sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Reflexão de dom Vital Corbellini para a importante festa de hoje:

O sentido da Sagrada Família

A Sagrada Família colocou a presença do Filho de Deus na família humana. Este fato valorizou as ações que a família faz e também da família que o Senhor deseja de cada um de nós. Ela é dom de Deus e é também missão. A Igreja é chamada a estar com todas as famílias, a rezar por elas, para que vivam na paz e no amor e um dia glorifiquem a Deus Uno e Trino na eternidade. A Sagrada Família acompanhe e abençoe a todas as famílias do mundo inteiro.

Jesus foi acolhido por Maria e também por José num contexto familiar, da Sagrada Família

A família vem do latim família, cujo significado é doméstico, um conjunto de pessoas ligadas entre si por uma relação de convivência, de parentesco, de afinidade[1]. Nós dizemos que a família é projeto de Deus, no qual a nossa vida dar-se-á a graça da vida eterna. Rezemos pela unidade de nossas famílias, para que haja a fraternidade, o amor e menos violência sobretudo contra as mulheres, contra as pessoas idosas e assim todas vivam o espírito de unidade e de amor como ocorreu na Sagrada Família de Nazaré. Os Papas e o magistério realçam sempre a unidade nas famílias. Em nível de CNBB estamos celebrando o ano vocacional, rezando pelas vocações e também pela vocação à vida matrimonial. A seguir, nós veremos algumas considerações importantes a partir da Sagrada Escritura e dos primeiros escritores cristãos sobre a festa da Sagrada Família.

José acolheu Maria, como sua mulher

Jesus foi acolhido por Maria e também por José num contexto familiar, da Sagrada Família. O evangelista Mateus falou que o anjo do Senhor apareceu em sonho para José dizendo que Maria estava grávida por obra do Espírito Santo. O anjo ressaltou para Ele para não temer de tomar Maria como sua mulher, sua esposa pois o que fora gerado nela era ação do Espírito de Deus. Ela daria à luz um filho e ele poria o nome de Jesus, pois ele salvaria o seu povo dos seus pecados. Portanto Jesus é o Salvador. Ela conceberia um filho cujo nome seria também Emanuel, cujo significado é Deus conosco. Quando José despertou do sono, José fez tudo conforme o anjo do Senhor lhe disse e acolheu Maria como sua mulher ( Mt 1, 19-24).

 José e Maria acolheram o Filho de Deus na carne

São Cromácio de Aquiléia, bispo no século IV afirmou que José e Maria acolheram o Filho de Deus na realidade humana. Quando eles estavam em Belém para fazerem o registro, Maria deu a luz o filho primogênito. Ela o enfaixou e depôs na manjedoura porque não havia lugar para eles na hospedaria (Lc 2,7). As coisas foram colocadas em evidência pelo nascimento do Verbo de Deus como Primogênito da Virgem porque era o primeiro e único a nascer dela, e era também o Unigênito do Pai, porque foi o único gerado pelo Pai, desde sempre. É essencial perceber a humildade do Filho de Deus por causa do ser humano, sendo colocado na manjedoura, aquele que com o Pai reina nos céus e é envolto em faixas aquele que concede a veste da imortalidade, mostra-se pequeno no corpo aquele que é sublime e poderoso[2].

A alegria pelo nascimento do Verbo de Deus é de toda a humanidade

São Cromácio ainda disse que o anjo comunicou aos pastores uma grande alegria porque nasceu para eles o Salvador, Cristo Senhor, na cidade de Davi (Lc 2,11). A alegria não seria somente dos pastores, mas também aos anjos de Deus. A Escritura disse que em seguida juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste dizendo: ´Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz a todos por ele amados´ (Lc 2,13--14). Era conveniente que ao nascimento de um Rei assim poderoso se alegrassem não somente os seres humanos, mas também os anjos, porque ele era o Criador dos seres humanos, mas também o Criador dos anjos e o Deus de todo o poder[3].

O dia eterno de unidade com a humanidade

Santo Agostinho, bispo de Hipona, séculos IV e V afirmou que a encarnação do Verbo iniciou um dia sem o seu fim na realidade humana, familiar. Aquele único Verbo de Deus, a vida, a luz dos seres humanos era então o dia eterno. Assim a família humana foi enriquecida com a presença do Filho de Deus na Sagrada Família. Aquele dia da unidade com a carne humana tornou-se como um esposo que sai do quarto nupcial (Sl 18,6). Desta forma aquele que nasceu lembra o eterno nascido da Virgem, porque o eterno nasceu da Virgem, consagrando o cotidiano da existência humana[4].

A mesma pessoa, Jesus Cristo, Deus e Homem

São Leão Magno, papa no século V, ressaltou a unidade da pessoa do Verbo de Deus como Filho de Deu e Filho do Homem. Cristo Senhor subsistiu na unidade da pessoa: sendo Filho de Deus pelo qual os seres humanos foram criados, tornou-se ele também Filho do Homem mediante a assunção da carne, com o fim de morrer como disse o Apóstolo pelos pecados por todos e ele ressurgiu para a justificação de todos (Rm 4,25)[5]. Desta forma a sua unidade com a família humana foi total, para reconciliá-la com Deus e com a humanidade.

A importância da Sagrada Família na Família humana

Santo Ambrósio, bispo de Milão, final do século IV, colocou também na festa da Sagrada Família, a Família humana. Simeão, o ancião que esperou o Senhor, recebeu o menino Jesus, em seus braços na presença de Maria e de José. Outras pessoas e personagens viram o Salvador como os anjos, os pastores, mas também os idosos e os justos receberam o testemunho do nascimento do Senhor. Todas as idades testemunharam que uma virgem deu à Luz, uma mulher estéril teve um filho, um mudo falou, Isabel profetizou, os magos adoraram, um menino pulou de alegria, uma viúva louvou a Deus, um justo esteve na espera[6].

A alegria de Simeão

Santo Ambrósio disse também que Simeão esperou ver o Messias prometido, o Ungido do Senhor, ao recebeu em suas mãos o Verbo de Deus e o agarrou entre os seus braços da sua fé, de modo que não veria mais a morte, porque viu a vida. Assim se a profecia é negada aos incrédulos, mas não aos justos (cfr. 1 Cor 14,22), eis que também Simeão profetizou que o Senhor Jesus veio para a ruína e para ressurreição de muitos (Lc 2,34), para fazer a divisão entre os justos e os injustos, segundo os merecimentos e para dar-nos como juiz verdadeiro e justo, seja a pena seja a graça da vida eterna segundo as ações de caridade e de amor[7].

A Sagrada Família colocou a presença do Filho de Deus na família humana. Este fato valorizou as ações que a família faz e também da família que o Senhor deseja de cada um de nós. Ela é dom de Deus e é também missão. A Igreja é chamada a estar com todas as famílias, a rezar por elas, para que vivam na paz e no amor e um dia glorifiquem a Deus Uno e Trino na eternidade. A Sagrada Família acompanhe e abençoe a todas as famílias do mundo inteiro.

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[1] Cfr. Famiglia. In: Il vocabolario treccani, Il Conciso. Milano, Trento, 1998, pg. 570.

[2] Cfr. Cromazio di Aquileia. Sermone 32,2. In: Ogni Giorno con i Padri della Chiesa. A cura di Giovana della Croce. Presentazione di Enzo Bianchi. Milano, Paoline, 1996, p. 399.

[3] Cfr. Idem, Sermone 32,5. In: Idem, pg. 400.

[4] Cfr. Agostino d´Ippona. Sermone188,2. In: Idem, pg 403.

[5] Cfr. Sermone 10 (30), Sul Natale Del Signore 10, 5. In: Leone Magno. I Sermoni del Ciclo Natalizio, a cura di Elio Montanari, Mario Naldini, Marco Pratesi. Bologna, Edizioni Dehoniane Bologna, 2007, pg. 213.

[6] Cfr. Ambrogio. Exp. In Luc., 2,58-60. In: I Padri vivi. Commenti Patristici al Vangelo dominicale, Anno B, a cura di Marek Starowleyski. Roma, Città Nuova Editrice, 1984, pg. 31.

[7] Cfr. Idem, pg. 31.

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Dom Vital Corbellini - Bispo de Marabá (PA)

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Pastoral Familiar lança subsídio Hora da Família 2023

com o tema  “Família, casa da missão ”

A Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) lançou o subsídio Hora da Família com celebrações mensais para 2023. A proposta do material é que grupos paroquiais e de famílias reflitam no próximo ano sobre o tema “Família, casa da missão”, em sintonia com o quarto pilar das comunidades eclesiais missionárias propostas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE 2019-2023).

O material conta com nove encontros para realização durante os meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, setembro e novembro. Nos demais meses, serão utilizados os subsídios Hora da Família Especial, em agosto; Hora da Vida, em outubro; e a Novena de Natal, em dezembro. Para cada mês, há o aprofundamento da dimensão missionária da fé.

“Somos uma Igreja em saída e a missionariedade é parte essencial da nossa vida cristã”, recorda o bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers. Ele ressalta ainda que “viver a missionariedade é ter a consciência do chamado de Deus para nossa família e nos colocar sempre à disposição da missão que nos for confiada”.

“Desejo que cada encontro e cada tema proposto possa ser semeado nas nossas comunidades com o testemunho de quem os vivenciou. E, todos juntos, possamos formar a grande família dos missionários que levam a paz, o amor, a justiça e a solidariedade a todos os corações”, motivou dom Ricardo.

O subsídio de 2023 é o quarto publicado no formato de encontros mensais, pensado para auxiliar famílias, grupos da Pastoral Familiar e de Movimentos Eclesiais de todo o país. Desde 2020, tem sido uma ferramenta para fazer com que as Diretrizes da Ação Evangelizadora sejam conhecidas e assumidas pela Pastoral Familiar e todos os que com ela tenham contato.

Confira os temas de cada encontro:

1º Encontro – Famílias missionárias

2º Encontro – Jesus Cristo missionário do Pai

3º Encontro – “De Cristo evangelizador a uma Igreja Missionária”

4º Encontro – O Espírito Santo protagonista da missão

5º Encontro – Os caminhos da missão e a família

6º Encontro – Todo cristão é missionário

7º Encontro – Idosos e enfermos missionários

8º Encontro – Família e espiritualidade missionário

9º Encontro – Família, casa da missão

Celebração do dia das mães – Maria, mãe e discípula missionária

Adquira já!

Para requisitar o exemplar impresso, acesse: https://bit.ly/HFMensal2023. A unidade custa R$ 4,20 e o envio será feito a partir da primeira semana de janeiro.

Caso queira adquirir e acessar o Hora da Família diretamente do celular, acesse o aplicativo Estante Pastoral Familiar. Baixe aqui: https://bit.ly/EstantePastoral

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Papa Francisco:

São Francisco de Sales,
grande guia das almas, capaz de ler os sinais de seu tempo

Nos 400 anos da morte do santo bispo francês, foi publicada a Carta Apostólica "Totum amoris est - Tudo pertence ao amor", na qual o Papa Francisco afirma que este doutor da Igreja, em uma época de grandes mudanças, soube ajudar as pessoas a buscar Deus na caridade, na alegria e na liberdade.


"Um excelente intérprete" de seu tempo, que de uma nova maneira tinha "sede de Deus", e um "extraordinário diretor de almas", capaz de ajudar as pessoas a buscar o Senhor em seus corações e encontrá-lo na caridade. É assim que o Papa Francisco descreve São Francisco de Sales em sua Carta Apostólica "Totum amoris est - tudo pertence ao amor", escrita por ocasião do 4º centenário da morte do doutor da Igreja, padroeiro dos jornalistas e dos comunicadores, e bispo "exilado" de Genebra. Do santo francês, nascido no castelo de Sales, em Savoy, em 21 de agosto de 1567, e falecido em Lyon em 28 de dezembro de 1622, o Papa enfatiza a vocação de se perguntar "em todas as circunstâncias da vida onde se encontra o maior amor". Não é por acaso que São João Paulo II o chamou de "Doutor do Amor Divino", recorda Francisco, não só por ter escrito "um ponderoso Tratado sobre o mesmo, mas sobretudo porque foi testemunha dele".

Na mudança dos tempos, novas oportunidades para o anúncio do Evangelho

Após se interrogar "sobre o legado de São Francisco de Sales para a nossa época", o Pontífice explicou que encontrou "iluminadoras a sua flexibilidade e capacidade de visão". Durante os anos passados em Paris no início de 1600, aquele que Bento XVI descreveu como um "apóstolo, pregador, escritor, homem de ação e oração" adquiriu "uma percepção clara da mudança de época". E nestas novidades "ele mesmo confessa nunca ter imaginado reconhecer nisso uma oportunidade para o anúncio do Evangelho. A Palavra que tinha amado desde a sua juventude era capaz de abrir caminho, desvendando novos e imprevisíveis horizontes, num mundo em rápida transição". Para o Papa Francisco, "tal é a tarefa essencial que nos espera também nesta nossa mudança de época: uma Igreja não autorreferencial, liberta de toda a mundanidade mas capaz de habitar no seio do mundo, partilhar a vida das pessoas, caminhar juntos, escutar e acolher”. Foi o que fez o santo de Sales, que nos convida, diz o Papa, "a sair da preocupação excessiva conosco, com as estruturas, a imagem social, perguntando-nos antes quais sejam as necessidades concretas e as expectativas espirituais do nosso povo".

Buscar a Deus no coração e na história

Um “estilo de vida cheio de Deus”, explica Francisco, motivado assim pelo santo bispo: “Se o homem pensa com um pouco de atenção na divindade, imediatamente sente uma doce emoção no seu coração, o que prova que Deus é o Deus do coração humano”. Para o Pontífice, esta é a síntese de seu pensamento: "No coração e através do coração", escreve, que "o homem reconhece a Deus e conjuntamente a si mesmo, a sua origem e profundidade, sua realização na vocação ao amor". Assim ele descobre que a fé não é "um abandono passivo, frio, a uma doutrina sem carne e nem história", mas é "antes de tudo uma atitude do coração" que nasce da contemplação da vida de Jesus e nos faz habitar a história com confiança e concretude "na escola da Encarnação".

Discernimento na prova do amor

São Francisco de Sales, observa o Papa, "reconhecera o desejo como a raiz de toda a verdadeira vida espiritual e, ao mesmo tempo, como o lugar da sua adulteração". Por isso considerava fundamental "pôr à prova o desejo através do discernimento", e o critério final para sua avaliação "havia encontrado no amor", ao se perguntar "em todas as circunstâncias da vida onde se encontra o maior amor".

Uma teologia imersa na oração e na comunidade

O Pontífice atribui à reflexão sobre a vida espiritual de São Francisco de Sales "uma eminente dignidade teológica", porque nele sobressaem "os traços essenciais de fazer teologia". Primeiro a vida espiritual, porque "os teólogos se tornam teólogos no crisol da oração", e depois a vida eclesial, já que "o teólogo cristão elabora seu pensamento imerso na comunidade". Ele escreveu importantes obras espirituais, tais como a Introdução à Vida Devota e o Tratado do Amor de Deus, e milhares de cartas enviadas dentro e fora das paredes dos conventos para religiosos e religiosas, para homens e mulheres da corte, assim como para pessoas comuns.

Um novo estilo, com o otimismo salesiano

Na sua direção espiritual, São Francisco de Sales - explica o Papa Francisco - fala de uma nova maneira, usando "um método que renuncia à dureza e se apoia plenamente na dignidade e capacidade de uma alma devota, não obstante as suas fraquezas". Neste ponto de vista, comenta o Papa, " há o otimismo salesiano" que "deixou sua marca duradoura na história da espiritualidade, para sucessivos florescimentos, como no caso de São João Bosco dois séculos depois". Perto do fim de sua vida, assim ele via o seu tempo: "o mundo está a tornar-se tão delicado que, em breve, já não se ousará tocá-lo senão com luvas de veludo, nem medicar as suas chagas senão com cataplasmas de cebola; mas que importa, desde que os homens sejam curados e, em última análise, salvos? A nossa rainha, a caridade, faz tudo pelos seus filhos". Não foi a rendição final face a uma derrota, observa o Papa Francisco, mas sim “a intuição de uma mudança em ato e da exigência, inteiramente evangélica, de compreender como se poderia viver nela”.

Homem de diálogo

Assim, mesmo em diálogo com os protestantes, recorda o Papa citando Bento XVI, ele experimentou "cada vez mais, para além do necessário confronto teológico, a eficácia da relação pessoal e da caridade". Em contato com as pessoas de confissão calvinista, o santo era um controversista hábil, mas também um homem de diálogo, inventor de práticas pastorais originais, como os famosos "panfletos", afixados por todo o lado e até metidos por baixo da porta das casas". E é por isso que ele foi escolhido como o santo padroeiro dos jornalistas.

Nenhuma imposição

A segunda parte da Carta Apostólica analisa o legado de São Francisco de Sales para o nosso tempo, relendo "algumas de suas opções cruciais, para habitar por dentro a mudança com sabedoria evangélica". A primeira foi "repropor a cada um" a "relação feliz entre Deus e o ser humano", como faz o santo em seu Tratado do Amor de Deus. A Divina Providência atrai nossos corações para seu amor, escreve, sem nenhuma imposição, nenhuma "corrente de ferro", mas com "convites, deliciosas atrações e santas inspirações". A forma persuasiva, comenta o Papa, "de um convite que deixa intacta a liberdade do homem".

Verdadeira e falsa devoção

A segunda grande escolha crucial de Francisco de Sales, para o Pontífice, foi “indicar o que se entende por devoção”. No início de Filoteu, como São Francisco renomeia sua primeira grande obra, a Introdução à Vida Devota, ele sublinha: "verdadeira, há apenas uma; falsas e vãs, há muitas; e se não souberes distinguir a verdadeira, podes cair no erro e perder tempo correndo atrás de qualquer devoção absurda e supersticiosa”. Esta é a sua descrição da falsa devoção: vai desde "quem se consagra ao jejum" e acredita ser devoto porque não come nem bebe, e depois mergulha sua língua "no sangue do próximo com a maledicência e a calúnia", outro pensará que é devoto porque bisbilha todo o dia uma "série interminável de orações" e "não dará peso às palavras más, arrogantes e injuriosas que a sua língua lançará" a todos. E também o que dá esmolas aos pobres, mas "não conseguirá extrair do coração uma migalha de doçura para perdoar os inimigos". Enquanto que a verdadeira devoção para São Francisco de Sales "não é nada mais que um verdadeiro amor de Deus", uma manifestação de caridade, portanto nada abstrato, esclarece o Papa Francisco, mas "uma forma de estar no concreto da existência quotidiana". É por isso que a devoção ao santo bispo não leva ao isolamento e não deve ser relegada "a algum âmbito protegido e reservado". Ao contrário, ela pertence a todos e para todos, onde quer que estejamos, e cada pessoa pode praticá-la de acordo com sua própria vocação.

A vida cristã é descobrir a alegria de amar

No último capítulo da Carta Apostólica, intitulado "O êxtase da vida", o Pontífice resume o pensamento sobre a vida cristã de São Francisco de Sales, que não é "uma retirada intimista" no próprio coração ou uma "obediência triste e cinzenta" aos mandamentos, porque "quem presume que está a elevar-se para Deus, mas não vive a caridade para com o próximo, engana-se a si mesmo e aos outros". Ao invés disso, a vida cristã é uma existência que "reencontrou as fontes da alegria, contra todo o seu definhamento", porque quem vive o verdadeiro amor encontra a liberdade de amar e "a fonte deste amor que atrai o coração é a vida de Jesus Cristo" que deu sua vida por nós.

Alessandro Di Bussolo – Vatican News

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Papa na catequese desta quarta-feira:

Natal é festa,
mas não esquecer que a manjedoura é o trono de Jesus

No dia do quarto centenário da morte de São Francisco de Sales, o Papa inspirou sua catequese nos ensinamentos de Natal do Santo e Doutor da Igreja, anunciando ainda a publicação de uma Carta Apostólica intitulada "Tudo pertence ao amor".

Na Sala Paulo VI, o Papa realizou a última Audiência Geral do ano de 2022.

Neste tempo litúrgico, Francisco fez uma pausa no ciclo sobre o discernimento e dedicou sua catequese ao mistério do Natal, inspirando-se em um santo em particular: São Francisco de Sales.

Por ocasião do quarto centenário da morte deste Bispo e Doutor da Igreja, o Pontífice anunciou que hoje será publicada a Carta Apostólica intitulada "Tudo pertence ao amor".

Manjedoura

Em uma de suas muitas cartas dirigidas a Santa Joana Francisca de Chantal, São Francisco de Sales escreve: "Eu prefiro cem vezes ver o querido Menino na manjedoura, do que todos os reis em seus tronos".

Jesus, o Rei do universo, comentou o Papa, “nunca se sentou em um trono, nasceu em um estábulo, envolto em faixas e deitado em uma manjedoura; e no fim morreu em uma cruz e, envolto em um lençol, foi deposto no sepulcro”.

A manjedoura, portanto, não é apenas um detalhe logístico, mas um elemento simbólico para entender que tipo de Messias é Aquele que nasceu em Belém, ou seja, quem é Jesus.

“O sinal é: encontrarão um menino sobre uma manjedoura. Este é sinal. O trono de Jesus ou é a manjedoura ou a rua, durante a sua vida, pregando, ou a cruz no final da vida. Este é o trono do nosso Rei.”

Este sinal mostra o 'estilo' de Deus, que é proximidade, compaixão e ternura e quer nos atrair com o amor.

Em outra carta a uma religiosa, sempre no contexto do Natal, São Francisco de Sales escreve: "O ímã atrai o ferro e o âmbar atrai a palha e o feno".

Amor

Às vezes, explicou Francisco, somos '"ferro", isto é, somos duros, rígidos, frios. Em outros momentos, somos "palha", frágeis, fracos, inconsistentes. "As nossas forças, as nossas fragilidades, só se resolvem diante do presépio, ou diante da Cruz." Então, Deus encontrou o meio para nos atrair como somos: com o amor. 

“Não é um amor possessivo e egoísta, como infelizmente é tão frequente o amor humano. Seu amor é puro dom, pura graça, é tudo e somente para nós, para o nosso bem. E assim ele nos atrai, com este amor desarmado e desarmante.”

“Quando vemos esta simplicidade de Jesus, também nós jogamos fora as armas da soberba e vamos ali, humildes, pedir salvação, perdão, luz para a nossa vida, para poder ir avante. Não se esqueçam do trono de Jesus: a manjedoura e a cruz.”

Pobreza

Outro aspecto que se destaca no presépio é a pobreza, entendida como a renúncia a toda vaidade mundana. E hoje, lamentou o Pontífice, quanto dinheiro é gasto por vaidade. São Francisco de Sales escreve ainda: "Não encontro outro mistério em que a ternura e a austeridade, amor e tristeza, doçura e dureza sejam tão docemente misturados”. O Natal certamente é alegria e festa, mas na simplicidade e austeridade, completou o Papa.

“Hoje vemos 'outro Natal', entre aspas, uma caricatura mundana do Natal, que o reduz a uma festa de consumo. Pode-se fazer festa, isto é bom, mas que não seja Natal. Natal é outra coisa.”

Francisco conclui com mais um pensamento de São Francisco de Sales dois dias antes de sua morte, em que afirma que “não devemos desejar nada nem recusar nada, suportando tudo o que Deus nos enviará, o frio e as agruras do tempo".

Estas palavras, afirmou o Papa, significam que devemos aceitar tudo o que Deus nos manda, “mas atenção: sempre e só por amor, porque Deus nos ama e quer sempre e só o nosso bem”. O caminho da felicidade, concluiu, passa pela manjedoura e pela cruz.

“A todos vocês e suas famílias, ainda Feliz Natal e um bom início de Ano Novo!”, foram os votos finais de Francisco.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

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Francisco:
rezemos por Bento XVI,
ele está doente e no silêncio apoia a Igreja

No final da Audiência Geral, Francisco pediu aos fiéis uma "oração especial" por seu antecessor de 95 anos: "Que o Senhor o sustente neste testemunho de amor à Igreja até o fim".

Em meio às saudações aos fiéis italianos no final da Audiência Geral desta quarta-feira (28), destacando-se do texto escrito, Francisco, olhando para os presentes na Sala Paulo VI, confiou-lhes uma intenção muito precisa: "Uma oração especial pelo Papa emérito Bento XVI, que no silêncio está sustentando a Igreja". "Recordemos, ele está muito doente, pedindo ao Senhor que o console e o sustente neste testemunho de amor à Igreja até o fim".

No Mater Ecclesiae

Poucas palavras, pronunciadas pelo Papa Francisco, que insinuam o delicado estado de saúde de Bento XVI, que completou 95 anos em 16 de abril passado. Joseph Ratzinger, que após a sua demissão em fevereiro de 2013, mora no Mosteiro Mater Ecclesiae, nos Jardins do Vaticano. Ele é assistido pelas consagradas Memores Domini e pelo seu secretário pessoal, Dom Georg Gänswein, que ao longo dos anos sempre falou de uma vida passada em oração, música, estudo e leitura.

A ligação entre Francisco e Bento

Em numerosas ocasiões, Francisco falou da ligação com seu antecessor, a quem ele chamou de "pai" e "irmão" no Angelus de 29 de junho de 2021, por ocasião do 70º aniversário da ordenação sacerdotal de Ratzinger. Desde o início de seu pontificado, o Papa Francisco iniciou a "tradição" de visitar o Pontífice Emérito, começando com a primeira histórica visita logo após a sua eleição que chegou de helicóptero à residência de Castel Gandolfo, onde Bento XVI permaneceu algumas semanas antes de se mudar para o Vaticano. No período que antecede o Natal ou a Páscoa ou por ocasião de consistórios com novos cardeais, Francisco sempre mostrou um gesto de proximidade e cortesia ao visitar o mosteiro do Vaticano para votos de felicitações e saudação.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

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                                                                                                                       Fonte: vaticannews.va

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Reflexão muito oportuna de dom Walmor:

Silêncio! Silêncio!

Pode parecer estranho ao conjunto de uma sociedade que multiplica palavras, tornando-se Babel, pedir silêncio, silenciar-se. Muitas palavras não garantem entendimentos. E o silêncio causa estranheza em um mundo barulhento. Importante é aprender com místicos e profetas, aqueles que sempre, antes de se expressar, guardam um qualificado tempo de silêncio.  O ato disciplinar, exercitado nas salas de aula, nos auditórios ou nas igrejas, de se silenciar, é indispensável para desenvolver a capacidade de escutar. Na contramão dessa disciplina, convive-se com a disseminação de palavras e mais palavras, que são banalizadas. Fala-se sobre todas as coisas, opiniões são publicizadas sem o devido cuidado, com juízos a respeito daquilo que não se sabe bem. Para que exista palavra qualificada é indispensável antes trilhar a via do silêncio. 

Dom Walmor

A avalanche de palavras está desacostumando a sociedade a viver o silêncio. É hora de aprender a silenciar-se, essencial ao reconhecimento dos sentidos que fazem parte do viver humano, à tomada de decisões e à realização de escolhas no exercício das próprias responsabilidades, com discernimentos adequados. A cultura contemporânea estimula o falar muito, e cada vez mais, sem o devido cuidado com o silêncio. Há de se superar o possível incômodo provocado pelo silêncio, pois é nele que vive a palavra. O silêncio é o único caminho para que se alcance o mistério maior, livrando o ser humano da superficialidade. Mas a sociedade insiste em estabelecer uma grande distância entre silêncio e palavra. Essa distância precisa ser encurtada, para que todos busquem se silenciar mais e, consequentemente, encontrar o caminho do mistério que guarda a verdade do amor.  

O silêncio gera e qualifica peregrinos, conforme apontam os estudiosos da espiritualidade cristã, além de manter a luz interior, essencial a quem busca se expressar adequadamente. O silêncio capacita o ser humano para que sua comunicação seja marcada por palavras performativas, isto é, capazes de produzir sentidos qualificados, ajustando entendimentos que alicerçam as muitas escolhas. Por isso mesmo, sem renunciar ao direito à livre expressão, é indispensável exercitar o silêncio. Uma tarefa difícil, embora essencial, que precisa ser incluída no dia a dia de cada um, para que todos sejam comunicadores de verdades. O silêncio, morada da palavra, tem propriedades para fazer das muitas falas instrumentos autênticos de construção da justiça e da paz, caminho para o encontro com Deus.  

No atual contexto, quando falar tornou-se uma forma de se exercer o poder, a sociedade que não se cansa de propagar palavras, não sabe se silenciar. Consequentemente, circulam muitas palavras enfraquecidas. Urgente é a disciplina para cuidar de não “falar por falar”; ou para impor dominação. Além disso, evitar ser agente disseminador das “notícias falsas”. É hora oportuna de se criar gosto pelo silêncio, na intimidade do próprio quarto, no alto de uma montanha, contemplando uma paisagem, nos escritórios, nas igrejas, no contexto da própria família. Reconhecer que se silenciar é atitude essencial a ser aprendida, praticada.  

O silêncio é remédio para muitos desesperos experimentados pelo ser humano e a celebração do Natal oferece oportunidade singular para praticá-lo. Luzes, cores estão evocando a celebração do Natal do Senhor. Contudo, o mais importante é cuidar para que a carência de silêncio, incapacidade ou falta de vontade para vivê-lo, sejam superadas, fazendo ecoar o alcance e o sentido do nascimento de Jesus. O silêncio é o instrumento para garimpar toda a força do amor inesgotável de Deus: todos estão convocados ao exercício espiritual de se silenciar. Colocar-se diante do presépio, seja qual for o seu tamanho, para uma silenciosa contemplação. Assim, no itinerário da celebração do Natal, silenciosamente se deixar iluminar pela força do mistério da encarnação do Verbo, aprendendo lições cuja qualidade e novidade nem a razão consegue alcançar. 

 Silêncio! Silêncio! Comedidos na fala, para permitir a ação amorosa de Deus que renova a vida de cada pessoa, experimentada de modo singular no Natal do Senhor. Ação amorosa que faz brotar no coração humano a misericordiosa compaixão, qualificando todos para a tarefa de construir um mundo novo pela força do amor que se revela no Menino-Deus. Os votos natalinos incluam o convite para a prática do silêncio, que faz do coração humano a mais autêntica manjedoura, para sempre morada de Deus. 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo - Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Papa Francisco no Angelus desta segunda-feira:

Santo Estêvão, testemunha da caridade, do anúncio e do perdão

“Caridade e anúncio, assim era Estêvão: ele soube unir a caridade e o anúncio. Deixou-nos seu testemunho no momento da morte, quando seguindo o exemplo de Jesus, perdoou seus assassinos”. Palavras do Papa Francisco no Angelus desta segunda-feira (26/12) festividade de Santo Estêvão Mártir.

Na festividade de Santo Estêvão Mártir, o Papa dedicou algumas palavras ao santo no Angelus desta segunda-feira (26) na Praça São Pedro. Francisco iniciou recordando que na liturgia, logo depois do Natal, são comemoradas figuras dramáticas de Santos mártires, entre eles Santo Estêvão e os Santos Inocentes, as crianças mortas pelo rei Herodes. E se pergunta o porquê, logo ressaltando que não devemos nos acomodar “porque o Natal não é a fábula do nascimento de um rei, mas a vinda do Salvador, que nos livra do mal ao tomar sobre si o nosso mal: o egoísmo, o pecado, a morte. E os mártires são os mais semelhantes a Ele”.

E explica que a palavra mártir significa testemunha: "Os mártires são testemunhas, isto é, irmãos e irmãs que, através de suas vidas, nos mostram Jesus, que venceu o mal com a misericórdia. E convida todos a se perguntarem “nós, damos testemunho dele? E como podemos melhorar nisso? Podemos ser ajudados precisamente pela figura de Santo Estêvão”.

Santo Estêvão

Santo Estêvão, continuou Francisco, como um dos sete diáconos, fora consagrado para servir à mesa, para a caridade, e isso é importante porque Estêvão não se limitava a esta obra de assistência. Isto significa que seu primeiro testemunho não foi dado em palavras, mas através do amor com o qual servia os mais necessitados.

“A todos que encontrava, falava de Jesus: compartilhava a fé à luz da Palavra de Deus e dos ensinamentos dos Apóstolos”

O Papa em seguida afirmou que a segunda dimensão de seu testemunho é “acolher a Palavra e comunicar sua beleza, contar como o encontro com Jesus muda a vida”.

Caridade e anúncio

“Caridade e anúncio, assim era Estêvão. Porém, seu maior testemunho é ainda outro: ele soube unir a caridade e o anúncio. Deixou-nos seu testemunho no momento da morte, quando seguindo o exemplo de Jesus, perdoou seus assassinos”

A resposta

Eis então, continuou o Papa, a resposta à nossa pergunta: “nós podemos melhorar nosso testemunho através da caridade para com nossos irmãos e irmãs, da fidelidade à Palavra de Deus e do perdão. Caridade, Palavra, Perdão. É o perdão que diz se realmente praticamos a caridade para com os outros e se vivemos a Palavra de Jesus”.

Por fim Francisco nos aconselha “Pensemos em nossa capacidade de perdoar, nestes dias em que talvez encontremos, entre muitas outras, algumas pessoas com as quais não nos damos bem, que nos feriram, com as quais nunca mais fizemos as pazes. Peçamos a Jesus recém-nascido a novidade de um coração capaz de perdoar: a força para rezar por aqueles que nos feriram e para dar passos de abertura e de reconciliação”.

Jane Nogara - Vatican News

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Assista:

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O primeiro mártir Santo Estêvão

e os cristãos perseguidos hoje

No dia em que a Igreja celebra Santo Estêvão, o proto-mártir e protomártir, o relatório de Ajuda a Igreja que Sofre nos convida a lembrar os cristãos perseguidos no mundo de hoje. Um número crescente em meio à violência, abuso e fechamento forçado de igrejas. Jihadistas e nacionalistas estão impulsionando o aumento da perseguição aos cristãos em todo o mundo, conforme aponta a edição atualizada do “Relatório Perseguidos mas não Esquecidos: 2020-22”.

A fundação Pontifícia ACN - Ajuda à Igreja que Sofre - lançou em 22 de novembro, a edição atualizada do “Relatório Perseguidos mas não Esquecidos: 2020-22”, um levantamento sobre os cristãos oprimidos por sua fé nos últimos dois anos.

O relatório inclui informações da ACN e de fontes locais, com testemunhos exclusivos, compilações de incidentes, estudos de caso e análises de países sobre até que ponto os cristãos são alvo de perseguição.

“Perseguidos mas não Esquecidos: 2020-22” aponta que em 75% dos 24 países pesquisados, a opressão ou perseguição aos cristãos aumentou.

A África viu um aumento acentuado na violência terrorista de militantes não estatais - com mais de 7.600 cristãos nigerianos supostamente assassinados entre janeiro de 2021 e junho de 2022.

Em maio de 2022, um vídeo foi divulgado mostrou 20 cristãos nigerianos sendo executados pelo grupo terrorista islamista Boko Haram / ISWAP.

Na Ásia, o autoritarismo estatal levou ao agravamento da opressão. O levantamento mostra a Coreia do Norte como o pior país no continente, onde a crença e a prática religiosa são rotineira e sistematicamente reprimidas.

O nacionalismo religioso desencadeou uma crescente violência contra os cristãos na região, com grupos nacionalistas budistas cingaleses e hindus cingaleses ativos na Índia e no Sri Lanka, respectivamente. As autoridades prenderam fiéis e interromperam os cultos da Igreja.

A Índia registrou 710 incidentes de violência anticristã entre janeiro de 2021 e o início de junho de 2022, impulsionados em parte pelo extremismo político.

Durante um comício em massa em Chhattisgarh, em outubro de 2021, membros do Partido Bharatiya Janata (BJP) aplaudiram quando o líder religioso hindu de direita Swami Parmatmanand pediu que os cristãos fossem mortos.

O estudo constatou que, no Oriente Médio, uma crise migratória ameaça a sobrevivência de algumas das comunidades cristãs mais antigas do mundo.

Na Síria, os cristãos despencaram de 10% da população para menos de 2% – caindo de 1,5 milhão pouco antes do início da guerra para cerca de 300.000 hoje.

Embora a taxa de êxodo seja mais lenta no Iraque, uma comunidade que contava com cerca de 300.000 cristãos antes da invasão de 2014 pelo grupo Estado Islâmico, caiu pela metade, para 150.000 na primavera de 2022.

O Relatório também mostra que em países tão diversos como o Egito e o Paquistão, as meninas cristãs são rotineiramente sujeitas a sequestros e estupros sistemáticos.

O autor do relatório, John Pontifex, disse: "Perseguidos mas não Esquecidos: 2020-22” fornece testemunho em primeira mão e estudos de caso provando que em muitos países os cristãos estão sofrendo perseguição – façamos tudo o que pudermos para mostrar que eles não são esquecidos".

Confira o Relatório "Perseguidos mas não Esquecidos: 2020-22” na íntegra, na página da ACN-Brasil: https://www.acn.org.br/relatorio-sobre-os-cristaos-perseguidos/

Sobre a ACN (Ajuda à Igreja que Sofre)

A ACN (Ajuda à Igreja que Sofre) é uma Fundação Pontifícia que auxilia a Igreja por meio de informações, orações e projetos de ajuda a pessoas ou grupos que sofrem perseguição e opressão religiosa e social ou que estejam em necessidade. Fundada no Natal de 1947, a ACN tornou-se uma Fundação Pontifícia da Igreja em 2011. Todos os anos, a instituição atende mais de 5.000 pedidos de ajuda de bispos e superiores religiosos em cerca de 130 países, incluindo: formação de seminaristas, impressão de Bíblias e literatura religiosa - incluindo a Bíblia da Criança da ACN com mais de 51 milhões de exemplares impressos em mais de 190 línguas; apoia padres e religiosos em missões e situações críticas; construção e restauração de igrejas e demais instalações eclesiais; programas religiosos de comunicação; e ajuda aos refugiados e vítimas de conflitos.

Santo Estêvão Proto-mártir

Santo Estêvão é chamado Proto-mártir, por ser o primeiro mártir da história da Igreja.

Seu martírio ocorreu entre o ano 31 e 36 da era Cristã.

Nos Atos dos Apóstolos encontramos um longo relato sobre o martírio de Estêvão, que foi um dos sete primeiros Diáconos, nomeados e ordenados pelos Apóstolos.

“Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Por isso, levantaram-se alguns representantes da Sinagoga e começaram a discutir com Estêvão, mas não puderam resistir à sua sabedoria e Espírito com as quais falava”.

Em um longo discurso, Estêvão evoca a história do povo de Israel, dizendo: “Homens de cerviz dura, incircuncisos de coração e de ouvidos, resistis sempre ao Espírito Santo. Vós sois como os vossos pais, que mataram os profetas. Vós recebestes a Lei, promulgada pelo ministério dos anjos, e não a guardastes”.

Ao ouvirem estas palavras, reagiram contra ele, com dente e unha. Mas ele, cheio do Espírito Santo, tendo os olhos fixos no céu, viu a glória de Deus e Jesus sentado à sua direita. E disse: “Vejo os céus abertos e o Filho do homem à direita do Pai”.

Com um grande clamor, fecharam os olhos e começaram jogar pedras nele. Levando-o para fora da cidade, foi apedrejado até morrer. No entanto, Estevão balbuciava as palavras: “Senhor Jesus, recebei meu espírito”. Depois, ajoelhando-se, gritou em alta voz: “Senhor, não lhes imputeis este pecado... e adormeceu”.

As testemunhas presentes depuseram seu manto aos pés de um jovem, chamado Saulo.

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Saiba o que é

 a Oitava do Natal 

Entre os dias 25 de dezembro e 1º de janeiro, a Igreja celebra a Oitava do Natal. Durante oito dias, somos convidados a viver a exultação da Festa do Nascimento de Jesus. É um tempo de graças para nós católicos, que termina com a celebração da Solenidade de Maria, Mãe de Deus. 

Assim, a solenidade de Natal não se resume a um único dia, embora os oito dias da Oitava de Natal sejam celebrados como se fossem apenas um. 

A história mostra que a Oitava de Natal foi inspirada pela Oitava da Páscoa — a primeira das sete semanas que sucedem a Páscoa, assim como a oitava de Pentecostes e várias outras que, durante séculos, seguem estimulando com entusiasmo as comemorações de domingo a domingo, tendo o oitavo dia como o dia final, o da ressurreição. 

A Oitava de Natal é uma celebração litúrgica que nos lembra a Encarnação de Jesus, que se fez homem para salvar a humanidade. 

No calendário litúrgico, há outras festas além da Oitava de Natal, todas com seu grau de importância para a data. 

Por exemplo, no dia 26, somos convidados a celebrar a festa de Santo Estevão, o primeiro mártir a testemunhar a verdade da pessoa de Jesus. 

No dia 27, celebramos São João Apóstolo e Evangelista, que fala mais profundamente sobre o mistério da encarnação. Em 28 de dezembro, temos a festa dos Santos Inocentes, que fortalece o sentido do Natal de Jesus, uma vez que Maria e José fugiram com Ele para o Egito devido à ordem de Herodes.  

Também celebramos a festa da Sagrada Família no dia 30 de dezembro, momento em que Jesus nasce em uma família para salvar a nossa, mostrando a importância da família em nossa experiência de vida. 

A Oitava de Natal termina com a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. É uma celebração que fala de Maria com Mãe, condição decorrente do “sim” a Deus, profundo, convicto e sincero de Nossa Senhora. 

A Oitava de Natal deve ser vivida de forma pessoal, com a oração do terço e a contemplação do mistério da encarnação — porque Jesus, quando fala conosco, é único. Assim, devemos mostrar alegria e contemplação quando evocamos Jesus Cristo. Um hábito importante é sinalizar nossas casas com velas e luzes, como um sinal de felicidade pelo nascimento do Menino Jesus. Sempre participar da missa é outra ação que nós católicos devemos priorizar. 

O nascimento do Menino Jesus é a materialidade do amor verdadeiro, aquele que vem nos salvar, que dá sua vida por nós e que deixa ao nosso alcance os sentimentos de amor, de paz, de felicidade, de contemplação… Tudo está ao nosso alcance, mas temos que fazer a nossa parte. Devemos escolher e devemos seguir, confiantes e abertos para Jesus Cristo.   

De nada adianta participarmos das celebrações, dos ritos, dos eventos, se não estivermos ali, com fé em Cristo. Devemos dar o primeiro passo, com fé. Jesus nos amou sem nada esperar em troca. E mostrou que todos temos o poder do amor.  

Saudações em Cristo! 

Dom Eurico dos Santos Veloso - Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG) 
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                                                         Fonte: cnbb.org.br    Ilustraçãocndiocesedeuruacu.com.br