sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem
O Papa Leão
rezou a oração mariana do Angelus após receber alta hospitalar, no último
sábado. Na semana passada, o Santo Padre foi internado no Hospital Gemelli para
a remoção de um adenocarcinoma no pulmão direito. Na alocução que precedeu a
oração, Leão XIV recordou que o Reino de Jesus pede "que vivamos sem
concessões, livres de más ambições e de interesses injustos, colocando acima de
tudo o Reino de Deus e a sua justiça".
O Papa Leão XIV
conduziu a oração mariana do Angelus, deste domingo (18/10), da janela da
residência apostólica vaticana. Segundo dados da Gendarmaria Vaticana, 15
mil fiéis estiveram presentes na Praça São Pedro.
Lembramos que o
Pontífice recebeu alta do Hospital Agostino Gemelli e retornou ao Vaticano, na
tarde do último sábado (17/10), após a cirurgia no pulmão direito para a
remoção de um adenocarcinoma pulmonar, no dia 13 de outubro.
O Evangelho da
liturgia deste domingo, "põe-nos diante de uma das frases mais famosas de
Jesus: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus»".
Leão XIV disse que "é importante situá-la no contexto em que foi
originalmente proferida".
Viver livres de
más ambições e interesses injustos
"O
evangelista Mateus descreve uma situação hostil em relação a Jesus: os fariseus
reúnem-se para ver como apanhá-lo em contradição nas suas palavras. Decidem
enviar algumas pessoas para o interrogar sobre uma questão controversa: «É
lícito ou não pagar o imposto a César?». A resposta do Mestre é astuta, pois
mantém-no fora da armadilha e desmascara a hipocrisia daqueles que querem
fazê-lo cair. Pede-lhes a moeda do tributo, ou seja, um denário. Eles lhe
entregam, e Jesus diz: «De quem é esta imagem e esta inscrição?».
Respondem-lhe: «De César». Então afirma: «Dai, pois, a César o que é de César e
a Deus o que é de Deus»."
“Em Jesus,
contemplamos um Deus que não teme a história e que, pelo contrário, vem habitar
nela. O seu Reino não retira os cargos nem as responsabilidades humanas. Pede,
porém, que vivamos sem concessões, livres de más ambições e de interesses
injustos, colocando acima de tudo o Reino de Deus e a sua justiça.”
Ser verdadeiro,
livre para o bem
"Neste
sentido, chama a atenção o elogio que essas mesmas pessoas dirigem a Jesus,
ainda que movidas por más intenções: «Mestre, sabemos que és sincero e que
ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem te deixares influenciar por
ninguém, pois não olhas para a condição das pessoas»."
O Papa Leão
concluiu, dizendo:
“Caríssimos, é
precisamente este o perfil de quem “dá a César o que é de César e a Deus o que
é de Deus”: ser verdadeiro, sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem.
Roguemos ao Senhor que nos ajude a ser assim. E confiemo-nos à intercessão da
Virgem Maria.”
obrigado a todos que rezaram por mim, senti o apoio de vocês
Ao final da
oração do Angelus, o Papa agradeceu pelas orações que os sustentaram nos dias
de internação e à equipe do Hospital Gemelli. Em seguida, recordou seus
próximos compromissos: "Superada esta fase delicada, como sabem, retomarei
gradualmente as minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e de suas
orações".
Após a oração
mariana do Angelus, o Papa Leão XIV recordou que neste domingo (18/10),
celebra-se o 100° Dia Mundial das Missões sobre o tema "Um em Cristo,
unidos na missão".
A ideia do Dia
Mundial das Missões surgiu em 1926, ano em que o Papa Pio XI publicou a
encíclica Rerum Ecclesiae, sobre as missões, razão pela qual o Pontífice passou
a ser chamado de "o Papa das Missões". A primeira celebração desse
dia ocorreu em outubro de 1926 e, desde então, tem sido sempre celebrada no
penúltimo domingo de outubro.
“Pensemos a
quanta história missionária abrangeu esses cem anos! Rezemos para que a Igreja
seja sempre fiel ao mandato do Senhor Ressuscitado: “Ide por todo o mundo e
pregai o Evangelho a toda criatura”.”
Na tarde do
último sábado (17/10), o Papa Leão recebeu alta hospitalar, após ficar
internado no Hospital Gemelli de Roma para uma cirurgia de remoção de um
adenocarcinoma no pulmão direito. O Pontífice aproveitou a ocasião para
agradecer fazer publicamente a todos que o apoiaram nesses dias de internação.
“Gostaria de
agradecer a todos que rezaram por mim nestes dias. Senti verdadeiramente o
apoio de vocês, muito obrigado!”
Depois,
agradeceu aos profissionais da saúde que cuidaram dele.
“Expresso a
minha especial gratidão aos médicos, enfermeiros e a toda a equipe do Hospital
Gemelli. Esta experiência me fez sentir especialmente próximo daqueles que
enfrentam doenças e enfermidades.”
Olhando para os
compromissos que o aguardam, o Papa espera poder contar com o apoio dos fiéis.
“Superada esta
fase delicada, como sabem, retomarei gradualmente as minhas atividades, sempre
com a ajuda de Deus e de suas orações.”
Os fiéis na
Praça São Pedro responderam com mais aplausos, e o Papa agradeceu-lhes mais uma
vez, repetindo: "Obrigado a todos e tenham um bom domingo". Em
seguida, se deteve por mais alguns instantes na janela da residência apostólica
vaticana, sorrindo e acenando para as pessoas, retribuindo o carinho que lhe
fora demonstrado.
indulgência plenária para o 100° Dia Mundial das Missões
Aqueles que, em
18 de outubro, celebram o Dia Mundial das Missões instituído pelo Papa Pio XI
em 1926, por ordem papal, podem obter a remissão total, perante Deus, da pena
temporal dos pecados, rezando o Rosário pela propagação do Evangelho em todo o
mundo. Leão XIV, no Angelus: "Que a Igreja seja sempre fiel ao mandato do
Senhor Ressuscitado: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda
criatura".
Através da
Penitenciaria Apostólica, o Papa Leão XIV concedeu a indulgência plenária por
ocasião do 100° Dia Mundial das Missões, instituído pelo Papa Pio XI, em 1926,
e celebrado neste domingo, 18 de outubro, cujo tema deste ano é"Um em
Cristo, unidos na missão".
No Angelus deste
domingo, o Papa disse: "Pensemos a quanta história missionária abrangeu
esses cem anos! Rezemos para que a Igreja seja sempre fiel ao mandato do Senhor
Ressuscitado: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda
criatura»".
O Decreto da
Penitenciaria
O Decreto da
Penitenciaria especifica que a indulgência pode ser obtida sob as condições
habituais: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções
do Papa. Pede ainda que os fiéis rezem o Rosário em união com o Papa pela
difusão do Evangelho em todo o mundo.
A mensagem do
Papa para o dia
Na Mensagem para
o 100° Dia Mundial das Missões, divulgada em 25 de janeiro passado, Leão XIV
exorta "toda a Igreja a prosseguir com alegria e zelo no Espírito Santo o
caminho missionário, que exige corações unidos em Cristo, comunidades
reconciliadas e, em todos, disponibilidade para colaborar com generosidade e
confiança". No centro da missão, o Papa identifica o "mistério da
união com Cristo". Nas palavras de Jesus que antecedem a Paixão —
"Para que todos sejam um; assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que
também eles estejam em nós" — revela-se o desejo último de Cristo e a
própria identidade da Igreja: "Ser uma comunhão que nasce da Trindade e
que vive da e na Trindade, a serviço da fraternidade humana e da harmonia com
todas as criaturas", explica o Pontífice. "Ser cristão não é, antes
de tudo, um conjunto de práticas ou ideias: é uma vida em união com Cristo, na
qual nos tornamos participantes da relação filial que Ele vive com o Pai no
Espírito Santo", ressalta o Papa, acrescentando que a responsabilidade
primordial da Igreja em missão consiste na renovação da unidade espiritual e
fraterna entre seus membros.
Participar da
missão evangelizadora da Igreja
Hoje, assistimos
a conflitos, polarizações, incompreensões e desconfiança recíproca, observa
Leão, ressaltando que "quando isso acontece também" nas comunidades
eclesiais, "o testemunho se enfraquece". Por outro lado, "a
missão evangelizadora, que Cristo confiou aos discípulos, exige, antes de tudo,
corações reconciliados e ansiosos por comunhão". "Nenhum
batizado" – afirma o Pontífice – "é alheio ou indiferente à missão:
todos, cada um segundo sua vocação e condição de vida, participam da grande
obra que Cristo confia à sua Igreja". Pois "como o Papa Francisco
lembrou várias vezes, o anúncio do Evangelho é sempre uma ação conjunta,
comunitária e sinodal". Daí o apelo de Leão para que todos se unam aos
missionários e missionárias "por meio do testemunho de vida em Cristo, da
oração e da contribuição para as missões" e para que "cada um,
segundo sua vocação e os dons recebidos, contribua para a grande missão
evangelizadora, que é sempre obra do amor". Por fim, ao concluir a
mensagem, o Papa invoca a Deus para que "todos os membros da Igreja
estejam unidos na missão, dóceis ao Espírito Santo, corajosos no testemunho do
Evangelho".
A exegese moderna não dá lugar a dúvidas. O principal para Jesus é a vida, não a religião. Basta analisar a trajetória de sua atividade. Sempre o vemos preocupado por suscitar e desenvolver, no meio daquela sociedade, uma vida mais sadia e mais digna.
Pensemos em sua atuação no mundo dos enfermos: Jesus se aproxima dos que vivem sua vida de maneira diminuída, ameaçada ou insegura, para despertar neles uma vida mais plena. Pensemos em sua aproximação aos pecadores: Jesus lhes oferece o perdão que os faça viver uma vida mais digna, resgatada da humilhação e do desprezo. Pensemos também nos endemoninhados, incapazes de ser donos de sua vida: Jesus os liberta de uma vida alienada e desconcertada pelo mal.
Como foi sublinhado por Jon Sobrino, pobres são aqueles para os quais a vida é uma carga pesada, pois não podem viver com um mínimo de dignidade. Esta pobreza é o que há de mais contrário ao plano original do Criador da vida. Onde um ser humano não pode viver com dignidade, ali a criação de Deus aparece como viciada e anulada.
Por isso, Jesus se preocupa tanto com a vida concreta dos camponeses da Galileia. O que aquela gente precisa em primeiro lugar é viver, e viver com dignidade. Não é a meta final, mas é, neste momento, o mais urgente. Jesus os convida a confiar na salvação última do Pai, mas o faz salvando as pessoas da enfermidade e aliviando males e sofrimentos. Anuncia-lhes a felicidade definitiva no seio de Deus, mas o faz introduzindo dignidade, paz e felicidade neste mundo.
Às vezes, nós cristãos expomos a fé com uma tal confusão de conceitos e palavras que, na hora da verdade, poucos entendem o que é exatamente o Reino de Deus de que fala Jesus. Mas as coisas não são tão complicadas. O que Deus quer é unicamente isto: uma vida mais humana para todos e, desde agora, uma vida que chegue à sua plenitude na vida eterna. Por isso nunca se deve dar a nenhum César o que é de Deus: a vida e a dignidade de seus filhos.
JOSÉ ANTONIO PAGOLAcursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.
♦ A liturgia deste domingo nos faz ouvir o conhecido evangelho do “dai a César o que de César e a Deus e o que é de Deus”. Não podemos fugir do tema, mesmo em sua complexidade. Discípulos de Jesus que somos, não vivemos de um lado nossa fé cristã e completamente do outro a existência no mundo. Fé e vida, para nós cristãos, se interpenetram sem se confundirem. O tema é vasto. Na história muitas vezes a Igreja andou passeando sem muito critério nos domínios de César e este, por sua vez tentando se imiscuir nos negócios da Igreja. Cada um no seu lugar, com sadia interpenetração e complementariedade.
♦ Cabe, neste contexto ter diante de nossos olhos algumas observações pertinentes de um antigo documento da Igreja conhecido como Carta a Diogneto (em torno de 120 dC): “Não se distinguem os cristãos dos demais, nem pela região, nem pela língua, nem pelos costumes. Não habitam cidades à parte, não empregam idioma diverso dos outros, não levam um gênero de vida extraordinário” (n.4). Os cristãos vivem no meio dos homens.
♦ São como todos. Nascem, crescem, estudam, trabalham, divertem-se, cantam, dançam, choram, batalham, convivem, homem, mulher. São cidadãos. César tem responsabilidade de cuidar de todos, tanto dos cristãos, como cuida de todos os cidadãos que lhe são confiados. Recolhe impostos de todos, também dos cristãos. Com esses impostos os governantes cuidam da educação, da saúde, dos hospitais, da atenção para com os idosos, da limpeza pública, da iluminação, da segurança. Fazem casas decentes. Administram com honestidade as cidades e o país. Os cristãos são fiéis aos seus deveres para com Cesar. Dão a César o que é de César. Pagam seus impostos. Respeitam suas leis. Querem, no entanto, que seja respeitada sua consciência e sua opção religiosa.
♦ Em seu agir cotidiano, os cristãos projetam no mundo uma luz que lhes é própria. A partir do encontro com Cristo, da assimilação do Evangelho, pela audição da Palavra, pela vivência em comunidades fraternas e de oração fazem incidir uma claridade diferente no campo da vida e da vida com os outros. Estão densamente nas realidades terrenas, fazem o que podem para humanizá-las, inserem-se no cortejo daqueles que tornam a vida humana o mais digna possível. Médicos, sapateiros, advogados, banqueiros cristãos não negligenciam seus trabalhos. Realizam-no da melhor maneira. Os cristãos sentem-se convidados a humanizar o mundo e as relações.
♦ Estão no mundo, mas não são do mundo. Não aceitam certos projetos dos homens marcados por interesses pequenos, projetos que esquecem o ser humano marcados pelo aproveitamento dos incautos, falcatruas, banalização do corpo, pornografia, violação da consciência. Sempre iluminam o campo de atuação de César com a claridade do Evangelho. Estão no mundo, sem serem do mundo. São sal da terra, luz do mundo e fermento na massa. Adquirem essa postura de viver do Sermão da Montanha e com isso colocam em tudo gosto, claridade e tempero.
♦ “Na dialética posta por Jesus entre César e Deus situa-se a condição do crente que está no mundo, mas não é do mundo, que habita cidade secular, mas espera o Reino de Deus, que vive na pólis, mas que tem a politeúma, a cidadania nos céus (cf Fl 3,20). O cristão vive uma fidelidade autêntica à terra, graças à sua reserva escatológica. Dar a Deus o que é de Deus é tomado também no sentido de atuar para que o mundo – saído das mãos de Deus e confiado por Ele aos homens – na sua organização e nas suas instituições possa corresponder aos requisitos de justiça e de direito que são próprios da práxis messiânica” (Manicardi).
♦ Moram na própria pátria, mas como peregrinos. Enquanto cidadãos, de tudo participam, porém tudo suportam como estrangeiros. Toda terra estranha é pátria para eles.
♦ Casam-se como todos os homens e como todos procriam, mas não rejeitam os filhos. A mesa é comum: não o leito.
♦ Estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Se a vida deles decorre na terra, a cidadania, contudo, está nos céus. Obedecem as leis estabelecidas, todavia superam-nas pela vida;
♦Amam a todos e por todos são perseguidos. Desconhecidos, são condenados. São mortos e com isso se vivificam. Pobres enriquecem a muitos. Tudo lhes falta, e têm abundância de tudo…
FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.
Isto diz o Senhor sobre Ciro, seu Ungido: “Tomei-o pela mão para submeter os povos ao seu domínio, dobrar o orgulho dos reis, abrir todas as portas à sua marcha, e para não deixar trancar os portões.
Por causa de meu servo Jacó, e de meu eleito Israel, chamei-te pelo nome; reservei-te, e não me reconheceste. Eu sou o Senhor, não existe outro: fora de mim não há deus. Armei-te guerreiro, sem me reconheceres, para que todos saibam, do oriente ao ocidente, que fora de mim outro não existe. Eu sou o Senhor, não há outro”.
— Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!
— Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!
— Cantai ao Senhor Deus um canto novo,/ cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira!/ Manifestai a sua glória entre as nações,/ e entre os povos do universo seus prodígios!
— Pois Deus é grande e muito digno de louvor,/ é mais terrível e maior que os outros deuses,/ porque um nada são os deuses dos pagãos./ Foi o Senhor e nosso Deus quem fez os céus.
— Ó família das nações, dai ao Senhor,/ ó nações, dai ao Senhor poder e glória,/ dai-lhe a glória que é devida ao seu nome!/ Oferecei um sacrifício nos seus átrios.
— Adorai-o no esplendor da santidade,/ terra inteira, estremecei diante dele!/ Publicai entre as nações: “Reina o Senhor! ”,/ pois os povos ele julga com justiça.
Paulo, Silvano e Timóteo, à Igreja dos tessalonicenses, reunida em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: a vós, graça e paz! Damos graças a Deus por todos vós, lembrando-vos sempre em nossas orações. Diante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo.
Sabemos, irmãos amados por Deus, que sois do número dos escolhidos. Porque o nosso Evangelho não chegou até vós somente por meio de palavras, mas também mediante a força que é o Espírito Santo; e isso, com toda a abundância.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus
Então os fariseus se retiraram, e fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. Mandaram os seus discípulos, junto com alguns partidários de Herodes, para dizerem a Jesus: «Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e que ensinas de fato o caminho de Deus. Tu não dás preferência a ninguém, porque não levas em conta as aparências. Dize-nos, então, o que pensas: É lícito ou não é pagar imposto a César?» Jesus percebeu a maldade deles, e disse: «Hipócritas! Por que vocês me tentam? Mostrem-me a moeda do imposto.» Levaram então a ele a moeda. E Jesus perguntou: «De quem é a figura e inscrição nesta moeda?» Eles responderam: «É de César». Então Jesus disse: «Pois deem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.»
“Devolvei a César o que é de César, e a Deus, o que é de Deus”. Esta frase do evangelho (Mt 22,15-21) será uma declaração política? De fato, tem peso político, mas talvez de outro modo do que se pensa. Qual é o fato? Os judeus pagavam dízimo ao templo, com prazer, pois era “para Deus”. Mas além disso, a potência estrangeira que ocupava o país, o Império Romano, cobrava dos judeus um imposto pessoal, em troca de um estatuto protegido no seio do Império. Em vista disso, os especialistas da Lei judaica perguntam a opinião de Jesus, querendo obrigá-lo a escolher entre os judeus e César, o imperador romano. Pensavam que sua pergunta fosse “queimar” Jesus de um ou de outro lado. Jesus deu a resposta que conhecemos. É como se dissesse: “Se vocês negociam com César em troca desse imposto, paguem-no, já que vocês aceitam o estatuto especial que ele lhes dá em compensação. Mas não esqueçam que também a Deus estão devendo, e não pouca coisa, já que lhes deu tudo!”
Deus não recusa a mediação política para o seu projeto. Serve-se até de um rei estrangeiro para libertar Israel do exílio, e ainda o chama de “meu ungido” (o rei persa, Ciro, na 1ª leitura, Is 45, 1.4-6). Mas esse rei é um “servo” de Deus: ele tem quem está acima dele. Deus confia aos seres humanos as responsabilidades humanas. As questões políticas devem ser tratadas em nível político, isto é, com vistas ao “bem comum”do povo. Um governo é bom se governa, o melhor que pode, para todos. Então, ele é bom para Deus também. Senão, que o povo se livre desse governo… Mas existe também o nível de Deus, que é o “fim último”, o nível da vocação humana a ser filho de Deus e a realizar semelhança com Deus (cf. Gn 1,26). A política, aos olhos dos fiéis, sempre será uma mediação para chegar a esse projeto de Deus, embora ela tenha suas regras específicas. Sem Deus, um governante poderia proclamar que o “bem comum” está sendo atendido quando os “inadaptados” são eliminados da sociedade. Quem , porém, quer “dar a Deus o que é de Deus” nunca poderá dizer isso.
“A Igreja não deve fazer política!”. Se essa frase significa que a hierarquia da Igreja não deve se colocar no lugar da administração civil, está certa. Mas não pode significar que os cristãos não devem, como qualquer cidadão, assumir sua responsabilidade política. Cristo ensinou a realizar a fraternidade humana. Ora, esta se encarna num projeto político, numa determinada maneira de entender o bem comum. Por isso, os cristãos, como cidadãos inspirados por Cristo, mexem com reforma agrária, levam os politicamente marginalizados a se organizarem, propõem alternativas para a política econômica etc. Tudo isso é retribuir a Deus o que é de Deus, a saber, os dons que Deus deu a todos… mesmo quando para isso é preciso tirar de César o que não é dele.
Enquanto, pois, se exerce a responsabilidade civil, deve-se pensar em dar a Deus o tributo devido, que é: reconhecê-lo como aquele que indica a norma última, o amor a Deus e ao próximo (ensinado por Jesus logo depois, em Mt 23,34-40).
PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.
Conversa entre o presidente russo e Leão XIV, internado no Gemelli. O Pontífice fez um apelo por uma trégua em Oleshky para permitir a chegada de ajuda alimentar e médica, bem como a evacuação voluntária e segura da população civil. Reiterou “o compromisso da Santa Sé com o diálogo e a paz”. É a segunda ligação entre os dois, após a realizada em 4 de junho de 2025. O cardeal Parolin: espero que o presidente Putin concorde em colocar em prática o que o Papa lhe pediu.
Internado no Hospital Policlínico Gemelli, mas Leão XIV não desiste de sua missão de paz e, na tarde desta sexta-feira, 16 de outubro, manteve uma conversa por telefone com o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin. A informação foi divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, explicando que o Papa – internado no hospital romano após a cirurgia para a remoção de um adenocarcinoma pulmonar – expressou a Putin sua preocupação com a crise humanitária que se verifica em Oleshky, localidade situada ao longo da linha de combate na região de Kherson, às margens do rio Dnepr, ocupada pelos russos, onde os habitantes estão à beira do colapso.
O comunicado da Santa Sé
“Durante a conversa – segundo o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé –, o Santo Padre expressou profunda preocupação com a grave situação humanitária na cidade de Oleshky, na região de Kherson, pedindo uma trégua para permitir a chegada de ajuda alimentar e médica e a evacuação voluntária e segura da população civil”. Leão XIV, informa ainda o comunicado, “reafirmou, por fim, o compromisso da Santa Sé em prol do diálogo e da paz”.
Parolin: iniciativa do Papa em prol de uma cidade sitiada
“Foi o Santo Padre quem tomou a iniciativa de defender a causa dessa cidade sitiada, na qual se encontram cerca de 2 mil civis que precisam de vias de saída, vias humanitárias de saída”, explicou, à margem de um congresso na Universidade Católica, o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin. “O Papa pediu que haja, justamente, uma trégua para permitir tanto a chegada de ajuda humanitária, sobretudo alimentos, quanto a evacuação daqueles que desejam sair da cidade”.
“Eu — acrescentou Parolin — espero que, diante de um pedido do Santo Padre, o presidente Putin concorde em colocar em prática o que o Papa lhe pediu. O fato de ter atendido à ligação, de ter conversado, na minha opinião — aliás, espero que seja um bom auspício — pode realmente significar a execução, a concretização do que o Papa pediu”.
Primeira ligação em junho de 2025
Não se trata da primeira ligação entre o Papa Leão e Putin, mas sim da segunda, após a realizada em 4 de junho de 2025, menos de um mês após a eleição de Robert Francis Prevost no Conclave. Desde o início, o Pontífice estadunidense fez-se portador da paz no conflito entre a Rússia e a Ucrânia, convidando os dois presidentes, Putin e Zelensky, a dialogar e a utilizar a própria Cidade do Vaticano como espaço de negociação.
Na ligação telefônica do ano passado, o Papa havia feito um apelo para que a Rússia realizasse um gesto em prol da paz, ressaltando “a importância do diálogo” para buscar “contatos positivos” e “soluções para o conflito”. Além disso, falou-se “da situação humanitária, da necessidade de facilitar a ajuda onde for necessário e dos esforços contínuos para a troca de prisioneiros”. Essa última missão está no centro da ação humanitária da Santa Sé no contexto do conflito na Ucrânia, impulsionada pelas recentes visitas do cardeal Matteo Maria Zuppi, presidente da CEI, que esteve duas vezes em Moscou (a segunda, no final de setembro passado), e de dom Paul Richard Gallagher, secretário das Relações com os Estados e as Organizações Internacionais, que passou três dias em agosto na capital russa.
O apelo no Angelus
No último Angelus, o Papa — antes de anunciar a cirurgia — havia reiterado, mais uma vez, a necessidade de chamar a atenção não apenas para o dramático número de vítimas e a destruição das infraestruturas nos dois países, mas também para as graves repercussões do conflito sobre as populações mais pobres do mundo, com o impedimento do transporte seguro de cereais no Mar Negro. “O pão de cada dia de milhões de pessoas”, afirmava Leão, “não pode ser refém da guerra”.
Na nova
atualização da Sala de Imprensa da Santa Sé nesta sexta-feira (16/10), com os
resultados de exames realizados que "confirmaram a melhora constante de
seu estado geral", Leão XIV celebrou missa no Hospital Gemelli, de Roma. O
Pontífice continua fazendo sessões de fisioterapia respiratória e "a
recuperação pós-operatória permite ao Papa realizar normalmente as atividades
cotidianas com total autonomia".
A Sala de
Imprensa da Santa Sé divulgou no início da tarde desta sexta-feira (16/10) uma
nova atualização sobre o estado de saúde do Papa Leão XIV. Ele está internado
no Hospital Gemelli de Roma desde terça-feira (13/10), quando foi submetido a
uma cirurgia para remoção de um adenocarcinoma pulmonar. Eis a íntegra do
comunicado:
"Esta
manhã, o Santo Padre realizou exames de sangue e uma radiografia do tórax, que
confirmaram a melhora constante de seu estado geral. Prosseguem as sessões de
fisioterapia respiratória. A recuperação pós-operatória permite ao Papa
realizar normalmente as atividades cotidianas com total autonomia."
Na homilia da
missa celebrada aos funcionários, o Papa agradeceu "pelo que fizeram e
fazem por ele" no Hospital Gemelli
"Às 12h de
hoje, 16 de outubro, o Papa Leão XIV celebrou a Santa Missa na sala preparada
no 10º andar do Hospital Gemelli. Estavam presentes membros da equipe médica e
de enfermagem do hospital, que naquele momento estavam de folga, e do Corpo de
Gendarmeria do Estado da Cidade do Vaticano. Na sua homilia, o Papa agradeceu a
toda a equipe — médicos, enfermeiros, auxiliares — pelo trabalho que realizam
diariamente, cuidando dos doentes e da fragilidade deles e, de maneira
especial, pelo que fizeram e fazem por ele."
Quanto ao
Angelus deste domingo (18/10), a Sala de Imprensa informa que o encontro
dominical de oração do Papa com os fiéis de todo o mundo “será realizado”.