A Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é contra a redução da maioridade penal. O
tema retornou ao debate público nesta quarta-feira, 14, após o pedido para
inserir no texto da PEC da Segurança Pública (Proposta de Emenda à Constituição
nº 18/2025) a alteração do artigo 228 da Carta Magna, reduzindo para
dezesseis anos como regra geral e para quatorze anos em determinadas hipóteses.
Os bispos
recordam a carta enviada aos parlamentares em junho deste ano, na qual chamam
atenção de que “a redução da maioridade penal não enfrenta as causas da
violência nem oferece respostas duradouras para a segurança pública”.
Para o Conselho
Permanente, “o Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e
na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de
adolescentes”.
Os bispos
pediram, na ocasião, que o Congresso Nacional “priorize políticas públicas
capazes de enfrentar as causas da violência: educação de qualidade,
fortalecimento das famílias, proteção da infância e da adolescência, ampliação
de oportunidades para os jovens e aperfeiçoamento das medidas socioeducativas”.
Leia a carta na
íntegra:
Brasília – DF,
26 de junho de 2026
Aos
PARLAMENTARES
Ref.: Redução da
maioridade penal.
Senhoras e
Senhores Parlamentares,
O Conselho
Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, fiel à missão
evangelizadora da Igreja, dirige-se respeitosamente a Vossas Excelências diante
das discussões e iniciativas legislativas que visam reduzir a maioridade penal
em nosso país.
A CNBB reafirma
sua posição contrária à redução da maioridade penal. Essa convicção nasce da
defesa da dignidade da pessoa humana, especialmente dos adolescentes, que se
encontram em processo de desenvolvimento e devem ser responsabilizados por seus
atos sem serem privados da possibilidade de recuperação e reintegração social.
O ordenamento
jurídico brasileiro já prevê mecanismos de responsabilização para adolescentes
por meio das medidas socioeducativas estabelecidas pelo Estatuto da Criança e
do Adolescente e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. O desafio
não está na ausência de instrumentos legais, mas na fragilidade de sua
implementação e na insuficiência de investimentos em educação, proteção social
e oportunidades para a juventude.
O simples
endurecimento das penas não reduz a violência. Adolescentes envolvidos em atos
infracionais são também vítimas da pobreza, da exclusão educacional, da
desestruturação familiar, da dependência química e do aliciamento pelo crime
organizado. Inseri-los precocemente no sistema prisional tende a ampliar ciclos
de violência e exclusão, comprometendo sua ressocialização.
Por isso,
apelamos ao Congresso Nacional para que priorize políticas públicas capazes de
enfrentar as causas da violência: educação de qualidade, fortalecimento das
famílias, proteção da infância e da adolescência, ampliação de oportunidades
para os jovens e aperfeiçoamento das medidas socioeducativas.
A redução da
maioridade penal não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas
duradouras para a segurança pública. O Brasil será mais seguro se investir na
proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o
encarceramento precoce de adolescentes.
Confiando à
intercessão de Nossa Senhora Aparecida os trabalhos desta Casa Legislativa e o
futuro da juventude brasileira, renovamos nossa estima e nossas orações por
todos os que exercem o nobre serviço da representação popular.
Dom Jaime
Cardeal Spengler - Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS - Presidente da CNBB
Dom João Justino
de Medeiros Silva - Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO - 1º Vice-Presidente da CNBB
Dom Paulo
Jackson Nóbrega de Sousa - Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE - 2º Vice-Presidente da CNBB
Dom Ricardo
Hoepers - Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF - Secretário-Geral da CNBB
Ele não pregava blá blá blá! Era direto e sem rodeios no seu discurso de paz:
amar e nunca desejar nem causar a morte do outro!
- Ele propôs a paz o tempo todo. - Falou sobre o que acontece quando ela é desprezada . - Saudava a todos com gesto de paz. - Chorou sobre Jerusalém porque a cidade não aceitou sua proposta de paz. - Mandou Pedro guardar a espada e não usá-la. - Dialogou com um comandante-chefe invasor romano. - Dialogou com a samaritana. - Elogiou gente de outra religião. - Curou gente de outra fé. - Conversou com o governador Pilatos. - Calou-se perante o devasso Herodes que tentou espezinhá-lo e tinha assassinado
João Batista. - Mandou perdoar os inimigos. - Morreu perdoando e salvando - Falou de paz mais de 200 vezes. - Foi duro contra os caluniadores. - Foi contra quem julgava o próximo sem ser juiz. - Falou contra os maus juízes. - Criticou os fanáticos fariseus e escribas . - Condenou quem posava de profeta. - Deu paz e semeou a paz - Mandou caminhar com os inimigos para tentar fazer a paz antes de ter que
encarar o juiz. - Mandou-nos andar o dobro em sinal de paz a quem foi gentil conosco. - Mandou dar o outro lado da cara a quem nos estapeou. - Aconselhou-nos a ser gentis também com os desconhecidos. - Mandou perdoar sempre quem nos fez algum mal. A punição e a vingança cabem a
Deus. - Ensinou-nos a nunca pagar o mal com o mal. - Foi super severo contra desrespeitasse uma criança. - Propôs fidelidade no casamento. - Não abrandou o divórcio , que a Lei de Moisés permitia. - Salvou uma mulher de ser apedrejada: só ela seria morta? Onde estava o homem
que adulterou com ela?
***
Mas ultimamente maus conselheiros de internet, que se dizem piedosos e crentes
e até convertidos em Jesus por obra do Espírito Santo, andam caluniando e
xingando de câncer da Igreja quem prega teologia da libertação, mesmo que seja
esta teologia seja totalmente bíblica e católica! Culpam qualquer pregador
como pecador e comunista sem saber que os 72 livros da Bíblia falam que Deus
liberta!
Estes mesmos irmãos que não veem os outros como irmãos, a não ser que
pertençam ao seu grupo, andam defendendo a antiga tradição do “olho por olho e
dente por dente, pontapé por pontapé e mal por mal".
Mas não foi isso o que Jesus ensinou e viveu.
Estão voltando aos costumes de 3000 anos atrás e ignorando a doutrina de
diálogo, de paz e de perdão. E o pregador que ouse relembrar estes
mandamentos de Jesus acaba sendo xingado e ridicularizado como sujeito
ultrapassado e perigoso!
Acham-se mais iluminados do que os outros. Vejo isso todos os dias na internet
. Eles estão sempre certos e os outros estão sempre errados .
***
Lá fora, porém, aumenta a violência, a droga corre solta e a corrupção drena
os bens do país; religiosos insistem em pregar teologias de vantagens e lucro
e prosperidade, quando Jesus escolheu viver como pobre e em defesa dos pobres
e oprimidos.
***
Jesus era severo e exigente, mas era pacifista e misericordioso e educador.
Estão propondo vingar-se e vencer a qualquer preço! Querem voltar aos métodos
de GEDEÃO, SANSÃO e ABIMELEQUE e à mentalidade do passado de esmagar o outro
antes que nos esmaguem.
A tribo de Dan cometeu a injustiça de trair e atacar e dizimar o Pacífico povo
de Lais. (Jz 18, 7-29) E ainda acharam que Javé os aplaudiu! Selvageria em
nome da fé!
Jesus veio amansar e educar o ser humano! Morreu tentando isto!
Hoje nem mesmo famosos pregadores de internet ousam divulgar Jo 17,1-26 e Mt
25,31-46. Falam pouco desses versículos!
Aceitam qualquer barbaridade em nome do seu líder, do seu partido ou da sua
ideologia política radical. Tudo, menos perdoar quem não crê ou não vê o
mundo com as lentes deles: muitas vezes, lentes embaçadas ou distorcidas!…
Não é de hoje
que a relação entre religião e política vem ocupando a reflexão dos cientistas
sociais. No passado, essa relação se expressava em termos institucionais,
mediante a declaração de um estado confessional, assentada na constituição, ou
através de relações oficiais entre as autoridades do Estado e os legítimos
representantes de uma religião ou Igreja. Em geral, era uma relação tranquila,
embora não respeitasse as minorias religiosas.
A novidade
recente, particularmente no Brasil, é uma espécie de captura da religião pelos
interesses políticos e mercadológicos, e a entrada interesseira de várias
Igrejas nas disputas políticas e no campo das atividades comerciais e
financeiras. A partir da década de 1980, a pastoral social ensinou que “tudo é
político” sem esquecer que “a política não é tudo”. Hoje se diz ou se pressupõe
que “tudo é negócio”, inclusive a política e a religião.
Esta captura da
religião e da política pelos interesses econômicos, no horizonte de uma
ideologia liberal, conservadora e autoritária, acaba gerando desvios e
confusões como os que estamos vivendo nas últimas semanas. Ao invés de discutir
projetos de educação, de convivência e de desenvolvimento econômico e político,
o povo brasileiro vê-se enredado em discussões de temas morais e religiosos de
reduzida importância na vida da nação.
O que devemos
escolher no próximo domingo não é a padroeira do Brasil, ou se é oportuno ou
não consagrar o Brasil a Jesus Cristo. Escolheremos pessoas e partidos que
ajudarão ou impedirão o desenvolvimento nacional, a autonomia das organizações
civis e populares e a integração soberana do Brasil no concerto das nações. Sem
menosprezar nenhum movimento político, nisso os dois agrupamentos majoritários
seguem direções opostas.
Diversamente de
algumas Igrejas, a Igreja católica não impõe nem indica aos seus fiéis partidos
ou candidatos, nem pretende assegurar vantagens institucionais nos parlamentos
e governos. Ela oferece critérios para que os fiéis decidam e votem: a busca do
bem comum; a defesa dos direitos humanos, da democracia e da soberania
nacional; o cuidado da casa comum; a primazia incondicional dos pobres e
vulneráveis e a dignidade da vida de todos.
Há quem veja
nestes critérios alinhamento com partidos, candidatos e movimentos de esquerda,
e isso seria inaceitável para um cristão católico. Mas eu pergunto: é aceitável
que um católico escolha, por amizade, conveniência ou descaso, candidatos e
partidos que pleiteiam unicamente interesses privados, combatam os direitos
humanos, relativizem a democracia e a soberania do país, promovam ou tolerem a
destruição do meio ambiente, submetam tudo aos interesses dos ricos e
relativizem a dignidade inviolável do ser humano?
Dom Itacir Brassiani, MSF - Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)
sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem
O Papa Leão
rezou a oração mariana do Angelus após receber alta hospitalar, no último
sábado. Na semana passada, o Santo Padre foi internado no Hospital Gemelli para
a remoção de um adenocarcinoma no pulmão direito. Na alocução que precedeu a
oração, Leão XIV recordou que o Reino de Jesus pede "que vivamos sem
concessões, livres de más ambições e de interesses injustos, colocando acima de
tudo o Reino de Deus e a sua justiça".
O Papa Leão XIV
conduziu a oração mariana do Angelus, deste domingo (18/10), da janela da
residência apostólica vaticana. Segundo dados da Gendarmaria Vaticana, 15
mil fiéis estiveram presentes na Praça São Pedro.
Lembramos que o
Pontífice recebeu alta do Hospital Agostino Gemelli e retornou ao Vaticano, na
tarde do último sábado (17/10), após a cirurgia no pulmão direito para a
remoção de um adenocarcinoma pulmonar, no dia 13 de outubro.
O Evangelho da
liturgia deste domingo, "põe-nos diante de uma das frases mais famosas de
Jesus: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus»".
Leão XIV disse que "é importante situá-la no contexto em que foi
originalmente proferida".
Viver livres de
más ambições e interesses injustos
"O
evangelista Mateus descreve uma situação hostil em relação a Jesus: os fariseus
reúnem-se para ver como apanhá-lo em contradição nas suas palavras. Decidem
enviar algumas pessoas para o interrogar sobre uma questão controversa: «É
lícito ou não pagar o imposto a César?». A resposta do Mestre é astuta, pois
mantém-no fora da armadilha e desmascara a hipocrisia daqueles que querem
fazê-lo cair. Pede-lhes a moeda do tributo, ou seja, um denário. Eles lhe
entregam, e Jesus diz: «De quem é esta imagem e esta inscrição?».
Respondem-lhe: «De César». Então afirma: «Dai, pois, a César o que é de César e
a Deus o que é de Deus»."
“Em Jesus,
contemplamos um Deus que não teme a história e que, pelo contrário, vem habitar
nela. O seu Reino não retira os cargos nem as responsabilidades humanas. Pede,
porém, que vivamos sem concessões, livres de más ambições e de interesses
injustos, colocando acima de tudo o Reino de Deus e a sua justiça.”
Ser verdadeiro,
livre para o bem
"Neste
sentido, chama a atenção o elogio que essas mesmas pessoas dirigem a Jesus,
ainda que movidas por más intenções: «Mestre, sabemos que és sincero e que
ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem te deixares influenciar por
ninguém, pois não olhas para a condição das pessoas»."
O Papa Leão
concluiu, dizendo:
“Caríssimos, é
precisamente este o perfil de quem “dá a César o que é de César e a Deus o que
é de Deus”: ser verdadeiro, sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem.
Roguemos ao Senhor que nos ajude a ser assim. E confiemo-nos à intercessão da
Virgem Maria.”
obrigado a todos que rezaram por mim, senti o apoio de vocês
Ao final da
oração do Angelus, o Papa agradeceu pelas orações que os sustentaram nos dias
de internação e à equipe do Hospital Gemelli. Em seguida, recordou seus
próximos compromissos: "Superada esta fase delicada, como sabem, retomarei
gradualmente as minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e de suas
orações".
Após a oração
mariana do Angelus, o Papa Leão XIV recordou que neste domingo (18/10),
celebra-se o 100° Dia Mundial das Missões sobre o tema "Um em Cristo,
unidos na missão".
A ideia do Dia
Mundial das Missões surgiu em 1926, ano em que o Papa Pio XI publicou a
encíclica Rerum Ecclesiae, sobre as missões, razão pela qual o Pontífice passou
a ser chamado de "o Papa das Missões". A primeira celebração desse
dia ocorreu em outubro de 1926 e, desde então, tem sido sempre celebrada no
penúltimo domingo de outubro.
“Pensemos a
quanta história missionária abrangeu esses cem anos! Rezemos para que a Igreja
seja sempre fiel ao mandato do Senhor Ressuscitado: “Ide por todo o mundo e
pregai o Evangelho a toda criatura”.”
Na tarde do
último sábado (17/10), o Papa Leão recebeu alta hospitalar, após ficar
internado no Hospital Gemelli de Roma para uma cirurgia de remoção de um
adenocarcinoma no pulmão direito. O Pontífice aproveitou a ocasião para
agradecer fazer publicamente a todos que o apoiaram nesses dias de internação.
“Gostaria de
agradecer a todos que rezaram por mim nestes dias. Senti verdadeiramente o
apoio de vocês, muito obrigado!”
Depois,
agradeceu aos profissionais da saúde que cuidaram dele.
“Expresso a
minha especial gratidão aos médicos, enfermeiros e a toda a equipe do Hospital
Gemelli. Esta experiência me fez sentir especialmente próximo daqueles que
enfrentam doenças e enfermidades.”
Olhando para os
compromissos que o aguardam, o Papa espera poder contar com o apoio dos fiéis.
“Superada esta
fase delicada, como sabem, retomarei gradualmente as minhas atividades, sempre
com a ajuda de Deus e de suas orações.”
Os fiéis na
Praça São Pedro responderam com mais aplausos, e o Papa agradeceu-lhes mais uma
vez, repetindo: "Obrigado a todos e tenham um bom domingo". Em
seguida, se deteve por mais alguns instantes na janela da residência apostólica
vaticana, sorrindo e acenando para as pessoas, retribuindo o carinho que lhe
fora demonstrado.
indulgência plenária para o 100° Dia Mundial das Missões
Aqueles que, em
18 de outubro, celebram o Dia Mundial das Missões instituído pelo Papa Pio XI
em 1926, por ordem papal, podem obter a remissão total, perante Deus, da pena
temporal dos pecados, rezando o Rosário pela propagação do Evangelho em todo o
mundo. Leão XIV, no Angelus: "Que a Igreja seja sempre fiel ao mandato do
Senhor Ressuscitado: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda
criatura".
Através da
Penitenciaria Apostólica, o Papa Leão XIV concedeu a indulgência plenária por
ocasião do 100° Dia Mundial das Missões, instituído pelo Papa Pio XI, em 1926,
e celebrado neste domingo, 18 de outubro, cujo tema deste ano é"Um em
Cristo, unidos na missão".
No Angelus deste
domingo, o Papa disse: "Pensemos a quanta história missionária abrangeu
esses cem anos! Rezemos para que a Igreja seja sempre fiel ao mandato do Senhor
Ressuscitado: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda
criatura»".
O Decreto da
Penitenciaria
O Decreto da
Penitenciaria especifica que a indulgência pode ser obtida sob as condições
habituais: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções
do Papa. Pede ainda que os fiéis rezem o Rosário em união com o Papa pela
difusão do Evangelho em todo o mundo.
A mensagem do
Papa para o dia
Na Mensagem para
o 100° Dia Mundial das Missões, divulgada em 25 de janeiro passado, Leão XIV
exorta "toda a Igreja a prosseguir com alegria e zelo no Espírito Santo o
caminho missionário, que exige corações unidos em Cristo, comunidades
reconciliadas e, em todos, disponibilidade para colaborar com generosidade e
confiança". No centro da missão, o Papa identifica o "mistério da
união com Cristo". Nas palavras de Jesus que antecedem a Paixão —
"Para que todos sejam um; assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que
também eles estejam em nós" — revela-se o desejo último de Cristo e a
própria identidade da Igreja: "Ser uma comunhão que nasce da Trindade e
que vive da e na Trindade, a serviço da fraternidade humana e da harmonia com
todas as criaturas", explica o Pontífice. "Ser cristão não é, antes
de tudo, um conjunto de práticas ou ideias: é uma vida em união com Cristo, na
qual nos tornamos participantes da relação filial que Ele vive com o Pai no
Espírito Santo", ressalta o Papa, acrescentando que a responsabilidade
primordial da Igreja em missão consiste na renovação da unidade espiritual e
fraterna entre seus membros.
Participar da
missão evangelizadora da Igreja
Hoje, assistimos
a conflitos, polarizações, incompreensões e desconfiança recíproca, observa
Leão, ressaltando que "quando isso acontece também" nas comunidades
eclesiais, "o testemunho se enfraquece". Por outro lado, "a
missão evangelizadora, que Cristo confiou aos discípulos, exige, antes de tudo,
corações reconciliados e ansiosos por comunhão". "Nenhum
batizado" – afirma o Pontífice – "é alheio ou indiferente à missão:
todos, cada um segundo sua vocação e condição de vida, participam da grande
obra que Cristo confia à sua Igreja". Pois "como o Papa Francisco
lembrou várias vezes, o anúncio do Evangelho é sempre uma ação conjunta,
comunitária e sinodal". Daí o apelo de Leão para que todos se unam aos
missionários e missionárias "por meio do testemunho de vida em Cristo, da
oração e da contribuição para as missões" e para que "cada um,
segundo sua vocação e os dons recebidos, contribua para a grande missão
evangelizadora, que é sempre obra do amor". Por fim, ao concluir a
mensagem, o Papa invoca a Deus para que "todos os membros da Igreja
estejam unidos na missão, dóceis ao Espírito Santo, corajosos no testemunho do
Evangelho".
A exegese moderna não dá lugar a dúvidas. O principal para Jesus é a vida, não a religião. Basta analisar a trajetória de sua atividade. Sempre o vemos preocupado por suscitar e desenvolver, no meio daquela sociedade, uma vida mais sadia e mais digna.
Pensemos em sua atuação no mundo dos enfermos: Jesus se aproxima dos que vivem sua vida de maneira diminuída, ameaçada ou insegura, para despertar neles uma vida mais plena. Pensemos em sua aproximação aos pecadores: Jesus lhes oferece o perdão que os faça viver uma vida mais digna, resgatada da humilhação e do desprezo. Pensemos também nos endemoninhados, incapazes de ser donos de sua vida: Jesus os liberta de uma vida alienada e desconcertada pelo mal.
Como foi sublinhado por Jon Sobrino, pobres são aqueles para os quais a vida é uma carga pesada, pois não podem viver com um mínimo de dignidade. Esta pobreza é o que há de mais contrário ao plano original do Criador da vida. Onde um ser humano não pode viver com dignidade, ali a criação de Deus aparece como viciada e anulada.
Por isso, Jesus se preocupa tanto com a vida concreta dos camponeses da Galileia. O que aquela gente precisa em primeiro lugar é viver, e viver com dignidade. Não é a meta final, mas é, neste momento, o mais urgente. Jesus os convida a confiar na salvação última do Pai, mas o faz salvando as pessoas da enfermidade e aliviando males e sofrimentos. Anuncia-lhes a felicidade definitiva no seio de Deus, mas o faz introduzindo dignidade, paz e felicidade neste mundo.
Às vezes, nós cristãos expomos a fé com uma tal confusão de conceitos e palavras que, na hora da verdade, poucos entendem o que é exatamente o Reino de Deus de que fala Jesus. Mas as coisas não são tão complicadas. O que Deus quer é unicamente isto: uma vida mais humana para todos e, desde agora, uma vida que chegue à sua plenitude na vida eterna. Por isso nunca se deve dar a nenhum César o que é de Deus: a vida e a dignidade de seus filhos.
JOSÉ ANTONIO PAGOLAcursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.
♦ A liturgia deste domingo nos faz ouvir o conhecido evangelho do “dai a César o que de César e a Deus e o que é de Deus”. Não podemos fugir do tema, mesmo em sua complexidade. Discípulos de Jesus que somos, não vivemos de um lado nossa fé cristã e completamente do outro a existência no mundo. Fé e vida, para nós cristãos, se interpenetram sem se confundirem. O tema é vasto. Na história muitas vezes a Igreja andou passeando sem muito critério nos domínios de César e este, por sua vez tentando se imiscuir nos negócios da Igreja. Cada um no seu lugar, com sadia interpenetração e complementariedade.
♦ Cabe, neste contexto ter diante de nossos olhos algumas observações pertinentes de um antigo documento da Igreja conhecido como Carta a Diogneto (em torno de 120 dC): “Não se distinguem os cristãos dos demais, nem pela região, nem pela língua, nem pelos costumes. Não habitam cidades à parte, não empregam idioma diverso dos outros, não levam um gênero de vida extraordinário” (n.4). Os cristãos vivem no meio dos homens.
♦ São como todos. Nascem, crescem, estudam, trabalham, divertem-se, cantam, dançam, choram, batalham, convivem, homem, mulher. São cidadãos. César tem responsabilidade de cuidar de todos, tanto dos cristãos, como cuida de todos os cidadãos que lhe são confiados. Recolhe impostos de todos, também dos cristãos. Com esses impostos os governantes cuidam da educação, da saúde, dos hospitais, da atenção para com os idosos, da limpeza pública, da iluminação, da segurança. Fazem casas decentes. Administram com honestidade as cidades e o país. Os cristãos são fiéis aos seus deveres para com Cesar. Dão a César o que é de César. Pagam seus impostos. Respeitam suas leis. Querem, no entanto, que seja respeitada sua consciência e sua opção religiosa.
♦ Em seu agir cotidiano, os cristãos projetam no mundo uma luz que lhes é própria. A partir do encontro com Cristo, da assimilação do Evangelho, pela audição da Palavra, pela vivência em comunidades fraternas e de oração fazem incidir uma claridade diferente no campo da vida e da vida com os outros. Estão densamente nas realidades terrenas, fazem o que podem para humanizá-las, inserem-se no cortejo daqueles que tornam a vida humana o mais digna possível. Médicos, sapateiros, advogados, banqueiros cristãos não negligenciam seus trabalhos. Realizam-no da melhor maneira. Os cristãos sentem-se convidados a humanizar o mundo e as relações.
♦ Estão no mundo, mas não são do mundo. Não aceitam certos projetos dos homens marcados por interesses pequenos, projetos que esquecem o ser humano marcados pelo aproveitamento dos incautos, falcatruas, banalização do corpo, pornografia, violação da consciência. Sempre iluminam o campo de atuação de César com a claridade do Evangelho. Estão no mundo, sem serem do mundo. São sal da terra, luz do mundo e fermento na massa. Adquirem essa postura de viver do Sermão da Montanha e com isso colocam em tudo gosto, claridade e tempero.
♦ “Na dialética posta por Jesus entre César e Deus situa-se a condição do crente que está no mundo, mas não é do mundo, que habita cidade secular, mas espera o Reino de Deus, que vive na pólis, mas que tem a politeúma, a cidadania nos céus (cf Fl 3,20). O cristão vive uma fidelidade autêntica à terra, graças à sua reserva escatológica. Dar a Deus o que é de Deus é tomado também no sentido de atuar para que o mundo – saído das mãos de Deus e confiado por Ele aos homens – na sua organização e nas suas instituições possa corresponder aos requisitos de justiça e de direito que são próprios da práxis messiânica” (Manicardi).
♦ Moram na própria pátria, mas como peregrinos. Enquanto cidadãos, de tudo participam, porém tudo suportam como estrangeiros. Toda terra estranha é pátria para eles.
♦ Casam-se como todos os homens e como todos procriam, mas não rejeitam os filhos. A mesa é comum: não o leito.
♦ Estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Se a vida deles decorre na terra, a cidadania, contudo, está nos céus. Obedecem as leis estabelecidas, todavia superam-nas pela vida;
♦Amam a todos e por todos são perseguidos. Desconhecidos, são condenados. São mortos e com isso se vivificam. Pobres enriquecem a muitos. Tudo lhes falta, e têm abundância de tudo…
FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.