domingo, 27 de setembro de 2026

Leão XIV aos peregrinos em Lourdes:

sede missionários da esperança

Eis o milagre deste lugar: suscitar a alegria da esperança mesmo no meio das provações e da dor. A Virgem Maria cura os nossos olhares e transfigura os nossos corações, dando-lhes a paz. Sede testemunhas ativas desta força e desta ternura divinas, que nos permitem continuar o caminho e alcançar a meta, nos vossos países, dioceses e famílias. Foi a exortação do Papa aos fiéis e peregrinos na Missa celebrada na manhã deste domingo (27/09) no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França.

No segundo compromisso de seu penúltimo dia na França, o Santo Padre presidiu este domingo, 27 de setembro, à Santa Missa no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, cujo centro mariano recebe todos os anos milhões visitantes provenientes de mais de 140 países do mundo inteiro partilhando histórias e esperanças. Dos mais de sete mil dossiês de curas depositados, após as Aparições de Nossa Senhora a Santa Bernadette Soubirous em 1858, a Igreja reconhece 72 casos como milagres ocorridos neste lugar.

“Apoiados pela oração dos doentes e pelo amor da nossa Mãe, caminhai com confiança rumo ao futuro. Não temais as tempestades do mundo: a Santa Mãe de Deus vigia sobre o vosso caminho, envolve a Igreja no seu manto de ternura e, como Estrela radiosa da manhã, guia os vossos passos para vos gerar, com alegria, na própria vida do seu Filho Jesus” disse o Papa na homilia da celebração dirigindo-se aos peregrinos.

Irmãos e irmãs, peregrinos vindos da França e de todo o mundo, ao olhar para vós esta manhã, reunidos na casa da nossa Mãe, vejo o rosto universal da Igreja. Alguns de vós atravessastes continentes, superastes fadigas, trouxestes as vossas alegrias e os vossos fardos até esta Gruta sagrada. Que felicidade estarmos juntos, um só coração, uma única família!

O convite à conversão

O Pontífice ressaltou que os textos propostos pela Liturgia dominical abordam um aspecto central da mensagem que a Virgem Maria veio confiar a Santa Bernadette e sobre o qual Leão XIV desenvolveu boa parte de sua reflexão, ou seja, o convite  à conversão, ao mesmo tempo terno e urgente.

É hoje – não amanhã – que é preciso converter-se; é hoje o momento favorável, o dia da salvação. Sim, observou, “Deus deseja que o homem viva, que abra os olhos e volte para Ele”. Converter-se é abandonar os caminhos do erro para seguir o Caminho da Vida, abrindo assim o nosso coração à única Alegria que não passa, acrescentou.

O próprio Jesus não mede palavras quando exorta à penitência, como nos relata, por exemplo, São Lucas: «se não vos converterdes, perecereis todos» (Lc 13, 5). Mas Ele alarga o horizonte da vida terrena ao da vida eterna. “Enquanto a felicidade aqui na terra é uma realidade efémera, relativa e, por vezes, infelizmente inacessível para alguns, a verdadeira felicidade é prometida a todos, na esperança, e deve ser o principal objeto da nossa busca, dos nossos esforços e das nossas escolhas”, destacou.

A Igreja é chamada a viver a conversão em primeiro lugar

O Santo Padre afirmou que neste momento da história, no seio de uma sociedade em busca de progresso e bem-estar material, mas por vezes tentada a esquecer o horizonte da eternidade, “Maria vem lembrar-nos a grandeza e a amplitude da nossa vocação para a vida, para a vida eterna”.

“Perante as correntes atuais que procuram redefinir o valor da vida humana face à doença, ao sofrimento ou à velhice, a Gruta de Massabielle ergue-se como um santuário da esperança cristã. Aqui, nenhuma fragilidade é rejeitada. As vossas muletas, as vossas cadeiras de rodas, as vossas lágrimas escondidas não são obstáculos: são o lugar por excelência onde sois plenamente respeitados, acolhidos e transcendidos pelo amor infinito de Deus.”

Leão XVI lembrou que encontramos o apelo insistente à conversão nas palavras que Maria proferiu ali mesmo: “Penitência! Penitência! Penitência!” Ressaltou, em seguida, que esta exigência de conversão envolve a própria Igreja na sua peregrinação terrena. “Ela deve ter a coragem de viver essa conversão em primeiro lugar. Para curar as feridas profundas, as infidelidades e os dolorosos desvios cometidos no seu seio, devemos submeter-nos humildemente ao olhar purificador do Senhor”.

Caminhai com confiança rumo ao futuro

O apelo da nossa Mãe ao nosso dever de oração e conversão enche-nos de grande esperança, pois ela indica-nos o meio de mudar o curso das coisas, meio esse que não é outro senão o de nos associarmos à paixão de Cristo, prosseguiu o Pontífice.

“Peregrinos, irmãos e irmãs, não partireis de Lourdes como chegastes: partireis como missionários da esperança”, foi a exortação do Santo Padre antes de concluir sua reflexão, com olhar voltado para a Virgem Maria, nossa Mãe Santíssima.

Eis o milagre deste lugar: suscitar a alegria da esperança mesmo no meio das provações e da dor. A Virgem Maria cura os nossos olhares e transfigura os nossos corações, dando-lhes a paz. Sede testemunhas ativas desta força e desta ternura divinas, que nos permitem continuar o caminho e alcançar a meta, nos vossos países, dioceses e famílias. Apoiados pela oração dos doentes e pelo amor da nossa Mãe, caminhai com confiança rumo ao futuro. Não temais as tempestades do mundo: a Santa Mãe de Deus vigia sobre o vosso caminho, envolve a Igreja no seu manto de ternura e, como Estrela radiosa da manhã, guia os vossos passos para vos gerar, com alegria, na própria vida do seu Filho Jesus.

Raimundo de Lima – Vatican News

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Reflexão para este domingo:

O risco de instalar-nos na religião

José Antonio Pagola

Não são poucos os cristãos que acabam por instalar-se comodamente em sua fé, sem que sua vida se veja afetada. Poderíamos dizer que sua fé é um acréscimo, não algo nuclear que anima seu viver diário.

Quantas vezes a vida dos cristãos fica como que cortada em duas. Agem, organizam-se e vivem como todos os outros ao longo dos dias, e no domingo dedicam um certo tempo para prestar culto a um Deus que está ausente de suas vidas no resto da semana.

Cristãos que se desdobram e mudam de personalidade, segundo se ajoelhem para rezar a Deus ou se entreguem a suas ocupações diárias. Deus não penetra em sua vida familiar, em seu trabalho, em suas relações sociais, em seus projetos ou interesses. Desta forma, a fé se converte num costume, num reflexo, num “relaxamento semanal”, como diria Jean Onimus, e, em qualquer caso, numa prudente medida de segurança para esse futuro que talvez exista depois da morte.

Todos nós devemos perguntar-nos com sinceridade o que significa realmente Deus em nosso viver cotidiano. O que se opõe à verdadeira fé não é muitas vezes a incredulidade, mas a falta de coerência.

O que importa o credo que nossos lábios pronunciam, se falta depois em nossa vida um mínimo esforço de seguimento sincero de Jesus? O que importa – diz-nos Jesus em sua parábola – que um filho diga a seu pai que vai trabalhar na vinha, se depois na realidade não o faz? As palavras, por mais belas que sejam, não deixam de ser palavras.

Não reduzimos muitas vezes nossa fé a palavras, ideias ou sentimentos? Não esquecemos quase sempre que a fé verdadeira deve dar um significado novo e uma orientação diferente a todo o comportamento da pessoa? Nós cristãos não deveríamos ignorar que, na realidade, não cremos o que dizemos com os lábios, mas o que expressamos com nossa vida inteira.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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sábado, 26 de setembro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 27 - 26º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges e no Asilo São Vicente de Paulo (festa)

18h - Missa na igreja de Santo Antônio       19h - Missa na matriz

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A oração do Papa em Lourdes:

banir da sociedade todo ódio e violência

Leão XIV se fez peregrino na Gruta das Aparições, repetindo os ritos dos fiéis. Deteve-se em oração silenciosa diante da imagem da Virgem Maria; aproximou-se da rocha e a tocou. Na sequência, o Papa bebeu um copo de água da fonte e após colocar uma vela no candelabro, pronunciou uma prece.

Na noite deste sábado, o Papa Leão viveu um dos momentos mais aguardados de sua viagem à França: a oração na Gruta das Aparições de Massabielle.

No mundo, Lourdes é a cidade mariana por excelência. Desde 1858, é destino de peregrinação: em um nicho no interior da Gruta, a Virgem Maria apareceu a uma pastora chamada Bernadette Soubirous. Após a primeira aparição (11 de fevereiro) da “Senhora vestida de branco”, seguiram-se outras 17, até 16 de julho de 1858. 

Ao longo dos anos, a Gruta passou por diversas intervenções, que, em parte, alteraram seu aspecto, a fim de torná-la mais acessível aos peregrinos, enquanto acima dela foi construída a Basílica da Imaculada Conceição. No seu interior se encontra uma estátua representando a Imaculada Conceição, obra de 1864 do escultor Joseph-Hugues Fabisch. É adornado com um altar de pedra e um grande candelabro, e é costume dos peregrinos tocar a rocha ao longo de toda a cavidade.

Dentro da Gruta, protegida por uma placa de vidro, encontra-se a fonte descoberta pela própria Bernadette no local em que Nossa Senhora lhe pediu para cavar: trata-se de uma das oito fontes da região que alimentam o rio, e suas águas são bebidas pelos peregrinos e utilizadas para o banho nas piscinas situadas a pouca distância, à disposição dos doentes e dos fiéis, como sinal da renovação do batismo e da purificação; sob a cavidade, um cofre de metal permite coletar orações e intenções.

O Papa em oração   (@Vatican Media)

A oração do Santo Padre

Ao chegar à Gruta das Aparições, o Pontífice foi recebido pelo Bispo de Tarbes e Lourdes, Dom Jean-Marc Micas, e pelo Reitor do Santuário, Padre Michel Daubanes.

Leão XIV se deteve em oração silenciosa diante da estátua da Virgem Maria; aproximou-se da rocha e a tocou. Na sequência, o Papa bebeu um copo de água da Fonte que lhe foi oferecido pelo Reitor do Santuário. Após colocar uma vela no candelabro, pronunciou a seguinte oração:

Ó Senhora de Lourdes, Imaculada Conceição, recorremos a Vós com confiança neste lugar abençoado onde, com tanta doçura e ternura, falastes a Santa Bernadette, humilde filha do povo de França, para transmitir ao mundo uma luminosa mensagem de oração, conversão e esperança; Vós sois a Mãe que Jesus nos deu e estais atenta às nossas necessidades.

Rogamos-vos, Senhora Nossa, pela França, de quem sois a Padroeira e a quem, ao longo de tantos séculos, envolvestes com a Vossa proteção. Alcançai para o vosso povo o dom da concórdia fraterna. Que ele construa uma sociedade harmoniosa, banindo toda a violência e todo o ódio, permitindo a cada um trabalhar, constituir a própria família e viver até ao fim com tranquilidade e serenidade. Que os mais desafortunados e os mais pobres sejam sempre apoiados. Alcançai para a França governantes sábios e generosos, dispostos ao sacrifício de si mesmos, capazes de enfrentar os desafios e desejosos de servir o bem comum. Que eles a mantenham em paz no concerto das nações. Que façam ouvir a sua voz para promover a defesa dos direitos humanos fundamentais, bem como a paz no mundo, rejeitando para sempre as lógicas da guerra.

Santa Virgem Maria, apresentamos-vos o Povo de Deus que caminha neste país que tanto marcastes com a vossa proximidade. Renovai a fé e o fervor das famílias cristãs, tão queridas ao vosso coração, para que vivam dia após dia a partir da presença de Jesus, da sua graça e do seu amparo nas dificuldades que atravessam. Que estejam generosamente abertas à vida, e que Deus suscite nelas vocações, nomeadamente sacerdotais e religiosas. Concedei à vossa Igreja em França a capacidade de indicar, sobretudo aos mais jovens, o caminho luminoso do Evangelho para edificarem a sociedade justa e fraterna a que aspiram.

Por fim, Mãe amorosíssima, apresentamos-vos as nossas intenções pessoais mais urgentes, em particular as das pessoas doentes e sofredoras, com os acompanhantes, que em conjunto vieram buscar força e cura. Confiamos-vos os nossos entes queridos e os nossos falecidos. Afastai, nós vos suplicamos, todos os obstáculos que ainda nos separam do vosso amado Filho, e fazei que Ele reine em todos os corações. Amém.

Antes de encerrar este momento, o Pontífice entregou uma Rosa de Ouro, rezou o Pai-Nosso e concedeu a bênção apostólica. No domingo, Leão XIV presidirá no Santuário à Santa Missa.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

Um sim que seja sim

Nós, cristãos, temos o privilégio de dispor de um outro método, relativamente à mundanidade, para nos avizinharmos da verdade: o arrependimento. (Christos Yannaras)

♦ Um sim que, na realidade pode ser não, ou um não que venha transformar-se em sim. Mais uma parábola. A dos dois filhos. Um diz que faz as obras do Senhor. Mas não faz. O outro, diz que não, mas volta atrás e faz. O sentido da parábola de Jesus parece claro. No seguimento de Jesus, na construção do Reino há pessoas que dizem sim. Aparentemente vivem dentro dos bons padrões. E de outro lado há os que dizem não. Tudo claro até aqui. Há, no entanto, uma sorte de inversão. Os bons parece que colocaram em si uma etiqueta de bondade, mas que, na realidade esconde um pedaço de inverdade. Consideram-se justos, mas falta-lhes o fogo interior e sua fidelidade tem tudo do legalismo. Dizem que vão, mas não vão. Estão satisfeitos com o mundinho que criaram com tintas de religiosidade. Os que disseram não se arrependem e com ardor transformam o não em sim. Mudam de ideia. Arrependem-se. Convertem-se.

♦ De maneira clara Manicardi aborda nosso tema: “Naquele ‘mudar de ideia’ está o diálogo interior, está a tomada de consciência da realidade, está a audácia de olhar de frente para si próprio, um passo preliminar essencial para o agir responsável. Em suma, está um movimento em direção à responsabilidade, da decisão de passar a irresponsabilidade para a responsabilidade. Nesse sentido, longe de ser um sinal de fraqueza, o arrependimento é sinal de coragem e força. Embora seja raro e impopular, mesmo na Igreja, o gesto de quem reconhece ter errado, de quem admite ter tomado posições que se revelaram pouco conformes com o Evangelho e muda a sua posição, procurando ser mais fiel ao Evangelho, é sinal e grandeza humana e espiritual” (Luciano Manicardi, Comentário à Liturgia Dominical e Festiva, Ano A, Paulinas de Portugal, p.144).

♦ A vida, muitas vezes, é um madrasta desalmada. Acrescentei o adjetivo desalmada porque imagino que existam madrastas com alma. Há pessoas que, na realidade tiveram uma trajetória extremamente acidentada. Um certo mocinho cresceu num ambiente em que pessoas de seu relacionamento assaltavam e ele mesmo passou ser “sócio” do crime. Um mocinha bonita, jeitosa começa a se interessar por aventuras amorosas e receber recompensas e compensações, menina que nunca fora valorizada. Pessoas que pouco visitaram seu interior. Nunca questionaram o que vem a ser voz da consciência. Por um ou outro caminho foram tocadas. A moça sonhava com um companheiro único e a formação de uma família. O rapaz depois de cumprir um tempo de prisão, olhando-se no espelho queria ser diferente. Nessas e em tantas vidas pode irromper Cristo, sobretudo através do testemunho de pessoas que se tornaram evangelho vivo. Os que haviam dito não, disseram um sim cheio de ardor.

♦ Jesus se aproxima dos mais discriminados. Senta-se para comer com publicanos. Deixa que uma pecadora beije seus pés. É conhecido como amigo dos pecadores. Quem suspeita hoje realmente que os bêbados, os mendigos e todos os que formam o refugo, a escória da sociedade podem ser os primeiros do Reino? Quem podia imaginar que os aidéticos, dependentes de drogas poderiam preceder a alguns figurões da religião… (cf. Pagola, Mateus, p. 250.)

♦ A graça do arrependimento. Sim, trata-se de uma graça. Ter-se acostumado a usufruir das coisas e dos bens para si. Ter lucrado percorrendo os caminhos da noite. Ter usado o corpo dos outros…Todas essas páginas escuras. Arrepender-se quer dizer experimentar dor pelo que se cometeu, sobretudo de termos machucado aos outros, a nós mesmos e termos descuidado de responder ao amor do Senhor.

♦ O coração contrito é a única brecha por onde Deus pode entrar numa vida. Uma vida “acostumada” com as coisas da fé é impermeável a Deus e ao seu alvissareiro convite. O homem pode desviar o seu caminho, da primeira orientação de vida. O homem vive longe de seu ser verdadeiro. O coração contrito é um coração deslumbrado pela beleza e misericórdia de Deus. O coração contrito deixa Deus ser Deus. Éloi Leclerc: “O coração contrito é uma brecha íntima por onde pode entrar ainda qualquer coisa nova. É uma abertura ao Deus vivo e imprevisível; o Deus que vem”.

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Oração

NÃO TENHAS MEDO

Não tenhas medo
de olhar para trás,
descobrirás que o amor está a um passo de ti.

Não tenhas medo
de olhar-Me nos olhos.
Eu acolherei a tua inquietação
e a tua incompleta purificação de luz.

Não tenhas medo,
Eu abençoarei a tua misericórdia
quando se faz abraço,
a tua piedade quando se faz ternura,
a tua dor quando se faz pão.

Não tenhas medo,
a paz existirá para ti também,
porque o Meu coração se recolhe ao lado do teu.   (Luigi Verdi)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Papa na França:

proteger a vida e promover a paz, que não é equilíbrio de forças

Leão XIV, no primeiro discurso no Palácio do Eliseu em Paris, recordou uma França iluminada pelo patrimônio cultural e religioso, mas também exortou as consciências sobre o respeito à dignidade humana, aos direitos e às liberdades das pessoas, independentemente das origens. Insistiu no tema da proteção à vida, diante dos desvios atuais da sociedade, e exortou o país a continuar sendo "artífice incansável da paz", especialmente "no interior da nossa querida Europa" para que o mundo tenha vida.

O Papa Leão XIV pronunciou o primeiro discurso da viagem apostólica à França na manhã desta sexta-feira (25/09), primeiro dos quatro dias no país, que além de Paris, ainda terá etapas em Lourdes e Metz. No Palácio do Eliseu, sede da Presidência da República, o Pontífice encontrou autoridades políticas e religiosas, representantes da sociedade civil, da cultura e do corpo diplomático. Leão se pronunciou logo após o presidente do país, Emmanuel Macron, na Salle des fêtes.

Leia a íntegra do discurso do Papa Leão XIV

O Papa Leão XIV durante discurso na "Salla des fêtes", no Palácio do Eliseu  


A França e os brilhos da Cidade-Luz

Logo no início do discurso, o Papa agradeceu o convite feito pelo presidente Macron para visitar o país, feito em audiência no Vaticano, quando foi recebido em 10 de abril deste ano. Junto às saudações oficiais, também recordou o povo francês, formado por uma "diversidade de origens" que ajuda a "enriquecer a convivência e a vida democrática" em um país que é "patrimônio cultural e religioso". Um povo que também faz parte das origens familiares do Papa, bem recordadas por Leão, ao citar as raízes nas regiões francesas da Normandia e de Béarn.

Ao se direcionar à sua quinta viagem apostólica, o Papa salientou que parte da própria capital da França, Paris, "frequentemente designada como a Cidade-Luz" de um país que "brilha como um farol cultural, artístico e espiritual, não só na Europa, mas em todo o mundo". O país "contribuiu para formar a inteligência dos povos, muito além das suas fronteiras", para "o bem da humanidade, desde que estejam orientadas para a busca do belo, do bem e do verdadeiro, para que o mundo tenha vida". O savoir-faire, disse o Papa, o "saber fazer", é sinônimo de excelência em muitas áreas, como aconteceu com a grande obra de restauro da Catedral de Notre-Dame de Paris. A recente reabertura "não é apenas o coroamento de uma proeza técnica", mas testemunho "de unidade alcançada por meio do esforço comum", que serve de inspiração, disse o Papa, para agentes da vida política, social e religiosa do país.

O respeito à dignidade humana, aos direitos e liberdades

A França é também uma terra com ricas raízes cristãs, continuou o Papa em discurso, do humanismo, dos pensadores do Renascimento e do Iluminismo que, a partir do país, proporcionaram ao mundo várias conquistas como "o reconhecimento dos direitos humanos inscritos na natureza da própria pessoa, em particular a liberdade religiosa. Esta atenção permanente à dignidade inerente a toda a pessoa humana encontra eco no vosso lema nacional: liberdade, igualdade e fraternidade". Em Paris, por exemplo, foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos do Homem para "criar uma consciência geral da dignidade inalienável da pessoa humana". 

A questão do respeito da dignidade humana e dos direitos e liberdades fundamentais "deve acompanhar a evolução da sociedade e o progresso técnico". O Papa justificou assim a razão pela qual tratou da Inteligênia Artificial na sua primeira Carta Encíclica, a Magnifica humanitas, já que o progresso, sem responsabilidade e "quando não orientado para o bem é capaz de causar danos":

"Para não perdermos a nossa humanidade no meio do 'paraíso das máquinas', que invade e condiciona o nosso quotidiano, é urgente formar os espíritos para um discernimento ético, capaz de distinguir o que é moralmente bom. Esta exigência é fundamental para reconhecer o verdadeiro bem que faz o homem crescer de acordo com a sua vocação primordial, no respeito incondicional pela sua liberdade interior e pela sua dignidade sagrada."

Diálogo urgente na França para proteger a diversidade

Uma sociedade livre, continuou o Papa, "não impõe a uniformidade, mas protege a diversidade de consciências". Esse diálogo "é ainda mais urgente no contexto da França de hoje, onde pessoas de diferentes origens culturais e religiosas são chamadas a viver juntas e a dar o seu contributo para a construção da sociedade". Pela atenção à riqueza do tecido social e à solidariedade, a própria Igreja no país "nunca deixou de agir em prol dos mais desfavorecidos, tornando-se o rosto vivo da ternura e da compaixão de Deus. São testemunhos de "uma autêntica escola de humanidade sobre a grandeza do cuidado e um apelo comovente para o valor único e insubstituível de cada ser humano":

"São também um convite a uma fraternidade renovada, pois exige que aprendamos a acolher a vida incondicionalmente, a amparar a fragilidade com ternura, a acompanhar com respeito e confiança mútua cada etapa da existência e a defender com coragem e compaixão aqueles que não têm voz ou que não se sentem suficientemente apoiados. É por isso que reafirmo «com veemência que a salvaguarda do direito à vida constitui o fundamento imprescindível de todos os outros direitos humanos»"

A proteção à vida é responsabilidade de todos

O Papa insistiu sobre a proteção à vida no discurso às autoridades, alertando sobre "a tentação de esperar da ciência solução e conforto para todos os nossos sofrimentos". As soluções imediatas são um risco enorme para se desviar do bem, afirmou Leão XIV, ao acrescentar:

“Por vezes, constato com preocupação os desvios atuais das sociedades, que correm o risco de deturpar a ciência e a tecnologia, transformando-as em empreendimentos lucrativos que favorecem as manipulações genéticas, a maternidade de substituição, o tráfico de órgãos ou a oferta de uma morte programada. Não esqueçamos que o respeito mútuo e a proteção da vida de uma só pessoa são uma responsabilidade de todos e de cada um, que começa com uma conversão da inteligência e do coração e que exige um compromisso real e desinteressado para com os nossos irmãos e irmãs.”

A laicidade não é ameaça 

O discurso do Pontífice, então, também seguiu para a importância de se respeitar também a laicidade, que "não exclui a dimensão religiosa, mas, pelo contrário, sabe valorizá-la como um recurso educativo". Leão XIV citou o exemplo das escolas católicas presentes na França, que ajudam a dialogar e a respeitar dentro da sociedade:

"Uma correta laicidade não consiste, portanto, em excluir a religião do espaço público ou do ensino, mas em trabalhar em prol do diálogo entre o Estado e as instituições religiosas, para que unam forças ao serviço do bem comum, para que o mundo tenha vida."

O presidente da França, Emmanuel Macron, no encontro no Palácio do Eliseu


Uma paz desarmada e desarmante também pela França

O Papa, ao citar o lema da viagem ao país, "Para que o mundo tenha vida", insistiu sobre o respeito ao próximo e a serví-lo com dignidade, "independentemente da sua origem", constitui um contributo valioso para o diálogo entre os povos, para a defesa dos direitos das pessoas, bem como ao serviço da paz. E mesmo à distância, já que Leão citou diferentes colaborações a partir da França e da sua Igreja que prestam apoio às populações mais vulneráveis do Oriente Médio. Ao falar daquela região de conflitos, o Pontífice lembrou dos "atormentados pelo flagelo da guerra":

"Não podemos permanecer indiferentes perante tais sofrimentos, que ferem a dignidade humana e clamam justiça a Deus. A gravidade destas situações deve interpelar-nos, convidando cada um, onde quer que se encontre, a uma verdadeira conversão do coração e a uma mudança de atitude. É reconhecendo humildemente a necessidade que temos uns dos outros que juntos poderemos empenhar-nos ainda mais na construção da civilização do amor no meio do mundo, que se tornou tão complexo e interdependente."

A saudação entre Leão XIV e Emmanuel Macron na "Salle des fêtes"


Ao citar o pensamento do seu predecessor João XXIII, Leão XIV exortou novamente que "se pare com essa corrida ao poderio militar", que "sejam banidas as armas atômicas; e, finalmente, que se chegue a um acordo para a gradual diminuição dos armamentos, na base de garantias mútuas e eficazes". A posse de armas nucleares, observou o Pontífice, não é garantia de segurança: "na verdade, a paz não é um equilíbrio de forças, mas constrói-se dia a dia com o diálogo e a justiça". Não é para se resignar à perspectiva de uma guerra, considerando-a “inevitável”, disse o Papa, mas a promover incansavelmente o diálogo e a diplomacia:

“Perante os rumores de guerra e as crises multifacetadas que abalam o nosso mundo, a França tem a vocação de continuar a ser uma artífice incansável da paz e do multilateralismo, especialmente no interior da nossa querida Europa. Possa a França, fiel aos seus valores, abrir caminho para uma paz desarmada e desarmante, e oferecer, com responsabilidade, o seu contributo insubstituível em prol da paz; que a sua liberdade cresça incessantemente no cuidado pelo bem comum; que a sua fraternidade abrace toda a humanidade; e que a igualdade a que aspiram se baseie sempre nos alicerces da justiça e da caridade, sem suprimir as diferenças entre as pessoas, mas fazendo-as frutificar harmoniosamente em benefício de toda a sociedade.”

No Palácio do Eliseu, Leão XIV pronunciou o primeiro discurso da viagem de 4 dias à França


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Assista:

Andressa Collet - Vatican News

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                                                     Fonte: vaticanews.va    Fotos e vídeo: (@Vatican Media

26º Domingo do tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Ez 18,25-28

Leitura do livro do profeta Isaías

Assim diz o Senhor: “Vós andais dizendo: ‘A conduta do Senhor não é correta’. Ouvi, vós da casa de Israel: É a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta?

Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre. Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá, não morrerá”.

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Responsório: Sl 24

— Recordai, Senhor meu Deus,/ vossa ternura e compaixão.

— Recordai, Senhor meu Deus,/ vossa ternura e compaixão.

— Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos,/ e fazei-me conhecer a vossa estrada!/ Vossa verdade me oriente e me conduza,/ porque sois o Deus da minha salvação;/ em vós espero, ó Senhor, todos os dias!

— Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura/ e a vossa compaixão que são eternas!/ Não recordeis os meus pecados quando jovem,/ nem vos lembreis de minhas faltas e delitos!/ De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia/ e sois bondade sem limites, ó Senhor!

— O Senhor é piedade e retidão,/ e reconduz ao bom caminho os pecadores./ Ele dirige os humildes na justiça,/ e aos pobres ele ensina o seu caminho.

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2ª Leitura: Fl 2,1-11

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses

Irmãos: Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro. Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus.

Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.

Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor!” — para a glória de Deus Pai

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Evangelho: Mt 21,28-32

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

«O que vocês acham disto? Certo homem tinha dois filhos. Ele foi ao mais velho, e disse: ‘Filho, vá trabalhar hoje na vinha’. O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois arrependeu-se, e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho, e disse a mesma coisa. Esse respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?» Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: «O filho mais velho.» Então Jesus lhes disse: «Pois eu garanto a vocês: os cobradores de impostos e as prostitutas vão entrar antes de vocês no Reino do Céu. Porque João veio até vocês para mostrar o caminho da justiça, e vocês não acreditaram nele. Os cobradores de impostos e as prostitutas acreditaram nele. Vocês, porém, mesmo vendo isso, não se arrependeram para acreditar nele.»

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Reflexão do padre Johan Konings:

Formalismo religioso e verdadeiro serviço a Deus

Na 1ª leitura, Ezequiel ensina que o justo, quando se desvia, se perde, enquanto o pecador que corrige sua vida se salva. Jesus, no evangelho, denuncia a atitude dos supostos “justos”. Não se converteram à pregação de João Batista; os publicanos e as prostitutas, sim. Referindo-se a isso, Jesus faz uma comparação: o “bom filho” diz ao pai que fará, mas não faz; o filho rebelde diz que não fará, mas faz… Qual dos dois, então, é o verdadeiro “justo”?

Não adianta ter o rótulo de justo por causa de habitual bom comportamento e por dizer piedosamente “sim” a Deus. Importa fazer de fato o que Deus espera. E se fizermos o que Deus espera de nós, não importa que antes tenhamos sido pecadores. Fazendo o que Deus espera, o pecador torna-se justo; não o fazendo, o justo torna-se pecador. O “estar bem com Deus” nunca é “direito adquirido”. Não há assentos cativos no céu… Um ladrão, acostumado desde o instituto de menores a viver de bens alheios, arrisca sua vida para salvar um banhista no mar; populares, não casados na Igreja, organizam uma vaquinha para ajudar uma família sem meios de sustento; um beberrão torna-se crente e deixa de beber, para sustentar melhor sua família. Pelo outro lado: padres e religiosos proclamam a “opção pelos pobres”, mas só têm tempo para os ricos e os inteligentes… Qual deles é o justo?

Apliquemos na prática o critério de discernimento que Cristo mesmo sugere na parábola: que é o que a pessoa diz e o que ela faz? Descobriremos com perspicácia o que é acomodação e o que é conversão, também em nós mesmos.

Importa reconhecer a justiça dos que não têm a fama, mas a praticam. E denunciar – para o bem deles e de todos; – os que têm fama de justiça, mas não a praticam. Neste sentido, para ser fiel a Jesus, a comunidade cristã deve expulsar o formalismo religioso, que consiste em observar as coisas formais e exteriores da religião, sem fazer de verdade o que Deus espera de nós: a contínua conversão e a prática da justiça e da solidariedade para com o irmão.

Convém meditar neste sentido o que fez o filho por excelência, Jesus: não se apegou a privilégios de divindade, mas fez a vontade do Pai, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz (2ª leitura).

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Fonte: franciscanos.org.br Imagem: diocesedesaojoaodelrei.com.br Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos