domingo, 30 de agosto de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 31 - Segunda-feira

19h - Novena em louvor a São Geraldo na matriz e na comunidade dedicada ao Santo

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Dia 1º de setembro - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h - Missa da festa em Consolação

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Dia 2 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor ao São José na matriz

19h - Missa na comunidade da Serra da Usina

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Dia 3 - Quinta-feira

7h - Missa na matriz

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Missa nas comunidades da Bomba e dos Moreiras

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Dia 4 - 1ª Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h e 19h - Missa na matriz

  19h - Missa na capela da Soledade    

19h - Missa na comunidade São benedito no Goiabal

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Dia 5 - Sábado

7h - Missa na capela de Santa Ágata

  14h - Terço das crianças no Centro Pastoral São José

 18h - Terço do Movimento dos Restauradores do Imaculado Coração de Maria

  19h - Missa na matriz 

19h - Missa na comunidade São Francisco

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Dia 7 - 23º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Missa na igreja de Santo Antônio   19h - Missa na matriz

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Papa no Angelus deste domingo:

onde termina a nossa lógica, começa a confiança.
Pedro e a difícil aprendizagem da fé

A grandeza de Pedro manifesta-se justamente na sua capacidade de deixar-se transformar por aquilo que Jesus lhe ensina. Depois de compreender que o Messias não veio para conquistar pelo poder, mas para entregar a própria vida, o apóstolo permanecerá fiel a Cristo até o fim, inclusive no martírio. A sua trajetória mostra que a fé não significa ter todas as respostas imediatamente, mas confiar o suficiente para continuar caminhando quando ainda não compreendemos tudo. Como Pedro, somos convidados.

"Efetivamente, também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos". A reação de Pedro diante da revelação de Jesus de sua Páscoa imininente, inspirou a reflexão de Leão XIV antes de rezar o Angelus diante da multidão aglomerada na Praça da Liberdade, diante do Palácio Apostólico, em Castel Gandolfo.

O Evangelho proposto pela liturgia neste XXII Domingo do Tempo Comum - começou explicando o Papa aos presentes - apresenta Jesus anunciando a seus discípulos que "deverá ir a Jerusalém, sofrer, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar". Uma revelação, que " está muito distante da imagem de um Messias triunfante e poderoso que os discípulos esperavam"

Pedro, que pouco antes havia proclamado sua fé em Jesus como «o Messias, o Filho de Deus vivo», reage com espanto e repreende o Mestre: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há de acontecer!». Sua atitude nasce de um amor sincero, mas também revela a dificuldade de aceitar um caminho de salvação diferente daquele que imaginava.

A reação de Pedro - recorda o Papa - toca uma realidade profundamente humana e presente também na experiência de fé de cada pessoa:

Efetivamente, também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos. Nessa altura, surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós.

E perante esta incerteza - explica o Santo Padre - Pedro, apesar da sua impulsividade, ensina-nos duas coisas importantes: primeiramente, é necessário manter sempre aberto o diálogo com o Senhor e apresentar-Lhe com confiança aquilo que trazemos no coração, inclusive nossas dúvidas, incompreensões e angústias:

A segunda, porém, é nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele nos está a revelar por meio da sua ação, mesmo quando isso não corresponde às nossas expectativas.

 Jesus repreende Pedro — «Afasta-te, Satanás!» — e deixa claro que o pensamento do discípulo ainda está preso à lógica humana. Para seguir Cristo, é preciso aceitar uma lógica diferente: negar a si mesmo, tomar a própria cruz e segui-lo. O caminho da salvação não passa pelo poder, pela imposição ou pela vitória segundo os critérios do mundo, mas pelo amor que se entrega, pelo sofrimento assumido com esperança e pela fidelidade à vontade do Pai. E a grandeza do Primeiro dos Apóstolos manifesta-se também na sua capacidade de deixar-se transformar por aquilo que Jesus lhe ensina:

Peçamos ao Senhor, então, que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-Lhe humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso, e, ao mesmo tempo, que saibamos cultivar a sua mesma docilidade, ao aceitar o que Ele nos pede para além das nossas expectativas.

Que Maria nos ajude - foi o pedido de Leão XIV ao concluir - ela que foi obediente aos desígnios de Deus até junto à Cruz do seu Filho Jesus.

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                                                        Fonte: vaticanews.va     Vídeo: (@Vatican Media

Reflexão para este domingo:

A Cruz é outra coisa

José Antonio Pagola

É difícil não sentir desconcerto e mal-estar ao ouvir mais uma vez as palavras de Jesus: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Entendemos muito bem a reação de Pedro que, ao ouvir Jesus falar de rejeição e sofrimento, “o toma à parte e se põe a censurá-lo”. Diz o teólogo mártir, Dietrich Bonhoeffer, que esta reação de Pedro “prova que, desde o princípio, a Igreja se escandalizou do Cristo sofredor. Ela não quer que seu Senhor lhe imponha a lei do sofrimento”.

Este escândalo pode tornar-se hoje insuportável para nós que vivemos no que Leszek Kolakowsky chama “a cultura de analgésicos”, essa sociedade obsediada por eliminar o sofrimento e mal-estar por meio de todo tipo de drogas, narcóticos e evasões.

Se quisermos esclarecer qual deve ser a atitude cristã, temos que compreender bem em que consiste a cruz para o cristão, pois pode acontecer que nós a ponhamos onde Jesus nunca a pôs.

Facilmente chamamos “cruz” tudo aquilo que nos faz sofrer, inclusive esse sofrimento que aparece em nossa vida, gerado por nosso próprio pecado, ou por nossa maneira equivocada de viver. Mas não devemos confundir a cruz com qualquer desgraça, contrariedade ou mal-estar que acontece na vida.

A cruz é outra coisa. Jesus chama seus discípulos para segui-lo fielmente e colocar-se a serviço de um mundo mais humano: o Reino de Deus. Isto é o principal. A cruz é apenas o sofrimento que nos virá como consequência desse seguimento; o destino doloroso que teremos de compartilhar com Cristo, se seguirmos realmente seus passos. Por isso não devemos confundir o “carregar a cruz” com posturas masoquistas, uma falsa mortificação, ou o que P. Evdokimov chama “ascetismo barato” e individualista.

Por outro lado, devemos entender corretamente o “renunciar a si mesmo”, condição que Jesus pede para carregar a cruz e segui-lo. “Renunciar a si mesmo” não significa mortificar-se de qualquer maneira, castigar-se a si mesmo e, menos ainda, anular-se ou auto destruir-se. “Negar-se a si mesmo” é não viver dependente de si próprio, esquecer-se do próprio “ego”, para construir a vida sobre Jesus Cristo. Libertar-nos de nós mesmos para aderir radicalmente a Ele. Em outras palavras, “carregar a cruz” significa seguir a Jesus dispostos a assumir a insegurança, a conflitividade, a rejeição ou a perseguição que o próprio Crucificado teve que padecer.

Mas nós crentes não vivemos a cruz como derrotados, mas como portadores de uma esperança final. Todo aquele que perde sua vida por Jesus Cristo a encontrará. O Deus que ressuscitou Jesus nos ressuscitará também para uma vida plena.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 29 de agosto de 2026

Reflita com o frei Almir Guimarães:

Perdas e ganhos

Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la (Mateus 16, 25)

Seguir Cristo significa por a própria vida dele por amor. Aquilo que por amor se perde, na realidade não é perdido, é dado. E o que é dado por amor, é reencontrado na relação. (Luciano Manicardi)

Normalmente no final de cada ano costuma-se fazer o balanço de uma loja, de um empreendimento, da vida de uma família ou de nossa vida pessoal. Costuma-se falar em perdas e ganhos. Os que já fizemos uma boa parte da caminhada gostamos de conhecer e reconhecer o que não deu certo, o que deu certo e o que poderia dar mais certo. Trata-se de uma atitude de prudência para desperdiçar o dom do tempo da vida. O evangelho de hoje fala curiosamente de perdas que são ganhos e ganhos que podem ser perdas.

Antes da audição do evangelho pouquíssimos versículos de Jeremias ocupam nossa atenção. Sente-se ele perseguido em sua missão de profeta. “A palavra tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. Disse comigo: Não quero mais lembrar-me disso, nem falar em nome dele”. Sente-se no limite de suas capacidade embora tenha sido seduzido pelo Senhor e fale de um fogo ardente a penetrar seu corpo todo. Mesmo assim ele não “quer falar em nome dele”.

O profeta não é alguém que diverte. Sua missão não é adivinhar o futuro, mas compreender o presente. Lançar uma luz que vem da Verdade e da Claridade para orientar os passos de seus ouvintes rumo a Deus. Ele capta a proximidade da luz do sol antes que chegue. Jean Sulivan diz que “o profeta é o diário de Deus”. Sofre, perde e morre. Ganha pela sua coerência e fidelidade a quem o seduziu. De forma alguma poderá ser infiel. O profeta fala de um claridade invisível. Novamente Sulivan: “Quem quiser falar do sol invisível, apresente-se todo ensolarado no meio das trevas. Filhos da luz, parai de provar e dizer: Deus…Deus… Apresentai-vos como aurora”.

Vivemos. Aprendemos a viver. Lutamos. Surge no horizonte de nossa vida a pessoa de Jesus a nos pedir seguimento efetivo, um colocar nossos passos nos seus passos, pede que olhemos o mundo com o seu modo de olhar, insinua que aqui e ali e quase sempre será preciso perder para ganhar. Será preciso não levar a sério a ofensa que foi feita e perdoar. Nem sempre todos os nossos desejos, por mais legítimos, podem ser satisfeitos ao nosso bel prazer. Há limitações naturais, incidentes desastrosos efeitos nossos ou causados por outros. Há desastres físicos, pessoais, familiares. Há esse vírus que mata. Há grãos de trigo para darem frutos aqui ou ali, agora ou depois. Mistério de morte e vida. Esperamos. Os que fomos seduzidos por Cristo daremos os testemunho custe o que custe. É a tal questão das perdas e ganhos.

Ressoam dentro de nós as palavras de Paulo aos Romanos: “Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovai vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que perfeito”. Trata-se da coragem de ser do Senhor no dia a dia: na lisura de todos os comportamentos, na defesa dos mais frágeis, na oposição a tudo o que minora o ser humano. Pouco importa se agradamos ou não.

Jesus anuncia sua morte. Causa escândalo. Pedro não aceita. O Mestre não tem a mentalidade de “vitimismo”. Assume livremente sua morte. Sua dolorida morte, mas acolhida sob o olhar do Pai que parecia silencioso e longínquo. “Em tuas mãos entrego o meu espirito”.

“O Senhor não esperou os teólogos para se explicar em poucas palavras. Todo o esforço de Deus desde a criação tem sido, por todos os meios, fazer o homem compreender que o amava. Esgotados todos os argumentos, apresenta a maior prova “Não há maior prova de amor que dar a vida por aqueles que amamos”. Eis tudo. Depois disso não há mais nada a dizer. Quem quiser que compreenda. Aí está o livro aberto sobre a cruz (…). Em vez de dizer que a Paixão foi a salvação para a humanidade, seria mais exato ver nela apelo: “Adão, onde estás?” É o grito que escapa de todas a chagas do crucificado e impede o autêntico cristão de dormir tranquilo” (Sulivan).

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

23º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Jr 20,7-9

Leitura do livro do profeta Geremias

Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim. Todas as vezes que falo, levanto a voz, clamando contra a maldade e invocando calamidades; a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro.

Disse comigo: “Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele”. Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo; desfaleci, sem forças para suportar.

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Responsório: Sl 62

— A minh’alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!

— A minh’alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!

— Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!/ Desde a aurora ansioso vos busco! / A minh’alma tem sede de vós,/ minha carne também vos deseja,/ como terra sedenta e sem água!

— Venho, assim, contemplar-vos no templo,/ para ver vossa glória e poder. / Vosso amor vale mais do que a vida;/ e por isso meus lábios vos louvam.

— Quero, pois, vos louvar pela vida,/ e elevar para vós minhas mãos!/ A minh’alma será saciada,/ como em grande banquete de festa;/ cantará a alegria em meus lábios,/ ao cantar para vós meu louvor!

— Para mim fostes sempre um socorro;/ de vossas asas à sombra eu exulto!/ Minha alma se agarra em vós;/ com poder vossa mão me sustenta.

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2ª Leitura: Rm 12,1-2

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Segunda Leitura: Rm 12,1-2

Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.

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Evangelho: Mt 16,21-27

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

E Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém, e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Então Pedro levou Jesus para um lado, e o repreendeu, dizendo: «Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!» Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: «Fique longe de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!»

Então Jesus disse aos discípulos: «Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Tomar a cruz e seguir Jesus

“É proibido proibir”. Hoje em dia existe o pensamento de que nada pode restringir o prazer e o poder. Privar-se de algum prazer é contrário ao que ensinam os grandes doutrinadores da sociedade – a publicidade, a televisão… “Chega de cristianismo triste! Para que sempre falar em cruz e sacrifício?”

No domingo passado vimos que Pedro, com entusiasmo, proclamou a fé em Jesus Messias. No evangelho de hoje, Jesus começa a ensinar que“o filho do Homem” vai sofrer e morrer. Ao ouvir essas palavras, Pedro fica indignado. Mas Jesus o repreende, porque pensa segundo categorias humanas e não segundo o projeto de Deus. Ensina-lhe que, para segui-lo, é preciso assumir a cruz. Séculos antes, Jeremias já experimentara a estranha lógica de Deus. Ele disse abertamente que Deus o “seduziu” para a tarefa ingrata de ser profeta (1ª leitura).

Os critérios humanos se opõem ao modo de proceder de Deus. O homem envereda pelo sucesso e pela eficiência, Deus pelo dom da própria vida. O caminho de Jesus e de seus seguidores é convencer o mundo do amor de Deus.

Deus não deseja “sacrificar pessoas” (como é praxe em estratégias militares e políticas). Apenas deseja que sejam testemunhas de seu projeto. Mas os que não concordam com este projeto matam os profetas, os enviados de Deus, quando estes querem ser fiéis à sua missão. Exemplos disto não faltam em nosso mundo. Por isso, quando Pedro protesta contra a ideia da morte de Jesus, este o vê do lado do grande “adversário”, Satanás: “Vai para trás de mim, Satanás, tu és uma pedra de tropeço para mim”. Pedro deve ir atrás de Jesus, em vez de seduzi-lo para um caminho que não condiz com o projeto de Deus (Satanás significa sedutor). Pedro pensava num Messias de sucesso, Jesus pensa no Servo Sofredor de Deus, que liberta o mundo por sua dedicação até a morte.

A lição que Pedro recebe ensina-nos a olhar para Cristo, para ver nele a lógica de Deus; a olhar para os pobres, para ver neles o resultado da estratégia do adversário… Pois o sucesso e a ganância produzem os porões de miséria.

Devemos analisar o sistema de Deus e o sistema do Adversário hoje. O sistema de Deus proíbe ao homem dominar seu irmão, porque Deus é o único “dono”, os sistemas contrários são baseados na dominação do homem pelo homem. Quem quiser ser mensageiro do Reino de Deus experimentará na pele a incompatibilidade com os sistemas deste mundo (2ª leitura). O mensageiro de Deus, seguidor de Jesus, será rejeitado pela sociedade como “corpo alheio”. Tomando consciência disso, vamos rever nossa escala de valores e critérios de decisão. A mania de sucesso, o prazer de dominar, de aparecer, de mandar… já não valem. Vale agora o amor fiel, que assume a Cruz, até o fim.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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            Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: diocesedecrato.org  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Educar para a vida começa nas pequenas coisas

Reflexão de dom João Santos Cardoso

Os pais, geralmente, vivem cercados por grandes projetos para o futuro dos filhos. Desde cedo, pensam na escola, nos cursos, no aprendizado de idiomas, na universidade e na profissão. Tudo isso é importante. Mas jamais podemos esquecer uma pergunta fundamental: que pessoa queremos formar? Não basta desejar filhos bem-sucedidos; mas, aspirar pessoas humanamente maduras, moralmente bem formadas e de reto caráter. 

Educar não é apenas preparar alguém para ser profissionalmente competente. É preparar para a vida. Uma pessoa pode acumular conhecimentos, dominar tecnologias e alcançar sucesso profissional e, ainda assim, não saber enfrentar uma frustração, respeitar quem pensa diferente, cuidar de alguém fragilizado, agradecer, perdoar ou encontrar sentido para a própria existência. 

Na família, a formação humana acontece, em grande parte, nas pequenas experiências do cotidiano. Arrumar a própria cama pode ensinar responsabilidade. Ajudar nas tarefas de casa ensina que todos devem colaborar. Esperar pelos demais para iniciar uma refeição educa para a convivência. Visitar um avô ou uma pessoa enferma ensina que ninguém perde sua dignidade porque envelheceu ou adoeceu. Pedir desculpas mostra que reconhecer um erro não nos diminui. Evitar desperdícios educa para o cuidado com a criação. Rezar juntos abre o coração para reconhecer que a vida é dom. 

São gestos simples, mas possuem enorme força educativa. 

Talvez um dos desafios de nosso tempo seja justamente recuperar o valor dessas pequenas coisas em nossos lares e nas relações familiares. Numa sociedade marcada pela pressa, podemos morar na mesma casa e, ainda assim, encontrar pouco tempo para verdadeiramente estarmos juntos. Presença não significa apenas proximidade física. Estar presente é olhar, escutar, perceber o outro e interessar-se pelo que ele está vivendo. 

Às vezes, dez minutos de atenção verdadeira valem mais do que horas de convivência distraída. 

Por isso, algumas práticas muito simples precisam ser valorizadas em nossas famílias: conversar durante uma refeição, perguntar como foi o dia e realmente ouvir a resposta, brincar com as crianças, cozinhar juntos, visitar os avós, repartir tarefas, preservar momentos de convivência e encontrar tempo para a oração. 

É assim que se educa a pessoa inteira. 

Naturalmente, desejamos que nossos filhos estudem, trabalhem, desenvolvam seus talentos e construam uma vida digna. Mas desejamos algo maior: que sejam pessoas capazes de amar, livres e responsáveis, honestas e solidárias; que saibam perder e recomeçar; que respeitem os outros, cuidem dos mais frágeis e não reduzam a felicidade ao dinheiro ou ao sucesso. 

Nenhuma dessas virtudes nasce de repente na vida adulta. Elas são cultivadas lentamente no ambiente familiar, por meio da convivência, do exemplo e das escolhas de cada dia. 

A educação possui muito dessa pedagogia silenciosa: pequenos gestos, repetidos cotidianamente, transformam-se em hábitos; os hábitos consolidam valores; e os valores, pouco a pouco, formam o caráter. 

Talvez não possamos oferecer aos filhos tudo aquilo que desejamos. Podemos, porém, oferecer-lhes algo indispensável: presença, exemplo, tempo, limites, afeto e valores capazes de acompanhá-los pela vida inteira. E assim, nas pequenas coisas de cada dia, que ajudamos a formar pessoas capazes não apenas de construir o próprio futuro, mas também de tornar melhor o mundo ao seu redor.

Dom João Santos Cardoso - Arcebispo de Natal (RN) 

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                                                               Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Papa, nesta quarta, sobre a reforma litúrgica:

a participação dos fiéis não pode ser passiva

Leão XIV dedicou a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (26/08) às razões que levaram o Concílio Vaticano II a promover a reforma litúrgica. O Pontífice destacou que a liturgia é uma realidade viva, inserida na tradição da Igreja, e deve favorecer a participação consciente, ativa e piedosa. "Os fiéis não podem nem devem continuar a permanecer em silêncio e passivos. A sua presença material não pode coexistir com a sua ausência espiritual", afirmou.

A reforma litúrgica não surgiu de maneira repentina nem representou uma ruptura com o passado. Foi o que afirmou o Papa Leão XIV na Audiência Geral desta quarta-feira, 26 de agosto, realizada na Basílica de São Pedro, em sua última catequese dedicada à Constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II. Segundo o Pontífice, esse caminho amadureceu no interior da Igreja e foi preparado pelo Movimento Litúrgico e pelo Magistério ao longo do século XX. Ao retomar as razões da reforma, Leão XIV recordou uma carta de 1962 do então arcebispo de Milão, cardeal Giovanni Battista Montini, futuro São Paulo VI, que definia a liturgia como expressão do divino e do humano e como voz do diálogo com Deus.

Fiéis não podem permanecer passivos

Na carta, Montini afirmava que os fiéis “não podem nem devem continuar a permanecer em silêncio e passivos” e que a presença material não pode coexistir com a ausência espiritual. Leão XIV observou que essas palavras estão em sintonia com a Sacrosanctum Concilium, que pede aos cristãos que não entrem no mistério da fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem da ação sagrada de modo consciente, ativo e piedoso:

“Uma vez que os gestos e as palavras da sagrada liturgia são decisivos para concretizar esta experiência, a participação dos fiéis não pode ser passiva.”

Por meio das ações rituais da Igreja, explicou o Papa, realiza-se a memória da obra da salvação e os fiéis podem viver uma verdadeira relação com Deus, entrando em contato com o acontecimento salvífico. Os gestos e as palavras da celebração são, portanto, essenciais para que essa experiência se concretize.

A liturgia, uma realidade viva

Ao colocar no centro o que constitui o cerne da experiência eclesial, a reforma buscou tornar a riqueza dos textos bíblicos e das orações mais acessível a todos os fiéis e simplificar a estrutura das celebrações em relação à prevista nos livros litúrgicos então em vigor:

“A reforma conciliar, ao colocar no centro aquilo que constitui o cerne da experiência eclesial, procurou fazer resplandecer a liturgia como ‘fonte primeira da vida divina que nos é comunicada’.”

A liturgia, recordou Leão XIV, é uma realidade viva e esteve sempre sujeita a evoluções e mudanças. Com respeito pelo patrimônio da tradição, o Concílio distinguiu os elementos divinos e imutáveis daqueles que podem ser modificados com o passar do tempo, para que os textos e os ritos expressem com maior clareza as realidades santas e favoreçam uma celebração plena, ativa e comunitária. Essa distinção, acrescentou, já havia sido apresentada por Pio XII na encíclica Mediator Dei, de 1947.

Um caminho preparado antes do Concílio

O desejo de uma “reforma geral” não surgiu de repente, observou Leão XIV, mas já se manifestava na ação dos Papas desde o início do século XX, em sintonia com as solicitações do Movimento Litúrgico. A constituição apostólica Divini Cultus, de Pio XI, também já havia retomado a necessidade de os fiéis não assistirem às celebrações como estranhos ou espectadores mudos. Pio XII, por sua vez, reorganizou os ritos da Semana Santa, recolocando-os nos horários correspondentes aos acontecimentos pascais, depois de terem sido antecipados por séculos para o período da manhã. São João XXIII também promoveu uma simplificação das rubricas do Breviário e do Missal por meio do motu proprio Rubricarum instructum, de 25 de julho de 1960, remetendo ao futuro Concílio Ecumênico a definição dos princípios fundamentais de uma reforma litúrgica.

Tradição viva da Igreja

Esse percurso histórico, explicou o Pontífice, ajuda a compreender a reforma litúrgica em continuidade com a vida da Igreja. Leão XIV advertiu, porém, que alguns princípios da reforma foram absolutizados ou interpretados de maneira equivocada no período pós-conciliar: “A reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II se insere, portanto, na tradição viva da Igreja.”

Uma compreensão correta da reforma, acrescentou, permite rejeitar esses abusos. O Papa recordou ainda que as ações litúrgicas não são privadas, mas celebrações da Igreja, povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos. Elas pertencem a todo o Corpo da Igreja e o manifestam.

Uma liturgia de nobre simplicidade

Ao concluir a catequese, o Santo Padre ressaltou a responsabilidade dos bispos e de cada sacerdote de zelar pela liturgia e promovê-la no respeito às normas, para que as celebrações manifestem a Igreja una, santa, católica e apostólica:

“É, portanto, responsabilidade primordial dos pastores, dos bispos, mas também de cada sacerdote, zelar e promover uma liturgia que, no respeito pelas normas litúrgicas, brilhe por sua nobre simplicidade e manifeste assim a Igreja una, santa, católica e apostólica.”

Uma liturgia assim, concluiu Leão XIV, torna-se um veículo fundamental de evangelização e um instrumento de graça, por meio do qual os fiéis aprendem a oferecer a si mesmos e, pela mediação de Cristo, crescem na unidade com Deus e entre si.

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 Assista:

Thulio Fonseca - Vatican News

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                                            Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media