terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Reflita com dom Walmor:

Carregar a dor do outro 

O mundo contemporâneo, além das doenças antigas, padece com novos adoecimentos. Consequentemente, são muitas e variadas dores. Ecoe, pois, a indicação preciosa e humanitária do Papa Leão XIV na sua mensagem para o 34º Dia Mundial do Doente, Festa de Nossa Senhora de Lourdes. O modelo inspirador apresentado no texto é a compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro. A imagem do bom samaritano é sempre atual e inspiradora. Oferece a possibilidade para se redescobrir que o exercício da solidariedade é prática efetiva e eficaz no tratamento das muitas dores humanas. Reconhecer, pois, o sentido da solidariedade tem um desdobramento social relevante, pois inspira gestos de compaixão dedicados aos necessitados, sofredores e doentes.  

A dor não é privilégio ou castigo para alguns. Trata-se de um fenômeno existencial que interfere no cotidiano de cada pessoa. Ninguém está imune a dor. Assim, todos são chamados a ser solidários, e todos precisam de solidariedades. Na exemplaridade do bom samaritano está guardada lição preciosa: para além da afinidade ou de compromissos, vale sempre o gesto de solidariedade dedicado a quem enfrenta sofrimentos. Foi assim que o samaritano tratou o desconhecido que tinha caído nas mãos de ladrões. Após ampará-lo, recomendou ao dono da pensão para onde o levara a cuidar dele, assumindo todas as despesas no seu retorno. O Papa Leão XIV relembra a cultura do efêmero deste tempo atual, onde costuma-se estar sempre com pressa. Um contexto que normaliza o olhar distante e descomprometido com a dor do semelhante.  

Na parábola do Bom Samaritano, a atitude do sacerdote e dos levitas não é exemplar. Eles, vendo o homem assaltado em condições precárias, simplesmente passaram ao largo. Um olhar de indiferença presidiu seus corações, na contramão do olhar de Jesus, marcado sempre pela proximidade e pela solidariedade. O Bom Samaritano ensina a importância de ser próximo para criar e estabelecer um mundo novo. O mundo diferente nasce quando o ser humano se faz próximo de seu semelhante, particularmente daquele que precisa de ajuda, consolo e acolhimento. É preciso ir ao encontro do outro, especialmente do outro que precisa de amparo. Trata-se de um gesto de amor, nascido não exclusivamente da afinidade, mas fruto da solidariedade que faz enxergar para além de circunstâncias. Ter compaixão, ressalta a mensagem do Papa Leão XIV, implica experimentar uma emoção profunda. Um sentimento que brota da interioridade e leva a assumir compromisso com a dor do semelhante. Imagine o quanto se pode evitar violências e garantir fraternidade solidária a partir do cultivo da compaixão.  

A compaixão ajuda a constituir cenários bem diferentes desses que povoam os noticiários todos os dias. Oferece a possibilidade de se viver mais qualificadamente, produzindo uma cultura solidária. A disposição para carregar a dor do semelhante é porta de entrada para uma sociedade mais saudável, pelo remédio da solidariedade. Tenha-se presente que a dor do semelhante aflige parte de um corpo formado por todos, a humanidade. É, pois, mal comum a todos. E o alicerce do amor a ser exercido por todos e que ajuda a tratar as dores humanas é o amor de Deus, com o poder de criar condições para que cada pessoa possa amar de modo desinteressado, sem buscar recompensas. É um amor que transcende as normas rituais, sublinha o Papa, e se traduz em um culto autêntico. Carregar a dor do semelhante é a revelação da natureza espiritual do ser humano, na sua posição diante de Deus.   

O amor fraterno é o remédio para curar a humanidade tão sofrida. Por isso, para se construir um novo tempo é preciso dispor-se a carregar a dor do semelhante. Uma disponibilidade que começa a ser exercida na família, com repercussão no tecido social, possibilitando um novo modo de convivência entre as pessoas. O caminho proposto, de se carregar as dores do semelhante, pode não ser sedutor, em comparação às lógicas alicerçadas na busca pelo sucesso e bem-estar. Mas guarda uma singularidade com força de produzir o sentido de viver e amar. Assim, alarga horizontes e permite encontrar o remédio para a própria dor, com efeito terapêutico na própria alma e na vida de quem é destinatário da solidariedade samaritana. Agindo solidariamente, os sofrimentos serão minimizados, ganharão todos e a sociedade se tornará mais saudável, com uma cultura que preza e promove o nobre sentido igualitário. Carregar a dor do semelhante é lição de nobreza, dinâmica de qualificação existencial, investimento na construção de um tempo a ser escrito em páginas novas, sonho de uma humanidade nova, com mais justiça e fraternidade. Todos possam se abrir ao sentido divino do amor. 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo - Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

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                                                              Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis (MG):

Horários de missa e outros eventos

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De 14 a 17, retiro de carnaval
no Centro Pastoral São José a partir das 19h

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Dia 17 - Terça-feira

Não haverá missa na matriz às 15h

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Dia 18 - Quarta-feira de Cinzas - Início da Quaresma

8h - 10h - 15h - 19h -  Missa com imposição de cinza na matriz

19h - Missa com imposição de cinzas na igreja de Santo Antônio

19h - Celebração da Palavra com imposição de cinzas na igreja de São Geraldo

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Dia 19 - Quinta-feira

19h - Missa na comunidade de Áreas

19h - Missa na comunidade de Santa Vitória

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 Dia 20- Sexta-feira

5h30 - Procissão da Penitência, missa, e Oração das Mil Misericórdias na matriz

19h - Missa na comunidade dos Jacintos

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Dia 21 - Sábado

14h - Reunião do Conselho Paroquial de Pastoral (CPP) no Centro Pastoral São José

19h - Missa na matriz

19h - Celebração da Palavra na igreja de São Geraldo

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Dia 22 - 1º Domingo da Quaresma

7h - Missa na matriz          9h - Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges      16h - Missa na igreja de Santo Antônio

19h - Missa na matriz

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Reflexão de dom Paulo Peixoto para seu início de semana:

Construir fraternidade 

A construção da verdadeira fraternidade entre as pessoas depende, e muito, de envolvimento e cultivo dos laços de afeto, de solidariedade e de amor ao próximo. Para isto é necessário superar as diferenças existentes no campo das ideologias e de uma sociedade que exclui, portanto, injusta. Supõe cuidado e proximidade dos mais vulneráveis para assim promover uma cultura da paz. 

Praticar a fraternidade depende da ousadia das pessoas, e da sabedoria, que vem de Deus. É escolher fazer o bem ou fazer o mal, amar ou desprezar o outro, ou ficar numa atitude de ostracismo, indiferente no espaço de convivência. Não foi esta a prática de Jesus, que incomodava quem convivia com ele. Jesus manifestava apreço pelas pessoas, de modo especial com os mais sofridos e desprezados. 

Construir a fraternidade é envolver e cultivar laços de afeto, solidariedade e amor ao próximo, superando diferenças ideológicas e culturais para criar uma sociedade mais justa e inclusiva. Envolve o diálogo, a partilha, o perdão e o compromisso comum com o bem-estar coletivo, frequentemente manifestado em ações concretas de cuidado com os mais vulneráveis e na promoção da cultura da paz.  

A prática da fraternidade é feita por opção livre, sabendo que isto é uma identificação com a sabedoria divina. Portanto, é sábio todo aquele que faz escolha, com bom senso e ama o próximo, pois, é sabedoria que vem de Deus, que quer que tenhamos vida humana na fraternidade. Neste contexto está o sentido da existência de uma comunidade cristã, onde há calor humano na convivência. 

 A construção da fraternidade depende muito de abertura à vontade de Deus e é uma importante missão diante de uma cultura com profundas marcas de individualismo. O fechamento, isto é, a falta de discernimento da razão, provoca isolamento, que é um fato natural e generalizado do distanciamento. Assim se torna impossível a construção de uma sociedade fraterna e local de solidariedade. 

A fraternidade comunitária é espaço propício para o encontro com Deus. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20). Significa, que as agressões e as palavras ofensivas impedem o diálogo, desorganizam e dificultam a harmonia comunitária e levam ao distanciamento de Jesus Cristo. Fica então difícil a construção da fraternidade.

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)

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                                                                    Fonte: cnbb.org.br    Foto: vaticannews.va

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Leão XIV no Angelus deste domingo:

Jesus nos ensina que a verdadeira justiça é o amor

No Angelus deste domingo, o Papa disse que "Jesus convida-nos a entrar na novidade do Reino de Deus" e que "o cumprimento da Lei é o amor". De acordo com Leão XIV, "não basta não matar fisicamente uma pessoa, se depois a matamos com palavras ou não respeitamos a sua dignidade. Da mesma forma, não basta ser formalmente fiel ao cônjuge e não cometer adultério, se nesta relação faltar a ternura recíproca, a escuta, o respeito, o cuidado mútuo e o caminhar juntos num projeto comum".

O Papa Leão XIV conduziu a oração mariana do Angelus, deste domingo 15 de fevereiro, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice falou sobre o Evangelho deste domingo que traz uma parte do Sermão da Montanha.  

Relação de amor com Deus e os irmãos

"Depois de proclamar as Bem-aventuranças, Jesus convida-nos a entrar na novidade do Reino de Deus e, para nos guiar neste caminho, revela o verdadeiro significado dos preceitos da Lei de Moisés", disse Leão XIV, acrescentando:

“Eles não servem para satisfazer uma necessidade religiosa exterior a fim de nos sentirmos bem diante de Deus, mas para nos fazer entrar na relação de amor com Deus e com os irmãos. Por isso, Jesus diz que não veio para abolir a Lei, «mas para levá-la à perfeição».”

Uma justiça que não se limita a observar os mandamentos

"O cumprimento da Lei", disse ainda o Papa, "é o amor, que realiza o seu significado profundo e o seu fim último. Trata-se de adquirir uma “justiça superior” à dos escribas e fariseus, uma justiça que não se limita a observar os mandamentos, mas nos abre ao amor e nos compromete com ele". "Na verdade, Jesus examina precisamente alguns preceitos da Lei que se referem a casos concretos da vida e utiliza uma fórmula linguística – as antinomias – para mostrar a diferença entre uma justiça religiosa formal e a justiça do Reino de Deus: por um lado: «Ouvistes o que foi dito aos antigos», e, por outro lado, Jesus que afirma: «Eu, porém, digo-vos»", frisou o Papa.

“Esta abordagem é muito importante. Ela nos diz que a Lei foi dada a Moisés e aos profetas como um caminho para começarmos a conhecer Deus e o seu projeto sobre nós e sobre a história ou, para usar uma expressão de São Paulo, como um pedagogo que nos guiou até Ele. Mas agora Ele mesmo, na pessoa de Jesus, veio entre nós, que cumpriu a Lei, tornando-nos filhos do Pai e dando-nos a graça de entrar em relação com Ele como filhos e como irmãos entre nós.”

A verdadeira justiça é o amor

De acordo com o Pontífice, "Jesus nos ensina que a verdadeira justiça é o amor e que, em cada preceito da Lei, devemos perceber uma exigência de amor".

“Com efeito, não basta não matar fisicamente uma pessoa, se depois a matamos com palavras ou não respeitamos a sua dignidade. Da mesma forma, não basta ser formalmente fiel ao cônjuge e não cometer adultério, se nesta relação faltar a ternura recíproca, a escuta, o respeito, o cuidado mútuo e o caminhar juntos num projeto comum.”

"A estes exemplos, que o próprio Jesus nos oferece, poderíamos acrescentar outros ainda", sublinhou ainda Leão XIV, ressaltando que "o Evangelho nos oferece este precioso ensinamento: não basta uma justiça mínima, é preciso um amor grande, que é possível graças à força de Deus".

O Papa concluiu, convidando a invocar "juntos a Virgem Maria, que deu ao mundo o Cristo, Aquele que leva à perfeição a Lei e o projeto da salvação: que Ela interceda por nós, nos ajude a entrar na lógica do Reino de Deus e a viver a sua justiça".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

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Assista:

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Reflexão para este domingo:

Deus quer o melhor

José Antonio Pagola

Na raiz da modernidade há uma experiência nova que condiciona e configura toda a cultura contemporânea. O homem moderno descobriu na ciência e na tecnologia algumas possibilidades antes desconhecidas para buscar sua própria felicidade de maneira mais autônoma e plena.

De per si, isto não precisava ter alienado o homem desse Deus que se nos manifestou em Jesus como o melhor amigo da vida e o defensor mais firme do ser humano. Mas aconteceram dois fatos que provocaram o mal-entendido fatal que continua afastando a cultura moderna de Deus.

Por um lado, a modernidade, obcecada em salvaguardar o poder autônomo do homem, não sabe ver em Deus um aliado, mas vê nele o maior inimigo de sua felicidade. Por outro, a Igreja, receosa diante do novo poder que o homem moderno vai adquirindo, não sabe apresentar-lhe Deus como o verdadeiro amigo e defensor de sua felicidade.

Infelizmente, o mal-entendido persiste. E é triste ver que, muitas vezes, não só os não crentes, mas também os crentes continuam suspeitando que Deus é alguém que nos torna a vida mais difícil do que ela já é por si.

O homem está aí procurando viver da melhor maneira possível e vem Deus “complicar-lhe” as coisas. Impõe-lhe alguns mandamentos que ele deve cumprir, assinala-lhe alguns limites que ele não deve ultrapassar e lhe prescreve algumas práticas que ele deve obrigatoriamente acrescentar à sua vida ordinária. Por mais que se fale de um Deus salvador, são muitos os que continuam pensando que, sem ele, a vida seria mais livre, espontânea e feliz.

A primeira missão da Igreja hoje não é dar receitas morais, mas ajudar o homem moderno a descobrir que não há um só ponto no qual Deus imponha algo que vai contra nosso ser e nossa felicidade verdadeira.

A posição de Jesus é clara: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”. As leis que procedem de Deus e são retamente aplicadas estão sempre a serviço do bem do ser humano, não a serviço de sua destruição.

Deus não é um estorvo que nos impede de viver prazerosamente. Um peso que sobrecarrega nossa vida e sem o qual respiraríamos todos mais tranquilos. Deus é o melhor que temos para enfrentar a vida com acerto. O verdadeiro crente sabe e sente que Deus se torna presente em sua vida só e exclusivamente para dar-lhe força, sentido e esperança.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Reflexão do frei Almir Guimarães para o seu sábado:

Diretrizes para um mundo transparente

É difícil ser transparente, por vezes pode ser muito árido e conduzir à marginalização e à solidão, mas a comunicação alicerçada na hipocrisia, na lisonja e nos bailes das máscaras também não salva da solidão, porque o outro não revela quem ele é, nem o que pensa, nem o que espera de você e, portanto, você não sabe diante de quem você está, nem quais as suas intenções.
Francesc Torralba

 Neste tempo da vida da Igreja, em nossa liturgia dominical, estamos continuando a leitura do Sermão da Montanha de Mateus, Carta Magna do cristianismo. Pacientemente vamos construindo nossa identidade cristã ao longo do tempo da vida. Não cessamos de nascer de novo. Nascemos de nossos pais e nascemos do Alto, nascemos ao longo das estações da vida. Tudo recomeça. Somos seres inacabados, sempre a caminho.

 O Sermão da Montanha faz apelo à generosidade, coerência e transparência. Pede-nos o máximo. Não se trata apenas cumprir obrigações de maneira “certinha” e dar-se por satisfeito. Precisamos chegar a uma postura de seres generosos e transparentes. Tudo começará em nossa verdade mais profunda. Jesus sempre nos adverte contra a mentalidade dos fariseus que observavam ritos e deveres, mas sem alma, de maneira nem sempre transparente e mesmo incoerentemente, com certa duplicidade, sem transparência.

 Transparência! “Os cidadãos exigem a transparência das instituições públicas, dos meios de comunicação social e das organizações privadas; exigem leis para garantir seu exercício, esperam saber o que acontece no interior das organizações públicas, como é investido o dinheiro pago por nós todos, como as decisões são tomadas nos bastidores do poder. Há um anseio por transparência”. (Francesc Torralba). Vivemos um tempo que exige o máximo de transparência. Estamos aprendendo a exigir transparência.

 Uma justiça maior do que simplesmente o dever cumprido. Justiça, no linguajar do Sermão da Montanha, é bem mais do que fazer as coisas corretas. Será preciso amar, estar presente na vida dos outros. O que importa de verdade é o apreço que lhes devotamos. Eliminar esta preocupação do ser humano de voltejar em torno de si mesmo. A Lei manda não matar. Trata-se de evidência sem necessidade de explicação. O Sermão da Montanha, no entanto, pede interesse e delicadeza pela vida do outro: próximo bem próximo, próximo mais distante. Será preciso promover o outro, a vida, o seu entusiasmo, sua vontade de crescer, de não vegetar, de não morrer vivo. Imaginação e criatividade. Os que usam um linguajar pouco delicado a respeito do outro, de alguma forma, agem mal. Todo esse palavreado grosseiro revela que não temos sensibilidade para com o outro. Se o Senhor nos ama como somos, frágeis e pecadores, ama também aquele que me ofendeu e que direito temos nós de excluí-los de nosso bem-querer?

 Quando realizamos o culto é preciso coerência e transparência. Participamos da celebrações da Eucaristia. Nesse momento revestimo-nos de sinceridade, dirigimo-nos ao altar com o melhor de nós mesmos. Ali vamos estar com aquele que deu a vida pelos seus, por todos, inclusive por aqueles que o matavam. A Eucaristia é a renovação incruenta do dom de Cristo no alto da cruz. Corpo dado e sangue derramado. Unimo-nos ao dom do Senhor atualizado nos sinais do pão e do vinho. Dom irrestrito. Amor sem limites.

 Não é possível participar com fruto da Missa quando vivemos um clima de inimizade e de falta de respeito para com os outros. Aqui se insere o pecado pessoal e social. Tema delicado. Sempre questão da transparência e da generosidade. Os que vivem criando pontes, os que deixam de cultivar melindres e movimentos de inveja, os que batalham pela dignidade participam excelentemente da Eucaristia. Se assim não for ser será preciso primeiro ir reconciliar com o irmão e depois apresentar a oferenda da vida. Transparência e coerência.

 Não olhar uma mulher com desejo de possuí-la – Homem e mulher, companheiros e amigos. Pessoas em construção de uma fidelidade de coração, de mente e de corpo. Tema delicado esse da fidelidade. Os cristãos celebram o seu amor conjugal no sacramento. Dizem um sim que começa e continua sempre a partir do interior. Transparência. Ele e ela. Ela e ele. Não se fere a fidelidade conjugal apenas a busca carnal de outra pessoa. A traição começa no interior da pessoa. Há um adultério que se comete no coração quando se deseja possuir alguém, um desalento, um cansaço mortal.

 A delicada questão do divórcio – Não temos condições de abordar exaustivamente o tema. Muitas separações e muitos recasamentos! O casamento, por diferentes motivos, deveria durar. Tudo depende, em princípio, de uma escolha bem pensada. O outro leva tempo para manifestar quem ele é. Há necessidade de tempo para acolher a novidade escondida do outro, há um trabalho a ser feito para construir o amor. Amar é aceitar o outro em sua totalidade. Não se pode esquecer as condições como ficam os filhos com separação. Por isso, casamento e família são realidades que precisam de tempo e empenho. Segundo Chritiane Singer “o casamento é o único relacionamento que nos pede verdadeiro trabalho”.

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Para a reflexão

O amor não é estratégia nem cálculo de contabilidade, nem um investimento que espera lucros. É doação, entrega e é desejo do outro e só pode acontecer em um contexto de transparência mútua. O amor é incompatível com a opacidade porque quando se ama, o que se deseja do outro não é sua máscara, nem sua posição, nem o lugar que ocupa na sociedade; o que deseja do outro é seu ser e precisamente e isso que nunca se pode possuir de ninguém.

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Oração

Dá-nos teu Espírito Senhor:
Onde não há Espírito surge o medo.
Onde não há o Espírito a rotina invade tudo.
Onde não há o Espírito a esperança murcha,
Onde não há o Espírito esquece-se o essencial.
Onde não há o Espírito não podemos reunir-nos em teu nome.
Onde não há o Espírito introduzem-se normas.
Onde não há o Espírito não pode brotar a vida.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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Papa Leão em mensagem:

na Quaresma, abster-se de palavras que ferem o próximo

"Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão" é o título da mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma de 2026. O Pontífice convida os fiéis a um "jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro".

Um jejum de palavras ofensivas: este é o convite do Papa Leão XIV aos fiéis que se preparam para viver a Quaresma, “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”.

Para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano, o Pontífice recorda que é preciso empreender o caminho de conversão, que começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito.

Escutar

Este ano, o Papa destaca, em primeiro lugar, a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, “pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”.

Escutar a Palavra na liturgia, escreve o Pontífice, nos educa para uma escuta mais verdadeira da realidade. “Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta.”

Jejuar

Se a Quaresma é um tempo de escuta, prossegue o Papa, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Por implicar o corpo, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.

No entanto, adverte o Santo Padre, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade e deve incluir também outras formas de privação.

Leão XIV então convida os fiéis a uma forma de abstinência “muito concreta e frequentemente pouco apreciada”, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo.

“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias.”

Em vez disso, o Papa propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. “Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.”

Juntos

O Pontífice conclui recordando que a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum.

“As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento.”

O Papa encerra sua mensagem exortando os fiéis a pedirem a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos.

“Peçamos a força de um jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometâmo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor. De coração, abençoo todos vocês e o seu caminho quaresmal.”

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media