quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Leão XIV na Audiência geral desta quarta-feira:

o renascimento da fé na França
é uma esperança para toda a Igreja

Na Audiência Geral, Leão XIV fala sobre a recente viagem apostólica ao país, ainda com impressões "tão vivas" e relembra os momentos vividos com os fiéis e a “inesquecível” Vigília dos jovens. A Catedral de Notre-Dame restaurada é um sinal de que é possível a “colaboração entre a Igreja, o Estado, as instituições públicas e a sociedade civil” e “a sinergia em prol do bem comum”. De Metz, a lição de que a Europa pode se renovar como um projeto de paz.

O Papa Leão XIV procurou compartilhar com os fiéis presentes na Praça São Pedro as suas reflexões e impressões "ainda tão vivas" da recente viagem apostólica à França que teve como tema “Pour que le monde ait la vie” — “Para que o mundo tenha vida” (cf. Jo 6, 51). Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (30/09), o Pontífice deu detalhes dos quatro dias no país, divididos em três etapas: Paris, Lourdes e Metz. Após os agradecimentos pela acolhimento e organização, tanto a autoridades e pastores da Igreja como "à multidão que quis encontrar o Papa ou simplesmente saudá-lo nas ruas como apóstolo de Cristo e mensageiro da paz. Obrigado a todos!".

O renascimento da Catedral de Notre-Dame

Ao começar a falar sobre a visita pastoral realizada de 25 a 28 de setembro, o Pontífice quis destacar o grande símbolo da Catedral de Notre-Dame em Paris que, há apenas 7 anos, "parecia mortalmente ferida" pelo incêndio de grandes proporções que sofreu. Mas ela foi reconstruída e está mais resplandecente do que nunca, tanto que o Papa celebrou as Vésperas em honra da Santíssima Virgem Maria no local, com uma liturgia solene e jubilosa. A catedral de Paris, continuou o Pontífice, "com o drama que viveu", ensina que a Igreja e a sociedade civil podem trabalhar juntas pelo bem comum, "oferecendo uma chave de leitura que eu resumiria numa única palavra: renascimento":

"Tal sinergia em prol do bem comum deveria ser o padrão de atuação para as instituições, forças políticas e sociais, e para todos aqueles que detêm responsabilidades cívicas e econômicas. É esta a mensagem que desejei transmitir às autoridades francesas, bem como aos membros da Unesco — a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, com sede em Paris —, ao destacar o critério fundamental sobre o qual tal colaboração deve assentar: a dignidade da pessoa humana."

Fazendo um paralelo com outro compromisso na capital francesa, a vigília dos jovens no Stade de France, "dois cenários completamente diferentes, mas dois acontecimentos complementares — quase espiritualmente unidos. O que os unia? A Igreja, que não é feita de pedra nem de cimento, mas de pessoas que amam Jesus Cristo porque foram amadas por Ele", disse o Papa. Assim como foi o encontro no lar Maison Bakhita que acolhe pessoas em situação de necessidade, um lugar com o "compromisso diário de servir a dignidade da pessoa humana com amor".

A verdadeira reconstrução da Igreja na França

A renovação da Igreja na França também se manifesta pelo número notável e crescente de jovens e adultos que pedem o Batismo. Uma "bela 'surpresa' de Deus", disse o Papa, que também pode encontrar e incentivar a caminhada dos catecúmenos e neófitos. E não só:

"O ponto alto da minha visita à capital foi a Missa na Place de la Concorde. Ali, um sinal de renascimento manifestou-se de modo notável: a assembleia litúrgica — reunindo sacerdotes, o coro e uma vasta multidão naquela praça espaçosa — estendia-se por toda a Avenue des Champs-Élysées, chegando ao Arco do Triunfo e mais além. No momento da Comunhão, todos puderam aproximar-se da Eucaristia, que foi distribuída por toda a área. Eis a verdadeira reconstrução, a restauração da Igreja que só Deus pode realizar, por intercessão da Virgem Maria."

Depois de Paris, a peregrinação a Lourdes para venerar a Mãe da Igreja que, através do cuidado materno, dá esperança a milhares de peregrinos e, especialmente, "aos que sofrem no corpo e no espírito", disse Leão XIV, ao acrescentar:

“Toda a vida humana, em qualquer condição — mesmo na de mais extrema fragilidade —, conserva a sua dignidade inviolável e merece ser cuidada, acompanhada e aliviada do sofrimento com compaixão humana e o auxílio de meios oferecidos pela ciência. Por isso, Lourdes apresenta-se ao mundo inteiro como um santuário da civilização do amor.”

O Papa também recordou o encontro que teve em Lourdes com pessoas que sofreram abusos, quando pediu que o ajudassem "a transmitir — também a outras vítimas — a minha determinação e a de toda a Igreja em ouvi-las e caminhar com elas na busca da cura, reconhecendo a dor causada nas suas vidas e trabalhando para prevenir abusos".

Renovar o mundo com o exemplo de Metz

Na última etapa da viagem apostólica, o Papa recordou dos encontros com representantes de diversas tradições religiosas na cidade de Metz, "situada numa região de França e da Europa marcada pelas cicatrizes da Segunda Guerra Mundial. Foi aí que Robert Schuman — uma das figuras-chave que inspirou o processo de unificação europeia — desenvolveu o seu trabalho". Leão XIV teve a oportunidade de recordar os horrores do conflito e o sonho de uma Europa unida, que "nasceu precisamente como um projeto de paz, na sequência da devastação da guerra", fundada em valores cristãos, entre eles, a abertura ao diálogo, tanto que foi assinado o "Apelo de Metz" pela paz:Andressa Collet - Vatican News

"Podemos dizer que aquilo que aconteceu à Catedral de Notre-Dame de Paris com o incêndio, já havia ocorrido na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Contudo, a Europa renasceu, alicerçada em princípios de democracia, solidariedade e fraternidade entre os povos — princípios que muito devem às suas raízes cristãs. Ainda hoje, é sobre estes fundamentos e com esta 'seiva' vital que o projeto europeu pode se renovar num mundo muito mais globalizado, onde o diálogo inter-religioso desempenha um papel crucial."

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                                                                Fonte: vaticanews.va   Vídeo: (@Vatican Media

Linha do tempo: o que os bispos do Brasil disseram

sobre política e eleições nos últimos anos?

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é a instituição permanente que reúne os bispos da Igreja Católica no País e assim promover a vida da Igreja e responder aos desafios de cada época, colocando-se à serviço da edificação de uma sociedade justa e fraterna. Ao longo dos anos, a Conferência tem publicado orientações e reflexões sobre as eleições e a participação dos cristãos na vida pública.

Em diferentes processos eleitorais, a Conferência tem chamado a atenção para temas como democracia, cidadania, bem comum, dignidade humana, participação política e responsabilidade no exercício do voto.

Abaixo, confira alguns desses pronunciamentos para recordar que a Igreja não apoia partidos nem candidatos e que a participação na vida pública também faz parte da responsabilidade cristã.

2018 – “O bem do país está acima de ideologias e interesses particulares”

56ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil –

Nas eleições de 2018, a CNBB divulgou uma mensagem de compromisso e esperança. Os bispos chamaram a atenção para a crise democrática, a polarização, a intolerância, a violência e a disseminação de notícias falsas. No pronunciamento, defenderam eleições realizadas dentro dos princípios democráticos e éticos e lembraram que o voto não encerra a participação cidadã.

Leia na íntegra aqui.

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2020 – Mensagem por ocasião das Eleições Municipais

Na ocasião os bispos chamaram atenção para a compra e a venda de votos: práticas que “constituem crimes eleitorais que atentam contra a honra do eleitor e a cidadania”.

Vender ou comprar votos significa transformar um direito de cidadania em objeto de troca. Para a Igreja, participar da vida política também exige responsabilidade, consciência e compromisso com o bem comum.

Leia a mensagem na íntegra.

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2022 – Condenação ao uso da religião como ferramenta de campanha eleitoral

A nota da Presidência da CNBB por ocasião do 2º turno das Eleições de 2022, lamentou a exploração da fé e da religião para conseguir votos. Naquele pleito, a Conferência também promoveu orientações para a checagem de informações e alertou para a circulação de conteúdos falsos durante o processo eleitoral.

“Ratificamos que a CNBB condena, veementemente, o uso da religião por todo e qualquer candidato como ferramenta de sua campanha eleitoral. Convocamos todos os cidadãos e cidadãs, na liberdade de sua consciência e compromisso com o bem comum, a fazerem deste momento oportunidade de reflexão e proposição de ações que foquem na dignidade da pessoa humana e na busca por um país mais justo, fraterno e solidário”, escreveram os bispos na ocasião.

Leia na íntegra a nota.

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2022 – Acompanhar os eleitos e reconciliar

“O exercício da cidadania não se esgota com o fim do processo eleitoral”, recordaram os bispos da Presidência da CNBB após a conclusão do processo eleitoral de 2022. 

Na mensagem, a orientação foi acompanhar, exigir e fiscalizar a atuação dos eleitos. Também houve um chamado à reconciliação, depois de um processo eleitoral marcado por forte polarização.

“Todos possam caminhar unidos para a construção da política melhor, aquela que está a serviço do bem comum, conforme define o nosso amado Papa Francisco. São os votos da CNBB. É o que suplicamos em preces para o nosso país.”

Confira na íntegra.

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2024 – A corrupção compromete os caminhos da democracia

Às vésperas das eleições municipais de 2024, o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Jaime Spengler, ofereceu no portal da CNBB uma série de orientações sobre pontos importantes para a realidade dos municípios brasileiros.

Dom Jaime chamou atenção para a corrupção:

“E não podemos esquecer que o governo justo, deve-se superar toda forma de corrupção. Não só no período eleitoral, mas em todo o percurso de governo. É necessário, da parte do povo, acompanhar, vigiar e analisar criticamente os atos dos escolhidos para o serviço público. A corrupção, seja de que proporção for, está intimamente ligada ao autoritarismo, à ganância de quem detém o poder e à falta de inteligência nos mecanismos de controle. Ela destrói valores, prejudica a representatividade e compromete os caminhos da democracia”, afirmou o presidente da CNBB.

Leia a matéria completa aqui.

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2026 – A Igreja Católica não indica candidatos nem partidos

A Mensagem da CNBB por ocasião das Eleições 2026 foi divulgada pelo Conselho Permanente, em junho. O texto retoma temas como dignidade humana, bem comum, justiça social, democracia, verdade, participação cidadã, respeito às instituições, combate à corrupção e à desinformação.

“As eleições são oportunidades privilegiadas para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social. Mais do que escolher governantes e representantes, somos chamados a renovar nosso compromisso com os valores que sustentam a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade”, escreveram os bispos.

Leia a mensagem na íntegra.

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                                                                                                              Fonte: cnbb.org.br

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Papa Leão XIV:

comunicar com
"um novo olhar" e atenção na era do "caça-cliques"

No tema escolhido para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2027, Leão XIV ressalta que "comunicar não é captar nem vender a atenção" com uma manchete sensacionalista, um "clickbait", "caça-cliques", mas olhar e se abrir para o outro e para a verdade, sem superficialidade ou preconceito.

Clickbait, na internet ou nas redes sociais, é um conteúdo que tenta atrair a atenção do maior número possível de usuários com títulos chamativos ou sensacionalistas 

Foi divulgado, nesta terça-feira (29/09), dia em que a Igreja recorda os Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, o tema escolhido pelo Papa Leão XIV para o 61° Dia Mundial das Comunicações Sociais 2027 intitulado "Um novo olhar: 'prestar atenção' na era do clickbait".

O termo clickbait significa "caça-cliques" e tem como objetivo chamar a atenção do maior número possível de usuários com títulos chamativos ou sensacionalistas, conduzindo o usuário a páginas que não têm a informação anunciada. Essa tática não tem necessariamente a intenção de informar, mas criar o maior volume possível de cliques, visualizações e engajamento do conteúdo publicado, que se transformam em receita para os portais e redes sociais.

Conversão do nosso olhar

Num comunicado, o Dicastério para a Comunicação explica o tema escolhido pelo Pontífice, ressaltando que "a economia da atenção, com a sua luta por alguns instantes de interesse no fluxo rápido e interminável de conteúdos, está transformando não só as nossas capacidades cognitivas, mas também a profundidade da nossa comunicação interpessoal".

De acordo com a nota do organismo vaticano, o Papa Leão XIV nos convida "a uma conversão do nosso olhar: a renová-lo, com atenção e com amor. Só assim conseguiremos ver o mundo, os outros e também nós mesmos como Cristo nos vê: chamados pelo nome e amados. A nossa comunicação muda quando o nosso olhar opta por encontrar o outro em vez de o julgar".

Redescobrir uma higiene da atenção

"A falta de uma verdadeira atenção, alimentada pela cultura digital, habituou-nos a uma rotina de reações imediatas, a uma superficialidade nas relações, a uma facilidade em rotular e rejeitar os outros. A atenção é, pelo contrário, uma forma preciosa de generosidade: 'atenção' deriva de ad-tendere, tender em direção ao outro e à verdade. A comunicação cristã pode redescobri-la como dom e como olhar – o de Jesus, que viu e se deixou tocar."

"Comunicar não é captar nem vender a atenção, mas guardá-la como um recurso precioso de relação. Para comunicar na era do clickbait, somos chamados a 'prestar atenção', a redescobrir uma higiene da atenção", ressalta o comunicado do Dicastério para a Comunicação, que conclui, sublinhando que "a comunicação não se resume apenas em palavras: envolve a pessoa na sua totalidade e pede-nos que voltemos a olhar, a ouvir e a sentir, para podermos responder ao apelo que Cristo nos dirige".

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                                                                Fonte: vaticanews.va   Vídeo: (@Vatican Media

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos
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Dia 30 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor ao São José na matriz

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Dia 1º de outubro - Quinta-feira

7h - Missa na matriz

19h - Missa do 1º dia do tríduo na comunidade São Francisco

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Missa ns comunidades dos Carneiros e dos Inácios

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Dia 2 - 1ª Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa na matriz

19h - Missa na capela de Nossa Senhora da Soledade

19h - Missa do 2º dia do tríduo na comunidade São Francisco

19h - Missa na comunidade São Benedito no Goiabal

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Dia 3 - Sábado

14h - Terço das crianças no Centro pastoral São José

16h -  Encontro de espiritualidade com os Ministros Extraordinários da Comunhão eucarística

18h - Início da Novena em louvor a Nossa Senhora Aparecida na Matriz

18h30 - Terço com o Movimento dos Restauradores do Imaculado Coração de Maria

19h -  Missa na matriz e no Goiabal 

19h - Missa do 3º dia do tríduo na comunidade São Francisco

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Dia 4 - 27º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa na comunidade São Geraldo

11h - Missa da festa na comunidade São Francisco

18h - Missa na igreja de Santo Antônio e no Goiabal

18h - Novena em louvor a Nossa Senhora Aparecida na matriz

19h - Missa na matriz

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Reflita com dom Paulos Mendes Peixoto:

Configuração da vida

Configurar a vida é organizá-la de forma a dar-lhe sentido e motivações para uma existência feliz. Por outro lado, desorganização é reflexo de descontrole interno, que dificulta a condução saudável das ações do cotidiano. Consequentemente, é importante repensar, com certa frequência, o real caminho que está sendo percorrido e encontrar a direção certa e segura para atingir seus objetivos.

O mês de setembro é celebrado como o mês da Palavra de Deus, mês da bíblia. A configuração da vida das pessoas deve estar consolidada a partir da Palavra orientadora do Senhor, que cria uma cultura particular na forma de se viver ao construir a própria história pessoal. É pautar um olhar de esperança numa utopia de futuro, mas com convicção firme de que ela poderá ser realizada.

A construção é caminho de configuração, de conduta da vida pessoal, mas também da vida social. Tudo supõe responsabilidade e querer realizar o bem, principalmente o bem comum na sociedade. Estamos no momento bonito das eleições, espaço de fazer acontecer a configuração do Brasil, porque vamos escolher pessoas responsáveis pela conduta do nosso país. Isto exige responsabilidade.

O eleitor precisa ter uma vista clínica neste momento, olhar que ultrapasse seus interesses particulares e com uma visão do todo da sociedade. O bem comum não é um bem individual, intimista e exclusivista, fechado em si mesmo. Isto tem fundamento bíblico, pois a Palavra fala de ter o sentimento de fraternidade, convicto de que o voto tem força comunitária e ajuda a toda a comunidade.

O clima eleitoral tem um histórico de tensão. A Palavra de Deus diz: “aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade” (Fl 2,2). Mas é a disputa pelo poder, que pode ser uma armadilha para dificultar as relações de fraternidade e desenvolvimento do país. Aí está a importância de escolher pessoas aparelhadas com a prática do bem comum.

A vida tem seus erros e acertos, aquilo que pode acontecer também numa eleição. As tensões têm que ser harmonizadas, cada um sabendo ganhar ou perder. Assim é a trajetória da vida, mesmo com polarizações e extremismos, é possível apaziguar os ânimos, entender as paixões como limites do humano e projetar um futuro de sociedade onde o bem de todos seja construído.

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)

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                                                                     Fonte: cnbb.org.br   Imagem: vaticannews.va

Comissão Episcopal para a Juventude atualiza e disponibiliza

cartilha “Cuidar da Vida” sobre prevenção ao suicídio

A Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece a cartilha Cuidar da Vida revisada e atualizada. O material oferece subsídios para agentes de pastoral, educadores e lideranças que desejam desenvolver ações de prevenção do suicídio e promoção da vida entre adolescentes e jovens.

A iniciativa, aprovada pela CNBB e proposta pela Comissão Episcopal para a Juventude, nasceu da preocupação com a realidade enfrentada pelas novas gerações e da necessidade de preparar lideranças para reconhecer situações de sofrimento, promover a escuta e fortalecer redes de cuidado.

Desde 2024, o projeto vem percorrendo diferentes regiões do país, formando multiplicadores para a prevenção do suicídio e a promoção da vida. As formações presenciais passaram por Cuiabá (MT), Manaus (AM), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Imperatriz (MA) e São Paulo (SP), reunindo participantes de diferentes regionais da CNBB.

Em janeiro de 2025, uma edição especial foi realizada em Nova Santa Rita (RS), ampliando esse processo de formação. Ao todo, 193 participantes foram capacitados nas sete edições realizadas. A proposta é que esses agentes levem os conhecimentos adquiridos para suas dioceses, pastorais, grupos e movimentos juvenis e também para os espaços educacionais. Uma formação que se multiplica

Projeto Cuidar da Vida

O projeto Cuidar da Vida foi desenvolvido em parceria com a Pastoral Juvenil e a Pastoral da Educação, contando também com a colaboração voluntária de psicólogos e educadores católicos que unem conhecimento profissional e experiência pastoral.

A formação busca preparar lideranças para atuar na prevenção do suicídio entre adolescentes e jovens, especialmente nos ambientes onde eles vivem, estudam, convivem e desenvolvem sua experiência de fé.

A ideia de multiplicação está no centro da proposta. Quem participa da formação é chamado a compartilhar os conhecimentos em sua realidade local, ampliando uma rede de pessoas preparadas para promover o cuidado, identificar sinais de sofrimento e encaminhar situações que necessitem de acompanhamento especializado.

Dessa forma, o projeto não se limita às pessoas que participaram diretamente das formações. Cada multiplicador torna-se uma ponte para que o cuidado chegue a novas comunidades e grupos.

A cartilha: fruto de um caminho pela vida

É nesse contexto que a Comissão Episcopal para a Juventude disponibiliza a edição revisada e atualizada da cartilha Cuidar da Vida.

O material oferece subsídios para agentes de pastoral, educadores e lideranças que desejam desenvolver ações de prevenção do suicídio e promoção da vida entre adolescentes e jovens.

A cartilha também contempla o cuidado e o consolo às pessoas e famílias que enfrentam a perda de alguém por suicídio, reconhecendo que a atenção não termina diante da perda, mas continua no acolhimento daqueles que permanecem.

Mais do que um material de consulta, a publicação representa a continuidade de um trabalho que vem sendo construído em diferentes partes do Brasil. A cartilha é fruto de um caminho de formação e uma ferramenta para que esse caminho continue se multiplicando.

Cuidar da vida é missão permanente

A promoção da vida das juventudes é uma responsabilidade que ultrapassa o mês de setembro. O Setembro Amarelo contribui para ampliar a conversa sobre prevenção do suicídio, mas o cuidado precisa estar presente durante todo o ano, nos espaços de convivência, nas comunidades, nas escolas, nas famílias e também na vida pastoral.

Ao incentivar a formação de multiplicadores, a Igreja no Brasil busca fortalecer comunidades capazes de acolher, escutar e acompanhar adolescentes e jovens em suas diferentes realidades.

O projeto Cuidar da Vida expressa, assim, uma escolha: estar ao lado das novas gerações e trabalhar para que cada vida seja cuidada e valorizada.

A Comissão Episcopal para a Juventude convida dioceses, paróquias, comunidades, pastorais, movimentos, escolas e demais espaços que acompanham adolescentes e jovens a conhecerem e utilizarem o material.

Cartilha “Cuidar da vida – Prevenção de suicídio entre adolescentes e jovens”Baixar

Baixe AQUI gratuitamente a cartilha “Cuidar da Vida – Prevenção do Suicídio entre Adolescentes e Jovens” e ajude a multiplicar essa rede de cuidado e promoção da vida.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Papa Leão no voo de Metz a Roma:

guerras sem sentido,
países como Rússia e Ucrânia devem sentar-se para dialogar

Durante o voo de Metz para Roma, ao conversar com os jornalistas, Leão XIV falou sobre os conflitos e os interesses econômicos que os sustentam: “A Igreja continua a levantar a voz, anunciando o Evangelho. Poucos estão enriquecendo com a indústria bélica; com esses bilhões, seria possível resolver problemas como a fome no mundo”.

No voo de retorno a Roma, após quatro dias de Viagem Apostólica à França, Leão XIV conversou com os jornalistas que o acompanharam durante a visita. Em um balanço da peregrinação, o Papa destacou os momentos vividos em Lourdes e o encontro com 80 mil jovens no Stade de France, em Paris, como experiências marcadas pela esperança, pela fé e pela proximidade com pessoas que sofrem. “Os quatro dias foram literalmente repletos de muitas bênçãos”, afirmou, recordando especialmente os doentes, os idosos e aqueles que são marginalizados pela sociedade.

Na conversa, Leão XIV também respondeu a questões sobre os abusos sexuais na Igreja, a defesa da vida e o fim da vida, o problema da habitação, as guerras entre Rússia e Ucrânia, os gastos com armamentos, os riscos relacionados à inteligência artificial e a situação da Igreja na Alemanha. Ao longo das respostas, o Papa reafirmou a missão da Igreja de anunciar o Evangelho, defender a dignidade humana e promover o diálogo, a paz e o cuidado com os mais vulneráveis.

Matteo Bruni: Boa noite, Santidade. Obrigado por estes dias de viagem, por esta viagem tão intensa. Era, certamente, uma viagem muito aguardada, que deixou muitos franceses felizes com a sua presença e com as suas palavras. Penso que, com suas palavras, o senhor também tocou em aspectos profundos da alma do povo francês. E acredito que tenha feito felizes também muitos católicos, muitos cristãos, que se sentiram confirmados na fé. Talvez o senhor possa começar nos dizendo como viveu esta viagem.

Depois, se precisarem de tradução, poderemos ajudá-los. Antes de tudo, mais uma vez, obrigado pelo trabalho que vocês realizaram. Penso que estiveram bastante ocupados nestes últimos quatro dias e, de certo modo, foi um programa muito intenso. Os quatro dias foram literalmente repletos de muitas bênçãos. Eu diria até de quase milagres, especialmente o tempo passado em Lourdes, caminhando com tantas pessoas doentes e sofredoras, acompanhando-as, e vendo como a graça da presença de Deus se manifestou de tantas maneiras diferentes: tocando o coração das pessoas, transformando suas vidas e, para usar uma expressão que mencionei ali, devolvendo dignidade aos doentes, aos idosos e àqueles que, em algumas partes da sociedade, são descartados. Assim, foram muitos os sinais, as expressões e os símbolos ao longo desses quatro dias. E, pessoalmente, senti-me muito abençoado pelo privilégio de visitar a França e, sobretudo, de encorajar os jovens, que evidentemente estão à procura de alguma coisa. Isso ficou muito evidente no estádio, naquela noite em que 80 mil jovens, vindos de toda a França, se reuniram. Seu entusiasmo, sua alegria e o sentimento de esperança que transmitiram foram muito marcantes. Mas, sobretudo, penso que eles próprios receberam essa esperança e poderão compartilhá-la com outros. Portanto, entre as muitas coisas que celebramos e vivemos durante esses quatro dias, eu diria que esses foram alguns dos momentos mais marcantes. Sem excluir os outros, é claro, mas considero esses particularmente significativos. Estou muito feliz por ter tido vocês comigo nesta viagem. E, se tiverem algumas perguntas...

Cyriac Zeller (I.Media): Boa noite, Santidade. Ontem, durante uma coletiva de imprensa, as vítimas que o senhor encontrou nos disseram que o senhor havia reconhecido diante delas o caráter sistêmico dos abusos sexuais na Igreja. É realmente essa a sua posição? Poderia explicar melhor seu ponto de vista? O senhor considera que os abusos sexuais na Igreja são sistêmicos?

Eu diria — sem querer contradizer ninguém, porque considero isso muito importante — que, antes de tudo, gostaria de dizer que, ao me encontrar com aquelas sete vítimas, pedi a elas que também me ajudassem a transmitir a outras vítimas a disposição, tanto minha quanto da Igreja, de escutá-las e de caminhar com elas enquanto buscam a cura, reconhecendo a dor que as situações de abuso causaram em suas vidas. Várias delas falaram de abuso sistêmico. Pessoalmente, prefiro expressá-lo de outra maneira, embora tenha falado de algumas organizações dentro da Igreja que, em determinados momentos, funcionaram, por assim dizer, como sistemas abusivos.

Mas penso que é importante fazer uma distinção. O abuso sexual é, antes de tudo, um problema humano. Quando acontece dentro da Igreja, porém, acrescenta-se uma dimensão completamente diferente, porque a vida de fé das pessoas é profundamente ferida e, às vezes, até destruída. Existe uma responsabilidade particular da Igreja de caminhar com essas pessoas e ajudá-las a buscar a cura. Nesse sentido, falei com elas sobre como a Igreja, de certas maneiras, foi vista como responsável, mas, ao mesmo tempo, penso que a própria Igreja tem um papel importante a desempenhar para ajudá-las a encontrar o caminho da cura.

Xavier Normand (Le Pèlerin): Santíssimo Padre, boa noite. Antes de tudo, gostaria de agradecer pela sua viagem apostólica à França. Durante quatro dias, nosso país viveu ao ritmo do entusiasmo geral provocado pela sua visita. O que, na França, é um feito. Muito obrigado, Santíssimo Padre. O lema de sua viagem apostólica foi “Para que o mundo tenha vida”. O tema dos cuidados no fim da vida apareceu repetidamente em seus discursos. Na verdade, penso que o senhor o mencionou em mais da metade de seus discursos na França. Penso, em particular, no discurso no Palácio do Eliseu e no de ontem, em Lourdes, quando o senhor afirmou que aquilo que é legal não é necessariamente moral — uma referência clara à recente legalização da eutanásia na França. Na França, temos também o princípio da laïcité, que estabelece uma separação entre religião e política. O senhor considera que, quando algo é importante, quando os interesses em jogo são elevados, essa fronteira, essa linha, deve ser ultrapassada em nome da primazia da consciência? E, nesse caso, o senhor ultrapassou essa linha?

Obrigado pela sua pergunta. Eu diria que, segundo a compreensão que a Igreja tem da separação entre Igreja e política, ou entre Igreja e Estado, eu não ultrapassei essa linha. E convido vocês a lerem ou relerem Magnifica Humanitas, onde falo sobre a Doutrina Social da Igreja na primeira seção, nos dois primeiros capítulos, e afirmo que, quando a Igreja fala sobre a defesa da vida ou sobre questões da Doutrina Social, não está entrando na política; está aplicando o Evangelho à vida das pessoas. E podem existir políticos, se assim quisermos dizer, tanto de esquerda quanto de direita, que afirmam: “A religião deve permanecer apenas na esfera privada”. Que cada um faça o que quiser em sua vida pessoal, mas, enquanto Estado, precisamos manter essa separação. Ora, justamente por isso, quando fui à França, fui principalmente para anunciar o Evangelho, para proclamar a Boa-Nova, para reafirmar aquilo que o próprio Jesus Cristo diz quando afirma: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Ou seja, para proclamar a verdade que Jesus nos oferece. A defesa da vida é algo que, como todos vocês sabem, a Igreja ensina e no qual acredita profundamente. Por isso, por um lado, evidentemente sabendo que na França uma lei foi recentemente aprovada — e que também em outros países da Europa, assim como em outras partes do mundo, há um amplo debate sobre as questões relacionadas ao fim da vida —, é preciso considerar essa realidade. Mas estar em um lugar como Lourdes, onde as pessoas estão em busca de algo muito mais profundo, significa compreender que suas vidas, mesmo em meio à doença, à deficiência ou a diferentes formas de sofrimento, têm um sentido. A Igreja, por causa do próprio Jesus, quer estar próxima dessas pessoas e afirmar os valores que a própria vida, penso eu, representa para todos nós. Portanto, eu diria que, se isso é política, então eu a fiz. Mas não foi para me envolver na política francesa. Foi para ensinar aquilo em que a Igreja realmente acredita.

Íñigo Domínguez (EL PAÍS) Obrigado, Santo Padre, por compartilhar este momento conosco. O senhor já falou muitas vezes, inclusive nesta viagem, sobre a cultura do descarte que nos cerca e sobre a marginalização daqueles que não são considerados produtivos, entre eles os idosos e as pessoas com deficiência. Na Espanha, temos atualmente um caso que representa um pouco tudo isso e que causou grande indignação no país: o de Mari Carmen, uma mulher de 87 anos com deficiência que foi despejada de sua casa, em Madri, porque não conseguia pagar o aluguel. O valor do aluguel foi aumentado cinco vezes de uma só vez. Não sei se o senhor conhece esse caso, o caso de Mari Carmen. Mas, de qualquer forma, o que o senhor acha do problema da moradia que existe em toda a Europa, em todo o mundo, onde a especulação imobiliária expulsa os moradores das cidades e os jovens não têm condições de comprar uma casa? O que o senhor acha de todo esse problema?

Acredito que esse seja um bom exemplo de que a Igreja, como comunidade — ou nós, como seres humanos, como comunidade, mesmo para pessoas que não têm fé —, precisamos buscar soluções mais justas para que casos como esse não ocorram. Não conheço o caso ao qual o senhor se refere, mas me parece que seria um caso em que os vizinhos, a comunidade, a paróquia, a diocese ou o Estado teriam que se manifestar e perguntar: como é possível que algo assim aconteça? Qual é o problema no sistema que permite que uma idosa, além de ter deficiência ou alguma dificuldade, seja, digamos, expulsa de sua casa? A Igreja fala muito sobre a exclusão e também sobre justiça. Ela convida, promove e busca, digamos, despertar em todos a capacidade de responder com um senso mais humano, de ser verdadeiramente sensível à dor e ao sofrimento dos outros. O problema da moradia, que existe em muitos países hoje, é um problema que uma paróquia sozinha, uma diocese sozinha ou a própria Igreja não poderão resolver. Mas acredito que há aí um grande desafio, no qual talvez tenhamos que exigir também dos líderes políticos e das autoridades que busquem uma solução para isso. Pois é evidente que o problema está aumentando, e muitas vezes reagimos apenas no momento da emergência, mas precisamos realmente identificar qual é a causa sistêmica desse problema e como ajudar.

Manuela Tulli (ANSA) Boa noite, Santidade. Hoje, e ao longo de toda esta viagem, o senhor enfatizou a necessidade do diálogo e, ao se dirigir à Europa, falou da ilusão do rearmamento, mas, ao mesmo tempo, disse que é preciso ter coragem para fazer renúncias e sacrifícios em prol do bem maior da paz. O conflito na Europa é aquele entre a Rússia e a Ucrânia; o que o senhor quis dizer ao falar desses sacrifícios? Além disso, o senhor acredita na negociação, pois enviou seus representantes — primeiro foi dom Gallagher e, nestes dias, está lá o Cardeal Zuppi —, mas como é possível dialogar com um Estado que agride, bombardeia e ameaça não apenas a Ucrânia, mas também outros países europeus? Obrigada.

A primeira coisa seria destacar os princípios da doutrina social da Igreja, na qual buscamos não promover a violência, o ódio, o armamento e os perigos que existem no mundo de hoje, inclusive por parte de alguns líderes de países que voltam a falar de armas nucleares e de guerras cada vez mais destrutivas, sobretudo no que diz respeito à questão da vida humana. Continuar a se armar, a gastar nessa tremenda indústria militar, que já há muitas décadas — desde o ano passado, há cinco anos — continua promovendo os gastos militares. Alguns poucos estão enriquecendo enormemente com uma indústria que promove a guerra. Quando, com esses milhares de milhões de milhões de euros ou dólares, seria possível resolver problemas como a fome no mundo, a pobreza, o desemprego, etc. Todos estão buscando uma voz que possa oferecer outro caminho, que não seja o de “vamos gastar mais em armas”, o que apenas promove cada vez mais a tensão que poderia resultar na eclosão de outra guerra, outro conflito. E vemos que a violência, que essas potências que buscam sempre impor com o poder em vez de dialogar e promover negociações sobre as diferenças que naturalmente podem existir, nos leva cada vez mais perto de uma guerra ou de várias guerras, conflitos como os que encontramos no mundo de hoje. Não sei quanto aos outros, e não é por ser político ou não político, mas uma voz que tenta promover os valores da dignidade humana, da importância da vida, da possibilidade de, talvez, gastar mais com saúde e educação e menos com armas, acredito que a Igreja tem a responsabilidade de promover esses valores, convidando continuamente líderes da Rússia, da Ucrânia e de outros países a virem, sentarem-se, dialogarem e buscarem soluções para os problemas sem dar continuidade a essas guerras que já não fazem sentido. Portanto, nesse sentido, a Igreja continua levantando a voz. Não podemos obrigar ninguém; às vezes parece que isso pode ser inútil, mas vamos continuar falando, vamos continuar convidando, vamos continuar anunciando o Evangelho.

Justin McLellan (National Catholic Reporter) Em Paris, o senhor falou sobre a necessidade urgente de um discernimento ético em torno do desenvolvimento da Inteligência Artificial e, após vários ataques cibernéticos realizados por agentes de IA fora de controle, diversos líderes da indústria tecnológica alertaram que essa tecnologia poderia destruir o mundo. Até que ponto o preocupa a possibilidade de a IA representar riscos catastróficos para a humanidade ou até mesmo extingui-la por completo? E o que as nações, especialmente os Estados Unidos e a China, devem fazer para garantir que suas tecnologias sejam seguras para a humanidade? 

Se alguém me perguntasse: “Estou em pânico?”. Não, não estou. Durmo tranquilamente à noite. Mas penso, sim, que as preocupações levantadas por muitos especialistas em Inteligência Artificial devem ser levadas a sério. Não penso que isso seja fake news, como alguns disseram, com o objetivo de obter algum tipo de benefício, seja financeiro ou de outra natureza. É interessante observar que justamente hoje li que o responsável pela NVIDIA afirma ter encontrado alguma maneira de inserir na IA certas salvaguardas, por assim dizer, ou limites, para que esses sistemas não ultrapassem seus próprios limites e causem os danos sobre os quais as pessoas estão falando. No entanto, ele é o mesmo que diz que não deveriam ser impostos limites nem regulamentações governamentais, etc. Esse é um problema sobre o qual penso que precisamos sentar e conversar. Precisamos continuar convidando líderes políticos, responsáveis pelo setor da Inteligência Artificial, organizações sociais e associações a se reunirem e analisarem aquilo que já está acontecendo e aquilo que poderá acontecer no futuro. Simplesmente dizer: “Ah, isso não vai acontecer”, e fechar os olhos para a questão, penso que provavelmente não seja a maneira mais responsável de lidar com isso. O Vaticano criou sua própria comissão sobre Inteligência Artificial que, por um lado, por assim dizer, surgiu como uma maneira de coordenar aquilo que nós mesmos estamos fazendo na Santa Sé, como estamos utilizando a IA e quais são os seus riscos e benefícios. Mas, desde a publicação da Magnifica Humanitas, recebemos muitos contatos de pessoas de diversas áreas e setores. Por isso, estamos procurando continuar promovendo o diálogo, o estudo e a pesquisa, a fim de encontrar maneiras de garantir que a IA não chegue a um ponto em que possa destruir a humanidade ou excluir o ser humano da discussão. Sou relativamente otimista de que isso seja possível. Penso que há um número suficiente de pessoas seriamente interessadas nessa questão e dispostas a olhar para além, mais uma vez, das questões de poder: quem chegará primeiro, o que acontecerá quando a IA alcançar aquilo que chamam de Inteligência Artificial Geral, e assim por diante. Mas precisamos continuar trabalhando. Não podemos ficar de braços cruzados e fingir que nada vai acontecer.

Ludwig Ring-Eifel (KNA) Hoje estivemos em Metz, muito perto da fronteira alemã, mas, até agora, o senhor ainda não foi à Alemanha. Portanto, minha pergunta básica é: quando podemos esperá-lo do outro lado da fronteira? E isso tendo como pano de fundo dois fenômenos que talvez também o preocupem: o declínio constante da Igreja Católica na Alemanha e o surpreendente crescimento de partidos extremistas no país, que ameaçam romper o consenso em torno da Europa, sobre o qual o senhor falou hoje em Metz.

Com toda a humildade, direi que sou Papa há apenas cerca de quinze meses. Há muitos lugares que ainda não visitei. Tenho, sim, um convite. Espero voltar à Alemanha — quero dizer, já estive lá antes, mas não como Papa — e espero visitar a Alemanha, assim como espero visitar muitos outros lugares. Mas ainda não tenho uma programação definida. Ainda estou trabalhando na agenda do próximo ano, e a única viagem definitivamente programada é a Jornada Mundial da Juventude, na Coreia. Portanto, aos poucos estamos chegando lá. Mas obrigado pela paciência e pela pergunta. Sobre a expressão que o senhor usou, de que “a Igreja está morrendo na Alemanha”, ou sobre a diminuição dos números: as pessoas já disseram isso sobre a França no passado e, no entanto, vimos o que aconteceu ao longo destes últimos quatro dias. Acredito que, se encontrarmos o verdadeiro espírito missionário e a maneira adequada de colocá-lo em prática, ainda existem muitas, muitas pessoas na Alemanha que desejam viver e celebrar sua fé cristã e católica. Portanto, sou otimista em relação a isso, embora reconheça os problemas e as diferentes causas que atingiram duramente a Igreja. Mas isso também atingiu duramente — por assim dizer — a Igreja evangélica ou protestante e afetou a sociedade praticamente da mesma maneira. Mas espero poder me aproximar dessa realidade. Espero continuar trabalhando com os responsáveis pela Igreja na Alemanha e encontrar maneiras de responder a essa situação. Seria interessante estudar e analisar se existe, e de que maneira poderia existir, uma relação, por exemplo, entre o crescimento desses grupos de extrema direita. A própria extrema direita está se fragmentando agora, como se pode observar: um determinado grupo está se tornando ainda mais extremista em relação a outros grupos considerados de extrema direita. Ao mesmo tempo, vemos também algumas manifestações que combinam essas posições de extrema direita com um determinado tipo de religião. E não é apenas a minha opinião: tanto os líderes da Igreja Católica quanto os da Igreja Protestante na Alemanha já se pronunciaram a respeito, afirmando que isso não constitui uma expressão autêntica do cristianismo. E, mais uma vez, voltamos aos valores do Evangelho, que não são valores de ódio e divisão, mas de compreensão, compaixão e acompanhamento.

Espero profundamente — e espero que a Igreja também possa contribuir para isso — que possamos encontrar maneiras de nos aproximar da maioria das pessoas de boa vontade, que compreenderão a importância de seu compromisso, inclusive por meio da participação nos processos políticos, para que possam fazer escolhas claras em favor do bem comum, e não de ideias extremistas que talvez possam causar danos muito maiores do que aqueles dos quais temos consciência neste momento. Portanto, penso que todos nós devemos encorajar nessa direção. Mais uma vez, de nossa parte, como Igreja, por meio da Doutrina Social da Igreja, cabe-nos falar, ensinar e pregar aquilo que acreditamos serem valores que promovem a vida, e não a destruição, a divisão e o ódio.

O Papa concluiu a conversa com os jornalistas acrescentando algumas palavras de agradecimento:

Quero aproveitar esta oportunidade para agradecer às tantas pessoas que trabalham nos bastidores, que não recebem os aplausos que o Papa recebe quando passa, mas que desempenharam um papel fundamental na organização desta viagem: tanto as pessoas na Santa Sé quanto as pessoas na França, os bispos franceses e tantos, tantos leigos que trabalharam nas diferentes atividades e em sua organização. Quero, portanto, dirigir uma palavra especial de gratidão a todos eles e também a vocês. Muito obrigado.

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                                                                Fonte: vaticanews.va   Vídeo: (@Vatican Media