terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Catequese com o padre Zezinho:

Noites de louvor e noites de solidariedade

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Com o Jesualdo, ao frequentar as noites de louvor e as noites de solidariedade acabaram as suas noites de solidão.

Os dois filhos em Portugal em Coimbra e a esposa Semíramis há três anos no Céu, a casa ficou vazia.

Ele que não era muito de rezar além da missa das 9 horas na paróquia, aceitou o convite do Heitor, também ele viúvo. Ambos, donos de lojas em São Paulo, foram ver alguns católicos em ação. Há vários movimentos católicos que ajudam os pobres. Não pense só no seu grupo! São centenas os que oram e colaboram!

Jesualdo descobriu que aqueles católicos de oração também eram católicos de ação! Depois daquele sábado sua PIEDADE passou a rimar com SOLIDARIEDADE.

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Não sendo nem de centro, nem de esquerda e nem de direita, Jesualdo e Heitor não tinham políticos nem partidos de estimação. Mas depois daquelas noites começaram a estimar mais a Igreja que vai aos pobres. Ouviram os Papas…

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Os cobertores e os ingredientes da sopa das sextas-feiras ficaram a cargo deles. Outros católicos já tinham assumido as sopas da quarta e os lanches do domingo. Nos outros dias iam ao CEASA e aos sítios onde se desperdiça muita coisa.

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O jovem pároco era dinâmico e simpático. Pronto! Para eles continuava a saudade das esposas, mas acabaram as noites de solidão! Até dormir nas outras noites o Jesualdo conseguiu.

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Catolicismo sólido não deixa a fé resvalar para partidos e ideologias.

Ela segura os terrenos aluviosos. Vai fundo na oração e na ação!

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Católicos sólidos oram pelos pobres e vão lá ver o que os verdadeiros pobres têm nos armários e nas geladeiras …

Com um salário de R$2.300,00 e com seis pessoas família: esposa e sogra doentes , dois filhos na escola, aluguel de preferia acima dos 700 reais muitos não chegam nem perto de ter moradia decente e comida que sustenta.

O governo do Estado dá um subsídio que não cobre tudo. É aí que entram os católicos que oram e colaboram! Perto deles ninguém passa fome. Há evangélicos e até muçulmanos que fazem o mesmo!

A religião não precisa rimar com solidão. Também pode rimar com SOLUÇÃO!…

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis (MG):

Horários de missa e outros eventos

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Dia 23 - Segunda-feira

19h - Terço em sufrágio das almas na capela da Soledade

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Dia 24 - Terça-feira

15h -  Missa pelas vocações e pelos enfermos na matriz

19h - Terço das mulheres na matriz

19h - Missa na comunidade Nossa Senhora Aparecida - Bela Vista

19h30 - Reunião da Equipe de Liturgia

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Dia 25 - Quarta-feira

19h - Missa votiva em louvor a São José na matriz

19h - Missa na comunidade da Serrinha

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Dia 26 - Quinta-feira

19h - Terço dos homens na matriz

19h - Missa na comunidade dos Lucianos    19h - Missa na comunidade das Andorinhas

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 Dia 27- Sexta-feira

5h30 - Missa, procissão da penitência e Oração das Mil Misericórdias na matriz

19h - Grupode oração Maranathá na capela da Soledade

19h - Missa na comunidade dos Coqueiros

19h - Missa na comunidade da Lagoa   19h - Missa na comunidade da Pedra Branca

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Dia 28 - Sábado

17h - Missa na comunidade do Uruguaia

19h - Missa na matriz   19h - Missa na igreja de São Francisco

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Dia 1º de março - 2º Domingo da Quaresma

7h - Missa na matriz          9h - Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges      18h - Missa na igreja de Santo Antônio

19h - Missa na matriz

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Catequese com dom Vital Corbellini:

A Quaresma na Igreja Antiga
e a sua relação com Campanha da Fraternidade 2026

A Quaresma é um tempo de conversão e de preparação à Páscoa do Senhor. No Brasil nós temos um tema muito importante, que diz respeito à nossa relação social da fé e da caridade, e está sendo aprofundado, estudado nos grupos, nas assembleias, que é o da Campanha da Fraternidade sobre Moradia e Fraternidade. O seu lema é: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Jesus se encarnou na realidade humana e assumiu tudo o que é humano, para dar a todas as pessoas a redenção, a salvação. A Igreja antiga colocou a importância da Quaresma, como período de quarenta dias sendo um período de ascese à Páscoa, de conversão, de vida nova para o Senhor Ressuscitado dentre os mortos, como primícias de nossa vida futura. A Igreja antiga convocava a todas as pessoas às práticas caritativas.  

Como é que foi a quaresma? 

Segundo Eusébio de Cesareia e também Santo Atanásio, a Quaresma era um período de seis semanas incluída também a própria semana santa, um período de ascese que dizia respeito ao jejum, orações, práticas de caridade e acolhida de pessoas estrangeiras. Aqui entra a importância da Campanha da Fraternidade deste ano que diz também respeito às pessoas que vinham de outras localidades, países para serem acolhidas e a palavra de Jesus que diz: “Eu era estrangeiro e vós me acolhestes” (Mt 25,35).  

A sua observância  

Segundo alguns estudiosos da Igreja antiga a Quaresma estava sendo observada, assumida a partir da Epifania do Senhor. Ela estava em profunda imitação de Jesus Cristo, que apenas batizado, foi no deserto, para preparar-se para a missão evangelizadora, como Enviado do Pai para a humanidade (cfr. Mt 4, 1-11). A Quaresma era concluída com o batismo e outros sacramentos da Iniciação à Vida Cristã, conferidos aos catecúmenos e às catecúmenas em unidade em a Páscoa do Senhor. Para outras pessoas a Quaresma foi um período de jejum surgido nos séculos III e IV e oficializada em Nicéia, no ano de 325, por sua natureza ligada à festa móvel da Páscoa.  

O número quarenta 

Santo Agostinho convidava o povo de Deus a viver bem os quarenta dias antes da Páscoa com atitudes de humildade, de amor ao próximo, para viver em comunhão com a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus. O mistério que se celebrava no número quarenta foi porque o próprio Senhor jejuou durante este tempo após o seu batismo. Em comunhão com os catecúmenos, sendo as pessoas que iriam ser batizadas, o Bispo de Hipona convidava as pessoas cristãs também a jejuar e praticar obras de caridade neste período tão importante da vida cristã.  

O tempo da Quaresma

Santo Agostinho também afirmava ao seu povo a necessidade de oferecer a Deus obras que estivessem de acordo com o período especial da Quaresma. Ele tinha presentes a oração, o jejum, a esmola, conforme o Senhor recomendou no evangelho de Mateus, para que tudo se realizasse na maior descrição, e o Pai do céu que vê o que é secreto, dará a recompensa para os seus filhos e filhas (cfr. Mt ). A cada ano havia uma repetição da solenidade da Quaresma na qual Cristo Senhor sofreu por nós na sua única morte. Há uma perpétua memória de sua Paixão, Morte e Ressurreição.  

Ele veio morar entre nós (Jo 1,14)

É o lema que nós refletimos neste período da Quaresma proposto pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) da qual nós estamos unidos e fazemos parte da Igreja do Senhor. Jesus se encarnou na realidade humana, assumindo tudo o que é próprio do ser humano, menos o pecado. Ele nos redimiu dos pecados, venceu a morte e está vivo para nós lutarmos por moradia digna, com políticas públicas que ajudem a todas as pessoas terem uma casa, um local onde possam viver bem e atuar em favor do Senhor, de seu Reino.  

Se a Igreja antiga com os seus pastores exortavam na Quaresma obras de jejum, de oração e de caridade conforme a Palavra do Senhor, hoje a Igreja exorta à práticas de vida, em unidade com as pessoas sofredoras, para que tenham terra, teto, trabalho. Nós somos chamados a viver bem o período da Quaresma em profunda unidade com o Senhor e com todas as pessoas que necessitam de moradia digna, aqui e agora, e um dia na eternidade.

Dom Vital Corbellini - Bispo de Marabá (PA)

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                                                              Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Papa no Angelus deste domingo:

silenciar
televisores e smartphones para escutar Deus nesta Quaresma

No Angelus deste I Domingo da Quaresma, Leão XIV convidou os fiéis a redescobrir o valor do silêncio e da escuta interior, propondo um jejum não apenas de alimentos, mas também de ruídos e distrações digitais: “Silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones”, exortou o Pontífice.

O céu ensolarado, embora o clima ainda seja marcado pelo frio típico da reta final do inverno europeu, acolheu os peregrinos e fiéis reunidos na Praça São Pedro para a oração mariana do Angelus com o Papa Leão XIV, neste I Domingo da Quaresma, 22 de fevereiro. Em sua reflexão, o Santo Padre deteve-se no Evangelho proposto pela liturgia (cf. Mt 4,1-11), que apresenta Jesus conduzido pelo Espírito ao deserto, onde é tentado pelo diabo após quarenta dias de jejum.

O Papa recordou que Cristo experimenta o cansaço e as provações próprias da condição humana: a fome no plano físico e as tentações no plano espiritual. Resistindo ao demônio, porém, mostra a todos como vencer os enganos e as insídias do mal. A Quaresma, explicou, é um “itinerário luminoso” no qual, por meio da oração, do jejum e da esmola, os fiéis são chamados a renovar a própria cooperação com Deus na realização da “obra-prima única” que é a própria vida.

Entre as falsas promessas e a verdadeira alegria

Leão XIV advertiu para o risco de se deixar seduzir por formas fáceis e imediatas de gratificação, como a riqueza, a fama e o poder, que também estiveram presentes nas tentações enfrentadas por Jesus. Essas propostas, sublinhou, são apenas substitutos pobres da alegria para a qual o ser humano foi criado e acabam por deixar o coração inquieto, vazio e insatisfeito.

Recordando o ensinamento de São Paulo VI, o Pontífice destacou que a penitência não empobrece a pessoa, mas a enriquece, purificando-a e fortalecendo-a no caminho que tem como finalidade o amor e o abandono confiante em Deus. Assim, a penitência torna o cristão mais consciente das próprias limitações, ao mesmo tempo que lhe dá a força para superá-las com a ajuda divina.


Redescobrir o silêncio em um mundo barulhento

Na parte central de sua mensagem, o Papa insistiu na necessidade de criar espaços contínuos de escuta a Deus:

“Demos espaço ao silêncio: silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones. Meditemos a Palavra de Deus, aproximêmo-nos dos Sacramentos; escutemos a voz do Espírito Santo, que nos fala ao coração.”

Segundo Leão XIV, este exercício de escuta não se limita à relação pessoal com Deus, mas se estende também aos vínculos humanos: é preciso aprender a ouvir os outros nas famílias, nos ambientes de trabalho e nas comunidades. O Papa exortou ainda a dedicar tempo a quem vive na solidão, especialmente aos idosos, aos pobres e aos doentes, renunciando ao supérfluo para partilhar com quem carece do necessário. 

Afastar-se do mal e praticar o bem

Por fim, citando Santo Agostinho, o Santo Padre recordou que uma oração acompanhada de humildade, caridade, jejum e esmola “alcança o Céu e nos dá paz”, quando se traduz em atitudes concretas de perdão, de afastamento do mal e de prática do bem.

Ao concluir, o Papa confiou o caminho quaresmal de toda a Igreja à Virgem Maria, “Mãe que sempre assiste os seus filhos nas provações”.

Thulio Fonseca - Vatican News

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                                            Fonte: vaticannews.va   Vídeo e foto: (@Vatican Media

Reflexão para este domingo:

As tentações da Igreja de hoje

José Antonio Pagola

A primeira tentação acontece no “deserto”. Depois de um longo jejum, dedicado ao encontro com Deus, Jesus sente fome. É então que o tentador lhe sugere atuar pensando em si mesmo, esquecendo o projeto do Pai: “Se és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pão”. Jesus, desfalecido, mas cheio do Espírito de Deus, reage: “Nem só de pão vive o ser humano, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Ele não viverá buscando seu próprio interesse. Não será um Messias egoísta. Multiplicará os pães quando os pobres estiverem passando fome. Ele se alimentará da Palavra viva de Deus.

Sempre que a Igreja busca seu próprio interesse, esquecendo-se do projeto do Reino de Deus, ela se desvia de Jesus. Sempre que nós, cristãos, antepomos nosso bem-estar às necessidades dos últimos nos afastamos de Jesus.

A segunda tentação ocorreu no “templo”. O tentador propõe a Jesus fazer sua entrada triunfal na cidade santa, descendo do alto como Messias glorioso. A proteção de Deus estará assegurada. Seus anjos “cuidarão” dele. Jesus reage rapidamente: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. Ele não será um Messias triunfador. Não colocará Deus a serviço de sua glória. Não fará “sinais do céu”. Só sinais para curar enfermos.

Sempre que a Igreja coloca Deus a serviço de sua própria glória e “desce do alto” para mostrar sua própria dignidade, ela se desvia de Jesus. Quando nós seguidores de Jesus buscamos mais “nos dar bem” do que “fazer o bem”, também nos afastamos dele.

A terceira tentação sucede numa “montanha altíssima”. Dela se divisam todos os reinos do mundo. Todos estão controlados pelo diabo que faz a Jesus uma oferta assombrosa: ele lhe dará todo o poder do mundo, mas com uma condição: “se te prostras e me adoras”. Jesus reage violentamente: “Vai-te, satanás”. “Só ao Senhor, teu Deus, adorarás”. Deus não o chama para dominar o mundo como o imperador de Roma, mas para servir aos que vivem oprimidos por seu império. Jesus não será um Messias dominador, mas servidor. O Reino de Deus não se impõe com poder, mas se oferece com amor.

A Igreja tem que afugentar hoje todas as tentações de poder, de glória ou dominação, gritando com Jesus: “Vai-te, satanás” O poder mundano é uma oferta diabólica. Quando nós cristãos o buscamos, nos afastamos de Jesus.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Leão XIV em audiência neste sábado:

nenhum jovem deve ser deixado "no banco de reservas"

Durante audiência com participantes do Projeto Policoro, Leão XIV destacou a importância de apoiar a juventude, promover o trabalho digno e fortalecer a vida comunitária: "nenhum jovem pode ser deixado 'no banco de reservas', mas deve ser apoiado na realização de seus sonhos e na melhoria do mundo."

Ninguém deve ser negligenciado, ninguém deve se sentir abandonado, sobretudo em um contexto marcado pelo inverno demográfico e pelas dificuldades sociais e econômicas. Foi o que afirmou o Papa Leão XIV ao receber em audiência, neste sábado, 21 de fevereiro, os participantes do Projeto Policoro da Conferência Episcopal Italiana (CEI), por ocasião dos 30 anos da iniciativa, dedicada à promoção do trabalho digno e ao acompanhamento dos jovens.

Ao saudar os presentes, o Papa agradeceu pelo bem realizado ao longo de três décadas e elogiou o compromisso dos jovens envolvidos no Projeto. “Vocês são o rosto bonito de uma Itália que não desiste, não se resigna, arregaça as mangas e se levanta novamente”, afirmou, recordando que, nesses anos, foram semeadas inúmeras iniciativas no campo social, político e econômico, inspiradas pelo Evangelho e pela doutrina social da Igreja.

Evangelizar o mundo do trabalho

O Santo Padre recordou a origem do Projeto Policoro, nascido em 1995 a partir da criatividade pastoral da Igreja na Itália, com especial atenção às regiões mais frágeis do país. Segundo Leão XIV, ao longo do tempo, a iniciativa cresceu com o objetivo de responder às novas exigências sociais e, sobretudo, de “evangelizar o mundo do trabalho”. Entre os frutos do Projeto, o Papa mencionou a criação de cooperativas, o reaproveitamento social de bens confiscados das máfias e o acompanhamento de jovens na construção de atividades empreendedoras: 

“Vocês dedicaram horas nas escolas e nas paróquias para educar para o sentido do trabalho e da justiça, para formar para a paz e para sensibilizar para o bem comum. Vocês trataram as feridas de jovens mantidos à margem, desiludidos e desmotivados. Obrigado por todo esse bem semeado! Obrigado porque vocês têm bem claro que nenhum jovem pode ser deixado 'no banco de reservas', mas deve ser apoiado na realização de seus sonhos e na melhoria do mundo.”

O Evangelho como bússola

Ao falar do método de trabalho do Projeto, Leão XIV destacou o valor do acompanhamento: “As dioceses estendem a mão a vocês, e vocês caminham ao lado de jovens que procuram um caminho no trabalho, na economia e na sociedade”. Esse estilo, segundo o Papa, permitiu que a experiência se expandisse também para além do Sul da Itália, envolvendo outras regiões do país.

Indicando os pilares que sustentam o compromisso do Projeto, o Papa afirmou que “a bússola do caminho de vocês é o Evangelho”, pois nele se encontra “a verdadeira força que transforma os corações e o mundo”. Recordou ainda a importância da doutrina social da Igreja como instrumento para interpretar a realidade, convidando os jovens a não se deixarem levar por visões pessimistas nem por ingenuidades. Citando São Paulo, exortou: “Examinem tudo e fiquem com o que é bom”. Entre os princípios que devem orientar a ação social e pastoral, o Pontífice recordou a centralidade da pessoa humana, o bem comum, a solidariedade, a subsidiariedade, a destinação universal dos bens, a participação, a ecologia integral e a paz.


A comunidade como “incubadora de futuro”

Leão XIV chamou a atenção para o valor da vida comunitária em uma cultura marcada pelo individualismo e pela competição:

"O trabalho, a economia, a política e a comunicação não se sustentam no gênio de líderes solitários, mas em especialistas em relações sociais. Quando cresce a vida comunitária, tanto na sociedade quanto na Igreja, então criamos a condição para que a vida possa germinar. Vocês serão fecundos sempre que cuidarem das redes comunitárias. A inteligência, o talento, o conhecimento, a organização social e a capacidade de trabalhar se desenvolvem graças a boas relações. Se sonharem juntos, se dedicarem tempo para fazer crescer caminhos compartilhados, se amarem suas cidades, vocês se tornarão como o sal que dá sabor a tudo (cf. Mt 5,13)."

Testemunhas de santidade social

Na parte final do discurso, o Papa recordou diversas figuras que marcaram a história da Itália e da Igreja pelo compromisso social e cristão, convidando os jovens a conhecer e narrar essas biografias. “Há um rio de santidade que tornou férteis as nossas comunidades. É o sinal concreto de que Deus nunca nos deixa sozinhos”, afirmou. Segundo o Santo Padre, por meio de pessoas concretas, Deus continua a transformar a vida social e a evangelizar o mundo do trabalho.

O Pontífice também encorajou os participantes a seguirem adiante com confiança: “A Itália e a Europa precisam de vocês e do entusiasmo de vocês”. Exortou ainda a não deixarem de sonhar e de criar laços com jovens de outros países. “Acompanho vocês com esperança, recordo vocês na oração e concedo de coração a vocês e às suas famílias a bênção apostólica”, concluiu.

Thulio Fonseca - Vatican News 

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                                                         Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

Reflexão de frei Almir Guimarães

A difícil arte de bem escolher os caminhos da vida
As tentações de ontem e de sempre

Há tentações em nosso caminho que, se cairmos, podem arruinar nossa vida e nos afastar do seguimento de Jesus. Dizemos todos os dias: “Não nos deixeis cair em tentação!”

O deserto é o lugar onde ficamos completamente desprotegidos. Lá estamos sozinhos, frente a frente com nós mesmos, com nosso vazio interior, nosso desamparo, nossa solidão, com o imenso nada ao redor e dentro de nós. (Grün-Reepen)

 Tentações, sugestões que nos são feitas para apequenar nossa vida. Convites atraentes para que aproveitemos a vida, de nosso jeito e a partir de nossos interesses, nem sempre os mais generosos, nem sempre os mais transparentes. As tentações sugerem que acolhamos o que nos é proposto sem outras preocupações, deixando de lado de ouvir o grito de plenitude que ecoa dentro de nós nos momentos de verdade, sem prestar atenção ao murmúrio daqueles que perderam a força de viver e clamam à beira dos caminhos da vida.

 O tempo da quaresma sempre foi tido como uma bem propícia ocasião para exercitarmo-nos no combate contra as forças que sempre perturbaram e continuam perturbando a implantação de um mundo transparente que veio criar Cristo Jesus, nosso amado e nosso Senhor. Jesus, tentado no deserto, resiste aos convites do poder, do prestígio da autorreferencialidade. O homem vive, isto sim, de toda palavra que sai da boca de Deus.

 Começando sua vida pública Jesus vai ao deserto e sai vitorioso. Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Haverás de adorar ao Senhor teu Deus e só a ele servirás. Não tentarás ao Senhor teu Deus.

 “Dizer sim ao que posso fazer em conformidade com Cristo. Dizer não às pulsões idolátricas e egocêntricas que nos alienam e contradizem nossas relações com Deus, com os outros, com as coisas, conosco mesmos, relações chamadas a se caracterizarem pela liberdade e pelo amor” (Enzo Bianchi).

 Não somos completamente autônomos. Não existimos porque tenhamos nos inventado a nós mesmos. Somos parte dos sonhos de Deus. Escutaremos sempre sua voz, seus apelos para permanecer em seu amor e no bem querer de todos os que também por ele foram sonhados e inventados. Dependemos do Senhor e caminhamos com companheiros de viagem. Vivemos numa definitiva dependência. Não há como sair. Eu e tu, tu e eu.

 O diabo havia sugerido que Jesus transformasse pedras em pães. Jesus não se colocará a serviço de seu próprio interesse esquecendo o desígnio do Pai. “Nossas necessidades não ficam satisfeitas apenas com o fato de termos assegurado nosso pão material. O ser humano necessita de muito mais. Inclusive para regatar da fome e da miséria os que não têm pão, precisamos escutar a Deus, nosso Pai, e despertar em nossa consciência a fome de justiça, a compaixão e solidariedade (Pagola, A Boa Nova de Jesus, Vozes, p. 31). Os anseios do homem não se apagam com o consumo. Homem e mulher vão se tornando humanos quando aprendem a viver como irmãos.

 Terrível a tentação do poder, de dominar, de não possibilitar a participação de outros em nossos projetos, de deixar de ouvir o murmúrio que vem do mistério da vida do outro. Tal acontece em nossa vida pessoal, na sociedade e na Igreja. Quanto mais bens e prestigio se tem, mais se deseja. Francisco de Assis quis que seus seguidores e ele mesmo fossem designados de frades, irmãos menores: “E nenhum se chame prior, mas todos, indistintamente se chamem irmãos menores. E lavem os pés uns dos outros” (Regra não-bulada 6,3).

 Não se pode viver de maneira inerte e esperar presunçosamente tudo de Deus. Quem entendeu um pouco o que é ser fiel a um Deus que é Pai de todos, arrisca-se cada dia mais na luta pela construção de um mundo mais digno e justo para todos Não tentarás ao Senhor teu Deus.

 Tentações de retirar-se da luta, do isolamento, da ideia de que as pessoas se arranjem sozinhas. Do indiferentismo e do “salve-se-quem-puder”. Tentação de enfiar a cabeça na areia e não tomar consciências dos problemas que afetam o presente e o futuro. Tentações nos desertos de ontem e na aridez de nossa vida humana e cristã. Tentação da intolerância e da intransigência. Tentação de parar tomados pelo desânimo.

 Nossa escolha será a de tentar ouvir a voz do Senhor, de buscar simplicidade de vida, de colocar de lado a busca da realização de tantos desejos que, uma vez realizados, deixam um sem gosto em nossos lábios, de tentar olhar com carinho efetivo todos os rostos que andam nos olhando.

 AFINAL DE CONTAS, QUAL É A NOSSA ESCOLHA?

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Texto para reflexão

“Adão, onde estás?”

O Senhor não esperou os teólogos para se explicar em poucas palavras. Todo o esforço de Deus desde a criação tem sido, por todos os meios, fazer o homem compreender que o amava. Esgotados todos os argumentos, apresenta a maior prova. “Não há maior amor do que dar a vida por aqueles que amamos”. Eis tudo. Depois disso não há mais nada a dizer. Quem quiser que compreenda. Aí está o livro aberto sobre a cruz. Toda infelicidade dos homens vem do amor inimaginável que Deus lhes tem. O único pecado é o da recusa. Só se recusa o que é oferecido. “Se eu não tivesse vindo eles estariam sem pecado. Agora não têm mais desculpa”.

O Cristo na cruz traduz para o homem um uma linguagem universal, em um sinal tão simples como o pão e a água, o amor incompreensível que o consome. Eis por que não há pecado senão de infidelidade. Os moralistas podem esforçar-se por organizar listas e calcular as contas; é um meio como outro qualquer de escapar ao amor. A verdade é que os caminhos que permitem fugir são numerosos. Não importa qual seja o que se toma: o pecado é o afastamento. Cristo morreu por correr atrás do homem que o atraiu a uma sociedade que sempre mata quem a atrapalha.

Em vez de dizer que a Paixão foi a salvação para a humanidade, seria mais exato ver nela o derradeiro apelo: “Adão, onde estás?”

É o grito que escapa de todas as chagas do crucificado e impede o autêntico cristão de dormir tranquilo. (Jean Sulivan, Provocação ou a fraqueza de Deus, Ed. Herder, São Paulo 1966, p. 111-112)
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Oração

“E não nos deixeis cair em tentação”
Rezo devagar estas palavras, fazendo-as minhas.
Não me deixes quando as paredes do tempo se tornam instáveis e as palavras de hoje têm a dureza do pão amassado ontem.
Não me deixes quando recuo porque é difícil, quando quase me inclino perante idolatria do que é cômodo e vulgar.
Não me deixes atravessar sozinho os embaciados corredores da incerteza, ou perder-me no sentimento do cansaço e da desilusão.
Não me deixes tombar na maledicência e no descrédito quanto à vida.
Que a tua mão levante à altura da luz a minha esperança. (José Tolentino Mendonça - Um Deus que dança, Paulinas, p. 97)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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