A Presidência da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem de
esperança por ocasião do Dia da Independência, celebrado neste 7 de setembro.
No texto os bispos propõem “renovar nosso compromisso com um Brasil livre e
soberano, democrático, justo e fraterno”.
A reflexão
apresentada na mensagem considera a necessidade de paz e diálogo;
democracia e responsabilidade; e cuidado com o povo.
A Presidência da
CNBB motiva não perder a esperança no Brasil.
“Somos maiores
que nossas divisões. Podemos transformar diferenças em diálogo, dificuldades em
compromisso e esperança em responsabilidade”.
Confira a
mensagem na íntegra:
Brasil: nossa pátria, nossa responsabilidade
“Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).
Neste 7 de
setembro, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil dirige uma
palavra de esperança ao povo brasileiro.
Celebrar o
Dia da Independência é renovar nosso compromisso com um Brasil livre e
soberano, democrático, justo e fraterno. Em um momento marcado por polarizações
políticas, tensões institucionais e internacionais, por
uma grave crise na mais alta corte do país e dificuldades que
pesam sobre a vida das famílias, somos chamados a recordar aquilo que nos une e
a colocar o bem comum acima dos interesses particulares.
O Brasil precisa
de paz e diálogo. As diferenças políticas são próprias da democracia, mas não
podem nos transformar em inimigos. A violência, a mentira, a desinformação e os
discursos de ódio ferem nossa convivência. Precisamos reaprender a discordar sem
romper os vínculos que nos fazem um só povo.
O Brasil precisa
de democracia e responsabilidade. Às vésperas das eleições, reafirmamos o
respeito à Constituição, às instituições republicanas e à soberania nacional. O
voto é expressão de liberdade e deve ser exercido com consciência, sem
manipulação, corrupção ou instrumentalização da fé.
O Brasil precisa
cuidar de seu povo. Não há verdadeira independência enquanto tantos sofrem com
a pobreza, o endividamento, as desigualdades e condições de trabalho que
comprometem o descanso e a convivência familiar. A economia, a política e as
instituições somente encontram sua razão de ser quando estão a serviço da
dignidade humana e do bem comum. Essa preocupação com trabalho digno, repouso e
qualidade de vida já foi explicitamente assumida pelos bispos na Mensagem ao
Povo Brasileiro de abril passado.
Neste 7 de
setembro, queremos dizer sobretudo: não percamos a esperança no Brasil. Somos
maiores que nossas divisões. Podemos transformar diferenças em diálogo,
dificuldades em compromisso e esperança em responsabilidade.
Confiamos nossa
Pátria à proteção de Nossa Senhora Aparecida. Que Deus nos conceda sabedoria e
coragem para construirmos juntos um Brasil reconciliado, soberano, justo e
fraterno.
Brasília, 7 de
setembro de 2026.
Presidência da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Na homilia da
missa celebrada no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho na cidade
italiana de Genazzano, o Papa convidou "a confiar à Menina Maria tudo o
que ainda nasce nesta pobre, porém magnífica, humanidade".
"Celebramos o nascimento de uma menina chamada a ser a Mãe de seu Criador,
a Mãe de Deus que salva. No entanto, ela nasce simplesmente uma menina, como as
filhas e netas que seguramos em nossos braços". Pedimos-lhe que "a
celebração do seu nascimento aumente a nossa paz".
O Papa Leão XIV
celebrou a missa no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho na cidade
italiana de Genazzano, na tarde desta segunda-feira (07/09), em vista da Festa
da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria, celebrada em 8 de setembro.
Maria é o
alvorecer de um novo dia
Leão XIV iniciou
sua homilia, recordando que nos primeiros dias de seu pontificado sentiu o
"dever e um profundo desejo" de se "aproximar de Genazzano, do
Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho". "Ao longo da minha
vida", Nossa Senhora do Bom Conselho "me acompanhou com sua presença
maternal, sua sabedoria e o exemplo de seu amor por seu Filho, que é sempre o
centro da minha fé", disse o Santo Padre.
“Estou aqui
novamente, com alegria, para celebrar com vocês a Vigília da Natividade da
Bem-Aventurada Virgem Maria e confiar à Menina Maria tudo o que ainda nasce
nesta pobre, porém magnífica, humanidade: frágil como uma semente, mas sinal da
fidelidade de Deus. Sim, Maria é o alvorecer de um novo dia, do nosso mundo
finalmente liberto do mal. Nós estamos aqui, perto dela, ao redor do Altar de
onde a salvação nos vem e nos transforma, filhos no Filho. Peçamos a ela o seu
Bom Conselho, para acolhermos a Palavra divina, guardá-la dentro de nós e
trazê-la à luz através de decisões corajosas e sábias, de uma conversão
autêntica.”
O Papa Leão no rito de entrada da missa
Inteligência que
conversa com Deus
Neste lugar de
antiga presença agostiniana, Leão OXIV retornou às páginas bíblicas, lembrando
a propósito as palavras "São Tomás de Villanova, frade e bispo agostiniano
que, dedicando sua vida ao serviço dos pobres, penetrou profundamente a verdade
da fé. Ele soube ver o paradoxo da pequenez e, por assim dizer, da
marginalidade de Maria, centralizada na economia da salvação". São Tomás
se perguntava: "Como deve ter sido o nascimento de uma menina na época de
Joaquim e Ana?" "Refleti muitas vezes", escreve ele, "e
perguntei-me por que os evangelistas, que falaram tão extensamente de São João
Batista e dos apóstolos, nos contam de forma tão sucinta a história da Virgem
Maria, que supera todas as outras em sua experiência e estatura pessoal. Por
que, pergunto, não nos foi contada a sua concepção, o seu nascimento, a sua
educação, os seus hábitos, as virtudes que a adornavam, a relação humana que
tinha com o seu filho, como se relacionava com ele, como vivia com os apóstolos
após a sua ascensão? Todas essas coisas eram importantes, e os fiéis as teriam
lido com singular devoção, e teriam agradado ao povo comum. Ó evangelistas, eu
me dirijo a vós! Por que nos privastes de tamanha alegria com o vosso silêncio?
Por que omitistes detalhes tão alegres, tão aguardados, tão agradáveis?".
“Encontramos
nessas palavras uma importante sugestão para a nossa fé: questionar as
Escrituras e seus autores, discutir o texto e dialogar com as testemunhas da
Revelação como se fossem amigos. Somos, de fato, "concidadãos dos santos e
membros da família de Deus", e da própria Maria aprendemos a inteligência
que conversa com Deus, que faz perguntas e interpreta os acontecimentos,
guardando-os e conectando-os no coração.”
Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Genazzano
O caminho de
Deus é simples e silencioso
De acordo com
São Tomás de Villanova, os evangelistas "permaneceram em silêncio sobre
ela, pela simples razão de que a glória da Virgem estava toda nela, e podia ser
imaginada em vez de descrita, e que, como resumo da sua história, o que está
expresso no título é suficiente: que Jesus nasceu dela".
“Celebramos o
nascimento de uma menina chamada a ser a Mãe de seu Criador, a Mãe de Deus que
salva. No entanto, ela nasce simplesmente uma menina, como as filhas e netas
que seguramos em nossos braços. Hoje, ela possui títulos nobres e elevados, de
Senhora e Rainha, mas o caminho de Deus foi e permanece mais simples e
silencioso, porém não menos poderoso e transformador. É o caminho do próprio
Jesus.”
Leão XIV em oração no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho
Imaginar a
paz
"Assim,
como Maria, também nós somos "predestinados a sermos conformes à imagem do
Filho": pela graça, certamente, mas também desejando e preferindo a sua
estrada, as suas escolhas, o seu caminho. Em Jesus Cristo, Deus escolheu as
condições históricas e a mais humilde das criaturas para manifestar a
originalidade do seu Reino, no qual a prepotência não tem lugar e a onipotência
é criação, serviço e cuidado da vida", disse o Papa.
Leão XIV nos
convidou a dirigir "à pequena Maria", pedindo-lhe que "a
celebração do seu nascimento aumente a nossa paz". "Sim, queridos
irmãos, queremos imaginar a paz — ampliar os limites da compreensão e pintá-la
em nossa alma — para reconhecer que ela já existe, para acolhê-la e servi-la. É
o dom de Deus, o sopro do Ressuscitado, a obra do Espírito Santo. Deixemos a
paz crescer em nós. Ela brotará no mundo. E a Mãe do Bom Conselho nos
acompanhará nessa missão", concluiu.
Cardeal Orani
João Tempesta - Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
“Seu reino
jamais será destruído” (Dn 7,14)
Do mesmo modo
que o mês de agosto foi especial para a Igreja celebrando as vocações, o mês de
setembro também é especial, pois celebramos o mês da Bíblia. A Igreja é sábia e
educa os fiéis ao longo de todo o ano litúrgico, e em cada mês nos faz recordar
a vida de um santo, o chamado que Deus nos fez, nos recorda a importância da
Palavra de Deus, nos recorda o amor que devemos ter a Virgem Maria, e ainda nos
recorda e ensina que desde o nosso batismo somos missionários.
Cada tempo do
ano litúrgico é especial e nos motiva a participar da celebração Eucarística e
da vida da Igreja. Além das motivações citadas acima, celebradas em cada mês,
existe os tempos litúrgicos: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa e Tempo Comum. E
as solenidades de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Virgem Maria que celebramos ao
longo do ano.
Cada mês do ano
litúrgico é especial, e nós como cristãos católicos devemos participar das
celebrações ao longo de todo o ano, e vivenciar com a Igreja as motivações
especiais de cada mês. Ao longo desse mês de setembro em especial somos
convidados a tomar a nossa Bíblia e ler, meditar e rezar, seja sozinho, em
família ou com a comunidade.
O dia da Bíblia
no último domingo do mês de setembro e a motivação deste mês é inspirado no dia
30 de setembro, dia de São Jerônimo, que traduziu a Bíblia do grego e do
hebraico para o latim. Mas, a Igreja estende essa celebração do dia da Bíblia
para o mês todo, pois, a Palavra de Deus é de vital importância para nós que
não pode ser celebrada num único dia.
O dia da Bíblia
deve ser todos os dias, não deve ser somente ao longo do mês de setembro ou no
dia 30, mas ao longo de todo o ano devemos pegar a nossa Bíblia e cada dia
meditar um texto sagrado. O mês da Bíblia é apenas uma motivação para que
façamos isso aprofundando de um modo especial um livro bíblico. Devemos ter
prática da escuta e leitura da Palavra de Deus todos os dias do ano. Pode até
ser os textos sagrados escolhidos para a missa daquele dia, ler e meditar os
textos litúrgicos e ainda se puder participar da celebração Eucarística.
Precisamos
aprofundar o método da leitura orante da bíblia ou “Lectio Divina”, ou seja, a
meditação dos textos sagrados, que consiste em
ler e reler o
texto e tirar daquele texto o que mais lhe chamou a atenção. Procurar um lugar
calmo e pedir a luz do Espírito Santo, pode ser pela manhã antes de ir ao
trabalho ou a noite quando chegar. Seria bom se fosse com a família reunida,
pois cada um leria um trecho do texto, ou com os vizinhos, mas caso não seja
possível faça sozinho mesmo.
Tenhamos carinho
pela Palavra de Deus, que possamos dar a Ela a devida importância, quando
participamos da Santa Missa “comungamos” de duas grandes mesas a da Palavra e a
da Eucaristia. A Palavra precisa penetrar em nosso coração, os nossos olhos
precisam se abrir, para podermos comungar do Corpo e Sangue de Jesus. Seria bom
se as paróquias colocassem em destaque ao longo desse mês a Palavra de Deus, ou
na entrada da Igreja, ou perto do Ambão, para que as pessoas que visitam a
Igreja possam rezar diante da Palavra.
Diante de tudo
isso, podemos observar que o mês da Bíblia não deve ser somente em setembro,
mas ao longo de todo o ano. A Igreja coloca no mês de setembro para nos chamar
a atenção para tratarmos com mais carinho a Palavra de Deus.
Ao longo desse
mês as paróquias são convidadas a meditarem o tema do mês da Bíblia desse ano
de 2026 que é o livro do Profeta Daniel e tem como lema tirado do mesmo livro
de Daniel: “Seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14). As paróquias e
comunidades devem aprofundar e estudar todo o livro de Daniel. As pessoas em
casa que principalmente não podem ir à comunidade, podem refletir e aprofundar
o livro de Daniel em casa mesmo junto com a família ou vizinhos, ou até mesmo
sozinhos.
O lema quer
dizer para nós que os poderes mundanos passam, aqueles tiranos que acham que
tem o poder em suas mãos, que querem dominar o mundo, querem tomar o território
vizinho, simplesmente por ganância e dinheiro um dia passam, mas o reino de
Deus permanece. Os reinos do mundo serão dissolvidos, mas o reino de Deus nunca
se dissolverá.
O que vemos nos
dias de hoje na televisão, internet, redes sociais e ouvimos no rádio, o
principal motivo das guerras é a ganância e o poder, é querer sempre mais e
tomar aquilo que é do outro. Alguns governantes acham que são “donos do mundo”,
mas o dono do mundo é Deus, e somente o reino dele nunca será dissolvido. É
isso que seremos convidados a estudar a partir do livro de Daniel.
A Palavra de
Deus deve ser o nosso alimento diário, devemos nos alimentar da Palavra e pedir
ao Espírito Santo a luz necessária para seguir a Palavra que meditamos. Se nos
alimentarmos diariamente da Palavra direcionaremos o nosso caminho somente para
as coisas boas e ficaremos longe do pecado. A Palavra nos aponta o caminho
certo, a palavra de Deus é luz que ilumina o nosso caminho, e a palavra de Deus
nos conduz para a eucaristia.
Portanto, meus
irmãos, estudemos a Bíblia ao longo desse mês de setembro, converse com o seu
pároco e forme os círculos bíblicos para estudar o livro de Daniel. Além, de
meditar a Palavra em casa com sua família, colocando a Bíblia em destaque, para
que ela ilumine a sua vida e a de sua família.
“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei ali no meio deles”. A melhor maneira de tornar Cristo presente em sua Igreja é manter-nos unidos atuando “em seu nome”, movidos por seu Espírito. A Igreja não necessita tanto de nossas confissões de amor ou nossas críticas quanto de nosso compromisso real. Não são poucas as perguntas que podemos fazer-nos.
O que faço para criar um clima de conversão coletiva no seio desta Igreja, sempre necessitada de renovação e transformação? Como seria a Igreja se todos vivessem a adesão a Cristo mais ou menos como a vivo eu? Seria mais ou menos fiel a Jesus?
O que trago de espírito, verdade e autenticidade a esta Igreja tão necessitada de radicalidade evangélica, para oferecer um testemunho crível de Jesus no meio de uma sociedade indiferente e incrédula?
Como contribuo com minha vida para edificar uma Igreja mais próxima dos homens e mulheres do nosso tempo, que saiba não só ensinar, pregar e exortar, mas, sobretudo, acolher, escutar e acompanhar os que vivem perdidos, sem conhecer o amor nem a amizade?
O que trago para construir uma Igreja samaritana, de coração grande e compassivo, capaz de esquecer-se de seus próprios interesses, para viver voltada para os grandes problemas da humanidade?
O que faço para que a Igreja se liberte de medos e servidões que a paralisam e atam ao passado, e se deixe penetrar e vivificar pela frescura e criatividade que nasce do Evangelho de Jesus?
O que trago nestes momentos para que a Igreja aprenda a “viver em minoria”, sem grandes pretensões sociais, mas de maneira humilde, como “fermento” oculto, “sal” transformador, pequena “semente” disposta a morrer para dar vida?
O que trago por uma Igreja alegre e esperançosa, mais livre e compreensiva, mais transparente e fraterna, mais crente e mais digna de crédito, mais de Deus e menos do mundo, mais de Jesus e menos de nossos interesses e ambições?
A Igreja muda quando mudamos nós, converte-se quando nós nos convertemos.
JOSÉ ANTONIO PAGOLAcursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.
a responsabilidade dos católicos no
combate à desinformação
A disseminação
de notícias falsas, o uso de inteligência artificial e a circulação de
conteúdos manipulados estão entre os desafios para o exercício consciente da
cidadania nas Eleições de 2026. O tema é abordado em mais um episódio da série
de podcasts “Discernimento Católico – Eleições 2026”, produzida a
partir da mensagem dos bispos ao povo de Deus para o período eleitoral.
Nesta edição, o
jornalista Luiz Lopes Júnior conversa com o presidente da Comissão Episcopal
para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom
Valdir José de Castro, e com o assessor de Comunicação da entidade, padre
Arnaldo Rodrigues. Os dois refletem sobre o enfrentamento à desinformação, o
papel dos católicos e das forças comunicativas da Igreja e os cuidados
necessários diante de conteúdos produzidos ou manipulados com inteligência
artificial.
Assista na
íntegra:
Fake news colocam
em risco a paz social e a democracia
Dom Valdir
recorda que a preocupação da Igreja com as notícias falsas não é recente. Em
2018, o Papa Francisco dedicou sua mensagem para o Dia Mundial das
Comunicações Sociais ao tema “A verdade vos tornará livres:
fake news e jornalismo de paz”. Para o bispo, as reflexões
apresentadas naquela ocasião permanecem atuais, especialmente em períodos
eleitorais, quando a circulação de desinformação tende a se intensificar.
“A preocupação
da Igreja em relação às fake news é que, por não se pautarem na
verdade, elas colocam em risco a própria paz social e o bem comum. As notícias
falsas tendem sempre a criar polarização e conflitos, e isso, evidentemente,
interfere na paz e coloca em risco também a própria democracia”, afirma.
Nesse cenário,
dom Valdir ressalta que os católicos têm responsabilidade pessoal sobre aquilo
que recebem e compartilham, especialmente no ambiente digital. A recomendação é
verificar a procedência das informações e interromper a circulação de conteúdos
quando houver dúvida sobre sua autenticidade.
“Cada pessoa,
cada cristão católico, busque distinguir as informações verdadeiras das falsas,
verificando a origem das mensagens e não compartilhando quando a gente vê que
aquela mensagem é duvidosa. Se a gente tem dúvida, não mandemos para frente.
Vamos primeiro nos certificar se ali tem mesmo a verdade”, orienta.
Critérios para
avaliar candidatos
O discernimento
também deve alcançar a escolha dos candidatos. Segundo dom Valdir, além de
conhecer as propostas apresentadas durante a campanha, o eleitor deve buscar
informações sobre a trajetória daqueles que disputam os cargos públicos.
Entre os
critérios indicados pelo bispo estão o compromisso com a justiça, o cuidado com
os pobres, a defesa da casa comum e a promoção da dignidade humana.
“A gente tem que
saber quem ele é. Não é um nome que aparece de repente. Mesmo se aparece de
repente um nome, vamos buscar conhecer mais profundamente essa pessoa”,
afirma.
Para dom Valdir,
os católicos também são chamados a observar se as propostas apresentadas estão
em sintonia com valores que promovam integralmente a pessoa humana. “É ver se
nas propostas desse candidato estão os sinais do Evangelho, aqueles sinais que
têm a ver com os valores do Reino, com os valores que promovem o ser humano na
sua integralidade.”
Papel da
Pastoral da Comunicação
Ao tratar
especificamente da missão da Pastoral da Comunicação (Pascom), dos veículos de
inspiração católica e dos missionários digitais, dom Valdir destaca a
importância de ampliar a divulgação das orientações oficiais da Igreja para o
período eleitoral.
Segundo o bispo,
documentos e mensagens produzidos pela CNBB e por seus regionais oferecem
elementos para a reflexão dos eleitores sobre o voto consciente, a ética na
política e a defesa do bem comum.
Além de divulgar
essas orientações, dom Valdir considera que as forças comunicativas da Igreja
são chamadas, à luz da Doutrina Social da Igreja, a promover o diálogo e a
comunhão e a denunciar conteúdos que não correspondam à verdade dos
fatos.
Para isso, devem
ser utilizados tanto os meios tradicionais de comunicação quanto as plataformas
digitais. “A Pastoral da Comunicação deve utilizar todos os meios
técnicos para fazer um forte apelo e trabalhar insistentemente no combate
à desinformação”, destaca.
Inteligência
artificial e deepfakes
Na segunda parte
do episódio, o assessor de Comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues,
apresenta orientações práticas sobre inteligência artificial e deepfakes,
especialmente diante da presença cada vez maior dessas tecnologias nas redes
sociais.
O sacerdote
explica que conteúdos gerados por inteligência artificial podem incluir textos,
imagens, áudios e vídeos. A utilização da tecnologia, ressalta, não significa
necessariamente que o material seja falso ou produzido com intenção de enganar.
“É importante
ressaltar que um conteúdo criado por inteligência artificial não é
necessariamente falso ou mal-intencionado. Depende muito de quem vai
utilizá-lo”, explica.
O cenário é
diferente quando se trata dos chamados deepfakes. Segundo padre Arnaldo,
eles utilizam recursos tecnológicos para produzir uma representação falsa e
convincente de determinada pessoa, fazendo parecer, por exemplo, que alguém
disse algo que nunca falou, praticou uma ação que não realizou ou esteve em um
lugar onde nunca esteve.
“O deepfake pode
envolver rosto, voz e também movimento. Um exemplo clássico seria um
vídeo em que o rosto de uma pessoa é colocado no corpo de outra. Ou a pessoa
estar em um lugar em que ela nunca esteve, fazendo algo que nunca
fez”, explica.
No contexto
eleitoral, esse tipo de manipulação pode ser empregado para interferir na
percepção dos eleitores sobre candidatos e outras pessoas envolvidas no debate
público.
Como identificar
conteúdos suspeitos
Padre Arnaldo
recomenda que, antes de compartilhar qualquer conteúdo, o usuário procure
confirmar a informação em fontes seguras e confiáveis. A orientação é ainda
mais importante quando uma publicação apresenta declarações ou situações
surpreendentes ou que destoem daquilo que normalmente se conhece sobre
determinada pessoa.
“Não saia
compartilhando logo, de imediato. Recebeu, nem leu e já compartilhou. A
primeira coisa é verificar se aquilo é real”, orienta.
Há também alguns
sinais que podem levantar suspeitas sobre vídeos manipulados. Entre eles, padre
Arnaldo cita movimentos estranhos da boca, expressões faciais pouco naturais,
iluminação ou sombras inconsistentes, entonações incomuns na voz e cortes suspeitos.
O assessor
pondera, no entanto, que o avanço tecnológico torna essas manipulações cada vez
mais sofisticadas e difíceis de identificar apenas pela observação. Por isso,
reforça uma orientação básica: diante da dúvida, não compartilhar e buscar a
confirmação da informação.
“Se você
desconfia de que aquilo não é real, não compartilhe. Ou não simplesmente aceite
aquilo ali como verdade imediata sem ter uma comprovação”, afirma.
Responsabilidade
também ao compartilhar
Além da
responsabilidade ética, padre Arnaldo chama a atenção para possíveis
implicações decorrentes da divulgação de conteúdos ilícitos. Segundo ele, o
usuário precisa considerar as consequências daquilo que decide reproduzir em
suas redes sociais e aplicativos de mensagens.
“Precisamos ter
um certo cuidado para não sermos manipulados por pessoas que, às vezes,
utilizam as plataformas e a tecnologia para criar uma narrativa e, muitas
vezes, prejudicar outras pessoas”, afirma.
Para o assessor,
esse cuidado deve estar relacionado tanto aos valores cristãos quanto à
responsabilidade diante da legislação. Ao final do episódio, padre Arnaldo
reforça a importância de buscar informações em canais oficiais e fontes
confiáveis.
“Esperamos que,
cada vez mais, as pessoas busquem sempre a verdade em fontes autênticas e
oficiais”, afirma. Para ele, essa postura faz parte também da responsabilidade
dos cristãos na vida pública: “Vamos exercer cada vez mais não apenas os nossos
direitos, mas, principalmente, a nossa vocação cristã de conduzir e ajudar a
sociedade na busca pelo bem comum e pela dignidade do próximo”.
A série “Discernimento Católico – Eleições 2026” aprofunda, a
cada episódio, aspectos da mensagem dos bispos ao povo de Deus para o período
eleitoral, oferecendo reflexões e orientações para a participação consciente
dos católicos na vida política e social do país.
O encorajamento, como a correção fraterna, é uma das facetas da caridade. (Missal da Paulus)
♦ O amor que emana do Evangelho manda que corrijamos o irmão quando ele se desvia do bom caminho e envereda por trilhas perigosas. O bem-querer profundo ordena que, sem pretensões de superioridade, alertemos os que podem perder a alegria de viver e escapar da claridade do Evangelho. Tema sempre delicado esse da correção fraterna. Alguém que vive por viver, que sorve de todas as águas, que se mostra indiferente às dores do irmão, dores que escondem ou mostram as dores de Cristo presentes na vida do irmão. Com cuidado faremos a correção., não se pode omitir. Quanto receio… Pisamos em ovo…
♦ O evangelista tem como pano de fundo uma intensa vida de comunidade. Não uma multidão de pessoas que se encontram frequentemente em vários contextos. Pessoas que se conhecem, que percorrem juntas uma parte da estrada. Comunidades celebrantes diferentes de nossas assembleias de “desconhecidos”. Estas últimas pessoas que mal e mal se veem. Indubitavelmente, o cristianismo se vive mais fácil e densamente, em comunidades menores, sempre abertas ao mundo e não refúgio de pessoas timoratas.
♦ Normal que aqueles que tomam consciência da necessidade de corrigir o irmão estejam empenhados seriamente em corrigir-se a si mesmos ouvindo a voz de seu interior, cultivando delicadeza de consciência e compreendendo o mais pessoalmente possível os apelos ou ordens do Evangelho de corrigir. Uma lição antigo do catecismo dizia que a correção dos que erram é obra de misericórdia.
♦ Estas palavras de Luciano Manicardi devem nos fazer pensar: “A correção fraterna opõe-se ao silêncio cúmplice, à passividade de quem não quer brigar com o outro, aos mecanismos de autojustificação sempre prontos a encontrar bons motivos para não intervir e não denunciar o mal ali, onde é cometido. Em nível eclesial, a correção corresponde a uma palavra audaz e profética pronunciada a qualquer preço, porque no meio está o Evangelho. Um dos mais frequentes pecados de omissão é abster-se da denúncia do mal e do pecado, é abster-se da correção fraterna” (Comentários à Liturgia, p.137).
♦ Num linguajar jurídico, o Evangelho fala de alguns passos no movimento da correção: primeira etapa é falar em particular com aquele que erra, em seguida abordagem a dois e depois uma denúncia a Igreja. Estamos nitidamente num quadro de vida em as pessoas estão numa comunidade concreta. Há um pormenor que gostaria de realçar: se, em conversa particular, o irmão acolher correção ele estará salvo. Salvo de quê? De uma condenação eterna? Não em primeiro lugar. Ele passa a ser membro de uma comunidade em que Cristo se faz presente. Passa a ser membro viçoso e não peça morta. O meu amor por ele é tal que desejo que ele seja muito, mas muito feliz readquirido o amor de Cristo, a vontade de fazer morrer o homem velho, a ter saudade de Deus.
♦ Corrigimos a quem vive perto de nós e que amamos. Por vezes hesitamos em fazer a correção com medo de “perder o amigo”. Novamente Manicardi: “A correção fraterna é entendida do ponto de vista de quem a recebe, que é sempre um irmão, um membro da comunidade cristã. É necessária muita humildade e disponibilidade para se corrigir e para recomeçar. A correção fraterna autêntica não é um juízo, e ainda menos uma condenação, mas um acontecimento sacramental que faz reinar Cristo como terceiro entre quem a pratica e quem a recebe. Ela requer a coragem da palavra: coragem que apenas pode nascer enraizando sua própria palavra na Palavra do Evangelho (Idem, p. 138).
♦ Pagola: “Quanto bem pode fazer a todos nós essa crítica amistosa e leal, essa observação oportuna, esse apoio sincero no momento em que nos havíamos desorientado. Toda pessoa é capaz de sair de seu pecado e voltar à razão e a bondade. Mas frequentemente precisa encontrar alguém que a ame de verdade, a convide a interrogar-se e possa contagiá-la com um novo desejo de verdade e generosidade” (Mateus, p. 229).
♦ Cabe aqui ainda uma observação: nossos desvios, nossos pecados, as correções que nos são feitas… tudo podemos levar ao fundo de nossa verdade e celebrar o perdão no sacramento da reconciliação. Nossa vida, por mais alegre que possa ser, é também marcada pela condição de penitente. Até que ponto valorizamos o sacramento da confissão? Somos pessoas em estado “penitencial”? Há posturas que assumimos que precisam de um perdão que vai além do carinho do irmão, ou seja, a celebração do perdão na Igreja? Tudo o que ligares…
♦ Não podemos deixar de levar para nossa vida o último versículo do Evangelho hoje proclamado: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”. Será que vivenciamos isso. Uma presença do Ressuscitado. Onde existe amor de verdade, atenção, é terra sagrada… hora de tirar a sandália dos pés.
FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.