domingo, 13 de setembro de 2026

Reflexão para este domingo:

O que seria de nós sem o perdão

José Antonio Pagola

Chama-se “Parábola do Servo Cruel” porque trata de um homem que, tendo sido perdoado pelo rei de uma dívida impossível de pagar, é incapaz de perdoar, por sua vez, a um companheiro que lhe deve uma pequena quantia. O relato parece simples e claro, mas os autores continuam discutindo sobre o sentido original, pois tal como o apresenta Mateus, encaixa-se muito bem no convite de Jesus de “perdoar até setenta vezes sete”.

A parábola que havia começado de maneira tão promissora, com o perdão do rei, acaba tragicamente. Tudo termina mal. O perdão do rei não consegue provocar um comportamento mais compassivo entre seus subordinados. O servo perdoado não sabe compadecer-se de seu companheiro. Os outros servos não se perdoam e pedem ao rei que faça justiça. O rei, indignado, retira seu perdão e entrega o servo aos verdugos.

Por um momento parecia que podia ter começado uma era nova de compreensão e mútuo perdão. Não foi assim. No final, a compaixão fica anulada por todos. Nem o servo nem seus companheiros, nem sequer o rei escutam o convite ao perdão. Houve um gesto inicial de perdão do rei que também não sabe perdoar “setenta vezes sete”.

O que Jesus está sugerindo? Às vezes pensamos ingenuamente que o mundo seria mais humano se tudo fosse regido pela ordem, pela estrita justiça e pelo castigo aos que praticam o mal. Mas não construiríamos assim um mundo tenebroso? O que seria uma sociedade onde fosse suprimido radicalmente o perdão? O que seria de nós se Deus não soubesse perdoar?

A negação do perdão nos parece às vezes a reação mais normal e até a mais digna diante da ofensa, da humilhação ou da injustiça. Mas não é isso que humanizará o mundo. Um casal sem mútua compreensão se destrói; uma família sem perdão é um inferno; uma sociedade sem compaixão é desumana.

A parábola de Jesus é uma espécie de “armadilha”. A todos nós parece que o servo perdoado pelo rei “devia” perdoar a seu companheiro. É o mínimo que dele se podia exigir. Mas então, o perdão não é o mínimo que se pode esperar de quem vive do perdão e da misericórdia de Deus? Nós falamos do perdão como um gesto admirável e heroico. Para Jesus era o mais normal.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

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