Consagrados pelo
Reino de Deus!
Dom Diamantino
Prata de Carvalho - Bispo Emérito da Campanha (MG)
Dando
continuidade à celebração do mês vocacional, após refletirmos sobre os dons das
vocações ordenadas e matrimoniais, uma partindo da comemoração pelo “Dia do
Padre” e outra pelo “Dia dos Pais”, avançamos neste terceiro domingo com a
reflexão em torno dos dons das vocações religiosas e à vida consagrada. A Vida
Religiosa não nasce de uma simples escolha profissional ou de um projeto humano
de filantropia; nasce de um encontro transformador com a pessoa de Jesus
Cristo.
Em um mundo
frequentemente marcado pelo individualismo, pelo consumo desenfreado e pelo
imediatismo, os conselhos evangélicos professados pelos religiosos funcionam
como uma profecia viva. A Pobreza nos lembra que o maior tesouro do coração
humano é Deus e que a solidariedade e a partilha devem se sobrepor ao acúmulo
material. A Castidade proclama a capacidade de amar a todos com coração livre,
doando-se sem posse, espelhando o amor incondicional do Pai. A Obediência
ensina a escuta atenta da vontade divina em comunhão com os irmãos, oposta à
autossuficiência e ao egocentrismo.
Seja no silêncio
dos mosteiros contemplativos, onde homens e mulheres sustentam a Igreja
invisivelmente pela oração contínua, seja no dinamismo da vida ativa, presente
nas escolas, hospitais, periferias e terras de missão, a vida consagrada
manifesta a maternidade e o cuidado de Deus pela humanidade. A história da
Igreja confunde-se com a atuação dos carismas religiosos. Onde há dor, abandono
ou fome, tanto física quanto espiritual, há a presença de um religioso ou de
uma religiosa. Eles são os braços estendidos da Igreja que chegam às geografias
e às existências mais distantes. Como afirmava o Papa Francisco: “A vida consagrada
é a história de um amor apaixonado pelo Senhor e pela humanidade. Onde estão os
religiosos, há alegria e profecia.”
Pela vida
contemplativa, a Igreja se faz presente e atuante na sociedade através da
oração incessante, da intercessão e do testemunho da primazia de Deus no
silêncio dos claustros. Pela vida missionária e ativa, a Igreja contribui
significativamente com uma evangelização encarnada, no sentido de que esta
supera os vãos discursos, concretizando-se por meio de obras em favor da justa
educação, saúde, assistência aos marginalizados e defesa dos direitos humanos.
Por fim, pelos Institutos Seculares e novas comunidades, a Igreja se põe em
saída através de uma consagração no meio do mundo, santificando as realidades
temporais no cotidiano.
De modo geral,
contemplamos a partir dos Consagrados uma ampla e plural frente de atuação da
Igreja. Tamanha riqueza, no tocante à Caridade, nos provoca a uma atenção
particular ao testemunho de nossos irmãos religiosos e religiosas, aos quais
precisamos constantemente dizer: A Igreja precisa do seu sim diário!
Neste ano de
2026, ao celebrarmos o Mês Vocacional, renovamos o nosso agradecimento pela
doação silenciosa, pelas orações na madrugada, pelas mãos gotejantes de
trabalho nas missões e pelo testemunho de fé que não esmorece diante das
dificuldades do tempo presente. Vocês são a prova viva de que o Evangelho é
viável, de que vale a pena entregar tudo por Cristo e de que a santidade é um
caminho aberto e fascinante.
Que a Virgem
Maria, Nossa Senhora da Assunção, modelo perfeitíssimo de consagração e
resposta fiel ao Pai, cubra cada missionário e missionária com seu manto
materno, sustentando a perseverança e renovando o ardor vocacional. E a toda a
comunidade eclesial, fica o convite: rezemos pelas vocações à Vida Religiosa
Consagrada, promovamos em nossas famílias e paróquias uma cultura vocacional
onde os jovens sintam a coragem de responder ao chamado do Mestre e apoiemos
com carinho e gratidão aqueles que já entregaram suas vidas por nós e pelo
Reino.
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