Entre os primeiros cristãos havia, sem dúvida, discípulos “bons” e discípulos “maus”. Mas, ao escrever seu Evangelho, Mateus se preocupa sobretudo em lembrar que, dentro da comunidade cristã, há discípulos “sensatos” que estão atuando de maneira responsável, e discípulos “tolos” que agem de maneira frívola e descuidada. O que isto quer dizer?
Mateus lembra duas parábolas de Jesus. A primeira é bem clara. Há pessoas que “ouvem as palavras de Jesus” e “as põem em prática”. Tomam a sério o Evangelho e o traduzem em vida. São como o “homem prudente” que constrói sua casa sobre rocha. É o setor mais responsável: os que vão construindo sua vida e a vida da Igreja sobre a verdade de Jesus.
Mas há também aqueles que ouvem as palavras de Jesus e “não as põem em prática”. Estes são tão “tolos” como o homem que “edifica sua casa sobre areia”. Sua vida é um disparate. Se fosse só por eles, o cristianismo seria pura fachada, sem fundamento real em Jesus.
Esta parábola nos ajuda a captar a mensagem fundamental de outro relato no qual um grupo de jovens, cheias de alegria, sai para esperar o noivo, a fim de acompanhá-lo na festa de seu casamento. Desde o começo nos é avisado que umas são “prudentes” e outras “tolas”.
As “prudentes” levam consigo óleo para manter acesas as suas lâmpadas; as “tolas” não pensam em nada disto. O noivo tarda a chegar, mas chega pela meia-noite. As “prudentes” saem com suas lâmpadas a iluminar o caminho, acompanham o noivo e “entram com ele” na festa. As “tolas”, por sua vez, não sabem como resolver seu problema: “suas lâmpadas se apagam”. Assim não podem acompanhar o noivo. Quando chegam é tarde. A porta já esta fechada.
A mensagem é clara e urgente. É uma insensatez continuar escutando o Evangelho sem fazer um esforço maior para convertê-lo em vida: é construir um cristianismo sobre areia. E é um ato néscio ou tolo confessar Jesus Cristo com uma vida apagada, vazia de seu espírito e sua verdade: é esperar Jesus com as “lâmpadas apagadas”. Jesus pode tardar, mas nós não podemos adiar mais a nossa conversão.
JOSÉ ANTONIO PAGOLAcursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.
Encorajo-vos a
prosseguir a missão evangelizadora com entusiasmo. Sede pontes, para que muitos
se encontrem com Jesus. Sede uma comunidade fraterna, que se reúne e partilha a
vida e os projetos, os sonhos e as esperanças, especialmente com os mais necessitados.
Sede uma comunidade de oração, que mantém o diálogo com o Senhor “como um amigo
fala a outro amigo”: foi a exortação do Papa na Missa celebrada em Paysandú,
este sábado, 7 de novembro, em seu segundo dia em terras uruguaias.
Jesus, no
Evangelho de hoje, recorda-nos a importância da fidelidade aos dons recebidos:
«Quem é fiel no pouco também é fiel no muito». Estas palavras foram postas em
prática por tantos homens e mulheres – como Dom Jacinto Vera – que foram fiéis
à vocação recebida e espalharam as sementes do Evangelho na alma do povo
uruguaio. Essas sementes permanecem vivas na comunidade, mas é necessário
continuar a proporcionar as condições necessárias para que possam crescer e
expressar todo o seu potencial. É necessário continuar formando as crianças e
os jovens na fé, a acompanhar as famílias, a apoiar os idosos e a praticar as
obras de caridade. Foi o que disse o Papa na Missa celebrada em Paysandú, este
sábado, 7 de novembro, em seu segundo dia em terras uruguaias. A Eucaristia –
centro e ápice da vida cristã – foi celebrada no Parque París Londres, cuja
área ocupa um lugar especial na história urbana de Paysandú, uma das cidades
mais populosas do Uruguai.
Beato Jacinto
Vera, testemunha coerente da fé que anunciava
Nesta
celebração, disse o Santo Padre na homilia, queremos também recordar e dar
graças a Deus pela vida e ministério de um filho destas terras, o Beato Jacinto
Vera, Bispo de Montevidéu, que foi uma testemunha coerente da fé que anunciava,
generoso na caridade e totalmente dedicado à missão apostólica. Demonstrou o
seu zelo pastoral em todas as direções e sem poupar sacrifícios. Por exemplo,
ia a cavalo visitar os doentes, apesar das grandes distâncias, dos perigos do
caminho e das intempéries. O Bispo gaucho percorreu três vezes o território
uruguaio, levando fé e esperança aos seus habitantes.
Referindo-se às
riquezas do Uruguai, Leão XIV ressaltou que esta região é caracterizada por
três símbolos que nos podem ajudar a refletir sobre o depósito da fé que nos
foi concedido e sobre a missão que hoje nos é confiada. O primeiro é a ponte, o
segundo os palmeirais e o terceiro o mate.
Nesta cidade de
Paysandú, encontra-se a Ponte Internacional General Artigas que atravessa o rio
Uruguai e une dois países vizinhos. Não é difícil imaginar os benefícios que
uma ponte pode trazer: abertura, comunicação, intercâmbio. Por isso, como é
importante ser construtor de pontes! É a vocação à qual todos somos chamados:
construir pontes, estreitar laços, unir, comunicar, transmitir a alegria da fé,
tal como fez o Beato Jacinto «em tempo propício e fora dele».
Permanecendo
unidos a Cristo, podemos dar bons frutos
Outro símbolo
que caracteriza e embeleza esta terra são os palmeirais, frisou o Pontífice. O
Livro dos Salmos diz-nos que «os justos florescerão como a palmeira». Esta
árvore é resistente à força dos ventos, possui raízes profundas, ergue-se em
direção ao céu em busca de luz e produz o doce fruto butiá-jataí. Esta é uma bela
imagem da origem e do destino para o qual somos chamados: enraizar-nos em
Cristo, Alfa e Ómega, Princípio e Fim da nossa vida, para que, permanecendo
unidos a Ele, possamos dar bons frutos.
Por fim,
pensemos num símbolo que está presente em cada lar deste país, em cada local de
estudo e trabalho, em cada encontro de amigos. Refiro-me ao mate, essa bebida
tão típica da América do Sul, cujo significado profundo sabeis explicar melhor
do que eu. Com certeza, o mate também vos acompanhou hoje, na viagem a caminho
desta celebração, e irá acompanhar-vos no regresso.
O mate é sinal
de familiaridade, amizade e convívio, afirmou o Papa, acrescentando pensar
também nos mates que se bebem quando se está sozinho e que acompanham um
instante de silêncio e oração. Nesses momentos de solidão, quantas vezes muitos
de vós tereis confiado a Deus as vossas preocupações e necessidades, os vossos
desejos e anseios mais profundos.
Prosseguir a
missão evangelizadora com entusiasmo
“Também a fé faz
parte do povo uruguaio desde os seus inícios, e é necessário transmiti-la às
gerações futuras com ousadia criativa”, disse o Pontífice, antes de concluir,
com uma premente exortação a todos os uruguaios:
Queridos irmãos
e irmãs: encorajo-vos a prosseguir a missão evangelizadora com entusiasmo. Sede
pontes, para que muitos se encontrem com Jesus. Sede uma comunidade fraterna,
que se reúne e partilha a vida e os projetos, os sonhos e as esperanças,
especialmente com os mais necessitados. Sede uma comunidade de oração, que
mantém o diálogo com o Senhor “como um amigo fala a outro amigo”. Cristo conta
convosco! Cristo conta contigo!
Por fim, o Santo
Padre fez votos de que nossa Mãe celestial, a Virgem dos Trinta e Três –
padroeira do Uruguai – os proteja no caminho da vida e os guie sempre ao
encontro do seu Filho Jesus.
Como toda gente, tenho um horror total às esperas nos correios ou nos consultórios e não suporto as filas burocráticas a que nos submetem. Contudo, não cesso de esperar o inesperado. (Edgar Morin)
Aos poucos vamos chegando ao fim do ano litúrgico de 2020. Boa parte das celebrações deste ano, quando possível, foram participadas virtualmente, sem o calor da proximidade. Dentro em breve entramos nas plagas do advento. No próximo ano litúrgico seremos acompanhados pela Boa Nova segundo Marcos.
A primeira leitura deste domingo pede que apreciemos e busquemos a sabedoria. O evangelho proclamado nos fala das mocinhas espertas e das outras negligentes e despreocupadas demais. Não tinham o coração iluminado quando o noivo chegou. Umas foram vigilantes e outras se cansaram de esperar e na hora da festa não tinham mais óleo. Não dava tempo para buscar o que faltava. Faltou-lhe a sabedoria dos vigilantes. Não tiveram acesso à sala de festas. Fracassaram em seu viver? Não tiveram o cuidado de se preparar para as visitas do Senhor que, por vezes, demoram ou acontecem sem hora marcada.
“Essencial para obter a sabedoria é desejá-la: o desejo da sabedoria leva-nos a procurá-la e a sabedoria por si vai ao encontro de quem a procura. A sabedoria é luminosa e resplandecente, e brilha sobre quem a deseja e a procura: é a própria procura da sabedoria que faz o sábio. O crente cristão não necessita apenas da fé, mas também da sabedoria. Sabedoria é predispor tudo para o encontro com o Senhor” (Manicardi).
Há a possibilidade de se viver uma fé insípida, tonta, que negligencia o encontro com o Senhor e desperdiça o tempo da vida. Há sábios e tontos.
Como teremos com óleo nas lamparinas? Agir, atuar, ser eficaz nas coisas do Evangelho. Participar de um movimento de humanização da terra. Criação e alimentação dos vínculos pessoais e comunitários com o Ressuscitado. Projeto de seguimento do Senhor. Iluminar amores e desamores com a luz da fé. Viver a ventura do Amor no lusco fusco da fé. Coragem de caminhar na noite escura da aridez, dos enigmas e das provações. Não se cansar de esperar. Não se deixar sedar com as máquinas modernas e outros entorpecentes que levam ao sono.
Não somos apenas convidados para um banquete de amor e de festa. Somos esposos e esposas do Senhor. Não nutrimos com Deus belo e grande apenas relacionamentos frios e secos. O encontro com o Senhor significa uma aventura de entrega e de amor irrestritos. No fundo está a questão da qualidade do desejo. Sem que o desejo seja alimentado nossa intimidade com o Senhor fica prejudicada. Reduz-se a umas práticas religiosas “salpicadas de água benta”. No dia a dia da vida a espera deverá ser ardorosa e não marcada pelo tédio ou cansaço.
Ardor, desejo… tal não quer dizer vivência “sentimental” da fé, mas numa persistência de viver buscando o Amado também nos momentos de secura ou de aridez espiritual. O que busca esperando ou buscando espera nunca está satisfeito. No domínio de nossa intimidade com o Senhor no regime da fé há um já e um ainda não na esperança do que vem. Na serenidade de nossa vida de fé já estamos na sala de núpcias.
FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.
Referências
históricas e desafios do tempo presente marcaram o primeiro pronunciamento de
Leão XIV no Uruguai. O Pontífice falou particularmente da proteção à vida, com
um chamado para que "o pai se comprometa ao lado da mãe" na criação
dos filhos. E recordou sua recente operação no pulmão direito para a retirada
de um tumor maligno para ressaltar a importância do acesso à saúde.
O primeiro
discurso do Papa Leão no Uruguai foi às autoridades, à sociedade civil e ao
corpo diplomático. O evento foi realizado na Praça da Independência de
Montevidéu na tarde desta sexta-feira, 6 de novembro.
"Desde já,
quero fazer chegar a minha saudação a todos os uruguaios, onde quer que se
encontrem", disse o Pontífice, colocando sob a proteção de Nossa Senhora
dos Trinta e Três, Padroeira do país, todos aqueles que encontrará no seu
caminho. O discurso foi inspirado no monumento a José Gervasio Artigas,
situado no centro da praça, que retrata a marcha do heroi uruguaio. Artigas
liderou a chamada "Redota" (ou Êxodo Oriental), que foi uma
migração coletiva de cerca de 10.000 a 16.000 pessoas na Banda Oriental (atual
Uruguai) em 1811.
Este evento
singular na memória uruguaia, afirmou, recorda um povo posto à prova, que teve
de deixar para trás muito do que possuía e procurou permanecer unido no meio da
incerteza.
Proteger a vida
em todas as suas fases
A caminhada
deste povo deu frutos. Leão XIV ressaltou os 40 anos ininterruptos de
democracia no país, celebrados em 2025, e algumas decisões que impactaram
a nação, como o uso dos recursos naturais. A produção de energia elétrica se
baseia quase inteiramente em fontes renováveis. Por outro lado, preocupa
a evolução demográfica e a necessidade de pensar na vida que cresce
no seio materno.
“Quem ainda não
nasceu já pertence à família humana e ao futuro do seu povo. A sua dependência
absoluta da mãe não diminui a dignidade que lhe é própria nem a proteção que
merece. O próprio Jesus quis assumir esta condição ao encarnar-se. Acolher uma
nova vida exige que o pai se comprometa ao lado da mãe, que a família preste o
seu apoio e que existam condições sociais que permitam a ambos criar e cuidar
dos seus filhos. A proteção de quem está para nascer e o amparo de quem o
acolhe são indissociáveis. ”
O Pontífice
reiterou a importância do respeito à vida em todas as suas fases, recordando
que não se pode medir o valor de uma pessoa pelo que ela produz, pelo seu
trabalho ou pela sua habilidade de se valer por si própria. Valorizou o
emprego, sobretudo face às rápidas mudanças da tecnologia e da
inteligência artificial.
E citou como
desafios a solidão, a angústia e a perda de esperança: "Perante a dolorosa
realidade do suicídio, revelam-se inseparáveis os cuidados de saúde, os laços
familiares e a proximidade da comunidade. Ninguém deveria sentir-se estranho
entre os seus nem pensar que a sua ausência será menos notada que a sua
presença". O Papa garantiu a contribuição da Igreja para que as
pessoas não se sintam sós em suas provações.
Papa relembra
sua recente operação no pulmão
Outras formas de
sofrimento, acrescentou, manifestam-se no corpo. A este ponto, Leão XIV falou
da condição da própria saúde:
“Recentemente,
experimentei pessoalmente as limitações impostas pela doença e recebi cuidados
pelos quais estou profundamente grato. Esta experiência levou-me a pensar em
tantos homens e mulheres que carecem dos meios necessários para obter um
diagnóstico adequado ou receber os tratamentos de que precisam. Garantir que os
cuidados de saúde estejam ao alcance de todas as pessoas, independentemente dos
seus recursos, é uma responsabilidade que interpela toda a sociedade.”
Montevidéu, sede
do Mercosul
Da história do
Uruguai, o Pontífice realçou a convivência entre pessoas de diferentes
origens e tradições, que se manifesta nas crenças e convicções dos seus
cidadãos. O Estado é laico, mas recordou que a neutralidade não implica que a
dimensão religiosa deva ficar confinada à esfera privada. Alargando o olhar
para a América do Sul, o Papa citou Montevidéu como sede da Secretaria do
Mercosul: "Numa época em que as diferenças podem facilmente transformar-se
em motivo de confronto, perseverar no respeito pelo direito, na negociação e na
busca paciente de acordos constitui um serviço que o Uruguai pode continuar a
oferecer aos seus vizinhos".
Citando os laços
que unem a Santa Sé e o Uruguai, que remontam aos primeiros anos da sua
independência, Leão XIV concluiu: "Vim ao Uruguai como Sucessor de Pedro e
como pastor, com o desejo de me encontrar com a Igreja peregrina nesta terra e
de me aproximar, com carinho, a todo o seu povo".
“Que estes dias
nos permitam fortalecer o que nos une e renovar a confiança com que enfrentamos
as dificuldades e nos preparamos para o que está para vir. Que Deus abençoe o
Uruguai e que Maria Santíssima, a quem este povo se confiou no momento do seu
nascimento, continue a acompanhá-lo ao longo da sua história. Muito obrigado.”
A sexta Viagem
Apostólica é um retorno às raízes latino-americanas de Leão XIV, mas também de
um peregrino que deseja escutar, aproximar-se das realidades locais e renovar a
esperança de um continente marcado pela fé, mas também por profundas
desigualdades e desafios sociais.
“"Confio-me
às suas orações, para que esta viagem fortaleça a fé, renove a esperança,
reavive o fogo da caridade e seja um impulso para continuar anunciando o
Evangelho com alegria". (Leão XIV na Audiência Geral)”
A partida de
Leão XIV do Aeroporto Internacional de Fiumicino, em Roma, às 7h05 da manhã
desta sexta-feira, 6 de novembro, marca o início de sua sexta Viagem
Apostólica, desta vez à América Latina. O destino inicial é Montevidéu, onde o
Papa deverá chegar por volta das 16h30, horário local, após ter
percorrido 11.123 km em 13h30 de voo. A tripulação do voo da ITA Airways inclui
13 pessoas: 3 pilotos e 10 comissários de bordo, acompanhados pela equipe
da companhia aérea, dedicada a voos especiais. Além da delegação papal, também
presentes no voo, como de costume, representantes da imprensa internacional.
O Pontífice
inicia assim uma jornada que o levará ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, de 6 a
17 de novembro, com uma mensagem centrada na escuta, na unidade, na paz e na
promoção da dignidade humana, a ser proposta a uma América Latina marcada
por profundas raízes históricas, culturais e religiosas, e onde a Igreja é
chamada a renovar seu compromisso com a evangelização, a justiça social e a
construção da fraternidade.
Uma viagem com
significado pessoal e eclesial
A viagem tem
também um significado pessoal para Leão XIV, especialmente pelo retorno ao
Peru, país onde viveu durante muitos anos como missionário, religioso
agostiniano e bispo de Chiclayo. Será uma oportunidade de reencontrar
comunidades que marcaram profundamente sua trajetória pastoral.
O itinerário
começa pelo Uruguai, onde o Papa permanecerá de 6 a 8 de novembro, passando por
Montevidéu, Paysandú e Florida. A etapa uruguaia terá como lema
"Anuncio-vos uma grande alegria”.
Na Argentina, de
8 a 11 de novembro, Leão XIV visitará Buenos Aires, Córdoba e Luján. A passagem
pelo país natal do Papa Francisco terá um significado especial, quase quatro
décadas depois da última visita de um Pontífice à Argentina, realizada por São
João Paulo II, em 1987.
A última etapa
será o Peru, de 11 a 17 de novembro, com visitas a Lima, Chiclayo, Cusco e
Pucallpa. Será um retorno às comunidades onde Robert Francis Prevost exerceu
seu ministério missionário e episcopal, deixando marcas de proximidade e
serviço.
Uma mensagem de
esperança para a América Latina
Mais do que uma
agenda repleta de compromissos institucionais e celebrações litúrgicas, a
viagem pretende ser uma oportunidade de encontro com os povos
latino-americanos, suas alegrias, dificuldades, esperanças e desafios.
A defesa da
dignidade humana, a promoção da paz, a atenção aos mais vulneráveis, a
educação, a juventude, a família e o compromisso missionário da Igreja estarão
entre os temas que marcarão os encontros do Pontífice.
Na Audiência
Geral de 4 de novembro, Leão XIV pediu aos fiéis que o acompanhem com suas
orações, para que a viagem fortaleça a fé, renove a esperança e reacenda a
chama da caridade, estimulando a todos a anunciar o Evangelho com alegria.
A peregrinação
apostólica, que terminará em 17 de novembro, com o retorno a Roma, será também
uma oportunidade para reafirmar a proximidade do Sucessor de Pedro com as
Igrejas locais e fortalecer os laços de comunhão e fraternidade entre os povos
da América Latina e a Igreja universal.
A Sabedoria é resplandecente e sempre viçosa. Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam e é encontrada por aqueles que a procuram. Ela até se antecipa, dando-se a conhecer aos que a desejam. Quem por ela madruga não se cansará, pois a encontrará sentada à sua porta. Meditar sobre ela é a perfeição da prudência; e quem ficar acordado por causa dela, em breve há de viver despreocupado.
Pois ela mesma sai à procura dos que a merecem, cheia de bondade, aparece-lhes nas estradas e vai ao seu encontro em todos os seus projetos.
— A minh’alma tem sede de vós e vos deseja, ó Senhor!
— A minh’alma tem sede de vós e vos deseja, ó Senhor!
— Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!/ Desde a aurora ansioso vos busco! A minh’alma tem sede de vós,/ minha carne também vos deseja,/ como terra sedenta e sem água!
— Venho, assim, contemplar-vos no templo,/ para ver vossa glória e poder./ Vosso amor vale mais do que a vida:/ e por isso meus lábios vos louvam.
— Quero, pois, vos louvar pela vida,/ e elevar para vós minhas mãos!/ A minh’alma será saciada,/ como em grande banquete de festa;/ cantará a alegria em meus lábios.
— Penso em vós no meu leito, de noite,/ nas vigílias suspiro por vós!/ Para mim fostes sempre um socorro;/ de vossas asas à sombra eu exulto!
Irmãos: não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé — de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte. Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor, não levaremos vantagem em relação aos que morreram.
Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta, descerá do céu, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Em seguida, nós, que formos deixados com vida, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor, nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor. Exortai-vos, pois, uns aos outros, com essas palavras.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus
“Naquele dia, o Reino do Céu será como dez virgens que pegaram suas lâmpadas de óleo, e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas não tinham juízo, e as outras cinco eram prudentes. Aquelas sem juízo pegaram suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As prudentes, porém, levaram vasilhas com óleo, junto com as lâmpadas. O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormiram. No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro’. Então as dez virgens se levantaram, e prepararam as lâmpadas. Aquelas que eram sem juízo disseram às prudentes: ‘Dêem um pouco de óleo para nós, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. As prudentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode faltar para nós e para vocês. É melhor vocês irem aos vendedores e comprar’. Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. Por fim, chegaram também as outras virgens, e disseram: ‘Senhor, Senhor, abre a porta para nós’. Ele, porém, respondeu: ‘Eu garanto a vocês que não as conheço’. Portanto, fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora.»
O fim do ano litúrgico é marcado pelo pensamento do Fim – fim e finalidade da vida e do mundo. Isso coincide com o fim da pregação de Jesus conforme os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas: em todos os três, os últimos diálogos da vida pública de Jesus giram em torno do Fim e do Juízo.
A 1ª leitura nos ensina o que é “vigilância religiosa”: quem levanta cedo encontra a sabedoria de Deus sentada à sua porta… E, no evangelho, Jesus narra a parábola das jovens companheiras da noiva, na noite do casamento: as previdentes levaram óleo para esperarem o cortejo nupcial com as lâmpadas acesas, mas as negligentes se atrapalharam e ficaram sem óleo e sem festa! Quem se prepara para o acontecimento revela a atenção de seu coração; quem vive distraído mostra o contrário. A vigilância atenta é uma forma do amor, amor que nos toma dispostos a encontrar o Cristo em qualquer momento, mesmo se ele demora. A atitude certa diante do Fim esperado é o amor, não o medo.
“Como o noivo demorasse”, diz o evangelho (Mt 25,5). A teologia falou muito na demora da “Parusia”, termo que significava a festiva visita do Rei e, daí, a vinda gloriosa de Jesus. Os primeiros cristãos esperavam a volta de Cristo para breve. Assim, por exemplo, os tessalonicenses (2ª leitura) esperavam a Parusia para já, mas estavam preocupados com o destino dos fiéis que já morreram. Ficariam excluídos? Paulo lhes assegura: os que já faleceram ressuscitarão primeiro, para entrar na glória de Cristo, e depois seguirão os ainda vivos, entre os quais, ele mesmo (v. 17)! O bonito deste texto é o anseio para estar sempre com Cristo, todos unidos.
E nós, hoje, como ficarmos de prontidão, se depois de vinte séculos de espera ele ainda não veio? Geralmente imagina-se a vinda de Cristo exclusivamente como sua volta no fim dos tempos, para julgar o mundo e a história. Mas Jesus vem também em nossa vida, já. Por exemplo, no pobre que nos interpela (como veremos no 34° domingo). Aos pobres, pelos quais Cristo vem a nós, devemos dedicar a mesma atenção “vigilante” que dedicaríamos a Cristo, se ele voltasse hoje.
Mantenhamos, pois, nossas lâmpadas acesas, alimentemos nossa “espiritualidade”, o espírito alerta para o encontro com Cristo. Vivamos cada momento do dia como um possível encontro com Cristo. Façamos de manhã nossa “agenda” com vistas ao encontro com Cristo em nossos irmãos. Quem vamos encontrar? Com que espírito?
PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.