domingo, 26 de abril de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 28 - Terça-feira

15h -  Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h - Celebração na comunidade da Lagoa

19h30 - Reunião com a coordenação do Projeto Bom Samaritano

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Dia 29 - Quarta-feira

19h - Missa votiva em louvor a São José na matriz

19h - Celebração na comunidade dos Coqueiros

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Dia 30 - Quinta-feira

  19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração na comunidade Betel

19h - Celebração na comunidade dos Inácios

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Dia 1º de maio - Primeira Sexta-feira - Dia de São José Operário

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h e 19h - Missa na matriz com bênção para os trabalhadores

  19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

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Dia 2 - Sábado

19h -  Missa na Matriz

19h - Celebração na comunidade São Francisco

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Dia 3 - 5º Domingo de Páscoa

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Leão XIV na oração do Regina Caeli deste domingo:

Jesus vem para nos guiar, não para roubar nossa liberdade

"Hoje, o Evangelho convida-nos a confiar no Senhor: Ele não vem para nos roubar nada; pelo contrário, é o Bom Pastor, que multiplica a vida e nos a oferece em abundância", disse Leão XIV ao comentar o Evangelho do domingo do "Bom Pastor".

Após celebrar a Santa Missa com a ordenação de dez sacerdotes para a diocese de Roma, o Papa Leão rezou a oração do Regina Caeli com milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro. Em sua alocução, comentou o Evangelho deste IV Domingo de Páscoa, em que Jesus se compara a um pastor e também à porta do redil (cf. Jo 10, 1-10).

Jesus contrapõe o pastor ao mercenário. A diferença é evidente: o pastor tem uma ligação especial com as suas ovelhas e, por isso, pode entrar pela porta do redil; se, pelo contrário, alguém precisa de transpor a cerca, então é certamente um ladrão que quer roubar as ovelhas.

Conosco, Jesus está ligado por uma relação de amizade: Ele nos conhece, nos chama pelo nome, nos guia, tal como o pastor faz com as suas ovelhas, vem à nossa procura quando nos perdemos e trata das nossas feridas quando estamos doentes:

“Jesus não vem, como um ladrão, roubar a nossa vida e a nossa liberdade, mas conduzir-nos pelos caminhos direitos. Não vem sequestrar ou enganar a nossa consciência, mas iluminá-la com a luz da sua sabedoria. Não vem corromper as nossas alegrias terrenas, mas abri-las a uma felicidade mais plena e duradoura. Quem confia n’Ele não tem nada a temer: Ele não vem atormentar a nossa vida, mas vem para nos dá-la em abundância.”

Cuidado com os ladrões do nosso redil

O convite do Papa é para vigiar "o redil do nosso coração e da nossa vida", porque quem nele entrar pode multiplicar a alegria ou, como um ladrão, pode roubá-la. Os “ladrões”, explicou, podem ter muitos rostos: são aqueles que, apesar das aparências, sufocam a liberdade ou não respeitam a nossa dignidade; são convicções e preconceitos que nos impedem de ter um olhar sereno sobre os outros e sobre a vida; são ideias erradas que podem levar-nos a escolhas negativas; são estilos de vida superficiais ou marcados pelo consumismo, que nos esvaziam interiormente e nos levam a viver sempre à margem de nós mesmos. Sem contar aqueles “ladrões” que, saqueando os recursos da terra, combatendo guerras sangrentas ou alimentando o mal nas suas diversas formas, não fazem mais do que roubar a todos a possibilidade de um futuro de paz e tranquilidade.

Leão XIV então concluiu: "Hoje, o Evangelho convida-nos a confiar no Senhor. Ele não vem para nos roubar nada; pelo contrário, é o Bom Pastor, que multiplica a vida e a oferece em abundância. Que a Virgem Maria nos acompanhe sempre ao longo do caminho e interceda por nós e pelo mundo inteiro".

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Assista:

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va

Papa Leão neste domingo:

sacerdotes são canal, não filtro. São de todos para todos!

Ao ordenar dez novos sacerdotes para a diocese de Roma, Leão XIV revelou três "segredos" da vida sacerdotal, que consistem na comunhão com Cristo, na atitude de não ter medo diante dos males do mundo e de serem um canal, e não um filtro, para o encontro com Jesus.

O Papa Leão presidiu à Santa Missa com ordenações sacerdotais neste IV Domingo de Páscoa, conhecido como “Domingo do Bom Pastor”, e 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações. "Este é um domingo cheio de vida!", exclamou o Papa no início da sua homilia. Ainda que a morte nos rodeie, a promessa de Jesus já se cumpre: "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10, 10).

A reflexão do Pontífice foi direcionada sobretudo aos recém-ordenados, como um norte com o qual se orientar para a missão que os aguarda. Leão XIV revelou inclusive três "segredos" da vida do sacerdote. O primeiro é a comunhão: "Caríssimos ordenandos, quanto mais profundo for o vínculo com Cristo, tanto mais radical será a sua pertença à humanidade comum. Não há oposição, nem competição, entre o céu e a terra: em Jesus, eles unem-se para sempre. Este mistério vivo e dinâmico compromete o coração num amor indissolúvel: compromete-o e enche-o".

Tal como o amor dos cônjuges, prosseguiu o Santo Padre, também o amor que inspira o celibato pelo Reino de Deus deve ser cuidado e sempre renovado, pois todo o verdadeiro afeto amadurece e torna-se fecundo com o tempo. Os sacerdotes então são chamados a um específico, delicado e difícil modo de amar e, mais ainda, de se deixar amar, na liberdade. Um modo que poderá fazer de vocês, acrescentou o Papa, além de bons sacerdotes, também cidadãos honestos, disponíveis, construtores de paz e de amizade social.


A denúncia não deve se tornar renúncia

Leão XIV revelou na sequência o segundo "segredo" para a vida sacerdotal: a realidade não deve causar medo, pois quem chama é o Senhor da vida. "Caríssimos, que o ministério que lhes é confiado possa transmitir a paz daquele que, mesmo entre os perigos, sabe por que razão está seguro. Hoje, a necessidade de segurança torna os ânimos agressivos, leva as comunidades a fecharem-se sobre si mesmas e induz à procura de inimigos e bodes expiatórios. O medo anda frequentemente à nossa volta e, talvez, esteja dentro de nós."

Jesus conheceu a crueldade do mundo, mas isso não o impediu de doar a sua vida. A denúncia não deve se tornar renúncia, afirmou, e o perigo não deve levar à fuga. A segurança do sacerdote, explicou, não reside no cargo que ocupa, mas na vida, morte e ressurreição de Jesus, na história da salvação da qual participam com o povo que lhe é confiado. É uma salvação que já atua em tanto bem realizado silenciosamente, entre pessoas de boa vontade, nas paróquias e ambientes frequentados.

Canal, não filtro

Além se de descrever como "pastor", Jesus a certo ponto muda metáfora e diz: "Eu sou a porta das ovelhas" (Jo 10, 7). Era uma referência a Jerusalém, onde havia uma porta perto da piscina de Betzatá, por onde entravam no templo ovelhas e cordeiros, previamente imersos na água para depois serem destinados aos sacrifícios - uma imagem que remete ao Batismo. Assim, a porta convida a atravessar o limiar da Igreja. Em alguns casos, a pia batismal era construída no exterior, como a antiga piscina de Betzatá, sob cujos pórticos "jaziam numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos" (Jo 5, 3). E então Leão XIV se dirigiu aos novos sacerdotes:

"Queridos ordenandos, sintam-se parte desta humanidade que sofre e que espera a vida em abundância. Ao iniciar outros na fé, reavivarão a própria fé. Com os outros batizados, atravessarão todos os dias o limiar do Mistério, aquele limiar que tem o rosto e o nome de Jesus. Nunca escondam esta porta santa, não a obstruam, não sejam um impedimento para quem deseja entrar."

Os sacerdotes são de todos e para todos!

"Mantenham a porta aberta!", exortou o Pontífice, revelando o terceiro segredo: os sacerdotes são um canal, não um filtro. É preciso deixar entrar e estar sempre pronto a sair, orientou o Papa, sobretudo hoje, quando os números parecem indicar um distanciamento entre as pessoas e a Igreja. Os sacerdotes devem ser reflexo da paciência e da ternura de Cristo. "Vocês são de todos e para todos! Que este seja o traço fundamental da sua missão: manter livre essa soleira e indicá-la, sem necessidade de muitas palavras."

O Papa insistiu: "Todos procuramos abrigo, descanso e cuidado: a porta da Igreja está aberta. Não para nos afastarmos da vida: ela não se esgota na paróquia, na associação, no movimento, no grupo. Quem é salvo 'sai e encontra pastagem'". Leão XIV concluiu com palavras de encorajamento:

"Caríssimos, vão e descubram a cultura, as pessoas, a vida! Maravilhem-se com o que Deus faz crescer sem que nós o tenhamos semeado." Algumas vezes, alertou, terão a sensação de não conhecer os mapas. Mas o Bom Pastor os possui, e é a sua voz, tão familiar, que devem ouvir. Quantas pessoas hoje se sentem perdidas, sem orientação. Então, não há testemunho mais precioso do que aquele que confia em Jesus. "Irmãos, irmãs, queridos jovens: que assim seja!"

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Assista:

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va

Reflexão para este domingo:

A necessidade de um guia

José Antonio Pagola

Para os primeiros cristãos, Jesus não é só um pastor, mas o verdadeiro e autêntico pastor. O único líder capaz de orientar e dar verdadeira vida ao ser humano. Esta fé em Jesus como verdadeiro pastor e guia adquire uma atualidade nova numa sociedade massificada como a nossa, onde as pessoas correm o risco de perder sua própria identidade e ficar aturdidas diante de tantas vozes e reclamos.

A publicidade e os meios de comunicação social impõem ao indivíduo não só a roupa que deve vestir, a bebida que deve tomar ou a música que deve ouvir. Impõem também os hábitos, os costumes, as ideias, os valores, o estilo de vida e a conduta que deve adotar.

Os resultados são palpáveis. São muitas as vítimas desta “sociedade-aranha”. Pessoas que vivem “segundo a moda”. Pessoas que já não agem por própria iniciativa. Homens e mulheres que buscam sua pequena felicidade, esforçando-se para adquirir aqueles objetos, ideias e comportamentos que lhes são ditados de fora.

Expostos a tantos chamarizes e reclamos, corremos o risco de não escutar mais a voz do próprio interior. É triste ver as pessoas esforçando-se para viver um estilo de vida “imposto” de fora, que simboliza para elas o bem-estar e a verdadeira felicidade.

Nós, cristãos, cremos que só Jesus pode ser guia definitivo do ser humano. Só com Ele podemos aprender a viver. O cristão é precisamente aquele que, a partir de Jesus, vai descobrindo dia a dia qual é a maneira mais humana de viver. Seguir a Jesus como Bom Pastor é interiorizar as atitudes fundamentais que Ele viveu, e esforçar-nos para vivê-las hoje a partir de nossa própria originalidade, prosseguindo a tarefa de construir o reino de Deus que Ele começou.

Mas, enquanto a meditação for substituída pela televisão, o silêncio interior pelo ruído e o seguimento da própria consciência pela submissão cega à moda, será difícil escutarmos a voz do Bom Pastor que pode ajudar-nos a viver no meio desta “sociedade do consumo” que consome seus consumidores.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 25 de abril de 2026

Papa Leão nesta manhã:

políticos recuperem
contato com o povo, antídoto contra populismos

Parlamentares do Partido Popular Europeu foram recebidos em audiência pelo Pontífice, que pediu um contato "analógico" com a população. "A presença entre as pessoas e o seu envolvimento no processo político são o melhor antídoto contra os populismos, que buscam apenas o consenso fácil, e contra os elitismos, que tendem a agir sem consenso: duas tendências generalizadas no panorama político atual. Uma política 'popular' exige tempo, compartilhamento de projetos e amor pela verdade."

O Papa recebeu em audiência na manhã de sábado, 25 de abril, os membros do Partido Popular Europeu, cuja inspiração política se baseia nos "pais fundadores" da Europa contemporânea, como Adenauer, De Gasperi e Schuman.

Este projeto nasceu das cinzas da II Guerra Mundial para evitar que o conflito se repetisse, mas também com um ideal mais amplo, dando vida a uma colaboração que colocasse fim a séculos de divisões e permitisse aos povos do continente de redescobrirem o patrimônio humano, cultural e religioso que os une, reconhecendo sua herança cristã como fator de união.

A ideologia subjuga o homem

A principal missão de toda ação política, afirmou o Santo Padre, é oferecer um horizonte ideal, pois a política exige uma visão ampla do futuro, sem receio de tomar decisões difíceis e até mesmo impopulares, quando isso for necessário para o bem comum. Todavia, advertiu, perseguir um ideal não significa exaltar uma ideologia. Esta última, de fato, é sempre fruto de uma distorção da realidade e de uma violência contra ela.

“Qualquer ideologia distorce as ideias e subjuga o homem ao seu próprio projeto, reprimindo suas verdadeiras aspirações, seu anseio por liberdade, felicidade e bem-estar pessoal e social. A Europa contemporânea surge justamente da constatação do fracasso dos projetos ideológicos que a destruíram e dividiram.”

Evocando De Gasperi, Leão XIV recordou que perseguir um ideal significa colocar a pessoa humana no centro. O próprio nome da legenda - Partido Popular Europeu - expressa o vínculo constitutivo com o povo, que não deve ser visto como sujeito passivo, mas copartícipe de toda ação política.  "A presença entre as pessoas e o seu envolvimento no processo político são o melhor antídoto contra os populismos, que buscam apenas o consenso fácil, e contra os elitismos, que tendem a agir sem consenso: duas tendências generalizadas no panorama político atual. Uma política 'popular' exige tempo, compartilhamento de projetos e amor pela verdade."

Do "digital" ao "analógico"

Para o Pontífice, a falta de sintonia e colaboração entre o povo e seus representantes constitui um dos problemas da política atual. Recorrendo a uma metáfora, o Papa afirmou que na era do "triunfo digital", a ação política orientada ao bem comum exige um regresso ao “analógico”.

“Talvez seja este o verdadeiro antídoto para uma política muitas vezes esbravejada, feita apenas de slogans, incapaz de responder às necessidades reais das pessoas. Para superar certa desilusão com a política, é preciso reconquistar as pessoas indo ao encontro delas pessoalmente e reconstruindo uma rede de relações no território, de modo que todos possam se sentir parte de uma comunidade e participantes de seu destino.”



O "manual" do político católico

Neste contexto, para quem se confessa cristão, fazer política significa deixar que o Evangelho ilumine as decisões a serem tomadas, mesmo que sejam impopulares: 

"Ser cristão engajado na política exige ter uma visão realista, que parta dos problemas concretos das pessoas, que se preocupe, antes de tudo, em promover condições de trabalho dignas que estimulem a criatividade e o talento das pessoas diante de um mercado cada vez mais desumanizante e pouco gratificante; que permita superar o medo, aparentemente muito europeu, de constituir família e ter filhos, de enfrentar as causas profundas da migração, cuidando de quem sofre, mas também levando em conta as reais possibilidades de acolhimento e integração dos migrantes na sociedade. Da mesma forma, exige enfrentar de maneira não ideológica os outros grandes desafios que se colocam em nossos dias, como o cuidado da criação e a inteligência artificial. Esta última oferece grandes oportunidades, mas, ao mesmo tempo, está repleta de perigos."

Ainda, ser cristãos engajados na política, concluiu o Santo Padre, significa por fim investir na liberdade ancorada na verdade, que proteja a liberdade religiosa, de pensamento e de consciência em todos os lugares e em todas as condições humanas, evitando alimentar um “curto-circuito” dos direitos humanos, que acaba por abrir espaço à força e à opressão. Leão XIV se despediu dos parlamentares concedendo sua bênção apostólica.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va

Reflita com o Frei Almir Guimarães:

O Pastor e os pastores

Vim para que tenham a vida e a tenham em abundância. (Jo 10,10)

Aqueles  que governam devem ter no pensamento  não o poder  que o cargo lhes confere,  mas a igualdade da condição  humana;  que eles se  alegrem não por dar ordens  aos homens, mas em lhes ser  úteis;  Por  conseguinte, a função suprema  é exercida como deve ser,  quando aquele que preside domina  mais sobre os vícios  do que  sobre os irmãos. (São Gregório Magno - Lecionário Monástico  III,  p.281)

O Pastor chamado Jesus

 Continuamos a viver o tempo pascal na liturgia de nossa Igreja. Todo esse período é marcado por textos que nos ajudam a fortalecer a fé na presença do Ressuscitado no meio de nós. Neste domingo temos a ver com o tema do Bom Pastor. Desde a nossa infância, santinhos no livro de reza da mãe, ilustrações nos textos de catecismo ou em pôsteres nas paredes das igrejas nos mostravam Jesus carregando nos ombros a ovelha desgarrada que ele encontrou no meio dos espinheiros ou fatídicos despenhadeiros. Afeiçoamo-nos a esta imagem e, adultos que somos, ela nada perdeu de sua força. Ele, o pastor nos procura. É o pastor que procuramos. Quando a loucura do pecado nos domina sempre nos lembramos desse carregava as ovelhas perdidas às costas.

 Jesus é verdade, caminho, vida, pão e também pastor, mais precisamente a “porta das ovelhas”. Os que passam pela porta de sua vida e de seus gestos chegam a pastos verdejantes. A imagem do pastor é muito vigorosa no ambiente em que Jesus vivia: homem forte, imensas mãos, demonstra carinho pelas ovelhas, conta-as quando voltam dos pastos, cura das machucadas. Misturam-se cuidado e ternura. Encantamento.

 Quando Jesus diz o “Eu sou…” faz nos lembrar a definição que Deus se dá na Antiga Aliança: “Eu sou o que sou…”. Há os que informam que o termo pastor vem da raiz indo-europeia que quer dizer alimentar. Daí provieram pão, pastor, pastoral. O pastor alimenta. Há o pastor e há mercenário, este que não é dono das ovelhas. Não dá a vida por elas. Aproveita-se delas. Quando vem o lobo, o mercenário foge. O pastor bom conhece suas ovelhas e elas o conhecem pelo assobio e pela flauta. Os pastores conhecem suas ovelhas. Jesus, o bom pastor, vem para que todos tenham vida e vida em abundância. “Eu sou a porta. Quem entra por mim será salvo, entrará e sairá e encontrará pastagem”. Podem, hoje em dias os pastores que são os bispos e padres conhecer suas ovelhas?

Pastores e Pastoral

 As ações da Igreja anunciando Jesus, a Boa nova, suscitando a conversão ao Senhor, alimentando e celebrando a fé, levando as pessoas a viverem uma intimidade com o Senhor, dando-lhes consciência de serem sal da terra, luz do mundo e fermento na massa, transformadores da sociedade na buscando justiça, colocando-se perto dos seres humanos para que possam ser respeitados em sua humanidade de modo particularíssimo os mais pobres, organizando ações para cuidar mais especificamente de crianças, jovens, casais, idosos, doentes, envelhecidos, encarcerados são designadas de ações pastorais. Por detrás está o “espírito” do Bom Pastor. Bispos, padres e leigos se tornam agentes de pastoral e tentam ser continuação do Bom Pastor.

 Os tempos mudaram. Há muito deixamos a cristandade em que bastava uma pastoral de conservação. A continuação de um determinado tipo de vida cristã sem fé personalizada foi fazendo que perdêssemos o gosto de saborear a novidade do Bom Pastor. Fomos ficando engessados numa religião sem vida. Temos a impressão de viver um tempo de igrejas esvaziadas e de cristãos sem ossatura. O nó das pessoas não foi atingido. Soa agradável a nossos ouvidos a palavra evangelização. Uma catequese nocional se tornou um obstáculo. Sair, buscar, evangelizar, não aprisionar o Evangelho…

 Pastor, pastoral. Trata-se voltar ao vigor do Evangelho. Necessário criar grupos pequenos de cristãos, que busquem juntos, rezem juntos, cresçam juntos. Padres e leigos haverão de insistir numa primeira conversão verdadeira ao Senhor que está no meio de nós. Os tempos falam de discípulos missionários. Sim, grupos pequenos, não apenas de “amiguinhos”, laboratórios de proximidade, auxílio mútuo, espaço de criação de um cristão vigoroso sem pretensões de reivindicações marcadas por estrelismo e promoções pessoais tão alheios ao modo de viver dos cristãos. Pastoral de leigos sem clericalizações. Pastoral dos padres sem adaptações às propostas volúveis de “modernizações” ineficazes. Sempre em saída.

 Pensamos na figura do padre. Vivemos perto de igrejas. Missas, batizados, casamentos (cada vez menos). Cursos de batismo, de crisma, de catequese… O padre está presente em tudo. Que padres para nossos tempos? Que tipo de homem líder da fé necessitamos ? Como estão sendo formados os padres diocesanos e religiosos? Transparece neles a figura do Bom Pastor?

 “É preciso cuidar para que no pastor, a bondade mostre aos súditos uma mãe, e o rigor moral de um pai. Deve-se prover com toda solicitude, para que a severidade não seja rígida nem frouxa a bondade” (São Gregório Magno).

 Costuma-se dizer, com certa razão, que “o padre é um outro Cristo”. Haverá de copiar em sua vida o perfil do Bom Pastor. Tal se concretizará num grande amor pelos que lhe foram confiados. Presença sensível na vida das crianças, dos jovens que precisam de sua voz. Ajudar as pessoas a tomar decisões importantíssimas em sua vida. Estar próximo dos que se casam e constituem a Igreja doméstica, dos sadios e dos doentes, dos que vivem e que morrem. Mesmo consciente de suas fragilidades, ele representa e refaz em sua vida a presença de Jesus do qual se diz que “amou-os até o fim”.

 O padre que é padre de verdade não se contenta em ser “funcionário” do sagrado e das coisas sagradas e “colocador” de gestos sacros. Ele terá paixão pelas pessoas. Não quer que ninguém se perca. Sofre porque muitos não procurem a Cristo e se fecham no universo do egoísmo e mesmo da maldade. O verdadeiro sacerdote é confidente e amigo de Deus. Vive de Deus. Consagra-lhe seu coração e seu corpo. Homem que reza. Reza no quarto e reza com os colegas de presbitério. Prepara- se bem para a missa. Cultiva silêncio interior e exterior. Vela para que os sacramentos sejam realizados condignamente. É pai, irmão, amigo.

 “Que o Pastor seja, pela humildade, um companheiro dos que fazem o bem; e contra os vícios dos que praticam o mal, possua um enérgico zelo de justiça. Nunca se considere melhor do que os outros homens de bem…” (São Gregório Magno).

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Oração

“Eu te escolhi…”

É o Senhor que fala:

Sacerdote, eu te escolhi gratuitamente do meio do meu povo
para que celebres dia após dia
minha nova e eterna Aliança de amor.
Nada fazes de mais grandioso do que oferecer
com mãos puras e coração ilibado esse sacrifício:
juntos o povo santo, tu e eu.
É a Pascoa libertadora em vista do Reino novo.
Tu haverás de fixar teu coração nessa mesa.

Eu te escolhi gratuitamente do meio do meu povo
para que sejas servidor de minha Palavra,
proclamada oportuna e inoportunamente.
Ela, em certos dias, vai arder em teu coração e teu espírito,
feito uma ferida antes de curar os corações machucados e feridos.
Não te imagines nunca possuir a Verdade;
procura humildemente no meio de teus irmãos dar um modesto testemunho dela.

Haverás de carregar comigo, em teus ombros, a ovelha perdida, perdoarás o filho que volta,
sentar-te-ás comigo à mesa dos que não contam,
farás com que os mudos cantem,
lavarás os pés dos pobres sem amor,
abrirás o ouvido dos surdos.

Mesmo com o cansaço da estrada
e para além dos medos e das dúvidas,
como Pedro, proclamarás a Vitória da fé.

Não te amedrontem os espinhos que em tua carne te humilham.
Aos olhos dos homens eles testemunham que a ti basta minha graça
e que meu Chamamento é um amor gratuito.

Homem de pouca fé e frágil,
haverás de gozar de minha força de ressurreição,
de libertação e de reconciliação num pobre vaso de argila.
Certamente aqui e ali tu conhecerás o fracasso
e não poderás dele escapar.
Deverás te despojar do peso de teus projetos pessoais
para atravessar o muro do impasse, para além do qual,
o sol de meu chamamento de novo haverá
de iluminar teu coração fiel.

Amando esta terra,
mas ardendo pelo Esplendor de meu Pai,
pela unção de minhas mãos, pelo poder do Espírito Santo
eu te associei ao meu único sacerdócio salvador
que te reveste de simples grandeza.
Eu te escolhi gratuitamente entre os homens.
Fiz de ti um pescador de homens.

(Inspirado em texto de Michel Hubaut)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Quarto Domingo da Páscoa:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: At 2,14.36-41

Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos

No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, no meio dos onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão. “Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”. Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, o que devemos fazer?” Pedro respondeu: “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si”. Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho e os exortava, dizendo: “Salvai-vos dessa gente corrompida!” Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo. Naquele dia, mais ou menos três mil pessoas se uniram a eles.

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Responsório: Sl 22(23)

- O Senhor é o pastor que me conduz; / para as águas repousantes me encaminha.

- O Senhor é o pastor que me conduz; / para as águas repousantes me encaminha.

1. O Senhor é o pastor que me conduz; / não me falta coisa alguma. / Pelos prados e campinas verdejantes / ele me leva a descansar. / Para as águas repousantes me encaminha / e restaura as minhas forças.

2. Ele me guia no caminho mais seguro, / pela honra do seu nome. / Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, / nenhum mal eu temerei; / estais comigo com bastão e com cajado: / eles me dão a segurança!

3. Preparais à minha frente uma mesa, / bem à vista do inimigo, / e com óleo vós ungis minha cabeça; / o meu cálice transborda.

4. Felicidade e todo bem hão de seguir-me / por toda a minha vida; / e na casa do Senhor habitarei / pelos tempos infinitos.

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2ª Leitura: 1Pd 2,20-25

Leitura da Primeira Carta de São Pedro

Caríssimos, 20se suportais com paciência aquilo que sofreis por ter feito o bem, isso vos torna agradáveis diante de Deus. De fato, para isso fostes chamados. Também Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos. Ele não cometeu pecado algum, mentira nenhuma foi encontrada em sua boca. Quando injuriado, não retribuía as injúrias; atormentado, não ameaçava; antes, colocava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça. Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Por suas feridas fostes curados. Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas.

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Evangelho: Jo 10,1-10

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. Jesus contou-lhes essa parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”

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Reflexão do padre Johan Konings:

Salvação - Só por Cristo?

No evangelho, Jesus narra uma parábola. Naquele tempo, os povoados tinham seu curral (redil) comunitário. O curral tinha um portão, por onde os pastores entravam para chamar as suas ovelhas (que conheciam a voz de seu pastor), e por onde as ovelhas passavam para ir pastar. Mas também apareciam sujeitos que abriam uma brecha na cerca em vez de entrar pela porta: os ladrões. Até aí a parábola (versos 1-5). Depois, Jesus explica: ele mesmo é essa porta por onde pastores e ovelhas devem passar. Pastor que não passa por ele, não serve para os fiéis. E também os fiéis têm de passar por ele para encontrar a vida que procuram.

Pastor mesmo é quem passa através de Jesus e faz o rebanho passar por ele. Neste sentido, as pregações apostólicas apresentadas nas leituras de hoje são eminentemente pastorais. São obra de pastores que passaram por Cristo e nos conduzem a ele e – através dele – ao Pai. Veja só, na 1ª leitura o apelo à conversão e a entrada no “rebanho” mediante o batismo, depois da pregação de Pedro. E, na 2ª leitura Pedro lembra aos fiéis que, outrora ovelhas desgarradas, eles estão agora junto ao verdadeiro pastor, Jesus.

O sentido fundamental da pastoral é ir aos homens por Cristo e conduzi-los através dele ao verdadeiro bem. As maneiras podem ser muitas; antigamente, mais paternalista talvez; hoje, mais participativa. Mas pode-se chamar de pastoral uma mera ação social ou política associada a setores da Igreja ou a suas instituições? Isso ainda não é, de per si, pastoral. Para ser pastoral, a atuação precisa ser orientada pelo projeto de Cristo, que ele nos revelou dando sua vida por nós.

Nesta ótica, os pastores devem ir aos fiéis (não aguardá-los de braços cruzados), através de Cristo (não através de mera cultura ou ideologia), para conduzi-los a Deus ( e não apenas à instituição da Igreja), fazendo-os passar por Cristo, ou seja, exigindo adesão à prática de Cristo. E os fieis devem discernir se seus pastores não são “ladrões e assaltantes”. O critério para discernir isso é este: se eles chegam através de Cristo e fazem passar os fiéis por ele.

Pelas palavras do Novo Testamento, parece que toda salvação passa por Cristo. Mas isso deve ser entendido num sentido inclusivo, não exclusivo. Todo caminho que verdadeiramente conduz a Deus, em qualquer religião e na vida de “todos aqueles que procuram de coração sincero”(Concílio Vaticano II; Oração Eucarística IV), passa de fato pela porta que é Jesus. Portanto – e é isso que acentua o evangelho de João, escrito para pessoas que já aderiram à fé em Jesus: não precisam procurar a salvação fora desse caminho. Isso vale ser repetido para os cristãos de hoje. Por outro lado, não é preciso que todos confessem o Cristo explicitamente; basta que, nas opções da vida, eles optem pela prática que foi, de fato, a de Cristo. Agir como Cristo é a salvação. E é a isso que a pastoral deve conduzir.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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