terça-feira, 26 de maio de 2026

Vatican News - Editorial de Andrea Tornielli:

Permanecer humanos na era dos algoritmos

Na encíclica “Magnifica humanitas”, o pedido do Papa Leão: fazer a tecnologia avançar sem que o coração regrida.


Na era da inteligência artificial, com a dignidade humana correndo o risco de ser ofuscada pelas enormes concentrações de poder tecnológico fora de qualquer controle e por novas formas de desumanização, o Papa Leão nos exorta ao “dever urgente” de permanecermos profundamente humanos. Na época das polarizações e da violência, que vê expandir-se uma “cultura do poder” com a guerra reabilitada como instrumento de política internacional, o Sucessor de Pedro nos pede para fazer a tecnologia avançar “sem que o coração regrida”. Ele nos convida a aceitar o limite e a fragilidade da humanidade sem considerá-los, como faz a ideologia tecnocrática, um erro a ser corrigido. Ele nos exorta a olhar para o mundo não pela ótica dos grandes, mas de baixo para cima, com os olhos de quem sofre, a partir dos últimos. Com os olhos de um Deus que tomou sobre si nossa fraqueza, transformando-a em um lugar de salvação, porque “mesmo quando as máquinas se destacam pela eficiência, o centro da história continua sendo um rosto humano que pede para ser olhado”.

Magnifica humanitas”, a primeira encíclica de Leão XIV, não é, antes de tudo, um texto analítico sobre inteligência artificial, nem entra em detalhes sobre processos em constante evolução. Trata-se, antes, de uma “summa” que aplica os princípios da Doutrina Social à nossa época — a era da IA —, consolidando e atualizando os pontos fundamentais do magistério. É um texto que também põe fim ao equívoco daqueles que, confiando na liberdade absoluta dos mercados e das novas tecnologias, tendem a descartar como ensinamento discutível o magistério papal sobre o pedido de um governo humano compartilhado da IA, sobre a ecologia integral, sobre as estruturas econômicas que se tornam “estruturas de pecado”, sobre o não à guerra.

O Papa, que assumiu o nome do autor da “Rerum novarum”, na era da revolução digital, pede a cada um de nós que assuma um papel ativo, pois a construção da “civilização do amor” se realiza graças a “uma soma de pequenas e tenazes fidelidades”, capazes de conter a desumanização. Uma tarefa, portanto, que diz respeito a todos nós, e de perto.

Leão nos recorda que “as injustiças não nascem apenas de escolhas erradas dos indivíduos, mas também de estruturas, mecanismos, ordenamentos econômicos e culturais que geram desigualdade” e que “não é humano um desenvolvimento que aumenta o consumo de alguns, transferindo custos e danos para outros, ou que relega regiões inteiras a papéis subordinados”, como infelizmente está acontecendo hoje também no âmbito das novas tecnologias e dos recursos que elas exigem. Na encíclica, lê-se que é “doutrina certa” da Igreja a função social da propriedade privada e, hoje, entre os bens universalmente destinados a todos, “devemos incluir também as novas formas de propriedade: patentes, algoritmos, plataformas digitais, infraestruturas tecnológicas, dados”, para evitar que surjam ou se consolidem novas formas de exclusão e privação de liberdade. A técnica, de fato, não é um simples instrumento, e quando se torna critério, “acaba por determinar o que importa e o que pode ser descartado”, reduzindo “as pessoas a engrenagens de um sistema a ser tornado cada vez mais eficiente”.

Hoje, o controle das plataformas, das infraestruturas, dos dados e da capacidade computacional “não é prerrogativa dos Estados, mas de grandes atores econômicos e tecnológicos”, que estabelecem as condições de acesso, as regras de visibilidade e as próprias possibilidades de participação. Quando tal poder se concentra em poucas mãos, “tende a tornar-se opaco e a escapar ao controle público”, trazendo consigo o risco de um desenvolvimento distorcido “que gera novas dependências, exclusões, manipulações e desigualdades”.

O Papa, reiterando a superação da teoria da “guerra justa”, pede que o uso da inteligência artificial no campo de batalha seja submetido às mais rigorosas restrições éticas, pois “não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável”. Além disso, a inteligência artificial tornou-se um elemento determinante para orientar a opinião pública por meio da manipulação de imagens e conteúdos, tornando cada vez mais difícil distinguir o verdadeiro do falso. Muitas são, ainda, as incógnitas que dizem respeito ao mercado de trabalho. A encíclica lembra, a esse respeito, que não é mais possível confiar apenas na “mão invisível” do mercado: cabe à política a tarefa de orientar as dinâmicas econômico-tecnológicas para o bem comum, promovendo trabalho digno, inclusão social e uma distribuição equitativa dos benefícios da inovação.

Manter-se humano, controlar os processos, evitar – também neste campo – monopólios que acabam por aumentar o poder de poucos em detrimento da vida de muitos: o caminho indicado pelo Pontífice não ergue barreiras nem rejeita a priori o uso da IA. Pelo contrário, ele destaca os muitos aspectos positivos e as inúmeras aplicações úteis, mas, ao mesmo tempo, explica que não basta fazer uma reflexão ética sobre o propósito bom ou mau para o qual ela é utilizada. É indispensável, de fato, intervir antes e questionar também como um sistema é projetado e qual a visão de pessoa e de sociedade que está inscrita nos dados e nos modelos que o orientam. Para isso, são necessários marcos jurídicos adequados, vigilância independente, educação dos usuários e, acima de tudo, mais uma vez, “uma política que não abdique de sua tarefa”. Caso contrário, a mudança será governada apenas por lógicas tecnocráticas e será apresentada como “necessária e inevitável”, acabando assim por impor regras “ditadas” por quem possui os dados, as infraestruturas e as capacidades de computação.

É necessário, portanto, “desarmar” a IA, ou seja, “romper essa equivalência entre poder técnico e direito de governar”. Não para renunciar à tecnologia, mas para impedir que ela domine o ser humano: ela deve ser tornada discutível, contestável e, portanto, habitável. Justamente para não abdicarmos de nossa humanidade, tão frágil e tão “magnífica”.

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Fonte: vaticanews.va     Imagem: (@Vatican Media)

Catequese sobre o Espírito Santo:

Vinde, descei e soprai sobre nós!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Por um tempo parei de explicar os verbos “vinde, descei e soprai “nos dias de Pentecostes. Alguns me xingavam de blasfemo, outros se escandalizavam, e outros me denunciavam ao bispo.

Padre Zezinho

E eu estava apenas explicando, como padre catequista que sou, o que estes verbos significavam. É claro que isto está na liturgia e na Bíblia. É claro que está na teologia. Mas, infelizmente quem usa esses verbos raramente explica o que é o que a pneumatologia. É um estudo vasto sobre a ação de Deus no mundo e em nós!

Um amigo bispo da CNBB me encorajou a continuar explicando. Espírito Santo não precisa vir nem descer, não precisa soprar com a boca. Eram sinais naquele tempo e os evangelhos, falavam de vir com línguas de fogo, soprar um vento impetuoso, descer sobre quem orava. Os evangelhos falaram, de muitos outros sinais. Inclusive no batismo de Jesus os presentes viram uma pomba descer naquele evento!

Para quem não estudou o suficiente, fica mais fácil falar em sinais, cantar isso, pregar isso e sem nenhuma explicação. Para que complicar ainda mais? … Basta isso para o povo! É o que muitos pregadores já disseram!

Mas há católicos que querem saber mais e querem crescer na fé. Para eles existe a teologia, a liturgia, a psicologia, e mais de 30 matérias sobre o estudo do catecismo. Quem quer se aprofundar no conhecimento da fé católica vai querer mais explicações.

Deus não precisa descer: ele sempre está no meio de nós. Hoje o Espírito Santo tem outras maneiras de nos inspirar; não precisa mais soprar sobre nós como no tempo dos apóstolos.

Ele agora age do jeito dele. E hoje também Deus não precisa jogar línguas de fogo sobre nós: ele nos inspira como indivíduos, ou como comunidade com centenas de graças e dons atuais! Jesus disse que faria isso, ao enviar-nos o Espirito dele e do Pai. Ele faria muito mais depois da sua ascensão!

O Espírito Santo sempre agiu através dos tempos e de muitas maneiras, não só soprando, não só incendiando os corações. Ele é Espirito criador tem muitas maneiras de nos inspirar hoje, século XXI.

Por isso, quem apenas se lembra que o Espírito Santo vem e desce no dia de Pentecostes e sopra no dia de Pentecostes, quem só canta isto, pedindo por esta graça, é porque não entendeu o suficiente o que é a graça de Deus em nós. Ele vive atuando todos os dias, iluminando. Ele não desce do céu só nesse dia: ele sempre esteve e está no meio de nós. Foi promessa de Jesus.

É claro que devemos continuar a usar verbos que expressem a nossa fé. O que não podemos é parar nesses três verbos.

Até porque a liturgia de Pentecostes mostra os muitos sinais da ação do Espírito Santo na igreja e em nós. O Espírito Santo nunca parou. E não precisa subir. Ele está em cada lar em cada coração e em cada comunidade. Jesus disse que não deixaria órfãos.

Por favor não paremos nesses três verbos. Os dons do Espírito Santo são muitíssimos. Busquemos os outros sinais. Preguemos sobre os outros sinais.

Então entenderemos o versículo 17 a 19, capítulo 3 da carta aos Efésios. Deus faz muito mais sinais do que possamos imaginar.

A missa de Pentecostes é uma catequese profunda sobre as outras muitas ações do Espírito Santo sobre cada fiel, cada comunidade, e cada alma. Pedir pra ele descer peça para ele atuar porque ele já está em você. É só pedir. Jesus já dizia isso.

Ao invés de combater, duvidar, xingar o pregador que deseja ensinar mais catecismo, e ao invés de chamá-lo de herege, que tal aprofundar as inúmeras graças que você já recebeu o ano inteiro?

Há muitíssimo mais para aprender nesse dia. Este domingo é um dia de aprofundamento na fé. Não fiquemos só nos verbos VINDE, DESCEI, SOPRAI. Por favor, cresçamos na catequese, cresçamos na fé católica.

O Espírito Santo tem muito mais a nos ensinar num dia como este. Aceitemos estudar um pouquinho mais sobre PNEUMATOLOGIA.

A palavra não tem nada a ver com pneu de carro. Tem tudo a ver com PNEUMA: ação do Espírito Santo sobre cada fiel, cada comunidade e toda a nossa igreja; e também sobre o mundo e sobre as outras igrejas.

E saiba mais: O Espírito Santo não atua apenas na Igreja Católica. Ele atua em qualquer pessoa de boa vontade, que está procurando um sentido para sua vida e vive procurando Deus. Rezamos isso em todas as missas! Paz aos homens de boa vontade!…

Isto significa que Jesus promete e cumpre. Isto se chama catequese continuada. Você está pronto para isso?

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 26 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h - Celebração na comunidade da Ponte de Ferro

19h30 - Reunião do Conselho Administrativo Paroquial no CPSJ

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Dia 27 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor a São José na matriz

19h30 - Reunião do profissionais de casamentos (cerimonialistas, filmadores, fotógrafos e responsáveis por ornamentação) no CPSJ

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Dia 28 - Quinta-feira

8h30 - Missa no Colégio Santa Ângela  

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração na comunidade da Ponte do Neneco

19h - Celebração na comunidade de Santa Vitória

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Dia 29 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

19h - Grupo de oração maranathá na capela da Soledade

19h - Celebração na comunidade da Vila São Luiz

19h - Celebração na comunidade do Uruguaia

19h30 - Celebração na comunidade dos Lucianos

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Dia 30 - Sábado

14h30 -  Encontro da liderança paroquial no CPSJ

19h -  Missa na matriz

19h - Celebração na comunidade São Francisco

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Dia 31 - Solenidade da Santíssima Trindade

Ação de Graças pelos 176 anos da Paróquia São José

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

15h - Encontro de formação para membros e agentes da Pastoral do Batismo

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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O Papa apresenta a Magnifica humanitas:

"Desarmar a IA"

Leão XIV explica o sentido e a gênese de sua primeira encíclica sobre a “custódia da pessoa humana na era da Inteligência Artificial”, instrumento que influencia a vida, molda decisões e muda a forma de combater a guerra. O Pontífice pede que se liberte a IA “das lógicas que a transformam em instrumento de domínio, exclusão ou morte” e pede o “desarmamento” das tecnologias para que se coloquem a serviço do “bem comum”, exortando a construir juntos o “futuro para a família humana”.

Assim como “o Leão de outrora”, o Papa Leão XIII, também o “Leão” de hoje, o Papa Leão XIV, volta seu olhar para as “res novae”, para aquelas “coisas novas” que desafiam o tempo, a história e a humanidade. E se naquela época era a revolução industrial, com as muitas e complexas mudanças no mundo do trabalho e as novas formas de pobreza impostas, hoje é a Inteligência Artificial, com seu potencial e seus perigos, que está sob os olhos e no coração do Pontífice, que lança uma invocação universal: "Desarmar a IA".

A Inteligência Artificial hoje precisa ser "desarmada", libertada das lógicas que a transformam em instrumento de dominação, exclusão ou morte.

Discernir o futuro da humanidade

O Papa Leão XIV fala por metáforas, mas também por referências históricas, em seu discurso proferido na Sala do Sínodo, na apresentação da Magnifica humanitas, a primeira encíclica de seu pontificado, publicada na manhã desta segunda-feira, 25 de maio. Nunca antes um Papa esteve na Sala para apresentar ao público um seu documento magisterial. É também a primeira vez que, além de cardeais e professores, se sentam ao lado do Pontífice especialistas em alta tecnologia. Um sinal da importância e da atenção ao tema abordado na encíclica, um símbolo e sintoma da "gravidade do momento" que estamos vivendo e que causa preocupação na Igreja, chamada a "decifrar coisas novas à luz do Evangelho e da dignidade do ser humano". Uma angústia que Leão XIV enfrenta com confiança:

A confiança de que, juntos, podemos discernir as grandes questões do nosso tempo e, portanto, o futuro da humanidade.

Nos passos de Leão XIV

Cento e trinta e cinco anos atrás, o Papa Pecci observou a situação difícil dos trabalhadores e das famílias desenraizadas e empobrecidas pela rápida transformação industrial e “compreendeu que a Igreja não podia permanecer à margem”. Num momento de “mudança de época” que “ameaçava a dignidade humana”, ele escreveu a encíclica Rerum Novarum. No mesmo espírito, o Papa Prevost — que assinou simbolicamente a Magnifica humanitas em 15 de maio, dia da publicação da Rerum Novarum — diz que se sente “chamado a olhar para outra grande transformação com os olhos da fé, com a clareza da razão, com a abertura ao mistério e com os gritos dos pobres e da terra que ressoam em” seu “coração”.

Este é o sentido das aproximadamente 200 páginas, resultado de uma reflexão de dez anos no seio da Santa Sé sobre as novas tecnologias e a Inteligência Artificial, que hoje impactam "muitas áreas de nossas vidas", influenciam decisões e estão "mudando radicalmente a forma como a guerra é travada".

Fruto da escuta

Há tantas contribuições, reflexões e sugestões nesta encíclica que — como o próprio Papa explica — tem uma única raiz: "A escuta". A escuta de cientistas e engenheiros que "trabalham com sincero entusiasmo em tecnologias capazes de aliviar sofrimentos imensos"; a escuta de "líderes políticos e funcionários públicos que perseveraram na busca por regras justas"; a escuta de "pais e professores profundamente preocupados com o futuro das novas gerações".

Também chegaram até mim outros relatos, bastante perturbadores, sobre sistemas de armas cada vez mais autônomos, praticamente fora do controle humano. Estou recebendo relatos muito preocupantes sobre algoritmos que podem negar acesso a saúde, trabalho e segurança com base em dados contaminados por preconceito e injustiça.

Junto com essas vozes, ressoou também forte “o silêncio de quem não tem voz quando as decisões são tomadas”, explica o Papa Leão XIV, “decisões que correm o risco de gerar novas formas de exclusão e sofrimento”.

Desarmar…

De tudo isso, desenvolveu-se uma convicção que o próprio Pontífice chama de "perturbadora" e que norteia a encíclica: "A Inteligência Artificial deve ser desarmada". "A palavra é forte, eu sei", admite Leão XIV, "mas foi escolhida deliberadamente porque este momento precisa de palavras capazes de chamar a atenção, despertar consciências e indicar o caminho a seguir para a humanidade."

… e construir

A Igreja está comprometida há muito tempo com o desarmamento nuclear, como um "serviço à paz e à dignidade da família humana". Da mesma forma, "a Inteligência Artificial requer hoje que seja desarmada", porque "como a energia nuclear, deve estar a serviço de todos e do bem comum". E "as decisões sobre a tecnologia nunca devem ser separadas da consciência e da responsabilidade".

A paz, e não apenas a ausência de guerra, é a justiça em ação. Mas quando a tecnologia enfraquece nosso senso crítico, a própria paz fica em risco. Desarmar, porém, não basta. Precisamos construir.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

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A encíclica de Leão XIV:

a IA deve servir à humanidade, não ao poder de poucos

No 135º aniversário da “Rerum novarum”, o Pontífice reflete, em sua primeira encíclica, “Magnifica humanitas”, sobre a Doutrina Social da Igreja na era da inteligência artificial. O apelo para preservar “uma magnífica humanidade habitada por Deus”, promovendo a verdade, a dignidade do trabalho, a justiça social e a paz. Na era digital, é preciso desarmar a IA e superar a teoria da “guerra justa”, relançando o diálogo e o multilateralismo.

“A magnífica humanidade criada por Deus encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”. O incipit da primeira encíclica de Leão XIV – Magnifica humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial” – resume suas razões fundamentais e seu objetivo. Publicada hoje, segunda-feira, 25 de maio, foi assinada pelo Pontífice no último dia 15 de maio, no 135º aniversário da promulgação da Rerum novarum de Leão XIII. E de seu predecessor, o Papa Prevost recolheu a herança, escrevendo uma encíclica social que aborda um dos principais desafios da época contemporânea: a inteligência artificial. Dividida em cinco capítulos, Magnifica humanitas parte de um pressuposto: a tecnologia não é uma “força antagônica em relação à pessoa” (4), nem “um mal em si mesma” (9). No entanto, ela “não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam”. Daí, o apelo do Pontífice para “construir o bem” e “permanecer humanos”, seguindo a lógica da corresponsabilidade corajosa e da comunhão.

A Doutrina Social da Igreja

O primeiro capítulo – Um pensamento dinâmico fiel ao Evangelho – repercorre a Doutrina Social da Igreja (DSI) no magistério recente e no Concílio Vaticano II, destacando “o seu caráter dinâmico” (17). Longe de ser “um manual de princípios e normas a serem aplicados”, a DSI é antes uma “teologia da comunhão na história” (27) que orienta a leitura dos acontecimentos à luz do Evangelho. No segundo capítulo, Leão XIV enumera os Fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja: entre os primeiros, inclui a dignidade da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus; a inviolabilidade dos direitos humanos, entre os quais o direito à vida “desde a concepção até ao seu fim natural”; o reconhecimento dos direitos das minorias, com especial atenção às mulheres, para que sejam verdadeiramente ouvidas e valorizadas (57).

LEIA AQUI O TEXTO INTEGRALE DA ENCÍCLICA DE LEÃO XIV "MAGNIFICA HUMANITAS"

É inaceitável subjugar uma nação

Quanto aos princípios da DSC, Leão XIV aponta cinco: o primeiro é o bem comum, “forma social da dignidade reconhecida a cada um” (59). Em um ponto, o Papa é particularmente firme: “A promoção do bem comum nunca pode ser separada do respeito ao direito dos povos de existir, de preservar sua identidade e de contribuir com sua originalidade para a família das nações”. Consequentemente, “qualquer tentativa ou projeto de eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, portanto, inaceitável” (64).

A tecnologia não deve estar nas mãos de poucos

O segundo princípio diz respeito à destinação universal dos bens: aí e em outros pontos da encíclica, Leão XIV insiste na necessidade de que as tecnologias não se concentrem nas mãos de poucos, alimentando a disparidade entre os incluídos e os excluídos da revolução digital (67). Daí decorrem o terceiro e o quarto princípios, a saber, a subsidiariedade (68) – que exige a superação do paternalismo e do assistencialismo em favor da corresponsabilidade – e a solidariedade (73), “princípio e virtude” que se opõe à indiferença.

A justiça social

O quinto princípio da DSC é a justiça social: na era digital, ela deve garantir a todos um acesso equitativo às oportunidades, proteger os mais vulneráveis, combater o ódio e a desinformação e submeter o uso das tecnologias ao controle público. Leão XIV aponta os migrantes como um “teste decisivo” nesse campo: a maneira como a sociedade os trata demonstra “se a ideia de justiça é guiada pelo medo ou pela fraternidade”. Daí, o apelo tanto para salvaguardar “o direito à esperança” daqueles que são forçados a partir, garantindo-lhes vias seguras e legais, acolhimento digno e integração; quanto para promover “o direito de permanecer” de cada um em sua terra, em paz e segurança, enfrentando “as causas profundas” das migrações (81). O Pontífice entende que os cinco princípios acima mencionados se dirigem também à Igreja, chamada a “um exame de consciência”, a ouvir as “vítimas de abusos espirituais, econômicos, institucionais, sexuais, de poder e de consciência”, pois isso “é parte integrante de um caminho de justiça, que compreende o reconhecimento do dano, a reparação justa e a prevenção” (89).

Leão XIV e o Arcebispo Paolo Rudelli, substituto da Secretaria de Estado   


Um código ético para a IA

O terceiro capítulo – Técnica e domínio. A grandeza da pessoa humana diante das promessas da IA – ressalta que é preciso abordar a IA com cautela, mantendo clareza sobre as responsabilidades em todas as suas etapas (accountability) e apostando em políticas e marcos jurídicos adequados, vigilância independente e educação dos usuários. Acima de tudo, é necessário um código ético submetido a critérios de justiça social compartilhada, pois “não serve uma IA mais moral se essa moral for decidida por poucos” (107). Sem deixar de lado o impacto ambiental das novas tecnologias, que exigem grandes quantidades de energia e água, afetando a Criação (101).

Desarmar a IA

É preciso “desarmar a IA” – prossegue Leão XIV – para subtraí-la à lógica da competição militar, econômica e cognitiva; para romper a equivalência entre poder técnico e direito de governar; para subtraí-la aos monopólios e impedir que domine o humano. Amplo espaço é dedicado à crítica do transumanismo e do pós-humanismo, que interpretam o progresso como a superação dos limites do humano. Em vez disso, o limite não é um defeito a ser eliminado, mas uma dimensão constitutiva da pessoa, pois é na fragilidade e na finitude que amadurecem a relação e a abertura a Deus e ao outro. Fazer a tecnologia crescer eliminando os limites do humano significa, portanto, fazer o coração regredir. Magnífica e, ainda assim, ferida, a humanidade “não deve ser substituída nem superada”. A tecnologia pode aliviar seus sofrimentos e abrir-lhe novas possibilidades, mas não deve negá-la naquilo que lhe é próprio: “a capacidade de relação e de amor” (126). Diante da IA, a verdadeira alternativa não está entre o entusiasmo e o medo, mas entre duas formas de construir o progresso: a serviço da pessoa e dos povos ou das lógicas do poder (129).

Uma ecologia da comunicação

No quarto capítulo – Preservar o humano na transformação. Verdade, trabalho, liberdade –, a encíclica defende uma “ecologia da comunicação” baseada na verdade. O Papa pede transparência nos critérios de seleção de conteúdos, proteção dos dados pessoais, um jornalismo sério fundamentado na argumentação e na verificação, uma nova consciência no uso “correto e crítico” da IA e a integração dos conhecimentos. Uma comunicação transparente e leal é exigida também da Igreja, sobretudo nos casos de injustiças e abusos. É fundamental também o apelo a uma aliança educativa renovada, para que nos jovens não se apague “o desejo de fazer perguntas” por causa de máquinas perfeitas que fazem parecer inútil o pensamento humano (140). Leão XIV pede ainda que se aposte na escola como lugar onde se aprende a “buscar e amar a verdade” (147).

A dignidade do trabalho

Na “quarta revolução industrial” representada pela transição digital, o Pontífice ressalta então a importância de proteger a dignidade do trabalho, projetando sistemas centrados na pessoa e não apenas no desempenho. A tecnologia pode certamente aliviar o homem de tarefas pesadas ou repetitivas, mas não deve levar ao desemprego em nome da redução de custos e do aumento do lucro. Nesse sentido, espera-se também uma renovação das organizações sindicais.

Paz e desenvolvimento

O Pontífice destaca, em seguida, a necessidade de superar o PIB como parâmetro do grau de desenvolvimento de um país, apostando, em vez disso, na dignidade do trabalho, na prosperidade compartilhada, na redução das desigualdades e na preservação do meio ambiente. A finança pela finança é, de fato, diferente da finança para o desenvolvimento (159-160). E, seguindo os passos de São Paulo VI, destaca-se a interdependência entre paz e desenvolvimento, almejando uma cooperação internacional capaz de definir estratégias comuns, sobretudo em favor dos países e dos grupos mais vulneráveis, pois a prosperidade contribui para a paz “somente se for difundida, inclusiva e sustentável” (163). É forte, ainda, a referência à família, fundada na união estável entre um homem e uma mulher: ela é “bem social primário”, “célula fundamental e insubstituível de toda organização comunitária” (165), que deve ser apoiada também por meio de políticas do trabalho em favor da estabilidade e de ritmos humanos, para assim proteger a capacidade social de “construir o futuro”.

A “arquitetura da visibilidade”

Por fim, a questão da liberdade humana: numa época em que as plataformas digitais são projetadas para capturar o tempo dos usuários e explorar suas fragilidades, é preciso fortalecer a liberdade interior de cada um, enfrentando também o risco do controle social decorrente da coleta massiva de dados e do uso de sistemas algorítmicos. Perfilar, prever e orientar comportamentos, de fato, é “um novo poder” (171) que corre o risco de discriminar os mais fracos. O Papa deplora, em particular, a “arquitetura da visibilidade” que amplifica apenas o que é visível, moldando as opiniões.

Novas formas de escravidão e novo colonialismo

A IA também gera novas formas de escravidão, como a dos “corpos marcados, mutilados, consumidos” (173) daqueles que trabalham na extração das “terras raras” necessárias à tecnologia. Portanto, a luta contra as novas formas de escravidão é outro “teste decisivo para o discernimento ético” da transformação digital. Leão XIV ressalta que “a Igreja renova sua firme condenação contra toda forma de escravidão, tráfico e mercantilização de pessoas”. Ao mesmo tempo, o Papa pede “sinceramente perdão” pelo atraso com que a Igreja, no passado, condenou “o flagelo da escravidão” (174-176). A encíclica também faz referência às “novas terras raras do poder”, ou seja, as informações vitais – por exemplo, sobre saúde e demografia – utilizadas para orientar estratégias econômicas: trata-se de uma face inédita do colonialismo que transforma vidas pessoais em informações exploráveis, tornando o ambiente digital um “espaço de predação” (178-179).  

Superar a teoria da “guerra justa”

No quinto capítulo — A cultura do poder e a civilização do amor —, Leão XIV volta seu olhar para a guerra: “A revolução digital está modificando a gramática dos conflitos” e, sem uma abordagem ética, as decisões sobre a vida e a morte das pessoas serão cada vez mais impessoais, com o recurso à força considerado uma “opção imediata e viável” (182-183). Na base de tudo está uma “cultura do poder” que normaliza a guerra e a reabilita como “instrumento de política internacional”, favorecendo o rearmamento. Sobre a opinião pública pesam hoje também as narrativas midiáticas polarizadoras, bem como “uma preocupante perda de memória histórica” que priva de uma visão de longo prazo (191). Consequentemente, hoje a paz não é mais entendida como uma tarefa a ser assumida, mas como um intervalo entre os conflitos. Por isso, Leão XIV reitera que – sem prejuízo do direito à legítima defesa no sentido mais estrito – é preciso superar a teoria da “guerra justa”, promovendo, em vez disso, o diálogo, a diplomacia e o perdão (192).

Nenhum algoritmo torna a guerra moralmente aceitável

O Papa Prevost não deixa de deplorar o crescimento da indústria bélica, a corrida aos armamentos nucleares e o surgimento de novos atores armados – entre os quais os jihadistas – que visam perpetuar os conflitos como fonte de poder e de renda. É clara, ainda, a advertência contra o uso de armas ligadas à IA, pois “não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável”. São necessárias restrições éticas rigorosas, compartilhadas internacionalmente, baseadas na responsabilidade pessoal e na proteção dos civis, pois “toda tecnologia que facilita atacar sem ver o rosto do outro abaixa o limiar moral do conflito” (199).

A crise do multilateralismo

A cultura do poder decorre também da crise do multilateralismo e do surgimento de um “multipolarismo desordenado e conflituoso” (201). A força do direito é substituída pelo direito do mais forte; as lógicas do poder prevalecem sobre a construção da paz e as instituições criadas para zelar pelo destino comum dos povos estão agora enfraquecidas. A esse respeito, o Papa deseja para a ONU “reformas profundas” que superem a atual crise de valores em favor do bem comum (226).

A civilização do amor

O cristão é chamado a responder à cultura do poder construindo “a civilização do amor” e escolhendo entre alimentar a lógica da força ou zelar pela paz. O Papa aponta cinco “caminhos de responsabilidade”: desarmar as palavras dizendo a verdade; construir a paz na justiça; assumir o olhar das vítimas tomando posição, pois há conflitos em que “não é justo permanecer neutro”; cultivar “um saudável realismo” que busque caminhos de paz viáveis com os fatos, não apenas com palavras. Por fim, relançar o diálogo, passando de uma cultura do poder para uma cultura da negociação. É decisivo também “o diálogo entre as religiões”, portador de uma mensagem de paz: “Quem usa o nome de Deus para legitimar o terrorismo, a violência ou a guerra trai o seu rosto” é a advertência de Leão XIV (223).

A magnífica humanidade

Ao concluir a carta, o Pontífice convida os fiéis a viver as novas tecnologias à luz do Evangelho, seguindo “um itinerário de vida cristã sóbrio e exigente”. Para que, mesmo na era da IA, todos possam testemunhar “a beleza de uma magnífica humanidade habitada por Deus”.

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Assista à apresentação da Magnifica humanitas:

Isabella Piro – Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media)

Memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja,

é a festa celebrada nesta segunda-feira

A memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, recorda-nos que a maternidade divina de Maria se estende, por desejo de Jesus, à maternidade humana, ou seja, à própria Igreja, mediante um ato de consagração. Em 2018, o Papa Francisco introduziu a celebração desta memória na segunda-feira, após a solenidade de Pentecostes, dia em que a Igreja nasceu. Este título dado a Maria não é novo. Em 1980, São João Paulo II convidou os fiéis a venerar Maria como Mãe da Igreja. Antes dele, em 21 de novembro de 1964, São Paulo VI, na conclusão da terceira sessão do Concílio Vaticano II, declarou que a Virgem é “Mãe da Igreja”. Mais tarde, em 1975, a Santa Sé propôs a celebração de uma Missa votiva em honra da Mãe da Igreja, mas, não entrou no calendário litúrgico. Além dessas datas, não podemos esquecer quanto o título de Maria, Mãe da Igreja, esteve presente na sensibilidade de Santo Agostinho e São Leão Magno; de Bento XV e Leão XIII, até nossos dias, quando, em 11 de fevereiro de 2018, por ocasião do 160º aniversário da primeira aparição da Virgem em Lourdes, o Papa Francisco tornou obrigatória a memória da Virgem Maria, Mãe da Igreja.

“Estavam de pé, junto à cruz de Jesus, sua Mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua Mãe e, perto dela, o discípulo que amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis aí teu filho”. Depois, disse ao discípulo: “Eis aí tua Mãe”. Desde então, o discípulo a acolheu em sua casa” (Jo 19,25-27).

Aos pés da Cruz

Maria “estava” aos pés da Cruz de Jesus. “Estava” é um verbo que indica presença, continuidade, modo de participar. Ao contrário dos discípulos, Maria acompanhou seu Filho Jesus ao longo da Via Sacra. Maria enfrentou aquele momento com grande dignidade, sem nunca fugir dos acontecimentos da vida. Ela estava ali. Por isso, ”Jesus confiou o discípulo amado à sua Mãe" e vice-versa.

Novo "eis-me aqui" de Maria

Maria é convidada por seu Filho a dizer um novo "Eis-me aqui", um novo "sim" mais consciente e maduro. Por meio do seu estar "aos pés da Cruz", amadureceu sua experiência de fé e maternidade, que a tornou capaz de ir mais além. No fundo, desde o início, o coração de Maria foi repleto de interrogativos: "Qual o sentido daquela saudação" (Lc 1,29). Até diante de Simeão, surgiram questões: “Eis que este Menino está destinado a ser causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 34-35). Maria e José “estavam admirados das coisas que diziam dele” (Lc 2, 33). A expressão "Eis-me aqui” de Maria não foi dita uma vez por todas, mas cresceu e amadureceu com os acontecimentos da vida, inclusive os da "Cruz", sob a qual ela “estava”. Daí, com esta fidelidade reforçada, Maria recebeu uma nova missão, uma espécie de “suplemento” de maternidade, a ponto de se tornar “Mãe da Igreja”. Mãe, porque nos regenera na graça, desde que aprendamos a crescer na “estatura de Cristo” (cf. Ef 4, 7-13).

Vida cristã ancorada no mistério da Cruz

A festa de Maria, Mãe da Igreja, “ajudará a recordarmos que a vida cristã, para crescer, deve estar ancorada no mistério da Cruz, na oferta de Cristo, na Virgem dolorosa, Mãe do Redentor e dos redimidos», explica o Decreto. Como Maria soube "ficar" aos pés da Cruz, sem evitar ou fugir do esforço de compreender e sofrer, assim, como Mãe, soube "estar" ao lado de cada um daqueles que o Filho tornou seus filhos. Isso nos leva a invocá-la como "Mãe da Igreja":

Oração do Papa Francisco:

Ajudai, ó Mãe, a nossa fé. Abri o nosso ouvido à Palavra, para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada. Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos, saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa. Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor, para podermos tocá-Lo com a fé. Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e cruz, quando a nossa fé é chamada a amadurecer. Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado. Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho. Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus, para que Ele seja luz no nosso caminho. E que esta luz da fé cresça sempre em nós até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor.  (Papa Francisco, “Lumen Fidei”)

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Fonte: vaticanews.va     Imagem: (@Vatican Media)

domingo, 24 de maio de 2026

Papa Leão XIV na homilia de Pentecostes:

só a Onipotência do amor,
e não uma superpotência, nos salvará da guerra

Com a solenidade de Pentecostes, chega ao fim o Tempo Pascal. Ao celebrar a missa na Basílica Vaticana, Leão XIV afirmou que a humanidade é redimida não por uma riqueza incalculável, mas por um dom inesgotável.

“Rezemos hoje para que o Espírito do Ressuscitado nos salve do mal da guerra, que é vencida não por uma superpotência, mas pela Onipotência do amor.”

Com esta invocação, o Papa concluiu a homilia pronunciada na celebração eucarística por ocasião da Solenidade de Pentecostes, presidida na Basílica de São Pedro com a participação de cinco mil fiéis. 

O Pontífice se deteve no Evangelho do dia, que narra a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos, mostrando-lhes «as mãos e o peito». O Senhor revela o seu corpo glorioso, isto é, as suas chagas, as feridas da crucificação. Estes sinais da Paixão, explicou Leão XIV, são mais eloquentes do que qualquer discurso, pois Aquele que estava morto agora vive para sempre.

Ao verem o Senhor, também os discípulos voltam à vida. No mesmo cenáculo onde instituiu a nova e eterna aliança, Jesus efunde o Espírito: o lugar da ceia e da traição transforma-se e, de sepulcro dos Apóstolos, torna-se para toda a Igreja seio de ressurreição. Por isso, acrescentou o Papa, o Pentecostes é festa pascal e festa do corpo de Cristo, que nós somos por graça.

O momento do ofertório   (@Vatican Media)


Pentecostes é a festa da Nova Aliança

Do Espírito do Ressuscitado, Leão XIV sublinhou três aspectos: paz, missão e verdade.

Na sua Páscoa, Cristo estabelece a paz entre Deus e a humanidade, e o Espírito Santo infunde-a nos corações e difunde-a pelo mundo. Esta paz, observou o Santo Padre, provém do perdão e nos leva ao perdão. Jesus nos confia assim uma obra divina, porque só Deus pode perdoar os pecados, e tal autoridade é concedida em sinal de uma reconciliação universal. Deste modo, o Pentecostes realiza-se como festa da Nova Aliança: a aliança entre Deus e todos os povos da terra. 

“Por isso, com o nosso coração podemos invocar: «Veni Sancte Spiritus», porque Ele já nos foi dado. Podemos desejá-Lo, porque já nos foi prometido. Podemos acolhê-Lo, porque Ele próprio é o doce hóspede da alma.”

A missão foi o segundo aspecto salientado pelo Papa. «Assim como o Pai me enviou», diz o Senhor, «também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21). Somos deste modo envolvidos na missão de Jesus. Agora que os Apóstolos receberam o Sopro do Ressuscitado dentro de si, este anúncio sai da sua boca, tem a voz de Pedro e dos que estão com ele. 

"Somos verdadeiramente participantes do Evangelho: toda a Igreja é dele protagonista, não apenas guardiã", disse o Papa. Com a força do Espírito, o anúncio enche-se de alegria e esperança. Se por um lado há mudanças que não renovam o mundo, mas o envelhecem entre erros e violências; por outro, o Espírito Santo ilumina as mentes e suscita nos corações novas forças de vida. É assim que transfigura a história, abrindo-a à salvação.

O Espírito nos protege das facções e hipocrisias

Esta missão leva ao terceiro aspecto, pois o anúncio consiste em proclamar a verdade de Deus e do homem. O Espírito, afirmou Leão XIV, promove sempre a unidade na verdade, porque suscita em nós compreensão, concórdia e coerência de vida.

“O Paráclito nos defende de tudo o que impede esta compreensão: das facções, das hipocrisias, das modas que obscurecem a luz do Evangelho. A verdade que Deus nos dá permanece assim como palavra libertadora para todos os povos, mensagem que transforma por dentro cada cultura.”

O Espírito do Ressuscitado é derramado constantemente e não apenas uma vez, como atestam os inúmeros dons e carismas. O Papa então concluiu:

"Caríssimos, com coração ardente, rezemos hoje para que o Espírito do Ressuscitado nos salve do mal da guerra, que é vencida não por uma superpotência, mas pela Onipotência do amor. Rezemos para que Ele liberte a humanidade da miséria, que é redimida não por uma riqueza incalculável, mas por um dom inesgotável. Rezemos para que nos cure da ferida do pecado, pela redenção anunciada a todos os povos em nome de Jesus. Esta é a graça que infunde coragem aos Apóstolos: por intercessão de Maria, Mãe da Igreja, a infunda também em nós, hoje e sempre."

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Assista:

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Papa na oração Regina Caeli:

a Igreja seja capaz de dialogar com os tempos que mudam

Na Solenidade de Pentecostes, recordou Leão XIV no Regina Caeli, somos chamados a contemplar o dom do Espírito Santo, derramado em abundância sobre a Igreja nascente e, hoje, novamente dado aos seus membros, como luz e força que os acompanha em todas as situações da vida.

Após celebrar a missa na Basílica Vaticana por ocasião da Solenidade de Pentecostes, Leão XIV rezou com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a oração do Regina Caeli. Em sua alocução, de modo especial, o Pontífice se deteve em uma imagem oferecida pela liturgia de hoje, de que o Espírito abre as portas. O Santo Padre então questionou: quais seriam essas portas?

"A primeira porta é a do próprio Deus, no sentido em que nos abre o acesso ao mistério de Deus, revelado em Jesus Cristo", respondeu. Com o dom do seu Espírito, Deus nos concede a verdadeira fé e nos faz compreender o sentido das Escrituras. E não só, pois nos ajuda a fazer uma experiência pessoal de Deus e a encontrá-Lo em Jesus e não apenas na observância de uma lei.

O Espírito abre as portas da Igreja

A segunda porta é a do Cenáculo, ou seja, da Igreja:

“Sem o fogo do Espírito, a Igreja permanece prisioneira do medo, assustada diante dos desafios do mundo, fechada em si mesma e, por isso, incapaz de dialogar com os tempos que mudam. O Espírito abre as portas da Igreja para que esta seja acolhedora e hospitaleira em relação a todos, mesmo aqueles que fecharam as portas a Deus, aos outros, à esperança e à alegria de viver.”

Por fim, o Espírito Santo abre as portas dos nossos corações, ajudando-nos a vencer as resistências, os egoísmos, as desconfianças e os preconceitos, e tornando-nos capazes de viver como filhos de Deus e irmãos uns com os outros. "Onde está o Espírito do Senhor, nasce a fraternidade entre as pessoas, os grupos, os povos da Terra, e todos falam a única língua do amor, que une e harmoniza as diversidades", afirmou o Papa, que então concluiu:

"Irmãos e irmãs, também nos nossos dias, especialmente neste dia de Pentecostes, devemos invocar o Espírito Santo, para que Ele abra as portas que permanecem fechadas. Precisamos de redescobrir Deus como Pai que nos ama, de edificar uma Igreja onde todos se sintam em casa e de fazer crescer um mundo fraterno, onde reine a paz entre todos os povos."

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Leão XIV:

rezemos pelos católicos chineses
e pelos cristãos do Oriente Médio

Em suas saudações após a oração do Regina Caeli, o Papa pediu orações pela Igreja na China, confiando a Nossa Senhora Auxiliadora a comunidade de fiéis chineses para que "sejam semente de esperança e paz". Leão XIV recordou as pessoas que no Oriente Médio "sofrem por causa da guerra".

Após a missa celebrada na Basílica de São Pedro, neste domingo 24 de maio, Solenidade de Pentecostes, o Papa Leão XIV conduziu a oração mariana do Regina Caeli da janela da Residência Apostólica Vaticana.

Os fiéis e peregrinos que participaram deste encontro dominical com o Pontífice eram cerca de trinta mil, na Praça São Pedro.

Leão XIV recordou que neste domingo, celebra-se "o Dia de Oração pela Igreja na China, memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem Maria Auxíliadora dos Cristãos, venerada com grande devoção no Santuário de Sheshan, em Xangai".

“Unamos a nossa oração à dos católicos chineses, como sinal de nosso carinho por eles e de sua comunhão com a Igreja universal e com o Sucessor de Pedro. Que a intercessão da Rainha do Céu obtenha para a comunidade de fiéis na China a graça da unidade e conceda a todos a força de testemunhar o Evangelho em suas fadigas cotidianas, para que sejam sementes de esperança e paz. Em particular, invoco a paz eterna para as vítimas do acidente ocorrido dias atrás numa mina no norte da China.”

O Papa confiou a Senhora Auxiliadora "as comunidades cristãs da Terra Santa, do Líbano e de todo o Oriente Médio, que sofrem por causa da guerra".

A seguir, saudou os fiéis de Roma e os peregrinos de vários países, em particular "o grupo de pessoas com deficiência da Polônia" e "os peregrinos que vieram de bicicleta de Kelmis, na Bélgica".

O Pontífice concluiu, desejando a todos um feliz Domingo de Pentecostes.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va     Vídeo e foto: (@Vatican Media)