quinta-feira, 30 de julho de 2026

Leão XIV em entrevista às emissoras NBC e Telemundo:

amo dos EUA
a liberdade e o acolhimento de pessoas do mundo inteiro

Em entrevista às emissoras NBC e Telemundo, o Papa exorta os migrantes a não perderem a esperança, destacando a beleza que nasce da superação das diferenças e do reconhecimento da riqueza de cada ser humano. O Pontífice também manifesta o desejo de visitar os Estados Unidos e reafirma seu papel como pastor da Igreja universal, a serviço das pessoas de todo o mundo.

O sentido de liberdade, das oportunidades e o fato de, ao longo das gerações, ter acolhido pessoas vindas de todas as partes do mundo para fazerem parte de uma única nação. Esse é o aspecto mais profundo dos Estados Unidos da América que mais toca o coração do Papa Leão XIV, como emerge da entrevista concedida às emissoras NBC e Telemundo ao término do encontro de oração Cântico de Paz, realizado nesta quarta-feira, 29 de julho, no Borgo Laudato si', nos Jardins Pontifícios de Castel Gandolfo, acompanhado pelas vozes de Andrea Bocelli e do coro ABF Voices. O Pontífice também manifestou o desejo de visitar seu país natal e voltou a abordar a questão dos migrantes, exortando-os a não perderem a esperança e a viverem “de maneira ordenada”. 

As crianças podem ensinar muito

Crianças provenientes de diferentes partes do mundo e pertencentes a diversas religiões, unidas pela beleza do canto e da música. O cenário proporcionado pelo Cântico de Paz representou, na visão do Papa, um convite a “olhar além” e a reconhecer a beleza que nasce — e da qual todos podem participar — “quando deixamos de lado algumas diferenças e reconhecemos a riqueza representada por cada ser humano, todos criados à imagem de Deus”. Leão XIV recordou ainda alguns trechos das orações recitadas pelas crianças, que dirigiam aos adultos uma pergunta tão simples quanto desarmante: “Por que existe a guerra e não a paz? Por que existe o ódio e não o amor?”.

“Acredito que as crianças podem nos ensinar muito e que precisamos redescobrir os valores, o tesouro que existe no ser humano, no fato de sermos todos irmãos e irmãs, percebendo que todos podemos realmente participar de uma sociedade que ama a paz, que busca a paz, que acolhe uns aos outros apesar das diferenças. Se todos trabalharmos para construir a paz, poderemos superar tantas situações que geram conflito e ódio.”

Primeiro Papa americano

A entrevista volta-se, em seguida, para a importância de Robert Francis Prevost ser o primeiro Pontífice proveniente dos Estados Unidos. Diante dessa consideração, o Bispo de Roma faz uma ressalva: “Penso em mim antes de tudo como o Papa que, apenas por circunstância, é americano.” Não se trata de diminuir o valor de sua pátria, pela qual o Pontífice afirma nutrir “um grande amor”, mas de reafirmar sua missão como “pastor da Igreja universal”, com uma voz e uma oportunidade de diálogo voltadas ao mundo inteiro.

“Por isso coloco as coisas nessa ordem e, ao mesmo tempo, reconheço que, tanto para mim quanto para o povo dos Estados Unidos, a julgar pela reação que vimos desde 8 de maio do ano passado, ser o primeiro Papa americano tem um grande significado.”

O sentido de liberdade e de oportunidade

Questionado sobre aquilo de que mais ama nos Estados Unidos, Leão XIV revela apreciar sobretudo os princípios que o país representa.

“Aquilo que a América representa: o sentido de liberdade, o sentido de oportunidade, o fato de, por gerações, ter convidado pessoas de todas as partes do mundo a fazerem parte da América.”

A riqueza dos Estados Unidos

O próprio Prevost recorda que, por parte dos avós, descende de uma família de imigrantes, enquanto, pelo lado materno, “há pessoas que foram tanto escravizadas quanto proprietárias de escravos”.

“A história (americana) de crescimento, e esse tipo de experiência, ajudam-me a reconhecê-la como uma das maiores riquezas dos Estados Unidos. E continuo a defender os princípios que, por tantos anos, fizeram parte do que significa ser americano. E isso continuará assim.”

“Vocês me verão lá”

Durante seu pontificado, Leão XIV dirigiu numerosas mensagens a diferentes realidades de seu país. Questionado sobre uma possível visita aos Estados Unidos, o Papa não escondeu o desejo de ir pessoalmente, para testemunhar com ainda “maior força” seu compromisso em favor da paz, do amor e do esforço comum para construir a harmonia.

“Vocês me verão lá. Por coincidência, justamente hoje estávamos olhando o calendário para os próximos dois anos. Ainda não há nada definitivo, mas espero sinceramente poder ir em breve.”

Que os migrantes tenham esperança

O pensamento conclusivo do Pontífice foi dirigido aos migrantes.

“Tenham esperança. Procurem, certamente, viver de maneira ordenada. É preciso reconhecer que, se alguém cometeu delitos ou crimes, não se pode construir uma sociedade dessa forma. Portanto, devemos aprender a viver em paz, mas também precisamos ter coragem e esperança, que sempre nos sustentem.”

Edoardo Giribaldi – Vatican News

____________________________________________________________________
  Fonte: vaticanews.va     Foto: (@Vatican Media

O secretário-executivo de Campanhas da CNBB, Pe. Jean Poul Hansen:

Planejamento pastoral
deve priorizar processos, sinodalidade e abertura ao Espírito

O secretário-executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Jean Poul Hansen, conduziu, nesta sexta-feira, 24 de julho, a conferência de encerramento do Encontro de Coordenadores de Pastoral, promovido pela CNBB, com uma reflexão sobre o planejamento pastoral à luz das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032.

Em sua exposição, intitulada “Planejamento pastoral e orientações práticas”, o sacerdote apresentou critérios e caminhos para que dioceses, regionais e paróquias elaborem seus planos pastorais em sintonia com as novas Diretrizes, destacando que o planejamento deve ser compreendido como um processo de discernimento comunitário e não apenas como a elaboração de um documento.

Logo no início da conferência, padre Jean Poul recordou uma reflexão do então padre José Tolentino de Mendonça, hoje cardeal: “É urgente passar de uma pastoral de eventos a uma pastoral de processos. E os eventos só são bem-vindos quando fazem parte dos processos”. A partir dessa provocação, afirmou que assembleias, encontros e iniciativas pastorais precisam ser compreendidos como etapas de um caminho contínuo de escuta, discernimento e participação, evitando que se reduzam a acontecimentos isolados.

Planejamento faz parte da história da Igreja no Brasil

Ao apresentar a primeira das 15 orientações, padre Jean Poul destacou que o planejamento pastoral integra a história da Igreja no Brasil há mais de um século. Recordou iniciativas como a Carta Pastoral Coletiva dos Bispos do Brasil e as Constituições Eclesiásticas de 1916, passando pelo Plano de Emergência de 1962, pelo Plano de Pastoral de Conjunto e pela evolução das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral até as atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.

Segundo ele, conhecer esse percurso ajuda a compreender que o planejamento pastoral não representa uma novidade, mas uma tradição consolidada da Igreja no país.

Prioridades e abertura ao Espírito

Entre as orientações apresentadas, padre Jean Poul explicou que planejar significa eleger prioridades, sem abandonar as demais ações pastorais. Para ele, estabelecer prioridades é direcionar os melhores recursos humanos, financeiros e materiais para determinados desafios, mantendo vivas todas as dimensões da ação evangelizadora.

O sacerdote também alertou para o risco de transformar os planos pastorais em “camisas de força”. Segundo ele, os processos de planejamento devem permanecer abertos à ação do Espírito Santo, favorecendo a capacidade de discernir os sinais dos tempos e responder aos novos desafios da missão da Igreja.

Os processos são mais importantes que os resultados

Outro ponto enfatizado foi a centralidade dos processos sinodais. Padre Jean Poul afirmou que assembleias pastorais, conselhos e espaços de participação precisam ser vividos como experiências de escuta, oração, discernimento e comunhão.

Na avaliação do assessor, são esses processos que formam os agentes de pastoral e fortalecem a vida das comunidades, enquanto o plano pastoral constitui apenas o registro do caminho percorrido. Por isso, insistiu na importância de cuidar da espiritualidade e da mística das assembleias, valorizando não apenas as decisões finais, mas todo o percurso realizado.

DGAE inspiram os planos diocesanos

Ao tratar da relação entre as Diretrizes Gerais e os planos das dioceses, padre Jean Poul explicou que as DGAE não devem ser simplesmente reproduzidas nos documentos locais. Conforme destacou, cabe às dioceses elaborar seus próprios planos em sintonia com as orientações da Conferência, considerando a realidade de cada território.

Nesse sentido, recordou que a CNBB oferece Diretrizes Gerais; as dioceses elaboram os planos pastorais; e as paróquias realizam o planejamento para colocar essas prioridades em prática na realidade local.

Sinodalidade, missão e avaliação permanente

Entre as demais orientações apresentadas, o secretário-executivo defendeu que os processos de planejamento sejam marcados por ampla escuta, discernimento comunitário e participação efetiva das diversas forças pastorais e dos diferentes territórios das dioceses. Também ressaltou que os planos precisam ultrapassar uma lógica de conservação e voltar-se para a missão, olhando especialmente para aqueles que estão distantes da vida eclesial.

Padre Jean Poul ainda recomendou que os planos contemplem mecanismos permanentes de avaliação participativa, com objetivos concretos e realistas, permitindo acompanhar o caminho percorrido e promover os ajustes necessários ao longo da implementação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.

Encerrando sua reflexão, convidou os participantes a compreenderem o planejamento pastoral como um instrumento a serviço da construção do Reino de Deus já no presente, inspirando comunidades cada vez mais missionárias, sinodais e comprometidas com a evangelização.

Conheça as 15 orientações práticas citadas pelo Pe. Jean Poul

1. O planejamento pastoral faz parte da história da igreja no Brasil;

2. Planejar é eleger prioridades;

3. Não construir camisas de força, mas espaços de abertura ao Espírito;

4. Os processos (assembleias) são mais importantes que os resultados (planos);

5. Não tente colocar as DGAE dentro dos Planos Diocesanos de Pastoral, mas coloque o Plano Diocesano na sintonia/ frequência das DGAE;

6. A Conferência oferece Diretrizes Gerais; a diocese faz plano; a paróquia faz planejamento.

7. Realizem verdadeiras experiências sinodais, de escuta ampla e discernimento comunitário;

8. Contemplem forças e territórios;

9. Não fazer planos ad intra, apenas para a ovelha que está no redil. É preciso buscar as 99 ovelhas que estão perdidas, fora do redil;

10. Pensar na presença pública da igreja: ela serve ao mundo;

11. Não se ocupar em responder perguntas que ninguém fez/faz. Escutar as reais questões das pessoas e sociedades;

12. Contemplar, no plano, mecanismos regulares de avaliação participativa, a partir dos objetivos estabelecidos – que sejam realistas!;

13. Plano de Pastoral ou Plano de Ação Evangelizadora? Coordenador de Pastoral ou Coordenador da Ação Evangelizadora?

14. Os caminhos da missão são prioridades, não são estruturas;

15. Apontar o Reino como fim escatológico e não apenas o Céu. 

Por Larissa Carvalho

_____________________________________________________________________
  Fonte: cnbb.org.br

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

Horários de missa e outros eventos
_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

Dia 30 - Quinta-feira

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Celebração nas comunidades Pedra Branca e Santa Luzia (Bela Vista)

_________________________________________________________________________________

Dia 31 - Sexta-feira

6h - Oração das Mil misericórdias na matriz

15h - Missa no Asilo São Vicente de Paulo

19h - Celebração na Casa de Oração Mãe da Obediência e nas comunidades das Andorinhas e dos Coqueiros

19h - Grupo de oração Maranathá na capela da Soledade

__________________________________________________________________________________

Dia 1º de agosto - Sábado

19h -  Missa na matriz

19h -  Celebração na comunidade São Francisco

__________________________________________________________________________________

Dia 2 - 18º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz

__________________________________________________________________________________

Papa em concerto nesta noite:

a beleza da música conduz
ao encontro com Deus, "Aquele que é a própria Beleza"

Ao retornar a Castel Gandolfo na noite desta quarta-feira, 29 de julho, para um concerto promovido pela Andrea Bocelli Foundation, Leão XIV encontrou crianças e jovens de Uganda, da Terra Santa e da Itália e destacou que a música é capaz de unir diferentes povos e culturas, despertando no coração humano o desejo de encontrar Deus. O Pontífice também fez um apelo pela paz e agradeceu à fundação pelo trabalho desenvolvido em favor de jovens em situação de vulnerabilidade.

O Papa Leão XIV voltou a Castel Gandolfo na noite desta quarta-feira, 29 de julho, para participar do concerto Cântico de Paz, promovido pela Andrea Bocelli Foundation no Borgo Laudato Si'. A iniciativa reuniu o tenor italiano Andrea Bocelli e o coro ABF Voices, formado por 164 crianças e jovens da Terra Santa, de Uganda e da Itália, e integrou as celebrações pelos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, propondo um itinerário artístico e espiritual inspirado no Cântico das Criaturas e na mensagem de paz do Pobrezinho de Assis. Ao longo da noite, cerca de sete apresentações musicais e momentos de reflexão alternaram-se com leituras da Sagrada Escritura, da oração atribuída a São Francisco, da encíclica Fratelli tutti, do Papa Francisco, e de textos de São Paulo VI e São João Paulo II sobre a paz.

A música une

Ao saudar os participantes, o Pontífice agradeceu o empenho dos jovens e dos regentes na preparação do recital e ressaltou que a música manifesta, de maneira singular, a beleza da unidade: "A música tem a extraordinária capacidade de unir diferentes vozes em uma única harmonia, na qual cada uma contribui com algo único para o conjunto. Nesse sentido, o coro torna-se um símbolo ideal de harmonia e cooperação." Inspirando-se na tradição da Igreja, Leão XIV recordou que a Sagrada Escritura e a Liturgia falam dos "coros dos anjos e dos santos" para descrever a alegria do Céu. Segundo o Papa, essa imagem revela que a verdadeira felicidade nasce da comunhão com Deus.

A beleza conduz ao encontro com Deus

Dirigindo-se especialmente aos jovens, o Santo Padre explicou que a experiência da beleza desperta no coração humano o desejo de buscar um horizonte maior, capaz de conduzir ao encontro do Criador. Segundo o Pontífice, quando a pessoa se deixa guiar por essa beleza, descobre não apenas algo, mas Alguém: "A beleza da música nos convida a encontrar Aquele que é a própria Beleza".  O Papa também exortou os presentes a cultivarem os dons recebidos de Deus e a colocá-los a serviço do bem: "continuem cultivando os dons que Deus lhes concedeu e permitam que eles os conduzam até Ele", e completou:

“Deus é tudo aquilo que buscamos na vida, o único capaz de saciar os nossos corações inquietos. Lembrem-se de que vocês foram criados para grandes coisas e de que este mundo não é suficiente para saciar a sede de sentido e de felicidade que existe em cada um.”

Apelo pela paz

O tema da paz permeou toda a iniciativa, inspirada na espiritualidade franciscana. As próprias crianças também elevaram preces pelos povos atingidos pela guerra, pedindo um futuro de reconciliação e esperança. Ao expressar sua proximidade espiritual diante dessa realidade, Leão XIV assegurou suas orações e pediu pela paz nas zonas de conflito:

“Saibam também que o Santo Padre ama vocês e reza por vocês, por suas famílias e por seus países. De modo especial, rezo para que a paz reine em seus lares e em todos os lugares do mundo que continuam sofrendo com a violência.”

O compromisso da Andrea Bocelli Foundation

Ao concluir seu discurso, o Papa Leão XIV agradeceu à Andrea Bocelli Foundation pelo trabalho realizado em favor de crianças e jovens que enfrentam dificuldades educacionais e sociais. "Por meio da força da música", afirmou, "vocês contribuem para a missão da Igreja de promover o desenvolvimento integral de cada pessoa humana e servir ao bem comum." Em seguida, as crianças presentes recitaram, em diferentes idiomas, uma oração inspirada na espiritualidade de São Francisco de Assis:

"Pai, somos crianças e pedimos apenas poder brincar. Foi para isso que criastes para nós um belo jardim, onde pudéssemos viver felizes, mergulhados no vosso amor e em harmonia com todas as vossas criaturas, que São Francisco nos ensinou a chamar de irmãos e irmãs. Não soubemos cuidar desse jardim, e a alegria de habitá-lo deu lugar ao medo, levando-nos a esconder-nos. Mas o vosso amor, como quando brincamos de esconde-esconde, veio ao nosso encontro. Jesus, com a sua entrega na cruz, reconciliou-nos convosco, restabelecendo a comunhão convosco, entre nós e com toda a criação. Pedimos-Vos que nos ensineis a cuidar deste jardim, para que possamos viver felizes."

Ao final do evento, antes de conceder a Bênção Apostólica, Leão XIV convidou todos os presentes a rezarem o Pai-Nosso e a se saudarem com o abraço da paz. Em seguida, confiou cada participante à intercessão de Maria, nossa Mãe. O concerto foi encerrado com a interpretação da canção "Amazing Grace", seguida da entrega ao Pontífice de presentes preparados pelas crianças de seus respectivos países, como expressão de gratidão, amizade e esperança.

Thulio Fonseca – Vatican News

____________________________________________________________________
  Fonte: vaticanews.va     Fotos: (@Vatican Media

Reflexão oportuna:

Dignidade da mulher

Dom Pedro Carlos Cipollini - Bispo de Santo André (SP)

Dom Pedro Cipollini 

Cresce em nossa sociedade as agressões às mulheres e aumenta o feminicídio. O que está acontecendo? Na verdade, isto não é algo novo, vem de longe. Acontece que, devido aos meios de comunicação e o crescimento da consciência sobre os direitos humanos, os casos aparecem mais, e se tornou visível o quanto a dignidade da mulher é espezinhada. Na verdade, a questão de fundo é esta: a dignidade da mulher. 

As agressões às mulheres se dão de forma variada e múltipla em todas as sociedades de nosso tempo. Vai desde a discriminação social, cárcere privado, salários desiguais para o mesmo serviço desempenhado por elas e os homens, humilhações de todo tipo, agressões físicas, assassinatos e todos os vícios que o machismo exacerbado, presente nas diversas culturas, externam de múltiplas formas. Isto apesar de se reconhecer como óbvio que, “todos são iguais perante a Lei” 

Um dos sinais dos tempos apontados por São João XXIII é a nova condição da mulher na sociedade. A mulher torna-se cada vez mais consciente da sua própria dignidade humana, recusa-se a ser tratada como objeto ou instrumento, reivindica direitos e deveres de acordo com sua dignidade de pessoa, tanto na vida familiar como na sociedade. A causa de gênero é permeada por barreiras da tradição, historicamente construídas em culturas patriarcais e regimes feudais, que precisam ser rompidas. 

A Bíblia nos atesta que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (Gn 1,27 ), mas por muitos séculos a sociedade interpretou este texto como sendo o homem a imagem de Deus. E a mulher, sua imagem “só pela metade”, ou seja, só quando ela se torna mãe e transmite a vida. No mais seria a culpada de todas as desgraças da humanidade, porque Eva ouviu a serpente e levou a humanidade ao pecado. Como se Adão também não tivesse aderido á serpente e pecado igualmente. 

Muitas mulheres padecem condições de exclusão e abandono vivendo em situações muito duras, especialmente quando são abandonadas com os filhos pelos seus maridos ou companheiros. Na maioria dos lares brasileiros, em especial nos mais pobres, são as mulheres que sustentam a vida e criam os filhos. Entre elas encontramos os mais admiráveis gestos de heroísmo cotidiano na defesa e cuidado da fragilidade. São mensageiras de Deus como a samaritana que após seu encontro com Jesus tornou-se missionária, chamando pessoas para escutá-lo (cf. Jo 4,39). 

Jesus valorizou as mulheres e respeitou sua dignidade para espanto de uma cultura machista e patriarcal, como aquela na qual viveu. São múltiplos os episódios que atestam isto. Inclusive muitas mulheres o seguiam e ajudavam no seu ministério (cf. Lc 8,1-3) e ele retribuiu, fazendo de Maria Madalena a “apóstola dos apóstolos”, pois foi a ela que Jesus ressuscitado encarregou de levar a boa notícia aos apóstolos (cf. Jo 20,17). 

A máxima valorização da mulher foi operada por Deus na história, pela escolha de Maria de Nazaré, para ser a mãe de Jesus, o Filho de Deus, conforme relatam os Evangelhos. No rosto de Maria encontramos a ternura e o amor de Deus. Ela se compromete com a história humana, observa com sabedoria a realidade e com sua voz profética, convida a um estilo de vida compartilhada e solidária. 

A mulher precisa ocupar mais espaço na sociedade em especial na política. O gênio feminino que se caracteriza pelo cuidado da vida, é necessário em todas as expressões da vida social. Em especial no âmbito do trabalho, e nos vários lugares onde se tomam decisões importantes, tanto nas estruturas sociais como na própria Igreja. Neste sentido o Papa Francisco e o papa Leão XIV, fizeram nomeações significativas de mulheres, para cargos importantes no governo da Igreja. Já tendo o papa São João Paulo II escrito uma Carta Apostólica sobre a dignidade e vocação da mulher em 1988 (Mulieris dignitatem). 

Em meio ao machismo geral, exacerbado pelo racionalismo econômico, existem exceções admiráveis como o filósofo Kant que escreveu: “A sabedoria das mulheres não é raciocinar, é sentir”, já antevendo o que hoje se chama “inteligência emocional”, que faz tanta falta em nossos relacionamentos.  

_____________________________________________________________________
  Fonte: cnbb.org.br

terça-feira, 28 de julho de 2026

Leão XIV em mensagem:

que todo instrumento tecnológico
esteja a serviço da verdade e do bem

Em uma mensagem assinada pelo cardeal Parolin, enviada aos participantes do VII Seminário Internacional sobre Comunicação da Igreja, que se realiza (27 e 28 de julho) na Pontifícia Universidade Católica de Santiago, no Chile, Leão XIV incentiva a promoção de "uma forma de comunicação que, diante das novas possibilidades oferecidas pelo desenvolvimento tecnológico, seja capaz de salvaguardar a dignidade da pessoa humana".

O VII Seminário Internacional sobre Comunicação da Igreja, que se realiza (27 e 28 de julho) na Pontifícia Universidade Católica de Santiago, no Chile, tem como título "Os Desafios da Inteligência Artificial". O encontro reúne comunicadores, agentes pastorais, acadêmicos e representantes eclesiásticos da América Latina e do Caribe para discernir os desafios éticos, culturais e religiosos da inteligência artificial à luz da encíclica Magnifica humanitas, de Leão XIV. E foi a mensagem do Papa — assinada pelo cardeal secretário de Estado Pietro Parolin — que inaugurou o seminário.

Enfrentar os desafios da IA ​​com sabedoria e responsabilidade

No texto endereçado ao presidente da Conferência Episcopal Chilena, René Osvaldo Rebolledo Salinas, o Papa encoraja os participantes a promoverem “uma forma de comunicação que, diante das novas possibilidades oferecidas pelo desenvolvimento tecnológico, salvaguarde a dignidade da pessoa humana e coloque cada instrumento a serviço da verdade e do bem”. Leão XIV também pede ao Espírito Santo que ilumine as reflexões e ajude a enfrentar os desafios da inteligência artificial “com sabedoria e responsabilidade, para que a comunicação eclesial possa contribuir para o encontro entre as pessoas e a proclamação do Evangelho”.

O impacto das mídias sociais

Ao abrir o encontro, o cardeal Fernando Natalio Chomalí Garib, arcebispo de Santiago do Chile, refletiu sobre o impacto das mídias sociais, enfatizando como esses são espaços “autenticamente humanos” porque refletem emoções, conexões e conflitos. “Tudo o que nos acontece também acontece lá”, disse ele, propondo quatro critérios fundamentais para a comunicação: verdade, bondade, beleza e utilidade. Segundo o purpurado, a encíclica Magnifica humanitas (sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial) não deve ser interpretada apenas sob uma perspectiva tecnológica: "Hoje se discute muito sobre inteligência artificial, mas esta encíclica fala sobretudo da dignidade humana, da verdade."

Fortalecer a vida comunitária

Para Chomalí Garib, comunicar segundo esses princípios fortaleceria a vida comunitária em uma sociedade extraordinariamente individualista: "Promoveremos o diálogo, promoveremos a fraternidade; em última análise, construiremos Jerusalém, não Babel", afirmou. Esses conceitos foram reiterados na homilia da concelebração eucarística que ele presidiu posteriormente, na qual, definindo a Magnifica humanitas como uma encíclica "cristológica", o cardeal fez um apelo por uma comunicação atenta e perspicaz e para que a inteligência artificial seja colocada a serviço da dignidade humana.

As preocupações da Igreja

Os pronunciamentos do dia 27 incluíram os do reitor da Pontifícia Universidade Católica do Chile, Juan Carlos de la Llera, e de dom Rebolledo Salinas, que destacou que o encontro representa uma expressão concreta da sinodalidade e da caminhada compartilhada da Igreja, acrescentando que a publicação da Magnifica humanitas deu nova profundidade às preocupações pastorais da Igreja. "A dignidade inviolável da pessoa humana deve constituir o princípio, o critério e o objetivo tanto do desenvolvimento tecnológico quanto do progresso científico", enfatizou.

Giovanni Zavatta - Vatican News

____________________________________________________________________
  Fonte: vaticanews.va     Foto: (@Vatican Media

Bela reflexão para o seu dia:

Acolher a Verdade

Dom Geraldo dos Reis Maia - Bispo de Araçuaí (MG)

Não basta conhecer a Verdade, é preciso acolhê-la como parte integrante de nossa existência. O amor à verdade constituiu fator indispensável para adentrar suas entranhas, formulando categorias para chegar a ela com mais segurança e dispersando as ciladas do engano e do erro, as chamadas Fake News de hoje, nas redes sociais. Desde a Grécia Antiga, muitos pensadores procuraram conhecer e acolher a Verdade, dedicando-lhe toda a sua existência, a ponto até de oferecer a vida por ela, como foi o caso de Sócrates.

Dom Geraldo dos Reis Maia

Para Platão, a verdade não estava no mundo real. Aqui, na verdade, fazemos a experiência, como que em sombras, do que está no mundo ideal. Ao contrário, seu discípulo Aristóteles compreendia que a verdade está presente neste mundo. Verdade é a adequação da coisa em si com a ideia que temos dela. Aristóteles compreendia que eram os homens que formulavam os conceitos a respeito das coisas para poder reconhecê-las: “dizer do que é que ele não é / e do que não é que ele é, é dizer o falso; dizer do que é que é / e do que não é que não é, é dizer o verdadeiro”.

Continua Aristóteles: “Se, com efeito, o homem existe, a proposição pela qual nós dizemos que o homem existe é verdadeira e, reciprocamente, se a proposição pela qual nós dizemos que o homem existe é verdadeira, o homem existe. Contudo, a proposição verdadeira não é de modo algum causa da existência da coisa; ao contrário, é a coisa que parece ser, de algum modo, a causa da verdade da proposição, pois é da existência da coisa ou da sua não existência que dependem a verdade ou a falsidade da proposição” (Categorias, 14b16-23).

Para Santo Agostinho, “a verdade e sua busca são o alimento da nossa alma”. Segundo o Bispo de Hipona, nada atrai mais a alma humana do que o desejo pela verdade. Nenhum homem suporta viver na mentira. “Que todos querem a verdade”, isso se comprova pelo fato de gostarmos de enganar, mas detestarmos ser enganados (cf. Conf. 10,23). Segundo ele, a Verdade Suprema é Deus, a Beleza que se encontra dentro do ser: “Tarde te amei, ó Beleza sempre antiga, sempre nova, tarde te amei! Estavas dentro de mim, mas eu estava fora, e foi lá que Te procurei” (Conf. 10).

Santo Tomás de Aquino recolhe o raciocínio aristotélico na conceituação da verdade, em perspectiva bastante objetiva. Para ele, verdade “é a conformidade entre o intelecto e a coisa”. Ao mesmo tempo em que o Doutor Angélico acolhe a objetividade do ser que se evidencia diante da inteligência humana, ele retrata a importância do processo cognitivo humano que é capaz de apreender a essência desse ser manifestado. Ficam, assim, ressaltadas a verdade lógica e a verdade ontológica.

É a nossa inteligência que depende da verdade ontológica, com uma dependência real: “A verdade que se diz das coisas com relação ao intelecto humano; o que, para as coisas, é algo em certo modo acidental, porque suposto que não existisse nem pudesse existir o intelecto do homem, as coisas continuariam permanecendo em sua essência. Porém a verdade que se diz delas em relação ao intelecto divino lhes está inseparavelmente unida, pois estas não podem subsistir senão pelo intelecto de Deus, que as produz no ser” (Tomás de Aquino, De Veritate, q.1, a.5, c.). Em tal ponto, o filósofo se afasta da doutrina aristotélica porque reconhece uma verdade do ser, verdade que tem como princípio um Ser supremo. Via nesse Ser supremo Deus, o qual, por ser a própria perfeição, confere inteligibilidade aos seres e  cognoscibilidade aos homens.

Na Filosofia Moderna, Heidegger vai compreender que o eixo do conhecimento é o ser enquanto clareira do aberto. Como nos ensinou J. Arduini: “E foi contemplando a clareira que se abre na floresta, que chegou a entender o homem como abertura orientada para o sentido do ser” (Destinação Antropológica, p. 85). Para J. Arduini, “Verdade não é apenas um princípio abstrato. Verdade é realidade existente, o fato concreto…” (Antropologia, p. 59). É essa realidade concreta, existente como “ser aí”, que precisamos experienciar e testemunhar para além de narrativas que não condizem com a realidade.

O Papa Leão XIV nos adverte: “o desinteresse pela verdade leva, lenta mas inexoravelmente, a deslizar para o totalitarismo, segundo o qual o súbdito ideal, como escreveu a filósofa Hannah Arendt, não é tanto aquele ideologicamente convencido, mas ‘aquele para quem já não existe a diferença entre o fato e a ficção (isto é, a realidade da experiência), nem a diferença entre verdadeiro e falso (que constituem os critérios do pensamento)’” (MH, 134). Por isso, importa perseverar na busca e na acolhida da Verdade, que liberta o ser humano do risco da falsidade e dos desvios da realidade.

E o Papa nos faz um forte apelo: “Permaneçamos fiéis à verdade! (…) É necessário abandonar uma visão individualista e técnica do homem, como se a realidade fosse pura matéria a ser moldada em função de interesses egoístas, tanto individuais como de grupo. (…) A fidelidade à verdade exige integrar as possibilidades oferecidas pela técnica num caminho de sabedoria, capaz de salvaguardar simultaneamente a dignidade de cada pessoa e o futuro da nossa Casa comum” (MH, 237). É preciso estar atento às falsas narrativas e às fake news, para caminhar em busca da Verdade a ser acolhida em nossa vida.

____________________________________________________________________
  Fonte: cnbb.org.br