segunda-feira, 4 de maio de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 5 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h - Celebração na comunidade das Andorinhas

19h30 - Reunião com os colaboradores da Procissão de Corpus Christi no CPSJ

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Dia 6 - Quarta-feira

19h - Missa votiva em louvor a São José na matriz

19h - Celebração na comunidade dos Moreiras

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Dia 7 - Quinta-feira

  19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração na comunidade Nossa Senhora Aparecida (Bela Vista)

19h - Celebração na comunidade dos Jacintos

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Dia 8 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

  19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

19h - Celebração na comunidade São Benedito (Goiabal)

19h - Celebração na comunidade da Serra dos Pereiras

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Dia 9 - Sábado

19h -  Missa na Matriz

19h - Celebração na comunidade São Geraldo

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Dia 10 - 6º Domingo de Páscoa

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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O mês mariano:

a pedagogia da Virgem Maria e a força espiritual da Igreja 

Cardeal Orani João Tempesta - Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

O mês de maio estabelece um ritmo espiritual distinto e inconfundível na vida da Igreja Católica. A Tradição milenar consagra este período de trinta e um dias à veneração da Virgem Maria. A devoção mariana não representa um apêndice teológico, uma piedade periférica ou um enfeite litúrgico. Ela constitui o núcleo incandescente da experiência cristã. Maria garante a concretude da humanidade do Verbo Encarnado. Sem a sua aceitação livre, consciente e corajosa, o mistério da Salvação não atingiria a história humana. A Igreja dedica o mês de maio para mergulhar na compreensão daquela que gerou o próprio Deus, oferecendo aos fiéis uma escola permanente de fé e ortodoxia. 

Historicamente, a dedicação de maio à Virgem Maria remonta à Europa medieval e consolida-se na modernidade. O mês que marca o ápice da primavera no hemisfério norte simboliza a renovação da vida, o desabrochar das flores e a superação do inverno rigoroso. A Igreja assumiu essa simbologia natural e a elevou à ordem da graça. Maria representa o florescimento da redenção humana. No calendário litúrgico, este período habitualmente sucede a Oitava de Páscoa e pavimenta o caminho para a Solenidade de Pentecostes. Essa localização possui um significado teológico exato. Maria esteve fisicamente presente no Cenáculo. Ela sustentou a fé incipiente dos apóstolos, atemorizados após o drama da crucificação, e aguardou com eles a efusão do Espírito Santo. A vivência íntegra do mês mariano exige que o cristão assuma essa exata postura: uma expectativa vigilante, ancorada na certeza da ressurreição e inflamada pela coragem apostólica. 

A dinâmica pastoral do mês mariano opera através de práticas seculares que nutrem e sustentam a fé do povo de Deus. A recitação diária do Santo Rosário, o canto da Ladainha Lauretana e as tradicionais coroações de Nossa Senhora nas paróquias não configuram meros ritos folclóricos ou tradicionalismos vazios. O Rosário funciona como um compêndio perfeito do Evangelho. A cada mistério contemplado, o fiel medita os passos, o sofrimento e a glória de Cristo através dos olhos daquela que O conheceu com a intimidade absoluta de uma mãe. A Igreja reconhece no Rosário uma arma espiritual de eficácia histórica e comprovada contra as forças da desagregação moral, contra as crises familiares e contra a violência social. As comunidades e as famílias que assumem esta oração com seriedade e constância transformam o ambiente ao seu redor. 

O Magistério da Igreja reafirma a centralidade inegociável da Mãe de Deus na economia da salvação. O atual Sumo Pontífice, Papa Leão XIV, mantém firme a bússola de São Pedro ao apontar a Virgem de Nazaré como o antídoto supremo contra o narcisismo e o individualismo contemporâneos. O Papa Leão XIV ensina que Maria destrói a soberba do homem moderno exatamente pela via da obediência radical aos desígnios de Deus. Enquanto a cultura vigente exalta a autossuficiência egoísta e a rebelião contra qualquer autoridade, o exemplo mariano demonstra que a verdadeira grandeza e a autêntica liberdade humana residem na submissão irrestrita à vontade divina. A Igreja precisa respirar com este pulmão mariano para não sufocar na burocracia institucional ou no pragmatismo estéril de ações que esquecem a dimensão do sagrado. 

O aprofundamento deste período exige a compreensão dos dogmas que estruturam a figura de Maria. O Concílio de Éfeso, no ano 431, decretou Maria como Theotókos, a Mãe de Deus. Essa verdade dogmática protege a própria integridade da cristologia. Negar a maternidade divina de Maria significa fragmentar a pessoa de Jesus Cristo, separando a sua divindade de sua humanidade. O dogma da Imaculada Conceição proclama que Maria foi preservada da mancha do pecado original desde o primeiro instante de sua existência. Ela exibe o projeto original de Deus para a humanidade, não corrompido pela queda. A Assunção de Maria em corpo e alma aos céus antecipa a glória escatológica que aguarda a totalidade da Igreja. O povo simples, ao entoar os cânticos de maio e enfeitar os andores, defende essas verdades de fé com a mesma precisão e eficácia dos grandes tratados acadêmicos de teologia. 

A figura da Virgem impõe obrigações práticas e imediatas aos fiéis. A espiritualidade mariana autêntica rejeita a inércia e o comodismo espiritual. O Evangelho relata que, imediatamente após o anúncio do Arcanjo Gabriel, Maria partiu apressadamente para a região montanhosa da Judeia a fim de servir sua prima Isabel, que estava grávida em idade avançada. A verdadeira devoção exige a mesma pressa no serviço aos mais vulneráveis. O fiel que desfia o rosário nos bancos da igreja, mas ignora a fome do vizinho, a injustiça em seu ambiente de trabalho ou a exclusão dos marginalizados, frauda a própria fé. No episódio das bodas de Caná, Maria percebe a falta de vinho antes de qualquer outra pessoa e exige uma intervenção do seu Filho. O cristão precisa cultivar esse mesmo olhar clínico mariano para detectar as imensas faltas de vinho da sociedade atual: a miséria extrema, o desemprego estrutural, a desintegração das famílias e o abandono impiedoso dos idosos. 

O cântico do Magnificat explicita a força transformadora dessa mulher. Maria profetiza com clareza cristalina que o Senhor derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes; enche de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias. Este texto não permite uma leitura passiva ou alienada da fé. A Virgem Maria endossa a justiça divina que subverte as lógicas opressoras do mundo. A devoção mariana possui, portanto, uma inegável dimensão de transformação social, baseada na dignidade de cada filho de Deus. 

O mês mariano entrega aos fiéis um programa de vida robusto e estruturado. A Igreja orienta e exige de seus membros a intensificação rigorosa da oração pessoal, a frequência redobrada aos sacramentos da Eucaristia e da Confissão, e o engajamento prático em obras de caridade durante estas semanas. O cristão deve extrair da vivência de maio a reserva de força espiritual necessária para enfrentar as provações do ano inteiro. A consagração pessoal a Nossa Senhora forja homens e mulheres resilientes, dotados de uma fibra moral que os torna capazes de suportar a cruz sem ceder ao desespero. 

O Evangelho de São João atesta que Maria permaneceu de pé junto à cruz de Jesus. O mundo contemporâneo, marcado por guerras, colapsos éticos e desesperança, exige fiéis que permaneçam igualmente de pé diante das tragédias modernas. A Igreja precisa de católicos que sustentem a esperança nos ambientes onde a sociedade civil decreta a derrota absoluta. O mês de maio reafirma a promessa de que a vitória definitiva sobre a morte e sobre o mal pertence a Cristo, e a Tradição atesta que o caminho mais seguro, rápido e perfeito para alcançar o coração de Jesus passa, inevitavelmente, pelo Imaculado Coração de Sua Mãe. 

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Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

domingo, 3 de maio de 2026

Leão XIV no Regina Caeli deste domingo:

a fraternidade e a paz são o nosso destino

Cada um tem já um valor infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira realidade. Amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou, oferecemos a nós mesmos essa consciência. É o mandamento novo: assim antecipamos o céu na terra, revelamos a todos que a fraternidade e a paz são o nosso destino. Com efeito, no meio de uma multidão de irmãos, no amor, cada um descobre ser único. Foi o que disse o Papa no Regina Caeli deste V Domingo do Tempo Pascal.

O Evangelho proclamado neste domingo introduz-nos no diálogo do Mestre com os seus, durante a Última Ceia. Em particular, ouvimos uma promessa que nos conecta desde já no mistério da sua ressurreição. Jesus diz: «Quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também» (Jo 14, 3).

Com essas palavras, o Santo Padre comentou o Evangelho deste domingo, 3 de maio, no Regina Caeli, ao meio-dia, ao rezar com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro para a oração que substitui o Angelus no período pascal.

Neste tempo litúrgico, tal como a Igreja nascente, ressaltou o Pontífice, recordamos as palavras de Jesus que revelam todo o seu significado à luz da sua paixão, morte e ressurreição. O que antes escapava aos discípulos ou lhes causava perturbação, agora ressurge na memória, aquece o coração e dá esperança.

Os Apóstolos descobrem que em Deus há lugar para cada um. Dois deles tinham-no experimentado desde o primeiro encontro com Jesus, junto ao rio Jordão, quando Ele se deu conta de que o seguiam e os convidou a ficar naquela tarde na sua casa.

Também agora, diante da morte, Jesus fala de uma casa, desta vez muito grande: é a casa do seu Pai e do nosso Pai, onde há lugar para todos. O Filho descreve-se como o servo que prepara os aposentos, para que cada irmão e irmã, ao chegar, encontre o seu pronto e se sinta desde sempre esperado e finalmente encontrado.

O Papa observou que no mundo antigo em que ainda caminhamos, chamam a atenção os lugares exclusivos, as experiências ao alcance de poucos, o privilégio de entrar onde ninguém mais pode. Em vez disso, no mundo novo para onde o Ressuscitado nos leva, aquilo que tem maior valor está ao alcance de todos. Mas não por isso perde o seu encanto. Pelo contrário, aquilo que está acessível a todos agora gera alegria: a gratidão substitui a competição; a acolhida apaga a exclusão; a abundância já não implica desigualdade.

Acima de tudo, ninguém é confundido com outra pessoa, ninguém está perdido. A morte ameaça apagar o nome e a memória, mas em Deus cada um é finalmente ele mesmo. Na verdade, é este o lugar que procuramos durante toda a vida.

«Tende fé», diz-nos Jesus. Eis o segredo! «Tende fé em Deus e tende fé também em mim». É precisamente esta fé que liberta o nosso coração da ansiedade de obter e de possuir, do engano de perseguir um lugar de prestígio para valer alguma coisa. Cada um tem já um valor infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira realidade. Amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou, oferecemos a nós mesmos essa consciência. É o mandamento novo: assim antecipamos o céu na terra, revelamos a todos que a fraternidade e a paz são o nosso destino.

Com efeito, no meio de uma multidão de irmãos, no amor, cada um descobre ser único, disse por fim o Pontífice, pedindo, então, a Maria Santíssima, Mãe da Igreja, para que cada comunidade cristã seja uma casa aberta a todos e atenta a cada um.

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Assista:

Raimundo de Lima – Vatican News

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Fonte: vaticanews.va

Reflexão para este domingo:

Crer em Jesus, o Cristo

José Antonio Pagola

Há na vida momentos de verdadeira sinceridade em que surgem do nosso interior, com lucidez e claridade incomuns, as perguntas mais decisivas: em última análise, em que eu creio? O que é que espero? Em quem apoio minha existência?

Ser cristão é, antes de tudo, crer em Cristo. Ter a sorte de ter-se encontrado com Ele. Acima de toda crença, fórmula, rito ou ideologização, o verdadeiramente decisivo na experiência cristã é o encontro com Jesus, o Cristo. Ir descobrindo por experiência pessoal, sem que ninguém tenha que dizer-nos de fora, toda a força, a luz, a alegria, a vida que podemos ir recebendo de Cristo. Poder dizer a partir da própria experiência que Jesus é “Caminho, Verdade e Vida”.

Em primeiro lugar, descobrir Jesus como Caminho. Escutar nele o convite a caminhar, avançar sempre, não deter-nos nunca, renovar-nos constantemente, aprofundar-nos na vida, construir um mundo justo, fazer uma Igreja mais evangélica. Apoiar-nos em Cristo para andar dia a dia o caminho doloroso e ao mesmo tempo gozoso que vai da desconfiança à fé.

Em segundo lugar, encontrar em Cristo a verdade. A partir dele descobrir Deus na raiz e no extremo do amor que nós seres humanos damos e acolhemos. Dar-nos conta, por fim, de que a pessoa só é humana no amor. Descobrir que a única verdade é o amor, e descobri-lo aproximando-nos do ser concreto que sofre e é esquecido.

Em terceiro lugar, encontrar em Cristo a vida. Na realidade, as pessoas creem naquele que nos dá a vida. Por isso, ser cristão não é admirar um líder nem formular uma confissão sobre Cristo. É encontrar-nos com um Cristo vivo e capaz de fazer-nos viver.

Jesus é “Caminho, Verdade e Vida”. É outro modo de caminhar pela vida. Outra maneira de ver e sentir a existência. Outra dimensão mais profunda. Outra lucidez e outra generosidade. Outro horizonte e outra compreensão. Outra luz. Outra energia. Outro modo de ser. Outra liberdade. Outra esperança. Outro viver e outro morrer.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 2 de maio de 2026

A tenda do encontro:

os 7 passos na construção
das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2026-2032

As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) foram aprovadas durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada nas últimas semanas, em Aparecida (SP). O texto dessas orientações e indicações pastorais para animar a missão da Igreja em suas dioceses e comunidades é fruto de um processo iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento em perspectiva sinodal.  

Confira abaixo os sete passos que marcaram o caminho da atualização das diretrizes:  

1. A Carta dos bispos à Igreja no Brasil 

Em setembro de 2022, ao final da etapa presencial da 59ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos enviaram uma carta na qual explicavam e davam início ao processo de construção das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. O itinerário ali apresentado mantinha as diretrizes em vigor desde 2019 e propunha “prolongar o exercício da escuta”, a “vivência de um tempo de discernimento” e a “recepção e aprofundamento das indicações do Documento Final do Sínodo”. 

2. Tempo de discernimento 

O ano de 2023 foi marcado pelo discernimento. A ideia é que esse exercício se desdobrasse “na compreensão de conceitos presentes nas Diretrizes, na apresentação concreta de metodologias e indicações pastorais, à luz das Constituições principais do Concílio Vaticano II”. 

Nesse período, o processo de atualização das diretrizes avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e desafios como a pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial. Nesse contexto, ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que passaram a orientar a elaboração do texto.  

3. Encorajamento, consolidação e aprofundamento 

O ano de 2024 foi marcado pelo aprofundamento do texto até então elaborado. Durante a 61ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos trabalharam sobre um instrumento de trabalho que sistematizou as contribuições recebidas até o momento. A metodologia incluiu a “conversa no Espírito”, com grupos de discernimento voltados à escuta dos sinais dos tempos e à definição de caminhos pastorais.  

A imagem da “tenda alargada” tornou-se inspiração central, expressando o desejo de uma Igreja mais acolhedora, aberta e missionária. O processo também buscou integrar as conclusões do Sínodo e dialogar com questões emergentes, como o impacto das novas tecnologias, a crise climática e o crescimento do individualismo. 

Em junho daquele ano, o Papa Francisco enviou uma carta confirmando e animando os bispos no processo de elaboração das diretrizes. O pontífice encorajou o episcopado brasileiro confiando ao Espírito Santo a iluminação das mentes e corações, “guiando-os na formulação de orientações que possam responder aos desafios contemporâneos e levar a Palavra de Deus a todos os cantos do país”. 

4. Nova rota definida, passando pelas dioceses 

Chegado o ano de 2025, a expectativa era de votação do texto durante a Assembleia Geral, marcada para o período de 30 de abril a 9 de maio. Entretanto, com o falecimento do Papa Francisco, os bispos decidiram pelo adiamento da Assembleia, passando a votação para este ano de 2026.  

Durante o Conselho Permanente de julho de 2025, os bispos aprovaram a sugestão da equipe de redação das diretrizes de o texto ser usado ainda como Instrumento Laboris (Instrumento de Trabalho) por dioceses e organismos eclesiais até o final do ano. Esse contato prévio das dioceses também teve a intenção de que, após leitura detalhada, fossem enviadas à equipe de redação novas observações para serem incorporadas ao texto.   

5. Novo instrumentum laboris 

Com o contato das dioceses e de organismos com o instrumento de trabalho, a equipe de redação acolheu as sugestões enviadas e as incorporou ao texto junto com as inspirações vindas do pontificado do Papa Leão XIV e as indicações de implementação do processo do Sínodo sobre a Sinodalidade.  

Em janeiro de 2026, após receber as contribuições das dioceses, a comissão de redação das Diretrizes enviou a todos os bispos a 23ª versão do texto, consolidando o caminho construído de forma colegiada, marcado pela escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante. A versão final do texto foi entregue ao Conselho Permanente no mês de março.  

6. Amadurecimento do texto das Diretrizes

Durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos debruçaram-se sobre o texto e fizeram novas contribuições para a equipe de redação. Foram mais de 1500 emendas feitas durante a assembleia, as quais foram analisadas pela equipe de redação.  

“Essa equipe trabalhou de uma forma extraordinária e chegamos a um texto que, imagino, reflete as necessidades da obra da evangelização hoje no território”, destacou o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler.

 7. A tenda do encontro e a recepção do Sínodo 

O texto foi aprovado na quinta-feira, dia 23 de abril. Durante a coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira, 24 de abril, dom Jaime Spengler apresentou a estrutura do texto das diretrizes, aprovado no dia anterior com acolhida do resultado expressivo da votação com aplausos de pé no plenário da Assembleia.

O texto propõe para a Igreja no Brasil a imagem da tenda do encontro, assim como no Sínodo sobre a Sinodalidade, como inspiração para a acolhida de todos, a possibilidade de alargamento e da itinerância na missão.

“As orientações das diretrizes estão em grande sintonia com aquilo que hoje a Igreja no seu todo pede do seu povo, da nossa gente”, pontuou dom Jaime.  

Conheça a estrutura do documento das DGAE que terão validade de 2026 a 2032: 

1º Capítulo: A Igreja: tenda do encontro 
A Igreja é compreendida como tenda do encontro. A tenda acolhe todos, ela pode ser, sempre de novo alargada, de acordo com as necessidades.   

2º Capítulo: A escuta dos sinais 
É feita a escuta tanto dos sinais dos tempos, que dizem respeito à realidade atual do mundo, quanto os sinais de esperança e da ação do Espírito Santo que podem ser vistos nas comunidades de todo o país.

3º Capítulo: Discernimento para uma Igreja Sinodal 
Aqui entram os aspectos fundamentais que já foram apresentados durante o Sínodo dos Bispos em 2023 e 2024, os princípios da comunhão, da participação e da missão. 

4º Capítulo: Povo de Deus em missão 
Todos nós somos chamados a testemunhar e anunciar o Evangelho (laicato, ministros leigos e leigas, famílias, crianças e adolescentes, jovens, mulheres, pessoas com deficiência e neurodivergência, idosos, vida consagrada, ministros ordenados e povos indígenas).

5º Capítulo: Caminhos da Missão 
Indicações sobre “os modos concretos” de efetivar as propostas das Diretrizes da Ação Evangelizadora, não apenas com ações, mas que todos encontrem na tenda “lugar, sentido e envio na missão”. Nesse sentido, os caminhos dizem respeito à animação bíblica da Pastoral; à iniciação à vida cristã, à liturgia e à piedade popular; ao serviço à vida plena para todos; à evangélica opção preferencial pelos pobres; à formação, defesa e cuidado da vida e à ecologia integral.

6º Capítulo: Compromissos sinodais
Com o compromisso de que as diretrizes tivessem em sintonia com as decisões do Sínodo, o texto foi firmado como o principal instrumento de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade na realidade do Brasil. Assim, o último capítulo contém uma atitude considerada por dom Jaime como o “coração do documento final do Sínodo 2023”: a conversão.

Assim, os compromissos sinodais partem da conversão em três âmbitos: das relações, dos processos e dos vínculos.

Na conversão das relações, estão presentes a questão da proteção de menores e da comunicação, por exemplo.

Na conversão dos processos, os bispos abordam os espaços de promoção da sinodalidade, como as assembleias diocesanas, os conselhos pastorais, os conselhos econômicos e a questão do Dízimo.

Por fim, a conversão dos vínculos diz respeito aos organismos do povo de Deus, aos organismos e projetos missionários, ao Pacto Educativo Global lançado pelo Papa Francisco e à questão do ecumenismo e o diálogo inter-religioso.  

Luiz Lopes Jr

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Fonte: cnbb.org.br

Papa em ordenação de bispos neste sábado:

pobres encontrem em seus pastores
a maternidade que é o rosto da Igreja

Saibam sempre motivar incansavelmente as pessoas e as comunidades, simplesmente recordando a beleza do Evangelho. Que os pobres de Roma, os peregrinos e os visitantes que aqui vêm de várias partes do mundo encontrem nos habitantes desta cidade, nas suas instituições e nos seus pastores, aquela maternidade que é o rosto autêntico da Igreja: disse Leão XIV aos novos bispos auxiliares de Roma, por ele ordenados na tarde deste sábado (02/05) na Basílica de São João de Latrão, sede da Diocese de Roma.

Deixem o Espírito da profecia agir em vocês: não se contentem com os privilégios que sua condição pode oferecer-lhes, não sigam a lógica mundana de ocupar os primeiros lugares, sejam testemunhas de Cristo que não veio para ser servido, mas para servir. Vocês serão profetas em seu ministério se forem homens de paz e unidade, compondo com os fios de graça e misericórdia, os espaços vastos e populosos desta Diocese, harmonizando as diferenças, acolhendo, ouvindo e perdoando. Foi o que disse o Santo Padre aos novos bispos auxiliares da Diocese de Roma, por ele ordenados no final da tarde deste sábado, 2 de maio, na Basílica de São João de Latrão, sede da diocese. Os novos bispos são: dom Stefano Sparapani, dom Alessandro Zenobbi, dom Andrea Carlevale e dom Marco Valenti.

Consagrados ao serviço do Evangelho de Cristo

Após o canto Veni, Creator Spiritus e a apresentação dos dos eleitos, antes da ordenação episcopal, o Pontífice fez a homilia da celebração. Leão XIV lembrou já de início - às 2.500 pessoas presentes na basílica -, que esta Igreja de Roma tem uma vocação singular para a universalidade e a caridade, graças ao seu vínculo especial com Cristo, ressuscitado e vivo, fundamento do edifício espiritual de pedras vivas que é o povo santo de Deus. “Aproximar-se de Cristo significa, portanto, aproximar-se uns dos outros e crescer juntos na unidade: este é o Mistério que nos envolve e transforma por dentro a cidade. A serviço do seu dinamismo, trazido a Roma pelos apóstolos Pedro e Paulo, os nossos irmãos Andrea, Stefano, Marco e Alessandro são ordenados ao episcopado. É uma celebração do povo, pois eles vêm deste povo e do presbitério que os acolhe com amor”, ressaltou o Papa.

Nossa comunidade diocesana se reúne hoje na invocação do Espírito Santo, que ungirá os novos bispos, para que sejam plenamente consagrados ao serviço do Evangelho de Cristo. Ele é a pedra rejeitada que, "escolhida por Deus", "se tornou a pedra angular" (1 Pedro 2,4.7; cf. Salmo 118, 22).

Igreja que vive em Roma, a pedra rejeitada é o coração do anúncio messiânico, voltado para aqueles que a sociedade rejeitou e continua a rejeitar. É o coração do nosso anúncio, da nossa missão, disse o Santo Padre.

O Papa Leão XIV ordena quatro novos bispos auxiliares para a Diocese de Roma   (@Vatican Media)

Em Cristo, os rejeitados se sentem escolhidos para o Reino

Nesta cidade, capital do grande império, a pedra rejeitada tornou-se o estandarte de uma nova esperança, a do Reino de Deus, como vislumbrado nas Bem-aventuranças e cantado no Magnificat. Ao subverter a lógica do domínio, daqueles que perseguem a ambição insensata de determinar a arquitetura da Terra, acontece em Cristo que os rejeitados redescobrem a sua dignidade e se sentem escolhidos para o Reino de Deus, observou o Papa.

Queridos irmãos e irmãs, é por isso que, até hoje, nos tornamos pedras rejeitadas pelos homens e escolhidas por Deus: quando, com a vida e a palavra, nos opomos a projetos que esmagam os fracos, que não respeitam a dignidade de cada pessoa, que usam os conflitos para selecionar os mais fortes, negligenciando quem fica para trás, quem não aguenta, considerando quem sucumbe como um lixo da história. Jesus caminhou entre nós como um profeta desarmado e desarmante, e quando foi rejeitado, não mudou seu estilo.

“E agora me dirijo a vocês, queridos irmãos, que a partir de hoje serão Bispos Auxiliares desta Igreja, cujo cuidado recebi como um presente; a vocês que, com o Cardeal Vigário, poderão me ajudar a ser um reflexo do Bom Pastor para o povo romano e a zelar pela caridade de todo o povo santo de Deus espalhado pela terra”, acrescentou o Bispo de Roma.


Ninguém deve se considerar rejeitado por Deus

Em seguida, Leão XIV encorajou-os a alcançar as pedras rejeitadas desta cidade e a proclamar-lhes que, em Cristo, nossa pedra angular, ninguém está excluído de se tornar parte ativa do edifício santo que é a Igreja e da fraternidade entre os seres humanos. O Papa enfatizou que ninguém, absolutamente ninguém, deve se considerar rejeitado por Deus, e que os quatro eleitos deverão ser em seu ministério episcopal arautos desta boa nova que está no  coração do Evangelho.

Por fim, convidando-os a serem zelosos pastores, atentos e solícitos em seu ministério, o Pontífice fez uma veemente exortação aos eleitos:

Não se deixem procurar, deixem-se encontrar. E assegurem que sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, e leigos engajados no apostolado nunca se sintam sozinhos. Ajudem eles a reacender a esperança em seus diversos ministérios e a se sentirem parte da mesma missão. Saibam sempre motivar incansavelmente as pessoas e as comunidades, simplesmente recordando a beleza do Evangelho. Que os pobres de Roma, os peregrinos e os visitantes que aqui vêm de várias partes do mundo encontrem nos habitantes desta cidade, nas suas instituições e nos seus pastores, aquela maternidade que é o rosto autêntico da Igreja.


Raimundo de Lima – Vatican News

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Fonte: vaticanews.va

Eis um chamado salvador:

Voltar sempre de novo a Jesus

Frei Almir Guimarães

Eu sou o caminho, a verdade e a vida!

A Igreja precisa levar a Jesus: este é o centro da Igreja. Se alguma vez acontecer que a Igreja não leve a Jesus, ela seria uma Igreja morta. Jesus pode romper com os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisioná-lo e surpreende-nos com sua constante criatividade divina. (José A. Pagola)

Não há dúvida. Precisamos voltar a Jesus. Um Jesus vivo, ressuscitado, misteriosamente presente em nosso meio e impulsionando-nos a caminhar em frente na busca de um mundo novo, de uma nova ordem de coisas em que os pequenos são reis, os servos são santos, os que recolhem os jogados à beira da estrada mostram que querem fazer da terra um antegozo do paraíso. Sim, antes de tudo buscamos sua presença humana mas também de ressuscitado. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Hoje quem nos dirige estas palavras é o Ressuscitado.

É verdade que a figura de Cristo impressiona a muitos homens e mulheres de nossos tempos pelo seu lado humano: atenção para com os mais simples, respeito pelas crianças, revolta contra os praticantes da lei pela lei e sem coração, compaixão, capacidade de criar laços de amizade, coragem diante das perseguições, alguém que não compactua com a corrupção e a mentira, buscadores de seres dilacerados. A leitura dos evangelhos nos coloca diante de uma figura atraente e que merece toda atenção. Os que o ouvem têm vontade de andar no seu seguimento.

Um aspecto de nosso relacionamento com Jesus é o da amizade. Ele mesmo disse que já não nos chamaria de servos, mas de amigos. Pela leitura em silêncio das páginas das escrituras, pela contemplação do Sacrário, sem muitas falas e hinos, vamos cultivando em nós essa dimensão da amizade com Jesus. Outras vezes preferimos chama-lo de Mestre. Gostamos de chama-lo de Senhor, de nosso Senhor. Não seria essa uma preocupação que deviam ter pais e catequistas já com as crianças chamando atenção para um Jesus amigo, mestre e senhor?

Sabemos que esse Jesus humano foi a presença do Altíssimo entre nós. Nele Deus visitou ( e visita) nossa terra. Percorre nossos caminhos, senta-se à nossa mesa. Se ele é nosso irmão, é também nosso Senhor, tendo passado pela morte e ganhado nova vida é o Senhor. O Jesus histórico encantador e fascinante é o Ressuscitado.

Importante vivermos uns com os outros. Termos o gosto pela convivência, pela comunidade. No seio dessas comunidades ouviremos sua Palavra, falaremos das coisas que precisamos fazer, comeremos seu corpo. É um modo de fazer-se presente a nós. Assim voltamos a Jesus.

“Voltar a Jesus é reavivar nossa relação com ele. Deixar-nos alcançar por sua pessoa. Deixar-nos seduzir não só por uma causa, um ideal, uma missão, uma religião, mas pela pessoa de Jesus, pelo Deus vivo nele encarnado. Deixar-nos transformar pouco a pouco por este Deus apaixonado por um vida mais digna, mais humana e feliz para todos, a começar pelos últimos, os mais pequenos, indefesos e excluídos” (Pagola).

Voltar a Jesus é empreender um caminho de transformação pessoal que designamos de conversão. Mudança interior em que os valores de Cristo passam a ser nossos valores: simplicidade de vida, extinção de toda vontade de dominar e colocar-se acima dos outros, respeito pelas manifestações de vida, sobretudo nos mais frágeis ( crianças, idosos, aqueles que pela ganância de alguns vivem o inferno antes da hora, os doentes e os idosos).

“Muitas vezes nosso trabalho pastoral é concebido e desenvolvido de tal foram que tendemos a estruturar a fé dos cristãos não a partir da experiência do encontro pessoal com Jesus, o Filho querido de Deus encarnado entre nós, mas a partir de certas crenças, da docilidade a certas pautas de comportamento moral e de celebração fiel de uma liturgia sacramental. Mas só com isto não conseguimos despertar nas comunidades a adesão mística a Jesus Cristo, nem a vinculação própria dos discípulos e seguidores. Fizemos uma Igreja na qual muitos cristãos e não poucos pastores pensam que, pelo fato de viver nela aceitando certas doutrinas e cumprindo certas práticas religiosas, já estão vivendo a experiência vivida pelos primeiros discípulos a comprometer-se a seguir Jesus” (Pagola, Voltar a Jesus, Vozes, p.52).

Concluindo

Cristo é o caminho: não há outras vias para atingir a Deus e para chegar aos homens. Cristo é a verdade: na confusão ruidosas das mil verdades que só duram um dia, ele permanece como termo último de todas as verdades.Cristo é a vida: todos os esforços do homem para vencer as barreiras da morte só conseguem retardar de um momento o terrível encontro. Só Cristo destrói essa barreira que nos abre as portas, para uma vida sem fim, em plenitude total (Inspirado no Missal Dominical da Paulus, p. 383)

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Oração pelas Mães - 2º domingo de maio

Senhor Deus, grato por teu olhar, por tua bondade,
pela tua delicada presença em todo o tempo de minha vida.
Hoje penso em minha mãe, hoje já envelhecida.
Muito obrigado pela mãe que me deste.
Seu sangue corre em minhas veias.
Junto dela, escondido, comecei a viver quando era quase nada,
quando a força da vida que vem de ti me fez começar a viver.
Ele me deu proteínas, sangue, noites de vigília, cuidados de todos os jeitos, seu leite generoso, cuca de banana, leite queimado com mel nos dias de resfriado, presentes no natal, afago e beijo na hora de dormir e por minha causa e em meu benefício suportou provações e viveu muitas preocupações.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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