vocação do padre
A Fé que sustenta a travessia
Estamos vivendo
o Mês Vocacional, um tempo de graça para reconhecer que Deus continua chamando
homens e mulheres a colocar a própria vida a serviço do Reino. Nesta primeira
semana, nossa oração se volta de modo especial para a vocação do padre, do
sacerdote. A Igreja agradece por cada presbítero que, com suas fragilidades e
generosidade, entrega-se para anunciar a Palavra, celebrar os sacramentos,
cuidar do povo e tornar Cristo presente nas comunidades.
O Evangelho de
Mateus nos mostra os discípulos em uma barca, enfrentando ondas fortes e vento
contrário. É uma cena que fala muito aos nossos dias. Vivemos cercados por
pressa, insegurança, desentendimentos, notícias que inquietam e tantos desafios
que atingem as famílias e a vida em sociedade. Também a Igreja atravessa esse
mar: precisa ser sinal de esperança, acolhimento e verdade, mesmo quando o
ambiente parece difícil. Em meio à noite, Jesus se aproxima e diz: “Coragem!
Sou eu. Não tenhais medo!”
Antes de ir ao
encontro dos discípulos, Jesus sobe ao monte para rezar. Eis uma lição preciosa
para todos, especialmente para o sacerdote. O padre não é chamado a ser um
herói que resolve tudo sozinho; é chamado a ser homem de oração, servidor do
Evangelho e irmão do povo. É da intimidade com Deus que ele encontra força para
voltar à barca, escutar as dores das pessoas, celebrar a Eucaristia e conduzir
a comunidade com caridade. Por isso, rezar pelos padres é um gesto concreto de
amor à Igreja.
Pedro também nos
ensina. Ele tem coragem de sair da barca e caminhar em direção a Jesus, mas
começa a afundar quando passa a olhar somente para o vento. Quantas vezes nós
fazemos o mesmo? A fé enfraquece quando damos mais atenção ao medo, à crítica,
à má notícia e àquilo que parece impossível. No entanto, a oração de Pedro
permanece atual: “Senhor, salva-me!” Jesus não demora a estender a mão. Ele não
abandona quem reconhece a própria necessidade e confia nele.
Colocar este
Evangelho em prática no dia a dia significa cultivar alguns minutos de oração
antes de enfrentar as tarefas; falar com mais paciência dentro de casa; evitar
julgamentos e palavras que ferem; ajudar quem está atravessando uma tempestade;
e não se deixar vencer pelo desânimo. Neste Mês Vocacional, significa ainda
agradecer pelo padre de nossa comunidade, rezar por sua perseverança e pedir
que novos jovens tenham coragem de responder ao chamado de Deus.
Que nossas
paróquias sejam barcas onde ninguém caminhe sozinho. Com os olhos fixos em
Jesus, a travessia ganha sentido, o medo perde força e a esperança volta a
florescer. Ele continua passando por nossas noites e repetindo, com amor:
“Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”
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