terça-feira, 20 de outubro de 2026

Para a CNBB, redução da maioridade penal

não enfrenta as causas da violência
nem oferece respostas para a segurança pública

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é contra a redução da maioridade penal. O tema retornou ao debate público nesta quarta-feira, 14, após o pedido para inserir no texto da PEC da Segurança Pública (Proposta de Emenda à Constituição nº 18/2025) a alteração do artigo 228 da Carta Magna, reduzindo para dezesseis anos como regra geral e para quatorze anos em determinadas hipóteses.

Os bispos recordam a carta enviada aos parlamentares em junho deste ano, na qual chamam atenção de que “a redução da maioridade penal não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas duradouras para a segurança pública”.

Para o Conselho Permanente, “o Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de adolescentes”.

Os bispos pediram, na ocasião, que o Congresso Nacional “priorize políticas públicas capazes de enfrentar as causas da violência: educação de qualidade, fortalecimento das famílias, proteção da infância e da adolescência, ampliação de oportunidades para os jovens e aperfeiçoamento das medidas socioeducativas”.

Leia a carta na íntegra:

Brasília – DF, 26 de junho de 2026

Aos

PARLAMENTARES

Ref.: Redução da maioridade penal.

Senhoras e Senhores Parlamentares,

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, fiel à missão evangelizadora da Igreja, dirige-se respeitosamente a Vossas Excelências diante das discussões e iniciativas legislativas que visam reduzir a maioridade penal em nosso país.

A CNBB reafirma sua posição contrária à redução da maioridade penal. Essa convicção nasce da defesa da dignidade da pessoa humana, especialmente dos adolescentes, que se encontram em processo de desenvolvimento e devem ser responsabilizados por seus atos sem serem privados da possibilidade de recuperação e reintegração social.

O ordenamento jurídico brasileiro já prevê mecanismos de responsabilização para adolescentes por meio das medidas socioeducativas estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo. O desafio não está na ausência de instrumentos legais, mas na fragilidade de sua implementação e na insuficiência de investimentos em educação, proteção social e oportunidades para a juventude.

O simples endurecimento das penas não reduz a violência. Adolescentes envolvidos em atos infracionais são também vítimas da pobreza, da exclusão educacional, da desestruturação familiar, da dependência química e do aliciamento pelo crime organizado. Inseri-los precocemente no sistema prisional tende a ampliar ciclos de violência e exclusão, comprometendo sua ressocialização.

Por isso, apelamos ao Congresso Nacional para que priorize políticas públicas capazes de enfrentar as causas da violência: educação de qualidade, fortalecimento das famílias, proteção da infância e da adolescência, ampliação de oportunidades para os jovens e aperfeiçoamento das medidas socioeducativas.

A redução da maioridade penal não enfrenta as causas da violência nem oferece respostas duradouras para a segurança pública. O Brasil será mais seguro se investir na proteção, na educação e na promoção de sua juventude, e não ampliando o encarceramento precoce de adolescentes.

Confiando à intercessão de Nossa Senhora Aparecida os trabalhos desta Casa Legislativa e o futuro da juventude brasileira, renovamos nossa estima e nossas orações por todos os que exercem o nobre serviço da representação popular.

Dom Jaime Cardeal Spengler - Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre – RS - Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros Silva - Arcebispo da Arquidiocese de Goiânia – GO - 1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa - Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE - 2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers - Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília – DF - Secretário-Geral da CNBB

__________________________________________________
                                                                                                                     Fonte: cnbb.org.br

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos
_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

Dia 20 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

______________________________________________________________________________

Dia 21 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor a São José na matriz

______________________________________________________________________________

Dia 22 - Quinta-feira

7h - Missa na matriz

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Missa na comunidade dos Martins

_________________________________________________________________________________

Dia 23 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa na igreja do Asilo São Vicente de Paulo

19h - Grupo de oração Maranathá na igreja da Soledade

__________________________________________________________________________________

Dia 24 - Sábado

14h - Reunião do Conselho Paroquial de Pastoral no CPSJ

19h - Missa na matriz

19h - Missa na comunidade São Francisco

__________________________________________________________________________________

Dia 25 - 30º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa da festa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Missa na igreja de Santo Antônio

18h - Missa na matriz

___________________________________________________________________________________

Catequese para o seu dia:

Jesus e sua proposta de paz

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

_____________________________


Ele não pregava blá blá blá! Era direto e sem rodeios no seu discurso de paz: amar e nunca desejar nem causar a morte do outro!

- Ele propôs a paz o tempo todo. - Falou sobre o que acontece quando ela é desprezada . - Saudava a todos com gesto de paz. - Chorou sobre Jerusalém porque a cidade não aceitou sua proposta de paz. - Mandou Pedro guardar a espada e não usá-la. - Dialogou com um comandante-chefe invasor romano. - Dialogou com a samaritana. - Elogiou gente de outra religião. - Curou gente de outra fé. - Conversou com o governador Pilatos. - Calou-se perante o devasso Herodes que tentou espezinhá-lo e tinha assassinado João Batista. - Mandou perdoar os inimigos. - Morreu perdoando e salvando - Falou de paz mais de 200 vezes. - Foi duro contra os caluniadores. - Foi contra quem julgava o próximo sem ser juiz. - Falou contra os maus juízes. - Criticou os fanáticos fariseus e escribas . - Condenou quem posava de profeta. - Deu paz e semeou a paz - Mandou caminhar com os inimigos para tentar fazer a paz antes de ter que encarar o juiz. - Mandou-nos andar o dobro em sinal de paz a quem foi gentil conosco. - Mandou dar o outro lado da cara a quem nos estapeou. - Aconselhou-nos a ser gentis também com os desconhecidos. - Mandou perdoar sempre quem nos fez algum mal. A punição e a vingança cabem a Deus. - Ensinou-nos a nunca pagar o mal com o mal. - Foi super severo contra desrespeitasse uma criança. - Propôs fidelidade no casamento. - Não abrandou o divórcio , que a Lei de Moisés permitia. - Salvou uma mulher de ser apedrejada: só ela seria morta? Onde estava o homem que adulterou com ela?

***
Mas ultimamente maus conselheiros de internet, que se dizem piedosos e crentes e até convertidos em Jesus por obra do Espírito Santo, andam caluniando e xingando de câncer da Igreja quem prega teologia da libertação, mesmo que seja esta teologia seja totalmente bíblica e católica! Culpam qualquer pregador como pecador e comunista sem saber que os 72 livros da Bíblia falam que Deus liberta!

Estes mesmos irmãos que não veem os outros como irmãos, a não ser que pertençam ao seu grupo, andam defendendo a antiga tradição do “olho por olho e dente por dente, pontapé por pontapé e mal por mal".

Mas não foi isso o que Jesus ensinou e viveu.

Estão voltando aos costumes de 3000 anos atrás e ignorando a doutrina de diálogo, de paz e de perdão. E o pregador que ouse relembrar estes mandamentos de Jesus acaba sendo xingado e ridicularizado como sujeito ultrapassado e perigoso!

Acham-se mais iluminados do que os outros. Vejo isso todos os dias na internet . Eles estão sempre certos e os outros estão sempre errados .

***
Lá fora, porém, aumenta a violência, a droga corre solta e a corrupção drena os bens do país; religiosos insistem em pregar teologias de vantagens e lucro e prosperidade, quando Jesus escolheu viver como pobre e em defesa dos pobres e oprimidos.

***
Jesus era severo e exigente, mas era pacifista e misericordioso e educador.

Estão propondo vingar-se e vencer a qualquer preço! Querem voltar aos métodos de GEDEÃO, SANSÃO e ABIMELEQUE e à mentalidade do passado de esmagar o outro antes que nos esmaguem.

A tribo de Dan cometeu a injustiça de trair e atacar e dizimar o Pacífico povo de Lais. (Jz 18, 7-29) E ainda acharam que Javé os aplaudiu! Selvageria em nome da fé!

Jesus veio amansar e educar o ser humano! Morreu tentando isto!

Hoje nem mesmo famosos pregadores de internet ousam divulgar Jo 17,1-26 e Mt 25,31-46. Falam pouco desses versículos!

Aceitam qualquer barbaridade em nome do seu líder, do seu partido ou da sua ideologia política radical. Tudo, menos perdoar quem não crê ou não vê o mundo com as lentes deles: muitas vezes, lentes embaçadas ou distorcidas!…

________________________________________________________________________________
                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

Artigo de dom Itacir Brassiani, MSF:

A quem confiarei meu voto no próximo domingo?

Não é de hoje que a relação entre religião e política vem ocupando a reflexão dos cientistas sociais. No passado, essa relação se expressava em termos institucionais, mediante a declaração de um estado confessional, assentada na constituição, ou através de relações oficiais entre as autoridades do Estado e os legítimos representantes de uma religião ou Igreja. Em geral, era uma relação tranquila, embora não respeitasse as minorias religiosas.

A novidade recente, particularmente no Brasil, é uma espécie de captura da religião pelos interesses políticos e mercadológicos, e a entrada interesseira de várias Igrejas nas disputas políticas e no campo das atividades comerciais e financeiras. A partir da década de 1980, a pastoral social ensinou que “tudo é político” sem esquecer que “a política não é tudo”. Hoje se diz ou se pressupõe que “tudo é negócio”, inclusive a política e a religião.

Esta captura da religião e da política pelos interesses econômicos, no horizonte de uma ideologia liberal, conservadora e autoritária, acaba gerando desvios e confusões como os que estamos vivendo nas últimas semanas. Ao invés de discutir projetos de educação, de convivência e de desenvolvimento econômico e político, o povo brasileiro vê-se enredado em discussões de temas morais e religiosos de reduzida importância na vida da nação.

O que devemos escolher no próximo domingo não é a padroeira do Brasil, ou se é oportuno ou não consagrar o Brasil a Jesus Cristo. Escolheremos pessoas e partidos que ajudarão ou impedirão o desenvolvimento nacional, a autonomia das organizações civis e populares e a integração soberana do Brasil no concerto das nações. Sem menosprezar nenhum movimento político, nisso os dois agrupamentos majoritários seguem direções opostas.

Diversamente de algumas Igrejas, a Igreja católica não impõe nem indica aos seus fiéis partidos ou candidatos, nem pretende assegurar vantagens institucionais nos parlamentos e governos. Ela oferece critérios para que os fiéis decidam e votem: a busca do bem comum; a defesa dos direitos humanos, da democracia e da soberania nacional; o cuidado da casa comum; a primazia incondicional dos pobres e vulneráveis e a dignidade da vida de todos.

Há quem veja nestes critérios alinhamento com partidos, candidatos e movimentos de esquerda, e isso seria inaceitável para um cristão católico. Mas eu pergunto: é aceitável que um católico escolha, por amizade, conveniência ou descaso, candidatos e partidos que pleiteiam unicamente interesses privados, combatam os direitos humanos, relativizem a democracia e a soberania do país, promovam ou tolerem a destruição do meio ambiente, submetam tudo aos interesses dos ricos e relativizem a dignidade inviolável do ser humano?

Dom Itacir Brassiani, MSF - Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

__________________________________________________
                                                                                                                     Fonte: cnbb.org.br

domingo, 18 de outubro de 2026

Papa Leão na oração mariana do Angelus:

ser verdadeiro,
sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem

O Papa Leão rezou a oração mariana do Angelus após receber alta hospitalar, no último sábado. Na semana passada, o Santo Padre foi internado no Hospital Gemelli para a remoção de um adenocarcinoma no pulmão direito. Na alocução que precedeu a oração, Leão XIV recordou que o Reino de Jesus pede "que vivamos sem concessões, livres de más ambições e de interesses injustos, colocando acima de tudo o Reino de Deus e a sua justiça".

O Papa Leão XIV conduziu a oração mariana do Angelus, deste domingo (18/10), da janela da residência apostólica vaticana. Segundo dados da Gendarmaria Vaticana, 15 mil fiéis estiveram presentes na Praça São Pedro.

Lembramos que o Pontífice recebeu alta do Hospital Agostino Gemelli e retornou ao Vaticano, na tarde do último sábado (17/10), após a cirurgia no pulmão direito para a remoção de um adenocarcinoma pulmonar, no dia 13 de outubro.

O Evangelho da liturgia deste domingo, "põe-nos diante de uma das frases mais famosas de Jesus: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus»". Leão XIV disse que "é importante situá-la no contexto em que foi originalmente proferida".

Viver livres de más ambições e interesses injustos

"O evangelista Mateus descreve uma situação hostil em relação a Jesus: os fariseus reúnem-se para ver como apanhá-lo em contradição nas suas palavras. Decidem enviar algumas pessoas para o interrogar sobre uma questão controversa: «É lícito ou não pagar o imposto a César?». A resposta do Mestre é astuta, pois mantém-no fora da armadilha e desmascara a hipocrisia daqueles que querem fazê-lo cair. Pede-lhes a moeda do tributo, ou seja, um denário. Eles lhe entregam, e Jesus diz: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Respondem-lhe: «De César». Então afirma: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus»."

“Em Jesus, contemplamos um Deus que não teme a história e que, pelo contrário, vem habitar nela. O seu Reino não retira os cargos nem as responsabilidades humanas. Pede, porém, que vivamos sem concessões, livres de más ambições e de interesses injustos, colocando acima de tudo o Reino de Deus e a sua justiça.”

Ser verdadeiro, livre para o bem

"Neste sentido, chama a atenção o elogio que essas mesmas pessoas dirigem a Jesus, ainda que movidas por más intenções: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem te deixares influenciar por ninguém, pois não olhas para a condição das pessoas»." 

O Papa Leão concluiu, dizendo:

“Caríssimos, é precisamente este o perfil de quem “dá a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”: ser verdadeiro, sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem. Roguemos ao Senhor que nos ajude a ser assim. E confiemo-nos à intercessão da Virgem Maria.”

Mariangela Jaguraba – Vatican News

_______________________________________________________

Leão XIV:
obrigado a todos que rezaram por mim, senti o apoio de vocês

Ao final da oração do Angelus, o Papa agradeceu pelas orações que os sustentaram nos dias de internação e à equipe do Hospital Gemelli. Em seguida, recordou seus próximos compromissos: "Superada esta fase delicada, como sabem, retomarei gradualmente as minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e de suas orações".

Após a oração mariana do Angelus, o Papa Leão XIV recordou que neste domingo (18/10), celebra-se o 100° Dia Mundial das Missões sobre o tema "Um em Cristo, unidos na missão".

A ideia do Dia Mundial das Missões surgiu em 1926, ano em que o Papa Pio XI publicou a encíclica Rerum Ecclesiae, sobre as missões, razão pela qual o Pontífice passou a ser chamado de "o Papa das Missões". A primeira celebração desse dia ocorreu em outubro de 1926 e, desde então, tem sido sempre celebrada no penúltimo domingo de outubro.

“Pensemos a quanta história missionária abrangeu esses cem anos! Rezemos para que a Igreja seja sempre fiel ao mandato do Senhor Ressuscitado: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”.”

Na tarde do último sábado (17/10), o Papa Leão recebeu alta hospitalar, após ficar internado no Hospital Gemelli de Roma para uma cirurgia de remoção de um adenocarcinoma no pulmão direito. O Pontífice aproveitou a ocasião para agradecer fazer publicamente a todos que o apoiaram nesses dias de internação.

“Gostaria de agradecer a todos que rezaram por mim nestes dias. Senti verdadeiramente o apoio de vocês, muito obrigado!”

Depois, agradeceu aos profissionais da saúde que cuidaram dele.

“Expresso a minha especial gratidão aos médicos, enfermeiros e a toda a equipe do Hospital Gemelli. Esta experiência me fez sentir especialmente próximo daqueles que enfrentam doenças e enfermidades.”

Olhando para os compromissos que o aguardam, o Papa espera poder contar com o apoio dos fiéis.

“Superada esta fase delicada, como sabem, retomarei gradualmente as minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e de suas orações.”

Os fiéis na Praça São Pedro responderam com mais aplausos, e o Papa agradeceu-lhes mais uma vez, repetindo: "Obrigado a todos e tenham um bom domingo". Em seguida, se deteve por mais alguns instantes na janela da residência apostólica vaticana, sorrindo e acenando para as pessoas, retribuindo o carinho que lhe fora demonstrado.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

__________________________________________________________

O Papa concede
indulgência plenária para o 100° Dia Mundial das Missões

Aqueles que, em 18 de outubro, celebram o Dia Mundial das Missões instituído pelo Papa Pio XI em 1926, por ordem papal, podem obter a remissão total, perante Deus, da pena temporal dos pecados, rezando o Rosário pela propagação do Evangelho em todo o mundo. Leão XIV, no Angelus: "Que a Igreja seja sempre fiel ao mandato do Senhor Ressuscitado: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura".

Através da Penitenciaria Apostólica, o Papa Leão XIV concedeu a indulgência plenária por ocasião do 100° Dia Mundial das Missões, instituído pelo Papa Pio XI, em 1926, e celebrado neste domingo, 18 de outubro, cujo tema deste ano é "Um em Cristo, unidos na missão".

No Angelus deste domingo, o Papa disse: "Pensemos a quanta história missionária abrangeu esses cem anos! Rezemos para que a Igreja seja sempre fiel ao mandato do Senhor Ressuscitado: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura»".

O Decreto da Penitenciaria

O Decreto da Penitenciaria especifica que a indulgência pode ser obtida sob as condições habituais: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Papa. Pede ainda que os fiéis rezem o Rosário em união com o Papa pela difusão do Evangelho em todo o mundo.

A mensagem do Papa para o dia

Na Mensagem para o 100° Dia Mundial das Missões, divulgada em 25 de janeiro passado, Leão XIV exorta "toda a Igreja a prosseguir com alegria e zelo no Espírito Santo o caminho missionário, que exige corações unidos em Cristo, comunidades reconciliadas e, em todos, disponibilidade para colaborar com generosidade e confiança". No centro da missão, o Papa identifica o "mistério da união com Cristo". Nas palavras de Jesus que antecedem a Paixão — "Para que todos sejam um; assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que também eles estejam em nós" — revela-se o desejo último de Cristo e a própria identidade da Igreja: "Ser uma comunhão que nasce da Trindade e que vive da e na Trindade, a serviço da fraternidade humana e da harmonia com todas as criaturas", explica o Pontífice. "Ser cristão não é, antes de tudo, um conjunto de práticas ou ideias: é uma vida em união com Cristo, na qual nos tornamos participantes da relação filial que Ele vive com o Pai no Espírito Santo", ressalta o Papa, acrescentando que a responsabilidade primordial da Igreja em missão consiste na renovação da unidade espiritual e fraterna entre seus membros.

Participar da missão evangelizadora da Igreja

Hoje, assistimos a conflitos, polarizações, incompreensões e desconfiança recíproca, observa Leão, ressaltando que "quando isso acontece também" nas comunidades eclesiais, "o testemunho se enfraquece". Por outro lado, "a missão evangelizadora, que Cristo confiou aos discípulos, exige, antes de tudo, corações reconciliados e ansiosos por comunhão". "Nenhum batizado" – afirma o Pontífice – "é alheio ou indiferente à missão: todos, cada um segundo sua vocação e condição de vida, participam da grande obra que Cristo confia à sua Igreja". Pois "como o Papa Francisco lembrou várias vezes, o anúncio do Evangelho é sempre uma ação conjunta, comunitária e sinodal". Daí o apelo de Leão para que todos se unam aos missionários e missionárias "por meio do testemunho de vida em Cristo, da oração e da contribuição para as missões" e para que "cada um, segundo sua vocação e os dons recebidos, contribua para a grande missão evangelizadora, que é sempre obra do amor". Por fim, ao concluir a mensagem, o Papa invoca a Deus para que "todos os membros da Igreja estejam unidos na missão, dóceis ao Espírito Santo, corajosos no testemunho do Evangelho".

_______________________________________________________________________
                                                     Fonte: vaticanews.va   Foto e vídeo: (@Vatican Media

Reflexão para o seu domingo:

A vida só é para Deus

José Antonio Pagola

A exegese moderna não dá lugar a dúvidas. O principal para Jesus é a vida, não a religião. Basta analisar a trajetória de sua atividade. Sempre o vemos preocupado por suscitar e desenvolver, no meio daquela sociedade, uma vida mais sadia e mais digna.

Pensemos em sua atuação no mundo dos enfermos: Jesus se aproxima dos que vivem sua vida de maneira diminuída, ameaçada ou insegura, para despertar neles uma vida mais plena. Pensemos em sua aproximação aos pecadores: Jesus lhes oferece o perdão que os faça viver uma vida mais digna, resgatada da humilhação e do desprezo. Pensemos também nos endemoninhados, incapazes de ser donos de sua vida: Jesus os liberta de uma vida alienada e desconcertada pelo mal.

Como foi sublinhado por Jon Sobrino, pobres são aqueles para os quais a vida é uma carga pesada, pois não podem viver com um mínimo de dignidade. Esta pobreza é o que há de mais contrário ao plano original do Criador da vida. Onde um ser humano não pode viver com dignidade, ali a criação de Deus aparece como viciada e anulada.

Por isso, Jesus se preocupa tanto com a vida concreta dos camponeses da Galileia. O que aquela gente precisa em primeiro lugar é viver, e viver com dignidade. Não é a meta final, mas é, neste momento, o mais urgente. Jesus os convida a confiar na salvação última do Pai, mas o faz salvando as pessoas da enfermidade e aliviando males e sofrimentos. Anuncia-lhes a felicidade definitiva no seio de Deus, mas o faz introduzindo dignidade, paz e felicidade neste mundo.

Às vezes, nós cristãos expomos a fé com uma tal confusão de conceitos e palavras que, na hora da verdade, poucos entendem o que é exatamente o Reino de Deus de que fala Jesus. Mas as coisas não são tão complicadas. O que Deus quer é unicamente isto: uma vida mais humana para todos e, desde agora, uma vida que chegue à sua plenitude na vida eterna. Por isso nunca se deve dar a nenhum César o que é de Deus: a vida e a dignidade de seus filhos.

_______________________________________________________________________________

JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

____________________________________________________
                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 17 de outubro de 2026

Reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

As coisas de Deus e os negócios de César

♦ A liturgia deste domingo nos faz ouvir o conhecido evangelho do “dai a César o que de César e a Deus e o que é de Deus”. Não podemos fugir do tema, mesmo em sua complexidade. Discípulos de Jesus que somos, não vivemos de um lado nossa fé cristã e completamente do outro a existência no mundo. Fé e vida, para nós cristãos, se interpenetram sem se confundirem. O tema é vasto. Na história muitas vezes a Igreja andou passeando sem muito critério nos domínios de César e este, por sua vez tentando se imiscuir nos negócios da Igreja. Cada um no seu lugar, com sadia interpenetração e complementariedade.

♦ Cabe, neste contexto ter diante de nossos olhos algumas observações pertinentes de um antigo documento da Igreja conhecido como Carta a Diogneto (em torno de 120 dC): “Não se distinguem os cristãos dos demais, nem pela região, nem pela língua, nem pelos costumes. Não habitam cidades à parte, não empregam idioma diverso dos outros, não levam um gênero de vida extraordinário” (n.4). Os cristãos vivem no meio dos homens.

♦ São como todos. Nascem, crescem, estudam, trabalham, divertem-se, cantam, dançam, choram, batalham, convivem, homem, mulher. São cidadãos. César tem responsabilidade de cuidar de todos, tanto dos cristãos, como cuida de todos os cidadãos que lhe são confiados. Recolhe impostos de todos, também dos cristãos. Com esses impostos os governantes cuidam da educação, da saúde, dos hospitais, da atenção para com os idosos, da limpeza pública, da iluminação, da segurança. Fazem casas decentes. Administram com honestidade as cidades e o país. Os cristãos são fiéis aos seus deveres para com Cesar. Dão a César o que é de César. Pagam seus impostos. Respeitam suas leis. Querem, no entanto, que seja respeitada sua consciência e sua opção religiosa.

♦ Em seu agir cotidiano, os cristãos projetam no mundo uma luz que lhes é própria. A partir do encontro com Cristo, da assimilação do Evangelho, pela audição da Palavra, pela vivência em comunidades fraternas e de oração fazem incidir uma claridade diferente no campo da vida e da vida com os outros. Estão densamente nas realidades terrenas, fazem o que podem para humanizá-las, inserem-se no cortejo daqueles que tornam a vida humana o mais digna possível. Médicos, sapateiros, advogados, banqueiros cristãos não negligenciam seus trabalhos. Realizam-no da melhor maneira. Os cristãos sentem-se convidados a humanizar o mundo e as relações.

♦ Estão no mundo, mas não são do mundo. Não aceitam certos projetos dos homens marcados por interesses pequenos, projetos que esquecem o ser humano marcados pelo aproveitamento dos incautos, falcatruas, banalização do corpo, pornografia, violação da consciência. Sempre iluminam o campo de atuação de César com a claridade do Evangelho. Estão no mundo, sem serem do mundo. São sal da terra, luz do mundo e fermento na massa. Adquirem essa postura de viver do Sermão da Montanha e com isso colocam em tudo gosto, claridade e tempero.

♦ “Na dialética posta por Jesus entre César e Deus situa-se a condição do crente que está no mundo, mas não é do mundo, que habita cidade secular, mas espera o Reino de Deus, que vive na pólis, mas que tem a politeúma, a cidadania nos céus (cf Fl 3,20). O cristão vive uma fidelidade autêntica à terra, graças à sua reserva escatológica. Dar a Deus o que é de Deus é tomado também no sentido de atuar para que o mundo – saído das mãos de Deus e confiado por Ele aos homens – na sua organização e nas suas instituições possa corresponder aos requisitos de justiça e de direito que são próprios da práxis messiânica” (Manicardi).

__________________________________________________________

Para reflexão

Ainda a Carta a Diogneto:

Os cristãos…

♦ Moram na própria pátria, mas como peregrinos. Enquanto cidadãos, de tudo participam, porém tudo suportam como estrangeiros. Toda terra estranha é pátria para eles.
♦ Casam-se como todos os homens e como todos procriam, mas não rejeitam os filhos. A mesa é comum: não o leito.
♦ Estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Se a vida deles decorre na terra, a cidadania, contudo, está nos céus. Obedecem as leis estabelecidas, todavia superam-nas pela vida;
♦Amam a todos e por todos são perseguidos. Desconhecidos, são condenados. São mortos e com isso se vivificam. Pobres enriquecem a muitos. Tudo lhes falta, e têm abundância de tudo…
__________________________________________________________

Oração

Tu, Senhor, me conheces.
Conheces minha vida e minhas entranhas,
minhas veredas, meus rodeios, minhas dúvidas de sempre.
Tu és, apesar de meus erros,
o Senhor das minhas alegrias e de minhas penas
Deixa-me estar na tua presença.
Tranquiliza-me. Serena meu espírito
Abre meus sentidos.
Lava-me com água fresca. (F.Ulíbarri)

_____________________________________________________________________________________

FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

_______________________________________________________________________________                                                                        Fonte: franciscanos.org.br      Imagem: vaticannews.va