quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Edições CNBB disponibiliza

texto preparatório para o Sínodo dos Jovens

No documento está disponível questionário que auxiliará as reflexões sinodais
A editora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Edições CNBB, lançou a versão impressa e em português do Brasil do documento preparatório para a XV Assembleia Geral Ordinário do Sínodo dos Bispos, que terá como tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Nele está disponível um questionário que todas as paróquias devem receber para avaliar a proposta apresentada pelo papa e comentar sobre suas expectativas e vida.
O tema escolhido pelo papa expressa a preocupação pastoral da Igreja com os jovens, em conformidade com as reflexões das assembleias sinodais recentes sobre a família e com o conteúdo da exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia. O Sínodo dos Jovens destina-se, portanto, a acompanhar a juventude em seu modo de vida em direção à maturidade. A Igreja espera que através de um processo de discernimento bem orientado, os jovens possam descobrir o seu projeto de vida e realizá-lo com alegria, abrindo-se ao encontro com Deus e com os homens, e participando ativamente na edificação da Igreja e da sociedade.
A 15ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos foi convocada pelo papa Francisco para outubro de 2018. O documento preparatório para assembleia sinodal que agora é oferecido pela Edições CNBB foi apresentado no Vaticano, no dia 13 de janeiro. Um dos objetivos do texto é encontrar as melhores maneiras para acompanhar os jovens a reconhecer e acolher o chamamento à vida plena e anunciar o Evangelho de maneira eficaz.
O texto está organizado em três partes: “Os jovens no mundo de hoje”; “Fé, discernimento, vocação” e “Ação pastoral”. Ele é direcionado ao Sínodo dos Bispos, ao Conselho das Igrejas Orientais Católicas, às Conferências Episcopais, à Cúria Romana e à União dos Superiores Gerais.
Na carta de divulgação, o papa pede que a juventude “não tenha medo de escutar o Espírito que vos sugere escolhas ousadas". Francisco também recordou uma das palavras de Jesus aos discípulos, que lhe perguntavam: “Rabi, onde moras?”. Ele respondeu: “Vinde e vede!”. “Jesus dirige o seu olhar também a vós, convidando-vos a caminhar com Ele”, destacou o pontífice.
Assim como aconteceu no Sínodo da Família, na fase de consulta ao povo de Deus, haverá questionário e consulta online aos jovens do mundo inteiro que poderão responder sobre suas expectativas e vida. Também haverá perguntas específicas e divididas por continente.
Entre em contato com a editora Edições CNBB pelo sac@edicoescnbb.com.br ou pelos telefones (61) 2193-3019 e 0800-9403019
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                                                     Fonte: cnbb.org.br     Ilustração: catedraldepiracicaba.org.br
Papa Francisco:
"Confiar em Deus; Ele sabe o que é melhor para nós"

Cidade do Vaticano (RV) – Cerca de 7 mil pessoas participaram do encontro semanal com o Papa nesta quarta-feira (25/01) na Sala Paulo VI.
Após saudar os participantes, Francisco deu início à audiência com uma catequese sobre Judite, a grande heroína de Israel que encorajou os chefes e o povo de Betúlia a esperarem incondicionalmente no Senhor e assim fazendo, libertou a cidade da morte.
A narração conta que o exército de Nabucodonosor, comandado pelo general Holofernes, assediou Betúlia cortando o fornecimento de água e enfraquecendo assim a resistência da população. A situação ficou dramática ao ponto que os moradores pedem aos anciãos que se rendam aos inimigos. O fim é inevitável, a capacidade de confiar em Deus exaurida, e para fugir da morte, não resta que se entregar.
O Pontífice continuou o relato:
“Diante de tanto desespero, os chefes do povo propõem-lhe esperar ainda cinco dias, para ver se Deus os socorreria. É aqui que entra Judite: ‘Agora, colocais o Senhor todo-poderoso à prova! Mesmo que Ele não queira enviar-nos auxílio durante estes cinco dias, tem poder para nos proteger dos nossos inimigos, em qualquer outro momento que seja do seu agrado. Esperemos pela sua libertação!’”
Francisco nesta quarta-feira
Francisco ressaltou a figura de Judite naquela situação e revelou aos presentes:
“Esta mulher, viúva, arrisca até fazer um papelão diante dos outros... mas é corajosa, vai adiante. Esta é uma minha opinião pessoal: as mulheres são mais corajosas que os homens”.
Com a força de um profeta, aquela mulher convida a sua gente a manter viva a esperança no Senhor. E aquela esperança foi premiada: Deus salvou Betúlia pela mão de Judite. A este ponto, o Papa refletiu e pediu aos fiéis:
“Com ela, aprendamos a não impor condições a Deus. Confiar Nele significa entrar nos seus desígnios sem nada pretender, aceitando inclusivamente que a sua salvação e o seu auxílio nos cheguem de modo diferente de nossas expectativas. Nós pedimos ao Senhor vida, saúde, amizade, felicidade… E é justo que o façamos; mas na certeza que Deus sabe tirar vida até da morte, que se pode sentir paz mesmo na doença, serenidade mesmo na solidão e felicidade mesmo no pranto. Não podemos ensinar a Deus aquilo que Ele deve fazer, nem aquilo de que temos necessidade. Ele sabe isso melhor do que nós; devemos confiar, porque os seus caminhos e os seus pensamentos são diferentes dos nossos.  
E outra vez, antes de concluir, o Papa mencionou o papel das mulheres e avós:
“Quantas vezes ouvimos palavras corajosas de mulheres humildes... que pensamos, sem desprezá-las, que são ignorantes... mas são as palavras da sabedoria de Deus, as palavras das avós que tantas vezes sabem dizer a coisa certa... palavras de esperança. Elas têm experiência de vida, sofreram tanto. Confiaram em Deus, que lhes deu este dom”.
“Esta é a oração da sabedoria, da confiança e da esperança”, terminou o Papa, concedendo em seguida a bênção apostólica. (CM)
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Assista:
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Papa Francisco:

A revolução cristã é deixar de viver para nós mesmos

Cidade do Vaticano (RV) – No final da tarde desta quarta-feira (25), na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, o Papa Francisco presidiu a cerimônia das vésperas que recorda a conversão de S. Paulo.
A celebração marcou o encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que teve tema inspirado no quinto capítulo da segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: “Reconciliação – É o amor de Cristo que nos impele”. A mensagem do Papa na homilia foi motivada pelo mesmo caminho e empenho ecumênico do diálogo através dos “embaixadores da reconciliação”, “unidos no sofrimento pelo nome de Jesus”.
Francisco começou sua exortação lembrando o encontro de Paulo com Jesus, na estrada para Damasco, que transformou radicalmente a vida do apóstolo ao aderir ao “amor gratuito e imerecido de Deus, a Jesus Cristo crucificado e ressuscitado”. Uma feliz notícia, a da “reconciliação do homem com Deus”, que Paulo não poderia guardar para si mesmo e foi impelido a proclamar.
Francisco durante a cerimônia das Vésperas
"O amor de Cristo": não se trata do nosso amor por Cristo, mas do amor que Cristo tem por nós. Da mesma forma, a reconciliação para a qual somos impelidos não é simplesmente uma iniciativa nossa: é primariamente a reconciliação que Deus nos oferece em Cristo. Antes de ser esforço humano de crentes que procuram superar as suas divisões, é um dom gratuito de Deus. Como resultado desse dom, a pessoa perdoada e amada é chamada, por sua vez, a proclamar o evangelho da reconciliação em palavras e obras, a viver e dar testemunho de uma existência reconciliada.
Nessa perspectiva, “podemos hoje nos perguntar”, disse Francisco, “como é possível proclamar esse evangelho de reconciliação depois de séculos de divisões?”. O caminho vem do próprio Paulo que enfatiza que “a reconciliação em Cristo não se pode realizar sem sacrifício”.
Jesus deu a sua vida morrendo por todos. De modo semelhante os embaixadores de reconciliação, em seu nome, são chamados a dar a vida, a não viver mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles (cf. 2 Cor 5, 14-15). É a revolução que Paulo viveu, mas é também a revolução cristã de sempre: deixar de viver para nós mesmos, buscando os nossos interesses e a promoção da nossa imagem, mas reproduzir a imagem de Cristo, vivendo para Ele e de acordo com Ele, com o seu amor e no seu amor.
Para a Igreja e para cada confissão cristã, disse o Papa, “é um convite a não se basear em programas, cálculos e benefícios, a não se abandonar a oportunidades e modas passageiras, mas a procurar o caminho com o olhar sempre fixo na cruz do Senhor: lá está o nosso programa de vida”.
É um convite também a sair de todo o isolamento, a superar a tentação da autorreferência, que impede de identificar aquilo que o Espírito Santo realiza fora do nosso próprio espaço. Poderá se realizar uma autêntica reconciliação entre os cristãos quando soubermos reconhecer os dons uns dos outros e formos capazes, com humildade e docilidade, de aprender uns dos outros, sem esperar que primeiro sejam os outros a aprender de nós.
“Se vivermos esse morrer para nós mesmos por amor de Jesus”, disse o Papa, o nosso velho estilo de vida é relegado ao passado. Um passado que é útil e necessário para purificar a memória, mas que “pode paralisar e impedir de viver o presente”.
A Palavra de Deus nos encoraja a tirar força da memória, a recordar o bem recebido do Senhor; mas também nos pede que deixemos o passado para trás a fim de seguir Jesus no presente e, n’Ele, viver uma vida nova. Àquele que renova todas as coisas (cf. Ap 21, 5), consintamos que nos oriente para um futuro novo, aberto à esperança que não decepciona, um futuro onde será possível superar as divisões e os crentes, renovados no amor, que irão se encontrar plena e visivelmente unidos.
O Papa Francisco finalizou a homilia saudando os representantes de outras confissões cristãs e comunidades eclesiais presentes na cerimônia e recordando o caminho da unidade, em modo particular o quinto centenário da Reforma Protestante.
O fato de, hoje, católicos e luteranos poderem recordar, juntos, um evento que dividiu os cristãos e de o fazerem com a esperança posta sobretudo em Jesus e na sua obra de reconciliação, constitui um marco significativo, alcançado – graças a Deus e à oração – através de cinquenta anos de mútuo conhecimento e de diálogo ecumênico. (AC)
Assista:
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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Pe. Adriano São João participa de encontro de peritos da CNBB

Dom Cipollini:
“Laicismo não leva
em conta que o Estado é laico, mas o povo religioso”
Comissão e peritos preparam subsídio doutrinal sobre laicidade do Estado
A Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está reunida desde a noite desta segunda-feira, dia 23 de janeiro, em Brasília (DF). O encontro, que segue até quinta-feira, dia 26, também tem a participação dos peritos – especialistas nos assuntos correspondentes ao trabalho do grupo de bispos – e deu início à elaboração de subsídios doutrinais. Um deles aborda a questão da laicidade do Estado.
O bispo de Santo André (SP) e presidente da Comissão para a Doutrina da Fé da CNBB, dom Pedro Carlos Cipollini, considera a laicidade algo bom, positivo, mas chama atenção para o chamado “laicismo”. “A diferença é que a laicidade é quando o Estado assume as suas competências para garantir a liberdade religiosa de todos.  O laicismo é quando o Estado tira da vida pública Deus, quer dizer, não se fala em Deus, não se fala de religião”, explica o bispo. Dom Cipollini recorda que nas escolas, no mês de junho, os professores falam das festas juninas e de seus elementos, mas não podem comentar sobre a figura dos santos celebrados pela Igreja naquele mês e que dão origem às tradicionais festas tão comuns no Brasil.
“O laicismo não leva em conta que o Estado é laico, mas o povo religioso”, adverte o bispo. Para dom Pedro, a preparação de um subsídio doutrinal sobre a temática deve reforçar a defesa da presença de Deus na vida do homem. 
Projetos
O trabalho da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da CNBB também envolve outros projetos e, por conseguinte, a oferta de outros subsídios. Em colaboração com o grupo de peritos especialistas em Bíblia, como o teólogo e biblista padre Johan Konings, a Comissão trabalha com a atualização da Bíblia com a tradução da CNBB.
Outro grupo de peritos atua com a elaboração de um texto chamado “Querigma e reino de Deus”. A partir de temáticas indicadas pelo episcopado, a Comissão tem pautado suas reflexões e o trabalho dos peritos. Dom Cipollini conta que o grupo dos bispos está tratando do ensino da Filosofia e também de outra questão, a qual envolve exorcismos e as missas de cura e libertação, “o que tudo isso implica, numa reflexão teológica, que possamos oferecer aos bispos”.
Vivência da Fé
Os subsídios da Comissão deverão de acordo com a orientação de dom Cipollini, ser acessíveis tanto para os especialistas, quanto para padres, agentes de Pastoral e fiéis em geral. “Hoje nós temos uma pluralidade muito grande de religiões, de crenças e muitas vezes o fiel católico está cheio de interrogações e dúvidas sobre certos temas da vida do dia-a-dia”, aponta o bispo. 
Muitos fiéis, por exemplo, não compreendem a questão dos exorcismos, do demônio e fatos que envolvem o problema do mal. “Como diz São Paulo, o mysterium iniquitatis – o mistério da iniquidade -, acontecem coisas horríveis no dia-a-dia e as pessoas perguntam se só as ciências explicam isso que aconteceu ou se essa maldade vai além de tudo isso”, comenta dom Cipollini. “A Comissão, a partir de tudo isso, tenta lançar uma luz sobre toda essa dificuldade que os nossos fiéis na nossa Igreja encontram para viver a sua fé, não são respostas prontas, mas uma reflexão para ajudar a caminhada da fé da nossa Igreja”, resume.
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Papa Francisco na missa desta terça-feira:

O Senhor nos convida diariamente a dizer "eis-me"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta esta terça-feira (24/01), centralizando a sua homilia na Carta aos Hebreus proposta pela liturgia do dia. 
Quando Cristo vem ao mundo, diz: “Tu não quiseste nem te agradaram vítimas, oferendas, holocaustos, sacrifícios pelo pecado'. 'Eu vim para fazer a tua vontade'”. Estas palavras de Jesus – explicou o Papa – desfecham uma história de “eis-me” concatenados: “a história da salvação” é “uma história de ‘eis-me’”.
Depois de Adão, que se esconde porque tinha medo do Senhor, Deus começa a chamar e a ouvir a resposta daqueles homens e mulheres que dizem: “Eis-me. Estou disposto. Estou disposta”. Do eis-me de Abraão, Moisés, Elias, Isaías, Jeremias, até chegar ao grande “eis-me” de Maria e ao último “eis-me”, o de Jesus. “Uma história de ‘eis-me’, mas não automáticos”, porque “o Senhor dialoga com aqueles que convida”:
Capela Santa Marta
“O Senhor dialoga sempre com aqueles que convida a percorrer esta estrada e a dizer o eis-me. Há muita paciência, muita paciência. Quando lemos o Livro de Jó, todos esses raciocínios de Jó, que não entende, e as respostas, e o Senhor que fala, o corrige … e no final, qual é o eis-me de Jó? ‘Ah, Senhor, Tu tens razão: eu te conhecia somente por ouvir falar; agora os meus olhos te viram’. O eis-me quando existe a vontade, eh? A vida cristã é isto: um eis-me, um eis-me contínuo para fazer a vontade do Senhor. E um atrás do outro…. É belo ler a Escritura, a Bíblia, buscando as respostas das pessoas ao Senhor, como respondiam, e encontrar estas respostas é tão bonito. ‘Eis-me, eu vim para fazer a Tua vontade’”.
A liturgia de hoje nos exorta a refletir: como vai o meu eis-me ao Senhor?:
“Eu me escondo, como Adão, para não responder? Ou quando o Senhor me chama, ao invés de dizer ‘eis-me’ ou ‘o que quer de mim?’, fujo, como Jonas, que não queria fazer o que o Senhor lhe pedia? Ou faço de conta de fazer a vontade do Senhor, mas somente externamente, como os doutores da lei aos quais Jesus condena duramente? Faziam de conta: ‘Tudo bem, … nada de perguntas: eu faço isso e nada mais’. Ou olho para o outro lado, como fizeram o levita e o sacerdote diante daquele pobre homem ferido, agredido pelos brigantes, abandonado meio morto? Como é a minha resposta ao Senhor?”.
O Senhor nos chama todos os dias e nos convida a dizer o nosso eis-me – concluiu o Papa –, mas podemos “discutir” com Ele:
“Ele gosta de discutir conosco. Alguém me diz: ‘Mas, Padre, quando rezo, muitas vezes fico bravo com o Senhor…’: mas também isso é oração! Ele gosta quando você fica bravo e diz claramente aquilo que sente, porque é Pai! Mas isso é também um eis-me …. Ou me escondo? Ou fujo? Ou faço de conta? Ou olho para o outro lado? Cada um de nós pode responder: como é o meu eis-me ao Senhor, para fazer a Sua vontade na minha vida. Como é. Que o Espírito Santo nos dê a graça de encontrar a resposta”.
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Assista:
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Papa na missa desta manhã:

Jamais fechar o coração ao perdão do Senhor

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco iniciou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta, nesta segunda-feira (23/01). A homilia do Pontífice foi dedicada ao sacerdócio de Cristo, inspirando-se na Carta aos Hebreus proposta na Primeira Leitura.
Jesus é o sumo sacerdote. E o sacerdócio de Cristo é a grande maravilha, a maior maravilha que nos faz cantar um canto novo ao Senhor, como diz o Salmo responsorial.
Papa Francisco na homilia
O sacerdócio de Cristo se realiza em três momentos, explicou o Papa. O primeiro é a Redenção: enquanto os sacerdotes na Antiga Aliança tinham que oferecer sacrifícios todos os dias, “Cristo ofereceu a si mesmo, uma vez por todas, pelo perdão dos pecados”. Com esta maravilha, “nos levou ao Pai”, “recriou a harmonia da criação”, destacou Francisco.
A segunda maravilha é a que o Senhor faz agora, isto é, rezar por nós. “Enquanto nós rezamos aqui, Ele reza por nós”, “por cada um de nós”, ressaltou o Papa: “agora, vivo, diante do Pai, intercede” para que não falte a fé. Quantas vezes, de fato, se pede aos sacerdotes que rezem porque “sabemos que a oração do sacerdote tem uma certa força, justamente no sacrifício da Missa”. A terceira maravilha será quando Cristo voltar, mas esta terceira vez não será em relação ao pecado, será para “fazer o Reino definitivo”, quando nos levará a todos com o Pai:
“Há esta grande maravilha, este sacerdócio de Jesus em três etapas – quando perdoa os pecados uma vez por todas; quando intercede agora por nós; e quando Ele voltar – mas tem também o contrário, ‘a blasfêmia imperdoável’. É duro ouvir Jesus dizer essas coisas, mas Ele falou disso e, se o diz, é porque é verdade. ‘Em verdade Eu digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens – e nós sabemos que o Senhor perdoa tudo se abrirmos um pouco o coração. Tudo! – os pecados e também todas as blasfêmias serão perdoadas! – mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado eternamente’”.
Para explicar isso, o Papa faz referência à grande unção sacerdotal de Jesus: foi o que fez o Espírito Santo no seio de Maria, afirmou, e também os sacerdotes na cerimônia de ordenação são ungidos com o óleo:
“Também Jesus como Sumo Sacerdote recebeu esta unção. E qual foi a primeira unção? A carne de Maria com a obra do Espírito Santo. E quem blasfêmia contra isto, blasfêmia o fundamento do amor de Deus, que é a redenção, a re-criação; blasfêmia contra o sacerdócio de Cristo. ‘Mas como é ruim o Senhor, não perdoa?’ – ‘Não! O Senhor perdoa tudo! Mas quem diz essas coisas está fechado ao perdão. Não quer ser perdoado! Não se deixa perdoar!’. Este é o aspecto negativo da blasfêmia contra o Espírito Santo: não deixar-se perdoar, porque renega a unção sacerdotal de Jesus, que fez o Espírito Santo”.
Concluindo, o Papa retomou as grandes maravilhas do sacerdócio de Cristo e também a “blasfêmia imperdoável”, “não porque o Senhor não queira perdoar tudo, mas porque esta pessoa está tão fechada que não se deixa perdoar: a blasfêmia contra esta maravilha de Jesus”:
“Hoje nos fará bem, durante a Missa, pensar que aqui sobre o altar se faz a memória viva, porque Ele estará presente ali, do primeiro sacerdócio de Jesus, quando oferece a sua vida por nós;  há também a memória viva do segundo sacerdócio, porque Ele rezará aqui; mas também, nesta Missa – o diremos depois do Pai-Nosso – há aquele terceiro sacerdócio de Jesus, quando Ele voltará e a nossa esperança da glória. Nesta Missa, pensemos nessas belas coisas. E peçamos a graça ao Senhor de que o nosso coração jamais se feche – jamais se feche! – a esta maravilha, a esta grande gratuidade”.
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domingo, 22 de janeiro de 2017

Papa Angelus:
Converte-se não é mudar de roupa mas de atitude

Cidade do Vaticano (RV) – “Nós, cristãos de hoje, temos a alegria de proclamar e testemunhar a nossa fé, porque houve aquele primeiro anúncio, porque houve aqueles homens humildes e corajosos que responderam generosamente ao chamado de Jesus”. Foi o que disse o Papa Francisco na sua alocução que precedeu a oração mariana do Angelus na Praça de São Pedro neste domingo, na qual ele comentou a passagem do Evangelho sobre o início da pregação de Jesus na Galileia e o chamado dos apóstolos.
"O Evangelho deste domingo narra o início da pregação de Jesus na Galileia. Ele deixa Nazaré, um vilarejo nas montanhas, e se estabelece em Cafarnaum, um importante centro à margem do lago, habitado principalmente por pagãos, o ponto de cruzamento entre o Mediterrâneo e o interior da Mesopotâmia. Esta escolha significa que os destinatários de sua pregação não são apenas seus compatriotas, mas todos aqueles que chegam à cosmopolita “Galileia das nações”.
Vista da capital Jerusalém, aquela terra - continuou Francisco - é geograficamente periférica e religiosamente impura, por causa da mistura com aqueles que não pertenciam a Israel. Da Galileia não se esperavam certamente grandes coisas para a história da salvação. No entanto, dali se espalha a “luz” sobre a qual refletimos nos domingos passados: a luz de Cristo.
Francisco acena à multidão
A mensagem de Jesus espelha a de Batista, anunciando o “reino dos céus”. Este reino não comporta o estabelecimento de um novo poder político, mas o cumprimento da aliança entre Deus e seu povo, que vai inaugurar uma época de paz e justiça. Para realizar este pacto de aliança com Deus,  - afirmou o Papa - cada um é chamado a converter-se, transformando sua maneira de pensar e de viver. Não se trata de mudar as roupas, mas as atitudes!
"O que diferencia Jesus de João Batista – destacou o Papa – é o estio, o método. Jesus escolhe ser profeta itinerante. Ele não espera as pessoas, mas se move ao encontro delas".
As primeiras saídas missionárias de Jesus ocorrem ao longo do lago da Galileia, em contato com a multidão, especialmente com os pescadores. Alí Jesus não só proclama a vinda do reino de Deus, mas procura os companheiros para associar à sua missão de salvação. Neste mesmo lugar encontra dois pares de irmãos: Simão e André, Tiago e João; Ele os chama dizendo: "Sigam-me, eu vos farei pescadores de homens". O chamado os alcança no auge de suas atividades diárias: o Senhor se revela a nós não de modo extraordinário ou sensacional, mas na quotidianidade de nossas vidas. A resposta dos quatro pescadores é imediata e pronta: "No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram".
"Nós, os cristãos de hoje, temos a alegria de proclamar e testemunhar a nossa fé porque houve aquele primeiro anúncio, porque houve aqueles homens humildes e corajosos que responderam generosamente ao chamado de Jesus".
"Às margens do lago, em uma terra impensável, nasceu a primeira comunidade de discípulos de Cristo. A consciência destes princípios inspire em nós o desejo de levar a palavra, o amor e a ternura de Jesus em todos os contextos, até mesmo ao mais impermeável e resistente. Todas os espaços da vida humana são terreno onde lançar as sementes do Evangelho, para dar frutos de salvação".
Francisco concluiu pedindo que a Virgem Maria nos ajude com a sua intercessão materna a responder com alegria ao chamado de Jesus e nos coloque a serviço do Reino de Deus.
Em seguida concedeu a todos a sua Benção Apostólica. (SP)
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Papa a El Pais:

Há tanta santidade na Igreja, é a revolução do Evangelho

Cidade do Vaticano (RV) - O jornal espanhol El Pais publicou neste domingo uma longa entrevista com o Papa Francisco, concedida ao jornalista Pablo Ordaz em 20 de janeiro. Muitos os assuntos abordados: desde questões pessoais à situação no mundo e na Igreja.
A Igreja esteja perto do povo
Chamada de capa do El Pais
Uma entrevista que toca muitos assuntos. Em sua primeira resposta, Francisco afirma que não mudou desde quando se tornou Papa: “Mudar aos 76 anos é como colocar a maquiagem”. Claro, ele não pode fazer tudo aquilo que quer, mas ele manteve o que chama de alma "callejera", isto é do padre de rua que deseja estar com as pessoas. O que ele teme pela Igreja é precisamente a distância das pessoas, o clericalismo que é “o pior mal que pode ter hoje a Igreja”: um pastor anestesiado defende-se da realidade concreta do mundo e se torna um funcionário. “Uma Igreja que não está perto não é Igreja. É uma boa ONG ou uma boa e piedosa organização de pessoas que fazem caridade, se reúnem para tomar chá e fazer beneficência... porém o que identifica a Igreja é a proximidade: sermos irmãos próximos”. “A proximidade é tocar, tocar no próximo a carne de Cristo”. Como diz o capítulo 25 do Evangelho de Mateus: “tive fome e me destes de comer ...”.
A revolução é feita pelos santos
Critica o fato que se fale “com facilidade da corrupção da Cúria Romana”. “Há pessoas corruptas” - sublinha -, mas também há muitos santos, pessoas “que passaram uma vida inteira ao serviço do povo de forma anônima”. “Os verdadeiros protagonistas da história da Igreja são os santos” são aqueles que “queimaram a sua vida para que o Evangelho fosse concreto. E estes são aqueles que nos salvaram: os santos”. Esta é a verdadeira revolução, a dos santos. E os santos também são os pais, as mães e os avós que trabalham todos os dias com dignidade e com as suas vidas levam avante a Igreja. Francisco a define “a classe média da santidade” e “a santidade dessas pessoas é enorme”.
Sim às críticas abertas e fraternas
A uma pergunta sobre as reações dos setores tradicionalistas que vêem qualquer mudança como uma traição da doutrina, o Papa responde: “Não estou fazendo nenhuma revolução. Eu só estou tentando fazer com que o Evangelho vá avante”. “Mas a novidade do Evangelho cria temor porque é essencialmente escandalosa”. Afirma porém que não se sente “incompreendido”, mas “acompanhado de todos os tipos de pessoas, jovens, idosos...”. “Se alguém não está de acordo” - é o seu convite – “porém que dialoguem, que não atirem a pedra e escondam a mão”. Isto “não é humano, é delinquência. Todo mundo tem o direito de discutir, mas uma “discussão fraterna”, não com a calúnia.
A teologia da libertação
Sobre a teologia da libertação sublinha que “foi uma coisa positiva na América Latina. Foi condenada pelo Vaticano a parte que optou pela análise marxista da realidade”. O Cardeal Ratzinger escreveu duas instruções, uma “muito clara sobre a análise marxista” e a outra olhando para os aspectos positivos. “A teologia da libertação teve aspectos positivos e desvios”.
Uma economia que mata
Francisco reitera que “estamos vivendo na Terceira Guerra Mundial em pedaços”. “E ultimamente fala-se de uma possível guerra nuclear, como se fosse um jogo de cartas”. O que o preocupa são as desigualdades económicas: “que um pequeno grupo da humanidade detém 80% da riqueza”. Isso significa que “no centro do sistema econômico está o deus dinheiro e não o homem e a mulher”. Estamos em uma “economia que mata” e que cria “essa cultura do descarte”.
Não julgar antecipadamente Trump
Sobre a presidência de Trump afirma: “Vamos ver o que acontece. Eu não gosto de antecipar os fatos ou julgar as pessoas antecipadamente (...) Vamos ver o que fará e avaliaremos: Sempre o concreto. O cristianismo ou é concreto ou não é cristianismo....”
Nas crises buscamos um salvador: eis o populismo
Francisco fala com preocupação do populismo referindo-se mais ao europeu do que ao da América Latina. Ele cita o exemplo do nazismo na Alemanha: um país destruído que “procura a sua identidade” e procura um líder que a restitua. Encontra-o em Hitler que “foi eleito pelo seu povo e que depois o destruiu. Este é o perigo. Em tempos de crise não funciona o discernimento ... Procuramos um salvador que nos restitua a identidade e nos defendemos com muros, arames farpados, com qualquer coisa, de outros povos que possam tirar a nossa identidade. E isso é muito grave. Por isso eu repito sempre: dialoguem entre vocês”.
Salvar, acolher e integrar os migrantes
O Papa retorna sobre o drama dos refugiados: “Que o Mediterrâneo seja um cemitério, deve fazer-nos pensar”. Ele presta homenagem à Itália, que apesar de todos os problemas do terremoto continua a acolher os migrantes. São homens, mulheres e crianças que fogem da fome e da guerra. Primeiro de tudo - afirma – é preciso salvá-los, em seguida, “acolhê-los e integrá-los”. Cada país - sublinha -  “tem o direito de controlar o seus confins, porém, “nenhum país tem o direito de privar os seus cidadãos do diálogo com os vizinhos”. Recorda o compromisso da Igreja, muitas vezes silenciosa, na acolhida dos imigrantes.
Construir pontes não muros
A diplomacia do Vaticano - explica - constrói pontes, não muros, é mediadora não intermediária, no sentido que as suas ações para promover a paz e a justiça não são para seus interesses próprios, mas em prol do benefício dos povos.
O papel das mulheres
Recorda ainda Francisco o drama da escravidão das mulheres, exploradas sexualmente. E, em seguida, fala sobre o papel da mulher, que deve ser valorizado na Igreja. “A Igreja - repito - é feminina”: não se trata de uma “reivindicação funcional”, pois se correria o risco de criar um “machismo de saia”. Trata-se, em vez, de fazer muito mais para que as mulheres “possam dar à Igreja a originalidade do seu ser e do seu pensamento”.
Bento XVI tem uma grande memória
Respondendo a uma pergunta sobre a saúde de Bento XVI diz que “o problema são as pernas”. Caminha com ajuda. Mas ele tem uma “memória de elefante, até mesmo nos detalhes”.
Não vejo TV desde 1990
O Papa confessa que não assiste TV há mais de 25 anos: “Simplesmente - disse - porque em um certo momento senti que Deus me pediu isso. Fiz essa promessa no dia 16 de julho de 1990, e não sinto falta”.
Cardeais dos cinco continentes
Respondendo à pergunta sobre os Consistórios nos quais criou cardeais dos cinco continentes e como gostaria que fosse o Conclave que elegeria o seu sucessor, disse que gostaria de um conclave católico.
À pergunta se ele iria vê-lo disse: “Deus é quem sabe. Quando sentir que não consigo mais, o grande mestre Bento já me ensinou como tenho que fazer”.
Deus não me tirou o bom humor
O jornalista conclui dizendo vê-lo feliz de ser Papa. Francisco respondeu: “O Senhor é bom e não me tirou o bom humor”. (SP)
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Vivendo o Tempo Comum

Jesus inicia sua missão

Das festas natalinas e de fim de ano muita gente nem se lembra mais. Janeiro vai chegando ao fim. Entramos de vez no Ano Novo. No calendário da Igreja, estamos no chamado Tempo Comum. O calendário religioso dura também doze meses, mas não está dividido em meses e sim em cinco tempos litúrgicos, com duração desigual: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa e Comum. Ao longo desse tempo anual, a Igreja celebra na Liturgia e traz para o cotidiano dos cristãos a memória da vida de Jesus Cristo, desde a sua encarnação no seio da Virgem Maria até à sua ascensão ao céu. Cada um desses cinco tempos foca um aspecto essencial da vida de Jesus. O Advento prepara para o Natal, tendo presente o anúncio do Anjo Gabriel à Virgem Maria. O Natal comemora o nascimento de Jesus e vai até o seu Batismo por João. A Quaresma prepara para a Páscoa, convidando à penitência e à conversão. Na Páscoa se comemora a paixão, morte, ressurreição e ascensão de Jesus, em suma, a Páscoa de Cristo e da Igreja. O Comum é o tempo em que se celebra o mistério pascal de Cristo no dia a dia, sobretudo nos domingos, em que a Liturgia prioriza em geral os sermões de Jesus, seus milagres, suas orações, suas preocupações, suas relações com as pessoas, suas andanças missionárias, suas ações de misericórdia para com os pobres, os pecadores e os sofredores. Tudo isso para seguimos Jesus no seu dia a dia. 
"Segui-me e Eu farei de vocês pescadores de homens"
No trecho evangélico da Missa de hoje - Mt 4,12-23 - São Mateus relata aspectos do início da missão de Jesus. Diz que Jesus, sabendo que João tinha sido preso, foi morar em Cafarnaum e começou a pregar ao povo da região do outro lado do Jordão, a Galileia dos pagãos, dizendo: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo”. Porque também, considerando-se o que acontecera com o Batista, seria arriscada a iniciativa de começar a pregar à Galileia dos hebreus. E ainda porque, segundo destaca Mateus, devia ser cumprida a profecia de Isaías que anunciou que naquela terra de Zabulon e Neftali, caminho do mar, sobre o seu povo que vivia nas trevas brilhou uma grande luz que o afastou da escuridão da morte. Prosseguindo, Mateus sublinha que Jesus escolheu discípulos dentre pescadores dali do mar da Galiléia: Os irmãos Simão Pedro e André, dizendo-lhes: “Segui-me e Eu farei de vós pescadores de homens”, e os irmãos Tiago e João, filhos de Zebedeu. Eles imediatamente deixaram as redes e O seguiram. Esta passagem evangélica se encerra com o registro de Mateus que diz que “Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo”. Dessa maneira, ficamos sabendo por Mateus como Jesus iniciou a sua vida apostólica e missionária. Sobressaem-se aspectos importantes. Tais como o conteúdo da sua pregação: o reino dos céus e a necessidade da conversão; Jesus precisava se cuidar porque sofreria perseguição das autoridades civis e religiosas; Jesus devia pregar também aos pagãos e não só aos filhos de Israel; Jesus começava a escolher discípulos para formar a sua equipe de trabalho; os discípulos deviam deixar tudo e segui-Lo; Jesus andava por toda Galiléia pregando o evangelho do reino e fazendo o bem. Está posto aqui por Mateus resumidamente tudo sobre a vida e a missão de Jesus que ele contará em detalhes na sequência do seu Evangelho conforme os fatos foram acontecendo.
Na semana passada, escrevi dizendo que, segundo minha ínfima opinião, as virtudes máximas para o cristão hoje são: fé, esperança e caridade, humildade e coragem. Estão aqui três virtudes teologais que valem sempre e em todas as circunstâncias e duas que fazem muita falta, sobretudo a humildade, na situação trágica da vida arrogante atual. Repito, essas virtudes teologais com a humildade e a coragem são absolutamente indispensáveis para o enfrentamento dos tormentos e angústias que assolam multidões incautas e, por isso, enganadas pelas falsas promessas de sucesso fácil ou pelas ideologias secularistas que prometem a imortalidade e o paraíso terrestre por meio da simples autossuficiência de si mesmos e do mundo, que não se realizam. Os mistérios da fé e da esperança, porém, não podem ser compreendidos pela inteligência humana porque não são verdades científicas, senão que o podem pela faculdade da alma de se achegar a Deus por amor sobrenatural, pois somente neste amor de Deus é que se assentam as verdades sobre a fé e a esperança e em nenhuma outra razão. Sem o amor de Deus ninguém conseguirá aderir aos mistérios da fé e da esperança. É por isso que a Sagrada Escritura afirma que o amor ou a caridade é maior do que a fé e a esperança, não acaba nunca, mas perdura por toda a eternidade, pois Deus é amor. Sem o amor de Deus, o amor a Deus e ao próximo, nada de sólido pode sustentar de pé o homem diante dos problemas da vida. A humildade é virtude antiga, é o reconhecimento de que somos um nada, uma simples criatura e, mais ainda, pecadora. Relevando o exagero da linguagem mística medieval, São Francisco de Assis rezava assim: “Quem sois vós, Senhor, e quem sou eu? Vós, o Criador do céu e da terra. Eu, ínfima criatura vossa, um vermesinho, pobre e pecador. A vós, o sumo bem e o amor perfeito, o louvor e a glória”. A coragem tem mais presença no mundo, mas não é suficientemente poderosa para manter de pé a maioria das pessoas que soçobram nos turbilhões do mar da vida, porque confiando apenas em si deixam de segurar na mão estendida do Senhor que caminha sobre as ondas como aconteceu a Pedro, e, assim sendo, esmorecendo as forças da coragem, sucumbem no desespero. Só quem assenta sua coragem sobre a rocha da fé em Deus, e não sobre as areais da autoconfiança, nunca desanima nem jamais esmorece.
Traços da condição humana como ansiedade, medo, velhice, doença e morte colocam a sociedade moderna, laica, racionalista em desespero. Em face dessas questões tão velhas quanto a humanidade a reproposição de virtudes igualmente antigas como as aqui referidas com as quais nossos antepassados compreenderam os problemas da contingência humana e com eles conviveram me parece oportuna, especialmente no começar do Ano Novo.
                                                                    Dom Caetano Ferrari - Diocese de Bauru, SP
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                                                                     Fonte: cnbb.org.br   Ilustração:portalvalongo.com