segunda-feira, 29 de junho de 2026

29 de junho – Pedro e Paulo:

diferentes na missão, unidos no amor a Cristo

Dom Leomar Brustolin - Arcebispo de Santa Maria (RS)

Entre as grandes celebrações da Igreja, poucas possuem um significado tão profundo quanto a Solenidade de São Pedro e São Paulo. O Prefácio da Missa deste dia resume com admirável beleza, o lugar singular que ambos ocupam na vida da Igreja: Pedro foi o primeiro a proclamar a fé; Paulo, o mestre que a anunciou aos povos. Pedro reuniu os primeiros discípulos vindos de Israel; Paulo levou o Evangelho até os confins do mundo. Distintos em seus caminhos e dons, tornaram-se um só testemunho de Cristo. 

Pedro era pescador. Homem simples, impulsivo, marcado por generosidades e fragilidades. Foi ele quem, em nome dos discípulos, professou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Sobre essa fé, Cristo edificou sua Igreja. Paulo, por sua vez, era homem culto, cidadão romano, profundo conhecedor das Escrituras. De perseguidor dos cristãos, tornou-se ardoroso anunciador do Evangelho após encontrar-se com Cristo ressuscitado no caminho de Damasco. 

A Igreja não celebra dois homens iguais. Celebra dois santos profundamente diferentes. Um representa a estabilidade da rocha; o outro, o dinamismo da missão. Um guarda a unidade; o outro abre caminhos. Um confirma os irmãos na fé; o outro atravessa mares e fronteiras para anunciar Cristo. No entanto, ambos encontraram sua verdadeira identidade não em suas qualidades pessoais, mas na experiência transformadora do encontro e do amor ao Senhor. 

Num tempo em que tantas diferenças se transformam em divisões, Pedro e Paulo recordam que a unidade não exige uniformidade. A Igreja é rica justamente porque reúne diversos carismas, sensibilidades, culturas e vocações. A comunhão nasce quando todos reconhecem que Cristo é maior do que nossas preferências e opiniões e projetos pessoais. 

Os dois apóstolos terminaram seus dias em Roma, derramando o próprio sangue pelo Evangelho. Aquilo que começou de maneira tão diferente encontrou sua plenitude no mesmo testemunho de fé. A mesma cidade acolheu seus martírios; a mesma Igreja conserva sua memória; o mesmo amor a Cristo sustentou sua fidelidade até o fim. 

Pedro nos ensina a permanecer firmes. Paulo nos ensina a partir em missão. Juntos, recordam à Igreja de todos os tempos que a fé precisa de raízes profundas e de horizontes amplos. A rocha e o caminho, a unidade e a missão, a permanência e a saída missionária: eis o legado dos dois grandes apóstolos, que continuam a fortalecer a Igreja com sua intercessão e a inspirar os discípulos de Cristo pelo testemunho de suas vidas. 

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São Pedro e São Paulo 

Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo (RS)

Celebramos solenemente o martírio dos santos apóstolos Pedro e Paulo. “Pedro, o primeiro a confessar a fé em Cristo; fundou a Igreja sobre a herança de Israel; Paulo, mestre e doutor da fé, iluminou as profundezas do mistério e anunciou o Evangelho a todas as nações. Assim, por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, a mesma veneração”, reza o prefácio da missa da solenidade de São Pedro e São Paulo (Atos 12,1-11, Salmo 33(34), 2 Timóteo 4,6-8.17-18 e Mateus 16,13-19). Os dois prestaram o seu testemunho através de martírio em pouco tempo e espaço um do outro em Roma. Pedro foi crucificado e Paulo foi decapitado. 

A tradição cristã considerou Pedro e Paulo inseparáveis um do outro, embora cada um tenha tido uma missão diferente a cumprir na Igreja. Depois de Pedro professar que Jesus “é o Messias, o Filho do Deus vivo”; Ele lhe diz: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja”, “eu te darei as chaves” para “ligar” e “desligar”. Paulo confessa: “o Senhor esteve ao meu lado e me deu forças; ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações”. Com carismas e qualidades humanas diferentes trabalharam por uma única causa: o anúncio do Evangelho para construção da Igreja de Cristo. 

Através do Novo Testamento podemos reconstruir o itinerário da vida de Pedro e Paulo. Pedro era pescador no mar da Galileia. Durante uma pesca Jesus o chamou e seu irmão: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mc 1,17). A partir daí, iniciou uma extraordinária aventura de seguimento de Jesus na Galileia e na Judeia. Testemunhou todo a pregação do mestre, presenciou os acontecimentos pascais da prisão, condenação, morte e ressurreição de Jesus. Depois de ter recebido o mandato de anunciar o Evangelho anda pela Palestina, se transfere para Antioquia e termina a missão em Roma. Lá repousam seus restos mortais na Basílica de São Pedro. 

Paulo nasceu em Tarso, hoje sul da Turquia, filho de pais hebreus. Estava em Jerusalém durante os dias em que Jesus foi morto e ressuscitou estudando e aprofundando os escritos de Moisés e dos profetas. Um homem zeloso pelas tradições do seu povo. Quando surge a comunidade cristã a partir dos ensinamentos de Cristo, vê nela uma ameaça a ser combatida. Durante uma expedição para prender cristãos em Damasco acontece com ele um fato extraordinário. Uma forte experiência de Deus o derruba, e uma voz o chama:  “Saul, Saul, porque me persegues? Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor? A voz respondeu: Eu sou Jesus a quem estás perseguindo”. A partir daí sua vida tomou um novo rumo. De perseguidor dos cristãos se tornou um missionário que não mediu esforços, nem limites geográficos ou sofrimentos físicos ou morais o impediram de anunciar Jesus Cristo. Ao final da vida confessa: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim. Minha vida atual na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus que me amou e se entregou por mim” (Gal 2,20). “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. 

A solenidade de Pedro e Paulo recorda os fundamentos da Igreja. Ela é a comunidade edificada por Cristo que colocou como fundamento os apóstolos, entre estes merecem destaque Pedro e Paulo. Foram escolhidos por Cristo como primeiras pedras do edifício espiritual da Igreja. Nasce assim uma das características da Igreja. Somos uma Igreja apostólica.  

Hoje quem exerce a missão de São Pedro é Leão XIV, 267º Papa da Igreja Católica. O Código de Direito Canônico, no cânon 331, resume assim quem é o papa. “O Bispo da Igreja de Roma, no qual permanece o múnus concedido pelo Senhor de forma singular a Pedro, o primeiro dos Apóstolos, para ser transmitido aos seus sucessores, é a cabeça do Colégio dos Bispos, Vigário de Cristo e Pastor da Igreja Universal neste mundo”. 

Hoje todos os católicos são convidados a fazer o que fizeram os primeiros cristãos por Pedro: “a Igreja rezava continuamente a Deus por Pedro”. Supliquemos a intercessão de São Pedro e de São Paulo pelo Papa e por toda a Igreja. 

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Fonte: cnbb.org.br    Imagens: misericordia.com.br      imaculadaipiranga.org/br  

domingo, 28 de junho de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 30 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h - Celebração na comunidade dos Jacintos

19h30 - Reunião com a Pastoral Familiar - Preparação da Semana da Família

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Dia 1º de julho - Quarta-feira

19h - Missa em louvor a São José na matriz

19h - Celebração na comunidade do Uruguaia

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Dia 2 - Quinta-feira

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração nas comunidades da Ponte de Ferro e da Ponte do Neneco

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Dia 3 - 1ª Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

14h - Hora Santa seguida de missa na matriz

18h - Hora Santa seguida de missa na matriz

19h - Grupo de oração maranathá na capela da Soledade

19h - Celebração na comunidade dos Inácios

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Dia 4 - Sábado

9h -  Romaria arquidiocesana à Aparecida

19h -  Missa na matriz

19h -  Celebração nas comunidades São Francisco

19h -  Celebração na comunidade São Benedito de Áreas - Festa do Padroeiro

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Dia 5 - 14º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

11h -  Missa da festa de São Benedito na comunidade de Áreas

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Papa no Angelus deste domingo:

obcecados por ter e possuir, Jesus nos convida a abraçar a Cruz

No Angelus dominical, Leão XIV agradeceu aos peregrinos que, numerosos, compareceram à Praça São Pedro não obstante o calor. Muitos se refugiaram sob a colunata de Bernini para se reparar do sol e da onda de calor que atinge toda a Europa. Comentando o Evangelho do dia, o Pontífice indicou três atitudes: desapego, perda e acolhimento.

O forte calor em Roma - com máxima de 37 graus e sensação térmica superior - não impediu que milhares de pessoas comparecessem à Praça São Pedro para rezar o Angelus com o Papa Leão. Em sua alocução, o Pontífice comentou o Evangelho deste 13º Domingo do Tempo Comum, em que Jesus faz algumas exortações para vivermos o seguimento e sermos testemunhas do seu Reino. Não se trata de uma ação exterior, explicou o Papa, mas de nos dedicarmos totalmente a uma relação de amor com Ele. E para dar fruto, o amor requer três atitudes, como indicou o Santo Padre: desapego, perda e acolhimento.

Em primeiro lugar, o desapego. Jesus diz que quem ama mais os pais ou filhos não é digo Dele. Quando começa a enviar os seus Apóstolos em missão, o Senhor deseja que eles estejam livres de qualquer vínculo, pois até os afetos mais importantes encontram a sua plenitude graças ao amor que Cristo nos dá. Santo Agostinho afirma que «é doloroso separar-se do que se ama. Mas também o agricultor perde temporariamente o que semeia».

Amar também é perder

Neste sentido, o amor é também perda. É difícil compreendê-lo, afirmou o Pontífice, "especialmente num mundo no qual perder parece ser uma fraqueza e no qual se vive obcecados por ter e possuir. O amor, porém, só produz fruto ao doar-se". Ou seja, quando estamos dispostos a perder um pouco do nosso “eu” para dar espaço ao outro. Diz o Evangelho: Quem conserva a vida apenas para si mesmo, na realidade, perde-a, porque ela não se abre à alegria do amor e torna-se estéril.

“Por isso, Jesus convida-nos a abraçar a Cruz: Ele ofereceu-se, perdeu-se a si mesmo e, precisamente assim, pudemos receber a sua vida em abundância. Da mesma forma, se vivermos segundo a lógica do dom, também nós seremos capazes de gerar vida nova nas nossas relações.”

Por fim, o acolhimento. O amor, na verdade, expressa-se em escolhas e ações concretas, num empenho feito de pequenos gestos quotidianos. Jesus, ao enviar os discípulos à sua frente, pede-lhes para irem sem provisões, pois assim poderão suscitar acolhimento naqueles que encontrarem. Deste modo, acolhendo quem vem em nome de Jesus, acolhe-se a Ele e ao Pai celeste que O enviou. "O amor ao Senhor passa sempre pelo acolhimento dos irmãos", recordou.

Leão XIV concluiu pedindo que rezemos à Virgem Maria, que amou o seu Filho sabendo-o também perder: "Que Ela nos ajude a ser testemunhas humildes e alegres do amor de Cristo".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media) 

Reflexão para o seu domingo:

Nossa imagem de Jesus

José Antonio Pagola

A pergunta de Jesus: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” continua pedindo ainda uma resposta aos crentes do nosso tempo. Nem todos temos a mesma imagem de Jesus. E isto não só pelo caráter inesgotável de sua personalidade, mas, sobretudo, porque cada um de nós vai elaborando sua imagem de Jesus a partir de seus interesses e preocupações, condicionado por sua psicologia pessoal e pelo meio social ao qual pertence, e marcado pela formação religiosa que recebeu.

E, não obstante, a imagem que nos fazemos de Cristo tem importância decisiva para nossa vida, pois condiciona nossa maneira de entender e viver a fé. Uma imagem empobrecida, unilateral, parcial ou falsa de Jesus nos conduzirá a uma vivência empobrecida, unilateral, parcial ou falsa da fé. Daí a importância de evitar possíveis deformações de nossa visão de Jesus e de purificar nossa adesão a Ele.

Por outro lado, é pura ilusão pensar que alguém crê em Jesus Cristo porque “crê” em um dogma, ou porque está disposto a crer “no que a Santa Madre Igreja crê”. Na realidade, cada crente crê no que ele crê, isto é, no que pessoalmente vai descobrindo em seu seguimento a Jesus Cristo, ainda que, naturalmente, o faça dentro da comunidade cristã.

Infelizmente, não são poucos os cristãos que entendem e vivem sua religião de tal maneira que, provavelmente, nunca poderão ter uma experiência um pouco viva do que é encontrar-se pessoalmente com Cristo.

Já numa época bem cedo de sua vida se fizeram uma ideia infantil de Jesus, quando talvez ainda não se tinham feito, com suficiente lucidez, as questões e perguntas que Cristo pode responder.

Mais tarde não voltaram mais a repensar sua fé em Jesus Cristo, ou porque a consideram algo trivial e sem importância para sua vida, ou porque não se atrevem a examiná-la com seriedade e rigor, ou ainda porque se contentam em conservá-la de maneira indiferente e apática, sem eco algum em seu ser.

Infelizmente, não suspeitam o que Jesus poderia ser para eles. Marcel Légaut escrevia esta frase dura, mas talvez bem real: “Esses cristãos ignoram quem é Jesus e estão condenados por sua própria religião a não descobri-lo jamais”.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                                               Fonte: franciscanos.org.br   Imagem: vaticannews.va

sábado, 27 de junho de 2026

Papa encerrao Consistório:

Deus deseja a paz. A violência não terá a última palavra.

Leão XIV conclui o encontro com os cardeais com a esperança renovada: "Estes dias fortalecem minha esperança. Não apenas pelo que compartilhamos, mas pela maneira como o fizemos. Em uma época marcada pela polarização, até mesmo a maneira como a Igreja escuta e dialoga torna-se parte de seu anúncio".

"Desejo expressar a nossa solidariedade — minha e de todo o Colégio Cardinalício — à população da Venezuela, duramente atingida pelo violento terremoto dos últimos dias." Antes de passar às considerações finais do Consistório Extraordinário, o Papa Leão dirigiu seu pensamento aos venezuelanos, assegurando orações pelas vítimas, por suas famílias e por todos aqueles que sofrem as consequências da tragédia ocorrida quarta-feira passada. O Pontífice confiou ao Senhor todos aqueles que estão empenhados nos trabalhos de socorro, pedindo a solidariedade da comunidade internacional.

Cardeais reunidos, motivo de consolo e de esperança

Já aos cardeais que participaram desses dois dias de reuniões, o sentimento do Santo Padre foi de gratidão "pela liberdade, pela fraternidade e pelo espírito eclesial" com que participaram dos trabalhos. "Levo comigo não apenas o conteúdo de suas reflexões, mas também a experiência que as tornou possíveis", afirmou. 

“Ver cardeais provenientes de Igrejas, culturas e situações tão diversas ouvindo-se mutuamente e buscando juntos o que melhor serve ao Evangelho foi para mim motivo de consolo e de esperança.”

Se a imagem do bom samaritano guiou o início do evento, Leão XIV concluiu com a imagem dos discípulos de Emaús: "Caminhamos juntos, ouvimos uns aos outros e, se deixamos espaço para o Senhor, Ele reacendeu a esperança em nossos corações e agora nos remete às nossas Igrejas para retomarmos a caminhada com um olhar renovado".

Clima fraterno na Sala Paulo VI


Sinodalidade, um estilo espiritual

Esse caminho traz à tona o tema da sinodalidade. A questão, afirmou, não é sobre quem tem o poder de decisão, mas como guardar juntos o dom que o Senhor confiou à sua Igreja. "Quando essa pergunta se torna o centro do nosso discernimento, também as questões da autoridade, da corresponsabilidade e das decisões encontram seu devido lugar", disse o Papa, confiando aos cardeais, mais uma vez, o caminho de implementação do Sínodo nas Igrejas particulares.

Citando o pronunciamento do cardeal Grech, o Pontífice reiterou que a sinodalidade não é um conjunto de reuniões nem um método de trabalho. "É um estilo espiritual", em que se destaca a qualidade evangélica dos encontros, não o número. 

De um coração reconciliado podem nascer palavras desarmadas

Em seguida, o Santo Padre falou dos assuntos debatidos, como guerras, violência, pobreza e injustiças. Por trás dessas dramas, os cardeais reconheceram um sofrimento ainda mais profundo: a solidão, a crise das relações, a perda da esperança, a dificuldade de se reconhecerem mutuamente como irmãos e irmãs. Isso impacta sobretudo a vida dos jovens e das famílias. A propósito, o Papa citou o encontro de outubro com os líderes das Igrejas orientais e os presidentes das Conferências Episcopais para avaliar os passos dados após a Amoris laetitia, inclusive com a participação de algumas famílias para compartilharem suas experiências. 

Essas feridas, disse ainda Leão, revelam o coração do homem: "É justamente ali, no coração, que se decide também a paz. Antes de se manifestar na história, a guerra nasce dentro de nós, quando a desconfiança toma o lugar da confiança, o medo, da esperança, e o outro é percebido como uma ameaça. Mas é nesse mesmo coração que Cristo continua a nos encontrar, a falar conosco e a nos converter. De um coração reconciliado podem nascer palavras desarmadas, novas relações e uma paz capaz de alcançar até mesmo os povos".

O Papa chegando para os trabalhos   (@Vatican Media)

Não violência e legítima defesa

O Pontífice declarou-se satisfeito com as reflexões sobre a Encílica Magnifica humanitas, que adverte para uma cultura do poder que permeia nossa maneira de pensar, de lidar com a economia, a tecnologia e até mesmo com a religião.

Isso exige reconstruir a cultura de cooperação e do diálogo, inclusive ecumênico e inter-religioso, dando nova força também ao multilateralismo. O Papa definiu "valiosa" a abordagem dos cardeais sobre a não violência. "Trata-se de uma forma profundamente evangélica de viver a história, fruto da contemplação da maneira de agir de Jesus. Não consiste em renunciar ao conflito nem em adotar uma atitude passiva, mas em optar por enfrentá-lo sem reproduzir sua lógica. (...) Essa é a força do Crucificado ressuscitado: uma força que não destrói o inimigo, mas torna possível reencontrar um irmão." Nessa perspectiva, Leão XIV defendeu o aprofundamento do tema da legítima defesa, com o necessário rigor teológico e pastoral. 

A Igreja é chamada a tornar-se cada vez mais aquilo que proclama

A Doutrina Social da Igreja e o bem comum também foram citados, assim como a importância do testemunho, da proximidade, da formação das consciências e da construção de comunidades fraternas e confiáveis. "A Igreja é chamada a tornar-se cada vez mais aquilo que proclama", afirmou, ressaltando a necessidade de reformas das estruturas, das instituições e dos processos:

“Estes dias fortalecem minha esperança. Não apenas pelo que compartilhamos, mas pela maneira como o fizemos. Em uma época marcada pela polarização, até mesmo a maneira como a Igreja escuta e dialoga torna-se parte de seu anúncio.”

O próprio evento destes dias faz parte deste diálogo. Não se trata de um parlamento nem de um congresso em que prevalecem opiniões ou interesses, "mas uma experiência de comunhão a serviço da missão", afirmou Leão XIV anunciando que até o final do ano comunicará a data de um novo Consistório:

"Este Consistório foi um momento precioso, mas não deve permanecer um evento isolado", disse o Papa. Ouvir-se, rezar, discernir e caminhar juntos é a essência do caminho de implementação do Sínodo, acrescentou, afirmando que este será também o espírito do próximo encontro dedicado à Amoris laetitia e de muitas outras iniciativas futuras. "O que importa não é multiplicar os encontros, mas aprender a viver encontros nos quais, ao nos ouvirmos mutuamente, aprendamos juntos a ouvir o Senhor."

A foto de grupo




A violência não terá a última palavra

Por fim, uma palavra sobre a paz, que surgiu como um apelo unânime neste Consistório: "Deus deseja a paz para cada nação e para cada povo. Por isso, não devemos nos resignar à violência. A violência não terá a última palavra. Deus continua a abrir, na história, caminhos de reconciliação e de paz. Temos a responsabilidade de trilhá-los com coragem e de ajudar o mundo a reconhecê-los".

Leão XIV se despediu agradecendo "de todo o coração" pela contribuição dos cardeais: "Obrigado por me ajudarem, mais uma vez, a reconhecer a obra que Cristo continua a realizar no meio de seu povo e no mundo. Confiemos os frutos deste Consistório à intercessão da Virgem Maria, Mãe da Igreja. Que ela nos ensine a preservar a unidade na diversidade e a servir o Evangelho da paz com humildade, coragem e esperança".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media) 

Coleta para o Óbolo de São Pedro contribui

para a missão do Papa e ocorre neste final de semana

No próximo domingo, dia 28 de junho, quando a Igreja no Brasil celebra a Solenidade de São Pedro e São Paulo, será realizada a coleta do Óbolo de São Pedro. Essa iniciativa também é realizada em todo o mundo como forma concreta de apoiar o Santo Padre na sua missão ao serviço da Igreja universal.

O Óbolo de São Pedro é considerado um gesto concreto de comunhão com o Santo Padre e de solidariedade com a sua missão de levar o Evangelho por todo o mundo. Os recursos contribuem desde o anúncio do Evangelho até a promoção do desenvolvimento humano integral, da educação, da paz e da fraternidade entre os povos.

As doações para o Óbolo de São Pedro também contribuem para a missão pontifícia que se estende a todo o mundo por meio das atividades de serviço desenvolvidas pelos dicastérios, entidades e organismos da Santa Sé, além das iniciativas caritativas do Santo Padre em favor das pessoas e famílias em dificuldade, as populações afetadas por catástrofes naturais ou guerras, e aquelas que necessitam de assistência humanitária ou ajuda para o desenvolvimento.

Dia do Papa no Brasil

Aqui no Brasil, por determinação da VII Assembleia da CNBB, há a motivação de piedosa e generosa contribuição na coleta do Óbolo de São Pedro. As indicações daquela ocasião dizem respeito à comemoração do Dia do Papa, com pregações e orações que traduzam amor, comunhão, respeito e obediência ao Vigário de Cristo na terra, Cabeça da Santa Igreja universal em todas as igrejas e oratórios, mosteiros, conventos e colégios.

Luiz Lopes Jr

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 Fonte: cnbb.org.br

Reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

Chispas e lampejos do Papa Francisco

Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja

Celebramos com muita alegria a memória de Pedro e Paulo, dois baluartes de nossa Igreja. Impulsionados pela força do alto os dois chegaram até Roma: Pedro o primeiro bispo de Roma e pastor da Igreja universal; Paulo, o andarilho, o lutador, o corajoso empreendedor, o inflamado. O Prefácio desta solenidade faz uma solene declaração a respeito das duas colunas: “ Hoje (Pai santo), vós nos concedeis a alegria de festejar os apóstolos São Pedro e São Paulo. Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação”.

A Igreja vai fazendo seu caminho ao longo dos milênios, santa e imaculada, mas sempre precisando que seus membros, santos e pecadores, se animem e tomem gosto pelo projeto de Jesus.

Neste dia do Papa, queremos enriquecer este momento com palavras do próprio Papa Francisco a quem aprendemos a estimar com filial afeto:

♦ A medida de Deus… é sem medida

O Papa conversa sobre o amor, mas o amor a todo e um amor sem medida.

Qual é a medida de Deus? Sem medida! A medida de Deus é sem medida! Tudo! Tudo! Tudo! Não pode ser medido o amor de Deus: é sem medida! E então nos tornamos capazes de amar até aqueles que não nos amam, e isso não é fácil… amar a quem não nos ama… Não é fácil! Porque sabemos que uma pessoa não nos ama também somos levados a não amar. Mas não!

Devemos amar também aqueles que não nos amam! Opormo-nos ao mal com o bem, perdoando, compartilhando, acolhendo. Graças a Jesus e seu Espírito, também a nossa vida se torna “pão repartido” para nossos irmãos. E vivendo dessa maneira, descobrimos a verdadeira alegria. Alegria de ser um presente, para retribuir o grande dom que nós, primeiramente, recebemos, sem merecimento nosso. Isso é belo: nossa vida se torna um presente! Isto é imitar Jesus, eu gostaria de lembrar estas duas coisas: Primeiro: a medida do amor de Deus é sem medida. Isso está claro? E a nossa vida com o amor de Jesus, recebendo a Eucaristia, se torna um dom como foi a vida de Jesus. Não se esqueça destas duas coisas: a medida do amor de Deus é amar sem medida. E seguindo Jesus, nós, com a Eucaristia, façamos de nossa vida um presente. (Angelus, 22 de junho de 2014)

♦ Reze com sua família

Que beleza quando os membros de uma família colocam-se juntos diante de Deus. O Papa sugere e deseja que as famílias rezem no sacrossanto espaço do lar.

Vocês costumam rezar em família? Alguns sim, eu sei. Mas muitos me dizem: Como se faz isso? Faz-se como fez o publicano, é claro, humildemente, diante de Deus. Cada um, humildemente, se coloca diante do Senhor e lhe pede sua bondade, que ele venha até nós. Mas, em família, como se faz? Porque parece que a oração é algo pessoal e, além disso, nunca se tem um momento adequado, tranquilo em família… Sim, é verdade mas é também questão de humildade, de reconhecer que precisamos de Deus, como o publicano! E todas as famílias têm necessidade de Deus: Todas! Necessidade de sua ajuda, de sua força, de sua bênção, de sua misericórdia, de seu perdão! É preciso simplicidade para rezar em família. Rezar juntos o Pai-nosso ao redor da mesa não é algo extraordinário, é fácil . Rezar o rosário em família, é muito bonito, fortalece tanto. E também rezar um pelo outro, o marido pela mulher e a mulher pelo marido, ambos juntos pelos filhos e dos filhos pelos pais, pelos avós… Rezar um pelo outro: isso é rezar em família, e isso fortalece a família, a oração (Homilia, 27 de outubro de 2013).

 A Igreja que eu amo

Sim, a Igreja é para ser amada. Ela é esposa do cordeiro. Ela nasceu do lado aberto de Jesus e no fogo de Pentecostes. Queridos amigos, esta é a Igreja, esta é a Igreja que todos nós amamos, esta é a Igreja que eu amo: uma mãe que se importa com o bem de seus filhos e que é capaz de dar a vida por eles. Nos não devemos esquecer, porém, que a Igreja não são apenas os sacerdotes ou nos bispos; somos todos! Todos somos a Igreja! Tudo bem? Além disse, nós também somos filhos, mas também mães de outros cristãos. Todos os batizados, homens e mulheres, juntos somos a Igreja. Quantas vezes, em nossa vida não damos testemunho dessa maternidade da Igreja’! Quantas vezes somos covardes! (Audiência geral, 3 de setembro de 2014).
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Fonte: franciscanos.org.br   Imagem: (@Vatican Media)