quando o esporte se torna linguagem de esperança
Dom Leomar Brustolin - Arcebispo de Santa Maria (RS)
Em tempos
marcados por guerras, divisões, intolerâncias e feridas abertas entre povos e
nações, um evento esportivo pode parecer algo pequeno diante dos grandes
desafios da humanidade. No entanto, o esporte possui uma força singular: é
capaz de reunir pessoas, culturas, línguas e histórias diferentes em torno de
uma experiência comum. Por isso, a Copa do Mundo pode ser contemplada também
como um sinal de esperança, um convite a sonhar e a trabalhar por um mundo mais
fraterno, reconciliado e justo.
A Igreja sempre
reconheceu o valor humano, educativo e social do esporte. São João Paulo II
afirmava que o esporte é uma verdadeira “escola de virtudes”, capaz de educar
para a disciplina, a solidariedade, o respeito e a amizade. Bento XVI recordava
que a atividade esportiva ajuda a superar barreiras culturais e linguísticas,
favorecendo o encontro entre os povos. Já o Papa Francisco ensinou que o
esporte possui a capacidade de construir pontes onde muitos erguem muros,
tornando-se instrumento de paz, fraternidade e cultura do encontro.
Também o Papa
Leão XIV tem insistido na necessidade do diálogo e da construção paciente da
paz. Em uma de suas recentes manifestações, pediu que os povos tenham “o
coração aberto ao diálogo” e trabalhem pela fraternidade entre as nações. Ao
falar sobre futebol, em sua visita à Espanha, recordou que o Papa deve ser “de
todos os times”, uma expressão simples, mas profundamente simbólica: acima das
rivalidades, das cores e das bandeiras, existe uma pertença maior, que nos
irmana como membros da única família humana.
O futebol é uma
das mais belas metáforas da vida. A bola que corre pelo campo recorda os sonhos
que carregamos no coração e que nunca devem permanecer parados. O gol aponta
para os horizontes que buscamos alcançar, fruto de perseverança, esforço,
esperança e confiança. Os jogadores nos ensinam que ninguém constrói uma
vitória sozinho; é preciso confiar, colaborar e colocar os talentos pessoais a
serviço da equipe. E a torcida, com sua paixão e seu entusiasmo, lembra-nos que
o ser humano precisa caminhar acompanhado, sustentado pelo incentivo e pela
presença dos outros.
Quando a bola
rola, não se movimenta apenas um jogo: movimentam-se emoções, memórias,
pertencimentos e esperanças. Por isso, o futebol continua sendo uma linguagem
universal capaz de unir pessoas diferentes em torno da alegria de sonhar, lutar
e celebrar juntas.
O esporte nos
ensina que adversário não é inimigo. Ensina que regras existem para proteger a
convivência. Ensina que a vitória só tem verdadeiro valor quando é alcançada
com honestidade. Ensina, sobretudo, que ninguém vence sozinho.
Num mundo que
frequentemente transforma diferenças em conflitos, a Copa nos recorda que é
possível competir sem destruir, divergir sem odiar e celebrar sem excluir. Que
cada partida seja, portanto, um convite a reconhecer no outro não um rival a
ser vencido, mas um irmão com quem partilhamos o mesmo campo da existência.
A esperança
nasce quando aprendemos a jogar juntos. E a paz começa quando descobrimos que
pertencemos à mesma equipe: a família humana, sonhada e amada por Deus.
Fonte: vaticanews.va Vídeo: (@Vatican Media)
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