Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja
Celebramos com muita alegria a memória de Pedro e Paulo, dois baluartes de nossa Igreja. Impulsionados pela força do alto os dois chegaram até Roma: Pedro o primeiro bispo de Roma e pastor da Igreja universal; Paulo, o andarilho, o lutador, o corajoso empreendedor, o inflamado. O Prefácio desta solenidade faz uma solene declaração a respeito das duas colunas: “ Hoje (Pai santo), vós nos concedeis a alegria de festejar os apóstolos São Pedro e São Paulo. Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação”.
A Igreja vai fazendo seu caminho ao longo dos milênios, santa e imaculada, mas sempre precisando que seus membros, santos e pecadores, se animem e tomem gosto pelo projeto de Jesus.
Neste dia do Papa, queremos enriquecer este momento com palavras do próprio Papa Francisco a quem aprendemos a estimar com filial afeto:
♦ A medida de Deus… é sem medida
O Papa conversa sobre o amor, mas o amor a todo e um amor sem medida.
Qual é a medida de Deus? Sem medida! A medida de Deus é sem medida! Tudo! Tudo! Tudo! Não pode ser medido o amor de Deus: é sem medida! E então nos tornamos capazes de amar até aqueles que não nos amam, e isso não é fácil… amar a quem não nos ama… Não é fácil! Porque sabemos que uma pessoa não nos ama também somos levados a não amar. Mas não!
Devemos amar também aqueles que não nos amam! Opormo-nos ao mal com o bem, perdoando, compartilhando, acolhendo. Graças a Jesus e seu Espírito, também a nossa vida se torna “pão repartido” para nossos irmãos. E vivendo dessa maneira, descobrimos a verdadeira alegria. Alegria de ser um presente, para retribuir o grande dom que nós, primeiramente, recebemos, sem merecimento nosso. Isso é belo: nossa vida se torna um presente! Isto é imitar Jesus, eu gostaria de lembrar estas duas coisas: Primeiro: a medida do amor de Deus é sem medida. Isso está claro? E a nossa vida com o amor de Jesus, recebendo a Eucaristia, se torna um dom como foi a vida de Jesus. Não se esqueça destas duas coisas: a medida do amor de Deus é amar sem medida. E seguindo Jesus, nós, com a Eucaristia, façamos de nossa vida um presente. (Angelus, 22 de junho de 2014)
♦ Reze com sua família
Que beleza quando os membros de uma família colocam-se juntos diante de Deus. O Papa sugere e deseja que as famílias rezem no sacrossanto espaço do lar.
Vocês costumam rezar em família? Alguns sim, eu sei. Mas muitos me dizem: Como se faz isso? Faz-se como fez o publicano, é claro, humildemente, diante de Deus. Cada um, humildemente, se coloca diante do Senhor e lhe pede sua bondade, que ele venha até nós. Mas, em família, como se faz? Porque parece que a oração é algo pessoal e, além disso, nunca se tem um momento adequado, tranquilo em família… Sim, é verdade mas é também questão de humildade, de reconhecer que precisamos de Deus, como o publicano! E todas as famílias têm necessidade de Deus: Todas! Necessidade de sua ajuda, de sua força, de sua bênção, de sua misericórdia, de seu perdão! É preciso simplicidade para rezar em família. Rezar juntos o Pai-nosso ao redor da mesa não é algo extraordinário, é fácil . Rezar o rosário em família, é muito bonito, fortalece tanto. E também rezar um pelo outro, o marido pela mulher e a mulher pelo marido, ambos juntos pelos filhos e dos filhos pelos pais, pelos avós… Rezar um pelo outro: isso é rezar em família, e isso fortalece a família, a oração (Homilia, 27 de outubro de 2013).
♦ A Igreja que eu amo
Sim, a Igreja é para ser amada. Ela é esposa do cordeiro. Ela nasceu do lado aberto de Jesus e no fogo de Pentecostes. Queridos amigos, esta é a Igreja, esta é a Igreja que todos nós amamos, esta é a Igreja que eu amo: uma mãe que se importa com o bem de seus filhos e que é capaz de dar a vida por eles. Nos não devemos esquecer, porém, que a Igreja não são apenas os sacerdotes ou nos bispos; somos todos! Todos somos a Igreja! Tudo bem? Além disse, nós também somos filhos, mas também mães de outros cristãos. Todos os batizados, homens e mulheres, juntos somos a Igreja. Quantas vezes, em nossa vida não damos testemunho dessa maternidade da Igreja’! Quantas vezes somos covardes! (Audiência geral, 3 de setembro de 2014).
Naqueles dias, o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos.
“Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa.
Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele.
Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão.
Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos.
O anjo continuou: “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!” Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: “Põe tua capa e vem comigo!”
Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão.
Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”
— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor;/ que ouçam os humildes e se alegrem!
— Comigo engrandecei ao Senhor Deus,/ exaltemos todos juntos o seu nome! / Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu,/ e de todos os temores me livrou.
— Contemplai a sua face e alegrai-vos,/ e vosso rosto não se cubra de vergonha!/ Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,/ e o Senhor o libertou de toda angústia.
— O anjo do Senhor vem acampar/ ao redor dos que o temem, e os salva./ Provai e vede quão suave é o Senhor!/ Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!
Caríssimo, quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.
Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus
Jesus chegou à região de Cesaréia de Filipe, e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?» Eles responderam: «Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias, ou algum dos profetas.» Então Jesus perguntou-lhes: «E vocês, quem dizem que eu sou?» Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.» Jesus disse: «Você é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu lhe digo: você é Pedro, e sobre essa pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu.»
Popularmente, a festa de hoje é chamada o Dia do Papa, sucessor de Pedro. Mas não podemos esquecer que ao lado de Pedro é celebrado também Paulo, o Apóstolo, ou seja, missionário, por excelência. No evangelho, o apóstolo Simão responde pela fé de seus irmãos. Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro. Este nome é uma vocação: Simão deve ser a “pedra”(rocha) que deve dar solidez à comunidade de Jesus (cf. Lc 22,32). Esta “nomeação” vai acompanhada de uma promessa: as “portas” (cidade, reino) do inferno não poderão nada contra a Igreja, que é uma realização do reino “dos Céus” (= de Deus). A 1ª leitura ilustra essa promessa: Pedro é libertado da prisão pelo anjo do Senhor. Pedro aparece, assim, como o fundamento institucional da Igreja.
Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático. Sua vocação se dá na visão de Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, ele se transforma em apóstolo e realiza, mais do que os outros apóstolos inclusive, a missão que Cristo lhes deixou, de serem suas testemunhas até os extremos da terra (At 1,8). Apóstolo dos pagãos, Paulo torna realidade a universalidade da Igreja, da qual Pedro é o guardião. A 2ª leitura é o resumo de sua vida de plena dedicação à evangelização entre os pagãos, nas circunstâncias mais difíceis: a palavra tinha que ser ouvida por todas as nações (v. 17). Não esconder a luz de Cristo para ninguém! O mundo em que Paulo se movimentava estava dividido entre a religiosidade rígida dos judeus farisaicos e o mundo pagão, cambaleando entre a dissolução moral e o fanatismo religioso. Neste contexto, o apóstolo anunciou o Cristo Crucificado como sendo a salvação: loucura para os gregos, escândalo para os judeus, mas alegria verdadeira para quem nele crê. Missão difícil. No fim de sua vida, Paulo pode dizer que “combateu o bom combate e conservou a fé/fidelidade”, a sua e a dos fiéis que ele ganhou. Como Cristo – o bom pastor – não deixa as ovelhas se perderem, assim também o apóstolo – o enviado de Cristo – conserva-lhes a fidelidade.
Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica, diferentes mas complementares. As duas foram necessárias, para que pudéssemos comemorar hoje os fundadores da Igreja universal. Esta complementariedade dos carismas de Pedro e Paulo continua atual na Igreja hoje: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária. Pode até provocar tensões, por exemplo, uma teologia “romana” versus uma teologia latino-americana. Mas é uma tensão fecunda. Hoje, sabemos que o pastoreio dos fiéis – a pastoral – não é monopólio dos “pastores constituídos” como tais, a hierarquia. Todos fiéis são um pouco pastores uns para com os outros. Devemos conservar a fidelidade a Cristo – a nossa e a dos nossos irmãos – na solidariedade do “bom combate”.
E qual será, hoje, o bom combate? Como no tempo de Pedro e Paulo, uma luta pela justiça e a verdade em meio a abusos, contradições e deformações. Por um lado, a exploração desavergonhada, que até se serve dos símbolos da nossa religião; por outro, a tentação de largar tudo e de dizer que a religião é um obstáculo para a libertação. Nossa luta é, precisamente, assumir a libertação em nome de Jesus, sendo fiéis a ele; pois, na sua morte, ele realizou a solidariedade mais radical que podemos imaginar.
PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.
Na Missa de
abertura do Consistório extraordinário, Leão XIV convidou os cardeais a
oferecerem a Deus "as comunidades e os povos" que trazem no coração e
indicou três orientações para os trabalhos: viver a liberdade da fé, promover a
paz na unidade e fortalecer a concórdia na obediência à Palavra. O Pontífice
recordou ainda que "a paz é um dever de justiça" e reafirmou que
"a guerra nunca é digna do homem e nunca é abençoada por Deus".
“Caríssimos
irmãos, reunimo-nos em redor do altar do Senhor, junto ao túmulo de São Pedro,
para dar início ao Consistório. Vindos de todas as partes do mundo, estamos a
celebrar esta Eucaristia: com a nossa vida, ofereçamos a Deus as comunidades e
os povos que trazemos no coração, bem como os projetos e as experiências
pastorais, alegres e trabalhosas.”
Foi com esse
convite que o Papa Leão XIV iniciou sua homilia, na manhã desta sexta-feira
(26/06), durante a Missa de abertura do Consistório extraordinário, celebrada
na Basílica de São Pedro. Ao longo de dois dias, os cardeais reunidos no
Vaticano aprofundam, em espírito sinodal, temas ligados à vida da Igreja e aos
desafios do mundo contemporâneo, refletindo sobre questões como a paz, a
implementação do Sínodo e a missão evangelizadora. Inspirado nas leituras
do dia e na proximidade da solenidade dos Santos Pedro e Paulo, o Santo Padre
apresentou três orientações para o discernimento dos participantes.
A verdadeira
liberdade nasce da fé
O primeiro
convite foi a redescobrir a liberdade que nasce da relação com Cristo. Segundo
o Papa, o exemplo dos apóstolos Pedro e Paulo recorda que é a comunhão com o
Senhor que liberta do pecado e do medo e torna fecunda a missão da Igreja.
"A Igreja viva é a Igreja que acredita", afirmou Leão XIV, recordando
que a fé "precede a nossa e pede para ser testemunhada com ardor".
Por isso, destacou que anunciar o Evangelho, celebrar os sacramentos e servir o
povo de Deus somente produzem frutos quando permanecem enraizados em Cristo, a
verdadeira videira.
"A guerra
nunca é digna do homem"
O segundo eixo
da reflexão foi dedicado à paz. Diante das tensões internacionais e dos
conflitos que atingem a humanidade, o Papa recordou que continuam surgindo
iniciativas que promovem a dignidade humana, a justiça e o respeito ao próximo,
sinais concretos de esperança. Quando a dignidade da pessoa humana é ferida,
observou, toda a humanidade sofre. Por isso, afirmou com firmeza:
“A guerra nunca
é digna do homem e nunca é abençoada por Deus, pois o Criador dotou-nos de
inteligência e vontade para resolver os conflitos como seres humanos e não como
animais, eventualmente dotados de armas hipertecnológicas.”
Leão XIV
ressaltou ainda que "a unidade da família humana precede cada povo e cada
Estado" e sublinhou: "A paz é um dever de justiça, porque somos uma
única família humana, uma magnifica humanitas que encontra em Cristo a sua
Cabeça e Redentor." Ao retomar sua encíclica Magnifica humanitas,
promulgada em 15 de maio, o Pontífice afirmou ser necessário prosseguir o
caminho indicado por São Paulo VI na construção da "civilização do
amor", promovendo um desenvolvimento humano integral. Nesse horizonte,
acrescentou:
"Ao
anunciar o Evangelho, entre alegrias e perseguições, a Igreja nunca toma
partido: é para todos, e a cada um dirige a mesma palavra de conversão e
salvação."
Caminhar juntos
na escuta
Como terceira
orientação, o Papa convidou os cardeais a viverem "a concórdia na
obediência", entendida como a escuta da Palavra viva, que é Cristo.
Segundo ele, é o Espírito Santo quem orienta a Igreja, indicando os desafios
pastorais, purificando intenções e conduzindo todos no caminho comum. Leão XIV
afirmou que a implementação do Sínodo convida toda a Igreja a avançar "na
unidade da fé, na promoção da paz e na obediência à Palavra viva",
encontrando novas linguagens para anunciar o Evangelho sem perder a sua
permanente novidade. Por fim, destacou que a colegialidade episcopal
resume a sinodalidade vivida por todo o povo de Deus e dirigiu-se aos cardeais
com um pedido de colaboração humilde no exercício do ministério petrino:
"A ajuda
que me podereis prestar, no exercício do ministério petrino, encontra em mim
alguém que pede, e não alguém que manda. Efetivamente, a autoridade do primado
é própria de quem escuta e, só por causa disso, guia; de quem aprende e, só por
causa disso, ensina, sempre no seguimento do único Mestre", concluiu.
Thulio Fonseca - Vatican News
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Leão XIV aos
cardeais:
"Preciso do apoio de vocês". Peço franqueza e lealdade.
No discurso de
abertura do Consistório Extraordinário, Leão XIV foi sincero com os cardeais,
pedindo apoio "forte, explícito e público" para que a Igreja continue
a anunciar o Evangelho com maior fidelidade, liberdade e credibilidade. A
missão, recordou, é a nossa razão de ser.
"Como
podemos ajudar hoje nossas Igrejas a anunciar o Evangelho com maior fidelidade,
liberdade e credibilidade?" Esta foi a pergunta que Leão XIV dirigiu aos
cardeais reunidos para o Consistório Extraordinário, em andamento no Vaticano.
Depois da Santa
Missa na Basílica Vaticana, o Pontífice fez seu discurso de abertura na Sala
Paulo VI, afirmando que a missão não é uma das muitas tarefas da Igreja, mas
sua razão de ser. E é por isso, que se torna também o critério que orienta o
discernimento.
Aprende-se
caminhando, ressaltou o Santo Padre, explicando os quatro temas
"profundamente interligados" que guiarão os trabalhos que hoje se
iniciam. Não somos guardiões de interesses particulares, recordou, mas
"discípulos e testemunhas do Reino de Deus, chamados a ser, em Cristo,
fermento de fraternidade universal".
Quatro temas que
convergem na missão da Igreja
O primeiro tema,
portanto, é contemplar o mundo no qual a Igreja é chamada a anunciar
o Evangelho. Antes de se questionar o que fazer, afirmou, é preciso deter-se
diante da realidade, olhando-a com os olhos da fé e deixando-nos questionar
pela escuta dos irmãos. Jesus habita os lugares de nossa vida cotidiana, e a
Igreja é chamada a reconhecer a sua presença.
O segundo tema é
a reflexão sobre a cultura do poder e a civilização do amor. "Muitos
de vocês vêm de terras marcadas pela guerra, pela violência, pela polarização
social ou religiosa. Mas nenhum de nós está alheio às muitas formas de
conflito, de opressão e de divisão que hoje atravessam nossas sociedades. Por
isso, o discernimento que somos chamados a realizar diz respeito a todos e
interpela a missão da Igreja em todos os contextos."
Leão XIV indicou
a Encíclica "Magnifica humanitas", que pode oferece chaves de
interpretação para este tempo. Ao Papa, interessa saber como essas páginas
ressoam nas Igrejas particulares, através dos questionamentos suscitados, das
perspectivas abertas e dos passos sugeridos.
O terceiro tema
é justamente o aprofundamento desta Encíclica, questionando-se sobre a
contribuição que a Igreja pode oferecer para a construção do bem comum.
"Vivemos em uma época em que cresce a tentação da fragmentação e os
interesses particulares prevalecem com facilidade. A Doutrina Social da Igreja
nos lembra que o bem comum não surge espontaneamente, mas exige
responsabilidades compartilhadas."
Para a Igreja,
acrescentou, isso se traduz num estilo sinodal a serviço da missão do Reino, em
que as decisões são tomadas e as responsabilidades exercidas, com
transparência, avaliação e corresponsabilidade.
Já o último tema
diz respeito à implementação do Sínodo. "Diante das feridas do mundo,
da construção do bem comum e da missão da Igreja, a sinodalidade indica um modo
de proceder: ouvir, discernir e assumir juntos a responsabilidade pelas escolhas
que o Senhor nos confia. A sinodalidade não é, antes de tudo, um conjunto de
procedimentos; como já tive oportunidade de dizer várias vezes, a sinodalidade
é uma atitude, uma abertura, uma disposição para compreender."
Não se trata de
uma diminuição da autoridade; pelo contrário, ajuda a compreender mais
profundamente o seu significado, que existe para guardar a comunhão, favorecer
a participação de todos e orientar o caminho comum da Igreja.
A missão é a
razão de ser da Igreja
Para o Santo
Padre, todos estes temas convergem em uma única pergunta: como podemos ajudar
hoje nossas Igrejas a anunciar o Evangelho com maior fidelidade, liberdade e
credibilidade?
"A missão
não é uma das muitas tarefas da Igreja. É sua razão de ser e, justamente por
isso, torna-se também o critério que orienta nosso discernimento. Quando
aprendemos a ouvir uns aos outros, a compartilhar responsabilidades, a
reconhecer a ação do Espírito nas diversas Igrejas, não estamos apenas
melhorando nossa maneira de trabalhar: estamos nos tornando uma Igreja mais
capaz de encontrar os homens e as mulheres do nosso tempo e de testemunhar a
eles a alegria do Evangelho."
Um conselho
sincero é sempre um ato de comunhão
Leão XIV pediu
então uma ajuda especial aos cardeais:
“O ministério
que o Senhor me confiou não pode ser vivido sozinho. Ele precisa da experiência
de vocês, da sabedoria pastoral de vocês, do conhecimento que têm das Igrejas e
dos povos que lhes foram confiados. Conto com vocês para que me ajudem a
discernir o que o Espírito diz hoje à Igreja. Preciso do apoio de vocês: forte,
explícito e público. Preciso sentir-me apoiado por vocês como irmãos.”
O pedido do Papa
se estende para além desses dias de trabalho, através de "conselhos
sinceros". "Ajudem-me a ouvir o que surge nas Igrejas, a reconhecer
os sinais de esperança que muitas vezes crescem no silêncio, mas também a não
ignorar as dificuldades, as incompreensões e as resistências que podem retardar
o caminho. Preciso da liberdade de vocês, de sua franqueza e de sua
lealdade. Um conselho sincero é sempre um ato de comunhão."
Por fim, mais um
pedido, de que os cardeais apoiem esse estilo de discernimento eclesial, que
exige paciência e, às vezes, suscita questionamentos. "No entanto, estou
convencido de que o Senhor está nos ensinando uma maneira mais evangélica de
viver juntos a responsabilidade que nos confiou. Daí também depende a
credibilidade do nosso testemunho e a fecundidade da nossa missão."
O trabalho em
grupos pode parecer inabitual para conduzir um Consistório, acrescentou o Papa,
mas também isso faz parte do caminho pelo qual o Senhor está conduzindo a
Igreja. "A comunhão nunca é um resultado conquistado de uma vez por todas:
continua sendo uma conversão diária, que se concretiza na oração e por meio de
atitudes concretas, relações de confiança e disponibilidade para nos ouvirmos
reciprocamente."
Além do espaço
para intervenções pessoais, Leão XIV reforçou que todos os participantes podem
se sentir livres para lhe enviar observações ou reflexões confidenciais.
"Mas peço que participem com confiança desse exercício eclesial. Nós
também aprendemos a sinodalidade praticando-a; aprendemos juntos a crescer na
comunhão. Agradeço-lhes desde já por sua disponibilidade, por sua liberdade
interior e por seu amor à Igreja", concluiu o Santo Padre.
"Confiamos
estes dias ao Espírito Santo, para que nos torne dóceis à sua voz e nos conceda
a graça de buscar juntos o que melhor serve ao Evangelho e ao bem do Povo de
Deus. Obrigado."
Seu pregador
direitista disse isto? Seu pregador esquerdista disse aquilo? Seu pregador
centrista disso outra coisa? Que tal ouvir Jesus e os apóstolos para começarem
a dialogar como gente fraterna? …
Padre Zezinho
______________________
A falta de
leitura e conhecimento das escrituras e dos postulados da moral católica já
criou muita calúnia e confusão no púlpito, no palco e na internet! Isto em
todas as igrejas!
Na Bíblia, os
conceitos de salvação e libertação estão mais do que claros a significar que
Deus “salva e liberta”. No Novo Testamento está claríssimo. Jesus é Salvador e Libertador.
Salvou e libertou!
Cantamos o
Benedictus, o Magnificat, o Glória, o Credo, o Santo e o Cordeiro de Deus sem
perceber que estamos falando de libertação espiritual e política.
Cantamos o Santo
em português e em latim, sem saber que HOSANA é expressão hebraica que
significava SALVA-NOS, LIBERTA-NOS e liberta-nos não só do pecado, mas de toda
e qualquer opressão!
***
De repente
pregamos e cantamos os salmos de libertação de um povo prisioneiro e oprimido
como se fosse apenas canções de libertação e salvação da alma, quando está
claríssimo no texto que se tratava de teologia da libertação bíblica e que na
época era uma TL. Era teologia: Javé libertava e salvava!
***
Hoje a conotação
virou blasfêmia, como se todos nós que pregamos TL fôssemos comunistas. O que
somos é CATEQUISTAS!
Na verdade, eram
e são conceitos hebraicos, judeus e Cristão e Católicos.
Os hinos e
cantos hebreus eram canções religiosas de libertação espiritual e política. E
continuam sendo!
O trabalhador
que há meses não recebe seu salário, ou o salário vem com um desconto injusto
ao clamar por seus direitos está vivendo uma TL Bíblica e Cristã e está longe
de ser um sujeito Marxista.
Quem usa o viés (desvio)
capitalista ou marxista, ou comunista está deturpando o verdadeiro sentido da LIBERTAÇÃO!
Se alguns indivíduos fizeram ou fazem isto vai por conta deles ou delas, porque
para nós é DOUTRINA SOCIAL da NOSSA IGREJA (DSI).
***
Os profetas, os salmos,
os hinos, os evangelhos, as pregações de Jesus e dos apóstolos não visavam
apenas a SALVAÇÃO DA ALMA, mas também da pessoa ou comunidades e do todo o povo.
É verdade que somos todos chamados a salvar nossa alma e as almas de quem
precisa de mudança de rumo. Mas não se alma só a alma. Jesus salvou da
angústia, da fome e da opressão e aquilo também era salvar a pessoa por inteiro!
A mulher que ele salvou do apedrejamento foi salva de corpo e alma. Ou não foi?
São Tiago
criticou quem abençoa e manda um sujeito ir em paz sem ter lhe dado comida ou
algo que o salvasse da fome ou da ferida. Na parábola do bom samaritano, o bom
leigo samaritano salva um sujeito roubado e espancado e o liberta da morte
mesmo sem saber que ele era!
***
Aquelas bombas e
drones e mísseis que matam milhões de inocentes são instrumentos de OPRESSÃO a
serviço de alguma ideologia. A Bíblia, sobretudo os evangelhos e as epístolas
são instrumentos de teologia da LIBERTAÇÃO.
Onde quer que
alguém estiver sendo caluniado, espancado, oprimido, expulso de sua terra,
porque alguém invadiu e roubou seu país ...
onde quer que
alguém não sabe mais o que fazer para viver em paz, aí está a TL B a dizer que
ensinar a teologia da libertação ou da salvação é doutrina de 3.800 anos.
***
Libertemo-nos e
libertemos quem está sendo oprimido, salvemo-nos se e salvemos quem está sendo oprimido.
Não oprima e não se deixe oprimir. Jesus ensinou a fazê-lo sem violência e sem ódio.
***
Você acha que
isto é impossível? Que temos que andar armados e devolver olho por olho e dente
por dente?
Vai achar essa
postura nos salmos. Mas não vai achá-la nos evangelhos e nas epístolas. É isto
que se chama NOVO TESTAMENTO.
Quem escolhe
viver segundo o Velho Costume e não segundo o NOVO JEITO, não se proclame
seguidor de Jesus. Simplesmente isso!
da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032
O arcebispo de Santa Maria (RS) e também
coordenador do Grupo de Trabalho das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora
da Igreja no Brasil 2026-2032, dom Leomar Brustolin, apresenta no vídeo abaixo
as ideias centrais contidas no documento nº 114 da Conferência Nacional Dos
Bispos do Brasil (CNBB).
Aprovadas na 62ª Assembleia Geral da CNBB,
em abril de 2026, as Diretrizes da Ação Evangelizadora traduzem em linhas de
ação por onde a Igreja no Brasil vai caminhar nos próximos anos para anunciar
Jesus Cristo em comunidades missionárias.
Dom Leomar destaca que a palavra “Missão” é
fundamental para entender as novas diretrizes. “Ir ao encontro as pessoas, num
caminho cada vez mais sinodal. Isto é, caminhamos juntos, formamos uma família
em torno de Jesus Cristo que busca anunciar a boa nova do Reino a tantas outras
pessoas”, aponta.
Dom Leomar fala também dos compromissos
assumidos no documento pelos bispos do Brasil reunidos em Assembleia. Conheça,
no vídeo abaixo, o caminho proposto pelas novas diretrizes gerais da Ação
Evangelizadora da Igreja no Brasil para o período de 2o26 a 2032.