Domingo de Ramos
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Evangelho da Bênção dos Ramos: Is 43,16-21
Livro do Profeta
Isaías:
Naquele tempo, Jesus
caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém. Quando se
aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monte chamado das Oliveiras, enviou
dois de seus discípulos, dizendo: “Ide ao povoado ali na frente. Logo na
entrada encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado.
Desamarrai-o e trazei-o aqui. Se alguém, por acaso, vos perguntar: ‘Por
que desamarrais o jumentinho?’, respondereis assim: ‘O Senhor precisa dele’”. Os
enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito. Quando
desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram: “Por que estais desamarrando o
jumentinho?” Eles responderam: “O Senhor precisa dele”. E levaram
o jumentinho a Jesus. Então puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus
a montar. E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no
caminho.
Quando chegou
perto da descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos
e cheia de alegria, começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinha
visto. Todos gritavam: “Bendito o rei, que vem em nome do Senhor! Paz no
céu e glória nas alturas!”
Do meio da
multidão, alguns dos fariseus disseram a Jesus: “Mestre, repreende teus
discípulos!” Jesus, porém, respondeu: “Eu vos declaro: se eles se
calarem, as pedras gritarão”.
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1ª Leitura: Is 50,4-7
Livro do Profeta Isaías:
O
Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras
de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o
ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os
ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me
baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de
bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não
me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra,
porque sei que não sairei humilhado.
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Salmo: 21
- Meu Deus, meu
Deus, por que me abandonastes?
- Meu Deus, meu
Deus, por que me abandonastes?
- Riem de
mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: 'Ao Senhor
se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!'.
- Cães
numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui
cercado.Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus
ossos. Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!
- Eles repartem
entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica.Vós, porém, ó meu
Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!
- Anunciarei
o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Vós que
temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e
respeitai-o toda a raça de Israel!
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2ª Leitura: Fl 2,6-11
Carta de São
Paulo aos Filipenses:
Jesus Cristo,
existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas
ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual
aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se
obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de
tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de
Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda
língua proclame : 'Jesus Cristo é o Senhor', para a glória de Deus Pai.
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Evangelho: Lc 19,28-40
Evangelho de São Lucas:
Narrador 1: Paixão
de Nosso Senhor Jesus Cristo + segundo Lucas.
Naquele tempo, toda
a multidão se levantou e levou Jesus a Pilatos. 2Começaram então a
acusá-lo, dizendo:
Ass.: “Achamos
este homem fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar impostos a
César e afirmando ser ele mesmo Cristo, o Rei”.
Narrador: Pilatos
o interrogou:
Leitor 1: “Tu
és o rei dos judeus?”
Narrador: Jesus
respondeu, declarando:
Pres.: “Tu
o dizes!”
Narrador: Então
Pilatos disse aos sumos sacerdotes e à multidão:
Leitor 1: “Não
encontro neste homem nenhum crime”.
Narrador: Eles,
porém, insistiam:
Ass.: “Ele agita
o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui”.
Narrador: Quando
ouviu isto, Pilatos perguntou:
Leitor 1: “Este
homem é galileu?”
Narrador: Ao
saber que Jesus estava sob a autoridade de Herodes, Pilatos enviou-o a este,
pois também Herodes estava em Jerusalém naqueles dias. Herodes ficou
muito contente ao ver Jesus, pois havia muito tempo desejava vê-lo. Já ouvira
falar a seu respeito e esperava vê-lo fazer algum milagre. Ele
interrogou-o com muitas perguntas. Jesus, porém, nada lhe respondeu.
Os sumos
sacerdotes e os mestres da Lei estavam presentes e o acusavam com insistência. Herodes,
com seus soldados, tratou Jesus com desprezo, zombou dele, vestiu-o com uma
roupa vistosa e mandou-o de volta a Pilatos. Naquele dia Herodes e Pilatos
ficaram amigos um do outro, pois antes eram inimigos.
Então Pilatos
convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, e lhes disse:
Leitor 1: “Vós
me trouxestes este homem como se fosse um agitador do povo. Pois bem! Já o
interroguei diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o
acusais; nem Herodes, pois o mandou de volta para nós. Como podeis ver,
ele nada fez para merecer a morte. Portanto, vou castigá-lo e o soltarei”.
Narrador: Toda
a multidão começou a gritar:
Ass.: “Fora com
ele! Solta-nos Barrabás!”
Narrador: Barrabás
tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por homicídio. Pilatos
falou outra vez à multidão, pois queria libertar Jesus. Mas eles
gritaram:
Ass.:
“Crucifica-o! Crucifica-o!”
Narrador: E
Pilatos falou pela terceira vez:
Leitor 1: “Que
mal fez este homem? Não encontrei nele nenhum crime que mereça a morte.
Portanto, vou castigá-lo e o soltarei”.
Narrador: Eles,
porém, continuaram a gritar com toda a força, pedindo que fosse crucificado. E
a gritaria deles aumentava sempre mais. Então Pilatos decidiu que fosse
feito o que eles pediam. Soltou o homem que eles queriam — aquele que
fora preso por revolta e homicídio — e entregou Jesus à vontade deles.
Enquanto
levavam Jesus, pegaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo, e
impuseram-lhe a cruz para carregá-la atrás de Jesus. Seguia-o uma grande
multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. Jesus,
porém, voltou-se e disse:
Pres.: “Filhas
de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! Porque
dias virão em que se dirá: ‘Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os
ventres que nunca deram à luz e os seios que nunca amamentaram’. Então
começarão a pedir às montanhas: ‘Cai sobre nós! e às colinas: ‘Escondei-nos!’ Porque,
se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?”
Narrador: Levavam
também outros dois malfeitores para serem mortos junto com Jesus. Quando
chegaram ao lugar chamado “Calvário”, ali crucificaram Jesus e os malfeitores:
um à sua direita e outro à sua esquerda. Jesus dizia:
Pres.: “Pai,
perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!”
Narrador: Depois
fizeram um sorteio, repartindo entre si as roupas de Jesus. O povo
permanecia lá, olhando. E até os chefes zombavam, dizendo:
Ass.: “A
outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o
Escolhido!”
Narrador: Os
soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, e
diziam:
Ass.: “Se
és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!”
Narrador: Acima
dele havia um letreiro:
Leitor
2: “Este é o Rei dos Judeus”.
Narrador: Um dos
malfeitores crucificados o insultava, dizendo:
Leitor 2: “Tu
não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!”
Narrador: Mas
o outro o repreendeu, dizendo:
Leitor 1: “Nem
sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? Para nós, é
justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal”.
Narrador: E
acrescentou:
Leitor 1: “Jesus,
lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”.
Narrador: Jesus
lhe respondeu:
Pres.: “Em
verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso”.
Narrador: Já
era mais ou menos meio-dia e uma escuridão cobriu toda a terra até as três
horas da tarde, pois o sol parou de brilhar. A cortina do santuário rasgou-se
pelo meio, e Jesus deu um forte grito:
Pres.: “Pai,
em tuas mãos entrego o meu espírito”.
Narrador: Dizendo
isso, expirou.
(Aqui todos se
ajoelham e faz-se uma pausa.)
Narrador: O
oficial do exército romano viu o que acontecera e glorificou a Deus, dizendo:
Leitor 1: “De
fato! Este homem era justo!”
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Reflexão:
Domingo da Paixão e de Ramos
"Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!”(cf. Lc 19,34-38)
Com a celebração
do domingo de Ramos iniciamos a Semana Santa. O mesmo Jesus que hoje é saudado
com hosanas em Jerusalém será denunciado, injustamente. Condenado sem ter
cometido crime algum é crucificado. Morto é sepultado e vence o sepulcro.
Ressuscita, verdadeiramente, ao terceiro dia e está vivo entre nós!
A celebração é
dividida em dois momentos: um primeiro com a proclamação do Evangelho de
Lucas(cf. 19,28-40) em que o Senhor, munido de um jumentinho(preste a atenção
de que não é um cavalo) ele adentra em Jerusalém. Diz o Evangelho que: “Então
puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar. E enquanto Jesus
passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho. Quando chegou perto da
descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos e cheia
de alegria, começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinha visto.
Todos gritavam: ‘Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória
nas alturas!”(cf. Lc 19,34-38). O mesmo Jesus que hoje é acolhido com as
palmeiras será crucificado. Por isso hoje se benze os ramos, recordando a
entrada de Cristo em Jerusalém para realizar o seu mistério pascal. Com as
mesmas palavras dos “filhos dos hebreus” somos chamados a repetir o gesto
profético e aclamar ao Senhor. Os ramos bentos nesta solenidade são guardados
para três finalidades: 1 – é dos ramos bentos no Domingo de Ramos que se queima
para as cinzas que serão impostas na quarta-feira de cinzas do próximo ano; 2 –
o ramo bento é colocado atrás do crucifico em nossas residências; 3 – quando
temos temporais e catástrofes, com raios e chuvas fortes, é costume se queimar
um pedaço do ramo em louvor a Deus.
A liturgia deste
último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor,
desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos
homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz
(que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus)
apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que,
em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.
A liturgia de hoje nos lembra as dores que Jesus sofreu na sexta-feira Santa: ouviremos o longo relato da Paixão de Jesus com o abandono do Senhor por parte de todos, repito por parte de todos, até a sua morte incruenta na cruz. A realidade do domingo de Ramos é uma realidade muito dura na nossa vida e atualíssima: todos nós nos sentimos empolgados num primeiro momento com o seguimento de Cristo. Todos nós colocamos os mantos de nossas vidas no caminho por onde Jesus vai passar. Aclamamo-lo como nosso Rei e Senhor, cantamos-lhe “Hosanas” e assim por diante. Mas para nos tornarmos discípulos precisamos “encarnar” todo este fervor. Assim reza a liturgia de hoje: “Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória!”. A humildade que Jesus viveu o seu Domingo de Ramos nos matricula na escola da humildade para encararmos a memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor!
A liturgia de hoje nos lembra as dores que Jesus sofreu na sexta-feira Santa: ouviremos o longo relato da Paixão de Jesus com o abandono do Senhor por parte de todos, repito por parte de todos, até a sua morte incruenta na cruz. A realidade do domingo de Ramos é uma realidade muito dura na nossa vida e atualíssima: todos nós nos sentimos empolgados num primeiro momento com o seguimento de Cristo. Todos nós colocamos os mantos de nossas vidas no caminho por onde Jesus vai passar. Aclamamo-lo como nosso Rei e Senhor, cantamos-lhe “Hosanas” e assim por diante. Mas para nos tornarmos discípulos precisamos “encarnar” todo este fervor. Assim reza a liturgia de hoje: “Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória!”. A humildade que Jesus viveu o seu Domingo de Ramos nos matricula na escola da humildade para encararmos a memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor!
A primeira
leitura(cf. Is 50,4-7) apresenta-nos um profeta anônimo, chamado por Deus a
testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da
perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade,
os projetos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de
Jesus.
A segunda
leitura(cf. Fl 2,6-11) apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do
orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos
homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus
nos propõe.
O Evangelho(cf.
Lc 22,14-23-56) convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento
supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo
aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz revela-se o amor de Deus, esse
amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.
É difícil fazer
calar uma multidão. Na descida do monte das Oliveiras, a multidão de Jerusalém
aclama Jesus: “Bendito o que vem, o nosso rei, em nome do Senhor!” Mas uma
multidão pode ser manipulada e acabar por dizer o contrário. Assim, alguns dias
mais tarde, ela gritará: “Morte a este homem! Crucifica-o!” Jesus não quer
calar a multidão que O aclama, porque, se eles se calam, as pedras falarão!
Será um malfeitor, crucificado junto d’Ele, que O reconhecerá como rei: “Jesus,
lembra-Te de mim, quando vieres com a tua realeza”. Será um centurião, um pagão
do exército romano, a fazer um ato de fé: “Realmente este homem era justo!” As
pedras não terão necessidade de gritar, porque estes dois homens recusaram
calar-se: já o Espírito os animava e fazia-lhes dizer a verdade. Quanto a
Jesus, é por ter dito a verdade que é levado à morte. De fato, a verdade
desarranja… O trono que espera este rei é a cruz e a sua coroa será de
espinhos: na fraqueza manifestar-se-á o poder de Deus, o poder do Amor!
Vivamos,
intensamente, a Semana Santa: em todos os dias teremos atividades para
litúrgicas na segunda, na terça e na quarta: com o sermão do depósito, do
encontro e das dores de Nossa Senhora. Na quinta-feira santa o Bispo Diocesano
presidirá a missa da unidade em sua catedral com o seu presbitério: lembremos
de rezar pelos nossos padres neste dia. Com a instituição da Eucaristia e o
lava-pés inicia-se o Tríduo Pascal. A sexta-feira Santa é dia de jejum, de
abstinência de carne, com a celebração da Paixão do Senhor às 15hs e o Sermão
do Descendimento da Cruz. No sábado santo, dia de luto e de recolhimento, nos
preparemos para a grande Vigília, a maior de todas: a Vigília Pascal. E, no
domingo da Páscoa, experimentaremos a força da ressurreição de Jesus! Santa e
abençoada Semana Santa!
Dom Eurico dos Santos Veloso - Arcebispo Emérito de Juiz de Fora - MG
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Reflexão: cnbbleste2.org.br Ilustração: franciscanos.org.br Banner: cnbb.org.br
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