domingo, 16 de agosto de 2026

3ª Semana Vocacional:

Consagrados pelo Reino de Deus! 

Dom Diamantino Prata de Carvalho - Bispo Emérito da Campanha (MG)

Dando continuidade à celebração do mês vocacional, após refletirmos sobre os dons das vocações ordenadas e matrimoniais, uma partindo da comemoração pelo “Dia do Padre” e outra pelo “Dia dos Pais”, avançamos neste terceiro domingo com a reflexão em torno dos dons das vocações religiosas e à vida consagrada. A Vida Religiosa não nasce de uma simples escolha profissional ou de um projeto humano de filantropia; nasce de um encontro transformador com a pessoa de Jesus Cristo.

Em um mundo frequentemente marcado pelo individualismo, pelo consumo desenfreado e pelo imediatismo, os conselhos evangélicos professados pelos religiosos funcionam como uma profecia viva. A Pobreza nos lembra que o maior tesouro do coração humano é Deus e que a solidariedade e a partilha devem se sobrepor ao acúmulo material. A Castidade proclama a capacidade de amar a todos com coração livre, doando-se sem posse, espelhando o amor incondicional do Pai. A Obediência ensina a escuta atenta da vontade divina em comunhão com os irmãos, oposta à autossuficiência e ao egocentrismo.

Seja no silêncio dos mosteiros contemplativos, onde homens e mulheres sustentam a Igreja invisivelmente pela oração contínua, seja no dinamismo da vida ativa, presente nas escolas, hospitais, periferias e terras de missão, a vida consagrada manifesta a maternidade e o cuidado de Deus pela humanidade. A história da Igreja confunde-se com a atuação dos carismas religiosos. Onde há dor, abandono ou fome, tanto física quanto espiritual, há a presença de um religioso ou de uma religiosa. Eles são os braços estendidos da Igreja que chegam às geografias e às existências mais distantes. Como afirmava o Papa Francisco: “A vida consagrada é a história de um amor apaixonado pelo Senhor e pela humanidade. Onde estão os religiosos, há alegria e profecia.”

Pela vida contemplativa, a Igreja se faz presente e atuante na sociedade através da oração incessante, da intercessão e do testemunho da primazia de Deus no silêncio dos claustros. Pela vida missionária e ativa, a Igreja contribui significativamente com uma evangelização encarnada, no sentido de que esta supera os vãos discursos, concretizando-se por meio de obras em favor da justa educação, saúde, assistência aos marginalizados e defesa dos direitos humanos. Por fim, pelos Institutos Seculares e novas comunidades, a Igreja se põe em saída através de uma consagração no meio do mundo, santificando as realidades temporais no cotidiano.

De modo geral, contemplamos a partir dos Consagrados uma ampla e plural frente de atuação da Igreja. Tamanha riqueza, no tocante à Caridade, nos provoca a uma atenção particular ao testemunho de nossos irmãos religiosos e religiosas, aos quais precisamos constantemente dizer: A Igreja precisa do seu sim diário!

Neste ano de 2026, ao celebrarmos o Mês Vocacional, renovamos o nosso agradecimento pela doação silenciosa, pelas orações na madrugada, pelas mãos gotejantes de trabalho nas missões e pelo testemunho de fé que não esmorece diante das dificuldades do tempo presente. Vocês são a prova viva de que o Evangelho é viável, de que vale a pena entregar tudo por Cristo e de que a santidade é um caminho aberto e fascinante.

Que a Virgem Maria, Nossa Senhora da Assunção, modelo perfeitíssimo de consagração e resposta fiel ao Pai, cubra cada missionário e missionária com seu manto materno, sustentando a perseverança e renovando o ardor vocacional. E a toda a comunidade eclesial, fica o convite: rezemos pelas vocações à Vida Religiosa Consagrada, promovamos em nossas famílias e paróquias uma cultura vocacional onde os jovens sintam a coragem de responder ao chamado do Mestre e apoiemos com carinho e gratidão aqueles que já entregaram suas vidas por nós e pelo Reino.

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 Fonte: cnbb.org.br     Imagem: vaticanews.va

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