quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Papa Leão XIV nesta quarta:

nas cinzas está o peso de um mundo em chamas.
A Quaresma estimula a conversão.

Pela primeira vez em seu pontificado, Leão XIV presidiu à tradicional procissão da Quarta-feira de Cinzas, que tem início na Igreja de Santo Anselmo até a Basílica de Santa Sabina, onde foi celebrada a Santa Missa com a imposição das cinzas.

As cinzas do direito internacional e da justiça, de ecossistemas inteiros, do pensamento crítico e do sentido do sagrado: para os católicos, a Quaresma que hoje se inicia carrega o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra. Esta metáfora está contida na homilia que o Papa Leão XIV pronunciou na Missa de Quarta-feira de Cinzas celebrada na Basílica de Santa Sabina, após a tradicional procissão que partiu da Igreja de Santo Anselmo, no bairro romano do Aventino.

Quaresma, tempo forte de comunidade

No início de cada tempo litúrgico, disse o Santo Padre, redescobrimos com alegria sempre renovada a graça de ser Igreja, e também hoje a Quaresma é um forte tempo de comunidade: "Sabemos como é cada vez mais difícil reunir as pessoas e sentir-se povo, não de forma nacionalista e agressiva, mas na comunhão em que cada um encontra o seu lugar".

Na Igreja, ganha forma um povo que reconhece os próprios pecados, ou seja, que o mal não vem de presumíveis inimigos, mas está dentro da própria vida e dos próprios corações - pecados que devem ser enfrentados com a assunção de responsabilidades, mesmo que se trate de uma "atitude contracorrente", defendeu o Papa.

Certamente, o pecado é sempre pessoal, afirmou, mas ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos, muitas vezes dentro de autênticas “estruturas de pecado” de ordem econômica, cultural, política e até religiosa. "Como é raro encontrar adultos que se arrependem, pessoas, empresas e instituições que admitem ter errado!", lamentou Leão XIV.

E a Quaresma trata precisamente desta possibilidade e, por isso, atrai sobretudo os jovens. Opor o Deus vivo à idolatria significa ousar a liberdade. São os jovens que percebem nitidamente que é possível um modo de vida mais justo e que existem responsabilidades por tudo o que não funciona na Igreja e no mundo. "É necessário, portanto, começar por onde se pode e com quem está presente", exortou o Santo Padre, reiterando ainda o alcance missionário da Quaresma, de se abrir a pessoas que procuram caminhos para uma autêntica renovação de vida. 

“A Quaresma, com efeito, estimula-nos às mudanças de direção – conversões – que tornam mais crível o nosso anúncio.”

Apologia das Cinzas

Este anúncio passa também pelo Rito das Cinzas, que São Paulo VI desejou celebrar publicamente sessenta anos atrás, poucas semanas após a conclusão do Concílio Vaticano II. Na época, o Papa Montini usou a expressão "apologia das cinzas" para sintetizar o pessimismo que permeava a produção intelecutal, em que emergia a imensa tristeza da vida e a metafísica do absurdo e do nada. 

“Hoje podemos reconhecer a profecia contida nestas palavras e sentir nas cinzas que nos são impostas o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, as cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais, as cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura.”

Eis a necessidade de testemunhar Cristo Ressuscitado. Reconhecer os nossos pecados para nos convertermos, acrescentou o Papa, é já um presságio e um testemunho da ressurreição: "Significa, efetivamente, não nos determos nas cinzas, mas levantarmo-nos e reconstruirmos. Então, o Tríduo Pascal, que celebraremos ao culminar o caminho quaresmal, desprenderá toda a sua beleza e significado".

Neste percurso rumo à Páscoa, nos inspiram os mártires antigos e contemporâneos, que escolheram o caminho das Bem-aventuranças e levaram até ao fim as suas consequências. A Quaresma então é a oportunidade de restabelecer a profunda sintonia com o Deus da vida. "A Ele redirecionemos, com sobriedade e alegria, todo o nosso ser, todo o nosso coração", concluiu o Santo Padre.

Vatican News - Bianca Fraccalvieri

___________________________________________________________________________
                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

Mensagem do Papa Leão XIV

por ocasião da Campanha da Fraternidade 2026

Papa Leão: “com o intuito de animar o povo fiel em cada itinerário quaresmal, há mais de sessenta anos que a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade”…

O Papa Leão XIV enviou à Igreja Católica no Brasil, uma mensagem, com data de 11 de fevereiro de 2026, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, por ocasião do lançamento da Campanha da Fraternidade 2026. Há mais de sessenta anos que a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade - escreveu o Papa –, momento em que, como comunidade de fé, dirige a sua ação pastoral e caritativa aos pobres, os verdadeiros destinatários do nosso amor preferencial, como fiz questão de recordar na Exortação Apostólica Dilexi te.

Eis a íntegra da mensagem do Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs do Brasil,

«Chegamos à época solene que nos lembra o dever de nos aplicarmos à prece e ao jejum mais do que em qualquer outro tempo do ano, iluminando nossas almas e disciplinando nossos corpos» (Sermão 210). Assim escreveu Santo Agostinho em um de seus sermões sobre o tempo litúrgico que estamos para iniciar, durante o qual recebemos um especial chamado de Deus a uma autêntica conversão, redirecionando toda a nossa vida para Ele, ao seguirmos, por meio do jejum e a penitência, os passos de Nosso Senhor que se retirou no deserto por quarenta dias. Neste tempo de intensa oração, somos igualmente convidados a praticar com renovado empenho a virtude da caridade com os mais pobres e necessitados, com os quais o próprio Cristo se identifica (cf. Mt 25, 35-40). O Espírito Santo, autor da nossa santificação, nos conduza ao longo deste caminho.

Com o intuito de animar o povo fiel em cada itinerário quaresmal, há mais de sessenta anos que a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade, momento em que, como comunidade de fé, dirige a sua ação pastoral e caritativa aos pobres, os verdadeiros destinatários do nosso amor preferencial, como fiz questão de recordar na Exortação Apostólica Dilexi te: convencidos de que «existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres» (n. 36), «devemos empenhar-nos cada vez mais em resolver as causas estruturais da pobreza» (n. 94). À semelhança do que havia sido feito em 1993, no presente ano, inspirados pelo lema “Ele veio morar entre nós” (cf. Jo 1, 14), a proposta apresentada é aquela de voltar o olhar para os nossos irmãos que sofrem com a falta de uma moradia digna.

O meu santo predecessor, São João Paulo II, convidava a voltar a atenção «para os milhões de seres humanos privados de uma habitação conveniente, ou até mesmo sem qualquer habitação, a fim de despertar a consciência de todos e encontrar uma solução para este grave problema, que tem consequências negativas no plano individual, familiar e social», afirmando que «a falta de habitações, que é um problema de per si muito grave, deve ser considerada como o sinal e a síntese de uma série de insuficiências econômicas, sociais, culturais ou simplesmente humanas» (Sollicitudo Rei Socialis, 17).

Neste sentido, é meu desejo que a reflexão sobre a dura realidade da falta de moradia digna, que afeta tantos irmãos nossos, leve não somente a ações isoladas sem dúvida, necessárias — que venham de modo emergencial em seu auxílio, mas gere em todos a consciência de que a partilha dos dons que o Senhor generosamente nos concede não pode restringir-se a um período do ano, a uma campanha ou a algumas ações pontuais, mas deve ser uma atitude constante, que nos compromete a ir ao encontro de Cristo presente naqueles que não tem onde morar.

Desejo igualmente, queridos irmãos e irmãs, que as iniciativas nascidas a partir da Campanha da Fraternidade possam inspirar as autoridades governamentais a promover políticas públicas, a fim de que, trabalhando todos em conjunto, seja possível oferecer à população mais carente melhorias significativas nas condições de habitação.

Confio estes votos aos cuidados de Nossa Senhora, que não encontrou morada em Belém para dar à luz ao Redentor, mas que tem sua casa, como Rainha e Padroeira do Brasil, no Santuário Nacional de Aparecida. E, como penhor de abundantes graças, concedo de bom grado aos filhos e filhas da querida nação brasileira, de modo especial àqueles que se empenham para que todos tenham moradia digna, a Bênção Apostólica.

Vaticano, 11 de fevereiro de 2026, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes.

___________________________________________________________________________
                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

Paróquia São José - Paraisópolis (MG):

Horários de missa e outros eventos

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

Dia 18 - Quarta-feira de Cinzas - Início da Quaresma

8h - 10h - 15h - 19h -  Missa com imposição de cinza na matriz

19h - Missa com imposição de cinzas na igreja de Santo Antônio

19h - Celebração da Palavra com imposição de cinzas na igreja de São Geraldo

______________________________________________________________________________

Dia 19 - Quinta-feira

19h - Missa na comunidade de Áreas

19h - Missa na comunidade de Santa Vitória

19h - Terço dos homens na matriz

______________________________________________________________________________

 Dia 20- Sexta-feira

5h30 - Procissão da Penitência, missa, e oração das Mil Misericórdias na matriz

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

19h - Missa na comunidade de Nossa Senhora Aparecida - Bela Vista

19h - Missa na comunidade dos Jacintos

______________________________________________________________________________

Dia 21 - Sábado

14h - Reunião do Conselho Paroquial de Pastoral (CPP) no Centro Pastoral São José

19h - Missa na matriz

19h - Celebração da Palavra na igreja de São Geraldo

______________________________________________________________________________

Dia 22 - 1º Domingo da Quaresma

7h - Missa na matriz          9h - Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges      16h - Missa na igreja de Santo Antônio

19h - Missa na matriz

______________________________________________________________________________

Práticas para este tempo litúrgico:

Ficha quaresmal

Saiba como se preparar bem através de sete práticas espirituais para estes quarenta dias de oração e penitência

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

Práticas espirituais que formam um verdadeiro itinerário espiritual de preparação para a Páscoa. Arte: Phillip Pereira | @phillippereira_

A quaresma é um verdadeiro retiro espiritual que a Igreja propõe anualmente como itinerário para a celebração da Páscoa. Como esta é a maior solenidade do cristianismo, preparar-se bem significa dar maior honra ao mistério da ressurreição do Senhor.

Quando jovem, aprendi a fazer uma "ficha quaresmal" com Dom Henrique Soares. Eu sempre a mostrava e pedia sua aprovação. Esse hábito fortalecia meu compromisso de responsabilidade para com a minha vida espiritual. Ele geralmente propunha cinco itens. Como desdobramento, e para tornar o caminho mais claro para os meus paroquianos e a quem acompanho espiritualmente, acrescentei mais dois daquilo que ouvia em suas homilias. Formaram-se, então, sete práticas, representando, de acordo com o simbolismo bíblico acerca dos números, um caminho que leva à perfeição.

Ao buscar compreender essas práticas, veja-as como um caminho de purificação, no qual se busca, durante esse ínterim, estar preparado para a celebração de tão grande festa. Vejamos agora cada uma das práticas da ficha quaresmal:

Jejum de alimento ou líquido (penitência corporal)


Existem diversas formas de jejum, mas aqui a proposta é a retirada de um alimento ou alguma bebida durante toda a Quaresma. Para que seja uma penitência corporal válida, deve-se tolher algo de que a pessoa realmente goste, a ponto de sentir falta de sua presença. Exemplos: Açúcar, doces, sorvete, refrigerantes, pizza, bolo, salgados, etc.

Rezar a mais uma oração todo dia


Aqui, vale acrescentar uma prática de oração além daquelas que já fazem parte do dia a dia. Essa oração deve ser rezada diariamente. Exemplos: Adoração ao Santíssimo Sacramento (30 minutos ao dia), rezar os Salmos, terço da misericórdia, rosário completo, ofício de Nossa Senhora, via-sacra, terço da libertação, lectio divina, liturgia das horas, etc.

Fazer uma obra de caridade


A caridade nos faz olhar para o próximo. Ao escolher uma obra de caridade, abro-me ao outro, vendo-o como um irmão e combatendo a cultura da indiferença. Essa atitude deve ser realizada de forma discreta. Ela pode ser articulada, inclusive, ao longo de todo o período, como, por exemplo, economizar o dinheiro que seria gasto com lanches e doá-lo a uma instituição ou família necessitada. Uma outra boa opção é buscar realizar as obras de misericórdia corporais (dar de comer a quem tem fome, visitar os enfermos, etc.).

Ler um livro de um santo ou da Bíblia


É importante iluminar a consciência e estimular nosso intelecto para as realidades do alto. Propõe-se aqui ler sobre a vida e obra dos santos (hagiografia) ou algum livro das Sagradas Escrituras, como o Êxodo, o Deuteronômio ou um dos Evangelhos. Assim, a mente também se ocupa contra as tentações próprias deste tempo de combate espiritual.

Combater um mau hábito


Todo jardim, por mais florido que seja, tem ervas daninhas; o vício é aquela que cresce mais rápido no terreno da alma. Identificar o vício principal (como a soberba, a preguiça ou a ira) é o primeiro passo para a vitória. A estratégia não é apenas "parar de errar", mas praticar a virtude oposta. Exemplos: Se o vício é a fofoca, a meta é o silêncio ou o elogio sincero; se é a reclamação, a meta é o louvor diário. Pode ser também aqui proposto o vício do cigarro, da bebida, etc. Nestes casos, combinam-se com o jejum de alimento / líquido.

Abnegação de algo lícito ou procurar fazer um pequeno martírio


A mortificação é o "pequeno martírio" cotidiano. Não significa tirar algo danoso, mas sim algo considerado lícito e prazeroso, com o objetivo de treinar o espírito para a renúncia. Exemplos: retirar o uso do WhatsApp, abster-se de séries e novelas, evitar redes sociais ou se propor a dormir no chão, sem travesseiro, etc.

Fazer um bom exame de consciência e buscar a confissão sacramental


À medida que se realizam essas práticas, o espírito sente a necessidade de uma profunda reconciliação com Deus. É o momento de ser liberto e purificado pelo sacramento da Penitência. É mister preparar-se bem. Indico o exame de consciência baseado nos dez mandamentos, assim, o espírito consegue identificar o que não agradou a Deus de forma mais profunda e apresentá-lo no confessionário. A Igreja pede que, ao menos uma vez ao ano, por ocasião da Páscoa, todos os fiéis se confessem. É uma exortação para que todos estejam preparados para o grande Banquete Pascal.

Conselhos do Padre

Escreva sua ficha quaresmal em uma folha de papel e afixe em um local que você diariamente vê. Dessa forma, você não irá esquecer do que se propôs todos os dias.

Escolha uma meta realista para cada tópico. Muitas vezes, acompanho pessoas que escolhem metas inviáveis. Verifique o que é possível dentro da sua realidade. Se você deseja rezar o Rosário completo (20 mistérios), mas não tem o costume de rezar sequer o Terço diariamente, dificilmente alcançará o objetivo. O ideal seria propor-se a rezar o Terço fielmente durante os quarenta dias e, no futuro, em uma próxima quaresma, avançar para o Rosário. O importante é começar! E, se algum dia falhar, levante a cabeça e continue. Tenho certeza de que Deus se alegrará com todo o seu esforço.

___________________________________________________________________________
                                            Fonte: vaticannews.va   Ilustrações: (@Vatican Media

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Reflita com dom Walmor:

Carregar a dor do outro 

O mundo contemporâneo, além das doenças antigas, padece com novos adoecimentos. Consequentemente, são muitas e variadas dores. Ecoe, pois, a indicação preciosa e humanitária do Papa Leão XIV na sua mensagem para o 34º Dia Mundial do Doente, Festa de Nossa Senhora de Lourdes. O modelo inspirador apresentado no texto é a compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro. A imagem do bom samaritano é sempre atual e inspiradora. Oferece a possibilidade para se redescobrir que o exercício da solidariedade é prática efetiva e eficaz no tratamento das muitas dores humanas. Reconhecer, pois, o sentido da solidariedade tem um desdobramento social relevante, pois inspira gestos de compaixão dedicados aos necessitados, sofredores e doentes.  

A dor não é privilégio ou castigo para alguns. Trata-se de um fenômeno existencial que interfere no cotidiano de cada pessoa. Ninguém está imune a dor. Assim, todos são chamados a ser solidários, e todos precisam de solidariedades. Na exemplaridade do bom samaritano está guardada lição preciosa: para além da afinidade ou de compromissos, vale sempre o gesto de solidariedade dedicado a quem enfrenta sofrimentos. Foi assim que o samaritano tratou o desconhecido que tinha caído nas mãos de ladrões. Após ampará-lo, recomendou ao dono da pensão para onde o levara a cuidar dele, assumindo todas as despesas no seu retorno. O Papa Leão XIV relembra a cultura do efêmero deste tempo atual, onde costuma-se estar sempre com pressa. Um contexto que normaliza o olhar distante e descomprometido com a dor do semelhante.  

Na parábola do Bom Samaritano, a atitude do sacerdote e dos levitas não é exemplar. Eles, vendo o homem assaltado em condições precárias, simplesmente passaram ao largo. Um olhar de indiferença presidiu seus corações, na contramão do olhar de Jesus, marcado sempre pela proximidade e pela solidariedade. O Bom Samaritano ensina a importância de ser próximo para criar e estabelecer um mundo novo. O mundo diferente nasce quando o ser humano se faz próximo de seu semelhante, particularmente daquele que precisa de ajuda, consolo e acolhimento. É preciso ir ao encontro do outro, especialmente do outro que precisa de amparo. Trata-se de um gesto de amor, nascido não exclusivamente da afinidade, mas fruto da solidariedade que faz enxergar para além de circunstâncias. Ter compaixão, ressalta a mensagem do Papa Leão XIV, implica experimentar uma emoção profunda. Um sentimento que brota da interioridade e leva a assumir compromisso com a dor do semelhante. Imagine o quanto se pode evitar violências e garantir fraternidade solidária a partir do cultivo da compaixão.  

A compaixão ajuda a constituir cenários bem diferentes desses que povoam os noticiários todos os dias. Oferece a possibilidade de se viver mais qualificadamente, produzindo uma cultura solidária. A disposição para carregar a dor do semelhante é porta de entrada para uma sociedade mais saudável, pelo remédio da solidariedade. Tenha-se presente que a dor do semelhante aflige parte de um corpo formado por todos, a humanidade. É, pois, mal comum a todos. E o alicerce do amor a ser exercido por todos e que ajuda a tratar as dores humanas é o amor de Deus, com o poder de criar condições para que cada pessoa possa amar de modo desinteressado, sem buscar recompensas. É um amor que transcende as normas rituais, sublinha o Papa, e se traduz em um culto autêntico. Carregar a dor do semelhante é a revelação da natureza espiritual do ser humano, na sua posição diante de Deus.   

O amor fraterno é o remédio para curar a humanidade tão sofrida. Por isso, para se construir um novo tempo é preciso dispor-se a carregar a dor do semelhante. Uma disponibilidade que começa a ser exercida na família, com repercussão no tecido social, possibilitando um novo modo de convivência entre as pessoas. O caminho proposto, de se carregar as dores do semelhante, pode não ser sedutor, em comparação às lógicas alicerçadas na busca pelo sucesso e bem-estar. Mas guarda uma singularidade com força de produzir o sentido de viver e amar. Assim, alarga horizontes e permite encontrar o remédio para a própria dor, com efeito terapêutico na própria alma e na vida de quem é destinatário da solidariedade samaritana. Agindo solidariamente, os sofrimentos serão minimizados, ganharão todos e a sociedade se tornará mais saudável, com uma cultura que preza e promove o nobre sentido igualitário. Carregar a dor do semelhante é lição de nobreza, dinâmica de qualificação existencial, investimento na construção de um tempo a ser escrito em páginas novas, sonho de uma humanidade nova, com mais justiça e fraternidade. Todos possam se abrir ao sentido divino do amor. 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo - Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

____________________________________________________________________________
                                                              Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Reflexão de dom Paulo Peixoto para seu início de semana:

Construir fraternidade 

A construção da verdadeira fraternidade entre as pessoas depende, e muito, de envolvimento e cultivo dos laços de afeto, de solidariedade e de amor ao próximo. Para isto é necessário superar as diferenças existentes no campo das ideologias e de uma sociedade que exclui, portanto, injusta. Supõe cuidado e proximidade dos mais vulneráveis para assim promover uma cultura da paz. 

Praticar a fraternidade depende da ousadia das pessoas, e da sabedoria, que vem de Deus. É escolher fazer o bem ou fazer o mal, amar ou desprezar o outro, ou ficar numa atitude de ostracismo, indiferente no espaço de convivência. Não foi esta a prática de Jesus, que incomodava quem convivia com ele. Jesus manifestava apreço pelas pessoas, de modo especial com os mais sofridos e desprezados. 

Construir a fraternidade é envolver e cultivar laços de afeto, solidariedade e amor ao próximo, superando diferenças ideológicas e culturais para criar uma sociedade mais justa e inclusiva. Envolve o diálogo, a partilha, o perdão e o compromisso comum com o bem-estar coletivo, frequentemente manifestado em ações concretas de cuidado com os mais vulneráveis e na promoção da cultura da paz.  

A prática da fraternidade é feita por opção livre, sabendo que isto é uma identificação com a sabedoria divina. Portanto, é sábio todo aquele que faz escolha, com bom senso e ama o próximo, pois, é sabedoria que vem de Deus, que quer que tenhamos vida humana na fraternidade. Neste contexto está o sentido da existência de uma comunidade cristã, onde há calor humano na convivência. 

 A construção da fraternidade depende muito de abertura à vontade de Deus e é uma importante missão diante de uma cultura com profundas marcas de individualismo. O fechamento, isto é, a falta de discernimento da razão, provoca isolamento, que é um fato natural e generalizado do distanciamento. Assim se torna impossível a construção de uma sociedade fraterna e local de solidariedade. 

A fraternidade comunitária é espaço propício para o encontro com Deus. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20). Significa, que as agressões e as palavras ofensivas impedem o diálogo, desorganizam e dificultam a harmonia comunitária e levam ao distanciamento de Jesus Cristo. Fica então difícil a construção da fraternidade.

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)

____________________________________________________________________________
                                                                    Fonte: cnbb.org.br    Foto: vaticannews.va

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Leão XIV no Angelus deste domingo:

Jesus nos ensina que a verdadeira justiça é o amor

No Angelus deste domingo, o Papa disse que "Jesus convida-nos a entrar na novidade do Reino de Deus" e que "o cumprimento da Lei é o amor". De acordo com Leão XIV, "não basta não matar fisicamente uma pessoa, se depois a matamos com palavras ou não respeitamos a sua dignidade. Da mesma forma, não basta ser formalmente fiel ao cônjuge e não cometer adultério, se nesta relação faltar a ternura recíproca, a escuta, o respeito, o cuidado mútuo e o caminhar juntos num projeto comum".

O Papa Leão XIV conduziu a oração mariana do Angelus, deste domingo 15 de fevereiro, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice falou sobre o Evangelho deste domingo que traz uma parte do Sermão da Montanha.  

Relação de amor com Deus e os irmãos

"Depois de proclamar as Bem-aventuranças, Jesus convida-nos a entrar na novidade do Reino de Deus e, para nos guiar neste caminho, revela o verdadeiro significado dos preceitos da Lei de Moisés", disse Leão XIV, acrescentando:

“Eles não servem para satisfazer uma necessidade religiosa exterior a fim de nos sentirmos bem diante de Deus, mas para nos fazer entrar na relação de amor com Deus e com os irmãos. Por isso, Jesus diz que não veio para abolir a Lei, «mas para levá-la à perfeição».”

Uma justiça que não se limita a observar os mandamentos

"O cumprimento da Lei", disse ainda o Papa, "é o amor, que realiza o seu significado profundo e o seu fim último. Trata-se de adquirir uma “justiça superior” à dos escribas e fariseus, uma justiça que não se limita a observar os mandamentos, mas nos abre ao amor e nos compromete com ele". "Na verdade, Jesus examina precisamente alguns preceitos da Lei que se referem a casos concretos da vida e utiliza uma fórmula linguística – as antinomias – para mostrar a diferença entre uma justiça religiosa formal e a justiça do Reino de Deus: por um lado: «Ouvistes o que foi dito aos antigos», e, por outro lado, Jesus que afirma: «Eu, porém, digo-vos»", frisou o Papa.

“Esta abordagem é muito importante. Ela nos diz que a Lei foi dada a Moisés e aos profetas como um caminho para começarmos a conhecer Deus e o seu projeto sobre nós e sobre a história ou, para usar uma expressão de São Paulo, como um pedagogo que nos guiou até Ele. Mas agora Ele mesmo, na pessoa de Jesus, veio entre nós, que cumpriu a Lei, tornando-nos filhos do Pai e dando-nos a graça de entrar em relação com Ele como filhos e como irmãos entre nós.”

A verdadeira justiça é o amor

De acordo com o Pontífice, "Jesus nos ensina que a verdadeira justiça é o amor e que, em cada preceito da Lei, devemos perceber uma exigência de amor".

“Com efeito, não basta não matar fisicamente uma pessoa, se depois a matamos com palavras ou não respeitamos a sua dignidade. Da mesma forma, não basta ser formalmente fiel ao cônjuge e não cometer adultério, se nesta relação faltar a ternura recíproca, a escuta, o respeito, o cuidado mútuo e o caminhar juntos num projeto comum.”

"A estes exemplos, que o próprio Jesus nos oferece, poderíamos acrescentar outros ainda", sublinhou ainda Leão XIV, ressaltando que "o Evangelho nos oferece este precioso ensinamento: não basta uma justiça mínima, é preciso um amor grande, que é possível graças à força de Deus".

O Papa concluiu, convidando a invocar "juntos a Virgem Maria, que deu ao mundo o Cristo, Aquele que leva à perfeição a Lei e o projeto da salvação: que Ela interceda por nós, nos ajude a entrar na lógica do Reino de Deus e a viver a sua justiça".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

_____________________________________________________________________________________

Assista:

___________________________________________________________________________
                                            Fonte: vaticannews.va   Foto e vídeo: (@Vatican Media