sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 12 - Sábado

14h30 -  1º encontro de formação dos novos MESC

17h30 - Terço cantado na ermida da Mãe e Rainha

19h -  Missa na matriz e na comunidade São Francisco

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Dia 13 - 24º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

16h - Missa na ermida da Mãe e Rainha

18h - Missa na igreja de Santo Antônio       19h - Missa na matriz

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24º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Eclo 27,33-28,9

Leitura do livro do Eclesiástico

O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las. Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas contas dos seus pecados. Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão perdoados. Se alguém guarda raiva contra o outro, como poderá pedir a Deus a cura? Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados? Se ele, que é um mortal, guarda rancor, quem é que vai alcançar perdão para os seus pecados? Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; pensa na destruição e na morte e persevera nos mandamentos. Pensa nos mandamentos e não guardes rancor ao teu próximo. Pensa na aliança do Altíssimo e não leves em conta a falta alheia!

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Responsório: Sl 102(103)

- O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.

- O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.

1. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / e todo o meu ser, seu santo nome! / Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / não te esqueças de nenhum de seus favores!

2. Pois ele te perdoa toda culpa / e cura toda a tua enfermidade; / da sepultura ele salva a tua vida / e te cerca de carinho e compaixão.

3. Não fica sempre repetindo as suas queixas / nem guarda eternamente o seu rancor. / Não nos trata como exigem nossas faltas / nem nos pune em proporção às nossas culpas.

4. Quanto os céus por sobre a terra se elevam, / tanto é grande o seu amor aos que o temem; / quanto dista o nascente do poente, / tanto afasta para longe nossos crimes.

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2ª Leitura: Rm 14,7-9

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos, ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor. Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos.

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Evangelho: Mt 18,21-35

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: «Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?» Jesus respondeu: «Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: ‘Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo’. Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague logo o que me deve’. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você’. Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: ‘Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.»

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Reflexão do padre Johan Konings:

Perdão e reconciliação

No domingo passado ouvimos o ensinamento de Jesus sobre a correção fraterna. Mas não basta “corrigir”, importa que o que estava errado seja realmente superado pelo perdão. E que adianta pedir perdão a Deus, se a gente mesmo não perdoa?

Já o Antigo Testamento nos ensina que não podemos pedir perdão se não perdoamos. A 1ª leitura fundamenta o perdão fraterno na Aliança: somos todos “povo de Deus”. Como posso condenar para sempre o meu irmão, que é filho de Deus? Se fizesse tal coisa, eu negaria minha comunhão com Deus, e então, o perdão de Deus não me alcançaria.

E Jesus, no evangelho, nos ensina a estarmos sempre dispostos a perdoar, inúmeras vezes. Conta a parábola do homem que foi absolvido de uma dívida enorme, mas não quis perdoar uma ninharia a seu colega. Resultado: seu patrão o condenou a pagar tudo. Quem não é capaz de perdoar não é capaz de viver em fraternidade, em comunhão.

O que importa para Deus, em última instância, não é acertar contas, e sim, promover a comunhão, a amizade e a reconciliação. Talvez seja preciso primeiro pôr as contas em dia, mas o objetivo final é a fraternidade. Quem não sabe reconciliar-se com seu irmão não pode ser amigo de Deus, que é o Pai de todos.

Num mundo de competição, como é o nosso, nada se perdoa, não se leva desaforo para casa, vinga-se a honra etc. Devemos substituir esse modelo de competição e de vingança pelo modelo de comunhão. Quando perdoo, não perco nada: pelo contrário, ganho a comunhão com o irmão e a realização de minha vocação: a semelhança com Deus (cf. Gn 1,26).

O ser humano é tão coitado, que qualquer coisa que alguém lhe estiver devendo lhe parece uma carência vital… Apenas Deus é bastante rico para perdoar sempre a quem se arrepende. A Igreja deve ser um sinal de Deus no mundo. Deve imitar Deus no perdão – no sacramento da reconciliação – e ensinar a mesma coisa aos homens. O sacramento da reconciliação é uma alegria, não um desagradável dever. É uma celebração da magnanimidade de nosso Deus. “Confessar” significa proclamar não só os pecados, mas, sobretudo o louvor do Deus que perdoa. O sacramento da reconciliação é um serviço que Deus confiou à Igreja, comunidade de salvação, para ajudar o irmão a corrigir seu caminho, a reconciliar-se com Deus e com seus irmãos na fé, e a proclamar a grandeza do amor de Deus. Para quem vivia em pecado grave, é uma verdadeira ressurreição.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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                 Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: vaticannews.va  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

CNBB manifesta preocupação com os recentes acontecimentos

no STF e pede apuração dos fatos

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quinta-feira, (10/09), a mensagem: “Pela verdade, pela justiça e pela preservação das instituições democráticas”, na qual manifesta preocupação com os recentes acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

A mensagem aponta que a gravidade do momento e as legítimas interrogações presentes na sociedade brasileira exigem serenidade, responsabilidade e respostas institucionais claras.

Em um trecho do documento, a CNBB reforça que a Doutrina Social da Igreja recorda que a autoridade encontra sua razão de ser no serviço à pessoa humana e que, no Estado Democrático de Direito, todos estão submetidos à lei. “A independência e o equilíbrio entre os Poderes são condições indispensáveis para a preservação da justiça, da liberdade e da paz social”, diz um trecho do documento.

Defender as instituições democráticas, aponta a mensagem, não significa impedir o esclarecimento de eventuais irregularidades. “Ao contrário, a autoridade das instituições se fortalece quando os fatos são apurados com independência, imparcialidade, transparência e respeito ao devido processo legal. Ninguém pode estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado sem que lhe sejam assegurados o direito de defesa e as garantias constitucionais”.

Na mensagem, a CNBB reforça a necessidade de examinar os fatos no plenário do STF com transparência e sem permitir que o contexto seja usado para enfraquecer as instituições democráticas e para fins politico-eleitorais. A CNBB aponta que, no esclarecimento dos fatos, seja rejeitado “tanto o silêncio diante de possíveis irregularidades quanto qualquer tentativa de enfraquecer as instituições democráticas”. Segue abaixo, a mensagem, na íntegra.

Confira, abaixo, a íntegra da Mensagem:

Texto: CNBB – Site oficial (https://www.cnbb.org.br/cnbb-manifesta-preocupacao-com-os-recentes-acontecimentos-no-stf/)

Foto de capa: Criada por Inteligência Artificial

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                                                                                                                    Fonte: cnbb.org.br

Leão XIV nesta quinta-feira aos bispos nomeados recentemente:

a Igreja não está isolada do mundo, mas anuncia a esperança

Leão XIV recebeu os bispos nomeados recentemente que participam do curso de formação no Vaticano. Em seu discurso, ele assegurou que "nenhum bispo está sozinho" e os exortou a estarem próximos do povo, amando aqueles que Deus lhes confiou, especialmente os sacerdotes. O Pontífice olha para este tempo de mudanças e desenvolvimento tecnológico e indica a Magnifica humanitas como referência para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial.




“Nenhum bispo caminha sozinho.” Nenhum bispo deve abandonar seu povo, mas sim conhecer suas alegrias, tristezas e sonhos, mantendo “um coração aberto a todos” — incluindo cristãos de outras confissões e fiéis de outras religiões — e anunciando o Evangelho nesta época, por vezes “desconcertante”, de rápidas mudanças e desenvolvimento da inteligência artificial. Assim, o Papa se dirigiu a 147 bispos de cinco continentes. São os prelados nomeados no último ano que participam do curso anual de formação no Vaticano, um espaço para favorecer o diálogo, a orientação e o conhecimento entre os que provêm de diversos contextos eclesiais, culturais e sociais. Noventa e oito bispos inscritos no programa oferecido pelo Dicastério para os Bispos e 49 no programa oferecido pelo Dicastério para a Evangelização participaram desta edição.

Bispos, servidores da comunhão na Igreja e no mundo de hoje, foi o tema deste minicurso oferecido aos novos bispos, que começou em 2 de setembro e terminou na manhã desta quinta-feira, dia 10, com uma audiência com o Papa Leão XIV na Sala do Sínodo. Ele iniciou o encontro pedindo "uma oração pelo descanso eterno" do pai do cardeal Louis Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, que faleceu há alguns dias.

"Nenhum bispo caminha sozinho"

Leão XIV começou seu discurso dizendo estar "sinceramente feliz" com a "experiência única de fraternidade" vivida pelos prelados nos últimos dias: juntos eles "escutaram, rezaram, celebraram a Eucaristia". Tudo isso nos ajuda a lembrar "uma coisa muito simples e preciosa: nenhum bispo caminha sozinho", afirmou o Papa.

Vocês estão em minhas orações, e com vocês suas Igrejas: sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas, famílias, jovens, idosos, pobres, os que sofrem e aqueles que ainda aguardam o encontro com a alegria do Evangelho. Todos devem encontrar um lugar no coração do Bispo, porque todos já têm um lugar no coração de Cristo.

O desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial

Partindo dessa premissa, o Papa ofereceu algumas orientações concretas aos novos bispos para o seu ministério. Especialmente nesta "era de rápidas mudanças", em que "os avanços nas tecnologias de comunicação e na Inteligência Artificial abriram possibilidades que, até alguns anos atrás, nem sequer imaginaríamos". Essas oportunidades e novos cenários "certamente não podem libertar a humanidade do pecado e de suas consequências: as crises que estamos vivendo demonstram isso tragicamente", enfatizou Leão.

Neste cenário complexo e, de certa forma, "perturbador", a Igreja "celebrou o Jubileu da Esperança no ano passado". "Talvez porque viva fora do mundo?", questionou o Pontífice. "Pelo contrário, porque é enviada por Cristo, morto e ressuscitado, para proclamar o Evangelho da salvação a todos. E nós, bispos, somos os primeiros destinatários deste mandato." Ele apontou para a Encíclica Magnifica humanitas como referência para "uma visão e um método para enfrentar o grande desafio de proteger a humanidade na era da Inteligência Artificial".

Encorajo-os a promover a reflexão e o diálogo suas dioceses, a formar e apoiar aqueles que querem comprometer-se a servir a civilização do amor.

O ministério nasce da proximidade com Jesus

O primeiro mandato que o Papa ofereceu aos bispos é o de "permanecer com Jesus". Isto é o mais importante, afirmou o Pontífice, porque "somos bispos", mas antes de tudo "discípulos". E para falar de Cristo, "precisamos estar com Ele". “Para guiar o seu povo, devemos deixar-nos guiar por Ele todos os dias.”

Por isso, valorize sempre o seu tempo com o Senhor: a Eucaristia, a Palavra de Deus, a oração e aqueles momentos em que você pode estar na sua presença com o coração simples do discípulo que se deixa amar pelo seu Senhor.

O ministério “nasce daí” e assim “o serviço torna-se mais sereno, mais livre e mais fecundo”.

Amar seu povo

Um segundo aspecto que o Papa Leão destacou foi ter um coração “totalmente doado aos irmãos”. Doado aos sacerdotes e diáconos que ordenarão, aos jovens sempre “cheios de entusiasmo”, aos religiosos e religiosas, aos missionários, aos catequistas e às famílias, testemunhas de uma “generosidade silenciosa”. “O bispo – afirmou – é um homem que aprende cada dia mais a amar o seu povo: a conhecer as alegrias e as tristezas do seu povo, a partilhar os seus sonhos, a alegrar-se ao ver crescer as comunidades”.

Amem as pessoas que o Senhor lhes confiou. Aprendam seus nomes, ouçam suas histórias, entrem em suas casas quando puderem, rezem com elas.

Portanto, a “presença” é importante, especialmente nas Igrejas jovens: “Ela diz muito, mesmo antes das palavras”. “Uma visita, uma bênção, um tempo dedicado a um sacerdote, ouvir uma família, conversar com um jovem: são pequenos gestos, mas que podem permanecer na alma de uma pessoa por toda a vida”, assegurou o Papa Leão XIV.

Que os sacerdotes encontrem no bispo um pai e um irmão

Na mesma linha, ele exortou à “solicitude pastoral”, que “não significa simplesmente ter muitas responsabilidades”, mas sim demonstrar a verdadeira “paternidade episcopal”, “ter uma grande alma, grande o suficiente para acolher a todos”. A esse respeito, Leão XIV citou o Papa Francisco, que lembrou que “a proximidade é uma das características de Deus com o seu povo”. “Palavras preciosas para nós!” O Papa Prevost afirmou: “Que as pessoas sintam, através da nossa presença, algo da ternura e da paternidade de Deus! E isto vale de modo especial para os sacerdotes.”

Neste ponto, o Pontífice recomendou “amar” os sacerdotes, para que eles encontrem no bispo “um pai e um irmão”.

O Papa os convidou a escutar e encorajar os sacerdotes, a rezar por eles, se alegrar com o bem que fazem e acompanhá-los com confiança no seu ministério. Dediquem especial atenção aos idosos e aos doentes. Façam eles saber que são preciosos, que a Igreja lhes é grata e que o Bispo não os esquece. Por vezes, é suficiente um telefonema, uma visita, uma palavra de carinho da parte de vocês.

Um coração missionário aberto a todos

Leão XIV dirigiu uma palavra aos pastores das Igrejas “mais jovens”: “Vocês conhecem a beleza e também o trabalho da missão, de uma Igreja que talvez possua pouco, mas que é rica de uma grande fé. Por isso, convido-os a manter um coração missionário”, exortou o Papa. "O bispo missionário tem o coração aberto a todos: não só aos que frequentam as nossas paróquias, mas também aos cristãos de outras denominações, aos fiéis de outras religiões, às pessoas que não professam uma fé, a todos os homens e mulheres de boa vontade. Ele escuta e respeita a todos, aproxima-se de todos e sabe reconhecer o bem presente no coração de cada pessoa."

Caminhemos com o nosso povo: rezemos com ele, escutemos a Palavra com ele, celebremos a Eucaristia com ele. Busquemos a face do Senhor com ele todos os dias.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

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                                                                    Fonte: vaticanews.va    Foto: (@Vatican Media

Quarto Podcast “Discernimento Católico”

aborda democracia e desafios da política no Brasil

A democracia, a importância das instituições, a participação cidadã e a confiança no processo eleitoral brasileiro estão entre os temas do quarto episódio da série de podcasts “Discernimento Católico – Eleições 2026”. A iniciativa aprofunda os principais pontos da mensagem dos bispos ao Povo de Deus por ocasião das Eleições de 2026, aprovada pelo Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Neste episódio, dedicado ao tema “Democracia e desafios da política no Brasil”, participam o frei Jorge Luiz Soares, assessor de Relações Institucionais e Governamentais da CNBB; Melillo Diniz, perito do Grupo de Análise de Conjuntura Padre Thierry Linard e representante da CNBB no Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE); e Jardel Neves Lopes, secretário-executivo do Centro Nacional de Fé e Política (CEFEP).

Confira abaixo:

Democracia e valorização das instituições

Ao refletir sobre o Estado Democrático de Direito, frei Jorge Luiz Soares destaca que a organização política brasileira está fundamentada em leis e, especialmente, na Constituição Federal. Nesse modelo, explica, o poder não pertence a uma única pessoa ou grupo, mas deve ser exercido dentro de uma estrutura institucional e jurídica.

“Quando se reivindica a identidade do Brasil como Estado Democrático de Direito, significa dizer que ele tem uma Constituição, que ele tem normas, que ele tem leis a partir das quais é regida a vida política da nossa nação”, afirma.

Frei Jorge também chama a atenção para o fato de que a participação democrática não termina no voto. Depois das eleições, é necessário acompanhar a atuação daqueles que foram escolhidos pela população, tendo como horizonte a dignidade humana e a promoção do bem comum.

Nesse processo, segundo ele, as instituições governamentais, jurídicas e da sociedade civil exercem papel fundamental no acompanhamento da vida pública. Por isso, mesmo diante de crises e questionamentos sobre a atuação de pessoas que ocupam determinadas funções, é necessário distinguir os agentes das próprias instituições.

“As instituições são permanentes, são estáveis, ultrapassam as pessoas que as ocupam no momento atual”, ressalta. Para frei Jorge, preservar e valorizar as instituições é indispensável para uma sociedade que se reconhece como um Estado Democrático de Direito.

Participação política como exercício da cidadania

Melillo Diniz observa que problemas como desigualdade, corrupção, compra de votos, desinformação e abusos de poder fazem parte dos desafios históricos enfrentados pelo sistema político brasileiro. Para ele, as eleições de 2026 representam uma oportunidade para fortalecer a democracia e ampliar a participação cidadã.

“A democracia é sempre um processo de amadurecimento”, afirma. Ao recordar o processo de redemocratização do país e a Constituição Federal de 1988, Melillo destaca que a cidadania envolve direitos, mas também responsabilidades.

Inspirado no conceito da filósofa Hannah Arendt de cidadania como “o direito a ter direitos”, ele acrescenta a dimensão dos deveres e defende que a participação política deve ser compreendida também como responsabilidade do cidadão e do cristão.

“Um dos principais deveres do cidadão, mas também do cristão, é o dever da participação política”, afirma. Nesse sentido, Melillo ressalta a importância de superar o desencanto com a política e participar de forma consciente, inclusive por meio da escolha criteriosa dos candidatos.

Combate à corrupção eleitoral

Representante da CNBB no Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Melillo também recorda a atuação histórica da sociedade civil no aprimoramento da legislação eleitoral brasileira. Entre as iniciativas, cita a mobilização contra a compra de votos e o processo que resultou na Lei da Ficha Limpa.

Ele também destaca a atuação de organizações da sociedade civil na observação das eleições e a existência de comitês voltados ao combate à compra de votos e à corrupção eleitoral, que acompanham situações relacionadas a abusos de poder econômico, político e religioso.

Segundo Melillo, essas iniciativas demonstram que o fortalecimento da democracia não depende apenas das instituições públicas, mas também do envolvimento organizado da sociedade civil no acompanhamento do processo eleitoral.

Confiança no sistema eleitoral

Outro ponto abordado no episódio é a confiança nos mecanismos legítimos de apuração da vontade popular, destacada pelos bispos na mensagem para as eleições deste ano.

Melillo alerta para a disseminação de desinformação em períodos eleitorais e defende que cristãos e cidadãos tenham compromisso com a verdade. A partir de sua experiência como advogado eleitoral e observador de eleições, ele avalia que o sistema brasileiro passou por um amplo processo de aperfeiçoamento ao longo das últimas décadas.

“Nós temos um dos sistemas mais avançados do mundo”, afirma. Melillo destaca mecanismos como a identificação biométrica, a rapidez na votação e na apuração e os procedimentos de auditoria e fiscalização realizados por diferentes instituições.

Para ele, a segurança do processo é fundamental para assegurar que a escolha do eleitor seja respeitada e para fortalecer a democracia. “Essa festa da democracia tem que ser vivida com muito orgulho por todos nós brasileiros e, especialmente, por nós católicos, vivendo a verdade e trazendo a nossa participação política e cidadã”, afirma.

Subsídio ajuda comunidades a refletirem sobre as eleições

O episódio também apresenta o subsídio “Encontros de Reflexão e Oração para as Eleições de 2026”, preparado pelo Centro Nacional de Fé e Política (CEFEP). O secretário-executivo do organismo, Jardel Neves Lopes, explica que o material foi elaborado para auxiliar comunidades e grupos a refletirem, dialogarem e rezarem sobre a participação cidadã no contexto eleitoral.

“Esse subsídio foi pensado exatamente para ajudar as pessoas a refletirem, conversarem e rezarem sobre o processo de participação cidadã, de modo muito especial nas eleições de 2026”, explica.

O material reúne nove temas e articula a análise da realidade com a iluminação bíblica e os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja. Também propõe a utilização da Conversação no Espírito como método para favorecer a escuta, o diálogo e o discernimento sobre questões relacionadas à vida política.

Segundo Jardel, a proposta ganha relevância em um contexto marcado por dificuldades de diálogo e pela polarização em torno da política. “Quando propomos e conseguimos conjugar tudo isso em espaços de pequenos grupos para o diálogo, essa iniciativa se torna uma riqueza muito grande em nosso contexto social”, destaca.

Para ele, a reflexão conjunta pode ajudar os cristãos a compreenderem melhor sua responsabilidade na construção do futuro do país e a assumirem compromissos concretos com a cidadania e a democracia.

O episódio termina com uma oração conduzida por Jardel:

“Que o Deus da vida e da história mantenha sempre viva a chama da esperança na construção do Reino. Dê força, coragem e ânimo na missão de levar a consciência política e a maturidade na fé”.

A série “Discernimento Católico – Eleições 2026” aprofunda, a cada episódio, diferentes aspectos da mensagem dos bispos ao Povo de Deus para o período eleitoral, oferecendo elementos para a reflexão e o discernimento dos católicos diante das eleições deste ano.

Por Larissa Carvalho

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                                                                                                                    Fonte: cnbb.org.br

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Leão XIV na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira:

a dignidade humana é dom de Deus,
não depende de capacidades ou riquezas

Leão XIV dedicou a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (09/09) à dignidade da pessoa humana, tema abordado no primeiro capítulo da Constituição conciliar Gaudium et spes: “Comprometamo-nos a promovê-la e defendê-la sempre, com a luz e a força do Evangelho”, exortou.

O reconhecimento dos aspectos e dos direitos fundamentais da dignidade humana representa um dos capítulos mais significativos da história da humanidade. Essa trajetória, porém, ainda não terminou e deve enfrentar antigas e novas contradições que impedem sua plena realização. Foi o que afirmou o Papa Leão XIV na Audiência Geral desta quarta-feira, 9 de setembro, realizada na Praça São Pedro, com a presença de milhares de fiéis. 

Dando continuidade ao ciclo de catequeses dedicado à Constituição Pastoral Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, o Pontífice aprofundou o primeiro capítulo do documento, que apresenta a dignidade da pessoa como fundamento dos valores mais apreciados na sociedade. Esses valores, advertiu, não podem perder sua relação com a fonte divina, sob o risco de sofrer as distorções provocadas pela corrupção do coração humano.

Leia a íntegra da catequese do Papa Leão XIV 

Uma dignidade que precede cada pessoa

Ao apresentar a contribuição da Igreja para a compreensão da dignidade humana, Leão XIV retomou um trecho de sua recente encíclica Magnifica Humanitas:

“Cada pessoa, constitutivamente feita para a relação, é pensada e desejada por Deus para entrar numa história de comunhão com Ele, com os outros e com a criação. A sua dignidade não depende das capacidades que possui, das riquezas ou da função que desempenha, de escolhas certas ou erradas, mas é um dom que a precede e a ultrapassa, concedido por Deus como expressão do seu amor que nunca falha.”

A dignidade infinita do ser humano está, portanto, enraizada em sua identidade de criatura feita à imagem de Deus, capaz de conhecer e amar seu Criador. Na fé, explicou o Papa, é possível compreender o fundamento último dessa dignidade, pois Cristo, ao revelar o mistério do Pai e de seu amor, também revela plenamente o ser humano a si mesmo e lhe apresenta sua sublime vocação.

Um dom a ser partilhado

Ao explicar a dimensão relacional da pessoa humana, o Pontífice evidenciou que “Uma pessoa significa sempre relação, comunhão e participação com Deus e com os outros, portanto, uma relação filial com Deus Pai e uma relação fraterna com Cristo e com todos os homens. Exclui fechamentos autorreferenciais. Ser pessoa significa perceber-se como um dom a partilhar, crescendo e amadurecendo na acolhida, na reciprocidade e no serviço.”

Essa dignidade, acrescentou Leão XIV, é confiada à responsabilidade de cada indivíduo, mas exige também solidariedade e cuidado mútuo. Por isso, é necessário superar as inúmeras falsificações e manipulações que ainda desfiguram a percepção da dignidade humana e impedem sua realização. Ao longo da história, as escolhas contrárias à dignidade fizeram com que o ser humano se encontrasse dividido dentro de si, vivendo uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. Contudo, recordou o Papa, Cristo veio para libertar e fortalecer a pessoa, renovando-a interiormente e libertando-a da escravidão do pecado.

Não reduzir o corpo a um objeto

Segundo o Papa, a Gaudium et spes também chama a atenção para a unidade da pessoa humana: “A dignidade humana diz respeito à totalidade da pessoa e, por isso, as visões dualistas devem ser ultrapassadas: o ser humano é um ‘ser uno, composto de corpo e alma’. Reduzir o corpo a um ‘objeto’ de que se pode dispor arbitrariamente é sempre uma negação da dignidade da pessoa.” Por fim, Leão XIV recordou que, em Cristo, o ser humano recebe luz diante do mistério da dor e da morte e caminha em direção à ressurreição, e concluiu:

“Queridos irmãos e irmãs, criados à imagem de Deus, por meio de Cristo e para Ele, recebemos uma dignidade única e indelével. Comprometamo-nos a promovê-la e defendê-la sempre, com a luz e a força do Evangelho.”

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Assista:


Thulio Fonseca – Vatican News

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                                                      Fonte: vaticanews.va    Foto e vídeo: (@Vatican Media

Escutar para cuidar:

o papel da Igreja diante dos sofrimentos do nosso tempo

Em tempos de solidão e sofrimento, iniciativas da Igreja fortalecem a cultura da escuta e do acolhimento.

Gabi Bonvechio - Cidade  do Vaticano

A escuta ganhou particular destaque no caminho recente da Igreja. No processo sinodal convocado pelo Papa Francisco, ela é apresentada como uma dimensão essencial da vida eclesial, da formação e do acompanhamento pastoral.

O Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizado em 2024, chega a indicar a possibilidade de um ministério dedicado à escuta e ao acompanhamento, voltado especialmente a pessoas afastadas ou que buscam reaproximar-se da comunidade.

Ao apresentar o itinerário sinodal, em 2021, o Papa Francisco definiu o percurso como um “dinamismo de escuta recíproca”, lembrando que ouvir é o primeiro compromisso e que não se trata apenas de recolher opiniões, mas de escutar o Espírito.

A mesma perspectiva está presente no pontificado de Leão XIV. Em sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, publicada em 25 de maio de 2026 e dedicada à salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial, o Papa recorda a responsabilidade de construir uma sociedade na qual a dignidade de cada pessoa seja protegida e destaca o diálogo como parte da vocação da Igreja.

Na apresentação do documento, fez um convite a “aprender a ouvir uns aos outros, a enfrentar com coragem os desafios do presente e a cooperar na construção de uma sociedade mais humana e fraterna”.

A Igreja como primeira rede de apoio

Há um esgotamento que não vem do trabalho. Vem da saturação. Da avalanche de estímulos e do desamparo de se estar ao alcance de tudo, o tempo todo, mas nunca por inteiro. É o retrato do tempo presente, em que o ser humano nunca esteve tão conectado e, ao mesmo tempo, tão só.

Nas paróquias, esse cansaço tem chegado com nome, rosto e horário marcado. São pessoas que não procuram conselhos prontos nem milagres. O que buscam, muitas vezes, é algo mais simples e mais raro: alguém que as olhe nos olhos, sem pressa, e simplesmente as escute.

O Cônego Ramon Ferreira, pároco da Paróquia Sant’Ana, em Silvianópolis (MG), e especialista em psicanálise, explica que é comum que pessoas em sofrimento de ordem espiritual, psíquica e até civil procurem a Igreja como primeiro apoio. “O padre entra em momentos nos quais talvez nenhum outro profissional entre. Está presente no casamento, no nascimento dos filhos, nas crises familiares, na doença, numa perda, num velório. Muitas vezes conhece várias gerações da mesma família”, diz. “Além disso, existe uma dimensão muito particular no ministério sacerdotal: a pessoa sabe que pode falar de coisas muito íntimas, sobretudo no âmbito sacramental, onde existe o sigilo absoluto”, complementa.

Segundo ele, essa confiança exige responsabilidade para reconhecer os limites e saber até quando o acompanhamento espiritual é suficiente e a partir de que momento se faz necessário o cuidado de um profissional. Direção espiritual, psicoterapia e psiquiatria são realidades distintas que podem e devem conversar, mas não podem ser confundidas. “Considero muito perigoso quando alguém transforma tudo em problema espiritual. Uma depressão não é falta de fé. Uma crise de ansiedade não significa que a pessoa reza pouco. Isso pode inclusive aumentar a culpa de quem já está sofrendo”, alerta o cônego. “A fé pode ser uma enorme força no processo de recuperação, mas ela não nos autoriza a negar a realidade. Se eu quebro uma perna, eu rezo e vou ao ortopedista. Uma coisa não elimina a outra”.

Essa perspectiva reforça a importância de olhar para o ser humano em sua integralidade, sem dividi-lo em gavetas. Corpo, psiquism e espiritualidade estão interligados e, quando uma dessas dimensões sofre, as outras também sentem.

Nessa compreensão, fé e ciência não se colocam como rivais, mas como olhares distintos que se complementam no cuidado da mesma pessoa. Como destaca o cônego, “a graça não destrói a natureza; trabalha nela. Deus pode agir através de uma oração, mas pode agir também através de uma psicóloga competente, de um psiquiatra, de um medicamento bem indicado. Quando cada uma respeita seus limites, elas não concorrem. Elas se completam”.

Pastoral da Escuta: quando ouvir se torna uma missão

Foi diante das muitas demandas que chegam diariamente às paróquias, que nasceu a Pastoral da Escuta. Idealizada pelo padre passionista José Carlos Pereira, teólogo pastoralista e doutor em Sociologia, a iniciativa partiu da percepção de que o atendimento sacerdotal já não dava conta da procura e de que boa parte de quem chegava não buscava confissão, mas alguém que a ouvisse.“Surgiu de uma necessidade que constatei lá pelos idos de 2006, 2007, quando fui pároco de uma grande paróquia no interior de São Paulo. Havia uma demanda gigantesca. Éramos três padres, mas não conseguíamos atender todas as pessoas. Todos os dias, das oito da manhã às cinco da tarde, sempre tinha um padre de plantão. No entanto, a maioria não procurava a confissão. Começamos a perceber que boa parte queria apenas alguém que as escutasse, porque não tinha quem as ouvisse”, recorda.

A percepção deu origem a uma equipe de leigos preparada para oferecer escuta pastoral. O que começou como resposta a uma necessidade concreta de uma paróquia tornou-se uma experiência partilhada com outras comunidades e dioceses. O primeiro grupo tinha cinco pessoas, com plantões na igreja matriz e em duas capelas, em horários fixos.“Começamos a divulgar que havia esse serviço e começou a dar certo. As pessoas procuravam para desabafar”, lembra o padre. Segundo ele, muitas vezes nem era preciso dizer nada: “No final diziam: ‘muito obrigado por você ter me ouvido’”.Quando se tratava de matéria de confissão, o encaminhamento era feito ao sacerdote. A prática, que deu resultado na paróquia, acabou sistematizada no livro Pastoral da Escuta, para que outras comunidades pudessem implantar a proposta.

O sacerdote esclarece que não é necessário ter formação em psicologia para atuar. E, mesmo quando há psicólogos entre os agentes, a abordagem permanece distinta. “Deixamos muito claro que não se trata de escuta no âmbito psicológico nem no âmbito sacramental. Se tiver psicólogo, é muito válido, mas ali ele não vai usar ferramentas da psicologia. É uma escuta espiritual, no Espírito, teológica”, ressalta. “Muitas pessoas podem imaginar que é um trabalho marginal da psicologia, e não é”.

Na Diocese de Taubaté (SP), a psicóloga Raquel Irene de Macedo coordena a Pastoral da Escuta no Santuário Santa Teresinha. Mestra em Ciências pela USP e especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica, ela destaca que o serviço nasceu para oferecer acolhimento e escuta ativa, em atendimentos individuais, sigilosos e por busca espontânea, realizados em salas da igreja, com horário e duração delimitados.“Muitas vezes, a pessoa não precisa de uma resposta pronta ou de alguém que resolva o problema, mas de uma presença disponível, respeitosa e verdadeiramente interessada em escutá-la”, explica.Segundo Raquel, a preparação dos agentes é o pilar da pastoral. Além da boa vontade, é preciso preparo técnico, maturidade emocional e capacidade de se esvaziar para que o outro seja o centro. Os voluntários são formados para sustentar o silêncio sem julgar, aconselhar ou trazer a própria história, com formação humana e espiritual contínua, que inclui postura emocional, limites pastorais e técnicas de entrevista.

Para ela, a procura revela uma carência atual. “Muitas chegam trazendo situações difíceis, culpas, conflitos familiares, lutos ou ansiedades, sem encontrar um espaço onde possam falar sem julgamento. Vivemos em uma sociedade hiperconectada digitalmente, mas profundamente solitária”, observa. A coordenadora ressalta ainda o discernimento na escolha dos agentes. “O desejo de ajudar não se traduz automaticamente na aptidão para escutar. Quem chega querendo ser agente precisa, antes de tudo, ser cuidado. Outros trazem a ansiedade de dar conselhos e precisam aprender a arte do silêncio. O protagonista daquele momento nunca será o agente, mas a pessoa que fala à sua frente.”

O agente está ali para escutar e acolher, não para diagnosticar, tratar ou conduzir a vida da pessoa”, explica Raquel. Muitas vezes, a melhor intervenção é uma pergunta que ajude a pessoa a aprofundar o que vive. A própria escuta ativa permite identificar quando a demanda ultrapassa a proposta e exige encaminhamento. Em situações de crise ou risco, o cuidado é ainda maior. “Diante de sinais de ideação suicida, relatos de violência doméstica, surtos psicóticos ou depressão severa incapacitante, o agente é instruído a não conduzir sozinho. A postura é encaminhar para a rede intersetorial de cuidado e, em risco imediato, para os serviços de emergência”, orienta.

Implantada conforme as orientações do subsídio, a Pastoral da Escuta tem se mostrado uma resposta concreta que se soma aos demais serviços da Igreja. Ao lado da Pastoral da Acolhida, destaca-se hoje como uma das mais relevantes justamente por partir do princípio de que escuta é acolhimento. Em um contexto marcado por solidão e pelo aumento do sofrimento psíquico, o espaço da escuta olho no olho faz diferença. “Mais do que nunca isso é importante. As redes sociais não possibilitam aquela escuta olho no olho, de ser humano para ser humano. Mesmo que você tenha uma escuta a distância, nunca será igual a sentar ao lado de alguém que está ali para te ouvir, para te acolher, não para te julgar”, ressalta o padre José Carlos.

Esse chamado ganha ainda mais sentido em setembro, mês dedicado no Brasil à prevenção do suicídio. A Pastoral da Escuta reforça uma mudança de ênfase: menos respostas prontas e mais espaço para ouvir.

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                                                                         Fonte: cnbb.org.br    Imagem: osaopaulo.org.br