A Conferência
Nacional dos Bispos (CNBB) traz como o tema da Campanha da
Fraternidade 2018 , "Fraternidade e superação da violência", tendo
como lema "Em Cristo somos todos irmãos(Mt
23,8)".
Além de mapear a
violência, colocará também em evidência as iniciativas que existem para
superá-la, bem como despertar novas propostas com esse objetivo. A Igreja no
Brasil escolheu o tema da superação da violência devido ao crescimento dos índices
de violência no Brasil.
Esse tema já foi
discutido na década de 80, num contexto em que o país vivia a recessão militar
e dentro desse contexto foi possível mapear diversas formas de violência. Ao Portal
A12, alguns bispos refletem sobre qual mensagem a campanha quer passar esse ano
e nos convida a discernir quais tipos de violência vive-se no atual contexto da
sociedade.
A
maternidade da Igreja se prolonga na maternidade da mulher
Na homilia, o
Papa destacou três palavras que indicam como a fé deve ser transmitida: ‘filho’
– como Paulo chama Timóteo – ‘mãe e avó’ e enfim, ‘testemunho’.
Cidade do
Vaticano - A transmissão da
fé foi o fulcro da homilia proferida pelo Papa na manhã desta sexta-feira
(26/01), na Casa Santa Marta. Francisco comentou a segunda carta de São Paulo
Apóstolo a Timóteo, proposta pela liturgia do dia, quando Paulo se dirige a seu
discípulo, ressaltando a sua ‘fé sincera’.
Com efeito, foi
próprio o Apóstolo a falar a Timóteo de Cristo e da Carta, o Papa destacou três
palavras que indicam como a fé deve ser transmitida: ‘filho’ – como Paulo chama
Timóteo – ‘maternidade’ e enfim, ‘testemunho’.
Paulo – disse o
Papa – gera Timóteo com a loucura da pregação e esta é a sua paternidade. E na
leitura, fala-se também de lágrimas, porque Paulo não adoça o seu anúncio com
meias-verdades, mas o faz com coragem: “A coragem que faz com que Paulo se
torna pai de Timóteo”. É a pregação que não pode ser ‘morna’.
“A pregação –
sempre – permitam-me a palavra – ‘estapeia’, é um ‘tapa’ que te comove e te
sustenta. E o próprio Paulo diz: “A loucura da pregação”. É uma loucura, porque
dizer que Deus se fez homem e foi crucificado e depois ressuscitou… O que
disseram a Paulo os habitantes de Atenas? “Depois de amanhã te ouviremos”.
Sempre, na pregação da fé, existe uma loucura. E a tentação é o falso bom
senso, a mediocridade. “Não, não brinquemos… a fé morna”…
Hoje, em alguma
paróquia (a de vocês, não, a de vocês é uma paróquia santa! – mas pensemos em
outra. Em alguma paróquia), alguém vai, ouve o que diz esta pessoa da outra,
daquela outra, daquela, daquela... Ao invés de dizer como se amam, dá vontade
de dizer: “Como ferem! Como se machucam … a língua é uma faca para ferir o
outro! E como você pode transmitir a fé com um ar tão viciado de fofocas,
de calúnias? Não. Testemunho. “Olha, esta pessoa jamais fala mal do outro; este
faz obra de caridade; já este quando tem alguém doente vai visitá-lo, porque
faz assim?”. A curiosidade: por que esta pessoa vive assim? E com o testemunho
nasce a pergunta do porquê ali se transmite a fé, porque tem fé, porque segue
os passos de Jesus.
E o Papa destaca
o mal que faz o contratestemunho ou o mau testemunho: tira a fé, enfraquece as
pessoas.
Mãe, avó: a
maternidade é a terceira palavra. “A fé se transmite num ventre materno, o
ventre da Igreja. Porque a Igreja é mãe, a Igreja é feminina. A maternidade da
Igreja se prolonga na maternidade da mãe, da mulher.
E Francisco
lembra ter conhecido na Albânia uma freira que durante a ditadura estava na
prisão, mas de vez em quando os guardas a deixavam sair um pouco e ela ia em
direção ao rio – tanto, eles pensavam – o que esta pobre senhora pode fazer. E
ao invés, continua o Papa, ela era esperta e as mulheres sabiam quando ela saia
e levavam seus filhos para que as batizasse escondido com a água do rio. Um
belo exemplo, conclui.
Mas eu me
pergunto: as mães, as avós, são como essas duas de que fala Paulo: “Também sua
avó Lóide e sua mãe Eunice” que trasmitiram a fé, a fé sincera? Um
pouco.... diz: “Mas sim, aprenderá quando fará o catecismo. Mas eu lhes digo,
fico triste quando vejo crianças que não sabem fazer o sinal da Cruz e fazem um
desenho assim.... porque falta a mãe e a avó que ensine isso a elas. Quantas
vezes penso nas coisas que se ensinam para a preparação do matrimônio, na
noiva, que será mãe: é ensinado que ela deve transmitir a fé?
"Peçamos ao
Senhor que nos ensine como testemunhas, como pregradores e também às mulheres,
como mães, a transmitir a fé", conclui o Papa.
Promover a inteligência da fé no Deus revelado em Cristo
A Pontifícia
Academia de Teologia se coloca como lugar de debate e diálogo para a
comunicação do Evangelho em contextos sempre novos, deixando-se instigar pelas
urgências que chegam da humanidade sofredora para oferecer a contribuição de um
pensamento de fé, incarnado e solidário, afirmou o Papa.
Cidade do
Vaticano - A Academia é chamada a colher sua identidade como promotora de um
encontro entre teologia, filosofia e ciências humanas, a fim de que o boa
semente do Evangelho produza fruto no vasto campo do saber. Foi o que disse o
Papa Francisco ao receber em audiência esta sexta-feira (26/01) na Sala do
Consistório, no Vaticano, os membros da Pontifícia Academia de Teologia, ao
todo, cerca de 50.
Criada pelo Papa
Clemente XI em 23 de abril de 1718, a instituição celebra este ano três séculos
de vida. Diante de tal ocorrência, Francisco ressaltou que a celebração de um
aniversário é sempre um momento de alegria, de ação de graças pelo que foi
vivido no passado e, ao mesmo tempo, um compromisso para o futuro.
Ocasião para
renovado impulso da própria missão na Igreja
“Três séculos de
vida constituem certamente um alcance significativo, mas não devem ser ocasião
nem para olhar de forma narcisista para si mesmos, nem para voltar-se de
maneira saudosista ao passado. Pelo contrário, representam o estímulo para uma
renovada consciência da própria identidade e para um novo impulso da própria
missão na Igreja", observou o Pontífice.
Em seguida,
Francisco fez alguns acenos históricos ressaltando que ao longo do tempo a
Pontifícia Academia de Teologia passou por várias mudanças de estrutura e de
organização para responder aos sempre novos desafios apresentados pelos vários
contextos sociais e eclesiais nos quais se encontrou.
Chamados a
investigar e aprofundar temas teológicos de grande importância
Tendo nascido
como lugar de formação teológica dos eclesiásticos num momento em que outras
instituições resultavam carentes e inadequadas para tal finalidade, quando a
mudança da situação histórica e cultural fez cessar essa exigência, “a Academia
assumiu a fisionomia – que hoje possui – de um grupo de estudiosos chamados a
investigar e aprofundar temas teológicos de particular relevância",
destacou o Papa.
“Para além das
várias transformações, há, porém, um elemento constante que caracteriza a
Academia: estar a serviço da Igreja com o objetivo de promover, estimular e
auxiliar em suas várias formas a inteligência da fé no Deus que se revelou em
Cristo; fiel ao magistério da Igreja e aberta às instâncias e aos desafios da
cultura, ela se coloca como lugar de debate e diálogo para a comunicação do
Evangelho em contextos sempre novos, deixando-se instigar pelas urgências que
chegam da humanidade sofredora para oferecer a contribuição de um pensamento de
fé, incarnado e solidário.”
Desde sua
origem, relação com instituições universitárias e educacionais
O Pontífice
ateve-se ainda a um ulterior aspecto que desde a sua origem caracterizou a
Academia: trata-se da relação com as outras instituições universitárias e
educacionais romanas, começando pela Universidade ‘La Sapienza’, passando pelas
Escolas do Seminário Romano, até chegar àquelas que mais tarde se tornaram as
Pontifícias Universidades de Roma.
Os contínuos
contatos – numa relação de intercâmbio cultural recíproco – com estas
instituições e com muitas congregações religiosas às quais pertenceram e
pertencem seus membros, permitiram que a Pontifícia Academia de Teologia jamais
tenha sido considerada isolada e autônoma, mas tenha desempenhado seu papel
inserida num entrelaçamento de relações enriquecedoras para todos os
interlocutores, frisou o Papa.
“Olhando para
esse passado, a Academia é chamada ainda hoje a colher sua identidade não numa
perspectiva autorreferencial, mas como promotora de um encontro entre teologia,
filosofia e ciências humanas, a fim de que a boa semente do Evangelho produza
fruto no vasto campo do saber”, concluiu Francisco.
encontro para lideranças da comissão paroquial "família"
A Comissão
"Comunidade de fé a serviço das famílias" realiza no dia 18 de
fevereiro, entre 08h e 16h, o Encontro Anual formativo para lideranças da
comissão paroquial família. A reunião será no Seminário Arquidiocesano Nossa
Senhora Auxiliadora, em Pouso Alegre, tendo início pontualmente com a Santa
Missa.
O tema escolhido
para esse dia de reflexão é o documento número 107 da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB): "Iniciação à vida Cristã - itinerário para formar
discípulos missionários".
Segundo o
Coordenador, padre Lucimar Goulart, o objetivo é "conformar a Cristo as
lideranças missionárias para uma vida apostólica em conformidade com Ele".
São esperados
entre dois e quatro participantes de cada paróquia, sendo dois pela comissão
família e outros dois pela equipe central da assessoria paroquial. O
investimento é de R$ 25,00 por pessoa.As inscrições devem ser feitas até o dia
05 de fevereiro, pela Secretaria de Pastoral, pelo email:
secretaria.pastoral.pa@hotmail.com ou pelos telefones: (35) 3421-1248/
3421-1266/ 9.9840-6577 (WhatsApp). Na mensagem deve conter o nome completo dos
participantes e o nome da Paróquia e município.
Equipes Paroquiais de Assessoria têm encontro em fevereiro
A Comissão de
Pastoral da Arquidiocese de Pouso Alegre convida os membros das assessorias
paroquiais para o primeiro encontro deste ano, que será realizado no dia 18
de fevereiro no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, em
Pouso Alegre.
Como de costume,
o encontro terá início às 08h com a Santa Missa, e deve terminar por volta das
16h. As inscrições devem ser feitas até o dia 09 de fevereiro junto à
Secretaria de Pastoral pelo email: secretaria.pastoral.pa@hotmail.com ou pelos
telefones: (35) 3421-1248/ 3421-1266/ 9.9840-6577 (WhatsApp). São convidados
dois membros de cada Paróquia, com um investimento de R$ 25,00 por pessoa.
"Pedimos
encarecidamente que as presenças sejam confirmadas com antecedência para que
todos os participantes possam ser atendidos a contento e a equipe da cozinha
possa trabalhar com tranquilidade. Aguardamos pela essencial presença das
equipes de assessoria das paróquias e desde já agradecemos pelo compromisso com
nossas prioridades pastorais, fazendo crescer o Reino de Deus entre nós",
finalizou o Coordenador de Pastoral, padre Mauro Ricardo de Freitas.
Pertencemos à
mesma família de irmãos e irmãs amados pelo único Deus
Francisco
convidou os cristãos a, armados somente de Jesus e da doce força de seu
Evangelho, enfrentar todo desafio com coragem e esperança. Celebração das
Segundas Vésperas encerrou a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
Celebração das Segundas Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros
Cidade do
Vaticano - “Também os cristãos de hoje encontram no caminho muitas
dificuldades, circundados por tantos desertos espirituais, que tornam áridos a
esperança e a alegria.” Foi o que disse o Papa Francisco na celebração das
Segundas Vésperas desta quinta-feira, 25 de janeiro, festa da Conversão de São
Paulo, cuja liturgia foi presidida pelo Pontífice na Basílica de São Paulo Fora
dos Muros.
Com uma
assembleia ecumênica, a celebração concluiu a Semana de Oração pela Unidade dos
Cristãos, que a Igreja no Brasil realiza entre a Ascensão e Pentecostes.
Francisco saudou
o representante do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, o representante em
Roma do Arcebispo de Cantuária e Primaz da Igreja Anglicana, demais
representantes e membros das várias Confissões cristãs, bem como a Delegação
ecumênica da Finlândia.
Em sua homilia,
tendo partido da leitura do livro do Êxodo proposta na liturgia, Francisco
afirmou que a história da salvação de Moisés das águas prefigura uma salvação
maior, a de todo o povo, que Deus teria feito passar pelas águas do Mar
Vermelho, arremessando-as depois sobre seus inimigos.
Santo Agostinho
interpreta o Mar Vermelho, onde Israel viu a salvação de Deus, como sinal
antecipador do sangue de Cristo crucificado, fonte de salvação, frisou o Santo
Padre.
Todos nós
cristãos, disse Francisco, “passamos através das águas do Batismo, e a graça do
Sacramento destruiu nossos inimigos, o pecado e a morte. Saídos das águas
alcançamos a liberdade dos filhos; emergimos como povo, como comunidade de
irmãos salvos, como ‘concidadãos dos santos e familiares de Deus”.
“Na vida
experimentamos a ternura de Deus, que em nossa cotidianidade nos salva
amorosamente do pecado, do medo e da angústia. Essas experiências preciosas
devem ser guardadas no coração e na memória.”
Também São
Paulo, de quem hoje celebramos a conversão, fez a forte experiência da graça,
que o chamou a tornar-se, de perseguidor, a apóstolo de Cristo, acrescentou o
Santo Padre.
“Na medida em
que crescemos na vida espiritual, compreendemos sempre melhor que a graça nos
alcança junto aos outros e que deve ser partilhada com os outros. Desse modo,
quando elevo meu rendimento de graças a Deus por aquilo que fez em mim,
descubro não cantar sozinho, porque outros irmãos e irmãs entoam o meu mesmo
canto de louvor.”
As várias
confissões cristãs fizeram esta experiência, continuou o Papa. No último século
compreendemos finalmente encontrar-nos à beira do Mar Vermelho. No Batismo
fomos salvos e o canto agradecido de louvor, que outros irmãos e irmãs entoam,
nos pertence, porque é também o nosso.
“Quando dizemos
reconhecer o Batismo dos cristãos de outras tradições, confessamos que também
eles receberam o perdão do Senhor e a sua graça que atua neles. E acolhemos o
culto deles como expressão autêntica de louvor por aquilo que Deus realiza”,
disse Francisco acrescentando em tom fortemente ecumênico:
“Desejamos então
rezar juntos, unindo mais ainda nossas vozes. E mesmo quando as divergências
nos separam, reconhecemos pertencer ao povo redimido, à mesma família de irmãos
e irmãs amados pelo único Pai.”
Referindo-se às
dificuldades que os cristãos de hoje encontram no caminho, destacou graves
perigos que colocam suas vidas em perigo: “quanto irmãos hoje sofrem
perseguições por causa do nome de Jesus!”
“Quando o sangue
deles é derramado, mesmo se pertencem a outras Confissões, tornam juntos
testemunhas da fé, mártires, unidos no vínculo da graça batismal.”
Junto aos amigos
de outras tradições religiosas, ressaltou o Papa, “os cristãos enfrentam hoje
desafios que espezinham a dignidade humana: fogem de situações de conflito e de
miséria; são vítimas do tráfico de seres humanos e de outras escravidões
modernas; padecem privações e a fome, num mundo sempre rico de meios e pobre de
amor, onde continuam aumentando as desigualdades”. Francisco concluiu
convidando os cristãos a, armados somente de Jesus e da doce força de seu
Evangelho, enfrentar todo desafio com coragem e esperança.
São Lucas, nos
Atos dos Apóstolos, vai apresentar a conversão de São Paulo em três
momentos: (At 9,3-19; 22,6-16; 26,12-18).
Nestes textos encontramos a narração da conversão daquele que mudou não apenas
o próprio nome, mas o rumo da história de sua vida. De Saulo de Tarso,
tornou-se Paulo de Cristo, o grande apóstolo dos gentios.
A cidade de
Tarso se encontra onde hoje é a Turquia. Era uma cidade colônia do Império
Romano. Paulo era judeu descendente da tribo de Benjamim, totalmente enraizado
nas tradições judaicas. Ele estudou em Jerusalém na escola de Gamaliel, foi
onde conheceu a existência dos cristãos e tornou-se inimigo dos seguidores de
Cristo. Tanto que fez questão de estar presente na morte de Santo Estevão, o
primeiro mártir cristão.
Por achar que
estava sendo fiel às tradições da lei judaica, colocou-se a serviço do império
romano e recebeu autonomia para identificar, perseguir, prender e matar todos
os que professavam a fé em Jesus de Nazaré. Mas como vemos no relato dos Atos
dos Apóstolos, um dia a caminho de Damasco, com certeza perseguindo cristãos,
Paulo tem o encontro com o Ressuscitado. A luz que o atinge faz com que ele
caia por terra, e uma voz fala forte dentro de si: “Saulo, Saulo, porque
me persegues?”. Neste momento ele faz uma profunda experiência de encontro
com Cristo e a partir daquele momento se abre para a fé, impondo a si mesmo a
missão de Anunciar o Evangelho com a própria vida: “Ai de mim se eu não
pregar o Evangelho” (1Cor 9,17).
No relato da conversão
de São Paulo, aparecem vários elementos que atestam seu encontro com a
Pessoa do Cristo Ressuscitado. Primeiro, Paulo está caminho de Damasco e numa
certa altura da viagem ele é envolvido por uma luz que o faz cai por terra. Em
seguida ele ouve uma voz que o interroga e que o chama pelo nome. Paulo faz uma
pergunta de quem seria a voz que ele escuta, e rapidamente vem a afirmação que
é Jesus quem está falando com ele, o Cristo a quem ele perseguia. Após este
diálogo entre Jesus e Paulo, segue uma ordem do Ressuscitado para que ele entre
em Damasco, onde lhe será dito o que fazer, e imediatamente Paulo começa a
anunciar Jesus como Filho de Deus.
Celebrar a
Conversão de São Paulo é celebrar o chamado que Jesus faz a todos nós.
Paulo, em seu
bonito processo de conversão, passará da postura de perseguidor, a um fiel
seguidor de Jesus e um intrépido pregador do Evangelho. Como a graça de Deus
age no coração e na vida das pessoas, Paulo que antes queria destruir a
mensagem de Jesus matando os que acreditavam em sua Palavra, se tornará alguém
que não consegue mais viver sem proclamar em todos os momentos e para todas as
pessoas o Evangelho da Salvação.
Paulo é chamado
de Apóstolo das Nações, e a ele são atribuídas 13 cartas no Novo
Testamento, cartas onde ele procurava animar os cristãos das comunidades
nascentes, levando-os a perseverar na vivência do Evangelho e na fé em Cristo,
mesmo diante das perseguições: “Quem vai nos separar do amor de Cristo?” (Rom 8,35).
São Paulo vai dizer que foi alcançado por Deus (Fl 3,12), pois não existem
limites para a ação do amor misericordioso de Deus no coração da pessoa. Em 1Cor 15, 8, Paulo
vai afirmar: “Eu vi o Senhor”, isso mostra que em sua conversão ele
experimentou o Cristo Ressuscitado, a semelhança de Madalena (Jo 20,14) e
de Tomé (Jo,20-28)
e de outros apóstolos que viram o Senhor.
Por isso,
celebrar a Conversão de São Paulo é celebrar o chamado que Jesus faz a todos
nós de, no encontro com Ele, mudar a direção da vida, fazendo do Evangelho a
Palavra que ilumina todas as nossas escolhas.
Música,
apresentações e o colorido que marca a cultura do povo brasileiro deram a
tônica na abertura do 14º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de
Base (CEBs), nas proximidades do lago Igapó, em Londrina (PR). Cerca de três
mil pessoas entre leigos, padres, religiosos e bispos participaram das atividades
que deram início ao encontro que reúne delegados de todo o Brasil. Também nesta
terça, foi divulgada a mensagem enviada pelo papa Francisco aos participantes
com uma palavra de “estímulo e bênção, que possa ajudar as CEBs a trazerem aos
desafios do mundo urbano ‘um novo ardor evangelizador e uma capacidade de
diálogo com o mundo que renovam a Igreja’”.
Cerimônia de abertura
Centenas de
pessoas protagonizaram as apresentações na abertura do 14º Intereclesial, de
acordo com os organizadores. O entardecer próximo ao lago Igapó, cartão postal
da cidade paranaense, foi o cenário para o encontro das comunidades de norte a
sul do país. No gramado da Praça da Bíblia, pintado pelo colorido das
camisetas, as comunidades cantaram, dançaram, se abraçaram, silenciaram e
rezaram.
Uma orquestra
de violas deu o tom do início da celebração de abertura, recordando o
trabalhador caipira, importante para a história da construção da cidade de
Londrina. Na sequência, as apresentações culturais daqueles que se juntaram aos
londrinenses, como a colônia japonesa. Segundo a organização, “o caráter da
celebração de abertura era o de mostrar o rosto identitário do Paraná e de
Londrina”.
Na acolhida
de cada região, a música e os costumes foram representados em meio à poesia do
texto lido pelos apresentadores e no som característico da “Folia de Reis”. A
riqueza da cultura indígena também foi apresentada pelos próprios
protagonistas.
Dom Geremias Steinmetz
A cerimônia
de abertura ainda relembrou os treze encontros anteriores das CEBs com a
presença do trenzinho símbolo das CEBs do Brasil. A abertura oficial ficou por
conta do arcebispo de Londrina, dom Geremias Steinmetz, que deu as boas-vindas
aos participantes e, à luz do livro do Êxodo que estampa o lema do evento,
quando já escurecia, celebrou a partilha da Palavra. Em sua reflexão,
falou que “Javé se apresenta como aquele que é perenemente fiel. É o Deus
dos oprimidos, é profundamente sensível aos sofrimentos do povo”, destacando
que é “um Deus que se compromete com a história”, aspecto presente na vida das
CEBs. Dom Geremias ainda insistiu sobre a importância de uma metodologia
adequada que permita “abordar o homem e a mulher da cidade, tão distante e
perdido, especialmente das periferias”.
A entrada dos
ícones do 14º intereclesial, a Cruz e a imagem de Nossa Senhora do Rocio,
emocionou o público.
Mensagem do
papa
No texto
enviado a dom Geremias Steinmetz e assinado pelo secretário de Estado do
Vaticano, cardeal Pietro Parolin, é lembrado o lema do intereclesial “Eu vi e
ouvi o clamor do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3, 7-8): “Deus nunca é
indiferente ao sofrimento do seu povo, enviando Moisés, para salvar o povo
hebreu da escravidão do Egito e, na plenitude dos tempos, enviando o seu Filho
Unigênito, Jesus Cristo, para nos libertar da escravidão do pecado e da morte”,
recorda. “Essa ação redentora, que celebramos com fé na Liturgia, deve depois
se manifestar numa vida pessoal onde brilhe a luz do Evangelho, isto é, numa
existência inspirada no amor e na solidariedade, que é a linguagem do amor”,
continua.
Papa Francisco
Unido espiritualmente
à Assembleia do 14º Intereclesial, Francisco “invoca do Altíssimo a abundância
dos seus dons e luzes sobre todos os presentes, de modo que, ouvindo o clamor
dos pobres e famintos de Deus, de justiça e de pão, as Comunidades Eclesiais de
Base possam ser, na sociedade e Nação brasileira, um instrumento de
evangelização e de promoção da pessoa humana — sempre em comunhão com a
realidade paroquial e com as diretrizes da Igreja local — capaz de vir encontro
aos terríveis efeitos da cultura do ‘descarte’, que leva tantos irmãos e irmãs
a viverem excluídos, numa exclusão que fere ‘na própria raiz, a pertença à
sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder
já não está nela, mas fora”.
Ao final, o
cardeal Parolin informa que o papa Francisco deposita os votos e preces aos pés
de Nossa Senhora Aparecida e concede aos participantes e suas famílias,
comunidade de base, paróquias e dioceses, “uma propiciadora Bênção Apostólica”,
além de pedir que “não deixem de rezar por ele”.
Leia a carta
na íntegra:
“O Papa
Francisco, informado do XIV Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de
Base, que terá lugar na Arquidiocese de Londrina, de 23 a 27 de janeiro de
2018, deseja transmitir aos participantes vindos de todos os cantos do Brasil a
sua palavra de estímulo e bênção, que possa ajudar as CEBs a trazerem aos
desafios do mundo urbano “um novo ardor evangelizador e uma capacidade de
diálogo com o mundo que renovam a Igreja” (Exort. ap. Evangelii gaudium, 29).
Com efeito, como vê-se pelo lema do Encontro — “Eu vi e ouvi o clamor do meu
povo e desci para libertá-lo” (Ex 3, 7-8) — Deus nunca é indiferente ao
sofrimento do seu povo, enviando Moisés, para salvar o povo hebreu da
escravidão do Egito e, na plenitude dos tempos, enviando o seu Filho Unigênito,
Jesus Cristo, para nos libertar da escravidão do pecado e da morte. Essa ação
redentora, que celebramos com fé na Liturgia, deve depois se manifestar numa
vida pessoal onde brilhe a luz do Evangelho, isto é, numa existência inspirada
no amor e na solidariedade, que é a linguagem do amor. Assim o Santo Padre,
unido espiritualmente a essa Assembleia, invoca do Altíssimo a abundância dos
seus dons e luzes sobre todos os presentes, de modo que, ouvindo o clamor dos
pobres e famintos de Deus, de justiça e de pão, as Comunidades Eclesiais de
Base possam ser, na sociedade e Nação brasileira, um instrumento de
evangelização e de promoção da pessoa humana — sempre em comunhão com a
realidade paroquial e com as diretrizes da Igreja local (cf. Ibidem, 29) —
capaz de vir encontro aos terríveis efeitos da cultura do “descarte”, que leva
tantos irmãos e irmãs a viverem excluídos, numa exclusão que fere “na própria
raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na
periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são
“explorados”, mas resíduos, sobras” (Ibidem,53). Como penhor destes votos e
preces, que em espírito deposita aos pés de Nossa Senhora Aparecida, o Papa Francisco
de todo coração, concede aos participantes, extensiva às suas famílias,
comunidade de base, paróquias e dioceses, uma propiciadora Bênção Apostólica,
pedindo que, por favor, não deixem de rezar por ele”.
A busca da
verdade é o mais radical antídoto ao vírus da falsidade
Mensagem de
Francisco aos comunicadores
Cidade do
Vaticano - Nesta quarta-feira, 24 de janeiro, memória de São Francisco de
Sales, padroeiro da imprensa católica, foi divulgada por ocasião do Dia Mundial
das Comunicações Sociais a mensagem do Papa Francisco aos comunicadores de todo
o mundo. O tema é: "A verdade vos tornará livres (Jo 8,32). Fake News e
jornalismo de paz".
Numa mensagem
articulada em 4 pontos, o Papa Francisco pede aos homens da comunicação que
voltem aos fundamentos de sua profissão, ou melhor, à sua “missão”: “ser
guardiões das notícias”.
O tema da
mensagem é de grande atualidade, no entanto, o Papa recorda que já em 1972 o
seu predecessor Paulo VI escolhera para o Dia das Comunicações Sociais o tema
da informação “a serviço da verdade”.
Precisamos de um
jornalismo que “não queime as notícias”, mas busque sempre a verdade e seja
sempre “comprometido a indicar soluções alternativas às “escalation” do clamor
e da violência verbal”.
A desinformação
desacredita as pessoas e fomenta conflitos
Na primeira
parte da Mensagem, o Papa analisa o fenômeno das “fake news”. As falsas
notícias, observa, visam “enganar e até mesmo manipular o destinatário”.
Observa que às vezes sua difusão visa “influenciar as escolhas políticas e
favorecer os lucros económicos”. Hoje em dia, sua difusão “pode contar com um
uso manipulador das redes sociais” que tornam “virais” as notícias falsas.
O drama da
desinformação, adverte Francesco, é “o descrédito do outro, a sua representação
como inimigo” que pode até mesmo “fomentar conflitos”. Francisco destaca que
muitas vezes afunda suas raízes “na sede de poder” que “se move de falsidade em
falsidade para nos roubar a liberdade do coração”.
Fake news
baseiam-se na “lógica da serpente”, nunca são inofensivas
Todos, exorta a
Mensagem, somos chamados a contrastar essas falsidades e chamar a atenção para
as “iniciativas educativas” que ajudam a “não ser divulgadores inconscientes de
desinformação, mas atores do seu desvendamento”. E aqui o Papa, voltando ao
Livro do Gênesis, observa que, na base das notícias falas, há a “lógica da
serpente” que, de alguma forma, tornou-se “artífice da primeira fake news”.
O tentador,
lê-se na Mensagem, “assume uma aparência credível” e concentra-se "na
sedução que abre caminho no coração do homem com argumentos falsos e
sedutores”. Precisamente como as notícias falsas. Este episódio bíblico mostra
que “nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo
que é falso produz consequências nefastas”, já que também “uma distorção da
verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos”.
A busca da
verdade é o mais radical antídoto ao vírus da falsidade
“Quem mente a si
mesmo e escuta as próprias mentiras – escreve Francisco citando Dostoevskij,
autor que muito aprecia - chega ao ponto de já não poder distinguir a verdade”.
E precisamente a verdade, sublinha a Mensagem, é o antídoto mais radical ao
“vírus da falsidade”.
Portanto,
ampliando o horizonte, o Papa enfatiza que a “libertação da falsidade e a busca
do relacionamento” são os “dois ingredientes que não podem faltar, para que as
nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, autênticos e fiáveis”.
O jornalista
seja “guardião das notícias”, vencendo a lógica do scoop
As pessoas e não
as estratégias, sublinha o Papa, são o melhor “antídoto contra falsidades”. As
pessoas, acrescenta, que “livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através
da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade”. Evidencia assim a
responsabilidade dos jornalistas ao informar.
O jornalista,
observa a Mensagem, é o “guardião das notícias” e tem a tarefa, “no frenesi das
notícias e na voragem dos “scoop”, de lembrar que, no centro da notícia, não
estão a velocidade em comunicá-la nem o impacto sobre a “audience”, mas as
pessoas”.
Promover um
jornalismo de paz que cria comunhão
A Mensagem de
Francisco termina com um forte apelo para um “jornalismo da paz”. Não se trata,
adverte, de um "jornalismo «bonzinho», que negue a existência de problemas
graves”, mas de um jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a
“slogans” sensacionais e a declarações bombásticas”. Serve, escreve o Papa, um
jornalismo “feito por pessoas para as pessoas, um jornalismo como “serviço”,
que dê voz a quem não tem voz.
O documento se
conclui com uma oração inspirada em São Francisco. Fazei-nos reconhecer o mal
que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão, é a invocação do Papa,
“onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade; e onde houver
falsidade, fazei que levemos verdade”.(Alessandro
Gisotti – Silvonei José)
As fake news são
um dos elementos que envenenam as relações. São notícias com sabor de verdade,
mas de fato infundadas, parciais, ou até mesmo falsas., alerta o prefeito da
Secretaria para a Comunicação
Mons. Dario Edoardo Viganò
Cidade do
Vaticano - Foi divulgada
hoje, como é tradição, a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das
Comunicações Sociais, intitulada «“A verdade vos tornará
livres”. (Jo 8,32) Fake News e jornalismo de paz». Pedimos a Mons. Dario Edoardo
Viganò, prefeito da Secretaria para a Comunicação, uma primeira reflexão sobre
o texto.
Vaticannews.va:Mons. Viganó, a
deste ano é a segunda mensagem do Santo Padre desde quando é “atuante” a
Secretaria para a Comunicação. O que os dois textos têm em comum é o horizonte
bíblico, já lembrado pelo título: “Não tenhas medo, que Eu estou contigo” (Is
43, 5), em 2017; “A verdade vos tornará livres”. (Jo 8,32), em 2018.
Mons. Dario Edoardo Viganò:Não é uma
escolha casual. De fato, toda a mensagem, mesmo em suas notas de atualidade, é
baseada em uma forte raiz bíblica, bem como a do ano passado. O Santo Padre,
desde o início do texto, lembra os episódios de Caim e Abel e da Torre de Babel
(Gen 4: 1-16; 11: 1-9), precisamente para explicar que quando “o homem segue o
seu próprio orgulhoso egoísmo, também pode fazer um uso distorcido da faculdade
de comunicar”. Como podemos esquecer a Carta aos Hebreus? “Muitas
vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem
constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo”
(Heb, 1: 1-2). Toda a história da salvação, isto é, da aliança renovada
continuamente por Deus fiel ao povo muitas vezes infiel, é um diálogo
interligado com chamadas, chamadas e bençãos. Até a manifestação de Jesus que,
como o texto diz, é a Verdade. Esta é a pedra angular da mensagem, sobre a qual
se baseiam depois as reflexões e o convite final do Papa para “promover um
jornalismo de paz”. “Eu sou a verdade” (Jo 14, 6) não é uma afirmação
conceitual ou um conhecimento abstrato. Em Cristo, as duas naturezas, a humana
e a divina, não se confundem, mas se co-pertencem em uma unidade pessoal. A
revelação de Deus em Cristo conserva a alteridade, tornando assim a verdade
marcada pelo relacionamento. Somente isso liberta o homem: “A verdade vos
tornará livres” (Jo 8, 32).
Vaticannews.va: Portanto, uma
forte referência à qualidade das relações que vem do cenário bíblico.
Mons. Dario Edoardo Viganò: Na perspectiva
relacional, fica claro o quanto a comunicação possa construir e quanto possa
matar. Cain e Abel, bem como a Torre de Babel, são a prova clara disso. Não só
... Há um belo texto de Dostoevskij, que o Santo Padre cita na mensagem: «Quem
mente a si mesmo e escuta as próprias mentiras, chega a pontos de já não poder
distinguir a verdade dentro de si mesmo nem ao seu redor, e assim começa a
deixar de ter estima de si mesmo e dos outros. Depois, dado que já não tem
estima de ninguém, cessa também de amar, e então na falta de amor, para se
sentir ocupado e distrair, abandona-se às paixões e aos prazeres triviais e,
por culpa dos seus vícios, torna-se como uma besta; e tudo isso deriva do
mentir contínuo aos outros e a si mesmo» (Os irmãos Karamazov, II, 2).
Interroguemo-nos, portanto sobre a qualidade do nosso relacionamento com os
outros e conosco mesmo. “A comunicação humana - recorda o Papa - é uma
modalidade essencial de viver a comunhão”. Mas se nossos relacionamentos são
envenenados, de que comunhão poderíamos viver?
Vaticannews.va: Para complicar
as coisas, então, há falsas notícias, as chamadas fake news. Não são também
elas essa causa desse envenenamento?
Mons. Dario Edoardo Viganò: As fake news são
um dos elementos que envenenam as relações. São notícias com sabor de verdade,
mas de fato infundadas, parciais, ou até mesmo falsas. Nas fake news o problema
não é a não veracidade, que é muito evidente, mas a verossimilhança. Na
mensagem, o Santo Padre fala muito disso, lembrando a estratégia usada pela
“serpente astuta”, da qual o Livro do Gênesis fala, “a qual, nos primórdios da
humanidade, tornou-se a autora da “primeira fake news” (cfr Gn. 3,1-15), o que
levou às trágicas consequências do pecado, concretizando-se depois no primeiro
fratricídio (cfr Gn 4) e em outras formas inumeráveis forma de mal contra Deus,
o próximo, a sociedade e a criação”. É difícil reconhecer as fake news porque
tem uma fisionomia mimética: é a dinâmica do mal que sempre se apresenta como
um bem facilmente alcançável. A eficácia dramática deste gênero de conteúdos
está precisamente no mascarar a própria falsidade, na capacidade de se apresentar
como plausíveis para alguns agindo sobre competências, expectativas,
preconceitos enraizados dentro de grupos sociais mais ou menos amplos. Por esta
razão, as fake news são particularmente insidiosas, dotadas de uma capacidade
de capturar a atenção dos destinatários de modo notável. Aspectos acentuados
pelo papel das redes sociais na iniciação e propagação, que, unidos a um uso
manipulador, acabam levando a formas de intolerância e ódio.
Vaticannews.va: Qual o antídoto
para o veneno das fake news?
Mons. Dario Edoardo Viganò: As falsas
notícias, de fato, surgem do preconceito e da incapacidade de ouvir. “O melhor
antídoto contra as falsidades – escreve o Santo Padre na mensagem - é deixar-se
purificar pela verdade”. Só assim podemos contrastar, desde o seu surgimento,
preconceitos e surdez, que não fazem nada senão interromper toda forma de
comunicação, fechando tudo em um círculo vicioso. A capacidade de ouvir e,
portanto, de diálogo exige uma maturidade humana que favoreça adaptações às
diversas e inesperadas circunstâncias. A comunicação não é apenas transmissão
de notícias: é disponibilidade, enriquecimento mútuo, relacionamento. Somente
com um coração livre e capaz de escuta atenta e respeitosa, a comunicação pode
construir pontes, oportunidades de paz sem fingimentos. Tudo isso nos exorta a
não desistir na busca e na propagação da verdade, especialmente na educação dos
jovens. Como recordava Paulo VI (cfr. Mensagem 1972: “As Comunicações sociais a
serviço da verdade”): “O homem, e mais ainda o cristão, nunca abdicará jamais
de sua capacidade de contribuir para a conquista da verdade: não só aquela
abstracta ou filosófica, mas também aquela concreta e cotidiana de cada
acontecimento: se o fizesse, prejudicaria sua própria dignidade pessoal”.
Vaticannews.va: De que maneira
os jornalistas e as instituições podem colocar em prática essa mensagem?
Mons. Dario Edoardo Viganò: Em primeiro
lugar, penso que seja colocar novamente no centro do debate a responsabilidade
pela comunicação. Esse valor, junto com a liberdade de expressão, é capaz de
tornar a comunicação mesma lugar de escuta, de diálogo e até mesmo de
dissidência, ainda que nas formas da dialética normal da interação. Portanto,
partindo dos requisitos básicos exigidos pela deontologia profissional, é
necessário reconstruir o contexto para que os fatos relatados possuam uma luz
autêntica sem sombras de meias verdades ou de verossimilhanças. Neste processo,
creio que tanto os cidadãos como as instituições devem encontrar novas formas
de alianças que vão da escola à política até às federações profissionais. Caso
contrário, a profissão jornalística perderá além da credibilidade também a sua
identidade.
"Pude
encontrar o povo de Deus em caminho naquelas terras e encorajar o
desenvolvimento social destes países", disse o Papa na catequese.
Cidade do
Vaticano - O Papa
dedicou a Audiência Geral desta quarta-feira a sua recente Viagem Apostólica ao
Chile e Peru.
Dirigindo-se
aos presentes reunidos na Praça S. Pedro, Francisco agradeceu ao Senhor
"porque tudo correu bem. Pude encontrar o povo de Deus em caminho naquelas
terras e encorajar o desenvolvimento social destes países".
O Papa também
agradeceu às autoridades civis e aos bispos que o acolheram com "tanta
atenção e generosidade, assim como aos colaboradores e voluntários", cerca
de 20 mil, sobretudo jovens, em cada país.
Chile
Francisco
estava atento ao que acontecia no Chile antes de sua chegada, quando houve
manifestações por vários motivos, o que - disse ele - "torna ainda mais
atual e vivo" o lema da visita: "Dou-vos a minha paz".
"A paz não só a cada um de nós, mas também ao mundo, nesta III Guerra
Mundial em pedaços. Rezem pela paz."
O Santo Padre
rcordou encontro por encontro. Com as autoridades políticas, "encorajei o
caminho da democracia chilena como espaço de encontro solidário e capaz de
incluir as diversidades", indicando como método "o caminho da
escuta", em particular "dos pobres, dos jovens, dos idosos e dos
imigrantes", assim como "a escuta da terra".
As
Bem-aventuranças ressoaram na primeira Missa celebrada pela paz e a justiça,
especialmente "Bem-aventurado os pacificadores, porque serão chamados
filhos de Deus", o que pode ser testemunhado com o "estilo da
proximidade, da partilha, fortalecendo assim, com a graça de Cristo, o tecido
da comunidade eclesial e de toda a sociedade".
Prisão
feminina
"Neste
estilo de proximidade contam mais os gestos do que as palavras",
disse o Papa, ao recordar a visita à penitenciária feminina em Santiago:
"Os
rostos daquelas mulheres, muitas das quais jovens mães, com os seus pequenos
nos braços, apesar de tudo manifestavam tanta esperança. Encorajei-as a exigir,
de si próprias e das instituições, um sério caminho de preparação para a
reinserção, como horizonte que dá sentido à pena cotidiana". E repetiu o
que disse naquela ocasião: "Uma pena sem o horizonte da reinserção é uma
tortura infinita".
Abusos
Francisco
recordou que com os sacerdotes e consagrados e com os bispos do Chile viveu
dois encontros muito intensos, "que se tornaram ainda mais fecundos pelo
sofrimento compartilhado por algumas feridas que afligem a Igreja naquele
país".
"Em
particular - precisou - confirmei os meus irmãos na rejeição de qualquer pacto
com os abusos sexuais contra menores, e ao mesmo tempo na confiança em Deus,
que por meio desta dura prova purifica e renova os seus ministros".
Ao falar
sobre as outras duas missas celebradas no país, o Papa recordou que a celebrada
em Araucanía, "terra onde habitaram os índios mapuches, transformou em
alegria os dramas e os cansaços deste povo, lançando um apelo por uma paz que
seja harmonia das diversidades e pela rejeição de toda violência".
Já a missa
celebrada em Iquique, entre oceano e deserto, "foi um hino de encontro
entre os povos, que se expressa em modo singular na religiosidade
popular".
Juventude
Os encontros
com os jovens e com a Universidade Católica do Chile "responderam ao
desafio crucial de oferecer um grande sentido à vida das novas gerações".
"Aos
jovens - recordou o Papa - deixei a palavra programática de São Alberto
Hurtado: "O que faria Cristo no meu lugar?", enquanto na Universidade
"propus um modelo de formação integral, que traduz a capacidade católica
em capacidade de participação na construção de sociedades unidas e plurais,
onde os conflitos não sejam ocultados, mas administrados no diálogo".
"Há conflitos também casa, que não devem ficar debaixo da cama, mas devem
vir à luz. O conflito se resolve com o diálogo."
Peru
O Papa passou
então ao Peru, recordando que o lema da visita “Unidos pela
esperança" não significa "unidos em uma estéril uniformidade, mas em
toda a riqueza das diferenças que herdamos da história e da cultura".
Testemunhou
isto "emblematicamente o encontro com os povos da Amazônia peruana, que
deu também inicio ao itinerário do Sínodo Panamazônico convocado para outubro
de 2019, assim como testemunharam os momentos vividos com a população de Puerto
Maldonado e com as crianças da Casa de acolhida "O Pequeno Príncipe".
Juntos dissemos "não" à colonização econômica e ideológica".
Corrupção
O apreço pelo
"patrimônio ambiental, cultural e espiritual" do país foi demonstrado
pelo Papa ao falar às Autoridades políticas e civis do Peru, chamando a atenção
para duas realidades que o ameaçam de forma mais grave: "a degradação
ecológica-social e a corrupção. "A corrupção não acontece só naquelas
partes. Também aqui! E é mais contagiosa do que a gripe. A corrupção arruína o
coração."
O Papa então
passou à Missa celebrada em Trujillo, cidade duramente atingida pela tempestade
“Niño costiero”. "Encorajei a população a reagir a esta, mas também a
outras tempestades como a delinquência, a falta de educação, de trabalho e de
moradia segura".
Com os
sacerdotes e consagrados do norte do Peru, o Papa recordou ter compartilhado
"a alegria do chamado e da missão e a responsabilidade da comunhão na
Igreja", exortando-os "a serem ricos de memporia e fiéis às suas
raízes, e entre estas devoções está a devoção popular a Virgem Maria".
Neste sentido, Francisco recordou também a celebração mariana em que coroou a
"Virgen de la Puerta", proclamada "Mãe da Misericórdia e da
Esperança".
O dia em
Lima, o último da viagem, teve uma ênfase "espiritual e eclesial".
"Um
verdadeiro 'pulmão' de fé e de oração pela Igreja e por toda a sociedade",
disse o Santo Padre ao referir-se às religiosas de vida contemplativa, que
encontrou no Santuário “Señor de los Milagros”.
O Papa fez
menção à oração de intercessão junto aos Santos peruanos, seguida pelo encontro
com os bispos, a quem propôs o modelo de São Toríbio de Mongrovejo".
Aos jovens
peruanos o Papa também indicou os Santos "como homens e mulheres que não
perderam tempo em "maquiar" a própria imagem, mas seguiram
Cristo".
Por fim, a
Missa conclusiva de sua visita, onde a mensagem de Deus ao seu povo no Chile e
no Peru foi "Convertei-vos e crede no Evangelho".
"Assim -
parecia dizer o Senhor - vocês receberão a paz que eu vos dou e sereis
unidos na minha esperança"