terça-feira, 22 de setembro de 2026

Mês da Bíblia:

o Reino de Deus jamais será destruído!

Dom Antônio Carlos Altieri - Arcebispo emérito de Passo Fundo (RS)

O Brasil atravessa um período marcado por intensas conturbações, em que as instabilidades da política interna e as pressões do cenário internacional parecem desafiar constantemente a coesão social, a paz e o horizonte de futuro da população. Diante dessa conjuntura de discursos inflamados, incertezas econômicas e transformações aceleradas, a Igreja Católica propõe para o Mês da Bíblia de 2026 o aprofundamento do Livro de Daniel.

Guiados pelo lema que assegura que o seu reino jamais será destruído, extraído da passagem de Dn 7,14, os fiéis são chamados a realizar um exercício de discernimento espiritual e social, conectando o texto bíblico com as dores e as esperanças do cotidiano do povo brasileiro.

Para compreender o alcance desse convite, é indispensável lançar o olhar sobre o passado recente da história nacional. A própria gênese da celebração anual do Mês da Bíblia, iniciada na virada da década de 1960 para 1970, deu-se no contexto de um Brasil profundamente ferido pelo autoritarismo e pela restrição das liberdades democráticas. Naquele momento de exceção, a Leitura Popular da Bíblia e a formação dos Círculos Bíblicos tornaram-se espaços fundamentais de resistência, comunhão e consciência social.

Ao longo dos últimos cinquenta a sessenta anos, o povo brasileiro aprendeu, à luz do Evangelho e dos escritos proféticos, a não ceder ao desespero e a reconhecer que a Palavra de Deus oferece critérios éticos inegociáveis para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. A trajetória das comunidades eclesiais e da animação bíblica sempre se deu em estreita sintonia com as lutas das famílias, o direito à terra, a busca por trabalho digno e a defesa incondicional dos direitos humanos. O Livro de Daniel dialoga perfeitamente com essa trajetória e com os dilemas do Brasil presente e futuro.

A narrativa apocalíptica e teológica de Daniel nasceu em uma época em que o povo de Israel, sob o domínio de grandes e prepotentes impérios, vivia sob a ameaça de ver sua fé e seus valores absorvidos pelas exigências dos dominadores. As histórias de resistência de Daniel e seus companheiros, que se recusaram a idolatrar os deuses do império e a se curvar aos decretos injustos, revelam que a verdadeira fidelidade a Deus se manifesta em gestos concretos de coerência diária. O livro lembra que os impérios humanos, por mais imponentes e ameaçadores que pareçam, possuem prazo de validade. A afirmação de que o Reino de Deus não será destruído constitui uma denúncia vívida de todas as estruturas de poder que se pretendem absolutas e uma fonte inesgotável de esperança para os pequenos e marginalizados.

Transposta para o atual contexto brasileiro, essa mensagem atinge em cheio as dinâmicas sociais da família e da vida comunitária. As famílias do país enfrentam diariamente o impacto dos vendavais políticos, o acirramento das polarizações e a degradação do debate público, realidades que muitas vezes fraturam laços de convivência e alimentam o sentimento de desamparo. O itinerário proposto pelo Mês da Bíblia convida a sociedade a erguer-se acima da superficialidade das disputas ideológicas imediatas e a refundar a ação social em princípios que resistem ao tempo. A esperança anunciada em Daniel não é uma atitude passiva ou conformista, mas uma virtude ativa que exige empenho na construção do bem comum, na defesa das instituições democráticas, no cuidado com os mais vulneráveis e no rechaço à violência.

Olhar para o futuro sob a inspiração do Mês da Bíblia significa compreender que os grandes desafios nacionais do presente exigem uma postura semelhante à de Daniel: firmeza moral, sabedoria no agir e confiança inabalável no Projeto de Deus. Assim como o itinerário bíblico alimentou a caminhada da Igreja e do povo brasileiro ao longo do último meio século em meio às transições históricas, a reflexão de 2026 reafirma que nenhuma crise social ou política é definitiva perante a soberania da vida e da justiça. No cotidiano dos lares, das paróquias e dos grupos de reflexão, a escuta atenta das Escrituras renova a certeza de que a história humana está sob o olhar e o amparo do Criador, impulsionando cada cidadão e cidadã a construir um futuro fundado na solidariedade e na esperança.

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                                                                    Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

Perguntas e respostas sobre as Diretrizes Gerais

da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032

O que são as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE)?

As Diretrizes Gerais da Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) são a expressão e fruto da unidade pastoral da Igreja no Brasil. Aprovadas por todos os bispos do Brasil, reunidos em Assembleia, elas indicam, orientam, oferecem direção para o desenvolvimento da obra característica da Igreja: Evangelizar!

Elas são elaboradas e aprovadas pelo episcopado brasileiro a partir de um processo sinodal da Igreja no Brasil. As atuais diretrizes valem para o período de 2026-2032 e foram aprovadas na 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a partir de ampla escuta às dioceses, organismos e pastorais da Igreja.

Depois de sua aprovação, elas foram editadas e lançadas pelas Edições CNBB na coleção “Documentos das CNBB” sob o número 114.

Como implementar as Diretrizes?

Após a aprovação das Diretrizes, cabe, então, a cada Igreja Local (arquidiocese, diocese ou prelazia), organismos e pastoral da Igreja considerarem cuidadosamente as DGAE nos seus processos sinodais de assembleia em vista da elaboração dos Planos Diocesanos de Pastoral. Estes devem ser a concretização das DGAE no território da Igreja Local.

O secretariado de pastoral da CNBB com suas várias comissões (ordinárias e especiais), desde 1974, elaboram Planos Bienais a partir das DGAE, garantindo assim que elas sejam – não um documento a mais – mas o guia, o mapa da ação evangelizadora de todos as forças vivas da Igreja no Brasil.

Também os organismos do Povo de Deus, as associações e irmandades, as novas comunidades, as escolas católicas, os meios de comunicação de inspiração católica e todos os entes eclesiais do Brasil devem se deter com empenho no estudo das DGAE em vista da sua aplicação nas suas respectivas atividades. Afinal, as DGAE não são apenas da CNBB, mas de toda a Igreja no Brasil.

Como responder aos desafios da Evangelização hoje?

Diante dos desafios do nosso tempo (a cultura do individualismo, a polarização que transforma o opositor em inimigo, a desinformação, os impactos ambíguos das novas tecnologias e da inteligência artificial, o descaso para com a Casa Comum e o esquecimento dos pobres), as DGAE convidam a escutar os sinais dos tempos e a interpretá-los à luz do Evangelho. Trata-se de humanizar, e não temer, a técnica; de cultivar o discernimento que distingue a verdade do erro; e de fazer da Igreja hospital de campanha e abrigo dos pequenos.

A relação com a sinodalidade é constitutiva: a Igreja tem nome de Sínodo. As DGAE assumem as três atitudes, a saber, comunhão, participação e missão, e propõem a conversão das relações, dos processos e dos vínculos. Caminhar juntos, escutar e discernir é o modo de a tenda alargar seus espaços, sustentada por estacas firmes na fé. Somos Peregrinos de Esperança, e a esperança não decepciona.

Qual a relação das diretrizes com o caminho Sinodal?

As DGAE são o principal instrumento de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade no país. Elas assumem a imagem da Igreja como tenda, a mesma proposta pelo processo do Sínodo quando apresenta a passagem “Alarga o espaço da tua tenda” (Isaías 54, 2) para expressar o espírito que deve mover a ação evangelizadora: “ser comunidade que se alarga, escuta os sinais dos tempos, faz o discernimento para a conversão pastoral e sai em missão”.

Em todo o processo de construção do texto, a CNBB assumiu uma postura sinodal com uma ampla escuta a todo o povo de Deus e com a utilização da metodologia da Conversação no Espírito pelos bispos na 61ª Assembleia Geral (2024). O documento final e o processo de aprovação das DGAE 2026-2026 foi inclusive adiado para aguardar as conclusões do Documento final do Sínodo 2021-2024 plenamente assumidos no texto.

Acolhida desse Documento Final é acompanhada, em toda a Igreja, por uma fase de implementação. No Brasil, essa etapa coincide com a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032. Por essa razão, tem-se insistido que as novas Diretrizes constituem o principal instrumento brasileiro de acolhida, recepção e concretização das intuições e orientações do Sínodo sobre a Sinodalidade.

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                                                                                                              Fonte: cnbb.org.br

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 22 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h - Missa nas comunidades da Serrinha e dos Cochos

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Dia 23 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor ao São José na matriz

19h - Missa na comunidade Nossa Senhora Aparecida (Bela Vista)

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Dia 24 - Quinta-feira

7h - Missa na matriz

8h30 - Missa no Colégio Santa Ângela

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Missa na comunidade da Serra dos Pereiras

19h - 1º dia da festa no Asilo São Vicente de Paulo

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Dia 25 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

19h - Missa no Residencial Paraíso

19h - 2º dia da festa no Asilo São Vicente de Paulo

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

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Dia 26 - Sábado

14h - 2º Encontro de Formação dos MESC

16h -  Missa na igreja de Santo Antônio - Retiro de São Miguel Arcanjo

19h -  Missa na matriz e na comunidade São Francisco

19h - 3º dia da festa no Asilo São Vicente de Paulo

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Dia 27 - 26º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges e no Asilo São Vicente de Paulo (festa)

18h - Missa na igreja de Santo Antônio       19h - Missa na matriz

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Papa em carta a bispos:

tantas vozes reivindicam
autoridade sobre fiéis, o bispo ofereça um ensinamento claro

Em uma carta aos bispos da América Latina e do Caribe, por ocasião do terceiro centenário da canonização do padroeiro São Toríbio de Mogrovejo, o Papa relê o ministério à luz do rito de acolhimento em sua igreja catedral. Ele os adverte contra um “abandono do rebanho”, que pode começar quando o conforto, o medo ou os próprios interesses pesam mais do que o bem dos fiéis. Além disso, exorta-os a cuidar da vida interior, sem jamais relegar a oração a um papel secundário.

Foto de arquivo: o Papa com os participantes do curso de formação para os novos bispos

A seguir, na íntegra, o texto em português:

Carta do Santo Padre Leão XIV

aos Bispos da América Latina e do Caribe

por ocasião do terceiro centenário

da canonização de São Toríbio de Mogrovejo

Queridos irmãos no Episcopado:

Por ocasião do terceiro centenário da canonização de São Toríbio de Mogrovejo, padroeiro dos bispos da América Latina, atendendo ao pedido do Episcopado peruano, saúdo-vos com afeto no Senhor e agradeço o serviço que prestais dia após dia. Ao dirigir-vos estas palavras, renova-se no meu coração a gratidão pelo privilégio de ter exercido o ministério episcopal no Peru. Ali conheci de perto a fé de um povo de quem recebi muito, compreendendo melhor o que significa ser pastor. Essa experiência aproximou-me de modo particular de São Toríbio, também ele vindo de longe para uma terra que, através da caridade pastoral, adotou como sua.

Os meus antecessores debruçaram-se amplamente sobre a figura do «excelso metropolita de Lima»,[1] recordando o seu zelo evangelizador,[2] o seu empenho na edificação e renovação da vida eclesial[3] e a sua proximidade aos mais pobres e vulneráveis.[4] Sem me deter agora na sua biografia, gostaria de contemplar o seu ministério à luz de um sinal que nos remete para a própria origem da nossa missão: a recepção do bispo na sua igreja catedral.[5] Para a visita pastoral a uma comunidade prevê-se um rito semelhante,[6] como se a Igreja quisesse recordar ao prelado, uma e outra vez, o significado daquela primeira entrada. O que a liturgia expressa em poucos gestos, o Apóstolo dos Andes foi-o tornando realidade ao longo dos seus anos de pastor. A melhor maneira de honrar a sua memória será imitá-lo, deixando-nos interpelar pela forma como ele viveu o ministério que também nós recebemos.

O rito começa à porta da catedral. Ali, o novo bispo é recebido pela Igreja à qual foi enviado. Chega a uma comunidade que o precede, que percorreu um caminho de fé e na qual o Espírito Santo já estava a agir. Ao atravessar aquele limiar, entra numa história que não começa com ele e, pelo seu ministério, fica ligado a um povo concreto. O santo arcebispo chegou a uma terra cujos povos e culturas mal conhecia. Para a pastorear, tinha de mergulhar naquela realidade e, por isso, começou a percorrê-la. As suas visitas pastorais e a sua preocupação em anunciar o Evangelho nas línguas locais foram estreitando o seu vínculo com aquela terra e suas gentes. Há realidades de uma diocese que dificilmente chegam à cúria. Por isso, procuremos que a visita pastoral conserve toda a sua força: indo pessoalmente ao encontro das nossas comunidades, ouçamos o nosso rebanho e procuremos aqueles que raramente têm oportunidade de se aproximar do bispo. O ministério de um sucessor dos apóstolos exige viver com o coração no céu e os pés no caminho.

Ainda diante da porta da Catedral, o bispo recebe um crucifixo e beija-o. A Igreja coloca diante dele aquele que amou os seus até ao fim. Este gesto contém uma promessa de entrega. O ministério poderá levá-lo por caminhos que ele não tinha previsto e exigir-lhe renúncias que talvez nunca tenha imaginado. A cruz lembra-lhe que deve permanecer junto ao rebanho quando chegarem os momentos difíceis e que a proteção das ovelhas pode implicar um preço para o próprio pastor. Nas suas viagens e fadigas, São Toríbio prolongou aquele beijo à carne sofredora do Senhor, defendendo os indígenas, corrigindo abusos e mantendo-se próximo dos pobres e daqueles que sofriam. Queridos irmãos, precisamos de regressar frequentemente à escola da cruz. O abandono do rebanho pode começar muito antes de uma fuga visível, quando o conforto, o medo ou os próprios interesses pesam mais do que o bem dos fiéis. O mercenário calcula o que pode perder; o pastor sabe que terá de entregar algo de si mesmo para permanecer fiel (cf. Jo 10, 12-13).

Em seguida, o bispo recebe a água benta, asperge-se a si próprio e aos presentes. O gesto remete-o à fonte comum do Batismo. Antes de ser pastor, é discípulo; antes de presidir ao Povo de Deus, conta-se entre os batizados, tornados filhos em Cristo. A santidade do pastor não pode ser dada como garantida (cf. 1 Tm 4, 16). São Toríbio pôde pedir uma vida eclesial mais fiel ao Evangelho porque começou por se deixar medir por essa mesma exigência. Quem recebeu a missão de santificar continua a precisar de santificação; quem anuncia a misericórdia também vive dela. Cuidemos, pois, da nossa vida interior e conservemos a consciência de sermos discípulos que necessitam de conversão.

O rito continua conduzindo o bispo à frente do Sacrário, onde se ajoelha e adora. Antes de iniciar o seu ministério, detém-se em silêncio perante o Santíssimo. Os bispos passam; Cristo permanece (cf. Heb 13, 8). Os pastores mudam, surgem novas urgências e os projetos sucedem-se, mas a Igreja vive do Senhor. Por isso, gostaria de vos convidar a fazer da adoração eucarística uma prioridade pastoral. O amor de São Toríbio pela Eucaristia manifestou-se na sua solicitude em aproximar todos de Jesus. Ofereçamos aos nossos fiéis tempo e espaços para permanecerem diante d’Ele e incentivemos a adoração prolongada. Estou convencido de que a santa presença do Senhor, acolhida e adorada com fidelidade, sustenta aquilo que as nossas forças não conseguem e abre caminhos que nenhum plano poderia prever. Será o seu amor que transformará as nossas dioceses.

Depois de se revestir com as vestes litúrgicas, o bispo aproxima-se do altar e beija-o. É o próprio Senhor, perante quem acabara de se ajoelhar, agora contemplado como aquele que reúne a sua Igreja em torno a si e faz dela um único corpo (cf. 1 Cor 10, 17). O santo prelado serviu uma Igreja imensa e plural, esforçando-se por mantê-la unida. Também a nós cabe velar para que a diversidade das nossas dioceses encontre em Cristo a sua unidade. O altar recorda-nos que a comunhão pertence ao cerne da nossa missão.

Posteriormente, dirige-se à cátedra e são lidas as Cartas Apostólicas, a bula pela qual o Romano Pontífice o nomeou pastor daquela Igreja particular. O bispo não atribuiu a si próprio esta missão, mas recebeu-a e exerce-a na comunhão da Igreja, unido ao Sucessor de Pedro e ao Colégio Episcopal. O ensinamento que oferece a partir da cátedra não surge de uma palavra própria que tem de impor. Ele recebeu a fé da Igreja e está chamado a «guardar o bom depósito», aprofundando-o e tornando-o compreensível para aqueles que estão sob os seus cuidados (cf. 2 Tm 1, 13-14). São Toríbio compreendeu bem esta responsabilidade. A recepção do Concílio de Trento, os concílios provinciais, os sínodos diocesanos e o seu trabalho catequético dão testemunho do desejo de transmitir integralmente a fé, tornando-a acessível àqueles que tinha diante de si. Numa época em que tantas vozes reivindicam autoridade sobre a consciência dos fiéis, cabe ao bispo oferecer um ensinamento claro, paciente e enraizado nessa comunhão, para ajudar o seu povo a reconhecer a voz do único Pastor.

O clero e os fiéis aproximam-se depois «para lhe manifestarem obediência e respeito».[7] O respeito recebido transforma-se, para o bispo, em responsabilidade, e a obediência oferecida exige dele a paternidade. Isto torna-se especialmente visível na sua relação com os presbíteros, unidos a ele de forma singular no único sacerdócio e na missão confiada à Igreja particular. São Toríbio zelou pela formação deles, foi exigente na admissão às ordens, visitou os seus sacerdotes e manteve a disciplina eclesiástica, consciente de que a vida do clero se repercute na do povo. Queridos irmãos, permaneçamos próximos dos nossos sacerdotes. Cuidemos especialmente do seminário e dos primeiros anos de ministério, favoreçamos uma fraternidade autêntica e procuremos que nenhum presbítero sinta que apenas pode aproximar-se do seu bispo quando tem um problema a resolver. Com frequência, a paternidade episcopal reconhece-se quando um sacerdote sabe que pode bater à porta do paço episcopal com confiança.

Após a proclamação do Evangelho, o bispo dirige pela primeira vez a palavra ao seu povo. Até então, a liturgia colocou-o numa atitude de acolhimento e escuta, e conduziu-o ao silêncio da adoração. Só depois é que fala. Esta simples sequência contém um ensinamento que convém ter sempre presente. Entre as muitas responsabilidades que ocupam a nossa jornada, fomos enviados para anunciar a Boa Nova. Tal como os Apóstolos, somos chamados a dedicar-nos «à oração e ao serviço da Palavra» (At 6, 4). São Toríbio fez da sua vida uma pregação contínua, e o seu anúncio revelava-se fidedigno porque tinha permitido que o Evangelho moldasse, em primeiro lugar, a sua existência. Que nenhuma urgência nem tarefa pastoral, por mais necessária que seja, coloque em segundo plano a oração, que é antecâmara da pregação. Reservemos sempre o tempo necessário para ouvir a Palavra e preparar com esmero a forma de a disponibilizar ao nosso povo.

Terminados os ritos de acolhimento e celebrada a liturgia da Palavra, chega o momento da apresentação dos dons. No ofertório, podemos ver antecipadamente tudo o que o bispo irá colocar, dia após dia, nas mãos do Senhor: o trabalho, os projetos que empreenderá, as decisões que terá de tomar, as pessoas que lhe foram confiadas, as suas preocupações e esperanças. Haverá momentos em que verá com clareza o caminho e outros em que sentirá a própria pequenez: tudo isso se coloca na patena. Cabe ao bispo entregar-se com fidelidade; os frutos, em última análise, pertencem a Deus (cf. 1 Cor 3, 6-7).

A própria celebração mostra onde essa fecundidade tem a sua fonte. Na Santa Missa, o único sacrifício de Cristo é atualizado sacramentalmente pela salvação do mundo, enquanto o Povo é associado à oferenda do seu Senhor. Deste Santo Sacrifício brota a graça da qual a Igreja vive e pela qual Cristo continua a reuni-la e a santificá-la ao longo da história. O bispo, como todo o sacerdote, empresta a sua voz e as suas mãos a Cristo, Sumo e eterno Sacerdote, que atua por meio do seu ministério. Aquilo que celebra deve prolongar-se também na própria vida, cada vez mais unida à oferenda do Senhor, até que toda a sua existência se torne, em Cristo, uma oferenda ao Pai.

A geografia espiritual da Igreja na América Latina é marcada por pastores que tornaram visível esta união entre o altar e a vida. A figura de São Toríbio, portanto, não está isolada. Ao longo dos séculos e em diferentes regiões do continente, foi tomando forma uma verdadeira constelação de bispos que a Igreja venera como santos e beatos. Ao lado do grande arcebispo de Lima encontram-se os santos António Maria Claret, Ezequiel Moreno, Rafael Guízar e Óscar Romero, e os beatos Juan de Palafox, Jacinto Vera, Mamerto Esquiú, Enrique Angelelli, Jesús Jaramillo e Eduardo Pironio, entre tantos outros bispos ilustres. Aprofundemos o ministério e os escritos destes pastores e divulguemo-los nas nossas Igrejas particulares. O seu testemunho pode ajudar-nos a compreender melhor a missão do bispo e reveste-se de especial interesse para a formação dos seminaristas e dos sacerdotes. As suas vidas mostram como uma só missão pode assumir formas diversas, de acordo com os tempos e as circunstâncias, e constituem uma escola de pastores nascida da nossa história eclesial. Os santos continuam a formar santos (cf. Hb 13, 7).

Confiemos a Santa Maria de Guadalupe o nosso desejo de viver com renovada fidelidade a missão que recebemos. Nos primórdios da evangelização desse querido continente, Ela quis que São Juan Diego levasse o seu pedido ao bispo e que fosse este a discernir e a acolher o que o Senhor estava a realizar por meio de um humilde mensageiro. Esse encontro continua a ser um convite para nós, pastores, estarmos atentos à ação de Deus, que muitas vezes se manifesta por caminhos imprevistos e se serve daqueles de quem menos se esperaria. Pela intercessão da Mãe de Deus, peçamos a graça de conhecer, servir e amar as Igrejas que nos foram confiadas, para que, quando chegar a hora de prestar contas ao Senhor do nosso ministério, possamos ouvir: «Muito bem, servo bom e fiel […]. Entra no gozo do teu senhor» (Mt 25, 21).

Com afeto fraterno, abençoo-vos de todo o coração.

Vaticano, 8 de setembro de 2026, Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria.

LEÃO PP. XIV

[1] Pio XII, Mensagem radiofónica ao V Congresso Interamericano de Educação Católica, 12 de janeiro de 1954.

[2] Cf. São João Paulo II, Encontro com os membros do Episcopado do Peru, 2 de fevereiro de 1985.

[3] Cf. Bento XVI, Mensagem por ocasião do IV centenário da morte de São Toríbio, 23 de março de 2006.

[4] Cf. Francisco, Encontro com os bispos em Lima, 21 de janeiro de 2018.

[5] Cf. Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cæremoniale Episcoporum, 1141-1144.

[6] Cf. Ibid., 1180.

[7]Ibid., 1143.

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                                                                    Fonte: vaticanews.va    Foto: (@Vatican Media

domingo, 20 de setembro de 2026

Leão XIV no Angelus deste domingo:

diante de Deus não há lugar para invejas nem divisões

Deus tem caminhos diferentes e pensamentos novos também para aqueles que se consideram os primeiros e acham que conseguiram o que são por si mesmos, que mereceram os resultados que alcançaram. No entanto, todos nós experimentamos alegria, inteligência e futuro quando a lei do amor interrompe a do cálculo, a experiência da misericórdia amplifica a do mérito, o dom da paz coloca fim às rivalidades e nos aproxima na gratidão: disse o Papa no Angelus deste domingo (20/09), XXV do Tempo comum.

Os desígnios de Deus são infinitamente maiores e, digamos até, mais “humanos” do que aqueles que nós, homens e mulheres marcados pelo pecado, podemos conceber e realizar. Foi o que destacou o Papa no Angelus deste domingo (20/09) - XXV Domingo do Tempo Comum -, comentando a liturgia do dia. Na alocução que precedeu a oração mariana, o Pontífice ressaltou que pela boca do profeta Isaías, o Senhor nos dá um grande motivo de esperança, dizendo que os seus pensamentos não são os nossos pensamentos e os seus caminhos não são os nossos caminhos (cf. Is 55, 8). Por isso, acrescentou, eis – mais atual do que nunca – o apelo do profeta: abandonar os nossos caminhos tortuosos e regressar ao Senhor, que é misericórdia e perdão.

Atendo-se à página do Evangelho dominical, o Santo Padre ressaltou aos 20 mil fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro que as parábolas de Jesus descrevem a novidade do que Deus tem reservado para nós, mas, em geral, também manifestam a resistência que estamos dispostos a opor a uma justiça mais generosa e a um amor maior. Hoje, em particular - observou -, escutamos a história dos trabalhadores chamados para a vinha (cf. Mt 20, 1-16): uns por um dia inteiro, outros apenas por algumas horas, outros ainda já quase ao pôr-do-sol.

Mas o núcleo da parábola está no momento da remuneração, quando o dono da vinha cumpre a palavra dada aos trabalhadores da primeira hora e lhes paga conforme acordado, embora queira que eles vejam a sua bondade tratando, diante dos seus olhos, os últimos da mesma forma.

Há um pormenor que não nos deve escapar. O dono dá ao capataz uma ordem precisa a seguir: os trabalhadores devem ser pagos «começando pelos últimos até aos primeiros». Assim, a reação negativa daqueles que tinham trabalhado o dia inteiro poderia facilmente ter sido evitada; no entanto, foi intencional, porque a revelação da bondade de Deus é para todos, não apenas para alguns.

Deus tem caminhos diferentes e pensamentos novos também para aqueles que se consideram os primeiros e acham que conseguiram o que são por si mesmos, que mereceram os resultados que alcançaram. No entanto, todos nós experimentamos alegria, inteligência e futuro quando a lei do amor interrompe a do cálculo, a experiência da misericórdia amplifica a do mérito, o dom da paz coloca fim às rivalidades e nos aproxima na gratidão.

Por fim, o Pontífice afirmou que é uma graça sermos colaboradores de Deus, trabalhar na Sua vinha, servir o Seu Reino de justiça e paz! Onde irrompe a novidade de Deus, não há lugar para invejas nem divisões. Procuremos, pois, o Senhor enquanto Ele se pode encontrar, invoquemo-Lo enquanto está perto; abandonemos os caminhos tortuosos e os pensamentos iníquos! - disse Leão XIV ecoando as palavras de exortação do profeta Isaías, concluindo em seguida:

Olhemos para a nossa Mãe Santíssima: é uma criatura como nós, mas sem mancha; por isso, Ela ajuda-nos a esperar em Deus e a confiar na sua misericórdia, para que os seus caminhos se tornem os nossos caminhos e os seus pensamentos os nossos pensamentos.

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Assista:

Raimundo de Lima – Vatican News

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                                                      Fonte: vaticanews.va    Foto e vídeo: (@Vatican Media

Reflexão para este domingo:

Bondade escandalosa de Deus

José Antonio Pagola

Provavelmente era outono e nos povoados da Galileia se fazia intensamente a vindima. Jesus via nas praças aqueles que não possuíam terras próprias, esperando para serem contratados para ganhar o sustento do dia. Como ajudar a essa pobre gente a intuir a bondade misteriosa de Deus para com todos?

Jesus contou-lhes uma parábola surpreendente. Falou-lhes de um senhor que contratou todos os jornaleiros que encontrou. Ele mesmo foi à praça do povo várias vezes, em horas diferentes. Ao final do dia, embora o trabalho tivesse sido absolutamente desigual, pagou a todos uma diária: o que a família deles precisava para viver.

O primeiro grupo protestou. Não se queixam de receber mais ou menos dinheiro. O que os ofende é que o senhor “tratou os últimos como a nós”. A resposta do senhor ao que é o porta-voz deles é admirável: “Vais ter inveja por eu ser bom?”

A parábola é tão revolucionária que certamente depois de vinte séculos não nos atrevemos ainda a tomá-la a sério. Será verdade que Deus é bom inclusive para aqueles que dificilmente podem apresentar-se diante dele com méritos e obras? Será verdade que em seu coração de Pai não há privilégios baseados no trabalho mais ou menos meritório daqueles que trabalharam em sua vinha?

Todos os nossos esquemas cambaleiam quando aparece o amor livre e insondável de Deus. Por isso achamos escandaloso que Jesus pareça esquecer-se dos “piedosos”, carregados de méritos, e se aproxime precisamente dos que não têm direito a recompensa alguma da parte de Deus: pecadores que não observam a Aliança ou prostitutas que não têm acesso ao templo.

Às vezes ficamos presos aos nossos cálculos, sem deixar a Deus ser bom para todos. Não toleramos sua bondade infinita para com todos: há pessoas que não o merecem. Achamos que Deus deveria dar a cada um o que ele merece e só o merecido. Menos mal que Deus não é como nós. De seu coração de Pai, Ele sabe dar também seu amor salvador a essas pessoas que nós não sabemos amar.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 19 de setembro de 2026

Reflita com dom Leomar Brustolin:

Daniel, uma pastoral que enxerga no escuro 

O livro de Daniel foi escrito para que um povo ameaçado não perdesse a capacidade de esperar. Há momentos em que a missão da Igreja não consiste em oferecer respostas rápidas, mas em ajudar as pessoas a enxergarem além daquilo que estão vivendo. A linguagem apocalíptica faz exatamente isso: retira o véu da aparência e proclama que a história não está abandonada às forças que parecem dominá-la.

Daniel vive em terra estrangeira, conhece outra cultura, atua em estruturas de poder que não compartilham sua fé e, ainda assim, conserva aberta a janela pela qual reza voltado para Jerusalém. A Igreja também precisa saber viver assim: profundamente inserida no tempo presente, dialogando com suas linguagens e perguntas, sem fechar a janela que a mantém voltada para Deus. Nem isolamento, nem dissolução. Presença fiel.

Daniel descreve poderes que se animalizam quando transformam domínio, violência e arrogância em critérios de governo. Pastoralmente, isso exige discernimento. Nem tudo o que cresce é Reino de Deus; nem tudo o que impressiona é sinal de vitalidade; nem todo poder é autoridade. A comunidade cristã precisa perguntar constantemente se suas relações, decisões e estruturas refletem o rosto o Filho do Homem ou reproduzem, ainda que discretamente, a lógica das feras.

Daniel inspira igualmente uma pastoral capaz de permanecer na noite. Nossa sociedade tem pouca paciência com processos longos. Queremos soluções imediatas para crises familiares, para o sofrimento e a violência, para a diminuição da participação comunitária e para as dificuldades na transmissão da fé. Daniel recorda que existem noites que precisam ser atravessadas. Esperança cristã não consiste em imaginar que tudo se resolverá rapidamente. Consiste em continuar caminhando porque sabemos que a última palavra pertence a Deus.

Por isso, precisamos também recuperar uma pastoral da eternidade. Muitas vezes, falamos bastante sobre como viver melhor e pouco sobre o horizonte último da existência. Daniel ousa falar de ressurreição, julgamento e vida eterna. A fé cristã não oferece apenas recursos para suportar esta vida; anuncia que a existência humana é chamada a atravessar a própria morte. Uma pastoral que perde o horizonte da eternidade corre o risco de reduzir o Evangelho à ética, à assistência ou à busca de bem-estar. Cuidamos da vida presente justamente porque cremos que cada pessoa possui uma dignidade destinada que a morte não pode anular e uma vocação à comunhão eterna com Deus.

Há ainda algo muito bonito. Daniel não evangeliza pela força. Sua fidelidade interroga reis, adversários e pessoas que não compartilham sua fé. Em uma cultura cansada de discursos, talvez o anúncio mais fecundo seja o testemunho de uma comunidade cuja maneira de viver desperte perguntas: por que cuidam dos pobres? Por que não respondem ao ódio com ódio? Por que continuam unidos? Por que ainda esperam? Urge encontrar cristãos cuja maneira de viver seja capaz de tornar Deus novamente uma pergunta para o nosso tempo.

Daniel nos oferece uma pastoral do amanhecer. A cova não é o último lugar de Daniel. A perseguição não encerra sua história. Os impérios não possuem a palavra definitiva, e nem mesmo a morte estabelece os limites do poder de Deus. Daniel alimentou a esperança no Reino indestrutível, na ressurreição e na vitória definitiva de Deus, esperança que os cristãos leem e compreendem à luz de Cristo.

Daniel, assim, ensina-nos a esperar sem fugir da realidade: ter os pés dentro da história, os olhos atentos aos sofrimentos humanos e o coração voltado para o Reino. Porque uma Igreja missionária é aquela que, mesmo quando todos enxergam apenas a noite, já é capaz de discernir os primeiros sinais do amanhecer.

Dom Leomar Brustolin - Arcebispo de Santa Maria (RS)
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                                           Fonte: cnbb.org.br     Imagem: arquidiocesedemaringa.org.br