Leão XIV une as
forças morais do mundo que repudia a guerra para invocar a paz com a oração do
terço, para romper "a cadeia demoníaca do mal" que até usa o Santo
Nome de Deus em "discursos de morte": "quem não reza não mata
nem ameaça com a morte" porque "virou as costas ao Deus vivo",
sacrificando valores e esperando que "o mundo inteiro se ajoelhe".
"Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro!" e com "a
loucura da guerra", e se cultive o cuidado da vida com a oração em
"casas de paz".
O Papa Leão XIV
reuniu o mundo em oração neste sábado, 11 de abril, a partir da Basílica
Vaticana com 7 mil pessoas e outras 3 mil que acompanharam pelos telões da
Praça São Pedro, para invocar a paz com a força que vem da oração - e através
do terço, uma das formas mais antigas que une todos através de um ritmo
regular, marcado pela repetição: "assim a paz vai ganhando espaço, palavra
após palavra, gesto após gesto, como uma pedra que gota a gota se fura",
explicou o Pontífice. A reflexão sobre o poder da oração, que não é
"esconderijo" e nem "anestésico" para tanta dor e
injustiça, veio ao final da Vigília de Oração pela Paz, expressão "daquela
fé que, segundo a palavra de Jesus, move as montanhas", que é resposta
"gratuita, universal e revolucionária à morte".
“Obrigado por terem acolhido este convite, reunindo-se aqui, junto ao túmulo de São Pedro, e em tantos outros lugares do mundo para invocar a paz. A guerra divide, a esperança une. A prepotência oprime, o amor eleva. A idolatria cega, o Deus vivo ilumina. Caríssimos, basta um pouco de fé, uma migalha de fé, para enfrentarmos juntos, como humanidade e com humanidade, este momento dramático da história.”
A oração de
todos rompe a cadeia demoníaca do mal
Assim como fez
Cristo, cada ser humano é convidado a "elevar o olhar" para acolher a
paz, mesmo diante de um mundo em que "se continua, sem direito e sem
piedade, a crucificar e a aniquilar a vida". Leão XIV, então, trouxe junto
com a oração, a força das palavras de João Paulo II, "testemunha
incansável da paz", que afirmou com emoção, no contexto da crise iraquiana
de 2003: «Eu pertenço à geração que viveu a segunda guerra mundial e lhe
sobreviveu. Tenho o dever de dizer a todos os jovens, aos que são mais jovens
do que eu, que não tiveram esta experiência: “Nunca mais a guerra”, como disse
Paulo VI na sua primeira visita às Nações Unidas» (Angelus, 16 de março de
2003). Prevost se uniu ao apelo do Papa polonês, "que é tão atual", e
disse:
"A oração ensina-nos a agir. Na oração, as limitadas possibilidades humanas unem-se às infinitas possibilidades de Deus. Pensamentos, palavras e obras rompem, assim, a cadeia demoníaca do mal e colocam-se ao serviço do Reino de Deus: um Reino onde não há espadas, nem drones, nem vinganças, nem banalização do mal, nem lucro injusto, mas apenas dignidade, compreensão e perdão. Temos aqui uma barreira contra esse delírio de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressivo à nossa volta. Os equilíbrios na família humana estão gravemente desestabilizados. Até mesmo o Santo Nome de Deus, o Deus da vida, é arrastado para os discursos de morte."
E o Papa Leão
XIV voltou a enfatizar que "quem reza não mata nem ameaça com a morte, mas
tem consciência dos próprios limites. Em vez disso, é escravo da morte aquele
que virou as costas ao Deus vivo, para fazer de si mesmo e do próprio poder o
ídolo mudo, cego e surdo, ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual
pretende que o mundo inteiro se ajoelhe":
“Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta com a ostentação da força! Basta com a guerra! A verdadeira força manifesta-se no serviço à vida.”
Leão XIV também
usou da "simplicidade evangélica" de São João XXIII para
enaltecer as "vantagens da paz" que beneficiam toda a comunidade
humana e das "palavras lapidares" de Pio XII que
afirmava: «Nada se perde com a paz, mas tudo pode ser perdido com a
guerra». Prevost, assim, pediu a união das "forças morais e espirituais de
milhões, de milhares de milhões de homens e mulheres, de idosos e de jovens que
hoje acreditam na paz, que hoje optam pela paz, que cuidam das feridas e
reparam os danos deixados pela loucura da guerra". Como acontece com as
crianças inocentes que sofrem nas zonas de conflito com "todo o horror e a
desumanidade das ações que alguns adultos exaltam com orgulho. Ouçamos a voz
das crianças!", apelou o Pontífice.
Uma
responsabilidade "inalienável que incumbe aos governantes das
nações", disse o Papa, a quem "clamamos: parem! É tempo de paz!
Sentem-se às mesas do diálogo e da mediação, não às mesas onde se planeia o
rearmamento e se deliberam ações de morte!".
Responsabilidade "não menos importante" também nossa, de
"homens e mulheres de tantos países diferentes: uma imensa multidão que
repudia a guerra, com obras, e não apenas com palavras". Daí o pedido de
Leão XIV para nos comprometermos com a oração para invocar a paz "nas
casas, nas escolas, nos bairros, nas comunidades civis e religiosas, tirando
espaço à polêmica e à resignação com a amizade e a cultura do encontro.
Voltemos a acreditar no amor, na moderação, na boa política". Na
"paciência de Deus", acrescentou o Pontífice, rezar e curar as
feridas como os "artesãos de paz" citatos pelo Papa Francisco
na Fratelli tutti.
Nunca mais a
guerra, mas casas de paz
Antes de Leão
XIV suplicar ao Senhor "que a loucura da guerra tenha fim e que a Terra
seja cuidada e cultivada por aqueles que ainda sabem gerar, guardar, amar a
vida", ele pediu que todos voltem "para casa com este compromisso de
rezar sempre, sem desanimar, e de uma profunda conversão do coração. A Igreja é
um grande povo ao serviço da reconciliação e da paz, que vai em frente sem
titubear, mesmo quando a rejeição da lógica bélica lhe pode custar
incompreensão e desprezo". Diante das "contínuas violações do direito
internacional" que colocam em risco a dignidade das pessoas, «é
desejável que cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprende a
neutralizar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se
conserva o perdão. Hoje, mais do que nunca, é preciso mostrar que a paz não é
uma utopia»:
“Irmãos e irmãs de todas as línguas, povos e nações: somos uma única família que chora, espera e se levanta. «Nunca mais a guerra, aventura sem retorno; nunca mais a guerra, espiral de lutos e violência» (São João Paulo II, Oração pela paz, 2 de fevereiro de 1991).”
Andressa Collet - Vatican News
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Fonte: vaticanews.va
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