“Segue-me!”
Depois de
celebrarmos o Tempo da Páscoa, retornamos na liturgia ao Tempo Comum com o
convite de Jesus: “Segue-me!” (Oseias 6,3-6, Salmo 49(50), Romanos 4,18-25 e
Mateus 9,9-13). A presença de Jesus, seus convites e ensinamentos introduzem
novidades e esperança, em todos os ambientes, seja na Igreja ou no mundo. As
notícias sobre o mal feito e catástrofes chamam atenção. Porém, não faltam
notícias de ações boas que despertam otimismo. É neste ambiente de más e boas
notícias que vivem os cristãos. Sua missão é seguir Jesus e transformar vidas a
partir dele.
“Jesus viu um
homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe:
“Segue-me!” Mateus levantou-se e seguiu-o. O convite de Jesus a Mateus, o
sentar-se à mesa com ele e outros “cobradores de impostos e pecadores” provocou
os fariseus. Jesus que não perdia a oportunidade para ensinar, mesmo em
ambiente adverso, faz três afirmações fundamentais para seus discípulos e para
nós: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes”. “Quero
misericórdia e não sacrifício”. “Eu não vim para chamar os justos, mas os
pecadores”.
Em primeiro
lugar, chama Mateus que é um publicano cobrador de impostos. A sua atividade
profissional era cobrar impostos para os romanos que ocupavam o território. Uma
pessoa duplamente detestável: recolhe impostos, porque ninguém paga imposto
voluntariamente e faz isto em favor do invasor pagão. Estes cobradores, aliados
dos opressores, eram classificados de imundos, pecadores detestáveis e sem
esperança de mudança.
É para o pecador
Mateus que Jesus dirige o olhar e a palavra. Mateus escuta e olha para Jesus.
Segui-lo se torna o novo objetivo da vida. Abandona os opressores que servia
para receber Jesus em sua casa. Acolhe aquele que o acolheu. Jesus considera
Mateus como um irmão e outros tantos pecadores que Mateus convidou para estarem
com Ele. A Igreja não se constitui de puros, mas de pecadores acolhidos pela
misericórdia divina. Esta atitude de Jesus é o norte para todos os
participantes da Igreja. Sempre se faz necessário acolher de forma
misericordiosa todos os pecadores, transmitindo o perdão do Pai. Para
participar “dignamente” do sacramento da Eucaristia não se exige que as pessoas
sejam “justas, perfeitas”, mas sim que reconheçam ser pecadores. No começo de
cada missa, através do rito penitencial, a comunidade celebrante reconhece a
sua condição pecadora, pede perdão e bendiz o Deus misericordioso. Depois,
quando se aproxima a comunhão diz novamente: “Senhor, eu não sou digno que
entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”.
Na refeição onde
estava Mateus, Jesus, publicanos também tinha fariseus. Estes se consideram
puros, sadios e perfeitos. Na Igreja convivem os que se consideram “puros” e
pecadores. Isto traz tensões e conflitos. É a presença permanente de Jesus
nesta comunidade que permite a convivência fraterna. “Ele odeia o pecado e ama
ternamente o pecador, porque está doente, mesmo, e sobretudo, quando não sabe.
Nós, pelo contrário, somos duros com os pecadores, porque se parecem com o mal,
que consideramos como bem”, explica o biblista Silvano Fausti.
“Quero
misericórdia e não sacrifício”. Jesus cita o ensinamento do profeta Oseias.
Toda ação litúrgica é mais agradável a Deus quanto mais for expressão da
vivência da fraternidade, da justiça, do perdão e da misericórdia. A liturgia
louva o bem realizado e educa para vivência da vida nova em Cristo.
“Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à
esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado”
nos ensinou o Papa Francisco.
“Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”. Nenhum de nós é justo. Não temos uma relação perfeita com Deus e o próximo. Somente Deus é justo que não tem medo de aproximar-se, de sujar-se com os pecadores como Mateus e nós, oferecendo a acolhida do perdão e do amor que transforma. Esta é uma bela surpresa e sempre uma boa notícia.
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