Maria e os
apóstolos ficaram em oração esperando o Santo Espírito, promessa de Cristo para
todos nós
Escrito
por Alberto Andrade - Editado por Beatriz Nery
“Eu rogarei ao
Pai, e ele vos dará um outro Paráclito para ficar sempre convosco. É o Espírito
da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece. Mas
vós o conheceis, porque ele mora convosco e estará em vós” (Jo
14,16-17)
No domingo
seguinte à Ascensão do Senhor, a Igreja festeja a Solenidade de Pentecostes, a
descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, que estavam reunidos no
mesmo lugar, em Jerusalém, como um vento impetuoso, que encheu toda a casa e
onde apareceram como que línguas de fogo que pousavam sobre cada um deles
e ficaram repletos deste Paráclito e Defensor.
Pentecostes é a
festa da unidade na diversidade, é a festa da luz diante das trevas do
pecado e da morte. É a festa do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo,
caminho, verdade e vida. Listamos aqui os fatos que aconteceram neste
intervalo, do que os apóstolos fizeram entre a Ascensão de Jesus e o
Pentecostes.
Dedicação total
à oração
Quando o Senhor
elevou-se ao Céu, os discípulos e Nossa Senhora deixaram o Monte das
Oliveiras, voltaram a Jerusalém e se reuniram no Cenáculo para orar, local
onde Cristo realizou a Última Ceia, às vésperas de sua crucificação.
“Eram Pedro e
João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho
de Alfeu, e Simão, o Zelota; e Judas, filho de Tiago. Todos estes,
unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as
quais Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele”. (At 1, 12-14)
Matias no lugar de Judas
Além de
continuarem nas orações, as atividades dos seguidores de Cristo
continuaram, como é relatado nos Atos dos Apóstolos, quando Matias é
eleito para substituir Judas Iscariotes, após trair Jesus por algumas moedas.
Sua eleição foi
feita por um sorteio, após a Ascensão do Senhor, pela proposta de Pedro,
que em poucas palavras fixou três requisitos para o ministério
apostólico: pertencer ao grupo de Jesus desde o começo, ser chamado e
enviado.
“Tu,
Senhor, que conheces o coração de todos, mostra-nos qual destes dois
escolheste para ocupar o lugar que Judas abandonou, no ministério do
apostolado, para dirigir-se ao lugar que era o seu. Lançaram sortes sobre
eles, e a sorte veio a cair em Matias, que foi então contado entre os doze
apóstolos”. (At 1, 24-26)
A preparação da
festa judaica de Pentecostes
Os discípulos e
Nossa Senhora também fizeram os preparativos necessários para
o pentekosté, nome grego para o festival conhecido como Festa
das Semanas ou Festa da Colheita, quando o povo oferecia a Deus os primeiros
frutos que a terra tinha produzido. Mais tarde, tornou-se também a festa
da renovação da Aliança do Sinai.
Trata-se,
juntamente com o Pessach (Páscoa Judaica) e o Sucot (Festa
das Tendas), de uma das três festas de peregrinação de Israel, durante as
quais cada homem adulto era obrigado a estar presente em Jerusalém (Ex
23, 14-17).
Isso ajuda a explicar por que estavam todos presentes na cidade e também
nos dá uma ideia do que podem ter feito durante aquele período.
A partir desse
momento, da efusão do Santo Espírito, nasce a Igreja Missionária, que
conta com os discípulos para anunciar o Reino de Deus. Jesus deu o
exemplo, pregou a Boa Nova, se entregou à morte na cruz e, a partir da sua
Ressurreição, deu a missão de evangelizar aos discípulos. Mas não os
deixou jogados à própria sorte, pois enviou o Espírito Santo.
Este é o dom
dado por Deus para que possamos guardar e compreender as palavras de
Jesus. Através desse espírito, os discípulos compreenderam a linguagem do
amor. É esse amor, anunciado por Cristo em todos os seus atos, até se
entregar à morte na cruz, que deve ser o sinal do cristão.
Leão XIV
responde a um estudante calabrês na revista "Piazza San Pietro" que
sente "tanta inquietação e confusão, que afeta principalmente as relações
e os laços" construídos "ao longo do tempo". O Pontífice
tranquiliza: "O Senhor não decepciona os desejos que Ele mesmo acendeu no
coração".
Papa Leão XIV durante o encontro com os jovens da Diocese de Roma (foto de arquivo) (ANSA)
"Não se
apresse em compreender tudo de uma vez. O tempo é um mestre paciente e cura as
feridas. A oração diária, mesmo que simples e breve, a escuta da Palavra de
Deus, a celebração dos sacramentos e o convívio com pessoas sábias ajudarão
você a reconhecer quais relações valorizar e fazer crescer, e quais cultivar
sem julgamento." Este foi o conselho de Leão XIV a Pietro, um jovem
estudante de Reggio Calabria. Numa carta publicada na revista Piazza San
Pietro, da Basílica Vaticana, dirigida pelo franciscano conventual Enzo
Fortunato, ele confidenciou ao Pontífice que sentia "muita inquietação e
confusão interior", especialmente no que diz respeito às relações e aos
laços construídos ao longo do tempo.
"Você é
amado por Jesus"
"Tenho
medo", escreve Pietro na edição de maio, "de perder todas as amizades
que conquistei nesta fase da minha vida, não só na escola, mas também na
paróquia e no meu dia a dia." O Papa tranquiliza o jovem, lembrando-o:
"Você é amado por Jesus. Não de forma abstrata, mas pessoalmente,
exatamente como você é hoje, com suas perguntas e seus sonhos, seus medos e
seus desejos. Esse amor o precede e sempre o acompanhará; não depende das
escolhas que você irá fazer ou dos caminhos que você percorrerá",
acrescenta o Bispo de Roma, recordando que "Jesus conhece bem a
experiência da amizade. Ele chamou seus discípulos de amigos, compartilhou o
pão e a caminhada com eles, foi amigo de Lázaro, Marta e Maria. Ele viveu laços
verdadeiros e autênticos, até mesmo ao ponto de viver a luta da separação e da
traição."
Por isso,
continua o Papa, “Jesus seria o primeiro a compreender o seu medo de perder as
amizades que marcaram estes anos. Para você, nem tudo permanecerá igual, mas o
que foi autêntico não se perde; aliás, o verdadeiro amor não se dissolve e
permanece para sempre, amadurecendo mesmo quando muda de forma”. Na carta,
Pietro confidencia que sonha “em caminhar com alguém na estrada” do amor de
Cristo, mas — continua ele — “as minhas certezas relacionais estão vacilando;
temo não conseguir sequer discernir quais são os laços autênticos que valem a
pena preservar e nutrir e quais são os menos sinceros dos quais posso
prescindir. Santo Padre”, conclui a carta, “por tudo isto e pelo meu futuro
imediato, peço-lhe que interceda por mim, para que eu possa compreender como
conviver com este sentimento de inquietação e nostalgia que me acompanha e ser
capaz de seguir serenamente o meu caminho, fazendo sempre a vontade de Deus”.
A família: um
dom precioso para a Igreja
Em sua resposta,
o Papa tranquiliza o jovem, destacando como seu sonho "de uma família
fundada no amor de Cristo" é também um dom precioso para a Igreja;
proteja-o com confiança. O Senhor não decepciona os desejos que Ele mesmo
acendeu no coração. Asseguro-lhe minhas orações. Peço para você a graça da paz
interior, da confiança e de uma visão clara de sua vida. Confio-o a
Maria", conclui Leão XIV, "que, ainda jovem, aprendeu a confiar,
apesar de guardar no coração perguntas maiores do que Ela."
a primeira encíclica de Leão XIV. Publicação em 25 de maio
O documento
sobre o tema "da salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência
artificial" foi assinado pelo Papa em 15 de maio, aniversário da encíclica
Rerum Novarum de Leão XIII. A apresentação ocorrerá na próxima segunda-feira,
no Salão Novo do Sínodo, na presença do Papa.
"Magnifica
humanitas". Este é o título da primeira encíclica de Leão XIV, "sobre
a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial". O
documento será publicado em 25 de maio e leva a assinatura do Papa com a data
de 15 de maio, no 135º aniversário da promulgação da encíclica Rerum
Novarum, do Papa Leão XIII.
A apresentação
de "Magnifica humanitas" ocorrerá no mesmo dia de sua publicação, 25
de maio, às 11h30, no Salão Sinodal, com a presença do próprio Leão XIV.
Os oradores
serão os cardeais Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a
Doutrina da Fé, e Michael Czerny, S.J., prefeito do Dicastério para o Serviço
do Desenvolvimento Humano Integral. Na sequência, a professora Anna Rowlands,
teóloga e professora da Durham University, no Reino Unido; Christopher
Olah, cofundador da Anthropic (EUA) e responsável pela pesquisa sobre a
interpretabilidade da inteligência artificial; a professora Leocadie Lushombo
i.t., docente de teologia política e pensamento social católico na Jesuit
School of Theology de Santa Clara, Califórnia.
A conclusão da
apresentação estará a cargo do cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin. Em
seguida, haverá um discurso e uma bênção do Papa Leão XIV.
Dom Anuar Battisti - Arcebispo Emérito de Maringá (PR)
Meus caros irmãos e irmãs em Cristo. Ao celebrarmos o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, meu coração se enche de uma serena e profunda alegria. Já se passaram seis décadas desde que a Igreja, inspirada pelos ventos renovadores do Concílio Ecumênico Vaticano II, instituiu este dia para que pudéssemos refletir sobre o dom maravilhoso que é a capacidade humana de nos conectarmos, de partilharmos a vida e, sobretudo, de anunciarmos a Boa Nova. É um marco histórico que nos convida a olhar para trás com gratidão, mas também a olhar para o futuro com uma esperança renovada.
Hoje, mais do que em qualquer outra época da história da humanidade, vivemos imersos em um vasto oceano de informações. A tecnologia encurtou as distâncias de uma maneira que nossos antepassados mal poderiam sonhar. Podemos falar com quem está do outro lado do mundo em frações de segundo. No entanto, o Santo Padre tem nos lembrado com profunda sabedoria, em sua mensagem para esta ocasião, que a verdadeira comunicação vai muito além da mera troca de dados virtuais. A comunicação autêntica não nasce nos teclados ou nas telas brilhantes; ela nasce e ganha vida no coração.
Muitas vezes, em nosso cotidiano apressado, corremos o risco de nos tornarmos indivíduos incrivelmente “conectados”, porém profundamente isolados em nossas próprias ilhas. A tela do celular pode ser uma maravilhosa janela para o mundo, mas corremos o perigo de transformá-la em um espelho, onde buscamos enxergar apenas as nossas próprias opiniões e certezas. O convite da Igreja para este 60º Dia Mundial é, portanto, um chamado à comunhão verdadeira. Como cristãos, somos convidados a desarmar nossas palavras, a buscar a conciliação e a construir pontes exatamente onde o mundo, infelizmente, ainda insiste em erguer muros.
A primeira e mais importante escola da comunicação é, sem dúvida, a nossa casa, a nossa família. É no convívio diário, no sentar-se à mesa, no olhar para os pais, para os filhos e para os avós, que aprendemos a conjugar o verbo amar. É ali que aprendemos a pedir licença, a pedir perdão e a dizer “muito obrigado”. Quando a comunicação familiar é permeada pelo respeito e pela ternura, ela transborda para a sociedade e a transforma de dentro para fora.
Comunicar, na perspectiva do Evangelho, é acima de tudo um ato de amor. Quando abrimos a boca para falar, ou quando digitamos uma mensagem para enviar, devemos fazer a nós mesmos três breves perguntas: Isso edifica? Isso traz paz? Isso reflete a luz e a misericórdia de Cristo? Em um tempo em que o ruído excessivo muitas vezes sufoca a verdade, a nossa voz precisa ser um instrumento de pacificação. Não precisamos de mais confrontos ou de palavras que ferem; a humanidade anseia desesperadamente pelo bálsamo da compreensão mútua.
O documento pontifício para este ano nos convida a resgatar a beleza da “escuta com o coração”. É um desafio exigente, porém belíssimo! Escutar não é apenas ficar em silêncio enquanto o outro fala, esperando ansiosamente a nossa vez de responder e argumentar. A verdadeira escuta exige um esvaziar-se de si mesmo para acolher com reverência o mistério e a dor do outro. Foi exatamente assim que Jesus caminhou entre nós. Ele escutava os marginalizados, os entristecidos, os aflitos. E, ao escutar com amor, Ele curava. Nós também podemos ser pequenos instrumentos dessa mesma cura através de uma escuta atenta e de palavras temperadas com a doçura do Espírito Santo.
Que Nossa Senhora, a Virgem do Silêncio e da Palavra Encarnada, nos ensine a guardar em nossos corações aquilo que é bom e a proclamar com a nossa própria vida a alegria perene do Evangelho. Que cada família, e cada pessoa que lê estas singelas linhas, sinta-se chamada por Deus a ser um comunicador da esperança. O mundo ao seu redor precisa da sua palavra amiga, do seu sorriso acolhedor e do seu testemunho sereno de fé.
A despedida de
Jesus no monte da Galileia e depois nas proximidades de Jerusalém é a lembrança
de um evento que mais tarde revelará tudo. Pertencente àquela ordem misteriosa
das ausências fecundas, em que alguém se retira para que sua presença, deixando
de ser vista de fora, comece a trabalhar por dentro.
Os onze subiram
ao monte que lhes fora indicado. Já não eram os mesmos homens que haviam fugido
e fechado as portas, mas traziam aquele cansaço que sucede às grandes
transformações do coração. Tinham visto a morte em toda a sua brutalidade e
ouvido o silêncio da tarde cair sobre o Calvário. Tinham conhecido o sábado sem
explicação, a lentidão das horas dormentes, a impressão de que todas as
promessas haviam sido sepultadas junto com o corpo amado. E, no entanto, Ele
estava ali.
“Quando o viram,
prostraram-se; mas alguns duvidaram”. Como é humana, e por isso mesmo tão
verdadeira, esta frase. A adoração e a dúvida ajoelhadas no mesmo chão é o
retrato da fé e a hesitação convivendo no mesmo espaço. O coração querendo
acreditar e a inteligência fadigando ante a última névoa da dor. Dificuldade de
acreditar que a morte, tão exata em sua violência, tivesse sido desmentida.
E então Ele diz:
“Toda autoridade me foi dada no céu e sobre a terra, portanto, ide.” Uma
despedida que começa com um envio.
Quem ama e se
despede costuma querer reter os seus e multiplicar recomendações, como se as
palavras pudessem atrasar a ausência. Jesus, porém, despede-se abrindo o mundo
para que os seus não fiquem fechados em suas lembranças, mas sejam lançados na
estrada da missão para ser e fazer discípulos.
A despedida não
é mais para consolar, mas para entregar uma tarefa. Mesmo sem compreender os
discípulos são enviados. Isso os impedirá, mais tarde, de anunciar o Evangelho
com arrogância, pois pesava em suas memórias o fato de que eles mesmos haviam
sido alcançados na dispersão.
A melancolia
daquela hora não estava em perder Jesus, pois Ele mesmo prometia permanecer. A
melancolia vinha da consciência de que o modo antigo de o ter chegava ao fim.
Já não poderiam retê-lo como antes, à beira do lago ou nas noites de pergunta e
espanto. A intimidade afetuosa dos dias da Galileia entrava agora numa forma
mais alta e mais exigente. Teriam de aprender a presença do ausente e a
reconhecer o Mestre nos sinais, na Palavra, no pão, nos pobres, na assembleia,
no Espírito que sopra onde quer.
Retirar uma
forma de presença para inaugurar outra é uma das passagens delicadas da fé.
Nós, que somos feitos de lembranças, sofremos quando a graça muda sua feição.
Queremos o mesmo caminho, o mesmo modo, a mesma doçura antiga. Mas o Senhor nos
educa e tira-nos da dependência sensível para nos introduzir numa fidelidade
mais profunda e alargada.
Ele parte, mas
permanece. Sobe, mas acompanha. Retira-se dos olhos, mas não da história. A
esperança nasce dessa tensão. O Ressuscitado, antes de partir, quis
acostumar-nos à nova gramática da sua presença. Não basta recordar, é preciso
esperar e receber o Espírito Santo.
Há na Ascensão
uma beleza quase dolorosa. Os discípulos permanecem olhando para o alto, como
quem tenta conservar, no último contorno visível, a presença que se afasta.
Tentativa falida de reter a imagem, fixá-la na memória, impedir que o tempo a
desfizesse. Um desses instantes em que o olhar se torna avarento como se a
memória pudesse defender-se contra a perda recolhendo minúcias. Por isso
continuavam olhando.
Então aparecem
dois homens vestidos de branco e impede que a saudade se transforme em
melancolia. Os discípulos foram impedidos de permanecer prisioneiros do último
lugar onde viram o Senhor. O céu para onde Ele subiu não os dispensa da terra
para onde são enviados.
A esperança
fica, então, estendida entre duas vindas. A primeira, humilde e pascal; a
última, gloriosa e definitiva. Entre elas, vive a Igreja. Vive de memória e
promessa, de saudade e missão. Ela sabe que o Esposo partiu, mas não a
abandonou.
A despedida
final de Jesus foi a passagem do Evangelho para a vida da Igreja. Enquanto os
discípulos o viam subir, começava uma nova forma de existência – Cristo estaria
no anúncio dos apóstolos, na água do batismo e na travessia de todos os que,
mesmo sem tê-lo visto, continuariam amando-o.
O monte da
Galileia e o monte da Ascensão formam, assim, uma única narrativa. Na Galileia,
Jesus prometeu que estaria conosco até o fim dos tempos; em Jerusalém, anunciou
que receberíamos o Espírito. As duas cenas se completam como duas faces de uma
mesma despedida. E nós, seus discípulos, que tínhamos ficado olhando para o
alto, descemos de novo para o chão duro da vida, pois a esperança católica não
se sustenta apenas olhando para o céu, mas caminhando na terra com a certeza de
que o céu já foi aberto.
A melancolia
daquela hora era a penumbra entre a última visão e a primeira missão, entre o
rosto que se retirava e o Espírito que viria, entre a saudade dos olhos e a
confiança do coração.
Dom Lindomar Rocha Mota - Bispo de São Luís de Montes Belos (GO)
se dá com a prática do justo e amável no dia a
dia
Na Solenidade da
Ascensão do Senhor, celebrado em muitos países neste domingo (17/05), como no
Brasil, o Papa recordou que conseguimos fazer "um percurso de
ascensão", aprendendo "a subir para o Céu", através dos exemplos
de Jesus, de Nossa Senhora e dos santos, e ao compartilhar o dia a dia com a
família e amigos que se esforçam em viver segundo o Evangelho: "aqueles
que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa
Francisco gostava de dizer – «da porta ao lado»".
O Papa Leão XIV
recordou logo no início da alocução que precedeu a oração mariana do Regina
Caeli, neste domingo (17/05), numa Praça São Pedro com cerca de 20 mil pessoas,
que "hoje, em muitos países do mundo, celebra-se a Solenidade da Ascensão
do Senhor", como acontece no Brasil, por exemplo. Um mistério que
marca a gloriosa partida de Jesus, quando sobe aos céus e senta-se à direita de
Deus Pai, para servir como mediador, intercedendo por nós. A Igreja
celebra essa solenidade 40 dias após a ressurreição de Cristo e o tempo em
que conviveu e instruiu os discípulos, antecipando Pentecostes na próxima
semana. Com a vinda do Espírito Santo, todos somos convidados e enviados pelo
Senhor a anunciar o Evangelho para todos.
A imagem de
Jesus que sobe ao Céu, da Ascensão do Senhor, disse o Pontífice, "poderia
nos levar a perceber este Mistério como um acontecimento distante. Contudo, não
é assim"; não é "promessa distante", mas "vínculo
vivo". Estamos unidos a Jesus e a sua "ascensão ao Céu atrai também
nós" e "para a plena comunhão com o Pai", explicou o Papa,
"aproximando cada vez mais a nossa maneira de pensar, de sentir e de agir
à medida do coração de Deus":
"Toda a
vida de Cristo é um movimento de ascensão, que abraça e envolve, através da sua
humanidade, o inteiro cenário do mundo, elevando e resgatando o homem da sua
condição de pecado, levando luz, perdão e esperança onde havia trevas,
injustiça e desespero, para chegar à vitória definitiva da Páscoa, na qual o
Filho de Deus «morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a
vida»."
Como acontece o
"percurso de ascensão"
Leão XIV
recordou, então, São Paulo, que diz que "«tudo o que é verdadeiro […],
justo, […] amável» e pondo em prática, com a ajuda de Deus", nos ajuda a
transcorrer um "percurso de ascensão", "que nos atrai
constantemente para o Alto, para o Pai", difundindo no mundo frutos
preciosos de comunhão e de paz. Um caminho feito em comunhão com quem está
próximo:
"Encontramos
o caminho em Jesus, na dádiva da sua vida, nos seus exemplos e nos seus
ensinamentos, assim como o vemos traçado na Virgem Maria e nos santos: aqueles
que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa
Francisco gostava de dizer – «da porta ao lado», com quem partilhamos o nosso
dia a dia, pais, mães, avós, pessoas de todas as idades e condições, que com
alegria e empenho se esforçam sinceramente por viver segundo o Evangelho.
“Com eles, com o
seu apoio e graças à sua oração, também nós podemos aprender a subir, dia após
dia, para o Céu, fazendo objeto dos nossos pensamentos.”
Ao final da
oração mariana do Regina Caeli, Leão XIV recordou que neste 17 de maio se
celebra o 60° Dia Mundial das Comunicações Sociais em vários países, como no
próprio Brasil, com celebrações de ação de graças. Nesta época da Inteligência
Artificial, disse o Papa, "encorajo todos a se empenharem em promover
formas de comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual
orientar toda inovação tecnológica".
"Hoje se
celebra, em diversos países, o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este
ano quis dedicar ao tema 'Preservar vozes e rostos humanos'. Nesta época da
Inteligência Artificial, encorajo todos a se empenharem em promover formas de
comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual orientar toda
inovação tecnológica."
O Papa voltou a
reforçar a importância de se aprender a lidar com a Inteligência
Artificial, para compreender o uso dos algoritmos, neste domingo, 17 de
maio, 60° Dia Mundial das Comunicações Sociais que inclusive está sendo
celebrado no Brasil, e tomando como base a própria a mensagem do Papa
divulgada no início do ano. O desafio, especifica o Pontífice no texto, não é
impedir a inovação digital, mas melhor orientá-la. Na mensagem, Leão XIV também
alerta para não renunciarmos o nosso talento, entregando-o às máquinas, porque
assim não vamos crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros: “significa
esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz".
Através da
mensagem, retomada ao final do Regina Caeli, o Papa Leão XIV convida todos
a refletirem sobre uma comunicação que seja mais humana, verdadeira e
autêntica. Segundo Janaína Gonçalves, coordenadora-geral da Pascom Brasil, é
“uma comunicação que não reduz pessoas a meros conteúdos, que dê voz e vez a
quem precisa, que revele o rosto das pessoas”. Ela afirma ainda que, analisando
o texto do Pontífice, “o problema da comunicação não está no celular, nas
telas em geral, mas na atitude de perder o humano, na ilusão digital em achar
que engajamento é o mesmo que profundidade, na incompreensão em pensar que o
alcance pelos algoritmos é o que gera a transformação”.
As atividades do
Dia Mundial das Comunicações no Brasil
Na Basílica de
Nossa Senhora Aparecida em São Paulo, a missa presidida pelo arcebispo Mário
Antônio e concelebrada por dom Valdir José de Castro, presidente da Comissão
para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi
transmitida pela TV Aparecida e retransmitida pela CNBB no início da manhã,
marcando o encerramento da programação da 7ª Semana de Comunicação organizada
pela Pascom Brasil e pela Comissão Episcopal para a CNBB. Entre as celebrações
previstas por todo o país em ação de graças pelo Dia Mundial das Comunicações
Sociais, destaque também para a missa na parte da tarde, direto do
Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e Jesus das Santas Chagas, em
Curitiba/PR.
Leão XIV
convocou todos que trabalham "por uma ecologia integral a renovar o
compromisso" com o cuidado da criação, participando da Semana Laudato si'
que começa neste domingo, 17 de maio. O movimento global encoraja a começar
pelas realidades locais, inclusive oferecendo cursos gratuitos para se tornar
Animador Laudato si’ e exercer um papel fundamental na promoção da
sustentabilidade e no enfrentamento dos desafios ambientais urgentes a partir
das comunidades em que se vive.
"De hoje
até o próximo domingo se realiza a Semana Laudato si’, dedicada ao cuidado da
criação e inspirada na encíclica do Papa Francisco. Neste ano jubilar de São
Francisco de Assis, recordamos a sua mensagem de paz com Deus, com os irmãos e
com todas as criaturas. Infelizmente, nestes últimos anos, devido às guerras,
os avanços nesse campo diminuíram bastante. Por isso, encorajo os membros do
Movimento Laudato si’ e todos aqueles que trabalham por uma ecologia integral a
renovar o compromisso. Cuidar da paz é cuidar da vida!"
O encorajamento
do Papa Leão XIV veio ao final do Regina Caeli, na Praça São Pedro, pra uma
multidão de 20 mil pessoas. O Pontífice convocou para um dos momentos globais do Movimento Laudato si' que começa
neste domingo (17/05) e vai até 24 de maio, a Semana Laudato
si' com o tema "Da esperança à ação".
As ações do
Movimento Laudato si'
Depois de um
Jubileu da Esperança histórico e da inspiradora Conferência Espalhando
Esperança, a mobilização é para transformar a esperança renovada em ações
coletivas e corajosas. E o Movimento, junto com o reforço do Papa Leão, convida
a comunidade global para continuar construindo uma Igreja atenta ao clamor da
Terra e dos pobres — alicerçada na oração, configurada pelo encontro e
comprometida com a conversão ecológica. Um trabalho global para enfrentar os
impactos contínuos da crise climática, mas que começa da base, das realidades
locais, com a sinolidade servindo de guia através dos Animadores Laudato
Si’, coordenadores de Capítulos, Círculos e Organizações-Membros que são o
coração da missão.
Para se
transformar em um deles, basta participar de um Curso de Animadores, gratuito, que oferece pedagogia
aprimorada, acesso ampliado a diversos idiomas e novas oportunidades de
formação (on-line e presencial). Os cursos não se destinam apenas a
“especialistas em meio ambiente”, mas a todas as pessoas de fé que sentem que
têm um chamado silencioso (e urgente) a responder. Inspirado na visão do
Papa Francisco, as aulas capacitam líderes que conseguem conectar a oração à
ação, a espiritualidade à transformação sistêmica e as iniciativas locais a um
movimento global.
Andressa Collet - Vatican News
_____________________________________________________________________ Fonte: vaticanews.va Fotos e vídeo: (@Vatican Media)