domingo, 12 de abril de 2026

Papa no Angelus deste domingo:

a fé deve ser alimentada
com a Eucaristia todos os domingos, em comunidade

A exemplo de Tomé, que encontrou Jesus Ressuscitado oito dias após a Páscoa com a comunidade reunida, Leão XIV disse que "nem sempre é fácil acreditar. Não foi fácil para Tomé e também não o é para nós". Por isso a Igreja convida a fazer como os primeiros discípulos, reunindo-se para a Eucaristia dominical, "indispensável para a vida cristã": "é através da Eucaristia que também as nossas mãos se tornam 'mãos do Ressuscitado'", tanto nos sinais dos sacrifícios, como naqueles de gesto de caridade.

Em véspera de viagem apostólica à África e após a Vigília de Oração pela Paz na Basílica Vaticana, o Papa Leão XIV recordou aos 18 mil fiéis presentes na Praça São Pedro para a oração mariana do Regina Caeli deste domingo (12/04), o segundo da Páscoa, dedicado à Divina Misericórdia, que "a fé precisa ser alimentada e sustentada". A reflexão veio através do Evangelho, quando João narra a aparição de Jesus ressuscitado ao apóstolo Tomé, oito dias após a Páscoa, enquanto a comunidade está reunida. O encontro de Tomé com Cristo, que "o convida a olhar para os sinais dos pregos, a colocar a mão na ferida", também é nosso quando temos dificuldades em acreditar: "onde encontrá-lo? Como reconhecê-lo? Como acreditar?". A resposta é: diante de todos, "com a comunidade reunida, e reconhece-o pelos sinais do seu sacrifício":

"É claro que nem sempre é fácil acreditar. Não foi fácil para Tomé e também não o é para nós. A fé precisa ser alimentada e sustentada. Por isso, no 'oitavo dia', isto é, todos os domingos, a Igreja convida-nos a fazer como os primeiros discípulos: a nos reunirmos e a celebrarmos juntos a Eucaristia. Nela, ouvimos as palavras de Jesus, rezamos, professamos a nossa fé, partilhamos os dons de Deus na caridade, oferecemos a nossa vida em união com o Sacrifício de Cristo, alimentamo-nos do seu Corpo e do seu Sangue, para depois sermos, por nossa vez, testemunhas da sua Ressurreição, como indica o termo 'Missa', isto é, 'envio', 'missão'."

Fiéis que celebraram o Domingo da Divina Misericórdia no Santuário do Espírito Santo em Sássia, localizado em Roma

"A Eucaristia dominical é indispensável para a vida cristã", reforça o Papa que, nesta segunda-feira (13/04), parte para a viagem apostólica à África, onde alguns mártires da Igreja local dos primeiros séculos "nos deixaram um belíssimo testemunho": diante da oferta de terem a vida poupada, contou o Pontífice, "desde que renunciassem à celebração da Eucaristia, responderam que não podiam viver sem celebrar o Dia do Senhor. É ali que a nossa fé se alimenta e cresce":

“É através da Eucaristia que também as nossas mãos se tornam 'mãos do Ressuscitado' – testemunhas da sua presença, da sua misericórdia, da sua paz – nos sinais do trabalho, dos sacrifícios, da doença, do passar dos anos, que frequentemente nelas ficam gravados, tal como na ternura de uma carícia, de um aperto de mão, de um gesto de caridade. Queridos irmãos e irmãs, num mundo que tanto necessita de paz, isto compromete-nos, mais do que nunca, a ser assíduos e fiéis ao nosso encontro eucarístico com o Ressuscitado, para daí partirmos como testemunhas da caridade e portadores da reconciliação. Que nos ajude a fazê-lo a Virgem Maria, bem-aventurada porque foi a primeira que acreditou sem ver.”

Andressa Collet - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va       Vídeo e foto: (@Vatican Media)

Reflexão para este domingo:

Abrir as portas

José Antonio Pagola

O Evangelho de João descreve com traços obscuros a situação da comunidade cristã quando em seu centro falta Cristo ressuscitado. Sem sua presença viva, a Igreja se converte num grupo de homens e mulheres que vivem “numa casa com as portas fechadas, por medo dos judeus””.

Com as “portas fechadas” não se pode ouvir o que acontece lá fora. Não é possível captar a ação do Espírito no mundo. Não se abrem espaços de encontro e diálogo com ninguém. Apaga-se a confiança no ser humano e crescem os receios e preconceitos. Mas uma Igreja sem capacidade de dialogar é uma tragédia, pois os seguidores de Jesus são chamados a atualizar o eterno diálogo de Deus com o ser humano.

O “medo” pode paralisar a evangelização e bloquear nossas melhores energias. O medo nos leva a rejeitar e condenar. Com medo não é possível amar o mundo. Mas, se não o amamos, não o olhamos como Deus o olha. E, se não o olhamos com os olhos de Deus, como comunicaremos a Boa Notícia?

Se vivemos com as portas fechadas, quem deixará o redil para buscar as ovelhas perdidas? Quem se atreverá a tocar algum leproso excluído? Quem se sentará à mesa com pecadores ou prostitutas? Quem se aproximará dos esquecidos pela religião? Os que querem buscar o Deus de Jesus nos encontrarão com as portas fechadas.

Nossa primeira tarefa é deixar entrar o Ressuscitado através de tantas barreiras que levantamos para defender-nos do medo. Que Jesus ocupe o centro de nossas igrejas, grupos e comunidades. Que só Ele seja fonte de vida, de alegria e de paz. Que ninguém ocupe seu lugar, que ninguém se aproprie de sua mensagem. Que ninguém imponha um modo diferente do seu.

Já não temos mais o poder de outros tempos. Sentimos a hostilidade e a rejeição em nosso entorno. Somos frágeis. Mais do que nunca, precisamos abrir-nos ao sopro do Ressuscitado para acolher seu Espírito Santo.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                                              Fonte: franciscanos.org.br   Imagem: vaticannews.va

sábado, 11 de abril de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 12 - 2º Domingo de Páscoa

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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Papa Leão XIV na vigília de oração deste sábado:

pela paz, basta com a loucura
da da guerra, da idolatria de si mesmo e do dinheiro

Leão XIV une as forças morais do mundo que repudia a guerra para invocar a paz com a oração do terço, para romper "a cadeia demoníaca do mal" que até usa o Santo Nome de Deus em "discursos de morte": "quem não reza não mata nem ameaça com a morte" porque "virou as costas ao Deus vivo", sacrificando valores e esperando que "o mundo inteiro se ajoelhe". "Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro!" e com "a loucura da guerra", e se cultive o cuidado da vida com a oração em "casas de paz".

O Papa Leão XIV reuniu o mundo em oração neste sábado, 11 de abril, a partir da Basílica Vaticana com 7 mil pessoas e outras 3 mil que acompanharam pelos telões da Praça São Pedro, para invocar a paz com a força que vem da oração - e através do terço, uma das formas mais antigas que une todos através de um ritmo regular, marcado pela repetição: "assim a paz vai ganhando espaço, palavra após palavra, gesto após gesto, como uma pedra que gota a gota se fura", explicou o Pontífice. A reflexão sobre o poder da oração, que não é "esconderijo" e nem "anestésico" para tanta dor e injustiça, veio ao final da Vigília de Oração pela Paz, expressão "daquela fé que, segundo a palavra de Jesus, move as montanhas", que é resposta "gratuita, universal e revolucionária à morte".

“Obrigado por terem acolhido este convite, reunindo-se aqui, junto ao túmulo de São Pedro, e em tantos outros lugares do mundo para invocar a paz. A guerra divide, a esperança une. A prepotência oprime, o amor eleva. A idolatria cega, o Deus vivo ilumina. Caríssimos, basta um pouco de fé, uma migalha de fé, para enfrentarmos juntos, como humanidade e com humanidade, este momento dramático da história.”

A oração de todos rompe a cadeia demoníaca do mal

Assim como fez Cristo, cada ser humano é convidado a "elevar o olhar" para acolher a paz, mesmo diante de um mundo em que "se continua, sem direito e sem piedade, a crucificar e a aniquilar a vida". Leão XIV, então, trouxe junto com a oração, a força das palavras de João Paulo II, "testemunha incansável da paz", que afirmou com emoção, no contexto da crise iraquiana de 2003: «Eu pertenço à geração que viveu a segunda guerra mundial e lhe sobreviveu. Tenho o dever de dizer a todos os jovens, aos que são mais jovens do que eu, que não tiveram esta experiência: “Nunca mais a guerra”, como disse Paulo VI na sua primeira visita às Nações Unidas» (Angelus, 16 de março de 2003). Prevost se uniu ao apelo do Papa polonês, "que é tão atual", e disse:

"A oração ensina-nos a agir. Na oração, as limitadas possibilidades humanas unem-se às infinitas possibilidades de Deus. Pensamentos, palavras e obras rompem, assim, a cadeia demoníaca do mal e colocam-se ao serviço do Reino de Deus: um Reino onde não há espadas, nem drones, nem vinganças, nem banalização do mal, nem lucro injusto, mas apenas dignidade, compreensão e perdão. Temos aqui uma barreira contra esse delírio de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressivo à nossa volta. Os equilíbrios na família humana estão gravemente desestabilizados. Até mesmo o Santo Nome de Deus, o Deus da vida, é arrastado para os discursos de morte."

E o Papa Leão XIV voltou a enfatizar que "quem reza não mata nem ameaça com a morte, mas tem consciência dos próprios limites. Em vez disso, é escravo da morte aquele que virou as costas ao Deus vivo, para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo, ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe":

“Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta com a ostentação da força! Basta com a guerra! A verdadeira força manifesta-se no serviço à vida.”

Leão XIV também usou da "simplicidade evangélica" de São João XXIII para enaltecer as "vantagens da paz" que beneficiam toda a comunidade humana e das "palavras lapidares" de Pio XII que afirmava: «Nada se perde com a paz, mas tudo pode ser perdido com a guerra». Prevost, assim, pediu a união das "forças morais e espirituais de milhões, de milhares de milhões de homens e mulheres, de idosos e de jovens que hoje acreditam na paz, que hoje optam pela paz, que cuidam das feridas e reparam os danos deixados pela loucura da guerra". Como acontece com as crianças inocentes que sofrem nas zonas de conflito com "todo o horror e a desumanidade das ações que alguns adultos exaltam com orgulho. Ouçamos a voz das crianças!", apelou o Pontífice.

Uma responsabilidade "inalienável que incumbe aos governantes das nações", disse o Papa, a quem "clamamos: parem! É tempo de paz! Sentem-se às mesas do diálogo e da mediação, não às mesas onde se planeia o rearmamento e se deliberam ações de morte!". Responsabilidade "não menos importante" também nossa, de "homens e mulheres de tantos países diferentes: uma imensa multidão que repudia a guerra, com obras, e não apenas com palavras". Daí o pedido de Leão XIV para nos comprometermos com a oração para invocar a paz "nas casas, nas escolas, nos bairros, nas comunidades civis e religiosas, tirando espaço à polêmica e à resignação com a amizade e a cultura do encontro. Voltemos a acreditar no amor, na moderação, na boa política". Na "paciência de Deus", acrescentou o Pontífice, rezar e curar as feridas como os "artesãos de paz" citatos pelo Papa Francisco na Fratelli tutti.

Nunca mais a guerra, mas casas de paz

Antes de Leão XIV suplicar ao Senhor "que a loucura da guerra tenha fim e que a Terra seja cuidada e cultivada por aqueles que ainda sabem gerar, guardar, amar a vida", ele pediu que todos voltem "para casa com este compromisso de rezar sempre, sem desanimar, e de uma profunda conversão do coração. A Igreja é um grande povo ao serviço da reconciliação e da paz, que vai em frente sem titubear, mesmo quando a rejeição da lógica bélica lhe pode custar incompreensão e desprezo". Diante das "contínuas violações do direito internacional" que colocam em risco a dignidade das pessoas, «é desejável que cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprende a neutralizar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão. Hoje, mais do que nunca, é preciso mostrar que a paz não é uma utopia»:

“Irmãos e irmãs de todas as línguas, povos e nações: somos uma única família que chora, espera e se levanta. «Nunca mais a guerra, aventura sem retorno; nunca mais a guerra, espiral de lutos e violência» (São João Paulo II, Oração pela paz, 2 de fevereiro de 1991).”

Andressa Collet - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va

Reflexão para este sábado:

Bendito Tomé!

Frei Almir Guimarães 

Hoje estamos sendo convidados a ir ao encontro dos apóstolos que estão reunidos em Jerusalém, no Cenáculo.  O evangelho fala de uma tarde, no primeiro dia da semana e de outra tarde, oito dias depois. Esses dias serão marcados por manifestações do Senhor Ressuscitado. Podemos bem imaginar que esses pescadores, apesar de tantos sinais de Jesus, estivessem amedrontados.  Afinal, seu Mestre tinha morrido!  Ei-lo agora passando pelas portas fechadas, isto é, sendo ele e ao mesmo tempo sendo diferente.  Os apóstolos se dão conta que ele está vivo. Há alegria no ar. O Ressuscitado sopra sobre eles e lhes dá a paz.  A paz, a verdadeira paz, nasce do perdão dos pecados.  O sopro é do Espírito.

Jesus não precisa forçar as portas. Ele está presente lá onde quer se fazer presente.  Está no meio dos seus.

Nesse contexto é que se insere o episódio de Tomé.  Ele queria ver para crer, tocar as chagas.  Tomé acontece em nossas vidas quando não aceitamos a palavra dos discípulos.  Eles haviam afirmado que tinham visto o Senhor.  Quer dizer, visto uma manifestação expressamente desejada pelo Ressuscitado.   Somos Tomé, depois da dúvida, quando resolvemos acreditar na palavra dos discípulos ou apóstolos, de ontem e de hoje, quando fazemos nosso o mais belo de todos os gritos de fé: “Meu Senhor e meu Deus”.

O que se guarda da visita de Jesus ao Cenáculo na noite da ressurreição e oito dias depois? A paz, a fé, a vida, em outras palavras, a felicidade.

Tomás Halík, eclesiástico tcheco, escreveu um livro com o sugestivo título de “Toque as feridas”. O autor “revira” o texto de Tomé de cabeça para baixo.  A leitura da página que agora transcrevemos poderá servir de meditação a respeito do episódio em exame:

“Tomé foi um homem disposto a seguir o seu Mestre até o amargo fim.  Lembremo-nos de sua reação às palavras de Jesus quando chegou a hora de ir até Lázaro: “Vamos nós também para morrermos com ele”. Ele levou a cruz a sério – e talvez a notícia da Ressurreição tenha lhe parecido um final feliz fácil demais para a Paixão de Cristo. Talvez tenha sido este o motivo pelo qual ele se recusou a compartilhar a alegria dos outros apóstolos e, por isso, tenha exigido ver as feridas de Jesus. Ele queria ver se a Ressurreição não esvaziava a cruz. Tão somente então ele poderia dizer o seu Eu creio. Talvez o “Tomé incrédulo” tenha compreendido o sentido da Páscoa de forma mais profunda que os outros. A incredulidade de Tomé foi mais útil à nossa fé do que a fé dos discípulos crentes, escreveu o Papa Gregório Magno em sua homilia sobre este texto do Evangelho.

Jesus se aproxima de Tomé e lhe mostra suas feridas. “Veja, o sofrimento – não importa qual – não foi simplesmente apagado e esquecido!”.  As feridas permanecem.  Mas aquele que “suportou as doenças de todos nós”, atravessou também a porta do inferno e da morte, e ele continua (incompreensivelmente) aqui entre nós.  Com isso, ele nos mostrou: “O amor tudo suporta”, “águas torrenciais não conseguirão apagar o amor, nem os rios poderão afogá-lo”, “porque o amor é forte como a morte”, até mais forte do que ela.  À luz desse evento, o amor se apresenta como valor que não podemos relegar ao domínio do sentimentalismo: o amor uma força – a única força capaz de sobreviver á morte e de abrir as portas com suas mãos traspassadas.

A ressurreição não é, portanto, um “final feliz”, mas um convite e um incentivo.  Não podemos, nem devemos capitular diante do fogo do sofrimento, mesmo quando não o consigamos apagar agora. Quando confrontados com o mal, não podemos ceder-lhe a última palavra. Não devemos ter medo de “acreditar no amor”, nem mesmo quando, segundo todo os critérios do mundo, ele estiver perdendo. Tenhamos a coragem de responder a “sabedoria do mundo” com a loucura da cruz.

Talvez Jesus – ao ressuscitar a fé de Tomé   pelo toque das feridas – quis lhe dizer a mesma coisa que me revelou a mim no orfanato   em Madras:  lá, onde você toca o sofrimento humano – e talvez apenas lá – você reconhece que Eu estou vivo, que “Eu sou”. Você me encontra em todos os lugares em que as pessoas sofrem. Não esquiva-se de mim em nenhum desses encontros. Não tenha medo!  Não seja incrédulo.  Creia!” (p.18-19).

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Segundo Domingo da Páscoa:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: At 2,42-47

Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos

Os que haviam se convertido eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações.

E todos estavam cheios de temor por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam. Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um.

Diariamente, todos frequentavam o Templo, partiam o pão pelas casas e, unidos, tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas.

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Responsório: Sl 117(118)

— Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom;/ eterna é a sua misericórdia!

— Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom;/ eterna é a sua misericórdia!

— A casa de Israel agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!”/ A casa de Aarão agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!”/ Os que temem o Senhor agora o digam:/ “Eterna é a sua misericórdia!”

— Empurraram-me, tentando derrubar-me,/ mas veio o Senhor em meu socorro./ O Senhor é minha força e o meu canto,/ e tornou-se para mim o Salvador./ “Clamores de alegria e de vitória/ ressoem pelas tendas dos fiéis”.

— “A pedra que os pedreiros rejeitaram/ tornou-se agora a pedra angular”./ Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:/ Que maravilhas ele fez a nossos olhos!/ Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!

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2ª Leitura: 1Pd 1,3-9

Leitura da Primeira Carta de São Pedro

Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus.

Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos. Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações.

Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira — mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo — e alcançará louvor, honra e glória no dia da manifestação de Jesus Cristo.

Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.

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Evangelho: Jo 20,19-31

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.

Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.

Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.

Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.

Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.

Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Nossa fé "apostólica"

Todo mundo gosta de ter provas palpáveis para acreditar. Mas, para que ainda acreditar, quando se tem provas palpáveis? E que certeza dão as pretensas provas? Nossa fé não vem de provas imediatas, mas da fé das “testemunhas designadas por Deus”(At 10,41), principalmente os apóstolos. Acreditamos naquilo em que eles acreditaram. Os apóstolos foram as testemunhas da ressurreição de Jesus. Eles puderam ver o Ressuscitado e por isso acreditaram. Caso típico é Tomé (evangelho). Ele foi até convidado por Jesus a tocar nas chagas das mãos e do lado. O evangelho não confirma que ele tocou mesmo, mas sim, que ele creu: “Meu Senhor e meu Deus”.

Nós não temos este privilégio. Nós seremos felizes se crermos sem ter visto, como diz o fim dessa história (Jô 20,29)! Mas, para que isso fosse possível, os apóstolos nos deixaram os evangelhos, testemunho escrito do que eles viram e da fé no Cristo e Filho de Deus que abraçaram (Jô 20,30-31).

O Cristo descrito nos evangelhos é visto com os olhos da fé dos apóstolos. Um incrédulo o veria bem diferente. Nós cremos em Jesus assim como os apóstolos o viram. A participação na fé dos apóstolos nos dá a possibilidade de “amar Cristo sem tê-lo visto” e de “acreditar nele (como Senhor e fonte de nossa glória futura), embora ainda não o vejamos “ (2ª leitura).

Acreditamos também na comunidade que, nessa fé, os apóstolos fundaram. A 1ª leitura descreve-a como comunidade de oração e de vida, recordando Jesus na “fração do pão” e praticando a comunhão de bens, repartindo tudo entre si. Pois para ser fiel a Cristo não basta orar e celebrar; é preciso fazer o que ele fez: repartir a vida com os irmãos.

Nós acreditamos na fé dos apóstolos e da Igreja que eles nos deixaram. Então, nossa fé não é coisa privada. É apostólica e eclesial. Damos crédito à Igreja dos apóstolos. Os primeiros cristãos faziam isso até materialmente: entregavam os seus bens para que ela os transformasse em instrumentos do amor do Cristo. Crer não é somente aceitar verdades. É agir segundo a verdade do ser discípulo e seguidor do Cristo.

É inútil querer verificar e provar nossa fé sem passar pelos apóstolos e pela corrente de transmissão que eles instituíram, a Igreja. É impossível verificar por evidências encontradas ou forjadas fora do ambiente dos evangelhos a ressurreição de Cristo. Ora, o importante não é “verificar” ao modo de Tomé, mas viver o sentido da fé que os apóstolos (inclusive Tomé) tiveram em Jesus e a nós transmitiram.

A fé dos apóstolos exige de nós que creiamos em seu testemunho sobre Jesus morto e ressuscitado, ou seja, que adiramos à mesma fé. E exige também que pratiquemos a vida de comunhão fraterna na comunidade eclesial, que brotou de sua pregação.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Episcopado brasileiro converge para Aparecida

em Assembleia marcada por novos rumos pastorais

Reunião anual da CNBB, retomada após a eleição do Papa Leão XIV, definirá o mapa da evangelização para o próximo quadriênio e analisará o cenário sociopolítico do país.

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), eleita para o mandato 2023-2027, coordena os preparativos finais para a 62ª Assembleia Geral em Aparecida (SP) 

O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo, já se encontra em ritmo acelerado para sediar a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O evento, que representa o órgão máximo de decisões da Igreja Católica no país, ocorrerá entre os dias 15 e 24 de abril de 2026, reunindo o episcopado brasileiro para dez dias de intensas atividades, orações e deliberações pastorais.

Reorganização do calendário eclesial

A realização desta edição carrega um simbolismo histórico de retomada. Originalmente prevista para o ano passado, a assembleia foi adiada em decorrência do falecimento do Papa Francisco e do processo de sucessão apostólica que culminou na eleição do Papa Leão XIV. Com a estabilização da governança da Igreja em Roma, os bispos brasileiros agora convergem para Aparecida com uma agenda cheia de atividades.

Eixo central: o mapa da missão para o quadriênio

O ponto alto das deliberações será a votação e aprovação das Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). Este documento funciona como a viga mestra que sustenta e orienta a missão da Igreja no país, auxiliando cada diocese a discernir sua realidade local sob a luz dos valores evangélicos.

A redação final dessas diretrizes foi estrategicamente adiada para que pudesse incorporar os frutos do Sínodo sobre a sinodalidade. O texto que chega agora às mãos do episcopado é fruto de uma construção coletiva, somando contribuições enviadas por dioceses, pastorais e organismos eclesiais de todo o Brasil, a partir de uma abordagem mais participativa e missionária.

Reze com seus pastores: acompanhe diariamente a Missa com os Bispos às 18h, ao vivo pelo Altar Central, transmitida pela TV Aparecida e redes sociais da CNBB


Agenda intensa e temas prioritários

A programação dos dez dias de encontro é robusta e diversificada. Antes de iniciarem as discussões administrativas e pastorais, os bispos participarão de um retiro espiritual logo na abertura do evento, priorizando o recolhimento e a oração.

A pauta de trabalho está organizada em torno de três temas prioritários, encabeçados pelo relatório de gestão da Presidência da CNBB, além de 20 assuntos diversos, 10 comunicações e a redação de quatro mensagens oficiais destinadas à Igreja e à sociedade.

Entre os tópicos de destaque que passarão pelo plenário, estão:

- Análise de conjuntura: Debates sobre o panorama social e eclesial brasileiro, com especial atenção ao impacto das eleições de 2026.

- Zelo e proteção: Atualizações sobre a tutela de menores e adultos vulneráveis.

- Liturgia e formação: Aprovações de novos textos litúrgicos e a revisão do documento sobre a "Evangelização da Juventude" (Doc. 85).

- Memória e futuro: Celebração do bicentenário das Relações Diplomáticas entre Brasil e Santa Sé, além dos preparativos para o 19º Congresso Eucarístico Nacional (2027) e o Congresso Americano Missionário (CAM 7), previsto para 2029.

Tecnologia e participação espiritual

Para esta edição, a CNBB reforçou sua estratégia de comunicação digital com o lançamento de um hotsite exclusivo. A plataforma permite que os fiéis acompanhem horários, acessem dados históricos e participem de uma iniciativa de intercessão: um sistema de sorteio virtual onde o fiel pode escolher o nome de um bispo específico para dedicar suas orações durante os dias do encontro.

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

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Fonte: vaticanews.va  (com informações da CNBB)