nos aponta o Cordeiro de Deus!
Para além da
diversidade cultural e até mesmo folclórica por detrás dos festejos juninos,
estes embalados pelas tradições vinculadas ao popular São João, somos
convidados pela Igreja a debruçarmo-nos com solene e grande alegria sobre a
Natividade de São João Batista, à luz do Evangelho de Lucas 1,57-66.80, o qual
descreve tamanho acontecimento.
Enriquecidos
por tão bela narrativa, apoiados nos escritos dos santos Padres, a
Natividade de São João Batista não só causa admiração pelo conhecimento dos
sagrados mistérios, senão pela meditação impetrada a partir dos mesmos,
meditação esta que, ultrapassando gerações, produz efeitos espirituais
profundamente vivos e pertinentes ao tempo presente, bem como ao vindouro
da Igreja e de cada filho seu.
Sob a auspiciosa
sabedoria de Santo Agostinho, podemos contemplar tal Solenidade em
uma perspectiva sumamente cristocêntrica, uma vez que o mesmo,
partindo de João Batista, nos leva até Cristo e sua Igreja; isto considerando a
eloquente afirmação de que “João nasce de uma anciã estéril; Cristo nasce de
uma jovem virgem”.
Último dos
profetas da Antiga Aliança, João é a síntese de todo percorrido do Povo de
Israel até os tempos da plenitude com a esperada vinda do Messias. Síntese não
só por sua sabedoria expressada aos quatro cantos, apontando o Cordeiro, mas
síntese também por que resume um tempo antes de Cristo marcado por vãos
lampejos de certeza rumo à verdadeira Esperança.
A estéril de que
nos fala Agostinho, Isabel, representa as antigas investidas do Povo de
Israel, muitas vezes calcadas em erros e corações endurecidos, incapazes do
Amor, mais tarde engendrado do seio de Maria Santíssima. Povo que ao
corromper-se pela ganância e vãs ambições, tornou-se por demais estéril e
distante do projeto de Deus. Povo que se vê renovado, por dom e graça
de Deus, mediante o mistério mais sublime na história da humanidade.
A encarnação de
Cristo, Mistério por excelência, traduz-se assim como a fonte mais pura e bela
da reconciliação e restauração plena do povo de Deus, que outrora tropeçava em
sua dureza de coração, mas que agora firma seus passos naqu’Ele que é
verdadeiramente o Caminho, a Verdade e a Vida. Tal mistério, pelos desígnios do
Altíssimo, exigiu antes o anúncio feito por João, voz que clamava no deserto,
pavimentando os corações daqueles que porventura se deixavam guiar pelas
veredas dos Céus.
Se João, pois,
resumia a jornada de Israel antes de Cristo, Cristo por sua vez introduz uma
nova era na história da Salvação. Sinal de contradição, na contramão dos
malfeitores que usurpavam do poder religioso e do prestígio reservado aos
santos sacerdotes, Jesus introduz renovada Esperança, superando a estéril
Aliança, não a abolindo, mas dando-lhe pleno cumprimento. Nosso Senhor
elege para o mundo e a partir deste a Senhora que, diferente da estéril,
apresenta-se agora virgem, pura, reluzente, repleta de força e vigor para a
geração de uma nova humanidade.
Assim
Maria Santíssima traduz a Igreja, novo povo de Deus, que já não se
restringe a um punhado de fiéis errantes, mas sim a uma vasta gama de povos e
nações que, ainda hoje, abandonando suas estéreis verdades, dedicam-se à
Verdade que é Cristo; que escutando a voz do precursor, dedicam-se a seguir o
Caminho, comungando do Santo Sacrifício, do Cordeiro de Deus que de uma vez por
todas tira o Pecado do Mundo, e o refaz para jamais jazer no erro, na
escuridão.
A exemplo do
precursor, renovados pela profecia que nos liberta de toda escravidão, possamos
anunciar com esmero e convicção o mesmo Cristo de ontem, hoje e sempre,
perpetuando este reinado de amor e esperança, que rompendo a estéril tristeza
da humanidade, a eleva à fértil alegria do novo que nos anuncia Cristo e sua
Igreja para toda a eternidade.
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