rejeitar a guerra com o Rei da paz
Neste Domingo de Ramos, momento importante do ano litúrgico para celebrar a entrada de Jesus em Jerusalém, Leão XIV nos convida a percorrer o caminho da cruz com Cristo, Rei da paz, que diante da violência, ao invés de se armar, permaneceu firme na mansidão, deixando-se cravar na cruz. À Maria, que chora pelo Filho e pelos crucificados de hoje, o clamor por um Deus que é amor e rejeita a guerra, "que ninguém pode usar para justificar a guerra".
Neste Domingo de
Ramos e da Paixão, que dá início à Semana Santa com a liturgia que celebra a
entrada de Jesus em Jerusalém, o Papa Leão XIV fez um convite para seguir
Cristo, "que se apresenta como Rei da paz", luz do mundo e
que permanece firme na mansidão, diante de uma violência que o rodeia,
inclusive com o plano de uma condenação à morte:
“Enquanto Jesus percorre o caminho da cruz, coloquemo-nos atrás d’Ele, sigamos os seus passos. E, caminhando com Ele, contemplemos a sua paixão pela humanidade, o seu coração que se parte, a sua vida que se torna dom de amor.”
Leia a íntegra da homilia do Papa
Em Jesus, Rei da
paz, vemos os crucificados da humanidade
O pedido foi
feito neste domingo (29/03) numa Praça São Pedro que ficou lotada de cerca de
40 mil fiéis. Fiéis que carregavam ramos, de diferentes espécies e tipos,
unidos pelo único desejo de caminhar juntos pela mesma fé compartilhada, como
foi feito logo no início da celebração: após a bênção dos ramos pelo Pontífice
e a proclamação do Evangelho que narra a entrada triunfal de Jesus Cristo em
Jerusalém, a procissão solene com cantos recordou os judeus no tempo de Jesus.
Na homilia
voltada para o mistério da Paixão, o Papa recordou Jesus, como Rei da
paz, em diferentes circunstâncias, desde quando entrou "em
Jerusalém montado num jumento, não num cavalo, cumprindo a antiga profecia que
convidava a exultar pela chegada do Messias", até quando foi
"carregado com os nossos sofrimentos e traspassado pelas nossas
culpas". Em todo momento Jesus "não se armou, nem se defendeu, nem
travou nenhuma guerra. Manifestou o rosto manso de Deus, que sempre rejeita a
violência, e, em vez de se salvar a si mesmo, deixou-se cravar na cruz, para
abraçar todas as cruzes erguidas em cada tempo e lugar da história da
humanidade":
"Irmãos, irmãs, este é o nosso Deus: Jesus, Rei da paz. Um Deus que rejeita a guerra; que ninguém pode usar para justificar a guerra; que não escuta mas rejeita a oração de quem faz a guerra, dizendo: «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue»."
Convidados a
olhar para Jesus, "que foi crucificado por nós, vemos os crucificados da
humanidade", disse o Papa: mulheres e homens feridos, "sem
esperança, doentes, sozinhos". Mas, "sobretudo, ouvimos o gemido de
dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da
guerra. Da sua cruz, Cristo, Rei da paz, ainda clama: Deus é amor! Tende
piedade! Deponde as armas, lembrai-vos de que sois irmãos!".
O clamor à Maria
pelos crucificados de hoje
Ao final da
homilia, Leão XIV usou das palavras do Servo de Deus, o bispo italiano
Tonino Bello (1935-1993), conhecido como "profeta da paz" e
"bispo dos últimos" pelo empenho junto aos pobres e injustiçados,
para confiar à Maria Santíssima, "que está ao pé da cruz do Filho e chora
também aos pés dos crucificados de hoje", o seguinte clamor:
"«Santa Maria, mulher do terceiro dia, dá-nos a certeza de que, apesar de tudo, a morte já não terá mais poder sobre nós. Que os dias das injustiças dos povos estão contados. Que os clarões das guerras se estão a reduzir a luzes crepusculares. Que os sofrimentos dos pobres chegaram aos seus últimos suspiros. […] E que, finalmente, as lágrimas de todas as vítimas da violência e da dor em breve secarão, como a geada ao sol da primavera» (Maria, mulher de nossos dias)."
Andressa Collet - Vatican News
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