domingo, 16 de agosto de 2026

3ª Semana Vocacional:

Consagrados pelo Reino de Deus! 

Dom Diamantino Prata de Carvalho - Bispo Emérito da Campanha (MG)

Dando continuidade à celebração do mês vocacional, após refletirmos sobre os dons das vocações ordenadas e matrimoniais, uma partindo da comemoração pelo “Dia do Padre” e outra pelo “Dia dos Pais”, avançamos neste terceiro domingo com a reflexão em torno dos dons das vocações religiosas e à vida consagrada. A Vida Religiosa não nasce de uma simples escolha profissional ou de um projeto humano de filantropia; nasce de um encontro transformador com a pessoa de Jesus Cristo.

Em um mundo frequentemente marcado pelo individualismo, pelo consumo desenfreado e pelo imediatismo, os conselhos evangélicos professados pelos religiosos funcionam como uma profecia viva. A Pobreza nos lembra que o maior tesouro do coração humano é Deus e que a solidariedade e a partilha devem se sobrepor ao acúmulo material. A Castidade proclama a capacidade de amar a todos com coração livre, doando-se sem posse, espelhando o amor incondicional do Pai. A Obediência ensina a escuta atenta da vontade divina em comunhão com os irmãos, oposta à autossuficiência e ao egocentrismo.

Seja no silêncio dos mosteiros contemplativos, onde homens e mulheres sustentam a Igreja invisivelmente pela oração contínua, seja no dinamismo da vida ativa, presente nas escolas, hospitais, periferias e terras de missão, a vida consagrada manifesta a maternidade e o cuidado de Deus pela humanidade. A história da Igreja confunde-se com a atuação dos carismas religiosos. Onde há dor, abandono ou fome, tanto física quanto espiritual, há a presença de um religioso ou de uma religiosa. Eles são os braços estendidos da Igreja que chegam às geografias e às existências mais distantes. Como afirmava o Papa Francisco: “A vida consagrada é a história de um amor apaixonado pelo Senhor e pela humanidade. Onde estão os religiosos, há alegria e profecia.”

Pela vida contemplativa, a Igreja se faz presente e atuante na sociedade através da oração incessante, da intercessão e do testemunho da primazia de Deus no silêncio dos claustros. Pela vida missionária e ativa, a Igreja contribui significativamente com uma evangelização encarnada, no sentido de que esta supera os vãos discursos, concretizando-se por meio de obras em favor da justa educação, saúde, assistência aos marginalizados e defesa dos direitos humanos. Por fim, pelos Institutos Seculares e novas comunidades, a Igreja se põe em saída através de uma consagração no meio do mundo, santificando as realidades temporais no cotidiano.

De modo geral, contemplamos a partir dos Consagrados uma ampla e plural frente de atuação da Igreja. Tamanha riqueza, no tocante à Caridade, nos provoca a uma atenção particular ao testemunho de nossos irmãos religiosos e religiosas, aos quais precisamos constantemente dizer: A Igreja precisa do seu sim diário!

Neste ano de 2026, ao celebrarmos o Mês Vocacional, renovamos o nosso agradecimento pela doação silenciosa, pelas orações na madrugada, pelas mãos gotejantes de trabalho nas missões e pelo testemunho de fé que não esmorece diante das dificuldades do tempo presente. Vocês são a prova viva de que o Evangelho é viável, de que vale a pena entregar tudo por Cristo e de que a santidade é um caminho aberto e fascinante.

Que a Virgem Maria, Nossa Senhora da Assunção, modelo perfeitíssimo de consagração e resposta fiel ao Pai, cubra cada missionário e missionária com seu manto materno, sustentando a perseverança e renovando o ardor vocacional. E a toda a comunidade eclesial, fica o convite: rezemos pelas vocações à Vida Religiosa Consagrada, promovamos em nossas famílias e paróquias uma cultura vocacional onde os jovens sintam a coragem de responder ao chamado do Mestre e apoiemos com carinho e gratidão aqueles que já entregaram suas vidas por nós e pelo Reino.

__________________________________________________________________________
 Fonte: cnbb.org.br     Imagem: vaticanews.va

Papa no Angelus em Castel Gandolfo neste domingo:

a mesa de Deus é para todos,
a ninguém estão reservadas só as migalhas

Aos fiéis reunidos na Praça da Liberdade em Castel Gandolfo, Leão XIV comentou a liturgia deste XX Domingo do Tempo Comum, que apresenta o episódio da mulher cananeia. "À luz desta fé, as desigualdades, as discriminações e as barreiras que pisam a dignidade de tantos filhos e filhas de Deus tornam-se insuportáveis", disse o Santo Padre.

O Angelus dominical do Papa Leão XIV foi em Castel Gandolfo, para onde se dirigiu por ocasião da Solenidade da Assunção da Virgem Maria, celebrada em 15 de agosto. Nesta festa, afirmou o Pontífice, contempla-se Nossa Senhora na sua inseparável relação com o Filho: nem mesmo a morte conseguiu interromper essa comunhão de alma e corpo, que é vida eterna. Assim, todos os domingos, Ela nos recorda que essa mesma plenitude está reservada a quem segue Jesus: a sua ressurreição não é um acontecimento do passado, mas uma vida nova que nos envolve.

Comunicar a paz de Cristo para além das fronteiras

Isso é demonstrado hoje pela mulher cananeia, protagonista do Evangelho proclamado na liturgia (Mt 15, 21-28). Apesar de não pertencer ao seu povo e de viver numa região estrangeira, ela procura insistentemente falar com Jesus, desejando a paz para a sua filha atormentada. Os discípulos veem-na como uma pessoa incômoda, e o próprio Jesus resiste aos seus pedidos. Em certo momento, porém, acontece algo inesperado, Jesus se deixa tocar pelo que vê e ouve. Por fim, diz: «Mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas».

"Também hoje a Igreja pode deixar-se surpreender pela obra de Deus e comunicar a paz de Cristo para além das fronteiras já traçadas", disse Leão XIV. A sua missão é antecipada pela graça divina, que atua no segredo das consciências, de modo que, em cada encontro, mesmo naqueles que perturbam os nossos planos, "é preciso prestar atenção, abrir os olhos e abrir o coração ao que Deus nos quer dizer".

Desigualdades e discriminações são insuportáveis

Para o Santo Padre, da mulher cananeia devemos aprender a humildade e a determinação:

“Graças à sua fé, aprendemos que a mesa de Deus está preparada para todos e que a ninguém estão reservadas só as migalhas porque cada um, junto do Pai, tem o seu lugar. À luz desta fé, as desigualdades, as discriminações e as barreiras que pisam a dignidade de tantos filhos e filhas de Deus tornam-se insuportáveis.”

O Pontífice concluiu recordando aos fiéis que "somos a Igreja de Jesus Cristo num mundo atormentado, que procura a paz. A Maria, nossa Mãe, pedimos que interceda por nós".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

_____________________________________________________________________
  Fonte: vaticanews.va     Vídeo e fotos: (@Vatican Media

Reflexão para este domingo:

 Traços característicos de Maria

José Antonio Pagola

A visita de Maria a Isabel permite ao evangelista Lucas pôr em contato o Batista e Jesus, antes mesmo de nascer. A cena está carregada de uma atmosfera muito especial. As duas mulheres vão ser mães. As duas foram chamadas a colaborar no plano de Deus. Não há varões. Zacarias ficou mudo. José está surpreendentemente ausente. As duas mulheres ocupam toda a cena.

Maria, que veio apressadamente de Nazaré, transforma-se na figura central. Tudo gira em torno dela e de seu Filho. Sua imagem brilha com certos traços mais genuínos do que muitos outros que lhe foram acrescentados ao longo dos séculos, a partir de invocações e títulos alheios aos evangelhos.

Maria, “a mãe de meu Senhor”. Assim o proclama Isabel em alta voz e cheia do Espírito Santo. Isto é certo: para os seguidores de Jesus, Maria é, antes de tudo, a Mãe de nosso Senhor. Daí parte sua grandeza. Os primeiros cristãos nunca separam Maria de Jesus. Eles são inseparáveis. “Bendita por Deus entre todas as mulheres”, ela nos oferece Jesus, “fruto bendito de seu ventre”.

Maria, a crente. Isabel proclama Maria feliz porque ela “acreditou”. Maria é grande não simplesmente por sua maternidade biológica, mas por ter acolhido com fé o chamado de Deus para ser Mãe do Salvador. Ela soube ouvir a Deus; guardou sua Palavra dentro de seu coração; meditou-a; a pôs em prática cumprindo fielmente sua vocação. Maria é mãe crente.

Maria, a evangelizadora. Maria oferece a todos a salvação de Deus, que ela acolheu em seu próprio Filho. Essa é sua grande missão e seu serviço. De acordo com o relato, Maria evangeliza não só com seus gestos e palavras, mas porque traz consigo, para onde vai, a pessoa de Jesus e seu Espírito. Isto é o essencial do ato evangelizador.

Maria, portadora de alegria. A saudação de Maria comunica a alegria que brota de seu Filho Jesus. Ela foi a primeira a ouvir o convite de Deus: “Alegra-te…, o Senhor está contigo”. Agora, a partir de uma atitude de serviço e de ajuda a quem precisa, Maria irradia a Boa Notícia de Jesus, o Cristo, que ela sempre traz consigo. Ela é para a Igreja o melhor modelo de uma evangelização prazerosa.

______________________________________________________________________

JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

____________________________________________________
                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 15 de agosto de 2026

Paróquia São José - Paraisópolis - MG:

  Horários de missa e outros eventos

_____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

Dia 16 - 19º Domingo do Tempo Comum

7h e 9h -  Missa na matriz

11h - Missa na igreja de Santa Edwiges

11h - Missa na comunidade de Santa Vitória

18h - Celebração na igreja de Santo Antônio

  19h - Missa na matriz - Envio de acólitos e coroinhas

_____________________________________________________________________________________

Leão XIV na missa da Solenidade da Assunção:

o amor é o mais belo ornamento do ser humano

Na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, Leão XIV convida os fiéis a redescobrirem a verdadeira beleza, que não está na aparência exterior, mas nos sinais de um amor capaz de transformar e elevar. Na homilia da Missa celebrada em Castel Gandolfo, o Pontífice alertou ainda para os padrões estéticos impostos pelo mundo, que podem nos aprisionar “naquilo que realmente não tem valor nem dura para sempre”.

Neste sábado, 15 de agosto, a Igreja celebra a Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, uma das principais festividades marianas do calendário litúrgico e também feriado nacional na Itália. Como no ano passado, o Papa Leão XIV escolheu celebrar a data junto aos fiéis de Castel Gandolfo, cidade próxima a Roma e local de sua residência de verão. Ali, o Pontífice presidiu à Santa Missa na Paróquia Pontifícia de São Tomás de Villanova, que fica a poucos metros do Palácio Pontifício.

A liturgia recorda Maria que, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória do Céu. E foi justamente a partir da imagem de Nossa Senhora da Assunção que Leão XIV desenvolveu sua homilia, propondo uma reflexão sobre a verdadeira beleza: aquela que não procura esconder as marcas do tempo, mas deixa transparecer os sinais de um amor que não passa.

A verdadeira beleza

O Papa recordou que muitas obras de arte representam Nossa Senhora da Assunção como uma jovem belíssima que se eleva da terra em direção ao Céu. Uma imagem que, à primeira vista, contrasta com a experiência humana do envelhecimento e com as marcas que os anos deixam no corpo.

“A glorificação de Maria, em corpo e alma, ensina-nos que a nossa verdadeira beleza não consiste em esconder os sinais do tempo que passa, mas em mostrar, impressos também na nossa carne, os sinais do amor que não tem fim.”

A partir dessa reflexão, Leão XIV convidou a rever os padrões estéticos impostos pelo mundo, “predominantemente de caráter hedonista e consumista”, que correm o risco de aprisionar as pessoas em condicionamentos e levá-las a desperdiçar energias “naquilo que realmente não tem valor nem dura para sempre”. Para o Pontífice, a experiência cotidiana mostra onde reside a verdadeira beleza: há pessoas cujos rostos são marcados pelos anos e pelos sofrimentos e que, ainda assim, são capazes de irradiar serenidade, benevolência e paz.


A beleza divina, prosseguiu o Papa, pode ser reconhecida em todas as fases e circunstâncias da existência: “no rosto terno de uma criança” e “nas rugas de um idoso”, na vivacidade dos jovens, na maturidade dos adultos e também na simplicidade das roupas e dos instrumentos de trabalho.

“É o amor o mais belo ornamento do homem: o amor que transfigura, transforma, enobrece, eleva; que torna leves, livres, próximos de Deus, mesmo através das vicissitudes da vida.”

Trazer um pouco do Céu à terra

O mistério celebrado neste 15 de agosto, ressaltou Leão XIV, não deve ser procurado longe da vida cotidiana. A verdadeira caridade pode ser encontrada nos olhos dos pais que regressam cansados do trabalho, mas felizes por estar com os filhos; nos avós que, apesar dos limites da idade, encontram uma energia inesperada ao cuidar dos netos; e nos jovens que procuram crescer íntegros e honestos, mesmo quando isso significa ir contra a corrente. Ela está também na vida de tantos homens e mulheres que, “diariamente, com fé e dedicação, contribuem para trazer um pouco do Céu à terra e levar a terra para o Céu”. E acrescentou:

“Queridos irmãos, o belíssimo rosto de Nossa Senhora da Assunção é único, ultrapassa qualquer representação possível. No entanto, ao mesmo tempo, é familiar: é o rosto das pessoas que estão ao nosso lado, mesmo neste momento, dos irmãos e irmãs com quem partilhamos, na fé, a oferta diária da nossa vida. […] Na sua humanidade santa, pela graça de Deus, está também a nossa; lá estamos também nós, chamados a viver a sua mesma plenitude de vida e a partilhar a sua mesma glória.”

Ao concluir a homilia, o Papa convidou os fiéis a seguir “a luz do Ressuscitado”, mudando de rumo quando necessário, e a olhar para Maria, que Deus deu à humanidade como “Mãe, guia, companheira de viagem e protetora no caminho para o Céu”.

__________________________________________________________

Assista:

Thulio Fonseca – Vatican News

________________________________________

Papa no Angelus:

Papa confia a Maria todos os povos necessitados de consolação

Na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo, Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus, explicando aos fiéis as duas iconografias que nos fazem contemplar o mistério da da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Na sequência, confiou a Maria todos os povos necessitados de consolação

“Santa Maria, rogai por nós!”: com esta súplica, o Papa Leão confiou todos os povos que necessitam especialmente serem consolados e continuarem a ter esperança.

“Penso nos irmãos e irmãs da Terra Santa, que é, por excelência, também a Terra de Maria. Penso no povo ucraniano e no povo russo, ambos unidos pela devoção filial à Santa Mãe de Deus. Penso nos cristãos que sofrem discriminação ou até mesmo perseguição. Continuo rezando nestes dias pelas populações colombianas que sofrem por causa do terremoto.”

Ao final da oração mariana do Angelus, o Pontífice recordou que a Santíssima Maria, assumida na glória do céu, é para todo o povo de Deus um sinal de esperança e de consolo. Por isso, invocou sua intercessão maternal em nome daquelas comunidades que vivem em contextos difíceis.

A iconografia da solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria

Já em sua alocução, o Pontífice recordou que esta festa tem grande importância, seja para a teologia católica, seja para a devoção popular. Para contemplar este mistério da fé, o Papa recorreu a dois modelos iconográficos. O primeiro, o mais antigo, que foi o único durante quase um milênio, é o da “dormição” da Mãe de Deus: ela aparece deitada num catafalco, adormecida na morte; à sua volta estão os Apóstolos, que a veneram comovidos em oração; no centro, de pé, está Jesus ressuscitado, que segura nos braços a alma de Maria, como uma criança recém-nascida. Ele veio buscá-la para a levar consigo para a glória de Deus.

Este primeiro modelo realça a verdade central: é Cristo, morto e ressuscitado, que nos conduz à meta para a qual estamos desde sempre destinados, a vida eterna. É isto que gerações e gerações de fiéis contemplaram ao rezarem perante os ícones da Dormição.

Corpo glorificado da Virgem

A iconografia mais recente, que se desenvolveu posteriormente no Ocidente, mostra, por sua vez, a Virgem Maria de corpo inteiro, no céu, envolta de luz, frequentemente rodeada por anjos e santos. Aqui, no centro, encontra-se o corpo glorificado da Virgem, em consonância com o que se lê no Livro do Apocalipse: «Apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça» (Ap 12, 1).

Alguns artistas combinaram os dois esquemas, representando, na parte superior, a Virgem gloriosa e, na parte inferior, o seu túmulo vazio, frequentemente repleto de flores multicoloridas, e os Apóstolos com o olhar voltado para ela, no céu.

Este segundo modelo realça a verdade de que Maria foi elevada em corpo e alma, ou seja, na integridade da sua pessoa. Aquela mulher que, na terra, deu corpo e sangue ao Verbo encarnado e o seguiu até à união perfeita no sacrifício de amor, foi por Ele atraída para sempre à glória.

Para o Santo Padre, esta iconografia permite contemplar o nosso destino último: "A plenitude de vida, que hoje admiramos com alegria em Maria, espera-nos também a nós, no fim dos tempos, quando, como diz São Paulo, Cristo Ressuscitado «transfigurará o nosso pobre corpo, conformando-o ao seu corpo glorioso», revestindo o que é corruptível de incorruptibilidade e o que é mortal de imortalidade. Então, com a nossa carne transformada pelo amor do Redentor, viveremos eternamente, na festa sem fim. Louvemos o Senhor, que fez grandes coisas na sua e nossa Santíssima Mãe!".

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

_____________________________________________________________________
  Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeos: (@Vatican Media

Reflita com o frei Almir Guimarães:

A Senhora assunta na glória

Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas (Ap 11,19a)

Nossa viagem através do tempo

Nossa vida pode se comparar a uma viagem através do tempo. Entre o nascer e o morrer atravessamos planícies, escalamos montanhas, andamos com facilidade no terreno plano e, com o tempo, as pessoas nos sugerem delicadamente o uso de uma bengala ou nos oferecem o braço. Colocamos gestos, tomamos decisões, acertamos e erramos. E tudo passa. Não conseguimos reter essa sucessão de coisas, de estados interiores, esse incessante fluir. Tudo tem perfume de caducidade.

Ao longo do tempo que passa vamos modelando nosso semblante interior, nosso verdadeiro rosto. Não somos donos do tempo. Temos a graça de viver no tempo. E há tempo para tudo, como diz o Eclesiastes: tempo para rir e para chorar, tempo para trabalhar e descansar, tempo pra viver e tempo para morrer.

A impressão que temos é que Na estrada percorrida houve tempos fortes, belos, fecundos que deixaram marcas para sempre. De outro lado, também, houve tempos mortos. Permanece para sempre o bem que foi sendo feito. Terrível pensar nesses tempos vazios, tempos que nos ocupamos demais de nós mesmos, tempo em que não fizemos questão de marcar ou aceitar os toques do Senhor, tempo marcado pelo dilaceramento do pecado.

____________________________________________________________

Maria teve uma existência sem tempos mortos

Hoje, solenidade da Assunção de Maria à glória, Maria, a cheia de graça, o tabernáculo do Senhor, comemoramos o tempo de Maria que se transformou em eternidade. Claro, ela também vivera sob o signo do efêmero e transitório. Vicissitudes, tempo de menina moça, promessa de casamento, a visita do anjo, o menino que nasceu nas palhas e toda a sua trajetória até o momento de sua dormição. Nasceu ela num cantinho do Oriente Médio: cuidados com as coisas de todos os dias, o pão que precisava ser assado, o cântaro para buscar água poço, a conversa com as vizinhas sobre coisas que se passavam aldeia, ramalhete de preocupações e sofrimentos, buquê de alegrias, horas cinzentas e momentos doloridos como todos vivemos.

Mas com Maria acontece alguma coisa diferente daquilo que conosco sucede. Em seu caminhar, por graça de Deus, ela não conheceu a tragédia do pecado, essa fissura interior, esse desejo contrariado de fazer o bem, mas de efetivamente fazer o mal. Maria não conheceu o drama do pecado. De nada teve que se arrepender, de renegar o que quer que seja de seu passado. Quando terminou sua carreira estava pronta para entrar na glória. Maria não conheceu tempos mortos.

____________________________________________________________

A Imaculada é Senhora da glória

Fixando nosso olhar nessa mulher agraciada divisamos aquela na qual o Senhor opera maravilhas, fiel serva do Senhor que levava para o fundo dos corações tudo que lhe era anunciado, aquela que teve sua vida profundamente vinculada a de Jesus, a segunda pessoa da Trindade que tomou nossa carne na carne de Maria. Dele, desse Deus encarnado, ela fora mãe. Em tudo acompanhou o Filho e teve como ápice desse acompanhamento o estar ao pé da cruz. Ela não conheceu o pecado e por privilégio, ao terminar sua peregrinação foi elevada à glória.

Maria é a porteira da glória. Está nos espaços espirituais que designamos de céu. Seu nome é Maria da Glória, Maria do face-a-face eterno. Nós que não fomos poupados do pecado, mas resgatados pelo filho de Virgem, por sua paixão, morte e ressurreição somos também destinados à mesma glória que Maria.

Pio XII, no dia 1° de novembro de 1950 declarou como verdade de fé assunção da Virgem: “Desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, Imaculada na concepção, virgem completamente intacta na divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor que obteve pleno triunfo sobre o pecado e suas consequências, ela alcançou ser guardada imune da corrupção do sepulcro como suprema coroa de seus privilégios, Semelhantemente a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à pátria celeste, onde, rainha, refulge à direita de seu Filho, o Imortal, rei dos séculos”.

____________________________________________________________

Texto para oração

MARIA, FILHA E MÃE DA HUMANIDADE

Maria, no coração do mundo,
no começo dos tempos,
na aurora de nossas vidas.

Maria, na noite de Belém
que dá a terra a Deus.

Maria, ternura e fidelidade,
tendo a Vida em nossas mãos.

Maria, doce e frágil,
a força e a luz,
pobre e humilde,
a glória e a riqueza.

Maria, ao pé da cruz,
mãe e filha, só,
traspassada e radiante,
humana em teu sofrimento,
divina em teu semblante.

Maria, mãe de nosso salvador,
salvadora tu mesma para nosso mundo perdido, sem rota.

Maria, filha e mãe de nossa humanidade,
ao pé da cruz.

Maria, nossa força e nossa luz,
nossa glória e nossa riqueza.

Maria, na manhã de Páscoa
discreta e quase ausente,
Maria dos dias de alegria,
feliz e esquecida.

Maria, nossa alegria e nosso sorriso,
mão estendida ao pecador,
socorro dos aflitos,
Maria – perdão.

Maria, em Pentecostes,
fortaleza dos apóstolos,
sustentáculo nosso na tormenta de nossas incertezas.

Maria, nossa esperança,
que a cada dia dás ao mundo
nosso Deus.

_____________________________________________________________________________________

FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

__________________________________________________                                                                       Fonte: franciscanos.org.br   Imagem: vaticanews.va

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Como ser uma família santa?

O Papa responde a um casal de brasileiros em lua de mel

Yago e Danielly são mineiros de Divinópolis e participaram da bênção dos recém-casados na Audiência Geral desta quarta-feira (12/08) com Leão XIV. Eles foram surpreendidos com a atenção do Pontífice ao responder à pergunta sobre o sonho de construir uma família santa: "coloquem tudo nas mãos de Deus. Rezem muito: o rosário, a santa missa, os sacramentos. E muita paciência entre vocês", disse o Papa ao aconselhar os jovens brasileiros na Basílica de São Pedro extensivo a casais do mundo inteiro.

“Coloquem tudo nas mãos de Deus. Rezem muito: o rosário, a santa missa, os sacramentos. E muita paciência entre vocês.”

Esse foi o conselho simples e prático dado a um jovem casal brasileiro ao final da Audiência Geral desta quarta-feira (12/08), na Basílica de São Pedro, quando Yago Barbosa Moreira questionou o Papa sobre "como ser uma família santa". Pouco tempo antes da pergunta, porém, ele conta das incertezas sobre o que dizer ao estar diante do próprio Pontífice:

"Naquele momento, quando ele estava vindo, cumprimentando a gente, só vinha uma pergunta: o que eu posso perguntar? E, pra mim, a pergunta que me vinha mais no meu coração era isso: o meu maior desejo do coração é ter uma família santa. Então eu vou perguntar isso pra ele. Aí eu fiquei treinando em italiano. Como que eu pergunto isso? Eu falo até meio travado assim, porque eu queria perguntar em italiano pra que ele pudesse entender. E foi mágico ver ele olhando meus olhos, respondendo essa pergunta. Eu achei que meu coração ia parar ali, naquele momento!"

Do pão de mel à vaquinha dos amigos para encontrar o Papa

Membros da Comunidade Sacramento de Amor, Yago, de 30 anos, e Danielly Cristina de Faria, de 29 anos, são naturais de Divinópolis/MG, casaram-se em 1º de agosto na Igreja Nossa Senhora da Guia e a viagem à Itália é de lua de mel. Para realizar o sonho do casal de vir ao Vaticano para receber a bênção dos recém-casados do Papa Leão XIV, foram meses de economia, além da generosidade de amigos. E não só: para ajudar nas despesas, inclusive nos gastos do casamento, Yago, que trabalha com abordagem social na sua cidade de origem, vendeu pães de mel pelas ruas, que vinham com mensagens de evangelização e de divulgação da Novena do Abandono. A iniciativa voluntária gerou apenas um quarto do valor da viagem, mas junto a uma "megavaquinha" dos amigos, o casal conseguiu fazer então a viagem de uma semana para Itália com parada obrigatória na Basílica de São Pedro, com a experiência de encontrar o Papa, como explica Danielly:

"Com a graça de Deus queríamos conversar com ele: uma palavra, uma frase, aquilo que ele dissesse, que iria edificar o nosso coração, iria edificar o nosso matrimônio. E valeu muito a pena! Valeu muito a pena a viagem, a visita, algo sobrenatural mesmo, muito, muito além do que a gente podia imaginar ou sonhar."

"Esperança na santidade acima de tudo"

De fato, acrescenta Yago, "estar diante do Papa e pegar na sua mão, foi o entendimento que o amor de Deus é verdadeiro, e que não há nada que nos impeça de conquistar os nossos sonhos, sendo o maior deles a santidade e o Céu". O sentimento do casal agora é de gratidão aos amigos e a Deus pelo "carinho e pela sua providência", e pela oportunidade de compartilhar com outros jovens casais o conselho do Papa para construir uma família santa:

"Deus comprovou de novo o grande amor na sua providência, no seu carinho, é mais do que a gente merece, a gente não merece essas coisas, essas graças, mas Deus é maravilhoso. E às vezes a mensagem que eu posso deixar é de sonhar alto e grande, sonhar principalmente com o Céu, com um sonho sobrenatural. O desejo de ser santo não é algo que não é tangível. Tipo assim, se não era possível a gente vir no Vaticano conhecer o Papa, a gente achava impossível e Deus nos concedeu essa graça, então, as graças espirituais também são superpossíveis. Da mesma maneira que Deus deu uma viagem para Roma, Deus pode nos conceder a graça de sermos santos e ter uma família santa, como foi a pergunta para o Papa. Então é isso: esperança na santidade acima de tudo."

Andressa Collet - Vatican News

_____________________________________________________________________
  Fonte: vaticanews.va     Fotos e vídeo: (@Vatican Media