Na Audiência
Geral desta quarta-feira (17/06), o Papa Leão XIV retomou os principais
momentos da sua quarta viagem apostólica, realizada na semana passada à
Espanha, e afirmou que a acolhida calorosa recebida em todo o país revela uma
necessidade profunda da sociedade contemporânea: reencontrar a unidade a partir
de um fundamento verdadeiro, capaz de superar divisões, interesses particulares
e contraposições ideológicas.
Da Praça São
Pedro, nesta quarta-feira, 17 de junho, o Papa Leão XIV fez questão de dedicar
sua catequese à recente viagem à Espanha, percorrendo os principais locais por
onde passou: Madri, Barcelona, a Abadia de Montserrat e as Ilhas Canárias, e
agradecendo ao povo espanhol, ao rei, às autoridades civis, aos bispos e às
comunidades eclesiais pela recepção entusiasmada. Segundo o Pontífice, a
participação expressiva dos fiéis não foi algo óbvio nem previsível, mas um
sinal de que há um desejo generalizado de reencontrar a unidade:
“Isso demonstra
a necessidade generalizada de estarmos unidos sobre um fundamento verdadeiro e
profundo, não ideológico nem baseado em interesses particulares. Esse
fundamento, que só Cristo, em última instância, pode assegurar.”
O Papa explicou
que uma das missões próprias do Sucessor de Pedro é, precisamente, promover a
comunhão, o diálogo e a unidade na diversidade, adaptando esse serviço às
diferentes realidades eclesiais e sociais encontradas durante as viagens
apostólicas.
Um patrimônio a
ser preservado para responder aos desafios atuais
Ao recordar os
encontros nas grandes catedrais, nos modernos estádios, a oração do Terço na
Abadia de Montserrat e a Missa celebrada na Basílica da Sagrada Família, Leão
XIV destacou a capacidade da Europa de unir tradição e contemporaneidade.
“Este encontro
entre o antigo e o moderno, entre a tradição católica e a cultura
contemporânea, fez-me perceber ao vivo o carácter próprio da Europa, a sua
riqueza inestimável, como uma realidade atual, não ultrapassada.”
Segundo o
Pontífice, esse patrimônio precisa ser preservado e colocado a serviço dos
grandes desafios do mundo atual, entre eles a paz, a ecologia integral, o
desenvolvimento equitativo e sustentável e o respeito pela dignidade humana.
Leão XIV recordou ainda que essas questões já haviam sido identificadas pelo
Concílio Vaticano II e continuam sendo aprofundadas pelo Magistério da Igreja,
inclusive em sua recente encíclica Magnifica humanitas, dedicada à proteção da
pessoa humana na era da inteligência artificial.
O Evangelho da
esperança para uma humanidade ferida
Ao longo da
viagem, o Papa evidenciou que percebeu uma necessidade comum em todos os
encontros: ouvir, como Sucessor de Pedro, o anúncio da esperança para uma
humanidade marcada pelas consequências negativas de um modelo de
desenvolvimento que chamou de “enganador”:
“Esta
necessidade, que se expressou nos muitos testemunhos que pude ouvir –
testemunhos por vezes comoventes, por vezes edificantes –, reconheci-a também e
sobretudo nos rostos das crianças e dos pobres que encontrei: da criança que,
na paróquia, me leu a sua carta; de algumas vítimas de abuso, que pedem para
ser ouvidas; dos reclusos que me esperavam na prisão; dos jovens cheios de
inquietude e de projetos; dos migrantes nos centros de acolhimento nas Ilhas
Canárias.”
As Ilhas
Canárias e a construção da “civilização do amor”
O Santo Padre
afirmou ainda que a última etapa da viagem, nas Ilhas Canárias, ofereceu uma
visão mais ampla dos desafios contemporâneos, especialmente diante da realidade
migratória vivida pelo arquipélago, porta de entrada de milhares de migrantes
provenientes, sobretudo, da África. Leão XIV afirmou reconhecer a complexidade
do fenômeno migratório e a necessidade de respostas articuladas, mas destacou
que essa realidade também oferece uma nova chave de leitura do Evangelho:
“E um desses
frutos é precisamente o diálogo entre as pessoas e entre os povos, o encontro
num espírito de fraternidade, que permite descobrir e apreciar mutuamente os
valores de que o outro é portador. Este caminho não é fácil, requer boa vontade
e a ajuda de Deus, mas é o caminho que conduz à civilização do amor.”
“Levantemos os
nossos olhos”
Ao concluir a
catequese, o Papa retomou o lema da viagem apostólica, Alzad la mirada
(“Levantai os olhos”), inspirado nas palavras de Jesus aos seus primeiros
discípulos:
“Levantemos os
nossos olhos! Aprendamos com Jesus a olhar para o próximo, para as pessoas e
para o mundo ‘com os olhos de Deus’, isto é, com amor, respeito e compaixão.”
Por fim, Leão
XIV agradeceu a todos aqueles que rezaram pelo êxito da viagem, dirigindo uma
menção especial às numerosas comunidades de religiosas contemplativas presentes
na Espanha, e pediu que continuem a rezar para que, pela intercessão da Virgem
Maria, as sementes lançadas durante a visita produzam frutos abundantes.
Ao final da
Audiência Geral desta quarta-feira (17/06), Leão XIV expressa satisfação pela
conclusão do acordo que será assinado em 19 de junho em Lucerna e se mostra
grato aos países que contribuíram para isso: “é o resultado de um trabalho
paciente de diálogo e negociação”. O Pontífice, ao se referir ao conflito que
“se alarga” na Ucrânia, lança um apelo para “abrir caminhos de diálogo e
extinguir o ódio”.
Satisfação e
gratidão, por um lado, pelo Acordo entre o Irã e os Estados Unidos, o chamado
“Memorando de Islamabad” — assim denominado devido à mediação do Paquistão —,
que pode contribuir para a “segurança” e a “estabilidade” no Oriente Médio. Por
outro lado, tristeza e angústia por uma guerra – a da Ucrânia – que continua a
se alargar, ceifando mais vítimas e fazendo arder as chamas que destroem
igrejas e locais históricos, mas também as chamas do ódio. Leão XIV contempla
os dois conflitos que dilaceram esta época e compartilha seus pensamentos,
apelos e sentimentos com os milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro para
a Audiência Geral desta quarta-feira, 17 de junho.
Trabalho de
diálogo
Fora do texto
escrito, antes das saudações em italiano, o Papa expressa, antes de tudo, as
esperanças em relação ao Acordo EUA-Irã que será assinado na sexta-feira, 19 de
junho, em uma cerimônia que, segundo informações do governo suíço, será
realizado em um hotel no Burgenstock, uma montanha que domina o Lago de Lucerna
e de difícil acesso. O Pontífice diz acolher “com satisfação” esse protocolo de
entendimento, “resultado encorajador de um trabalho paciente de diálogo e
negociação”.
"Expresso
gratidão aos países que se empenharam em promover o encontro entre as partes e
tornar possível esse acordo."
Segurança e
estabilidade no Oriente Médio
Já nesta
terça-feira (16/05), em Castel Gandolfo, questionado justamente sobre o
Memorando e os trabalhos do G7 em andamento até esta quarta-feira (17/06) em
Evian, na França, Leão XIV comentou: “graças a Deus, existe esse acordo”. E
expressou o desejo de que ele pudesse representar “realemente uma solução para
a guerra, que a guerra de fato tenha acabado e que possamos seguir em frente
para o bem de todos. Eliminar as armas nucleares, isso sim; buscar o bem de
todos os povos; procurar resolver também os problemas em nível econômico e
social, que foram criados neste período”. Também nesta quarta-feira (17/06), na
Praça São Pedro, o Pontífice reitera o desejo de que esse acordo seja um
primeiro, mas não o último passo rumo a uma solução definitiva de paz.
"Espero que
este acordo possa contribuir para fortalecer a confiança recíproca, a segurança
e a estabilidade no Oriente Médio, promovendo caminhos de diálogo e cooperação
entre os povos."
A dor pela
Ucrânia
Ao mudar a
perspectiva, muda também o olhar. O do Papa se ensombra devido às “notícias
dolorosas” que chegam nestes dias sobre a guerra na Ucrânia. Guerra que, após 4
anos, “continua a se alastrar”. Prova disso, entre tantas outras, é o ataque
com mísseis russo na noite entre 14 e 15 de junho, que provocou pelo menos 11
mortos e causou um grave incêndio que devastou o telhado da Catedral da
Dormição, em Kiev, um dos símbolos religiosos mais importantes do país e
patrimônio mundial da UNESCO.
"Tantas
vítimas inocentes, socorristas mortos, igrejas e locais do patrimônio cultural
devastados pelas chamas."
Abrir caminhos
para o diálogo
O Papa Leão se
diz “próximo” àqueles “que choram seus entes queridos”, aos “feridos” e àqueles
“que, em meio à violência, continuam a servir a vida com coragem”. Daí surge um
apelo claro, acompanhado de uma invocação a Deus:
"Convido
todos a rezarem para que esta guerra termine. Peçamos ao Senhor que abra
caminhos de diálogo, que apague o ódio e que torne possível uma paz justa e
duradoura."
Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil
para o período 2026-2032
A Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, na próxima quarta-feira, 17 de
junho, às 18h30, durante a reunião de seu Conselho Permanente, o
lançamento oficial das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da
Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032, aprovadas durante a 62ª Assembleia Geral da
CNBB, realizada em abril deste ano, em Aparecida (SP).
O Documento, de
número 114 da CNBB, apresenta as orientações que irão inspirar e nortear a
ação evangelizadora da Igreja no Brasil nos próximos seis anos, oferecendo
referências pastorais para dioceses, paróquias, comunidades, movimentos e
organismos eclesiais em todo o país.
A cerimônia de
lançamento ocorrerá no Auditório Dom Hélder Câmara, na sede da CNBB, em
Brasília (DF), e contará com transmissão ao vivo pelas redes
sociais da CNBB (@cnbbnacional) e das Edições
CNBB (@cnbbedicoes).
Acompanhe no
link da transmissão abaixo:
Participantes do
lançamento
Participam do
evento o presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre
(RS); o arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da Comissão Episcopal para a
Animação Bíblico-Catequética da CNBB, dom Leomar Antônio Brustolin, responsável
pela coordenação da redação das novas Diretrizes; o secretário-geral da CNBB,
dom Ricardo Hoepers; e o diretor-geral das Edições CNBB, monsenhor
Jamil Alves de Souza.
Durante a
cerimônia, os participantes apresentarão o processo de elaboração do documento,
suas principais inspirações e perspectivas pastorais, além de indicarem os
próximos passos para sua implementação nas diversas realidades eclesiais do
país.
As DGAE e seu
processo de construção
As Diretrizes
Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil constituem um importante
instrumento de comunhão, planejamento e animação pastoral, contribuindo para
que a missão evangelizadora da Igreja responda aos desafios do tempo presente à
luz do Evangelho e da caminhada sinodal. Com validade até 2032, o documento
orientará a ação pastoral da Igreja no Brasil a partir de compromissos
missionários, formativos e sinodais assumidos pelo episcopado brasileiro.
As novas
Diretrizes são fruto de um amplo processo de escuta, participação e
discernimento iniciado em 2022. Ao longo de quatro anos, bispos, dioceses,
organismos eclesiais e agentes de pastoral contribuíram para a construção do
texto, em sintonia com o caminho da sinodalidade vivido pela Igreja. O processo
incluiu consultas às Igrejas particulares, estudos pastorais, debates em âmbito
regional e nacional e a análise de mais de 1.500 emendas apresentadas pelos
bispos durante a Assembleia Geral da CNBB. O texto aprovado propõe a imagem da
“tenda do encontro” como inspiração para a missão evangelizadora, expressando
uma Igreja acolhedora, missionária e aberta à participação de todos.
Serviço
Lançamento das
Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE)
2026-2032
Data: 17 de
junho de 2026 (quarta-feira)
Horário: 18h30
Local: Auditório Dom Hélder Câmara – sede da CNBB, em Brasília (DF)
Transmissão: Redes sociais da CNBB (@cnbbnacional) e das Edições
CNBB (@cnbbedicoes)
Contato: Padre Arnaldo Rodrigues | Assessoria de Comunicação da CNBB |
(61) 2103-8300 |imprensa@cnbb.org.br
"Eu nunca
te esquecerei" é o tema da mensagem do Papa para o VI Dia Mundial dos Avós
e dos Idosos. Leão XIV exorta a levar, com esta mensagem e presença, "a
proximidade e o carinho do Papa". "Fazei com que as palavras do
profeta 'Eu nunca te esquecerei' assumam a forma de um encontro terno e
afetuoso." Convida os idosos a se unirem a ele "numa oração
incessante para que a paz chegue em breve a todo o mundo".
Leão XIV visita o lar de idosos "Santa Marta" em Castel Gandolfo, 21 de julho de 2025 (ANSA)
Foi divulgada,
nesta segunda-feira (15/06), a mensagem do Papa Leão XIV para o VI Dia Mundial
dos Avós e dos Idosos que será celebrado em 26 de julho próximo. "Eu nunca
te esquecerei" é o tema da mensagem extraído do Livro do Profeta Isaías.
"Pela boca
do Profeta Isaías, o Senhor promete que nunca se esquecerá de nenhum de nós.
Assegura-nos que traz os nossos rostos gravados nas palmas das mãos e que o seu
amor é maior do que o de uma mãe pelo seu filho." Com estas palavras, o
Papa inicia o texto, ressaltando que "o profeta permite-nos vislumbrar um
diálogo íntimo e intenso, no qual Deus se dirige a cada um e ao próprio povo,
tratando todos por “tu”. Também hoje podemos ler referidas a nós estas
palavras, e cada um pode ouvir aquele “nunca te esquecerei” dirigido a si
mesmo. Trata-se de palavras que enchem de consolação e confiança".
De acordo com
Leão XIV, estas "são a resposta a um sentimento angustiante que agita o
coração: «O Senhor abandonou-me, o meu dono esqueceu-se de mim». Quantas vezes,
na Sagrada Escritura, em particular nos Salmos, a oração nasce do desamparo de
quem tem a impressão de que a sua vida não interessa a ninguém e é
negligenciada! A dolorosa sensação de ser esquecido é, infelizmente, comum a
muitas pessoas e, entre elas, não poucas são idosas".
O Papa escreve
na mensagem que "o amor de Deus, que, pelo contrário, não esquece ninguém,
oferece-se como um ato de justiça e uma resposta ao anonimato, no qual, com
demasiada frequência, a vida humana acaba por perder-se". "Sobre a
existência de muitos idosos, em particular, parece estender-se um véu que
esbate as feições dos rostos e relega ao esquecimento. É o que acontece nas
casas onde reina a solidão, e também naqueles asilos onde a singularidade de
cada pessoa corre o risco de ser reduzida ao número da sua cama ou à sua
patologia", ressalta.
"A
celebração do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos é uma oportunidade para
redescobrir que a Igreja é chamada a ser mãe de todos e que é sempre possível,
em qualquer idade, descobrir-se filhos e filhas de Deus. Que este Dia seja,
portanto, um estímulo para todos, em particular os mais jovens, retomarem o bom
hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que não
recebem nenhuma visita. Levai-lhes, com esta mensagem e com a vossa presença, a
proximidade e o carinho do Papa. Fazei com que as palavras do profeta “Eu nunca
te esquecerei” assumam a forma de um encontro terno e afetuoso. «Numa época que
tende a acelerar e a fragmentar, a carne humana continua pedindo para ser
cuidada e reconhecida por mãos capazes de ternura, por mentes atentas e por
palavras bondosas. A cultura digital multiplica as conexões e oferece novas
possibilidades de encontro; no entanto, o coração humano conserva uma
necessidade inalienável de proximidade»", escreve o Papa Leão, citando um
trecho de sua Carta Encíclica Magnifica humanitas.
De acordo com
Leão XIV, "a Igreja conhece o sofrimento dos seus filhos mais idosos, sabe
bem que demasiadas vezes se olha para eles com preconceitos e são considerados
um fardo; está ciente de que uma economia centrada no lucro enfraquece os laços
familiares; sabe que muitos idosos são abandonados pelos filhos, obrigados a
migrar ou, em alguns casos, a combater na guerra. Por todas estas razões,
alegra-se em anunciar a promessa do Senhor: 'Eu nunca te esquecerei!'".
Leão XIV recorda
que "para muitos, a descoberta da ternura de Deus, no decorrer da vida,
acontece precisamente na sua última etapa. Cada vez mais, na realidade, ao
contrário do que acontecia no passado, é possível chegar à velhice sem ter tido
uma verdadeira experiência de fé. Neste caso, a idade avançada, a partir das
questões que nesta fase da vida se colocam com maior premência, pode tornar-se
o momento oportuno para iniciar ou retomar a vida espiritual". "A
Deus, que se faz próximo e que aprendemos a reconhecer na sua ternura, podemos
então dirigir-nos com confiança filial na oração. Nunca é tarde demais para a
Ele nos começarmos a dirigir", escreve o Papa.
Leão XIV
ressalta que "um homem e uma mulher podem renascer na velhice e
reconhecer, com o profeta: «A vossa salvação está na conversão e em terdes
calma; a vossa força está em terdes confiança». Uma força que, para garantir a
convivência humana, pode tornar-se convite a não recorrer aos caminhos da
arrogância e do poder, mas aos caminhos da reconciliação e da verdadeira
paz". "Neste tempo, marcado de forma tão dura pela violência bélica e
social, muitos questionam-se sobre como será o mundo em que crescerão os
próprios netos. Exorto-vos, caríssimos, para que vos unais comigo numa
incessante oração para que a paz chegue em breve a todo o mundo", sublinha
o Papa, agradecendo aos idosos por apoiá-lo com suas orações, especialmente com
a oração do Terço. "Retribuo-o de coração, deixando-vos este desejo: que o
Senhor nos renove sempre na fé, na esperança e na caridade, Ele que nunca se
esquece de nós", conclui.
reflexão de dom Leomar ao falar sobre as novas
DGAE
Na Solenidade do
Sagrado Coração de Jesus, celebrada na sexta-feira, 12 de junho, o arcebispo de
Santa Maria, dom Leomar Antônio Brustolin, convida os fiéis a redescobrirem o
fundamento da vida cristã e da ação evangelizadora da Igreja. Em artigo
intitulado “Tudo
começa em Jesus: o coração da fé que renova a missão”, o prelado assina a
sétima edição da série especial “Olhar da Fé”, dedicada ao aprofundamento
das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE
2026-2032).
Aprovadas
durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), realizada entre os dias 15 e 24 de abril de 2026, as novas Diretrizes
apresentam os caminhos e prioridades que deverão orientar a missão
evangelizadora da Igreja no país nos próximos anos.
Em sua reflexão,
dom Leomar destaca que, ao final do percurso de estudo das Diretrizes, emerge
uma convicção central: “tudo começa em Jesus Cristo”. Segundo ele, Cristo não é
apenas o ponto de partida da evangelização, mas seu centro permanente, fonte e horizonte
de toda a vida e missão da Igreja.
O arcebispo
ressalta que iniciativas pastorais, projetos, formações e estruturas são
importantes, mas perdem sua força quando deixam de conduzir ao essencial: o
anúncio de Jesus Cristo e o encontro vivo com Ele.
“O essencial é
anunciar Jesus Cristo, conduzir as pessoas ao encontro vivo com Ele e ajudá-las
a viverem como seus discípulos missionários”, afirma.
O Querigma como
eixo da evangelização
Um dos aspectos
centrais do artigo é a importância do Querigma, compreendido como o primeiro
anúncio da fé cristã. Para dom Leomar, ele não pode ser tratado como uma etapa
isolada da evangelização, mas deve atravessar toda a vida da Igreja.
“O primeiro
anúncio precisa estar presente em cada celebração, catequese, encontro
comunitário e ação pastoral, abrindo caminhos para o encontro com Cristo vivo,
morto e ressuscitado”, escreve.
Segundo o
arcebispo, quando esse encontro acontece, a fé deixa de ser apenas tradição ou
obrigação e se torna uma resposta amorosa a Deus. Da mesma forma, a comunidade
cristã transforma-se em espaço de pertença, fraternidade e acolhida, enquanto a
missão passa a ser vivida como expressão da alegria do Evangelho.
Uma Igreja em
saída
Dom Leomar
também destaca o chamado das novas Diretrizes para uma Igreja em saída,
missionária e próxima das pessoas. Para ele, a evangelização exige disposição
para ir ao encontro daqueles que estão afastados da vida comunitária,
especialmente dos que vivem situações de sofrimento, exclusão ou perda de
sentido.
“Não apenas
acolher quem chega, mas buscar quem está distante”, resume o texto.
Essa postura,
observa o arcebispo, requer coragem para rever práticas, enfrentar desafios e
dialogar com uma sociedade em constante transformação, seguindo o exemplo de
Jesus, que se aproximava especialmente dos pobres, dos feridos e dos
esquecidos.
Comunidades
vivas e discípulos missionários
Outro ponto
enfatizado pelo artigo é a necessidade de fortalecer comunidades vivas e
próximas das pessoas. As Diretrizes incentivam a formação de pequenos grupos e
comunidades onde a fé possa ser escutada, celebrada, partilhada e amadurecida
em um ambiente de fraternidade e corresponsabilidade.
Nesses espaços,
explica dom Leomar, o anúncio do Evangelho ganha concretude por meio da escuta
da Palavra, da partilha da vida e da experiência da comunhão.
Ao concluir sua
reflexão, o arcebispo recorda que o objetivo de toda a ação evangelizadora é
formar discípulos missionários: homens e mulheres que encontraram Jesus Cristo,
amadurecem na fé e sentem-se chamados a testemunhar o Evangelho.
“A série das
Diretrizes termina, mas o caminho começa”, afirma. Para ele, cada paróquia,
comunidade, pastoral e agente de evangelização é convidado a responder a uma
pergunta fundamental: “O que podemos fazer, hoje, para que mais pessoas
encontrem Jesus Cristo e nele descubram a alegria do Evangelho?”.
Confira os
outros artigos da série:
Na série
especial “Olhar da Fé”, dom Leomar Antônio Brustolin apresenta e aprofunda as
novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Confira os
artigos da série:
Deus vê as feridas das guerras e o vazio do consumismo
“Jesus vê e ama.
Ele ama e sofre por nós, conosco: sua compaixão expressa não apenas proximidade
fraterna, mas também a vontade de redenção”. O Papa Leão, ao introduzir a
recitação do Angelus, comentou o Evangelho deste domingo (14/06) para sublinhar
que “o Filho de Deus olha para as pessoas, olha para a humanidade.
O Papa, durante
o Angelus neste 11º Domingo do Tempo Comum, ao comentar o Evangelho do dia com
os fiéis reunidos na Praça São Pedro, destacou que "Deus está atento aos
sofrimentos do homem e sofre com ele.” Tendo-se feito nosso irmão, o Filho de
Deus olha para as pessoas, olha para a humanidade: vê a opressão que subjuga e
a violência que tira as forças. Vê as feridas das guerras e o vazio do
consumismo. "Ele vê rostos reduzidos a máscaras, famílias destruídas pelo
mal e jovens iludidos por falsos ideais. Jesus vê e ama. Ele ama e sofre por
nós e conosco: a sua compaixão expressa não apenas proximidade fraterna, mas
também a vontade de redenção”.
“Ele, com
efeito, - disse o Papa - conhece o nosso coração e cuida dele: diante de tantas
pessoas que são como "ovelhas sem pastor, Cristo dedica-se a todas elas
enquanto bom pastor e, na qualidade de senhor da messe, envia trabalhadores
para o campo do mundo”.
Leão também
lembrou que entre os doze apóstolos escolhidos por Jesus para sua missão estão
“Simão, chamado Pedro, o primeiro, e também Judas Iscariotes, o último, para
nos lembrar que é possível seguir Jesus e traí-lo, mas o Evangelho permanece
para todos uma palavra viva e verdadeira”.
A Boa Nova que
atravessa os séculos é idêntica, sempre jovem, fresca e libertadora: "O
Reino do Céu está perto! Sim, está próximo porque, em Jesus Cristo, Deus
aproxima-se de cada homem e mulher, de cada povo e nação".
Quando este
Evangelho é anunciado e praticado - sublinhou o Santo Padre -, o mal desmorona
como uma doença que chega ao fim, como uma noite que dá lugar à aurora, como a
morte vencida pelo Ressuscitado.
É assim –
acrescentou o Papa -, "que o olhar de Jesus transforma a realidade: a sua
iniciativa, cheia de amor, dá vida a um povo novo – a Igreja –, chamado a
continuar a missão dos apóstolos: Recebestes de graça, dai de graça".
"Sim, o dom
de Jesus é totalmente gratuito, porque o seu valor ultrapassa toda a
medida: é impossível merecê-lo ou “comprá-lo”. Esta graça é o belíssimo nome da
misericórdia de Deus, que nos alcança em qualquer lugar, para nos levar até a
si”.
A Igreja é,
portanto, chamada a dar continuidade à obra dos apóstolos: “a tarefa de
evangelizar nasce do dom de Deus que em Cristo se torna perdão para o mundo,
serviço aos mais pequenos e pobres, empenho pela justiça”.
Peçamos a ajuda
da Virgem Maria, cheia de graça, a fim de respondermos com alegria e coragem à
missão para a qual Jesus nos chama, concluiu o Pontífice.
a beatificação de padre Nazareno Lanciotti, no Brasil
Ao final do
Angelus deste domingo na Pração são Pedro, no Vaticano, o Papa Leão quis
recordar alguns novos Beatos, entre eles o padre Nazareno Lanciotti. Recordando
ainda sua recente Viagem Apostólica à Espanha, e o terremoto nas Filipinas.
Ao final do
Angelus, o Papa Leão quis recordar alguns novos Beatos: os sacerdotes
diocesanos Venceslao, Drobla e João Bula, da Morávia (República Tcheca); e João
Swierc e oito companheiros, sacerdotes salesianos poloneses.
“Todos foram
beatificados como mártires – disse o Papa - porque foram vítimas das
perseguições dos regimes totalitários devido à sua fidelidade a Cristo.
Em seguida o
Santo Padre recordou que neste sábado, no Mato Grosso, no Brasil, foi
beatificado Nazareno Lanciotti, sacerdote romano e missionário.
“Ele também foi
mártir porque, em nome do Evangelho, defendia os mais pobres. Que o exemplo e a
intercessão desses corajosos testemunhos sustentem a missão dos presbíteros e
de toda a Igreja”, acrescentou o Papa.
Padre Nazareno
Lanciotti atuou em Jauru (MT) a partir de 1972, onde fundou a Paróquia Nossa
Senhora do Pilar e ficou conhecido pelo trabalho evangelizador e social.
Denunciou crimes como exploração de menores, prostituição e tráfico de drogas.
Foi assassinado em 2001 após ser baleado em casa. A cerimônia de beatificação,
neste sábado (13/06), foi presidida pelo cardeal João Braz de Aviz, prefeito
emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de
Vida Apostólica.
Agradecimento à
Espanha
Ainda após a
Oração do Angelus o Papa, recordando a sua recente Viagem Apostólica à Espanha,
manifestou sua gratidão aos bispos, religiosas e religiosos e a todos os fiéis
espanhóis que, em cada etapa de sua visita, o receberam com grande alegria e
carinho. Antes de abençoar todo o país, o Papa agradeceu de maneira especial ao
soberano, o rei Felipe VI.
Em primeiro
lugar, expresso minha gratidão ao Senhor pela viagem apostólica que Ele me
permitiu realizar à Espanha. Agradeço ao povo espanhol que me acolheu com
grande entusiasmo e devoção. Sou especialmente grato à Sua Majestade, o rei.
Agradeço com carinho aos bispos, a todas as comunidades que visitei e a toda a
Igreja que está na Espanha. Que Deus abençoe sempre a Espanha!
Solidariedade
com a população das Filipinas atingida pelo terremoto
Seus pensamentos
se dirigem, em seguida, à população das ilhas das Filipinas, atingida na última
segunda-feira, 8 de junho, por um terremoto de magnitude 7,8, concentrado
sobretudo na ilha de Mindanao, no sul do país, que causou mais de 40 mortos,
centenas de feridos e mais de 32 mil desabrigados.
Asseguro minha
proximidade às populações das Filipinas atingidas há alguns dias por um forte
terremoto. Rezo pelos falecidos e seus familiares, pelos feridos e por todos
aqueles que sofrem por causa desta calamidade.
Muitos cristãos pensam estar vivendo sua fé com responsabilidade, porque se preocupam em cumprir determinadas práticas religiosas e tratam de ajustar seu comportamento a leis morais e normas eclesiásticas.
Do mesmo modo, muitas comunidades cristãs pensam que estão cumprindo fielmente sua missão, porque se esfalfam em oferecer serviços de catequese e educação da fé, e se esforçam por celebrar com dignidade o culto cristão.
Será que é só isto que Jesus queria pôr a caminho ao enviar seus discípulos pelo mundo afora? É esta a vida que Ele queria infundir no coração da história?
Precisamos ouvir de novo as palavras de Jesus para redescobrir a verdadeira missão dos cristãos no meio desta sociedade. Assim resume o evangelista a ordem de Jesus: “Ide e proclamai que o Reino dos Céus está próximo. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, dai de graça”.
Nossa primeira tarefa também hoje é proclamar que Deus está perto de nós, empenhado em salvar a felicidade da humanidade. Mas este anúncio de um Deus salvador não se faz só através de discursos e palavras sugestivas. Não se assegura só com catequese, ou com aulas de religião. Jesus nos lembra a maneira de proclamar Deus: trabalhar gratuitamente para infundir nos seres humanos nova vida.
“Curar os enfermos” quer dizer libertar as pessoas de tudo que lhes rouba vida e as faz sofrer. Sarar a alma e o corpo dos que se sentem destruídos pela dor e angustiados pela dureza impiedosa da vida diária.
“Ressuscitar os mortos” quer dizer libertar as pessoas daquilo que bloqueia sua vida e mata sua esperança. Despertar novamente o amor à vida, a confiança em Deus, a vontade de lutar e o desejo de liberdade em tantos homens e mulheres nos quais a vida vai morrendo pouco a pouco.
“Limpar os leprosos’: quer dizer limpar esta sociedade de tanta mentira, hipocrisia e convencionalismo. Ajudar as pessoas a viver com mais verdade, simplicidade e honradez.
“Expulsar os demônios”,isto é, libertar as pessoas de tantos ídolos que as escravizam e pervertem nossa convivência. Onde se está libertando as pessoas, ali se está anunciando a Deus.
JOSÉ ANTONIO PAGOLAcursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.