A grandeza de
Pedro manifesta-se justamente na sua capacidade de deixar-se transformar por
aquilo que Jesus lhe ensina. Depois de compreender que o Messias não veio para
conquistar pelo poder, mas para entregar a própria vida, o apóstolo permanecerá
fiel a Cristo até o fim, inclusive no martírio. A sua trajetória mostra que a
fé não significa ter todas as respostas imediatamente, mas confiar o suficiente
para continuar caminhando quando ainda não compreendemos tudo. Como Pedro,
somos convidados.
"Efetivamente,
também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus,
especialmente quando estão muito distantes dos nossos". A reação de Pedro
diante da revelação de Jesus de sua Páscoa imininente, inspirou a reflexão de
Leão XIV antes de rezar o Angelus diante da multidão aglomerada na
Praça da Liberdade, diante do Palácio Apostólico, em Castel Gandolfo.
O Evangelho
proposto pela liturgia neste XXII Domingo do Tempo Comum - começou explicando o
Papa aos presentes - apresenta Jesus anunciando a seus discípulos que
"deverá ir a Jerusalém, sofrer, ser morto e, ao terceiro dia,
ressuscitar". Uma revelação, que " está muito distante da imagem de
um Messias triunfante e poderoso que os discípulos esperavam"
Pedro, que pouco
antes havia proclamado sua fé em Jesus como «o Messias, o Filho de Deus vivo»,
reage com espanto e repreende o Mestre: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te
há de acontecer!». Sua atitude nasce de um amor sincero, mas também revela a
dificuldade de aceitar um caminho de salvação diferente daquele que imaginava.
A reação de
Pedro - recorda o Papa - toca uma realidade profundamente humana e presente
também na experiência de fé de cada pessoa:
Efetivamente, também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos. Nessa altura, surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós.
E perante esta
incerteza - explica o Santo Padre - Pedro, apesar da sua impulsividade,
ensina-nos duas coisas importantes: primeiramente, é necessário manter sempre
aberto o diálogo com o Senhor e apresentar-Lhe com confiança aquilo que
trazemos no coração, inclusive nossas dúvidas, incompreensões e angústias:
A segunda, porém, é nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele nos está a revelar por meio da sua ação, mesmo quando isso não corresponde às nossas expectativas.
Jesus
repreende Pedro — «Afasta-te, Satanás!» — e deixa claro que o pensamento do
discípulo ainda está preso à lógica humana. Para seguir Cristo, é preciso
aceitar uma lógica diferente: negar a si mesmo, tomar a própria cruz e
segui-lo. O caminho da salvação não passa pelo poder, pela imposição ou pela
vitória segundo os critérios do mundo, mas pelo amor que se entrega, pelo
sofrimento assumido com esperança e pela fidelidade à vontade do Pai. E a
grandeza do Primeiro dos Apóstolos manifesta-se também na sua capacidade de
deixar-se transformar por aquilo que Jesus lhe ensina:
Peçamos ao Senhor, então, que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-Lhe humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso, e, ao mesmo tempo, que saibamos cultivar a sua mesma docilidade, ao aceitar o que Ele nos pede para além das nossas expectativas.
Que Maria nos
ajude - foi o pedido de Leão XIV ao concluir - ela que foi obediente aos
desígnios de Deus até junto à Cruz do seu Filho Jesus.
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