não desapareçam da paróquia, sejam perseverantes na fé
Já é tradição
passar pelo Vaticano para encontrar o Papa. O grupo proveniente da diocese de
Gênova, na Itália, vive uma peregrinação de três dias em Roma e neste sábado
(16/05) ouve uma recomendação importante para ajudar no caminho de fé: após
receber o Sacramento, não desaparecer da paróquia, mas dedicar "uma
atenção especial a um dos dons do Espírito Santo chamado perseverança". É
muito importante assumir o compromisso de continuar sendo amigo, discípulo e
missionário de Jesus, disse o Papa.
“Bom dia a
todos! E sejam bem-vindos a São Pedro, no Vaticano, em Roma. Vocês vieram de
Gênova, de várias paróquias. Há uma paróquia que conheço um pouco melhor, que é
a de Manesseno. Onde vocês estão? Estão aqui? Muito bem! Mas todos vocês estão
de parabéns! Sejam bem-vindos!”
Assim o Papa
Leão XIV saudou na manhã deste sábado (16/05), na Sala das Bênçãos, um grupo de
crismandos e também já crismados da diocese de Gênova, acompanhados do
arcebispo Marco Tasca, que todos os anos faz uma peregrinação a Roma. Esta é a de número 24, dura três dias
e além do encontro com o Pontífice marcado por grande euforia e muitos selfies,
tem passagens pelo Santuário do Divino Amor, Jardins do Vaticano, Basílica de
São Pedro, Castelo Sant'Angelo e pontos turísticos da capital, assim como missa
e participação da oração mariana do Regina Caeli com o Papa no domingo (17/05).
A experiência procura tocar ainda mais o coração dos adolescentes, para
despertar o espírito de cada um que está para receber ou já recebeu o Sacramento,
"uma das maiores alegrias do bispo que é celebrar as Crismas, porque é
precisamente o dom do Espírito Santo", disse Leão XIV ao grupo:
"É muito
bonito receber este Sacramento, porque a plenitude do Espírito Santo nos dá
este entusiasmo, esta força, esta capacidade de seguir Jesus Cristo, de dizer:
'sim' ao Senhor sempre, de não ter medo de seguir com coragem, de viver a fé
num mundo que tantas vezes quer nos afastar de Jesus."
Leão XIV
recordou, então, que no próximo domingo (24/05), com a celebração de
Pentecostes, todos se tornam enviados da missão a exemplo dos apóstolos e
discípulos de Jesus Cristo que receberam o Espírito Santo para "anunciar o
Evangelho, anunciar o amor de Deus". O Papa exortou todos adolescentes a
serem "testemunho vivo do Espírito que vive em nós" e também alertou
para as tentações:
“Se conferir a
Crisma é uma das maiores alegrias do bispo, há outra coisa que é motivo de
tristeza. É que, às vezes, quando o bispo confere a Crisma, o dom do Espírito
Santo, nunca mais vê os adolescentes! Desaparecem da paróquia. E, a esse
respeito, quero pedir: dediquem uma atenção especial a um dos dons do Espírito
Santo chamado perseverança. Não esqueçam o que viveram neste tempo, para que a
alegria também chegue a Roma, para celebrarmos juntos, rezarmos juntos, para
essa alegria viva em seus corações e para que continuem sendo discípulos fiéis
de Jesus Cristo. Sejam perseverantes na fé, para que voltem à paróquia — há
muitas atividades, muitas oportunidades —, mas sobretudo na vida de fé, porque
Jesus Cristo quer caminhar com vocês, com cada um de vocês e com todos vocês em
comunidade - o que é tão importante. Não vivemos a fé sozinhos, vivemos juntos.
E formar essas relações de amizade, de comunidade, é uma maneira de viver a
perseverança como discípulos de Jesus.”
E a recomendação
do Papa foi reforçada no final, antes de todos rezarem juntos um Pai Nosso e
receberem a bênção do Pontífice. Leão XIV compartilhou o quanto é bom vir a
Roma, receber o Sacramento e a plenitude do Espírito Santo, "mas é muito
importante que cada um de vocês assuma também este compromisso, esta promessa
ao Senhor: que vocês realmente desejam continuar como seus amigos, seus
discípulos, seus missionários e desejam perseverar na fé".
Dom Antonio
Carlos Rossi Keller - Bispo de Frederico Westphalen (RS)
“Preservar vozes
e rostos humanos”
A Solenidade da
Ascensão do Senhor encerra o ciclo das aparições pascais de Cristo e abre, ao
mesmo tempo, o tempo da missão da Igreja. Jesus sobe ao Céu, mas não abandona
os seus discípulos. Pelo contrário, sua Ascensão inaugura uma nova forma de
presença: Ele permanece vivo e atuante na Igreja, por meio do Espírito Santo,
conduzindo a história humana para a plenitude do Reino.
Neste contexto,
a celebração do Dia Mundial das Comunicações Sociais encontra uma profunda
sintonia com a liturgia da Ascensão. Antes de subir ao Céu, Jesus confia aos
discípulos uma missão universal: anunciar o Evangelho a toda criatura. A Igreja
nasce missionária e comunicadora. Evangelizar é comunicar a verdade, a
esperança e o amor de Deus ao mundo.
O tema escolhido
pelo Papa Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026 —
“Preservar vozes e rostos humanos” — ilumina de modo especial esta missão da
Igreja em nosso tempo. Vivemos numa época marcada pela expansão das tecnologias
digitais e pela inteligência artificial. Essas ferramentas oferecem rapidez,
eficiência e alcance global. Contudo, o Papa recorda que nenhuma tecnologia
pode substituir o coração humano, a consciência moral, a empatia e a
responsabilidade ética. A comunicação verdadeira não é apenas transmissão de
dados; ela é encontro entre pessoas.
A Ascensão do
Senhor recorda justamente isso: Cristo não envia os discípulos como simples
transmissores de informações religiosas, mas como testemunhas vivas do
Evangelho. O cristianismo se espalhou pelo mundo não por mecanismos
automáticos, mas pela força do testemunho humano: homens e mulheres que
falaram, sofreram, amaram e entregaram a própria vida por Cristo.
Na primeira
leitura, retirada dos Atos dos Apóstolos, vemos Jesus prometendo o Espírito
Santo aos discípulos e enviando-os em missão até os confins da terra. A
Ascensão não significa ausência, mas envio. Os discípulos deixam de permanecer
olhando para o céu e passam a assumir a tarefa concreta da evangelização. A
Igreja não pode ficar parada, presa à nostalgia ou ao medo; ela deve caminhar
ao encontro do mundo.
Essa passagem
possui grande atualidade para o universo da comunicação. Também hoje existe o
risco de uma comunicação desumanizada, marcada pela superficialidade, pela
agressividade e pela manipulação. O Papa Leão XIV alerta para o perigo de uma
comunicação dominada apenas por algoritmos e interesses econômicos, sem
compromisso com a verdade e com a dignidade da pessoa humana. O discípulo de
Cristo é chamado a promover uma comunicação que preserve o rosto humano, que
saiba escutar, acolher e construir comunhão.
A segunda
leitura, da Carta aos Efésios, apresenta Cristo glorificado à direita do Pai,
acima de todo poder e autoridade. São Paulo destaca que Cristo é a cabeça da
Igreja, seu corpo vivo. Isso significa que toda missão evangelizadora deve
permanecer unida ao Senhor. A comunicação cristã não nasce do desejo de
autopromoção, mas da comunhão com Cristo. Quando a Igreja comunica o Evangelho
com humildade e verdade, ela se torna sinal de esperança para o mundo.
O Evangelho da
Ascensão mostra Jesus enviando os discípulos para proclamar a Boa Nova a toda
criatura. Antes de subir ao Céu, Ele os abençoa. A missão nasce da bênção do
Senhor e da confiança em sua presença permanente. Cristo continua agindo
através de seus discípulos.
Hoje, os meios
de comunicação oferecem possibilidades imensas para o anúncio do Evangelho.
Redes sociais, plataformas digitais e recursos de inteligência artificial podem
servir à evangelização e ao bem comum. Contudo, o Papa recorda que as máquinas
devem permanecer instrumentos a serviço da vida humana, e nunca substituir a
responsabilidade moral das pessoas. Uma comunicação verdadeiramente cristã
precisa conservar a capacidade de compaixão, discernimento e proximidade
humana.
Por isso, a
Solenidade da Ascensão nos convida a renovar nossa consciência missionária.
Somos enviados ao mundo para comunicar Cristo com palavras, atitudes e
testemunho de vida. Mais do que produzir conteúdos, o cristão é chamado a
transmitir esperança. Mais do que ocupar espaços digitais, deve criar pontes de
encontro e fraternidade.
Celebrar a
Ascensão do Senhor é recordar que Cristo continua presente e atuante na
história. Ele nos envia para comunicar a Boa Nova não como máquinas repetidoras
de mensagens, mas como discípulos missionários, capazes de amar, escutar e
servir. Esta é a verdadeira comunicação cristã: aquela que faz transparecer,
através das palavras e dos gestos, o próprio rosto misericordioso de Cristo.
No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. Foi a eles que Jesus se mostrou vivo depois da sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do reino de Deus. Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: ‘João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias’”. Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o reino em Israel?” Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade. Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que descerá sobre vós para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria e até os confins da terra”. Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.
- Por entre aclamações, Deus se elevou, / o Senhor subiu ao toque da trombeta.
- Por entre aclamações, Deus se elevou, / o Senhor subiu ao toque da trombeta.
1. Povos todos do universo, batei palmas, / gritai a Deus aclamações de alegria! / Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo, / o soberano que domina toda a terra.
2. Por entre aclamações, Deus se elevou, / o Senhor subiu ao toque da trombeta. / Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, / salmodiai, ao som da harpa, ao nosso rei!
3. Porque Deus é o grande rei de toda a terra, / ao som da harpa acompanhai os seus louvores! / Deus reina sobre todas as nações, / está sentado no seu trono glorioso.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Efésios
Irmãos, o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos e que imenso poder ele exerceu em favor de nós, que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus
Os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, ajoelharam-se diante dele. Ainda assim, alguns duvidaram. Então Jesus se aproximou, e falou: «Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo.»
O início do livro dos Atos narra que, depois das últimas instruções aos discípulos, Jesus foi, diante dos olhos deles, elevado ao céu, para partilhar a glória de Deus (1ª leitura). Os donos deste mundo haviam jogado Jesus lá embaixo (se não fosse José de Arimateia a sepultá-lo, seu corpo teria terminado na vala comum ….).
Mas Deus o colocou lá em cima, “à sua direita”. Deu-lhe o “poder” sobre o universo não só como “Filho do Homem” no fim dos tempos (cf. Mc 14,62), mas, desde já, através da missão universal daqueles que na fé a aderem a ele. Nós participamos desse poder, pois Cristo não é completo sem o seu “corpo”, que é a Igreja (2ª leitura). Com a Ascensão de Jesus começa o tempo para anunciá-lo como Senhor de todos os povos. Mas não um senhor ditador!
Seu “poder” não é o dos que se apresentam como donos do mundo. Jesus é o Senhor que se tornou servo e deseja que todos, como discípulos, o imitem nisso. Mandou que os apóstolos fizessem de todos os povos discípulos seus (evangelho). Nessa missão, ele está sempre conosco, até o fim dos tempos.
O testemunho cristão, que Jesus nos encomenda, não é triunfalista. É o fruto da serena convicção de que, apesar de sua rejeição e morte infame, “Jesus estava certo”. Essa convicção se reflete em nossas atitudes e ações, especialmente na caridade. Assim, na serenidade de nossa fé e na radicalidade de nossa caridade damos um testemunho implícito. Mas é indispensável o testemunho explícito, para orientar o mundo àquele que é a fonte de nossa prática, o “Senhor” Jesus.
A ideia do testemunho levou a Igreja a fazer da festa da Ascensão o dia dos meios de comunicação social – a mídia: imprensa, rádio, televisão, internet. Para uma espiritualidade “ativa”, a comunidade eclesial deve se tornar presente na mídia – uma tarefa que concerne eminentemente aos leigos. Como é possível que num país tão “católico” como o nosso haja tão pouco espírito cristão na mídia, e tanto sensacionalismo, consumismo e até militância maliciosa em favor da opressão e da injustiça?
Ao mesmo tempo, para a espiritualidade mais “contemplativa”, o dia de hoje enseja um aprofundamento da consciência do “senhorio” de Cristo. Deus elevou Jesus acima de todas as criaturas, mostrando que ele venceu o mal por sua morte por amor, e dando-lhe o poder universal sobre a humanidade e a história. Por isso, a Igreja recebe a missão de fazer de todas as pessoas discípulos de Jesus.
PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.
____________________________________________________ Fonte: franciscanos.org.br Imagem: vaticannews.va Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos
sejam artesãos de paz, o rearmamento enriquece as elites
Em incisivo
discurso na Universidade Sapienza de Roma, Leão XIV falou da vocação dos jovens
de não se fecharem entre ideologias e fronteiras nacionais. E fez uma dura
crítica diante do aumento dos gastos militares: "Não se chame de 'defesa'
um rearmamento que aumenta as tensões e a insegurança, empobrece os
investimentos em educação e saúde, desmente a confiança na diplomacia,
enriquece elites a quem nada importa o bem comum".
O Papa Leão
pronunciou um discurso eloquente diante do corpo docente e discente na Aula
Magna da Universidade Sapienza de Roma. Trata-se da primeira visita do
Pontífice a esta renomada instituição, uma das mais prestigiosas e antigas da
Europa, com 723 anos de fundação.
Ao chegar, o
Santo Padre rezou na Capela Universitária “Divina Sapienza”. Na sequência,
saudou um grupo de estudantes. No prédio do Reitorado, manteve um colóquio
privado com a Magnífica Reitora, Antonella Polimeni, e assinou o Livro de
Honra. Houve também a inauguração de uma placa de recordação da visita, a
saudação aos membros do Senado Acadêmico e aos funcionários da Universidade.
Ainda houve tempo para conhecer a mostra “La Sapienza e os Papas”.
Papa visita a mostra
Somos um desejo,
não um algoritmo!
Já na Aula
Magna, Leão XIV falou desta Universidade como um polo de excelência em diversas
disciplinas e enalteceu seu empenho em favor do direito ao estudo e maniestou
seu apreço pelo acordo assinado entre o instituto e a Diocese de Roma, para a
abertura de um "corredor humanitário universitário" com a Faixa de
Gaza. E a primeira mensagem do Pontífice foi dirigida aos estudantes.
"Imagino-os,
às vezes, despreocupados, felizes com a própria juventude que, mesmo em um
mundo conturbado e marcado por terríveis injustiças, lhes permite sentir que o
futuro ainda está por escrever e que ninguém pode roubá-lo de vocês."
Jovens, disse o
Papa, como Santo Agostinho, irrequietos, como demonstram as centenas de
perguntas que os estudantes dirigiram ao ele. Esta inquietude, todavia, esconde
também um lado triste. Muitos sofrem com a pressão das expectativas e a
exigência de desempenho, exacerbando a competitividade. "É justamente esse
mal-estar espiritual de muitos jovens que nos lembra que não somos a soma do
que possuímos nem uma matéria aleatoriamente agrupada de um cosmos mudo. Somos
um desejo, não um algoritmo!"
Papa saúda os estudantes
Sim à vida dos
povos que clamam por paz e justiça!
E justamente
essa dignidade conduz a duas perguntas, uma de caráter existencial - "Quem
sou?" - e outra mais relacional - "Que mundo estamos deixando?".
Sobre esta segunda questão, o Pontífice se deteve de maneira mais contudente,
para responder que, infelizmente, se trata de mundo deformado pelas
guerras e pelas palavras de guerra.
"Trata-se
de uma contaminação da razão, que, a partir do plano geopolítico, invade todas
as relações sociais", explicou o Santo Padre. A simplificação que cria
inimigos deve, portanto, ser corrigida. O grito “nunca mais a guerra!” dos
antecessores deve se aliar com o senso de justiça que habita o coração dos
jovens, com a sua vocação de não se fecharem entre ideologias e fronteiras
nacionais. Ao falar da ecologia e do aumento com os gastos militares, Leão XIV
entrou no coração do seu discurso:
“Não se pode
chamar de “defesa” um rearmamento que aumenta as tensões e a insegurança,
empobrece os investimentos em educação e saúde, desmente a confiança na
diplomacia e enriquece elites que nada se importam com o bem comum. É preciso,
além disso, vigiar o desenvolvimento e a aplicação da inteligência artificial
nos âmbitos militar e civil, para que ela não retire a responsabilidade das
escolhas humanas e não agrave a tragédia dos conflitos. O que está acontecendo
na Ucrânia, em Gaza e nos territórios palestinos, no Líbano e no Irã ilustra a
evolução desumana da relação entre a guerra e as novas tecnologias numa espiral
de aniquilação. O estudo, a pesquisa e os investimentos devem seguir na direção
oposta: que sejam um «sim» radical à vida! Sim à vida inocente, sim à vida
jovem, sim à vida dos povos que clamam por paz e justiça!”
Eis então a
exortação do Papa aos jovens: não ceder à resignação, transformando a
inquietação em profecia; estudar, cultivar e zelar pela justiça; ser artesãos
da verdadeira paz, usando a própria inteligência e coragem.
Papa saúda a reitora
A arte de
ensinar
Já os
professores ouviram de Leão XIV palavras exaltantes ao comparar o ensino a uma
forma de caridade: é como "socorrer um migrante no mar, um pobre na
rua, uma consciência desesperada".
"Trata-se
de amar sempre e em todas as circunstâncias a vida humana, de valorizar suas
possibilidades, de modo a falar ao coração dos jovens, sem se concentrar apenas
em seus conhecimentos. Ensinar torna-se, então, testemunhar valores com a vida:
é cuidado com a realidade, é senso de acolhimento para com o que ainda não se
compreende, é dizer a verdade." O conhecimento, acrescentou o Papa, não
serve apenas para alcançar objetivos profissionais, mas para discernir quem se
é. O Pontífice então concluiu:
"A minha
visita pretende ser um sinal de uma nova aliança educativa entre a Igreja que
está em Roma e essa prestigiosa Universidade, que nasceu e cresceu precisamente
no seio da Igreja. Asseguro a todos vocês que os terei presentes em minhas
orações e, de todo o coração, invoco sobre toda a comunidade da Sapienza a
bênção do Senhor. Obrigado!"
Vamos construir
um mundo novo!
Já do lado de
fora da Universidade, antes de regressar ao Vaticano, Leão XIV fez um último
convite aos jovens: "Vamos colaborar juntos, pois todos nós somos
construtores da paz no mundo; vamos trabalhar, estudar e fazer tudo o que for
possível — desde as relações entre amigos, nossas palavras e nossa maneira de
pensar — para construir a paz no mundo. Tenham sempre esperança na
possibilidade de construir um mundo novo!"
Neste 13 de maio
em que fiéis de 28 países, inclusive do Brasil, participam da Peregrinação
Internacional no Santuário de Fátima, em Portugal, Leão XIV recorda da
necessidade que o mundo tem hoje de "consolação, unidade e
esperança": "confiemos ao Imaculado Coração de Maria o clamor de paz
e concórdia que se eleva de todas as partes do mundo, especialmente dos povos
afligidos pela guerra". O próprio Patriarca de Lisboa, dom Rui Valério, a
partir de Fátima também faz uma súplica urgente pela paz.
“Neste dia,
festa litúrgica da Virgem Santa Maria de Fátima, dirigimos o nosso olhar para o
Santuário, onde Nossa Senhora entregou aos três Pastorinhos uma mensagem de
paz. Naquele lugar, tão querido a todos os cristãos, encontram-se hoje
numerosos peregrinos, oriundos dos cinco continentes: a sua presença é sinal da
necessidade de consolação, unidade e esperança dos homens do nosso tempo.
Confiemos ao Imaculado Coração de Maria o clamor de paz e concórdia que se
eleva de todas as partes do mundo, especialmente dos povos afligidos pela
guerra. Para todos vocês, a minha bênção!”
Assim o Papa
Leão XIV se dirigiu aos peregrinos de língua portuguesa presentes na Praça São
Pedro para a Audiência Geral desta quarta-feira, 13 de maio, dia de Nossa
Senhora de Fátima, que remete a uma das devoções mais difundidas na Igreja
desde as primeiras aparições em 1917. Três crianças que cuidavam de um
rebanho na Cova da Iria, um pequeno provoado próximo da cidade de Fátima,
em Portugal, foram testemunhas das aparições que ocorreram num momento
turbulento da história: os pastorinhos se chamavam Lúcia, de 10 anos, e os
primos Francisco e Jacinta, de 9 e 7 anos - esses dois já canonizados.
Leia aqui a íntegra das palavras do Papa Leão XIV
Peregrinação
Internacional a Fátima
O local hoje é
meta de peregrinação de milhares de devotos, como está acontecendo desde
terça-feira (12/05), quando começou a Peregrinação Internacional Aniversária de
Maio que, em 2026, é marcada pelo aniversário de 109 anos da primeira aparição
de Nossa Senhora aos pastorinhos. As atividades, sempre presididas pelo
Patriarca de Lisboa, dom Rui Valério, que a partir de Fátima faz uma súplica
urgente pela paz global, começaram com recitação do terço na Capelinha das
Aparições, seguida de Procissão das Velas e Celebração da Palavra no Santuário
de Fátima com cerca de 250 mil pessoas. O purpurado exortou os peregrinos
a se tornarem luz num mundo ferido pela guerra, pela violência, pela divisão e
pela solidão, que precisa de luz interior: "não basta acender uma vela.
Não basta receber luz. É preciso tornar-se luz”. Na programação desta
quarta-feira (13/05), a Missa Internacional Aniversária, no altar do Recinto de
Oração, com a bênção aos doentes e a Procissão do Adeus, o último gesto da
primeira grande peregrinação de 2026.
Trata-se de uma
das maiores invocações marianas espalhada pelo mundo, tanto que o Santuário de
Fátima, em Portugal, está recebendo nestes dois dias grupos locais e outros
provenientes de 28, sobretudo da Polônia, da Itália, da França, do México
e do próprio Brasil. Assim como sempre é expressiva a participação de
brasileiros nas Audiências Gerais das quartas-feiras, que vêm à Praça São Pedro
para ouvir a catequese e encontrar de pertinho o Papa Leão XIV. Como aconteceu
com a família de Felipe Collet Krause, que trouxe a família de Santa Catarina
para receber a bênção do Pontífice:
"Estamos
muito felizes de estar aqui! Foi um momento muito aguardado e planejado por
todos nós. Momento de agradecer a Deus, primeiramente, pela oportunidade de ver
o Papa Leão tão de perto e receber a sua bênção. Estamos honrados e felizes e,
com certeza, vai marcar para o resto de nossas vidas."
A família do brasileiro ao final da Audiência Geral desta quarta-feira (13/05)
que faça crescer em nós o amor pela Santa Madre Igreja
No dia de Nossa
Senhora de Fátima, o Papa deu continuidade ao ciclo sobre o Concílio Vaticano
II, dedicando sua catequese a Maria. Leão XIV se inspirou no último capítulo da
Lumen Gentium, em que a Virgem é apresentada como membro singular da comunidade
eclesial: dela é mãe e modelo na fé e na caridade.
Na catequese da
Audiência Geral desta quarta-feira (13/05), Leão XIV refletiu sobre o tema “A
Virgem Maria, modelo da Igreja”, inspirando-se no último capítulo da
Constituição Dogmática Lumen Gentium, dedicado à Mãe de Jesus.
Maria é modelo,
membro e mãe
Neste documento,
Ela é «saudada como membro eminente e inteiramente singular da Igreja, seu tipo
e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade» (n. 53). Estas palavras, afirmou
o Papa, nos convidam a compreender como em Maria, que sob a ação do Espírito Santo
acolheu e gerou o Filho de Deus feito carne, se pode reconhecer tanto
o modelo, como o membro excelente e a mãe de toda a
comunidade eclesial.
O Santo Padre
explicou: ao deixar-se moldar pela obra da Graça, que veio a realizar-se Nela,
e ao acolher o dom do Altíssimo com a sua fé e o seu amor virginal, Maria é
o modelo perfeito daquilo que toda a Igreja é chamada a ser, isto é,
criatura da Palavra do Senhor e mãe dos filhos de Deus gerados na docilidade à
ação do Espírito Santo. Na medida em que é a fiel por excelência, na qual nos é
oferecida a forma perfeita da abertura incondicional ao mistério divino na
comunhão do povo santo de Deus, Maria é membro excelente da
comunidade eclesial. Por fim, na medida em que gera filhos no Filho, amados no
Amado eterno que veio entre nós, Maria é mãe de toda a Igreja, que
pode dirigir-se a Ela com confiança filial, na certeza de ser ouvida, guardada
e amada.
Maria, a mulher
ícone do Mistério
Maria também
pode ser considerada a mulher ícone do Mistério. Com o termo “mulher”,
destaca-se a realidade histórica desta jovem filha de Israel, a quem foi
concedido viver a extraordinária experiência de se tornar a mãe do Messias. Com
a expressão “ícone”, sublinha-se que Nela se realiza o duplo movimento de
descida e de ascensão: tanto a eleição gratuita por parte de Deus, como o livre
consentimento da fé Nele.
O lugar de Maria
na obra da Redenção
Outro
ensinamento do Concílio ressaltado por Leão é sobre o lugar singular reservado
à Virgem Maria na obra da Redenção. Jesus é único Mediador da salvação e a sua
Santíssima Mãe «de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo;
manifesta antes a sua eficácia» (LG, 60). Na Virgem Maria, acrescentou o
Papa, reflete-se também o mistério da Igreja:
“Nela, o povo de
Deus encontra representadas a sua origem, o seu modelo e a sua pátria. Na Mãe
do Senhor, a Igreja contempla o seu próprio mistério, não só porque nela
encontra o modelo da fé virginal, da caridade materna e da aliança esponsal a
que é chamada, mas também e sobretudo porque reconhece nela o seu próprio
arquétipo, a figura ideal daquilo a que é chamada a ser.”
Como se pode
ver, disse por fim o Papa, as reflexões sobre a Virgem Mãe reunidas
na Lumen Gentium ensinam-nos a amar a Igreja e a servir nela a
realização do Reino de Deus. E convidou a questionar: vivo com fé humilde e
ativa a minha pertença à Igreja? Reconheço nela a comunidade da aliança que
Deus me deu para corresponder ao seu amor infinito? Sinto-me parte viva da
Igreja, em obediência aos pastores dados por Deus? Olho para Maria como modelo,
membro excelente e mãe da Igreja?
"Irmãs e
irmãos, que o Espírito Santo nos conceda viver plenamente estas maravilhosas
realidades. E, depois de termos aprofundado a Constituição Lumen Gentium,
peçamos à Virgem que nos obtenha este dom: que cresça em todos nós o amor pela
Santa Madre Igreja. Assim seja!"