Nas igrejas cristãs existem o HÁ e o AH! Um mostra o presente ou o passado e conjuga-se expressando realidades passadas ou presentes. Vivemos do que passou e do que está passando!
Padre Zezinho
Mas existe um Ah! de exclamação, de encantamento ou de súplica, próprio de quem busca algo pouco visível.
- Ah, Senhor, ah Jesus, ah meu amigo! Em geral significa mais do que estamos expressando.
Quem não consegue se encantar ou até se espantar é porque ainda não conheceu o que está para além do que vemos.
A religião tem muito disso. Mas os crentes que exageram no ah! raramente vivem direito o seu há! Crer inclui o AH e o HÁ.
Os nefelibatas (vivem nas nuvens) viviam e vivem de AH, porém os realistas (pé no chão) vivem do aqui e agora. Olham para cima, para baixo, para o lado, para a frente e para o amanhã, mas levam a sério os salmos, os hinos e as profecias da Bíblia.
E, sobretudo, ouvem Paulo de Tarso em EFÉSIOS capítulo 3. Ele mandava olhar o passado, o presente e o futuro e as várias dimensões da fé em Jesus!
***
Que Cristo habite pela fé em vossos corações e, assim, enraizados e consolidados no amor, possais compreender com todos os santos
qual a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que supera todo conhecimento, para serdes repletos de toda a plenitude de Deus. Efésios 3, 17-19
Porque os apóstolos, os santos, os Papas, bispos, padres,
leigos e seus descendentes falam em DEPÓSITO DA FÉ?
Porque faz quase 40 séculos que Deus depositou suas verdades no mundo. E faz 20 séculos que Jesus depositou suas verdades em nós.
E agora depositamos, para os que estão vindo depois de nós, as verdades que a Santíssima Trindade foi depositando no mundo.
Somos herdeiros desse depósito. Faz quase 40 séculos que estamos vivendo do DEPÓSITO DA FÉ. Deus foi depositando suas verdades no mundo e estamos vivendo dessa riqueza espiritual.
E todos nós que cremos, pouco a pouco vamos vivendo e depositando para o futuro, todas as verdades que Deus vivendo depositando e postando para nós!
uma espiritualidade missionária cada vez mais fervorosa
Em sua audiência
com os participantes da Assembleia Geral das Pontifícias Obras Missionárias,
Leão XIV enfatizou a urgência de buscarem juntos maneiras de avançar na missão
iniciada por Jesus e exortou a todos a se engajarem "com alegria e
renovado zelo". Ele também lembrou a instituição do Dia Mundial das
Missões, cem anos atrás, e a beatificação, em 24 de setembro, de Fulton J.
Sheen, "um farol de fé, esperança e amor", por meio do rádio e da
televisão.
O Papa Leão XIV
recebeu em audiência, nesta segunda-feira (1°/06), na Sala Clementina, no
Vaticano, os participantes da Assembleia Geral das Obras Pontifícias
Missionárias.
Em seu discurso,
o Pontífice recordou que este ano se celebra o primeiro centenário do Dia
Mundial das Missões instituído pelo Papa Pio XI, em 1926.
"Durante
cem anos, este dia foi dedicado à oração, à reflexão e à contribuição para a
missão de evangelização da Igreja, especialmente nas áreas onde o anúncio do
Evangelho está apenas começando e onde a Igreja ainda é jovem", disse o
Papa, recordando que no Dia Mundial das Missões "toda comunidade católica
é convidada a rezar e a oferecer sacrifícios espirituais e materiais pelo
trabalho missionário nas áreas de primeira evangelização e a apoiar as Igrejas
jovens". Leão XIV expressou sua gratidão a todos que no mundo trabalham
"na promoção do Dia Mundial das Missões em cada circunscrição eclesiástica
na comunhão universal da Igreja".
Se me permitem
acrescentar, um dos propósitos específicos do Dia Mundial das Missões é lembrar
aos fiéis das Igrejas mais antigas, as chamadas Igrejas consolidadas, a
importância de também elas se unirem ao espírito missionário de toda a Igreja.
Leão XIV lembrou
que "graças aos fundos arrecadados no Dia Mundial das Missões, a
Pontifícia Obra da Propagação da Fé consegue ajudar mais de 1.130
circunscrições eclesiásticas dependentes do Dicastério para a Evangelização,
Seção para a Primeira Evangelização e Novas Igrejas Particulares, ajudando-os a
estabelecer a infraestrutura eclesial necessária e a apoiar diversas
iniciativas missionárias". O organismo "também apoia a administração
de cinco colégios em Roma para a formação permanente de sacerdotes, consagrados
e consagradas, que vêm à Cidade Eterna para estudar e se tornarem recursos
preciosos para suas Igrejas locais, às quais retornam após a conclusão de seus
estudos. Essas e muitas outras iniciativas missionárias são possíveis graças à
generosidade dos fiéis no Dia Mundial das Missões", sublinhou.
O Papa recordou
também que este ano "marca o centésimo décimo aniversário da fundação da
Pontifícia União Missionária pelo Beato Paulo Manna, declarada Pontifícia pelo
Papa Pio XII e definida por São Paulo VI como a "alma" das demais
Pontifícias Obras Missionárias". O Papa Leão os encorajou "a
participarem da sua missão de promover entre todos os batizados uma
espiritualidade missionária cada vez mais fervorosa e um compromisso cada vez
mais profundo com a missão universal de evangelização da Igreja nesta nova era
missionária".
A seguir, Leão
XIV recordou que neste ano, em 24 de setembro, em St. Louis, Missouri, será
beatificado o venerável Fulton J. Sheen, um dos mais renomados diretores
nacionais das Pontifícias Obras Missionárias. Ele "foi um farol de fé,
esperança e amor que brilhou por décadas através do rádio e da televisão. Eu
mesmo testemunhei sua evangelização quando era criança".
De acordo com o
Papa, "suas transmissões alcançaram milhões de pessoas com a esperança do
Evangelho, e suas iniciativas e esforços proporcionaram enorme assistência
espiritual e material às Igrejas em áreas de primeira evangelização".
"Que o nosso novo beato seja um exemplo para todos os Diretores Nacionais
e Diocesanos das Pontifícias Obras Missionárias em todo o mundo",
sublinhou. A seguir, acrescentou:
Num mundo cada
vez mais marcado pela divisão, guerra e conflito entre nações e povos, as
quatro Pontifícias Obras Missionárias, confiadas ao Dicastério para a
Evangelização, Seção para a Primeira Evangelização e Novas Igrejas
Particulares, prestam um precioso serviço à missão da Igreja de proclamar
Cristo, Príncipe da Paz e revelação encarnada do Amor Divino, à humanidade.
A seguir,
recordou que "a este respeito, a Pontifícia Obra da Infância e
Adolescência Missionária realiza uma missão particularmente valiosa, levando a
luz da fé e a consolação da caridade cristã às crianças de todo o mundo,
especialmente nas regiões afetadas pelo ódio e pela violência".
"Igualmente importante é a Pontifícia Obra Missionária de São Pedro
Apóstolo, que promove e apoia a formação do clero e religiosos consagrados
indígenas nos territórios da primeira evangelização. Em muitos lugares, sem o
apoio da Obras, os seminaristas e noviços não teriam os meios necessários para
sua formação humana, espiritual e pastoral", ressaltou Leão XIV.
O Papa lembrou
que o tema do Dia Mundial das Missões deste ano — Um em Cristo, Unidos na
missão — "destaca a unidade dos fiéis e marca o centenário aniversário
desta celebração mundial.
Convida todos os
membros da Igreja a uma comunhão mais profunda em Cristo e a uma unidade mais
plena na sua divina missão de amor. Reflete o profundo desejo do Senhor,
expresso na sua oração ao Pai antes da Paixão. Estes aspectos, expressos no
tema deste ano, pedem uma renovação missionária na Igreja nos próximos anos.
Por isso, encorajo-os a manter este ensinamento em mente, a viver uma autêntica
espiritualidade de unidade e comunhão centrada em Cristo e a promovê-la através
de suas atividades entre os fiéis.
Dom Walmor
Oliveira de Azevedo - Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
A expansão das
diferentes formas de inteligência artificial impacta a sociedade em seus muitos
campos, reconfigurando as relações humanas, modos de pensar e agir, com
possibilidades de gerar oportunidades singulares de desenvolvimento e, ao mesmo
tempo, graves ameaças ao bem comum. Um fenômeno complexo que inspirou o
Papa Leão XIV a publicar a Carta Encíclica Magnifica Humanitas –
sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.
Diferentes segmentos têm expressado admiração à oportuna Carta Encíclica que
convoca a civilização humana à reflexão e, consequentemente, ao agir, partindo
da premissa de que o desenvolvimento tecnológico não é neutro, não pode ser
inocentemente considerado bom ou ruim, mas devidamente refletido em todos os
seus aspectos. Há quem possa se perguntar: inteligência artificial é assunto a
ser tratado pela Igreja? Tem relação com a fé? O próprio Papa Leão XIV responde
na Carta Encíclica, ao pontuar que a Igreja, na sua tradição, sempre articulou
fé e vida, constituindo uma rica Doutrina Social a partir da análise da
sociedade à luz da fé.
Ora, analisar no
mundo contemporâneo a sociedade, à luz da fé, implica dedicar-se, também, aos
impactos reais e possíveis da inteligência artificial na vivência da
espiritualidade e, especialmente, no respeito à dignidade humana, pois, para os
cristãos, fé e cotidiano se relacionam: não há como amar Deus e desconsiderar
os irmãos que sofrem. Essa é uma premissa da Doutrina Social da Igreja,
“um património de sabedoria, onde encontramos princípios para pensar,
critérios para discernir e julgar, orientações concretas para agir. Ela
baseia-se na Sagrada Escritura e na Tradição e, em diálogo com as ciências,
ajuda-nos a ler os desafios do presente com lucidez, identificando caminhos
adequados para viver, com alegria e a serviço do mundo, um límpido testemunho cristão”,
descreve o Papa Leão XIV na sua Carta Encíclica. Justamente com a
recém-publicada Carta, o Papa oferece sua contribuição à Doutrina Social da
Igreja, partilhando com o mundo critérios objetivos, à luz da fé, para tratar o
desenvolvimento da inteligência artificial.
O Papa Leão
XIV alerta para as formas de apropriação da inteligência artificial
que acentuam cenários de exclusão, com a concentração de riquezas nas mãos de
poucos, impondo sacrifícios a quem já padece na extrema pobreza. O Pontífice
lembra que, pela primeira vez na história, os estados já não são mais os
principais vetores do desenvolvimento tecnológico. “Os principais motores do
desenvolvimento são sujeitos privados, frequentemente transnacionais, dotados
de recursos e capacidades de intervenção superiores aos de muitos governos. O
poder tecnológico assume, destarte, uma identidade inédita,
predominantemente ‘privada’ e, portanto, ainda mais difícil de
discernir, gerir e orientar para o bem comum”. Assim, uma das perguntas
centrais a inspirar reflexões sobre a inteligência artificial seria:
a quem essas tecnologias servem e quais são os seus propósitos?
Alguns sinais
apontam para um perigoso caminho. Há notícias de adolescentes e jovens que
preferem “conversar” com os chamados chatbots, sistemas simuladores de
interações, do que com seres humanos. Substituem até mesmo métodos terapêuticos
cientificamente comprovados por simulacros desenvolvidos via sistemas
automatizados. Outro fenômeno especialmente grave é tratado na Carta Encíclica:
o Papa Leão XIV denuncia a “cultura do poder”, o crescimento da indústria
bélica, que se tornou um setor-chave na economia de alguns países. Neste
cenário, cresce o emprego da inteligência artificial no
desenvolvimento de armas. Chega-se ao absurdo de confiar às máquinas a tarefa
de decidir sobre questões morais. “Fala-se por vezes de ‘agentes
morais artificiais’, como se uma máquina pudesse garantir, com maior coerência
do que um ser humano, a distinção entre o bem e o mal. Ora, o juízo moral não
se reduz a um cálculo: implica consciência, responsabilidade pessoal e
reconhecimento do outro como pessoa”, alerta a Carta Encíclica.
Da aparente
interação inofensiva entre um adolescente com um chatbot à ameaçadora
escalada armamentista impulsionada pela inteligência artificial percebe-se um
perigoso contexto de desconsideração da dignidade humana, agredida também por
inadequadas aplicações das novas tecnologias. Principalmente aqueles que
patrocinam o avanço da técnica são chamados a refletir sobre as desastrosas
consequências de um desenvolvimento alimentado pelo egoísmo. Eis o que pede a
Carta de Leão: salvaguardar o humano, pois a técnica pode ser importante, mas,
criada por Deus, magnífica é a humanidade.
conheça um pouco dessa linda história de amor e fé
Neste domingo da
Santíssima Trindade, nossa querida paróquia São José faz aniversário, cento e
setenta e seis anos de existência. Marco que merece ser festivamente
comemorado, recordando seu nascimento, sua instalação, os fatos mais
significativos de sua história nessas dezessete décadas e um quinquênio de
fé, crescimento e desenvolvimento de sua ação pastoral.
A paróquia
constitui-se na base e ao mesmo tempo na linha de frente da Igreja, pois
responde à missão dada por Jesus Cristo ao seu Povo: “Ide pelo mundo
inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura” (Cf. Mc 16-15). O
Documento de Aparecida afirma: “Entre as comunidades eclesiais nas quais
vivem e se formam os discípulos e missionários de Jesus Cristo as sobressaem as
Paróquias. São células vivas da Igreja e o lugar privilegiado no qual a maioria
dos fiéis tem uma experiência concreta de Cristo e a comunhão eclesial. São
chamadas a ser casas e escolas de comunhão”.
Olhando para a
história de nossa paróquia, devemos nos lembrar de tantos discípulos e
missionários de Jesus Cristo – sacerdotes, religiosos e cristãos comprometidos
com a fé –, responsáveis por sua criação, caminhada e ação evangelizadora, que
levaram tantos à experiência do amor de Deus em sua vida e à consciência de que
são construtores da comunhão no meio do povo.
A paróquia São
José tem suas raízes mais distantes em um pequeno povoado já existente na
região do Sapucaí Mirim por volta de 1826 quando José Alves de Lima, um dos
primeiros proprietários de terras nessas imediações, doou um terreno para a
construção de uma capela em homenagem a São José. Posteriormente, outras
pessoas devotas também doaram terras para a capela de São José.
Campo do Lima
foi a primeira denominação do povoado; depois, Formiguinha e, em 1827, o lugar
passou a se chamar São José da Ventania. Em 1831, tornou-se São José das
Formigas, e, pela Lei Provincial nº 472, de 31 de maio de 1850, foi elevado à
condição de Distrito com a denominação de São José do Paraíso.
Segundo registra
monsenhor Sebastião Carvalho Vieira na obra Três Valores no Paraíso,
missionários que por aqui passaram sugeriram o atual nome do município,
acrescentando a Paraíso o radical grego polis, que significa cidade. A Lei
nº 621, de 14 de novembro de 1914, tornou oficial o nome Paraisópolis.
A paróquia São
José foi criada na mesma data da elevação do povoado a distrito, 31 de maio de
1850, antes, portanto, da criação do município de Paraisópolis, cuja Câmara foi
solenemente instalada no dia 25 de janeiro de 1873, e cuja elevação oficial à
categoria de cidade e sede de município ocorreu em 24 de dezembro de 1874.
A nova paróquia
pertencia à diocese de São Paulo, pois nesta data ainda não existia a Diocese
de Pouso Alegre, que só viria a ser criada pelo Decreto da Sagrada Congregação
Consistorial Regio Latissime Patens cinquenta anos após, no dia 4 de
agosto de 1900. A partir dessa data passamos a pertencer com muita alegria à
Igreja Particular de Pouso Alegre.
Hoje, as
paróquias vivem novas realidades. O Documento de Aparecida afirma: “A
renovação das paróquias no início do terceiro milênio exige a reformulação de
suas estruturas, para que seja uma rede de comunidades e grupos, capazes de se
articular conseguindo que seus membros se sintam realmente discípulos e
missionários de Jesus Cristo em comunhão” (cf. nº 172). Nossa paróquia
estrutura-se nessa rede de comunidades, onde se desenvolve sua ação pastoral.
As celebrações, sempre que possível, vêm sendo descentralizadas. Diversas ações
litúrgicas, especialmente as missas, têm sido celebradas nas comunidades,
atendendo, dessa forma, às pessoas que residem em bairros mais distantes do
centro da cidade.
A missão da
Igreja realiza-se por meio das pastorais, que também estendem sua ação a todas
essas comunidades, valorizando as lideranças locais. Entre outras, atuam em
nossa paróquia algumas das pastorais importantes para a evangelização:
Litúrgica, Catequética, do Batismo, Familiar e da Criança. Há ainda movimentos
como Mãe e Rainha e RCC, associações e irmandades como a Sociedade de São
Vicente de Paulo, Associação de São Francisco de Assis, Associação de Santo
Antônio, Zeladores e Zeladoras do Sagrado Coração de Jesus, entre outras.
Parabéns,
queridos irmãos que construíram e constroem essa bela história de fé nas terras
d’O Paraíso de José! Que sejamos cada vez mais comprometidos com a
vivência dos ensinamentos de Jesus Cristo para que possamos anunciá-los a todos
que necessitam do amor de Deus como também nós necessitamos!
Que, pelos
méritos de Maria, nossa querida Mãe, e de São José, nosso querido padroeiro, o
Espírito Santo nos ilumine para que possamos juntos continuar escrevendo essa
linda história de fé e amor!
Luiz
Gonzaga da Rosa
Autor do livro O Paraíso de José: 160 anos da
Paróquia São José
polarizações e desprezo pelas diferenças levam à destruição
"Hoje,
porém, queridos irmãos e irmãs, é festa! A festa de Deus é a nossa festa",
disse Leão XIV em sua alocução antes de rezar o Angelus. "Quem não acolhe
este Espírito, envelhece cedo, na lamentação; encontra-se sozinho, nunca tem
alegria no coração".
Uma circulação
de amor que vivifica e une as três Pessoas divinas: o Pai, o Filho e o Espírito
Santo. Assim, no Angelus deste domingo, que encerra o mês
tradicionalmente dedicado à Virgem Maria, Leão XIV explica aos milhares de
fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, o significado da Solenidade da
Santíssima Trindade celebrada neste domingo, 31 de maio. Um amor sempre ardente
ao qual a humanidade pode recorrer para criar unidade, para além de todas as
barreiras do ódio.
A vida em Jesus
é uma comunhão dinâmica e fecunda
A Igreja,
observa o Papa em sua reflexão, é "sacramento de comunhão, espaço de
encontro". Portanto, é um reflexo desse amor trinitário alimentado pelo
fogo do Espírito. Esse Espírito de que Jesus falou a Nicodemos é relembrado na
Liturgia, cuja noite foi iluminada "com a verdade que, na festa de hoje,
ressoa em todas as nossas igrejas":
“Quem não acolhe
este Espírito, envelhece cedo, na lamentação; encontra-se sozinho, nunca tem
alegria no coração. Hoje, porém, queridos irmãos e irmãs, é festa! A festa de
Deus é a nossa festa.”
Ao celebrarmos
hoje o Mistério do Deus Trindade, é-nos oferecida a oportunidade de repensar o
caminho percorrido, a partir do seu centro: a vida de Deus que nos foi dada em
Jesus Cristo. Esta vida é uma comunhão dinâmica, inesgotável e fecunda, que
agora nos envolve: o Espírito que une o Pai e o Filho foi, efetivamente,
derramado nos nossos corações, de modo que no mundo toma forma a Igreja,
sacramento de comunhão, espaço de encontro, de amor e de vida, onde o céu e a
terra já se tocam.
A Trindade nos
faz amar tudo e todos
Nicodemos era
membro do Sinédrio, o Conselho dos chefes de Israel. O Pontífice recorda como
ele não se juntou ao coro de desprezo por Jesus, convidando, em vez disso, a
todos a ouvi-lo antes de o condenarem. Ele havia vivenciado um encontro que o
transformaria profundamente, abrindo seu coração "para a nova verdade e a
verdadeira novidade", a da vida em Cristo. Leão XIV nos exorta a reviver a
jornada de Nicodemos e a celebrar com um espírito de alegria:
A vida de Deus é
maravilhosa e envolvente, traz paz ao nosso coração, muitas vezes tão inquieto,
e faz-nos encontrar irmãos e irmãs na alegria do Espírito. A Trindade leva-nos
a amar tudo e todos: descobrimos que cada criatura foi feita para a comunhão, a
relação, o encontro. E, por contraste, compreendemos por que razão as divisões,
as polarizações e o desprezo pelas diversidades trazem ao mundo destruição,
tristeza e aridez.
Papa Leão XIV
Angelus
Praça de São Pedro
Solenidade da Santíssima Trindade
31 de maio de 2026
Queridos irmãos
e irmãs, bom domingo!
Há uma semana,
com a solenidade de Pentecostes, concluiu-se o Tempo Pascal. Ao celebrarmos
hoje o Mistério do Deus Trindade, é-nos oferecida a oportunidade de repensar o
caminho percorrido, a partir do seu centro: a vida de Deus que nos foi dada em
Jesus Cristo. Esta vida é uma comunhão dinâmica, inesgotável e fecunda, que
agora nos envolve: o Espírito que une o Pai e o Filho foi, efetivamente,
derramado nos nossos corações, de modo que no mundo toma forma a Igreja,
sacramento de comunhão, espaço de encontro, de amor e de vida, onde o céu e a
terra já se tocam.
O Evangelho da
Liturgia de hoje (Jo 3, 16-18) apresenta-nos Nicodemos, uma importante
personalidade de Israel, que se sentiu profundamente atraído por Jesus. Tanto
assim que foi ter com Ele – à noite, para não ser visto –, ansioso por conhecer
melhor este misterioso Mestre e de fazer-lhe algumas perguntas. Recebendo-o, o
Senhor deu importância à sua busca. Surpreendeu-o, declarando-lhe que também um
adulto podia renascer e deixou-o intuir que a vida de Deus poderia transformar
a sua vida. Jesus falou a Nicodemos sobre o Espírito Santo, iluminou a sua
noite com a verdade que, na festa de hoje, ressoa em todas as nossas igrejas:
«Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que
todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (v. 16). E ainda:
«Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o
mundo seja salvo por Ele» (v. 17).
Caríssimos, no
Mistério de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, estamos em casa, tal como
Nicodemos sentiu-se em casa junto de Jesus. A vida de Deus é maravilhosa e
envolvente, traz paz ao nosso coração, muitas vezes tão inquieto, e faz-nos
encontrar irmãos e irmãs na alegria do Espírito. A Trindade leva-nos a amar
tudo e todos: descobrimos que cada criatura foi feita para a comunhão, a
relação, o encontro. E, por contraste, compreendemos por que razão as divisões,
as polarizações e o desprezo pelas diversidades trazem ao mundo destruição,
tristeza e aridez.
Nicodemos fazia
parte do Sinédrio, o Conselho dos chefes de Israel. Quando ouviu ali palavras
de desprezo contra Jesus, convidou todos a ouvi-lo antes de o condenarem. Tinha
recebido de Deus, por intermédio do próprio Cristo, o Espírito de comunhão, que
abre o coração à nova verdade e à verdadeira novidade. Quem não acolhe este
Espírito, envelhece cedo, na lamentação; encontra-se sozinho, nunca tem alegria
no coração. Hoje, porém, queridos irmãos e irmãs, é festa! A festa de Deus é a
nossa festa. Por isso, São Paulo escreve aos Coríntios: «sede alegres, tendei
para a perfeição, confortai-vos uns aos outros, tende um mesmo sentir, vivei em
paz e o Deus do amor e da paz estará convosco» (2 Cor 13, 11).
E agora, com a
oração do Angelus, dirigimo-nos à Virgem Maria: que no seu “sim” à Vontade
divina floresça também o nosso “sim” ao amor da Santíssima Trindade.
Após a oração do
Angelus, Leão XIV recordou que durante o mês maio, pela "corrente
ininterrupta" do Rosário, a Igreja invocou a paz, confiando "os povos
martirizados pela guerra" à intercessão de Maria. Rezou para que a
Sabedoria divina ilumine a consciência das autoridades para a busca do fim dos
conflitos.
No final da
tarde de sábado, o Papa Leão XIV rezou na Gruta de Lourdes dos Jardins
Vaticanos, pedindo a intercessão da Virgem Maria pelo dom da paz, que é um dom
de Deus. Junto com ele nos Jardins Vaticanos, cerca de 20 mil fiéis,
acompanhados por outros cem mil espalhados por mais de 200 santuários ao redor
do mundo. que acompanhavam a oração pela TV.
Um dia depois,
na Praça São Pedro, diante de 20 mil fiéis vindos de várias partes do mundo, o
Pontífice voltou a insistir no tema da paz, com particular referência a quem
detém autoridade:
Neste mês de
maio, toda a Igreja elevou uma prece comum pela paz. Especialmente através da
oração do Santo Rosário,
como uma corrente ininterrupta, confiou à intercessão da Virgem Maria os povos
martirizados pela guerra. Que a Sabedoria Divina ilumine a consciência de quem
detém autoridade e oriente as decisões para a busca sincera de uma paz justa e
duradoura.
"Dia do
Alívio": propaguem a proximidade e o cuidado
O Santo Padre
recorda depois, que neste domingo a Itália celebra o 25º "Dia do
Alívio", intitulado este ano "Eu Cuido".
Sinto-me próximo
das pessoas doentes e de todos os que cuidam delas; agradeço e encorajo quem
promove a cultura da proximidade e do cuidado.
Promovido pelo
Ministério da Saúde, pela Conferência das Regiões e das Províncias Autônomas e
pela Fundação Nacional "Gigi Ghirotti", este Dia contará com
iniciativas de informação e sensibilização destinadas a propagar a cultura do
alívio do sofrimento físico e mental, com especial atenção aos cuidados
paliativos, à gestão da dor, à humanização dos cuidados e à formação de
voluntários para apoiar os doentes e as suas famílias.
Maria, Mãe da
Justiça Social
Entre as
diversas saudações, também aquela dirigida aos participantes da grande
peregrinação ao Santuário de Piekary, na Polônia, onde Maria é venerada como
Mãe da Justiça Social.
Este local de
culto foi dedicado a Maria no século XVII. Segundo a tradição, a peregrinação
dos jovens e homens se realiza em maio, com dezenas de milhares de
participantes, enquanto a das jovens e mulheres ocorre no mês de agosto.
A palavra “mistério” parece ser alguma coisa escondida e está em segredo. Dizemos que Deus, para nós, é um mistério, porque não é visto, a não ser na pessoa do outro, porque ele é sua imagem e semelhança. Talvez pudéssemos falar que existe uma excelência no mistério de Deus-Pai, humanizado na Pessoa de Jesus Cristo e agora presente na história através da ação concreta do Espírito Santo.
A excelência do mistério da Santíssima Trindade acontece no exercício da vida fraterna e na maneira como as comunidades cristãs vivem o Amor. Ela deve ter o reflexo da forma como se relacionam, na Trindade Divina, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Neste contexto, a palavra que tem maior expressividade é a “unidade”, com profundo respeito pela natural diversidade entre as pessoas.
A prática da unidade exige renúncias, superação de atitude individualista e fechamento ao outro. As consequências são saudáveis e de alegria, porque faz bem conviver bem, principalmente quando a vivência do Batismo e a prática da fé são colocadas em compromissos comunitários. O isolamento dificulta a unidade e causa desconforto na vida de quem conta com a participação de todos na convivência.
Creio que podemos dizer de mistério da excelência o fato de Deus entregar a Moisés as Tábuas da Lei, os Dez Mandamentos do Decálogo, atualizando a promessa de Aliança que tinha feito com o nômade Abraão no primitivo tempo histórico do Mistério da Salvação. Mistério que se revela como relação entre o divino e o humano. Deus se fez próximo, mesmo preservando o mistério de sua existência.
Deus realmente é mistério para todos os humanos, por ser perfeito e onipotente, exigindo dos crentes uma verdadeira atitude de fé e de abandono nesse grande mistério. Acontece que o ser humano também não deixa de ser mistério, pois ninguém conhece a si mesmo de modo totalmente perfeito. A vida toda é espaço de conhecimento, de trabalho e de amadurecimento, com auxílio da tecnologia.
Nesse mistério da excelência de Deus está presente, como objetivo, o mistério da salvação, que acontece através da mediação de Jesus Cristo. Agora é encontrar, nos sinais realizados por Jesus, as motivações para uma fé madura, com prática comunitária, no caminho de salvação, nossa incorporação ao amor divino. Assim devemos saber que a Trindade não é para ser entendida, mas vivida.
Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)