sábado, 6 de junho de 2020

Refletindo com Dom João Justino

Assim na Terra como na Trindade
“A novidade cristã não está em crer que Deus existe, e sim que ‘Deus é amor’ "(1Jo 4,8.16)
Nos primeiros anos de ensino de teologia, no seminário e, depois, na faculdade, vivi uma inquietação. Ensinava durante um semestre letivo disciplinas como Cristologia, Trindade e Eclesiologia. São cursos com carga horária semanal de 4 horas. Aulas expositivas, pesquisas, leituras, provas, elaboração de textos, faziam parte da rotina de cada conteúdo. Eram quase sempre turmas pequenas. Isso facilitava a relação professor-aluno, abrindo espaço para muitos diálogos. Contudo, a inquietação estava lá. Ela nascia como pergunta: qual a incidência do estudo do dogma de fé na vida pessoal de cada um, seja professor, seja aluno?
Dom João Justino de Medeiros Silva 
Sim, eu compreendo que a teologia é ato segundo. Antes de tudo vem a fé. Também concordo que há uma dimensão espiritual da teologia que nos remete ao fazer teológico de joelhos. No entanto, a pergunta é: depois de estudar o tratado teológico da Trindade, o que muda em nossa vida? Quais as implicações que a reflexão teológica, sobre o mistério de Cristo, traz para a vida de um estudante de teologia? Essa pergunta se desdobra para todos os cristãos. Como minha vida, minha história é marcada pela fé que professo?
Então, me deparei com uma belíssima obra intitulada “Assim na Terra como na Trindade”, de autoria do teólogo argentino Enrique Cambón, publicada no Brasil pela Editora Cidade Nova, no ano 2000. O subtítulo é autoexplicativo: “O que significam as relações trinitárias na vida em sociedade?” Essa pergunta me remeteu à inquietação já referida. Qual a implicação da fé trinitária para as relações do cotidiano? E qual a incidência da teologia da Trindade na vida da Igreja?
O autor parte da afirmação de que “a novidade cristã não está em crer que Deus existe, e sim que ‘Deus é amor’ (1Jo 4,8.16)”. Recorda que a lógica do amor exige que, na vida intradivina, haja pluralidade, alteridade, comunicação, reciprocidade. Logo, se propõe a investigar sobre qual é e o que significa concretamente a ligação entre Trindade e existência humana. E produz uma profunda teologia que merece ser conhecida.
Quero partilhar com você, caro leitor, a citação que Enrique Cambon tomou dos Bispos de Navarra e do País Basco. Ilustra bem o alcance de um estilo trinitário de vida apresentado pelo autor: “Confessar a Trindade não quer dizer, apenas, reconhecê-la como princípio, mas, também, aceitá-la como modelo último da nossa vida. Quando afirmamos e respeitamos as diversidades e o pluralismo entre os seres humanos, na prática confessamos a distinção trinitária de pessoas. Quando eliminamos as distâncias e trabalhamos para realizar a efetiva igualdade entre homem e mulher, entre afortunados e despossuídos, entre próximos e distantes, afirmamos, na prática, a igualdade das pessoas da Trindade. Quando nos esforçamos por ter ‘um só coração e uma só alma’ e aprendemos a colocar tudo em comum, para que ninguém tenha de passar pela indigência, estamos confessando o único Deus e acolhendo em nós a sua vida trinitária”.
Ao celebrar a Solenidade da Santíssima Trindade, no domingo seguinte ao de Pentecostes, não deixe de conferir se sua mentalidade, seus valores, seus princípios éticos, suas causas... estão em sintonia com o mistério trinitário. É preciso dizer, inclusive, que não é coerente professar a fé em Deus Uno e Trino e levantar bandeiras antidemocráticas.
 Dom João Justino de Medeiros Silva - Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG
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Solenidade da Santíssima Trindade:

celebre em família o dia do Senhor

Com a celebração, no último domingo, da Solenidade de Pentecostes, a Igreja encerrou o tempo litúrgico da Páscoa. Retoma-se, assim, a caminhada no Tempo Comum. Neste primeiro domingo após Pentecostes, o convite é para celebrar a Solenidade da Santíssima Trindade. Neste tempo de pandemia, a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece o roteiro para celebração doméstica em família.
“Acolhendo as orientações das autoridades sanitárias, nossos bispos, nas mais diversas situações e realidades vão, a partir de um cuidadoso discernimento, orientando suas dioceses, paróquias e comunidades sobre como e quando vão sendo retomadas as celebrações comunitárias presenciais. Contudo, pessoas impossibilitadas por motivo de saúde ou idade, ou porque pertencem ao denominado ‘grupo de risco’ devem ainda abster-se de participar das celebrações comunitárias dominicais”, orienta a Comissão para a Liturgia da CNBB.
A oferta do roteiro para a celebração em família reforça a importância dos fiéis católicos viverem a “dignidade de povo sacerdotal que nosso batismo nos conferiu” e, por isso, “não só acompanhar, mas CELEBRAR com nossas famílias o Dia do Senhor”.
Dicas
Para melhor celebrar a Solenidade da Santíssima Trindade, siga algumas dicas:
- Escolha em sua casa um local adequado para celebrar e rezar juntos.
- Prepare sua Bíblia com o texto a ser proclamado, um vaso com flores, um crucifixo, uma imagem ou ícone de Nossa Senhora e uma vela a ser acesa no momento da celebração.
- Escolha quem irá fazer o “Dirigente” (D) da celebração: pode ser o pai ou a mãe e quem fará as leituras (L). Na letra (T) todos rezam ou cantam juntos
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Papa Francisco a Scholas Occurrentes:

Educar é ouvir, criar cultura, celebrar

“Scholas nasceu de uma crise, mas não levantou os punhos para lutar com a cultura, nem baixou os braços para se resignar, nem saiu chorando: Que calamidade, que tempos terríveis! Saiu para ouvir o coração dos jovens, para cultivar a nova realidade”, disse Francisco na videomensagem, inaugurando a Universidade do Sentido no Dia Mundial do Meio Ambiente.
Mariangela Jaguraba - Vatican News Na mensagem de vídeo, divulgada nesta sexta-feira (05/06), o Papa Francisco falou aos jovens que participam do encontro virtual, através da plataforma Zoom, promovido por Scholas Occurrentes, para celebrar a Universidade do Sentido.
“É uma grande alegria poder chamá-los de “comunidade”. Comunidade de amigos, comunidade de irmãos, irmãs”, diz o Papa, recordando o início da criação da universidade: “Dois professores, em meio a uma crise, com um pouco de loucura e um pouco de intuição. Uma coisa não programada, vivida enquanto se prosseguia. A crise naqueles tempos deixava uma terra de violência e aquela educação uniu os jovens, gerando sentido, gerando beleza”.
Segundo o Papa, três imagens desse caminho ele conserva em seu coração, “três imagens que guiaram os três anos de reflexão e encontro: o louco de “La strada” de Fellini, “A vocação de Mateus” de Caravaggio, e “O idiota” de Dostoevskij.
Crise significa ruptura, mas também oportunidade
“O sentido, o louco, o chamado, Mateus e a beleza. As três histórias são a história de uma crise. E nas três, a responsabilidade humana está em jogo. Crise significa ruptura, corte, abertura, perigo, mas também oportunidade.”
Quando as raízes precisam de espaço para continuar crescendo, o vaso acaba se rompendo. A questão é que a vida é maior que a nossa própria vida e, portanto, se quebra. Mas isso é a vida! Cresce, se rompe.
Pobre humanidade sem crise! Toda perfeita, toda arrumada, toda engomada. Pobre! Uma humanidade assim seria uma humanidade doente, muito doente. Graças a Deus que isso não acontece. Seria uma humanidade adormecida.
Scholas saiu para ouvir o coração dos jovens
“Por outro lado”, disse ainda o Papa, “assim como a crise nos anima chamando-nos ao aberto, o perigo se apresenta quando não nos ensina a nos relacionar com essa abertura. Portanto, as crises, se não forem bem acompanhadas, são perigosas, porque é possível se desorientar. O conselho dos sábios, mesmo para as pequenas crises pessoais, conjugais e sociais é: “Nunca entre na crise sozinho, seja acompanhado”.
“Na crise, o medo nos invade, nos fechamos como indivíduos, ou começamos a repetir o que muito pouco serve, esvaziando-nos de sentido, escondendo o próprio chamado, perdendo a beleza. Isso é o que acontece quando alguém  atravessa uma crise sozinho, sem reservas. Essa beleza que, como disse Dostoevskij, salvará o mundo”, sublinhou o Papa.
Scholas nasceu de uma crise, mas não levantou os punhos para lutar com a cultura, nem baixou os braços para se resignar, nem saiu chorando: Que calamidade, que tempos terríveis! Saiu para ouvir o coração dos jovens, para cultivar a nova realidade. Isto não está funcionando? Vamos procurar ali.
Educar é ouvir, criar cultura, celebrar
“Scholas olha através das fendas do mundo, não com a cabeça, mas com todo o corpo, para ver se através da abertura retorna outra resposta. E isso é educar. A educação ouve ou então não educa. Se não se escuta, não se educa. A educação cria cultura ou não educa. A educação nos ensina a celebrar ou não educa.”
Alguém poderia me dizer: “Mas como, educar não é saber as coisas?”  Não. “Isso é saber”, sublinhou o Papa. “Educar é ouvir, criar cultura, celebrar. E deste modo Scholas foi crescendo”.
Vi nas Scholas professores e estudantes japoneses dançarem com colombianos. É impossível? Eu vi isso. Vi jovens israelenses brincando com jovens palestinos. Eu os vi. Os estudantes haitianos pensarem com os de Dubai. As crianças moçambicanas desenhar com as de Portugal. Vi, entre Oriente e Ocidente, uma oliveira criar a cultura do encontro.
Gratidão, sentido e beleza
O Papa concluiu, dizendo que “nesta nova crise que a humanidade está enfrentando hoje, onde a cultura demonstrou que perdeu sua vitalidade” ele deseja “comemorar o fato de que Scholas, como comunidade que educa, como uma intuição que cresce, abre as portas da Universidade do Sentido. Porque educar é buscar e ensinar o sentido das coisas”.
“Nunca se esqueçam dessas três palavras: gratidão, sentido e beleza. Elas podem parecer inúteis, sobretudo hoje. Quem cria uma empresa procurando gratidão, sentido e beleza? Não produz, não produz. No entanto, dessas coisas que parecem inúteis dependem toda a humanidade, o futuro.”
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Assista:
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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Solenidade da Santíssima Trindade

Leituras e reflexão
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1ª Leitura: Ex 34,4b-6.8-9
Leitura do Livro do Êxodo:
Naqueles dias: Moisés levantou-se, quando ainda era noite, e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe havia mandado, levando consigo as duas tábuas de pedra.
O Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés, e este invocou o nome do Senhor. Enquanto o Senhor passava diante dele, Moisés gritou: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”.
Imediatamente, Moisés curvou-se até o chão e, prostrado por terra, disse: “Senhor, se é verdade que gozo de teu favor, peço-te, caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua”.
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 Salmo: Dn 3,52-56
- A vós louvor, honra e glória eternamente.
- A vós louvor, honra e glória eternamente.
- Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais.
- Sede bendito, nome santo e glorioso.
- No templo santo onde refulge a vossa glória.
- E em vosso trono de poder vitorioso.
- Sede bendito, que sondais as profundezas.
- E superior aos querubins vos assentais.
- Sede bendito no celeste firmamento.
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2ª Leitura: 2Cor 13,11-13
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios:
Irmãos: Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.
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Evangelho:  Jo 3,16-18
Leitura do Evangelho de São João:
Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.


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Santíssima Trindade

"Deus é sempre fiel e trata-nos como filhas e filhos muito amados"
A Solenidade da Santíssima Trindade, Deus que é comunidade de amor. Deixemo-nos envolver por este mistério e manifestemos ao Senhor a nossa fé, a qual é alimentada por sua graça eficaz. A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.
Na primeira leitura (cf. Ex 34,4b-6.8-9), o Deus da comunhão e da aliança, apostado em estabelecer laços familiares com o homem, auto-apresenta-Se: Ele é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia. A primeira leitura revela que Deus é Pai misericordioso, paciente, não age com precipitação, sabe esperar, dá sempre um prazo esperançoso a cada um de nós para nossa conversão, é rico em bondade, nunca se irrita conosco, tolera nossas misérias, dá coragem e força para enfrentarmos os desafios do dia a dia e jamais não abandona, por pior que seja o pecado que tenhamos cometido, está sempre disposto a perdoar diante de um arrependimento sincero. Deus é sempre fiel e trata-nos como filhas e filhos muito amados.
Na segunda leitura (cf. 2Cor 13,11-13), São Paulo expressa - através da fórmula litúrgica “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” - a realidade de um Deus que é comunhão, que é família e que pretende atrair os homens para essa dinâmica de amor. A segunda leitura continua revelando quão amoroso é nosso Deus. Quando o ser humano dispensou Deus de sua vida pensando que poderia subsistir sozinho, distanciou-se dele, fugiu de sua intimidade, rejeitou sua amizade, tornou-se indiferente a Deus e, como consequência, perdeu-se totalmente, vendo-se sem esperança de salvação. Mas Deus mostrou que sempre esteve próximo e, para resgatar o homem, saiu ao seu encontro por Jesus Cristo, seu Filho, para lhe oferecer amizade, amor, comunhão e salvação.
No Evangelho (cf. Jo 3,16-18), João convida-nos a contemplar um Deus cujo amor pelos homens é tão grande, a ponto de enviar ao mundo o seu Filho único; e Jesus, o Filho, cumprindo o plano do Pai, fez da sua vida um dom total, até à morte na cruz, a fim de oferecer aos homens a vida definitiva. Nesta fantástica história de amor (que vai até ao dom da vida do Filho único e amado), plasma-se a grandeza do coração de Deus. O Evangelho revela-nos outra verdade inimaginável: o amor de Deus é também uma pessoa, o Espírito Santo que nos restaura e santifica para podermos viver eternamente com Deus. Deus nunca fechou e jamais fechará as portas de seu coração, de sua amizade, mas respeita nossa opção; ele não obriga nenhuma de seus filhos a voltar para casa; viver eternamente com Ele ou, então, desterrados fora da nossa verdadeira e definitiva casa, depende de nós. Sabemos quem é nosso Deus, mas não basta um conhecimento teórico, não basta saber coisas sobre Ele e falar dele; isso ainda não é fé. É necessário entrar em contato com Deus, conversar com Ele pela oração; ter abertura para Deus, escutá-lo, “encharcar-se” com sua Palavra nas Sagradas Escrituras e responder a Ele amando concretamente as pessoas, começando com aquelas com as quais convivemos, porque Deus as ama e somos todos seus filhos e filhas.
                                                     Dom Eurico dos Santos Veloso Arcebispo Emérito de Juiz de Fora
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                  Fontecnbbleste2.org.br    Banner: cnbb.org.br    Ilustração: jovensconectados.org.br

Papa no Dia Mundial do Meio Ambiente:

Não podemos ser saudáveis num mundo doente
Francisco enviou uma carta ao presidente da Colômbia, Iván Duque Márquez, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente que este ano seria realizado pessoalmente, em Bogotá, mas por causa da pandemia da Covid-19, se realiza de forma virtual.
Mariangela Jaguraba - Vatican News O Papa Francisco enviou uma carta ao presidente da Colômbia, Iván Duque Márquez, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta sexta-feira (05/06).
O Santo Padre saudou o presidente colombiano, todos os membros organizadores e os participantes do Dia Mundial do Meio Ambiente que este ano seria realizado pessoalmente, em Bogotá, mas por causa da pandemia da Covid-19, se realiza de forma virtual. “É um desafio que nos recorda que, diante das adversidades, sempre se abrem novos caminhos para estar unidos como uma grande família humana”, ressalta Francisco no texto.
Preservação em benefício de todos
Segundo o Papa, “a proteção do meio ambiente e o respeito pela biodiversidade do planeta são temas que dizem respeito a todos nós".
“Não podemos pretender ser saudáveis num mundo doente. As feridas causadas à nossa mãe terra são feridas que também sangram em nós.”
"O cuidado dos ecossistemas precisa olhar para o futuro, que não fique apenas no imediato, buscando um lucro rápido e fácil. Um olhar cheio de vida e que busca a preservação em benefício de todos”.
Apostar num mundo melhor
“A nossa atitude em relação ao presente do planeta deve nos comprometer e nos tornar testemunhas da gravidade da situação."
“Não podemos ficar calados diante do clamor quando comprovamos os custos muito elevados da destruição e exploração do ecossistema”, afirma ainda o Papa, reiterando que “não é hora de continuar olhando para o outro lado, indiferentes aos sinais de um planeta que está sendo saqueado e violado pela avidez da ganância e em nome, muitas vezes, do progresso.”
"Está em nós a possibilidade de inverter a marcha e apostar num mundo melhor, mais saudável, para deixá-lo como herança às gerações futuras. Tudo depende de nós, se realmente desejamos”.
Francisco lembra que recentemente foi comemorado o quinto aniversário da Carta Encíclica Laudato si, que chama a atenção para o grito lançado pela Mãe Terra. “Também convido vocês a participarem do ano especial que anunciei para refletir à luz desse documento. E assim, todos juntos, tornar-nos mais conscientes do cuidado e proteção de nossa Casa comum, bem como de nossos irmãos e irmãs mais frágeis e descartados da sociedade”.
O Papa conclui a mensagem, “encorajando-os nessa tarefa empreendida, para que suas decisões e conclusões sejam sempre a favor da construção de um mundo cada vez mais habitável e de uma sociedade mais humana”.
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Intenção do Papa para o mês de junho:

Nas dificuldades, deixar-se tocar pelo Coração de Jesus
“O Vídeo do Papa” neste mês de junho compartilha uma intenção marcada pela compaixão e pela ternura: o Pontífice pede para rezar por todos os que sofrem dificuldades, para que encontrem caminhos de vida no Coração de Jesus.
Cidade do Vaticano “Rezemos para que aqueles que sofrem encontrem caminhos de vida, deixando-se tocar pelo Coração de Jesus.”
Por esta intenção, o Papa Francisco pede a oração dos fiéis neste mês de junho. Enquanto a pandemia ainda assola muitas partes do mundo, o Santo Padre não esquece aqueles que passam por todos os tipos de dificuldades e lembra que existe um caminho que ajuda a todos: “um caminho cheio de compaixão que transforma a vida das pessoas . e as aproxima do Coração de Cristo, que nos acolhe a todos na revolução da ternura”.
Longa tradição
A devoção ao Coração de Jesus tem uma longa história. Começa com o “coração trespassado de Jesus” no Evangelho de São João – interpretado pelo misticismo medieval como uma ferida que manifesta a profundidade de seu amor –, passa pelas revelações a Santa Margarida Maria Alacoque no século XVII e o posterior culto ao Sagrado Coração no século XIX, e vai até a Divina Misericórdia com Santa Faustina Kowalska no início do século XX.
O Papa Pio XII escreveu uma encíclica sobre o Sagrado Coração, Haurietes aquas (1956).
Ao longo da história, houve várias inculturações dessa devoção, com diferentes formas e linguagens, mas sempre para que o Pai nos revelasse em toda a sua profundidade o mistério de seu amor através de um símbolo privilegiado: o coração vivo de seu Filho ressuscitado. Pois “o coração de Cristo é o centro da misericórdia”, diz Francisco.
Compaixão
O padre Frédéric Fornos SJ, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, que produz os vídeos mensais, destaca que a devoção ao Coração de Jesus estabelece uma missão de compaixão pelo mundo e é o fundamento de toda missão:
“O discípulo a quem Jesus mais amava, aquele que conhecia melhor o coração de Jesus, recostado junto a Ele (Jo 13, 23) também foi o primeiro a reconhecer Jesus ressuscitado às margens do lago da Galileia (Jo 21, 7). Quanto mais próximo alguém estiver do Coração de Jesus, mais perceberá suas alegrias e sofrimentos pelos homens, mulheres e crianças deste mundo; e reconhecerá Sua presença hoje como ontem, atuando no mundo. Quanto mais perto estivermos do Coração de Jesus, menos indiferentes seremos ao que nos cerca, desejando nos comprometer com Jesus Cristo neste mundo, a serviço de sua missão de compaixão.”
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Assista:
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quinta-feira, 4 de junho de 2020

Refletindo com Dom José Francisco

Fornalha ardente de Caridade

A Ladainha do Sagrado Coração de Jesus exala o odor de uma beleza que extrapola qualquer beleza plástica: trata-se de uma beleza mística. Coração de Jesus, de majestade infinita, Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, fornalha ardente de caridade, receptáculo de justiça e de amor, abismo de todas as virtudes, desejado das colinas eternas…
Dom José Francisco Rezende Dias
Em 1673, Santa Margarida Maria de Alacoque, recebeu várias “visitas” de Cristo. Em uma delas, ela recebeu as maravilhosas 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus. Quantas pessoas foram guiadas, na formação de suas almas, de todo seu ser, pela observância dessas Promessas! É impressionante a sua atualidade, sobretudo, no que se refere à concepção atual do que seja o centro daquilo a que damos o nome de personalidade.
Personalidade é a consistência da alma, o conjunto de características que determinam os padrões de pensar, sentir e agir; é a individualidade pessoal e social de alguém: um processo gradual, complexo e único a cada indivíduo.
Qual teria sido a personalidade de Jesus?
Sem resvalar nos exageros dos psicologismos, quando falamos do Coração de Jesus estamos exprimindo algo da sua personalidade, talvez sua marca mais forte. Jesus não era cérebro – à moda dos filósofos gregos. Tampouco era ação – ao jeito dos acadêmicos romanos.
Jesus era coração.
Observem que o coração está em primeiro lugar na trajetória da Revelação de Deus aos homens: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6,5). É para que Deus seja amado com todo o intelecto, os sentimentos, as emoções, a vontade: com todo o ser. O termo LEB, um termo judaico para “coração”, é o conceito antropológico empregado com maior frequência no AT: quase mil vezes.
No tempo do AT, não se conhecia a função essencial do coração de fazer circular o sangue. Oséias falou da envoltura ou recipiente do coração (Os 13, 8). Abigail disse a Davi que o seu coração morrera “dentro dela” e que se tornara como uma pedra (1Sm 25, 37).
Como podem ver, o AT dava pouca importância ao aspecto físico do coração, não tanto quanto as suas funções psíquicas e espirituais. Atribuía-se, então, ao coração tudo o que nós atribuímos à cabeça e ao cérebro: capacidade de perceber, raciocinar, pensar, compreender, entender e tomar conhecimento, a consciência, memória, conhecimento, sentimento, vontade e juízo.
Em consonância com a Sagrada Escritura, a sabedoria do povo simples sabe que alegria e tristeza também podem ser definidas como expressões do coração (Jz 19,3; S1 104,15). Derramar o coração é fazer a alma subir ao encontro das realidades conscientes (Lm 2,19). O AT fala de coração e de espírito “quebrantados” (S1 34,18). Assim como os termos NEPESH (alma) e RUAH (espírito), o conceito de “coração” se refere à pessoa toda (Pv 3,1).
São as riquezas antropológicas da Revelação de Deus.
Dentro desse conceito, as paixões não são transtornos da alma: o ascetismo não era, exatamente, um ideal na Bíblia. A fonte do mal não estava na paixão, mas, justamente, na cauterização, insensibilidade e dureza do coração. No AT, o estado ideal não é a apatia, como era para os estoicos, mas a compaixão, como é para Javé (Os 11,8).
A consciência era também vinculada ao coração. O coração de Davi exigiu que fosse ouvido em duas ocasiões: depois que ele cortou a ponta da veste de Saul (1Sm 24,6) e depois fazer um recenseamento das suas forças militares (2Sm 24,10). É preciso ouvir a alma. O coração como centro da personalidade é frequentemente associado a esse ouvir (Dt 29,4; 1Rs 3,9-12; Pv 2,2). Uma pessoa inteligente era alguém de coração; ao tolo, faltava coração (Pv 10,13). Também, o amor genuíno está arraigado no coração (Jz 16,15), sem, todavia, o sentido romântico shakespeariano.
É infindável a teologia do coração no AT.
O que importa para os cristãos é o real significado do Coração de Jesus, uma devoção que deve ser praticada como extensão da vontade e do propósito humanos. A interioridade do coração expressa a santidade humana, sua vontade, sua alma e seus pensamentos. O coração de uma pessoa demonstra a união de todas as suas reais intenções: nosso coração nos revela.
Por isso, cultuamos o Sagrado Coração de Jesus, onde colocamos nosso foco e nosso amor. O coração é um dos modos para falar do infinito amor de Deus, do amor que chega a seu ponto alto na entrega consciente e voluntária de Jesus.
Nas primeiras sextas-feiras de cada mês e no mês de junho temos a oportunidade de conhecer a nossa razão de ser e a razão dos nossos propósitos. Nesses tempos fortes, nos é dada a oportunidade de elevar a alma ao Coração de Jesus para pedir conforto e sabedoria, sem os quais é impossível continuar sozinhos nosso caminho de santidade.
Uma das maiores riquezas espirituais de minha formação, enquanto seminarista, foi a convivência, nos anos da Teologia, com os padres da Congregação do Coração de Jesus. A eles, devo muito de meu aprendizado e vivência dessa riqueza incalculável no tesouro espiritual da Igreja: a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
Hoje vivemos o triste panorama de existências sem sentido e sem saída, num pano de fundo da solidão que nos envolve. Muitas obras literárias escancararam essa dura realidade, como os contos do escritor russo Anton Tchecov. Num deles, chamado “Angústia”, um velho cocheiro, não tendo ninguém com quem conversar, fala o tempo todo com seu cavalo, tão velho e cansado quanto o próprio cocheiro. Quanta solidão!
Por isso, o Coração de Jesus, fonte de toda a consolação, é o endereço certo do nosso coração. Com ele, podemos falar e nos queixar, certos de que seremos ouvidos, sem julgamentos nem recriminações. O Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, nos traz todas as certezas de que o mundo nos arrancou, desde muito cedo. O Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações, organiza nossa vida e nossos sentimentos em torno das verdadeiras realidades, aquelas que valem a pena, pelas quais se possa viver e morrer.
Desejo aos irmãos e irmãs que o mês de junho, no meio da pandemia, seja pleno de encontros com Deus, em meio aos quais passaremos, invariavelmente, pelo amor do Coração do seu Filho Jesus, fornalha ardente de caridade. O vírus não suporta o calor. O calor do Coração de Jesus destrói os mais arcaicos vírus de egoísmo que ainda nos contaminam e nos adoecem.
+ Dom José Francisco Rezende Dias
Arcebispo Metropolitano de Niterói
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