o
Senhor está vivo e permanece conosco
Na homilia da
missa deste domingo pascal, o Papa recordou que "a Páscoa do Senhor nos dá
esperança", não obstante "o poder da morte" nos ameace
"constantemente, por dentro e por fora". "Dentro de nós, quando
as preocupações ou os ressentimentos sufocam a alegria de viver", fora de
nós, a morte está "presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na
opressão dos pobres, na escassa atenção para com os mais frágeis", na
"guerra que mata e destrói".
O Papa Leão XIV
presidiu a missa deste Domingo de Páscoa (05/04) e da Ressurreição do Senhor,
na Praça São Pedro. Estiveram presentes 50 mil pessoas na praça e 10 mil fora
dela em seus arredores.
Hoje, toda a criação resplandece com uma nova luz; da terra se eleva um cântico de louvor; o nosso coração exulta de alegria: Cristo ressuscitou da morte e, com Ele, também nós ressuscitamos para uma vida nova!
Com estas
palavras Leão XIV iniciou a sua homilia e afirmou que "este anúncio pascal
abraça o mistério da nossa vida e o destino da história, alcançando-nos nas
profundezas dos abismos da morte, onde nos sentimos ameaçados e, por vezes,
oprimidos. Ele nos abre à esperança que não falha, à luz que não se põe, àquela
plenitude de alegria que nada pode apagar: a morte foi vencida para sempre, a
morte já não tem poder sobre nós"!
Esta é uma mensagem nem sempre fácil de aceitar, uma promessa que nos custa acolher, porque o poder da morte ameaça-nos constantemente, por dentro e por fora.
"Dentro de
nós, quando o fardo dos nossos pecados nos impede de voar; quando as desilusões
ou a solidão que experimentamos esgotam as nossas esperanças; quando as
preocupações ou os ressentimentos sufocam a alegria de viver; quando estamos
tristes ou cansados, quando nos sentimos traídos ou rejeitados, quando temos de
lidar com a nossa fraqueza, com o sofrimento, com o desgaste do dia a dia,
parecendo que fomos parar a um túnel do qual não vemos a saída", frisou o
Papa.
Mas também fora de nós, a morte está sempre à espreita. Vemo-la presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na opressão dos pobres, na escassa atenção para com os mais frágeis. Vemo-la na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todas as partes devido aos abusos que oprimem os mais vulneráveis, devido à idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, devido à violência da guerra que mata e destrói.
De acordo com
Leão XIV, "nesta circunstância, a Páscoa do Senhor nos convida a erguer o
olhar e a alargar o coração. Ela continua alimentando, no nosso espírito e no
percurso da história, a semente da vitória prometida".
Ela põe-nos em movimento, tal como Maria Madalena e os Apóstolos, para nos fazer descobrir que o sepulcro de Jesus está vazio e que, por isso, em cada morte que experimentamos, há também espaço para uma nova vida que renasce. O Senhor está vivo e permanece conosco.
"Através de
frestas de ressurreição que surgem na escuridão", o Senhor "entrega o
nosso coração à esperança que nos sustenta: o poder da morte não é o destino
último da nossa vida. De uma vez para sempre, estamos orientados para a
plenitude, porque, em Cristo ressuscitado, também nós somos
ressuscitados".
A seguir, Leão
XIV recordou as palavras do Papa Francisco num trecho da Exortação apostólica,
Evangelii gaudium. O Pontífice argentino escreve que a ressurreição de Cristo
«não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde
parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da
ressurreição. É uma força sem igual. É verdade que muitas vezes parece que Deus
não existe: vemos injustiças, maldades, indiferenças e crueldades que não
cedem. Mas também é certo que, no meio da obscuridade, sempre começa a
desabrochar algo de novo que, mais cedo ou mais tarde, produz fruto».
"A Páscoa
do Senhor nos dá esta esperança, lembrando-nos que, em Cristo ressuscitado, uma
nova criação é possível todos os dias", disse ainda o Papa, recordando que
"uma vida nova, mais forte do que a morte, está agora brotando para a humanidade".
"A Páscoa é a nova criação realizada pelo Senhor Ressuscitado, é um novo
começo, é a vida finalmente tornada eterna pela vitória de Deus sobre o antigo
adversário".
É deste canto de esperança que hoje precisamos. E somos nós, ressuscitados com Cristo, que devemos levá-lo pelas estradas do mundo. Corramos, pois, como Maria Madalena, anunciemo-lo a todos, levemos com a nossa vida a alegria da ressurreição, para que, onde quer que ainda paira o espectro da morte, possa brilhar a luz da vida.
"Que
Cristo, nossa Páscoa, nos abençoe e conceda a sua paz ao mundo inteiro",
concluiu o Papa Leão.
Mariangela Jaguraba - Vatican News
____________________________________________________________________________________O Papa no Angelus:
Após celebrar a
Missa da Ressurreição na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV dirigiu à Cidade de
Roma e ao Mundo a sua Mensagem de Páscoa. Disse a "quem tem armas nas
mãos, que as deponha"! " A quem tem o poder de desencadear guerras,
que opte pela paz"! Convidou todos a unirem-se a ele na vigília de oração
pela paz que será realizada, na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de
abril.
Em sua mensagem
Urbi et Orbi, à Cidade de Roma e ao Mundo, proferida da sacada central da
Basílica de São Pedro, neste domingo pascal (05/04), o Papa Leão XIV recordou
que "a Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as
trevas, do amor sobre o ódio".
"Uma
vitória a um preço muito alto", disse ele, pois "Cristo, o Filho do
Deus vivo, teve de morrer, e morrer numa cruz, depois de ter sofrido uma
condenação injusta, de ter sido ridicularizado e torturado, e de ter derramado
todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do
mundo e assim nos libertou a todos do domínio do mal, e conosco também a
criação".
"Mas como é
que Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para sempre o antigo
adversário, o príncipe deste mundo? Com que poder ressuscitou dos mortos, não
regressando à vida anterior, mas entrando na vida eterna e abrindo assim, na
sua própria carne, a passagem deste mundo para o Pai"? Perguntou o Papa.
"Esta
força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até o fim,
Amor que perdoa e resgata. Cristo, o nosso «Rei vitorioso», travou e venceu a
sua batalha através do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de
salvação", disse Leão XIV, lembrando que assim, Jesus "percorreu até
o fim o caminho do diálogo, não com palavras, mas com obras: para nos encontrar
a nós, que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar a nós, que
éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida a nós, mortais, deixou-se
matar na cruz".
"A força
com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à de um
grão de trigo que, ao decompor-se na terra, cresce, abre passagem pelas leivas,
germina e transforma-se numa espiga dourada. É ainda mais semelhante à do
coração humano que, ferido por uma ofensa, rejeita o instinto de vingança e,
cheio de piedade, reza por quem o ofendeu", disse ainda Leão XIV,
acrescentando:
Irmãos e irmãs, esta é a verdadeira força que traz a paz à humanidade, porque gera relações respeitosas a todos os níveis: entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, as nações. Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para os conceber e concretizar em conjunto com os outros.
"Sim, a
ressurreição de Cristo é o princípio da nova humanidade, é a entrada na
verdadeira terra prometida, onde reinam a justiça, a liberdade e a paz, onde
todos se reconhecem irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai que é Amor, Vida e
Luz", sublinhou.
Segundo o Papa,
com a sua ressurreição, "o Senhor coloca-nos ainda mais intensamente
perante o drama da nossa liberdade. Diante do sepulcro vazio, podemos
encher-nos de esperança e admiração, como os discípulos, ou de medo, como os
guardas e os fariseus, obrigados a recorrer à mentira e ao subterfúgio para não
reconhecerem que aquele que fora condenado tinha realmente ressuscitado"!
À luz da Páscoa, deixemo-nos surpreender por Cristo! Deixemos transformar o nosso coração pelo seu imenso amor por nós! Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!
Leão XIV disse
que nos habituamos "à violência, resignamo-nos a ela e tornamo-nos
indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às
repercussões de ódio e divisão que os conflitos semeiam. Indiferentes às
consequências econômicas e sociais que produzem e que todos sentimos".
"Há uma
“globalização da indiferença” cada vez mais acentuada", frisou o Papa
Leão, retomando uma expressão querida ao Papa Francisco, que um ano atrás, da
Praça São Pedro, dirigiu ao mundo as suas últimas palavras, recordando-nos:
«Quanto desejo de morte vemos todos os dias em tantos conflitos que ocorrem em
diferentes partes do mundo!»
"A cruz de
Cristo recorda-nos sempre o sofrimento e a dor que envolvem a morte, e o
tormento que ela acarreta. Todos temos medo da morte e, por medo, voltamo-nos
para o outro lado, preferimos não olhar. Não podemos continuar indiferentes!
Não podemos resignar-nos ao mal! Santo Agostinho ensina: «Se tens medo da
morte, ama a ressurreição!». Amemos também nós a ressurreição, que nos recorda
que o mal não é a última palavra, porque foi derrotado pelo Ressuscitado",
disse ainda Leão XIV, lembrando que Jesus "atravessou a morte para nos dar
vida e paz": «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. A paz que eu dou não é
como a dá o mundo».
A paz que Jesus nos entrega não é aquela que se limita a silenciar as armas, mas aquela que toca e transforma o coração de cada um de nós! Convertamo-nos à paz de Cristo! Façamos ouvir o grito de paz que brota do coração! Por isso, convido todos a unirem-se a mim na vigília de oração pela paz que celebraremos aqui, na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de abril.
Saudações em dez
idiomas
"Neste dia
de festa, abandonemos toda a vontade de contendas, domínio e poder, e
imploremos ao Senhor que conceda a sua paz ao mundo atormentado pelas
guerras e marcado pelo ódio e pela indiferença, que nos fazem sentir impotentes
perante o mal", disse o Pontífice, confiando ao Senhor "todos os
corações que sofrem e esperam a verdadeira paz que só Ele pode dar".
O cardeal
protodiácono Dominique Mamberti anunciou a concessão de indulgência plenária a
todos os fiéis presentes e aos que receberem a sua bênção. Por fim, Leão XIV,
como fez no Natal, pronunciou as saudações pascais em dez idiomas: italiano,
francês, inglês, alemão, espanhol, português, polonês, árabe, chinês e latim.
Em português,
disse:
Feliz Páscoa! Levai a todos a alegria do Senhor Ressuscitado e presente entre nós.
Mariangela Jaguraba - Vatican News
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