Leituras e reflexão
Leitura do Livro de Oseias
É preciso saber segui-lo para reconhecer o Senhor. Certa como a aurora é a sua vinda, ele virá até nós como as primeiras chuvas, como as chuvas tardias que regam o solo. “Como vou tratar-te, Efraim? Como vou tratar-te, Judá? O vosso amor é como nuvem pela manhã, como orvalho que cedo se desfaz. Eu os desbastei por meio dos profetas, arrasei-os com as palavras de minha boca, como luz, expandem-se meus juízos; quero amor e não sacrifícios, conhecimento de Deus mais do que holocaustos”._______________________________________________________
Responsório: Sl 49(50)
- A todo homem que procede retamente / eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
- A todo homem que procede retamente / eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
1. Falou o Senhor Deus, chamou a terra, / do sol nascente ao sol poente a convocou. / “Eu não venho censurar teus sacrifícios, / pois sempre estão perante mim teus holocaustos.
2. Não te diria, se com fome eu estivesse, / porque é meu o universo e todo ser. / Porventura comerei carne de touros? / Beberei, acaso, o sangue de carneiros?
3. Imola a Deus um sacrifício de louvor / e cumpre os votos que fizeste ao Altíssimo. /Invoca-me no dia da angústia, / e então te livrarei e hás de louvar-me.”
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2ª Leitura: Rm 4,18-25
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos
Jesus chama os pecadores
Há quem diga que o evangelho de hoje é
auto-retrato do evangelista Mateus. De fato, o trecho conta a vocação do
publicano Mateus – ou Levi, como é chamado nos outros evangelhos – por Jesus,
enquanto estava exercendo sua função na coletoria de taxas, espécie de posto de
pedágio (terceirizado) do Império Romano na terra de Israel (Mt 9,9-13). Os
cobradores eram chamados “publicanos”; eram funcionários públicos a serviço do
imperialismo estrangeiro e terrivelmente desprezados pelos “bons judeus”. Jesus
chama alguém dessa categoria para ser seu discípulo. Pior: vai jantar com ele e
seus colegas, considerados pecadores. Os fariseus criticam-no. Jesus, então,
responde com uma parábola: um médico não vem para pessoas sadias, mas para
doentes. E acrescenta um argumento da Sagrada Escritura: “Misericórdia eu
quero, não sacrifícios”, texto do profeta Oséias, que critica uma religiosidade
externa e meramente ritual da parte de pessoas que desconhecem a misericórdia,
primeira qualidade de Deus e primeira exigência nas relações entre as pessoas
(1ª leitura).
Os pecadores notórios convidam Jesus à
mesa; em contraposição, os considerados justos acham isso um desacato.
Consideram a justiça monopólio deles. Assim fazendo, perdem a “justiça” que só
o Deus da misericórdia nos pode atribuir, por pura bondade, sem que o
mereçamos. A vocação dos pecadores revela a gratuidade divina de nossa
salvação. Deus nos dá seu amor porque precisamos dele, não porque o merecemos.
Deus não exclui ninguém, nem mesmo aquele que se apresenta diante dele com as
mãos vazias, mas com verdadeira vontade de conversão no coração (é o que
faltava aos fariseus).
A melhor maneira de entender a lógica de
Deus é fazer como ele: superar o formalismo e dar a cada um o mesmo crédito que
Jesus deu a Mateus … A comunidade eclesial deve se tornar o instrumento da
“misericórdia convidativa” de Cristo. E os pecadores que aceitarem o convite
devem por sua vez convidar os outros (como fez Mateus).
Portanto, não é preciso ser santo para ser
chamado por Cristo. Deus nos chama para tornar-nos santos. Ninguém é justo por
si mesmo. Jesus chamou os pecadores, para mostrar que todos devem converter-se
para receber a misericórdia de Deus.
Com essa lição combina muito bem a 2ª
leitura. Paulo explica que Abraão foi considerado justo por Deus não por causa
de sua vida exemplar – teve as fraquezas humanas de todo mundo -, mas por causa
de sua fé, quando Deus lhe prometeu um filho na sua velhice. Nessa confiança,
ele se mostrou “amigo de Deus” (Rm 4,18-25, cf. Gn 15,5-6).
O problema hoje é que muitos vivem uma vida
tão ambígua quanto a dos publicanos, mas não admitem de modo algum que precisam
de conversão….
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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.
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