segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

Dia 8 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h - Missa na comunidade da Lagoa

______________________________________________________________________________

Dia 9 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor ao São José na matriz

19h - Missa na comunidade dos Carneiros

______________________________________________________________________________

Dia 10 - Quinta-feira

7h - Missa na matriz

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Missa nas comunidades dos Coqueiros e da Pedra Branca

_________________________________________________________________________________

Dia 11 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

19h - Missa na capela Nossa Senhora Aparecida no Lavapés

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

__________________________________________________________________________________

Dia 12 - Sábado

14h30 -  1º encontro de formação dos novos MESC

19h -  Missa na matriz e na comunidade São Francisco

__________________________________________________________________________________

Dia 13 - 24º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

16h - Missa na ermida da Mãe e Rainha

18h - Missa na igreja de Santo Antônio       19h - Missa na matriz

___________________________________________________________________________________

Presidência da CNBB divulga mensagem para o 7 de setembro:

“não percamos a esperança no Brasil”

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem de esperança por ocasião do Dia da Independência, celebrado neste 7 de setembro. No texto os bispos propõem “renovar nosso compromisso com um Brasil livre e soberano, democrático, justo e fraterno”. 

A reflexão apresentada na mensagem considera a necessidade de paz e diálogo; democracia e responsabilidade; e cuidado com o povo. 

A Presidência da CNBB motiva não perder a esperança no Brasil.

“Somos maiores que nossas divisões. Podemos transformar diferenças em diálogo, dificuldades em compromisso e esperança em responsabilidade”.

Confira a mensagem na íntegra:

Brasil: nossa pátria, nossa responsabilidade
“Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9).

Neste 7 de setembro, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil dirige uma palavra de esperança ao povo brasileiro.

Celebrar o Dia da Independência é renovar nosso compromisso com um Brasil livre e soberano, democrático, justo e fraterno. Em um momento marcado por polarizações políticas, tensões institucionais e internacionais, por uma grave crise na mais alta corte do país e dificuldades que pesam sobre a vida das famílias, somos chamados a recordar aquilo que nos une e a colocar o bem comum acima dos interesses particulares.

O Brasil precisa de paz e diálogo. As diferenças políticas são próprias da democracia, mas não podem nos transformar em inimigos. A violência, a mentira, a desinformação e os discursos de ódio ferem nossa convivência. Precisamos reaprender a discordar sem romper os vínculos que nos fazem um só povo.

O Brasil precisa de democracia e responsabilidade. Às vésperas das eleições, reafirmamos o respeito à Constituição, às instituições republicanas e à soberania nacional. O voto é expressão de liberdade e deve ser exercido com consciência, sem manipulação, corrupção ou instrumentalização da fé.

O Brasil precisa cuidar de seu povo. Não há verdadeira independência enquanto tantos sofrem com a pobreza, o endividamento, as desigualdades e condições de trabalho que comprometem o descanso e a convivência familiar. A economia, a política e as instituições somente encontram sua razão de ser quando estão a serviço da dignidade humana e do bem comum. Essa preocupação com trabalho digno, repouso e qualidade de vida já foi explicitamente assumida pelos bispos na Mensagem ao Povo Brasileiro de abril passado.

Neste 7 de setembro, queremos dizer sobretudo: não percamos a esperança no Brasil. Somos maiores que nossas divisões. Podemos transformar diferenças em diálogo, dificuldades em compromisso e esperança em responsabilidade.

Confiamos nossa Pátria à proteção de Nossa Senhora Aparecida. Que Deus nos conceda sabedoria e coragem para construirmos juntos um Brasil reconciliado, soberano, justo e fraterno.

Brasília, 7 de setembro de 2026.

Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

______________________________________________________________________
                                                                                                                    Fonte: cnbb.org.br

Leão XIV em homilia nesta segunda em Genazzano:

deixemos a paz crescer em nós

Na homilia da missa celebrada no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho na cidade italiana de Genazzano, o Papa convidou "a confiar à Menina Maria tudo o que ainda nasce nesta pobre, porém magnífica, humanidade". "Celebramos o nascimento de uma menina chamada a ser a Mãe de seu Criador, a Mãe de Deus que salva. No entanto, ela nasce simplesmente uma menina, como as filhas e netas que seguramos em nossos braços". Pedimos-lhe que "a celebração do seu nascimento aumente a nossa paz".

O Papa Leão XIV celebrou a missa no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho na cidade italiana de Genazzano, na tarde desta segunda-feira (07/09), em vista da Festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria, celebrada em 8 de setembro.

Maria é o alvorecer de um novo dia

Leão XIV iniciou sua homilia, recordando que nos primeiros dias de seu pontificado sentiu o "dever e um profundo desejo" de se "aproximar de Genazzano, do Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho". "Ao longo da minha vida", Nossa Senhora do Bom Conselho "me acompanhou com sua presença maternal, sua sabedoria e o exemplo de seu amor por seu Filho, que é sempre o centro da minha fé", disse o Santo Padre.

“Estou aqui novamente, com alegria, para celebrar com vocês a Vigília da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria e confiar à Menina Maria tudo o que ainda nasce nesta pobre, porém magnífica, humanidade: frágil como uma semente, mas sinal da fidelidade de Deus. Sim, Maria é o alvorecer de um novo dia, do nosso mundo finalmente liberto do mal. Nós estamos aqui, perto dela, ao redor do Altar de onde a salvação nos vem e nos transforma, filhos no Filho. Peçamos a ela o seu Bom Conselho, para acolhermos a Palavra divina, guardá-la dentro de nós e trazê-la à luz através de decisões corajosas e sábias, de uma conversão autêntica.”

O Papa Leão no rito de entrada da missa


Inteligência que conversa com Deus

Neste lugar de antiga presença agostiniana, Leão OXIV retornou às páginas bíblicas, lembrando a propósito as palavras "São Tomás de Villanova, frade e bispo agostiniano que, dedicando sua vida ao serviço dos pobres, penetrou profundamente a verdade da fé. Ele soube ver o paradoxo da pequenez e, por assim dizer, da marginalidade de Maria, centralizada na economia da salvação". São Tomás se perguntava: "Como deve ter sido o nascimento de uma menina na época de Joaquim e Ana?" "Refleti muitas vezes", escreve ele, "e perguntei-me por que os evangelistas, que falaram tão extensamente de São João Batista e dos apóstolos, nos contam de forma tão sucinta a história da Virgem Maria, que supera todas as outras em sua experiência e estatura pessoal. Por que, pergunto, não nos foi contada a sua concepção, o seu nascimento, a sua educação, os seus hábitos, as virtudes que a adornavam, a relação humana que tinha com o seu filho, como se relacionava com ele, como vivia com os apóstolos após a sua ascensão? Todas essas coisas eram importantes, e os fiéis as teriam lido com singular devoção, e teriam agradado ao povo comum. Ó evangelistas, eu me dirijo a vós! Por que nos privastes de tamanha alegria com o vosso silêncio? Por que omitistes detalhes tão alegres, tão aguardados, tão agradáveis?".

“Encontramos nessas palavras uma importante sugestão para a nossa fé: questionar as Escrituras e seus autores, discutir o texto e dialogar com as testemunhas da Revelação como se fossem amigos. Somos, de fato, "concidadãos dos santos e membros da família de Deus", e da própria Maria aprendemos a inteligência que conversa com Deus, que faz perguntas e interpreta os acontecimentos, guardando-os e conectando-os no coração.”

Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Genazzano


O caminho de Deus é simples e silencioso

De acordo com São Tomás de Villanova, os evangelistas "permaneceram em silêncio sobre ela, pela simples razão de que a glória da Virgem estava toda nela, e podia ser imaginada em vez de descrita, e que, como resumo da sua história, o que está expresso no título é suficiente: que Jesus nasceu dela".

“Celebramos o nascimento de uma menina chamada a ser a Mãe de seu Criador, a Mãe de Deus que salva. No entanto, ela nasce simplesmente uma menina, como as filhas e netas que seguramos em nossos braços. Hoje, ela possui títulos nobres e elevados, de Senhora e Rainha, mas o caminho de Deus foi e permanece mais simples e silencioso, porém não menos poderoso e transformador. É o caminho do próprio Jesus.”

Leão XIV em oração no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho

Imaginar a paz 

"Assim, como Maria, também nós somos "predestinados a sermos conformes à imagem do Filho": pela graça, certamente, mas também desejando e preferindo a sua estrada, as suas escolhas, o seu caminho. Em Jesus Cristo, Deus escolheu as condições históricas e a mais humilde das criaturas para manifestar a originalidade do seu Reino, no qual a prepotência não tem lugar e a onipotência é criação, serviço e cuidado da vida", disse o Papa.

Leão XIV nos convidou a dirigir "à pequena Maria", pedindo-lhe que "a celebração do seu nascimento aumente a nossa paz". "Sim, queridos irmãos, queremos imaginar a paz — ampliar os limites da compreensão e pintá-la em nossa alma — para reconhecer que ela já existe, para acolhê-la e servi-la. É o dom de Deus, o sopro do Ressuscitado, a obra do Espírito Santo. Deixemos a paz crescer em nós. Ela brotará no mundo. E a Mãe do Bom Conselho nos acompanhará nessa missão", concluiu.

_____________________________________________________________

Assista:

Mariangela Jaguraba - Vatican News

________________________________________________________________________
                                                     Fonte: vaticanews.va    Fotos e vídeo: (@Vatican Media

Catequese para este início de setembro:

Mês da Bíblia 

Cardeal Orani João Tempesta - Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

“Seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14)

Do mesmo modo que o mês de agosto foi especial para a Igreja celebrando as vocações, o mês de setembro também é especial, pois celebramos o mês da Bíblia. A Igreja é sábia e educa os fiéis ao longo de todo o ano litúrgico, e em cada mês nos faz recordar a vida de um santo, o chamado que Deus nos fez, nos recorda a importância da Palavra de Deus, nos recorda o amor que devemos ter a Virgem Maria, e ainda nos recorda e ensina que desde o nosso batismo somos missionários.

Cada tempo do ano litúrgico é especial e nos motiva a participar da celebração Eucarística e da vida da Igreja. Além das motivações citadas acima, celebradas em cada mês, existe os tempos litúrgicos: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa e Tempo Comum. E as solenidades de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Virgem Maria que celebramos ao longo do ano.

Cada mês do ano litúrgico é especial, e nós como cristãos católicos devemos participar das celebrações ao longo de todo o ano, e vivenciar com a Igreja as motivações especiais de cada mês. Ao longo desse mês de setembro em especial somos convidados a tomar a nossa Bíblia e ler, meditar e rezar, seja sozinho, em família ou com a comunidade.

O dia da Bíblia no último domingo do mês de setembro e a motivação deste mês é inspirado no dia 30 de setembro, dia de São Jerônimo, que traduziu a Bíblia do grego e do hebraico para o latim. Mas, a Igreja estende essa celebração do dia da Bíblia para o mês todo, pois, a Palavra de Deus é de vital importância para nós que não pode ser celebrada num único dia.

O dia da Bíblia deve ser todos os dias, não deve ser somente ao longo do mês de setembro ou no dia 30, mas ao longo de todo o ano devemos pegar a nossa Bíblia e cada dia meditar um texto sagrado. O mês da Bíblia é apenas uma motivação para que façamos isso aprofundando de um modo especial um livro bíblico. Devemos ter prática da escuta e leitura da Palavra de Deus todos os dias do ano. Pode até ser os textos sagrados escolhidos para a missa daquele dia, ler e meditar os textos litúrgicos e ainda se puder participar da celebração Eucarística.

Precisamos aprofundar o método da leitura orante da bíblia ou “Lectio Divina”, ou seja, a meditação dos textos sagrados, que consiste em

ler e reler o texto e tirar daquele texto o que mais lhe chamou a atenção. Procurar um lugar calmo e pedir a luz do Espírito Santo, pode ser pela manhã antes de ir ao trabalho ou a noite quando chegar. Seria bom se fosse com a família reunida, pois cada um leria um trecho do texto, ou com os vizinhos, mas caso não seja possível faça sozinho mesmo.

Tenhamos carinho pela Palavra de Deus, que possamos dar a Ela a devida importância, quando participamos da Santa Missa “comungamos” de duas grandes mesas a da Palavra e a da Eucaristia. A Palavra precisa penetrar em nosso coração, os nossos olhos precisam se abrir, para podermos comungar do Corpo e Sangue de Jesus. Seria bom se as paróquias colocassem em destaque ao longo desse mês a Palavra de Deus, ou na entrada da Igreja, ou perto do Ambão, para que as pessoas que visitam a Igreja possam rezar diante da Palavra.

Diante de tudo isso, podemos observar que o mês da Bíblia não deve ser somente em setembro, mas ao longo de todo o ano. A Igreja coloca no mês de setembro para nos chamar a atenção para tratarmos com mais carinho a Palavra de Deus.

Ao longo desse mês as paróquias são convidadas a meditarem o tema do mês da Bíblia desse ano de 2026 que é o livro do Profeta Daniel e tem como lema tirado do mesmo livro de Daniel: “Seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14). As paróquias e comunidades devem aprofundar e estudar todo o livro de Daniel. As pessoas em casa que principalmente não podem ir à comunidade, podem refletir e aprofundar o livro de Daniel em casa mesmo junto com a família ou vizinhos, ou até mesmo sozinhos.

O lema quer dizer para nós que os poderes mundanos passam, aqueles tiranos que acham que tem o poder em suas mãos, que querem dominar o mundo, querem tomar o território vizinho, simplesmente por ganância e dinheiro um dia passam, mas o reino de Deus permanece. Os reinos do mundo serão dissolvidos, mas o reino de Deus nunca se dissolverá.

O que vemos nos dias de hoje na televisão, internet, redes sociais e ouvimos no rádio, o principal motivo das guerras é a ganância e o poder, é querer sempre mais e tomar aquilo que é do outro. Alguns governantes acham que são “donos do mundo”, mas o dono do mundo é Deus, e somente o reino dele nunca será dissolvido. É isso que seremos convidados a estudar a partir do livro de Daniel.

A Palavra de Deus deve ser o nosso alimento diário, devemos nos alimentar da Palavra e pedir ao Espírito Santo a luz necessária para seguir a Palavra que meditamos. Se nos alimentarmos diariamente da Palavra direcionaremos o nosso caminho somente para as coisas boas e ficaremos longe do pecado. A Palavra nos aponta o caminho certo, a palavra de Deus é luz que ilumina o nosso caminho, e a palavra de Deus nos conduz para a eucaristia.

Portanto, meus irmãos, estudemos a Bíblia ao longo desse mês de setembro, converse com o seu pároco e forme os círculos bíblicos para estudar o livro de Daniel. Além, de meditar a Palavra em casa com sua família, colocando a Bíblia em destaque, para que ela ilumine a sua vida e a de sua família.

______________________________________________________________________
                                                                        Fonte: cnbb.org.br   Imagem: vaticannews.va

domingo, 6 de setembro de 2026

Importante questionamento:

O que faço por uma Igreja mais fiel a Jesus?

José Antonio Pagola

“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei ali no meio deles”. A melhor maneira de tornar Cristo presente em sua Igreja é manter-nos unidos atuando “em seu nome”, movidos por seu Espírito. A Igreja não necessita tanto de nossas confissões de amor ou nossas críticas quanto de nosso compromisso real. Não são poucas as perguntas que podemos fazer-nos.

O que faço para criar um clima de conversão coletiva no seio desta Igreja, sempre necessitada de renovação e transformação? Como seria a Igreja se todos vivessem a adesão a Cristo mais ou menos como a vivo eu? Seria mais ou menos fiel a Jesus?

O que trago de espírito, verdade e autenticidade a esta Igreja tão necessitada de radicalidade evangélica, para oferecer um testemunho crível de Jesus no meio de uma sociedade indiferente e incrédula?

Como contribuo com minha vida para edificar uma Igreja mais próxima dos homens e mulheres do nosso tempo, que saiba não só ensinar, pregar e exortar, mas, sobretudo, acolher, escutar e acompanhar os que vivem perdidos, sem conhecer o amor nem a amizade?

O que trago para construir uma Igreja samaritana, de coração grande e compassivo, capaz de esquecer-se de seus próprios interesses, para viver voltada para os grandes problemas da humanidade?

O que faço para que a Igreja se liberte de medos e servidões que a paralisam e atam ao passado, e se deixe penetrar e vivificar pela frescura e criatividade que nasce do Evangelho de Jesus?

O que trago nestes momentos para que a Igreja aprenda a “viver em minoria”, sem grandes pretensões sociais, mas de maneira humilde, como “fermento” oculto, “sal” transformador, pequena “semente” disposta a morrer para dar vida?

O que trago por uma Igreja alegre e esperançosa, mais livre e compreensiva, mais transparente e fraterna, mais crente e mais digna de crédito, mais de Deus e menos do mundo, mais de Jesus e menos de nossos interesses e ambições?

A Igreja muda quando mudamos nós, converte-se quando nós nos convertemos.

______________________________________________________________________

JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

____________________________________________________
                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 5 de setembro de 2026

Dom Valdir de Castro e padre Arnaldo Rodrigues destacam

a responsabilidade dos católicos no combate à desinformação

A disseminação de notícias falsas, o uso de inteligência artificial e a circulação de conteúdos manipulados estão entre os desafios para o exercício consciente da cidadania nas Eleições de 2026. O tema é abordado em mais um episódio da série de podcasts “Discernimento Católico – Eleições 2026”, produzida a partir da mensagem dos bispos ao povo de Deus para o período eleitoral. 

Nesta edição, o jornalista Luiz Lopes Júnior conversa com o presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Valdir José de Castro, e com o assessor de Comunicação da entidade, padre Arnaldo Rodrigues. Os dois refletem sobre o enfrentamento à desinformação, o papel dos católicos e das forças comunicativas da Igreja e os cuidados necessários diante de conteúdos produzidos ou manipulados com inteligência artificial.

Assista na íntegra:

Fake news colocam em risco a paz social e a democracia

Dom Valdir recorda que a preocupação da Igreja com as notícias falsas não é recente. Em 2018, o Papa Francisco dedicou sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais ao tema “A verdade vos tornará livres: fake news e jornalismo de paz”. Para o bispo, as reflexões apresentadas naquela ocasião permanecem atuais, especialmente em períodos eleitorais, quando a circulação de desinformação tende a se intensificar. 

“A preocupação da Igreja em relação às fake news é que, por não se pautarem na verdade, elas colocam em risco a própria paz social e o bem comum. As notícias falsas tendem sempre a criar polarização e conflitos, e isso, evidentemente, interfere na paz e coloca em risco também a própria democracia”, afirma. 

Nesse cenário, dom Valdir ressalta que os católicos têm responsabilidade pessoal sobre aquilo que recebem e compartilham, especialmente no ambiente digital. A recomendação é verificar a procedência das informações e interromper a circulação de conteúdos quando houver dúvida sobre sua autenticidade. 

“Cada pessoa, cada cristão católico, busque distinguir as informações verdadeiras das falsas, verificando a origem das mensagens e não compartilhando quando a gente vê que aquela mensagem é duvidosa. Se a gente tem dúvida, não mandemos para frente. Vamos primeiro nos certificar se ali tem mesmo a verdade”, orienta. 

Critérios para avaliar candidatos

O discernimento também deve alcançar a escolha dos candidatos. Segundo dom Valdir, além de conhecer as propostas apresentadas durante a campanha, o eleitor deve buscar informações sobre a trajetória daqueles que disputam os cargos públicos. 

Entre os critérios indicados pelo bispo estão o compromisso com a justiça, o cuidado com os pobres, a defesa da casa comum e a promoção da dignidade humana. 

“A gente tem que saber quem ele é. Não é um nome que aparece de repente. Mesmo se aparece de repente um nome, vamos buscar conhecer mais profundamente essa pessoa”, afirma. 

Para dom Valdir, os católicos também são chamados a observar se as propostas apresentadas estão em sintonia com valores que promovam integralmente a pessoa humana. “É ver se nas propostas desse candidato estão os sinais do Evangelho, aqueles sinais que têm a ver com os valores do Reino, com os valores que promovem o ser humano na sua integralidade.” 

Papel da Pastoral da Comunicação

Ao tratar especificamente da missão da Pastoral da Comunicação (Pascom), dos veículos de inspiração católica e dos missionários digitais, dom Valdir destaca a importância de ampliar a divulgação das orientações oficiais da Igreja para o período eleitoral. 

Segundo o bispo, documentos e mensagens produzidos pela CNBB e por seus regionais oferecem elementos para a reflexão dos eleitores sobre o voto consciente, a ética na política e a defesa do bem comum. 

Além de divulgar essas orientações, dom Valdir considera que as forças comunicativas da Igreja são chamadas, à luz da Doutrina Social da Igreja, a promover o diálogo e a comunhão e a denunciar conteúdos que não correspondam à verdade dos fatos. 

Para isso, devem ser utilizados tanto os meios tradicionais de comunicação quanto as plataformas digitais. “A Pastoral da Comunicação deve utilizar todos os meios técnicos para fazer um forte apelo e trabalhar insistentemente no combate à desinformação”, destaca. 

Inteligência artificial e deepfakes

Na segunda parte do episódio, o assessor de Comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues, apresenta orientações práticas sobre inteligência artificial e deepfakes, especialmente diante da presença cada vez maior dessas tecnologias nas redes sociais. 

O sacerdote explica que conteúdos gerados por inteligência artificial podem incluir textos, imagens, áudios e vídeos. A utilização da tecnologia, ressalta, não significa necessariamente que o material seja falso ou produzido com intenção de enganar. 

“É importante ressaltar que um conteúdo criado por inteligência artificial não é necessariamente falso ou mal-intencionado. Depende muito de quem vai utilizá-lo”, explica. 

O cenário é diferente quando se trata dos chamados deepfakes. Segundo padre Arnaldo, eles utilizam recursos tecnológicos para produzir uma representação falsa e convincente de determinada pessoa, fazendo parecer, por exemplo, que alguém disse algo que nunca falou, praticou uma ação que não realizou ou esteve em um lugar onde nunca esteve. 

“O deepfake pode envolver rosto, voz e também movimento. Um exemplo clássico seria um vídeo em que o rosto de uma pessoa é colocado no corpo de outra. Ou a pessoa estar em um lugar em que ela nunca esteve, fazendo algo que nunca fez”, explica. 

No contexto eleitoral, esse tipo de manipulação pode ser empregado para interferir na percepção dos eleitores sobre candidatos e outras pessoas envolvidas no debate público. 

Como identificar conteúdos suspeitos

Padre Arnaldo recomenda que, antes de compartilhar qualquer conteúdo, o usuário procure confirmar a informação em fontes seguras e confiáveis. A orientação é ainda mais importante quando uma publicação apresenta declarações ou situações surpreendentes ou que destoem daquilo que normalmente se conhece sobre determinada pessoa. 

“Não saia compartilhando logo, de imediato. Recebeu, nem leu e já compartilhou. A primeira coisa é verificar se aquilo é real”, orienta. 

Há também alguns sinais que podem levantar suspeitas sobre vídeos manipulados. Entre eles, padre Arnaldo cita movimentos estranhos da boca, expressões faciais pouco naturais, iluminação ou sombras inconsistentes, entonações incomuns na voz e cortes suspeitos. 

O assessor pondera, no entanto, que o avanço tecnológico torna essas manipulações cada vez mais sofisticadas e difíceis de identificar apenas pela observação. Por isso, reforça uma orientação básica: diante da dúvida, não compartilhar e buscar a confirmação da informação. 

“Se você desconfia de que aquilo não é real, não compartilhe. Ou não simplesmente aceite aquilo ali como verdade imediata sem ter uma comprovação”, afirma. 

Responsabilidade também ao compartilhar

Além da responsabilidade ética, padre Arnaldo chama a atenção para possíveis implicações decorrentes da divulgação de conteúdos ilícitos. Segundo ele, o usuário precisa considerar as consequências daquilo que decide reproduzir em suas redes sociais e aplicativos de mensagens. 

“Precisamos ter um certo cuidado para não sermos manipulados por pessoas que, às vezes, utilizam as plataformas e a tecnologia para criar uma narrativa e, muitas vezes, prejudicar outras pessoas”, afirma. 

Para o assessor, esse cuidado deve estar relacionado tanto aos valores cristãos quanto à responsabilidade diante da legislação. Ao final do episódio, padre Arnaldo reforça a importância de buscar informações em canais oficiais e fontes confiáveis. 

“Esperamos que, cada vez mais, as pessoas busquem sempre a verdade em fontes autênticas e oficiais”, afirma. Para ele, essa postura faz parte também da responsabilidade dos cristãos na vida pública: “Vamos exercer cada vez mais não apenas os nossos direitos, mas, principalmente, a nossa vocação cristã de conduzir e ajudar a sociedade na busca pelo bem comum e pela dignidade do próximo”. 

A série “Discernimento Católico – Eleições 2026” aprofunda, a cada episódio, aspectos da mensagem dos bispos ao povo de Deus para o período eleitoral, oferecendo reflexões e orientações para a participação consciente dos católicos na vida política e social do país. 

Por Larissa Carvalho

______________________________________________________________________
                                                                                                              Fonte: cnbb.org.br

Importante reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

O delicado tema da correção de um irmão

O encorajamento, como a correção fraterna, é uma das facetas da caridade. (Missal da Paulus)

O amor que emana do Evangelho manda que corrijamos o irmão quando ele se desvia do bom caminho e envereda por trilhas perigosas. O bem-querer profundo ordena que, sem pretensões de superioridade, alertemos os que podem perder a alegria de viver e escapar da claridade do Evangelho. Tema sempre delicado esse da correção fraterna. Alguém que vive por viver, que sorve de todas as águas, que se mostra indiferente às dores do irmão, dores que escondem ou mostram as dores de Cristo presentes na vida do irmão. Com cuidado faremos a correção., não se pode omitir. Quanto receio… Pisamos em ovo…

O evangelista tem como pano de fundo uma intensa vida de comunidade. Não uma multidão de pessoas que se encontram frequentemente em vários contextos. Pessoas que se conhecem, que percorrem juntas uma parte da estrada. Comunidades celebrantes diferentes de nossas assembleias de “desconhecidos”. Estas últimas pessoas que mal e mal se veem. Indubitavelmente, o cristianismo se vive mais fácil e densamente, em comunidades menores, sempre abertas ao mundo e não refúgio de pessoas timoratas.

Normal que aqueles que tomam consciência da necessidade de corrigir o irmão estejam empenhados seriamente em corrigir-se a si mesmos ouvindo a voz de seu interior, cultivando delicadeza de consciência e compreendendo o mais pessoalmente possível os apelos ou ordens do Evangelho de corrigir. Uma lição antigo do catecismo dizia que a correção dos que erram é obra de misericórdia.

Estas palavras de Luciano Manicardi devem nos fazer pensar: “A correção fraterna opõe-se ao silêncio cúmplice, à passividade de quem não quer brigar com o outro, aos mecanismos de autojustificação sempre prontos a encontrar bons motivos para não intervir e não denunciar o mal ali, onde é cometido. Em nível eclesial, a correção corresponde a uma palavra audaz e profética pronunciada a qualquer preço, porque no meio está o Evangelho. Um dos mais frequentes pecados de omissão é abster-se da denúncia do mal e do pecado, é abster-se da correção fraterna” (Comentários à Liturgia, p.137).

Num linguajar jurídico, o Evangelho fala de alguns passos no movimento da correção: primeira etapa é falar em particular com aquele que erra, em seguida abordagem a dois e depois uma denúncia a Igreja. Estamos nitidamente num quadro de vida em as pessoas estão numa comunidade concreta. Há um pormenor que gostaria de realçar: se, em conversa particular, o irmão acolher correção ele estará salvo. Salvo de quê? De uma condenação eterna? Não em primeiro lugar. Ele passa a ser membro de uma comunidade em que Cristo se faz presente. Passa a ser membro viçoso e não peça morta. O meu amor por ele é tal que desejo que ele seja muito, mas muito feliz readquirido o amor de Cristo, a vontade de fazer morrer o homem velho, a ter saudade de Deus.

Corrigimos a quem vive perto de nós e que amamos. Por vezes hesitamos em fazer a correção com medo de “perder o amigo”. Novamente Manicardi: “A correção fraterna é entendida do ponto de vista de quem a recebe, que é sempre um irmão, um membro da comunidade cristã. É necessária muita humildade e disponibilidade para se corrigir e para recomeçar. A correção fraterna autêntica não é um juízo, e ainda menos uma condenação, mas um acontecimento sacramental que faz reinar Cristo como terceiro entre quem a pratica e quem a recebe. Ela requer a coragem da palavra: coragem que apenas pode nascer enraizando sua própria palavra na Palavra do Evangelho (Idem, p. 138).

Pagola: “Quanto bem pode fazer a todos nós essa crítica amistosa e leal, essa observação oportuna, esse apoio sincero no momento em que nos havíamos desorientado. Toda pessoa é capaz de sair de seu pecado e voltar à razão e a bondade. Mas frequentemente precisa encontrar alguém que a ame de verdade, a convide a interrogar-se e possa contagiá-la com um novo desejo de verdade e generosidade” (Mateus, p. 229).

Cabe aqui ainda uma observação: nossos desvios, nossos pecados, as correções que nos são feitas… tudo podemos levar ao fundo de nossa verdade e celebrar o perdão no sacramento da reconciliação. Nossa vida, por mais alegre que possa ser, é também marcada pela condição de penitente. Até que ponto valorizamos o sacramento da confissão? Somos pessoas em estado “penitencial”? Há posturas que assumimos que precisam de um perdão que vai além do carinho do irmão, ou seja, a celebração do perdão na Igreja? Tudo o que ligares…

Não podemos deixar de levar para nossa vida o último versículo do Evangelho hoje proclamado: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”. Será que vivenciamos isso. Uma presença do Ressuscitado. Onde existe amor de verdade, atenção, é terra sagrada… hora de tirar a sandália dos pés.

_____________________________________________________________

Oração

Senhor,
minha vida, minha única vida.
Quero viver intensamente.
Não tolero que empurremos a vida como
se empurra um carrinho com bagagens no aeroporto.
Vivo, corre, faço, desfaço, amo, odeio, choro, canto.
Minha vida meio louca… meio sem eixo.
Seria tão bom que alguém que me ama de verdade
viesse sentar do meu lado e me corrigir
Assim não mais perderia o vigor
dessa aventurosa empreitada da vida.
Dá-me, Senhor, quem corrija meus passos.

 _____________________________________________________________________________________

FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

___________________________________________________                                                                      Fonte: franciscanos.org.br   Imagem: vaticannews.va