Configuração da vida
Configurar a
vida é organizá-la de forma a dar-lhe sentido e motivações para uma existência
feliz. Por outro lado, desorganização é reflexo de descontrole interno, que
dificulta a condução saudável das ações do cotidiano. Consequentemente, é
importante repensar, com certa frequência, o real caminho que está sendo
percorrido e encontrar a direção certa e segura para atingir seus objetivos.
O mês de
setembro é celebrado como o mês da Palavra de Deus, mês da bíblia. A
configuração da vida das pessoas deve estar consolidada a partir da Palavra
orientadora do Senhor, que cria uma cultura particular na forma de se viver ao
construir a própria história pessoal. É pautar um olhar de esperança numa
utopia de futuro, mas com convicção firme de que ela poderá ser realizada.
A construção é
caminho de configuração, de conduta da vida pessoal, mas também da vida social.
Tudo supõe responsabilidade e querer realizar o bem, principalmente o bem comum
na sociedade. Estamos no momento bonito das eleições, espaço de fazer acontecer
a configuração do Brasil, porque vamos escolher pessoas responsáveis pela
conduta do nosso país. Isto exige responsabilidade.
O eleitor
precisa ter uma vista clínica neste momento, olhar que ultrapasse seus
interesses particulares e com uma visão do todo da sociedade. O bem comum não é
um bem individual, intimista e exclusivista, fechado em si mesmo. Isto tem
fundamento bíblico, pois a Palavra fala de ter o sentimento de fraternidade,
convicto de que o voto tem força comunitária e ajuda a toda a comunidade.
O clima
eleitoral tem um histórico de tensão. A Palavra de Deus diz: “aspirai à mesma
coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade” (Fl 2,2).
Mas é a disputa pelo poder, que pode ser uma armadilha para dificultar as
relações de fraternidade e desenvolvimento do país. Aí está a importância de
escolher pessoas aparelhadas com a prática do bem comum.
A vida tem seus
erros e acertos, aquilo que pode acontecer também numa eleição. As tensões têm
que ser harmonizadas, cada um sabendo ganhar ou perder. Assim é a trajetória da
vida, mesmo com polarizações e extremismos, é possível apaziguar os ânimos, entender
as paixões como limites do humano e projetar um futuro de sociedade onde o bem
de todos seja construído.
Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)
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