aborda democracia e desafios da política no Brasil
A democracia, a
importância das instituições, a participação cidadã e a confiança no processo
eleitoral brasileiro estão entre os temas do quarto episódio da série de
podcasts “Discernimento Católico – Eleições 2026”. A iniciativa aprofunda os
principais pontos da mensagem
dos bispos ao Povo de Deus por ocasião das Eleições de 2026, aprovada pelo
Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Neste episódio,
dedicado ao tema “Democracia e desafios da política no Brasil”, participam o
frei Jorge Luiz Soares, assessor de Relações Institucionais e Governamentais da
CNBB; Melillo Diniz, perito do Grupo de Análise de Conjuntura Padre Thierry
Linard e representante da CNBB no Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral
(MCCE); e Jardel Neves Lopes, secretário-executivo do Centro Nacional de Fé e
Política (CEFEP).
Confira abaixo:
Democracia e
valorização das instituições
Ao refletir
sobre o Estado Democrático de Direito, frei Jorge Luiz Soares destaca que a
organização política brasileira está fundamentada em leis e, especialmente, na
Constituição Federal. Nesse modelo, explica, o poder não pertence a uma única
pessoa ou grupo, mas deve ser exercido dentro de uma estrutura institucional e
jurídica.
“Quando se reivindica a identidade do Brasil como Estado Democrático de Direito, significa dizer que ele tem uma Constituição, que ele tem normas, que ele tem leis a partir das quais é regida a vida política da nossa nação”, afirma.
Frei Jorge
também chama a atenção para o fato de que a participação democrática não
termina no voto. Depois das eleições, é necessário acompanhar a atuação
daqueles que foram escolhidos pela população, tendo como horizonte a dignidade
humana e a promoção do bem comum.
Nesse processo,
segundo ele, as instituições governamentais, jurídicas e da sociedade civil
exercem papel fundamental no acompanhamento da vida pública. Por isso, mesmo
diante de crises e questionamentos sobre a atuação de pessoas que ocupam
determinadas funções, é necessário distinguir os agentes das próprias
instituições.
“As instituições
são permanentes, são estáveis, ultrapassam as pessoas que as ocupam no momento
atual”, ressalta. Para frei Jorge, preservar e valorizar as instituições é
indispensável para uma sociedade que se reconhece como um Estado Democrático de
Direito.
Participação
política como exercício da cidadania
Melillo Diniz
observa que problemas como desigualdade, corrupção, compra de votos,
desinformação e abusos de poder fazem parte dos desafios históricos enfrentados
pelo sistema político brasileiro. Para ele, as eleições de 2026 representam uma
oportunidade para fortalecer a democracia e ampliar a participação cidadã.
“A democracia é
sempre um processo de amadurecimento”, afirma. Ao recordar o processo de
redemocratização do país e a Constituição Federal de 1988, Melillo destaca que
a cidadania envolve direitos, mas também responsabilidades.
Inspirado no
conceito da filósofa Hannah Arendt de cidadania como “o direito a ter
direitos”, ele acrescenta a dimensão dos deveres e defende que a participação
política deve ser compreendida também como responsabilidade do cidadão e do
cristão.
“Um dos
principais deveres do cidadão, mas também do cristão, é o dever da participação
política”, afirma. Nesse sentido, Melillo ressalta a importância de superar o
desencanto com a política e participar de forma consciente, inclusive por meio
da escolha criteriosa dos candidatos.
Combate à
corrupção eleitoral
Representante da
CNBB no Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Melillo também recorda a
atuação histórica da sociedade civil no aprimoramento da legislação eleitoral
brasileira. Entre as iniciativas, cita a mobilização contra a compra de votos e
o processo que resultou na Lei da Ficha Limpa.
Ele também
destaca a atuação de organizações da sociedade civil na observação das eleições
e a existência de comitês voltados ao combate à compra de votos e à corrupção
eleitoral, que acompanham situações relacionadas a abusos de poder econômico,
político e religioso.
Segundo Melillo,
essas iniciativas demonstram que o fortalecimento da democracia não depende
apenas das instituições públicas, mas também do envolvimento organizado da
sociedade civil no acompanhamento do processo eleitoral.
Confiança no
sistema eleitoral
Outro ponto
abordado no episódio é a confiança nos mecanismos legítimos de apuração da
vontade popular, destacada pelos bispos na mensagem para as eleições deste ano.
Melillo alerta
para a disseminação de desinformação em períodos eleitorais e defende que
cristãos e cidadãos tenham compromisso com a verdade. A partir de sua
experiência como advogado eleitoral e observador de eleições, ele avalia que o
sistema brasileiro passou por um amplo processo de aperfeiçoamento ao longo das
últimas décadas.
“Nós temos um
dos sistemas mais avançados do mundo”, afirma. Melillo destaca mecanismos como
a identificação biométrica, a rapidez na votação e na apuração e os
procedimentos de auditoria e fiscalização realizados por diferentes
instituições.
Para ele, a
segurança do processo é fundamental para assegurar que a escolha do eleitor
seja respeitada e para fortalecer a democracia. “Essa festa da democracia tem
que ser vivida com muito orgulho por todos nós brasileiros e, especialmente,
por nós católicos, vivendo a verdade e trazendo a nossa participação política e
cidadã”, afirma.
Subsídio ajuda
comunidades a refletirem sobre as eleições
O episódio
também apresenta o subsídio “Encontros de Reflexão e Oração para as Eleições de 2026”,
preparado pelo Centro Nacional de Fé e Política (CEFEP). O secretário-executivo
do organismo, Jardel Neves Lopes, explica que o material foi elaborado para
auxiliar comunidades e grupos a refletirem, dialogarem e rezarem sobre a
participação cidadã no contexto eleitoral.
“Esse subsídio foi pensado exatamente para ajudar as pessoas a refletirem, conversarem e rezarem sobre o processo de participação cidadã, de modo muito especial nas eleições de 2026”, explica.
O material reúne
nove temas e articula a análise da realidade com a iluminação bíblica e os
ensinamentos da Doutrina Social da Igreja. Também propõe a utilização da
Conversação no Espírito como método para favorecer a escuta, o diálogo e o
discernimento sobre questões relacionadas à vida política.
Segundo Jardel,
a proposta ganha relevância em um contexto marcado por dificuldades de diálogo
e pela polarização em torno da política. “Quando propomos e conseguimos
conjugar tudo isso em espaços de pequenos grupos para o diálogo, essa
iniciativa se torna uma riqueza muito grande em nosso contexto social”,
destaca.
Para ele, a
reflexão conjunta pode ajudar os cristãos a compreenderem melhor sua
responsabilidade na construção do futuro do país e a assumirem compromissos
concretos com a cidadania e a democracia.
O episódio
termina com uma oração conduzida por Jardel:
“Que o Deus da vida e da história mantenha sempre viva a chama da esperança na construção do Reino. Dê força, coragem e ânimo na missão de levar a consciência política e a maturidade na fé”.
A série “Discernimento Católico – Eleições 2026” aprofunda, a cada episódio, diferentes aspectos da mensagem dos bispos ao Povo de Deus para o período eleitoral, oferecendo elementos para a reflexão e o discernimento dos católicos diante das eleições deste ano.
Por Larissa
Carvalho
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