A oração
"merece ser redescoberta na sua verdade", disse Leão XIV na Audiência
Geral, dando continuidade à reflexão sobre a Constituição conciliar
Sacrosanctum Concilium. "A Liturgia das Horas pede para ser cada vez mais
acolhida e vivida na vida quotidiana dos batizados e das comunidades",
sublinhou.
O Papa Leão XIV
retomou a catequese sobre a Constituição conciliar sobre a liturgia, Sacrosanctum
Concilium (SC), na Audiência Geral, desta quarta-feira (05/08), realizada
na Basílica de São Pedro, devido ao calor.
O Santo Padre
abordou o tema da dimensão eclesial da oração litúrgica. "Como sugere o
Apóstolo Paulo, é o Espírito Santo que nos ensina a rezar" e "desde o
dia de Pentecostes, o Espírito habita na Igreja, inspirando todas as suas
atividades e, em particular, a oração".
Nos nossos dias,
em contextos dominados por uma mentalidade centrada na eficiência e no
consumismo, a oração pode parecer algo inútil e insignificante. Num mundo em
que a ciência e a tecnologia pretendem dar todas as respostas, rezar pode
parecer uma forma de evasão.
Além disso,
mesmo em muitas famílias cristãs já não se transmite a tradição da oração,
enquanto inúmeras pessoas correm o risco de a confundir com uma técnica entre
outras, de natureza psicológica e voltada para o bem-estar pessoal. A oração,
pelo contrário, enquanto dimensão fundamental da nossa humanidade, merece ser
redescoberta na sua verdade.
"A
Constituição Sacrosanctum Concilium levou a sério essa
exigência", frisou o Papa Leão. "Na Constituição, de fato, o termo «a
oração» designa toda a liturgia. Esta perspectiva é decisiva, pois orientou a
reforma litúrgica, conferindo-lhe como eixo central a participação ativa dos fiéis.
A liturgia é apresentada como o lugar do encontro, da iniciativa de Deus que se
aproxima da humanidade no seu Filho, o «Verbo feito carne, ungido pelo Espírito
Santo», a quem podemos responder “por Cristo, com Cristo e em Cristo, na
unidade do Espírito Santo”, ou seja, graças à «oração que Cristo, unido ao seu
Corpo, eleva ao Pai»", disse o Pontífice.
A seguir, Leão
XIV sublinhou que o Papa São Paulo VI "desejava ardentemente que a
Liturgia das Horas, ou seja, a oração pública diária da Igreja, indissociável
da Eucaristia, permeasse profundamente, reavivasse, guiasse e expressasse toda
a oração cristã e alimentasse eficazmente a vida espiritual do povo de
Deus".
Para que esse
desejo se concretize, a Liturgia das Horas pede para ser cada vez mais acolhida
e vivida na vida quotidiana dos batizados e das comunidades. A tantas pessoas
que desejam aprender a rezar, em particular aos catecúmenos, ela pode oferecer
o caminho e a escola da oração cristã.
"Todas as
semanas e todos os dias, a Eucaristia e a Liturgia das Horas são o sopro da
vida da Igreja, que faz circular o Espírito Santo através do seu Corpo",
disse ainda Leão XIV, sublinhando que "nesta oração, Cristo «une a si toda
a humanidade e associa-a a este cântico divino de louvor»; assim, dia após dia,
somos cada vez mais associados ao mistério pascal e conformados a Ele".
A seguir, o Papa
citou Santo Agostinho que diz: «Quando falamos com Deus na oração, não devemos
separar d’Ele o seu Filho; e quando reza o corpo do Filho, não deve separar de
si a sua cabeça; que seja, portanto, o mesmo e único salvador do seu corpo, o nosso
Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, aquele que reza por nós, que reza em nós e
a quem rezamos. Ele reza por nós como nosso sacerdote; reza em nós como nossa
cabeça; a Ele rezamos como nosso Deus. Reconheçamos, portanto, n’Ele a nossa
voz, e a Sua voz em nós».
A seguir, o Papa
concluiu, dizendo:
Ligada à
Eucaristia, cuja luz prolonga, a Liturgia das Horas santifica o tempo da nossa
vida quotidiana: de manhã, começamos o dia com fé e gratidão; ao meio-dia,
pedimos a força da fidelidade no meio das dificuldades; no fim da tarde,
terminado o trabalho, as Vésperas acompanham o momento do pôr-do-sol; à noite,
adormecemos confiando na paz de Deus. Cada Hora é um ato de esperança: durante
a peregrinação terrena, vigiemos, aguardando com toda a Igreja o regresso
glorioso do Senhor.
O dia de hoje é
dedicado pela Igreja a São João Maria Vianney, conhecido como Cura D'Ars.
Ars era uma pequena aldeia da França, onde o padre João Vianney se
tornou cura (pároco). É também o Dia do Padre.
João Maria
Vianney nasceu em Dardilly em 1786. De família simples e de muita fé,
desde de cedo manifestou o desejo de se tornar padre. Dedicava grande amor a
Jesus Cristo e era devoto de Nossa Senhora. Sua trajetória rumo ao sacerdócio
foi penosa. Aprendeu a ler e escrever já com dezoito anos e apresentava
dificuldades nos estudos, especialmente no aprendizado da língua latina, de
filosofia e teologia.
Com a ajuda de
um amigo padre, conseguiu realizar seu sonho, tornou-se presbítero, e foi
nomeado pároco de Ars. Seu exemplo e pregação mudaram as características
do lugarejo. De uma realidade distante dos valores do evangelho, o pequeno
povoado transformou-se em um local abençoado. Para lá dirigiam-se peregrinos
para confessar-se com o santo sacerdote. Foram quatro décadas de pastoreio.
Chegava a permanecer dezoito no atendimento de confissões.
Viveu santamente
73 anos dedicados a Deus, aos fiéis que o procuravam e à conversão das ovelhas
desgarradas do rebanho de Cristo.Devido às virtudes que marcaram toda a sua
vida, foi declarado santo pela Igreja, e pela fidelidade ao sacerdócio, foi
proclamado patrono dos sacerdotes. Por essa razão, 4 de agosto é também
o Dia do Padre.
Nossas
homenagens a todos os sacerdotes, especialmente aos nascidos em nossa terra,
aos que dedicaram parte de sua vida à nossa paróquia e aos padres que assistem
os fiéis da Paróquia São José: Leandro Carvalho (pároco) e Inácio Pires,
(vigário), José Raimundo (residente) e Côn. Braz (pároco emérito)!
“De fato todo
sumo sacerdote é tomado do meio do povo e representa o povo nas suas relações
com Deus"
Dom Eurico Santos Veloso
Iniciamos este
mês de agosto instituído desde 1981, pela Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), como o mês Vocacional, onde é dedicado todos os dias deste mês à
oração, reflexão e ações das comunidades direcionado aos temas vocacionais.
Nesta primeira
semana, dedicamos nossas orações para a Vocação do Ministério Ordenado:
diáconos, padres e bispos. Com a Páscoa Dominical, do primeiro domingo de
Agosto, sendo o ápice para a dedicação para o Ministério Ordenado e, também, no
dia 4 de agosto que comemora-se a memória de São João Maria Vianney, padroeiro
dos párocos e exemplo de vida sacerdotal.
As nossas
orações aos nossos queridos sacerdotes é a certeza da continuação permanente do
Cristo no meio de nós, afinal, “o Sacerdote é o amor do Coração de Jesus.
Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo” (São João Maria
Vianney). Além disto, o Padre é o único que, através das suas mãos ungidas, é
capaz de transubstanciar o pão e o vinho, no próprio Corpo e Sangue de Nosso
Senhor Jesus Cristo; “carrega consigo a autoridade de Jesus para conceder o
perdão aos pecadores arrependidos, transformando o seu coração na própria Porta
Santa que acolhe a todos, sem exceção” (Padre José Luis Queimado, C.Ss.R.).
“Ao celebrarmos
o dia do Padre, queremos pedir ao Senhor que ilumine a todos os padres do mundo
inteiro, pois, a nossa missão é em primeiro lugar: ser portador do Cristo e
assim levar Cristo para todos as pessoas” (Cardeal Dom Orani João Tempesta,
O.Cist).
Rezemos por
todos os presbíteros! Neste dia eu irei rezar por todos os padres que eu
ordenei e que tanto bem fazem na Igreja. Que todos os fiéis nunca se esqueçam
de rezar pelos padres de sua Paróquia e que passaram por sua vida. E,
porventura, se o padre que o batizou, assistiu o seu casamento ou receberam
benefícios espirituais reze por ele ou por eles. E se já estiverem no céu rezem
pelo seu eterno descanso. Nunca esqueçamos dos padres falecidos que passaram
por nossas vidas! Deus abençoe a todos os sacerdotes!
Dom Eurico Santos Veloso - Arcebispo emérito de Juiz de Fora (MG)
da Semana Nacional da Família, a
partir de 9 de agosto
Comunidades,
paróquias e dioceses de todo o país vão celebrar, a partir do próximo domingo,
9 de agosto, a Semana Nacional da Família. Este momento de destaque à vocação
ao matrimônio e à vida família é motivado pela Comissão Episcopal para a Vida e
a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da
Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF).
As atividades
celebrativas serão realizadas entre os dias 9 e 15 de agosto, com a reflexão do
tema “Família, torna-te aquilo que és” e o lema: “O amor jamais acabará” (1Co
13,8). A temática escolhida está em sintonia com os 10 anos da Exortação
Apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco, e os 45 anos da
Exortação Apostólica Familiaris Consortio, de São Paulo II.
Hora da Família
Para apoiar as
famílias e grupos, a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) preparou o
subsídio Hora da Família, que chega à sua 30ª edição.
“Isso é motivo
de grande alegria! São três décadas caminhando com as famílias, oferecendo
apoio, formação e inspiração para que, em todas as paróquias, capelas e
comunidades a Semana Nacional da Família seja vivida com fé, unidade e
esperança”, comemora o bispo de Ponta Grossa (PR) e presidente da Comissão
Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil,
dom Bruno Elizeu Versari.
O material é
vendido e distribuído pela CNPF. É possível adquirir pela loja virtual da CNPFou no WhatsApp (61)
3443-2900.
Kit gráfico
Também está
disponível o kit gráfico com arquivos, dicas de fontes e imagens para as
coordenações locais começarem a organizar e divulgar a Semana Nacional da
Família. O objetivo é possibilitar que as paróquias e comunidades de todo o
país possam elaborar suas próprias artes para os encontros e divulgar o momento
de reflexão sobre a família e sobre a defesa da vida.
Padres: alegres
servidores da misericórdia divina!
Dom Diamantino
Prata de Carvalho - Bispo Emérito da Campanha (MG)
Celebrar o “Dia
do Padre” é, antes de tudo, fazer memória do amor gratuito de Deus que continua
a passar pela fragilidade humana para abraçar o mundo. Em um tempo de tantas
transformações, olhar para a vocação sacerdotal exige coragem, esperança e,
acima de tudo, um profundo enraizamento naquele que nos chamou.
O Papa
Francisco, ao longo de seu pontificado, destacou-se como uma voz incansável a
nos recordar o núcleo do ministério presbiteral: a proximidade, a misericórdia
e a doação sem reservas. Para Francisco, o padre não é um mero administrador do
sagrado, mas um pastor com “o cheiro das ovelhas”, chamado a ter o próprio
Coração de Cristo como bússola e refúgio. A vocação não é um evento estático
que ficou perdido no dia da ordenação, ela é um organismo vivo que se alimenta
da oração e da doação diária.
Como
frequentemente nos lembrava Francisco, o sacerdote é alguém que experimentou o
olhar misericordioso de Deus e, por isso, não pode reter essa graça apenas para
si. Renovar o “sim” significa voltar constantemente ao primeiro amor. Nos dias
de cansaço ou desânimo, o sacerdote é convidado a colocar a cabeça no peito do
Mestre, como o discípulo amado, e reacender a chama da esperança. Esse “sim”
renovado não se apoia nas próprias forças, mas na fidelidade daquele que
prometeu estar conosco todos os dias.
Para ser um
sacerdote segundo o Coração de Cristo, Papa Francisco nos apresentava o que ele
chama de “estilo de Deus”. Este estilo se traduz em três atitudes fundamentais:
proximidade com Deus; proximidade com o Bispo e com os Irmãos de Presbitério e
a proximidade com o Povo de Deus. A proximidade com Deus deve ser alimentada na
intimidade da Eucaristia, no silêncio da adoração e no escutar atento da
Palavra. A proximidade com o Bispo e com os Irmãos de Presbitério deve ser
cultivada pela fraternidade sacerdotal, evitando o isolamento e o
individualismo. A proximidade com o Povo de Deus, ao cabo, deve se dar como que
tece laços, de modo que o sacerdote, mais que um simples líder religioso,
assume um papel fundamental de pai e irmão nas dores e alegrias da comunidade.
Um coração
configurado ao de Jesus é um coração compassivo que não julga apressadamente,
mas acolhe; que não fecha as portas, mas se torna porto seguro para os feridos
da vida. O Reino de Deus não se constrói com estruturas rígidas ou
autossuficiência, mas com o serviço humilde e a entrega generosa. O presbítero
é um especialista em “descer do pedestal” para lavar os pés dos seus irmãos.
Gastar a vida pelo Reino significa aceitar que os frutos do trabalho pastoral
nem sempre serão colhidos por quem plantou. Exige a maturidade de ser apenas o
amigo do Noivo, aquele que aponta para Cristo e deixa que Ele cresça. Essa
doação exige coragem para ser uma Igreja “em saída”, que vai ao encontro das
periferias existenciais e geográficas com a lâmpada da fé acesa.
Todos os padres
somos chamados a ser alegres servidores da misericórdia divina! Aos nossos
sacerdotes, os da amada Diocese da Campanha, os meus confrades franciscanos,
nestes 800 anos de paz e bem do nosso seráfico Pai, e aos que comigo trabalham
na missão de levar saúde aos mais pobres, enfim, neste dia dedicado a vós
dedicado, em sintonia com as orações em torno ao “Mês Vocacional”, que o eco
das palavras de Jesus continue a ressoar no fundo do coração: “Não fostes vós
que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). Não tenhais medo de
renovar hoje a vossa entrega. O mundo precisa da vossa paternidade, do vosso
testemunho de esperança e da vossa capacidade de perdoar e abençoar. Que Nossa
Senhora, Mãe dos Sacerdotes, guarde a vossa vocação e vos ensine a dizer,
diariamente, um “sim” confiante, alegre e generoso em favor do Povo de Deus.
Parabéns a todos os sacerdotes pelo seu dia e pelo seu serviço frutuoso à
Igreja!
“Cristo sacia
verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida”. O
Papa durante o Angelus deste 18º Domingo do Tempo Comum, realizado da janela do
Palácio Apostólico, na Praça de São Pedro, com uma catequese dedicada ao
Evangelho da multiplicação dos pães.
“No deserto da
guerra e da arrogância”, os cristãos são chamados a redescobrir a lógica da
partilha e da caridade, que encontra seu ápice na Eucaristia. Foi o que disse o
Papa Leão XIV durante o Angelus deste 18º Domingo do Tempo Comum, conduzido da
janela do Palácio Apostólico, na Praça de São Pedro, com uma catequese dedicada
ao Evangelho da multiplicação dos pães.
Recordando o
gesto de Jesus que “levantou os olhos ao céu, proferiu a bênção, partiu os pães
e os deu” aos discípulos para que os distribuíssem à multidão, o Pontífice
convidou a reconhecer nesse milagre o modelo de uma fraternidade capaz de
vencer a violência, o egoísmo e a indiferença. Essas mesmas ações, observou,
encontram sua plenitude na Última Ceia, quando Cristo se entrega como pão de
vida para a humanidade. Daí o convite para traduzir a celebração eucarística em
gestos concretos.
“Enquanto
saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar sua beleza em
nossos gestos cotidianos”, disse Leão XIV, indicando como primeiro sinal
“a bênção da mesa”, quando o pão é compartilhado “em família e entre amigos”.
E o Papa
afirmou:
“Caríssimos,
Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de
vida. Ao mesmo tempo, o seu gesto ensina que nada se desperdiça quando é
partilhado. A acumulação e o desperdício, por outro lado, são duas faces do
mesmo mal: a ganância”.
Esta doença da
alma faz perder o juízo, - continuou o Papa -, “porque embriaga de riquezas, ao
ponto de ignorar aqueles que choram de fome e clamam de sede. E assim, perante
a opulência das coisas que perecem, estão as mãos estendidas de quem não tem o
que comer, as casas incendiadas de quem não tem paz”.
Peçamos, à
Virgem Maria, concluiu o Papa, mãe atenciosa, que nos faça crescer na caridade,
para que a ninguém falte o pão de cada dia.
O Evangelista Mateus não se preocupa com os
detalhes do relato. Só lhe interessa emoldurar a cena apresentando Jesus no
meio da “multidão” em atitude de “compaixão”. Também o faz em outras ocasiões.
Esta compaixão está à origem de toda sua atuação.
Jesus não vive de costas para o povo,
encerrado em suas ocupações religiosas e indiferente à dor daquele povo. “Vê a
multidão, sente compaixão e cura os enfermos”. Sua experiência de Deus o faz
viver aliviando o sofrimento e saciando a fome daquela pobre gente. Assim deve
viver a Igreja, se quiser fazer Jesus presente no mundo de hoje.
O tempo passa e Jesus continua ocupado em
curar. Os discípulos o interrompem com uma sugestão: “Já é muito tarde; seria
melhor ‘despedir’ a multidão para que cada um ‘compre’ o que comer”. Não
aprenderam nada de Jesus. Não se importam com os famintos e os abandonam à sua
sorte: que cada um “compre sua comida”. O que farão os que não podem comprar?
Jesus lhes responde com uma ordem taxativa
que os cristãos satisfeitos dos países ricos não querem nem escutar: “Dai-lhes
vós de comer”. Diante do “comprar”, Jesus propõe “dar de comer”. Não pode
dizê-lo de maneira mais clara. Ele vive gritando ao Pai: “Dá-nos hoje o pão
nosso de cada dia”. Deus quer que todos os seus filhos e filhas tenham pão,
também aqueles que não podem comprá-lo.
Os discípulos continuam céticos. Entre a
multidão só se encontram cinco pães e dois peixes. Para Jesus é suficiente: se
compartilhamos o pouco que temos, pode-se saciar a fome de todos, inclusive
podem até “sobrar” doze cestos de pão. Esta é sua alternativa: uma sociedade
mais humana, capaz de compartilhar seu pão com os famintos, terá recursos
suficientes para todos.
Num mundo onde morrem de fome milhões de
pessoas, nós cristãos só podemos viver envergonhados. A Europa não tem alma
cristã e “despede” como delinquentes aqueles que vêm buscando pão. E, neste
nosso tempo, quem são na Igreja os que caminham na direção marcada por Jesus?
Infelizmente, a maioria de nós cristãos vivemos surdos a seu apelo, distraídos
por nossos interesses, discussões, doutrinas e celebrações. Por que nos
chamamos seguidores de Jesus?
JOSÉ ANTONIO PAGOLAcursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.