domingo, 1 de novembro de 2026

Reflexão para este domingo:

É bom crer

José Antonio Pagola

Muitas vezes se pensa que a fé é algo que tem a ver com a salvação eterna do ser humano, mas não com a felicidade concreta de cada dia, que é o que precisamente agora nos interessa. Além disso, há os que suspeitam que sem Deus e sem religião seríamos mais felizes. Por isso é conveniente lembrar algumas convicções cristãs que caíram no esquecimento ou ficaram encobertas por uma apresentação errada ou insuficiente da fé. Eis a seguir algumas delas.

Deus nos criou só por amor, não para seu próprio proveito ou pensando em seu interesse, mas buscando a nossa felicidade. A única coisa que interessa a Deus é o nosso bem.

Deus quer a nossa felicidade não só a partir da morte, na assim chamada “vida eterna’, mas agora mesmo, nesta vida. Por isso está presente em nossa existência potenciando nosso bem, nunca nosso dano.

Deus respeita as leis da natureza e a liberdade do ser humano. Não força a liberdade humana nem a criação. Mas está junto de nós apoiando nossa luta por uma vida mais humana e atraindo nossa liberdade para o bem. Por isso, em cada momento contamos com a graça de Deus para sermos o mais felizes possível.

A moral não consiste em cumprir leis impostas arbitrariamente por Deus. Se Ele quer que demos ouvidos às exigências morais que levamos dentro do coração, é porque seu cumprimento é bom para nós. Deus não proíbe o que é bom para o ser humano nem obriga ao que pode ser prejudicial. Ele só quer o nosso bem.

Converter-se a Deus não significa decidir-se por uma vida mais infeliz e fastidiosa, mas orientar a própria liberdade para uma existência mais humana, mais sadia e, em última análise, mais feliz, ainda que isso exija sacrifícios e renúncia. Ser feliz sempre tem suas exigências.

Ser cristão é aprender a “viver bem” seguindo o caminho aberto por Jesus. As bem-aventuranças são o núcleo mais significativo e “escandaloso” desse caminho. Caminha-se para a felicidade com coração simples e transparente, com fome e sede de justiça, trabalhando pela paz com entranhas de misericórdia, suportando o peso do caminho com mansidão. Este caminho traçado nas bem-aventuranças leva a conhecer já nesta terra a felicidade vivida e experimentada pelo próprio Jesus.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

 

sábado, 31 de outubro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos
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Dia 1º de novembro - Solenidade de Todos os Santos

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa da festa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

15h30 - Concentração na Praça Centenário, caminhada até a frente da matriz, onde, às 17h, haverá Missa Campal

18h - Missa na igreja de Santo Antônio

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Dia 2 de novembro - Finados

7h -  Missa no Cemitério Jardim 

9h - Missa na matriz

16h - Missa no Cemitério do centro

19h - Missa na matriz

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Catequese com o cardeal dom Odilo Pedro Scherer:

Enquanto vivemos a feliz esperança

O mês de novembro é marcado por duas comemorações litúrgicas cheias de significado: a solenidade de Todos os Santos e a comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. Essas celebrações católicas revelam muito sobre a antropologia cristã: à luz da fé da Igreja, como entendemos o ser humano, sua existência e sua ação neste mundo e seu futuro?

No Símbolo Apostólico da profissão de fé da Igreja, há algumas afirmações breves que podem ser recordadas nessas ocasiões: “Creio (…) na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna”. Além delas, podemos recordar o que afirmamos em nossa fé a respeito de Jesus Cristo: Filho único de Deus, que se fez homem e nasceu da Virgem Maria, padeceu a cruz, morreu, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos. O que na fé afirmamos sobre Jesus Cristo tem a ver com o ser humano. A constituição pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, ensina que o ser humano só é compreensível à luz de Cristo, único que revela o homem ao homem, qual é sua origem e o sentido de sua vida e de seu futuro.

Na solenidade de Todos os Santos, contemplamos “a multidão de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, vestindo vestes brancas e com palmas na mão, diante do trono do Cordeiro imolado”, cantando em uníssono um grande hino de louvor e ação de graças a Deus Pai e a Cristo Salvador (cf. Ap 7,9-10). E sentimos o desejo de estar com essa multidão feliz um dia. Essa cena é a expressão ideal do céu, da salvação realizada na plenitude, do novo céu e da nova terra, em que “não haverá mais morte, nem luto, nem choro, nem dor, porque as primeiras coisas terão passado”, porque Deus fará novas todas as coisas (cf. Ap 21,4-5). A festa solene de Todos os Santos nos convida a caminhar perseverantes, na esperança de alcançarmos a salvação em plenitude com todos aqueles que já alcançaram esse objetivo supremo da existência. Ao mesmo tempo, nos convida a sermos praticantes fiéis dos ensinamentos de Jesus Cristo e a cumprirmos generosamente a missão que Deus nos confiou neste mundo.

A comemoração de Todos os Fiéis Defuntos nos confronta com o nosso limite, a brevidade dos nossos dias neste mundo e o mistério da morte corporal. A Igreja recomenda que visitemos, nessa Comemoração, os túmulos dos falecidos, como um válido exercício de nossa fé. Assim, recordamos na oração “todos os irmãos que já partiram desta vida e dormem o sono da paz” (Oração Eucarística). A nossa oração e intercessão por eles, sobretudo oferecendo missa em favor deles, é uma grande caridade para com os que nos precederam na morte. Ao mesmo tempo, nossa visita aos túmulos dos falecidos serve como um choque de realidade para nós mesmos, pois nos recorda de que também nossa vida passa. Nossos dias e horas são preciosos e não sabemos quantos ainda nos serão concedidos. Cada dia é dom e graça de Deus, a ser acolhido com ação de graças e vivido intensamente na prática do bem e na busca de Deus.

Diante do mistério da morte, que levanta muitas interrogações e leva a angústias, qual é a resposta da nossa fé? Antes de tudo, cremos no Deus vivo, Senhor da vida, que não nos chamou para o aniquilamento, mas para a vida plena. Com o justo Jó, arruinado em sua saúde e resistindo à tentação do desespero e de não crer mais em Deus, dizemos também nós: “Eu sei que o meu Redentor vive e que, depois de tudo, ele se levantará sobre o pó (da morte). E nesta minha carne, eu verei a Deus” (cf. Jó 19,25-26). A vida eterna não será criação humana, mas graça de Deus criador e salvador. Se queremos viver para sempre na eternidade feliz, precisamos acolher o Deus da vida e confiar-nos a Ele nesta vida.

A tomada de consciência da finitude e precariedade de nossa vida nos faz pensar na importância de viver bem cada instante da preciosa e frágil vida neste mundo. Viver bem significa permanecer firmes na fé e confiantes em Deus, não se deixando corromper pelas muitas tentações, amando a Deus e ao próximo como Jesus nos ensinou, fazendo o bem a todos, cumprindo os deveres diários, vivendo em paz com todos. O pensamento da morte, portanto, em vez de nos deixar angustiados e prostrados, pode ser motivador para assumir a vida com responsabilidade renovada.

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                                                                                         Fonte: osaopaulo.org.br

Reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

O delicado tema da santidade

♦ Mais um vez estamos comemorando a Solenidade de Todos os Santos. Duas leituras sempre voltam na liturgia desse dia: a festa na glória segundo o Apocalipse e as bem-aventuranças do evangelista Mateus. Bem-aventurados, felizes estes e aqueles. Pode-se ligar o tema da santidade de vida com a felicidade das bem-aventuranças. Ficamos sempre “intrigados” com essa felicidade na perseguição e nas lágrimas decantada por Jesus no monte das bem-aventuranças. Aparentemente uma felicidade pelo avesso.

♦ Santo, santidade: conceitos que precisam ser bem entendidos. Santo é o Altíssimo. Tudo nele é transparência e verdade. Dele tudo emana. Os serafins de Isaías diziam, com voos reverentes: santo, santo, santo. Diante dele tiramos as sandálias dos pés como Moisés no Horeb, ou cobrimos o rosto como Elias à porta da gruta. E, no entanto, somos nós chamados a ser santos. Soa sempre aos nossos ouvidos o “Sede santos, como vosso Pai é santo”. Que desafio!

♦ Há os santos canonizados e representados em imagens que veneramos e não adoramos. Há também e sobretudo a multidão de santos anônimos que nunca serão elevados à dignidade dos altares, mas estão no face-a-face com o Altíssimo. Não nos tornamos seres santos à força de jejuns e macerações, nem de repetições de fórmulas de oração. Quem nos santifica é o Senhor. Somos barro, massa nas mãos do oleiro. Na medida em que nos desvencilhamos de nós mesmos, em que abrimos espaço em nossa vida para que o Senhor atue é possível que ele opere maravilhas em nós pessoalmente e como membros de sua Igreja. O santo é obra de arte de Deus.

♦ Santo é aquele que consegue ouvir de maneira absoluta os desígnios do Altíssimo. É, antes de tudo, um atento ouvinte do Senhor e que passa a fazer dele o ar que respira e o objeto dos mais íntimos de seu coração. Amando o Amor e retribuindo amor com amor. Insistimos: na audição mais íntima do Amado, na convivência com o Evangelho vivo que tem o nome de Jesus. Ouvir e pôr amorosamente em prática o que nos é pedido. É ele que nos dá a força de amá-lo. Santo é aquele que precisa estar no eremitério, sabendo este pode estar no espaço onde moram os leprosos, como aconteceu com Francisco de Assis. O santo vive uma tensão entre o levantar os caídos e se fazer presente na entreaberta clausura de seu interior.

♦ Santo é aquele que opta pelo bem querer a todos. Os de perto e os de longe. São os que dizem de verdade: “A vosso serviço”. Deixando de privilegiar seus projetos e dedicando-se à urgente tarefa de levantar os caídos e socorrer aqueles que são irmãos: um filho especial, os caídos e excluídos, um pai doente, dando voz e vez aos que não têm nem voz, nem vez. Gasta e desgasta-se em fazer pão dos famintos e cobertor para os que tremem com inverno da solidão. Os santos são pessoas boas. Parecidos a anjos caídos do céu.

♦ Se a santidade é operada por Deus ela se torna possível na medida em que lhe desobstruímos o caminho. Por isso, felizes, bem-aventurados:

♦ Bem-aventurados os pobres. Não se trata de amar a miséria, de dar tudo e de viver ao-deus-dará. Trata-se de viver com digna sobriedade, sabem viver com pouco, não colocando o coração nos tesouros que a traça costuma corroer. Pessoas simples e sem aparatos e prosopopeia. Pobres com a abundância das coisas necessárias. Os pobres em espírito sempre se espelham na pobreza de Jesus desde o nascimento até à morte no madeiro do abandono. Francisco de Assis chamava essa pobreza de Dama  Pobreza. As outras bem-aventuranças de Mateus dependem da pobreza de coração.

♥ Felizes os aflitos e sofridos de toda sorte que não se puseram a arrancar os cabelos, mas deram tempo ao tempo, sem revolta, mas sem entregar os pontos. Os aflitos que serão pessoas que esbravejam, que colocam seus argumentos com meridiana clareza, mas pedem justiça. Não são violentos, mas também não são apáticos e inertes. Essa gente possuirá a terra.

♥ Felizes os famintos e sedentos de justiça, que não perderam o desejo de serem mais justos e de clamarem por justiça Famintos da verdade, da vida. Nunca satisfeitos com etapas vencidas. Indo sempre adiante. Felizes os sedentos de Deus.
Infelizes os contentes e saciados com sucessos aparentes e passageiros e as primeira etapas vencidas. Felizes serão os seres de desejo. Um dia seus desejos serão plenamente saciados.

♥ Felizes os misericordiosos… são os que têm o coração voltado para o que inspira piedade, o frágil, o que cai. O contrário do misericordioso é a pessoa intransigente. Atuam e agem por compaixão. Não têm um coração endurecido. São mesmo capazes de perdoar.

♥ Felizes os que trabalham pela paz… ou seja os que constroem a paz que sempre é fruto da justiça. Paz aceitando as diferenças, paz num diálogo de gente madura. Paz entre os membros de um família, paz quando se busca diminuir as desigualdades. Paz que nos chega pelo perdão do Senhor. Paz que não pacifismo nem inércia.

♥ Felizes os que choram… por serem fiéis ao Evangelho, por se arrependerem de ter magoado a estes e aqueles. Choram porque não conseguem vencer dificuldades. Benditas lágrimas!

♥ Felizes os perseguidos … porque incomodam com seu modo de viver, parecido com o dos profetas e de Jesus. São os mártires, embora não lhes tenham sido arrancada a vida do corpo.

Concluindo

Ser cristão é aprender a “viver bem” seguindo o caminho de Jesus. As bem-aventuranças são o núcleo mais expressivo e “escandaloso” desse caminho. Caminha-se para a felicidade com coração simples e transparente, com fome e sede de justiça, trabalhando pela paz com entranhas de misericórdia, suportando o peso do caminho com mansidão. Este caminho traçado nas bem-aventuranças leva a conhecer já na terra a felicidade vivida e experimentada pelo próprio Jesus (Pagola).

Todos os santos…os santos todos… Francisco de Assis, Teresa de Calcutá, Dietrich Bonhoefer da Alemanha, Gandhi da Índia e Dulce de Salvador, nossa vizinha essencialmente boa e transparente. Eles foram vitoriosos na delicada arte de viver. Santos.

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Para rezar 

E então, felicidade, onde tu estás?

Felicidade,
estás dentro de mim,
cabe deixar possuir-me por ti.

Tu estás nos bem pequeninos
que fazem um gesto de carinho,
na criança que dá seus primeiros passos.
Estás no estudante que aprendeu
bem a lição e ganhou boa nota.

Tu estás no “te amo muito” cochichado ao ouvido,
na música que me deleita,
na volta de alguém ternamente amado,
no vizinho que nos perdoou,
eu te vejo nos outros,
pressinto tua presença em todo esforço
bem sucedido em vista do amor
tudo estás dentro e fora de mim.
“Felicidade é uma casinha pequenina com gerânios
e flor na janela… e uma rede…”

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Solenidade de Todos os Santos:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Ap 7,2-4.9-14

Leitura do livro do Apocalipse

Eu, João, vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: “Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”.

Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel.

Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Todos proclamavam com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”. Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos, e dos quatro Seres vivos, e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: “Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém”. E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?”

Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor”.

E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”.

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Responsório: Sl 23

— É assim a geração dos que procuram o Senhor!

— É assim a geração dos que procuram o Senhor!

— Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra,/ o mundo inteiro com os seres que o povoam;/ porque ele a tornou firme sobre os mares,/ e sobre as águas a mantém inabalável.

— “Quem subirá até o monte do Senhor,/ quem ficará em sua santa habitação?”/ “Quem tem mãos puras e inocente coração,/ quem não dirige sua mente para o crime.

— Sobre este desce a bênção do Senhor/ e a recompensa de seu Deus e Salvador”./ “É assim a geração dos que o procuram,/ e do Deus de Israel buscam a face”.

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2ª Leitura: 1Jo 3,1-3

Leitura da Primeira Carta de São João

Caríssimos: Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai.

Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. Todo o que espera nele, purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.

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Evangelho: Mt 5,1-12a

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Jesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, e Jesus começou a ensiná-los: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Felizes os aflitos, porque serão consolados. Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu.

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Reflexão do padre Johan Konings:

A comunhão dos Santos

Atualmente pouco se ouve falar na “comunhão dos santos”. Além disso, muitos fiéis talvez tenham uma ideia muito restrita a respeito de quem são os santos… Nas suas cartas, Paulo chama os fiéis em geral de “santos”. Todos os que pertencem a Cristo e seu Reino constituem uma comunidade viva e real, a “Comunhão dos Santos”.

As bem-aventuranças (evangelho) proclamam a chegada do Reino de Deus e, por isso, a boa ventura daqueles que “combinam com ele”. Assim, caracterizam a comunidade dos “santos”, os “filhos do Reino”, e proclamando a sua felicidade e salvação.

Jesus felicita os “pobres de Deus”, os que confiam mais em Deus do que na prepotência, os que produzem paz, os que vêem o mundo com a clareza de um coração puro etc. Sobretudo os que sofrem por causa do Reino, pois sua recompensa é a comunhão no “céu”, isto é, em Deus. Dedicando sua vida à causa de Deus, eles “são dele”. É o que diz S. João (2ª Leitura): já fomos filhos de Deus, e nem imaginamos o que seremos! Mas uma coisa sabemos: seremos semelhantes a ele, realizaremos a vocação de nossa criação (Gn 1,26). O amor de Deus tomará totalmente conta de nosso ser, ao ponto de nos tornar iguais a ele.

A santidade não é o destino de uns poucos, mas de uma imensa multidão (1ª leitura): todos aqueles que, de alguma maneira, até sem o saber, aderiram e aderirão à causa de Cristo e do Reino: a comunhão ou comunidade dos santos.

Ser santo significa ser de Deus. Não é preciso ser anjo para isso. Santidade não é angelismo. Significa um cristianismo libertado e esperançoso, acolhedor para com todos os que “procuram Deus com um coração sincero” (Oração Eucarística IV). Mas significa também um cristianismo exigente. Devemos viver mais expressamente a santidade de nossas comunidades (a nossa pertença a Deus e a Jesus), por uma prática da caridade digna dos santos e por uma vida espiritual sólida e permanente.

Sobretudo: santidade não é beatice, não é medo de viver. É uma atitude dinâmica, uma busca de pertencer mais a Deus e a assemelhar-se sempre mais a Cristo. Não exige boa aparência!

Desprezar os pobres é desprezar os santos! Mas exige disponibilidade para se deixar atrair por Cristo e entrar na solidariedade dos fiéis de todos os tempos, santificados e unidos por ele.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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               Fonte: franciscanos.org.br  Imagem: vaticannews.va  Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Reflita com dom Oriolo:

é possível evangelizar sem evangelizadores?

Jesus Cristo é a própria Boa-Nova, o Evangelho vivo. Ele veio para que “todos tenham vida e a tenham plenamente” (Jo 10,10) e a Igreja continua sua presença e ação no mundo, sempre a serviço da vida.

Dom Oriolo

A Igreja tem a missão de evangelizar. Desde o seu início, ela reconhece a necessidade de anunciar a Boa-Nova, conforme a ordem de Jesus: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). Ela sempre se preocupou em responder a esta nobilíssima vocação de ser portadora da Boa-Nova e sacramento universal de salvação (cf. LG, n.48)

Jesus Cristo é a própria Boa-Nova, o Evangelho vivo. Ele veio para que “todos tenham vida e a tenham plenamente” (Jo 10,10) e a Igreja continua sua presença e ação no mundo, sempre a serviço da vida. Os documentos Redemptoris Missio (cf. n.21) e Evangelii Gaudium (cf. n.19) afirmam que a evangelização ocorre em obediência ao mandato missionário e que o Espírito Santo confere força aos apóstolos para levar a Boa-Nova.

Atualmente, a Inteligência Artificial (IA), generativa, preditiva, conversacional e analítica, está transformando profundamente a maneira como interagimos com o mundo, com as pessoas, com Deus e, principalmente, com as informações e o conhecimento. Sua incorporação à vida cotidiana ocorre em uma velocidade que desafia nossa capacidade de reflexão profunda e compreensão crítica, nem sempre acompanhada de uma formação filosófica, ética e humanística capaz de orientar seu desenvolvimento e sua utilização.

Diante desse cenário, a IA passa a exercer influência crescente em diferentes dimensões da existência humana, como no mundo jurídico, na fé, na medicina, na psicologia, no mercado de trabalho, nas relações interpessoais etc. Sua presença suscita, por um lado, incertezas quanto ao futuro das relações sociais, da autonomia humana e dos valores que solidificam a vida em sociedade; por outro, oferece possibilidades inéditas de inovação, tecnologia e pesquisa. O desafio consiste em compreender como essas transformações podem contribuir para a construção de uma Sociedade 5.0, na qual a tecnologia esteja a serviço das pessoas, sem comprometer sua dignidade.

É nesse horizonte que surge a provocação expressa no título “É Possível Evangelizar sem Evangelizadores?”. Quando uma máquina dialoga conosco, emprega palavras adequadas, simula empatia, reconhece nossas perguntas e oferece respostas capazes de despertar confiança e afinidade, estabelece-se uma forma de interação que pode influenciar nossas percepções, decisões e até mesmo nossa busca por sentido.

Em abril de 2025, Adam Raine, de dezesseis anos, na Califórnia, tirou a própria vida, após meses de confidenciar a um sistema de IA generativa. No processo judicial que seus pais moveram contra OpenAI, argumentaram que o sistema havia se tornado seu “confidente mais próximo” e, em última instância, seu “instigador do suicídio”. Um sistema de IA generativa tornou-se um interlocutor crucial por meio do qual um jovem interpretou seu sofrimento e caminhou rumo a uma decisão fatal.

No entanto, se a IA passa a atuar como interlocutora em questões existenciais e religiosas, inclusive naquelas relacionadas à fé e à experiência cristã de Deus, torna-se necessário perguntar: até que ponto essas tecnologias podem contribuir para o anúncio da Boa-Nova do Evangelho? A questão central não é apenas se podemos evangelizar por meio das máquinas, mas o que significa evangelizar quando a tecnologia assume parte da comunicação da fé, sem substituir a presença, o discernimento e a responsabilidade dos evangelizadores humanos.

O critério fundamental para discernir o uso da IA na missão evangelizadora não é a busca por meio de engajamento, mas sim o tipo de engajamento que ela provoca. Trata-se de gerar uma interação capaz de conduzir à verdadeira conversão: aquela que, respeitando a dignidade humana e a verdade do Evangelho, amplia o anúncio da Boa-Nova, favorece o encontro pessoal com Cristo e alimenta a comunhão eclesial, sem jamais substituir o testemunho e a presença viva dos evangelizadores.

Como a IA transforma nossas formas de aprender, ensinar, dialogar e acessar o conhecimento, podemos utilizá-la para renovar as práticas evangelizadoras, desde que permaneça a serviço da missão da Igreja, fundamentada na Palavra, no Mistério Pascal e na vida sacramental. Nessa perspectiva, a reflexão de São Paulo VI sobre a centralidade da Palavra e do Mistério Pascal (cf. EN, n. 42-47) e as orientações das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil/2026-2032 (cf. Objetivo Geral) devem iluminar o discernimento sobre as possibilidades e os limites dessas tecnologias.

Entretanto, a proposta de evangelizar sem evangelizadores deve ser compreendida na perspectiva do processamento de dados, conforme nos ensina o papa Leão XIV ao afirmar que esses sistemas imitam algumas funções da inteligência humana. Ao fazê-lo, muitas vezes a superam em velocidade e capacidade de cálculo, oferecendo benefícios concretos em numerosos campos. No entanto, esse poder permanece exclusivamente ligado ao processamento de dados: as chamadas inteligências artificiais não vivenciam experiências, não possuem um corpo, não experimentam a alegria e a dor, nem amadurecem na compreensão do amor, do trabalho, da amizade e da responsabilidade (cf. MH, n. 99).

As inteligências artificiais tampouco possuem consciência moral: não julgam o bem e o mal, não apreendem o sentido último das situações, nem assumem o peso de suas consequências. Podem imitar linguagens, comportamentos e avaliações, bem como simular empatia ou compreensão, mas não compreendem verdadeiramente aquilo que produzem, pois não penetram o horizonte afetivo, relacional e espiritual no qual o ser humano desenvolve a sabedoria (cf. MH, n. 99).

Portanto, que a provocação do título “É Possível Evangelizar sem Evangelizadores?” nos faça lembrar da exortação de Paulo:  "Tudo é permitido, mas nem tudo convém" (1 Cor, 6,12; 10,23).

Dom Edson José Oriolo dos Santos - Bispo da Igreja Particular de Leopoldina - MG

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                                                                                                           Fonte: cnbbleste2.org.br

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Papa na catequese desta quarta-feira:

a fé é chamada
a se tornar cultura para alcançar todas as pessoas

Na Praça São Pedro, Leão XIV deu continuidade ao ciclo sobre os documentos conciliares, analisando hoje o tema da cultura segundo Constituição Pastoral Gaudium et spes. Neste documento, a Igreja exorta a comunidade internacional a garantir que todos possam ter acesso aos bens culturais fundamentais, superando o analfabetismo e a falta de instrução.

A cultura e as suas relações com a fé cristã foram o tema da catequese do Santo Padre na Audiência Geral desta quarta-feira, 28 de outubro.

Leão XIV se ateve ao segundo capítulo da segunda parte da Constituição Gaudium et spes (GS), que descreve como a Igreja Católica foi determinante para o desenvolvimento da civilização ocidental não só por meio da criação de escolas e universidades, mas também na promoção da arte. 

LEIA A CATEQUESE

A relação entre fé e cultura, explicou Leão XIV, encontra o seu fundamento principal na Encarnação: se o Verbo divino se fez carne e veio habitar entre nós, então a fé é também uma realidade encarnada, entrelaçada com a cultura em que está imersa. Deste modo, a fé torna-se cultura através das tradições e das manifestações artísticas. 

“A fé pode encarnar-se em qualquer cultura, porque não se identifica com nenhuma delas de forma específica. Ela habita-as, moldando-as a partir de dentro segundo a «forma» de Jesus Cristo, ou seja, com a caridade, o serviço e o reconhecimento filial da paternidade de Deus.”

Garantir acesso à cultura

Assim, acrescentou o Pontífice, a Igreja capta nas diversas culturas o que há de bom, de belo e de verdadeiro, para encarnar e transmitir a mensagem do Evangelho. Ela é capaz de entrar em comunicação com as diversas formas de cultura porque não está exclusiva e indissoluvelmente ligada a nenhuma raça ou nação, a nenhuma tradição antiga ou moderna.

A cultura é um bem em si mesma, através da qual o ser humano pode realizar a sua vocação na terra. "Por esta razão, a Gaudium et spes exorta a comunidade internacional a garantir que todos possam ter acesso aos bens culturais fundamentais, superando o analfabetismo e a falta de instrução", disse ainda o Santo Padre, ressaltando que o Concílio já afirmava a importância da participação das mulheres na vida cultural.

A Gaudium et spes defende, assim, a necessidade para os cristãos de cultivar uma unidade fecunda do saber:"Embora tenham recebido da Revelação as respostas às grandes questões da existência, isso não os dispensa de uma formação intelectual e cultural paciente; pelo contrário, os seus conhecimentos humanos e científicos devem avançar a par dos conteúdos da sua fé", defendeu o Papa.

Por fim, o documento conciliar recomenda que não se viva a fé num espírito de oposição ou de hostilidade em relação ao mundo, à cultura e às suas expressões humanas. "Alcançar uma síntese madura e responsável entre fé e cultura é, com efeito, uma condição necessária para a perseverança na vocação cristã, mas também um requisito indispensável para testemunhar a fé ao mundo e comunicá-la aos outros de forma crível", concluiu o Santo Padre.

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Assista:

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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