segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos
_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

Dia 3 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Missa na comunidade do Ribeirão Vermelho

19h - Terço das mulheres na matriz

______________________________________________________________________________

Dia 4 - Quarta-feira

18h45 - Missa em louvor a São José na matriz

19h30 - Palestra com psicólogos na matriz

______________________________________________________________________________

Dia 5 - Quinta-feira

7h - Missa na matriz

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Missa na comunidade da Bomba

_________________________________________________________________________________

Dia 6 - 1ª Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa na matriz

19h - Missa na igreja da Soledade

19h - Missa na comunidade do Goiabal

19h - Missa na comunidade da Serra da Usina

__________________________________________________________________________________

Dia 7 - Sábado

19h - Missa na matriz

19h - Missa na comunidade São Francisco

__________________________________________________________________________________

Dia 8 - Domingo

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa da festa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Missa na igreja de Santo Antônio

18h - Missa na matriz

___________________________________________________________________________________

Papa no Cemitério Monumental do Verano, em Roma:

rezemos pelos falecidos
e por quem hoje chora as dores da guerra

Na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, Leão XIV presidiu a Santa Missa no Cemitério Monumental do Verano, em Roma. Em sua homilia, o Pontífice recordou a esperança cristã diante da morte e rezou por aqueles que perderam uma pessoa querida, em particular pelas famílias atingidas pela violência das guerras.

Na tarde desta segunda-feira, 2 de novembro, o Papa Leão XIV se dirigiu ao Cemitério Monumental do Verano, em Roma, para celebrar a Santa Missa na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. Ao chegar, o Santo Padre deteve-se diante dos túmulos, recolheu-se em oração e ofereceu flores em memória daqueles que ali repousam.

Localizado na região central de Roma, o Verano é um dos cemitérios históricos e monumentais mais importantes da capital italiana. Com cerca de 83 hectares, reúne monumentos, esculturas, capelas e sepulturas que testemunham mais de dois séculos da história da Cidade Eterna. É o segundo ano consecutivo que Leão XIV escolhe o local para a celebração de 2 de novembro. Em 2025, no primeiro Dia de Finados de seu pontificado, o Papa também presidiu ali a Eucaristia.

Um lugar de “afeto e de esperança”

Ao iniciar a homilia, Leão XIV voltou o olhar para o significado da celebração realizada em meio às sepulturas:

“Reunimo-nos para celebrar a Eucaristia neste lugar de oração e de memória, de afeto e de esperança. Nós a oferecemos em sufrágio dos fiéis defuntos, em particular daqueles que aqui repousam e daqueles que cada um de nós traz no coração.”

O Papa recordou ainda que a Comemoração dos Fiéis Defuntos, celebrada no dia seguinte à Solenidade de Todos os Santos, orienta a oração para a esperança na vida eterna. À luz do Livro da Sabedoria, ressaltou a confiança nas mãos de Deus, capazes de guardar as almas dos justos, sobre as quais “nenhum tormento” terá poder.

As Bem-aventuranças diante da morte

A reflexão prosseguiu a partir do Evangelho das Bem-aventuranças. No cemitério, destacou o Pontífice, as palavras de Jesus ressoam com uma força espiritual particular: “As Bem-aventuranças são o caminho da vida plena e realizada, já agora e por toda a eternidade. Quando as ouvimos proclamadas na Liturgia — nós o sabemos —, é o Senhor Ressuscitado que nos fala. E este anúncio de salvação, que são as Bem-aventuranças, ressoa com particular força espiritual em um cemitério, que é como um limiar entre o aquém e o além, entre a existência terrena e aquilo que nos espera. Jesus Ressuscitado nos diz: bem-aventurados aqueles que vivem segundo este caminho, porque deles é o Reino dos Céus.”

As lágrimas das vítimas das guerras

Ao comentar a Bem-aventurança “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”, Leão XIV dirigiu seu pensamento às consequências da violência dos conflitos:

“Neste momento, queremos rezar por aqueles que perderam recentemente uma pessoa querida; em particular, por aqueles dos quais a absurda violência da guerra arrancou um ente querido. Que as lágrimas de tantas mães, de tantas crianças, de tantos idosos toquem a consciência daqueles que têm o poder de fazer calar as armas!”

São Francisco e a “irmã morte”

No oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis, o Papa evocou também as palavras acrescentadas pelo Santo de Assis ao Cântico das Criaturas quando percebeu que se aproximava o fim de sua vida: “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, / da qual nenhum homem vivente pode escapar. / Ai daqueles que morrerem em pecado mortal! / Bem-aventurados aqueles que ela encontrar em tua santíssima vontade, / pois a segunda morte não lhes fará mal.”

“Nosso vínculo não foi interrompido, mas transformado”

Na parte final da homilia, o Santo Padre voltou à esperança que nasce da fé em Cristo e à comunhão que encontra na Eucaristia a sua antecipação: 

“Queridos irmãos e irmãs, a fé em Cristo nos diz que o nosso vínculo com os fiéis defuntos não foi interrompido, mas transformado. Com a oração de sufrágio, acompanhamos os nossos entes queridos rumo à plena comunhão com o Senhor, aquela comunhão que, verdadeiramente, já experimentamos antecipadamente aqui, no Sacramento da Eucaristia.”

Leão XIV convidou, assim, os fiéis a prosseguir o caminho terreno com uma fé “repleta de esperança”, à espera do dia em que Deus “enxugará toda lágrima” e “não haverá mais morte, nem luto, nem clamor, nem dor”.

Ao final da celebração, o Santo Padre aspergiu e abençoou os túmulos. Em seguida, elevou a oração pelos falecidos: “Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso. Entre os esplendores da luz perpétua. Descansem em paz. Amém.”

Thulio Fonseca - Vatican News

_______________________________________________________________________
                                                  Fonte: vaticanews.va     Vídeo e fotos: (@Vatican Media

Finados:

quando a saudade se encontra com a esperança 

Dom Leomar Brustolin - Arcebispo de Santa Maria (RS)

O Dia de Finados nos coloca diante de uma experiência que nenhuma geração conseguiu evitar: a despedida daqueles que amamos. Um dia, alguém que fazia parte de nossa vida deixa de estar fisicamente conosco. Permanecem a fotografia, os objetos, as histórias, talvez uma cadeira vazia. E permanece sobretudo a saudade. Por isso, Finados não é simplesmente um dia dedicado aos mortos. É um dia em que os vivos são convidados a redescobrir o significado do amor, a acolher a dor da ausência e a renovar a esperança que nasce da fé. 

A Igreja não nos pede que escondamos a tristeza. Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro. Suas lágrimas revelam algo profundamente cristão: a fé na ressurreição não torna o coração insensível. Choramos justamente porque amamos. As lágrimas podem dizer aquilo que as palavras já não conseguem expressar. O próprio Filho de Deus conheceu a dor da separação e santificou, com suas lágrimas, o sofrimento humano. A fé não elimina o sofrimento provocado pela separação; oferece-lhe um horizonte. 

Há, entretanto, uma diferença decisiva entre recordar e simplesmente olhar para trás. Para o cristão, visitar um cemitério não significa procurar quem amamos entre os mortos. O corpo ali depositado merece todo respeito, porque participou de uma história, amou, trabalhou, sofreu, abraçou e foi templo do Espírito Santo. Mas a pessoa não está reduzida à sepultura. A esperança cristã proclama que a morte não destrói a identidade de quem partiu e que Deus chama a pessoa inteira à plenitude da ressurreição.  

É por isso que Finados é também dia de oração. Levamos flores, acendemos velas, cuidamos dos túmulos, recordamos nomes. Tudo isso possui beleza quando expressa amor. O gesto especificamente cristão, contudo, vai além: rezamos pelos falecidos. Não tentamos estabelecer com eles uma comunicação misteriosa nem buscamos sinais de sua presença. Nós os confiamos a Deus, suplicando que, em sua infinita misericórdia, os acolha na plenitude da vida eterna. A comunhão permanece, mas acontece em Cristo. Entre nós e aqueles que partiram não existe um vazio: existe o Deus dos vivos.  

A Eucaristia, por isso, ocupa um lugar singular neste dia. Santa Mônica, aproximando-se da morte, não pediu aos filhos grandes homenagens. Pediu algo muito mais simples e profundo: que se lembrassem dela junto ao altar do Senhor. Celebrar pelos falecidos significa colocá-los dentro da Páscoa de Cristo. Ali não oferecemos apenas nossa saudade; proclamamos que aquele que morreu e ressuscitou abriu uma passagem onde parecia existir somente um muro. 

Finados contém ainda uma pergunta dirigida aos vivos. Caminhar entre túmulos é encontrar silenciosamente muitas histórias concluídas. Pessoas que fizeram projetos, acumularam bens, tiveram preocupações, vitórias, conflitos e sonhos. Um dia, tudo aquilo ficou para trás. O cemitério relativiza muitas urgências que consideramos absolutas. Recorda-nos que a vida é preciosa justamente porque é limitada. Lembrar que morreremos pode nos ensinar a viver melhor, cultivar o essencial e reconhecer que cada dia é uma oportunidade de amar e servir. 

A fé cristã acrescenta algo ainda maior: nossa existência não caminha para o desaparecimento. São Paulo escreveu a uma comunidade que chorava seus mortos para que seus membros não permanecessem tristes “como os outros que não têm esperança” (1Ts 4,13). Ele não disse que os cristãos não ficam tristes. Disse que existe uma tristeza diferente: uma tristeza visitada pela esperança. A esperança cristã não é um consolo imaginário diante do inevitável, mas a confiança fundada na ressurreição de Jesus Cristo. Nele, a morte deixou de ser um destino sem retorno e tornou-se passagem para a vida que não conhece ocaso. 

No dia 02 de novembro, passado, presente e eternidade se aproximam. Agradecemos pelas vidas que fizeram parte da nossa; rezamos por aqueles que partiram; reconciliamo-nos com nossa própria finitude e renovamos a esperança no encontro definitivo com Deus. Ao deixar o cemitério, portanto, deveríamos sair um pouco diferentes de quando entramos. Mais conscientes de que o tempo é breve, mais dispostos a perdoar, menos preocupados com coisas pequenas, mais atentos às pessoas que ainda podemos abraçar.  

__________________________________________________
                                                                                                                     Fonte: cnbb.org.br

domingo, 1 de novembro de 2026

Papa no dia de Todos os Santos:

vocação nos interpela por escolhas de amor

A festa deste domingo (01/11) vem com um convite "cheio de esperança" de Leão XIV para se percorrer o caminho da santidade, sem cansar "de construir a paz, tanto nas situações mais importantes como nas da vida quotidiana". Afinal, "a santidade não é um privilégio para poucos, mas é uma vocação universal que interpela cada um de nós ali onde vivemos". Inspirados pela "multidão bem-aventurada" dos santos, espalhar o bem pelo mundo, com "gestos e escolhas de amor" e não "cálculos da ganância".

O Papa Leão XIV neste domingo (01/11), de Solenidade de Todos os Santos, cinco dias antes de partir para a viagem apostólica à América Latina, convida a "saborear a alegria daquela família incontável de homens e mulheres que, seguindo o Senhor Jesus, fizeram da sua vida uma oferta a Deus e ao próximo". Uma "multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" e que, nos diferentes percursos de santificação, desejaram um "amor infinito", recorda o Pontífice:

"Celebramos hoje todos os santos: aqueles já reconhecidos pela Igreja e também muitos que não o foram, mas que Deus conhece. Como nos recorda o Evangelho de hoje (Mt 5, 1-12), trata-se de pobres de espírito, mas ricos no amor de Deus. Têm rostos marcados pelas lágrimas, mas consolados na oração. São mansos perante a violência e recompensados pelo Pai. Famintos de justiça e saciados no íntimo da consciência. Dispostos ao perdão e abraçados pela misericórdia. Desarmados no coração, mas guardados por Deus. Construtores da paz, chamados por Ele pelo nome. Perseguidos e ofendidos, mas fortes na fé e na caridade."

A "multidão bem-aventurada" dos santos que escolhe o amor

As Bem-aventuranças do Sermão da Montanha são o caminho e a mensagem de Jesus, que São Mateus apresenta como um ensinamento do mestre. São "o bem que todos os santos espalharam à sua volta pelo mundo", de uma multidão impossível de contar porque, "na realidade, a santidade não se reduz a nenhum cálculo": os santos são "o sinal mais belo e forte do Reino de Deus". Com a graça de Deus, continua Leão XIV, essa "multidão bem-aventurada" das "mais diversas origens, culturas e situações de vida" gerou "gestos e escolhas de amor, que ultrapassam os cálculos da ganância e a prepotência do mal que, por vezes, parece prevalecer". 

Antes de rezar a oração mariana do Angelus com os fiéis presentes na Praça São Pedro, o Papa pede a intercessão de Nossa Senhora, "bem-aventurada por ter acreditado na palavra do Senhor", que "acompanhe os nossos passos no caminho da santidade, para que não nos cansemos de construir a paz, tanto nas situações mais importantes como nas da vida quotidiana". Afinal, conclui o Pontífice:

“A santidade não é um privilégio para poucos, mas é uma vocação universal que interpela cada um de nós ali onde vivemos. Esta é a mensagem cheia de esperança da festa de hoje: Deus vê o bem que nós não vemos, conhece histórias que nós não conhecemos, alcança corações aos quais não temos acesso.”

Andressa Collet - Vatican News

_______________________________________________________________________________

Assista:

_______________________________________________________________________
                                                    Fonte: vaticanews.va     Foto e vídeo: (@Vatican Media

Convite a ser considerado por todos nós:

Santificar o cotidiano

Dom Márcio Antonio Vidal de Negreiros, OSA - Bispo auxiliar de São Paulo

Em um tempo marcado pela pressa, pelo individualismo e pela superficialidade das relações humanas, a santidade cristã manifesta-se como testemunho de uma humanidade reconciliada. O Papa Francisco, na exortação apostólica Gaudete et Exsultate, recorda que a santidade não pertence apenas aos altares ou às grandes figuras da história, mas também aos “santos ao pé da porta”: homens e mulheres simples que vivem o Evangelho na fidelidade diária, no cuidado com os outros e na perseverança silenciosa do amor.

No contexto atual, a santidade revela-se menos pelo extraordinário e mais pela capacidade de ser e de permanecer humano, misericordioso e fiel em meio às fragilidades e contradições do mundo contemporâneo.

Santificar o cotidiano talvez seja uma das intuições mais belas e transformadoras da espiritualidade cristã. A fé católica, iluminada pelo mistério da Encarnação, recorda que Deus não se manifesta apenas em acontecimentos extraordinários, mas também na simplicidade dos dias comuns. O Concílio Vaticano II afirma que Cristo “trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana” (Gaudium et Spes, 22).

Isso significa que o cotidiano não é um espaço neutro ou sem valor espiritual, mas o lugar concreto em que Deus se deixa encontrar e o ser humano é chamado a responder, com amor e fidelidade, à sua presença.

A partir dessa certeza, a Igreja proclama a vocação universal à santidade. A constituição dogmática Lumen gentium, especialmente em seu capítulo V, ensina que todos os fiéis, independentemente de sua condição ou estado de vida, são chamados à perfeição da caridade. Essa santidade não se expressa apenas em gestos heroicos, mas também na fidelidade às pequenas tarefas, na paciência diante das contrariedades, na honestidade do trabalho e na caridade silenciosa. O ordinário torna-se caminho de transformação interior quando vivido em comunhão com Cristo.

Santo Agostinho, mestre da interioridade cristã, ilumina essa perspectiva com a afirmação:

“Ama e faze o que quiseres.”

Santo Agostinho — Comentário à Primeira Carta de São João, Tratado VII, 8.

Longe de qualquer permissividade, essa frase aponta para o essencial da vida cristã: quando o amor de Deus orienta o coração, até os gestos mais simples tornam-se expressão concreta de santidade. Para Agostinho, é justamente no cotidiano que o amor se prova, amadurece e se purifica.

Após celebrarmos o Tempo Pascal, culminado na Solenidade de Pentecostes, a liturgia da Igreja nos conduz novamente ao Tempo Comum, período que aprofunda a espiritualidade do cotidiano iluminado pelo Evangelho. Mais do que um intervalo entre grandes solenidades, este tempo nos convida a contemplar a vida pública de Jesus, marcada por gestos profundamente humanos: caminhar com o povo, ensinar, escutar, curar, acolher e partilhar a mesa.

O Tempo Comum educa o coração para reconhecer que a graça de Deus age de modo contínuo, discreto e fecundo na rotina de cada dia. A santidade não nasce apenas de experiências extraordinárias, mas da fidelidade humilde e perseverante que permite ao Evangelho transformar a vida ordinária em caminho de comunhão com Deus.

Nesse horizonte, o trabalho humano adquire profundo significado espiritual. Quando realizado com justiça, responsabilidade, competência e espírito de serviço, torna-se expressão concreta da presença de Deus no mundo e verdadeira oração encarnada. Também a vida familiar, comunitária e social constitui espaço privilegiado de santificação, no qual o amor se traduz em cuidado, diálogo, perdão e entrega cotidiana.

Santificar o cotidiano significa, portanto, permitir que o fermento do Evangelho transforme não apenas o coração humano, mas também as relações sociais, a cultura e as estruturas da sociedade. Assim, a vida inteira — pessoal e comunitária — torna-se espaço em que a graça pode florescer e o mundo é lentamente renovado a partir de dentro.

“Sede santos, porque vosso Pai celeste é santo.”

Cf. Mateus 5,48.

_____________________________________________________________

Dom Márcio Antonio Vidal de Negreiros, OSA - Bispo auxiliar de São Paulo

__________________________________________________
                                                                                                              Fonte: cnbbsul1.org.br

Reflexão para este domingo:

É bom crer

José Antonio Pagola

Muitas vezes se pensa que a fé é algo que tem a ver com a salvação eterna do ser humano, mas não com a felicidade concreta de cada dia, que é o que precisamente agora nos interessa. Além disso, há os que suspeitam que sem Deus e sem religião seríamos mais felizes. Por isso é conveniente lembrar algumas convicções cristãs que caíram no esquecimento ou ficaram encobertas por uma apresentação errada ou insuficiente da fé. Eis a seguir algumas delas.

Deus nos criou só por amor, não para seu próprio proveito ou pensando em seu interesse, mas buscando a nossa felicidade. A única coisa que interessa a Deus é o nosso bem.

Deus quer a nossa felicidade não só a partir da morte, na assim chamada “vida eterna’, mas agora mesmo, nesta vida. Por isso está presente em nossa existência potenciando nosso bem, nunca nosso dano.

Deus respeita as leis da natureza e a liberdade do ser humano. Não força a liberdade humana nem a criação. Mas está junto de nós apoiando nossa luta por uma vida mais humana e atraindo nossa liberdade para o bem. Por isso, em cada momento contamos com a graça de Deus para sermos o mais felizes possível.

A moral não consiste em cumprir leis impostas arbitrariamente por Deus. Se Ele quer que demos ouvidos às exigências morais que levamos dentro do coração, é porque seu cumprimento é bom para nós. Deus não proíbe o que é bom para o ser humano nem obriga ao que pode ser prejudicial. Ele só quer o nosso bem.

Converter-se a Deus não significa decidir-se por uma vida mais infeliz e fastidiosa, mas orientar a própria liberdade para uma existência mais humana, mais sadia e, em última análise, mais feliz, ainda que isso exija sacrifícios e renúncia. Ser feliz sempre tem suas exigências.

Ser cristão é aprender a “viver bem” seguindo o caminho aberto por Jesus. As bem-aventuranças são o núcleo mais significativo e “escandaloso” desse caminho. Caminha-se para a felicidade com coração simples e transparente, com fome e sede de justiça, trabalhando pela paz com entranhas de misericórdia, suportando o peso do caminho com mansidão. Este caminho traçado nas bem-aventuranças leva a conhecer já nesta terra a felicidade vivida e experimentada pelo próprio Jesus.

_______________________________________________________________________________

JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

____________________________________________________
                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

 

sábado, 31 de outubro de 2026

Catequese com o cardeal dom Odilo Pedro Scherer:

Enquanto vivemos a feliz esperança

O mês de novembro é marcado por duas comemorações litúrgicas cheias de significado: a solenidade de Todos os Santos e a comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. Essas celebrações católicas revelam muito sobre a antropologia cristã: à luz da fé da Igreja, como entendemos o ser humano, sua existência e sua ação neste mundo e seu futuro?

No Símbolo Apostólico da profissão de fé da Igreja, há algumas afirmações breves que podem ser recordadas nessas ocasiões: “Creio (…) na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna”. Além delas, podemos recordar o que afirmamos em nossa fé a respeito de Jesus Cristo: Filho único de Deus, que se fez homem e nasceu da Virgem Maria, padeceu a cruz, morreu, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos. O que na fé afirmamos sobre Jesus Cristo tem a ver com o ser humano. A constituição pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, ensina que o ser humano só é compreensível à luz de Cristo, único que revela o homem ao homem, qual é sua origem e o sentido de sua vida e de seu futuro.

Na solenidade de Todos os Santos, contemplamos “a multidão de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, vestindo vestes brancas e com palmas na mão, diante do trono do Cordeiro imolado”, cantando em uníssono um grande hino de louvor e ação de graças a Deus Pai e a Cristo Salvador (cf. Ap 7,9-10). E sentimos o desejo de estar com essa multidão feliz um dia. Essa cena é a expressão ideal do céu, da salvação realizada na plenitude, do novo céu e da nova terra, em que “não haverá mais morte, nem luto, nem choro, nem dor, porque as primeiras coisas terão passado”, porque Deus fará novas todas as coisas (cf. Ap 21,4-5). A festa solene de Todos os Santos nos convida a caminhar perseverantes, na esperança de alcançarmos a salvação em plenitude com todos aqueles que já alcançaram esse objetivo supremo da existência. Ao mesmo tempo, nos convida a sermos praticantes fiéis dos ensinamentos de Jesus Cristo e a cumprirmos generosamente a missão que Deus nos confiou neste mundo.

A comemoração de Todos os Fiéis Defuntos nos confronta com o nosso limite, a brevidade dos nossos dias neste mundo e o mistério da morte corporal. A Igreja recomenda que visitemos, nessa Comemoração, os túmulos dos falecidos, como um válido exercício de nossa fé. Assim, recordamos na oração “todos os irmãos que já partiram desta vida e dormem o sono da paz” (Oração Eucarística). A nossa oração e intercessão por eles, sobretudo oferecendo missa em favor deles, é uma grande caridade para com os que nos precederam na morte. Ao mesmo tempo, nossa visita aos túmulos dos falecidos serve como um choque de realidade para nós mesmos, pois nos recorda de que também nossa vida passa. Nossos dias e horas são preciosos e não sabemos quantos ainda nos serão concedidos. Cada dia é dom e graça de Deus, a ser acolhido com ação de graças e vivido intensamente na prática do bem e na busca de Deus.

Diante do mistério da morte, que levanta muitas interrogações e leva a angústias, qual é a resposta da nossa fé? Antes de tudo, cremos no Deus vivo, Senhor da vida, que não nos chamou para o aniquilamento, mas para a vida plena. Com o justo Jó, arruinado em sua saúde e resistindo à tentação do desespero e de não crer mais em Deus, dizemos também nós: “Eu sei que o meu Redentor vive e que, depois de tudo, ele se levantará sobre o pó (da morte). E nesta minha carne, eu verei a Deus” (cf. Jó 19,25-26). A vida eterna não será criação humana, mas graça de Deus criador e salvador. Se queremos viver para sempre na eternidade feliz, precisamos acolher o Deus da vida e confiar-nos a Ele nesta vida.

A tomada de consciência da finitude e precariedade de nossa vida nos faz pensar na importância de viver bem cada instante da preciosa e frágil vida neste mundo. Viver bem significa permanecer firmes na fé e confiantes em Deus, não se deixando corromper pelas muitas tentações, amando a Deus e ao próximo como Jesus nos ensinou, fazendo o bem a todos, cumprindo os deveres diários, vivendo em paz com todos. O pensamento da morte, portanto, em vez de nos deixar angustiados e prostrados, pode ser motivador para assumir a vida com responsabilidade renovada.

_________________________________________________________________
                                                                                         Fonte: osaopaulo.org.br