quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis (MG):

Horários de missa e outros eventos

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 Dia 13 - Sexta-feira

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

19h - Missa na comunidade da Ponte de Ferro

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Dia 14 - Sábado

19h - Missa na matriz

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Dia 15 - 6º Domingo do Tempo Comum

7h - Missa na matriz          9h - Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges      16h - Missa na igreja de Santo Antônio

19h - Missa na matriz

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Editorial do Vaticannews:

Feliz Aniversário, Rádio Vaticano: 95 anos a serviço do Papa

Em 12 de fevereiro de 1931, o primeiro a falar pelos microfones da Rádio Vaticano foi o cientista Guglielmo Marconi, a quem Pio XI confiou a tarefa de projetar e construir este maravilhoso instrumento de comunicação. Hoje, a Rádio do Papa continua sua missão: difundir a mensagem do Evangelho, a voz do Bispo de Roma e o ensinamento pontifício por todo o mundo, encontrando comunidades, ouvindo e servindo.

Guglielmo Marconi (em pé, à esquerda) com o Papa Pio XI na inauguração da Rádio Vaticano.

Emociona profundamente pensar que, após noventa e cinco anos, a voz da Rádio Vaticano continua percorrendo o mundo, levando a todo lugar o anúncio do Evangelho, a esperança, a palavra do Sucessor de Pedro, superando todo confim, a distância, não deixando ninguém sozinho.

Hoje, o pensamento inevitavelmente se volta para 12 de fevereiro de 1931, quando o primeiro a falar pelos microfones da Statio Radiophonica Vaticana foi o cientista Guglielmo Marconi, a quem Pio XI tinha confiado a tarefa de projetar e construir esse maravilhoso instrumento de comunicação, e aos jesuítas a tarefa de conduzi-la. O pai do rádio anunciou que, pela primeira vez, a voz do Papa poderia ser "ouvida simultaneamente em toda a superfície da Terra" e, em latim, o Pontífice, com belas palavras, enviou a primeira mensagem de rádio da história do Vaticano "a todos os povos e a todas as criaturas". Em seguida, tocou um disco de 78 rotações contendo trechos de uma sinfonia de Beethoven.

Aquela intuição do Papa demonstrou a confiança nas possibilidades da tecnologia a serviço da comunicação humana e da missão da Igreja. Não se tratava de uma simples experiência técnica, mas de uma escolha pastoral precisa: utilizar os meios mais avançados da época para alcançar os corações das pessoas. Desde então, a Rádio Vaticano atravessou a história: guerras e acordos de paz, pobreza e ajuda, devastação e reconstrução, exclusão e acolhimento, transformações sociais, políticas e tecnológicas, sempre levando a mensagem cristã, a luz da esperança, interpretando todos os acontecimentos à luz da doutrina social. Até hoje, a Rádio serviu a nove Papas, ajudou a reunir milhares de desaparecidos durante a Segunda Guerra Mundial, foi um farol durante os terríveis anos do totalitarismo, noticiou o Concílio Vaticano II, os Jubileus, os desafios da Igreja universal, os muitos conflitos, como os recentes na Ucrânia, no Oriente Médio, no Congo, em Mianmar, no Iêmen, na Síria... foi e é um canal de oração, informação e formação.

O multiculturalismo é uma característica distintiva e uma chave preciosa para ler o mundo: as pessoas que trabalham hoje na rádio pontifícia vêm de sessenta e nove nações, e através de 34 redações — mais uma multimídia — alcançamos as periferias geográficas e existenciais do mundo em vários idiomas, dando voz a comunidades muitas vezes distantes das principais redes de mídia e acompanhando a vida das Igrejas locais. Em muitos países, a Rádio do Papa foi, por décadas, e às vezes ainda é, uma presença discreta, porém fundamental, para as comunidades cristãs e não só.

Nos últimos anos, a Rádio do Papa passou por uma profunda transformação dentro do amplo processo de reforma das comunicações iniciado pelo Papa Francisco. A criação do Dicastério para a Comunicação e a integração das diversas realidades midiáticas em um sistema mais unificado e coordenado exigiram mudanças organizacionais, profissionais e de visão. Foi um caminho não simples, que continua até hoje, impelido pela consciência de nossa missão a serviço do Santo Padre, da Verdade, num contexto em constante transformação, onde instrumentos e linguagens se transformam rapidamente.

Nesse sentido, nos sentimos encorajados pelas palavras do Papa Leão XIV, que várias vezes acolheu nosso trabalho e enfatizou a importância de unir, servir à verdade e acompanhar a vida do Povo de Deus por meio de uma "comunicação desarmada e desarmante", capaz de contribuir para a construção de uma sociedade mais fraterna, solidária, acolhedora e pacífica.

A Rádio Vaticano produziu e alimenta o ecossistema digital do Vatican News, que em 56 línguas, escritos, falados e em língua de sinais, se expressa por meio de rádio, satélite, streaming, podcasts, redes sociais, vídeo e plataformas digitais.

O nonagésimo quinto aniversário da Rádio Vaticano coincide com a era da inteligência artificial, uma tecnologia que está modificando profundamente o mundo da mídia e das comunicações. A IA é, sem dúvida, uma ajuda valiosa, um instrumento útil, mas os algoritmos não podem e não devem substituir o humano: o pensamento, a criatividade e o julgamento.

Desde 2012, nosso aniversário está intrinsecamente ligado ao Dia Mundial do Rádio, celebrado pela UNESCO em 13 de fevereiro. O tema deste ano é "A IA é uma ferramenta, não uma voz". Essa expressão está em profunda sintonia com a Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026, que apela à responsabilidade pessoal, ao discernimento e ao valor humano insubstituível da comunicação.

A Rádio Vaticano, sempre atenta às vanguardas tecnológicas, explora certamente esta fronteira da inteligência artificial, mas nunca se afastará da consciência de que a rádio é um encontro entre pessoas, é uma palavra que nasce de um rosto, de uma consciência, de uma responsabilidade. Neste sentido, a Rádio do Papa continua testemunhando que a tecnologia, desde as origens marconianas, está a serviço do homem e não o contrário. Hoje, como em 1931, a Rádio do Papa continua sua missão: difundir a mensagem do Evangelho, a voz do Papa e o magistério pontifício em todo o mundo, encontrando comunidades, ouvindo, servindo. Feliz aniversário, Rádio Vaticano!

Massimiliano Menichetti
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                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

Importante reflexão de dom Vital Corbellini:

A importância da Campanha da Fraternidade 2026 

Nós estaremos prestes a iniciar a Quaresma e ligado a este tempo propício de vida e de conversão aprofundaremos o tema da Campanha da Fraternidade 2026 que versará sobre a Moradia e o seu Lema será: “Ele veio morar entre nós”(Jo 1,14). O tema e o lema condizem muito com a nossa realidade devido à objetividade de toda a população ter uma moradia digna. É dever próprio do Estado dar as condições com políticas públicas para que as pessoas tenham acesso à moradia e a Igreja colabora nesta missão possibilitando vida nova em Jesus Cristo, porque Ele se encarnou em nossa realidade.  

A especificação do Objetivo Geral

A Campanha da Fraternidade 2026 (CF) possui como objetivo geral a necessidade de promover tendo como base a Boa-Nova do Reino de Deus e num espírito de conversão quaresmal, a moradia digna não só como prioridade, mas como direito, em unidade com os demais bens e serviços essenciais a toda a população. A ação da CF é dada na vida da sociedade e também na vida eclesial, possibilitando a evangelização, a Boa-Nova para enaltecer o Reino de Deus pela vida das pessoas com uma moradia condizente, digna.  

A oração da CF 2026

Ela merece uma consideração a ser aprofundada, porque a nossa vida de cristãos e de cristãs tem como base a oração em vista de uma ação caritativa. Ela dirige-se a Deus Pai que enviou o seu Filho, Jesus Cristo porque Ele veio morar entre nós, ensinando-nos o valor da dignidade humana. Há um agradecimento a Deus por muitas pessoas e grupos na comunidade e na sociedade que sob o impulso do Espírito Santo estão empenhadas em prol da moradia digna para todas as pessoas. A oração impulsiona a um pedido de conversão para que construamos uma sociedade mais justa e fraterna, com terra, teto e trabalho para todas as pessoas para que um dia tenhamos com a graça de unidade com Deus, habitar na casa do Céu, amém. 

O surgimento da CF 2026

O texto-base apresenta um relato no surgimento da Campanha da Fraternidade em 1962. Ela surgiu em Nísia Floresta, Rio Grande do Norte, por iniciativa de Dom Eugênio de Araújo Sales, como Bispo Auxiliar de Natal e sendo responsável na época pelo Secretariado Nacional da Ação Social, e tendo como colaboradores os sacerdotes Edmundo Nelson Leising, Hilário Pandolfo e Alfred Schneider. Foi toda uma organização pastoral e comunitária que possibilitou a Campanha da Fraternidade, a adesão de outras dioceses e em 1964 havia a primeira CF Nacional com a devida coleta em vista da evangelização.  

A metodologia do texto-base

Ela segue a metodologia percebida há décadas nos documentos eclesiais a partir do ver a realidade da moradia no Brasil: o iluminar. Ele veio morar entre nós (Jo 1,14); o agir: a construção de casas e nelas habitarão. O fato é que a moradia é uma mercadoria muito importante para as pessoas, porque ninguém vive sem moradia. Pensemos nas milhares de pessoas em situação de rua, onde não tem um lar para viver. A realidade é que uma boa parte da população brasileira não tem renda suficiente para obter um financiamento e logo comprar uma moradia no mercado imobiliário privado e não tendo também políticas públicas de habitação. Para a superação desta constatação será preciso um bom trabalho comunitário, social, em vista de moradia adequada ou digna para todas as pessoas.  

Ele veio morar entre nós(Jo 1,14)

Este é o Lema que norteará toda CF 2026 e ao longo do ano. Jesus assumiu a realidade humana, igual a nós em tudo menos o pecado. Ele também necessitou de um lar, de uma moradia para crescer como pessoa humana e como Filho de Deus na terra. Desta forma percebemos nós a importância de uma moradia para o crescimento humano, relacional entre pessoas, pais, avós, filhos e filhas, parentes para uma boa convivência em vista do crescimento do Reino de Deus aqui, agora e um dia na eternidade. 

A fomentação de moradia digna

A Igreja estimulará a fomentação de construção de moradias dignas para as pessoas mais necessitadas. Esta missão é parte de políticas públicas dos governos que estão em nossa frente. Um dos objetivos específicos da CF 2026 é justamente o empenho para efetivar leis e viabilizar políticas públicas de moradia nas esferas sociais e políticas.  

O tempo da quaresma convida-nos a conversão pessoal, comunitária, social e com Deus. Nós assumamos bem a Quaresma em preparação à Páscoa do Senhor e à CF 2026 possibilitando uma vida conforme o Evangelho do Senhor, de ajuda e amor às pessoas que passam por dificuldades em ter moradia digna.  

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Leão XIV na catequese desta quarta-feira:

a Palavra de Deus sacia
a nossa sede de sentido, de verdade sobre as nossas vidas

Leão XIV prosseguiu com o ciclo de catequeses sobre a Constituição Conciliar Dei Verbum. "A Igreja é o lugar próprio da Sagrada Escritura. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Bíblia nasceu do povo de Deus e é destinada ao povo de Deus", disse o Papa, ressaltando que toda a Escritura proclama Jesus Cristo e "a sua presença salvadora, para cada um de nós e para toda a humanidade". "Abramos, pois, os nossos corações e mentes para acolher este dom, na escola de Maria, Mãe da Igreja", sublinhou.

O Papa diante da imagem de Nossa Senhora de Lourdes, na Audiência Geral

O Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina na Audiência Geral, desta quarta-feira (11/02), realizada na Sala Paulo VI.

Na catequese de hoje, o Pontífice se deteve no capítulo sexto da Constituição conciliar a propósito da "profunda e vital ligação entre a Palavra de Deus e a Igreja".

A Igreja é o lugar próprio da Sagrada Escritura. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Bíblia nasceu do povo de Deus e é destinada ao povo de Deus. Na comunidade cristã, por assim dizer, tem o seu habitat: na vida e na fé da Igreja, encontra o espaço para revelar o seu sentido e manifestar a sua força.

O Papa recordou que "a Igreja nunca deixa de refletir sobre o valor da Sagrada Escritura" e que "após o Concílio, um momento muito importante a este respeito foi a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema 'A Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja', em outubro de 2008".

De acordo com Leão XIV, "na comunidade eclesial, a Escritura encontra o contexto necessário para cumprir a sua tarefa específica e alcançar o seu objetivo: dar a conhecer Cristo e abrir ao diálogo com Deus".

A seguir, o Papa citou esta expressão de São Jerônimo: «A ignorância da Escritura é, de fato, a ignorância de Cristo». Ela nos lembra "o propósito último da leitura e da meditação das Escrituras: conhecer Cristo e, por meio d’Ele, entrar em comunhão com Deus, comunhão que pode ser entendida como uma conversa, um diálogo".

Leão XIV disse ainda que "a Constituição Dei Verbum nos apresentou a Revelação como um diálogo, em que Deus fala aos homens como amigos. Isto acontece quando lemos a Bíblia numa atitude interior de oração: então Deus vem ao nosso encontro e entra em diálogo conosco".

A Sagrada Escritura, confiada à Igreja, por ela guardada e explicada, desempenha um papel ativo: com efeito, com a sua eficácia e poder, dá sustento e força à comunidade cristã. Todos os fiéis são chamados a beber desta fonte, sobretudo na celebração da Eucaristia e dos outros Sacramentos.

Segundo o Papa, "o amor pela Sagrada Escritura e a familiaridade com ela devem guiar aqueles que exercem o ministério da Palavra: bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas. O trabalho dos exegetas e dos que praticam a ciência bíblica é precioso; e a Escritura ocupa um lugar central na teologia, que encontra o seu fundamento e a sua alma na Palavra de Deus".

Leão XIV sublinhou que "o que a Igreja ardentemente deseja é que a Palavra de Deus chegue a cada membro e alimente a sua caminhada de fé. Mas a Palavra de Deus também impele a Igreja para além de si mesma, abrindo-a continuamente à missão de chegar a todos".

De fato, vivemos rodeados de tantas palavras, mas quantas delas são vazias! Por vezes, ouvimos até palavras sábias que, no entanto, não tocam o nosso destino final. A Palavra de Deus, pelo contrário, sacia a nossa sede de sentido, de verdade sobre as nossas vidas. É a única Palavra que é sempre nova: revelando-nos o mistério de Deus, é inesgotável, nunca deixa de oferecer as suas riquezas.

O Papa concluiu, dizendo que "vivendo na Igreja, aprendemos que a Sagrada Escritura está totalmente relacionada com Jesus Cristo e experimentamos que esta é a razão profunda do seu valor e do seu poder. Cristo é o Verbo vivo do Pai, o Verbo de Deus feito carne. Toda a Escritura proclama a sua Pessoa e a sua presença salvadora, para cada um de nós e para toda a humanidade. Abramos, pois, os nossos corações e mentes para acolher este dom, na escola de Maria, Mãe da Igreja".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

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                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Vale a pena ler este artigo:

Leão XIV e o Concílio Vaticano II

"O Concílio trouxe uma renovação teológica para aproximarmos do Eterno na visão de um rosto paterno e misericordioso do Pai, não mais de um juiz severo e intransigente, capaz de condenar a todos. Por isso, o resgate de toda a Teologia da Revelação na Constituição Dogmática Dei Verbum, que fala da Palavra de Deus, valorizando a Sagrada Escritura, como fonte de inspiração para toda a ação eclesial".

Em diversas ocasiões, o Papa Francisco falou sobre o tempo necessário para a plena implementação de um Concílio. Na entrevista ao Semanário belga "Tertio", publicada em fevereiro de 2023, disse textualmente: "Os historiadores dizem que é preciso um século para que as decisões de um Concílio tenham pleno efeito e sejam implementadas. Ainda temos 40 anos pela frente.... Estou tão preocupado com o Concílio porque esse evento foi na verdade uma visita de Deus à sua Igreja (...). O Concílio...rejuvenesce a Igreja. A Igreja é uma mãe que sempre avança. O Concílio abriu a porta para uma maior maturidade, mais em sintonia com os sinais dos tempos".

Pouco mais de dois anos após esta afirmação, para suceder Francisco é eleito o Papa Leão XIV, que precisamente dentro deste espaço de tempo de "40 anos" que ainda resta para implementar as decisões do Concílio, deu início em 2026 ao ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II - aberto por João XXIII em 11 de outubro de 1962 e concluído por São Paulo VI em 8 de dezembro de 1965. E este, é o tema da reflexão do Pe. Gerson Schmidt* desta semana:

"Nas Audiências Gerais de 2025, o novo Papa eleito no transcorrer da celebração do Ano Jubilar, deu continuidade ao que já estava proposto pelo seu antecessor, ou seja, refletir sobre o Ano da Esperança. Leão XIV dava continuidade ao que Papa Francisco deixou encaminhado com seu grande e carismático Pontificado. Neste ano, na primeira audiência de 06 de janeiro de 2026, Papa Leão surpreendeu em propor sua identidade na temática das Audiências Gerais de quartas-feiras, na Praça São Pedro. O Papa quer resgatar o Concílio Vaticano II, grande riqueza e tesouro da Igreja, que segundo os Papas anteriores, é uma bússola para orientar os caminhos novos da Igreja do Terceiro Milênio. Nas catequeses de janeiro, propôs a reflexão a partir da Constituição Dogmática Dei Verbum. A escolha dos temas, que cabe tão somente ao Papa, agora vem recheado com um cunho pessoal de Leão XIV, marcando seu Pontificado com a valorização da volta às fontes, como se propuseram também os padres conciliares, sem deixar de buscar abrir a Igreja para os novos e surpreendentes desafios na atualidade.

O Sumo Pontífice, Papa Leão, lembrou Bento XVI na Primeira mensagem no final da Missa com os Cardeais eleitores, 20 de abril de 2005, que disse assim: “Com o passar dos anos, os Documentos conciliares não perderam atualidade; os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas instâncias da Igreja e da atual sociedade globalizada”. Num mundo global e interplanetário, vivendo uma verdadeira rede interligado, profetizava Bento XVI a importância do resgate dos ensinamentos conciliares que não perderam a atualidade. E ainda dizia Leão XIV assim na primeira audiência de 2026: “Quando o Papa São João XXIII inaugurou a assembleia conciliar, em 11 de outubro de 1962, falou dele como da aurora de um dia de luz para toda a Igreja. O trabalho dos numerosos Padres convocados, provenientes das Igrejas de todos os continentes, abriu efetivamente o caminho para uma nova era eclesial. Depois de uma rica reflexão bíblica, teológica e litúrgica, que atravessou o século XX, o Concílio Vaticano II redescobriu o rosto de Deus como Pai que, em Cristo, nos chama a ser seus filhos; olhou para a Igreja à luz de Cristo, luz das nações, como mistério de comunhão e sacramento de unidade entre Deus e o seu povo; iniciou uma importante reforma litúrgica, colocando no centro o mistério da salvação e a participação ativa e consciente de todo o Povo de Deus. Ao mesmo tempo, ajudou-nos a abrir-nos ao mundo e a enfrentar as mudanças e os desafios da época moderna no diálogo e na corresponsabilidade, como uma Igreja que deseja abrir os braços à humanidade, fazendo ressoar as esperanças e as angústias dos povos e colaborando na construção de uma sociedade mais justa e fraterna”. Cada palavra do Papa nessa primeira audiência desse ano é importante e traz um documento conciliar por detrás do que afirmou. O Concílio trouxe uma renovação teológica para aproximarmos do Eterno na visão de um rosto paterno e misericordioso do Pai, não mais de um juiz severo e intransigente, capaz de condenar a todos. Por isso, o resgate de toda a Teologia da Revelação na Constituição Dogmática Dei Verbum, que fala da Palavra de Deus, valorizando a Sagrada Escritura, como fonte de inspiração para toda a ação eclesial. Na audiência de 21 de janeiro, na Sala Paulo VI, repleta de fiéis, o Pontífice recordou que Deus não se revela por meio de ideias abstratas, mas em um verdadeiro “diálogo de aliança”, no qual se dirige à humanidade como a amigos. Trata-se, explicou o Papa, de um conhecimento que não se limita à comunicação de conteúdos, mas que “partilha uma história e nos chama à comunhão mútua”.

O Concílio Vaticano II olhou para a Igreja à luz de Cristo, luz das nações, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, que aponta a Igreja como mistério de comunhão e sacramento de unidade entre Deus e o seu povo. O Concílio Vaticano II iniciou uma profunda reforma litúrgica, colocando no centro o mistério da salvação e a participação ativa e consciente de todo o Povo de Deus, que é retratado na Constituição Sacrossanctum Concilium. Finalmente, o Papa lembra a Gaudium et Spes, que traduz a missão da Igreja no mundo, diante das mudanças e os desafios da época moderna no diálogo e na corresponsabilidade, buscando uma Igreja que deseja abrir os braços à humanidade, fazendo ressoar as esperanças e as angústias dos povos e colaborando na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

”Graças ao Concílio Vaticano II, «a Igreja torna-se palavra; a Igreja faz-se mensagem; a Igreja torna-se diálogo» (São Paulo VI, Carta enc. Ecclesiam suam, 67), comprometendo-se a procurar a verdade através do caminho do ecumenismo, do diálogo inter-religioso e do diálogo com as pessoas de boa vontade”. Há, pois, que se zelar por uma renovação do Espírito Eclesial. “Este espírito, esta atitude interior, deve caracterizar a nossa vida espiritual e a ação pastoral da Igreja, porque ainda devemos realizar mais plenamente a reforma eclesial em chave ministerial e, diante dos desafios atuais, somos chamados a permanecer atentos intérpretes dos sinais dos tempos, alegres anunciadores do Evangelho, corajosas testemunhas de justiça e paz”, disse o Papa".

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

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                                                           Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

CF: mais de 60 anos unindo fé, solidariedade e compromisso social;

em 2026, a moradia volta ao centro do debate

Criada há mais de seis décadas, a Campanha da Fraternidade (CF) se consolidou como uma das principais iniciativas evangelizadoras e sociais da Igreja no Brasil. Realizada todos os anos durante a Quaresma, a ação mobiliza comunidades católicas em todo o país para unir oração, reflexão e atitudes concretas em favor dos mais vulneráveis. Em 2026, o tema escolhido retoma um desafio histórico do país: o direito à moradia digna.

Como surgiu a Campanha da Fraternidade?

A Campanha da Fraternidade nasceu na Quaresma de 1962, em Nísia Floresta (RN), por iniciativa de dom Eugênio de Araújo Sales. Desde o início, foi pensada como uma mobilização ampla, com tempo determinado e arrecadação financeira, uma verdadeira campanha de solidariedade voltada à promoção da fraternidade cristã por meio da ajuda aos mais necessitados.

Logo da CF

No ano seguinte, a experiência foi ampliada para as três dioceses do Rio Grande do Norte e mais 13 dioceses do Nordeste, alcançando grande adesão, especialmente em Fortaleza (CE), sob o impulso de dom José de Medeiros Delgado.

Ainda em 1963, durante o Concílio Vaticano II, os bispos brasileiros decidiram levar a iniciativa para todo o país. A decisão foi comunicada por dom Helder Camara, então secretário-geral da CNBB. Assim, em 1964, a CF passou a ser realizada em âmbito nacional, sob os cuidados da Cáritas e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Desde então, tornou-se expressão de comunhão, conversão e partilha, alcançando comunidades em todos os cantos do Brasil.

Por que a CF aborda temas sociais?

A fraternidade é o foco permanente da Campanha. Já o tema anual busca iluminar situações concretas em que essa fraternidade está ameaçada ou ausente, exigindo conversão pessoal e transformação social.

Ao longo dos anos, a CF passou a ter um caráter formativo e participativo, ajudando a construir consciência cristã e cidadã. Além da reflexão, mantém o chamado “gesto concreto”: a Coleta Nacional da Solidariedade.

Do valor arrecadado, 60% permanecem nas arquidioceses, formando os Fundos Arquidiocesanos de Solidariedade, que apoiam projetos locais. Os outros 40% compõem o Fundo Nacional de Solidariedade, destinado a iniciativas sociais em todo o Brasil.

Dessa forma, fé e ação caminham juntas, fortalecendo a dimensão sociocaritativa da Igreja.

CF 2026: Fraternidade e Moradia

A cada ano, os bispos do Conselho Episcopal Pastoral da CNBB (CONSEP) acolhendo as sugestões vindas dos regionais, dos organismos do Povo de Deus, das Ordens e Congregações Religiosas e dos fiéis leigos e leigas, escolhem um tema e um lema para chamar a atenção sobre uma situação que, na sociedade atual, necessita de conversão, em vista da fraternidade, do bem comum. 

Para 2026, acolhendo sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas, os bispos escolheram o tema “Fraternidade e Moradia”, com o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

A proposta convida os cristãos a refletirem sobre a realidade habitacional do país. Embora a moradia digna seja um direito garantido pela Constituição, milhões de brasileiros ainda vivem sem casa ou em condições precárias.

Atualmente 6,2 milhões de famílias não têm moradia adequada e 328 mil pessoas vivem em situação de rua.

Para a Campanha, a moradia digna é a porta de entrada para todos os demais direitos. Sem ela, faltam segurança, saúde, educação e dignidade. A CF 2026 quer estimular comunidades, poder público e sociedade civil a buscar soluções concretas para enfrentar o déficit habitacional e fortalecer políticas públicas de habitação.

“É bom que todos nos perguntemos: por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não tem um teto, por quê?”

A moradia já foi tema da CF em 1993

Esta não é a primeira vez que a Igreja coloca a questão da moradia em destaque. Em 1993, a Campanha da Fraternidade trouxe o tema “Moradia” e o lema “Onde moras?” (Jo 1,39).

Naquele ano, a CF denunciou a desigualdade urbana e o contraste entre a “cidade legal”, planejada e estruturada, e a “cidade irregular”, marcada por favelas, cortiços, ocupações e moradias precárias.

A reflexão apontou problemas como especulação imobiliária; má distribuição do solo urbano; falta de saneamento e investimentos públicos; crescimento de favelas em áreas de risco e histórico de exclusão habitacional das populações pobres.

Entre as propostas estavam a regularização de áreas ocupadas, construção de moradias populares, subsídios habitacionais, infraestrutura urbana e fortalecimento de associações comunitárias e da Pastoral da Moradia.

A edição de 1993 reafirmou o compromisso evangélico da Igreja com os mais pobres e defendeu a casa própria como condição básica para a dignidade, a vida familiar e o exercício da cidadania.

Fé que se transforma em ação

Ao retomar a temática da moradia em 2026, a Campanha da Fraternidade reforça sua missão histórica: transformar a espiritualidade quaresmal em compromisso concreto com a justiça social.

Mais do que uma iniciativa anual, a CF segue sendo um convite permanente à conversão do coração e das estruturas, para que a fraternidade se torne realidade na vida do povo brasileiro.

Saiba mais

CNBB lança cartaz da Campanha da Fraternidade 2026 com foco na moradia digna – CNBB

CNBB apoiou, em 2025, 234 projetos de Ecologia Integral com R$ 7.236.241,96 que impactam 918.969 pessoas em todo país – CNBB

Campanhas – CNBB

Por Larissa Carvalho | Ascom CNBB

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                                                                                                            Fonte: cnbb.org.br

Pelas crianças com doenças incuráveis:

Papa Leão XIV propõe intenção de oração para fevereiro

Pelas crianças que enfrentam doenças incuráveis. Esta é a intenção de oração confiada pelo Papa Leão XIV a toda a Igreja neste mês de fevereiro. A proposta foi divulgada pela Rede Mundial de Oração do Papa, em parceria com o Dicastério para a Comunicação, e convida os fiéis a se unirem em solidariedade espiritual diante do sofrimento infantil.

A iniciativa integra a campanha internacional “Reze com o Papa”, lançada em janeiro, que reúne mensalmente O Vídeo do Papa e O Áudio do Papa, conteúdos que apresentam as intenções do Santo Padre e estimulam a oração pessoal e comunitária.

Ao direcionar o olhar para as crianças que vivem situações de dor e fragilidade extrema, o Papa também recorda suas famílias e todos aqueles que se dedicam ao cuidado desses pequenos, como profissionais da saúde, voluntários e cuidadores. A intenção é reforçar a importância do acolhimento, da compaixão e do apoio concreto a quem enfrenta o peso da doença.

Com esse apelo, Leão XIV convida a comunidade cristã e as pessoas de boa vontade a transformarem a oração em gestos de proximidade, esperança e cuidado, tornando visível a ternura de Deus junto aos que mais sofrem.

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Assista o vídeo na íntegra:

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                                                                                                          Fonte: cnbb.org.br