Na Solenidade da
Assunção de Nossa Senhora, Leão XIV convida os fiéis a redescobrirem a
verdadeira beleza, que não está na aparência exterior, mas nos sinais de um
amor capaz de transformar e elevar. Na homilia da Missa celebrada em Castel
Gandolfo, o Pontífice alertou ainda para os padrões estéticos impostos pelo
mundo, que podem nos aprisionar “naquilo que realmente não tem valor nem dura
para sempre”.
Neste sábado, 15
de agosto, a Igreja celebra a Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem
Maria, uma das principais festividades marianas do calendário litúrgico e
também feriado nacional na Itália. Como no ano passado, o Papa Leão XIV
escolheu celebrar a data junto aos fiéis de Castel Gandolfo, cidade próxima a
Roma e local de sua residência de verão. Ali, o Pontífice presidiu à Santa
Missa na Paróquia Pontifícia de São Tomás de Villanova, que fica a poucos
metros do Palácio Pontifício.
A liturgia
recorda Maria que, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada em corpo
e alma à glória do Céu. E foi justamente a partir da imagem de Nossa Senhora da
Assunção que Leão XIV desenvolveu sua homilia, propondo uma reflexão sobre a
verdadeira beleza: aquela que não procura esconder as marcas do tempo, mas
deixa transparecer os sinais de um amor que não passa.
A verdadeira
beleza
O Papa recordou
que muitas obras de arte representam Nossa Senhora da Assunção como uma jovem
belíssima que se eleva da terra em direção ao Céu. Uma imagem que, à primeira
vista, contrasta com a experiência humana do envelhecimento e com as marcas que
os anos deixam no corpo.
“A glorificação
de Maria, em corpo e alma, ensina-nos que a nossa verdadeira beleza não
consiste em esconder os sinais do tempo que passa, mas em mostrar, impressos
também na nossa carne, os sinais do amor que não tem fim.”
A partir dessa
reflexão, Leão XIV convidou a rever os padrões estéticos impostos pelo mundo,
“predominantemente de caráter hedonista e consumista”, que correm o risco de
aprisionar as pessoas em condicionamentos e levá-las a desperdiçar energias
“naquilo que realmente não tem valor nem dura para sempre”. Para o Pontífice, a
experiência cotidiana mostra onde reside a verdadeira beleza: há pessoas cujos
rostos são marcados pelos anos e pelos sofrimentos e que, ainda assim, são
capazes de irradiar serenidade, benevolência e paz.
A beleza divina,
prosseguiu o Papa, pode ser reconhecida em todas as fases e circunstâncias da
existência: “no rosto terno de uma criança” e “nas rugas de um idoso”, na
vivacidade dos jovens, na maturidade dos adultos e também na simplicidade das
roupas e dos instrumentos de trabalho.
“É o amor o mais
belo ornamento do homem: o amor que transfigura, transforma, enobrece, eleva;
que torna leves, livres, próximos de Deus, mesmo através das vicissitudes da
vida.”
Trazer um pouco
do Céu à terra
O mistério
celebrado neste 15 de agosto, ressaltou Leão XIV, não deve ser procurado longe
da vida cotidiana. A verdadeira caridade pode ser encontrada nos olhos dos pais
que regressam cansados do trabalho, mas felizes por estar com os filhos; nos
avós que, apesar dos limites da idade, encontram uma energia inesperada ao
cuidar dos netos; e nos jovens que procuram crescer íntegros e honestos, mesmo
quando isso significa ir contra a corrente. Ela está também na vida de tantos
homens e mulheres que, “diariamente, com fé e dedicação, contribuem para trazer
um pouco do Céu à terra e levar a terra para o Céu”. E acrescentou:
“Queridos
irmãos, o belíssimo rosto de Nossa Senhora da Assunção é único, ultrapassa
qualquer representação possível. No entanto, ao mesmo tempo, é familiar: é o
rosto das pessoas que estão ao nosso lado, mesmo neste momento, dos irmãos e
irmãs com quem partilhamos, na fé, a oferta diária da nossa vida. […] Na sua
humanidade santa, pela graça de Deus, está também a nossa; lá estamos também
nós, chamados a viver a sua mesma plenitude de vida e a partilhar a sua mesma
glória.”
Ao concluir a
homilia, o Papa convidou os fiéis a seguir “a luz do Ressuscitado”, mudando de
rumo quando necessário, e a olhar para Maria, que Deus deu à humanidade como
“Mãe, guia, companheira de viagem e protetora no caminho para o Céu”.
Papa
confia a Maria todos os povos necessitados de consolação
Na Praça da
Liberdade, em Castel Gandolfo, Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus,
explicando aos fiéis as duas iconografias que nos fazem contemplar o mistério
da da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Na sequência, confiou a Maria
todos os povos necessitados de consolação
“Santa Maria,
rogai por nós!”: com esta súplica, o Papa Leão confiou todos os povos que
necessitam especialmente serem consolados e continuarem a ter esperança.
“Penso nos
irmãos e irmãs da Terra Santa, que é, por excelência, também a Terra de Maria.
Penso no povo ucraniano e no povo russo, ambos unidos pela devoção filial à
Santa Mãe de Deus. Penso nos cristãos que sofrem discriminação ou até mesmo
perseguição. Continuo rezando nestes dias pelas populações colombianas que
sofrem por causa do terremoto.”
Ao final da
oração mariana do Angelus, o Pontífice recordou que a Santíssima Maria,
assumida na glória do céu, é para todo o povo de Deus um sinal de esperança e
de consolo. Por isso, invocou sua intercessão maternal em nome daquelas
comunidades que vivem em contextos difíceis.
A
iconografia da solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Já em sua
alocução, o Pontífice recordou que esta festa tem grande importância, seja para
a teologia católica, seja para a devoção popular. Para contemplar este mistério
da fé, o Papa recorreu a dois modelos iconográficos. O primeiro, o mais antigo,
que foi o único durante quase um milênio, é o da “dormição” da Mãe de Deus: ela
aparece deitada num catafalco, adormecida na morte; à sua volta estão os
Apóstolos, que a veneram comovidos em oração; no centro, de pé, está Jesus
ressuscitado, que segura nos braços a alma de Maria, como uma criança
recém-nascida. Ele veio buscá-la para a levar consigo para a glória de Deus.
Este primeiro
modelo realça a verdade central: é Cristo, morto e ressuscitado, que nos conduz
à meta para a qual estamos desde sempre destinados, a vida eterna. É isto que
gerações e gerações de fiéis contemplaram ao rezarem perante os ícones da
Dormição.
Corpo
glorificado da Virgem
A iconografia
mais recente, que se desenvolveu posteriormente no Ocidente, mostra, por sua
vez, a Virgem Maria de corpo inteiro, no céu, envolta de luz, frequentemente
rodeada por anjos e santos. Aqui, no centro, encontra-se o corpo glorificado da
Virgem, em consonância com o que se lê no Livro do Apocalipse: «Apareceu no céu
um grande sinal: uma Mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma
coroa de doze estrelas na cabeça» (Ap 12, 1).
Alguns artistas
combinaram os dois esquemas, representando, na parte superior, a Virgem
gloriosa e, na parte inferior, o seu túmulo vazio, frequentemente repleto de
flores multicoloridas, e os Apóstolos com o olhar voltado para ela, no céu.
Este segundo
modelo realça a verdade de que Maria foi elevada em corpo e alma, ou seja, na
integridade da sua pessoa. Aquela mulher que, na terra, deu corpo e sangue ao
Verbo encarnado e o seguiu até à união perfeita no sacrifício de amor, foi por
Ele atraída para sempre à glória.
Para o Santo
Padre, esta iconografia permite contemplar o nosso destino último: "A
plenitude de vida, que hoje admiramos com alegria em Maria, espera-nos também a
nós, no fim dos tempos, quando, como diz São Paulo, Cristo Ressuscitado
«transfigurará o nosso pobre corpo, conformando-o ao seu corpo
glorioso», revestindo o que é corruptível de incorruptibilidade e o que é
mortal de imortalidade. Então, com a nossa carne transformada pelo amor do
Redentor, viveremos eternamente, na festa sem fim. Louvemos o Senhor, que fez
grandes coisas na sua e nossa Santíssima Mãe!".
Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas (Ap 11,19a)
Nossa viagem através do tempo
Nossa vida pode se comparar a uma viagem através do tempo. Entre o nascer e o morrer atravessamos planícies, escalamos montanhas, andamos com facilidade no terreno plano e, com o tempo, as pessoas nos sugerem delicadamente o uso de uma bengala ou nos oferecem o braço. Colocamos gestos, tomamos decisões, acertamos e erramos. E tudo passa. Não conseguimos reter essa sucessão de coisas, de estados interiores, esse incessante fluir. Tudo tem perfume de caducidade.
Ao longo do tempo que passa vamos modelando nosso semblante interior, nosso verdadeiro rosto. Não somos donos do tempo. Temos a graça de viver no tempo. E há tempo para tudo, como diz o Eclesiastes: tempo para rir e para chorar, tempo para trabalhar e descansar, tempo pra viver e tempo para morrer.
A impressão que temos é que Na estrada percorrida houve tempos fortes, belos, fecundos que deixaram marcas para sempre. De outro lado, também, houve tempos mortos. Permanece para sempre o bem que foi sendo feito. Terrível pensar nesses tempos vazios, tempos que nos ocupamos demais de nós mesmos, tempo em que não fizemos questão de marcar ou aceitar os toques do Senhor, tempo marcado pelo dilaceramento do pecado.
Hoje, solenidade da Assunção de Maria à glória, Maria, a cheia de graça, o tabernáculo do Senhor, comemoramos o tempo de Maria que se transformou em eternidade. Claro, ela também vivera sob o signo do efêmero e transitório. Vicissitudes, tempo de menina moça, promessa de casamento, a visita do anjo, o menino que nasceu nas palhas e toda a sua trajetória até o momento de sua dormição. Nasceu ela num cantinho do Oriente Médio: cuidados com as coisas de todos os dias, o pão que precisava ser assado, o cântaro para buscar água poço, a conversa com as vizinhas sobre coisas que se passavam aldeia, ramalhete de preocupações e sofrimentos, buquê de alegrias, horas cinzentas e momentos doloridos como todos vivemos.
Mas com Maria acontece alguma coisa diferente daquilo que conosco sucede. Em seu caminhar, por graça de Deus, ela não conheceu a tragédia do pecado, essa fissura interior, esse desejo contrariado de fazer o bem, mas de efetivamente fazer o mal. Maria não conheceu o drama do pecado. De nada teve que se arrepender, de renegar o que quer que seja de seu passado. Quando terminou sua carreira estava pronta para entrar na glória. Maria não conheceu tempos mortos.
Fixando nosso olhar nessa mulher agraciada divisamos aquela na qual o Senhor opera maravilhas, fiel serva do Senhor que levava para o fundo dos corações tudo que lhe era anunciado, aquela que teve sua vida profundamente vinculada a de Jesus, a segunda pessoa da Trindade que tomou nossa carne na carne de Maria. Dele, desse Deus encarnado, ela fora mãe. Em tudo acompanhou o Filho e teve como ápice desse acompanhamento o estar ao pé da cruz. Ela não conheceu o pecado e por privilégio, ao terminar sua peregrinação foi elevada à glória.
Maria é a porteira da glória. Está nos espaços espirituais que designamos de céu. Seu nome é Maria da Glória, Maria do face-a-face eterno. Nós que não fomos poupados do pecado, mas resgatados pelo filho de Virgem, por sua paixão, morte e ressurreição somos também destinados à mesma glória que Maria.
Pio XII, no dia 1° de novembro de 1950 declarou como verdade de fé assunção da Virgem: “Desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, Imaculada na concepção, virgem completamente intacta na divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor que obteve pleno triunfo sobre o pecado e suas consequências, ela alcançou ser guardada imune da corrupção do sepulcro como suprema coroa de seus privilégios, Semelhantemente a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à pátria celeste, onde, rainha, refulge à direita de seu Filho, o Imortal, rei dos séculos”.
FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.
O Papa responde a um casal de brasileiros em lua de mel
Yago e Danielly são mineiros de Divinópolis e participaram da bênção dos recém-casados na Audiência Geral desta quarta-feira (12/08) com Leão XIV. Eles foram surpreendidos com a atenção do Pontífice ao responder à pergunta sobre o sonho de construir uma família santa: "coloquem tudo nas mãos de Deus. Rezem muito: o rosário, a santa missa, os sacramentos. E muita paciência entre vocês", disse o Papa ao aconselhar os jovens brasileiros na Basílica de São Pedro extensivo a casais do mundo inteiro.
“Coloquem tudo nas mãos de Deus. Rezem muito: o rosário, a santa missa, os sacramentos. E muita paciência entre vocês.”
Esse foi o conselho simples e prático dado a um jovem casal brasileiro ao final da Audiência Geral desta quarta-feira (12/08), na Basílica de São Pedro, quando Yago Barbosa Moreira questionou o Papa sobre "como ser uma família santa". Pouco tempo antes da pergunta, porém, ele conta das incertezas sobre o que dizer ao estar diante do próprio Pontífice:
"Naquele momento, quando ele estava vindo, cumprimentando a gente, só vinha uma pergunta: o que eu posso perguntar? E, pra mim, a pergunta que me vinha mais no meu coração era isso: o meu maior desejo do coração é ter uma família santa. Então eu vou perguntar isso pra ele. Aí eu fiquei treinando em italiano. Como que eu pergunto isso? Eu falo até meio travado assim, porque eu queria perguntar em italiano pra que ele pudesse entender. E foi mágico ver ele olhando meus olhos, respondendo essa pergunta. Eu achei que meu coração ia parar ali, naquele momento!"
Do pão de mel à vaquinha dos amigos para encontrar o Papa
Membros da Comunidade Sacramento de Amor, Yago, de 30 anos, e Danielly Cristina de Faria, de 29 anos, são naturais de Divinópolis/MG, casaram-se em 1º de agosto na Igreja Nossa Senhora da Guia e a viagem à Itália é de lua de mel. Para realizar o sonho do casal de vir ao Vaticano para receber a bênção dos recém-casados do Papa Leão XIV, foram meses de economia, além da generosidade de amigos. E não só: para ajudar nas despesas, inclusive nos gastos do casamento, Yago, que trabalha com abordagem social na sua cidade de origem, vendeu pães de mel pelas ruas, que vinham com mensagens de evangelização e de divulgação da Novena do Abandono. A iniciativa voluntária gerou apenas um quarto do valor da viagem, mas junto a uma "megavaquinha" dos amigos, o casal conseguiu fazer então a viagem de uma semana para Itália com parada obrigatória na Basílica de São Pedro, com a experiência de encontrar o Papa, como explica Danielly:
"Com a graça de Deus queríamos conversar com ele: uma palavra, uma frase, aquilo que ele dissesse, que iria edificar o nosso coração, iria edificar o nosso matrimônio. E valeu muito a pena! Valeu muito a pena a viagem, a visita, algo sobrenatural mesmo, muito, muito além do que a gente podia imaginar ou sonhar."
"Esperança na santidade acima de tudo"
De fato, acrescenta Yago, "estar diante do Papa e pegar na sua mão, foi o entendimento que o amor de Deus é verdadeiro, e que não há nada que nos impeça de conquistar os nossos sonhos, sendo o maior deles a santidade e o Céu". O sentimento do casal agora é de gratidão aos amigos e a Deus pelo "carinho e pela sua providência", e pela oportunidade de compartilhar com outros jovens casais o conselho do Papa para construir uma família santa:
"Deus comprovou de novo o grande amor na sua providência, no seu carinho, é mais do que a gente merece, a gente não merece essas coisas, essas graças, mas Deus é maravilhoso. E às vezes a mensagem que eu posso deixar é de sonhar alto e grande, sonhar principalmente com o Céu, com um sonho sobrenatural. O desejo de ser santo não é algo que não é tangível. Tipo assim, se não era possível a gente vir no Vaticano conhecer o Papa, a gente achava impossível e Deus nos concedeu essa graça, então, as graças espirituais também são superpossíveis. Da mesma maneira que Deus deu uma viagem para Roma, Deus pode nos conceder a graça de sermos santos e ter uma família santa, como foi a pergunta para o Papa. Então é isso: esperança na santidade acima de tudo."
Na carta enviada
ao cardeal Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos
Sacramentos, por ocasião do encontro que ocorre de 14 a 19 de agosto na abadia
beneditina de Mount Angel, em Oregon, nos Estados Unidos, para refletir sobre as
diretrizes traçadas pela Carta Apostólica do Papa Francisco "Desiderio
desideravi", Leão XIV incentiva iniciativas para que todo o povo de Deus
seja formado na liturgia e na 'ars celebrandi'. A preparação dos sacerdotes é
prioritária.
Para garantir
uma “formação litúrgica em todos os níveis” na Igreja, é necessário “explorar
caminhos concretos”. É o que escreve o Papa na carta dirigida ao cardeal Arthur
Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos
Sacramentos, na qual dirige uma mensagem a cardeais, bispos e leigos, de
diversas origens e experiências eclesiais, reunidos a partir desta sexta-feira,
14 de agosto, até a próxima quarta-feira (19/08), na abadia beneditina de
Mount Angel, em Oregon, nos Estados Unidos, para uma reflexão conjunta
sobre a formação litúrgica do povo de Deus. O encontro foi organizado para
aprofundar as considerações que surgiram na última assembleia plenária do
Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, realizada de 6 a
9 de fevereiro de 2024, justamente sobre o tema, retomado pelo Papa Francisco
na Carta Apostólica Desiderio desideravi.
Promover uma
formação adequada na liturgia
Referindo-se ao
documento do seu predecessor, Leão XIV reitera “a necessidade de uma formação
atenta e contínua, tanto do clero como dos leigos, a fim de revitalizar a vida
litúrgica da Igreja universal”, mas ressalta que a formação dos presbíteros é
prioritária, pois a eles cabe a tarefa de “tomar os fiéis pela mão e
acompanhá-los no conhecimento dos santos mistérios”. “As primeiras
oportunidades práticas de formação litúrgica ocorrem na nossa prática regular
de nos reunirmos todos os domingos para celebrar a Eucaristia”, destaca o Papa,
acrescentando que as missas dominicais “estão ancoradas no ritmo anual do ano
litúrgico, tendo no seu centro o Mistério Pascal”, e por isso devem ser
“profundamente formativas”. Deve-se, portanto, promover “uma compreensão cada
vez mais profunda da ars celebrandi, expressa não apenas pelo celebrante
da liturgia, mas também por toda a assembleia”. Assim, com “uma educação
adequada e um culto celebrado, os católicos serão formados para a liturgia como
pela liturgia”.
Seguir os textos
aprovados
O Pontífice
também recomendou, “a fim de promover a celebração digna dos santos mistérios”,
a necessária “fidelidade aos textos e às instruções aprovados”. Daí o convite a
todos aqueles que “são chamados a preparar a celebração dos mistérios divinos,
e em particular” aos “sacerdotes”, já dirigido nas “recentes catequeses sobre
a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum
concilium”, a respeitar “os ritos promulgados pelo Papa São Paulo VI e pelo
Papa São João Paulo II”, com uma “atitude interior de abertura e confiança em
Deus”, que exige “humildade diante da sua grandeza e sincera fidelidade à
comunhão eclesial”.
Um discernimento
espiritual
Os encontros na
Abadia de Mount Angel pretendem ser uma forma de dialogar em um contexto de
oração, de se deixar “formar pela liturgia”, como exorta a Desiderio
desideravi, e de refletir em conjunto a fim de chegar à definição de propostas
compartilhadas, concretas e operacionais. Em um comunicado, o Dicastério para o
Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos explica que a iniciativa foi
concebida, não tanto como um congresso de estudos, mas como “um tempo de
discernimento espiritual sobre o tema da formação litúrgica, para prosseguir no
caminho traçado pela Sacrosanctum Concilium”. Na carta endereçada ao
cardeal Roche, Leão a confia a “Maria, Sede da Sabedoria” e concede a todos a
bênção apostólica.
Abriu-se o Templo de Deus que está no céu e apareceu no Templo a Arca da Aliança. Então apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.
Então apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O Dragão parou diante da Mulher, que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu Filho, logo que nascesse. E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. A Mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar.
Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo”.
— À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir.
— À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de Ofir.
— As filhas de reis vêm ao vosso encontro,/ e à vossa direita se encontra a rainha/ com veste esplendente de ouro de Ofir.
— Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:/ “Esquecei vosso povo e a casa paterna!/ Que o Rei se encante com vossa beleza!/ Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!
— Entre cantos de festa e com grande alegria,/ ingressam, então, no palácio real”.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.
A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força. Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Com efeito, “Deus pôs tudo debaixo de seus pés”.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas
Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, às pressas, a uma cidade da Judéia. Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Com um grande grito exclamou: «Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu.»
Então Maria disse: «Minha alma proclama a grandeza do Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Doravante todas as gerações me felicitarão, porque o Todo-poderoso realizou grandes obras em meu favor: seu nome é santo, e sua misericórdia chega aos que o temem, de geração em geração.
Ele realiza proezas com seu braço: dispersa os soberbos de coração, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias. Socorre Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, – conforme prometera aos nossos pais – em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre.» Maria ficou três meses com Isabel; e depois voltou para casa.
Em 1950, o Papa Pio XII definiu a Assunção de Maria como dogma, ou seja, como ponto referencial de sua fé. Maria, no fim de sua vida, foi acolhida por Deus no céu “com corpo e alma”, ou seja, coroada plena e definitivamente com a glória que Deus preparou para os seus santos. Assim como ela foi a primeira a servir Cristo na fé, ela é a primeira a participar na plenitude de sua glória, a “perfeitissimamente redimida”. Maria foi acolhida completamente no céu porque ela acolheu o Céu nela – inseparavelmente.
O evangelho de hoje é o Magnificat de Maria, resumo da obra de Deus com ela e em torno dela. Humilde serva – nem tinha sequer o status de mulher casada -, ela foi “exaltada” por Deus, para ser mãe do Salvador e participar de sua glória, pois o amor verdadeiro une para sempre. Sua grandeza não vem do valor que a sociedade lhe confere, mas da maravilha que Deus opera nela. Um diálogo de amor entre Deus e a moça de Nazaré: ao convite de Deus responde o “sim” de Maria, e à doação de Maria na maternidade e no seguimento de Jesus, responde o grande “sim” de Deus, a glorificação de sua serva. Em Maria, Deus tem espaço para operar maravilhas. Em compensação, os que estão cheios de si mesmos não deixam Deus agir e, por isso, são despedidos de mãos vazias, pelo menos no que diz respeito às coisas de Deus. O filho de Maria coloca na sombra os poderosos deste mundo, pois enquanto estes oprimem, ele salva de verdade.
Essa maravilha, só é possível porque Maria não está cheia de si mesma, como os que confiam no seu dinheiro e seu status. Ela é serva, está a serviço – como costumam fazer os pobres – e, por isso, sabe colaborar com as maravilhas de Deus. Sabe doar-se, entregar-se àquilo que é maior que sua própria pessoa. A grandeza do pobre é que ele se dispõe para ser servo de Deus, superando todas as servidões humanas. Mas, para que seu serviço seja grandeza, tem que saber decidir a quem serve: a Deus ou aos que se arrogam injustamente o poder sobre seus semelhantes. Consciente de sua opção, o pobre realizará coisas que os ricos, presos na sua auto-suficiência, não realizam: a radical doação aos outros, a simplicidade, a generosidade sem cálculo, a solidariedade, a criação de um homem novo para um mundo novo, um mundo de Deus.
A vida de Maria, a “serva”, assemelha-se à do “servo”, Jesus, “exaltado” por Deus por causa de sua fidelidade até a morte (Fl 2,6-11). O amor torna semelhantes as pessoas. Também a glória. Em Maria realiza-se, desde o fim de sua vida na terra, o que Paulo descreve na 2ª leitura: a entrada dos que pertencem a Cristo na vida gloriosa do pai, uma vez que o Filho venceu a morte.
PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.
Falar sobre os
Proclamadores da Palavra é falar sobre a Liturgia da Palavra. Para conversarmos
sobre o Ministério dos Proclamadores da Palavra, usaremos, neste artigo, dois
documentos: 1) Instrução Geral do Missal Romano (IGMR); 2) Introdução ao
Lecionário (IL).
A Instrução
Geral do Missal Romano, retomando a Sacrosanctum Concilium diz: “Quando, na
Igreja, lê-se a Sagrada Escritura, é o próprio Deus quem fala ao seu povo, é
Cristo, presente na sua palavra, quem anuncia o Evangelho” (IGMR, 29).
A primeira
disposição do Proclamador da Palavra deve ser a de silêncio para ouvir e
acolher essa Palavra. É Deus quem se dirige ao proclamador e a toda assembleia.
Por isso, mesmo ao fim da leitura, diz-se: “Palavra do Senhor”. E a assembleia
responde: “Graças a Deus!”. No Evangelho, quando ouvimos Palavra da Salvação,
respondemos: “Glória a vós Senhor”; glorificando o Cristo que falou.
Só passamos à
mesa da Eucaristia se nos detivemos a ouvir a Palavra de Deus. Na Liturgia da
Palavra, o leitor empresta sua voz para que Deus fale. Para isso, a leitura
deve ser proclamada com calma e prontidão de alma. Olhe bem: a leitura será
proclamada e não lida. Lemos muitas coisas, mas a proclamação exige uma
preparação espiritual. Não é qualquer coisa que será lida. Não! É a Palavra de
Deus que será proclamada. Deus falará por meio da voz do leitor.
Anúncio da
Palavra
Ao ler é preciso
comunicar a Palavra de Deus, é uma leitura anúncio de salvação para quem ouve.
Se você foi chamado para proclamar a Palavra, comece a se preparar uma semana
antes, para que a Palavra saia do livro e entre no seu coração.
A Liturgia da
Palavra deve ser celebrada de tal modo que favoreça a oração: “A liturgia da
palavra deve ser celebrada de modo a favorecer a meditação. Deve, por isso,
evitar-se completamente qualquer forma de pressa que impeça o recolhimento.
Haja nela também breves momentos de silêncio, adaptados à assembleia reunida,
nos quais, com a ajuda do Espírito Santo, a Palavra de Deus possa ser
interiorizada e se prepare a resposta pela oração. Pode ser oportuno observar
esses momentos de silêncio depois da primeira e da segunda leitura e, por fim,
após a homilia” (Instrução Geral do Missal Romano, 56).
Quem vai
proclamar a Palavra espere que a assembleia se assente e se acalme. Não é
preciso pressa. Que bom quando o grupo de canto entoa uma música suave, que
ajude a assembleia a silenciar-se! Não pode ser um canto agitado, mas algo
simples que fale ao coração. Dessa maneira, a assembleia pode ouvir melhor a
Palavra, sem pressa, sem rumores, no silêncio. Os microfones já deverão ter
sido testados antes. O leitor deverá saber onde liga. Nada de ficar assoprando
o microfone ou dando tapinhas para ver se está ligado. Não! Isso dispersa.
Querido leitor,
nunca suba à Mesa da Palavra (ambão), levando um folhetinho, um livrinho de
onde você irá ler. A Palavra é proclamada do Livro da Palavra, do lecionário. O
folheto, o subsídio que você usou para preparar a leitura é importante antes de
começar a celebração, mas ele deve ficar em casa. Chegue antes na Igreja, pegue
o lecionário, localize onde está a leitura, verifique se está certa, para que,
na hora, você não fique perdido. Proclame com calma, sem gritar, sem pressa,
favorecendo a meditação. Respeite a pontuação, faça as pausas necessárias.
Mergulhe no texto. Interprete as palavras, dê vida ao texto bíblico.
A Palavra
precisa cair no coração das pessoas. Elas precisam criar gosto pela Palavra. Se
a assembleia se prepara com o silêncio para ouvi-la, e se você leitor
preparou-se bem ao longo da semana, deixe que o Espírito Santo conduza a sua
leitura.