Valorizemos os leigos e leigas na ação evangelizadora!
O mês de agosto é vivido pela Igreja Católica no Brasil como um tempo propício de reflexão, oração e animação vocacional. Ao longo das semanas, a comunidade eclesial volta o seu olhar para os diferentes chamados com os quais o Espírito Santo enriquece o Corpo de Cristo. No quarto domingo deste mês vocacional, a liturgia e a pastoral dedicam uma atenção especial à vocação de todos os leigos e leigas. Neste ano, por contarmos com um quinto domingo, a Igreja reserva esse encerramento do mês para celebrar com ainda mais destaque o Dia do Catequista — homens e mulheres que, impulsionados pela graça batismal e pela vocação laical, assumem o compromisso de fazer ecoar o Evangelho no coração do povo de Deus.
Para compreender a grandeza da vocação leiga, é preciso retornar à fonte de toda vida cristã: o Batismo. É por meio dele que cada fiel é enxertado em Cristo e tornado participante de sua tríplice missão como sacerdote, profeta e rei. Por muito tempo, existiu a percepção equivocada de que os leigos seriam meros colaboradores ou assistentes da hierarquia eclesial. No entanto, desde o Concílio Vaticano II — de modo especial com as constituições Lumen Gentium e Apostolicam Actuositatem — e com a exortação Christifideles Laici de São João Paulo II, a Igreja reafirma que o leigo é sujeito ativo e indispensável na evangelização.
O Documento 105 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), intitulado “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade”, sublinha essa identidade madura: o leigo não está “na” Igreja como um espectador, ele é Igreja. Diferente dos ministros ordenados e dos religiosos consagrados, cuja missão se desenvolve com forte centralidade no serviço comunitário e nos sacramentos, a índole própria e específica dos leigos é a secularidade. Isso significa que o altar do leigo está erguido no meio das realidades temporais.
Na família, os leigos respondem ao seu chamado promovendo o amor, o perdão e a transmissão da fé entre as gerações. No trabalho e na economia, o fazem pautando as relações profissionais pela ética, justiça e solidariedade. Na política e no meio social, atuam defendendo a dignidade da vida humana, os direitos fundamentais e a promoção do bem comum. Nas artes, na educação e na cultura, transformam as estruturas sociais com os valores do Evangelho. Deste modo, o leigo é chamado a ser “fermento na massa”, atuando onde muitas vezes a voz do bispo ou do padre não consegue chegar. É na fábrica, no escritório, na universidade, no hospital, na política e no lar que a luz de Cristo brilha através do testemunho silencioso e coerente dos fiéis.
Aos amados cristãos leigos e leigas, neste mês vocacional, a Igreja olha para cada um de vocês com profunda gratidão e esperança. Não desanimem diante dos desafios do tempo presente, das incompreensões ou do cansaço que por vezes bate à porta. O seu trabalho diário, as suas dores oferecidas em silêncio, a sua honestidade no trabalho e o seu sim generoso nas pastorais são pedras preciosas na edificação do Reino de Deus.
Lembrem-se das palavras do Papa Francisco: a Igreja precisa de leigos corajosos, com o olhar focado no horizonte da esperança e com os pés firmes na realidade das periferias humanas e existenciais. Não tenham medo de ocupar os espaços da sociedade com a força do Evangelho. Sejam presença reconciliadora onde houver divisão, voz dos sem voz onde houver injustiça e sinal da misericórdia de Deus onde houver sofrimento. Que Maria, a leiga por excelência que soube escutar e guardar a Palavra no coração, interceda por cada leigo e leiga de nossas comunidades, renovando todos os dias a alegria de seguir a Cristo.
Dom Diamantino Prata de Carvalho - Bispo Emérito da Campanha (MG)
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Fonte: cnbb.org.br Imagem:catequesecnbb.org.br

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