segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Mês Vocacional - 1ª semana

Padres: alegres servidores da misericórdia divina!

Dom Diamantino Prata de Carvalho - Bispo Emérito da Campanha (MG)

Celebrar o “Dia do Padre” é, antes de tudo, fazer memória do amor gratuito de Deus que continua a passar pela fragilidade humana para abraçar o mundo. Em um tempo de tantas transformações, olhar para a vocação sacerdotal exige coragem, esperança e, acima de tudo, um profundo enraizamento naquele que nos chamou.

O Papa Francisco, ao longo de seu pontificado, destacou-se como uma voz incansável a nos recordar o núcleo do ministério presbiteral: a proximidade, a misericórdia e a doação sem reservas. Para Francisco, o padre não é um mero administrador do sagrado, mas um pastor com “o cheiro das ovelhas”, chamado a ter o próprio Coração de Cristo como bússola e refúgio. A vocação não é um evento estático que ficou perdido no dia da ordenação, ela é um organismo vivo que se alimenta da oração e da doação diária.

Como frequentemente nos lembrava Francisco, o sacerdote é alguém que experimentou o olhar misericordioso de Deus e, por isso, não pode reter essa graça apenas para si. Renovar o “sim” significa voltar constantemente ao primeiro amor. Nos dias de cansaço ou desânimo, o sacerdote é convidado a colocar a cabeça no peito do Mestre, como o discípulo amado, e reacender a chama da esperança. Esse “sim” renovado não se apoia nas próprias forças, mas na fidelidade daquele que prometeu estar conosco todos os dias.

Para ser um sacerdote segundo o Coração de Cristo, Papa Francisco nos apresentava o que ele chama de “estilo de Deus”. Este estilo se traduz em três atitudes fundamentais: proximidade com Deus; proximidade com o Bispo e com os Irmãos de Presbitério e a proximidade com o Povo de Deus. A proximidade com Deus deve ser alimentada na intimidade da Eucaristia, no silêncio da adoração e no escutar atento da Palavra. A proximidade com o Bispo e com os Irmãos de Presbitério deve ser cultivada pela fraternidade sacerdotal, evitando o isolamento e o individualismo. A proximidade com o Povo de Deus, ao cabo, deve se dar como que tece laços, de modo que o sacerdote, mais que um simples líder religioso, assume um papel fundamental de pai e irmão nas dores e alegrias da comunidade.

Um coração configurado ao de Jesus é um coração compassivo que não julga apressadamente, mas acolhe; que não fecha as portas, mas se torna porto seguro para os feridos da vida. O Reino de Deus não se constrói com estruturas rígidas ou autossuficiência, mas com o serviço humilde e a entrega generosa. O presbítero é um especialista em “descer do pedestal” para lavar os pés dos seus irmãos. Gastar a vida pelo Reino significa aceitar que os frutos do trabalho pastoral nem sempre serão colhidos por quem plantou. Exige a maturidade de ser apenas o amigo do Noivo, aquele que aponta para Cristo e deixa que Ele cresça. Essa doação exige coragem para ser uma Igreja “em saída”, que vai ao encontro das periferias existenciais e geográficas com a lâmpada da fé acesa.

Todos os padres somos chamados a ser alegres servidores da misericórdia divina! Aos nossos sacerdotes, os da amada Diocese da Campanha, os meus confrades franciscanos, nestes 800 anos de paz e bem do nosso seráfico Pai, e aos que comigo trabalham na missão de levar saúde aos mais pobres, enfim, neste dia dedicado a vós dedicado, em sintonia com as orações em torno ao “Mês Vocacional”, que o eco das palavras de Jesus continue a ressoar no fundo do coração: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). Não tenhais medo de renovar hoje a vossa entrega. O mundo precisa da vossa paternidade, do vosso testemunho de esperança e da vossa capacidade de perdoar e abençoar. Que Nossa Senhora, Mãe dos Sacerdotes, guarde a vossa vocação e vos ensine a dizer, diariamente, um “sim” confiante, alegre e generoso em favor do Povo de Deus. Parabéns a todos os sacerdotes pelo seu dia e pelo seu serviço frutuoso à Igreja!

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 Fonte: cnbb.org.br     Imagem: vaticannews.va

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