domingo, 1 de março de 2026

Leão XIV neste domingo:

o dom do Filho Salvador,
a resposta do Pai ao desespero do ateísmo

"A Transfiguração antecipa a luz da Páscoa, "evento de morte e de ressurreição, de trevas e de nova luz que Cristo irradia sobre todos os corpos flagelados pela violência, sobre os corpos crucificados pela dor, sobre os corpos abandonados na miséria", disse Leão XIV no Angelus.

A Transfiguração antecipa a Páscoa, mostrando que a glória de Cristo transforma a dor, o mal e as chagas da história em promessa de salvação e ressurreição. E na Quaresma, somos convidados ao silêncio, à conversão e à fé, pedindo a Maria que nos guie na contemplação do verdadeiro rosto de Deus.

Em síntese, foi o que disse Leão XIV ao dirigir-se aos milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro para o Angelus neste II Domingo da Quaresma.

O Evangelho da liturgia do dia (cf. Mt 17, 1-9), começou explicando o Papa, "compõe para todos nós uma imagem cheia de luz, narrando a Transfiguração do Senhor". E para representá-la, "o evangelista mergulha o seu pincel na memória dos Apóstolos, pintando Cristo entre Moisés e Elias".

"O Verbo feito homem - afirmou o Santo Padre - está entre a Lei e a Profecia: ele é a Sabedoria viva, que leva a cumprimento toda a palavra divina. Tudo o que Deus ordenou e inspirou aos homens encontra em Jesus a sua manifestação plena e definitiva". E "como no dia do batismo no Jordão, também hoje ouvimos a voz do Pai, que proclama no monte: «Este é o meu Filho muito amado», enquanto o Espírito Santo envolve Jesus numa «nuvem luminosa»:

Com esta expressão, verdadeiramente singular, o Evangelho descreve o estilo da revelação de Deus. Quando se manifesta, o Senhor revela a sua excelência aos nossos olhos: diante de Jesus, cujo rosto resplandece «como o sol» e cujas vestes se tornam «brancas como a luz», os discípulos admiram o esplendor humano de Deus. Pedro, Tiago e João contemplam uma glória humilde, que não se exibe como um espetáculo para as multidões, mas como uma solene confidência.

Transfiguração antecipa a luz da Páscoa

A Transfiguração - completou Leão XIV - antecipa a luz da Páscoa, "evento de morte e de ressurreição, de trevas e de nova luz que Cristo irradia sobre todos os corpos flagelados pela violência, sobre os corpos crucificados pela dor, sobre os corpos abandonados na miséria":

Com efeito, enquanto o mal reduz a nossa carne a uma mercadoria de troca ou a uma massa anônima, precisamente esta mesma carne resplandece da glória de Deus. O Redentor transfigura assim as chagas da história, iluminando a nossa mente e o nosso coração: a sua revelação é uma surpresa de salvação!

A necessidade de "tempo" para compreender

Diante disso, o Papa pergunta: "Deixamo-nos fascinar por ela? O verdadeiro rosto de Deus encontra em nós um olhar de admiração e amor?":

Ao desespero do ateísmo, o Pai responde com o dom do Filho Salvador; o Espírito Santo resgata-nos da solidão agnóstica, oferecendo uma comunhão eterna de vida e graça; diante da nossa fé fraca, está o anúncio da ressurreição futura: eis o que os discípulos viram no esplendor de Cristo, mas para compreendê-lo é preciso tempo. Tempo de silêncio para ouvir a Palavra, tempo de conversão para apreciar a companhia do Senhor.

"Enquanto experimentamos tudo isto durante a Quaresma - disse ao concluir - peçamos a Maria, Mestra de oração e Estrela da manhã, que guarde os nossos passos na fé".

_____________________________________________________________________________

Papa em apelo:

a paz não se constrói com ameaças recíproca
nem com armas que semeiam morte

"Dirijo um veemente apelo sincero às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem-estar dos povos que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça", foi o apelo do Pontífice.

"Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça". Poucos dias depois do quarto aniversário da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, as atenções nestas horas se voltam em particular para o Irã, onde um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel atingiu desde a manhã de sábado diversas cidades iranianas, matando o líder supremo Ali Khamenei. O Irã reagiu, atingindo alvos civis e bases estadunidenses nos países do Golfo e em Israel.

Logo após rezar a oração mariana do Angelus, a preocupação de Leão XIV e o apelo ao diálogo:

Acompanho com profunda preocupação o que está acontecendo no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável.

Diante dos desdobramentos imprevisíveis do conflito, o Santo Padre pediu ainda que a diplomacia recupere o seu papel, reiterando que os povos anseiam pela paz fundada na justiça:

Diante da possibilidade de uma tragédia de proporções enormes, dirijo um veemente apelo às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça. E continuemos a rezar pela paz.

E o pedido a continuar a rezar pela paz não se refere apenas ao Oriente Médio. A atenção do Pontífice se voltou também para a "guerra aberta" entre Paquistão, que possui armas nucleares, e o Afeganistão, onde o Talibã é especialista em guerra de guerrilha:

Além disso, nestes dias, chegam notícias preocupantes de confrontos entre o Paquistão e o Afeganistão. Elevo a minha súplica por um retorno urgente ao diálogo. 

E mais uma vez o pedido:

Rezemos juntos para que a harmonia prevaleça em todos os conflitos do mundo. Somente a paz, um dom de Deus, pode curar as feridas entre os povos.

___________________________________________________________________________
                                                         Fonte: vaticannews.va   Vídeo e foto: (@Vatican Media

Reflexão para o seu domingo:

O risco de instalar-se

José Antonio Pagola

Cedo ou tarde, todos corremos o risco de instalar-nos na vida, buscando o refúgio cômodo que nos permita viver tranquilos, sem sobressaltos nem preocupações excessivas, renunciando a qualquer outra aspiração.

Conseguido já um certo êxito profissional, encaminhada a família e assegurado, de alguma maneira, o futuro, é fácil deixar-se levar por um conformismo cômodo que nos permita prosseguir caminhando na vida da maneira mais confortável.

É o momento de buscar uma atmosfera agradável e acolhedora. Viver relaxado num ambiente feliz. Fazer do lar um refúgio entranhável, um rincão para ler e ouvir boa música. Saborear boas férias, assegurar agradáveis fins de semana …

Mas, com frequência, é então que a pessoa descobre, com mais clareza do que nunca, que a felicidade não coincide com o bem-estar. Falta nessa vida algo que nos deixa vazios e insatisfeitos. Algo que não se pode comprar com dinheiro nem assegurar com uma vida confortável. Falta simplesmente a alegria própria de quem sabe vibrar com os problemas e necessidades dos outros, sentir-se solidário com os necessitados e viver, de alguma maneira, mais perto dos maltratados pela sociedade.

Mas existe também um modo de “instalar-se” que pode ser falsamente reforçado com “tons cristãos”. É a eterna tentação de Pedro que sempre nos espreita: “levantar tendas no alto da montanha”. Quer dizer, buscar na religião nosso bem-estar interior, eludindo nossa responsabilidade individual e coletiva na conquista de uma convivência mais humana.

E, não obstante, a mensagem de Jesus é clara. Uma experiência religiosa não é verdadeiramente cristã se ela nos isola dos irmãos, nos instala comodamente na vida e nos afasta do serviço aos mais necessitados. Se escutamos a Jesus, vamos sentir-nos convidados a sair do nosso conformismo, romper com um modo de vida egoísta, no qual estamos talvez confortavelmente instalados, e começar a viver mais atentos à interpelação que nos chega dos mais desamparados de nossa sociedade.

_______________________________________________________________________________

JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

____________________________________________________
                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis (MG):

Horários de missa e outros eventos

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

Dia 1º de março - 2º Domingo da Quaresma

7h - Missa na matriz          9h - Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges      18h - Missa na igreja de Santo Antônio

19h - Missa na matriz

______________________________________________________________________________

Reflexão para este sábado:

Quanto esplendor no rosto do Senhor!

Frei Almir Guimarães

Muitas vezes em horas avançadas da vida, assalta-nos a tentação de achar que tudo se passou e nada se construiu, que não há verdadeiramente um fundamento. Olhamos para as nossas mãos e estão vazias, nuas e a tentação é dizer: Será que valeu a pena?”, o que é que eu escutei?”, o que é que meus olhos viram?” (José Tolentino Mendonça)

 Sempre, neste segundo domingo da Quaresma, somos convidados a subir a montanha da transfiguração de Jesus com Pedro, Tiago e João. No final de todo o retiro quaresmal, vamos comemorar a Páscoa do Senhor. Na solene Vigília Pascal acenderemos o círio, luz, claridade. Páscoa é festa da luz. Jesus é beleza e luminosidade. Sua beleza mais deslumbrante manifestou-se em sua ressureição. No início de nossa caminhada quaresmal (ou na caminhada da vida) somos convidados a fazer uma pausa e subir a montanha. Antes de contemplar o semblante chagado, empoeirado, desrespeitado em sua paixão, temos, na montanha, uma prefiguração da glória do Senhor. O que ali vimos com os olhos da fé?

 Uma alta montanha… lugar de silêncio e propício para ouvir a voz do Senhor. A transfiguração se dá num espaço de silêncio, recolhimento, sem ruídos de dentro nem de fora, numa atmosfera de oração silenciosa. Jesus se coloca em união íntima com o Pai. Os dois se conhecem e se amam. Nesse misterioso face a face com o Pai o rosto do Filho ficou brilhante e suas vestes brancas. Um ofuscante banho de luz.

 Dois personagens se fazem presentes: Moisés e Elias. Moisés, aquele que falava com um Senhor como um amigo fala a um amigo. Moisés que, ao descer da montanha, tinha o rosto todo banhado de luz, da claridade do Senhor, como também se dizia de Santa Clara quando estava em oração. Elias, o homem cansado da luta, desgastado pela oposição, coloca-se à entrada da caverna e, quando a brisa suave acaricia seu rosto, ele se dá conta que era visitado pelo Senhor. Montanha, transfiguração, silêncio, oração. Oração que não é um mero balbuciar de fórmulas, mas êxtase de pobres que abraçam o Senhor. Tolentino gosta de dizer que rezar é abraçar a vida. Tempo do grande retiro quaresmal: tempo de oração com a porta do quarto fechada.

 Pedro exprime um desejo: “É bom estarmos aqui… vamos fazer três tendas e eternizar esse momento, estancar o tempo”. Experiência jubilosa de uma proximidade de Deus. O invisível como que se tornava palpável. Pode acontecer que muitas pessoas foram se desvencilhando de seus pequenos interesses e desobstruindo as portas de seu interior, de sua intimidade e venham a ter certeza da proximidade do Senhor. A quaresma não seria um tempo para vivenciarmos uma oração sem pressa, num simples estar com o Senhor, no silêncio?

 Quando Pedro ainda falava “apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Presença do Senhor. Os discípulos ficaram com medo de entrar na nuvem. Quando Deus nos cerca e nos coloca contra a parede, quando sua voz atinge o mistério mais profundo de nós mesmos, tudo pode ser diferente. Temos receio de lançarmo-nos de corpo inteiro na louca aventura da fé. A claridade de Deus nos ofusca e temos medo de não suportar. Ele nos seduz, mas temos medo de sermos seduzidos. Ora, vivemos nesse mundo para habilitar-nos a viver na Claridade. Ela será nossa pátria.

 “Este é meu filho amado no qual eu pus todo o meu agrado, escutai-o”. No coração da Quaresma, no alto da montanha, em clima de recolhimento e silêncio somos convidados a abrir nossa intimidade à audição do Filho amado. Escutar é mais do que acolher sons que chegam ao nosso aparelho auditivo. Trata-se de dar hospitalidade ao Mistério de Deus que se avizinha. E tirar todas as consequências.

 Aqui se insere todo o capítulo do seguimento de Jesus, do aprendizado de ser discípulo. Temos convicção de que não podemos viver apenas de uma fé infantil, não trabalhada, não assumida pessoalmente. Estamos convencidos de que precisamos ser discípulos. Bom seria se pudéssemos viver numa comunidade de pessoas sinceras e transparentes e respirarmos o mesmo ar de busca sem pieguices e infantilismos.

 “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do homem enha ressuscitado dos mortos”. Jesus não que os privilegiados discípulos divulguem o que experenciaram. Aquele não passava de um momento. Haveria uma outra montanha: Gólgota, Calvário, Crâneo. Esse Jesus haveria de lá estar pregado ao madeiro, desfigurado, sem beleza, as pessoas virando o rosto ao verem tanta feiura. Tudo vai terminar na entrega: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”.

 “Mais do que nunca devemos atender ao apelo evangélico: Este é o meu Filho amado, de quem me agrado. Escutar”. Devemos parar, fazer silêncio e escutar mais a Deus revelado em Jesus Cristo. Esta escuta interior ajuda a viver a verdade, a saborear a vida em suas raízes, e não esbanja-la de qualquer maneira, a não passar superficialmente diante do essencial. Escutando a Deus encarnado em Jesus descobrimos nossa pequenez e pobreza, mas também nossa grandeza de seres amados infinitamente por Ele (Pagola, Mateus, p. 217).

 Escutar o Senhor é nascer para um mundo novo…

__________________________________________________________

Texto para meditação

Ouvir o silêncio

Diria isto: por vezes o que nos aproxima da autenticidade é o continuar, por vezes o parar. E só o saberemos no exercício paciente e inacabado da escuta. Mas esta audição de nós mesmos não se faz sem coragem e sem esvaziamento, E não podemos estar à espera de condições ideais. Acredito naquilo que o músico John Cage deixou escrito: em nenhuma parte do espaço ou do tempo existe isso que, de forma idealizada, nós chamamos de silêncio. À nossa volta tudo é som, por muito que tentemos encontrar um silêncio. E do mesmo modo se expressou Kafka, falando de sua trincheira, a literatura: “Nunca conseguimos estar o suficientemente sozinhos quando escrevemos, até mesmo a noite nunca é noite nunca é noite o suficiente”. Aquilo que chamamos de silêncio só se torna real e efetivo através de um processo de despojamento interior, e de nenhuma outra maneira”. (José Tolentino Mendonça – A mística do instante, Paulinas, p. 118)

____________________________________________________________________________________

Para rezar

Desfigurações e transfigurações
Rostos desfigurados:
doentes se contorcendo no leito do sofrimentos,
migrantes sacudidos pelas turbulências vida,
meninos e meninas sofrendo abuso sexual,
crianças que perderam os pais na guerra d tráfico,
farrapos humanos encontrados mortos depois de um sequestro.
Rostos transfigurados:
pessoas em oração,
religiosa idosa sentada no quintal olhando as borboletas,
gente com rosto bonito visitando os abandonados,
pessoas livres de si mesmas.

_____________________________________________________________________________________

FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

_______________________________________________                                                                     Fonte: franciscanos.org.br   Banner: vaticannews.va

Leão XIV sobre os Exercícios espirituais:

experiência profunda, senti-me convidado a refletir

Leão XIV interveio espontaneamente no final da semana de reflexão para a Quaresma na Capela Paulina com a Cúria Romana: “encontrarmo-nos todos juntos, um momento muito importante da nossa vida”. O Pontífice agradeceu ao pregador Erik Varden pelas meditações centradas no testemunho da vida monástica e destacou os temas da esperança, da liberdade e da verdade. Por fim, citando São Paulo, exortou a comportar-se “de maneira digna do Evangelho de Cristo”.

“Devo reconhecer que, pessoalmente, em alguns momentos, senti-me particularmente convidado a refletir. Por exemplo, esta manhã, quando falava da eleição do Papa Eugênio III e São Bernardo, ele disse: ‘O que vocês fizeram? Que Deus tenha piedade de vocês’”. Com uma breve intervenção improvisada – e uma piada que provocou o sorriso dos membros da Cúria Romana presentes na Capela Paulina –, Leão XIV concluiu esta noite, 27 de fevereiro, a semana de Exercícios Espirituais da Quaresma, iniciada na tarde do último domingo. O Pontífice interveio à noite, após a décima primeira e última meditação do pregador dom Erik Varden, bispo de Trondheim, na Noruega, a quem Leão expressou profunda gratidão por ter acompanhado ele e a Cúria nestes dias de oração e reflexão.

Experiência profunda

“Uma experiência profunda, espiritual, muito importante em nosso caminho quaresmal”, assim definiu Leão XIV os Exercícios, realizados em um local simbólico: a Capela Paulina. Ou seja, a capela onde todos os cardeais se reuniram em 8 de maio de 2025 – dia da eleição de Robert Francis Prevost – para a celebração eucarística. O que impressionou o Papa, hoje como então, foi a inscrição do versículo da Carta de São Paulo aos Filipenses: “para mim, viver é Cristo e morrer é lucro”. Uma leitura bíblica que Leão disse ter retomado durante os Exercícios Espirituais como “reflexão sobre a esperança e sobre a verdadeira fonte da esperança que é Cristo”. Do escrito paulino, o Papa citou também outra passagem, aquela em que o apóstolo exorta: “Comportem-se, portanto, de maneira digna do Evangelho de Cristo”. É precisamente este o convite que Leão XIV dirigiu a todos no final destes dias de oração: “Comportem-se, portanto, de maneira digna do Evangelho de Cristo”.

O Papa Leão XIV agradece ao pregador Varden   (@Vatican Media)


Liberdade, verdade, esperança

“Com esse espírito de comunhão, todos nós reunidos trabalhamos juntos”, disse ainda o Papa. Às vezes estamos “separados”, portanto, “encontrar-nos em oração” é “um momento muito importante da nossa vida, refletindo sobre tantas questões que são importantes para a nossa vida e para a Igreja”. Recordando rapidamente os dias que acabaram de passar, o Papa Leão retomou alguns dos temas que surgiram durante as onze meditações, começando pela referência a John Henry Newman, o cardeal inglês que ele proclamou Doutor da Igreja, e o poema “O sonho de Geronzio”, onde o teólogo leva o leitor a “contemplar seu próprio medo da morte e seu próprio sentimento de indignidade diante de Deus”. Depois, outros elementos como “a liberdade” e “a verdade” que, sublinhou, são “tão importantes na nossa vida”.

Encerramento dos Exercícios   (@Vatican Media)

O agradecimento à música que eleva o espírito a Deus

Ao concluir seu discurso improvisado, o Pontífice agradeceu novamente a dom Varden por ter compartilhado a “sabedoria” e o “testemunho” dele e da vida monástica de São Bernardo, pela “riqueza de suas reflexões” que continuarão por muito tempo a ser “fonte de bênção” e “de graça”. Agradecimento também aos colaboradores do Escritório de Celebrações Litúrgicas pela preparação do material e ao coro por ter acompanhado a oração com música, que, como destacou o Papa, “nos ajuda de uma maneira que as palavras não podem fazer, elevando nosso espírito ao Senhor”.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

_____________________________________________________________________________________

Veja:
___________________________________________________________________________
                                          Fonte: vaticannews.va   Fotos e vídeo: (@Vatican Media

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Segundo Domingo da Quaresma:

Leituras e reflexão

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

1ª Leitura: Gn 12,1-4a

Leitura do Livro do Gênesis

Naqueles dias, o Senhor disse a Abrão: “Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai, e vai para a terra que eu te vou mostrar. Farei de ti um grande povo e te abençoarei; engrandecerei o teu nome, de modo que ele se torne uma bênção. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão abençoadas todas as famílias da terra!”. E Abrão partiu, como o Senhor lhe havia dito.

_______________________________________________________

Responsório: Sl 32

— Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ venha a vossa salvação!

— Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ venha a vossa salvação!

— Pois reta é a palavra do Senhor,/ e tudo o que ele faz merece fé./ Deus ama o direito e a justiça,/ transborda em toda a terra a sua graça.

— Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,/ e que confiam esperando em seu amor,/ para da morte libertar as suas vidas/ e alimentá-los quando é tempo de penúria.

— No Senhor nós esperamos confiantes,/ porque ele é nosso auxílio e proteção!/ Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ da mesma forma que em vós nós esperamos!

_______________________________________________________

2ª Leitura: 2Tm 1,8b-10

Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo

Caríssimo: Sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. 9Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não devido às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio e da sua graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade. 10Esta graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do Evangelho.

_______________________________________________________
Evangelho: Mt 17,1-9

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus: «Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.» Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra, e da nuvem saiu uma voz que dizia: «Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz.» Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados, e caíram com o rosto por terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: «Levantem-se, e não tenham medo.» Os discípulos ergueram os olhos, e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes: «Não contem a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos.»

______________________________________________________________________________

Reflexão do padre Johan Konings:

Vocação e Promessa

Viver é ser chamado por Deus a entregar-se à sua palavra. No Antigo Testamento, Abraão é o exemplo disso. Tem de deixar toda segurança e confiar-se cegamente à promessa de Deus (1ª leitura). Jesus, no Novo Testamento, é a plentitude dessa atitude (evangelho). Antes de iniciar seu caminho rumo a Jerusalém, ele encontra Deus na oração, na montanha. Aí, Deus o confirma na sua vocação.

E, ao mesmo tempo, dá aos discípulos segurança para que sigam Jesus: mostra-lhes Jesus transfigurado pela glória e proclama que este seu Filho é o portador de seu bem-querer, de seu projeto. Se incluímos em nossa meditação a 2ª leitura de hoje, aprendemos que nossa “santa vocação” não é um peso, mas uma graça de Deus. Portanto, não deve nos assustar.

A prática cristã exige conversão permanente, para largarmos as falsas seguranças que a publicidade da sociedade consumista e as ideologias do proveito próprio e do egoísmo generalizado nos prometem, para arriscar uma nova caminhada, unida a Cristo e junto com os irmãos. Somos convidados a dar ouvidos ao Filho de Deus, como diz o evangelho, e a receber de Cristo nossa vocação, para caminhar atrás dele – até a glória, passando pela cruz. Assim como Abraão escutou a voz de Deus e saiu de sua cidade em busca da terra que Deus lhe prometeu, devemos também nós largar o que nos prende, para seguir o chamado do Senhor.

Isso é impossível sem renúncia (para usar um termo que saiu de moda). Renúncia não é algo negativo, mas positivo: é a liberdade que nos permite escolher um bem maior. Isso vale para ricos e pobres. De fato, o povo explorado deve descobrir a renúncia libertadora. Não privação, mas renúncia. O povo precisa renunciar ao medo, ao individualismo e a outros vícios que aprende dos poderosos. Então saberá assumir sua vocação. E os ricos e poderosos, se quiserem ser discípulos do Cristo, terão de considerar aquilo que possuem como um meio, não para dormir, mas para servir mais, colocando-o à disposição de uma sociedade mais justa e mais fraterna.

_________________________________________________________________

PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

____________________________________________________          Fonte: franciscanos.org.br    Imagem: vaticannews.va    Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

SBCC, UFN e CNBB lançam curso de extensão online e gratuito

sobre Inteligência Artificial e missão pastoral

Em parceria inédita, a Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC), a Universidade Franciscana (UFN) e o Setor Universidades da CNBB e com apoio da ANEC (Associação Nacional de Educação Católica) promovem o curso “Inteligência Artificial e missão pastoral: caminhos para um discernimento sinodal”. A iniciativa reafirma o compromisso da Igreja com o diálogo entre fé e ciência diante dos desafios do mundo contemporâneo.

Com inscrições gratuitas, a formação acontece de 24 de fevereiro a 12 de março, em formato EaD, com encontros às quartas-feiras, das 20h às 22h — totalizando 12 horas de conteúdo com certificação.

O curso oferece uma introdução acessível aos fundamentos da Inteligência Artificial e uma reflexão pastoral sobre seus impactos, limites e possibilidades na evangelização e na missão eclesial. Inspirada no magistério recente da Igreja, a proposta sublinha que a IA não substitui a inteligência humana nem possui moralidade própria, exigindo discernimento ético e responsabilidade em sua aplicação.

A quem se destina

A formação é voltada a bispos, padres, religiosos e religiosas, agentes de pastoral — especialmente da Pastoral da Comunicação e da Pastoral Universitária —, gestores, professores e profissionais da educação católica, além de pessoas com formação superior interessadas no tema.

Programação

24/02 — Inteligência Artificial e Missão Eclesial: impactos, limites e responsabilidade social da Igreja. Palestrante: Dom Edson Oriolo

26/02 — Fundamentos e evolução da IA: conceitos centrais para não especialistas. Palestrante: Prof. Dr. Rodrigo Clemente (UFPR)

03/03 — Sinodalidade e cultura digital: magistério recente e discernimento pastoral. Palestrante: Pe. Danilo Pinto (Fundação Dom Avelar/ INAPAZ)

05/03 — IA na comunicação e na evangelização: estratégias e desafios. Palestrante: Ms. Janaína Santos (Celam)

10/03 — Princípios éticos e critérios para o uso responsável da IA. Palestrante: Prof. Dr. Everthon Oliveira (CEFET-MG)

12/03 — Seminário integrador e orientações para o Módulo II. Palestrantes: Prof. Dr. Márcio Paulo Cenci (UFN)

Mais informações e inscrições

proext@ufn.edu.br | (55) 3220-1253 | www.ufn.edu.br

https://site.ufn.edu.br/pagina/inscricoes-abertas-para-capacitacao-em-ia-e-missao-pastoral

___________________________________________________________________________
                                                                                                          Fonte: cnbb.org.br