Nos 50 anos do
TG2, o telejornal do segundo canal da RAI na Itália, Leão XIV parabenizou pelo
aniversário e recordou que a história do noticiário contada pelo convívio de
"posições culturais diferentes", ainda hoje pode ser "exemplo de
diálogo" em tempos de guerra. Alertou para os riscos do jornalista em se
tornar porta-voz do poder e do conflito virar videogame: "cabe a vocês
mostrar o sofrimento que a guerra traz às populações; mostrar o rosto da guerra
e contá-la com os olhos das vítimas".
O Papa Leão XIV
se uniu às felicitações italianas pelos 50 anos do telejornal do segundo canal
da RAI (Radiotelevisione Italiana SpA), o serviço público de rádio e televisão
da Itália, que só de oferta na TV administra 13 canais nacionais. A RAI 2 é uma
das três redes de editoria generalista, com abordagem mais leve e inovadora em
relação ao canal nacional RAI 1, que desde a fundação em 1961 apresenta uma
programação direcionada ao entretenimento e à informação. O TG2, então, o
telejornal da RAI 2, nasceu 15 anos após a fundação da rede, em 15 de março de
1976, graças a uma reforma do serviço público que, na época, reorganizou o
panorama de TV na Itália. Segundo a própria primeira-ministra, Giorgia Meloni,
"o TG2 sempre foi caracterizado como o telejornal da inovação e da busca
por novos formatos".
| A audiência foi realizada na Sala Clementina, no Vaticano |
A saudação do
Papa Leão XIV
Nesta
segunda-feira (16/03), um dia após as comemorações oficiais do TG2, o Papa Leão
XIV recebeu em audiência os profissionais que compõem aa redação com seus
familiares na Sala Clementina, no Vaticano. Após parabenizar o noticiário por
"ter alcançado a marca de 50 anos", o Pontífice propôs uma reflexão
"de aniversário" sobre o caminho percorrido, "como paradigma dos
desafios que o jornalismo televisivo enfrentou e daqueles que ainda tem pela
frente":
"Penso na transição do sistema analógico para o digital, na qual vocês foram protagonistas ao aproveitar as oportunidades e compreender que nenhuma novidade tecnológica pode substituir a criatividade, o discernimento crítico e a liberdade de pensamento. E se o desafio do nosso tempo é aquele da inteligência artificial, penso na necessidade de regular a comunicação de acordo com o paradigma humano e não com o tecnológico. O que significa, em última instância, saber distinguir entre os meios e os fins."
| O Papa junto ao grupo de jornalistas para a foto oficial do encontro |
O desafio do TG2
em tempos de guerra
O Papa, então,
recordou das características distintivas que, desde o início, marcaram a
identidade do TG2: a laicidade e o pluralismo das fontes de informação,
"inclusive na televisão estatal". Ao comentar sobre a "forte
tentação" de buscar somente o que confirma a própria opinião, Leão XIV
alertou que "não pode haver boa comunicação, nem verdadeira liberdade e
pluralismo saudável" sem uma abertura autêntica ao fatos, encontros,
olhares e vozes dos outros. E a história do TG2, contada pelo convívio de
"posições culturais diferentes", ainda hoje pode ser "um exemplo
de diálogo" diante de uma época dominada "por polarizações,
fechamentos ideológicos e slogans, que impedem de ver e compreender a
complexidade da realidade":
"Sempre, mas de maneira especial nas circunstâncias dramáticas de guerra, como as que estamos vivendo, a informação deve evitar o risco de se transformar em propaganda. E a tarefa dos jornalistas, ao verificar as notícias, para não se tornar megafone do poder, torna-se ainda mais urgente e delicada, diria que essencial."
“Cabe a vocês mostrar o sofrimento que a guerra sempre traz às populações; mostrar o rosto da guerra e contá-la com os olhos das vítimas para não transformá-la em um videogame. Não é fácil nos poucos minutos de um telejornal e dos seus espaços de aprofundamento. Mas é aí que está o desafio.”
| A audiência foi em comemoração aos 50 anos do telejornal do segundo canal da RAI |
Andressa Collet - Vatican News



