sábado, 13 de setembro de 2025

Papa Leão XIV neste sábado:

uma teologia
que se encarne nos eventos concretos da humanidade de hoje

Leão XIV convidou a cultivar “uma teologia baseada no encontro pessoal e transformador com Cristo e que se esforce para encarnar-se nos eventos concretos da humanidade de hoje”. Palavras do Pontífice no encontro com os participantes no Simpósio da Pontifícia Academia de Teologia na manhã deste sábado (13) no Vaticano.

Na manhã deste sábado (13/09) o Papa Leão recebeu os participantes do Simpósio da Pontifícia Academia de Teologia por ocasião do encerramento do Encontro internacional sobre o tema: Criação, Natureza, Ambiente para um mundo de Paz. Após recordar que a sustentabilidade ambiental e a custódia da criação são compromissos inegociáveis para a sobrevivência do gênero humano, o Papa Leão afirmou que “qualquer esforço para melhorar as condições ambientais e sociais do nosso mundo requer o compromisso de todos”.

Impulso missionário e dialogal da futura ação teológica

Tendo como bússola a Carta Apostólica Ad theologiam promovendam que apresenta os novos estatutos da Pontifícia Academia de Teologia, o Santo Padre disse que iria se deter, em particular, no impulso missionário e dialogal da futura ação teológica. “A teologia”, recordou o Papa Leão, “certamente é uma dimensão constitutiva da ação missionária e evangelizadora da Igreja: ela tem suas raízes no Evangelho e seu fim último na comunhão com Deus, que é o propósito do anúncio cristão”. Continuando no contexto disse ainda, “justamente por ser dirigida a cada pessoa em todos os tempos, a obra de evangelização é constantemente interpelada pelos contextos culturais e exige uma teologia 'em saída', que una o rigor científico à paixão pela história”. Explicando que “a síntese entre esses diferentes aspectos pode ser oferecida por uma teologia sapiencial, à moda daquela elaborada pelos grandes Padres e Mestres da antiguidade que, dóceis ao Espírito, souberam conjugar fé e razão, reflexão, oração e prática”.

Teologia, fruto da experiência

Papa Leão deu exemplos: “Significativo, nesse sentido, é o exemplo sempre atual de Santo Agostinho, cuja teologia nunca foi uma busca puramente abstrata, mas sempre fruto da experiência de Deus e da relação vital com Ele”. “São Tomás de Aquino”, continuou o Santo Padre, “a sistematizou com os instrumentos da razão aristotélica, construindo uma sólida ponte entre a fé cristã e a ciência de todos, entendendo a teologia como uma sapida scientia, ou seja, sabedoria”. Também recordou o beato Antonio Rosmini que considerava a teologia “uma expressão sublime de caridade intelectual, enquanto pedia que a razão crítica de todos os saberes se orientasse para a Ideia de Sabedoria”.

Teologia: sabedoria que abre horizontes existenciais

Em seguida o Papa afirmou: “A teologia é, portanto, essa sabedoria que abre horizontes existenciais maiores, dialogando com as ciências, a filosofia, a arte e a totalidade da experiência humana. O teólogo ou a teóloga é uma pessoa que vive, em seu próprio ato de fazer teologia, a ansiedade missionária de comunicar a todos o 'saber' e o 'sabor' da fé, para que ela possa iluminar a existência, resgatar os fracos e os excluídos, tocar e curar a carne sofredora dos pobres, nos ajudar a construir um mundo fraterno e solidário e nos conduzir ao encontro com Deus”.

Visão antropológica que fundamente a ação ética

Após recordar que a Doutrina Social da Igreja é um testemunho significativo do saber da fé a serviço do ser humano, em todas as suas dimensões, o Papa afirmou: “A teologia é diretamente interpelada por isso, pois não basta uma abordagem exclusivamente ética ao complexo mundo da inteligência artificial; é necessário, ao invés disso, referir-se a uma visão antropológica que fundamente a ação ética e, portanto, retornar à pergunta de sempre: quem é o ser humano, qual é a sua dignidade infinita, que é irredutível a qualquer androide digital?".

O rosto de Deus só pode ser buscado caminhando juntos

Concluindo seu discurso o Papa Leão convidou todos “a cultivar uma teologia baseada no encontro pessoal e transformador com Cristo e que se esforce para encarnar-se nos eventos concretos da humanidade de hoje”. Encorajando todos ao diálogo multidisciplinar para se enriquecerem e enriquecer, levando o bom fermento do Evangelho às diferentes culturas, no encontro com crentes de outras religiões e com os não crentes. “Para que esse diálogo ad extra aconteça - disse por fim o Papa - é preciso do diálogo ad intra, ou seja, entre os teólogos, cientes de que o rosto de Deus só pode ser buscado caminhando juntos. Por isso, espero que a Academia se torne um lugar de encontro e de amizade entre os teólogos, um lugar de comunhão e partilha no qual seja possível caminhar juntos em direção a Cristo”.

________________________________________________________________________________
                                                               Fonte: vaticannews.va   Fotos: (@Vatican Media

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Festa da Exaltação da Santa Cruz:

Leituras e reflexão
_____________________________________________________________________________________

Fonte da imagem: acidigital.com

_____________________________________________________________________________________

1ª Leitura: Nm 21,4-9

Leitura do livro dos Números

Naqueles dias, os filhos de Israel partiram do monte Hor, pelo caminho que leva ao mar Vermelho, para contornarem o país de Edom. Durante a viagem, o povo começou a impacientar-se e se pôs a falar contra Deus e contra Moisés, dizendo: “Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto? Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável”. Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel. O povo foi ter com Moisés e disse: “Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes”. Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor respondeu: “Faze uma serpente de bronze e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá”. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre uma haste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, ficava curado.

_____________________________________________________________

Responsório: Sl 77(78)

- Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!

- Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!

1. Escuta, ó meu povo, a minha lei, / ouve atento as palavras que eu te digo; / abrirei a minha boca em parábolas, / os mistérios do passado lembrarei.

2. Quando os feria, eles então o procuravam, / convertiam-se, correndo para ele; / recordavam que o Senhor é sua rocha / e que Deus, seu redentor, é o Deus altíssimo.

3. Mas apenas o honravam com seus lábios / e mentiam ao Senhor com suas línguas; / seus corações enganadores eram falsos / e, infiéis, eles rompiam a Aliança.

4. Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo, / não os matava e perdoava seu pecado; / quantas vezes dominou a sua ira / e não deu largas à vazão de seu furor. 

_______________________________________________________

2ª Leitura: Fl 2,6-11

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses

Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai.

_______________________________________________________
Evangelho: Jo 3,13-17

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.

______________________________________________________________________________

Reflexão do padre Johan Konings

A Glória na Cruz

No Brasil, “Terra da Santa Cruz”, convém contemplar a cruz de Cristo. Não para recair no dolorismo de tempos idos, quando se pensava que quanto mais sofrimento, mas regalia no céu E que Jesus teve de sofrer na cruz para “pagar” a Deus. A liturgia de hoje nos ensina a olhar para a cruz num outro sentido: como manifestação do próprio ser de Deus, que é amor. A cruz não é um instrumento de suplicio que Deus aplica a seu filho (por nossa culpa), mas o sinal de quanto o Pai e o Filho nos amam-o Filho instruído pelo Pai (“obediente até a morte”. 2ª leitura). Nada de sádica exigência de sangue, só amor até o fim (cf. Jo 13,1; 19,28-30).

Ninguém jamais viu Deus (Jo 1,18). Portanto, não temos nenhuma razão para pensar que ele seja um Deus cobrador, castigador. O único retrato de Deus que temos é Jesus (Jo 1,18). Mas esse retrato só ficou pronto na hora em que Jesus ia dar sua vida pelos que o seguiam, os que acolhiam sua palavra, e pelos que através destes a iam acolher: na véspera da morte: “Quem me viu, tem visto (= tem diante dos olhos) o Pai” (Jo 14,9). Nestas poucas palavras resume-se toda a existência humana de Jesus, sua pregação ao povo e aos discípulos, seus gestos de amor e de libertação, coisas que ele não quis negar, como também não renegou seus amigos, na hora do perigo da morte. Amou até o fim (Jo 13,1) e, por isso, rompendo com os poderes deste mundo e vencendo-os pelo amor, morreu a morte dos escravos e rebeldes, na cruz.

Essa cruz é, portanto, o estandarte sobre o qual se eleva e se exibe ao mundo o próprio ser de Deus, seu amor que é sua glória. Ela atrai a si o olhar de todos que procuram a salvação (Jo 12,32-33). E assim como há uma relação entre o mal e o sinal de salvação para o qual levantam os olhos (cf. 1ª leitura, a serpente levantada), assim também enxergamos no Cristo elevado na cruz o mal do qual ele nos cura: o sofrimento que nosso desamor causa a ele e a todos nós. Aniquilado pelo pecado do mundo, ele mostra no seu corpo e sangue o infinito amor do Pai que nos quer salvar.

Contemplar a cruz não é afundar no dolorismo, mas reconhecer o amor de Deus que salva o mundo do desamor.

_________________________________________________________________

PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

______________________________________________________________________________

Reflexão em vídeo do frei Leandro Costa Santos

____________________________________________________
           Fonte: franciscanos.org.br   Banners: acidigital.com Frei Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Interessantes considerações do padre Zezinho:

Diminuiu o novo santo católico

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

_____________________________

Alguém que não gosta de católicos postou que foi oportunismo isto de o Papa canonizar um menino normal de quinze anos, que “nada tinha de extraordinário” para ser um exemplo de garoto cristão!

O sujeito opinou porque a internet aceita quase tudo, até ofensas à nossa Igreja, coisa que tem acontecido muito na rede social atual. Não gostam de nós e entram em páginas onde podem nos ofender!

Mas não devemos explicação nenhuma a este internauta.

Navegou e flutuou e pousou no Vaticano para dizer que o Papa e os católicos estão inventando mais um santo.

***

Se ele não acredita nos católicos, nem nos Papas, ele é mais um que se juntou a milhões de sujeitos que opinam contra nós, sem saber do que se trata.

Há mais de 500 de jovens declarados santos ou beatos nestes últimos vinte séculos.

Sempre houve jovens mártires e testemunhas de Cristo desde Inês, Tarcísio, passando por Luiz Gonzaga, Terezinha de Lisieux, Domingo Sávio, Maria Goretti, Giorgio Frassati, Carlo Acutis. A lista é enorme! Há quem fale em 1.200 inclusive os beatos.

Se este opinante não sabe o porquê, nós sabemos. Além disso, o assunto é nosso e evidentemente não é dele!

O conceito de santidade é maior do que se imagina.

Viveram para Deus e para os outros e não posaram de santos com auréolas na cabeça. Os contemporâneos viram o que Paulo disse em Colossenses

(Cl 3,1-11) Se ficaram curiosos, abram sua Bíblia e vejam o que é viver para Deus e para os outros!

Ficaram curiosos? Abram sua Bíblia e vejam o que é viver como santo!

________________________________________________________________________________
                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Papa na catequese desta quarta-feira:

aprendamos com Jesus o grito da esperança que não desiste

A catequese de Leão XIV foi centrada na experiência de Jesus crucificado. "Na cruz, Jesus não morre em silêncio", disse o Papa. Ele "deixa a sua vida com um grito" e "este grito abrange tudo: dor, abandono, fé e oferenda. Não é apenas a voz de um corpo que cede, mas o sinal máximo de uma vida que se entrega", sublinhou o Pontífice.

A morte de Jesus na cruz foi o centro da catequese do Papa Leão XIV na Audiência Geral, desta quarta-feira (10/09), realizada na Praça São Pedro.

Não obstante o dia nublado e chuvoso, milhares de fiéis e peregrinos participaram deste encontro semanal com o Pontífice.

"Os Evangelhos atestam um pormenor preciosíssimo, que merece ser contemplado com a inteligência da fé: na cruz, Jesus não morre em silêncio. Ele não se apaga lentamente, como uma luz que se consuma, mas deixa a sua vida com um grito: «Então Jesus, soltando um forte grito, expirou». Este grito abrange tudo: dor, abandono, fé e oferenda. Não é apenas a voz de um corpo que cede, mas o sinal máximo de uma vida que se entrega", disse o Papa Leão.

Grito de confiança

"O grito de Jesus é precedido de uma pergunta, uma das mais pungentes que se pode proferir: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?». É o primeiro versículo do Salmo 22, mas nos lábios de Jesus assume um peso singular", frisou o Pontífice, acrescentando:

“O Filho, que sempre viveu em íntima comunhão com o Pai, experimenta agora o silêncio, a ausência, o abismo. Não é uma crise de fé, mas a etapa final de um amor que se entrega completamente. O grito de Jesus não é de desespero, mas de sinceridade, de verdade levada ao limite, de confiança que perdura mesmo quando tudo é silêncio.”

"Deus já não habita atrás de um véu; o seu rosto é agora totalmente visível no Crucifixo. É ali, naquele homem atormentado, que se revela o maior amor", sublinhou o Papa, ressaltando que o centurião, que era um pagão, compreendeu, mas não "porque ouviu um discurso, mas porque viu Jesus morrer daquela maneira". Ele disse: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!».

“É a primeira profissão de fé após a morte de Jesus. É o fruto de um grito que não se perdeu no vento, mas tocou um coração. Por vezes, o que não conseguimos expressar com palavras, expressamos com a voz. Quando o coração está cheio, clama. E isso nem sempre é sinal de fraqueza; pode ser um profundo ato de humanidade.”

Gritar, um gesto espiritual

De acordo com o Papa, "o Evangelho dá ao nosso clamor um imenso valor, lembrando-nos que pode ser uma invocação, um protesto, um desejo, uma entrega. De fato, pode ser a forma suprema da oração, quando já não nos restam mais palavras. Naquele grito, Jesus colocou tudo o que lhe restava: todo o seu amor, toda a sua esperança".

"Uma esperança que não desiste. Gritamos quando acreditamos que alguém ainda pode ouvir. Clamamos não por desespero, mas por desejo. Jesus não gritou contra o Pai, mas para Ele. Mesmo em silêncio, estava convencido de que o Pai estava ali. E assim nos mostrou que a nossa esperança pode gritar, mesmo quando tudo parece perdido", disse ainda o Pontífice.

“Gritar torna-se então um gesto espiritual. Não é apenas o primeiro ato do nosso nascimento — quando viemos ao mundo chorando — é também uma forma de nos mantermos vivos. Gritamos quando sofremos, mas também quando amamos, chamamos, invocamos. Gritar é dizer que estamos aqui, que não queremos nos esvair em silêncio, que ainda temos algo para oferecer.”

Grito da esperança

O Papa recordou que existem momentos na vida "em que guardar tudo dentro de nós pode consumir-nos lentamente. Jesus nos ensina a não ter medo do clamor, desde que seja sincero, humilde e dirigido ao Pai. Um clamor nunca é em vão, se vier do amor. Nunca é ignorado, se for entregue a Deus. É uma forma de evitar ceder ao cinismo, de continuar acreditando que outro mundo é possível".

Leão XIV concluiu, convidando a aprender com Jesus "o grito da esperança quando chega a hora da provação extrema. Não para magoar, mas para confiar. Não para gritar contra ninguém, mas para abrir o coração. Se o nosso grito for verdadeiro, pode ser o limiar de uma nova luz, de um novo nascimento. Como foi para Jesus: quando tudo parecia terminado, a salvação estava, na verdade, prestes a começar. Se expressada com a confiança e a liberdade dos filhos de Deus, a voz angustiada da nossa humanidade, unida à voz de Cristo, pode tornar-se fonte de esperança para nós e para os que nos rodeiam".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

________________________________________________________________________________
                                                                Fonte: vaticannews.va   Vídeo: (@Vatican Media

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Reflita com dom Leomar Antônio Brustolin:

A Cruz: lugar onde nasce a esperança

A liturgia da Exaltação da Santa Cruz nos convida a contemplar o madeiro no qual Cristo entregou a vida por nós. Aos olhos do mundo, a cruz é sinal de fracasso, humilhação e morte. Mas, na fé, descobrimos que ela é o trono de Cristo, onde Ele reina pelo amor e inaugura um novo tempo para toda a humanidade: não mais o domínio do pecado e da morte, mas o reinado da graça e da vida no Espírito.

Na Carta aos Romanos, Paulo ensina que o batismo nos une de tal forma à cruz de Cristo que podemos dizer: fomos “sepultados com Ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos, também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,4). Pela cruz, morremos para o pecado; pela ressurreição, vivemos para Deus. A cruz não é, portanto, um episódio isolado da vida de Jesus: é o ponto decisivo da história humana. Nela, o amor venceu o egoísmo, a obediência venceu a rebeldia, a vida venceu a morte.

A cruz: vitória que sustenta a esperança

Paulo sabe que essa vitória não nos dispensa da luta. O pecado ainda tenta dominar “os nossos membros” (Rm 6,12), e as forças de morte continuam presentes no mundo. Mas quem vive unido a Cristo já não pertence à velha escravidão. A cruz se torna, então, a força que sustenta a nossa resistência e o fundamento da nossa esperança: “a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5).

Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é reconhecer que nossa liberdade custou o preço do sangue de Cristo. Por isso, não podemos viver de forma superficial ou indiferente. Aquele que foi “obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,8) nos chama a viver na novidade de vida, como servidores da justiça e construtores de paz.

O capítulo 7 de Romanos lembra que, antes da cruz, estávamos sob o peso da Lei, incapazes de cumprir plenamente a vontade de Deus. A cruz liberta desse “corpo de morte” (Rm 7,24) e abre o caminho para o dom do Espírito, que escreve a Lei no coração e nos conduz à vida eterna. Assim, a cruz não é um fardo inútil, mas a ponte entre a nossa fragilidade e a misericórdia de Deus.

A espiritualidade da Cruz

Viver a espiritualidade da cruz significa aprender a olhar para a vida a partir do amor que se entrega totalmente. A cruz não é um convite ao sofrimento pelo sofrimento, mas à doação livre que transforma o sofrimento em oferta de amor.

Quando o cristão carrega a sua cruz — seja nas lutas diárias, nas renúncias silenciosas, no cuidado fiel pelos outros —, ele se une ao caminho de Cristo e participa de sua obra redentora. A espiritualidade da cruz nos ensina a confiar mesmo quando não compreendemos, a perdoar quando fomos feridos, a servir quando seria mais fácil recuar.

Assim, a cruz se torna uma escola de humildade, fortaleza e misericórdia, moldando em nós o coração do próprio Cristo, que venceu não com poder e violência, mas com a força mansa e invencível do amor.

A Cruz: reconciliação e missão

A Igreja proclama: “Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.” A esperança cristã nasce desse mistério: o Filho de Deus assumiu o que havia de mais doloroso e vergonhoso em nossa condição humana e o transformou em fonte de vida. Quem abraça a cruz, abraça a certeza de que nada — nem o pecado, nem a morte — poderá separar-nos do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus (cf. Rm 8,39).

A cruz permanece erguida no centro da história como sinal de definitivo de reconciliação. É nela que Deus nos reconcilia consigo e nos dá a missão de reconciliar o mundo: famílias feridas, sociedades divididas, povos em conflito. Olhar para a cruz é deixar-se configurar ao Crucificado, para que também nossas palavras e gestos se tornem sementes de esperança.

Que, ao celebrarmos a Exaltação da Santa Cruz, renovemos nossa decisão de viver como batizados: mortos para o pecado, vivos para Deus, peregrinos de esperança. Pois na cruz encontramos a resposta para o clamor humano e a garantia de que a graça sempre terá a última palavra.

Dom Leomar Antônio Brustolin - Arcebispo de Santa Maria (RS)

________________________________________________________________________________
                                                                     Fonte: cnbb.org.br   Imagem: vaticannews.va

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Mortos por testemunhar o Evangelho:

mais de 1600 novos mártires no século XXI

Numa coletiva de imprensa no Vaticano, os membros da "Comissão dos Novos Mártires - Testemunhas da Fé" compartilharam seu trabalho desempenhado até o momento e apresentaram a celebração ecumênica de 14 de setembro, presidida pelo Papa. Dom Fabene: "Esses irmãos e irmãs colocaram a âncora da esperança não na realidade do mundo, mas no coração de Deus." Riccardi: "Os cristãos continuam morrendo porque são testemunhas do Evangelho."

Mais de 1600 mártires e testemunhas da fé do século XXI foram reconhecidos pela Comissão instituída em 2023 pelo Papa Francisco no Dicastério das Causas dos Santos. A notícia foi dada nesta segunda-feira, 8 de setembro, na Sala de Imprensa da Santa Sé, durante uma coletiva de apresentação do trabalho realizado até o momento pela "Comissão dos Novos Mártires - Testemunhas da Fé" e da celebração ecumênica, por ela organizada, que será presidida por Leão XIV na Basílica Papal de São Paulo Fora dos Muros no próximo domingo, 14 de setembro, Festa da Exaltação da Santa Cruz.

Trezentos e quatro mártires são provenientes das Américas, 43 os europeus mortos no Velho Continente e outros 110 morreram durante as missões pelo mundo, 277 foram mortos no Oriente Médio e no Magrebe, 357 testemunhas da fé na Ásia e na Oceania e 643 na África, a terra "onde os cristãos mais morrem", explicou Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio e vice-presidente da Comissão composta por onze membros. As histórias estudadas foram assinaladas de todas as latitudes, por diversas Igrejas e denominações cristãs, dioceses, Conferências Episcopais, institutos religiosos e outras entidades eclesiais. São vidas que testemunham a perseguição religiosa, a violência de organizações criminosas, a exploração de recursos naturais, ataques terroristas, conflitos étnicos e outras causas pelas quais os cristãos ainda são mortos. "Infelizmente, os cristãos continuam morrendo", continuou Riccardi, "e continuam morrendo porque são testemunhas do Evangelho, porque são apaixonados por Deus, pelos irmãos e irmãs, porque são autênticos servos da humanidade, porque são livres comunicadores da fé". "Muitas vezes, a própria presença de um cristão como uma pessoa honesta, cumpridora da lei e dedicada ao bem comum, incomoda quem busca promover agendas criminosas", reiterou.

A coletiva na Sala de Imprensa da Santa Sé


A única celebração ecumênica do Jubileu

E sua memória será recordada na "única celebração ecumênica em Roma durante todo o Ano Jubilar", que se realizará na festa da Exaltação da Santa Cruz, disse dom Fabio Fabene, secretário do Dicastério das Causas dos Santos e presidente da Comissão. Vinte e quatro delegados de igrejas cristãs e grandes comunhões estarão presentes na Liturgia da Palavra. "A vitalidade do Batismo nos une a todos", comentou o prelado. "Nos cristãos que deram suas vidas, o ecumenismo do sangue, como São João Paulo II gostava de defini-lo, se realiza. É justamente no martírio que a Igreja já está unida." Por sua vez, o Papa Leão "espera que o sangue desses mártires seja semente de paz e reconciliação, fraternidade e amor, como escreveu por ocasião do recente atentado terrorista no Congo". "O tema central da liturgia é o Evangelho das Bem-Aventuranças, escrito na carne das Igrejas desses filhos que perderam a vida defendendo a esperança em seu amor pelo Evangelho e pelos pobres", enfatizou monsenhor Marco Gnavi, secretário da Comissão. A celebração também incluirá leituras do Capítulo 3 do Livro da Sabedoria, o Salmo 120, e uma passagem da Carta de São Paulo Apóstolo a Timóteo. Após a homilia, a liturgia prosseguirá com a memória dos mártires que testemunharam a fé. Após a proclamação de cada Bem-Aventurança, seguirão duas intenções de oração e de algumas palavras que recordam as histórias de algumas testemunhas, como a irmã Leonella Sgorbati, assassinada na Somália em 2006, ou um grupo de cristãos evangélicos mortos por terroristas em Burkina Faso em 2019.

Nas pegadas da Comissão instituída por São João Paulo II

A coletiva de imprensa também enfatizou como o trabalho de estudo e aprofundamento realizado pela Comissão fazem parte do organismo instituído por João Paulo II para o Jubileu do ano 2000, com o objetivo de analisar e coletar relatos de testemunhas da fé do século XX. Esses relatos foram posteriormente expostos no memorial dos Novos Mártires do Século XX, na Igreja de São Bartolomeu, na Ilha Tiberina. O Papa João Paulo II também celebrou uma comemoração ecumênica em memória desses mártires em 7 de maio do ano 2000, no Coliseu.

Um sinal de esperança durante o Ano Santo

Os membros da Comissão também enfatizaram a importância desses testemunhos de vida neste Ano Santo dedicado à esperança. "Esses irmãos e irmãs", afirmou dom Fabene, "fixaram a âncora da esperança não na realidade do mundo, mas no coração de Deus. Eles esperaram em Deus, e sua recompensa é plena de imortalidade". Monsenhor Gnavi acrescentou que "a esperança foi a razão de suas vidas antes da morte", porque a carregaram "em contextos de conflito étnico, opressão e humilhação dos pobres" e onde "o Mal com M maiúsculo" estava presente. "A esperança cristã não é um estado de espírito ou otimismo", concluiu Riccardi, "mas a esperança cristã amadurece na memória da fidelidade de Deus e amadurece na memória de mulheres e homens que acreditaram em um Deus que lhes foi fiel mesmo em circunstâncias adversas".

Isabella H. de Carvalho – Vatican News

________________________________________________________________________________
                                                 Fonte: vaticannews.va  Imagem e foto: (@Vatican Media

domingo, 7 de setembro de 2025

Jovens na idade e maduros na fé comprometida:

Santos Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

_____________________________

São Carlo Acutis

Morreram no final do Século XX e começo de Século XXI. Um deles tinha 24 anos, cuidava de pobres. Cursou engenharia. Era pró democracia e anti ditadura. Lutou pela liberdade e pelos direitos humanos.

O outro tinha 15 anos, amava a eucaristia, curtia a internet e a mídia do seu tempo. É tido como um jovem santo influencer e apóstolo da Internet. Não curtia política, mas era solidário com os sofredores. Sabia valorizar os colegas.

Um morreu de poliomielite e outro de leucemia aguda. Não tiveram medo da morte.

São Pier G. Frassati

Por que a Igreja está canonizando mais dois jovens? Ela sempre canonizou jovens, desde o diácono Estevão a Tarcísio, Francisco, Clara, Domingos Sávio, Maria Goretti e mais de 500 jovens católicos!

Você já sabe a resposta! Olhe a multidão de jovens que

lotam nossos encontros! Eles apenas rezam, ou também cuidam de pobres e sofredores? Entre os que vivem a DSI, os Vicentinos, a TL, e a RCC você vai encontrar os que encontraram Jesus defendendo os oprimidos, esquecidos ou sofredores.

Não pense que alguém ficará santo sem ser amoroso e caridoso!… A igreja não canoniza quem não é solidário! Pz

________________________________________________________________________________
                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc