quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Interessante reflexão do arcebispo de Natal (RN):

O sofrimento como condição da existência humana

Existir é, simultaneamente, dom e provação. Não se trata de um paradoxo retórico, mas de uma verdade estrutural da condição humana. Desde que o ser humano tomou consciência de si, percebeu que a vida não se oferece como um caminho linear de satisfação, mas como uma travessia marcada por tensões, perdas, frustrações, desejos não cumpridos e dores que escapam à lógica da razão instrumental. 

A filosofia moderna, especialmente a tradição pessimista alemã, ousou nomear essa ferida constitutiva da existência sem subterfúgios. Entre seus expoentes, destaca-se Arthur Schopenhauer, para quem o sofrimento não é um acidente da vida, mas o seu traço estrutural. Sofremos não porque algo deu errado, mas porque existimos. Essa afirmação, à primeira vista dura, não pretende negar a beleza da vida, mas libertá-la de ilusões ingênuas. Existir é uma dádiva, porém exigente, que cobra lucidez, maturidade e coragem interior. 

Em sua obra O Mundo como Vontade e Representação, Schopenhauer sustenta que a essência última da realidade não é a razão, mas a Vontade: um impulso cego, incessante e irracional que impele o ser humano a desejar continuamente. O sofrimento nasce exatamente desse movimento incessante da vontade. Enquanto desejamos, sofremos pela falta; quando alcançamos o objeto desejado, sofremos pela saciedade, da qual brotam o tédio e o vazio interior. A existência oscila, assim, entre dois polos igualmente inquietantes: a carência e o tédio. 

Essa estrutura não é episódica, mas universal: ninguém escapa a essa condição. Mudam apenas os objetos do desejo: amor, reconhecimento, sucesso, prestígio, segurança financeira, pertencimento, aceitação social. O sofrimento não se dissolve com a posse do objeto desejado; ao ser alcançado, ele apenas se transforma, assumindo novas formas. 

O primeiro grande modo do sofrimento é a carência. Sofremos porque nos falta algo ou alguém: amor correspondido, amizade leal, reconhecimento, compreensão, estabilidade, segurança. A falta fere porque revela nossa vulnerabilidade radical. Esse sofrimento se intensifica quando nasce da não aceitação, da frustração de expectativas alheias projetadas sobre nós. Quando o sujeito percebe que não corresponde aos ideais de perfeição exigidos por pessoas próximas, a dor deixa de ser apenas emocional e se torna existencial: sofre-se não apenas pelo que falta, mas pelo que se é ou pelo que se julga ser. 

Aqui o sofrimento toca a dignidade. A alma nobre, sensível e profundamente humana é, muitas vezes, a mais vulnerável a esse tipo de dor, justamente porque sente com profundidade e não se protege com o cinismo. 

Paradoxalmente, quando a carência é satisfeita, não encontramos a paz prometida. Surge, então, o segundo grande sofrimento: o tédio. Uma inquietação silenciosa instala-se como sombra persistente sobre a existência. Essa experiência é retratada de modo magistral e profundamente irônico na canção Ouro de Tolo, de Raul Seixas, na qual o sujeito constata ter alcançado tudo aquilo que socialmente lhe foi apresentado como sinônimo de felicidade — emprego estável, reconhecimento, bens, conforto e sucesso — e, ainda assim, vê emergir o vazio e o tédio, revelando a insuficiência dessas conquistas para conferir sentido último à vida. A crítica não se dirige ao sucesso em si, mas à ilusão de que ele seja capaz de redimir a condição humana. Assim, a saciedade não liberta; ao contrário, evidencia a falta de sentido quando a existência é reduzida à lógica da posse. 

Há ainda um terceiro nível de sofrimento: a dor propriamente dita — física, psíquica, emocional e espiritual, a dor da alma. Essa dor não se resolve com distrações nem com argumentos; exige presença, escuta, tempo e, muitas vezes, silêncio. Negá-la ou rebelar-se contra ela apenas intensifica o drama. A dor que não é acolhida torna-se corrosiva. 

Schopenhauer ensina que o sofrimento é inevitável porque existir é desejar. A fé cristã, contudo, acrescenta uma palavra decisiva: o sofrimento não é definitivo.

Dom João Santos Cardoso - Arcebispo de Natal (RN)

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Catequese para o seu dia:

Eles afirmam crer no Espírito Santo!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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NO estudo de Dogmática Católica há uma parte que trata da Pneumatologia. Não tem nada a ver com pneu. E É muito mais do que sopro ou ar ou respiração! Tem mais a ver com ILUMINAÇÃO.

Vem da língua grega (Pneuma) e do hebraico (Ruah) e do latim (Spiritu). Na falta de vocábulos os autores usavam de analogias.

Análogo é algo que lembra um fato ou uma realidade, mas é mais do que isso! Não conseguindo definir, usamos de comparações.

Lembro-me do meu professor esforçando -se para nos ensinar os mais de 50 documentos e definições desde os primeiros séculos até o Concílio que acontecia no ano 1964.

Tínhamos que ler cerca de 80 páginas sobre Spiritu, Ruah, Pneuma, Ghost, e é claro que continuava difícil colocar isso em palavras comuns, em inglês ou espanhol.

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O que foi ficando evidente é que os sinais ainda não eram e não são claros. Nunca serão. É mistério! Não é fácil pregar sobre Pentecostes.

Sem os fundamentos bíblicos, sem a presentificação, continuação e consumação de Deus em Jesus Cristo a maioria dos pregadores católicos, evangélicos ou pentecostais que vemos na TV e nos acampamentos e retiros fica tudo como mergulhar no raso.

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Num rio ou num lago, alguns conseguem ir a dois ou quatro metros de profundidade ou tocar o piso da piscina. Mas isto é pouquíssimo! No oceano é ainda mais desafiador. Pouquíssimos mergulham a mais de três metros. A profundidade é sempre um desafio.

É preciso treino e fôlego para ir a 20 metros e, mesmo com o auxílio de aparelhos, praticamente ninguém consegue maior profundidade. Um em cada 1000 consegue!

No estudo de teologia, cristologia e pneumatologia a maioria é como o nadador ou mergulhador que não passa mais de três metros.

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Muitos dos que pregam ou dão testemunho de vida dizendo que o Espírito Santo disse, falou, fez isso mais aquilo neles, estão guiados mais pelo sentimento do que pelo conhecimento.

Os apóstolos e evangelistas usavam muito a palavra CONHECER...

Jesus respondeu aos fariseus que achavam que entendiam tudo de Escrituras: “Vós estais enganados! Não compreendeis nem as Escrituras nem o poder de Deus”. (São Mateus 22, 30).

São Paulo exclama:

“Ó abismo da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são insondáveis suas decisões e incompreensíveis seus caminhos! Com efeito, “quem jamais conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?” (Romanos 11, 33-34).

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Se para quem conviveu com os apóstolos ou recebeu as primeiras catequeses era difícil explicar o Cristo, Pentecostes, Ruah e Pneuma, imaginem quem mal abre sua Bíblia e vive apenas de trechos de palestras ou frases de livros de piedade? Estão preparados para pregar sobre o Espírito Santo?

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Falo por mim que vivo estudando documentos e livros e encíclicas e, mesmo assim, não arrisco dizer que recebi tal ou qual revelação do Espírito Santo. Não falo do que não vivo. Deus nunca falou comigo! O que sei veio da Bíblia e de mestres em Bíblia!

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Parabéns para quem mergulha fundo e diz que toca fundo em Pentecostes. Eu vou até onde eu consigo. Mergulhar ou repousar no Espírito não é para qualquer pregador. A doutrina da GRAÇA exige muita humildade.

Aprendi a nunca dizer que DEUS ME TOCOU ou me disse coisas ao OUVIDO. Cito a Bíblia e jamais digo que recebi algum recado particular do Céu. A revelação terminou com o último apóstolo a morrer.

20 séculos depois a gente TRANSMITE, REPERCUTE e CATEQUIZA, mas não inventa novas revelações.

Deus nunca falou comigo, mas me motiva a ler e estudar o que veio com Jesus e com os apóstolos há 20 séculos.

Não sou vidente nem profetizo. Se alguém sente vidente, considera-se profeta e apóstolo vá em frente! Depende do que viu e ouviu. Nossa Igreja aceitou alguns videntes e até os canonizou, mas eles nunca foram contra os evangelhos e as epístolas.

Quem ousou inventar suas próprias revelações e sua própria visão moral, e politicamente jogou seus seguidores contra a unidade, acabou fundando sua própria igreja. De profeta e crente acabou dissidente e renitente e impenitente …

Pregar e repercutir a unidade é uma graça: a de querer transmitir o pensar e o sentir do CRISTO … Esses católicos não brincam de ser porta vozes do Espírito Santo.

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O triste é que alguns porta-vozes de Pentecostes e do Espírito Santo pouco falam de Cristo. Aderiram a Montano (150-20) e Mani (216-276) e que, com suas novas revelações, substituíram Jesus pelo Espírito Santo e pregaram o bem e o mal sem nenhuma misericórdia. O Deus deles era castigador e vingativo.

Prestem atenção ao que eles pregam nos seus mega encontros e retransmitem pela Internet.

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Falam da Era do Espírito como se a Era do Filho estivesse ultrapassada! Como se a justiça fosse mais importante do que a compaixão. São altamente seletivos: escolhem os versículos que mais se coadunam com seus propósitos de esquerda ou de direita.

No fundo, são mais políticos do que religiosos. Pregam a teologia do Domínio: “os outros que se convertam porque nós já encontramos o Jesus que procurávamos ”!… Será?

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis (MG):

Horários de missa e outros eventos

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Dia 5 - Quinta-feira

19h - Terço dos homens na matriz

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 Dia 6 - Primeira Sexta-feira

Não haverá missa às 15h

19h - Missa com o rito de Posse Canônica do novo pároco, padre João Bosco de Freitas, e apresentação do vigário, diácono Lucas Lázaro Carvalho, sob a presidência de dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R

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Dia 7 - Sábado

19h - Missa na matriz

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Dia 8 - 5º Domingo do Tempo Comum

7h - Missa na matriz          9h - Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges      16h - Missa na igreja de Santo Antônio

19h - Missa na matriz

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Papa na catequese desta quarta-feira:

Deus fala através da Bíblia,
devemos interpretá-la sem fundamentalismos

Na Audiência Geral desta quarta-feira (4/02), Leão XIV destacou que Deus continua a falar aos homens e mulheres de todos os tempos por meio da Bíblia, mas que essa Palavra divina se exprime em linguagem humana e, por isso, deve ser acolhida e interpretada sem reducionismos.

“A Constituição Conciliar Dei Verbum, sobre a qual temos refletido nas últimas semanas, aponta na Sagrada Escritura, lida na Tradição viva da Igreja, para um espaço privilegiado de encontro no qual Deus continua a falar aos homens e mulheres de todos os tempos, para que, ao ouvi-Lo, possam conhecê-Lo e amá-Lo”, afirmou o Papa Leão XIV no início da catequese, ao dar continuidade ao ciclo de reflexões sobre o Concílio Vaticano II, na Audiência Geral desta quarta-feira, 4 de fevereiro, realizada na Sala Paulo VI, com a presença de milhares de fiéis.

Leão XIV recordou que os textos bíblicos não foram escritos em uma linguagem celestial ou sobre-humana, mas em línguas humanas, marcadas pela história e pela cultura dos seus autores. Assim, Deus escolheu comunicar-se assumindo a linguagem dos homens, como já havia feito ao encarnar-se em Jesus Cristo.

A colaboração entre Deus e os autores humanos

O Papa explicou que, ao longo da história da Igreja, refletiu-se amplamente sobre a relação entre o Autor divino e os autores humanos da Escritura. Se durante séculos se insistiu quase exclusivamente na inspiração divina, hoje a Igreja reconhece também o verdadeiro papel dos hagiógrafos. Deus é o principal autor da Escritura, mas os escritores sagrados são, ao mesmo tempo, “verdadeiros autores” dos livros bíblicos, e completou:

“Deus nunca menospreza o ser humano e as suas potencialidades!”

Evitar leituras fundamentalistas

Segundo o Santo Padre, uma interpretação correta dos textos sagrados não pode ignorar o contexto histórico em que se desenvolveram e as formas literárias:

“Abandonar o estudo das palavras humanas usadas por Deus corre o risco de resultar em leituras fundamentalistas ou espiritualistas da Escritura que traem o seu significado. Este princípio também se aplica ao anúncio da Palavra de Deus: se perde o contato com a realidade, com as esperanças e os sofrimentos da humanidade, se utiliza uma linguagem incompreensível, incomunicativa ou anacrônica, é ineficaz. Em cada época, a Igreja é chamada a reapresentar a Palavra de Deus com uma linguagem capaz de se encarnar na história e de chegar aos corações.”

A Escritura como Palavra viva para hoje

Por outro lado, o Pontífice advertiu contra o risco oposto: considerar a Escritura apenas como um texto do passado ou como objeto de estudo técnico. Especialmente quando proclamada na liturgia, a Palavra de Deus é destinada a falar à vida dos fiéis hoje, iluminando escolhas e decisões.

Isso só é possível quando os textos são lidos sob a ação do mesmo Espírito que os inspirou. Nesse sentido, Leão XIV citou Santo Agostinho: “Quem crê, compreendeu as Sagradas Escrituras [...]; se, por meio dessa compreensão, não for capaz de edificar a dupla caridade, para com Deus e para com o próximo, ainda não as compreendeu”.

A Palavra que conduz à vida plena

O Papa concluiu destacando que o Evangelho não pode ser reduzido a uma mensagem meramente filantrópica ou social, pois é o anúncio da vida plena e eterna oferecida por Deus em Jesus Cristo.

“Queridos irmãos e irmãs, demos graças ao Senhor porque, em sua bondade, não permite que nossas vidas fiquem sem o alimento essencial da sua Palavra”, exortou o Pontífice, pedindo também que as palavras e a vida dos cristãos não obscureçam o amor de Deus que nela se manifesta.

Thulio Fonseca – Vatican News

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Assista:

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Interessante reflexão de dom Julio Endi Akamine::

Celulares ao Alto!

Uma das gerações mais talentosas dos Meninos Cantores de Viena resolveu dissolver o grupo com uma última apresentação. Os meninos estavam mudando de voz e não manteriam mais o mesmo timbre na adolescência. Para a despedida, escolheram a ária mais difícil e mais bela do repertório. Tudo foi preparado para que fosse uma apresentação memorável. Para que se fizesse dela um registro impecável, providenciaram a melhor aparelhagem de gravação, os técnicos mais competentes e um local com excelente ambiente acústico. No dia marcado, até as condições climáticas contribuíam favoravelmente para a gravação. 

Quando, porém, o grupo começou a cantar, a equipe de gravação desistiu de registrar a apresentação e preferiu desfrutar daquele momento único. Tinha se tornado evidente que, por melhores que fossem os recursos e as condições, não havia como reproduzir a experiência do evento. A equipe de gravação não tinha como captar a preciosidade originalíssima da apresentação musical; só quem estava presente podia testemunhar algo que, em si mesmo, não podia ser reproduzido artificialmente. Havia até uma certa vergonha por pensar que se poderia transformar a experiência do momento em um produto de consumo. Pareceu desrespeito e empobrecimento condenável querer se apropriar daquela apresentação. Os presentes experimentaram o temor de violar a beleza indefesa daquela ária se apoderando dela com meios virtuais extrínsecos. O único modo de respeitá-la era acolhê-la com atenção e alegria, recebê-la com admiração, fazer silêncio e desfrutá-la até sua última nota. 

Esse relato pode ajudar a entender por que não tem sentido participar da missa pela TV ou redes sociais através de gravação. Temos que distinguir entre o evento e o seu registro. Do evento nós podemos participar pessoalmente, ainda que seja transmitido pelos meios de comunicação. A gravação não nos põe diante do evento, somente de seu registro. 

Essa analogia indica também com que reverência devemos tomar parte da missa. Em uma de suas catequeses, o Papa Francisco se queixou de que na missa nós rezamos corações ao alto e não celulares ao alto. É um comportamento preocupante quando celebramos os sagrados mistérios tirando fotos e fazendo vídeos. 

O relato é também uma advertência. Às vezes a facilidade de registrar um acontecimento pode fazer com que se perca a oportunidade da experiência pessoal. Os acontecimentos são únicos, e os registros analógicos ou virtuais não podem reproduzi-los. Servem como recordação, mas não os atualizam. 

Há, porém, eventos do passado que se tornam presentes. Isso não por força de nossas recordações ou registros, mas porque são fatos realizados por Deus. Eles têm uma natureza diferente dos acontecimentos históricos, pois não permanecem sepultados no passado distante nem são invalidados pelo tempo. Permanecendo históricos, superam a história e são sempre atuais. A linguagem cristã designa esses eventos realizados por Deus com uma palavra conhecida em sua forma, mas não em seu conteúdo: mistérios. 

Os mistérios cristãos são a presença do eterno na nossa história, a presencialização do inefável no aqui e no agora da vida, a efusão do infinito de Deus na finitude caduca de nossa condição terrena. Toda vez que os cristãos celebram os sagrados mistérios se tornam expectadores e testemunhas da beleza sempre nova da morte e ressurreição de Jesus. Os ritos se repetem, as palavras são sempre as mesmas, mas, como uma sinfonia tantas vezes executada nunca é uma experiência insípida, com muito mais razão ainda os sagrados mistérios nos põem diante da Realidade de Deus.

Dom Julio Endi Akamine - Arcebispo de Belém do Pará (PA) 

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Para refletir:

Só uma rota?

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Padre Zezinho

A importância da psicopedagogia na fé

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Anos atrás num gigantesco congestionamento na saída de São Paulo, fomos direcionados para a Via Airton Sena. Tínhamos nossa rota e era por ali que sempre íamos.

Mas os técnicos nos fizeram mudar de rota! Também ali havia congestionamento, mas ao menos aí o trânsito fluía. Numa viagem que usualmente durava duas horas levamos cinco horas para chegar em casa!

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Na fé, os que só conhecem um caminho com Jesus para o Pai ou com Maria para Jesus, muitos adeptos de movimentos de oração fixam-se “numa só rota”, esquecidos que se há atalhos PERIGOSOS, também há atalhos SALVADORES. Depende das enchentes, das barreiras e das pedras que rolaram sobre rodovia.

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Décadas atrás levei onze horas para chegar a São Paulo, porque em duas barreiras na montanha não havia outra alternativa. Em outra ocasião, vindo de Curitiba a São Paulo, alguém descobriu que era possível ladear a rodovia porque o riacho lá embaixo era apenas um filete de água. Então seguimos a rota com um desvio de 600 metros.

Há desvios úteis e há desvios perigosos!

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Inflexibilidade na fé é sinal de poucos recursos espirituais. Facilmente há fanatismos de uma só solução, quando Deus nos aponta para outras soluções.

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O próprio Jesus dava outras soluções para quem quisesse segui-lo. Deixava ir embora (Jo 6,64-68) ou aconselhava a que ficassem por lá mesmo, sem ir com ele (a samaritana, a Cananéia, o cidadão que Jesus aconselhou a ficar em casa e com os parentes).

Nunca fui ouvido quando aconselhei alguns católicos a seguir Efésios 3, 14-21: a alargar os horizontes da fé conhecendo outras experiências de catolicismo. Nunca aceitaram.

Não quiseram conhecer o caminho franciscano, beneditino, dehoniano, salvatoriano, vicentino, redentorista, paulino, salesiano e outros!

Tinham conhecido o caminho pentecostal e só queriam aquela rota!…

Ora o que é o CATOLICISMO? O que é Kat Holou? O que significa: “para todos e não só para seu único grupo? Não quiseram ouvir. Alguns até me ofenderam. E eu estava apenas mostrando o Catecismo Católico.

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Na verdade, sou dehoniano, mas bebo das fontes franciscanas, beneditinas, paulinas, salesianos, Redentoristas, jesuítas e outras vertentes. Todas essas rotas levam ao Cristo na mesma Igreja.

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Espiritualidade supõe aceitar as mesmas luzes, mas cada com suas janelas, vidraças e cortinas. Bastaria só abri-las para receber mais luz!…

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

Celebração litúrgica desta segunda:

Festa da Apresentação do Senhor

A Igreja celebra a festa da Apresentação do Senhor após quarenta dias do Natal. Este acontecimento é narrado pelo evangelista Lucas no capítulo 2. No Oriente, a celebração desta festa remonta ao século IV e, desde o ano 450, é chamada "Festa do Encontro", porque Jesus “encontra” os sacerdotes do Templo, mas também Simeão e Ana, que representam o povo de Deus. Por volta de meados do século V, esta festa era celebrada também em Roma. Com o passar do tempo, foi acrescentada a esta festa a “bênção das velas”, recordando que Jesus é a "Luz dos Gentios".

«Concluídos os dias da sua purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram o Menino a Jerusalém, para apresentá-lo ao Senhor, conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito de sexo masculino será consagrado ao Senhor” (Ex 13,2); eles ofereceram um par de rolas ou dois pombinhos como sacrifício prescrito pela Lei do Senhor. Ora, em Jerusalém havia um homem chamado Simeão: um homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Movido pelo Espírito Santo, ele também foi ao Templo, porque não queria morrer sem primeiro ter visto o Cristo do Senhor. Tendo seus pais apresentado o Menino Jesus ao Templo, para cumprir os preceitos da Lei, ele o tomou em seus braços e louvou a Deus nestes termos: “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação, que preparastes diante de todos os povos, luz para iluminar as nações e glória do vosso Povo de Israel”» (cf. Lc 2, 22-40).

Oferta

Segundo a Lei de Moisés, o primogênito de sexo masculino era propriedade do Senhor e destinado ao serviço do Templo. Mais tarde, quando os descendentes de Levi, os levitas, assumiram o serviço do Templo, esta prescrição caiu em desuso, mas o primogênito devia ser resgatado com uma oferta em dinheiro, para a manutenção do sacerdote.

Encontro com Simeão

“Movido pelo Espírito, foi ao Templo”. Deve-se evidenciar um detalhe: Simeão foi inspirado pelo Espírito Santo, que o levou também ao “reconhecimento” de Jesus, como o Esperado, a Luz dos Gentios. Devemos colocar-nos diante desta Luz: “A verdadeira luz veio ao mundo; a luz que ilumina cada homem... mas o mundo não o reconheceu" (Jo 1,9-10).

Maria guardava tudo em seu coração

Simeão abençoou os pais, mas suas palavras são dirigidas apenas à mãe: seu Filho será sinal de contradição. Jesus é a Luz do mundo, mas será rejeitado, admirado e amado, mas também crucificado, derrotado; morrerá e ressurgirá. Um caminho repleto de contradições, que ficou impresso no coração da Mãe.

Encontro com Ana

A profetisa Ana também foi ao Templo. Segundo os detalhes do evangelista, nota-se quanto ela também era uma mulher de Deus, muito idosa, viúva. Como "profetisa" conseguiu entender o que os outros tanto queriam ver: a presença de Deus! Ela soube ir para além das aparências e viu que aquele Menino era o “Esperado pelos Gentios”.

Esperança

Na época de Jesus, a idade média de vida era de aproximadamente 40 anos. Mas, o evangelista diz que Simeão e Ana eram “idosos".  Os idosos, geralmente, vivem de recordações, saudades dos tempos idos, enquanto os jovens vivem de esperança, olham para frente. Neste caso, estamos diante de dois idosos que, porém, ao ver o Menino, olham para frente, aguardam, se surpreendem, cantam de alegria e esperança. Tais detalhes demonstram quanto eram jovens de coração, repletos de Deus e de suas promessas: e Deus não decepciona!

Profetas

Todos nós também somos envolvidos por esta "visão", pois quem aceita viver o Evangelho torna-se sinal de contradição. Colocar-se diante do Senhor Jesus, Luz dos Gentios, requer muita coragem, mas, ainda mais e antes de tudo, ser "de Deus", como Simeão e Ana; requer também a consciência de nem sempre ver tudo claramente, como José e Maria, que ficaram “admirados” com o que diziam de seu Filho, mas, depois, sabemos que Maria “guardava e meditava” tudo em seu coração.

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