segunda-feira, 6 de abril de 2026

Estamos na Oitava de Páscoa.

 O que é isto?

Com a celebração da Ressurreição do Senhor, na Vigília do Sábado Santo, entramos no Tempo Pascal, formado por sete semanas até a Solenidade de Pentecostes. Este tempo é marcado pela alegria da vida nova que recebemos de Cristo. É o tempo litúrgico mais forte do ano, pois é a passagem da morte para a Vida.

Durante o Tempo Pascal, em todas as celebrações litúrgicas, o Círio Pascal permanece aceso, pois ele representa o Cristo Ressuscitado que ilumina nossa vida, dissipa as trevas da morte e faz resplandecer em todos nós a luz de Deus. O Círio é essa grande coluna luminosa, que nos guia para a libertação plena da vida.

Dentro desse período, temos a Oitava de Páscoa. Como a Festa da Páscoa é o coração da nossa fé, reservam-se oito dias para celebrar solenemente a Ressurreição de Cristo. A Oitava Pascal é, portanto, o conjunto dos primeiros oito dias do Tempo Pascal, iniciados no domingo após a Vigília da Ressurreição. No Tempo Pascal, os domingos tem uma mesma unidade solene, não se diz “2º Domingo depois da Páscoa”, mas se diz: Segundo Domingo da Páscoa. Por isso, na Oitava Pascal, a Igreja, comunidade do Ressuscitado, proclama solenemente:

“Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 118, 24). O dia que o Senhor fez para nós é o dia que a vida venceu. “Na verdade Ele não poderia estar no sepulcro, pois não pode mais haver morte onde o viver se tornou missão”.

Oitava Pascal traz para o centro da celebração litúrgica da Igreja o mistério da Ressurreição de Jesus Cristo. A Páscoa de Jesus continua na ação da Igreja e, por isso, na Oitava Pascal celebramos que todo dia se tornou domingo, razão pela qual na Oitava Pascal se entoa o Hino de Louvor em todas as missas, uma vez que, em outras épocas, geralmente é cantado apenas na missa dominical, com exceção do tempo da Quaresma e Advento, onde não se canta.

Por isso, durante oito dias, celebramos a Solenidade da Ressurreição de Jesus como se fosse um único dia – “o dia que o Senhor fez para nós!”

No passado, a Oitava Pascal era um tempo especial de contato com a fé para os que tinham sido batizados na Vigília Pascal.

No batismo, eles recebiam a veste branca, e esta era tirada no final da Oitava Pascal. Era momento para aqueles que renasceram pelo Batismo poderem experimentar a vida nova em Cristo.

Por isso, a Oitava Pascal convida-nos a fazer da nossa vida uma contínua Páscoa, um tempo de renovar a confiança no Senhor, colocando em suas mãos a nossa vida e o nosso destino. É um tempo para que, ressuscitados com Cristo, aprendamos a buscar as coisas que são do alto (Col 3,1).

Pe. Luiz Camilo Júnior, C.Ss.R. – Missionário Redentorista

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domingo, 5 de abril de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Oitava da Páscoa

Horários de missa e outros eventos

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Dia 7 - Terça-feira

15h -  Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

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Dia 8 - Quarta-feira

19h - Missa votiva em louvor a São José na matriz

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Dia 9 - Quinta-feira

  19h - Terço dos homens na matriz

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Dia 10 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

  19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

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Dia 11 - Sábado

19h -  Missa na Matriz      19h - Celebração na  igreja de São Geraldo

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Dia 12 - 2º Domingo de Páscoa

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Leão XIV na homilia deste domingo pascal:

o Senhor está vivo e permanece conosco

Na homilia da missa deste domingo pascal, o Papa recordou que "a Páscoa do Senhor nos dá esperança", não obstante "o poder da morte" nos ameace "constantemente, por dentro e por fora". "Dentro de nós, quando as preocupações ou os ressentimentos sufocam a alegria de viver", fora de nós, a morte está "presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na opressão dos pobres, na escassa atenção para com os mais frágeis", na "guerra que mata e destrói".

O Papa Leão XIV presidiu a missa deste Domingo de Páscoa (05/04) e da Ressurreição do Senhor, na Praça São Pedro. Estiveram presentes 50 mil pessoas na praça e 10 mil fora dela em seus arredores.

Hoje, toda a criação resplandece com uma nova luz; da terra se eleva um cântico de louvor; o nosso coração exulta de alegria: Cristo ressuscitou da morte e, com Ele, também nós ressuscitamos para uma vida nova!

Com estas palavras Leão XIV iniciou a sua homilia e afirmou que "este anúncio pascal abraça o mistério da nossa vida e o destino da história, alcançando-nos nas profundezas dos abismos da morte, onde nos sentimos ameaçados e, por vezes, oprimidos. Ele nos abre à esperança que não falha, à luz que não se põe, àquela plenitude de alegria que nada pode apagar: a morte foi vencida para sempre, a morte já não tem poder sobre nós"!

Esta é uma mensagem nem sempre fácil de aceitar, uma promessa que nos custa acolher, porque o poder da morte ameaça-nos constantemente, por dentro e por fora.

"Dentro de nós, quando o fardo dos nossos pecados nos impede de voar; quando as desilusões ou a solidão que experimentamos esgotam as nossas esperanças; quando as preocupações ou os ressentimentos sufocam a alegria de viver; quando estamos tristes ou cansados, quando nos sentimos traídos ou rejeitados, quando temos de lidar com a nossa fraqueza, com o sofrimento, com o desgaste do dia a dia, parecendo que fomos parar a um túnel do qual não vemos a saída", frisou o Papa.

Mas também fora de nós, a morte está sempre à espreita. Vemo-la presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na opressão dos pobres, na escassa atenção para com os mais frágeis. Vemo-la na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todas as partes devido aos abusos que oprimem os mais vulneráveis, devido à idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, devido à violência da guerra que mata e destrói.

De acordo com Leão XIV, "nesta circunstância, a Páscoa do Senhor nos convida a erguer o olhar e a alargar o coração. Ela continua alimentando, no nosso espírito e no percurso da história, a semente da vitória prometida".

Ela põe-nos em movimento, tal como Maria Madalena e os Apóstolos, para nos fazer descobrir que o sepulcro de Jesus está vazio e que, por isso, em cada morte que experimentamos, há também espaço para uma nova vida que renasce. O Senhor está vivo e permanece conosco.

"Através de frestas de ressurreição que surgem na escuridão", o Senhor "entrega o nosso coração à esperança que nos sustenta: o poder da morte não é o destino último da nossa vida. De uma vez para sempre, estamos orientados para a plenitude, porque, em Cristo ressuscitado, também nós somos ressuscitados".

A seguir, Leão XIV recordou as palavras do Papa Francisco num trecho da Exortação apostólica, Evangelii gaudium. O Pontífice argentino escreve que a ressurreição de Cristo «não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da ressurreição. É uma força sem igual. É verdade que muitas vezes parece que Deus não existe: vemos injustiças, maldades, indiferenças e crueldades que não cedem. Mas também é certo que, no meio da obscuridade, sempre começa a desabrochar algo de novo que, mais cedo ou mais tarde, produz fruto».

"A Páscoa do Senhor nos dá esta esperança, lembrando-nos que, em Cristo ressuscitado, uma nova criação é possível todos os dias", disse ainda o Papa, recordando que "uma vida nova, mais forte do que a morte, está agora brotando para a humanidade". "A Páscoa é a nova criação realizada pelo Senhor Ressuscitado, é um novo começo, é a vida finalmente tornada eterna pela vitória de Deus sobre o antigo adversário".

É deste canto de esperança que hoje precisamos. E somos nós, ressuscitados com Cristo, que devemos levá-lo pelas estradas do mundo. Corramos, pois, como Maria Madalena, anunciemo-lo a todos, levemos com a nossa vida a alegria da ressurreição, para que, onde quer que ainda paira o espectro da morte, possa brilhar a luz da vida.

"Que Cristo, nossa Páscoa, nos abençoe e conceda a sua paz ao mundo inteiro", concluiu o Papa Leão.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

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O Papa no Angelus:

façamos ouvir o grito de paz que brota do coração.
Em 11 de abril, uma vigília de oração

Após celebrar a Missa da Ressurreição na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV dirigiu à Cidade de Roma e ao Mundo a sua Mensagem de Páscoa. Disse a "quem tem armas nas mãos, que as deponha"! " A quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz"! Convidou todos a unirem-se a ele na vigília de oração pela paz que será realizada, na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de abril.

Em sua mensagem Urbi et Orbi, à Cidade de Roma e ao Mundo, proferida da sacada central da Basílica de São Pedro, neste domingo pascal (05/04), o Papa Leão XIV recordou que "a Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio".

"Uma vitória a um preço muito alto", disse ele, pois "Cristo, o Filho do Deus vivo, teve de morrer, e morrer numa cruz, depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido ridicularizado e torturado, e de ter derramado todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do mundo e assim nos libertou a todos do domínio do mal, e conosco também a criação".

"Mas como é que Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para sempre o antigo adversário, o príncipe deste mundo? Com que poder ressuscitou dos mortos, não regressando à vida anterior, mas entrando na vida eterna e abrindo assim, na sua própria carne, a passagem deste mundo para o Pai"? Perguntou o Papa.

"Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até o fim, Amor que perdoa e resgata. Cristo, o nosso «Rei vitorioso», travou e venceu a sua batalha através do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação", disse Leão XIV, lembrando que assim, Jesus "percorreu até o fim o caminho do diálogo, não com palavras, mas com obras: para nos encontrar a nós, que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar a nós, que éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida a nós, mortais, deixou-se matar na cruz".

"A força com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à de um grão de trigo que, ao decompor-se na terra, cresce, abre passagem pelas leivas, germina e transforma-se numa espiga dourada. É ainda mais semelhante à do coração humano que, ferido por uma ofensa, rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o ofendeu", disse ainda Leão XIV, acrescentando:

Irmãos e irmãs, esta é a verdadeira força que traz a paz à humanidade, porque gera relações respeitosas a todos os níveis: entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, as nações. Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para os conceber e concretizar em conjunto com os outros.

"Sim, a ressurreição de Cristo é o princípio da nova humanidade, é a entrada na verdadeira terra prometida, onde reinam a justiça, a liberdade e a paz, onde todos se reconhecem irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai que é Amor, Vida e Luz", sublinhou.

Segundo o Papa, com a sua ressurreição, "o Senhor coloca-nos ainda mais intensamente perante o drama da nossa liberdade. Diante do sepulcro vazio, podemos encher-nos de esperança e admiração, como os discípulos, ou de medo, como os guardas e os fariseus, obrigados a recorrer à mentira e ao subterfúgio para não reconhecerem que aquele que fora condenado tinha realmente ressuscitado"!

À luz da Páscoa, deixemo-nos surpreender por Cristo! Deixemos transformar o nosso coração pelo seu imenso amor por nós! Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!

Leão XIV disse que nos habituamos "à violência, resignamo-nos a ela e tornamo-nos indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às repercussões de ódio e divisão que os conflitos semeiam. Indiferentes às consequências econômicas e sociais que produzem e que todos sentimos".

"Há uma “globalização da indiferença” cada vez mais acentuada", frisou o Papa Leão, retomando uma expressão querida ao Papa Francisco, que um ano atrás, da Praça São Pedro, dirigiu ao mundo as suas últimas palavras, recordando-nos: «Quanto desejo de morte vemos todos os dias em tantos conflitos que ocorrem em diferentes partes do mundo!»

"A cruz de Cristo recorda-nos sempre o sofrimento e a dor que envolvem a morte, e o tormento que ela acarreta. Todos temos medo da morte e, por medo, voltamo-nos para o outro lado, preferimos não olhar. Não podemos continuar indiferentes! Não podemos resignar-nos ao mal! Santo Agostinho ensina: «Se tens medo da morte, ama a ressurreição!». Amemos também nós a ressurreição, que nos recorda que o mal não é a última palavra, porque foi derrotado pelo Ressuscitado", disse ainda Leão XIV, lembrando que Jesus "atravessou a morte para nos dar vida e paz": «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. A paz que eu dou não é como a dá o mundo».

A paz que Jesus nos entrega não é aquela que se limita a silenciar as armas, mas aquela que toca e transforma o coração de cada um de nós! Convertamo-nos à paz de Cristo! Façamos ouvir o grito de paz que brota do coração! Por isso, convido todos a unirem-se a mim na vigília de oração pela paz que celebraremos aqui, na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de abril.

Saudações em dez idiomas

"Neste dia de festa, abandonemos toda a vontade de contendas, domínio e poder, e imploremos ao Senhor que conceda a sua paz ao mundo atormentado pelas guerras e marcado pelo ódio e pela indiferença, que nos fazem sentir impotentes perante o mal", disse o Pontífice, confiando ao Senhor "todos os corações que sofrem e esperam a verdadeira paz que só Ele pode dar".

O cardeal protodiácono Dominique Mamberti anunciou a concessão de indulgência plenária a todos os fiéis presentes e aos que receberem a sua bênção. Por fim, Leão XIV, como fez no Natal, pronunciou as saudações pascais em dez idiomas: italiano, francês, inglês, alemão, espanhol, português, polonês, árabe, chinês e latim.

Em português, disse:

Feliz Páscoa! Levai a todos a alegria do Senhor Ressuscitado e presente entre nós.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

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                                                     Fonte: vaticannews.va  Videos: (@Vatican Media

Reflexão para este Domingo de Páscoa:

As cicatrizes do Ressuscitado

José Antonio Pagola

“Vós o matastes, mas Deus o ressuscitou”. Isto é o que pregam com fé os discípulos de Jesus pelas ruas de Jerusalém, poucos dias depois de sua execução. Para eles, a ressurreição é a resposta de Deus à ação injusta e criminal daqueles que quiseram calar para sempre sua voz e destruir pela raiz seu projeto de um mundo mais justo.

Não devemos esquecer nunca que no cerne de nossa fé há um Crucificado a quem Deus deu razão. No próprio centro da Igreja há uma vítima à qual Deus fez justiça. Uma vida “crucificada”, mas vivida com o espírito de Jesus, não terminará em fracasso, mas em ressurreição.

Isto muda totalmente o sentido de nossos esforços, penas, trabalhos e sofrimentos por um mundo mais humano e uma vida mais feliz para todos. Viver pensando nos que sofrem, estar perto dos mais desvalidos, dar uma mão aos indefesos … seguir os passos de Jesus, não é algo absurdo. É caminhar para o Mistério de um Deus que ressuscitará para sempre nossas vidas.

Os pequenos abusos que possamos padecer, as injustiças, rejeições ou incompreensões que possamos sofrer são feridas que um dia cicatrizarão para sempre. Temos de aprender a olhar com mais fé as cicatrizes do Ressuscitado. Assim serão um dia nossas feridas de hoje: cicatrizes curadas por Deus para sempre.

Esta fé nos sustenta por dentro e nos faz mais fortes para continuar correndo riscos. Pouco a pouco vamos aprendendo a não queixar-nos tanto, a não viver sempre nos lamentando do mal que há no mundo e na Igreja, a não sentir-nos sempre vítimas dos outros. Por que não podemos viver como Jesus dizendo: “Ninguém me tira a vida, sou eu que a dou”?

Seguir o Crucificado até compartilhar com Ele a ressurreição é, em última análise, aprender a “dar a vida”, o tempo, nossas forças e, talvez, nossa saúde por amor. Não nos faltarão feridas, cansaço e trabalho árduo. Mas uma esperança nos sustenta: um dia “Deus enxugará as lágrimas de nossos olhos, então não haverá mais morte nem pranto, nem gritos, nem fadigas, porque todo este velho mundo terá passado”.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                                              Fonte: franciscanos.org.br   Imagem: vaticannews.va

sábado, 4 de abril de 2026

Bela catequese sobre a Páscoa:

A ressurreição de Cristo: uma nova existência

A partir das reflexões de Bento XVI, exploramos como o evento pascal inaugura uma nova dimensão do ser e exige de nós um olhar profundo para reconhecer o divino.

A Páscoa é o evento central da fé cristã, mas frequentemente corre o risco de ser mal compreendida em uma visão simplória, como por exemplo, uma simples reanimação de um cadáver. Bento XVI, na obra “Jesus de Nazaré: Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição”, convida-nos a olhar para este mistério não como um evento do passado, mas como uma “mutação decisiva” na história da humanidade. Baseados nesse livro, aprofundemo-nos nesse mistério.

O escândalo do testemunho feminino

Um dos pontos mais intrigantes das “novidades” da ressurreição é a escolha de Maria Madalena como a primeira testemunha. Na tradição jurídica judaica da época, o testemunho das mulheres não era aceito em tribunais; era considerado irrelevante e pouco confiável.

Se a ressurreição fosse uma invenção dos discípulos para convencer o mundo, eles jamais teriam escolhido uma mulher como porta-voz inicial. No entanto, há uma coerência profunda aqui: as mulheres, que permaneceram ao pé da cruz com João enquanto os outros apóstolos fugiam, foram as mesmas que receberam o privilégio do encontro. A fidelidade no sofrimento abriu as portas para a primazia no reconhecimento da Glória. Como os evangelhos narram fatos reais, eles não deixaram de colocar o que era estranho à sociedade da época.

A natureza do corpo ressuscitado

As narrativas evangélicas apresentam uma tensão fascinante entre a corporeidade e a transcendência.

A corporeidade real: Jesus não é um fantasma. Ele caminha com os discípulos de Emaús, convida Tomé a tocar Suas chagas e come peixe diante dos Apóstolos. Isso afirma que a matéria é boa e que a nossa identidade corporal é redimida, não descartada. Um exemplo dessa continuidade é que o Ressuscitado carrega as marcas da crucificação.

A nova existência: Ao mesmo tempo, Jesus atravessa portas fechadas e não é imediatamente reconhecido. Ele não está mais sujeito às leis da física biológica (espaço e tempo) da mesma forma que nós.

Bento XVI enfatiza que Jesus entrou em um “novo gênero de existência”. Ele é o mesmo, mas de uma forma totalmente diversa. Ele agora tem um corpo glorioso, primícias do que teremos também. Esse é um “novo”, difícil de explicar, mas certo em sua composição nas Escrituras.

As teofanias: reconhecer “a partir de dentro”

Para compreender como os discípulos viam o Ressuscitado, podemos olhar para algumas Teofanias (manifestações de Deus) no Antigo Testamento.

Abraão em Mambré: Vê três homens, mas dirige-se a eles como “Meu Senhor”. Há um saber interior que vai além do olhar físico (Gn 18, 1-33).

Josué e o Chefe do Exército: A figura parece um homem comum até que sua identidade divina é revelada pela sua autoridade. Josué vê um homem com uma espada desembainhada na mão. “És tu um dos nossos, ou dos nossos inimigos?”. “Não, mas sou chefe do exército do Senhor” (Js 5, 13-15).

Gedeão e Sansão: Para Gedeão (Jz 6, 11-24) e Sansão (Jz 13), o anjo do Senhor lhes aparece com aspecto de homem, mas é reconhecido como tal quando se esquiva.

Estas foram manifestações que reconheceram o caráter divino de quem ali se apresentava. Mas também havia medo, pois na teologia do Antigo Testamento, acreditava-se que ninguém poderia ver a face de Deus e sobreviver. Com Cristo, foi possível ir mais adiante. Ao olhar para Ele, fazia-se mister ver o Deus e homem, em uma única pessoa. Com Ele era possível ver o próprio Deus frente à frente! Contudo, para isso, a visão externa não bastava. O Ressuscitado exige um reconhecimento a partir de dentro. Só quem tem familiaridade com Ele, quem “sabe quem Ele realmente é”, conseguia vê-Lo. Vejamos o Novo Testamento: assim como os discípulos de Emaús só O reconheceram no “partir do pão”, nós também somos chamados a um encontro que transcende os sentidos físicos.

Proximidade e mistério

A Ressurreição nos deixa duas grandes certezas. Primeiro, a proximidade: Deus não é um motor imóvel distante, mas Alguém que quer ser nosso hóspede, que caminha conosco e partilha da nossa mesa. Deus quer se fazer próximo de mim e de você. Segundo, a necessidade de conversão do olhar: para ver o Ressuscitado, é preciso que o nosso coração esteja iluminado por Ele, para conseguir reconhecer quem Ele é em sua totalidade.

A Ressurreição não é o final de uma história, mas a abertura de um novo horizonte para o que significa ser humano: uma vida que, embora toque a terra, já não pertence mais à morte. Cristo ressuscitou, e com Ele, somos chamados a esse novo também.

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

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                                                      Fonte: vaticannews.va   Imagem: (@Vatican Media

Reflexão para este Sábado Santo:

Ele vive e nos dá vida

Frei Almir Guimarães

Ó maravilha de amor pelos homens!  Em seus pés e mãos inocentes, Cristo recebeu os cravos e suportou a dor; e eu, sem dor nem esforço, mas apenas pela comunhão em suas dores, recebo gratuitamente a salvação. (Das Catequeses de Jerusalém)

Celebrar é tornar atual, conhecida, divulgada alguma coisa, um evento que nos encheu de vida, de alegria, de esperança e de vigor: a chegada de um amigo, a volta de um filho querido depois de gestos de loucura e desvario, a lembrança de um amor que nos foi manifestado no passado. Celebrar a ressurreição de Jesus é fazer de sorte que a vida nova do Mestre seja para nós, hoje, luz para a caminhada, profunda alegria para nossa vida e claridade para o mundo. Importante o “hoje”. Somos chamados a viver a vida nova de Jesus.  Páscoa, festa da vida.  Convite a que vivamos intensamente, e não de maneira queixosa. Na medida em que os anos passam, mesmo sem nenhuma autorização de nossa parte, sentimos, cristãos que somos, que nossa vida se renova.  É proibido envelhecer.  Nossa nudez foi coberta com a veste de Cristo. Somos renascidos, “renatos”.

Vida nova, vida no Senhor. Que bom, na manhã de Páscoa, ouvir Paulo a nos dizer: “Vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo em Deus”. Vida, corpo, sonhos, esperas, anelos, casamento, paternidade, maternidade, coração, contradições, rejeições…tudo está escondido em Cristo Jesus.  A glória da vida sem fim já habita em cada um de nós. Nada de pensamentos de morte.  A vida venceu a morte.

Não nos foi dado de ver o Senhor ressuscitado. Os apóstolos, os discípulos de Emaús, Maria Madalena disseram que o viram.  Tomé, por sua vez, lamentou não tê-lo visto quando ele se tinha manifestado a seus companheiros.  Precisava tocar com seus dedos suas feridas.

Os apóstolos se tornaram testemunhas da ressurreição. Visão?  Visão especial para testemunhar que, por sua pregação e jeito de viver, haveriam de nos dizer que a vida não é banal, que ela não existe para terminar de qualquer jeito. Ele vive, o Senhor vive e nos arrasta num movimento de vida.  Temos a graça de crer em sua presença.  Os que tiveram a graça de vê-lo ressuscitado nô-lo garantem.  Não podemos dizer outra coisa:  somos profundamente felizes por crer na vida do corpo que veio de Maria, do condenado do Gólgota e que as graças da morte do Senhor redundaram em vida para nós que, apesar de toda fragilidade, renascemos nele.  Vida, sempre a vida do Ressuscitado.

Viera da parte do Pai. Tinha querido que os seus desígnios se inscrevessem nos projetos dos homens e das mulheres.  Fez com que compreendêssemos que somente morrendo a nós mesmos renasceríamos na sua vida. Ele havia proposto um novo estilo de viver: os últimos seriam os primeiros, os que lavam os pés dos outros seriam príncipes, irmãos cuidam de irmãos e vivem como irmãos. Quis um mundo de transparência, de reza no quarto, de gestos colocados sem alarido. Pessoas simples.  Nos que assim agem ele continua vivendo.

Ele andou por toda a terra fazendo o bem, curando os que eram presa do mal. Conheceu a perseguição, a condenação, o sofrimento, a morte.  Foi literalmente o grão que morre e que morrendo dá a vida.  Quando seu peito estava para estourar inclinou a cabeça e nos deu o seu Espírito.

Nada da reanimação de um cadáver. É ele, mas reconhecido nos gestos de amor sem limites e no despertar da fé nos corações adormecidos.  Certeza nossa é que ele vive, transfiguradamente. Madalena, os discípulos de Emaús, os apóstolos viram o Senhor. Com seus olhos do rosto? Ou com a luminosidade do olhar da fé que enxerga além da barba, das pernas e do rosto?  Sim, ele está presente.  Presente de modo particular na comunidade dos fiéis que aprenderam a conjugar o verbo amar em todos os modos e tempos, nos sacramentos-sinais onde ele se imiscui, no pão branco e no vinho generoso e nos rostos contorcidos do mais humilde homens da face da terra.

Na segunda leitura desta liturgia, Paulo pede que busquemos as coisas do alto.  A vida espiritual consiste precisamente em buscar as coisas do alto. Um pensamento para terminar: “A vida espiritual do batizado se delineia como dinâmica da espera do Senhor e como vida interior, não exibida nem gritada, mas envolta em discrição e pudor como pedem toda as realidades preciosas”.

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Texto para meditação e reflexão

Explodindo de alegria

Das homilias de Santo Astério, bispo

Alegre-se hoje a Igreja herdeira: Cristo, seu Esposo, depois da Paixão, ressuscitou!  Ela, que chorou por sua paixão, alegre-se por sua ressurreição!

Alegre-se, Igreja-Esposa!   A ressurreição do Esposo te levantou do chão, onde jazias prostrada, e eras pisoteada.  Os pés da cortesã não mais dançam por causa da morte de João Batista, mas os da Igreja calcam a morte. A fé não é mais negada, e todos os joelhos se dobram; cessaram os sacrifícios, e os salmos brotam como flores.  Não é mais a fumaça dos sacrifícios que se eleva, mas o incenso das orações:  Minha oração suba a vós como o incenso (Sl 140,2). As imolações de animais não têm mais valor, depois que foi imolado o Cordeiro que tira o pecado do mundo.

Ó maravilha! A mansão dos mortos devorou o Cristo Senhor e não o digeriu. O leão engoliu o Cordeiro não pôde conserva-lo em seu estômago. A morte sorveu a vida, mas tomada de náuseas, os que anteriormente devorara. O gigante não conseguiu levar Cristo que morria; morto, ele tornou-se terrível para o gigante; lutou com alguém que estava vivo e esse caiu vencido pelo morto.

Um só grão foi semeado e o mundo inteiro alimentado.   Imolado como homem, voltou à vida como Deus, dando a vida ao universo. Como ostra foi esmagado e como pérola adornou a Igreja. Como ovelha foi sacrificado, e como um pastor com o cajado, expulsou com a cruz a tropa dos demônios.  Como uma lâmpada no candelabro, extinguiu-se na cruz e, como sol, levantou-se do túmulo.  Presenciou-se um duplo prodígio: enquanto Cristo estava sendo crucificado, o dia era encoberto pelas trevas; e enquanto ressurgia, a noite brilhava como o dia.

Por que o dia escureceu?  Por que acerca desse dia está escrito:  Das trevas fez o seu esconderijo (Sl 17,2). E por que a noite brilhou como o dia?  Porque o profeta disse: “Mesmo as trevas para vós não serão escuras, a própria noite resplandecerá como o dia” (Sl 138, 12).

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Ó noite mais clara que o dia!  Ó noite mais fúlgida que o sol! Ó noite mais alva que a neve!  Ó noite mais brilhante que os archotes! Ó noite mais deleitável que o paraíso.

Ó noite livre das trevas! Ó noite que repeles o sono! Ó noite que ensinas a vigiar com os anjos! Ó noite terrível para os demônios! Ó noite desejo do ano!

Ó noite que apresentas a Igreja a seu Esposo! Ó noite que geras os recém-nascidos pelo batismo! Ó noite na qual o diabo adormecido foi desarmado! Ó noite na qual o herdeiro introduz a herdeira na herança! (Lecionário Monástico III., p. 21-22)

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Oração da Manhã de Páscoa

Dá-nos, Senhor, a coragem dos recomeços. Mesmo nos dias quebrados, faz-nos descobrir limiares límpidos. Não nos deixes acomodar ao saber daquilo que foi:  dá-nos largueza de coração para abraçar aquilo que é. Afasta-nos do repetido, do juízo mecânico que banaliza a história, pois a desventura de qualquer surpresa e esperança.  Torna-nos atônitos como os seres que florescem. Torna-nos livres, insubmissos. Torna-nos inacabados, como quem deseja e de desejo vive… Torna-nos confiantes como os que  se atrevem a olhar tudo, e a si mesmos, uma primeira vez.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Bela reflexão para esta Sexta-feira Santa:

Venerar e adorar

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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1 - Não estive lá. Vim 2 mil anos depois. Nunca vi aquela cruz na qual Jesus morreu!

2 - Hoje eu apenas venero aqueles dois madeiros, um vertical e o outro horizontal.

3 - Venero-os, mas não os adoro

4 - Também não estive ao pé daquela cruz. Vim 2 mil anos depois. Também nunca vi Jesus que eu creio que ressuscitou e está vivo numa outra dimensão do viver.

5 - Mas a Jesus eu adoro por crer que ele era e é o Filho.

6 - Hoje, às 16 horas, inclinei-me em veneração por uma cruz que lembra aquela cruz na qual Jesus morreu. Dizem que há um pedaço da cruz original em alguma igreja do mundo. Mas nunca estive lá...

7 - Porém eu me inclinei reverente. Porque cruzes lembram Jesus.

8 - Mais tarde subi ao altar da nossa capela e lá adorei, adorei Jesus que creio que está oculto naquela hóstia.

9 - Há quem duvide ou não distinga. Não comunguei aquela cruz de agora, mas comunguei o Cristo que está vivo no sacrário e atua em qualquer coração que o ame e tenha intenção de viver como ele viveu!

10 - Isto: nesta sexta-feira santa, no corredor da capela, eu venerei uma cruz, mas minutos depois eu adorei Jesus e entrei em comunhão com ele!

11 - Foi mais um ato de crente católico nesta Semana Santa de 2026.

Espero que v. também tenha ido fazer o mesmo: Lembrar as dores dele e as dores do mundo atual que está cada dia mais violento!

Oremos por todos os crucificados no nosso tempo! E continuemos nossa semana santa! Pz

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc