terça-feira, 28 de julho de 2026

Bela reflexão para o seu dia:

Acolher a Verdade

Dom Geraldo dos Reis Maia - Bispo de Araçuaí (MG)

Não basta conhecer a Verdade, é preciso acolhê-la como parte integrante de nossa existência. O amor à verdade constituiu fator indispensável para adentrar suas entranhas, formulando categorias para chegar a ela com mais segurança e dispersando as ciladas do engano e do erro, as chamadas Fake News de hoje, nas redes sociais. Desde a Grécia Antiga, muitos pensadores procuraram conhecer e acolher a Verdade, dedicando-lhe toda a sua existência, a ponto até de oferecer a vida por ela, como foi o caso de Sócrates.

Dom Geraldo dos Reis Maia

Para Platão, a verdade não estava no mundo real. Aqui, na verdade, fazemos a experiência, como que em sombras, do que está no mundo ideal. Ao contrário, seu discípulo Aristóteles compreendia que a verdade está presente neste mundo. Verdade é a adequação da coisa em si com a ideia que temos dela. Aristóteles compreendia que eram os homens que formulavam os conceitos a respeito das coisas para poder reconhecê-las: “dizer do que é que ele não é / e do que não é que ele é, é dizer o falso; dizer do que é que é / e do que não é que não é, é dizer o verdadeiro”.

Continua Aristóteles: “Se, com efeito, o homem existe, a proposição pela qual nós dizemos que o homem existe é verdadeira e, reciprocamente, se a proposição pela qual nós dizemos que o homem existe é verdadeira, o homem existe. Contudo, a proposição verdadeira não é de modo algum causa da existência da coisa; ao contrário, é a coisa que parece ser, de algum modo, a causa da verdade da proposição, pois é da existência da coisa ou da sua não existência que dependem a verdade ou a falsidade da proposição” (Categorias, 14b16-23).

Para Santo Agostinho, “a verdade e sua busca são o alimento da nossa alma”. Segundo o Bispo de Hipona, nada atrai mais a alma humana do que o desejo pela verdade. Nenhum homem suporta viver na mentira. “Que todos querem a verdade”, isso se comprova pelo fato de gostarmos de enganar, mas detestarmos ser enganados (cf. Conf. 10,23). Segundo ele, a Verdade Suprema é Deus, a Beleza que se encontra dentro do ser: “Tarde te amei, ó Beleza sempre antiga, sempre nova, tarde te amei! Estavas dentro de mim, mas eu estava fora, e foi lá que Te procurei” (Conf. 10).

Santo Tomás de Aquino recolhe o raciocínio aristotélico na conceituação da verdade, em perspectiva bastante objetiva. Para ele, verdade “é a conformidade entre o intelecto e a coisa”. Ao mesmo tempo em que o Doutor Angélico acolhe a objetividade do ser que se evidencia diante da inteligência humana, ele retrata a importância do processo cognitivo humano que é capaz de apreender a essência desse ser manifestado. Ficam, assim, ressaltadas a verdade lógica e a verdade ontológica.

É a nossa inteligência que depende da verdade ontológica, com uma dependência real: “A verdade que se diz das coisas com relação ao intelecto humano; o que, para as coisas, é algo em certo modo acidental, porque suposto que não existisse nem pudesse existir o intelecto do homem, as coisas continuariam permanecendo em sua essência. Porém a verdade que se diz delas em relação ao intelecto divino lhes está inseparavelmente unida, pois estas não podem subsistir senão pelo intelecto de Deus, que as produz no ser” (Tomás de Aquino, De Veritate, q.1, a.5, c.). Em tal ponto, o filósofo se afasta da doutrina aristotélica porque reconhece uma verdade do ser, verdade que tem como princípio um Ser supremo. Via nesse Ser supremo Deus, o qual, por ser a própria perfeição, confere inteligibilidade aos seres e  cognoscibilidade aos homens.

Na Filosofia Moderna, Heidegger vai compreender que o eixo do conhecimento é o ser enquanto clareira do aberto. Como nos ensinou J. Arduini: “E foi contemplando a clareira que se abre na floresta, que chegou a entender o homem como abertura orientada para o sentido do ser” (Destinação Antropológica, p. 85). Para J. Arduini, “Verdade não é apenas um princípio abstrato. Verdade é realidade existente, o fato concreto…” (Antropologia, p. 59). É essa realidade concreta, existente como “ser aí”, que precisamos experienciar e testemunhar para além de narrativas que não condizem com a realidade.

O Papa Leão XIV nos adverte: “o desinteresse pela verdade leva, lenta mas inexoravelmente, a deslizar para o totalitarismo, segundo o qual o súbdito ideal, como escreveu a filósofa Hannah Arendt, não é tanto aquele ideologicamente convencido, mas ‘aquele para quem já não existe a diferença entre o fato e a ficção (isto é, a realidade da experiência), nem a diferença entre verdadeiro e falso (que constituem os critérios do pensamento)’” (MH, 134). Por isso, importa perseverar na busca e na acolhida da Verdade, que liberta o ser humano do risco da falsidade e dos desvios da realidade.

E o Papa nos faz um forte apelo: “Permaneçamos fiéis à verdade! (…) É necessário abandonar uma visão individualista e técnica do homem, como se a realidade fosse pura matéria a ser moldada em função de interesses egoístas, tanto individuais como de grupo. (…) A fidelidade à verdade exige integrar as possibilidades oferecidas pela técnica num caminho de sabedoria, capaz de salvaguardar simultaneamente a dignidade de cada pessoa e o futuro da nossa Casa comum” (MH, 237). É preciso estar atento às falsas narrativas e às fake news, para caminhar em busca da Verdade a ser acolhida em nossa vida.

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  Fonte: cnbb.org.br

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos
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Dia 28 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

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Dia 29 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor a São José na matriz

19h - Celebração na comunidade da Cochos

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Dia 30 - Quinta-feira

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração nas comunidades Pedra Branca e Santa Luzia (Bela Vista)

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Dia 31 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa no Asilo São Vicente de Paulo

19h - Celebração na Casa de Oração Mãe da Obediência e nas comunidades das Andorinhas e dos Coqueiros

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

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Dia 1º de agosto - Sábado

19h -  Missa na matriz

19h -  Celebração na comunidade São Francisco

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Dia 2 - 18º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Catequese para esta segunda-feira:

Esclarecendo aquele simples “I”…

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Nos primeiros quatro séculos do cristianismo os dogmas ainda não tinham sido definidos. A doutrina da trindade e a cristologia ainda eram discutidas por bispos, teólogos e biblistas. Muitas definições aconteceram nesses primeiros concílios. O de Nicéia e o de Calcedônia e o de Constantinopla, por exemplo. As escolas de Antioquia e de Alexandria se destacaram por seus estudos de teologia. Discutia teologia nas ruas. Cantava-se teologia, Ário e Efrém usavam a música para ensinar doutrina católica!

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No quesito CRISTOLOGIA levou-se tempo até que se definisse quem era Jesus de Nazaré. Se era o Cristo, o prometido ungido que os judeus esperavam, ou se era apenas mais um dos muitos profetas que apareciam na Judéia e Galileia.

No caso da expressão HOMOOUSIOS com ou sem um “i” no meio fez toda a diferença! Homoousios ou HOMO-I-OUSIOS. Mesma natureza? Ou semelhante, mas diferente!

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Entre os personagens a debater destacavam-se o sacerdote teólogo e cantor Ário e o teólogo e bispo Atanásio de Alexandria, ambos do norte da África. Ambos africanos e negros. E houve também dois imperadores romanos: Constantino e seu filho e herdeiro Constâncio. Eles determinavam ou aprovavam o jeito de ser católico! Tudo tinha que passar pelo palácio.

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O dogma era: Jesus era da mesma natureza, ou de natureza parecida e apenas semelhante ao Pai? Só o Pai era Deus? Por ser filho, O Filho era menos divino do que o Pai?

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Ainda hoje há pregadores católicos e protestantes e pentecostais, que não entendem o dogma da Santíssima Trindade!

Vejo isso todos os dias na Internet. São arianos sem o saber. O imperador Constantino aceitou o cristianismo, mas nunca entendeu o porquê do dogma da Santíssima Trindade. Ao contrário como muitos protestantes insistem, já tinha havido 33 papas até o ano 318.

Então o catolicismo não foi fundado pelo imperador Constantino. Veio diretamente de Jesus a Pedro. Mas isso não interessa a estes pregadores que querem legitimar suas fundações de 1000 ou 1500 ou apenas 40 anos e fundadas no Rio ou em São Paulo!

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O filho Constâncio se dizia cristão, mas seguiu os arianos e morreu ariano. Os debates eram acirrados, com exílios, prisões e até mortes.

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Ário morreu dizendo que Jesus era o Filho, mas não era tão Deus como o Pai. Afirmava que o Filho foi criado pelo Pai e não gerado eternamente. E não era da mesma substância divina.

O CREDO, ou o CREIO que rezamos aos domingos é a conclusão daqueles concílios. GERADO eternamente e não criado pelo PAI. O Filho sempre existiu, mas se encarnou há 2000 anos e foi IESHUAH de Nazaré.

Há quem creia, há quem não creia! Apenas 2 bilhões de crentes em Jesus que sustentam que ele é O UNGIDO (o CRISTÓS) que tomou forma humana e veio viver como nós. Mas há cerca de 6 bilhões de humanos que têm outra visão de Deus ou de deuses.

E é por isso que um católico deve ler e estudar este livro! Ou você crê ou dúvida, mas ao menos sabe no que um católico crê. E, sabendo, divulgue e explique!

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

domingo, 26 de julho de 2026

Leão XIV no Angelus deste domingo: a indústria do consumo

envenena o coração. Deus nos abre à alegria.

No Ângelus rezado na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo, Leão XIV alertou para os riscos de um mercado que "altera o paladar" e não sacia, exortou a deixar-se surpreender com o encontro com Jesus, "o tesouro escondido, a pérola preciosa, a rede que recolhe os dispersos". Recordou que "Deus não faz distinção de pessoas e que a sua eleição é predileção, especialmente por quem é pequeno e rejeitado".

O Papa Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus deste domingo (26/07) da Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo, onde permanece até segunda-feira, 27 de julho, para um período de descanso de verão.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice ressaltou que "no centro do ensinamento de Jesus está o mistério do Reino de Deus, que o Evangelho" deste domingo "compara a uma pérola e a um tesouro".

De acordo com Leão XIV, "as parábolas dão a entender a surpresa de quem encontra algo que nem sequer podia esperar, a tal ponto que vender ou deixar tudo já não aparece como uma renúncia, mas sim como um ganho". Segundo o Papa, "os evangelistas, desde as primeiras páginas, descrevem como irresistível o chamado de Jesus a segui-lo: livre, certamente, mas urgente e capaz de suscitar uma resposta imediata e movida pelo desejo".

“Este é um primeiro e importante aspecto do modo como Deus está próximo e se deixa encontrar: o encontro com o seu Reino é uma reviravolta que não restringe, mas alarga a vida. Se algo tem agora de mudar, é para trazer mais possibilidades, não menos.”

Igreja, comunhão de pessoas diferentes

O Papa citou "um segundo aspecto ao qual Jesus parece dar muita importância: quem encontra o tesouro escondido no campo é provavelmente um agricultor; a pérola, por sua vez, é reconhecida como sendo de grande valor por um negociante, talvez um viajante". "Seguem-se outras duas parábolas, nas quais os protagonistas são pescadores e um escriba entendido em coisas antigas e novas. Existem outras, ainda, em que o Reino se deixa vislumbrar numa mulher que amassa a farinha, noutra que arruma a casa, num rei que prepara a guerra, num homem que projeta construir uma torre, em administradores que gerem pagamentos ou investimentos, em pastores e agricultores. O Reino de Deus, em suma, revela a sua beleza inestimável de diversas formas, mas chama todos – homens e mulheres, jovens e idosos, pobres e ricos – a uma profunda renovação. Todos podem compreendê-lo e são atraídos por ele", disse o Papa Leão, acrescentando:

“Também hoje a Igreja é uma comunhão de pessoas diferentes quanto à sua origem, à cultura, às competências e ao nível de responsabilidade, mas todas chamadas a reconhecerem-se como “um” em Jesus Cristo: é Ele o tesouro escondido, a pérola preciosa, a rede que recolhe os dispersos. Com efeito, desde o princípio, Jesus chamou e reuniu em torno de si pessoas que, de outro modo, nunca se teriam relacionado. Precisamente assim demonstrou que Deus não faz distinção de pessoas e que a sua eleição é predileção, especialmente por quem é pequeno e rejeitado.”

Aprender a perceber o que realmente importa

De acordo com o Pontífice, "só nos resta pedir um dom, o mesmo que o jovem rei Salomão invocou. É o dom de distinguir a pérola de grande valor, de saber reconhecer o tesouro pelo qual vale a pena vender tudo".

“Enquanto a indústria do consumo nos altera o paladar, suscitando sempre novas necessidades para depois nos vender respostas que não saciam e, por vezes, envenenam o coração, temos de aprender a perceber o que realmente importa, o tesouro da relação com Deus, que nos abre à alegria e ajuda a viver da melhor maneira as relações entre nós.”

Leão XIV concluiu, pedindo a Maria, Sede da Sabedoria, para que "oriente para Jesus o nosso desejo de vida, a fim de que se realize em plenitude".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

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  Fonte: vaticanews.va     Vídeo e fotos: (@Vatican Media

Reflexão para este domingo:

Descobrir o projeto de Deus

José Antonio Pagola

Não era fácil crer em Jesus. Alguns se sentiam atraídos por suas palavras. Em outros, pelo contrário, surgiam não poucas dúvidas. Seria razoável seguir a Jesus, ou seria uma loucura? Hoje acontece o mesmo: vale a pena comprometer-se em seu projeto de humanizar a vida, ou é mais prático ocupar-nos com o nosso próprio bem-estar? Neste ínterim, pode nossa vida passar sem tomarmos nenhuma decisão.

Jesus conta duas breves parábolas. Em ambos os relatos, o respectivo protagonista se encontra com um tesouro sumamente valioso ou com uma pérola de valor incalculável. Ambos reagem do mesmo modo: vendem tudo o que têm e se fazem com o tesouro ou a pérola. É, sem dúvida, o mais sensato e razoável que podem fazer.

O Reino de Deus está “oculto”. Muitos não descobriram ainda o grande projeto de Deus para um mundo novo. Mas não é um mistério inacessível. Está “oculto” em Jesus, em sua vida e em sua mensagem. Uma comunidade cristã que não descobriu o Reino de Deus, não conhece bem a Jesus, não pode seguir seus passos.

A descoberta do Reino de Deus muda a vida de quem o descobre. Sua “alegria” é inconfundível. Encontrou o essencial, o melhor de Jesus, o que pode transformar sua vida. Se nós cristãos não descobrimos o projeto de Jesus, na Igreja não haverá alegria.

Os dois protagonistas das parábolas tomam a mesma decisão: “vendem tudo o que têm”. Nada é mais importante do que “buscar o Reino de Deus e sua justiça”. Tudo o mais vem depois, é relativo e há de ficar subordinado ao projeto de Deus.

Esta é a decisão mais importante a ser tomada na Igreja e nas comunidades cristãs: libertar-nos de tantas coisas acidentais para comprometer-nos no Reino de Deus. Despojar-nos do supérfluo. Esquecer-nos de outros interesses. Saber “perder” para “ganhar” em autenticidade. Se o fizermos, estaremos colaborando na conversão da Igreja.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 25 de julho de 2026

Reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

Ouvi dizer que há um tesouro escondido...

♦ “O Reino de Deus está oculto. Muitos ainda não descobriram o grande tesouro do projeto de Deus para um mundo novo. Mas não é um mistério inacessível. Está oculto em Jesus, em sua vida e sua mensagem. Uma comunidade cristã que não descobriu o Reino de Deus, não conhece bem a Jesus e não pode seguir seus passos” (Pagola, Mateus, p. 169).

♦ Viver. Fundamental viver e viver com toda intensidade. Não deslizar pelas coisas. Parar, escutar, observar, respeitar, acolher. Viver, no entanto, é empreendimento complexo e cheio de curvas. Cave-nos arrumar as coisas para a viagem. Ajeitamos as abóboras no caminhãozinho da vida. Sacolejamos. Há pistas melhor conservadas que nos permitem “deslizar”. Há outras esburacadas. Homem, mulher, trabalho, descanso, relacionamentos, filhos, parentes, viagens, sede, ser homem, ser mulher, saúde, doenças, preocupações, dívidas…vida…

♦ Carregamos perguntas e questionamentos. Por vezes tudo abafamos. Muitos questionamentos: Para onde vamos? Por que conflitos e dilaceramentos? O que quer viver na verdade? A quem farei falta quando morrer? O que transmitir aos nossos filhos? Será que desperdiçamos a vida? Qual o saldo de nossa existências? Para que ou para quem eu conto? Deixamos que as pessoas pudessem sentar-se na sala de visitas de nosso coração? Por vezes penso que melhor do que respostas deveríamos nos deter mais nas perguntas. As respostas se encontram mais facilmente, quando as perguntas são bem formuladas. Carregam as respostas.

♦ O homem que soube que existia um tesouro no campo não perdeu tempo. O mesmo se deu com o comerciante de pérolas. Ficaram quietos para que ninguém soubesse. Esse tesouro não seria o Mistério? Não seria um voz a nos invadir e querer que a ouçamos a partir do nó de nossa vida? Não poderia ser despontar de uma luz para o viver?

♦ Antes de chegar ao tesouro é preciso não dizer nada a ninguém, guardar silêncio, pensar, perscrutar. “O que ou quem está querendo mexer com a minha vida?”. O desejo de Deus, o desejo do amor é escondimento. Quando vivemos para sermos vistos, falseamos a verdade. Quando vivemos só de ação, tornamo-nos possessivos. O tempo que precede alcançar o tesouro que é o amor de Deus, é tempo de noviciado, de purificação, de baixar o preço do que vendemos ou mesmo de dar tudo para que aconteça a festa do encontro, de preparar as bodas.

♦ Encontrar o tesouro muda a vida dos protagonistas das parábolas. Há neles uma explosão de alegria. Encontraram o essencial, o melhor de Jesus. O importante é buscar o Reino e tudo o mais será dado de acréscimo.

♦ Venderam o que tinham. Agora é o tesouro. Tesouro, amor, vida plena, o próprio Altíssimo. Tesouro: certeza de que somos amados pelo Senhor e que deu provas disto. Tesouro que é a vida de Jesus que no alto da cruz como que dizia a Adão e a nós: “Onde tu estás”. Tesouro do amor de Deus.

♦ Tesouro, modo novo de viver: ter a certeza de que contamos aos olhos do Senhor, desapropriar-nos de nós mesmos e sermos dádiva, dom; esposos que se amam e se respeitam, que organizam sua vida segundo os ditames da Sermão das Bem-aventuranças, trabalhadores e profissionais que exercem bem o que precisam fazer e que com sua dedicação vislumbram seres humanos para além das máquinas, das burocracia, da rotina.

♦ O Reino começa quando deixarmos de dançar em torno de nosso mesquinho e pequeno mundinho.

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Para a reflexão

Mas afinal, que tesouro é esse?

A experiência de quem encontra um tesouro e vende tudo por ele é, na realidade a experiência de quem ouve a Palavra que lhe diz: “Tu és precioso aos meus olhos e Eu te amo. Eu entrego populações em troca de ti” (Is 43,4). É este amor o segredo da alegria da radicalidade de uma vida cristã, é este o amor, o bem precioso a proteger e salvaguardar, este o amor do Senhor e pelo Senhor que pode renovar vidas tentadas pelo envelhecimento, cansaço, insensibilidade, cinismo, indiferença. A nós que, na oração dizemos ao Senhor “és tu o meu Senhor, não há nenhum bem além de ti” e “tu és o meu único bem” (Sl 16,2), e, ainda, “em ti ó Deus se alegra o meu coração, exulta o meu íntimo” (Sl 16,9), é pedido que nos ponhamos à prova para saber se Cristo habita em nós(cf.2Cor 13,5). E isto porque nós habitamos lá, onde está o nosso tesouro: é o tesouro que nos assenta, que nos situa. Se Cristo habita em nós, nós habitamos em Cristo e então podemos gozar a alegria indizível no caminho para o Reino. Trata-se apenas de redescobrirem cada dia a preciosidade do dom recebido, combatendo a tentação do banal, do adquirido, do “tudo é devido”. (Luciano Manicardi – Comentário à Liturgia Dominical e Festiva – Paulinas (Portugal), p. 126)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

17º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: 1Rs 3,5.712

Leitura do Primeiro Livro dos Reis

Naqueles dias, em Gabaon, o Senhor apareceu a Salomão, em sonho, e lhe disse: “Pede o que desejas, e eu te darei”.

E Salomão disse: “Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar. Além disso, teu servo está no meio do teu povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular. Dá, pois, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?”

Esta oração de Salomão agradou ao Senhor. E Deus disse a Salomão: “Já que pediste esses dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti nem haverá depois de ti”.

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Responsório: Sl 118(119)

- Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!

- Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!

1. É esta a parte que escolhi por minha herança: observar vossas palavras, ó Senhor! A lei de vossa boca, para mim, vale mais do que milhões em ouro e prata.

2. Vosso amor seja um consolo para mim, conforme a vosso servo prometestes. Venha a mim o vosso amor e viverei, porque tenho em vossa lei o meu prazer!

3. Por isso amo os mandamentos que nos destes, mais que o ouro, muito mais que o ouro fino! Por isso eu sigo bem direito as vossas leis, detesto todos os caminhos da mentira.

4. Maravilhosos são os vossos testemunhos, eis por que meu coração os observa! Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina, ela dá sabedoria aos pequeninos.

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2ª Leitura: Rm 8,28-30

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos: Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus. Pois aqueles que Deus contemplou com seu amor desde sempre, a esses ele predestinou a serem conformes a imagem de seu Filho, para que este seja o primogênito numa multidão de irmãos.

E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou, também os tornou justos; e aos que tornou justos, também os glorificou.

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Evangelho: Mt 13,44-52

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo.

O Reino dos Céus é também como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola.

O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”.

Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Escolher é renunciar

Renunciar não está na moda, é contrário à economia do mercado, ao consumo irrestrito… O evangelho, porém, mostra a atualidade eterna da renúncia. E para entender isso melhor, a liturgia nos lembra primeiro o exemplo de Salomão. Quando Deus o convidou para pedir o que quisesse, ele não escolheu poder e riqueza, mas, sim, sabedoria, para julgar com justiça (1ª leitura). Jesus ensina o povo a escolher o que vale mais: o Reino de Deus. Para participar deste, vale colocar tudo em jogo, como faz um negociante para comprar um campo que esconde um tesouro, ou para adquirir uma pérola cujo valor resiste a qualquer inflação…

O que se contrapõe, nestas leituras, são por um lado as riquezas imediatas (materiais), por outro, o dom que Deus nos dá (para Salomão, a sabedoria no julgar; para nós, o Reino). Na hora de escolher, o dom de Deus é que deve prevalecer, e o resto tem que ser sacrificado, se for preciso.

Qual será o dom de Deus hoje? Aquilo que queremos ter em nosso poder, aquilo que com tanta insistência agarramos e procuramos segurar? Nossas posses, privilégios de classe, status etc? Ou não será antes a participação na comunhão fraterna, superar o crescente abismo entre ricos e pobres e transformar as estruturas de nossa sociedade, para que todos possam participar da construção do mundo e da História que Deus nos confia? “Os pobres, nosso tesouro”. Queremos investir tudo, os nossos bens materiais, culturais etc., para uma sociedade que encarne melhor a justiça de Deus?

Às vezes, a gente preferiria não escolher, para ficar com tudo: a riqueza, o poder, e, além disso, Deus…. Mas quem não se decide, não se realiza. Optar e renunciar é que nos torna gente. O grande escultor Miguel Ângelo disse que realizava suas obras de arte cortando fora o que havia demais. (Podemos meditar neste sentido sobre a 2ª leitura: Deus, artesão perfeito, quer fazer de nós uma obra de arte: conhece o material, projeta, escolhe, endireita… até coroar sua obra que somos nós, feitos imagens de seu Filho).

O cristão deve, de maneira absoluta, renunciar ao pecado; é essa uma das promessas de nosso batismo. Mas, se for preciso para servir melhor o Reino de Deus, ele deve renunciar também a coisas que não são más em si (riqueza, prestígio etc). Pois o Reino vale mais do que tudo.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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              Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: catequisar.com.br  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos