terça-feira, 1 de setembro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 2 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor ao São José na matriz

19h - Missa na comunidade da Serra da Usina

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Dia 3 - Quinta-feira

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Missa nas comunidades da Bomba e dos Moreiras

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Dia 4 - 1ª Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa na matriz

  19h - Missa na capela da Soledade    

19h - Missa na comunidade São Benedito no Goiabal

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Dia 5 - Sábado

7h - Missa na capela de Santa Ágata

  14h - Terço das crianças no Centro Pastoral São José

 18h - Terço do Movimento dos Restauradores do Imaculado Coração de Maria

  19h - Missa na matriz 

19h - Missa na comunidade São Francisco

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Dia 7 - 23º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Missa na igreja de Santo Antônio   19h - Missa na matriz

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Leão XIV renova convite a uma conversão ecológica:

"Ainda não é tarde demais"

A missa por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação foi celebrada nos jardins pontifícios de Castel Gandolfo, mais precisamente no Jardim de Nossa Senhora do Borgo Laudato si’. Foi utilizado o formulário da “Missa pelo Cuidado da Criação", fruto do caminho compartilhado entre os Dicastérios para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para a Doutrina da Fé e para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Em meio à natureza dos jardins pontifícios de Castel Gandolfo, Leão XIV presidiu na tarde desta terça-feira (1º/09) à Santa Missa por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que chega à sua 11ª edição. 

O dia 1º de setembro marca também, todos os anos, o início do Tempo da Criação -, caminho ecumênico de oração e comprometimento com o cuidado da Casa Comum, que se encerra em 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, de quem celebramos os 800 anos de falecimento. Trata-se de um período em que a Igreja, juntamente com as outras comunidades cristãs, é convidada a renovar seu compromisso com a Criação, deixando-se guiar pela oração, pela conversão e por gestos concretos de cuidado.

Colocar em "modo silencioso" as obras humanas para ouvir a voz da criação

Em sua homilia, o Pontífice comentou as leituras escolhidas especialmente para este Dia, em que nos são dirigidos dois convites à contemplação das obras do Senhor. O Livro da Sabedoria exorta a contemplar a beleza e o poder da criação para que possamos apreciar o seu Artífice (cf. Sb 13, 1-9). O Salmo 18 incentiva a erguer o olhar para contemplar os céus que proclamam a glória de Deus e o firmamento que anuncia a obra de suas mãos. "Toda a criação fala-nos da grandeza do Criador", recorda o Santo Padre, desde que o olhar e o coração estejam abertos a tão grande mistério. Também o texto evangélico de Mateus (cf. Mt 6, 24-34) convida à contemplação da criação, sublinhando o amor especial do Senhor pelo ser humano. 

Inspirado nesses textos sagrados, a exortação do Papa é para reservar alguns minutos de pausa na agitação das atividades quotidianas para saborear a grande harmonia da qual fazemos parte. 

“Coloquemos em “modo silencioso” todos os ruídos das obras humanas para ouvir a voz melodiosa da criação, na qual Deus, Autor de todas as coisas, nos fala.”

Papa se dirige ao Borgo Laudato si'


Ainda não é tarde demais!

Para o Santo Padre, este exercício contemplativo constitui um primeiro passo para uma autêntica conversão ecológica, onde os efeitos do nosso encontro com Jesus Cristo se tornam evidentes na nossa relação com o mundo que nos rodeia.

"Da contemplação da criação e do encontro com o Criador nasce a consciência do nosso lugar especial no maravilhoso plano de Deus e da nossa responsabilidade pessoal e coletiva no cuidado da harmonia original. Assim, da tomada de consciência das nossas falhas e erros, nasce um esforço renovado para restaurar as relações entre as criaturas segundo a vontade do seu Autor", afirmou Leão XIV.

Citando sua Mensagem para este Dia, o Papa retomou o apelo profético a “transformar as espadas em relhas de arados” (Is 2, 4), a transformar o mal em vida.

“Ainda não é tarde demais, e o Tempo da Criação convida-nos a uma profunda conversão: o que tem sido utilizado para a destruição pode ser redirecionado para a vida, para o cuidado dos pobres, para a alimentação dos famintos e para a salvaguarda da criação.”

Leão XIV encerrou sua homilia recordando seu predecessor, Papa Francisco, que por sua vez se inspirou no Pobrezinho de Assis para para escrever a sua Carta Encíclica Laudato si’. "Com São Francisco, queremos renovar o nosso compromisso de viver e promover aquela fraternidade universal que está inseparavelmente ligada ao dever de cuidar da criação." E recitou um trecho do Cântico de louvor de São Francisco:

"Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão Sol, […]Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Lua e pelas estrelas, […]Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento […].Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água […].Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo […].Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe Terra,que nos sustenta e governa."

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Assista:


Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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                                             Fonte: vaticanews.va    Fotos e vídeo: (@Vatican Media

Setembro - Mês da Bíblia

Livro de Daniel

Setembro é dedicado à Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, que deve ocupar lugar especial em nossa vida, pois, de acordo com São Jerônimo, “ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo”! Ou seja, para se ter o conhecimento sobre Deus e para amar de verdade a Deus, temos como uma das fontes mais importantes os Escritos Sagrados, por meio dos quais Ele se revela a nós e nos dá a mensagem de seu amor e de sua salvação.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, já há anos, propõe que, especialmente neste mês, tomemos conhecimento de um livro da Sagrada Escritura. Neste ano, o livro escolhido é o de Daniel, o quarto e último livro dos chamados profetas maiores da Bíblia. O livro surgiu em uma época de grandes perseguições e sofrimento do povo. Seu objetivo era animar as pessoas e fortalecer sua fé e fidelidade a Deus, aqueles que arriscavam a própria vida para trilhar os caminhos da salvação.

O livro não foi escrito por uma pessoa chamada Daniel e sim por um autor desconhecido, provavelmente um grupo piedoso dos “homens esclarecidos” é o redator da união de diversas histórias e momentos. O nome do livro vem de um recurso bíblico que consiste em atribuir a autoria a personagem importante do passado. Daniel fora um homem justo e sábio (cf. Ezequiel 14,14.20; 28,3), que, mesmo diante das ameaças de violência e morte, se tornou modelo de fidelidade e confiança em Deus.

O livro não narra apenas a história de uma pessoa, mas demonstra a fé de comunidades que permaneceram fiéis aos seus ideais no enfrentamento das perseguições e da morte no período em que governava um terrível perseguidor dos judeus, o rei Antíoco IV Epifanes (175-164 a.C.).

O autor utiliza a linguagem apocalíptica. O vocábulo apocalipse significa “revelação”. Por meio de sonhos, visões e símbolos, o livro demonstra uma verdade fundamental: “Deus continua se revelando como o Senhor da história, e os poderes que oprimem seu povo não são eternos, estão destinados a desaparecer”[1].

É nesse cenário de perseguições e martírios que o livro de Daniel anuncia a fé na ressurreição dos mortos. Essa esperança é uma resposta ao grande questionamento daqueles que eram perseguidos: vale a pena permanecer fiel até a morte? Daniel proclama que Deus fará justiça e que a vida dos justos não será perdida. A ressurreição torna-se sinal de que a fidelidade a Deus é mais forte que a morte, e de que o martírio não é derrota, mas vitória, caminho para a vida plena[2].

Daniel é modelo de oração e perseverança em meio às crises da vida. “No exílio babilônico, Daniel e seus amigos tornaram-se paradigma de coragem e fidelidade, sustentados por uma disciplina espiritual concreta e pública. A vida de Daniel nos ensina que a oração diária sustenta o coração em tempos de paz e de crise. Ela forma em nós confiança, discernimento e coragem para permanecermos fiéis quando tudo ao redor vacila. A oração pessoal e comunitária torna-se refúgio, força e caminho de transformação interior. Quem ora de verdade descobre que Deus vê o oculto, restaura a esperança e mantém firme o seu povo”[3].

Daniel é também exemplo de pessoa que age, que atua em defesa da justiça e defende quem sofre. É o que ocorreu com uma importante personagem do livro, Susana, que foi difamada e a quem foi atribuído um grande pecado. Daniel sai em sua defesa e, exigindo um julgamento justo, faz com seja reconhecida a sua inocência.

Por outro lado, o contexto de violência e perseguição da época também se fez presente na história da humanidade e hoje se revela com suas garras que oprimem nações e pessoas. Tem, portanto, a temática de Daniel atualidade e importância.

Conhecer, estudar e rezar com o livro de Daniel no mês da Bíblia é uma interessante forma de, à luz de seus ensinamentos, iluminar as crises pessoais e coletivas do mundo atual para firmar nossa fé n’Aquele que jamais nos decepciona e quer a realização e a salvação de todos os homens e mulheres que aspiram à vida plena em Deus.

Luiz Gonzaga da Rosa - Autor do livro Discípulos e missionários na paróquia (Paulus) e membro da Comissão de Formação Permanente da arquidiocese de Pouso Alegre

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[1] https://deg.paulus.com.br/9788534961080.pdf

[2] https://deg.paulus.com.br/9788534961080.pdf

  [3] Prof. Dr. Luiz Alexandre Solano Rossi – Vida pastoral n. 371 – Paulus Editora.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Reflita com dom Paulo Mendes Peixoto:

Seduções de hoje

Muita coisa da atualidade sensibiliza o coração das pessoas e, às vezes, somente pelas aparências. Compactuamos com situações de verdadeira sedução, que conseguem mudar nossos objetivos e nos levam para escolhas sem objetividade. São aparências que acabam influenciando em nossas atitudes. O profeta Jeremias se diz seduzido pelo Senhor, a quem entrega sua vida, para servi-lo (cf. Jr 20,7).

Ser seduzido por Deus implica, inevitavelmente, investir na dignidade da vida, mesmo que isto custe a nós ter que assumir conflitos e passar por momentos de dores, porque ela é um dom divino e de um inestimável valor. A atual mentalidade secularizada da cultura dificulta muito o seguimento da vontade de Deus e causa ação pessoal sem consistência e com vazio de objetividade.

O itinerário da vida humana não passa pelo prestígio que a pessoa tem diante dos outros, mas pela forma como são colocados em prática os gestos de amor de uns para com os demais. Esse amor se transforma em dom de si mesmo e em uma entrega pessoal para exaltar o valor próprio da vida na comunidade. Isto depende muito de um maduro discernimento e também atitude de responsabilidade.

É importante a gente não ser iludido pelas aparências, pois uma decisão imatura pode causar desilusão, desânimo e sofrimento. As aparências seduzem os olhares, as mentes e as escolhas. Também têm capacidade para enganar e conduzir as pessoas ao ridículo. Se Deus é sedutor, os frutos dessa ação é a comunhão com Ele, com os outros e com o mundo, fortalecendo a existência de cada pessoa.

Deixar-se ser seduzido por Deus é fazer a oferta da própria vida a Ele. Essa atitude faz com que haja um inconformismo com muita coisa da atualidade, principalmente com práticas e estruturas que privilegiam o espírito egoísta e injusto. Muitos corações e mentes estão fechados para uma cultura que seja libertadora. É preciso Caminhar, mas renunciando o espírito de orgulho e vaidade.

Seguir os caminhos de Jesus Cristo não é tão fácil, mas não significa impossibilidade, pois o ser humano consegue fazer escolhas determinadas e objetivas. Mesmo diante da verdadeira condição de vulnerabilidade, a vida é espaço de conquista de situações melhores. É uma questão de fidelidade aos ensinamentos de Deus e coragem na prática do bem. A luz do fim do túnel é chegar a eternidade.

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG) 

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                                                               Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

domingo, 30 de agosto de 2026

Papa no Angelus deste domingo:

onde termina a nossa lógica, começa a confiança.
Pedro e a difícil aprendizagem da fé

A grandeza de Pedro manifesta-se justamente na sua capacidade de deixar-se transformar por aquilo que Jesus lhe ensina. Depois de compreender que o Messias não veio para conquistar pelo poder, mas para entregar a própria vida, o apóstolo permanecerá fiel a Cristo até o fim, inclusive no martírio. A sua trajetória mostra que a fé não significa ter todas as respostas imediatamente, mas confiar o suficiente para continuar caminhando quando ainda não compreendemos tudo. Como Pedro, somos convidados.

"Efetivamente, também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos". A reação de Pedro diante da revelação de Jesus de sua Páscoa imininente, inspirou a reflexão de Leão XIV antes de rezar o Angelus diante da multidão aglomerada na Praça da Liberdade, diante do Palácio Apostólico, em Castel Gandolfo.

O Evangelho proposto pela liturgia neste XXII Domingo do Tempo Comum - começou explicando o Papa aos presentes - apresenta Jesus anunciando a seus discípulos que "deverá ir a Jerusalém, sofrer, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar". Uma revelação, que " está muito distante da imagem de um Messias triunfante e poderoso que os discípulos esperavam"

Pedro, que pouco antes havia proclamado sua fé em Jesus como «o Messias, o Filho de Deus vivo», reage com espanto e repreende o Mestre: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há de acontecer!». Sua atitude nasce de um amor sincero, mas também revela a dificuldade de aceitar um caminho de salvação diferente daquele que imaginava.

A reação de Pedro - recorda o Papa - toca uma realidade profundamente humana e presente também na experiência de fé de cada pessoa:

Efetivamente, também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos. Nessa altura, surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós.

E perante esta incerteza - explica o Santo Padre - Pedro, apesar da sua impulsividade, ensina-nos duas coisas importantes: primeiramente, é necessário manter sempre aberto o diálogo com o Senhor e apresentar-Lhe com confiança aquilo que trazemos no coração, inclusive nossas dúvidas, incompreensões e angústias:

A segunda, porém, é nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele nos está a revelar por meio da sua ação, mesmo quando isso não corresponde às nossas expectativas.

 Jesus repreende Pedro — «Afasta-te, Satanás!» — e deixa claro que o pensamento do discípulo ainda está preso à lógica humana. Para seguir Cristo, é preciso aceitar uma lógica diferente: negar a si mesmo, tomar a própria cruz e segui-lo. O caminho da salvação não passa pelo poder, pela imposição ou pela vitória segundo os critérios do mundo, mas pelo amor que se entrega, pelo sofrimento assumido com esperança e pela fidelidade à vontade do Pai. E a grandeza do Primeiro dos Apóstolos manifesta-se também na sua capacidade de deixar-se transformar por aquilo que Jesus lhe ensina:

Peçamos ao Senhor, então, que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-Lhe humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso, e, ao mesmo tempo, que saibamos cultivar a sua mesma docilidade, ao aceitar o que Ele nos pede para além das nossas expectativas.

Que Maria nos ajude - foi o pedido de Leão XIV ao concluir - ela que foi obediente aos desígnios de Deus até junto à Cruz do seu Filho Jesus.

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                                                        Fonte: vaticanews.va     Vídeo: (@Vatican Media

Reflexão para este domingo:

A Cruz é outra coisa

José Antonio Pagola

É difícil não sentir desconcerto e mal-estar ao ouvir mais uma vez as palavras de Jesus: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Entendemos muito bem a reação de Pedro que, ao ouvir Jesus falar de rejeição e sofrimento, “o toma à parte e se põe a censurá-lo”. Diz o teólogo mártir, Dietrich Bonhoeffer, que esta reação de Pedro “prova que, desde o princípio, a Igreja se escandalizou do Cristo sofredor. Ela não quer que seu Senhor lhe imponha a lei do sofrimento”.

Este escândalo pode tornar-se hoje insuportável para nós que vivemos no que Leszek Kolakowsky chama “a cultura de analgésicos”, essa sociedade obsediada por eliminar o sofrimento e mal-estar por meio de todo tipo de drogas, narcóticos e evasões.

Se quisermos esclarecer qual deve ser a atitude cristã, temos que compreender bem em que consiste a cruz para o cristão, pois pode acontecer que nós a ponhamos onde Jesus nunca a pôs.

Facilmente chamamos “cruz” tudo aquilo que nos faz sofrer, inclusive esse sofrimento que aparece em nossa vida, gerado por nosso próprio pecado, ou por nossa maneira equivocada de viver. Mas não devemos confundir a cruz com qualquer desgraça, contrariedade ou mal-estar que acontece na vida.

A cruz é outra coisa. Jesus chama seus discípulos para segui-lo fielmente e colocar-se a serviço de um mundo mais humano: o Reino de Deus. Isto é o principal. A cruz é apenas o sofrimento que nos virá como consequência desse seguimento; o destino doloroso que teremos de compartilhar com Cristo, se seguirmos realmente seus passos. Por isso não devemos confundir o “carregar a cruz” com posturas masoquistas, uma falsa mortificação, ou o que P. Evdokimov chama “ascetismo barato” e individualista.

Por outro lado, devemos entender corretamente o “renunciar a si mesmo”, condição que Jesus pede para carregar a cruz e segui-lo. “Renunciar a si mesmo” não significa mortificar-se de qualquer maneira, castigar-se a si mesmo e, menos ainda, anular-se ou auto destruir-se. “Negar-se a si mesmo” é não viver dependente de si próprio, esquecer-se do próprio “ego”, para construir a vida sobre Jesus Cristo. Libertar-nos de nós mesmos para aderir radicalmente a Ele. Em outras palavras, “carregar a cruz” significa seguir a Jesus dispostos a assumir a insegurança, a conflitividade, a rejeição ou a perseguição que o próprio Crucificado teve que padecer.

Mas nós crentes não vivemos a cruz como derrotados, mas como portadores de uma esperança final. Todo aquele que perde sua vida por Jesus Cristo a encontrará. O Deus que ressuscitou Jesus nos ressuscitará também para uma vida plena.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 29 de agosto de 2026

Reflita com o frei Almir Guimarães:

Perdas e ganhos

Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la (Mateus 16, 25)

Seguir Cristo significa por a própria vida dele por amor. Aquilo que por amor se perde, na realidade não é perdido, é dado. E o que é dado por amor, é reencontrado na relação. (Luciano Manicardi)

Normalmente no final de cada ano costuma-se fazer o balanço de uma loja, de um empreendimento, da vida de uma família ou de nossa vida pessoal. Costuma-se falar em perdas e ganhos. Os que já fizemos uma boa parte da caminhada gostamos de conhecer e reconhecer o que não deu certo, o que deu certo e o que poderia dar mais certo. Trata-se de uma atitude de prudência para desperdiçar o dom do tempo da vida. O evangelho de hoje fala curiosamente de perdas que são ganhos e ganhos que podem ser perdas.

Antes da audição do evangelho pouquíssimos versículos de Jeremias ocupam nossa atenção. Sente-se ele perseguido em sua missão de profeta. “A palavra tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. Disse comigo: Não quero mais lembrar-me disso, nem falar em nome dele”. Sente-se no limite de suas capacidade embora tenha sido seduzido pelo Senhor e fale de um fogo ardente a penetrar seu corpo todo. Mesmo assim ele não “quer falar em nome dele”.

O profeta não é alguém que diverte. Sua missão não é adivinhar o futuro, mas compreender o presente. Lançar uma luz que vem da Verdade e da Claridade para orientar os passos de seus ouvintes rumo a Deus. Ele capta a proximidade da luz do sol antes que chegue. Jean Sulivan diz que “o profeta é o diário de Deus”. Sofre, perde e morre. Ganha pela sua coerência e fidelidade a quem o seduziu. De forma alguma poderá ser infiel. O profeta fala de um claridade invisível. Novamente Sulivan: “Quem quiser falar do sol invisível, apresente-se todo ensolarado no meio das trevas. Filhos da luz, parai de provar e dizer: Deus…Deus… Apresentai-vos como aurora”.

Vivemos. Aprendemos a viver. Lutamos. Surge no horizonte de nossa vida a pessoa de Jesus a nos pedir seguimento efetivo, um colocar nossos passos nos seus passos, pede que olhemos o mundo com o seu modo de olhar, insinua que aqui e ali e quase sempre será preciso perder para ganhar. Será preciso não levar a sério a ofensa que foi feita e perdoar. Nem sempre todos os nossos desejos, por mais legítimos, podem ser satisfeitos ao nosso bel prazer. Há limitações naturais, incidentes desastrosos efeitos nossos ou causados por outros. Há desastres físicos, pessoais, familiares. Há esse vírus que mata. Há grãos de trigo para darem frutos aqui ou ali, agora ou depois. Mistério de morte e vida. Esperamos. Os que fomos seduzidos por Cristo daremos os testemunho custe o que custe. É a tal questão das perdas e ganhos.

Ressoam dentro de nós as palavras de Paulo aos Romanos: “Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovai vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que perfeito”. Trata-se da coragem de ser do Senhor no dia a dia: na lisura de todos os comportamentos, na defesa dos mais frágeis, na oposição a tudo o que minora o ser humano. Pouco importa se agradamos ou não.

Jesus anuncia sua morte. Causa escândalo. Pedro não aceita. O Mestre não tem a mentalidade de “vitimismo”. Assume livremente sua morte. Sua dolorida morte, mas acolhida sob o olhar do Pai que parecia silencioso e longínquo. “Em tuas mãos entrego o meu espirito”.

“O Senhor não esperou os teólogos para se explicar em poucas palavras. Todo o esforço de Deus desde a criação tem sido, por todos os meios, fazer o homem compreender que o amava. Esgotados todos os argumentos, apresenta a maior prova “Não há maior prova de amor que dar a vida por aqueles que amamos”. Eis tudo. Depois disso não há mais nada a dizer. Quem quiser que compreenda. Aí está o livro aberto sobre a cruz (…). Em vez de dizer que a Paixão foi a salvação para a humanidade, seria mais exato ver nela apelo: “Adão, onde estás?” É o grito que escapa de todas a chagas do crucificado e impede o autêntico cristão de dormir tranquilo” (Sulivan).

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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