terça-feira, 3 de novembro de 2026

Papa em mensagem aos jovens da JMJ:

a coragem nasce da presença de Cristo

Foi divulgada nesta terça-feira (03/11) a mensagem de Leão XIV em preparação à Jornada Mundial da Juventude nas Igrejas locais, em 22 de novembro, e pensando no encontro internacional de Seul, de 3 a 8 de agosto de 2027. O Papa reflete sobre o tema «Tenham coragem: Eu venci o mundo!» (Jo 16, 33) e observa aos jovens que "a coragem cristã não nasce, em primeiro lugar, da nossa força: nasce da presença" de Cristo que "conhece, ama e acompanha" no caminho, mesmo com tempestades e águas agitadas.

Leão XIV, na Praça São Pedro, antes da missa de acolhimento do Jubileu dos Jovens em 2025 

A mensagem do Papa Leão XIV para a XLI Jornada Mundial da Juventude foi divulgada nesta terça-feira (03/11). Com o tema «Tenham coragem: Eu venci o mundo!» (Jo 16, 33), o evento será celebrado em nível diocesano em 22 de novembro, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, e em nível internacional de 3 a 8 de agosto de 2027 em Seul, na Coreia. No fim de outubro, o Pontífice já havia feito um convite em vídeo aos jovens de todo o mundo para a JMJ, a primeira do seu pontificado, para levarem consigo "tudo o que são e tudo o que têm no coração, incluindo seus sonhos, desejos e esperanças, mas também suas feridas e dificuldades". Na mensagem, assinada em 22 de outubro - dia da memória de São João Paulo II, criador das Jornadas -, Leão XIV reforça desejar "ardentemente" encontrar os jovens em Seul. Mas recorda que "o Senhor que lá iremos encontrar já vem ao encontro de vocês", então, basta permitir que "Ele os acompanhe ao longo de todo o caminho".

Jovens presentes no Jubileu dos Jovens em 2025, em Tor Vergata, em Roma


De onde vem a coragem?

Essa peregrinação de fé, amizade e esperança, acompanhada por Deus, que "os conhece, ama e acompanha no caminho", afirma o Papa na mensagem,  é compartilhada pela aspiração de jovens tão diferentes e espalhados pelo mundo, na esperança de "se tornar luz também para os outros". E, tendo o tema em vista dos eventos das Igrejas locais e aquele de Seul, Leão XIV começa a meditar: de onde vem a coragem de Jesus que venceu o mundo?

Antes mesmo de procurar respostas em Cristo, comenta o Papa recordando das incertezas e medos dos primeiros discípulos, assim como das preocupações, pressões, comparações e receios atuais impostos pela sociedade, "Ele já os procura, caminhando sobre as águas agitadas da vida. A coragem cristã não nasce, em primeiro lugar, da nossa força: nasce da sua presença". Essa é a certeza que o Papa confia ao coração dos jovens: 

"Cristo certamente não viveu nem nos promete uma vida sem tempestades. Mas nenhuma escuridão e nenhum sofrimento é mais forte do que o seu amor. Ele nunca os abandona. Convida-os à amizade com Ele e a confiar-lhe o caminho de vocês e o das suas comunidades. Portanto, se deixem encontrar por Jesus Cristo, que os procura, e confiem a Ele o caminho pessoal de vocês e de grupo. Sentirão crescer no coração uma coragem nova, que não desvanece."

A vitória do amor sobre o mundo

Leão recorda ainda que Cristo não diz: “Vencereis o mundo”, mas diz: “Eu venci o mundo”, ou seja, "aquela realidade misteriosa, presente também no coração dos homens, que resiste a Deus e se opõe a Ele. Com a sua morte e ressurreição, Jesus – e somente Ele – venceu esta realidade sombria e reabriu à humanidade o caminho para Deus, para a felicidade, para a justiça e para a paz". O convite à coragem, reforça o Papa, nasce da fé em Jesus Cristo e “a favor” da vida, da verdade, da liberdade, da justiça; e não contra algo ou alguém. Um convite para ver o mundo com "o seu olhar e a tocá-lo com o seu amor que tudo cura". Um convite para vencer com o amor um mundo atual que é sem Deus: "queridos jovens, a verdadeira vitória não consiste em impor-se, mas em doar-se", como servo, como fez Cristo.

"Jesus não amou o mundo à distância. Entrou plenamente na nossa realidade, rebaixando-se até à cruz (Fl 2, 7-8). Conheceu a alegria e a amizade, mas também o cansaço, a rejeição, a solidão e o sofrimento, sem deixar que o seu coração se fechasse. Do mesmo modo, vocês vivem num mundo criado como bom, mas ferido; rico de possibilidades, mas marcado por injustiças, tensões e medos. Muitos desejam a paz, mas deparam-se com a violência; muitos desejam a comunhão, mas experimentam a solidão. No meio destas contradições, os cristãos são chamados a seguir Cristo na sua coragem mansa: a coragem de ser amorosos quando a dureza parece mais fácil e decisiva, a coragem de procurar a paz quando os embates parecem mais vantajosos, a coragem de salvaguardar a esperança quando o cinismo parece mais convincente."

A coragem da humildade

Com a Ressurreição de Cristo, reflete o Papa na mensagem aos jovens, também nasce a coragem cristã, aquela "coragem de receber. Poderíamos chamá-la: a coragem da humildade. Ser amigo de Jesus significa assemelhar-se cada vez mais a Ele também neste aspecto". O Evangelho apresenta o caminho do crescimento, de ter a coragem de aceitar a ajuda dos outros, "de reconhecer os próprios limites, parar, escutar e confiar a vida a Deus".

"Voltem às profundezas do coração de vocês: não se desorientem, porque é aí que Deus os espera. Deixem-se salvar por Ele, deixem que o seu amor – o Espírito Santo – molde a sua vida e que Jesus habite em vocês, nas suas decisões. Quando isto acontece, tudo se renova, mesmo nas situações do quotidiano: na fidelidade aos amigos, no respeito por quem pensa de forma diferente de vocês, na atenção a quem está sozinho, na proximidade aos mais fracos e também na forma como vocês se comportam no mundo digital. Tudo é transformado pelo amor. Para muitos, o amor é uma forma de fraqueza; Cristo, pelo contrário, mostra-nos que o amor é fonte de liberdade e fortaleza."

Abre o coração a Cristo

Na expectativa de encontrar jovens provenientes de diferentes nações, línguas e culturas unidos em Cristo em Seul, em 2027, o Papa recorda que a peregrinação até lá já começou. E a preparação vai muito além de fazer a mala para a Coreia, é preciso deixar-se transformar pelo amor de Jesus:

"Levem a Cristo as suas preocupações e as suas feridas, mas também as que dilaceram as suas sociedades e opõem os seus países. Levem-no esta criação que geme e sofre, o clamor da terra e dos pobres que o Papa Francisco nos ensinou a ouvir. Partilhem com Jesus as suas alegrias e esperanças. É nesta perspectiva que faço minhas as palavras com que São João Paulo II iniciou o seu pontificado: «Não tenham medo! Antes, procurem abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo!». Não esperem ser perfeitos para se abrirem a Ele, que vem ao seu encontro tal como vocês são. Abram a vida de vocês a Cristo. Abram as suas comunidades a Cristo. Abram os caminhos que os conduzem ao coração das pessoas que irão encontrar."

 Andressa Collet - Vatican News

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                                                               Fonte: vaticanews.va     Fotos: (@Vatican Media

Catequese com o padre Zezinho:

O mundo está indo para as ruas!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Quando alguns pregadores católicos tentaram criar um viés esquerdista para a teologia da libertação, em 1986 o Papa João Paulo II mandou uma carta aos bispos do Brasil corrigindo este viés, mas dizendo que a verdadeira teologia da libertação com raízes bíblicas era oportuna e necessária. (9.4.1986)

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Pena que seus mestres nunca lhes mostraram isto e provavelmente nunca mostrarão! Que pena! Não querem que seus seguidores saibam disso!

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Desde então, a teologia da libertação com viés bíblico, inspirada nos profetas e nos evangelhos e nas epístolas, ainda sofre agressão de alguns católicos que insistem de nos caluniar e de chamar-nos de “câncer da igreja” ou de “comunistas”.

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Quem fez e faz isso em geral optou pelo anticomunismo e pelo Pró capitalismo. Na verdade, também estão a serviço de uma ideologia porque a Igreja Católica já corrigiu os dois vieses!

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Desde então, existe o CIC publicado em (15/8/1997) e o DSI (publicado em (2/4/2004) e temos 46 encíclicas sociais a orientar os católicos que sinceramente desejam saber a verdade.

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Nesse Ínterim, pastores de todas as tendências políticas criaram igrejas orientadas para o capitalismo e apostando pesadamente no dízimo e na teologia da prosperidade.

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Os evangélicos sinceros também estão corrigindo este viés. As igrejas não querem nem o viés marxista nem o viés capitalista.

Querem aplicação dos evangelhos e das epístolas, vindas dos apóstolos.

Também estas se corrigiram e fizeram opção pelos pobres, sem marxismo e sem. capitalismo, mas baseadas na solidariedade e na caridade e também no ecumenismo. E tudo está na Bíblia.  Tg 1,27; GL 2,10

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Religião pura e sem mancha aos olhos de Deus Pai é esta: socorrer os órfãos e as viúvas em suas provações e não se deixar contaminar por este mundo. São Tiago 1, 27

Só nos recomendaram que nos lembrássemos dos pobres, justamente o que tenho procurado fazer com solicitude. Gálatas 2, 10

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Os pregadores radicais ou contra comunismo ou contra capitalismo terão que mudar o discurso. Terão que pregar o solidarismo que está em toda a Bíblia.

Bíblia só dá certo quando os pregadores pregam espiritualidade junto com a doutrina social.

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Os que vivem criticando os pregadores que ensinam o DSI, mais cedo ou mais tarde terão que mudar o discurso porque tanto o comunismo como o capitalismo estão falindo. As armas não defenderão suas ideologias por muito tempo. O povo quer mudanças justas!

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Vai crescer a pregação da justiça social, a do diálogo político religioso e a do ecumenismo. E ninguém vai deixar de ser católico por dialogar com outras regiões e outros partidos.

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Quem ainda não aprendeu vai ter de aprender, porque o mundo está mudando rapidamente com IA ou sem IA. O mundo está gritando por democracia!

Quem ainda não viu isso é porque ainda não abriu nem os ouvidos nem os olhos.

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Aquele altar e aquele púlpito não vão olhar só para o alto só para esquerda nem só para direita. Vai olhar para o povo de Deus que aceita falar de louvor, mas também quer ouvir falar de direitos humanos e divinos! Quer justiça e paz!

E nenhuma ditadura, nenhum partido, nenhuma igreja que ignora os clamores dos oprimidos vai vencer.

Podem gritar como possessos dos púlpitos e palanques, mas se aquele altar onde se partilha fraternidade e onde se vive a EU XARIS, a grande partilha forem ignorados, as ruas falarão.

Feliz da Igreja que entendeu isso e nunca confundiu CARIDADE com PROSPERIDADE.

São Bento, São Francisco e Santa Clara que o digam! Pz

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos
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Dia 3 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Missa na comunidade do Ribeirão Vermelho

19h - Terço das mulheres na matriz

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Dia 4 - Quarta-feira

18h45 - Missa em louvor a São José na matriz

19h30 - Palestra com psicólogos na matriz

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Dia 5 - Quinta-feira

7h - Missa na matriz

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Missa na comunidade da Bomba

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Dia 6 - 1ª Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa na matriz

19h - Missa na igreja da Soledade

19h - Missa na comunidade do Goiabal

19h - Missa na comunidade da Serra da Usina

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Dia 7 - Sábado

19h - Missa na matriz

19h - Missa na comunidade São Francisco

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Dia 8 - Domingo

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa da festa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Missa na igreja de Santo Antônio

18h - Missa na matriz

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Papa no Cemitério Monumental do Verano, em Roma:

rezemos pelos falecidos
e por quem hoje chora as dores da guerra

Na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, Leão XIV presidiu a Santa Missa no Cemitério Monumental do Verano, em Roma. Em sua homilia, o Pontífice recordou a esperança cristã diante da morte e rezou por aqueles que perderam uma pessoa querida, em particular pelas famílias atingidas pela violência das guerras.

Na tarde desta segunda-feira, 2 de novembro, o Papa Leão XIV se dirigiu ao Cemitério Monumental do Verano, em Roma, para celebrar a Santa Missa na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. Ao chegar, o Santo Padre deteve-se diante dos túmulos, recolheu-se em oração e ofereceu flores em memória daqueles que ali repousam.

Localizado na região central de Roma, o Verano é um dos cemitérios históricos e monumentais mais importantes da capital italiana. Com cerca de 83 hectares, reúne monumentos, esculturas, capelas e sepulturas que testemunham mais de dois séculos da história da Cidade Eterna. É o segundo ano consecutivo que Leão XIV escolhe o local para a celebração de 2 de novembro. Em 2025, no primeiro Dia de Finados de seu pontificado, o Papa também presidiu ali a Eucaristia.

Um lugar de “afeto e de esperança”

Ao iniciar a homilia, Leão XIV voltou o olhar para o significado da celebração realizada em meio às sepulturas:

“Reunimo-nos para celebrar a Eucaristia neste lugar de oração e de memória, de afeto e de esperança. Nós a oferecemos em sufrágio dos fiéis defuntos, em particular daqueles que aqui repousam e daqueles que cada um de nós traz no coração.”

O Papa recordou ainda que a Comemoração dos Fiéis Defuntos, celebrada no dia seguinte à Solenidade de Todos os Santos, orienta a oração para a esperança na vida eterna. À luz do Livro da Sabedoria, ressaltou a confiança nas mãos de Deus, capazes de guardar as almas dos justos, sobre as quais “nenhum tormento” terá poder.

As Bem-aventuranças diante da morte

A reflexão prosseguiu a partir do Evangelho das Bem-aventuranças. No cemitério, destacou o Pontífice, as palavras de Jesus ressoam com uma força espiritual particular: “As Bem-aventuranças são o caminho da vida plena e realizada, já agora e por toda a eternidade. Quando as ouvimos proclamadas na Liturgia — nós o sabemos —, é o Senhor Ressuscitado que nos fala. E este anúncio de salvação, que são as Bem-aventuranças, ressoa com particular força espiritual em um cemitério, que é como um limiar entre o aquém e o além, entre a existência terrena e aquilo que nos espera. Jesus Ressuscitado nos diz: bem-aventurados aqueles que vivem segundo este caminho, porque deles é o Reino dos Céus.”

As lágrimas das vítimas das guerras

Ao comentar a Bem-aventurança “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”, Leão XIV dirigiu seu pensamento às consequências da violência dos conflitos:

“Neste momento, queremos rezar por aqueles que perderam recentemente uma pessoa querida; em particular, por aqueles dos quais a absurda violência da guerra arrancou um ente querido. Que as lágrimas de tantas mães, de tantas crianças, de tantos idosos toquem a consciência daqueles que têm o poder de fazer calar as armas!”

São Francisco e a “irmã morte”

No oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis, o Papa evocou também as palavras acrescentadas pelo Santo de Assis ao Cântico das Criaturas quando percebeu que se aproximava o fim de sua vida: “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, / da qual nenhum homem vivente pode escapar. / Ai daqueles que morrerem em pecado mortal! / Bem-aventurados aqueles que ela encontrar em tua santíssima vontade, / pois a segunda morte não lhes fará mal.”

“Nosso vínculo não foi interrompido, mas transformado”

Na parte final da homilia, o Santo Padre voltou à esperança que nasce da fé em Cristo e à comunhão que encontra na Eucaristia a sua antecipação: 

“Queridos irmãos e irmãs, a fé em Cristo nos diz que o nosso vínculo com os fiéis defuntos não foi interrompido, mas transformado. Com a oração de sufrágio, acompanhamos os nossos entes queridos rumo à plena comunhão com o Senhor, aquela comunhão que, verdadeiramente, já experimentamos antecipadamente aqui, no Sacramento da Eucaristia.”

Leão XIV convidou, assim, os fiéis a prosseguir o caminho terreno com uma fé “repleta de esperança”, à espera do dia em que Deus “enxugará toda lágrima” e “não haverá mais morte, nem luto, nem clamor, nem dor”.

Ao final da celebração, o Santo Padre aspergiu e abençoou os túmulos. Em seguida, elevou a oração pelos falecidos: “Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso. Entre os esplendores da luz perpétua. Descansem em paz. Amém.”

Thulio Fonseca - Vatican News

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                                                  Fonte: vaticanews.va     Vídeo e fotos: (@Vatican Media

Finados:

quando a saudade se encontra com a esperança 

Dom Leomar Brustolin - Arcebispo de Santa Maria (RS)

O Dia de Finados nos coloca diante de uma experiência que nenhuma geração conseguiu evitar: a despedida daqueles que amamos. Um dia, alguém que fazia parte de nossa vida deixa de estar fisicamente conosco. Permanecem a fotografia, os objetos, as histórias, talvez uma cadeira vazia. E permanece sobretudo a saudade. Por isso, Finados não é simplesmente um dia dedicado aos mortos. É um dia em que os vivos são convidados a redescobrir o significado do amor, a acolher a dor da ausência e a renovar a esperança que nasce da fé. 

A Igreja não nos pede que escondamos a tristeza. Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro. Suas lágrimas revelam algo profundamente cristão: a fé na ressurreição não torna o coração insensível. Choramos justamente porque amamos. As lágrimas podem dizer aquilo que as palavras já não conseguem expressar. O próprio Filho de Deus conheceu a dor da separação e santificou, com suas lágrimas, o sofrimento humano. A fé não elimina o sofrimento provocado pela separação; oferece-lhe um horizonte. 

Há, entretanto, uma diferença decisiva entre recordar e simplesmente olhar para trás. Para o cristão, visitar um cemitério não significa procurar quem amamos entre os mortos. O corpo ali depositado merece todo respeito, porque participou de uma história, amou, trabalhou, sofreu, abraçou e foi templo do Espírito Santo. Mas a pessoa não está reduzida à sepultura. A esperança cristã proclama que a morte não destrói a identidade de quem partiu e que Deus chama a pessoa inteira à plenitude da ressurreição.  

É por isso que Finados é também dia de oração. Levamos flores, acendemos velas, cuidamos dos túmulos, recordamos nomes. Tudo isso possui beleza quando expressa amor. O gesto especificamente cristão, contudo, vai além: rezamos pelos falecidos. Não tentamos estabelecer com eles uma comunicação misteriosa nem buscamos sinais de sua presença. Nós os confiamos a Deus, suplicando que, em sua infinita misericórdia, os acolha na plenitude da vida eterna. A comunhão permanece, mas acontece em Cristo. Entre nós e aqueles que partiram não existe um vazio: existe o Deus dos vivos.  

A Eucaristia, por isso, ocupa um lugar singular neste dia. Santa Mônica, aproximando-se da morte, não pediu aos filhos grandes homenagens. Pediu algo muito mais simples e profundo: que se lembrassem dela junto ao altar do Senhor. Celebrar pelos falecidos significa colocá-los dentro da Páscoa de Cristo. Ali não oferecemos apenas nossa saudade; proclamamos que aquele que morreu e ressuscitou abriu uma passagem onde parecia existir somente um muro. 

Finados contém ainda uma pergunta dirigida aos vivos. Caminhar entre túmulos é encontrar silenciosamente muitas histórias concluídas. Pessoas que fizeram projetos, acumularam bens, tiveram preocupações, vitórias, conflitos e sonhos. Um dia, tudo aquilo ficou para trás. O cemitério relativiza muitas urgências que consideramos absolutas. Recorda-nos que a vida é preciosa justamente porque é limitada. Lembrar que morreremos pode nos ensinar a viver melhor, cultivar o essencial e reconhecer que cada dia é uma oportunidade de amar e servir. 

A fé cristã acrescenta algo ainda maior: nossa existência não caminha para o desaparecimento. São Paulo escreveu a uma comunidade que chorava seus mortos para que seus membros não permanecessem tristes “como os outros que não têm esperança” (1Ts 4,13). Ele não disse que os cristãos não ficam tristes. Disse que existe uma tristeza diferente: uma tristeza visitada pela esperança. A esperança cristã não é um consolo imaginário diante do inevitável, mas a confiança fundada na ressurreição de Jesus Cristo. Nele, a morte deixou de ser um destino sem retorno e tornou-se passagem para a vida que não conhece ocaso. 

No dia 02 de novembro, passado, presente e eternidade se aproximam. Agradecemos pelas vidas que fizeram parte da nossa; rezamos por aqueles que partiram; reconciliamo-nos com nossa própria finitude e renovamos a esperança no encontro definitivo com Deus. Ao deixar o cemitério, portanto, deveríamos sair um pouco diferentes de quando entramos. Mais conscientes de que o tempo é breve, mais dispostos a perdoar, menos preocupados com coisas pequenas, mais atentos às pessoas que ainda podemos abraçar.  

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                                                                                                                     Fonte: cnbb.org.br

domingo, 1 de novembro de 2026

Papa no dia de Todos os Santos:

vocação nos interpela por escolhas de amor

A festa deste domingo (01/11) vem com um convite "cheio de esperança" de Leão XIV para se percorrer o caminho da santidade, sem cansar "de construir a paz, tanto nas situações mais importantes como nas da vida quotidiana". Afinal, "a santidade não é um privilégio para poucos, mas é uma vocação universal que interpela cada um de nós ali onde vivemos". Inspirados pela "multidão bem-aventurada" dos santos, espalhar o bem pelo mundo, com "gestos e escolhas de amor" e não "cálculos da ganância".

O Papa Leão XIV neste domingo (01/11), de Solenidade de Todos os Santos, cinco dias antes de partir para a viagem apostólica à América Latina, convida a "saborear a alegria daquela família incontável de homens e mulheres que, seguindo o Senhor Jesus, fizeram da sua vida uma oferta a Deus e ao próximo". Uma "multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" e que, nos diferentes percursos de santificação, desejaram um "amor infinito", recorda o Pontífice:

"Celebramos hoje todos os santos: aqueles já reconhecidos pela Igreja e também muitos que não o foram, mas que Deus conhece. Como nos recorda o Evangelho de hoje (Mt 5, 1-12), trata-se de pobres de espírito, mas ricos no amor de Deus. Têm rostos marcados pelas lágrimas, mas consolados na oração. São mansos perante a violência e recompensados pelo Pai. Famintos de justiça e saciados no íntimo da consciência. Dispostos ao perdão e abraçados pela misericórdia. Desarmados no coração, mas guardados por Deus. Construtores da paz, chamados por Ele pelo nome. Perseguidos e ofendidos, mas fortes na fé e na caridade."

A "multidão bem-aventurada" dos santos que escolhe o amor

As Bem-aventuranças do Sermão da Montanha são o caminho e a mensagem de Jesus, que São Mateus apresenta como um ensinamento do mestre. São "o bem que todos os santos espalharam à sua volta pelo mundo", de uma multidão impossível de contar porque, "na realidade, a santidade não se reduz a nenhum cálculo": os santos são "o sinal mais belo e forte do Reino de Deus". Com a graça de Deus, continua Leão XIV, essa "multidão bem-aventurada" das "mais diversas origens, culturas e situações de vida" gerou "gestos e escolhas de amor, que ultrapassam os cálculos da ganância e a prepotência do mal que, por vezes, parece prevalecer". 

Antes de rezar a oração mariana do Angelus com os fiéis presentes na Praça São Pedro, o Papa pede a intercessão de Nossa Senhora, "bem-aventurada por ter acreditado na palavra do Senhor", que "acompanhe os nossos passos no caminho da santidade, para que não nos cansemos de construir a paz, tanto nas situações mais importantes como nas da vida quotidiana". Afinal, conclui o Pontífice:

“A santidade não é um privilégio para poucos, mas é uma vocação universal que interpela cada um de nós ali onde vivemos. Esta é a mensagem cheia de esperança da festa de hoje: Deus vê o bem que nós não vemos, conhece histórias que nós não conhecemos, alcança corações aos quais não temos acesso.”

Andressa Collet - Vatican News

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Assista:

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Convite a ser considerado por todos nós:

Santificar o cotidiano

Dom Márcio Antonio Vidal de Negreiros, OSA - Bispo auxiliar de São Paulo

Em um tempo marcado pela pressa, pelo individualismo e pela superficialidade das relações humanas, a santidade cristã manifesta-se como testemunho de uma humanidade reconciliada. O Papa Francisco, na exortação apostólica Gaudete et Exsultate, recorda que a santidade não pertence apenas aos altares ou às grandes figuras da história, mas também aos “santos ao pé da porta”: homens e mulheres simples que vivem o Evangelho na fidelidade diária, no cuidado com os outros e na perseverança silenciosa do amor.

No contexto atual, a santidade revela-se menos pelo extraordinário e mais pela capacidade de ser e de permanecer humano, misericordioso e fiel em meio às fragilidades e contradições do mundo contemporâneo.

Santificar o cotidiano talvez seja uma das intuições mais belas e transformadoras da espiritualidade cristã. A fé católica, iluminada pelo mistério da Encarnação, recorda que Deus não se manifesta apenas em acontecimentos extraordinários, mas também na simplicidade dos dias comuns. O Concílio Vaticano II afirma que Cristo “trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana” (Gaudium et Spes, 22).

Isso significa que o cotidiano não é um espaço neutro ou sem valor espiritual, mas o lugar concreto em que Deus se deixa encontrar e o ser humano é chamado a responder, com amor e fidelidade, à sua presença.

A partir dessa certeza, a Igreja proclama a vocação universal à santidade. A constituição dogmática Lumen gentium, especialmente em seu capítulo V, ensina que todos os fiéis, independentemente de sua condição ou estado de vida, são chamados à perfeição da caridade. Essa santidade não se expressa apenas em gestos heroicos, mas também na fidelidade às pequenas tarefas, na paciência diante das contrariedades, na honestidade do trabalho e na caridade silenciosa. O ordinário torna-se caminho de transformação interior quando vivido em comunhão com Cristo.

Santo Agostinho, mestre da interioridade cristã, ilumina essa perspectiva com a afirmação:

“Ama e faze o que quiseres.”

Santo Agostinho — Comentário à Primeira Carta de São João, Tratado VII, 8.

Longe de qualquer permissividade, essa frase aponta para o essencial da vida cristã: quando o amor de Deus orienta o coração, até os gestos mais simples tornam-se expressão concreta de santidade. Para Agostinho, é justamente no cotidiano que o amor se prova, amadurece e se purifica.

Após celebrarmos o Tempo Pascal, culminado na Solenidade de Pentecostes, a liturgia da Igreja nos conduz novamente ao Tempo Comum, período que aprofunda a espiritualidade do cotidiano iluminado pelo Evangelho. Mais do que um intervalo entre grandes solenidades, este tempo nos convida a contemplar a vida pública de Jesus, marcada por gestos profundamente humanos: caminhar com o povo, ensinar, escutar, curar, acolher e partilhar a mesa.

O Tempo Comum educa o coração para reconhecer que a graça de Deus age de modo contínuo, discreto e fecundo na rotina de cada dia. A santidade não nasce apenas de experiências extraordinárias, mas da fidelidade humilde e perseverante que permite ao Evangelho transformar a vida ordinária em caminho de comunhão com Deus.

Nesse horizonte, o trabalho humano adquire profundo significado espiritual. Quando realizado com justiça, responsabilidade, competência e espírito de serviço, torna-se expressão concreta da presença de Deus no mundo e verdadeira oração encarnada. Também a vida familiar, comunitária e social constitui espaço privilegiado de santificação, no qual o amor se traduz em cuidado, diálogo, perdão e entrega cotidiana.

Santificar o cotidiano significa, portanto, permitir que o fermento do Evangelho transforme não apenas o coração humano, mas também as relações sociais, a cultura e as estruturas da sociedade. Assim, a vida inteira — pessoal e comunitária — torna-se espaço em que a graça pode florescer e o mundo é lentamente renovado a partir de dentro.

“Sede santos, porque vosso Pai celeste é santo.”

Cf. Mateus 5,48.

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Dom Márcio Antonio Vidal de Negreiros, OSA - Bispo auxiliar de São Paulo

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