quarta-feira, 24 de junho de 2026

João Batista

nos aponta o Cordeiro de Deus! 

Dom Diamantino Prata de Carvalho - Bispo Emérito da Campanha (MG)

Para além da diversidade cultural e até mesmo folclórica por detrás dos festejos juninos, estes embalados pelas tradições vinculadas ao popular São João, somos convidados pela Igreja a debruçarmo-nos com solene e grande alegria sobre a Natividade de São João Batista, à luz do Evangelho de Lucas 1,57-66.80, o qual descreve tamanho acontecimento. 

 Enriquecidos por tão bela narrativa, apoiados nos escritos dos santos Padres, a Natividade de São João Batista não só causa admiração pelo conhecimento dos sagrados mistérios, senão pela meditação impetrada a partir dos mesmos, meditação esta que, ultrapassando gerações, produz efeitos espirituais profundamente vivos e pertinentes ao tempo presente, bem como ao vindouro da Igreja e de cada filho seu. 

Sob a auspiciosa sabedoria de Santo Agostinho, podemos contemplar tal Solenidade em uma perspectiva sumamente cristocêntrica, uma vez que o mesmo, partindo de João Batista, nos leva até Cristo e sua Igreja; isto considerando a eloquente afirmação de que “João nasce de uma anciã estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem”. 

Último dos profetas da Antiga Aliança, João é a síntese de todo percorrido do Povo de Israel até os tempos da plenitude com a esperada vinda do Messias. Síntese não só por sua sabedoria expressada aos quatro cantos, apontando o Cordeiro, mas síntese também por que resume um tempo antes de Cristo marcado por vãos lampejos de certeza rumo à verdadeira Esperança. 

A estéril de que nos fala Agostinho, Isabel, representa as antigas investidas do Povo de Israel, muitas vezes calcadas em erros e corações endurecidos, incapazes do Amor, mais tarde engendrado do seio de Maria Santíssima. Povo que ao corromper-se pela ganância e vãs ambições, tornou-se por demais estéril e distante do projeto de Deus. Povo que se vê renovado, por dom e graça de Deus, mediante o mistério mais sublime na história da humanidade. 

A encarnação de Cristo, Mistério por excelência, traduz-se assim como a fonte mais pura e bela da reconciliação e restauração plena do povo de Deus, que outrora tropeçava em sua dureza de coração, mas que agora firma seus passos naqu’Ele que é verdadeiramente o Caminho, a Verdade e a Vida. Tal mistério, pelos desígnios do Altíssimo, exigiu antes o anúncio feito por João, voz que clamava no deserto, pavimentando os corações daqueles que porventura se deixavam guiar pelas veredas dos Céus.  

Se João, pois, resumia a jornada de Israel antes de Cristo, Cristo por sua vez introduz uma nova era na história da Salvação. Sinal de contradição, na contramão dos malfeitores que usurpavam do poder religioso e do prestígio reservado aos santos sacerdotes, Jesus introduz renovada Esperança, superando a estéril Aliança, não a abolindo, mas dando-lhe pleno cumprimento. Nosso Senhor elege para o mundo e a partir deste a Senhora que, diferente da estéril, apresenta-se agora virgem, pura, reluzente, repleta de força e vigor para a geração de uma nova humanidade. 

Assim Maria Santíssima traduz a Igreja, novo povo de Deus, que já não se restringe a um punhado de fiéis errantes, mas sim a uma vasta gama de povos e nações que, ainda hoje, abandonando suas estéreis verdades, dedicam-se à Verdade que é Cristo; que escutando a voz do precursor, dedicam-se a seguir o Caminho, comungando do Santo Sacrifício, do Cordeiro de Deus que de uma vez por todas tira o Pecado do Mundo, e o refaz para jamais jazer no erro, na escuridão. 

A exemplo do precursor, renovados pela profecia que nos liberta de toda escravidão, possamos anunciar com esmero e convicção o mesmo Cristo de ontem, hoje e sempre, perpetuando este reinado de amor e esperança, que rompendo a estéril tristeza da humanidade, a eleva à fértil alegria do novo que nos anuncia Cristo e sua Igreja para toda a eternidade. 

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Fonte: cnbb.org.br   Imagem: (@Vatican Media)

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