sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Leão XIV em carta:

mais formação litúrgica
para todos, seguindo os textos aprovados

Na carta enviada ao cardeal Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, por ocasião do encontro que ocorre de 14 a 19 de agosto na abadia beneditina de Mount Angel, em Oregon, nos Estados Unidos, para refletir sobre as diretrizes traçadas pela Carta Apostólica do Papa Francisco "Desiderio desideravi", Leão XIV incentiva iniciativas para que todo o povo de Deus seja formado na liturgia e na 'ars celebrandi'. A preparação dos sacerdotes é prioritária.

A Abadia de São Bento de Mount Angel, em Oregon, nos EUA (©Mount Angel Abbey)

Para garantir uma “formação litúrgica em todos os níveis” na Igreja, é necessário “explorar caminhos concretos”. É o que escreve o Papa na carta dirigida ao cardeal Arthur Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, na qual dirige uma mensagem a cardeais, bispos e leigos, de diversas origens e experiências eclesiais, reunidos a partir desta sexta-feira, 14 de agosto, até a próxima quarta-feira (19/08), na abadia beneditina de Mount Angel, em Oregon, nos Estados Unidos, para uma reflexão conjunta sobre a formação litúrgica do povo de Deus. O encontro foi organizado para aprofundar as considerações que surgiram na última assembleia plenária do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, realizada de 6 a 9 de fevereiro de 2024, justamente sobre o tema, retomado pelo Papa Francisco na Carta Apostólica Desiderio desideravi.

Promover uma formação adequada na liturgia

Referindo-se ao documento do seu predecessor, Leão XIV reitera “a necessidade de uma formação atenta e contínua, tanto do clero como dos leigos, a fim de revitalizar a vida litúrgica da Igreja universal”, mas ressalta que a formação dos presbíteros é prioritária, pois a eles cabe a tarefa de “tomar os fiéis pela mão e acompanhá-los no conhecimento dos santos mistérios”. “As primeiras oportunidades práticas de formação litúrgica ocorrem na nossa prática regular de nos reunirmos todos os domingos para celebrar a Eucaristia”, destaca o Papa, acrescentando que as missas dominicais “estão ancoradas no ritmo anual do ano litúrgico, tendo no seu centro o Mistério Pascal”, e por isso devem ser “profundamente formativas”. Deve-se, portanto, promover “uma compreensão cada vez mais profunda da ars celebrandi, expressa não apenas pelo celebrante da liturgia, mas também por toda a assembleia”. Assim, com “uma educação adequada e um culto celebrado, os católicos serão formados para a liturgia como pela liturgia”.

Seguir os textos aprovados

O Pontífice também recomendou, “a fim de promover a celebração digna dos santos mistérios”, a necessária “fidelidade aos textos e às instruções aprovados”. Daí o convite a todos aqueles que “são chamados a preparar a celebração dos mistérios divinos, e em particular” aos “sacerdotes”, já dirigido nas “recentes catequeses sobre a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum concilium”, a respeitar “os ritos promulgados pelo Papa São Paulo VI e pelo Papa São João Paulo II”, com uma “atitude interior de abertura e confiança em Deus”, que exige “humildade diante da sua grandeza e sincera fidelidade à comunhão eclesial”.

Um discernimento espiritual

Os encontros na Abadia de Mount Angel pretendem ser uma forma de dialogar em um contexto de oração, de se deixar “formar pela liturgia”, como exorta a Desiderio desideravi, e de refletir em conjunto a fim de chegar à definição de propostas compartilhadas, concretas e operacionais. Em um comunicado, o Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos explica que a iniciativa foi concebida, não tanto como um congresso de estudos, mas como “um tempo de discernimento espiritual sobre o tema da formação litúrgica, para prosseguir no caminho traçado pela Sacrosanctum Concilium”. Na carta endereçada ao cardeal Roche, Leão a confia a “Maria, Sede da Sabedoria” e concede a todos a bênção apostólica.

Tiziana Campisi – Vatican News

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  Fonte: vaticanews.va     Foto: (@Vatican Media

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Ap 11,19a;12,1.3-6a.10ab

Leitura do Apocalipse

Abriu-se o Templo de Deus que está no céu e apareceu no Templo a Arca da Aliança. Então apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.

Então apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O Dragão parou diante da Mulher, que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu Filho, logo que nascesse. E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. A Mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar.

Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo”.

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Responsório: Sl 44

— À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir.

— À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir.

— As filhas de reis vêm ao vosso encontro,/ e à vossa direita se encontra a rainha/ com veste esplendente de ouro de Ofir.

— Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:/ “Esquecei vosso povo e a casa paterna!/ Que o Rei se encante com vossa beleza!/ Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!

— Entre cantos de festa e com grande alegria,/ ingressam, então, no palácio real”.

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2ª Leitura: 1Cor 15,20-27a

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.

A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força. Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Com efeito, “Deus pôs tudo debaixo de seus pés”.

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Evangelho: Lc 1,39-56

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas
Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, às pressas, a uma cidade da Judéia. 40 Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito exclamou: «Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu.»

Então Maria disse: «Minha alma proclama a grandeza do Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Doravante todas as gerações me felicitarão, porque o Todo-poderoso realizou grandes obras em meu favor: seu nome é santo, e sua misericórdia chega aos que o temem, de geração em geração.

Ele realiza proezas com seu braço: dispersa os soberbos de coração, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias. Socorre Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, – conforme prometera aos nossos pais – em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre.» Maria ficou três meses com Isabel; e depois voltou para casa.
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Reflexão do padre Johan Konings:

A mãe gloriosa e a grandeza dos pobres

Em 1950, o Papa Pio XII definiu a Assunção de Maria como dogma, ou seja, como ponto referencial de sua fé. Maria, no fim de sua vida, foi acolhida por Deus no céu “com corpo e alma”, ou seja, coroada plena e definitivamente com a glória que Deus preparou para os seus santos. Assim como ela foi a primeira a servir Cristo na fé, ela é a primeira a participar na plenitude de sua glória, a “perfeitissimamente redimida”. Maria foi acolhida completamente no céu porque ela acolheu o Céu nela – inseparavelmente.

O evangelho de hoje é o Magnificat de Maria, resumo da obra de Deus com ela e em torno dela. Humilde serva – nem tinha sequer o status de mulher casada -, ela foi “exaltada” por Deus, para ser mãe do Salvador e participar de sua glória, pois o amor verdadeiro une para sempre. Sua grandeza não vem do valor que a sociedade lhe confere, mas da maravilha que Deus opera nela. Um diálogo de amor entre Deus e a moça de Nazaré: ao convite de Deus responde o “sim” de Maria, e à doação de Maria na maternidade e no seguimento de Jesus, responde o grande “sim” de Deus, a glorificação de sua serva. Em Maria, Deus tem espaço para operar maravilhas. Em compensação, os que estão cheios de si mesmos não deixam Deus agir e, por isso, são despedidos de mãos vazias, pelo menos no que diz respeito às coisas de Deus. O filho de Maria coloca na sombra os poderosos deste mundo, pois enquanto estes oprimem, ele salva de verdade.

Essa maravilha, só é possível porque Maria não está cheia de si mesma, como os que confiam no seu dinheiro e seu status. Ela é serva, está a serviço – como costumam fazer os pobres – e, por isso, sabe colaborar com as maravilhas de Deus. Sabe doar-se, entregar-se àquilo que é maior que sua própria pessoa. A grandeza do pobre é que ele se dispõe para ser servo de Deus, superando todas as servidões humanas. Mas, para que seu serviço seja grandeza, tem que saber decidir a quem serve: a Deus ou aos que se arrogam injustamente o poder sobre seus semelhantes. Consciente de sua opção, o pobre realizará coisas que os ricos, presos na sua auto-suficiência, não realizam: a radical doação aos outros, a simplicidade, a generosidade sem cálculo, a solidariedade, a criação de um homem novo para um mundo novo, um mundo de Deus.

A vida de Maria, a “serva”, assemelha-se à do “servo”, Jesus, “exaltado” por Deus por causa de sua fidelidade até a morte (Fl 2,6-11). O amor torna semelhantes as pessoas. Também a glória. Em Maria realiza-se, desde o fim de sua vida na terra, o que Paulo descreve na 2ª leitura: a entrada dos que pertencem a Cristo na vida gloriosa do pai, uma vez que o Filho venceu a morte.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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                 Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: vaticannews.va  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

 Horários de missa e outros eventos

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Dia 14 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa no Asilo São Vicente de Paulo

19h - Celebração na comunidade São Benedito no Goiabal

19h - Celebração da Semana da Família na matriz

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

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Dia 15 - Sábado

9h -  Ordenação presbiteral do Diác. Lucas Lázaro em Conceição dos Ouros

16h -  Missa na comunidade de Santa Vitória

19h -  Missa de encerramento da Semana da Família na matriz

19h -  Celebração na comunidade São Francisco

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Dia 16 - 19º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

11h - Missa na comunidade de Santa Vitória

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz - Envio de acólitose coroinhas

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Algumas orientações litúrgicas

para Proclamadores da Palavra

Falar sobre os Proclamadores da Palavra é falar sobre a Liturgia da Palavra. Para conversarmos sobre o Ministério dos Proclamadores da Palavra, usaremos, neste artigo, dois documentos: 1) Instrução Geral do Missal Romano (IGMR); 2) Introdução ao Lecionário (IL).

A Instrução Geral do Missal Romano, retomando a Sacrosanctum Concilium diz: “Quando, na Igreja, lê-se a Sagrada Escritura, é o próprio Deus quem fala ao seu povo, é Cristo, presente na sua palavra, quem anuncia o Evangelho” (IGMR, 29).

A primeira disposição do Proclamador da Palavra deve ser a de silêncio para ouvir e acolher essa Palavra. É Deus quem se dirige ao proclamador e a toda assembleia. Por isso, mesmo ao fim da leitura, diz-se: “Palavra do Senhor”. E a assembleia responde: “Graças a Deus!”. No Evangelho, quando ouvimos Palavra da Salvação, respondemos: “Glória a vós Senhor”; glorificando o Cristo que falou.

Só passamos à mesa da Eucaristia se nos detivemos a ouvir a Palavra de Deus. Na Liturgia da Palavra, o leitor empresta sua voz para que Deus fale. Para isso, a leitura deve ser proclamada com calma e prontidão de alma. Olhe bem: a leitura será proclamada e não lida. Lemos muitas coisas, mas a proclamação exige uma preparação espiritual. Não é qualquer coisa que será lida. Não! É a Palavra de Deus que será proclamada. Deus falará por meio da voz do leitor.

Anúncio da Palavra

Ao ler é preciso comunicar a Palavra de Deus, é uma leitura anúncio de salvação para quem ouve. Se você foi chamado para proclamar a Palavra, comece a se preparar uma semana antes, para que a Palavra saia do livro e entre no seu coração.

A Liturgia da Palavra deve ser celebrada de tal modo que favoreça a oração: “A liturgia da palavra deve ser celebrada de modo a favorecer a meditação. Deve, por isso, evitar-se completamente qualquer forma de pressa que impeça o recolhimento. Haja nela também breves momentos de silêncio, adaptados à assembleia reunida, nos quais, com a ajuda do Espírito Santo, a Palavra de Deus possa ser interiorizada e se prepare a resposta pela oração. Pode ser oportuno observar esses momentos de silêncio depois da primeira e da segunda leitura e, por fim, após a homilia” (Instrução Geral do Missal Romano, 56).

Quem vai proclamar a Palavra espere que a assembleia se assente e se acalme. Não é preciso pressa. Que bom quando o grupo de canto entoa uma música suave, que ajude a assembleia a silenciar-se! Não pode ser um canto agitado, mas algo simples que fale ao coração. Dessa maneira, a assembleia pode ouvir melhor a Palavra, sem pressa, sem rumores, no silêncio. Os microfones já deverão ter sido testados antes. O leitor deverá saber onde liga. Nada de ficar assoprando o microfone ou dando tapinhas para ver se está ligado. Não! Isso dispersa.

Querido leitor, nunca suba à Mesa da Palavra (ambão), levando um folhetinho, um livrinho de onde você irá ler. A Palavra é proclamada do Livro da Palavra, do lecionário. O folheto, o subsídio que você usou para preparar a leitura é importante antes de começar a celebração, mas ele deve ficar em casa. Chegue antes na Igreja, pegue o lecionário, localize onde está a leitura, verifique se está certa, para que, na hora, você não fique perdido. Proclame com calma, sem gritar, sem pressa, favorecendo a meditação. Respeite a pontuação, faça as pausas necessárias. Mergulhe no texto. Interprete as palavras, dê vida ao texto bíblico.

A Palavra precisa cair no coração das pessoas. Elas precisam criar gosto pela Palavra. Se a assembleia se prepara com o silêncio para ouvi-la, e se você leitor preparou-se bem ao longo da semana, deixe que o Espírito Santo conduza a sua leitura.

Padre Flávio Sobreiro

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                                                                                  Fonte: facebook.com/VidaCelebrada

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Papa na catequese desta quarta-feira:

o ano litúrgico acompanha os fiéis na história da salvação

Na Audiência Geral desta quarta-feira, 12/08, Leão XIV aprofundou o capítulo V da Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, dedicado ao ano litúrgico. O Pontífice recordou a centralidade do domingo e da Eucaristia e ressaltou que, ao longo do ano, a Igreja celebra a atualidade do mistério de Cristo e permite aos fiéis participar cada vez mais profundamente dele.

Pela segunda semana consecutiva, a Audiência Geral com o Papa Leão XIV foi realizada na Basílica de São Pedro, nesta quarta-feira, 12 de agosto, enquanto Roma continua enfrentando as altas temperaturas do verão no hemisfério norte. Em sua catequese, o Santo Padre deu continuidade ao ciclo de reflexões sobre os documentos do Concílio Vaticano II, detendo-se desta vez no capítulo V da Constituição Sacrosanctum Concilium, dedicado ao ano litúrgico.

Cristo no centro do ano litúrgico

Ao explicar o significado do ano litúrgico para a vida dos fiéis, o Pontífice recordou o ensinamento de Pio XII na Encíclica Mediator Dei: não se trata simplesmente de recordar acontecimentos do passado, mas de entrar em contato com o mistério de Cristo, que permanece vivo e atuante na Igreja.

“O ano litúrgico deve, portanto, ser entendido como uma atualização constante da obra da salvação, que Cristo realiza na história.”

Ao percorrer esse ciclo, explicou Leão XIV, a Igreja permanece em contato com a ação redentora do Senhor e coloca no centro de cada momento a celebração do mistério pascal: o encontro com Jesus, morto e ressuscitado por nós.

O domingo, “dia do Senhor”

O Papa dedicou especial atenção ao domingo, definido pelos Padres conciliares como “o principal dia de festa” e “fundamento e centro de todo o ano litúrgico”. Citando São João Paulo II, recordou que o domingo é a “Páscoa semanal”, que torna presente a Ressurreição de Cristo e orienta o tempo dos homens para a sua segunda vinda. Para santificar o domingo, acrescentou, é fundamental a celebração da Eucaristia. A comunidade cristã reunida torna visível sua comunhão com o Senhor e testemunha sua pertença a Cristo e sua fidelidade à Igreja:

“Esta assembleia não pode ser substituída por uma presença meramente virtual, nem se reduz a uma reunião meramente passiva.”

Nesse contexto, Leão XIV dirigiu também um apelo para que sejam criadas condições que permitam a participação na Missa inclusive daqueles que precisam trabalhar aos domingos.

Participar do mistério de Cristo

Na parte final da catequese, o Papa percorreu brevemente o desenvolvimento histórico do ano litúrgico: da celebração da Páscoa semanal à Páscoa anual, passando pela Quaresma, pelo tempo pascal e pelo ciclo do Natal, até a inserção da veneração da Virgem Maria e da memória dos mártires e dos santos. Dessa forma, concluiu Leão XIV, o ano litúrgico acompanha os fiéis ao longo de toda a história da salvação, “desde a espera do Messias até à plenitude do mistério pascal e à antecipação da glória futura”.

“Nele, a Igreja celebra a atualidade salvífica do mistério de Cristo, permitindo aos fiéis participar nele cada vez mais profundamente.” Por isso, ressaltou o Pontífice, o ano litúrgico constitui “o princípio inspirador e o quadro de referência essencial de toda a ação pastoral”.

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Assista:

Thulio Fonseca – Vatican News

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  Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Sete pontos da vocação familiar

nas exortações Familiaris Consortio e Amoris Laetitia

O mês de agosto é dedicado na Igreja no Brasil às vocações, com diversas iniciativas de reflexão, promoção e animação vocacional. Na segunda semana, iniciada com o Dia dos Pais, o olhar é voltado para a vocação para a vida familiar. E neste ano em que a Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dedica à celebração de 45 anos da exortação apostólica Familiaris Consortio e 10 anos da exortação Amoris Laetitia, o Portal da CNBB destaca 7 pontos que os dois textos oferecem para falar dessa vocação à família.  

Os dois textos – um de 1981, escrito por São João Paulo II, e outro de 2016, escrito pelo Papa Francisco – oferecem ao povo cristão e ao mundo os ensinamentos da Igreja sobre a vocação ao amor e à vida familiar na realidade do mundo atual. Eles oferecem indicações pastorais que ajudam os jovens a descobrirem a beleza e a grandeza da vocação ao amor e ao serviço da vida, animam os esposos em sua missão de cuidado mútuo e na criação e desenvolvimento dos filhos, e estabelecem como deve ser o acompanhamento da Igreja à família em suas diversas fases e situações. 

A exortação Familiaris Consortio apresenta em seu conteúdo diversos chamados à família, em especial no que diz respeito ao anúncio do Evangelho e ao crescimento progressivo da pessoa humana: 

“A família cristã, de fato, é a primeira comunidade chamada a anunciar o Evangelho à pessoa humana em crescimento e a levá-la, através de uma catequese e educação progressiva, à plenitude da maturidade humana e cristã”

Separamos sete pontos que apontam a vocação familiar nos dois documentos:  

1. Vocacionados ao amor  

A fundamental e originária vocação do ser humano é ao amor, ensina a Familiaris Consortio. Além de chamar o ser humano à existência, Deus o chama para o amor. 

“Enquanto espírito encarnado, isto é, alma que se exprime no corpo informado por um espírito imortal, o homem é chamado ao amor nesta sua totalidade unificada. O amor abraça também o corpo humano e o corpo torna-se participante do amor espiritual” (FC, 11). 

2. Modo de realizar a vocação da pessoa humana e sinal imperfeito da doação de Cristo pela Igreja 

A Igreja entende que há dois modos específicos de realizar a vocação da pessoa humana na sua totalidade ao amor: o Matrimónio e a Virgindade. “Quer um quer outro, na sua respectiva forma própria, são uma concretização da verdade mais profunda do homem, do seu “ser à imagem de Deus”, ensina a Familiaris Consortio.

Para um homem e uma mulher que abraçam a vocação familiar, por meio do Sacramento do Matrimônio, a plenitude desse amor simbolizada na doação total de Cristo por sua Igreja.

Neste sacrifício descobre-se inteiramente aquele desígnio que Deus imprimiu na humanidade do homem e da mulher, desde a sua criação; o matrimónio dos batizados torna-se assim o símbolo real da Nova e Eterna Aliança, decretada no Sangue de Cristo. O Espírito, que o Senhor infunde, doa um coração novo e torna o homem e a mulher capazes de se amarem, como Cristo nos amou. O amor conjugal atinge aquela plenitude para a qual está interiormente ordenado: a caridade conjugal, que é o modo próprio e específico com que os esposos participam e são chamados a viver a mesma caridade de Cristo que se doa sobre a Cruz. (FC, 13)

Na exortação Amoris Laetitia, o Papa Francisco fala dessa entrega de Cristo, sinalizando que ela manifesta o “amor infinito do Pai”. Essa manifestação é que permite compreender o mistério das famílias cristãs.

Ele também compreende que o amor conjugal é um “sinal imperfeito do amor entre Cristo e a Igreja”, por isso que o Sacramento do Matrimônio confere aos esposos, através da Igreja, “a graça para testemunhar o Evangelho do amor de Deus”.

“Os esposos são, portanto, para a Igreja a lembrança permanente daquilo que aconteceu na cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar” (AL, 72)

O matrimônio cristão é um sinal que não só indica quanto Cristo amou a sua Igreja na Aliança selada na Cruz, mas torna presente esse amor na comunhão dos esposos. (AL, 73)

3. Vocação que tem frutos 

A resposta à vocação familiar é única e insubstituível, como os participantes do Sínodo de 2015 apontaram no relatório final daquela Assembleia, indicando alguns dos frutos que a família gera para a Igreja e a sociedade:

“A beleza do dom recíproco e gratuito, a alegria pela vida que nasce e a amorosa solicitude de todos os seus membros, desde os pequeninos aos idosos”.

No mesmo parágrafo da Amoris Laetitia, o Papa Francisco aponta o amor vivido nas famílias como uma “força permanente para a vida da Igreja”.

“O fim unitivo do matrimónio é um apelo constante a crescer e aprofundar este amor. Na sua união de amor, os esposos experimentam a beleza da paternidade e da maternidade; partilham projetos e fadigas, anseios e preocupações; aprendem a cuidar um do outro e a perdoar-se mutuamente. Neste amor, celebram os seus momentos felizes e apoiam-se nos episódios difíceis da história da sua vida”.

4. Habilita e empenha na vocação de leigos 

O Papa João Paulo II escreveu na Familiaris Consortio que o Sacramento do Matrimônio “habilita e empenha os cônjuges e os pais cristãos a viver a sua vocação de leigos, e por tanto a ‘procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus'”, retomando um ensinamento da Constituição Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II. 

Baseada num casal de leigos, as famílias cristãs dão um contributo particular à causa missionária da Igreja, segundo a Familiaris Consortio: “cultivando as vocações missionárias nos seus filhos e filhas e, de uma forma mais generalizada, com uma obra educativa que vai ‘dispondo os filhos, desde a infância para conhecerem o amor de Deus por todos os homens'”.

Na família, especialmente em relação aos filhos, os esposos também participam da obra criadora de Deus: “gerando no amor e por amor uma nova pessoa, que traz em si a vocação ao crescimento e ao desenvolvimento, os pais assumem por isso mesmo o dever de a ajudar eficazmente a viver uma vida plenamente humana”.

5. Vocação que chama à Santidade 

O chamado à santidade é uma “alta vocação” a que os cônjuges são chamados, segundo o plano de Deus, lê-se na Familiaris Consortio. Isso se realiza “na medida em que a pessoa humana está em grau de responder ao mandato divino com espírito sereno, confiando na graça divina e na vontade própria”.

Já na Amoris Laetitia, esse chamado à santidade é alimentado pelo dom do Sacramento que faz com que a união entre o homem e a mulher sejam “a representação real, através do sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja”.

6. Vocação fascinante e união plena 

 No parágrafo 206 da Amoris Laetitia, o Papa Francisco fala do Matrimônio como algo fascinante, para o qual os jovens precisam ser auxiliados pela Igreja a fim de descobrirem o valor e a riqueza.

Nessa reflexão, o matrimônio é entendido como “união plena que eleva e aperfeiçoa a dimensão social da vida, confere à sexualidade o seu sentido maior, ao mesmo tempo que promove o bem dos filhos e lhes proporciona o melhor contexto para o seu amadurecimento e educação.

7. Vocação que lança os noivos adiante 

Os dois documentos papais sobre a família apontam diversas indicações pastorais que ajudaram a estruturar, inicialmente, e atualizar, num tempo mais próximo, a Pastoral Familiar. Eles destacam o discernimento vocacional e a preparação para a vida matrimonial, não como algo que é feito às vésperas de um cerimônia, mas como um caminho que se inicia desde uma preparação remota até a preparação próxima.

Isso nos aponta o último ponto, o qual mostra que o acompanhamento devido ajuda os noivos na sua preparação para receber o Sacramento do Matrimônio:

“Tanto a preparação próxima como o acompanhamento mais prolongado devem procurar que os noivos não considerem o matrimônio como o fim do caminho, mas o assumam como uma vocação que os lança para diante, com a decisão firme e realista de atravessarem juntos todas as provações e momentos difíceis”. 

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  Fonte: cnbb.org.br

Reflexão de dom Edson Oriolo:

O impacto das Redes Sociais na cultura religiosa

As redes sociais apresentam-se como um novo espaço de evangelização, que exige atenção redobrada de nós, católicos e cristãos. Precisamos de um discernimento profundamente eclesial para não permitir o enfraquecimento da nossa consciência...

Sempre compreendi a Cultura no sentido mais amplo, conforme aprendi, ao iniciar meus estudos em Filosofia: ela é o conjunto de costumes, crenças, valores, expressões artísticas, normas, hábitos e conhecimentos adquiridos e transmitidos pelos membros de uma sociedade. Como ministro ordenado, exercendo meu ministério e percorrendo diversas regiões do Brasil, em cursos e formações sobre dízimo, pastoral urbana, gestão eclesial e, mais recentemente, sobre os impactos da Inteligência Artificial na evangelização, tenho aprendido muito com o modo de vida e as experiências de diferentes grupos humanos. Como primeiro servidor da Diocese de Leopoldina, reconheço, diariamente, o desafio de compreender a Cultura em suas luzes e sombras, especialmente no contexto da realidade eclesial e dos ministros ordenados do Sudeste, nas Minas Gerais.

Assim sendo, o conceito de Cultura também se desdobra em diversas dimensões: política, econômica, psicológica e religiosa, entre tantas outras. É, justamente, a partir dessa compreensão, que proponho uma reflexão sobre como as tecnologias digitais vêm influenciando, de forma gradual e, muitas vezes, imperceptível, todos os setores da Sociedade, alcançando também as instituições e as subculturas das tradições religiosas. Esse será o nosso ponto de partida para compreender os desafios e as oportunidades que a transformação digital apresenta à vivência da fé.

As redes sociais apresentam-se como um novo espaço de evangelização, que exige atenção redobrada de nós, católicos e cristãos. Precisamos de um discernimento profundamente eclesial para não permitir o enfraquecimento da nossa consciência, moldada, ao longo dos séculos, sob três pilares fundamentais: a revelação judaico-cristã, o direito romano e a lógica aristotélica. Nesse contexto, a cultura religiosa e as nossas estruturas tradicionais são, simultaneamente, impactadas e desafiadas pelas liberdades e ferramentas oferecidas pelas mídias digitais.

No cotidiano, somos bombardeados por conteúdos de padres com mensagens rápidas da passagem litúrgica do Evangelho, de momentos de aconselhamentos espirituais apoiados em eclesiologias e cristologias diversas, bem como por grupos de mensagens voltados a interesses específicos, como devoção religiosa particular e regras morais. Paralelamente, comunicadores e pregadores digitais promovem transmissões eucarísticas com ritos variados e teologias das mais diversas vertentes, muitas vezes, direcionando o Evangelho a linhas ou controles ideológicos específicos e reforçando diferentes noções de hierarquia, autoridade e infinitas maneiras light de vivenciar a fé.

Esse ecossistema digital atua, diretamente, sobre o conceito dos sacramentos, de maneira especial, o casamento, a criação dos filhos e o comportamento ético dos fiéis, impactando indivíduos, comunidades e instituições. Por meio de debates teológicos, memes, imagens virais e hashtags, esses conteúdos são, frequentemente, desvinculados de seus contextos institucionais e doutrinários originais, moldando sutilmente os hábitos das comunidades paroquiais e eclesiais missionárias. Assim, a influência digital passa a redefinir espectadores, preceitos religiosos e morais e estilos de vida, reconfigurando os contornos da própria fé.

Diante dessas transformações, o papa Leão XIV, na introdução da encíclica Magnifica Humanitas, recorda-nos que a Igreja é chamada a "orientar a ação para Deus, de modo que, à sua luz, o pluralismo não se disperse na desordem" (MH 10). O ambiente digital, com sua velocidade e apelos sutis, não deve enfraquecer a consciência nem fragmentar a riqueza da nossa fé. Cabe a nós, portanto, cultivar um discernimento, profundamente eclesial e evangelizador, capaz de acolher as novas mídias sem renunciar aos alicerces da tradição e à dignidade da vocação humana.

Dom Edson José Oriolo dos Santos - Bispo da Igreja Particular de Leopoldina MG

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  Fonte: vaticanews.va     Foto: (@Vatican Media