"É o amor que deve triunfar, não a guerra!"
O Santuário
mariano de "Mamã Muxima" ficou tomado de fiéis que aguardavam o Santo
Padre para, com ele, rezarem o terço. Em seu pronunciamento, se inspirou no
Coração de Maria para pedir a construção de um "mundo melhor, acolhedor,
onde não haja mais guerras, nem injustiças, nem miséria, nem
desonestidade".
Na tarde deste
domingo, o Papa deixou Luanda de helicóptero em direção a Muxima, após
percorrer cerca de 110 quilômetros. Neste município se encontra o Santuário de
Mamã Muxima (“Mãe do Coração” em kimbundu, uma das línguas mais faladas no
norte de Angola), construído no século XVII pelos portugueses, em uma elevação
com vista para o rio Kwanza, o maior rio angolano. Por quase 300 anos, este
local foi um ponto de encontro para os escravos que eram conduzidos para a
costa, para iniciar sua viagem sem volta ao continente americano.
O Santuário tem uma arquitetura simples, no estilo português; foi incendiado pelos colonos holandeses em 1641, para depois ser reconstruído e reformado. Ali é venerada uma imagem da Imaculada Conceição muito antiga, à qual os fiéis reservam grande devoção. Todos os anos, de agosto a setembro, são organizadas peregrinações nacionais, das quais participam milhares de pessoas, que prestam homenagem com fé a Maria, percorrendo a igreja de joelhos e participando de uma sugestiva procissão noturna com velas.
Mamã Muxima
acolhe todos, escuta todos e reza por todos
E foi neste
cenário que Leão XIV rezou o Terço com milhares de fiéis, que acamparam no
local para garantir o seu lugar. Após a recitação dos Mistérios Gloriosos, o
Pontífice tomou a palavra para expressar sua alegria em partilhar com
eles o "frescor da fé e a força do Espírito".
“Encontramo-nos num Santuário onde, durante séculos, tantos homens e mulheres rezaram, quer em momentos de alegria, quer em circunstâncias tristes e muito dolorosas da história deste país. Aqui, há muito tempo, Mama Muxima se empenha de forma discreta a manter vivo e pulsante o coração da Igreja, um coração feito de corações: os vossos e os de tantas pessoas que amam, rezam, festejam. (...) Mama Muxima acolhe todos, escuta todos e reza por todos.”
Tal como Maria,
disse o Papa, também nós fomos feitos para o Céu, e caminhamos com alegria
olhando para Ela, Mãe bondosa e modelo de santidade, para levar a luz do
Ressuscitado aos irmãos e irmãs que encontramos.
Este Santuário, dedicado à Imaculada Conceição, foi espontaneamente “rebatizado” pelos fiéis como Santuário da “Mãe do coração”. "É um título belíssimo", disse o Santo Padre, que nos faz pensar no Coração de Maria: um coração límpido e sábio. Assim, rezar o Terço "compromete-nos a amar cada pessoa com coração maternal, de forma concreta e generosa, e a dedicar-nos ao bem uns dos outros, especialmente dos mais pobres".
É o amor que
deve triunfar!
Que a ninguém
falte o amor e, com ele, o necessário para viver com dignidade e ser feliz,
prosseguiu o Santo Padre: para que quem tem fome tenha com que se alimentar,
para que todos os doentes possam receber os cuidados necessários, para que às
crianças seja garantida uma adequada instrução, para que os idosos vivam
serenamente os anos da sua maturidade. "Uma mãe pensa em todas estas
coisas: Maria pensa em todas estas coisas e convida-nos também a nós a
partilhar a sua solicitude."
Na sequência,
Leão XIV recordou que neste lugar está em curso a construção de um novo
Santuário, com maior capacidade de acolhimento. E dirigindo-se aos jovens,
pediu que vejam neste projeto um sinal, e acolham o projeto que Nossa Senhora
lhes reservou, que é "construir um mundo melhor, acolhedor, onde não haja
mais guerras, nem injustiças, nem miséria, nem desonestidade, e onde os
princípios do Evangelho inspirem e moldem cada vez mais os corações, as
estruturas e os programas, para o bem de todos".
“É o amor que deve triunfar, não a guerra! É isso que nos ensina o coração de Maria, o coração da Mãe de todos. Partamos, pois, deste Santuário como “anjos-mensageiros” de vida, para levar a todos a carícia de Maria e a bênção de Deus.”
Leão XIV
concluiu com alguns versos do hino a Mama Muxima, na língua local, com o
convite a oferecer tudo a Maria, para acolher a bênção do Senhor e, assim,
a levar a todos que encontrarem.
Bianca Fraccalvieri - Vatican News
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