Padres: alegres
servidores da misericórdia divina!
Dom Diamantino
Prata de Carvalho - Bispo Emérito da Campanha (MG)
Celebrar o “Dia
do Padre” é, antes de tudo, fazer memória do amor gratuito de Deus que continua
a passar pela fragilidade humana para abraçar o mundo. Em um tempo de tantas
transformações, olhar para a vocação sacerdotal exige coragem, esperança e,
acima de tudo, um profundo enraizamento naquele que nos chamou.
O Papa
Francisco, ao longo de seu pontificado, destacou-se como uma voz incansável a
nos recordar o núcleo do ministério presbiteral: a proximidade, a misericórdia
e a doação sem reservas. Para Francisco, o padre não é um mero administrador do
sagrado, mas um pastor com “o cheiro das ovelhas”, chamado a ter o próprio
Coração de Cristo como bússola e refúgio. A vocação não é um evento estático
que ficou perdido no dia da ordenação, ela é um organismo vivo que se alimenta
da oração e da doação diária.
Como
frequentemente nos lembrava Francisco, o sacerdote é alguém que experimentou o
olhar misericordioso de Deus e, por isso, não pode reter essa graça apenas para
si. Renovar o “sim” significa voltar constantemente ao primeiro amor. Nos dias
de cansaço ou desânimo, o sacerdote é convidado a colocar a cabeça no peito do
Mestre, como o discípulo amado, e reacender a chama da esperança. Esse “sim”
renovado não se apoia nas próprias forças, mas na fidelidade daquele que
prometeu estar conosco todos os dias.
Para ser um
sacerdote segundo o Coração de Cristo, Papa Francisco nos apresentava o que ele
chama de “estilo de Deus”. Este estilo se traduz em três atitudes fundamentais:
proximidade com Deus; proximidade com o Bispo e com os Irmãos de Presbitério e
a proximidade com o Povo de Deus. A proximidade com Deus deve ser alimentada na
intimidade da Eucaristia, no silêncio da adoração e no escutar atento da
Palavra. A proximidade com o Bispo e com os Irmãos de Presbitério deve ser
cultivada pela fraternidade sacerdotal, evitando o isolamento e o
individualismo. A proximidade com o Povo de Deus, ao cabo, deve se dar como que
tece laços, de modo que o sacerdote, mais que um simples líder religioso,
assume um papel fundamental de pai e irmão nas dores e alegrias da comunidade.
Um coração configurado ao de Jesus é um coração compassivo que não julga apressadamente, mas acolhe; que não fecha as portas, mas se torna porto seguro para os feridos da vida. O Reino de Deus não se constrói com estruturas rígidas ou autossuficiência, mas com o serviço humilde e a entrega generosa. O presbítero é um especialista em “descer do pedestal” para lavar os pés dos seus irmãos. Gastar a vida pelo Reino significa aceitar que os frutos do trabalho pastoral nem sempre serão colhidos por quem plantou. Exige a maturidade de ser apenas o amigo do Noivo, aquele que aponta para Cristo e deixa que Ele cresça. Essa doação exige coragem para ser uma Igreja “em saída”, que vai ao encontro das periferias existenciais e geográficas com a lâmpada da fé acesa.
Todos os padres
somos chamados a ser alegres servidores da misericórdia divina! Aos nossos
sacerdotes, os da amada Diocese da Campanha, os meus confrades franciscanos,
nestes 800 anos de paz e bem do nosso seráfico Pai, e aos que comigo trabalham
na missão de levar saúde aos mais pobres, enfim, neste dia dedicado a vós
dedicado, em sintonia com as orações em torno ao “Mês Vocacional”, que o eco
das palavras de Jesus continue a ressoar no fundo do coração: “Não fostes vós
que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). Não tenhais medo de
renovar hoje a vossa entrega. O mundo precisa da vossa paternidade, do vosso
testemunho de esperança e da vossa capacidade de perdoar e abençoar. Que Nossa
Senhora, Mãe dos Sacerdotes, guarde a vossa vocação e vos ensine a dizer,
diariamente, um “sim” confiante, alegre e generoso em favor do Povo de Deus.
Parabéns a todos os sacerdotes pelo seu dia e pelo seu serviço frutuoso à
Igreja!
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