessidade da reconciliação e os desafios enfrentados pelo mundo contemporâneo.

Uma história marcada pelo Evangelho

Ao iniciar sua intervenção, Leão XIV agradeceu o convite para visitar a Espanha e recordou a antiga tradição que associa a evangelização da Península Ibérica ao apóstolo São Tiago Maior. Segundo o Pontífice, a ligação entre a fé cristã e a história espanhola moldou profundamente a cultura do país e continua sendo uma fonte de esperança diante dos desafios atuais.

O Papa também destacou a riqueza das manifestações da religiosidade popular, das irmandades, das associações de caridade e do vasto patrimônio artístico e musical espanhol, frutos do encontro entre o Evangelho e a vida do povo: “Com o patrimônio artístico-musical e as múltiplas irmandades e associações de caráter caritativo, dão testemunho do fecundo encontro entre Jesus Cristo e o vosso povo. Sois um povo cheio de paixão, que ama a vida e o manifesta!”

Papa com os monarcas espanhóis


A cultura do encontro

Leão XIV explicou que sua visita deseja fortalecer a fidelidade ao Evangelho e favorecer uma cooperação mais profunda entre os diversos setores da sociedade espanhola. Nesse contexto, destacou uma das principais lições da história do país: “Com efeito, a vossa própria história sugere que não é a cultura do confronto, mas a do encontro, que gera estabilidade e prosperidade.”

O Santo Padre recordou ainda um ensinamento do Papa Francisco sobre a necessidade de manter um diálogo constante entre as ideias e a realidade concreta. Segundo ele, a verdade nunca pode ser reduzida a construções ideológicas ou narrativas abstratas, mas deve ser procurada com humildade e abertura: “A verdade é sempre maior do que nós e, por isso, surpreende-nos e atrai-nos para caminhos de purificação e reconciliação.”

São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila

Ao refletir sobre os desafios do tempo presente, o Papa evocou duas das maiores figuras espirituais da Espanha: São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila. Ambos, afirmou, ensinaram a descobrir a presença de Deus justamente nos momentos de escuridão e incerteza. Referindo-se ao Ano Jubilar dedicado a São João da Cruz, Leão XIV observou que muitos homens e mulheres vivem hoje a experiência da desorientação diante das rápidas transformações sociais, culturais e tecnológicas. Por isso, disse, é necessário aprender a reconhecer a luz que surge mesmo em meio às noites da história.

“Também hoje, o que mais nos assusta, provocando em muitos a escuridão da razão e a violência das emoções, é o desconhecido, diante do qual pode prevalecer a desorientação, a sensação de já não termos mapas.”

Um mundo que clama por paz

O Pontífice afirmou que, apesar dos conflitos e tensões que marcam o cenário internacional, existe um profundo desejo de paz no coração da humanidade:

“A nossa época, que aparentemente se vê abalada por terríveis desequilíbrios e conflitos, no seu íntimo clama por paz, por um novo conhecimento da pessoa humana e da sua dignidade inviolável, pela civilização do amor.”

Segundo o Papa, a construção dessa paz passa pela valorização da liberdade religiosa e de consciência, pela promoção da cultura e pela formação de pessoas capazes de cultivar a interioridade e a busca sincera da verdade.

Leão XIV profere seu discurso


Contra as polarizações

Leão XIV manifestou preocupação com o crescimento das divisões sociais e políticas que marcam muitas sociedades contemporâneas. Para ele, a tentação de obter consenso alimentando conflitos e antagonismos representa uma ameaça à dignidade humana e à convivência pacífica, e lançou um apelo direto aos espanhóis:

“Hoje, a tentação de ganhar popularidade atiçando o fogo das polarizações parece crescer, em vez de diminuir; a dignidade humana continua a ser violada. Convido todos, por amor à verdade, a abandonarem as narrativas divisórias e polarizadoras da vossa realidade social e da vossa história, a fim de que se passe das simplificações estéreis a uma apreciação fecunda da complexidade.”

Educação, tecnologia e responsabilidade

O Papa também dedicou parte significativa do seu discurso aos desafios trazidos pelas novas tecnologias. Segundo ele, o ambiente digital pode favorecer a difusão de preconceitos, enfraquecer o pensamento crítico e amplificar interesses que ameaçam a vida e a dignidade humana. Diante desse cenário, defendeu uma mudança de prioridades nos investimentos públicos e privados:

“É necessário — sobretudo por parte de quem tem responsabilidades econômicas, políticas e institucionais — dar um salto qualitativo, uma mudança de rumo nos investimentos destinados à escola, à universidade e à pesquisa, às comunidades locais e à sociedade civil.”

O Santo Padre ressaltou ainda que a verdadeira segurança não nasce da lógica dos muros e das armas, mas da capacidade de caminhar juntos. “A segurança — que pensamos, com demasiada frequência, provir das armas e dos muros — amadurece, pelo contrário, quando se aprende a avançar com o outro, a crescer juntos, ombro a ombro.”

Papa durante o encontro com as autoridades civis


A contribuição da Espanha para a Europa e para o mundo

Ao recordar momentos históricos de convivência entre cristãos, judeus e muçulmanos na Península Ibérica, o Papa destacou cidades como Toledo e Córdoba como exemplos de encontro entre culturas, religiões e saberes. Leão XIV afirmou que a Espanha possui uma vocação especial para ajudar a Europa a redescobrir sua missão de promover o diálogo e a cooperação entre os povos. Ao concluir seu discurso, agradeceu o compromisso espanhol com o direito internacional, o multilateralismo e a solidariedade:

“Encorajo a cultivar o diálogo e a amizade social também internamente, a levar em conta as perspectivas dos pobres e dos jovens ao imaginar o futuro, a harmonizar as exigências de autonomia e de unidade, e a impulsionar o processo de união europeia.”

Ao final, confiou o país à proteção divina e dirigiu uma breve invocação: “Que Deus abençoe a Espanha!”

Thulio Fonseca – Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media)

Reflexão para este sábado:

“Segue-me!”

Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo (RS)

Depois de celebrarmos o Tempo da Páscoa, retornamos na liturgia ao Tempo Comum com o convite de Jesus: “Segue-me!” (Oseias 6,3-6, Salmo 49(50), Romanos 4,18-25 e Mateus 9,9-13). A presença de Jesus, seus convites e ensinamentos introduzem novidades e esperança, em todos os ambientes, seja na Igreja ou no mundo. As notícias sobre o mal feito e catástrofes chamam atenção. Porém, não faltam notícias de ações boas que despertam otimismo. É neste ambiente de más e boas notícias que vivem os cristãos. Sua missão é seguir Jesus e transformar vidas a partir dele.

“Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Mateus levantou-se e seguiu-o. O convite de Jesus a Mateus, o sentar-se à mesa com ele e outros “cobradores de impostos e pecadores” provocou os fariseus. Jesus que não perdia a oportunidade para ensinar, mesmo em ambiente adverso, faz três afirmações fundamentais para seus discípulos e para nós: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes”. “Quero misericórdia e não sacrifício”. “Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

Em primeiro lugar, chama Mateus que é um publicano cobrador de impostos. A sua atividade profissional era cobrar impostos para os romanos que ocupavam o território. Uma pessoa duplamente detestável: recolhe impostos, porque ninguém paga imposto voluntariamente e faz isto em favor do invasor pagão. Estes cobradores, aliados dos opressores, eram classificados de imundos, pecadores detestáveis e sem esperança de mudança.

É para o pecador Mateus que Jesus dirige o olhar e a palavra. Mateus escuta e olha para Jesus. Segui-lo se torna o novo objetivo da vida. Abandona os opressores que servia para receber Jesus em sua casa. Acolhe aquele que o acolheu. Jesus considera Mateus como um irmão e outros tantos pecadores que Mateus convidou para estarem com Ele. A Igreja não se constitui de puros, mas de pecadores acolhidos pela misericórdia divina. Esta atitude de Jesus é o norte para todos os participantes da Igreja. Sempre se faz necessário acolher de forma misericordiosa todos os pecadores, transmitindo o perdão do Pai. Para participar “dignamente” do sacramento da Eucaristia não se exige que as pessoas sejam “justas, perfeitas”, mas sim que reconheçam ser pecadores. No começo de cada missa, através do rito penitencial, a comunidade celebrante reconhece a sua condição pecadora, pede perdão e bendiz o Deus misericordioso. Depois, quando se aproxima a comunhão diz novamente: “Senhor, eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”.

Na refeição onde estava Mateus, Jesus, publicanos também tinha fariseus. Estes se consideram puros, sadios e perfeitos. Na Igreja convivem os que se consideram “puros” e pecadores. Isto traz tensões e conflitos. É a presença permanente de Jesus nesta comunidade que permite a convivência fraterna. “Ele odeia o pecado e ama ternamente o pecador, porque está doente, mesmo, e sobretudo, quando não sabe. Nós, pelo contrário, somos duros com os pecadores, porque se parecem com o mal, que consideramos como bem”, explica o biblista Silvano Fausti.

“Quero misericórdia e não sacrifício”. Jesus cita o ensinamento do profeta Oseias. Toda ação litúrgica é mais agradável a Deus quanto mais for expressão da vivência da fraternidade, da justiça, do perdão e da misericórdia. A liturgia louva o bem realizado e educa para vivência da vida nova em Cristo. “Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado” nos ensinou o Papa Francisco.

“Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”. Nenhum de nós é justo. Não temos uma relação perfeita com Deus e o próximo. Somente Deus é justo que não tem medo de aproximar-se, de sujar-se com os pecadores como Mateus e nós, oferecendo a acolhida do perdão e do amor que transforma. Esta é uma bela surpresa e sempre uma boa notícia.

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Fonte: cnbb.org.br     Imagem: pt.aleteia.org

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 6 - Sábado

9h -  Meditação das Mil Ave-Marias em louvor a Nossa Senhora, Rosa Mística

17h30h -  Terço do Movimento dos Restauradores do Imaculado Coração de Maria na capela do CPSJ

19h -  Missa na matriz

19h - Celebração na comunidade São Francisco

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Dia 7 - 10º Domingo Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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10º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Os 6,3-6

Leitura do Livro de Oseias

É preciso saber segui-lo para reconhecer o Senhor. Certa como a aurora é a sua vinda, ele virá até nós como as primeiras chuvas, como as chuvas tardias que regam o solo. “Como vou tratar-te, Efraim? Como vou tratar-te, Judá? O vosso amor é como nuvem pela manhã, como orvalho que cedo se desfaz. Eu os desbastei por meio dos profetas, arrasei-os com as palavras de minha boca, como luz, expandem-se meus juízos; quero amor e não sacrifícios, conhecimento de Deus mais do que holocaustos”.

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Responsório: Sl 49(50)

- A todo homem que procede retamente / eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

- A todo homem que procede retamente / eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

1. Falou o Senhor Deus, chamou a terra, / do sol nascente ao sol poente a convocou. / “Eu não venho censurar teus sacrifícios, / pois sempre estão perante mim teus holocaustos.

2. Não te diria, se com fome eu estivesse, / porque é meu o universo e todo ser. / Porventura comerei carne de touros? / Beberei, acaso, o sangue de carneiros?

3. Imola a Deus um sacrifício de louvor / e cumpre os votos que fizeste ao Altíssimo. /Invoca-me no dia da angústia, / e então te livrarei e hás de louvar-me.”

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2ª Leitura: Rm 4,18-25

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos, Abraão, contra toda a humana esperança, firmou-se na esperança e na fé. Assim, tornou-se pai de muitos povos, conforme lhe fora dito: “Assim será a tua posteridade”. Não fraquejou na fé, à vista de seu físico desvigorado pela idade – cerca de cem anos – ou considerando o útero de Sara já incapaz de conceber. Diante da promessa divina, não duvidou por falta de fé, mas revigorou-se na fé e deu glória a Deus, convencido de que Deus tem poder para cumprir o que prometeu. Essa sua atitude de fé lhe foi creditada como justiça. Afirmando que a fé lhe foi creditada como justiça, a Escritura visa não só à pessoa de Abraão, mas também a nós, pois a fé será creditada também para nós, que cremos naquele que ressuscitou dos mortos Jesus, nosso Senhor. Ele, Jesus, foi entregue por causa de nossos pecados e foi ressuscitado para nossa justificação.

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Evangelho: Mt 9,9-13

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus. Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas, sim, os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Jesus chama os pecadores

Há quem diga que o evangelho de hoje é auto-retrato do evangelista Mateus. De fato, o trecho conta a vocação do publicano Mateus – ou Levi, como é chamado nos outros evangelhos – por Jesus, enquanto estava exercendo sua função na coletoria de taxas, espécie de posto de pedágio (terceirizado) do Império Romano na terra de Israel (Mt 9,9-13). Os cobradores eram chamados “publicanos”; eram funcionários públicos a serviço do imperialismo estrangeiro e terrivelmente desprezados pelos “bons judeus”. Jesus chama alguém dessa categoria para ser seu discípulo. Pior: vai jantar com ele e seus colegas, considerados pecadores. Os fariseus criticam-no. Jesus, então, responde com uma parábola: um médico não vem para pessoas sadias, mas para doentes. E acrescenta um argumento da Sagrada Escritura: “Misericórdia eu quero, não sacrifícios”, texto do profeta Oséias, que critica uma religiosidade externa e meramente ritual da parte de pessoas que desconhecem a misericórdia, primeira qualidade de Deus e primeira exigência nas relações entre as pessoas (1ª leitura).

Os pecadores notórios convidam Jesus à mesa; em contraposição, os considerados justos acham isso um desacato. Consideram a justiça monopólio deles. Assim fazendo, perdem a “justiça” que só o Deus da misericórdia nos pode atribuir, por pura bondade, sem que o mereçamos. A vocação dos pecadores revela a gratuidade divina de nossa salvação. Deus nos dá seu amor porque precisamos dele, não porque o merecemos. Deus não exclui ninguém, nem mesmo aquele que se apresenta diante dele com as mãos vazias, mas com verdadeira vontade de conversão no coração (é o que faltava aos fariseus).

A melhor maneira de entender a lógica de Deus é fazer como ele: superar o formalismo e dar a cada um o mesmo crédito que Jesus deu a Mateus … A comunidade eclesial deve se tornar o instrumento da “misericórdia convidativa” de Cristo. E os pecadores que aceitarem o convite devem por sua vez convidar os outros (como fez Mateus).

Portanto, não é preciso ser santo para ser chamado por Cristo. Deus nos chama para tornar-nos santos. Ninguém é justo por si mesmo. Jesus chamou os pecadores, para mostrar que todos devem converter-se para receber a misericórdia de Deus.

Com essa lição combina muito bem a 2ª leitura. Paulo explica que Abraão foi considerado justo por Deus não por causa de sua vida exemplar – teve as fraquezas humanas de todo mundo -, mas por causa de sua fé, quando Deus lhe prometeu um filho na sua velhice. Nessa confiança, ele se mostrou “amigo de Deus” (Rm 4,18-25, cf. Gn 15,5-6).

O problema hoje é que muitos vivem uma vida tão ambígua quanto a dos publicanos, mas não admitem de modo algum que precisam de conversão….

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Fonte: franciscanos.org.br   Imagem: oratoriosaoluiz.com.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

Papa a estudantes alemães nesta sexta: ser testemunha

do humanismo cristão na universidade e no trabalho

Leão XIV recebeu as Associações Católicas de Estudantes Alemães e aprofundou os valores que animam a iniciativa e orientam a vida deles na universidade e no trabalho: a identidade com a fé católica, que fortalece a unidade "sem colocar preferências individualistas à frente da Tradição comum da Igreja"; a comunhão que os torna "representantes do bem comum da humanidade"; e o compromisso com o estudo e a busca da verdade, que não os deixa ser seduzidos "por carreiras centradas no dinheiro".

O Papa Leão XIV recebeu em audiência nesta sexta-feira (05/06) um grupo de mais de mil pessoas das Associações Católicas de Estudantes Alemães que estão reunidos em Roma para uma conferência, "a Cartellversammlung, pela primeira vez fora da Alemanha", como recordou o Pontífice logo no início do discurso. Uma decisão, continuou o Papa, motivada pela fé católica, pela comunhão e atividades culturais que realizam. "Queridos irmãos e irmãs, sejam bem-vindos! Herzlich willkommen!" foram então as palavras acolhedoras de Leão XIV, que refletiu sobre três aspectos para fortalecer ainda mais os laços de fraternidade e a dedicação comum à Igreja, começando justamente pelo compromisso com a identidade católica:

"Perante o despotismo e as ideologias do passado, a fé católica nunca foi meramente uma fachada ou um rótulo, mas sim um modo de vida a ser partilhado nos ambientes universitários e de trabalho. Como fermento evangélico, a fraternidade de vocês continua a crescer nos contextos científico e político, bem como em vários círculos acadêmicos, profissionais e sociais. Essa dimensão comunitária das suas atividades beneficia não só o país de vocês, mas também toda a Europa, da qual a Alemanha é o centro."

Na Sala Paulo VI, o Papa convidou os estudantes a estudar e a promover a "humanidade comum", sobretudo diante dos desafios da revolução tecnológica. A pessoa humana, "sempre relacional e limitada" é chamada "a se tornar uma tarefa para si mesma e um dom para o outro", dando o "melhor de si para ajudar a construir uma sociedade justa e pacífica", acrescentou o Pontífice.


A mesma fé que une é comum e não individual

Leão XIV, então, abordou o espírito de comunhão que anima os estudantes, enaltecido pelo lema que fala de unidade, liberdade e caridade. O Papa recordou a importância da relação das associações não se "limitar à partilha de conhecimento", mas amadurecer em estima recíproca:

"Como todos vocês seguem Cristo, o único Senhor e Mestre da vida, vocês representam os valores católicos na sociedade não como portadores de bandeiras partidárias, mas como representantes do bem comum da humanidade. Na Alemanha, na Itália e em todo o mundo, a mesma fé católica fortalece nossa cooperação, sem ceder às tendências do momento, sem colocar as preferências individualistas à frente da Tradição comum da Igreja."


Ser testemunha da verdade e do humanismo cristão

Junto ao testemunho da "autêntica amizade cristã", o Papa também abordou sobre a busca pela verdade percorrida pelas associações através das atividades culturais em vários campos de estudo e trabalho. Uma vocação, disse ele, que "exige autodisciplina e conversão: uma transformação da mente, que cultivamos como solo fértil, aprimorando nossas ferramentas de trabalho".

“Ao dar o nosso melhor, tornamo-nos administradores responsáveis na sociedade, sem nos deixarmos seduzir por carreiras centradas no dinheiro. Reconheçamos, em vez disso, que a cultura é o bem da humanidade: a verdade nos liberta, enquanto a falsidade distorce nomes e coisas. Diante do que desumaniza as pessoas – especialmente os pequenos, os pobres ou os doentes –, peço-lhes que sejam testemunhas do humanismo cristão.”

A esse respeito Leão XIV recordou em discurso dois dos seus predecessores que trataram sobre o tema. Um deles, Bento XIV, inclusive um "ilustre ex-membro da associação", exortou a desenvolver uma “ecologia do homem” coerente. Já o Papa Francisco, ao conceituar a ecologia integral, "nos mostra que o mundo está repleto de sentido e não é uma entidade inerte a ser moldada arbitrariamente ou pela sede de poder". Ao "orientar nossa sede de vida e justiça, de sabedoria e amor, descobrimos juntos a verdade no conhecer, no fazer e no crer", disse Leão XIV, ao finalizar:

"Não é apesar de nossas atividades, portanto, mas precisamente por meio do que fazemos que desenvolvemos uma relação com Deus, que se torna um caminho para a santidade. Sim, a missão cultural dos cristãos é orientar a sociedade e a história para esse ápice de uma vida centrada em Deus."

Andressa Collet - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Fotos: (@Vatican Media)

Catequese com o padre Zezinho:

Excesso de moralismo e pouca doutrina

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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A doutrina deveria vir primeiro, ou pelo menos, junto! Mas, atualmente, no caso de muitas igrejas, o acento é mais o “comporte-se como cristão do que creia e pense como cristão!”

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Trocaram o catecismo pelo “não faça, não pode, cuidado com o demônio e com o pecado”.

Trocaram Jesus por Protágoras. O pensador grego dizia que o que vale é o que decidimos que é! Para ele o homem é a medida de todas as coisas. Para muitos ateus e religiosos de hoje vale apenas a sua verdade. Os medidores são eles. A opinião ou a fé do outros nada significa. Acham que acharam. Acham que Deus lhes revelou a verdade verdadeira. Proclamam-se verdadeiros e atacam quem ouse ensinar o que eles condenam. Não são fiéis à Igreja: são fiéis a seu grupo. São os MONTANOS do século XXI. Este se achava a encarnação do Espírito Santo. Para eles a Era Jesus acabara. Agora, era a era do ESPIRITO SANTO.

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Catechein, de onde vêm os termos “catecismo ou catequese” significa REPERCUTIR, passar adiante o DEPÓSITO DA FÉ. Recebeu? Passe adiante, mas sem inventar novas revelações!… Vivemos do DEPÓSITO e não das invencionices da Fé.

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Preocupados com o comportamento dos seus seus seguidores, muitos pregadores optaram por acentuar mais a TEOLOGIA MORAL do que a TEOLOGIA DOGMÁTICA.

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Resumindo: nos púlpitos e na internet, diariamente, há milhares de pregadores e pregadoras “consertando comportamentos dos outros” e dizendo o que é como devemos VIVER , mas esquecem o que deveríamos SABER para vivermos melhor !

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O PAI NOSSO, o GLÓRIA e o CREIO mostram um corpo de doutrinas milenares e só depois propõem lições de comportamento pessoal.

A proposta é: CREMOS NESSAS VERDADES antigas e queremos VIVÊ-LAS para o nosso tempo!

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Como é que um sujeito vai viver como cristão, se muitas vezes ele ou ela nem sequer sabe no que deve crer?

Há católicos que receberam muitas lições de comportamento mas raramente receberam lições sobre quais verdades deve conhecer. Nunca abriram um catecismo.

Resumindo: piedade tamanho melancia e conhecimento tamanho ovo de pata!… Odeiam ler e estudar a doutrina católica , mas gostam muito de dar testemunho de fé. JESUS manda recados durante a noite e de manhã eles pregam seu novo recado . Afinal são videntes e ouvintes. Mas as novas encíclicas não leram e não lerão. São muitas páginas para ler… O triste é que muitos deles são graduados em faculdades e universidades!…

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Resumindo: Querem ver a cachoeira, mas não estudam quais os caminhos para chegar lá! E por isso acabam indo por atalhos errados.

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O Pão que nos faz um:

Jesus Eucarístico, alimento de esperança e sinal de unidade

A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo não é apenas uma data religiosa. É uma proclamação pública de que Jesus Cristo está vivo, presente, real, atuante no meio do seu povo.

Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Que alegria imensa nos invade neste dia! Corpus Christi chegou! A Igreja inteira para, contempla e adora. As ruas se enchem de flores, os tapetes ganham cores e formas, as procissões percorrem bairros e comunidades, e o povo de Deus caminha com fé, com devoção, com aquela piedade simples e genuína que é um dos traços mais belos da nossa Igreja no Brasil. Este é um dia de festa grande, de adoração profunda, de missão renovada.

A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo não é apenas uma data religiosa. É uma proclamação pública de que Jesus Cristo está vivo, presente, real, atuante no meio do seu povo. É a resposta da Igreja a um mundo que muitas vezes busca saciar sua fome com tantas coisas que não nutrem de verdade. Hoje dizemos ao mundo: há um pão que sacia de verdade. Há um alimento que não acaba. Há uma presença que não abandona.

"Lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor teu Deus te conduziu." A primeira leitura, tirada do Livro do Deuteronômio, nos coloca diante de Moisés que fala ao povo antes de entrar na Terra Prometida. E ele começa com um verbo fundamental: lembra-te. A memória não é apenas uma faculdade psicológica. Na Bíblia, a memória é um ato de fé. Lembrar do que Deus fez é reconhecer que Ele age, que Ele cuida, que Ele não abandona.

O povo passou quarenta anos no deserto. Quarenta anos de prova, de humilhação, de caminhada incerta. Mas não foram quarenta anos de abandono. Foram quarenta anos de pedagogia divina. Deus os humilhou, fez-los passar fome, e então os alimentou com o maná. Por quê? "Para te mostrar que nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor."

Que profundidade há nessas palavras! O Senhor não apenas alimenta o corpo. Ele alimenta a alma. Ele não apenas resolve problemas imediatos. Ele forma, educa, purifica. O deserto não foi um erro no roteiro da salvação. Foi uma escola. E o maná foi a lição mais eloquente: você não se sustenta sozinho. Você precisa de Mim.

Quantas vezes nós também nos encontramos em nossos próprios desertos? Desertos de solidão, de doença, de luto, de incerteza, de crise? E quantas vezes, nesses momentos, descobrimos que as fontes nas quais costumávamos beber secaram, e que somente a Palavra de Deus, somente o Pão da Eucaristia, somente a presença viva do Senhor é capaz de sustentar?

Corpus Christi nos convida a fazer essa memória. A lembrar das vezes em que o Senhor nos alimentou quando estávamos com fome. Das vezes em que fez jorrar água da pedra mais dura. Das vezes em que nos guiou pelo deserto quando não sabíamos o caminho. Essa memória não é nostalgia. É combustível para seguir em frente com confiança.

O salmo de hoje, retirado do Salmo 147, nos convida a glorificar o Senhor que alimenta o seu povo com a flor do trigo. "A paz em teus limites garantiu, e te dá como alimento a flor do trigo." A flor do trigo é o melhor do trigo, o mais puro, o mais nutritivo. E é exatamente isso que Deus nos oferece na Eucaristia: não as sobras, não o suficiente para sobreviver, mas o melhor. O próprio Filho. O próprio Corpo e Sangue de Cristo.

"Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos." Que privilégio imenso ser povo de Deus! Não por mérito nosso, mas por pura gratuidade divina. E esse privilégio não é para ser guardado com ciúme. É para ser compartilhado com alegria. Somos eucarísticos quando nos tornamos, nós mesmos, pão partido para os irmãos.

"Uma vez que há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo." São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, nos oferece uma das reflexões mais densas e belas sobre o significado da Eucaristia. Ele parte de uma pergunta que é, na verdade, uma afirmação: "O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo?"

Comunhão. Essa palavra merece toda a nossa atenção. Comunhão não é simplesmente receber algo. É entrar em relação. É participar de uma vida que não é a nossa, mas que se torna nossa pelo dom de Deus. Quando partimos o pão eucarístico, não estamos apenas realizando um rito. Estamos entrando em comunhão com o próprio Cristo, com o seu corpo entregue, com o seu sangue derramado, com o seu amor sem reservas.

E daí Paulo tira uma consequência que não podemos ignorar: "Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão." A Eucaristia cria unidade. Não apenas entre nós e Cristo, mas entre nós e os irmãos. Quem come do mesmo pão pertence ao mesmo corpo. Quem bebe do mesmo cálice participa da mesma vida.

Isso tem consequências enormes para a nossa vida concreta. Não posso comungar do corpo de Cristo e ao mesmo tempo desprezar o irmão que está ao meu lado. Não posso receber o pão da vida e fechar minha porta ao faminto que bate nela. Não posso adorar a Eucaristia no altar e ignorar a eucaristia que sofre nas ruas, nos hospitais, nas periferias. O mesmo Cristo que está no sacrário está também no rosto de cada pessoa que precisa de mim.

Esta é a dimensão missionária de Corpus Christi que precisamos redescobrir sempre. A procissão pelas ruas não é apenas uma demonstração de fé. É uma proclamação de que Cristo quer habitar cada canto desta cidade, cada família, cada coração ferido, cada vida que busca sentido. Quando carregamos a Eucaristia pelas ruas, estamos dizendo ao mundo: Ele vem ao teu encontro. Ele não fica preso dentro dos muros da igreja. Ele caminha contigo.

"Eu sou o pão vivo descido do céu; quem deste pão come, sempre há de viver." O Evangelho de João no capítulo sexto é um dos textos mais sublimes de toda a Escritura. Jesus não fala em metáforas ou alegorias quando diz: "Eu sou o pão vivo descido do céu." Ele fala de uma realidade concreta, de uma presença real, de um alimento verdadeiro. "Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia."

Muitos dos que ouviam Jesus naquele dia acharam esse ensinamento duro demais e foram embora. E Jesus não os chamou de volta para explicar que era apenas uma metáfora. Ele deixou-os ir e perguntou aos doze: "Quereis ir também vós?" Pedro respondeu com aquela fé simples e firme que nos inspira até hoje: "Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna."

Essa é a nossa resposta hoje também. Diante de um mundo que oferece mil substitutos para a fome do coração, diante de tantas promessas vazias de felicidade fácil e instantânea, nós dizemos com Pedro: Senhor, a quem iremos? Tu és o pão que sacia. Tu és a fonte que não seca. Tu és a vida que não acaba.

Jesus afirma com clareza: "Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim e eu nele." Permanecer em Jesus. Essa é a vocação do cristão. Não apenas visitá-lo de vez em quando, não apenas lembrá-lo nos momentos de crise, mas permanecer nele, habitar nele, deixar que ele habite em nós. A Eucaristia é o sacramento desse permanecimento. É o alimento que sustenta essa relação de intimidade com o Senhor.

A Sequência que a Igreja canta neste dia, o belíssimo Lauda Sion, expressa com uma riqueza poética extraordinária o que a teologia procura dizer em linguagem precisa. "Eis o pão que os anjos comem, transformado em pão do homem; só os filhos o consomem." O pão eucarístico é ao mesmo tempo alimento divino e alimento humano. É o ponto de encontro entre o céu e a terra, entre o eterno e o temporal, entre o infinito de Deus e a pequenez do homem.

"Um ou mil comungam dele, tanto este quanto aquele: multiplica-se o Senhor." Que mistério admirável! Cristo não se divide ao ser distribuído. Ele se multiplica sem se diminuir. Cada hóstia consagrada contém o Cristo inteiro: seu corpo, seu sangue, sua alma, sua divindade. Não uma parte de Cristo, mas Cristo todo. E isso se repete em cada missa, em cada altar, em cada comunidade ao redor do mundo, ao mesmo tempo, sem que Cristo se esgote ou se fragmente.

Irmãos e irmãs, deixem que esta solenidade renove em nós o amor pela Eucaristia. Não um amor sentimental e superficial, mas um amor que transforma, que compromete, que envia. O amor que nos faz querer estar mais perto do Senhor na adoração, mais atentos à sua presença na missa, mais disponíveis para servi-lo no rosto dos irmãos.

Que a procissão de Corpus Christi que percorre nossas ruas seja um sinal profético para esta cidade. Um sinal de que Cristo não está ausente da vida pública, da vida social, da vida das famílias e das comunidades. Um sinal de que onde Ele é carregado, a esperança floresce, a paz se instala, a vida vence a morte.

Que cada um de nós, ao receber a comunhão neste dia, renove o compromisso de ser eucaristia para o mundo: pão partido, vida oferecida, amor sem reservas. Porque somos o que comemos. E se comemos o Corpo de Cristo, somos chamados a ser corpo de Cristo no mundo.

Rezemos para que a devoção ao Santíssimo Sacramento, tão viva no coração do nosso povo, continue a ser fonte de renovação espiritual, de unidade eclesial e de missão evangelizadora. Que Nossa Senhora, a primeira que acolheu o Verbo feito carne em seu seio, nos ensine a acolher Cristo com a mesma disponibilidade e a levá-lo, como ela levou a Isabel, com pressa e com alegria, a todos que ainda não o conhecem.

Abençoado, santo e feliz Corpus Christi! Que o Senhor, presente na Eucaristia, seja sempre o centro da nossa vida, a força da nossa missão e a alegria do nosso coração!

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