terça-feira, 12 de maio de 2026

Igrejas celebram

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026
de 17 a 23 de maio

Entre as Solenidades da Ascensão do Senhor e de Pentecostes, será celebrada a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC), um dos momentos mais significativos do ano para a dimensão Ecumênica da Igreja. As celebrações terão como inspiração bíblica o versículo 4 do quarto capítulo da carta de São Paulo aos Efésios: “Vocês formam um só corpo e um só espírito, do mesmo modo que a esperança para a qual foram chamados é uma só” (Ef 4, 4). 

As orações e reflexões para a semana foram preparadas por um grupo ecumênico coordenado pelo Departamento de Relações Inter-religiosas da Igreja Apostólica Armênia. Como de costume, uma equipe internacional nomeada conjuntamente pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pela Comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas colaborou com os editores para finalizar os materiais em uma reunião realizada de 13 a 18 de outubro de 2024, na Santa Sé em Etchmiadzin, Armênia. 

O material inclui uma introdução ao tema, um esboço para a celebração ecumênica e uma seleção de breves leituras e orações para cada dia da semana. Este conteúdo pode ser utilizado de diversas maneiras e destina-se a ser usado não apenas durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, mas também ao longo de todo o ano de 2026. 

“Através das suas práticas e ensinamentos, a Igreja Apostólica Arménia oferece-nos uma reflexão profunda sobre a essência da unidade dentro do Corpo universal de Cristo, não apenas como um conceito, mas como uma realidade viva e pulsante”, afirmam os editores do material oferecido a toda a Igreja e disponível em português aqui

Inspiração bíblica 

Na introdução ao tema contida no material preparado para a celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, é aprofundado o versículo da Carta aos Efésios sobre a unidade da Igreja.  

“Efésios 4:4 resume os ensinamentos de Paulo sobre a unidade, enfatizando, também aqui, que os seguidores de Cristo representam ‘um só corpo e um só Espírito’, unidos numa única esperança”.  

O conceito de ‘um só corpo’ na iluminação bíblica, também reflete a natureza da Igreja, uma vez que “o cristianismo transcende as fronteiras culturais e nacionais, unindo os crentes em todo o mundo na fé e na esperança”. 

A ideia de “um só Espírito” refere-se ao Espírito Santo “que sustenta esta comunhão e capacita a Igreja a cumprir a sua missão”. 

A única esperança diz respeito à salvação e à vida eterna: “Esse é o objetivo final e a motivação para a vida cristã, proporcionando uma visão comum e propósito para todos os crentes e unindo-os na sua jornada de fé e na sua vida quotidiana. Esta visão partilhada ultrapassa as divisões confessionais e culturais, encorajando os cristãos a trabalharem juntos de todas as formas possíveis”.  

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Fonte: cnbb.org.br

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 12 - Terça-feira

15h - Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h - Reunião do Conselho Setorial de Pastoral (COSEPA) no CPSJ

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Dia 13 - Quarta-feira

18h30 - Missa na Casa da Criança

19h - Missa em louvor a São José na matriz

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Dia 14 - Quinta-feira

  19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração na comunidade Santa Luzia (Bela Vista)

19h - Celebração na comunidade da Pedra Branca

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Dia 15 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

  15h - Missa no Asilo São Vicente de Paulo

19h - Celebração na comunidade Nossa Senhora Aparecida (Lavapés)

19h - Celebração na comunidade da Serra da Usina

19h - Grupo de oração maranathá na capela da Soledade

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Dia 16 - Sábado

14h -  Encontro de formação com os catequista no CPSJ

19h -  Missa na matriz

19h - Celebração na comunidade São Francisco

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Dia 17 - 6º Domingo da Ascensão do Senhor

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

14h -  Momento de espiritualidade com os catequizandos adultos no CPSJ

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

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O Papa e as catequeses sobre o Concílio,

“estrela-guia” para o caminho da Igreja

Sessenta e um anos após a sua conclusão, o Concílio Vaticano II continua sendo uma bússola constante para a Igreja universal. Com essa convicção, no último dia 7 de janeiro, Leão XIV deu início ao novo ciclo de aprofundamento dedicado aos documentos do Concílio.

Dois fatores orientaram a sua escolha: a constatação de que «a geração de bispos, teólogos e fiéis do Concílio Vaticano II hoje já não existe mais» e «o apelo para não extinguir a profecia» do Concílio, mas sim para «continuar buscando caminhos e formas de pôr em prática as intuições». Acima de tudo, explicou o Papa, é importante conhecer o Concílio «não por meio de “boatos” ou das interpretações que foram feitas, mas relendo seus documentos e refletindo sobre o seu conteúdo». Reler os textos de 1965 significa, portanto, oferecer à Igreja a possibilidade de «perceber as mudanças e os desafios da era moderna» e de «colaborar na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna», permanecendo com os «braços abertos» para a humanidade, suas esperanças e angústias.

A humanidade integral de Cristo que revela o mistério divino

De 7 de janeiro a 6 de maio — excluindo a pausa para os Exercícios Espirituais da Quaresma e a viagem apostólica à África —, até o momento, foram 14 as reflexões do Pontífice dedicadas a duas Constituições dogmáticas: a Dei Verbum sobre a revelação divina e a Lumen gentium sobre a Igreja.

A primeira, eixo central de cinco catequeses, foi definida por Leão XIV como «um dos documentos mais belos e importantes da assembleia conciliar», pois recorda que Deus fala à humanidade e a convida à amizade com Ele. Cristo, de fato, é o rosto humano de Deus e sua existência histórica, da encarnação à ressurreição, manifesta plenamente o Pai. Não se trata de uma verdade que anula o humano, mas que o realiza: é justamente a humanidade integral de Cristo que torna visível o mistério divino, pois o Senhor «se encarna, nasce, cura, ensina, sofre, morre, ressuscita e permanece entre nós». Daí deriva uma visão dinâmica do cristianismo: ele se baseia na unidade entre Escritura e Tradição, consideradas um único “depósito” confiado à Igreja.

A esse respeito, o Pontífice alertou para dois riscos específicos: por um lado, uma leitura fundamentalista que interpreta os textos sagrados de forma isolada «do contexto histórico em que se desenvolveram e das formas literárias utilizadas». Por outro lado, negligenciar a origem divina da Escritura, acabando por entendê-la como «um mero ensinamento humano», um texto técnico ou já ultrapassado. Pelo contrário — foi a advertência de Leão XIV —, o Evangelho deve ser compreendido como «um espaço privilegiado de encontro, no qual Deus continua a falar aos homens e às mulheres de todos os tempos». Em um mundo saturado de palavras vazias, de fato, a Palavra de Deus se distingue como sempre nova, geradora e saciante para uma humanidade em busca de sentido e verdade.

A Igreja em favor dos pobres, explorados, vítimas, sofredores

Desde 18 de fevereiro, o Bispo de Roma tem centrado suas catequeses na Lumen gentium, à qual dedicou até agora oito reflexões. A partir delas, a Igreja surge como «sinal eficaz de unidade e reconciliação entre os povos» e «presença santificadora em meio a uma humanidade ainda fragmentada» por divisões e conflitos. Investida da missão de «pronunciar palavras claras» para rejeitar tudo o que mortifica a vida, a Igreja — destacou ainda o Papa — é chamada a «tomar posição» em favor dos pobres, dos explorados, das vítimas, dos sofredores. Em sua dimensão escatológica, de fato, ela é guardiã de uma esperança que ilumina o caminho.

Também é fundamental a reflexão que Leão XIV fez sobre duas dimensões eclesiais: a hierárquica e a escatológica. A primeira tem como objetivo perpetuar a missão confiada por Cristo aos Apóstolos, desde que nunca seja absolutizada. Pelo contrário: para corresponder plenamente à sua missão, as instituições eclesiais devem visar «uma conversão contínua, a renovação das formas e a reforma das estruturas». A segunda dimensão — definida como «essencial» — convida, além disso, a considerar a dimensão «comunitária e cósmica da salvação em Cristo», avaliando tudo nessa perspectiva.

Os leigos, cada vez mais testemunhas de justiça e de paz

O Pontífice reservou então uma atenção especial aos leigos, convidados a serem sempre testemunhas de justiça e de paz: seu «vasto campo» de apostolado não deve limitar-se ao espaço eclesial, mas alargar-se ao mundo, de modo a mostrar em toda parte a beleza da vida cristã. Por fim, o Papa retomou o tema da santidade: ela, disse Leão XIV, não é privilégio de poucos, mas compromisso de todos os cristãos na caridade. Em meio às perseguições do mundo, os fiéis são, portanto, exortados a deixar “sinais de fé e de amor”, empenhando-se pela justiça e vivendo a cada dia sua missão de conversão e testemunho.

Isabella Piro - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va  Foto: (@Vatican Media)

Reflexão para o seu início de semana:

Força do estímulo 

Dom Geraldo dos Reis Maia 

Há vários fatores que influenciam a resposta que damos às ações que são exercidas em nossa vida. Muitos agem por instinto, sem muito pensar ou amadurecer sobre uma dada situação. Outros agem mais racionalmente. Há, ainda, aqueles que respondem afetivamente, visceralmente. Mas, em todas essas respostas, a força do estímulo é fundamental. Tudo depende de como somos estimulados para reagirmos em determinadas situações. Afinal, o que é o estímulo?

O dicionário Houaiss nos diz que estímulo é “a ponta aguda de objeto que pica; aguilhada, aguilhão, pua”. No seu sentido figurado, “é aquilo que estimula, que anima, que incita à atividade, à realização de algo”. Quanto ao sentido psicológico, “é parte do mundo exterior de complexidade variável, cuja mudança qualitativa e/ou quantitativa gera reações correspondentes, proporcionais aos graus e tipos desta mudança, e capazes de serem distinguidas quanto à qualidade e quantidade”.

Precisamos ser estimulados para que possamos responder satisfatoriamente aos desafios que nos são propostos, seja na educação, nas relações familiares, sociais, eclesiais… Em tudo aquilo que somos chamados a realizar, o fazemos melhor se estivermos bem estimulados. E este estímulo pode ser de várias ordens, mas convém que seja moralmente adequado. A pessoa não pode se enveredar pelos caminhos da política, da medicina, do direito, ou de qualquer outra área apenas por questões financeiras. Esse não é, necessariamente, um estímulo adequado. Antes, sua realização pessoal deve estar ligada à dimensão do serviço ao bem comum, realizando bem sua missão.

Arthur Pougin nos conta, em sua obra Vita aneddotica di Verdi, que o grande músico passou por uma situação muito difícil em sua vida. Após alguns sucessos iniciais, o compositor de óperas conseguira um contrato com o teatro Scala di Milano para a produção de três óperas. Enquanto trabalhava na sua segunda ópera, perdera sua jovem e amada esposa, depois de ter já perdido seu casal de filhos, num período de apenas dois anos. Foi nesse clima de luto que finalizou sua segunda ópera do contrato. Sua apresentação foi um fiasco. Tudo isso levou o músico a uma profunda crise, beirando à depressão profunda. Vendeu seus poucos bens e pediu rescisão de seu contrato a Morelli, seu amigo e diretor do Scala. Depois de insistir com o amigo, Morelli o liberou de seu encargo, deixando-o à vontade para voltar quando quisesse. Verdi refugiou-se numa pequena cidade onde seu sogro residia.

Em poucos meses o músico não conseguia viver mais naquela cidade. Ele estava acostumado com o glamour de Milão. Voltou ali e se ocupava em realizar pequenos trabalhos, mas convencido a não mais compor óperas. Morelli, que bem conhecia seu amigo, solicitou a Verdi que fizesse uma avaliação de um libreto de Solera. Amigavelmente, e sem pretensões trabalhistas e financeiras, ele aceitou e levou o libreto para sua casa. Começou a lê-lo, ficando encantado com a beleza da obra de conteúdo bíblico e percebendo a potência musical daquele texto sobre o Exílio da Babilônia. Passou a noite lendo e traçando alguns ensaios de possíveis partituras. No dia seguinte, apresentou-se a seu amigo dizendo que o libreto seria excelente para ser musicado. Morelli percebeu o entusiasmo do amigo e, conhecendo e confiando em seu genial talento, lhe exigiu que compusesse a música para aquela ópera. Era o estímulo que faltava a Verdi.

Em três meses as partituras estavam prontas e começaram os ensaios. Pougin nos conta que ninguém trabalhava no teatro enquanto aconteciam os ensaios. Todos os funcionários ficavam ali, boquiabertos contemplando a beleza do espetáculo. No dia 9 de março de 1842 estreava a ópera Nabucco, no Scala di Milano, em grande estilo, com grande ovação. Depois da terceira noite de sucesso, Morelli procurou Verdi com um contrato em branco para que compusesse a próxima ópera, dizendo “aquilo que aí escrever, será cumprido”. Quem nunca se emocionou com o Va pensiero, conhecido como o “Coro dos escravos hebreus”? Depois disso foram compostas grandes óperas, com todo vigor musical: I Lombardi, MacBeth, La Battaglia di Legnano, La forza del destino, Aida, Falstaff….

Na sua profunda crise, Verdi precisou ser estimulado pelo amigo Morelli. Não em termos financeiros, mas a partir daquilo que nutria o músico, que era o gosto pela arte. Diante de novas perspectivas, o músico encantou-se e deixou-se apaixonar novamente pelo gosto de fazer o que amava. O estímulo do amigo fez com que Verdi redescobrisse a beleza da música diante do drama da existência. Ao deparar-se com a força do drama, o artista ressignificou o sentido de sua existência e passou a ajudar as pessoas a superarem seus dramas por meio da beleza e do encanto da música.

Precisamos descobrir como estimular as pessoas para que possam oferecer o melhor de si naquilo que fazem. O Evangelho é a nossa fonte de inspiração. Jesus transformou pessoas simples do povo em anunciadores intrépidos do Reino de Deus. Entre os discípulos de Jesus não havia muitos sábios e entendidos. Entre eles, havia pescadores, cobrador de impostos, militantes sectários… Todos foram estimulados pelo sonho do Reino. Ao testemunharem seu Mestre dar a vida por esse Reino, encheram-se de esperança; fortalecidos pela experiência da ressurreição e pela força do Espírito Santo, saíram anunciando o Evangelho até derramar o próprio sangue, na força do estímulo de Jesus.

Dom Geraldo dos Reis Maia - Bispo de Araçuaí (MG)

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Fonte: cnbb.org.br

domingo, 10 de maio de 2026

Papa no Regina Cæli deste domingo:

o amor de Deus
é a condição para a nossa justiça, e não o contrário

“É o amor de Deus a condição para a nossa justiça”. Foi o que disse o Papa Leão XIV na alocução que precedeu o Regina Cæli na Praça São Pedro, na presença de milhares de fiéis e peregrinos, neste VI Domingo da Páscoa.

“Hoje, no Evangelho, escutámos algumas palavras que Jesus dirige aos seus discípulos durante a Última Ceia. Ao fazer do pão e do vinho o sinal vivo do seu amor, Cristo diz: «Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos». Esta afirmação liberta-nos de um equívoco, ou seja, da ideia de sermos amados se observarmos os mandamentos: a nossa justiça seria então condição para o amor de Deus. É o amor de Deus, pelo contrário, a condição para a nossa justiça”. Foi o que disse o Papa Leão XIV na alocução que precedeu o Regina Cæli na Praça São Pedro, na presença de milhares de fiéis e peregrinos, neste VI Domingo da Páscoa.

Observamos verdadeiramente os mandamentos, - continuou o Papa - segundo a vontade de Deus, se reconhecermos o seu amor por nós, tal como Cristo o revela ao mundo. As palavras de Jesus são, portanto, um convite à relação, não uma chantagem ou uma incerteza.

“Eis por que o Senhor manda que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou: é o amor de Jesus que gera em nós o amor. O próprio Cristo é o critério, o paradigma do verdadeiro amor: que é fiel para sempre, puro e incondicional”.


“Aquele que não conhece nem “mas” nem “talvez”; que se doa sem querer possuir; que dá vida sem levar nada em troca. Porque Deus nos ama primeiro, também nós podemos amar; e quando amamos de verdade a Deus, amamo-nos de verdade uns aos outros”.

Acontece o mesmo com a vida, acrescentou o Papa: “só quem a recebeu pode viver, e assim só quem foi amado pode amar”.

“Os mandamentos do Senhor são, por isso, uma regra de vida que nos cura dos falsos amores; são um estilo espiritual, que é caminho para a salvação”.

Precisamente porque nos ama - afirmou o Papa - o Senhor não nos deixa sozinhos nas provações da vida: promete-nos o Paráclito, ou seja, o Advogado defensor, o «Espírito da Verdade».


“É um dom que «o mundo não pode receber», enquanto se obstinar no mal que oprime o pobre, exclui o fraco, mata o inocente”.

Quem, pelo contrário, - destacaou o Papa - corresponde ao amor que Jesus nutre por todos, encontra no Espírito Santo um aliado que nunca falha: "Vós é que O conheceis – diz Jesus – porque permanece junto de vós, e está em vós". Sempre e em toda a parte podemos, então, testemunhar Deus, que é amor: esta palavra não significa uma ideia da mente humana, mas a realidade da vida divina, pela qual todas as coisas foram criadas do nada e salvas da morte.

O Santo Padre sublinhou em seguida que ao oferecer-nos o amor verdadeiro e eterno, Jesus partilha conosco a sua identidade de Filho amado: “Eu estou no meu Pai, e vós em mim, e Eu em vós”. Esta envolvente comunhão de vida desmente o Acusador, ou seja, o adversário do Paráclito, o espírito contrário ao nosso defensor. Com efeito, enquanto o Espírito Santo é força de verdade, este Acusador é “pai da mentira”, que quer opor o homem a Deus e os homens entre si: precisamente o oposto do que faz Jesus, salvando-nos do mal e unindo-nos como povo de irmãos e irmãs na Igreja.

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Assista:

Silvonei José – Vatican News

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Fonte: vaticanews.va  Vídeo e fotos: (@Vatican Media)

Desta forma é que devemos viver:

Ao modo de Jesus

José Antonio Pagola

Jesus está se despedindo de seus discípulos. Ele os amou apaixonadamente, com o mesmo amor que o Pai o amou. Agora tem que deixá-los. Conhece o egoísmo deles. Não sabem amar-se mutuamente. Jesus os vê discutindo entre si para obter os primeiros postos. O que será deles?

As palavras de Jesus adquirem um tom solene. Hão de ficar bem gravadas em todos: “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”. Jesus não quer que seu modo de amar desapareça entre os seus. Se um dia o esquecerem, ninguém poderá reconhecê-los como discípulos seus.

De Jesus permaneceu uma lembrança inapagável. As primeiras gerações assim resumiam sua vida: “Passou por toda parte fazendo o bem”. Era bom encontrar-se com Ele, pois buscava sempre o bem das pessoas, ajudava a viver. Sua vida foi uma Boa Notícia. Nele se podia descobrir a boa proximidade de Deus.

Jesus tem um modo de amar inconfundível. É muito sensível ao sofrimento das pessoas. Não pode passar ao largo de quem está sofrendo. Um dia, ao entrar na pequena aldeia de Naim, encontrou-se com um enterro: uma viúva em pranto estava levando seu filho único à sepultura. Do íntimo de Jesus brota seu amor por aquela desconhecida: “Mulher, não chores”. Quem ama como Jesus vive aliviando o sofrimento e secando lágrimas.

Os evangelhos lembram em diversas ocasiões como Jesus captava com seu olhar o sofrimento das pessoas. Olhava-as e se comovia: via-as sofrendo ou abatidas, como ovelhas sem pastor. Rapidamente se punha a curar as pessoas mais enfermas ou a alimentá-las com suas palavras. Quem ama como Jesus, aprende a olhar os rostos das pessoas com compaixão.

É admirável a disponibilidade de Jesus para fazer o bem. Ele não pensa em si mesmo. Está sempre atento a qualquer chamado, disposto a fazer o que pode. A um mendigo cego que lhe pede compaixão enquanto vai passando, Ele o acolhe com estas palavras: “O que queres que faça por ti?” Com esta atitude anda pela vida quem ama como Jesus.

Jesus sabe estar junto dos mais desvalidos. Nem precisam pedir-lhe e Ele faz o que pode para curar suas doenças, libertar suas consciências ou transmitir sua confiança em Deus. Mas não pode resolver todos os problemas daquela gente.

Então se dedica a fazer gestos de bondade: abraça as crianças da rua: não quer que ninguém se sinta órfão; abençoa os enfermos: não quer que se sintam esquecidos por Deus; acaricia a pele dos leprosos: não quer que se vejam excluídos. Assim são os gestos de quem ama como Jesus.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 9 de maio de 2026

Reflexão de frei Almir Guimarães para o seu dia:

“Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós”

Os cristãos são narradores da esperança. (Luciano Manicardi)

 Estamos vivendo as alegrias da Páscoa. Cinquenta dias nos são propostos para aprofundar esse evento único: aquele Jesus que percorreu nossos caminhos e que se entregou livremente nas mãos dos que lhe tiraram a vida, vive. Vive do que chamamos de vida eterna, vida com a Vida no Pai. Não se trata ter o mesmo corpo reanimado. A humanidade de Jesus foi assumida na glória do Pai. Não ocupa mais os espaços físicos do mundo, mas é capaz de passar por portas fechadas. Durante semanas, a liturgia da Igreja nos pede a delicadeza de ouvir esses antigos relatos que esquentam o coração e nos falam da presença do Senhor. O Espírito vem em nosso socorro.

 Uma das mais doloridas experiências que os humanos podem fazer é, seguramente, a da orfandade. Crianças, adolescentes e jovens que, por diferentes razões, perdem o pai e/ou a mãe experimentam uma punhalada: perdem carinho, apoio, nutrimento pela vida, confiança, esperança. Nada substitui completamente os pais. Multiplicam-se sentimentos de solidão, abandono, insegurança. Os apóstolos ao sentirem a iminência da partida de Jesus ficam atônitos. Jesus afirma que não os deixará órfãos.

 “Eu virei a vós…”. Trata-se da vinda do Espírito, alma da comunidade, força, água, energia, fogo. Esse Espírito o mundo não é capaz de receber. Receberão os discípulos do Senhor que não querem errar o Caminho. Haverão de suplicar essa força como vento e calor, como fogo e refrigério. Jesus afirma que esse Sopro será enviado por ele e pelo Pai. Na hora das decisões, nos momentos de reflexão sobre o amanhã do mundo, da comunidade e de nossa vida pessoal não estaremos em estado de orfandade. Ele estará dentro de nós. Luciano Manicardi afirma que os cristãos são “narradores da esperança”.

 “Como é descrito o Espírito? Vem descrito como um fogo, como um sopro enérgico, uma luz, um ânimo, um desassombro, um alento que nos faltava para podermos ser. Essa imagem, que é também uma experiência do Espírito que, penso, todos fazemos – pois em algum momento sentimos que a amizade com Deus nos atravessa de uma forma total – conduz-nos certamente à verdade de Deus, mas descrevendo-a como experiência de plenitude” (José Tolentino Mendonça, Nenhum caminho será longo, Paulinas, p. 56).

 “Quem me ama, será amado por meu Pai e eu o amarei e manifestarei a ele”. Amar Jesus. Ter em mente esse Jesus ressuscitado. Esse que percorreu os caminhos dos homens e vive. Desde nossa mais terna infância o “conhecemos”. Quem sabe ao longo do tempo da vida fomos nos aproximando dele ou ele querendo aproximar-se de nós. Na candura de nossa fé o acolhemos. Convicção de que ele vive. Fomos afirmando nossa adesão a ele… “A quem iremos?”. Cremos não apenas que ele vive, mas acreditamos que o caminho que ele andou traçando é aquele que abraçamos, apesar de falhas e do pecado. Tentamos estar com Jesus na eucaristia de todos dias. Sabemos que ele anda marcando encontros conosco nos mais abandonados. Queremos, nem sempre conseguindo, dizer com São Paulo que para nós viver é Cristo. Amamos o Senhor, queremos ama-lo. Temos fé que assim ele se nos manifestará. O que é, de fato, amar a Jesus? Fazer nossa a sua causa. Simplesmente. Gastar o tempo da vida por ele e seus sonhos.

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Texto para reflexão

Precisamos  que alguém nos faça lembrar  a verdade de Jesus.  Se  a esquecermos, não saberemos  quem somos  nem o  que estamos chamados a ser.   Vamos desviar-nos sempre de novo do Evangelho e defender em seu nome causas e interesses que pouco têm a ver  com ele. Vamos desfigurando a verdade , ao mesmo tempo  em que achamos estarem posse dela.  E preciso que o  Espírito ative nossa memória de Jesus,  sua presença viva,  sua imaginação criadora. Não se trata de despertar uma  lembrança do passado:  sublime, comovente, entranhável, mas  sempre uma lembrança. O que Espírito do Ressuscitado faz conosco é  abrir nosso coração ao encontro com Jesus como  alguém vivo. Só esta relação afetiva e cordial com Jesus Cristo é capaz de transformar-nos   e gerar em nós uma maneira  nova de ser e de viver. (Pagola,  João,  p.201).

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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