segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Papa nesta segunda-feira:

numa sociedade como a nossa,
a dimensão da caridade é fundamental

Na audiência com as Irmãs da Caridade, Leão XIV destacou o legado da fundadora, Santa Joana Antida Thouret, que colocou Cristo no centro de sua vida, dedicando-se aos pobres, aos enfermos e aos mais necessitados. Um ensinamento que hoje deve nos levar a cultivar e difundir a atenção ao próximo, "ao bem integral, espiritual e temporal, do próximo".

O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta segunda-feira (26/10), na Sala do Consistório, no Vaticano, as participantes do Capítulo Geral eletivo das Irmãs da Caridade de Santa Joana Antida Thouret, religiosa francesa, fundadora da Congregação das Irmãs da Caridade.

“O Capítulo Geral de uma família religiosa é sempre um contexto privilegiado para a ação do Espírito Santo em favor do Povo de Deus. Nos dias de graça que vocês vivenciaram, em atitude de docilidade às suas inspirações, vocês exerceram o discernimento comunitário, que é em si mesmo uma experiência edificante.”

Colocar Cristo no centro de nossa existência e de nossos pensamentos

Leão XIV prosseguiu o seu discurso, ressaltando que "Santa Joana Antida Thouret compreendeu muito bem a importância dessa 'doação conjunta' na Igreja, demonstrando, ao longo de sua vida, grande amor e respeito pelo Sucessor de Pedro, mesmo ao custo de enfrentar dolorosos mal-entendidos e sacrifícios pelo bem e pela unidade das pessoas que lhe foram confiadas".

A seguir, recordou o tema escolhido pelas Irmãs da Caridade de Santa Joana Antida Thouret para os trabalhos do capítulo, "Raízes em Cristo, missão no mundo", afirmando que "ele descreve com muita propriedade a essência de sua consagração e do seu apostolado".

“Ter raízes em Cristo significa, de fato, seguindo o exemplo de Santa Joana Antida, colocar somente Ele no centro de nossa existência e de nossos pensamentos, acostumando-nos a sentir e celebrar Sua presença a cada instante, confiantes de que, unidos a Ele, estaremos cada vez mais próximos uns dos outros e mais capazes de ajudar os outros de acordo com seus desígnios.”

Valorizar a dimensão da caridade

O Papa recordou um aspecto importante do legado carismático que a santa fundadora deixou para as suas religiosas: "Prestar atenção ao bem integral, espiritual e temporal dos outros".

“Recordo isso porque, numa sociedade como a nossa, que tende a fragmentar o ser humano, dividindo as pessoas não apenas entre si, mas também — e de forma mais grave — dentro de si mesmas, essa dimensão da caridade é fundamental para a recuperação, a promoção e o autêntico respeito pela dignidade de cada um, especialmente dos mais pobres e necessitados. Valorizem-na, cultivem-na e difundam-na.”

Leão XIV disse ainda que "neste ano do bicentenário do nascimento para o Céu da Santa Madre Thouret, é reconfortante notar o quanto o Senhor abençoou e acompanhou a sua caminhada ao longo do tempo". "Isso é testemunhado na riqueza e diversidade de sua expansão apostólica, agora presente em trinta e dois países, onde vocês mantêm vivo o 'carisma da Caridade' graças ao trabalho de religiosas, leigos, jovens, voluntários e colaboradores de todas as idades e origens", sublinhou.

O Papa concluiu, incentivando as religiosas a continuarem "seu trabalho generosamente", pois "ele é precioso aos olhos de Deus e da Igreja. Obrigado por tudo o que vocês fazem". 

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                                                                    Fonte: vaticanews.va Foto: (@Vatican Media

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos
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Dia 27 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

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Dia 28 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor a São José na matriz

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Dia 29 - Quinta-feira

7h - Missa na matriz

19h - Terço dos homens na matriz

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Dia 30 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

19h - Grupo de oração Maranathá na igreja da Soledade

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Dia 31 - Sábado

19h - Missa na matriz

19h - Missa na comunidade São Francisco

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Dia 1º de novembro - Solenidade de Todos os Santos

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa da festa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Missa na igreja de Santo Antônio

18h - Missa na matriz

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Catequese com dom Lindomar Rocha Mota

A justiça evangélica e política 

Dom Lindomar

A grandeza de uma sociedade pode ser medida pela maneira como vivem aqueles que menos possuem. Para conhecer um país, é preciso observar a vida dos pobres, as oportunidades oferecidas às crianças, a condição dos trabalhadores e a segurança daqueles que, depois de uma existência inteira de esforços, envelheceram. É nesses lugares, afastados dos centros de decisão, que uma sociedade revela o seu caráter moral. 

Jesus Cristo introduziu na história humana uma compreensão extraordinária da dignidade das pessoas. Sua atenção aos últimos, aos enfermos e aos excluídos manifestava uma nova maneira de compreender as relações. Quando anunciou, na sinagoga de Nazaré, que havia sido enviado para levar a Boa-Nova aos pobres e libertar os oprimidos (Lc 4,18), colocou no centro de sua missão aqueles que a organização social marginalizava, e declarou que cada pessoa possui um valor anterior ao mérito. 

No capítulo 25 de Mateus, o destino moral da humanidade é considerado a partir do tratamento dispensado aos mais pequeninos. A relação com Deus é uma expressão concreta da responsabilidade pelo outro, sobretudo quando ele se encontra ameaçado. 

Na parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37), a proximidade humana nasce da disposição de reconhecer o sofrimento alheio como uma responsabilidade própria. O samaritano percebe o homem ferido, aproxima-se, cuida de suas necessidades e providencia meios para sua recuperação. Seu gesto ultrapassa as fronteiras sociais e religiosas que poderiam justificar a indiferença. 

No encontro entre essa perspectiva e a perspectiva política, a compaixão pessoal puxa sua necessária continuidade em instituições capazes de proteger as pessoas. Uma sociedade solidária precisa cultivar virtudes humanas e organizar estruturas justas. A generosidade que alimenta uma família faminta constitui um gesto precioso e, nela, a caridade alcança sua expressão pública. 

É precisamente nesse horizonte que a Doutrina Social da Igreja faz afirmações muito relevantes. A destinação universal dos bens, a dignidade do trabalho, o bem comum e a opção preferencial pelos pobres recordam que a economia possui uma finalidade humana. Os recursos materiais são instrumentos destinados a sustentar a vida e favorecer seu desenvolvimento. A propriedade, a iniciativa econômica e a capacidade produtiva encontram sua legitimidade social no serviço que prestam à comunidade. Uma ordem econômica que multiplica riquezas, mas conserva multidões privadas das condições elementares de existência precisa ser reavaliada. 

A sociedade brasileira, bastante precária, oferece um campo largo para essa reflexão. Vivemos num país de grande capacidade produtiva, riqueza natural e criatividade humana. Ao mesmo tempo, permanecem grandes distâncias entre as condições de vida de seus habitantes. O lugar de nascimento, a renda familiar e o acesso desigual aos serviços públicos continuam exercendo influência considerável sobre o futuro das pessoas. A superação dessas circunstâncias exige políticas capazes de ampliar oportunidades, valorizar o trabalho e proteger os idosos, assegurar educação de qualidade e, não apenas implementar projetos econômicos liberais que não funcionam nem para quem os inventou. 

A pobreza é uma questão que alcança a própria consciência moral de uma civilização. A necessidade de organizar instituições capazes de preservar a liberdade e a igualdade dos cidadãos, dando atenção especial à condição dos menos favorecidos, é uma exigência evangélica do amor e abre o horizonte de responsabilidade que interpela governos e instituições da humanidade.

Dom Lindomar Rocha Mota - Bispo de São Luís de Montes Belos (GO) 

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                                                                                                                     Fonte: cnbb.org.br

domingo, 25 de outubro de 2026

Catequese com o padre Zezinho:

Católicos até onde e até quando?

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Há cristãos, católicos, evangélicos, pentecostais ou de todas as denominações, que creem em Jesus, mas escolheram não caminhar com ele! Não deu e não dá! É muito difícil ser discípulo dele!

Não temos o direito de condená-los. Nós também raramente vamos até aonde Jesus nos convidou!

Há cristãos e talvez estejamos incluídos que lembram o jovem rico do Evangelho. (Mt 19,20-23) O rapaz quis seguir Jesus, mas só até um certo ponto! Ir tão longe, isto não!

Provavelmente o rapaz se salvou, mas nunca conseguiu ser discípulo de Jesus. Morreu admirando, mas não seguindo.

Há muitos de nós que gostam de Jesus, mas não o amam a ponto de segui-lo aonde ele propõe que o sigamos!

Não chegamos ao ponto de levar a cruz com ele. Nem mesmo aceitamos ajudar a levá-la. Pegamos um aspecto da fé e isto nos basta.

Entre a FÉ a ESPERANÇA e a CARIDADE, muitos ficam só com a fé, porque a esperança e a caridade são virtudes muito mais trabalhosas de se viver.

Ir só até um certo trecho da caminhada e, dali por diante dar meia volta ou pegar um viés, isto não é ir com Jesus.

Com Moisés aconteceu o mesmo. Datan, Coré e Abiram (Nm capítulo 16) saíram do Egito com Moisés. Cheios de sonhos de liberdade e atravessaram o Mar Vermelho.

Mas, no deserto, quando vieram a fome, as picadas de serpente e a falta de água, deram meia volta e abandonaram Moisés.

Abandonaram o sonho e não quiseram prosseguir. Foram hebreus até certo ponto …

Diz o salmo 106 que eles e seus seguidores que retrocederam, nunca chegaram de volta ao Egito. Uma tempestade de areia os sepultou.

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Paulo, no capítulo 3 da epístola aos Efésios fala das várias dimensões da fé em Jesus. Altura, profundidade, largura e comprimento.

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Muitos “convertidos pela metade a Jesus” preferem viver olhando para cima e, ao invés do COMPRIMENTO vivem buscando muito mais os CUMPRIMENTOS, E OS ELOGIOS. Preferem os aplausos mais do que as consequências da cruz!

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Todos nós passamos por estas tentações: ir só até onde nos convém ir. A fé, ao invés de jornada exigente acaba num piquenique barulhento e festivo.

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É por isso que há milhares de devotos lotando estádios e praças e praias e pouquíssimos pregando doutrina social e indo coletar ajudas para levar aos pobres.

É ou não é?

Rezar por três horas é muito bom e até necessário, mas se não conseguirmos dar ao menos 20 minutos para colocar numa caixa o que nos sobrou

e levar a caixa a um lugar onde se faz algo pelos pobres, então faremos parte dos que caminham com Jesus, mas até certo ponto. Dali não se passa!

Talvez nos salvemos. Mas certamente haverá um julgamento. Jesus disse que prestaremos conta da caridade que não fizemos ...

Vale para mim que cheguei aos 85 e para você que conseguiu chegar ao fim dessa catequese!...  Mt 25,31-46.

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

Papa no Angelus deste domingo:

não se pode amar a Deus
sem que esse amor transborde ao nosso irmão

"A dimensão do amor como o ponto fundamental da relação com Deus" foi analisada por Leão XIV neste domingo (25/10), antes da oração mariana do Angelus, na Praça São Pedro. Através dos dois primeiros mandamentos, o Papa afirmou: "não podemos amar a Deus de verdade sem que esse amor transborde em amor pelos nossos irmãos e irmãs". Duas regras de vida que surgem da mesma fonte e nos tornam "capazes de olhar para nós próprios e para o próximo com o mesmo olhar de Cristo".

O Papa Leão XIV, através do Evangelho (Mt 22, 34-40) deste domingo (25/10), reflete sobre "a dimensão do amor como o ponto fundamental da relação com Deus" e através da resposta de Cristo ao questionamento de um doutor da lei sobre o maior mandamento: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 5). Antes da oração mariana do Angelus, o Pontífice explica, afirmando que "não basta saber que Deus existe, que é único ou que é o Todo-Poderoso; o Senhor espera de nós uma relação pessoal". E, no "encontro com Ele, o mandamento do amor não é uma obrigação nem uma imposição":

"O nosso amor só pode ser autêntico quando é uma resposta ao seu amor, que sempre nos precede. Daí a necessidade de uma totalidade que envolva integralmente a pessoa: coração, alma e mente."

Leia aqui a íntegra das palavras do Papa Leão XIV

O amor a Deus reflete em nós e nos outros

Ao primeiro mandamento, continua o Papa, o mestre acrescenta o segundo mandamento: «Amarás ao teu próximo como a ti mesmo» (Mt 22, 39). Mais uma regra de vida que surge da mesma fonte, "a partir da relação íntima com Deus". Assim, explica Leão XIV, "tornamo-nos capazes de olhar para nós próprios e para o próximo com o mesmo olhar de Cristo", sem egoísmo e "até o amor a si mesmo se transforma em caridade", porque "a nossa existência volta-se para o outro".

O Papa, então, citando Santa Teresa do Menino Jesus que compreendeu e verbalizou que "só o amor impele os membros da Igreja à ação", falou da importância do anúncio do Evangelho a partir do amor de Deus: 

“Sem o amor, a nossa fé ficaria desprovida do seu conteúdo, as nossas boas obras iriam se reduzir a moralismo e a nossa esperança seria vã. Caríssimos, não podemos amar a Deus de verdade sem que esse amor transborde em amor pelos nossos irmãos e irmãs. E não podemos amar verdadeiramente o nosso próximo senão como filhos do mesmo Pai, que em seu Filho Jesus nos amou primeiro.”

Andressa Collet - Vatican News

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                                                                 Fonte: vaticanews.va  Vídeo: (@Vatican Media

Reflexão para o seu domingo:

Paixão por Deus e compaixão pelo ser humano

José Antonio Pagola

Quando as religiões esquecem o essencial, facilmente se adentram por caminhos de mediocridade piedosa ou de casuística moral, que não só incapacitam para uma sã relação com Deus, mas podem até prejudicar gravemente as pessoas. Nenhuma religião escapa deste risco.

A cena narrada nos evangelhos tem como pano de fundo uma atmosfera religiosa em que sacerdotes e mestres da Lei classificam centenas de mandamentos da Lei divina em “fáceis” e “difíceis”, “graves” e “leves”, “pequenos” e “grandes”. É quase impossível mover-se com um coração saudável nessa rede.

A pergunta que fazem a Jesus procura recuperar o essencial, descobrir o “espírito perdido”. Qual é o mandamento principal? O que é o essencial? Onde está o núcleo de tudo? A resposta de Jesus, como a de Hillel e outros mestres judeus, resume a fé básica de Israel: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu ser”. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Que ninguém pense que, ao falar do amor a Deus, se está falando de emoções ou sentimentos para com um Ser imaginário, nem de convites a orações e devoções. “Amar a Deus com todo o coração” é reconhecer humildemente o Mistério último da vida; orientar confiantemente a existência de acordo com sua vontade: amar a Deus como Pai, que é bom e nos quer bem.

Tudo isto marca decisivamente a vida, pois significa louvar a existência a partir de sua raiz; participar na vida com gratidão; optar sempre pelo bom e pelo belo; viver com coração de carne e não de pedra; resistir a tudo o que trai a vontade de Deus negando a vida e a dignidade de seus filhos e filhas.

Por isso o amor de Deus é inseparável do amor aos irmãos. Assim o lembra Jesus: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O amor real a Deus não é possível sem dar atenção ao sofrimento de seus filhos e filhas.

Que religião seria aquela em que a fome dos desnutridos ou o excesso dos satisfeitos não provocasse nenhuma pergunta nem preocupação aos crentes? Não estão desencaminhados aqueles que resumem a religião de Jesus como “paixão por Deus e compaixão pela humanidade”.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 24 de outubro de 2026

Reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

O amor precisa de mandamento?

♦ Tema do amor, mandamento e testamento do Senhor. Somos discípulos daquele que, por amor, deu a vida no alto do madeiro. Ressoa sempre diante de nossos ouvidos as palavras Daquele que amou até o fim: amar a Deus de todo o coração, amor ao próximo como a nós mesmo, não há maior amor do que dar a vida pelos seus. Amor, palavra gasta, colocada em tudo tantas vezes sem critério. O amor é o que é de mais importante numa existência. Ele nos arranca da banalidade de anos em que se podemos ter dançado a dança macabra em torno de nós mesmos num pequeno e tacanho universo.

♦ A Trindade, essa fornalha de dom, de entrega, de ventura de amor. Mistério dos Mistérios. Não conseguimos imaginar. O amor é difuso. Não fica em si. Quer expandir. O fogo do amor trinitário a tudo cria por amor. Os espaços, os planetas, a terra, o sol, os colibris, a chuva e o bom tempo, o homem e a mulher: expressões de um amor que se difunde da fogueira de amor da Trindade. E quando chegou a plenitude dos tempos o amor se manifesta nos olhinhos de um garoto na Palestina e de um homem estira os braços na cruz do Gólgota. Tudo dom. Tudo excesso de amor. Dois amores num amor: ao Senhor e ao irmão. Três amores: amar a si mesmo.

♦ Ao Senhor toda honra e toda glória. Fonte, mistério, destino, rochedo, baluarte. Um Tu a nos sustentar. O que queres de mim? Reconhecimento. Ele nos inventou. Valemos para ele com a pupila de seus olhos. Vivemos nele e nele somos. Fundamental privar de sua intimidade em nossa verdade mais profunda. Saborear os salmos. Desobstruir todos os canais para que a escuta de sua voz se faça ouvir. Não ser surdo ao que ele pede. Deixa-se seduzir por seu mistério. Permitir que ele nos leve ao deserto para nos sussurrar: “Vamos caminhar juntos… tu vales aos meus olhos!”

♦ Querer bem ao outro. Aos de perto e aos de longe. Aos peregrinos e aos mais próximos. Não se trata apenas de gestos de civilidade, de boas maneiras. Significa existir para. Colocar o outro no centro: o filho, os pais, os colegas de trabalho, o diferente, o certinho e o ‘erradinho’, os refugiados, do infectados. O amor requer previdência e providências. Fidelidade à verdade do outro e paciência com suas lentidões. Amar o outro é desejar que ele seja… Esse amor fraterno tem muitos nomes. Somos convidados a ler e reler o cap. 13 da 1ª. aos Coríntios.

♦ Muitas vezes esse amor fraterno é paciência, sempre firmeza, fidelidade. Por vezes tolerância. Em outras ocasiões, perdão. Sofrer com seus sofrimentos e rir com seu rir. Por vezes é feito de silêncio respeitoso e a decisão de não espalhar aos quatro ventos aquilo que o torna menos belo. E, contudo, isso o amor corrige, pode mudança.

♦ Missal dominical e festivo da Paulus: “A atenção a Deus e a atenção ao homem não são tão facilmente separáveis. O cultivo da “vida interior” é um valor cristão, um valor permanente, como a necessidade de recolhimento. Mas a “vida interior”, quando é cristã, não é monólogo nem é falar com Deus só. Encontrando Deus na oração, o cristão, mais cedo ou mais tarde, encontra inevitavelmente os homens que Deus cria e quer salvar. Ele não pode deixar de subscrever estas linhas de Paul Ricoeur: “Minha fonte interior é a fonte de minhas relações exteriores. Contrariamente à sabedoria meditativa e contemplativa do fim do paganismo grego ou do Oriente, a pregação cristã jamais opôs o ser ao fazer, o interior ao exterior, a teoria à práxis, a oração à vida, a fé às obras, Deus ao próximo. E sempre no momento em que a comunidade cristã se desfaz ou a fé decai, que ela abandona o mundo e suas responsabilidades, reconstruindo o mito da interioridade. Então o Cristo não é mais reconhecido na pessoa do pobre, do exilado e do prisioneiro”.

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Oração

Senhor, ama-me

Ama-me Tu, Senhor,
ainda que eu não seja amável,
ainda que seja pobre,
ainda que não o mereça,
ainda que te ame pouco,
ama-me Tu, Senhor.

Quando me levanto pela manhã, cheio de sonhos,
quando me deito à noite, cheio de desilusões,
quando trabalho por inércia,
quando repouso e me sinto vazio,
quando rezo distraído,
quando não tenho vontade de te amar,
ama-me Tu, Senhor.

Quando penso amar-te
sem amar os homens,
quando me iludo de amar os homens
sem te amar
quando temo mar demasiado
ama-me tu, Senhor.

Quando tenho de me comprometer,
e tenho responsabilidades,
quando fujo do amor
quando ninguém me ama
ama-me Tu, Senhor. (Adriana Zarri)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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