nas exortações Familiaris Consortio e Amoris Laetitia
O mês de agosto
é dedicado na Igreja no Brasil às vocações, com diversas iniciativas de
reflexão, promoção e animação vocacional. Na segunda semana, iniciada com o Dia
dos Pais, o olhar é voltado para a vocação para a vida familiar. E neste ano em
que a Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB) dedica à celebração de 45 anos da exortação
apostólica Familiaris Consortio e 10 anos da exortação Amoris Laetitia, o Portal da CNBB destaca 7 pontos que os
dois textos oferecem para falar dessa vocação à família.
Os dois textos
– um de 1981, escrito por São João Paulo II, e outro de 2016, escrito pelo
Papa Francisco – oferecem ao povo cristão e ao mundo os ensinamentos da Igreja
sobre a vocação ao amor e à vida familiar na realidade do mundo atual. Eles
oferecem indicações pastorais que ajudam os jovens a descobrirem a beleza
e a grandeza da vocação ao amor e ao serviço da vida, animam os
esposos em sua missão de cuidado mútuo e na criação e desenvolvimento dos
filhos, e estabelecem como deve ser o acompanhamento da Igreja à família
em suas diversas fases e situações.
A
exortação Familiaris Consortio apresenta em seu conteúdo diversos
chamados à família, em especial no que diz respeito ao anúncio do Evangelho e
ao crescimento progressivo da pessoa humana:
“A família cristã, de fato, é a primeira comunidade chamada a anunciar o Evangelho à pessoa humana em crescimento e a levá-la, através de uma catequese e educação progressiva, à plenitude da maturidade humana e cristã”
Separamos sete
pontos que apontam a vocação familiar nos dois documentos:
1. Vocacionados
ao amor
A
fundamental e originária vocação do ser humano é ao amor, ensina
a Familiaris Consortio. Além de chamar o ser humano à existência, Deus o
chama para o amor.
“Enquanto espírito encarnado, isto é, alma que se exprime no corpo informado por um espírito imortal, o homem é chamado ao amor nesta sua totalidade unificada. O amor abraça também o corpo humano e o corpo torna-se participante do amor espiritual” (FC, 11).
2. Modo de
realizar a vocação da pessoa humana e sinal imperfeito da doação de Cristo pela
Igreja
A Igreja entende
que há dois modos específicos de realizar a vocação da pessoa humana na
sua totalidade ao amor: o Matrimónio e a Virgindade. “Quer um quer outro, na
sua respectiva forma própria, são uma concretização da verdade mais profunda do
homem, do seu “ser à imagem de Deus”, ensina a Familiaris Consortio.
Para um homem e
uma mulher que abraçam a vocação familiar, por meio do Sacramento do
Matrimônio, a plenitude desse amor simbolizada na doação total de Cristo por
sua Igreja.
Neste sacrifício
descobre-se inteiramente aquele desígnio que Deus imprimiu na humanidade do
homem e da mulher, desde a sua criação; o matrimónio dos batizados torna-se
assim o símbolo real da Nova e Eterna Aliança, decretada no Sangue de Cristo. O
Espírito, que o Senhor infunde, doa um coração novo e torna o homem e a mulher
capazes de se amarem, como Cristo nos amou. O amor conjugal atinge aquela
plenitude para a qual está interiormente ordenado: a caridade conjugal, que é o
modo próprio e específico com que os esposos participam e são chamados a viver
a mesma caridade de Cristo que se doa sobre a Cruz. (FC, 13)
Na
exortação Amoris Laetitia, o Papa Francisco fala dessa entrega de Cristo,
sinalizando que ela manifesta o “amor infinito do Pai”. Essa manifestação é que
permite compreender o mistério das famílias cristãs.
Ele também
compreende que o amor conjugal é um “sinal imperfeito do amor entre Cristo e a
Igreja”, por isso que o Sacramento do Matrimônio confere aos esposos, através
da Igreja, “a graça para testemunhar o Evangelho do amor de Deus”.
“Os esposos são, portanto, para a Igreja a lembrança permanente daquilo que aconteceu na cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar” (AL, 72)
O matrimônio cristão é um sinal que não só indica quanto Cristo amou a sua Igreja na Aliança selada na Cruz, mas torna presente esse amor na comunhão dos esposos. (AL, 73)
3. Vocação que
tem frutos
A resposta à
vocação familiar é única e insubstituível, como os participantes do Sínodo de
2015 apontaram no relatório final daquela Assembleia, indicando alguns dos
frutos que a família gera para a Igreja e a sociedade:
“A beleza do dom recíproco e gratuito, a alegria pela vida que nasce e a amorosa solicitude de todos os seus membros, desde os pequeninos aos idosos”.
No mesmo
parágrafo da Amoris Laetitia, o Papa Francisco aponta o amor vivido nas
famílias como uma “força permanente para a vida da Igreja”.
“O fim unitivo do matrimónio é um apelo constante a crescer e aprofundar este amor. Na sua união de amor, os esposos experimentam a beleza da paternidade e da maternidade; partilham projetos e fadigas, anseios e preocupações; aprendem a cuidar um do outro e a perdoar-se mutuamente. Neste amor, celebram os seus momentos felizes e apoiam-se nos episódios difíceis da história da sua vida”.
4. Habilita e
empenha na vocação de leigos
O Papa João
Paulo II escreveu na Familiaris Consortio que o Sacramento do Matrimônio
“habilita e empenha os cônjuges e os pais cristãos a viver a sua vocação de
leigos, e por tanto a ‘procurar o Reino de Deus tratando das realidades
temporais e ordenando-as segundo Deus'”, retomando um ensinamento da
Constituição Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II.
Baseada num
casal de leigos, as famílias cristãs dão um contributo particular à causa
missionária da Igreja, segundo a Familiaris Consortio: “cultivando as vocações
missionárias nos seus filhos e filhas e, de uma forma mais generalizada, com
uma obra educativa que vai ‘dispondo os filhos, desde a infância para
conhecerem o amor de Deus por todos os homens'”.
Na família,
especialmente em relação aos filhos, os esposos também participam da obra
criadora de Deus: “gerando no amor e por amor uma nova pessoa, que traz em si a
vocação ao crescimento e ao desenvolvimento, os pais assumem por isso mesmo o
dever de a ajudar eficazmente a viver uma vida plenamente humana”.
5. Vocação que
chama à Santidade
O chamado à
santidade é uma “alta vocação” a que os cônjuges são chamados, segundo o plano
de Deus, lê-se na Familiaris Consortio. Isso se realiza “na medida em que
a pessoa humana está em grau de responder ao mandato divino com espírito
sereno, confiando na graça divina e na vontade própria”.
Já
na Amoris Laetitia, esse chamado à santidade é alimentado pelo dom do
Sacramento que faz com que a união entre o homem e a mulher sejam “a
representação real, através do sinal sacramental, da mesma relação de Cristo
com a Igreja”.
6. Vocação
fascinante e união plena
No
parágrafo 206 da Amoris Laetitia, o Papa Francisco fala do Matrimônio
como algo fascinante, para o qual os jovens precisam ser auxiliados pela Igreja
a fim de descobrirem o valor e a riqueza.
Nessa reflexão,
o matrimônio é entendido como “união plena que eleva e aperfeiçoa a dimensão
social da vida, confere à sexualidade o seu sentido maior, ao mesmo tempo que
promove o bem dos filhos e lhes proporciona o melhor contexto para o seu
amadurecimento e educação.
7. Vocação que
lança os noivos adiante
Os dois
documentos papais sobre a família apontam diversas indicações pastorais que
ajudaram a estruturar, inicialmente, e atualizar, num tempo mais próximo, a
Pastoral Familiar. Eles destacam o discernimento vocacional e a preparação para
a vida matrimonial, não como algo que é feito às vésperas de um cerimônia, mas
como um caminho que se inicia desde uma preparação remota até a preparação
próxima.
Isso nos aponta
o último ponto, o qual mostra que o acompanhamento devido ajuda os noivos na
sua preparação para receber o Sacramento do Matrimônio:
“Tanto a preparação próxima como o acompanhamento mais prolongado devem procurar que os noivos não considerem o matrimônio como o fim do caminho, mas o assumam como uma vocação que os lança para diante, com a decisão firme e realista de atravessarem juntos todas as provações e momentos difíceis”.

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