sábado, 14 de fevereiro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis (MG):

Horários de missa e outros eventos

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Dia 14 - Sábado

19h - Missa na matriz

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Dia 15 - 6º Domingo do Tempo Comum

7h - Missa na matriz          9h - Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges      16h - Missa na igreja de Santo Antônio

19h - Missa na matriz

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Reflexão do frei Almir Guimarães para o seu sábado:

Diretrizes para um mundo transparente

É difícil ser transparente, por vezes pode ser muito árido e conduzir à marginalização e à solidão, mas a comunicação alicerçada na hipocrisia, na lisonja e nos bailes das máscaras também não salva da solidão, porque o outro não revela quem ele é, nem o que pensa, nem o que espera de você e, portanto, você não sabe diante de quem você está, nem quais as suas intenções.
Francesc Torralba

 Neste tempo da vida da Igreja, em nossa liturgia dominical, estamos continuando a leitura do Sermão da Montanha de Mateus, Carta Magna do cristianismo. Pacientemente vamos construindo nossa identidade cristã ao longo do tempo da vida. Não cessamos de nascer de novo. Nascemos de nossos pais e nascemos do Alto, nascemos ao longo das estações da vida. Tudo recomeça. Somos seres inacabados, sempre a caminho.

 O Sermão da Montanha faz apelo à generosidade, coerência e transparência. Pede-nos o máximo. Não se trata apenas cumprir obrigações de maneira “certinha” e dar-se por satisfeito. Precisamos chegar a uma postura de seres generosos e transparentes. Tudo começará em nossa verdade mais profunda. Jesus sempre nos adverte contra a mentalidade dos fariseus que observavam ritos e deveres, mas sem alma, de maneira nem sempre transparente e mesmo incoerentemente, com certa duplicidade, sem transparência.

 Transparência! “Os cidadãos exigem a transparência das instituições públicas, dos meios de comunicação social e das organizações privadas; exigem leis para garantir seu exercício, esperam saber o que acontece no interior das organizações públicas, como é investido o dinheiro pago por nós todos, como as decisões são tomadas nos bastidores do poder. Há um anseio por transparência”. (Francesc Torralba). Vivemos um tempo que exige o máximo de transparência. Estamos aprendendo a exigir transparência.

 Uma justiça maior do que simplesmente o dever cumprido. Justiça, no linguajar do Sermão da Montanha, é bem mais do que fazer as coisas corretas. Será preciso amar, estar presente na vida dos outros. O que importa de verdade é o apreço que lhes devotamos. Eliminar esta preocupação do ser humano de voltejar em torno de si mesmo. A Lei manda não matar. Trata-se de evidência sem necessidade de explicação. O Sermão da Montanha, no entanto, pede interesse e delicadeza pela vida do outro: próximo bem próximo, próximo mais distante. Será preciso promover o outro, a vida, o seu entusiasmo, sua vontade de crescer, de não vegetar, de não morrer vivo. Imaginação e criatividade. Os que usam um linguajar pouco delicado a respeito do outro, de alguma forma, agem mal. Todo esse palavreado grosseiro revela que não temos sensibilidade para com o outro. Se o Senhor nos ama como somos, frágeis e pecadores, ama também aquele que me ofendeu e que direito temos nós de excluí-los de nosso bem-querer?

 Quando realizamos o culto é preciso coerência e transparência. Participamos da celebrações da Eucaristia. Nesse momento revestimo-nos de sinceridade, dirigimo-nos ao altar com o melhor de nós mesmos. Ali vamos estar com aquele que deu a vida pelos seus, por todos, inclusive por aqueles que o matavam. A Eucaristia é a renovação incruenta do dom de Cristo no alto da cruz. Corpo dado e sangue derramado. Unimo-nos ao dom do Senhor atualizado nos sinais do pão e do vinho. Dom irrestrito. Amor sem limites.

 Não é possível participar com fruto da Missa quando vivemos um clima de inimizade e de falta de respeito para com os outros. Aqui se insere o pecado pessoal e social. Tema delicado. Sempre questão da transparência e da generosidade. Os que vivem criando pontes, os que deixam de cultivar melindres e movimentos de inveja, os que batalham pela dignidade participam excelentemente da Eucaristia. Se assim não for ser será preciso primeiro ir reconciliar com o irmão e depois apresentar a oferenda da vida. Transparência e coerência.

 Não olhar uma mulher com desejo de possuí-la – Homem e mulher, companheiros e amigos. Pessoas em construção de uma fidelidade de coração, de mente e de corpo. Tema delicado esse da fidelidade. Os cristãos celebram o seu amor conjugal no sacramento. Dizem um sim que começa e continua sempre a partir do interior. Transparência. Ele e ela. Ela e ele. Não se fere a fidelidade conjugal apenas a busca carnal de outra pessoa. A traição começa no interior da pessoa. Há um adultério que se comete no coração quando se deseja possuir alguém, um desalento, um cansaço mortal.

 A delicada questão do divórcio – Não temos condições de abordar exaustivamente o tema. Muitas separações e muitos recasamentos! O casamento, por diferentes motivos, deveria durar. Tudo depende, em princípio, de uma escolha bem pensada. O outro leva tempo para manifestar quem ele é. Há necessidade de tempo para acolher a novidade escondida do outro, há um trabalho a ser feito para construir o amor. Amar é aceitar o outro em sua totalidade. Não se pode esquecer as condições como ficam os filhos com separação. Por isso, casamento e família são realidades que precisam de tempo e empenho. Segundo Chritiane Singer “o casamento é o único relacionamento que nos pede verdadeiro trabalho”.

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Para a reflexão

O amor não é estratégia nem cálculo de contabilidade, nem um investimento que espera lucros. É doação, entrega e é desejo do outro e só pode acontecer em um contexto de transparência mútua. O amor é incompatível com a opacidade porque quando se ama, o que se deseja do outro não é sua máscara, nem sua posição, nem o lugar que ocupa na sociedade; o que deseja do outro é seu ser e precisamente e isso que nunca se pode possuir de ninguém.

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Oração

Dá-nos teu Espírito Senhor:
Onde não há Espírito surge o medo.
Onde não há o Espírito a rotina invade tudo.
Onde não há o Espírito a esperança murcha,
Onde não há o Espírito esquece-se o essencial.
Onde não há o Espírito não podemos reunir-nos em teu nome.
Onde não há o Espírito introduzem-se normas.
Onde não há o Espírito não pode brotar a vida.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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Papa Leão em mensagem:

na Quaresma, abster-se de palavras que ferem o próximo

"Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão" é o título da mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma de 2026. O Pontífice convida os fiéis a um "jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro".

Um jejum de palavras ofensivas: este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.

Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.

Escutar

Este ano, o Papa destaca, em primeiro lugar, a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, “pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”.

Escutar a Palavra na liturgia, escreve o Pontífice, nos educa para uma escuta mais verdadeira da realidade. “Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.”

Jejuar

Se a Quaresma é um tempo de escuta, prossegue o Papa, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Por implicar o corpo, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.

No entanto, adverte o Santo Padre, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade e deve incluir também outras formas de privação.

Leão XIV então convida os fiéis a uma forma de abstinência “muito concreta e frequentemente pouco apreciada”, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo.

“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.”

Em vez disso, o Papa propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. “Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.”

Juntos

O Pontífice conclui recordando que a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum.

“As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.”

O Papa encerra sua mensagem exortando os fiéis a pedirem a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos.

“Peçamos a força de um jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometâmo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor. De coração, abençoo todos vocês e o seu caminho quaresmal.”

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

6º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Eclo 15,16-21

Leitura do Livro do Eclesiástico

Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. Diante de ti, ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão. Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir. A sabedoria do Senhor é imensa, ele é forte e poderoso e tudo vê continuamente. Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem. Ele conhece todas as obras do homem. Não mandou a ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar.

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Responsório: Sl 118(119)

- Feliz o homem sem pecado em seu caminho, / que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

- Feliz o homem sem pecado em seu caminho, / que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

1. Feliz o homem sem pecado em seu caminho, / que na lei do Senhor Deus vai progredindo! / Feliz o homem que observa seus preceitos / e de todo o coração procura a Deus!

2. Os vossos mandamentos vós nos destes, / para serem fielmente observados. / Oxalá seja bem firme a minha vida / em cumprir vossa vontade e vossa lei!

3. Sede bom com vosso servo, e viverei, / e guardarei vossa palavra, ó Senhor. / Abri meus olhos, e então contemplarei / as maravilhas que encerra a vossa lei!

4. Ensinai-me a viver vossos preceitos; / quero guardá-los fielmente até o fim! / Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei, / e de todo o coração a guardarei.

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2ª Leitura: 1Cor 1,6-10

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

Irmãos, entre os perfeitos nós falamos de sabedoria, não da sabedoria deste mundo nem da sabedoria dos poderosos deste mundo, que, afinal, estão votados à destruição. Falamos, sim, da misteriosa sabedoria de Deus, sabedoria escondida que, desde a eternidade, Deus destinou para nossa glória. Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa sabedoria. Pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas, como está escrito, “o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu”. A nós Deus revelou esse mistério através do Espírito. Pois o Espírito esquadrinha tudo, mesmo as profundezas de Deus.

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Evangelho: Mt 5,17-37

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

«Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento. Eu garanto a vocês: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem sequer uma letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazer o mesmo, será considerado o menor no Reino do Céu. Por outro lado, quem os praticar e ensinar, será considerado grande no Reino do Céu. Com efeito, eu lhes garanto: se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu.»

«Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: ‘Não mate! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, lhes digo: todo aquele que fica com raiva do seu irmão, se torna réu perante o tribunal. Quem diz ao seu irmão: ‘imbecil’, se torna réu perante o Sinédrio; quem chama o irmão de ‘idiota’, merece o fogo do inferno. Portanto, se você for até o altar para levar a sua oferta, e aí se lembrar de que o seu irmão tem alguma coisa contra você, deixe a oferta aí diante do altar, e vá primeiro fazer as pazes com seu irmão; depois, volte para apresentar a oferta. Se alguém fez alguma acusação contra você, procure logo entrar em acordo com ele, enquanto estão a caminho do tribunal; senão o acusador entregará você ao juiz, o juiz o entregará ao guarda, e você irá para a prisão. Eu garanto: daí você não sairá, enquanto não pagar até o último centavo.»

«Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não cometa adultério’. Eu, porém, lhes digo: todo aquele que olha para uma mulher e deseja possuí-la, já cometeu adultério com ela no coração.

Se o olho direito leva você a pecar, arranque-o e jogue-o fora! É melhor perder um membro, do que o seu corpo todo ser jogado no inferno. Se a mão direita leva você a pecar, corte-a e jogue-a fora! É melhor perder um membro do que o seu corpo todo ir para o inferno.

Também foi dito: ‘Quem se divorciar de sua mulher, lhe dê uma certidão de divórcio’. Eu, porém, lhes digo: todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada, comete adultério.»

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Reflexão do padre Johan Konings:

O espírito dos Mandamentos

A sabedoria do Antigo Testamento ensinava que temos uma consciência, para escolher entre o bem e o mal. Para ajudar-nos no escolher, Deus propõe a lei, os mandamentos (1ª leitura). Antes disso, Moisés codificou os mandamentos de Deus para os israelitas. Mas o que significam esses preceitos? Como interpretá-los? No tempo de Jesus havia quem os interpretasse conforme a letra, materialmente: “Não matar” significava simplesmente não tirar a vida de ninguém. Jesus, no evangelho, nos ensina a interpretá-los conforme o espírito do Pai. Escutar Deus mesmo por trás da letra da lei! E o que Deus deseja é “justiça”, isto é, seu plano de amor para com a humanidade: o “projeto de Deus”. Procurar a justiça verdadeira é olhar a vida com amor radical. Então, “não matar” significará muito mais do que a letra diz …

Também hoje, muitos interpretam a lei de modo material, sem escutar a vontade de Deus. “Adorar Deus” significa então ir à Igreja, sem amor a Deus. “Não adulterar” significa então respeitar o “contrato matrimonial”, sem renovar diariamente seu amor de esposo. “Não roubar” torna-se bandeira da intocável propriedade privada, em vez de freio contra a exploração …

Jesus restituiu a Lei a Deus: puxou-a das mãos dos fundamentalistas e fez ela ser novamente interpretação e instrumento do amor do Pai. E com isso, restituiu-a ao povo, pois assim ela serve para a paz, a felicidade profunda do povo que Deus ama. A nós cabe interpretar a lei pelo amor que Cristo nos fez conhecer. É isso a moral cristã. Colocar a lei a serviço de um amor inesgotável. Então, nunca ficaremos “satisfeitos”: sempre descobriremos uma maneira mais completa para realizar o bem que Deus “aponta” através da lei. A letra da lei não diz nada sobre política, mas o espírito de Jesus nos ensina que hoje, para sermos justos, devemos mexer com as estruturas políticas e econômicas da sociedade. Escutando a voz da consciência e orientando-nos pelo amor que Cristo nos ensina, veremos melhor o que na prática os mandamentos exigem de nós.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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A resposta é sua:

Você vai pular e brincar neste carnaval?

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Vai dançar seminu ou seminua na avenida? Vai deitar e rolar com qualquer parceiro ou parceira? Vai beber até cair? Vai cair na bobagem do vale-tudo tipo:


“Vou beijar-te agora / Não me leve a mal / Hoje é carnaval”

Vai esquecer os princípios da fé por três dias? Depois é só receber as cinzas na quarta-feira? É este o seu catolicismo?

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Pode um católico sambar e dançar no carnaval? Pode. E os pregadores severos demais que condenam tudo no carnaval? Estão errados. Condenam tudo! Por eles, todos os católicos deveriam passar três dias orando e jejuando e votariam para abolir o carnaval.

Mas há cidades onde não há esses exageros. E, mesmo nas grandes cidades, há espaço para a alegria sadia de rua ou de salão. O demônio certamente não está ali!

E os que escolhem passar três dias orando e fazendo jejum? São livres. Mas ninguém é obrigado a ir lá ouvindo longas palestras de comportamento. Vai quem quer e gosta!

Eu optei por não ir nem à avenida, nem a estes retiros. Sei onde estudar, orar e evangelizar!

Às vezes vejo algum desfile pela televisão, as alegorias, e as fantasias, e sei desligar quando há nudez explícita. Mas neste caso os que condenam tudo, também não devem ir à praia onde há muito mais seminudez de homens e mulheres!

Sabendo ir, olhar e dançar, ou orar e jejuar tudo depende da sua catequese. Você pode repercutir (catequese) em qualquer lugar. Mas, se isso tira a sua paz, não vá! Nem saia de casa!

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Pior é quando o sujeito julga e ataca os outros achando-se um exemplo de pessoa. Se está julgando é condenando tudo então não é exemplo de pessoa. Está pecando também como está escrito em Mateus 7,1-6.

Ore por quem exagera. E aproveite também para orar pelos cristãos exagerados que veem pecado em tudo, menos em quem vive condenando tudo que não é do seu rebanho ou do seu gueto!

Distinga direito se ainda quer ser pessoa distinta. Distinto é quem sabe distinguir o certo do errado!

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Editorial do Vaticannews:

Feliz Aniversário, Rádio Vaticano: 95 anos a serviço do Papa

Em 12 de fevereiro de 1931, o primeiro a falar pelos microfones da Rádio Vaticano foi o cientista Guglielmo Marconi, a quem Pio XI confiou a tarefa de projetar e construir este maravilhoso instrumento de comunicação. Hoje, a Rádio do Papa continua sua missão: difundir a mensagem do Evangelho, a voz do Bispo de Roma e o ensinamento pontifício por todo o mundo, encontrando comunidades, ouvindo e servindo.

Guglielmo Marconi (em pé, à esquerda) com o Papa Pio XI na inauguração da Rádio Vaticano.

Emociona profundamente pensar que, após noventa e cinco anos, a voz da Rádio Vaticano continua percorrendo o mundo, levando a todo lugar o anúncio do Evangelho, a esperança, a palavra do Sucessor de Pedro, superando todo confim, a distância, não deixando ninguém sozinho.

Hoje, o pensamento inevitavelmente se volta para 12 de fevereiro de 1931, quando o primeiro a falar pelos microfones da Statio Radiophonica Vaticana foi o cientista Guglielmo Marconi, a quem Pio XI tinha confiado a tarefa de projetar e construir esse maravilhoso instrumento de comunicação, e aos jesuítas a tarefa de conduzi-la. O pai do rádio anunciou que, pela primeira vez, a voz do Papa poderia ser "ouvida simultaneamente em toda a superfície da Terra" e, em latim, o Pontífice, com belas palavras, enviou a primeira mensagem de rádio da história do Vaticano "a todos os povos e a todas as criaturas". Em seguida, tocou um disco de 78 rotações contendo trechos de uma sinfonia de Beethoven.

Aquela intuição do Papa demonstrou a confiança nas possibilidades da tecnologia a serviço da comunicação humana e da missão da Igreja. Não se tratava de uma simples experiência técnica, mas de uma escolha pastoral precisa: utilizar os meios mais avançados da época para alcançar os corações das pessoas. Desde então, a Rádio Vaticano atravessou a história: guerras e acordos de paz, pobreza e ajuda, devastação e reconstrução, exclusão e acolhimento, transformações sociais, políticas e tecnológicas, sempre levando a mensagem cristã, a luz da esperança, interpretando todos os acontecimentos à luz da doutrina social. Até hoje, a Rádio serviu a nove Papas, ajudou a reunir milhares de desaparecidos durante a Segunda Guerra Mundial, foi um farol durante os terríveis anos do totalitarismo, noticiou o Concílio Vaticano II, os Jubileus, os desafios da Igreja universal, os muitos conflitos, como os recentes na Ucrânia, no Oriente Médio, no Congo, em Mianmar, no Iêmen, na Síria... foi e é um canal de oração, informação e formação.

O multiculturalismo é uma característica distintiva e uma chave preciosa para ler o mundo: as pessoas que trabalham hoje na rádio pontifícia vêm de sessenta e nove nações, e através de 34 redações — mais uma multimídia — alcançamos as periferias geográficas e existenciais do mundo em vários idiomas, dando voz a comunidades muitas vezes distantes das principais redes de mídia e acompanhando a vida das Igrejas locais. Em muitos países, a Rádio do Papa foi, por décadas, e às vezes ainda é, uma presença discreta, porém fundamental, para as comunidades cristãs e não só.

Nos últimos anos, a Rádio do Papa passou por uma profunda transformação dentro do amplo processo de reforma das comunicações iniciado pelo Papa Francisco. A criação do Dicastério para a Comunicação e a integração das diversas realidades midiáticas em um sistema mais unificado e coordenado exigiram mudanças organizacionais, profissionais e de visão. Foi um caminho não simples, que continua até hoje, impelido pela consciência de nossa missão a serviço do Santo Padre, da Verdade, num contexto em constante transformação, onde instrumentos e linguagens se transformam rapidamente.

Nesse sentido, nos sentimos encorajados pelas palavras do Papa Leão XIV, que várias vezes acolheu nosso trabalho e enfatizou a importância de unir, servir à verdade e acompanhar a vida do Povo de Deus por meio de uma "comunicação desarmada e desarmante", capaz de contribuir para a construção de uma sociedade mais fraterna, solidária, acolhedora e pacífica.

A Rádio Vaticano produziu e alimenta o ecossistema digital do Vatican News, que em 56 línguas, escritos, falados e em língua de sinais, se expressa por meio de rádio, satélite, streaming, podcasts, redes sociais, vídeo e plataformas digitais.

O nonagésimo quinto aniversário da Rádio Vaticano coincide com a era da inteligência artificial, uma tecnologia que está modificando profundamente o mundo da mídia e das comunicações. A IA é, sem dúvida, uma ajuda valiosa, um instrumento útil, mas os algoritmos não podem e não devem substituir o humano: o pensamento, a criatividade e o julgamento.

Desde 2012, nosso aniversário está intrinsecamente ligado ao Dia Mundial do Rádio, celebrado pela UNESCO em 13 de fevereiro. O tema deste ano é "A IA é uma ferramenta, não uma voz". Essa expressão está em profunda sintonia com a Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026, que apela à responsabilidade pessoal, ao discernimento e ao valor humano insubstituível da comunicação.

A Rádio Vaticano, sempre atenta às vanguardas tecnológicas, explora certamente esta fronteira da inteligência artificial, mas nunca se afastará da consciência de que a rádio é um encontro entre pessoas, é uma palavra que nasce de um rosto, de uma consciência, de uma responsabilidade. Neste sentido, a Rádio do Papa continua testemunhando que a tecnologia, desde as origens marconianas, está a serviço do homem e não o contrário. Hoje, como em 1931, a Rádio do Papa continua sua missão: difundir a mensagem do Evangelho, a voz do Papa e o magistério pontifício em todo o mundo, encontrando comunidades, ouvindo, servindo. Feliz aniversário, Rádio Vaticano!

Massimiliano Menichetti
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                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

Importante reflexão de dom Vital Corbellini:

A importância da Campanha da Fraternidade 2026 

Nós estaremos prestes a iniciar a Quaresma e ligado a este tempo propício de vida e de conversão aprofundaremos o tema da Campanha da Fraternidade 2026 que versará sobre a Moradia e o seu Lema será: “Ele veio morar entre nós”(Jo 1,14). O tema e o lema condizem muito com a nossa realidade devido à objetividade de toda a população ter uma moradia digna. É dever próprio do Estado dar as condições com políticas públicas para que as pessoas tenham acesso à moradia e a Igreja colabora nesta missão possibilitando vida nova em Jesus Cristo, porque Ele se encarnou em nossa realidade.  

A especificação do Objetivo Geral

A Campanha da Fraternidade 2026 (CF) possui como objetivo geral a necessidade de promover tendo como base a Boa-Nova do Reino de Deus e num espírito de conversão quaresmal, a moradia digna não só como prioridade, mas como direito, em unidade com os demais bens e serviços essenciais a toda a população. A ação da CF é dada na vida da sociedade e também na vida eclesial, possibilitando a evangelização, a Boa-Nova para enaltecer o Reino de Deus pela vida das pessoas com uma moradia condizente, digna.  

A oração da CF 2026

Ela merece uma consideração a ser aprofundada, porque a nossa vida de cristãos e de cristãs tem como base a oração em vista de uma ação caritativa. Ela dirige-se a Deus Pai que enviou o seu Filho, Jesus Cristo porque Ele veio morar entre nós, ensinando-nos o valor da dignidade humana. Há um agradecimento a Deus por muitas pessoas e grupos na comunidade e na sociedade que sob o impulso do Espírito Santo estão empenhadas em prol da moradia digna para todas as pessoas. A oração impulsiona a um pedido de conversão para que construamos uma sociedade mais justa e fraterna, com terra, teto e trabalho para todas as pessoas para que um dia tenhamos com a graça de unidade com Deus, habitar na casa do Céu, amém. 

O surgimento da CF 2026

O texto-base apresenta um relato no surgimento da Campanha da Fraternidade em 1962. Ela surgiu em Nísia Floresta, Rio Grande do Norte, por iniciativa de Dom Eugênio de Araújo Sales, como Bispo Auxiliar de Natal e sendo responsável na época pelo Secretariado Nacional da Ação Social, e tendo como colaboradores os sacerdotes Edmundo Nelson Leising, Hilário Pandolfo e Alfred Schneider. Foi toda uma organização pastoral e comunitária que possibilitou a Campanha da Fraternidade, a adesão de outras dioceses e em 1964 havia a primeira CF Nacional com a devida coleta em vista da evangelização.  

A metodologia do texto-base

Ela segue a metodologia percebida há décadas nos documentos eclesiais a partir do ver a realidade da moradia no Brasil: o iluminar. Ele veio morar entre nós (Jo 1,14); o agir: a construção de casas e nelas habitarão. O fato é que a moradia é uma mercadoria muito importante para as pessoas, porque ninguém vive sem moradia. Pensemos nas milhares de pessoas em situação de rua, onde não tem um lar para viver. A realidade é que uma boa parte da população brasileira não tem renda suficiente para obter um financiamento e logo comprar uma moradia no mercado imobiliário privado e não tendo também políticas públicas de habitação. Para a superação desta constatação será preciso um bom trabalho comunitário, social, em vista de moradia adequada ou digna para todas as pessoas.  

Ele veio morar entre nós(Jo 1,14)

Este é o Lema que norteará toda CF 2026 e ao longo do ano. Jesus assumiu a realidade humana, igual a nós em tudo menos o pecado. Ele também necessitou de um lar, de uma moradia para crescer como pessoa humana e como Filho de Deus na terra. Desta forma percebemos nós a importância de uma moradia para o crescimento humano, relacional entre pessoas, pais, avós, filhos e filhas, parentes para uma boa convivência em vista do crescimento do Reino de Deus aqui, agora e um dia na eternidade. 

A fomentação de moradia digna

A Igreja estimulará a fomentação de construção de moradias dignas para as pessoas mais necessitadas. Esta missão é parte de políticas públicas dos governos que estão em nossa frente. Um dos objetivos específicos da CF 2026 é justamente o empenho para efetivar leis e viabilizar políticas públicas de moradia nas esferas sociais e políticas.  

O tempo da quaresma convida-nos a conversão pessoal, comunitária, social e com Deus. Nós assumamos bem a Quaresma em preparação à Páscoa do Senhor e à CF 2026 possibilitando uma vida conforme o Evangelho do Senhor, de ajuda e amor às pessoas que passam por dificuldades em ter moradia digna.  

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