quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos

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Dia 25 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

19h - Missa no Residencial Paraíso

19h - 2º dia da festa no Asilo São Vicente de Paulo

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

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Dia 26 - Sábado

14h - 2º Encontro de Formação dos MESC

16h -  Missa na igreja de Santo Antônio - Retiro de São Miguel Arcanjo

19h -  Missa na matriz e na comunidade São Francisco

19h - 3º dia da festa no Asilo São Vicente de Paulo

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Dia 27 - 26º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

9h - Missa na comunidade São Geraldo

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges e no Asilo São Vicente de Paulo (festa)

18h - Missa na igreja de Santo Antônio       19h - Missa na matriz

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Editorial - Andrea Tornielli - Vatican News:

A Europa e o desafio de permanecer humanos

O Papa Leão e a viagem de quatro dias à França.


Ele havia escrito isso na Magnifica humanitas, sua primeira encíclica, um texto que continua sendo discutido e comentado internacionalmente: temos o “dever urgente” de permanecer humanos. Diante da tecnologia que se transforma em tecnocracia, diante dos ataques contra a vida e a dignidade do homem, diante da desumanidade da guerra e da tentativa de fazê-la parecer “normal” e “inevitável” para justificar o desperdício de enormes quantias de dinheiro na louca corrida ao rearmamento, o apelo do Papa Leão XIV para que continuemos sendo humanos é realmente uma urgência que não pode ser adiada.

O inerme Sucessor de Pedro, que prega Cristo e sua paz “desarmada e desarmante”, não se move segundo a lógica do poder que hoje parece tão vitoriosa, e não tem outro interesse senão o de fazer ressoar a voz dos pobres, dos sofredores, daqueles que têm sede de justiça, daqueles que anseiam por ver reconhecida a dignidade da vida, dos artífices da paz.

O convite a permanecer humanos é particularmente significativo também para a França, outrora chamada de “filha primogênita da Igreja”, o país que se tornou a pátria do Iluminismo e da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Uma nação em que as raízes cristãs são atestadas pelo esplendor da arte e das catedrais construídas ao longo dos séculos, e continuam vivas graças à presença de uma comunidade católica ativa e dinâmica.

O Bispo de Roma parte, portanto, para sua quinta viagem internacional para visitar Paris, Lourdes e Metz, no coração da velha Europa. Uma peregrinação eminentemente pastoral, que tem como objetivo confirmar na fé as comunidades francesas e, ao mesmo tempo, transmitir uma mensagem de paz e unidade capaz de ir além do recinto dos cristãos e dos crentes, para falar a todos, a partir do reconhecimento do que nos une como seres humanos.

Leão não chega à Ville lumière para condenar ninguém, nem para entrar de cabeça no debate político francês, que está polarizado como em qualquer outro país da Europa. Ele vem como Pastor para encontrar um povo, sua história e sua cultura. Vem para encorajar aqueles que não se rendem à desumanidade. Vem trazendo apenas a Palavra do Evangelho. Mas a Palavra evangélica não está destinada a ficar suspensa no ar, relegada apenas ao âmbito das ideias ou das mensagens banais. É, ao contrário, uma Palavra que penetra na carne viva da história, enfrentando as feridas do nosso tempo e lançando uma luz de verdade para dissipar a névoa da mentira. É uma Palavra que nos convida a nos deixarmos ferir pelo sofrimento daqueles que morrem sob as bombas de guerras consideradas “inevitáveis”, que talvez pudessem ser detidas se prevalecessem a criatividade diplomática e um compromisso sério com as negociações, em vez de ceder aos interesses inconfessáveis dos grandes mercadores de armas. É uma palavra que nos pede para assumirmos o fardo do sofrimento daqueles que estão gravemente doentes e precisariam ser amados e acompanhados, em vez de serem deixados sozinhos, à mercê do desejo desesperado de pôr fim à própria vida. É uma palavra que nos coloca diante da responsabilidade de não desviarmos o olhar diante dos rostos daqueles que chegam ao Velho Continente após atravessarem o Mediterrâneo em busca de um futuro.

Desta terra da França, tão orgulhosa de suas raízes antigas, de sua história e de seu papel no mundo, o Papa Leão se dirigirá a toda a Europa. Uma Europa que corre o risco de perder sua identidade, caindo no abismo das ideologias belicistas e tecnocráticas, e que, ao invés, é chamada a redescobrir as razões profundas de sua unidade, a urgência da paz e a necessidade de defender a “magnifica humanitas” de cada pessoa em todas as fases de sua existência.

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                                                                   Fonte: vaticanews.va    Foto: (@Vatican Media

Pe. Zezinho, scj celebra seis décadas de sacerdócio

e uma trajetória pioneira
na música, na comunicação e na catequese

Ordenado no contexto do Concílio Vaticano II, sacerdote construiu uma trajetória entre novas linguagens e hoje, aos 85 anos, define sua fase atual como a do “sol poente”.

Gabi Buonvechio - Cidade do Vaticano

Em uma sociedade marcada pela tecnologia e pelo acesso imediato à informação, o novo rapidamente cede lugar ao próximo. A cada dia, surgem novos nomes no cenário religioso: cantores, pregadores, missionários e influenciadores que encontram nas plataformas digitais novos espaços de evangelização. O microfone, antes restrito a poucos, tornou-se acessível a muitos. No palco físico ou virtual, multiplicam-se as vozes.

Mas nem sempre foi assim. Esse caminho está marcado por pessoas que, num passado não tão distante, resolveram arriscar e assumir as consequências que o pioneirismo exige.

Há seis décadas, um sacerdote começou a trilhar um desses caminhos. Iniciativas que hoje parecem corriqueiras, como abrir espaço para que jovens tocassem violão e cantassem na Santa Missa, podiam ser recebidas, naquele contexto, como uma heresia. Em uma fase de transformações na Igreja, marcado pelo Concílio Vaticano II, José Fernandes de Oliveira, mais conhecido como Pe. Zezinho, scj, compreendeu que seu ministério também seria chamado a dialogar com um novo tempo.

Anos depois, aquele período de mudanças ajuda a compreender parte do percurso que Pe. Zezinho, scj, construiu ao longo de seu ministério. O sacerdote completou 60 anos de sacerdócio nesta segunda-feira, 21 de setembro. O jubileu reúne diferentes capítulos de uma trajetória que passa pela música, pela catequese, pela comunicação e pela literatura.

Do Zezé ao seminarista

Mineiro de nascimento, José Fernandes de Oliveira deixou sua terra natal aos três anos de idade, quando sua família se mudou para o interior de São Paulo em busca de melhores condições de vida. Em Taubaté, cresceu a poucos metros do Convento Sagrado Coração de Jesus, conhecido como Conventinho.

Foi na convivência com os padres dehonianos que o desejo pelo sacerdócio começou a ganhar forma. Aos 12 anos, ingressou no Seminário Menor da Escola Apostólica Dehonista, em Lavras (MG).

Entre todos os lugares por onde passou durante o período de formação, Corupá, em Santa Catarina, ocupou um espaço particular em sua história. Foi ali, entre 1954 e 1959, que completou o ensino médio e viveu experiências que contribuíram para que José Fernandes se desprendesse do menino Zezé.

Ainda adolescente, o seminarista já demonstrava sensibilidade artística. Seu interesse pela música, porém, nem sempre encontrou espaço entre os formadores. Em determinado período, chegou a ser impedido de aprender a tocar instrumentos. Podia participar de atividades e apresentações, mas muitas vezes apenas nos bastidores.

Foi também nessa época que começou a escrever. Diante das restrições, encontrou uma maneira de continuar: criava pseudônimos e pedia a colegas que declamassem seus poemas. A música e a escrita, que naquele momento pareciam apenas inclinações pessoais, acabariam se tornando instrumentos centrais de seu ministério.

Um padre do Sagrado Coração de Jesus

Em 1963, José Fernandes foi enviado para Hales Corners, nos Estados Unidos, onde estudou Teologia e aprofundou seus conhecimentos em Comunicação e Psicologia.

Em 17 de junho de 1966, recebeu a ordenação diaconal pela imposição das mãos de dom William Cousins. Três meses depois, em 21 de setembro, foi ordenado sacerdote pelo mesmo bispo.

Para o ministério que iniciava, escolheu como lema: “Ajoelhei-me na consciência da minha pequenez, e o Senhor me ergueu pequeno, mas sacerdote para sempre”.

Sua ordenação ocorreu no ano em que o Concílio Vaticano II chegava ao fim. A Igreja atravessava um período de renovação, e Pe. Zezinho viveria seu ministério justamente nesse contexto de novas linguagens e novas formas de participação na vida eclesial.

Em 1967, retornou ao Brasil e foi destinado ao Santuário São Judas Tadeu, no Jabaquara, em São Paulo. Ali, dedicou-se especialmente aos jovens e às escolas, participando da criação da pastoral da juventude.

Foi nesse ambiente que seu modo de catequizar por meio da música, da arte e de uma linguagem próxima do cotidiano ganhou maior projeção.

O trabalho chamou a atenção da Ir. Maria Nogueira, então diretora da gravadora Paulinas. Veio o convite para uma gravação de teste. A partir dali, a música se tornaria uma das principais formas pelas quais o sacerdote comunicaria a fé.

Uma voz entre diferentes realidades

Sua produção musical percorre diferentes dimensões da experiência cristã. Há espaço para a espiritualidade, mas também para questões sociais e fraternidade. Canções como “Estou Pensando em Deus” e “Oração pela Família” convivem, em seu repertório, com composições como “Por um Pedaço de Pão” e “Mataram Mais um Irmão”.

Essa diversidade também fez com que, ao longo das décadas, suas posições fossem interpretadas de maneiras distintas. Pe. Zezinho chegou a ser alvo de classificações políticas opostas e, em determinado período, permaneceu na Espanha após ser perseguido pela ditadura ao defender o direito dos jovens ao voto.

Em meio às diferentes interpretações, uma referência marca sua trajetória: a Igreja em diálogo com a realidade do mundo, como expressa a Gaudium et Spes, constituição pastoral do Concílio Vaticano II.

Para Pe. Zezinho, comunicar a fé também significa cantar as alegrias e as dores do povo.

O retorno às origens

Aos 85 anos, o sacerdote vive atualmente no Conventinho, em Taubaté, o mesmo endereço que marcou sua infância e o despertar de sua vocação junto aos dehonianos. Depois de décadas entre viagens, palcos, estúdios, livros e programas de TV e rádio, a rotina tornou-se mais tranquila.

A atividade, no entanto, permanece: Pe. Zezinho continua compondo, escrevendo e gravando. Ao longo de 60 anos de sacerdócio, o que marca sua trajetória não é apenas o volume da obra, com cerca de 1.800 canções e mais de 120 livros, mas a forma simples como essa mensagem chegou às pessoas. Seja em orações feitas em família, em celebrações ou em salas de aula, seu repertório traduziu a fé em linguagem cotidiana e acompanhou diferentes gerações.

Ao falar sobre o envelhecimento, o sacerdote recorre à imagem do sol poente:

“Envelhecer é a fase do sol poente. A aurora é bonita, mas o poente também é rico de experiências”

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                                                                   Fonte: vaticanews.va    Foto: (@Vatican Media

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Leão XIV na catequese desta quarta-feira:

a caridade deve orientar o progresso.
Deus e o homem não são rivais

Cerca de 25 mil pessoas participaram da Audiência Geral de hoje na Praça São Pedro. Em sua catequese, o Pontífice deu prosseguimento ao ciclo sobre os documentos do Concílio Vaticano II.

Qual é o valor da atividade humana no mundo e, por conseguinte, do progresso técnico, social e científico? Esta é a pergunta que norteou a catequese desta quarta-feira do Papa Leão XIV. O Pontífice deu continuidade à análise da Constituição Pastoral Gaudium et spes do Concílio Ecumênico Vaticano II, comentando hoje o terceiro capítulo, intitulado: "A atividade humana no mundo". 

"Criado à imagem e semelhança de Deus, o ser humano é um agente de progresso. Com a liberdade e a inteligência, ele amplia os seus conhecimentos, fazendo assim progredir toda a sociedade", afirmou o Santo Padre. Isso é facilmente visível quando se consideram as melhorias nas condições de vida ao longo das sucessivas gerações. 

LEIA A CATEQUESE DO SANTO PADRE

O ser humano e Deus não são rivais, reiterou o Papa. E o progresso técnico-científico não é antagonista da fé cristã, como os humanismos pós-cristãos defenderam. 

A essas considerações, o Concílio foi claro: as vitórias do gênero humano manifestam a grandeza de Deus. Ele colocou nas mãos do homem e da mulher uma criação ainda in statu viae, ou seja, em caminho, em crescimento, para que eles a conduzam à plenitude através da sua atividade sensata.

Santificar o cotidiano

Desta perspectiva, prosseguiu o Papa, surge uma verdade importante: para encontrar Deus, o ser humano não deve abandonar as ocupações terrenas, mas pode viver plenamente a sua vocação, desempenhando bem o trabalho quotidiano e santificando-o.

E não só: para se tornar um autêntico progresso humano — isto é, de todo o homem e de todos os homens —, o progresso técnico e científico deve ser animado e orientado pela caridade. Só assim poderá estar sempre ao serviço da defesa da dignidade do homem e promover as condições de vida de todos, especialmente dos mais desfavorecidos. O Santo Padre então concluiu:

“Queridos irmãos e irmãs, o Concílio Vaticano II convida-nos a partilhar o pão do conhecimento e do saber-fazer, para que cada homem e cada povo possa desenvolver o seu potencial e, juntos, possamos construir, com a ajuda de Deus, um futuro melhor.”

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Assista: 

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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                                                                    Fonte: vaticanews.va    Foto: (@Vatican Media

Catequese com o padre Zezinho:

Você já ouviu falar em Cristologia?

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Em Nicéia, o Papa e outros líderes cristãos acabam de celebrar os 1.700 anos da declaração de que Jesus é o CRISTO prometido nas escrituras e que é mais do que um profeta judeu, mais do que um fundador de uma fé. Ele veio de Deus e é Deus de Deus, e na fé do Deus Uno e TRINO, ele é o FILHO. Veio viver entre nós!

Padre Zezinho

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SE você crê em Jesus como profeta já é um começo. Mas se você consegue crer em Jesus como Deus, e o vê como seu salvador é porque você progrediu na fé e na esperança!

Nem todos precisam de profetas, até porque o mundo está cheio de falsos profetas. Na internet há milhares deles …

Mas, além dessas pregações de rádio, TV e Internet, há uma Bíblia e nela, 27 livros entre os quais 4 evangelhos.

O que está ali alimenta qualquer alma cristã!

Os pregadores de palco, púlpito, microfone e câmera em punho, tentam interpretar estes 73 livros: 46- 27. Mas a maioria puxa para a sua maneira de crer.

Ao invés de dizer “cremos que foi assim” a maioria prega “foi exatamente assim, e se você não crê como nós você ainda não encontrou Jesus”.

JESUS dialogava e propunha adesão ao REINO DOS CÉUS, mas nunca impôs. Quem não conseguisse crer nele, ele deixava ir (Jo 6,64-68) Ele tinha e tem outras maneiras salvar uma alma! Ele mesmo disse que tinha outras ovelhas que pessoalmente ele chamaria para junto dele. A obra é dele e não dos pregadores ou catequistas. Anunciar ainda não é converter nem salvar. Quem converte de verdade é Deus. Jesus vivia dizendo isto. Existe a proposta e existe a resposta. Quem não responde ou responde errado ainda entendeu Jesus!

Todos nós precisamos de um Salvador ocasional e do Salvador de Todos.

Recentemente aqui, no Vale, um senhor dono de um comércio, infartou. Três pessoas os salvaram e os médicos e o povo do hospital ajudaram a recuperá-lo. Foram seus salvadores!

Mas o grande Salvador de todos é Jesus.

Quem estiver precisando de salvação pode contar com Jesus de Nazaré, o Cristo. A salvação dele é mais plena!

Feliz de quem consegue como em Nicéia!

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Mês da Bíblia:

o Reino de Deus jamais será destruído!

Dom Antônio Carlos Altieri - Arcebispo emérito de Passo Fundo (RS)

O Brasil atravessa um período marcado por intensas conturbações, em que as instabilidades da política interna e as pressões do cenário internacional parecem desafiar constantemente a coesão social, a paz e o horizonte de futuro da população. Diante dessa conjuntura de discursos inflamados, incertezas econômicas e transformações aceleradas, a Igreja Católica propõe para o Mês da Bíblia de 2026 o aprofundamento do Livro de Daniel.

Guiados pelo lema que assegura que o seu reino jamais será destruído, extraído da passagem de Dn 7,14, os fiéis são chamados a realizar um exercício de discernimento espiritual e social, conectando o texto bíblico com as dores e as esperanças do cotidiano do povo brasileiro.

Para compreender o alcance desse convite, é indispensável lançar o olhar sobre o passado recente da história nacional. A própria gênese da celebração anual do Mês da Bíblia, iniciada na virada da década de 1960 para 1970, deu-se no contexto de um Brasil profundamente ferido pelo autoritarismo e pela restrição das liberdades democráticas. Naquele momento de exceção, a Leitura Popular da Bíblia e a formação dos Círculos Bíblicos tornaram-se espaços fundamentais de resistência, comunhão e consciência social.

Ao longo dos últimos cinquenta a sessenta anos, o povo brasileiro aprendeu, à luz do Evangelho e dos escritos proféticos, a não ceder ao desespero e a reconhecer que a Palavra de Deus oferece critérios éticos inegociáveis para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. A trajetória das comunidades eclesiais e da animação bíblica sempre se deu em estreita sintonia com as lutas das famílias, o direito à terra, a busca por trabalho digno e a defesa incondicional dos direitos humanos. O Livro de Daniel dialoga perfeitamente com essa trajetória e com os dilemas do Brasil presente e futuro.

A narrativa apocalíptica e teológica de Daniel nasceu em uma época em que o povo de Israel, sob o domínio de grandes e prepotentes impérios, vivia sob a ameaça de ver sua fé e seus valores absorvidos pelas exigências dos dominadores. As histórias de resistência de Daniel e seus companheiros, que se recusaram a idolatrar os deuses do império e a se curvar aos decretos injustos, revelam que a verdadeira fidelidade a Deus se manifesta em gestos concretos de coerência diária. O livro lembra que os impérios humanos, por mais imponentes e ameaçadores que pareçam, possuem prazo de validade. A afirmação de que o Reino de Deus não será destruído constitui uma denúncia vívida de todas as estruturas de poder que se pretendem absolutas e uma fonte inesgotável de esperança para os pequenos e marginalizados.

Transposta para o atual contexto brasileiro, essa mensagem atinge em cheio as dinâmicas sociais da família e da vida comunitária. As famílias do país enfrentam diariamente o impacto dos vendavais políticos, o acirramento das polarizações e a degradação do debate público, realidades que muitas vezes fraturam laços de convivência e alimentam o sentimento de desamparo. O itinerário proposto pelo Mês da Bíblia convida a sociedade a erguer-se acima da superficialidade das disputas ideológicas imediatas e a refundar a ação social em princípios que resistem ao tempo. A esperança anunciada em Daniel não é uma atitude passiva ou conformista, mas uma virtude ativa que exige empenho na construção do bem comum, na defesa das instituições democráticas, no cuidado com os mais vulneráveis e no rechaço à violência.

Olhar para o futuro sob a inspiração do Mês da Bíblia significa compreender que os grandes desafios nacionais do presente exigem uma postura semelhante à de Daniel: firmeza moral, sabedoria no agir e confiança inabalável no Projeto de Deus. Assim como o itinerário bíblico alimentou a caminhada da Igreja e do povo brasileiro ao longo do último meio século em meio às transições históricas, a reflexão de 2026 reafirma que nenhuma crise social ou política é definitiva perante a soberania da vida e da justiça. No cotidiano dos lares, das paróquias e dos grupos de reflexão, a escuta atenta das Escrituras renova a certeza de que a história humana está sob o olhar e o amparo do Criador, impulsionando cada cidadão e cidadã a construir um futuro fundado na solidariedade e na esperança.

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                                                                    Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

Perguntas e respostas sobre as Diretrizes Gerais

da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032

O que são as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE)?

As Diretrizes Gerais da Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) são a expressão e fruto da unidade pastoral da Igreja no Brasil. Aprovadas por todos os bispos do Brasil, reunidos em Assembleia, elas indicam, orientam, oferecem direção para o desenvolvimento da obra característica da Igreja: Evangelizar!

Elas são elaboradas e aprovadas pelo episcopado brasileiro a partir de um processo sinodal da Igreja no Brasil. As atuais diretrizes valem para o período de 2026-2032 e foram aprovadas na 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a partir de ampla escuta às dioceses, organismos e pastorais da Igreja.

Depois de sua aprovação, elas foram editadas e lançadas pelas Edições CNBB na coleção “Documentos das CNBB” sob o número 114.

Como implementar as Diretrizes?

Após a aprovação das Diretrizes, cabe, então, a cada Igreja Local (arquidiocese, diocese ou prelazia), organismos e pastoral da Igreja considerarem cuidadosamente as DGAE nos seus processos sinodais de assembleia em vista da elaboração dos Planos Diocesanos de Pastoral. Estes devem ser a concretização das DGAE no território da Igreja Local.

O secretariado de pastoral da CNBB com suas várias comissões (ordinárias e especiais), desde 1974, elaboram Planos Bienais a partir das DGAE, garantindo assim que elas sejam – não um documento a mais – mas o guia, o mapa da ação evangelizadora de todos as forças vivas da Igreja no Brasil.

Também os organismos do Povo de Deus, as associações e irmandades, as novas comunidades, as escolas católicas, os meios de comunicação de inspiração católica e todos os entes eclesiais do Brasil devem se deter com empenho no estudo das DGAE em vista da sua aplicação nas suas respectivas atividades. Afinal, as DGAE não são apenas da CNBB, mas de toda a Igreja no Brasil.

Como responder aos desafios da Evangelização hoje?

Diante dos desafios do nosso tempo (a cultura do individualismo, a polarização que transforma o opositor em inimigo, a desinformação, os impactos ambíguos das novas tecnologias e da inteligência artificial, o descaso para com a Casa Comum e o esquecimento dos pobres), as DGAE convidam a escutar os sinais dos tempos e a interpretá-los à luz do Evangelho. Trata-se de humanizar, e não temer, a técnica; de cultivar o discernimento que distingue a verdade do erro; e de fazer da Igreja hospital de campanha e abrigo dos pequenos.

A relação com a sinodalidade é constitutiva: a Igreja tem nome de Sínodo. As DGAE assumem as três atitudes, a saber, comunhão, participação e missão, e propõem a conversão das relações, dos processos e dos vínculos. Caminhar juntos, escutar e discernir é o modo de a tenda alargar seus espaços, sustentada por estacas firmes na fé. Somos Peregrinos de Esperança, e a esperança não decepciona.

Qual a relação das diretrizes com o caminho Sinodal?

As DGAE são o principal instrumento de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade no país. Elas assumem a imagem da Igreja como tenda, a mesma proposta pelo processo do Sínodo quando apresenta a passagem “Alarga o espaço da tua tenda” (Isaías 54, 2) para expressar o espírito que deve mover a ação evangelizadora: “ser comunidade que se alarga, escuta os sinais dos tempos, faz o discernimento para a conversão pastoral e sai em missão”.

Em todo o processo de construção do texto, a CNBB assumiu uma postura sinodal com uma ampla escuta a todo o povo de Deus e com a utilização da metodologia da Conversação no Espírito pelos bispos na 61ª Assembleia Geral (2024). O documento final e o processo de aprovação das DGAE 2026-2026 foi inclusive adiado para aguardar as conclusões do Documento final do Sínodo 2021-2024 plenamente assumidos no texto.

Acolhida desse Documento Final é acompanhada, em toda a Igreja, por uma fase de implementação. No Brasil, essa etapa coincide com a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032. Por essa razão, tem-se insistido que as novas Diretrizes constituem o principal instrumento brasileiro de acolhida, recepção e concretização das intuições e orientações do Sínodo sobre a Sinodalidade.

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                                                                                                              Fonte: cnbb.org.br