sábado, 25 de julho de 2026

Reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

Ouvi dizer que há um tesouro escondido...

♦ “O Reino de Deus está oculto. Muitos ainda não descobriram o grande tesouro do projeto de Deus para um mundo novo. Mas não é um mistério inacessível. Está oculto em Jesus, em sua vida e sua mensagem. Uma comunidade cristã que não descobriu o Reino de Deus, não conhece bem a Jesus e não pode seguir seus passos” (Pagola, Mateus, p. 169).

♦ Viver. Fundamental viver e viver com toda intensidade. Não deslizar pelas coisas. Parar, escutar, observar, respeitar, acolher. Viver, no entanto, é empreendimento complexo e cheio de curvas. Cave-nos arrumar as coisas para a viagem. Ajeitamos as abóboras no caminhãozinho da vida. Sacolejamos. Há pistas melhor conservadas que nos permitem “deslizar”. Há outras esburacadas. Homem, mulher, trabalho, descanso, relacionamentos, filhos, parentes, viagens, sede, ser homem, ser mulher, saúde, doenças, preocupações, dívidas…vida…

♦ Carregamos perguntas e questionamentos. Por vezes tudo abafamos. Muitos questionamentos: Para onde vamos? Por que conflitos e dilaceramentos? O que quer viver na verdade? A quem farei falta quando morrer? O que transmitir aos nossos filhos? Será que desperdiçamos a vida? Qual o saldo de nossa existências? Para que ou para quem eu conto? Deixamos que as pessoas pudessem sentar-se na sala de visitas de nosso coração? Por vezes penso que melhor do que respostas deveríamos nos deter mais nas perguntas. As respostas se encontram mais facilmente, quando as perguntas são bem formuladas. Carregam as respostas.

♦ O homem que soube que existia um tesouro no campo não perdeu tempo. O mesmo se deu com o comerciante de pérolas. Ficaram quietos para que ninguém soubesse. Esse tesouro não seria o Mistério? Não seria um voz a nos invadir e querer que a ouçamos a partir do nó de nossa vida? Não poderia ser despontar de uma luz para o viver?

♦ Antes de chegar ao tesouro é preciso não dizer nada a ninguém, guardar silêncio, pensar, perscrutar. “O que ou quem está querendo mexer com a minha vida?”. O desejo de Deus, o desejo do amor é escondimento. Quando vivemos para sermos vistos, falseamos a verdade. Quando vivemos só de ação, tornamo-nos possessivos. O tempo que precede alcançar o tesouro que é o amor de Deus, é tempo de noviciado, de purificação, de baixar o preço do que vendemos ou mesmo de dar tudo para que aconteça a festa do encontro, de preparar as bodas.

♦ Encontrar o tesouro muda a vida dos protagonistas das parábolas. Há neles uma explosão de alegria. Encontraram o essencial, o melhor de Jesus. O importante é buscar o Reino e tudo o mais será dado de acréscimo.

♦ Venderam o que tinham. Agora é o tesouro. Tesouro, amor, vida plena, o próprio Altíssimo. Tesouro: certeza de que somos amados pelo Senhor e que deu provas disto. Tesouro que é a vida de Jesus que no alto da cruz como que dizia a Adão e a nós: “Onde tu estás”. Tesouro do amor de Deus.

♦ Tesouro, modo novo de viver: ter a certeza de que contamos aos olhos do Senhor, desapropriar-nos de nós mesmos e sermos dádiva, dom; esposos que se amam e se respeitam, que organizam sua vida segundo os ditames da Sermão das Bem-aventuranças, trabalhadores e profissionais que exercem bem o que precisam fazer e que com sua dedicação vislumbram seres humanos para além das máquinas, das burocracia, da rotina.

♦ O Reino começa quando deixarmos de dançar em torno de nosso mesquinho e pequeno mundinho.

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Para a reflexão

Mas afinal, que tesouro é esse?

A experiência de quem encontra um tesouro e vende tudo por ele é, na realidade a experiência de quem ouve a Palavra que lhe diz: “Tu és precioso aos meus olhos e Eu te amo. Eu entrego populações em troca de ti” (Is 43,4). É este amor o segredo da alegria da radicalidade de uma vida cristã, é este o amor, o bem precioso a proteger e salvaguardar, este o amor do Senhor e pelo Senhor que pode renovar vidas tentadas pelo envelhecimento, cansaço, insensibilidade, cinismo, indiferença. A nós que, na oração dizemos ao Senhor “és tu o meu Senhor, não há nenhum bem além de ti” e “tu és o meu único bem” (Sl 16,2), e, ainda, “em ti ó Deus se alegra o meu coração, exulta o meu íntimo” (Sl 16,9), é pedido que nos ponhamos à prova para saber se Cristo habita em nós(cf.2Cor 13,5). E isto porque nós habitamos lá, onde está o nosso tesouro: é o tesouro que nos assenta, que nos situa. Se Cristo habita em nós, nós habitamos em Cristo e então podemos gozar a alegria indizível no caminho para o Reino. Trata-se apenas de redescobrirem cada dia a preciosidade do dom recebido, combatendo a tentação do banal, do adquirido, do “tudo é devido”. (Luciano Manicardi – Comentário à Liturgia Dominical e Festiva – Paulinas (Portugal), p. 126)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 25 - Sábado

18h -  Missa na capela de São Benedito do Goiabal, seguida da noite da quirera e do caldinho de feijão

19h -  Missa na matriz    19h -  Missa no Uruguaia

19h -  Celebração nas comunidades São Geraldo

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Dia 26 - 17º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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17º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: 1Rs 3,5.712

Leitura do Primeiro Livro dos Reis

Naqueles dias, em Gabaon, o Senhor apareceu a Salomão, em sonho, e lhe disse: “Pede o que desejas, e eu te darei”.

E Salomão disse: “Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar. Além disso, teu servo está no meio do teu povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular. Dá, pois, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?”

Esta oração de Salomão agradou ao Senhor. E Deus disse a Salomão: “Já que pediste esses dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti nem haverá depois de ti”.

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Responsório: Sl 118(119)

- Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!

- Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!

1. É esta a parte que escolhi por minha herança: observar vossas palavras, ó Senhor! A lei de vossa boca, para mim, vale mais do que milhões em ouro e prata.

2. Vosso amor seja um consolo para mim, conforme a vosso servo prometestes. Venha a mim o vosso amor e viverei, porque tenho em vossa lei o meu prazer!

3. Por isso amo os mandamentos que nos destes, mais que o ouro, muito mais que o ouro fino! Por isso eu sigo bem direito as vossas leis, detesto todos os caminhos da mentira.

4. Maravilhosos são os vossos testemunhos, eis por que meu coração os observa! Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina, ela dá sabedoria aos pequeninos.

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2ª Leitura: Rm 8,28-30

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos: Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus. Pois aqueles que Deus contemplou com seu amor desde sempre, a esses ele predestinou a serem conformes a imagem de seu Filho, para que este seja o primogênito numa multidão de irmãos.

E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou, também os tornou justos; e aos que tornou justos, também os glorificou.

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Evangelho: Mt 13,44-52

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo.

O Reino dos Céus é também como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola.

O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”.

Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Escolher é renunciar

Renunciar não está na moda, é contrário à economia do mercado, ao consumo irrestrito… O evangelho, porém, mostra a atualidade eterna da renúncia. E para entender isso melhor, a liturgia nos lembra primeiro o exemplo de Salomão. Quando Deus o convidou para pedir o que quisesse, ele não escolheu poder e riqueza, mas, sim, sabedoria, para julgar com justiça (1ª leitura). Jesus ensina o povo a escolher o que vale mais: o Reino de Deus. Para participar deste, vale colocar tudo em jogo, como faz um negociante para comprar um campo que esconde um tesouro, ou para adquirir uma pérola cujo valor resiste a qualquer inflação…

O que se contrapõe, nestas leituras, são por um lado as riquezas imediatas (materiais), por outro, o dom que Deus nos dá (para Salomão, a sabedoria no julgar; para nós, o Reino). Na hora de escolher, o dom de Deus é que deve prevalecer, e o resto tem que ser sacrificado, se for preciso.

Qual será o dom de Deus hoje? Aquilo que queremos ter em nosso poder, aquilo que com tanta insistência agarramos e procuramos segurar? Nossas posses, privilégios de classe, status etc? Ou não será antes a participação na comunhão fraterna, superar o crescente abismo entre ricos e pobres e transformar as estruturas de nossa sociedade, para que todos possam participar da construção do mundo e da História que Deus nos confia? “Os pobres, nosso tesouro”. Queremos investir tudo, os nossos bens materiais, culturais etc., para uma sociedade que encarne melhor a justiça de Deus?

Às vezes, a gente preferiria não escolher, para ficar com tudo: a riqueza, o poder, e, além disso, Deus…. Mas quem não se decide, não se realiza. Optar e renunciar é que nos torna gente. O grande escultor Miguel Ângelo disse que realizava suas obras de arte cortando fora o que havia demais. (Podemos meditar neste sentido sobre a 2ª leitura: Deus, artesão perfeito, quer fazer de nós uma obra de arte: conhece o material, projeta, escolhe, endireita… até coroar sua obra que somos nós, feitos imagens de seu Filho).

O cristão deve, de maneira absoluta, renunciar ao pecado; é essa uma das promessas de nosso batismo. Mas, se for preciso para servir melhor o Reino de Deus, ele deve renunciar também a coisas que não são más em si (riqueza, prestígio etc). Pois o Reino vale mais do que tudo.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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              Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: catequisar.com.br  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 23 de julho de 2026

CNBB apresenta identidade visual, oração

e a letra do hino da Campanha da Fraternidade 2027

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a identidade visual, a letra do hino e a oração da Campanha da Fraternidade 2027, que terá como tema “Fraternidade e o Cuidado das Crianças” e como lema “Quem recebe uma criança em meu nome, a mim recebe” (Mt 18,5).

A Campanha tem como objetivo geral promover um caminho de conversão cristã para a corresponsabilidade no cuidado das crianças, reconhecendo, à luz do Reino de Deus, a infância como tempo sagrado de desenvolvimento integral, em um ambiente de relações seguras, marcadas pelo amor e pelo respeito.

Segundo o secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, a principal intenção da CF 2027 é fazer com que a reflexão sobre o cuidado e a proteção das crianças alcance as diferentes realidades e comunidades da Igreja no Brasil:

“A principal intuição, o principal desejo da Campanha da Fraternidade de 2027 é fazer chegar às nossas comunidades mais distantes e aos grupos de coroinhas, de catequese, de Infância e Adolescência Missionária e às diversas pastorais e movimentos das nossas comunidades a consciência de que precisamos promover uma cultura do cuidado e da proteção das crianças e, com elas, também dos adolescentes e adultos vulneráveis”, afirma.

A proposta da CF 2027 busca colocar no centro da reflexão o cuidado, a proteção, os direitos, a inclusão, a família e o desenvolvimento integral das crianças. Ao mesmo tempo, chama a atenção para realidades que ameaçam a infância, como situações de exploração, tráfico, abusos, violações, omissões e marginalização.

Para o secretário-executivo, a temática ultrapassa as fronteiras do Brasil e dialoga com desafios enfrentados em diferentes partes do mundo:

“Essa é uma pauta relevante não apenas para o nosso Brasil, mas para o mundo. Era uma preocupação do Papa Francisco a situação das crianças no mundo. As guerras, os refugiados e tantas outras situações de abandono, descuido e abuso das nossas crianças tornam esse tema muito relevante e necessário para a nossa conversão pessoal, comunitária e social”, destaca padre Jean Poul.

Uma identidade visual em movimento

A identidade visual da Campanha da Fraternidade 2027 foi concebida como um sistema adaptável, escalável e dinâmico, capaz de assumir diferentes configurações e aplicações em cartazes, materiais impressos, livros, vídeos, redes sociais, sites, camisetas, outdoors, telões e outros formatos de comunicação.

Segundo o autor da identidade visual, Francenilton Klava, da Assessoria de Comunicação da CNBB, a proposta foi pensada desde o início como um sistema visual, e não apenas como um cartaz:

“A Campanha da Fraternidade alcança diferentes contextos e mídias, por isso era importante que a linguagem fosse flexível e se adaptasse a diversos formatos. Além disso, os elementos visuais foram criados para estimular a interação, permitindo que crianças, escolas e comunidades também possam se apropriar dessa identidade de forma criativa”, explica.

A composição visual utiliza recortes e colagens de papel que remetem às experiências criativas próprias da infância. Fotografias de crianças se unem a símbolos relacionados à família, à fé, à educação e aos valores cristãos. A proposta é comunicar o cuidado com as crianças a partir de uma perspectiva positiva e inspiradora, apresentando-as acolhidas, felizes e saudáveis.

De acordo com o designer, essa escolha buscou evitar uma abordagem centrada apenas nas situações de vulnerabilidade:

“Desde a concepção do cartaz, procuramos evitar uma abordagem apelativa ou centrada apenas nas situações de vulnerabilidade. A ideia foi destacar aquilo que é próprio da infância: o brincar, a imaginação, a experimentação e a criatividade. O cuidado com as crianças aparece justamente na defesa do direito de viver plenamente essa fase da vida, com alegria, dignidade e esperança”, afirma Francenilton.


Cores vibrantes, uma tipografia de caráter lúdico e elementos gráficos inspirados no universo infantil ajudam a expressar conceitos como alegria, esperança e desenvolvimento integral.

Também são utilizadas ilustrações com traços orgânicos, irregulares e texturizados, inspirados nos desenhos feitos pelas próprias crianças e na linguagem do giz de cera e do desenho manual. Entre os símbolos estão elementos como a casa, a cruz, o coração, o livro, peças de quebra-cabeça, a pomba, a flor, a bola, a borboleta, a pipa e o arco-íris. Mais do que recursos decorativos, eles buscam reforçar valores como cuidado, acolhimento, proteção, fé e esperança.

De acordo com padre Jean Poul, secretário-executivo de Campanhas da CNBB, a identidade visual também tem a missão de despertar as comunidades para a construção de uma cultura do cuidado, na qual as crianças possam crescer e viver plenamente. Para ele, um dos destaques da proposta visual é justamente a presença das crianças e a perspectiva de alegria e esperança que atravessa as diferentes aplicações:

“O que me encanta no cartaz deste ano é a presença das crianças e o seu tom pascal. Embora a Campanha da Fraternidade comece no tempo da Quaresma, a Quaresma existe em função da Páscoa, é um tempo de preparação para a celebração solene dos mistérios pascais. Por isso, o cartaz deste ano já traz esse tom da alegria, do cuidado, da vida e do bem viver das crianças no meio de nós e nas nossas comunidades cristãs”, explica.

Para o autor da identidade visual, Francenilton Klava, participar da criação da identidade da Campanha da Fraternidade 2027 também representa a realização de um sonho de infância:

“Na infância, sonhava em ser desenhista. Passei grande parte da minha infância desenhando e criando histórias na imaginação. Hoje, poder desenvolver a identidade visual de uma campanha que celebra justamente esse universo lúdico e criativo da infância é algo muito significativo para mim, tanto profissionalmente quanto pessoalmente”, relata Francenilton.

O sol como símbolo de cuidado e vida

Um dos elementos presentes na identidade visual é o sol, representado com traços que remetem aos desenhos infantis. O símbolo expressa a simplicidade, a alegria e a esperança próprias da infância e aponta para a necessidade de garantir às crianças cuidado, proteção e oportunidades para seu pleno desenvolvimento.

Na perspectiva da fé cristã apresentada pela identidade da Campanha, o sol também remete a Jesus Cristo, apresentado como o Sol da Justiça. Assim como o sol ilumina, aquece e sustenta a vida, a imagem recorda Cristo que, por meio de sua Palavra e de seu amor, acompanha cada criança em seu caminho de crescimento.

Cores que retomam a história da Campanha da Fraternidade

A escolha das cores também estabelece um diálogo com a trajetória histórica da Campanha da Fraternidade. A paleta foi inspirada em cartazes de edições anteriores que abordaram questões relacionadas à fraternidade, à defesa da vida, à superação da violência e ao cuidado com a dignidade humana. 

Entre as referências estão as Campanhas da Fraternidade de 1967, sobre corresponsabilidade; de 1983, sobre fraternidade e violência; e de 1984, sobre fraternidade e vida. A proposta busca, assim, estabelecer uma ponte entre diferentes momentos da caminhada da Igreja no Brasil e reafirmar o cuidado com as crianças como parte de uma missão permanente de acolhimento, proteção e promoção da vida. 

A identidade visual pode ser baixada (aqui)

Atualização da marca da CF

Além da identidade visual da CF 2027, este ano marca a renovação da logo da Campanha da Fraternidade. Criada em 1995, o símbolo da CF ganha agora um traço mais leve e desenhado, atualização que preserva os elementos reconhecidos pelo público ao longo de três décadas, resultando em uma marca mais atual e ao mesmo tempo fiel à sua origem.

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Oração da CF 2027

Confira, abaixo, a oração da CF 2027: 

Deus Pai, fonte da vida, 

cada criança é um milagre! 

O pecado, contudo, gera exclusão, violência e morte. 

O abuso, que é um crime, gera feridas que precisam ser curadas 

e que clamam por justiça. 

Suscitai em nós, em nossas famílias, comunidades 

e na sociedade inteira, 

atitudes concretas de conversão 

à ternura, à escuta, à proteção e à cultura do cuidado. 

Senhor Jesus, 

vós que acolhestes e abençoastes as crianças, 

ensinai-nos a ser semelhantes a elas, 

para entrarmos no Reino dos Céus, 

que buscamos e para o qual caminhamos. 

  

Espírito Santo, 

vós que inspirastes a mãe Maria 

a bem cuidar do menino Deus, 

ajudai-nos a acolher, proteger, respeitar e 

amar as crianças, 

reconhecendo-as e valorizando-as 

como expressão do vosso amor. 

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Confira, abaixo, a letra do hino da CF 2027: 

Hino da Campanha da Fraternidade 2027

Letra: Ismael Oliveira do Nascimento
Melodia: João Vitor de Oliveira Teixeira

O cuidado e a atenção aos pequeninos,
missão de todos, compromisso de amor.
“Quem recebe uma criança em meu nome
A mim recebe”, ensinou nosso Senhor.

Em Nazaré manifestou-se a alegria
do céu trazida na imagem da criança,
que foi cuidada com o amor da Mãe Maria,
e entre nós se fez grandeza e aliança.

São nossos filhos dom de Deus, diz a Escritura,
e do Senhor já se confirma sua herança.
Do Pai a imagem em bondade e em ternura,
em Jesus Cristo nos foi dada em esperança.

Ao garantir o crescimento integral,
toda criança tem direito à plena vida
É a família sua base essencial
refúgio próprio de aconchego e acolhida.

Em nosso meio, nos pequenos acolhidos,
a plena face de Jesus se reconhece.
Todo serviço que protege a infância,
por nossa voz, em nosso canto, se faz prece.

Por Larissa Carvalho

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  Fonte: cnbb.org.br

Sábia catequese para esta quinta-feira:

Noites de misericórdia!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Um grande colega padre sugeriu um título para as noites de Louvor na sua paróquia . Queria incluir duas horas de louvor e duas horas de AMOR SOLIDÁRIO. Pediu que eu fundamentasse os encontros. Acha que sou bom para criar títulos! kkk

Mandei a ele os títulos de encíclicas que os animadores poderiam citar para unirem adoração e conhecimento dos 135 anos da RERUM NOVARUM e das res novae de agora.

Seriam cerca de 15 encíclicas de Leão XIII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI, Papa Francisco, trechos São Francisco de Assis, e Leão XIV. De acréscimo, trechos dos evangelhos e das epístolas.

Na sua encíclica MAGNÍFICA HUMANITAS o Papa Leão XIV, no número 3, explica que hoje, a doutrina social da Igreja é patrimônio de sabedoria para “discernir, julgar, e encontrar orientações para agir e dialogar com todas as pessoas” e também entender a IA.

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As coisas novas (RERUM NOVARUM) de 135 anos atrás, hoje enfrenta as res novae de agora, porque o mundo avançou assustadoramente. Um católico tem que saber orar e pensar sobre os graves problemas do nosso tempo!

O colega padre gostou da ideia. Ele também é bom de pastoral! Mostrei as 15 encíclicas. A equipe de comunicação publicou um pequeno trabalho de 15 páginas com pequenos trechos para meditar, recitar e orar. Coisa da paróquia!

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Agora, aquelas noites de oração são NOITES DE LOUVOR E PREOCUPAÇÃO SOCIAL. Leva o título da encíclica de São João Paulo II: NOITES DE MISERICÓRDIA que começa com a leitura da encíclica SOLICITUDO REI SOCIALIS de 1987.

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Talvez alguns paroquianos mais radicais parem de frequentar por motivos óbvios: não gostam de mudanças. Mas a maioria dos paroquianos aceitará porque são adoradores evangelizados! A maioria quer mais catequese e mais louvor! Os católicos leem pouco, mas gostam de ouvir bons pregadores. E o Padre deles é muito culto. Não dou o nome porque ele não quer publicidade! Para ele é uma experiência. Talvez dê certo, talvez não! As noites de Louvor serão Noites de Misericórdia. É claro que haverá oposição da parte de algumas lideranças!

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Não sou profeta, mas acho que muitas paróquias farão o mesmo. Nossa Igreja precisa de louvor, mas também precisa de misericórdia. É que aumentou a violência no mundo e até na sua paróquia cidade. A resposta será orar e pensar como Jesus orava e pensava e agia ... Pz

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

quarta-feira, 22 de julho de 2026

As bem-aventuranças do Evangelista São Mateus

na visão de Santo Agostinho

Santo Agostinho afirmou a necessidade da meditação e prática de vida a respeito das bem-aventuranças. A pessoa encontrará um programa perfeito de vida cristã destinado à direção dos costumes.

Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA.

Santo Agostinho comentou as bem-aventuranças em São Mateus. Jesus é o realizador, o primeiro bem-aventurado na qual Ele revelou-nos o Pai e Ele coloca um ideal de vida para ser seguido para ganhar a graça da vida eterna, iniciada aqui e um dia na eternidade. Jesus sendo o novo Moisés proclamou uma série de bem-aventuranças no sentido de viver a felicidade, a caridade, o amor. Vejamos a seguir a meditação que o Bispo de Hipona fez em relação as bem-aventuranças por parte de Jesus.

Programa de vida cristã

Santo Agostinho afirmou a necessidade da meditação e prática de vida a respeito das bem-aventuranças. A pessoa encontrará um programa perfeito de vida cristã destinado à direção dos costumes[1]. O fato é que nas bem-aventuranças encontram-se os preceitos necessários à vida cristã. Toda a palavra de Deus, em Jesus deve produzir frutos bons para a vida do mundo e à glória de Deus. A pessoa edificará a sua casa, a sua vida sobre a rocha, que é Jesus (cfr. Mt 7,24-27).

Jesus foi para a montanha

O evangelista Mateus colocou Jesus na montanha, simbolizando o Novo Moisés, que era o Senhor. As multidões estavam se aproximando dele, de modo que Ele começou a ensiná-las com sabedoria e amor. Jesus colocou uma série de bem-aventuranças e de preceitos para a glória de Deus[2]. Jesus falou das bem-aventuranças para que a vida decorra em unidade com os mandamentos da Lei de Deus. Jesus foi para a montanha onde Ele ensinou como único Mestre, porque só Ele é idôneo para ensinar-nos todas as verdades, divinas e humanas[3].

A primeira bem-aventurança

Ela trata dos pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus (cfr. Mt 5,3). A compreensão desta bem-aventurança fala das pessoas humildes e tementes a Deus, das desprovidas de todo espírito que incha a pessoa[4]. Esta primeira bem-aventurança coloca o princípio da sabedoria que é o temor de Deus (cfr. Eclo 1,16). Já o princípio do pecado é a soberba (cfr. Eclo 10,15) e os soberbos procuram os reinos da terra, enquanto são bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5,3)[5].

A segunda bem-aventurança

Ela trata dos mansos, porque herdarão a terra (cfr. Mt 5,4). Na bem-aventurança está a afirmação do salmista que diz que o Senhor é a esperança, a porção na terra dos viventes (cfr. 142 (141), 6). A compreensão fala da estabilidade da herança eterna. A alma descansará como em seu lugar próprio, assim como o corpo descansará na terra[6]. Os mansos são todas as pessoas que lutam diante das injustiças de que são vítimas, que elas se opõem diante do mal, e elas vencem o mal pelo bem (cfr. Rm 12,21). Desta forma bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra (Mt 5,4), da qual não poderão ser despojados, ser retirados à força, porque possuirão a terra[7]

A terceira bem-aventurança

Ela trata das pessoas que choram, porque serão consoladas (cfr. Mt 5,5). Santo Agostinho afirmou que o luto é devido à tristeza que a pessoa sente pela perda de algum ente querido, amado. O fato é que quando a pessoa se converte a Deus, perde as alegrias fáceis deste mundo de que tanto a pessoa amava[8]. Quando a pessoa não se inflama pelo amor das coisas eternas, ver-se-á aflita por certa tristeza. Mas o Espírito Santo consolará a pessoa, de modo que Ele é chamado Consolador. Em lugar da alegria passageira, que vai se perdendo, o Espírito Santo fará a pessoa entrar na posse da eterna alegria[9].

A quarta bem-aventurança

Ela trata das pessoas que têm fome e sede de justiça, porque elas serão saciadas (cfr. Mt 5,6). Segundo Santo Agostinho designava Jesus todas as pessoas que procuram com empenho o verdadeiro e imutável bem, o amor. Elas serão saciadas com o manjar com o qual o Senhor mesmo disse que o seu alimento é fazer a vontade daquele que o enviou (cfr. Jo 4,34). As pessoas também serão saciadas com a água que produz em todo o que a beber uma fonte de agua que jorra para a vida eterna (cfr. Jo 4,14)[10].

A quinta bem-aventurança

Ela diz respeito aos misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (cfr. Mt 5, 7). O Senhor Jesus Cristo proclama as pessoas com felicidade por socorrerem as mais necessitadas, pois elas receberão em troca a libertação de seus próprios males[11].

A sexta bem-aventurança

Ela focaliza os puros de coração, porque verão a Deus (cfr. Mt 5,8). Segundo Santo Agostinho disse que Deus é visto com os olhos do coração, não com os olhos dos insensatos. A Escritura também diz que o Senhor deixa-se encontrar com a simplicidade de coração (cfr. Sb 1,1). O que faz um coração puro? É a simplicidade. Assim os olhos do corpo sendo sadios fazem-se ver a luz do dia, da mesma forma é necessária a purificação dos olhos do coração para contemplar o Senhor Deus[12].

A sétima e a oitava bem-aventuranças

A sétima diz respeito as pessoas pacíficas, porque serão chamados filhos e filhas de Deus (cfr. Mt 5,9). O Bispo de Hipona afirmou que a perfeição está na paz, porque nela não existe luta alguma. Os pacíficos são chamados filhos de Deus, porque neles nada se opõe a Deus. Santo Agostinho tem presente a paz exterior, entre os povos a nós que é fundamental que as pessoas, os governantes lutem pelo mesmo dom e também a paz interior, a vida do ser humano perfeito, consumado em sabedoria. No Reino dos Céus onde reina a paz e a ordem está lançado fora o príncipe deste mundo, o mal, porque no Reino está somente a paz duradoura[13]. Santo Agostinho tem presente também nesta bem-aventurança a oitava que diz respeito aos perseguidos por causa da justiça, porque deles, destas pessoas é o Reino dos Céus (cfr. Mt 5, 10). O Senhor teve presentes as pessoas perseguidas por causa da justiça evangélica, que é a paz, o dom do amor dado a Deus, ao próximo como a si mesmo.

A última bem-aventurança é dirigida também aos discípulos. Ela refere-se aos apóstolos quando serão injuriados, perseguidos por causa do Senhor Jesus (cfr. Mt 5,11). O seguimento a Jesus exigirá muitas vezes dos discípulos e das discípulas a injúria, a perseguição. O Reino dos Céus será o prêmio das pessoas que buscarem a prática do bem, da justiça e do amor. Nós somos chamados a prática das bem-aventuranças que são um projeto de vida a ser seguido, amado na vida familiar, comunitária, social para um dia participar do Reino de Deus.

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[1] Cfr; O Sermão da Montanha, Livro 01, 1. Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 2017, pg. 21.  [2] Cfr. Idem, 01,pg. 22.   [3] Cfr. Ibidem, 02, pg. 23.   [4] Cfr. Ibidem, 3, pgs.23- 24.   [5] Cfr. Ibidem, pg..24.    [6] Cfr. Ibidem, 4, pg. 25.   [7] Cfr. Ibidem, 4, pg. 25.   [8] Cfr. Ibidem, 5, pg. 25   [9] Cfr. Ibidem, 5, pg. 25.   [10] Cfr. Ibidem, 6, pg. 26.   [11] Cfr. Ibidem, 7, pg. 26.   [12] Cfr. Ibidem, 8, pgs. 26-27.   [13] Cfr. Ibidem, 9, pgs. 27-28. 

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  Fonte: vaticanews.va     Imagem: (@Vatican Media

terça-feira, 21 de julho de 2026

Reflexão para esta terça-feira:

Verdade e beleza  

Dom Geraldo dos Reis Maia - Bispo de Araçuaí (MG)

Existe um nexo entre verdade e beleza? A Filosofia Grega já relacionava a tríade: beleza, verdade e bondade. Essa concepção levou pensadores a buscar a harmonia estética, o conhecimento verdadeiro e a virtude moral como via para se chegar à boa vida. Esse pensamento foi assim condensado pelo Papa Leão XIV: “O desejo do bem, da beleza, da verdade está enraizado no ‘DNA da humanidade’”. (Discurso, 07/06/2026). Para São Tomás de Aquino, todo ser é bom, verdadeiro e belo na medida em que participa do Ser em si, que é Deus. Esses três transcendentais do ser se atraem na completude do ser.

Dom Geraldo dos Reis Maia

Santo Agostinho ensinava que não amamos senão o que é belo (cf. De musica, VI, 13, 38; Confessiones, IV, 13, 20). Mais recentemente, o Papa Francisco nos falou sobre a Via pulchritudinis (a via da beleza) como caminho para recuperar a estima da beleza e poder chegar ao coração do homem, fazendo resplandecer nele a verdade e a bondade. E advertiu para o risco de fomentar “um relativismo estético” que pode obscurecer o vínculo indivisível entre verdade, bondade e beleza (Evangelii gaudium, 167). Numa cultura em que se estetiza tudo, o risco de uma dicotomia da beleza com a verdade é considerável.

Francisco alertou os artistas para que estivessem atentos a “escapar ao poder sugestivo daquela suposta beleza artificial e superficial, que hoje se difunde, e que é muitas vezes cúmplice dos mecanismos econômicos geradores de desigualdades. Aquela beleza não atrai, porque é uma beleza que nasce morta. Não há vida ali, não atrai. É uma falsa beleza, cosmética, uma maquiagem que esconde em vez de revelar” (Discurso aos Artistas, 23/06/2023). A cultura do esteticismo, com o auxílio da tecnologia, cria essas belezas cosméticas, desvinculadas da dura realidade.

O grande escritor russo F. Dostoiévski abordou essa temática em sua memorável obra “O Idiota”. Ali nos deparamos com um diálogo inesquecível. Disse Ippolit: “Príncipe, é verdade que o senhor disse uma vez que a ‘beleza’ salvará o mundo? Senhores – gritou alto para todos –, o príncipe afirma que a beleza salvará o mundo! (…) Qual é a beleza que vai salvar o mundo?” (Ed. Presença, p. 396). O príncipe a que se refere Ippolit é Lev Nikoláevitch Míchkin, protagonista da obra, que encarna a figura de O Idiota.

O príncipe, tal qual Jesus diante da pergunta de Pilatos – “o que é a verdade?” (Jo 18,38) –, nada responde a Ippolit sobre que beleza salvará o mundo. Ele vai ao encontro de um jovem de 18 anos que agonizava. Ali permanece, cheio de compaixão e amor, até ele morrer. Com isso, quis dizer que a beleza é aquilo que nos conduz ao amor solidário diante da dor do outro, que nos interpela. O mundo será salvo hoje e sempre enquanto houver essa atitude: o amor solidário, característica mais profunda do ser humano. Páginas à frente segue a descrição do impacto causado pelo quadro do “Cristo Morto”, de Hans Hosbein (1521).

De fato, Dostoiévski havia contemplado essa obra de arte quando visitara Basileia, na Suíça, e passa a descrever o quadro. “A pintura não era grande coisa em termos artísticos, mas mergulhou-me numa estranha inquietação. Nesse quadro está pintado um Cristo que acabaram de tirar da cruz. Parece que os pintores têm o hábito de representar Cristo, tanto crucificado como tirado da cruz, sempre com um toque de beleza no rosto; mesmo nos momentos de sofrimento mais terrível, acham que devem conservar-lhe a beleza”. O relato continua, e vem a afirmação de que naquela pintura não havia o mínimo de beleza. E segue a descrição dos sinais da crueldade no corpo representado pelo artista.

E continua a narrativa da obra: “É estranho que, quando olhamos para este cadáver de homem torturado, surge uma pergunta especial e curiosa: se um cadáver assim (…) foi visto por todos os seus discípulos, pelos principais futuros apóstolos dele, pelas mulheres que tinham fé nele e o adoravam, como foi possível que acreditassem, à vista deste cadáver, que este mártir ia ressuscitar? Com este quadro parece estar expressa precisamente a noção de uma força obscura, descarada e eternamente sem sentido a que tudo fica submisso”. A pintura em questão trata-se de uma espécie de antítese da beleza: a beleza de quem foi fiel até o fim, sofreu os tormentos mais cruéis por amor à humanidade. É precisamente esta a beleza que salva o mundo.

A verdadeira beleza que salva o mundo está vinculada ao senso ético. Não se trata de um esteticismo puro. A sensibilidade artística e profundamente humana consegue perceber uma beleza no corpo torturado “de uma pessoa que sofreu infinitamente, ainda antes da crucificação, feridas, torturas, espancamentos por parte dos guardas e do povo (…). Também é verdade que há ainda muita vida, muito calor, no rosto de um homem que acabaram de tirar da cruz: o cadáver ainda não teve tempo de tornar-se rígido, no rosto do morto ainda transparece o sofrimento, como que sentido no próprio instante (…)” (id., p. 421).

Não se pode tolerar a dicotomia entre o ético, o verdadeiro e o bom. A “beleza cosmética”, desvinculada da verdade e da bondade fica fadada à inautenticidade. Ela é plástica, artificial, fora da realidade. A beleza do Cristo de Hosbein não condiz com a beleza de um esteticismo convencional, mas está vinculada à verdade e à bondade. É essa beleza que somos chamados a cultivar nos espaços de nossa existência: Uma beleza que vai ao encontro do outro que nos interpela, assim como Deus se apequenou, humilhou-se, “quenotizou-se” para assumir em tudo a condição humana (cf. Filp 2,5-11) e nos apontar o horizonte da vocação humana, a verdadeira humanização do ser humano (cf. GS, 22). É essa beleza que salva o mundo.

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  Fonte: cnbb.org.br