quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Papa na catequese desta quarta-feira:

o ano litúrgico acompanha os fiéis na história da salvação

Na Audiência Geral desta quarta-feira, 12/08, Leão XIV aprofundou o capítulo V da Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, dedicado ao ano litúrgico. O Pontífice recordou a centralidade do domingo e da Eucaristia e ressaltou que, ao longo do ano, a Igreja celebra a atualidade do mistério de Cristo e permite aos fiéis participar cada vez mais profundamente dele.

Pela segunda semana consecutiva, a Audiência Geral com o Papa Leão XIV foi realizada na Basílica de São Pedro, nesta quarta-feira, 12 de agosto, enquanto Roma continua enfrentando as altas temperaturas do verão no hemisfério norte. Em sua catequese, o Santo Padre deu continuidade ao ciclo de reflexões sobre os documentos do Concílio Vaticano II, detendo-se desta vez no capítulo V da Constituição Sacrosanctum Concilium, dedicado ao ano litúrgico.

Cristo no centro do ano litúrgico

Ao explicar o significado do ano litúrgico para a vida dos fiéis, o Pontífice recordou o ensinamento de Pio XII na Encíclica Mediator Dei: não se trata simplesmente de recordar acontecimentos do passado, mas de entrar em contato com o mistério de Cristo, que permanece vivo e atuante na Igreja.

“O ano litúrgico deve, portanto, ser entendido como uma atualização constante da obra da salvação, que Cristo realiza na história.”

Ao percorrer esse ciclo, explicou Leão XIV, a Igreja permanece em contato com a ação redentora do Senhor e coloca no centro de cada momento a celebração do mistério pascal: o encontro com Jesus, morto e ressuscitado por nós.

O domingo, “dia do Senhor”

O Papa dedicou especial atenção ao domingo, definido pelos Padres conciliares como “o principal dia de festa” e “fundamento e centro de todo o ano litúrgico”. Citando São João Paulo II, recordou que o domingo é a “Páscoa semanal”, que torna presente a Ressurreição de Cristo e orienta o tempo dos homens para a sua segunda vinda. Para santificar o domingo, acrescentou, é fundamental a celebração da Eucaristia. A comunidade cristã reunida torna visível sua comunhão com o Senhor e testemunha sua pertença a Cristo e sua fidelidade à Igreja:

“Esta assembleia não pode ser substituída por uma presença meramente virtual, nem se reduz a uma reunião meramente passiva.”

Nesse contexto, Leão XIV dirigiu também um apelo para que sejam criadas condições que permitam a participação na Missa inclusive daqueles que precisam trabalhar aos domingos.

Participar do mistério de Cristo

Na parte final da catequese, o Papa percorreu brevemente o desenvolvimento histórico do ano litúrgico: da celebração da Páscoa semanal à Páscoa anual, passando pela Quaresma, pelo tempo pascal e pelo ciclo do Natal, até a inserção da veneração da Virgem Maria e da memória dos mártires e dos santos. Dessa forma, concluiu Leão XIV, o ano litúrgico acompanha os fiéis ao longo de toda a história da salvação, “desde a espera do Messias até à plenitude do mistério pascal e à antecipação da glória futura”.

“Nele, a Igreja celebra a atualidade salvífica do mistério de Cristo, permitindo aos fiéis participar nele cada vez mais profundamente.” Por isso, ressaltou o Pontífice, o ano litúrgico constitui “o princípio inspirador e o quadro de referência essencial de toda a ação pastoral”.

__________________________________________________________

Assista:

Thulio Fonseca – Vatican News

_____________________________________________________________________
  Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

 Horários de missa e outros eventos

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

Dia 12 - Quarta-feira

19h - Celebração da Semana da Família na matriz

______________________________________________________________________________

Dia 13 - Quinta-feira

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração da Semana da Família na matriz

_________________________________________________________________________________

Dia 14 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa no Asilo São Vicente de Paulo

19h - Celebração na comunidade São Benedito no Goiabal

19h - Celebração da Semana da Família na matriz

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

__________________________________________________________________________________

Dia 15 - Sábado

9h -  Ordenação presbiteral do Diác. Lucas Lázaro em Conceição dos Ouros

16h -  Missa na comunidade de Santa Vitória

19h -  Missa de encerramento da Semana da Família na matriz

19h -  Celebração na comunidade São Francisco

__________________________________________________________________________________

Dia 16 - 19º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

11h - Missa na comunidade de Santa Vitória

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz - Envio de acólitose coroinhas

___________________________________________________________________________________


_____________________________________________________________________________________

Sete pontos da vocação familiar

nas exortações Familiaris Consortio e Amoris Laetitia

O mês de agosto é dedicado na Igreja no Brasil às vocações, com diversas iniciativas de reflexão, promoção e animação vocacional. Na segunda semana, iniciada com o Dia dos Pais, o olhar é voltado para a vocação para a vida familiar. E neste ano em que a Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dedica à celebração de 45 anos da exortação apostólica Familiaris Consortio e 10 anos da exortação Amoris Laetitia, o Portal da CNBB destaca 7 pontos que os dois textos oferecem para falar dessa vocação à família.  

Os dois textos – um de 1981, escrito por São João Paulo II, e outro de 2016, escrito pelo Papa Francisco – oferecem ao povo cristão e ao mundo os ensinamentos da Igreja sobre a vocação ao amor e à vida familiar na realidade do mundo atual. Eles oferecem indicações pastorais que ajudam os jovens a descobrirem a beleza e a grandeza da vocação ao amor e ao serviço da vida, animam os esposos em sua missão de cuidado mútuo e na criação e desenvolvimento dos filhos, e estabelecem como deve ser o acompanhamento da Igreja à família em suas diversas fases e situações. 

A exortação Familiaris Consortio apresenta em seu conteúdo diversos chamados à família, em especial no que diz respeito ao anúncio do Evangelho e ao crescimento progressivo da pessoa humana: 

“A família cristã, de fato, é a primeira comunidade chamada a anunciar o Evangelho à pessoa humana em crescimento e a levá-la, através de uma catequese e educação progressiva, à plenitude da maturidade humana e cristã”

Separamos sete pontos que apontam a vocação familiar nos dois documentos:  

1. Vocacionados ao amor  

A fundamental e originária vocação do ser humano é ao amor, ensina a Familiaris Consortio. Além de chamar o ser humano à existência, Deus o chama para o amor. 

“Enquanto espírito encarnado, isto é, alma que se exprime no corpo informado por um espírito imortal, o homem é chamado ao amor nesta sua totalidade unificada. O amor abraça também o corpo humano e o corpo torna-se participante do amor espiritual” (FC, 11). 

2. Modo de realizar a vocação da pessoa humana e sinal imperfeito da doação de Cristo pela Igreja 

A Igreja entende que há dois modos específicos de realizar a vocação da pessoa humana na sua totalidade ao amor: o Matrimónio e a Virgindade. “Quer um quer outro, na sua respectiva forma própria, são uma concretização da verdade mais profunda do homem, do seu “ser à imagem de Deus”, ensina a Familiaris Consortio.

Para um homem e uma mulher que abraçam a vocação familiar, por meio do Sacramento do Matrimônio, a plenitude desse amor simbolizada na doação total de Cristo por sua Igreja.

Neste sacrifício descobre-se inteiramente aquele desígnio que Deus imprimiu na humanidade do homem e da mulher, desde a sua criação; o matrimónio dos batizados torna-se assim o símbolo real da Nova e Eterna Aliança, decretada no Sangue de Cristo. O Espírito, que o Senhor infunde, doa um coração novo e torna o homem e a mulher capazes de se amarem, como Cristo nos amou. O amor conjugal atinge aquela plenitude para a qual está interiormente ordenado: a caridade conjugal, que é o modo próprio e específico com que os esposos participam e são chamados a viver a mesma caridade de Cristo que se doa sobre a Cruz. (FC, 13)

Na exortação Amoris Laetitia, o Papa Francisco fala dessa entrega de Cristo, sinalizando que ela manifesta o “amor infinito do Pai”. Essa manifestação é que permite compreender o mistério das famílias cristãs.

Ele também compreende que o amor conjugal é um “sinal imperfeito do amor entre Cristo e a Igreja”, por isso que o Sacramento do Matrimônio confere aos esposos, através da Igreja, “a graça para testemunhar o Evangelho do amor de Deus”.

“Os esposos são, portanto, para a Igreja a lembrança permanente daquilo que aconteceu na cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar” (AL, 72)

O matrimônio cristão é um sinal que não só indica quanto Cristo amou a sua Igreja na Aliança selada na Cruz, mas torna presente esse amor na comunhão dos esposos. (AL, 73)

3. Vocação que tem frutos 

A resposta à vocação familiar é única e insubstituível, como os participantes do Sínodo de 2015 apontaram no relatório final daquela Assembleia, indicando alguns dos frutos que a família gera para a Igreja e a sociedade:

“A beleza do dom recíproco e gratuito, a alegria pela vida que nasce e a amorosa solicitude de todos os seus membros, desde os pequeninos aos idosos”.

No mesmo parágrafo da Amoris Laetitia, o Papa Francisco aponta o amor vivido nas famílias como uma “força permanente para a vida da Igreja”.

“O fim unitivo do matrimónio é um apelo constante a crescer e aprofundar este amor. Na sua união de amor, os esposos experimentam a beleza da paternidade e da maternidade; partilham projetos e fadigas, anseios e preocupações; aprendem a cuidar um do outro e a perdoar-se mutuamente. Neste amor, celebram os seus momentos felizes e apoiam-se nos episódios difíceis da história da sua vida”.

4. Habilita e empenha na vocação de leigos 

O Papa João Paulo II escreveu na Familiaris Consortio que o Sacramento do Matrimônio “habilita e empenha os cônjuges e os pais cristãos a viver a sua vocação de leigos, e por tanto a ‘procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus'”, retomando um ensinamento da Constituição Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II. 

Baseada num casal de leigos, as famílias cristãs dão um contributo particular à causa missionária da Igreja, segundo a Familiaris Consortio: “cultivando as vocações missionárias nos seus filhos e filhas e, de uma forma mais generalizada, com uma obra educativa que vai ‘dispondo os filhos, desde a infância para conhecerem o amor de Deus por todos os homens'”.

Na família, especialmente em relação aos filhos, os esposos também participam da obra criadora de Deus: “gerando no amor e por amor uma nova pessoa, que traz em si a vocação ao crescimento e ao desenvolvimento, os pais assumem por isso mesmo o dever de a ajudar eficazmente a viver uma vida plenamente humana”.

5. Vocação que chama à Santidade 

O chamado à santidade é uma “alta vocação” a que os cônjuges são chamados, segundo o plano de Deus, lê-se na Familiaris Consortio. Isso se realiza “na medida em que a pessoa humana está em grau de responder ao mandato divino com espírito sereno, confiando na graça divina e na vontade própria”.

Já na Amoris Laetitia, esse chamado à santidade é alimentado pelo dom do Sacramento que faz com que a união entre o homem e a mulher sejam “a representação real, através do sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja”.

6. Vocação fascinante e união plena 

 No parágrafo 206 da Amoris Laetitia, o Papa Francisco fala do Matrimônio como algo fascinante, para o qual os jovens precisam ser auxiliados pela Igreja a fim de descobrirem o valor e a riqueza.

Nessa reflexão, o matrimônio é entendido como “união plena que eleva e aperfeiçoa a dimensão social da vida, confere à sexualidade o seu sentido maior, ao mesmo tempo que promove o bem dos filhos e lhes proporciona o melhor contexto para o seu amadurecimento e educação.

7. Vocação que lança os noivos adiante 

Os dois documentos papais sobre a família apontam diversas indicações pastorais que ajudaram a estruturar, inicialmente, e atualizar, num tempo mais próximo, a Pastoral Familiar. Eles destacam o discernimento vocacional e a preparação para a vida matrimonial, não como algo que é feito às vésperas de um cerimônia, mas como um caminho que se inicia desde uma preparação remota até a preparação próxima.

Isso nos aponta o último ponto, o qual mostra que o acompanhamento devido ajuda os noivos na sua preparação para receber o Sacramento do Matrimônio:

“Tanto a preparação próxima como o acompanhamento mais prolongado devem procurar que os noivos não considerem o matrimônio como o fim do caminho, mas o assumam como uma vocação que os lança para diante, com a decisão firme e realista de atravessarem juntos todas as provações e momentos difíceis”. 

_____________________________________________________________________
  Fonte: cnbb.org.br

Reflexão de dom Edson Oriolo:

O impacto das Redes Sociais na cultura religiosa

As redes sociais apresentam-se como um novo espaço de evangelização, que exige atenção redobrada de nós, católicos e cristãos. Precisamos de um discernimento profundamente eclesial para não permitir o enfraquecimento da nossa consciência...

Sempre compreendi a Cultura no sentido mais amplo, conforme aprendi, ao iniciar meus estudos em Filosofia: ela é o conjunto de costumes, crenças, valores, expressões artísticas, normas, hábitos e conhecimentos adquiridos e transmitidos pelos membros de uma sociedade. Como ministro ordenado, exercendo meu ministério e percorrendo diversas regiões do Brasil, em cursos e formações sobre dízimo, pastoral urbana, gestão eclesial e, mais recentemente, sobre os impactos da Inteligência Artificial na evangelização, tenho aprendido muito com o modo de vida e as experiências de diferentes grupos humanos. Como primeiro servidor da Diocese de Leopoldina, reconheço, diariamente, o desafio de compreender a Cultura em suas luzes e sombras, especialmente no contexto da realidade eclesial e dos ministros ordenados do Sudeste, nas Minas Gerais.

Assim sendo, o conceito de Cultura também se desdobra em diversas dimensões: política, econômica, psicológica e religiosa, entre tantas outras. É, justamente, a partir dessa compreensão, que proponho uma reflexão sobre como as tecnologias digitais vêm influenciando, de forma gradual e, muitas vezes, imperceptível, todos os setores da Sociedade, alcançando também as instituições e as subculturas das tradições religiosas. Esse será o nosso ponto de partida para compreender os desafios e as oportunidades que a transformação digital apresenta à vivência da fé.

As redes sociais apresentam-se como um novo espaço de evangelização, que exige atenção redobrada de nós, católicos e cristãos. Precisamos de um discernimento profundamente eclesial para não permitir o enfraquecimento da nossa consciência, moldada, ao longo dos séculos, sob três pilares fundamentais: a revelação judaico-cristã, o direito romano e a lógica aristotélica. Nesse contexto, a cultura religiosa e as nossas estruturas tradicionais são, simultaneamente, impactadas e desafiadas pelas liberdades e ferramentas oferecidas pelas mídias digitais.

No cotidiano, somos bombardeados por conteúdos de padres com mensagens rápidas da passagem litúrgica do Evangelho, de momentos de aconselhamentos espirituais apoiados em eclesiologias e cristologias diversas, bem como por grupos de mensagens voltados a interesses específicos, como devoção religiosa particular e regras morais. Paralelamente, comunicadores e pregadores digitais promovem transmissões eucarísticas com ritos variados e teologias das mais diversas vertentes, muitas vezes, direcionando o Evangelho a linhas ou controles ideológicos específicos e reforçando diferentes noções de hierarquia, autoridade e infinitas maneiras light de vivenciar a fé.

Esse ecossistema digital atua, diretamente, sobre o conceito dos sacramentos, de maneira especial, o casamento, a criação dos filhos e o comportamento ético dos fiéis, impactando indivíduos, comunidades e instituições. Por meio de debates teológicos, memes, imagens virais e hashtags, esses conteúdos são, frequentemente, desvinculados de seus contextos institucionais e doutrinários originais, moldando sutilmente os hábitos das comunidades paroquiais e eclesiais missionárias. Assim, a influência digital passa a redefinir espectadores, preceitos religiosos e morais e estilos de vida, reconfigurando os contornos da própria fé.

Diante dessas transformações, o papa Leão XIV, na introdução da encíclica Magnifica Humanitas, recorda-nos que a Igreja é chamada a "orientar a ação para Deus, de modo que, à sua luz, o pluralismo não se disperse na desordem" (MH 10). O ambiente digital, com sua velocidade e apelos sutis, não deve enfraquecer a consciência nem fragmentar a riqueza da nossa fé. Cabe a nós, portanto, cultivar um discernimento, profundamente eclesial e evangelizador, capaz de acolher as novas mídias sem renunciar aos alicerces da tradição e à dignidade da vocação humana.

Dom Edson José Oriolo dos Santos - Bispo da Igreja Particular de Leopoldina MG

_____________________________________________________________________
  Fonte: vaticanews.va     Foto: (@Vatican Media

domingo, 9 de agosto de 2026

Leão XIV no Angelus deste domingo:

em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona.

O Evangelho de hoje ensina-nos algo importante: a não perdermos a esperança, nem mesmo nos momentos de escuridão, quando nos sentimos impotentes perante os problemas que, apesar dos nossos esforços, nos fazem pensar que estamos a recuar em vez de avançar. Em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona. Foi o que disse o Papa no Angelus ao meio-dia deste domingo, 9 de agosto, XIX Domingo do Tempo Comum, ao rezar a oração mariana com os fiéis peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Quando o Mestre entra no barco, a tempestade acalma, e então brota espontaneamente do coração dos discípulos a profissão de fé: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!» Foi o que ressaltou o Santo Padre aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro ao explicar o Evangelho deste XIX Domingo do Tempo Comum, no habitual encontro dominical do Angelus. Na alocução que precedeu a oração mariana, Leão XIV ateve-se ao Evangelho do dia (Mt 14, 22-33), em que Jesus, caminhando sobre as águas do mar da Galileia, vai ter com os discípulos no meio de uma tempestade.

Após o milagre dos pães e dos peixes, ressaltou o Papa, o Mestre obriga os seus discípulos a embarcar e ir adiante para a outra margem, enquanto Ele se retira num monte, sozinho, para rezar. Longe da costa, porém, encontram-se à mercê do vento e têm dificuldade em avançar. Depois de uma experiência bem-sucedida, na qual tinham sido protagonistas de um sinal prodigioso, encontram-se agora impotentes e assustados perante a ameaça das ondas e do vento contrário.

No final da noite, Jesus vai ao encontro deles sobre as águas agitadas, e, assustados, confundem-no com um fantasma. Mas Ele diz-lhes: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!»

A presença do Senhor muda tudo

“A presença do Senhor muda tudo: Pedro chega até mesmo a dar alguns passos sobre as ondas na direção d’Ele; depois assusta-se, começa a afundar e Jesus salva-o. Quando o Mestre entra no barco, a tempestade acalma, e então brota espontaneamente do coração dos discípulos a profissão de fé: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!»”

Para chegar a este ponto, prosseguiu o Pontífice, não lhes bastou assistir a um milagre, nem ter tido bom êxito diante das pessoas: tiveram de passar pela experiência da própria fraqueza, reconhecendo nela a presença de Deus. Só assim conseguiram verdadeiramente abrir os olhos e o coração à sua proximidade, reencontrando a paz mesmo no meio da tempestade.

Um dia, mais tarde, Jesus dir-lhes-á: «Se tiverdes fé e não duvidardes […], se disserdes a este monte: “Tira-te daí e lança-te ao mar”, assim acontecerá». E foi precisamente isso que eles experimentaram no lago: a paz de Cristo, que tinha estado na montanha a rezar, alcançou-os no meio da fúria das águas.

Não perder a esperança, nem mesmo nas horas de escuridão

Com efeito, observou Leão XIV, este milagre ensina-nos algo importante: em primeiro lugar, a não nos vangloriarmos pelo sucesso e a nunca nos considerarmos superiores aos outros; depois, a não perdermos a esperança, nem mesmo nos momentos de escuridão, quando nos sentimos impotentes perante os problemas que, apesar dos nossos esforços, nos fazem pensar que estamos a recuar em vez de avançar.

“Em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona e, se o acolhermos humildemente no barco da nossa vida – através da oração, dos Sacramentos e da escuta da Palavra –, n’Ele encontraremos a paz, a luz e a força para o nosso caminho.”

Que Maria nos ajude a viver assim, com confiante abandono em Deus, Ela que foi proclamada bem-aventurada pela sua fé, rezou por fim o Santo Padre.

Raimundo de Lima – Vatican News

_____________________________________________________________

O Papa:

o Senhor converta

os corações daqueles que semeiam a violência

No Angelus deste domingo, 9 de agosto, mais um veemente apelo do Santo Padre em favor da paz, com um olhar para a trágica situação no Sudão, expressando sua proximidade espiritual com todo o povo daquele país, e o pedido de uma cessação dos ataques sobre os civis por parte da Rússia e da Ucrânia, lembrando que a guerra apenas gera mais guerra e provoca enorme sofrimento: “É hora de interromper a espiral de violência e dar espaço à diplomacia e ao diálogo para abrir caminho à paz”, exorta o Papa.

Bombardeios russos na Ucrânia (ANSA)

“Continuo acompanhando com preocupação a trágica situação no Sudão, especialmente na cidade de El-Obeid. Ao expressar minha proximidade espiritual com todo o povo daquele país, renovo meu apelo às autoridades para que garantam corredores humanitários para a população civil. Ao mesmo tempo, exorto a comunidade internacional a apoiar os esforços destinados a alcançar um cessar-fogo imediato. Rezemos para que o Senhor sustente aqueles que sofrem, converta os corações daqueles que semeiam a violência e conceda a tão esperada paz.”

Foi o veemente apelo do Pontífice no Angelus deste domingo, 9 de agosto, ao manifestar sua proximidade espiritual com todo o povo daquele país africano que já de há muito vem sofrendo com as violências, pedindo um cessar-fogo imediato.

Ucrânia e Rússia, outra realidade de sofrimento

O olhar do Santo Padre voltou-se também para outra realidade de sofrimento, desta vez na Ucrânia e Rússia, de onde continuam a chegar notícias dolorosas de pessoas inocentes mortas e feridas, frisou o Papa:

Episódios trágicos se sucedem, ou melhor, se multiplicam, causando cada vez mais vítimas civis, entre as quais também crianças. Faço-me próximo das famílias das vítimas, dos feridos e de todos aqueles que sofrem por causa do conflito em curso. Diante de tanta dor, renovo um apelo veemente para que se respeite o direito humanitário e cessem, por ambas as partes, os ataques que atingem alvos civis. A guerra apenas gera mais guerra e provoca enormes sofrimentos. É hora de interromper a espiral de violência e dar espaço à diplomacia e ao diálogo para abrir caminho à paz.

Testemunhas luminosas do Evangelho

Após ressaltar a presença de muitos jovens, que escolhem dedicar alguns dias de férias a atividades formativas e de amizade, como um sinal de esperança, Leão XIV lembrou o evento dos jovens franciscanos que teve a alegria de encontrar na última quinta-feira em Assis, recordando, em seguida, que nestes dias o calendário litúrgico propõe algumas figuras luminosas de Santos e Santas, convidando-os a conhecê-las melhor e a se deixarem entusiasmar por estas testemunhas exemplares o Evangelho: 

Ontem, São Domingos, fundador dos Frades Pregadores; hoje, Santa Teresa Benedita da Cruz, Edith Stein, carmelita assassinada em Auschwitz e co-padroeira da Europa; amanhã, São Lourenço, diácono da Igreja de Roma; depois de amanhã, Santa Clara de Assis, que abandonou uma vida confortável para seguir Jesus, pobre e humilde, seguindo o exemplo de seu conterrâneo São Francisco. Queridos jovens, deixai-vos inspirar por essas testemunhas exemplares do Evangelho!

Raimundo de Lima – Vatican News
_____________________________________________________________________
  Fonte: vaticanews.va     Vídeo e foto: (@Vatican Media

Bela reflexão de dom Dom Anuar Battisti:

“Família, torna-te aquilo que és!”

Ao completar sua 30ª edição no Brasil, a Semana Nacional da Família de 2026 apresenta uma proposta de altíssima densidade teológica e pastoral. Organizada pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar da CNBB, a edição deste ano traz como tema “Família, torna-te aquilo que és” e como lema bíblico “O amor jamais acabará” (1 Coríntios 13, 8).

Trata-se de um perfil de proposta que se recusa a ficar na superficialidade: o texto convoca a família a olhar para o espelho do Evangelho, redescobrir sua vocação original e firmar-se no amor de Cristo diante das tempestades da contemporaneidade. O tema escolhido para 2026 recupera uma das frases mais emblemáticas do Magistério da Igreja sobre a família, formulada por São João Paulo II na Exortação Apostólica Familiaris Consortio. A escolha é profética, pois coincide com a celebração dos 45 anos da Familiaris Consortio e com os 10 anos da Exortação Apostólica Amoris Laetitia do Papa Francisco.

Esta proposta imperativa exige da família cristã uma tomada de consciência, pois não é um mero apelo moralista, mas ontológico. A família não precisa inventar uma nova identidade a cada mudança de vento cultural; ela precisa assumir o que Deus já planejou para ela. Deve configurar-se, assim, como um antídoto contra a desconstrução. Em tempos nos quais o conceito de família é frequentemente esvaziado, a Igreja recorda que a família é a célula mãe da sociedade e a Igreja Doméstica.

A proposta para este ano decorre de um chamado à conversão contínua, considerando que “Tornar-se” é um verbo de processo. Significa que o lar é uma oficina diária onde o perdão, a paciência, o diálogo e a fidelidade são lapidados continuamente. O lema bíblico – “O amor jamais acabará” (1Cor 13,8) – extraído do Hino à Caridade de São Paulo oferece o alicerce espiritual necessário para sustentar o tema.

Diante de um mundo onde os relacionamentos se tornaram frágeis, descartáveis e “líquidos”, a Palavra de Deus proclama uma verdade contra-cultural: o amor autêntico é definitivo. Este lema injeta esperança nos lares, lembrando que as crises financeiras, as divergências de geração e os desgastes do tempo não têm a última palavra quando a família está fundamentada no amor que vem da Cruz e da Ressurreição.

A proposta da Semana da Família 2026 toca nas feridas mais abertas da sociedade contemporânea, oferecendo remédios pastorais concretos com respostas à crise de pertencimento e conectividade vazia. As famílias de hoje vivem frequentemente hiperconectadas digitalmente, mas profundamente isoladas no plano afetivo. O apelo a “tornar-se o que se é” convida os lares a reestabelecerem a mesa do jantar, o abraço físico, a escuta atenta e a oração  em conjunto como espaços sagrados de comunhão.

A proposta caminha ainda lado a lado com a defesa da dignidade humana em todas as suas etapas. A família que sabe quem é torna-se um escudo protetor para os filhos contra as ideologias desumanizantes e um porto seguro de acolhimento e respeito para os idosos. A vulnerabilidade econômica, o desemprego, as enfermidades mentais (como ansiedade e depressão entre os jovens) e as tensões conjugais são investidas reais. O lema “O amor jamais acabará” garante que a família católica não está abandonada à própria sorte: na graça dos sacramentos, os casais e pais encontram o sustento sobrenatural para recomeçar todos os dias.

A Semana Nacional da Família de 2026 traça um perfil corajoso, denso e profundamente esperançoso. Ela não mascara as dores das famílias, mas recusa-se a entregá-las ao desânimo. Ao proclamar “Família, torna-te aquilo que és” e testemunhar que “O amor jamais acabará”, a Igreja lança um clarão de luz sobre a sociedade: a família é, e continuará sendo, a maior riqueza de um povo, o santuário da vida e o caminho privilegiado para a santidade.

Dom Anuar Battisti - Arcebispo Emérito de Maringá (PR)
__________________________________________________________________________
 Fonte: cnbb.org.br     Imagem: arquidiocesejuizdefora.org.br

Reflexão para este domingo:

Aprender a crer a partir da dúvida

José Antonio Pagola

Não é fácil responder com sinceridade essa pergunta que Jesus faz a Pedro no momento em que o salva de afundar na água: “Por que duvidaste?”

Às vezes, as mais profundas convicções se desvanecem e os olhos da alma ficam turvos sem que saibamos exatamente por quê. Princípios aceitos até então como inalteráveis começam a cambalear. E desperta em nós a tentação de abandonar tudo sem reconstruir nada novo.

Outras vezes, o mistério de Deus parece oprimir-nos. A última palavra sobre a minha vida me escapa e é duro abandonar-me ao mistério: minha razão continua buscando insatisfeita uma luz clara e incontestável que não encontra, nem jamais poderá encontrar.

Não raras vezes a superficialidade e a leviandade de nossa vida cotidiana e o culto secreto a tantos ídolos nos submergem em graves crises de indiferença e ceticismo interior, com a sensação de termos realmente perdido a Deus.

Com frequência é nosso próprio pecado que enfraquece nossa fé, pois ela decai e se debilita quando nos afastamos de Deus. Se somos sinceros, temos que confessar que há uma distância enorme entre o crente que professamos ser e o crente que somos na realidade. O que fazer ao constatar uma fé às vezes tão frágil e vacilante em nós?

Primeiramente, não desesperar nem assustar-nos ao descobrir dúvidas e vacilações em nós. A busca de Deus se vive quase sempre na insegurança, na obscuridade e no risco. A Deus se busca “às apalpadelas”. E não devemos esquecer que muitas vezes “a genuína fé só pode aparecer como dúvida superada” (Ladislao Boros).

O importante é aceitar o mistério de Deus com o coração aberto. Nossa fé depende da verdade de nossa relação com Ele. E não é preciso esperar que nossas interrogações e dúvidas se resolvam para viver em verdade diante desse Pai.

Por isso é importante saber gritar como Pedro: “Senhor, salva-me”. Saber levantar nossas mãos vazias para Deus, não só como gesto de súplica, mas também de entrega confiante de alguém que se reconhece pequeno, ignorante e necessitado de salvação. Não esqueçamos que a fé é “caminhar sobre a água”, mas com a possibilidade de encontrar sempre essa mão que nos salva quando começamos a afundar.

______________________________________________________________________

JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

____________________________________________________
                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos