Dia Mundial das Comunicações Sociais
Dom Antonio
Carlos Rossi Keller - Bispo de Frederico Westphalen (RS)
“Preservar vozes
e rostos humanos”
A Solenidade da
Ascensão do Senhor encerra o ciclo das aparições pascais de Cristo e abre, ao
mesmo tempo, o tempo da missão da Igreja. Jesus sobe ao Céu, mas não abandona
os seus discípulos. Pelo contrário, sua Ascensão inaugura uma nova forma de
presença: Ele permanece vivo e atuante na Igreja, por meio do Espírito Santo,
conduzindo a história humana para a plenitude do Reino.
Neste contexto,
a celebração do Dia Mundial das Comunicações Sociais encontra uma profunda
sintonia com a liturgia da Ascensão. Antes de subir ao Céu, Jesus confia aos
discípulos uma missão universal: anunciar o Evangelho a toda criatura. A Igreja
nasce missionária e comunicadora. Evangelizar é comunicar a verdade, a
esperança e o amor de Deus ao mundo.
O tema escolhido
pelo Papa Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026 —
“Preservar vozes e rostos humanos” — ilumina de modo especial esta missão da
Igreja em nosso tempo. Vivemos numa época marcada pela expansão das tecnologias
digitais e pela inteligência artificial. Essas ferramentas oferecem rapidez,
eficiência e alcance global. Contudo, o Papa recorda que nenhuma tecnologia
pode substituir o coração humano, a consciência moral, a empatia e a
responsabilidade ética. A comunicação verdadeira não é apenas transmissão de
dados; ela é encontro entre pessoas.
A Ascensão do
Senhor recorda justamente isso: Cristo não envia os discípulos como simples
transmissores de informações religiosas, mas como testemunhas vivas do
Evangelho. O cristianismo se espalhou pelo mundo não por mecanismos
automáticos, mas pela força do testemunho humano: homens e mulheres que
falaram, sofreram, amaram e entregaram a própria vida por Cristo.
Na primeira
leitura, retirada dos Atos dos Apóstolos, vemos Jesus prometendo o Espírito
Santo aos discípulos e enviando-os em missão até os confins da terra. A
Ascensão não significa ausência, mas envio. Os discípulos deixam de permanecer
olhando para o céu e passam a assumir a tarefa concreta da evangelização. A
Igreja não pode ficar parada, presa à nostalgia ou ao medo; ela deve caminhar
ao encontro do mundo.
Essa passagem
possui grande atualidade para o universo da comunicação. Também hoje existe o
risco de uma comunicação desumanizada, marcada pela superficialidade, pela
agressividade e pela manipulação. O Papa Leão XIV alerta para o perigo de uma
comunicação dominada apenas por algoritmos e interesses econômicos, sem
compromisso com a verdade e com a dignidade da pessoa humana. O discípulo de
Cristo é chamado a promover uma comunicação que preserve o rosto humano, que
saiba escutar, acolher e construir comunhão.
A segunda
leitura, da Carta aos Efésios, apresenta Cristo glorificado à direita do Pai,
acima de todo poder e autoridade. São Paulo destaca que Cristo é a cabeça da
Igreja, seu corpo vivo. Isso significa que toda missão evangelizadora deve
permanecer unida ao Senhor. A comunicação cristã não nasce do desejo de
autopromoção, mas da comunhão com Cristo. Quando a Igreja comunica o Evangelho
com humildade e verdade, ela se torna sinal de esperança para o mundo.
O Evangelho da
Ascensão mostra Jesus enviando os discípulos para proclamar a Boa Nova a toda
criatura. Antes de subir ao Céu, Ele os abençoa. A missão nasce da bênção do
Senhor e da confiança em sua presença permanente. Cristo continua agindo
através de seus discípulos.
Hoje, os meios
de comunicação oferecem possibilidades imensas para o anúncio do Evangelho.
Redes sociais, plataformas digitais e recursos de inteligência artificial podem
servir à evangelização e ao bem comum. Contudo, o Papa recorda que as máquinas
devem permanecer instrumentos a serviço da vida humana, e nunca substituir a
responsabilidade moral das pessoas. Uma comunicação verdadeiramente cristã
precisa conservar a capacidade de compaixão, discernimento e proximidade
humana.
Por isso, a
Solenidade da Ascensão nos convida a renovar nossa consciência missionária.
Somos enviados ao mundo para comunicar Cristo com palavras, atitudes e
testemunho de vida. Mais do que produzir conteúdos, o cristão é chamado a
transmitir esperança. Mais do que ocupar espaços digitais, deve criar pontes de
encontro e fraternidade.
Celebrar a
Ascensão do Senhor é recordar que Cristo continua presente e atuante na
história. Ele nos envia para comunicar a Boa Nova não como máquinas repetidoras
de mensagens, mas como discípulos missionários, capazes de amar, escutar e
servir. Esta é a verdadeira comunicação cristã: aquela que faz transparecer,
através das palavras e dos gestos, o próprio rosto misericordioso de Cristo.
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Fonte: cnbb.org.br Imagem: vaticannews.va
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