segunda-feira, 20 de abril de 2026

Reflexão para esta segunda-feira:

Um Pastor que fascina 

Dom Juarez Albino Destro  - Bispo Auxiliar de Porto Alegre (RS)

O papa Leão XIV aborda a descoberta do dom interior de Deus em sua primeira mensagem por ocasião do 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações (DMOV), que será no 4º Domingo da Páscoa, em 26 de abril, Domingo do Bom Pastor. O texto foi publicado no dia 16 de março. Desde o ano de 1964, quando o DMOV foi instituído por São Paulo VI, os papas enviam mensagem ao povo de Deus, refletindo uma temática específica e animando a todos para, juntos, recordarmos da importância de não apenas rezarmos pelas vocações, mas sermos, todos nós, “operários na messe”, ou seja, sermos discípulos missionários de Jesus, ajudando na construção de um mundo de comunhão, paz e amor, onde a vida prevaleça! 

Interessante observar um detalhe no endereçamento da primeira mensagem de Leão XIV ao DMOV. Se João Paulo II, em suas 27 mensagens, sempre utilizou o “Veneráveis irmãos no Episcopado, caros filhos e filhas de todo o mundo”, com uma pequena variação nas duas últimas, omitindo o “de todo o mundo”; se Bento XVI iniciou da mesma forma suas 8 mensagens, alterando, com o tempo, para simplesmente “Caros irmãos e irmãs”; se Francisco, em suas 12 cartas, manteve a simplicidade, utilizando o endereçamento direto aos irmãos e irmãs, com apenas uma exceção em 2023, onde acrescentou “Caríssimos jovens”; Leão XIV, em sua primeira mensagem, recupera exatamente esse endereçamento de Francisco de 2023: “Caros irmãos e irmãs, caríssimos jovens”. Parece um mero detalhe, mas, certamente, significa algo muito importante: a mensagem é, sim, para todo o Povo de Deus – cristãos leigos e leigas, pessoas de vida consagrada, ministros ordenados – , mas, especialmente, aos jovens e, por acréscimo, aos que estão no serviço de animação da juventude! 

A primeira das 15 mensagens de Paulo VI, 1964, foi por rádio, concluindo com uma oração vocacional que, posteriormente, foi adaptada e, hoje, é rezada – de memória – por muitas comunidades eclesiais do Rio Grande do Sul e de outros estados do Brasil: “Ó Jesus, divino pastor das almas, que chamastes os apóstolos para fazer deles pescadores de homens, atraí a vós ainda almas ardentes e generosas de jovens, para torná-los vossos seguidores e vossos ministros…”. Hoje rezamos assim: “Jesus, mestre divino, que chamastes os apóstolos a vos seguirem, continuai a passar pelos nossos caminhos… e continuai a repetir o convite a muitos de nossos jovens…”. Não se observa no início da maioria das cartas de Paulo VI o endereçamento como vemos hoje nas demais mensagens. Em suas três últimas, porém, utilizou: “A todos os Irmãos e Filhos da Igreja Católica”. No corpo das mensagens, no entanto, percebe-se o destaque aos jovens. 

São, ao todo, 63 mensagens vocacionais, escritas por cinco papas, de diferentes nacionalidades: italiano, polonês, alemão, argentino e norte-americano. Formam um verdadeiro tesouro vocacional! 

Na mensagem deste ano o papa Leão XIV apresenta uma reflexão sobre a “dimensão interior da vocação, entendida como descoberta do dom gratuito de Deus que floresce no mais profundo do coração de cada um de nós”. Os grifos são nossos para destacar algumas palavras fortes: dimensão interior, descoberta, dom gratuito, coração, vocação. O convite é para percorrermos, juntos, “o caminho de uma vida verdadeiramente bela, que o Pastor nos indica”, afirmou o papa! Vamos? 

Beleza. Leão XIV resgata a expressão original em grego presente no evangelho de João, onde Jesus define-se como o pastor belo (Jo 10,11). Sim, estamos acostumados a conhecer o Bom Pastor e não o Pastor Belo. Alguns estudiosos, inclusive, associam o termo grego Kalos (belo) ao termo Kalien, que significa “chamar”. Mesma raiz. Mais que valor estético, artístico, o “belo” está ligado a uma bondade que assume conotações de obediência e compreensão do chamado, possibilitando uma resposta de adesão convicta. “A expressão indica um pastor perfeito, autêntico, exemplar, na medida em que se mostra disposto a dar a vida pelas suas ovelhas, manifestando, assim, o amor de Deus. É o Pastor que fascina: quem olha para ele descobre que a vida é realmente bela se o seguir. Para conhecer esta beleza, não bastam apenas os olhos do corpo ou critérios estéticos: são necessárias a contemplação e a interioridade. Só quem se detém, escuta, reza e acolhe o seu olhar pode dizer com confiança: Acredito nele, com ele a vida pode ser realmente bela, quero percorrer a via desta beleza. E o mais extraordinário é que, ao nos tornarmos seus discípulos, tornamo-nos também belos: a sua beleza transfigura-nos”, escreve o papa na mensagem. 

Conhecer. Citando a frase “O Senhor da vida conhece-nos e ilumina o nosso coração com o seu olhar de amor” (n. 5), de sua Carta Apostólica, Uma fidelidade que gera futuro – publicada recentemente, em 8 de dezembro, por ocasião dos 60 anos dos Decretos Conciliares Optatam Totius e Presbyterorum Ordinis, o primeiro sobre a formação sacerdotal e o segundo sobre o ministério e a vida dos sacerdotes – , o papa Leão recordou, na mensagem, que “Deus nos conhece profundamente, contou os cabelos da nossa cabeça (cf. Mt 10,30) e para cada um pensou um caminho único de santidade e serviço”. Em contrapartida, “somos convidados a conhecer Deus através da oração, da escuta da Palavra, dos Sacramentos, da vida da Igreja e da doação aos irmãos e irmãs […]. Deus habita no nosso coração: a vocação é um diálogo íntimo com ele que, apesar do ruído por vezes ensurdecedor do mundo, nos chama, convidando-nos a responder com verdadeira alegria e generosidade”. 

Confiar. “Do conhecimento nasce a confiança”, lembrou o papa. “Atitude que é filha da fé, essencial tanto para acolher a vocação como para perseverar nela. A vida, efetivamente, revela-se como um contínuo confiar e abandonar-se ao Senhor, mesmo quando os seus planos perturbam os nossos”. E citou São José, esposo de Maria e pai adotivo de Jesus, “ícone de confiança total no desígnio de Deus: confia mesmo quando tudo à sua volta parece ser trevas e negatividade, quando as coisas parecem ir na direção oposta à prevista”. O Jubileu da Esperança, celebrado em 2025, ensinou-nos a “cultivar uma confiança sólida e permanente nas promessas de Deus, sem nunca ceder ao desespero, superando medos e incertezas, certos de que o Ressuscitado é o Senhor da história do mundo e da nossa história pessoal […]. Graças à luz e à força do seu Espírito que, mesmo através de provações e crises, podemos ver a nossa vocação amadurecer, refletindo cada vez mais a beleza daquele que nos chamou, uma beleza feita de fidelidade e confiança, apesar de nossas feridas e quedas”. 

Amadurecer. A vocação é um processo dinâmico de amadurecimento, recordou o papa Leão na mensagem. Para “crescer” na vocação devemos “estar com Jesus, deixar o Espírito Santo agir nos corações e nas situações da vida e reler tudo à luz do dom recebido”. O discernimento e a reflexão são importantes “para que uma vocação possa realizar-se em toda a sua beleza”. 

Convite feito: conhecer, confiar, amadurecer. E para todos nós – famílias, paróquias, comunidades religiosas, bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas, educadores e fiéis leigos. Devemos criar ambientes favoráveis ao despertar, discernir, cultivar, acompanhar vocações, para que possam dar fruto abundante. “Somente se os nossos ambientes brilharem pela fé viva, pela oração constante e pelo acompanhamento fraterno, o apelo de Deus poderá florescer e amadurecer, tornando-se caminho de felicidade e salvação para cada um e para o mundo. Caminhando pela via que Jesus, o Bom Pastor, nos indica, aprendemos então a conhecermo-nos melhor a nós mesmos e a conhecer mais de perto Deus, que nos chamou”, afirma o papa. 

Convite especial aos jovens, para que escutem a voz do Senhor e descubram como poderão se doar no caminho do matrimônio ou do sacerdócio, ou do diaconato permanente, ou na vida consagrada, religiosa ou secular. “Cada vocação é um dom imenso para a Igreja e para quem a acolhe com alegria. Conhecer o Senhor significa, antes de tudo, aprender a confiar nele e na sua Providência, que superabunda em cada vocação”. Uma beleza a ser constantemente compreendida e vivenciada! 

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Fonte: cnbb.org.br      Foto: vaticanews.va

domingo, 19 de abril de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 20 - Segunda-feira

19h -  Terço em sufrágio das almas na capela da Soledade

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Dia 21 - Terça-feira

15h -  Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

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Dia 22 - Quarta-feira

19h - Missa votiva em louvor a São José na matriz

19h - Celebração na comunidade dos Moreiras

19h - CReunião com a Pastoral Familiar

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Dia 23 - Quinta-feira

  19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração na comunidade Boa Vista II

19h - Celebração na comunidade da Serra da Usina

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Dia 24 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

  19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

19h - Celebração na comunidade da Vila São Luiz

19h - Celebração na comunidade da Ponte do Neneco

19h - Celebração na comunidade de Serrinha

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Dia 25 - Sábado

16h -  Celebração na comunidade da Bomba

19h -  Missa na Matriz

19h - Celebração na comunidade São Geraldo

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Dia 26 - 4º Domingo de Páscoa

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Leão XIV na oração do Terço:

"É o amor que deve triunfar, não a guerra!"

O Santuário mariano de "Mamã Muxima" ficou tomado de fiéis que aguardavam o Santo Padre para, com ele, rezarem o terço. Em seu pronunciamento, se inspirou no Coração de Maria para pedir a construção de um "mundo melhor, acolhedor, onde não haja mais guerras, nem injustiças, nem miséria, nem desonestidade".

Na tarde deste domingo, o Papa deixou Luanda de helicóptero em direção a Muxima, após percorrer cerca de 110 quilômetros. Neste município se encontra o Santuário de Mamã Muxima (“Mãe do Coração” em kimbundu, uma das línguas mais faladas no norte de Angola), construído no século XVII pelos portugueses, em uma elevação com vista para o rio Kwanza, o maior rio angolano. Por quase 300 anos, este local foi um ponto de encontro para os escravos que eram conduzidos para a costa, para iniciar sua viagem sem volta ao continente americano.

O Santuário tem uma arquitetura simples, no estilo português; foi incendiado pelos colonos holandeses em 1641, para depois ser reconstruído e reformado. Ali é venerada uma imagem da Imaculada Conceição muito antiga, à qual os fiéis reservam grande devoção. Todos os anos, de agosto a setembro, são organizadas peregrinações nacionais, das quais participam milhares de pessoas, que prestam homenagem com fé a Maria, percorrendo a igreja de joelhos e participando de uma sugestiva procissão noturna com velas. 

Mamã Muxima acolhe todos, escuta todos e reza por todos

E foi neste cenário que Leão XIV rezou o Terço com milhares de fiéis, que acamparam no local para garantir o seu lugar. Após a recitação dos Mistérios Gloriosos, o Pontífice tomou a palavra para expressar sua alegria em partilhar com eles o "frescor da fé e a força do Espírito".

“Encontramo-nos num Santuário onde, durante séculos, tantos homens e mulheres rezaram, quer em momentos de alegria, quer em circunstâncias tristes e muito dolorosas da história deste país. Aqui, há muito tempo, Mama Muxima se empenha de forma discreta a manter vivo e pulsante o coração da Igreja, um coração feito de corações: os vossos e os de tantas pessoas que amam, rezam, festejam. (...) Mama Muxima acolhe todos, escuta todos e reza por todos.”

Tal como Maria, disse o Papa, também nós fomos feitos para o Céu, e caminhamos com alegria olhando para Ela, Mãe bondosa e modelo de santidade, para levar a luz do Ressuscitado aos irmãos e irmãs que encontramos.

Este Santuário, dedicado à Imaculada Conceição, foi espontaneamente “rebatizado” pelos fiéis como Santuário da “Mãe do coração”. "É um título belíssimo", disse o Santo Padre, que nos faz pensar no Coração de Maria: um coração límpido e sábio. Assim, rezar o Terço "compromete-nos a amar cada pessoa com coração maternal, de forma concreta e generosa, e a dedicar-nos ao bem uns dos outros, especialmente dos mais pobres".

É o amor que deve triunfar!

Que a ninguém falte o amor e, com ele, o necessário para viver com dignidade e ser feliz, prosseguiu o Santo Padre: para que quem tem fome tenha com que se alimentar, para que todos os doentes possam receber os cuidados necessários, para que às crianças seja garantida uma adequada instrução, para que os idosos vivam serenamente os anos da sua maturidade. "Uma mãe pensa em todas estas coisas: Maria pensa em todas estas coisas e convida-nos também a nós a partilhar a sua solicitude."

Na sequência, Leão XIV recordou que neste lugar está em curso a construção de um novo Santuário, com maior capacidade de acolhimento. E dirigindo-se aos jovens, pediu que vejam neste projeto um sinal, e acolham o projeto que Nossa Senhora lhes reservou, que é "construir um mundo melhor, acolhedor, onde não haja mais guerras, nem injustiças, nem miséria, nem desonestidade, e onde os princípios do Evangelho inspirem e moldem cada vez mais os corações, as estruturas e os programas, para o bem de todos".

“É o amor que deve triunfar, não a guerra! É isso que nos ensina o coração de Maria, o coração da Mãe de todos. Partamos, pois, deste Santuário como “anjos-mensageiros” de vida, para levar a todos a carícia de Maria e a bênção de Deus.”

Leão XIV concluiu com alguns versos do hino a Mama Muxima, na língua local, com o convite a oferecer tudo a Maria, para acolher a bênção do Senhor e, assim, a levar a todos que encontrarem.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Assista:

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Fonte: vaticanews.va

Reflexão para este domingo:

O alimento do discípulo  

Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo (RS)

O Evangelho mostra as mudanças que Jesus ressuscitado realiza nos dois discípulos de Emaús: conversão do desespero em esperança; conversão da tristeza em alegria; e também conversão à vida comunitária (Atos 2,14.22-33, Salmo 15, 1 Pedro 1,17-21 e Lucas 24,13-35). Por vezes, quando se fala em conversão, pensa-se no seu aspecto cansativo, de desapego e renúncia. Mas toda autêntica conversão cristã é fonte de alegria, de esperança, amor e aproximação do outro e da comunidade. 

Os discípulos de Emaús acompanharam de perto a trajetória de Jesus e como ele foi tratado pelos discípulos e adversários. Testemunharam a sua crucificação e a morte na cruz. Depois destes fatos, estavam voltando para casa porque sua expectativa foi frustrada: “nós esperávamos que fosse libertar Israel”. Este verbo no passado diz tudo: acreditamos, seguimos, esperamos, mas acabou. Porque, “Jesus, o Nazareno, que foi profeta poderoso em obras e palavras”, também falhou e causou desilusão.  

Este drama dos discípulos de Emaús é espelho da situação de muitos cristãos em nosso tempo. Parece que a esperança se tornou decepção. Há um poema intitulado “Pegadas na areia” que expressa este sentimento de abandono. “Sonhei que estava caminhando na praia juntamente com Deus. E revi, espelhado no céu, todos os dias da minha vida. E em cada dia vivido, apareciam na areia, duas pegadas: as minhas e as d’Ele. No entanto, de quando em quando, vi que havia apenas as minhas pegadas, e isso precisamente nos dias mais difíceis da minha vida. Então perguntei a Deus: “Senhor, eu quis seguir-Te, e Tu prometeste ficar sempre comigo. Porque deixaste-me sozinho, logo nos momentos mais difíceis? Ao que Ele respondeu: “Meu filho, Eu te amo e nunca te abandonei. Os dias em que viste só um par de pegadas na areia são precisamente aqueles em que Eu te levei nos meus braços.” 

Os discípulos de Emaús se afastam desesperançados porque se sentiam sozinhos e sem referência na hora difícil. É neste contexto que Jesus ressuscitado se aproxima deles. Caminha com eles, pede para expressarem o motivo da tristeza, escuta atentamente, recorda ensinamentos conhecidos, alimenta a inteligência e o entendimento para não se deixarem guiar somente pelas emoções.  

Para devolver a esperança, a alegria e fazer os discípulos voltarem à sua comunidade Jesus vai usar meios já conhecidos por eles. Por razões de dificuldade de compreensão e impactados pelos fatos não conseguiam perceber. O diálogo se concentra na compreensão das Escrituras e na partilha do pão à mesa.  

Jesus faz os discípulos de Emaús mergulharem na Escritura para lhes abrir a inteligência. Porém, há algo de novo na interpretação das Escrituras. Elas são lidas, a partir de agora, tendo como chave de leitura Jesus Cristo, principalmente o Mistério Pascal. É o modo cristão de ler as Escrituras. No plano amoroso e salvador de Deus revelado nas Escrituras – desde a criação, passando por Moisés, os profetas, os fatos históricos do povo de Deus – “falam a respeito de dele (Jesus)”. A imersão nas Escrituras foi fonte de conversão dos discípulos de Emaús e é fonte para todos os cristãos de todos os tempos. “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras”, testemunham. 

A pessoa triste e desiludida não pode somente receber e ser passiva. Ela precisa tomar iniciativas, é o que fazem os discípulos de Emaús: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando! E Jesus entrou para ficar com eles”. Sentaram-se à mesa. Foi a oportunidade para Jesus recordar algo fundamental: “Tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía”. Jesus antes de padecer deixou a Eucaristia como forma de manter-se presente. Foi o momento para os discípulos de Emaús reconheceram Jesus: “Nisso os olhos dos discípulos de abriram e eles reconheceram Jesus”. Cristo deixou para todos os seus seguidores o sinal da Eucaristia. Ele quer ser convidado e sentar à mesa conosco. Ele quer nos alimentar com o pão da vida eterna. 

Eles voltam imediatamente para Jerusalém onde estava reunida a comunidade. Partilham o encontro com Jesus. Agora tem certeza que a causa que tinham abraçado não estava perdida, pois Jesus continuava com eles e que precisavam da comunidade para seguir. 

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Fonte: cnbb.org.br      Imagem: vaticannews.va

sábado, 18 de abril de 2026

Bela reflexão para este sábado:

Emaús, a “avenida” que andamos percorrendo

Frei Almir Guimarães

Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?  (Lc 24,32)

A Igreja não comemora a Ressurreição do Senhor apenas no domingo de Páscoa.  Durante todo o tempo pascal vamos aprofundando nosso conhecimento do Ressuscitado e de sua ação em nosso meio.  Neste domingo, diante de nós, dois personagens, conhecidos como os discípulos de Emaús.  Um deles chamava-se Cléofas.  Do outro nem o nome sabemos. Na caminhada que empreendem encontram um peregrino misterioso que haveria de os cativar.  Naquele momento chegava de tristeza.  Nada de dar as costas a Jerusalém.

“A fé em Cristo ressuscitado não nasce em nós de maneira automática e segura. Ela vai despertando em nosso coração de maneira frágil e humilde. No começo é quase só um desejo. Geralmente cresce rodeada de dúvidas e questionamentos (…). Crer no Ressuscitado não é questão de um dia. É um processo que pode durar anos. O importante é nossa atitude interior. Confiar sempre em Jesus. Reservar-lhe muito mais lugar em cada um de nós e em nossas comunidades cristãs” (Pagola, Lucas, p. 366).

Passados os dias da paixão e o sepultamento de Jesus os discípulos entraram numa nuvem escura.  Penetram na noite da dúvida.  Teria sido tudo um sonho? Teriam se enganado com aquele que lhes havia falado com tanta veemência da vida?  Agora estava morto.  Com ele os discípulos sepultaram esperanças e sonhos. Cléofas e seu companheiro deram as costas a Jerusalém, cabisbaixos, caminhando na direção de Emaús. Emaús passou a ser um nome mágico sinônimo de comunhão, intimidade, beleza e contemplação.  Muitas casas de retiro e de revigoramento espiritual são designadas de Emaús.

Os dois caminhavam com tristeza.  Esse Jesus que havia suscitado tanto entusiasmo, alento, esperança morrera no alto da cruz. Quantas punhaladas do coração?  Era melhor fugir.

Um peregrino misterioso, porém, se associa ao caminhar do dois.  Fala-lhes das Escrituras com paixão e convicção. Procura lembrar aos dois passagens que falavam do Messias, palavras de confiança e de esperança.  Promessas feitas aos pais da fé, de modo especial a Abraão… Lembra-lhes, afinal de contas, sua falta de fé. Aos poucos, o coração dos dois começa a arder. Um fogo, um ardor, uma ponta de esperança.

O que valeu para eles, vale para nós. Se em nossa caminhada nos reunimos para recordar Jesus, escutar sua mensagem, conhecer sua ação profética, meditar sua entrega, sua crucifixão, se percebemos que as palavras de Jesus nos comovem então nosso coração começa a arder.  Em nosso grupo, ele caminha conosco.  Ontem como hoje, trata-se de conviver com as Escrituras. Ele como que salta das páginas. Será fundamental não alimentar cegueira e surdez.

O peregrino ameaça ir adiante.  Os discípulos pedem que entre na pousada de Emaús.  “A cena é simples e afetuosa. Uns viajantes, cansados de seu longo caminhar, sentam-se como amigos para compartilhar a mesma experiência. É então que Jesus repete exatamente os quatro gestos que, de acordo com a tradição, havia feito na ceia de despedida: Tomou o pão, pronunciou a bênção, o partiu e deu a eles.  Nos discípulos desperta a fé: Seus olhos se abriram e o reconheceram.  Descobrem a Jesus como alguém que alimenta suas vidas, os sustenta no cansaço e os fortalece no caminho” (Pagola, Grupos de Jesus, p. 308).

Felizes, transformados, sem sinais de cansaço, quase correndo os dois voltam a Jerusalém na pressa de anunciar aos outros a boa nova:  Jesus os havia nutrido com seu pão e eles o reconheceram de modo especial, na fração do pão.

Concluindo:

“Não basta celebrar missas nem ler trechos bíblicos de qualquer maneira.  O relato de Emaús fala de duas experiências básicas. Os discípulos não leem um texto, ouvem a voz inconfundível de Jesus, que faz arder seu coração. Não celebram uma liturgia, sentam-se como amigos à mesma mesa e descobrem juntos que é o próprio Jesus que os alimenta.  Para que continuar a fazer as coisas de uma maneira que não transforma?  Não precisamos antes de mais nada, de um contato mais real com Jesus?  De uma nova simplicidade? De uma fé diferente?  Não precisamos aprender a viver com mais verdade e a partir de uma dimensão nova?  Se Jesus desaparece de nosso coração, todo o resto é inútil” (Pagola, Lucas, p.361-362).

Emaús é um pedaço de nossa aventura humana e cristã.  Quando deixamos que a Palavra nos perpasse e quando alimentamo-nos com o Pão da vida temos a certeza da presença entre nós daquele que deixou vazio o sepulcro da morte.  Fazemos nossa a memória da Igreja que conservou nela, no âmbito da fé, a Ressurreição do Senhor.

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Para reflexão 

A presença do Ressuscitado é invisível e silenciosa.  Torna-se visível no rosto de um desconhecido, de um peregrino que se torna companheiro improvisado de caminho, e fala através das palavras da Escritura.  A Bíblia e o outro homem, a Palavra de Deus contida nas Escrituras e o rosto do outro, sobretudo do estranho e do pobre, são lugares por excelência em que a presença do Ressuscitado pode encontrar-nos, recordando-nos o mandamento evangélico: ama Deus e o teu próximo. (Luciano Manicardi)

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Oração

Fica, Senhor, porque já está ficando tarde,
o caminho é longo e o cansaço é grande.
Fica para dizer-nos tuas palavras vivas,
que aquietam a mente e inflamam a alma.
Mantém inquietos nossos corações lerdos,
dissipa nossas dúvidas e temores.
Olha-nos com teus olhos de luz e vida,
devolve-nos a  ilusão perdida.
Fica e limpa-nos  o rosto e as entranhas;
queima esta tristeza, dá-nos esperança.
Fica e renova valores e sonhos:
dá-nos de novo tua alegria e tua paz.
Fica, Senhor, porque já está ficando tarde,
o caminho é longo e o cansaço grande  (F. Ulibarri).

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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Catequese para o seu dia:

Mais do que salvar almas!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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SOU PADRE CATÓLICO e faz 60 anos que meus superiores me designaram para ensinar a catequese do Concílio Vaticano II.

O Concílio terminou em 1965 e em 1966 fui ordenado sacerdote dehoniano para pregar a mística da REPARAÇÃO (aquele que é chamado a consertar e a reparar o que precisa de reparos)

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Também fui chamado a pregar as ATUALIZAÇÕES DO CONCILIO de 1962-1965.

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Mas eu só poderia atualizar, se conhecesse o básico do que se ensinava antes.

Então nunca foi rompimento: foi AGGIORNAMENTO, ATUALIZAÇÃO, foi um COLOCAR EM TERMOS DE HOJE e em PROPOSTAS DE HOJE, o que eu tinha estudado em Santo Agostinho, em Santo Tomás, nos grandes teólogos do passado e nos 19 Concílios anteriores da nossa Igreja.

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Eu fui ordenado para continuar estudando a catequese (kat houlou) termo que significa: repercutir, passar adiante aquilo que me ensinaram!

Faz 15O anos, que desde Leão XIII, até Leão XIV, a igreja prega a sua DOUTRINA SOCIAL (DSI)

Ela nunca se curvou às ideologias de direita ou de esquerda ou de centro. Nem a partidos nem a ditadores. Nem ao comunismo nem ao capitalismo.

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Ela tem sua visão sócio-política ancorada nos evangelhos e nos profetas, que sempre, como nos salmos,

1 - LOUVA,

2 - PEDE PERDÃO E

3 - PROCLAMA A LIBERTAÇÃO DO INDIVÍDUO E DO POVO OPRIMIDO!

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Quem vê isso como comunismo errou feio: pregamos o cristianismo e o catolicismo.

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E é por isso que os católicos pró capitalismo nos acusam de sermos pró comunismo. É calúnia! Uns poucos fizeram isso. Mas 98% seguem os Papas. Que mais ataca os Papas são ultraconservadores. Ainda não aceitaram o Concílio!

Na verdade, somos pró diálogo e pró direitos humanos e pró liberdade, coisa que não se vê nas ditaduras atuais, com presidentes desmiolados e com ditadores e países cada dia mais gastando trilhões em armas, invadindo outras nações com drones e ogivas carregadas de morte e apontando para gente inocente.

Tentam acertar nos inimigos, mas em geral acertam escolas, hospitais e gente inocente.

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É isso que Paulo VI, João Paulo II denunciavam e Francisco de Buenos de Aires e agora Leão XIV denunciam.

É isso o que prego há 60 anos. Eu repercuto a DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA CATÓLICA.

Alguém não gosta? E daí? Desde o vigésimo Concílio os Papas estão falando claro em favor do povo que é mais sacrificado.

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Não gostam desses Papas? E daí? Estes Papas estão repercutindo Jesus que também bateu de frente contra os donos do poder daquela época.

Os fariseus não aceitavam nenhuma atualização! Mas Jesus insistia no seu “DORAVANTE, no seu daqui por diante” …

Ele renovou e inovou e conservou o que era bom, mas não hesitou em propor mudanças radicais em favor dos mais pobres e mais oprimidos!

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Concluindo: Ele não veio apenas para salvar almas! Quem prega isso não deve ter estudado Bíblia nem Teologia!...

Ele veio salvar pessoas, corpo e alma, e veio salvar nações. E veio ensinar pessoas e povos a conviver fraternalmente! E isto é mais que salvar almas! …

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Papa aos universitários:

sede construtores de um mundo mais justo e mais humano

A África e o mundo precisam de pessoas que se empenhem em viver segundo o Evangelho e em colocar as suas competências ao serviço do bem comum. Não traiais este nobre ideal! Foi a exortação de Leão XIV no Encontro com o mundo universitário - na Universidade Católica da África Central -, em Iaundê, esta sexta-feira (17/04), no último compromisso do Santo Padre em seu terceiro dia em terras camaronesas.

Leão XIV concluiu esta sexta-feira, 17 de abril, seu terceiro dia em terras camaronesas encontrando em Iaundê o mundo universitário, um dos eventos mais aguardados de sua visita ao país africano.

Após as saudações de boas-vindas do reitor da Universidade Católica da África Central e do testemunho de representantes do mundo docente e discente, o Pontífice proferiu seu discurso definindo, inicialmente, a instituição fundada em 1989 como um centro de excelência para investigação, a transmissão do conhecimento e a formação de tantos jovens. O Santo Padre afirmou que a instituição católica constitui um farol a serviço da Igreja e da África, na busca da verdade e na promoção da justiça e da solidariedade.

O Papa ressaltou que hoje, mais do que nunca, é necessário que as Universidades, e ainda mais aquelas católicas, se tornem verdadeiras comunidades de vida e investigação, que introduzam estudantes e docentes a uma fraternidade no saber. O que o Evangelho e a doutrina da Igreja estão atualmente chamados a promover, é uma autêntica cultura do encontro, antes – bem se poderia dizer – uma cultura do encontro entre todas as culturas autênticas e vitais, graças a um intercâmbio recíproco dos respetivos dons no espaço de luz desvendado pelo amor de Deus para todas as suas criaturas, acrescentou Leão XIV, frisando que a Universidade é, por excelência, um lugar de amizade, cooperação e, ao mesmo tempo, de interioridade e reflexão.

Erosão dos pontos de referência morais

Caríssimos, a África pode contribuir de maneira fundamental para alargar os horizontes demasiado estreitos de uma humanidade que tem dificuldade em ter esperança. No vosso magnífico continente, a investigação é particularmente desafiada a abrir-se a perspetivas interdisciplinares, internacionais e interculturais. Atualmente, temos uma necessidade urgente de pensar a fé dentro dos cenários culturais e dos desafios atuais, de modo a fazer emergir a sua beleza e credibilidade em diferentes contextos, especialmente naqueles mais marcados por injustiças, desigualdades, conflitos, degradação material e espiritual.

Nas sociedades contemporâneas – e, portanto, também em Camarões –, observa-se uma erosão dos pontos de referência morais que outrora orientavam a vida coletiva. Os cristãos, e muito especialmente os jovens católicos africanos, não devem ter medo das “coisas novas”.

A vossa Universidade pode formar pioneiros de um novo humanismo no contexto da revolução digital, da qual o continente africano conhece bem não só os aspetos sedutores, mas também o lado obscuro das devastações ambientais e sociais provocadas pela busca desenfreada de matérias-primas e terras raras. Não desvieis a vossa atenção: é um serviço à verdade e a toda a humanidade. Sem este esforço educativo, a adaptação passiva às lógicas dominantes será confundida com competência, e a perda de liberdade com progresso.


A África precisa ser libertada da chaga da corrupção

Outro tema desenvolvido pelo Santo Padre foi o da questão migratória, tão presente na realidade africana, e não somente. A esse propósito, Leão XIV afirmou que perante a compreensível tendência migratória, que pode levar a acreditar que noutro lugar se pode encontrar facilmente um futuro melhor, “convido-vos, em primeiro lugar – disse -, a responder com um ardente desejo de servir o vosso país e de colocar, em benefício dos vossos concidadãos, os conhecimentos que aqui estais a adquirir. Eis a razão de ser da vossa Universidade, fundada há trinta e cinco anos para formar pastores de almas e leigos empenhados na sociedade: são estes os testemunhos de sabedoria e de equidade que o continente africano precisa”. A esse ponto de seu discurso, dirigindo-se aos estudantes e, em seguida, aos professores, o Pontífice fez uma premente exortação:

“Queridos estudantes, aprendei a tornar-vos construtores do futuro dos vossos respetivos países e de um mundo mais justo e mais humano. Queridos professores, a vossa função é fundamental. Por isso, encorajo-vos a encarnar os valores que desejais transmitir, sobretudo a justiça e a equidade, a integridade, o sentido de serviço e de responsabilidade. A África e o mundo precisam de pessoas que se empenhem em viver segundo o Evangelho e em colocar as suas competências ao serviço do bem comum. Não traiais este nobre ideal! Para além de guias intelectuais, sede modelos cuja exatidão científica e honestidade pessoal eduquem a consciência dos vossos alunos. Com efeito, a África precisa de ser libertada da chaga da corrupção. E, para um jovem, essa consciência deve consolidar-se desde os anos de formação, graças ao rigor moral, ao desinteresse e à coerência de vida dos seus educadores e professores. Dia após dia, fundai os alicerces indispensáveis para a construção de uma coerente identidade moral e intelectual.”

Ao dardes testemunho da verdade, considerando especialmente as ilusões da ideologia e das modas, disse por fim Leão XIV, criai um ambiente em que a excelência acadêmica se une naturalmente à retidão humana.

Raimundo de Lima – Vatican News

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Fonte: vaticanews.va       Fotos: ANSA