A despedida de
Jesus no monte da Galileia e depois nas proximidades de Jerusalém é a lembrança
de um evento que mais tarde revelará tudo. Pertencente àquela ordem misteriosa
das ausências fecundas, em que alguém se retira para que sua presença, deixando
de ser vista de fora, comece a trabalhar por dentro.
Os onze subiram
ao monte que lhes fora indicado. Já não eram os mesmos homens que haviam fugido
e fechado as portas, mas traziam aquele cansaço que sucede às grandes
transformações do coração. Tinham visto a morte em toda a sua brutalidade e
ouvido o silêncio da tarde cair sobre o Calvário. Tinham conhecido o sábado sem
explicação, a lentidão das horas dormentes, a impressão de que todas as
promessas haviam sido sepultadas junto com o corpo amado. E, no entanto, Ele
estava ali.
“Quando o viram,
prostraram-se; mas alguns duvidaram”. Como é humana, e por isso mesmo tão
verdadeira, esta frase. A adoração e a dúvida ajoelhadas no mesmo chão é o
retrato da fé e a hesitação convivendo no mesmo espaço. O coração querendo
acreditar e a inteligência fadigando ante a última névoa da dor. Dificuldade de
acreditar que a morte, tão exata em sua violência, tivesse sido desmentida.
E então Ele diz:
“Toda autoridade me foi dada no céu e sobre a terra, portanto, ide.” Uma
despedida que começa com um envio.
Quem ama e se
despede costuma querer reter os seus e multiplicar recomendações, como se as
palavras pudessem atrasar a ausência. Jesus, porém, despede-se abrindo o mundo
para que os seus não fiquem fechados em suas lembranças, mas sejam lançados na
estrada da missão para ser e fazer discípulos.
A despedida não
é mais para consolar, mas para entregar uma tarefa. Mesmo sem compreender os
discípulos são enviados. Isso os impedirá, mais tarde, de anunciar o Evangelho
com arrogância, pois pesava em suas memórias o fato de que eles mesmos haviam
sido alcançados na dispersão.
A melancolia
daquela hora não estava em perder Jesus, pois Ele mesmo prometia permanecer. A
melancolia vinha da consciência de que o modo antigo de o ter chegava ao fim.
Já não poderiam retê-lo como antes, à beira do lago ou nas noites de pergunta e
espanto. A intimidade afetuosa dos dias da Galileia entrava agora numa forma
mais alta e mais exigente. Teriam de aprender a presença do ausente e a
reconhecer o Mestre nos sinais, na Palavra, no pão, nos pobres, na assembleia,
no Espírito que sopra onde quer.
Retirar uma
forma de presença para inaugurar outra é uma das passagens delicadas da fé.
Nós, que somos feitos de lembranças, sofremos quando a graça muda sua feição.
Queremos o mesmo caminho, o mesmo modo, a mesma doçura antiga. Mas o Senhor nos
educa e tira-nos da dependência sensível para nos introduzir numa fidelidade
mais profunda e alargada.
Ele parte, mas
permanece. Sobe, mas acompanha. Retira-se dos olhos, mas não da história. A
esperança nasce dessa tensão. O Ressuscitado, antes de partir, quis
acostumar-nos à nova gramática da sua presença. Não basta recordar, é preciso
esperar e receber o Espírito Santo.
Há na Ascensão
uma beleza quase dolorosa. Os discípulos permanecem olhando para o alto, como
quem tenta conservar, no último contorno visível, a presença que se afasta.
Tentativa falida de reter a imagem, fixá-la na memória, impedir que o tempo a
desfizesse. Um desses instantes em que o olhar se torna avarento como se a
memória pudesse defender-se contra a perda recolhendo minúcias. Por isso
continuavam olhando.
Então aparecem
dois homens vestidos de branco e impede que a saudade se transforme em
melancolia. Os discípulos foram impedidos de permanecer prisioneiros do último
lugar onde viram o Senhor. O céu para onde Ele subiu não os dispensa da terra
para onde são enviados.
A esperança
fica, então, estendida entre duas vindas. A primeira, humilde e pascal; a
última, gloriosa e definitiva. Entre elas, vive a Igreja. Vive de memória e
promessa, de saudade e missão. Ela sabe que o Esposo partiu, mas não a
abandonou.
A despedida
final de Jesus foi a passagem do Evangelho para a vida da Igreja. Enquanto os
discípulos o viam subir, começava uma nova forma de existência – Cristo estaria
no anúncio dos apóstolos, na água do batismo e na travessia de todos os que,
mesmo sem tê-lo visto, continuariam amando-o.
O monte da
Galileia e o monte da Ascensão formam, assim, uma única narrativa. Na Galileia,
Jesus prometeu que estaria conosco até o fim dos tempos; em Jerusalém, anunciou
que receberíamos o Espírito. As duas cenas se completam como duas faces de uma
mesma despedida. E nós, seus discípulos, que tínhamos ficado olhando para o
alto, descemos de novo para o chão duro da vida, pois a esperança católica não
se sustenta apenas olhando para o céu, mas caminhando na terra com a certeza de
que o céu já foi aberto.
A melancolia
daquela hora era a penumbra entre a última visão e a primeira missão, entre o
rosto que se retirava e o Espírito que viria, entre a saudade dos olhos e a
confiança do coração.
Dom Lindomar Rocha Mota - Bispo de São Luís de Montes Belos (GO)
se dá com a prática do justo e amável no dia a
dia
Na Solenidade da
Ascensão do Senhor, celebrado em muitos países neste domingo (17/05), como no
Brasil, o Papa recordou que conseguimos fazer "um percurso de
ascensão", aprendendo "a subir para o Céu", através dos exemplos
de Jesus, de Nossa Senhora e dos santos, e ao compartilhar o dia a dia com a
família e amigos que se esforçam em viver segundo o Evangelho: "aqueles
que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa
Francisco gostava de dizer – «da porta ao lado»".
O Papa Leão XIV
recordou logo no início da alocução que precedeu a oração mariana do Regina
Caeli, neste domingo (17/05), numa Praça São Pedro com cerca de 20 mil pessoas,
que "hoje, em muitos países do mundo, celebra-se a Solenidade da Ascensão
do Senhor", como acontece no Brasil, por exemplo. Um mistério que
marca a gloriosa partida de Jesus, quando sobe aos céus e senta-se à direita de
Deus Pai, para servir como mediador, intercedendo por nós. A Igreja
celebra essa solenidade 40 dias após a ressurreição de Cristo e o tempo em
que conviveu e instruiu os discípulos, antecipando Pentecostes na próxima
semana. Com a vinda do Espírito Santo, todos somos convidados e enviados pelo
Senhor a anunciar o Evangelho para todos.
A imagem de
Jesus que sobe ao Céu, da Ascensão do Senhor, disse o Pontífice, "poderia
nos levar a perceber este Mistério como um acontecimento distante. Contudo, não
é assim"; não é "promessa distante", mas "vínculo
vivo". Estamos unidos a Jesus e a sua "ascensão ao Céu atrai também
nós" e "para a plena comunhão com o Pai", explicou o Papa,
"aproximando cada vez mais a nossa maneira de pensar, de sentir e de agir
à medida do coração de Deus":
"Toda a
vida de Cristo é um movimento de ascensão, que abraça e envolve, através da sua
humanidade, o inteiro cenário do mundo, elevando e resgatando o homem da sua
condição de pecado, levando luz, perdão e esperança onde havia trevas,
injustiça e desespero, para chegar à vitória definitiva da Páscoa, na qual o
Filho de Deus «morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a
vida»."
Como acontece o
"percurso de ascensão"
Leão XIV
recordou, então, São Paulo, que diz que "«tudo o que é verdadeiro […],
justo, […] amável» e pondo em prática, com a ajuda de Deus", nos ajuda a
transcorrer um "percurso de ascensão", "que nos atrai
constantemente para o Alto, para o Pai", difundindo no mundo frutos
preciosos de comunhão e de paz. Um caminho feito em comunhão com quem está
próximo:
"Encontramos
o caminho em Jesus, na dádiva da sua vida, nos seus exemplos e nos seus
ensinamentos, assim como o vemos traçado na Virgem Maria e nos santos: aqueles
que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa
Francisco gostava de dizer – «da porta ao lado», com quem partilhamos o nosso
dia a dia, pais, mães, avós, pessoas de todas as idades e condições, que com
alegria e empenho se esforçam sinceramente por viver segundo o Evangelho.
“Com eles, com o
seu apoio e graças à sua oração, também nós podemos aprender a subir, dia após
dia, para o Céu, fazendo objeto dos nossos pensamentos.”
Ao final da
oração mariana do Regina Caeli, Leão XIV recordou que neste 17 de maio se
celebra o 60° Dia Mundial das Comunicações Sociais em vários países, como no
próprio Brasil, com celebrações de ação de graças. Nesta época da Inteligência
Artificial, disse o Papa, "encorajo todos a se empenharem em promover
formas de comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual
orientar toda inovação tecnológica".
"Hoje se
celebra, em diversos países, o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este
ano quis dedicar ao tema 'Preservar vozes e rostos humanos'. Nesta época da
Inteligência Artificial, encorajo todos a se empenharem em promover formas de
comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual orientar toda
inovação tecnológica."
O Papa voltou a
reforçar a importância de se aprender a lidar com a Inteligência
Artificial, para compreender o uso dos algoritmos, neste domingo, 17 de
maio, 60° Dia Mundial das Comunicações Sociais que inclusive está sendo
celebrado no Brasil, e tomando como base a própria a mensagem do Papa
divulgada no início do ano. O desafio, especifica o Pontífice no texto, não é
impedir a inovação digital, mas melhor orientá-la. Na mensagem, Leão XIV também
alerta para não renunciarmos o nosso talento, entregando-o às máquinas, porque
assim não vamos crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros: “significa
esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz".
Através da
mensagem, retomada ao final do Regina Caeli, o Papa Leão XIV convida todos
a refletirem sobre uma comunicação que seja mais humana, verdadeira e
autêntica. Segundo Janaína Gonçalves, coordenadora-geral da Pascom Brasil, é
“uma comunicação que não reduz pessoas a meros conteúdos, que dê voz e vez a
quem precisa, que revele o rosto das pessoas”. Ela afirma ainda que, analisando
o texto do Pontífice, “o problema da comunicação não está no celular, nas
telas em geral, mas na atitude de perder o humano, na ilusão digital em achar
que engajamento é o mesmo que profundidade, na incompreensão em pensar que o
alcance pelos algoritmos é o que gera a transformação”.
As atividades do
Dia Mundial das Comunicações no Brasil
Na Basílica de
Nossa Senhora Aparecida em São Paulo, a missa presidida pelo arcebispo Mário
Antônio e concelebrada por dom Valdir José de Castro, presidente da Comissão
para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi
transmitida pela TV Aparecida e retransmitida pela CNBB no início da manhã,
marcando o encerramento da programação da 7ª Semana de Comunicação organizada
pela Pascom Brasil e pela Comissão Episcopal para a CNBB. Entre as celebrações
previstas por todo o país em ação de graças pelo Dia Mundial das Comunicações
Sociais, destaque também para a missa na parte da tarde, direto do
Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e Jesus das Santas Chagas, em
Curitiba/PR.
Leão XIV
convocou todos que trabalham "por uma ecologia integral a renovar o
compromisso" com o cuidado da criação, participando da Semana Laudato si'
que começa neste domingo, 17 de maio. O movimento global encoraja a começar
pelas realidades locais, inclusive oferecendo cursos gratuitos para se tornar
Animador Laudato si’ e exercer um papel fundamental na promoção da
sustentabilidade e no enfrentamento dos desafios ambientais urgentes a partir
das comunidades em que se vive.
"De hoje
até o próximo domingo se realiza a Semana Laudato si’, dedicada ao cuidado da
criação e inspirada na encíclica do Papa Francisco. Neste ano jubilar de São
Francisco de Assis, recordamos a sua mensagem de paz com Deus, com os irmãos e
com todas as criaturas. Infelizmente, nestes últimos anos, devido às guerras,
os avanços nesse campo diminuíram bastante. Por isso, encorajo os membros do
Movimento Laudato si’ e todos aqueles que trabalham por uma ecologia integral a
renovar o compromisso. Cuidar da paz é cuidar da vida!"
O encorajamento
do Papa Leão XIV veio ao final do Regina Caeli, na Praça São Pedro, pra uma
multidão de 20 mil pessoas. O Pontífice convocou para um dos momentos globais do Movimento Laudato si' que começa
neste domingo (17/05) e vai até 24 de maio, a Semana Laudato
si' com o tema "Da esperança à ação".
As ações do
Movimento Laudato si'
Depois de um
Jubileu da Esperança histórico e da inspiradora Conferência Espalhando
Esperança, a mobilização é para transformar a esperança renovada em ações
coletivas e corajosas. E o Movimento, junto com o reforço do Papa Leão, convida
a comunidade global para continuar construindo uma Igreja atenta ao clamor da
Terra e dos pobres — alicerçada na oração, configurada pelo encontro e
comprometida com a conversão ecológica. Um trabalho global para enfrentar os
impactos contínuos da crise climática, mas que começa da base, das realidades
locais, com a sinolidade servindo de guia através dos Animadores Laudato
Si’, coordenadores de Capítulos, Círculos e Organizações-Membros que são o
coração da missão.
Para se
transformar em um deles, basta participar de um Curso de Animadores, gratuito, que oferece pedagogia
aprimorada, acesso ampliado a diversos idiomas e novas oportunidades de
formação (on-line e presencial). Os cursos não se destinam apenas a
“especialistas em meio ambiente”, mas a todas as pessoas de fé que sentem que
têm um chamado silencioso (e urgente) a responder. Inspirado na visão do
Papa Francisco, as aulas capacitam líderes que conseguem conectar a oração à
ação, a espiritualidade à transformação sistêmica e as iniciativas locais a um
movimento global.
Andressa Collet - Vatican News
_____________________________________________________________________ Fonte: vaticanews.va Fotos e vídeo: (@Vatican Media)
Mateus descreve a despedida de Jesus traçando as linhas de força que hão de orientar para sempre seus discípulos, os traços que devem marcar sua Igreja para cumprir fielmente sua missão.
O ponto de partida é a Galileia, para onde Jesus os convoca. A ressurreição não deve levá-los a esquecer o que viveram com Ele na Galileia. Foi lá que o ouviram falar de Deus com parábolas comovedoras. Lá o viram aliviando o sofrimento, oferecendo o perdão de Deus e acolhendo os mais esquecidos. É precisamente isto que eles devem continuar transmitindo.
Entre os discípulos que rodeiam a Jesus ressuscitado há “crentes” e há aqueles que “vacilam”. O narrador é realista. Os discípulos “se prostram”. Sem dúvida querem crer, mas em alguns surge a dúvida e a indecisão. Talvez estejam assustados e não conseguem captar tudo que aquilo significa. Mateus conhece a fé frágil das comunidades cristãs. Se não contassem com Jesus, bem depressa a fé se apagaria.
Jesus “se aproxima” e entra em contato com eles. Ele tem a força e o poder que a eles lhes falta. O Ressuscitado recebeu do Pai a autoridade do Filho de Deus com “pleno poder no céu na terra”. Se nele se apoiarem, não vacilarão.
Jesus lhes indica com toda precisão qual há de ser a missão deles. Não é propriamente “ensinar doutrina” nem só “anunciar o Ressuscitado”. Sem dúvida, os discípulos de Jesus terão de cuidar de diversos aspectos: “dar testemunho do Ressuscitado”, “proclamar o Evangelho”, “implantar comunidades”… mas tudo deverá estar finalmente orientado para um objetivo: “fazer discípulos” de Jesus.
Esta é a nossa missão: fazer “seguidores” de Jesus que conheçam sua mensagem, sintonizem com seu projeto, aprendam a viver como Ele e reproduzam hoje sua presença no mundo. Atividades tão fundamentais como o batismo, compromisso de adesão a Jesus, e o ensino de “tudo que foi mandado” por Ele são vias para aprender a ser discípulos. Jesus lhes promete sua presença e ajuda constante. Não estarão sós nem desamparados. Mesmo que sejam poucos. Nem que sejam só dois ou três.
Assim é a comunidade cristã. A força do Ressuscitado a sustenta com seu Espírito. Tudo está orientado para aprender e ensinar a viver como Jesus e a partir de Jesus. Ele continua vivo em suas comunidades. Continua conosco entre nós curando, perdoando, acolhendo… e salvando.
JOSÉ ANTONIO PAGOLAcursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.
não desapareçam da paróquia, sejam perseverantes na fé
Já é tradição
passar pelo Vaticano para encontrar o Papa. O grupo proveniente da diocese de
Gênova, na Itália, vive uma peregrinação de três dias em Roma e neste sábado
(16/05) ouve uma recomendação importante para ajudar no caminho de fé: após
receber o Sacramento, não desaparecer da paróquia, mas dedicar "uma
atenção especial a um dos dons do Espírito Santo chamado perseverança". É
muito importante assumir o compromisso de continuar sendo amigo, discípulo e
missionário de Jesus, disse o Papa.
“Bom dia a
todos! E sejam bem-vindos a São Pedro, no Vaticano, em Roma. Vocês vieram de
Gênova, de várias paróquias. Há uma paróquia que conheço um pouco melhor, que é
a de Manesseno. Onde vocês estão? Estão aqui? Muito bem! Mas todos vocês estão
de parabéns! Sejam bem-vindos!”
Assim o Papa
Leão XIV saudou na manhã deste sábado (16/05), na Sala das Bênçãos, um grupo de
crismandos e também já crismados da diocese de Gênova, acompanhados do
arcebispo Marco Tasca, que todos os anos faz uma peregrinação a Roma. Esta é a de número 24, dura três dias
e além do encontro com o Pontífice marcado por grande euforia e muitos selfies,
tem passagens pelo Santuário do Divino Amor, Jardins do Vaticano, Basílica de
São Pedro, Castelo Sant'Angelo e pontos turísticos da capital, assim como missa
e participação da oração mariana do Regina Caeli com o Papa no domingo (17/05).
A experiência procura tocar ainda mais o coração dos adolescentes, para
despertar o espírito de cada um que está para receber ou já recebeu o Sacramento,
"uma das maiores alegrias do bispo que é celebrar as Crismas, porque é
precisamente o dom do Espírito Santo", disse Leão XIV ao grupo:
"É muito
bonito receber este Sacramento, porque a plenitude do Espírito Santo nos dá
este entusiasmo, esta força, esta capacidade de seguir Jesus Cristo, de dizer:
'sim' ao Senhor sempre, de não ter medo de seguir com coragem, de viver a fé
num mundo que tantas vezes quer nos afastar de Jesus."
Leão XIV
recordou, então, que no próximo domingo (24/05), com a celebração de
Pentecostes, todos se tornam enviados da missão a exemplo dos apóstolos e
discípulos de Jesus Cristo que receberam o Espírito Santo para "anunciar o
Evangelho, anunciar o amor de Deus". O Papa exortou todos adolescentes a
serem "testemunho vivo do Espírito que vive em nós" e também alertou
para as tentações:
“Se conferir a
Crisma é uma das maiores alegrias do bispo, há outra coisa que é motivo de
tristeza. É que, às vezes, quando o bispo confere a Crisma, o dom do Espírito
Santo, nunca mais vê os adolescentes! Desaparecem da paróquia. E, a esse
respeito, quero pedir: dediquem uma atenção especial a um dos dons do Espírito
Santo chamado perseverança. Não esqueçam o que viveram neste tempo, para que a
alegria também chegue a Roma, para celebrarmos juntos, rezarmos juntos, para
essa alegria viva em seus corações e para que continuem sendo discípulos fiéis
de Jesus Cristo. Sejam perseverantes na fé, para que voltem à paróquia — há
muitas atividades, muitas oportunidades —, mas sobretudo na vida de fé, porque
Jesus Cristo quer caminhar com vocês, com cada um de vocês e com todos vocês em
comunidade - o que é tão importante. Não vivemos a fé sozinhos, vivemos juntos.
E formar essas relações de amizade, de comunidade, é uma maneira de viver a
perseverança como discípulos de Jesus.”
E a recomendação
do Papa foi reforçada no final, antes de todos rezarem juntos um Pai Nosso e
receberem a bênção do Pontífice. Leão XIV compartilhou o quanto é bom vir a
Roma, receber o Sacramento e a plenitude do Espírito Santo, "mas é muito
importante que cada um de vocês assuma também este compromisso, esta promessa
ao Senhor: que vocês realmente desejam continuar como seus amigos, seus
discípulos, seus missionários e desejam perseverar na fé".
Dom Antonio
Carlos Rossi Keller - Bispo de Frederico Westphalen (RS)
“Preservar vozes
e rostos humanos”
A Solenidade da
Ascensão do Senhor encerra o ciclo das aparições pascais de Cristo e abre, ao
mesmo tempo, o tempo da missão da Igreja. Jesus sobe ao Céu, mas não abandona
os seus discípulos. Pelo contrário, sua Ascensão inaugura uma nova forma de
presença: Ele permanece vivo e atuante na Igreja, por meio do Espírito Santo,
conduzindo a história humana para a plenitude do Reino.
Neste contexto,
a celebração do Dia Mundial das Comunicações Sociais encontra uma profunda
sintonia com a liturgia da Ascensão. Antes de subir ao Céu, Jesus confia aos
discípulos uma missão universal: anunciar o Evangelho a toda criatura. A Igreja
nasce missionária e comunicadora. Evangelizar é comunicar a verdade, a
esperança e o amor de Deus ao mundo.
O tema escolhido
pelo Papa Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026 —
“Preservar vozes e rostos humanos” — ilumina de modo especial esta missão da
Igreja em nosso tempo. Vivemos numa época marcada pela expansão das tecnologias
digitais e pela inteligência artificial. Essas ferramentas oferecem rapidez,
eficiência e alcance global. Contudo, o Papa recorda que nenhuma tecnologia
pode substituir o coração humano, a consciência moral, a empatia e a
responsabilidade ética. A comunicação verdadeira não é apenas transmissão de
dados; ela é encontro entre pessoas.
A Ascensão do
Senhor recorda justamente isso: Cristo não envia os discípulos como simples
transmissores de informações religiosas, mas como testemunhas vivas do
Evangelho. O cristianismo se espalhou pelo mundo não por mecanismos
automáticos, mas pela força do testemunho humano: homens e mulheres que
falaram, sofreram, amaram e entregaram a própria vida por Cristo.
Na primeira
leitura, retirada dos Atos dos Apóstolos, vemos Jesus prometendo o Espírito
Santo aos discípulos e enviando-os em missão até os confins da terra. A
Ascensão não significa ausência, mas envio. Os discípulos deixam de permanecer
olhando para o céu e passam a assumir a tarefa concreta da evangelização. A
Igreja não pode ficar parada, presa à nostalgia ou ao medo; ela deve caminhar
ao encontro do mundo.
Essa passagem
possui grande atualidade para o universo da comunicação. Também hoje existe o
risco de uma comunicação desumanizada, marcada pela superficialidade, pela
agressividade e pela manipulação. O Papa Leão XIV alerta para o perigo de uma
comunicação dominada apenas por algoritmos e interesses econômicos, sem
compromisso com a verdade e com a dignidade da pessoa humana. O discípulo de
Cristo é chamado a promover uma comunicação que preserve o rosto humano, que
saiba escutar, acolher e construir comunhão.
A segunda
leitura, da Carta aos Efésios, apresenta Cristo glorificado à direita do Pai,
acima de todo poder e autoridade. São Paulo destaca que Cristo é a cabeça da
Igreja, seu corpo vivo. Isso significa que toda missão evangelizadora deve
permanecer unida ao Senhor. A comunicação cristã não nasce do desejo de
autopromoção, mas da comunhão com Cristo. Quando a Igreja comunica o Evangelho
com humildade e verdade, ela se torna sinal de esperança para o mundo.
O Evangelho da
Ascensão mostra Jesus enviando os discípulos para proclamar a Boa Nova a toda
criatura. Antes de subir ao Céu, Ele os abençoa. A missão nasce da bênção do
Senhor e da confiança em sua presença permanente. Cristo continua agindo
através de seus discípulos.
Hoje, os meios
de comunicação oferecem possibilidades imensas para o anúncio do Evangelho.
Redes sociais, plataformas digitais e recursos de inteligência artificial podem
servir à evangelização e ao bem comum. Contudo, o Papa recorda que as máquinas
devem permanecer instrumentos a serviço da vida humana, e nunca substituir a
responsabilidade moral das pessoas. Uma comunicação verdadeiramente cristã
precisa conservar a capacidade de compaixão, discernimento e proximidade
humana.
Por isso, a
Solenidade da Ascensão nos convida a renovar nossa consciência missionária.
Somos enviados ao mundo para comunicar Cristo com palavras, atitudes e
testemunho de vida. Mais do que produzir conteúdos, o cristão é chamado a
transmitir esperança. Mais do que ocupar espaços digitais, deve criar pontes de
encontro e fraternidade.
Celebrar a
Ascensão do Senhor é recordar que Cristo continua presente e atuante na
história. Ele nos envia para comunicar a Boa Nova não como máquinas repetidoras
de mensagens, mas como discípulos missionários, capazes de amar, escutar e
servir. Esta é a verdadeira comunicação cristã: aquela que faz transparecer,
através das palavras e dos gestos, o próprio rosto misericordioso de Cristo.
No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. Foi a eles que Jesus se mostrou vivo depois da sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do reino de Deus. Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: ‘João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias’”. Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o reino em Israel?” Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade. Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que descerá sobre vós para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria e até os confins da terra”. Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.
- Por entre aclamações, Deus se elevou, / o Senhor subiu ao toque da trombeta.
- Por entre aclamações, Deus se elevou, / o Senhor subiu ao toque da trombeta.
1. Povos todos do universo, batei palmas, / gritai a Deus aclamações de alegria! / Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo, / o soberano que domina toda a terra.
2. Por entre aclamações, Deus se elevou, / o Senhor subiu ao toque da trombeta. / Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, / salmodiai, ao som da harpa, ao nosso rei!
3. Porque Deus é o grande rei de toda a terra, / ao som da harpa acompanhai os seus louvores! / Deus reina sobre todas as nações, / está sentado no seu trono glorioso.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Efésios
Irmãos, o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos e que imenso poder ele exerceu em favor de nós, que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus
Os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, ajoelharam-se diante dele. Ainda assim, alguns duvidaram. Então Jesus se aproximou, e falou: «Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo.»
O início do livro dos Atos narra que, depois das últimas instruções aos discípulos, Jesus foi, diante dos olhos deles, elevado ao céu, para partilhar a glória de Deus (1ª leitura). Os donos deste mundo haviam jogado Jesus lá embaixo (se não fosse José de Arimateia a sepultá-lo, seu corpo teria terminado na vala comum ….).
Mas Deus o colocou lá em cima, “à sua direita”. Deu-lhe o “poder” sobre o universo não só como “Filho do Homem” no fim dos tempos (cf. Mc 14,62), mas, desde já, através da missão universal daqueles que na fé a aderem a ele. Nós participamos desse poder, pois Cristo não é completo sem o seu “corpo”, que é a Igreja (2ª leitura). Com a Ascensão de Jesus começa o tempo para anunciá-lo como Senhor de todos os povos. Mas não um senhor ditador!
Seu “poder” não é o dos que se apresentam como donos do mundo. Jesus é o Senhor que se tornou servo e deseja que todos, como discípulos, o imitem nisso. Mandou que os apóstolos fizessem de todos os povos discípulos seus (evangelho). Nessa missão, ele está sempre conosco, até o fim dos tempos.
O testemunho cristão, que Jesus nos encomenda, não é triunfalista. É o fruto da serena convicção de que, apesar de sua rejeição e morte infame, “Jesus estava certo”. Essa convicção se reflete em nossas atitudes e ações, especialmente na caridade. Assim, na serenidade de nossa fé e na radicalidade de nossa caridade damos um testemunho implícito. Mas é indispensável o testemunho explícito, para orientar o mundo àquele que é a fonte de nossa prática, o “Senhor” Jesus.
A ideia do testemunho levou a Igreja a fazer da festa da Ascensão o dia dos meios de comunicação social – a mídia: imprensa, rádio, televisão, internet. Para uma espiritualidade “ativa”, a comunidade eclesial deve se tornar presente na mídia – uma tarefa que concerne eminentemente aos leigos. Como é possível que num país tão “católico” como o nosso haja tão pouco espírito cristão na mídia, e tanto sensacionalismo, consumismo e até militância maliciosa em favor da opressão e da injustiça?
Ao mesmo tempo, para a espiritualidade mais “contemplativa”, o dia de hoje enseja um aprofundamento da consciência do “senhorio” de Cristo. Deus elevou Jesus acima de todas as criaturas, mostrando que ele venceu o mal por sua morte por amor, e dando-lhe o poder universal sobre a humanidade e a história. Por isso, a Igreja recebe a missão de fazer de todas as pessoas discípulos de Jesus.
PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.
____________________________________________________ Fonte: franciscanos.org.br Imagem: vaticannews.va Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos