terça-feira, 19 de maio de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

Dia 20 - Quarta-feira

19h - Missa em louvor a São José na matriz

______________________________________________________________________________

Dia 21 - Quinta-feira

  19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração na comunidade de Áreas

19h - Celebração na comunidade da Penha

__________________________________________________________________________________

Dia 22 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa em louvor a Santa Rita de Cássia na matriz

19h - Celebração no Residencial I - Santa Marta

19h - Celebração na comunidade dos Cochos

19h - Celebração na comunidade do Ribeirão Vermelho

19h - Grupo de oração maranathá na capela da Soledade

__________________________________________________________________________________

Dia 23 - Sábado

15h -  Atendimento de confissões de adultos para a Crisma na matriz

19h -  Missa na matriz

19h - Celebração na comunidade São Geraldo

__________________________________________________________________________________

Dia 24 - Domingo de Pentecostes

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz com a 1ª Eucaristia e Crisma de adultos

__________________________________________________________________________________

Catequese para esta semana:

O que aconteceu entre a Ascensão e o Pentecostes?

Maria e os apóstolos ficaram em oração esperando o Santo Espírito, promessa de Cristo para todos nós

Escrito por Alberto Andrade - Editado por Beatriz Nery

“Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Paráclito para ficar sempre convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece. Mas vós o conheceis, porque ele mora convosco e estará em vós” (Jo 14,16-17

No domingo seguinte à Ascensão do Senhor, a Igreja festeja a Solenidade de Pentecostes, a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, que estavam reunidos no mesmo lugar, em Jerusalém, como um vento impetuoso, que encheu toda a casa e onde apareceram como que línguas de fogo que pousavam sobre cada um deles e ficaram repletos deste Paráclito e Defensor.

Pentecostes é a festa da unidade na diversidade, é a festa da luz diante das trevas do pecado e da morte. É a festa do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, caminho, verdade e vida. Listamos aqui os fatos que aconteceram neste intervalo, do que os apóstolos fizeram entre a Ascensão de Jesus e o Pentecostes.

Dedicação total à oração

Quando o Senhor elevou-se ao Céu, os discípulos e Nossa Senhora deixaram o Monte das Oliveiras, voltaram a Jerusalém e se reuniram no Cenáculo para orar, local onde Cristo realizou a Última Ceia, às vésperas de sua crucificação.

“Eram Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, o Zelota; e Judas, filho de Tiago. Todos estes, unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele”. (At 1, 12-14

Matias no lugar de Judas

Além de continuarem nas orações, as atividades dos seguidores de Cristo continuaram, como é relatado nos Atos dos Apóstolos, quando Matias é eleito para substituir Judas Iscariotes, após trair Jesus por algumas moedas.

Sua eleição foi feita por um sorteio, após a Ascensão do Senhor, pela proposta de Pedro, que em poucas palavras fixou três requisitos para o ministério apostólico: pertencer ao grupo de Jesus desde o começo, ser chamado e enviado.

“Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para ocupar o lugar que Judas abandonou, no ministério do apostolado, para dirigir-se ao lugar que era o seu. Lançaram sortes sobre eles, e a sorte veio a cair em Matias, que foi então contado entre os doze apóstolos”. (At 1, 24-26)

A preparação da festa judaica de Pentecostes

Os discípulos e Nossa Senhora também fizeram os preparativos necessários para o pentekosté, nome grego para o festival conhecido como Festa das Semanas ou Festa da Colheita, quando o povo oferecia a Deus os primeiros frutos que a terra tinha produzido. Mais tarde, tornou-se também a festa da renovação da Aliança do Sinai.

Trata-se, juntamente com o Pessach (Páscoa Judaica) e o Sucot (Festa das Tendas), de uma das três festas de peregrinação de Israel, durante as quais cada homem adulto era obrigado a estar presente em Jerusalém (Ex 23, 14-17). 

Isso ajuda a explicar por que estavam todos presentes na cidade e também nos dá uma ideia do que podem ter feito durante aquele período.

A partir desse momento, da efusão do Santo Espírito, nasce a Igreja Missionária, que conta com os discípulos para anunciar o Reino de Deus. Jesus deu o exemplo, pregou a Boa Nova, se entregou à morte na cruz e, a partir da sua Ressurreição, deu a missão de evangelizar aos discípulos. Mas não os deixou jogados à própria sorte, pois enviou o Espírito Santo.

Este é o dom dado por Deus para que possamos guardar e compreender as palavras de Jesus. Através desse espírito, os discípulos compreenderam a linguagem do amor. É esse amor, anunciado por Cristo em todos os seus atos, até se entregar à morte na cruz, que deve ser o sinal do cristão.

__________________________________________________________

Assista:


_____________________________________________________________________
                                            
Fonte: A12.com     Imagem: salvemariaimaculada.com.br

O Papa responde a um jovem "inquieto":

o tempo é um mestre e cura as feridas

Leão XIV responde a um estudante calabrês na revista "Piazza San Pietro" que sente "tanta inquietação e confusão, que afeta principalmente as relações e os laços" construídos "ao longo do tempo". O Pontífice tranquiliza: "O Senhor não decepciona os desejos que Ele mesmo acendeu no coração".

Papa Leão XIV durante o encontro com os jovens da Diocese de Roma (foto de arquivo)  (ANSA)

"Não se apresse em compreender tudo de uma vez. O tempo é um mestre paciente e cura as feridas. A oração diária, mesmo que simples e breve, a escuta da Palavra de Deus, a celebração dos sacramentos e o convívio com pessoas sábias ajudarão você a reconhecer quais relações valorizar e fazer crescer, e quais cultivar sem julgamento." Este foi o conselho de Leão XIV a Pietro, um jovem estudante de Reggio Calabria. Numa carta publicada na revista Piazza San Pietro, da Basílica Vaticana, dirigida pelo franciscano conventual Enzo Fortunato, ele confidenciou ao Pontífice que sentia "muita inquietação e confusão interior", especialmente no que diz respeito às relações e aos laços construídos ao longo do tempo.

"Você é amado por Jesus"

"Tenho medo", escreve Pietro na edição de maio, "de perder todas as amizades que conquistei nesta fase da minha vida, não só na escola, mas também na paróquia e no meu dia a dia." O Papa tranquiliza o jovem, lembrando-o: "Você é amado por Jesus. Não de forma abstrata, mas pessoalmente, exatamente como você é hoje, com suas perguntas e seus sonhos, seus medos e seus desejos. Esse amor o precede e sempre o acompanhará; não depende das escolhas que você irá fazer ou dos caminhos que você percorrerá", acrescenta o Bispo de Roma, recordando que "Jesus conhece bem a experiência da amizade. Ele chamou seus discípulos de amigos, compartilhou o pão e a caminhada com eles, foi amigo de Lázaro, Marta e Maria. Ele viveu laços verdadeiros e autênticos, até mesmo ao ponto de viver a luta da separação e da traição."

Por isso, continua o Papa, “Jesus seria o primeiro a compreender o seu medo de perder as amizades que marcaram estes anos. Para você, nem tudo permanecerá igual, mas o que foi autêntico não se perde; aliás, o verdadeiro amor não se dissolve e permanece para sempre, amadurecendo mesmo quando muda de forma”. Na carta, Pietro confidencia que sonha “em caminhar com alguém na estrada” do amor de Cristo, mas — continua ele — “as minhas certezas relacionais estão vacilando; temo não conseguir sequer discernir quais são os laços autênticos que valem a pena preservar e nutrir e quais são os menos sinceros dos quais posso prescindir. Santo Padre”, conclui a carta, “por tudo isto e pelo meu futuro imediato, peço-lhe que interceda por mim, para que eu possa compreender como conviver com este sentimento de inquietação e nostalgia que me acompanha e ser capaz de seguir serenamente o meu caminho, fazendo sempre a vontade de Deus”.

A família: um dom precioso para a Igreja

Em sua resposta, o Papa tranquiliza o jovem, destacando como seu sonho "de uma família fundada no amor de Cristo" é também um dom precioso para a Igreja; proteja-o com confiança. O Senhor não decepciona os desejos que Ele mesmo acendeu no coração. Asseguro-lhe minhas orações. Peço para você a graça da paz interior, da confiança e de uma visão clara de sua vida. Confio-o a Maria", conclui Leão XIV, "que, ainda jovem, aprendeu a confiar, apesar de guardar no coração perguntas maiores do que Ela."

Francesco Ricupero – Vatican News

_____________________________________________________________________
                                                                           
Fonte: vaticanews.va     Fotos: ANSA

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Magnifica humanitas,

a primeira encíclica de Leão XIV. Publicação em 25 de maio

O documento sobre o tema "da salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial" foi assinado pelo Papa em 15 de maio, aniversário da encíclica Rerum Novarum de Leão XIII. A apresentação ocorrerá na próxima segunda-feira, no Salão Novo do Sínodo, na presença do Papa.

"Magnifica humanitas". Este é o título da primeira encíclica de Leão XIV, "sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial". O documento será publicado em 25 de maio e leva a assinatura do Papa com a data de 15 de maio, no 135º aniversário da promulgação da encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII.

A apresentação de "Magnifica humanitas" ocorrerá no mesmo dia de sua publicação, 25 de maio, às 11h30, no Salão Sinodal, com a presença do próprio Leão XIV.

Os oradores serão os cardeais Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e Michael Czerny, S.J., prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Na sequência, a professora Anna Rowlands, teóloga e professora da Durham University, no Reino Unido; Christopher Olah, cofundador da Anthropic (EUA) e responsável pela pesquisa sobre a interpretabilidade da inteligência artificial; a professora Leocadie Lushombo i.t., docente de teologia política e pensamento social católico na Jesuit School of Theology de Santa Clara, Califórnia.

A conclusão da apresentação estará a cargo do cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin. Em seguida, haverá um discurso e uma bênção do Papa Leão XIV.

_____________________________________________________________________
                                                          
Fonte: vaticanews.va     Fotos: (@Vatican Media)

A comunicação que nasce do coração:

um chamado à esperança 

Dom Anuar Battisti - Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

Meus caros irmãos e irmãs em Cristo. Ao celebrarmos o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, meu coração se enche de uma serena e profunda alegria. Já se passaram seis décadas desde que a Igreja, inspirada pelos ventos renovadores do Concílio Ecumênico Vaticano II, instituiu este dia para que pudéssemos refletir sobre o dom maravilhoso que é a capacidade humana de nos conectarmos, de partilharmos a vida e, sobretudo, de anunciarmos a Boa Nova. É um marco histórico que nos convida a olhar para trás com gratidão, mas também a olhar para o futuro com uma esperança renovada. 

Hoje, mais do que em qualquer outra época da história da humanidade, vivemos imersos em um vasto oceano de informações. A tecnologia encurtou as distâncias de uma maneira que nossos antepassados mal poderiam sonhar. Podemos falar com quem está do outro lado do mundo em frações de segundo. No entanto, o Santo Padre tem nos lembrado com profunda sabedoria, em sua mensagem para esta ocasião, que a verdadeira comunicação vai muito além da mera troca de dados virtuais. A comunicação autêntica não nasce nos teclados ou nas telas brilhantes; ela nasce e ganha vida no coração. 

Muitas vezes, em nosso cotidiano apressado, corremos o risco de nos tornarmos indivíduos incrivelmente “conectados”, porém profundamente isolados em nossas próprias ilhas. A tela do celular pode ser uma maravilhosa janela para o mundo, mas corremos o perigo de transformá-la em um espelho, onde buscamos enxergar apenas as nossas próprias opiniões e certezas. O convite da Igreja para este 60º Dia Mundial é, portanto, um chamado à comunhão verdadeira. Como cristãos, somos convidados a desarmar nossas palavras, a buscar a conciliação e a construir pontes exatamente onde o mundo, infelizmente, ainda insiste em erguer muros. 

A primeira e mais importante escola da comunicação é, sem dúvida, a nossa casa, a nossa família. É no convívio diário, no sentar-se à mesa, no olhar para os pais, para os filhos e para os avós, que aprendemos a conjugar o verbo amar. É ali que aprendemos a pedir licença, a pedir perdão e a dizer “muito obrigado”. Quando a comunicação familiar é permeada pelo respeito e pela ternura, ela transborda para a sociedade e a transforma de dentro para fora. 

Comunicar, na perspectiva do Evangelho, é acima de tudo um ato de amor. Quando abrimos a boca para falar, ou quando digitamos uma mensagem para enviar, devemos fazer a nós mesmos três breves perguntas: Isso edifica? Isso traz paz? Isso reflete a luz e a misericórdia de Cristo? Em um tempo em que o ruído excessivo muitas vezes sufoca a verdade, a nossa voz precisa ser um instrumento de pacificação. Não precisamos de mais confrontos ou de palavras que ferem; a humanidade anseia desesperadamente pelo bálsamo da compreensão mútua. 

O documento pontifício para este ano nos convida a resgatar a beleza da “escuta com o coração”. É um desafio exigente, porém belíssimo! Escutar não é apenas ficar em silêncio enquanto o outro fala, esperando ansiosamente a nossa vez de responder e argumentar. A verdadeira escuta exige um esvaziar-se de si mesmo para acolher com reverência o mistério e a dor do outro. Foi exatamente assim que Jesus caminhou entre nós. Ele escutava os marginalizados, os entristecidos, os aflitos. E, ao escutar com amor, Ele curava. Nós também podemos ser pequenos instrumentos dessa mesma cura através de uma escuta atenta e de palavras temperadas com a doçura do Espírito Santo. 

Que Nossa Senhora, a Virgem do Silêncio e da Palavra Encarnada, nos ensine a guardar em nossos corações aquilo que é bom e a proclamar com a nossa própria vida a alegria perene do Evangelho. Que cada família, e cada pessoa que lê estas singelas linhas, sinta-se chamada por Deus a ser um comunicador da esperança. O mundo ao seu redor precisa da sua palavra amiga, do seu sorriso acolhedor e do seu testemunho sereno de fé. 

Com minha bênção fraterna, 

Dom Anuar Battisti

_____________________________________________________________________
                                                              
Fonte: cnbb.org.br     Imagem: vaticannews.va

domingo, 17 de maio de 2026

Reflita com dom Lindomar:

O último lugar onde viram o Senhor


A despedida de Jesus no monte da Galileia e depois nas proximidades de Jerusalém é a lembrança de um evento que mais tarde revelará tudo. Pertencente àquela ordem misteriosa das ausências fecundas, em que alguém se retira para que sua presença, deixando de ser vista de fora, comece a trabalhar por dentro.

Os onze subiram ao monte que lhes fora indicado. Já não eram os mesmos homens que haviam fugido e fechado as portas, mas traziam aquele cansaço que sucede às grandes transformações do coração. Tinham visto a morte em toda a sua brutalidade e ouvido o silêncio da tarde cair sobre o Calvário. Tinham conhecido o sábado sem explicação, a lentidão das horas dormentes, a impressão de que todas as promessas haviam sido sepultadas junto com o corpo amado. E, no entanto, Ele estava ali.

“Quando o viram, prostraram-se; mas alguns duvidaram”. Como é humana, e por isso mesmo tão verdadeira, esta frase. A adoração e a dúvida ajoelhadas no mesmo chão é o retrato da fé e a hesitação convivendo no mesmo espaço. O coração querendo acreditar e a inteligência fadigando ante a última névoa da dor. Dificuldade de acreditar que a morte, tão exata em sua violência, tivesse sido desmentida.

E então Ele diz: “Toda autoridade me foi dada no céu e sobre a terra, portanto, ide.” Uma despedida que começa com um envio.

Quem ama e se despede costuma querer reter os seus e multiplicar recomendações, como se as palavras pudessem atrasar a ausência. Jesus, porém, despede-se abrindo o mundo para que os seus não fiquem fechados em suas lembranças, mas sejam lançados na estrada da missão para ser e fazer discípulos.

A despedida não é mais para consolar, mas para entregar uma tarefa. Mesmo sem compreender os discípulos são enviados. Isso os impedirá, mais tarde, de anunciar o Evangelho com arrogância, pois pesava em suas memórias o fato de que eles mesmos haviam sido alcançados na dispersão.

A melancolia daquela hora não estava em perder Jesus, pois Ele mesmo prometia permanecer. A melancolia vinha da consciência de que o modo antigo de o ter chegava ao fim. Já não poderiam retê-lo como antes, à beira do lago ou nas noites de pergunta e espanto. A intimidade afetuosa dos dias da Galileia entrava agora numa forma mais alta e mais exigente. Teriam de aprender a presença do ausente e a reconhecer o Mestre nos sinais, na Palavra, no pão, nos pobres, na assembleia, no Espírito que sopra onde quer.

Retirar uma forma de presença para inaugurar outra é uma das passagens delicadas da fé. Nós, que somos feitos de lembranças, sofremos quando a graça muda sua feição. Queremos o mesmo caminho, o mesmo modo, a mesma doçura antiga. Mas o Senhor nos educa e tira-nos da dependência sensível para nos introduzir numa fidelidade mais profunda e alargada.

Ele parte, mas permanece. Sobe, mas acompanha. Retira-se dos olhos, mas não da história. A esperança nasce dessa tensão. O Ressuscitado, antes de partir, quis acostumar-nos à nova gramática da sua presença. Não basta recordar, é preciso esperar e receber o Espírito Santo.

Há na Ascensão uma beleza quase dolorosa. Os discípulos permanecem olhando para o alto, como quem tenta conservar, no último contorno visível, a presença que se afasta. Tentativa falida de reter a imagem, fixá-la na memória, impedir que o tempo a desfizesse. Um desses instantes em que o olhar se torna avarento como se a memória pudesse defender-se contra a perda recolhendo minúcias. Por isso continuavam olhando.

Então aparecem dois homens vestidos de branco e impede que a saudade se transforme em melancolia. Os discípulos foram impedidos de permanecer prisioneiros do último lugar onde viram o Senhor. O céu para onde Ele subiu não os dispensa da terra para onde são enviados.

A esperança fica, então, estendida entre duas vindas. A primeira, humilde e pascal; a última, gloriosa e definitiva. Entre elas, vive a Igreja. Vive de memória e promessa, de saudade e missão. Ela sabe que o Esposo partiu, mas não a abandonou.

A despedida final de Jesus foi a passagem do Evangelho para a vida da Igreja. Enquanto os discípulos o viam subir, começava uma nova forma de existência – Cristo estaria no anúncio dos apóstolos, na água do batismo e na travessia de todos os que, mesmo sem tê-lo visto, continuariam amando-o.

O monte da Galileia e o monte da Ascensão formam, assim, uma única narrativa. Na Galileia, Jesus prometeu que estaria conosco até o fim dos tempos; em Jerusalém, anunciou que receberíamos o Espírito. As duas cenas se completam como duas faces de uma mesma despedida. E nós, seus discípulos, que tínhamos ficado olhando para o alto, descemos de novo para o chão duro da vida, pois a esperança católica não se sustenta apenas olhando para o céu, mas caminhando na terra com a certeza de que o céu já foi aberto.

A melancolia daquela hora era a penumbra entre a última visão e a primeira missão, entre o rosto que se retirava e o Espírito que viria, entre a saudade dos olhos e a confiança do coração.

Dom Lindomar Rocha Mota - Bispo de São Luís de Montes Belos (GO)

_____________________________________________________________________
                                                              
Fonte: cnbb.org.br     Imagem: vaticannews.va

Leão XIV: o "percurso de ascensão"

se dá com a prática do justo e amável no dia a dia

Na Solenidade da Ascensão do Senhor, celebrado em muitos países neste domingo (17/05), como no Brasil, o Papa recordou que conseguimos fazer "um percurso de ascensão", aprendendo "a subir para o Céu", através dos exemplos de Jesus, de Nossa Senhora e dos santos, e ao compartilhar o dia a dia com a família e amigos que se esforçam em viver segundo o Evangelho: "aqueles que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa Francisco gostava de dizer – «da porta ao lado»".

O Papa Leão XIV recordou logo no início da alocução que precedeu a oração mariana do Regina Caeli, neste domingo (17/05), numa Praça São Pedro com cerca de 20 mil pessoas, que "hoje, em muitos países do mundo, celebra-se a Solenidade da Ascensão do Senhor", como acontece no Brasil, por exemplo. Um mistério que marca a gloriosa partida de Jesus, quando sobe aos céus e senta-se à direita de Deus Pai, para servir como mediador, intercedendo por nós. A Igreja celebra essa solenidade 40 dias após a ressurreição de Cristo e o tempo em que conviveu e instruiu os discípulos, antecipando Pentecostes na próxima semana. Com a vinda do Espírito Santo, todos somos convidados e enviados pelo Senhor a anunciar o Evangelho para todos.

Leia a íntegra das palavras de Leão XIV no Regina Caeli

A Solenidade da Ascensão do Senhor

A imagem de Jesus que sobe ao Céu, da Ascensão do Senhor, disse o Pontífice, "poderia nos levar a perceber este Mistério como um acontecimento distante. Contudo, não é assim"; não é "promessa distante", mas "vínculo vivo". Estamos unidos a Jesus e a sua "ascensão ao Céu atrai também nós" e "para a plena comunhão com o Pai", explicou o Papa, "aproximando cada vez mais a nossa maneira de pensar, de sentir e de agir à medida do coração de Deus":

"Toda a vida de Cristo é um movimento de ascensão, que abraça e envolve, através da sua humanidade, o inteiro cenário do mundo, elevando e resgatando o homem da sua condição de pecado, levando luz, perdão e esperança onde havia trevas, injustiça e desespero, para chegar à vitória definitiva da Páscoa, na qual o Filho de Deus «morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida»."

Como acontece o "percurso de ascensão"

Leão XIV recordou, então, São Paulo, que diz que "«tudo o que é verdadeiro […], justo, […] amável» e pondo em prática, com a ajuda de Deus", nos ajuda a transcorrer um "percurso de ascensão", "que nos atrai constantemente para o Alto, para o Pai", difundindo no mundo frutos preciosos de comunhão e de paz. Um caminho feito em comunhão com quem está próximo:

"Encontramos o caminho em Jesus, na dádiva da sua vida, nos seus exemplos e nos seus ensinamentos, assim como o vemos traçado na Virgem Maria e nos santos: aqueles que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles – como o Papa Francisco gostava de dizer – «da porta ao lado», com quem partilhamos o nosso dia a dia, pais, mães, avós, pessoas de todas as idades e condições, que com alegria e empenho se esforçam sinceramente por viver segundo o Evangelho.

“Com eles, com o seu apoio e graças à sua oração, também nós podemos aprender a subir, dia após dia, para o Céu, fazendo objeto dos nossos pensamentos.”

____________________________________________________________________________________

Assista:

Andressa Collet - Vatican News

__________________________________________________________

Papa no Dia das Comunicações:

respeitar a verdade do homem em época de IA

Ao final da oração mariana do Regina Caeli, Leão XIV recordou que neste 17 de maio se celebra o 60° Dia Mundial das Comunicações Sociais em vários países, como no próprio Brasil, com celebrações de ação de graças. Nesta época da Inteligência Artificial, disse o Papa, "encorajo todos a se empenharem em promover formas de comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual orientar toda inovação tecnológica".

"Hoje se celebra, em diversos países, o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este ano quis dedicar ao tema 'Preservar vozes e rostos humanos'. Nesta época da Inteligência Artificial, encorajo todos a se empenharem em promover formas de comunicação que respeitem sempre a verdade do homem, para a qual orientar toda inovação tecnológica."

O Papa voltou a reforçar a importância de se aprender a lidar com a Inteligência Artificial, para compreender o uso dos algoritmos, neste domingo, 17 de maio, 60° Dia Mundial das Comunicações Sociais que inclusive está sendo celebrado no Brasil, e tomando como base a própria a mensagem do Papa divulgada no início do ano. O desafio, especifica o Pontífice no texto, não é impedir a inovação digital, mas melhor orientá-la. Na mensagem, Leão XIV também alerta para não renunciarmos o nosso talento, entregando-o às máquinas, porque assim não vamos crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros: “significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz".

Através da mensagem, retomada ao final do Regina Caeli, o Papa Leão XIV convida todos a refletirem sobre uma comunicação que seja mais humana, verdadeira e autêntica. Segundo Janaína Gonçalves, coordenadora-geral da Pascom Brasil, é “uma comunicação que não reduz pessoas a meros conteúdos, que dê voz e vez a quem precisa, que revele o rosto das pessoas”. Ela afirma ainda que, analisando o texto do Pontífice, “o problema da comunicação não está no celular, nas telas em geral, mas na atitude de perder o humano, na ilusão digital em achar que engajamento é o mesmo que profundidade, na incompreensão em pensar que o alcance pelos algoritmos é o que gera a transformação”.

As atividades do Dia Mundial das Comunicações no Brasil

Na Basílica de Nossa Senhora Aparecida em São Paulo, a missa presidida pelo arcebispo Mário Antônio e concelebrada por dom Valdir José de Castro, presidente da Comissão para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi transmitida pela TV Aparecida e retransmitida pela CNBB no início da manhã, marcando o encerramento da programação da 7ª Semana de Comunicação organizada pela Pascom Brasil e pela Comissão Episcopal para a CNBB. Entre as celebrações previstas por todo o país em ação de graças pelo Dia Mundial das Comunicações Sociais, destaque também para a missa na parte da tarde, direto do Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e Jesus das Santas Chagas, em Curitiba/PR.

Andressa Collet - Vatican News - Colaboração: CNBB

__________________________________________________________

Papa na Semana Laudato si':

cuidar da paz é cuidar da vida

Leão XIV convocou todos que trabalham "por uma ecologia integral a renovar o compromisso" com o cuidado da criação, participando da Semana Laudato si' que começa neste domingo, 17 de maio. O movimento global encoraja a começar pelas realidades locais, inclusive oferecendo cursos gratuitos para se tornar Animador Laudato si’ e exercer um papel fundamental na promoção da sustentabilidade e no enfrentamento dos desafios ambientais urgentes a partir das comunidades em que se vive.

"De hoje até o próximo domingo se realiza a Semana Laudato si’, dedicada ao cuidado da criação e inspirada na encíclica do Papa Francisco. Neste ano jubilar de São Francisco de Assis, recordamos a sua mensagem de paz com Deus, com os irmãos e com todas as criaturas. Infelizmente, nestes últimos anos, devido às guerras, os avanços nesse campo diminuíram bastante. Por isso, encorajo os membros do Movimento Laudato si’ e todos aqueles que trabalham por uma ecologia integral a renovar o compromisso. Cuidar da paz é cuidar da vida!"

O encorajamento do Papa Leão XIV veio ao final do Regina Caeli, na Praça São Pedro, pra uma multidão de 20 mil pessoas. O Pontífice convocou para um dos momentos globais do Movimento Laudato si' que começa neste domingo (17/05) e vai até 24 de maio, a Semana Laudato si' com o tema "Da esperança à ação".

As ações do Movimento Laudato si'

Depois de um Jubileu da Esperança histórico e da inspiradora Conferência Espalhando Esperança, a mobilização é para transformar a esperança renovada em ações coletivas e corajosas. E o Movimento, junto com o reforço do Papa Leão, convida a comunidade global para continuar construindo uma Igreja atenta ao clamor da Terra e dos pobres — alicerçada na oração, configurada pelo encontro e comprometida com a conversão ecológica. Um trabalho global para enfrentar os impactos contínuos da crise climática, mas que começa da base, das realidades locais, com a sinolidade servindo de guia através dos Animadores Laudato Si’, coordenadores de Capítulos, Círculos e Organizações-Membros que são o coração da missão.

Para se transformar em um deles, basta participar de um Curso de Animadores, gratuito, que oferece pedagogia aprimorada, acesso ampliado a diversos idiomas e novas oportunidades de formação (on-line e presencial). Os cursos não se destinam apenas a “especialistas em meio ambiente”, mas a todas as pessoas de fé que sentem que têm um chamado silencioso (e urgente) a responder. Inspirado na visão do Papa Francisco, as aulas capacitam líderes que conseguem conectar a oração à ação, a espiritualidade à transformação sistêmica e as iniciativas locais a um movimento global.

Andressa Collet - Vatican News

_____________________________________________________________________
                                             
Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media)