sábado, 28 de março de 2026

Leão XIV aos católicos de Mônaco:

Jesus Cristo é nosso advogado junto do Pai

“Manter o olhar fixo em Jesus Cristo, nosso advogado junto do Pai, gera uma fé capaz de transformar a vida e renovar a sociedade”. Palavras do Papa Leão XIV no encontro com a Comunidade Católica do Principado de Mônaco neste sábado, 28 de março.

Após a visita de cortesia ao Príncipe de Mônaco, o Papa Leão XIV encontrou a Comunidade Católica na Catedral da Imaculada Conceição. O Santo Padre iniciou com as seguintes palavras “Temos um advogado perante Deus e junto a Deus: Jesus Cristo, o Justo (cf. 1 Jo 2, 1-2)”. Explicando que o Apóstolo João ajuda-nos a compreender o mistério da salvação, pois Jesus Cristo, como vítima expiatória enviado por Deus, “tomou sobre si o mal do homem e do mundo, carregou-o conosco e por nós, passou por ele transformando-o e libertou-nos para sempre”. “Cristo é o centro dinâmico, é o coração da nossa fé”, e olhando Cristo como “advogado” o Papa propôs algumas reflexões.

Leia a íntegra da homilia do Papa Leão XIV

No encontro com a comunidade católica, o segundo discurso do Papa na viagem apostólica

O dom da comunhão

A primeira diz respeito ao dom da comunhão. Jesus Cristo, o Justo, não veio “para proferir um julgamento que condena, mas para oferecer a todos a sua misericórdia que purifica, cura, transforma e nos torna parte da única família de Deus”, disse o Papa. Recordando que não por acaso, “os gestos realizados por Jesus não se limitam à cura física ou espiritual da pessoa, mas abarcam também uma importante dimensão social e política: a pessoa curada é reintegrada, em toda a sua dignidade, na comunidade humana e religiosa da qual havia sido excluída”. Esclarecendo: “Esta comunhão é o sinal por excelência da Igreja, chamada a ser no mundo o reflexo do amor de Deus, que não faz distinção de pessoas”.

Cristo, nosso advogado junto do Pai

No sentido dessa comunhão Leão XIV, ressaltou que a Igreja do Principado de Mônaco possui uma grande riqueza: ser um lugar, uma realidade onde todos encontram acolhimento e hospitalidade, naquela combinação social e cultural que constitui uma característica típica. “Um pequeno Estado cosmopolita”, disse, “no qual à variedade de origens se associam também outras diferenças de natureza socioeconômica”.  Acrescentando sobre esse ponto:

“Na Igreja, tal pluralidade não se torna nunca motivo de divisão em classes sociais, mas, pelo contrário, todos são acolhidos enquanto pessoas e filhos de Deus e todos são destinatários de um dom de graça que encoraja a comunhão, a fraternidade e o amor mútuo. Este é o dom que provém de Cristo, nosso advogado junto do Pai”.

O anúncio do Evangelho em defesa do homem

Ao refletir sobre o segundo aspecto, o Papa Leão falou sobre o anúncio do Evangelho em defesa do homem. Neste ponto ressaltou que Jesus assume o papel de “advogado”, sobretudo em defesa daqueles que eram considerados abandonados por Deus e que são tidos como esquecidos e marginalizados. “Penso numa Igreja chamada a tornar-se ‘advogada’, ou seja, a defender o homem: o homem integral e todo o ser humano. Trata-se de um caminho de discernimento crítico e profético”, explicou, “destinado a promover um ‘desenvolvimento integral’ da humanidade”.

“Este é o primeiro serviço que o anúncio do Evangelho deve realizar: iluminar a pessoa humana e a sociedade para que, à luz de Cristo e da sua Palavra, descubram a própria identidade, o sentido da vida humana, o valor das relações e da solidariedade social, o fim último da existência e o destino da história”.

O encontro foi realizado na Catedral da Imaculada Conceição


Conter as investidas do secularismo

Após estas palavras o Papa incentivou todos a servir a evangelização de modo apaixonado e generoso.

“Anunciai o Evangelho da vida, da esperança e do amor; levai a todos a luz do Evangelho, para que a vida de cada homem e mulher seja defendida e promovida desde a sua concepção até ao seu fim natural”, continuando disse ainda, “oferecei novos mapas de orientação capazes de conter aquelas investidas do secularismo que ameaçam reduzir o homem ao individualismo e fundar a vida social na produção de riqueza”.

Por fim o Santo Padre recomendou: “Manter o olhar fixo em Jesus Cristo, nosso advogado junto do Pai, gera uma fé enraizada na relação pessoal com Ele, uma fé que se torna testemunho, capaz de transformar a vida e renovar a sociedade”.

Papa: "Iluminar a pessoa humana e a sociedade à luz de Cristo para que descubram a própria identidade"
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Bela reflexão do frei Almir Guimarães:

A porta de entrada na Semana das Semanas

 “Vinde, subamos juntos ao Monte das Oliveiras e corramos ao encontro de Cristo que hoje volta de Betânia e se encaminha voluntariamente para aquela venerável e santa Paixão, a fim de realizar o mistério da nossa salvação” (Santo André de Creta, Lecionário Monástico II, p. 511).

 Chegamos aos dias da Semana Santa. Um duplo sentimento toma conta de nós quando acompanhamos os passos da liturgia: alegria pelo Rei que entra triunfantemente em Jerusalém, mas humildemente sentado num burrico. Aqueles que esperavam a redenção imediata para o povo, cantam, acenam ramos, atapetam o caminho por onde ele deve passar. Quando a procissão dos ramos penetra no templo, tudo é austeridade: leitura das dores do servo de Javé. Paulo escreve aos Filipenses falando daquele que, de condição divina, agora era obediente até a morte e morte de cruz. Tudo culminando com a leitura da Paixão quando ouvimos o grito de abandono: “Meu Deus, meu Deus! Por que me abandonaste?”.

♦ A meditação de todas essas passagens nos mergulha num clima de reconhecimento de nossas faltas e também faz nascer em nós desejo enorme de pedido de perdão. No final da liturgia sentimos que passamos por uma porta que vai nos permitir acompanhar os passos do amor sem limites. O amor do Senhor foi tão grande que esta semana só pode ser um tempo de recolhimento, de silêncio e de imersão total no abismo do amor de Deus. Passaremos o tempo batendo no peito e dizendo: “Piedade, Senhor, piedade!”.

 Um pouco antes de entrar em Jerusalém, Jesus havia estado em casa de Marta, Maria e Lázaro, seus amigos. Sentira aperto no coração? Experimentara frio e solidão? Precisava de fôlego que lhe seria dado pelos que o amavam e estimavam? É assim. Na hora da dor, os amigos podem nos valer.

 A Procissão dos Ramos evoca, pois, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O formulário da bênção das palmas suplica o olhar do Altíssimo sobre os ramos que os fiéis carregam em sinal de sua adesão a Cristo Rei que ingressa em sua cidade sentado num burrico. A festa de hoje é exaltação do Cristo-Rei. Os paramentos são vermelhos e lembram o fogo do amor e do martírio. Em toda a Semana Santa o que ocorre é esse paradoxo de dor e de alegria.

 Carregamos em nossas mãos ramos. Acompanhamos o Cristo na procissão de entrada. Ele é nosso Rei. Não somos donos de nós mesmos. Ele é o centro de nossa vida, de nossa vida de cristãos, de nossa família. Para ele, orientamos o melhor de nós mesmos. Fazemos questão de guardar o ramo deste domingo em nossa casa. Haveremos de olhar para ele como um sacramental, um sinal de uma vivência religiosa profunda.

 “O Senhor vem, mas não rodeado de pompa como se fosse conquistar a glória. Ele não discutirá, diz a Escritura, nem gritará, nem ninguém ouvirá sua voz. Pelo contrário, será manso e humilde se apresentará com vestes pobres e aparência modesta” (André de Creta, ut supra, p. 511).

 Jesus entra em Jerusalém montado num jumento. O gesto marca a pobreza e a simplicidade do Messias. Pede que lhe providenciem um asno que depois haverá de devolver. O burrico é a cavalgadura do Messias pobre e humilde de Zacarias (9,9). Insistamos: o burrico é apenas emprestado. Por sua vez, o cortejo que acompanha Jesus mostra características reais expressas nos mantos estendidos pelo chão e nas palavras de ovação. Há diferença entre a maneira como Jesus de um lado e as pessoas encaram a situação.

 “Em vez de ramos e mantos sem vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo, revestido dele próprio – vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3,27) – prostremo-nos a seus pés com mantos estendidos” (André de Creta, ut supra, p. 512).

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 27 de março de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 28 - Sábado

14h às 17h - Formação sobre a Semana Santa no Centro Pastoral São José

19h - Celebração penitencial na matriz (Trazer vela)

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Dia 29 - Domingo de Ramos

8h - Bênção de Ramos na praça Cel. José Vieira (praça da concha acústica), procissão e missa na matriz

9h - Celebração com Bênção de Ramos nas comunidades São Francisco e São Geraldo

11h - Bênção e missa de Ramos na igreja de Santa Edwiges

15h - Celebração com Bênção de Ramos nas comunidades do Goiabal, da Serra dos Pereira e do Uruguaia

18h - Bênção e missa de Ramos na igreja de Santo Antônio

19h - Missa de Ramos na matriz

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Lembrete: nas missas e celebrações, será feita a Coleta da Solidariedade - Gesto concreto da Campanha da Fraternidade e da Quaresma

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Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Is 50,4-7

Leitura do Livro do Profeta Isaías

O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.

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Responsório: Sl 21(22)

- Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

- Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

1. Riem de mim todos aqueles que me veem, / torcem os lábios e sacodem a cabeça: / “Ao Senhor se confiou, ele o liberte / e agora o salve, se é verdade que ele o ama!”

2. Cães numerosos me rodeiam furiosos, / e por um bando de malvados fui cercado. / Transpassaram minhas mãos e os meus pés, / e eu posso contar todos os meus ossos.

3. Eles repartem entre si as minhas vestes / e sorteiam entre si a minha túnica. / Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, / ó minha força, vinde logo em meu socorro!

4. Anunciarei o vosso nome a meus irmãos / e no meio da assembleia hei de louvar-vos! / Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, † glorificai-o, descendentes de Jacó, / e respeitai-o, toda a raça de Israel!

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2ª Leitura: Fl 2,6-11

Leitura da Carta de São Paulo aos Filepenses

Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai.

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Evangelho: Mt 27,11-54

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus (forma breve)

Narrador: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, Jesus foi posto diante de Pôncio Pilatos, e este o interrogou:

Leitor: Tu és o rei dos judeus?

Narrador: Jesus declarou:

Presidente: É como dizes.

Narrador: E nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos. Então Pilatos perguntou:

Leitor: Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?

Narrador: Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado. Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. Então Pilatos perguntou à multidão reunida:

Leitor: Quem vós quereis que eu solte: Barrabás ou Jesus, a quem chamam de Cristo?

Narrador: Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele:

Leitor: Não te envolvas com esse justo! Porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele.

Narrador: Porém os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. O governador tornou a perguntar:

Leitor: Qual dos dois quereis que eu solte?

Narrador: Eles gritaram:

Grupo ou assembleia: Barrabás.

Narrador: Pilatos perguntou:

Leitor: Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?

Narrador: Todos gritaram:

Grupo ou assembleia:  Seja crucificado!

Narrador: Pilatos falou:

Leitor: Mas que mal ele fez?

Narrador: Eles, porém, gritaram com mais força:

Grupo ou assembleia:  Seja crucificado!

Narrador: Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão e disse:

Leitor: Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!

Narrador: O povo todo respondeu:

Grupo ou assembleia:  Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos.

Narrador: Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e entregou-o para ser crucificado. Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador e reuniram toda a tropa em volta dele. Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo:

Grupo ou assembleia:  Salve, rei dos judeus!

Narrador: Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar. Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer “lugar da caveira”. Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber. Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. E ficaram ali sentados, montando guarda. Acima da cabeça de Jesus, puseram o motivo da sua condenação: “Este é Jesus, o rei dos judeus”. Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus. As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo:

Grupo ou assembleia:  Tu que ias destruir o templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!

Narrador: Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da lei e os anciãos, também zombavam de Jesus:

Grupo ou assembleia:  A outros salvou… a si mesmo não pode salvar! É rei de Israel… Desça agora da cruz! e acreditaremos nele. Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus.

Narrador: Do mesmo modo, também os dois ladrões, que foram crucificados com Jesus, o insultavam. Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito:

Presidente: Eli, eli, lamá sabactâni?

Narrador: Que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram:

Grupo ou assembleia:  Ele está chamando Elias!

Narrador: E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e lhe deu para beber. Outros, porém, disseram:

Grupo ou assembleia:  Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!

Narrador: Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito.

(Todos se ajoelham e faz-se uma pausa.)

Narrador: E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. Os túmulos se abriram e muitos corpos dos santos falecidos ressuscitaram! Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na cidade santa e foram vistos por muitas pessoas. O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram:

Grupo ou assembleia:  Ele era mesmo Filho de Deus!

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Reflexão do padre Johan Konings:

Obediência de Jesus até a morte

Muitos cristãos pensam que Deus obrigou Jesus a morrer para pagar com seu sangue os nossos pecados. Será que um tal Deus se pode chamar de “pai”? Que significa que Jesus foi obediente até a morte? No relato da paixão de Nosso Senhor (evangelho), Mateus vê o Messias sob o ângulo da realização do projeto do Pai (cf. 3,15). Jesus realiza o modelo do Servo-discípulo, que pede a Deus “um ouvido de discípulo” para proclamar a sua vontade com “boca de profeta” e lhe ser fiel até o fim (1ª leitura).

A fidelidade à missão de Deus é que faz de Jesus o Messias e Salvador. Jesus não veio para “fazer qualquer coisa”, mas para realizar o projeto do Pai. Ensina-nos a obediência até a morte como instrumento da salvação do mundo (2ª leitura).

Pois quem sabe o que é preciso para salvar o mundo é Deus. Ele sabe que a morte daquele que manifesta seu amor infinito é a resposta suprema ao supremo desafio do mal. Jesus poderia ter sido infiel a Deus, pois era livre. Mas então teria sido infiel a si mesmo, Servo, Discípulo, Messias e Filho. Levou a termo a obra iniciada: pregar e mostrar o amor de Deus – até no dom da própria vida.

O exemplo de Cristo nos ensina o caminho da libertação. Vamos realizar a missão de libertar o mundo pela fidelidade radical à vontade do Pai. Por isso, devemos “prestar-lhe ouvidos”- sentido original de “obediência”. Obedecer não é deserção da liberdade. É unir nossa vontade à vontade do Pai, para realizar seu projeto de amor, e a outras vontades (humanas) que estão no mesmo projeto. E é também dar ouvidos ao grito dos injustiçados, que denuncia o pisoteamento do plano de Deus. Só depois de ter escutado todas essas vozes poderemos ser verdadeiros porta-vozes, profetas, para denunciar e anunciar… Profetismo supõe obediência e contemplação.

Deus não obrigou Jesus a pagar por nós, nem desejou a morte dele. Só desejava que ele fosse seu Filho. Esperava dele a fidelidade a seu plano de amor e que ele agisse conforme este plano. Jesus foi fiel a esta missão até o fim. Quem quis a sua morte não foi Deus, e sim os homens que o rejeitaram.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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O pregador da Casa Pontifícia neste sábado:

uma vida livre significa
amar sempre e experimentar a dor sem ser vencido por ela

O Evangelho nos permite "embarcar num caminho de purificação e conversão que nos conduz à liberdade dos filhos de Deus". Assim, o pregador da Casa Pontifícia concluiu a quarta e última meditação da Quaresma, na presença do Papa. O frade capuchinho revê os momentos finais da vida e da morte de São Francisco, que "aprendeu a aceitar sua própria fragilidade", descobrindo que a maior liberdade é colocar-se a serviço da Igreja e do mundo com generosidade.

A redescoberta das últimas etapas do caminho terreno de São Francisco de Assis, que aprendeu "a aceitar sua própria fragilidade" e pequenez, e que nada, nem mesmo a rejeição, a doença ou a morte, pode nos separar do amor de Deus. Esta é a reflexão oferecida pelo pregador da Casa Pontifícia, padre Roberto Pasolini, em sua quarta e última meditação quaresmal sobre o tema: "A liberdade dos filhos de Deus. A alegria perfeita e a morte como irmã", nesta manhã desta sexta-feira, 27 de março, na Sala Paulo VI, na presença de Leão XIV.

O padre capuchinho recorda que, nesses quatro encontros, sobre o tema "Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura", a escolha foi deixar-se guiar pela figura do Pobrezinho "no caminho da conversão ao Evangelho". O fruto mais maduro de sua experiência será, em última análise, "a liberdade dos filhos de Deus".

Francisco guiado por Deus na pobreza de sua vida

Ele enfatiza que Francisco se tornou santo porque aprendeu "a deixar-se guiar por Deus na concretude e pobreza de sua existência" e, portanto, como um alter Christus, a acolher o Espírito Santo com abertura. Já no fim de seus dias, recorda Tomás de Celano, ele tinha "se transformado em oração viva", isto é, "todo o seu modo de vida se tornou como uma oração contínua".

O caminho da alegria perfeita

Naqueles últimos anos, porém, continua o pregador, Francisco experimentou a "grande tentação" de uma profunda crise: a Ordem dos Frades Menores "tinha crescido e se transformado", e ele "sentia-se rejeitado, quase inútil, até mesmo considerado um 'idiota'". Ao frei Leão, que estava com ele em Santa Maria dos Anjos, o pobre homem contou a parábola da "verdadeira e perfeita alegria", pedindo-lhe que listasse coisas belas "que pudessem ser motivo de orgulho para ele e para a Igreja". Por fim, pediu-lhe que escrevesse que "em todas aquelas coisas não há alegria perfeita" e explicou que "a alegria autêntica se manifesta quando a rejeição, a humilhação e a incompreensão não conseguem nos roubar a paz". A verdadeira alegria, comenta o padre Pasolini, reside em como "reagimos em circunstâncias adversas, quando somos rejeitados e excluídos".

A felicidade não consiste em se proteger da realidade, mas em aprender a abraçá-la mesmo quando dói, sem se deixar dominar por ela. É aí que a vida cristã se torna concreta e aprendemos a valorizar uma alegria que não depende de como as coisas acontecem, mas de como escolhemos vivê-las.

A alegria perfeita, portanto, não é "a ausência de feridas", mas "a liberdade de não ser definido por elas. É uma liberdade que não apaga a dor, mas impede que ela tenha a última palavra."

As Bem-aventuranças, uma promessa de vida plena

É Jesus, no Evangelho, quem mostra que “este modo de vida — livre mesmo diante do ódio e da perseguição — é a plenitude da vida nova em seu nome”. Ele o faz no início de seu ministério público, com as Bem-aventuranças, que não são uma lei, mas uma promessa, “não um programa de perfeição moral, mas a revelação de uma felicidade já atuante no âmago da realidade”.

As Bem-aventuranças não nos convidam a fugir da realidade nem a adiar a felicidade para um futuro distante. Elas nos convidam a mergulhar mais profundamente naquilo que vivemos, mesmo quando nos parece frágil e incompleto. Elas proclamam que o caminho para uma vida plena reside em nossa experiência concreta, dentro do que somos e no que vivenciamos.

Alessandro Di Bussolo – Vatican News

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                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

quinta-feira, 26 de março de 2026

A construção da esperança:

o gesto concreto da solidariedade 

Dom Anuar Battisti - Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

A liturgia quaresmal aproxima os nossos passos da celebração do Domingo de Ramos, momento em que toda a Igreja no Brasil realiza o gesto concreto e profético da Coleta Nacional da Solidariedade, uma profética iniciativa da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Esta ação conjunta coroa o nosso tempo de penitência, jejum e oração, exigindo que a nossa vivência espiritual transborde obrigatoriamente em obras visíveis de amor ao próximo e de transformação social. No ano de dois mil e vinte e seis, a Campanha da Fraternidade coloca de forma contundente diante dos nossos olhos o tema da moradia, iluminado pela certeza bíblica de que o Verbo divino assumiu a nossa carne e “veio morar entre nós”. O ato de partilhar os nossos bens financeiros nesta coleta representa o reconhecimento profundo de que a habitação digna constitui o princípio gerador da dignidade humana e o alicerce fundamental para o exercício da cidadania plena. Quando depositamos a nossa oferta no altar durante as celebrações, financiamos a esperança concreta e garantimos que o Fundo Nacional de Solidariedade e os fundos diocesanos apoiem projetos reais que mudam a vida das famílias mais vulneráveis do nosso país. A caridade cristã autêntica repudia o egoísmo, rejeita a indiferença e abraça a responsabilidade inegociável de cuidar daqueles que o sistema econômico exclui, silencia e marginaliza diariamente. 

As Sagradas Escrituras revelam um Deus que não permanece distante do sofrimento humano, mas que planta a sua tenda no meio do seu povo e assume as nossas dores. Jesus Cristo conheceu a precariedade absoluta desde o seu primeiro suspiro, nascendo em um abrigo improvisado e vivendo a angústia desesperadora do exílio no Egito para fugir da fúria violenta dos poderosos. Durante o seu ministério público, o Senhor afirmou com clareza que o Filho do Homem não possuía um lugar onde reclinar a cabeça, assumindo de forma radical a dor de todos os desabrigados e peregrinos da história. Hoje, os dados oficiais que embasam a nossa Campanha da Fraternidade denunciam uma realidade brutal e inaceitável: milhões de irmãos brasileiros sobrevivem sem o mínimo acesso ao saneamento básico, esmagados pelo valor abusivo dos aluguéis que devoram o suor do seu trabalho, ou amontoados em áreas de alto risco, sujeitos a desabamentos e inundações. A ausência de um lar seguro destrói a saúde física e mental das populações, impede o desenvolvimento adequado das nossas crianças e desestrutura completamente a convivência pacífica familiar. O cristão que medita sobre a paixão de Cristo precisa enxergar a continuação direta desse calvário no rosto do irmão que dorme ao relento nas calçadas ou que teme perder o seu único e frágil abrigo na próxima tempestade. 

A missão da Igreja, contudo, estende-se infinitamente além do recolhimento de fundos durante a missa, por mais essenciais que esses recursos se mostrem para as ações emergenciais e de curto prazo. O Evangelho exige que atuemos como defensores implacáveis da justiça social junto ao poder público e a todas as esferas governamentais. A Igreja assume o grave dever de cobrar dos governantes a implementação de políticas habitacionais sérias, o combate rigoroso à especulação imobiliária que encarece o solo urbano e a garantia legal da regularização fundiária para as comunidades periféricas de baixa renda. Nós sentamos às mesas de debate, participamos ativamente dos conselhos de desenvolvimento urbano e levantamos a nossa voz institucional em favor daqueles que não possuem qualquer representação política ou força econômica. A moradia edifica a base material da cidadania, pois, sem um endereço reconhecido pelo Estado, a pessoa encontra imensas e cruéis barreiras para matricular os seus filhos na escola pública, para acessar o sistema de saúde ou para conseguir uma colocação no mercado de trabalho formal. A fé cristã impulsiona os leigos, os padres e os bispos a lutarem ativamente por cidades mais humanas e inclusivas, onde o direito à propriedade cumpra rigorosamente a sua função social e onde a ganância jamais se sobreponha ao valor inestimável e sagrado da vida humana. 

Exorto cada família cristã, cada jovem, cada idoso e cada liderança viva das nossas comunidades a participar desta Coleta da Solidariedade com extrema generosidade e plena consciência cívica. O dinheiro que oferecemos com alegria financia a compra de materiais de construção para os mutirões paroquiais, sustenta o trabalho incansável das pastorais sociais que acolhem e alimentam a população em situação de rua, e viabiliza a imprescindível assessoria técnica e jurídica para as associações de moradores que lutam bravamente por seus direitos habitacionais. A transparência absoluta na gestão e na prestação de contas desses recursos atesta a seriedade do compromisso da Igreja com a transformação real da sociedade brasileira. Não deixemos que a indiferença ou o pessimismo endureçam os nossos corações nesta reta final e decisiva da Quaresma. Abramos as nossas mãos sem medo para partilhar o pão, os nossos recursos e a nossa influência, construindo pontes sólidas de solidariedade que superam o abismo histórico da desigualdade em nosso país. Que o Espírito Santo inflame as nossas paróquias com o fogo da caridade operosa, para que, ao celebrarmos a vitória luminosa de Cristo sobre a morte na manhã de Páscoa, possamos também celebrar a vitória da justiça sobre a miséria. Caminhemos sempre unidos e perseverantes, transformando a nossa profissão de fé em moradia, dignidade e paz duradoura para todos os filhos de Deus. 

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                                                      Fonte: cnbb.org.br   Imagem:arqmariana.com.br

quarta-feira, 25 de março de 2026

Papa Leão XIV na catequese desta quarta:

na Igreja,
a hierarquia existe em função do serviço, não do poder

A partir do ensinamento da Lumen Gentium, no seu capítulo III, Leão XIV dedicou sua reflexão à dimensão hierárquica do novo Povo de Deus, que tem seu fundamento nos Apóstolos, colunas vivas escolhidas por Jesus.

O céu ensolarado na Praça São Pedro acolheu milhares de fiéis e peregrinos que vieram ao Vaticano para a Audiência Geral com o Papa Leão XIV, nesta quarta-feira, 25 de março. Em sua catequese, o Santo Padre deu continuidade ao ciclo de reflexões sobre os documentos do Concílio Vaticano II, aprofundando o capítulo III da Constituição dogmática Lumen Gentium, dedicado à estrutura hierárquica da Igreja.

Ao iniciar sua reflexão, o Pontífice recordou que a Igreja encontra seu fundamento nos Apóstolos, escolhidos por Cristo como sustentação viva do seu Corpo, e sublinhou que essa dimensão hierárquica "opera ao serviço da unidade, da missão e da santificação de todos os seus membros”.

Fundamento apostólico da Igreja

Leão XIV também explicou que a estrutura hierárquica da Igreja está intimamente ligada à continuidade da missão confiada por Cristo aos Apóstolos. Por meio da sucessão apostólica, esse ensinamento é preservado e transmitido ao longo da história, garantindo a fidelidade ao Evangelho. Nesse sentido, destacou que a própria Lumen Gentium apresenta essa realidade como constitutiva da Igreja, e não como elemento secundário ou posterior:

“A estrutura hierárquica não é uma construção humana, funcional à organização interna da Igreja como corpo social, mas uma instituição divina destinada a perpetuar a missão dada por Cristo aos Apóstolos até ao fim dos tempos.”

Audiência Geral desta quarta-feira, 25 de março

Serviço ao Povo de Deus

O Papa também aprofundou a relação entre o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial, recordando que ambos participam, de modos distintos, do único sacerdócio de Cristo e se ordenam mutuamente na vida da Igreja. Assim, a hierarquia existe em função do serviço, e não do poder. Dentro dessa missão, os ministros ordenados — bispos, presbíteros e diáconos — recebem a responsabilidade de guiar, santificar e ensinar o povo de Deus, sempre em vista da salvação de todos:

“Os bispos, em primeiro lugar, e através deles os sacerdotes e os diáconos, receberam deveres que os conduzem ao serviço de todos os que pertencem ao Povo de Deus.”

Uma hierarquia que nasce da caridade

Retomando o ensinamento conciliar, o Santo Padre enfatizou que a autoridade na Igreja deve ser compreendida à luz da caridade de Cristo, configurando-se como verdadeira “diaconia”, isto é, serviço. Trata-se de uma missão que brota do amor e se orienta para a edificação da comunidade e a transmissão fiel da fé:

“Com o adjetivo ‘hierárquica’, portanto, o Concílio deseja indicar a origem sagrada do ministério apostólico na ação de Jesus, o Bom Pastor, bem como as suas relações internas.”

Ao concluir a catequese, Leão XIV convidou os fiéis a rezarem “para que o Senhor envie à Sua Igreja ministros ardentes de caridade evangélica, dedicados ao bem de todos os batizados, e missionários corajosos em todas as partes do mundo”.

Papa Leão XIV durante a Audiência Geral


Thulio Fonseca - Vatican News

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