terça-feira, 4 de setembro de 2018

Papa na missa desta terça:

Fazer exame de consciência para deixar espaço ao Espírito
Na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco celebrou a missa e recordou que no coração do homem, todos os dias, combatem o “espírito do mundo” e o “espírito de Deus”.

Cidade do Vaticano - O coração do homem é como um “campo de batalha”, onde se enfrentam dois “espíritos” diferentes: um, o de Deus, nos leva “às boas obras, à caridade e à fraternidade”, o outro, o do mundo, nos impulsiona “em direção à vaidade, ao orgulho, à suficiência e às fofocas”. Foi o que destacou o Papa Francisco, celebrando a Missa na Casa Santa Marta. O ponto de partida das reflexões do Pontífice foi a Primeira Leitura, em que o “apóstolo Paulo ensina aos Coríntios o caminho para ter o pensamento de Cristo”, um caminho marcado pelo abandono ao Espírito Santo. De fato, é o Espírito Santo que nos leva a “conhecer Jesus”, a ter os seus mesmos “sentimentos”, a compreender o “coração”.
A eterna luta entre bem e mal
Francisco recordou que “o homem deixado às suas forças não compreende as coisas do Espírito”:
“Existem dois espíritos, duas modalidades de pensar, de sentir, de agir: o que me leva ao Espírito de Deus e o que me leva ao espírito do mundo. E isso acontece na nossa vida: nós todos temos esses dois ‘espíritos’, digamos assim. O Espírito de Deus nos leva às boas obras, à caridade, à fraternidade, a adorar Deus, a conhecer Jesus, a fazer tantas obras boas de caridade, a rezar: isso. E o outro espírito do mundo, que nos leva em direção à vaidade, ao orgulho, à suficiência e à fofoca: um caminho completamente diferente. O nosso coração – dizia um santo - é como um ‘campo de batalha, um campo de guerra onde esses dois espíritos combatem”.
Vencer as tentações como Jesus
“Na vida cristã”, portanto, “se deve combater para deixar espaço ao Espírito de Deus” e “expulsar o espírito do mundo”. E um “exame de consciência” diário, sugeriu o Pontífice, ajuda a “identificar as tentações”, a esclarecer como atuam essas forças contrapostas.
“É muito simples: temos este grande dom, que é o Espírito de Deus, mas somos frágeis, somos pecadores e temos também a tentação do espírito do mundo. Neste combate espiritual, nesta guerra do espírito, é preciso ser vencedores como Jesus”.
Não animais, mas Filhos de Deus
Todas as noites, concluiu o Papa, o cristão deveria repensar o dia transcorrido para verificar se prevaleceu a “vaidade” e a “soberba” ou se conseguiu imitar o Filho de Deus.
“Conhecer o que acontece no coração. Se nós não fizermos isso, se nós não soubermos o que acontece no nosso coração – e isso não o digo eu, o diz a Bíblia – somos como os ‘animais que não entendem nada’, vão avante com o instinto. Mas nós não somos animais, somos Filhos de Deus, batizados com o dom do Espírito Santo. Por isso, é importante entender o que aconteceu hoje no meu coração. Que o Senhor nos ensine a fazer sempre, todos os dias, o exame de consciência”.
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Assista:
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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Mês da Bíblia

A Palavra de Deus além de sábia, ela também é bela. A infinita e eterna beleza de Deus se expressa nas maravilhosas poesias espalhadas ao longo de toda a Sagrada Escritura. Todos sabemos que a Bíblia é um conjunto de livros antigos, escritos em variadas épocas por diversos autores. Muitos autores são desconhecidos. Os estudiosos da Bíblia (exegetas) procuram explicar cientificamente o aspecto humano da Bíblia, ou seja, o texto e seu contexto histórico.
Mas a Bíblia não é simplesmente humana, ela é um texto inspirado por Deus dentro da pedagogia divina que conduz e educa a humanidade ao longo da história. O autor sagrado não transcreveu um ditado feito por Deus; muito menos ele entrou em “transe místico” ao escrever. A inspiração é divina, porém a escrita é humana: palavras, traduções, papiros, pergaminhos, tintas, estilos literários, etc.
Dom Rubens Sevilha, OCD
Deus age e fala conosco através das coisas humanas. Os sacramentos são os maiores exemplos disso: o pão e o vinho, coisas tão humanas, tornam-se o Corpo e Sangue de Cristo, coisas tão divinas. O humano e o divino se amalgamam de tal forma, que não é fácil saber onde começa um e termina o outro. A teologia chama de mistério da Encarnação essa divina mistura, ou “divino comércio”, como prefere a Patrística. De fato, desde os contemporâneos de Jesus até aos nossos dias, temos dificuldade em entender e explicar como Cristo pode ser verdadeiro Deus e verdadeiro homem. A tentação hoje é ressuscitar antigas heresias do início do cristianismo que procuram ressaltar a humanidade de Jesus e diminuir ou até excluir a sua divindade reduzindo-O somente a um dos grandes personagens da história.
A Palavra de Deus, portanto, reflete perfeitamente a complexa e maravilhosa realidade humana. Há momentos da vida em que as coisas dão certo, prosperam, florescem e, quase que espontaneamente, somos levados a louvar a Deus pelas suas obras, como por exemplo, no salmo 8: “Visitais a nossa terra com as chuvas e transborda de fartura. Rios de Deus que vêm do céu derramam águas e preparais o nosso trigo. Abençoais as sementeiras. Transborda a fartura onde passais, brotam pastos no deserto. As colinas se enfeitam de alegria e os campos de rebanhos, nossos vales se revestem de trigais: tudo canta de alegria!”
Todavia, pelo contrário, há momentos de tempestades em que tudo parece dar errado. Na Bíblia há inúmeros relatos de pessoas, algumas até muito santas e importantes, que viveram situações muito complicadas e chegaram até a pedir para morrer!
Se fosse possível medir a fé, a melhor maneira de medi-la seria, talvez, pela capacidade de manter a alegria e a confiança no Senhor nos momentos em que tudo dá errado na vida; manter a paz no coração e continuar a combater o bom combate mesmo quando se fracassa e se sente estar no fundo do poço.
Ter fé nos momentos fáceis é fácil; por isso, pessoalmente, uma das palavras que mais me tocam a alma está no livro de Habacuque 3, 17-18:
“Ainda que a figueira não floresça nem a vinha dê seus frutos,
a oliveira não dê mais o seu azeite, nem os campos, a comida;
mesmo que faltem as ovelhas nos apriscos e o gado nos currais:
mesmo assim eu me alegro no Senhor, exulto em Deus, meu Salvador!”
Não é fácil caminhar no “vale de lágrimas” e, diante da nossa fraqueza, a Sagrada Escritura nos mostra o delicado e terno amor de Deus Pai que nos fortalece e alimenta, expresso nestas palavras de sublime beleza: “a paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo” (Salmo 147, 14). Que assim seja!
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                                                  Fonte: cnbbsul1.org.br       Ilustração: formacao.cancaonova.com

Papa na missa desta segunda-feira:

Silêncio e oração diante de quem busca o escândalo
O Papa Francisco retomou as celebração na Casa Santa Marta na manhã desta segunda-feira. Ao comentar o Evangelho do dia, enfatizou que o desejo de "escândalo e divisão" pode ser combatido somente com o silêncio e a oração. "Que o Senhor nos dê a graça de discernir quando devemos falar e quando devemos calar".

Cidade do Vaticano - Nesta segunda-feira, 3 de setembro, quando o pontificado do Papa Francisco completa 2 mil dias, o Pontífice retomou sua habitual agenda, inclusive celebrando as missas na capela da Casa Santa Marta.
O Papa comentou o Evangelho do dia, extraído de Lucas, afirmando que a vontade de “escândalo” e de “divisão” só pode ser combatida com o silêncio e a oração.
De volta a Nazaré, Jesus é acolhido com reserva. A Palavra do Senhor cristalizada nesta narração permite, portanto, “refletir sobre o modo de agir cotidiano, quando há incompreensões” e entender “como pai da mentira, o acusador, o diabo, atua para destruir a unidade de uma família, de um povo”.
Nenhum profeta é bem recebido em sua Pátria
Ao chegar à sinagoga, Jesus é acolhido com grande curiosidade: todos querem ver com os próprios olhos as grandes obras de que foi capaz em outras terras. Mas o Filho do Pai Celeste usa somente “a Palavra de Deus”, um hábito que adota quando “quer vencer o Diabo”. E é justamente esta atitude de humildade que deixa espaço à primeira “palavra-ponte”, esclareceu o Papa, uma palavra que semeia a “dúvida”, que leva a uma mudança de atmosfera, “da paz à guerra”, “do estupor ao desprezo”. Com o “seu silêncio”, Jesus vence os “cães raivosos”, vence “o diabo” que “tinha semeado a mentira no coração”.
“Não eram pessoas, era um bando de cães raivosos que o expulsaram da cidade. Não raciocinavam, gritavam. Jesus ficou em silêncio. Levaram-no até ao alto do monte com a intenção de lançá-lo no precipício. Esta passagem do Evangelho termina assim: com o seu silêncio vence aquele bando selvagem e vai embora, pois não tinha chegado ainda a hora. O mesmo acontece na Sexta-feira da Paixão: as pessoas que no Domingo de Ramos fizeram festa para Jesus e disseram “Bendito és Tu, Filho de Davi”, diziam crucifica-o: tinham mudado. O diabo semeou a mentira em seu coração, e Jesus fazia silêncio.”
A verdade é mansidão
“Isto nos ensina que quando existe este modo de agir, de não ver a verdade, permanece o silêncio”, afirmou o Papa.
“O silêncio que vence, porém através da Cruz. O silêncio de Jesus. Quantas vezes nas famílias começam as discussões sobre política, esporte, dinheiro, uma vez, depois outra e aquelas famílias acabam sendo destruídas naquelas discussões em que se vê que o diabo está ali, que quer destruir... Silêncio. Dizer o que pensa e depois se calar, pois a verdade é mansidão, a verdade é silenciosa, a verdade não é barulhenta. Não é fácil o que Jesus fez, mas há a dignidade do cristão que está fundamentada na força de Deus. Com as pessoas que não têm boa vontade, com as pessoas que buscam somente o escândalo, que buscam somente a divisão, que buscam somente a destruição também nas famílias: silêncio e oração.”
A dignidade da vitória da ressurreição
O Papa Francisco concluiu com esta oração:
“Senhor, nos dê a graça do discernimento quando devemos falar e quando devemos calar, durante a vida toda: no trabalho, em casa, na sociedade... durante a vida inteira. Assim, seremos mais imitadores de Jesus”.
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Assista:
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                                                                                                                Fonte: vaticannews.va

domingo, 2 de setembro de 2018

Papa no Angelus deste domingo:

Purificar a fé da hipocrisia e do legalismo
"Na realidade, um homem, uma mulher, que vive na vaidade, na avareza, na soberba e ao mesmo tempo acredita e se mostra como religioso e até mesmo chega a condenar os outros é um hipócrita", disse Francisco no Angelus deste domingo.


Cidade do Vaticano - O Papa Francisco inspirou sua alocução - que precede a oração do Angelus - no Evangelho de São Marcos proposto pela liturgia do dia, onde fala da hipocrisia. Eis a íntegra:
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Neste domingo, retomamos a leitura do Evangelho de Marcos. Na passagem de hoje (cf. Mc 7,1-8,14-15.21-23), Jesus aborda um tema importante para todos nós crentes: a autenticidade de nossa obediência à Palavra de Deus, contra toda contaminação mundana ou formalismo legalista. A narrativa começa com a objeção que os escribas e os fariseus dirigem a Jesus, acusando os seus discípulos de não seguirem os preceitos rituais segundo as tradições.
Deste modo, os interlocutores pretendiam atingir a confiabilidade e autoridade de Jesus como Mestre, porque diziam: “Mas este mestre deixa que os seus discípulos não cumpram as prescrições da tradição”.
Mas Jesus responde forte e responde dizendo: "Bem profetizou Isaías sobre vós, hipócritas, como está escrito:" Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Em vão me prestam culto, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens”. Assim disse Jesus. Palavras claras e fortes! Hipócrita é, por assim dizer, um dos adjetivos mais fortes que Jesus usa no Evangelho e o pronuncia dirigindo-se aos mestres da religião: doutores da lei, escribas... “Hipócrita”, diz Jesus.
De fato, Jesus quer sacudir os escribas e os fariseus do erro em que eles caíram, e qual é este erro? O de desvirtuar a vontade de Deus negligenciando seus mandamentos para observar as tradições humanas. A reação de Jesus é severa porque é grande o que está em jogo: trata-se da verdade da relação entre o homem e Deus, da autenticidade da vida religiosa. O hipócrita não é autêntico.
Também hoje o Senhor nos convida a fugir do perigo de dar mais importância à forma que à substância. Ele nos chama a reconhecer, sempre de novo, aquele que é o verdadeiro centro da experiência da fé, isto é, o amor de Deus e o amor ao próximo, purificando-a da hipocrisia do legalismo e do ritualismo.
A mensagem do Evangelho hoje também é reforçada pela voz do apóstolo Tiago, que nos diz em síntese como deve ser a verdadeira religião e diz assim: a verdadeira é “visitar os órfãos e as viúvas no sofrimento e não se deixar contaminar por este mundo".
"Visitar órfãos e viúvas" significa praticar a caridade com o próximo, começando pelos mais necessitados, os mais frágeis, os mais marginalizados. São as pessoas de quem Deus cuida de forma especial e pede a nós para fazer o mesmo.
"Não deixar-se contaminar por este mundo" não significa isolar-se e fechar-se à realidade. Não! Também aqui não deve ser uma atitude externa, mas interior, de substância: significa vigilar para que o nosso modo de pensar e agir não seja poluído pela mentalidade mundana, isto é, pela vaidade, avareza, soberba. Na realidade, um homem, uma mulher, que vive na vaidade, na avareza, na soberba e ao mesmo tempo acredita e se mostra como religioso e até mesmo chega a condenar os outros é um hipócrita.
Façamos um exame de consciência para ver como acolhemos a Palavra de Deus. No domingo a escutamos na missa. Se a escutarmos de maneira distraída ou superficial, ela não nos servirá muito. Em vez disso, devemos acolher a Palavra com mente e coração abertos, como um terreno bom, para que seja assimilada e produza frutos na vida concreta. Jesus diz que a Palavra de Deus é como o trigo, é uma semente que deve crescer nas obras concretas. Assim a própria Palavra nos purifica o coração e as ações e a nossa relação com Deus e com os outros é libertada da hipocrisia.
Que o exemplo e a intercessão da Virgem Maria nos ajudem a honrar sempre o Senhor com o coração, testemunhando o nosso amor por ele nas escolhas concretas para o bem dos irmãos.
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                                                                                                                            Fonte: vaticannews.va

Reflexão para seu domingo:

Ser de Palavra
“Recebei com humildade a Palavra que em vós foi implantada e que é capaz de salvar as vossas almas” (Tiago 1, 21).
Antigamente o homem, para firmar um trato ou compromisso, entregava um fio de seu bigode para o outro ter certeza da palavra dada. O próprio Jesus diz que o sim da pessoa deve ser realmente sim e o não, não! Até não se deve fazer juramento, pois, a pessoa deve se comprometer por ela mesma a seguir o que prometeu. Fazer promessas para os outros cumprirem é fácil e não tem valor nenhum. Por isso, é bom lidarmos com pessoas confiáveis, que, pessoalmente, cumprem o que prometeram.
Dom José Alberto Moura
Neste ano de eleições políticas nos níveis nacional e estaduais, não é fácil discernir os candidatos de palavra, que têm demonstrado na sua história de vida que são verdadeiras e realmente se comprometem em cumprir o que dizem com as consequências responsáveis de suas juras. Precisamos estar atentos a isso para elegermos melhor pessoas de caráter ou de palavra! Já fomos demais enganados por pessoas, partidos e grupos. Eleger mal leva a colocarmos, como se diz na linguagem popular, “o lobo para tomar conta do galinheiro”. Os pobres são os que mais sofrem as consequências danosas das eleições de má escolha. Votar em quem “rouba mas faz”, traz um fator de corrupção continuada, que fere o tecido moral-social de toda a população. Se tivermos pessoas de palavra e grandeza de caráter, com condição para administrar e legislar a coisa pública, devemos elegê-las. Não podemos eleger simplesmente porque alguém nos fez ou promete fazer um favor. A corrupção está aí também em quem vende o voto por alguma vantagem, mas vai prejudicar o bem comum por eleger quem é corrupto.
Votar por fisiologismo, ou seja, para obtenção de vantagens em relação ao cargo ao qual alguém de nosso grupo ou religião pertence, não é de grandeza moral. Se elegermos lideranças até de nossa religião para elas servirem não à nossa religião, mas ao bem comum, é um bom exemplo e de bom encaminhamento ético e de promoção da verdadeira cidadania para todos! Grupos se formam para eleição de líderes religiosos para buscarem vantagens para si, mostrando o fisiologismo puro e anti-cidadão.
O texto bíblico fala sobre a necessidade de se dizer a verdade em base à sua fonte, que é Deus. Quem fala a verdade nela baseada, dá a certeza de que não se comunica puramente o que é de desejo pessoal, mas é fundamentado no bem absoluto de Deus (Cf. Deuteronômio 4,1-8). Firmados na verdade divina, bem explicitada por Jesus, temos a certeza de que a pessoa que a comunica, dá segurança de afirmar o que é de valor objetivo e não simplesmente de desejo subjetivo.
O apóstolo Tiago é bem claro no que se refere à Palavra de conteúdo verdadeiro, que é a comunicada através do Verbo, ou Palavra do Pai, que é o Filho Jesus : “Recebei com humildade a Palavra que em vós foi implantada e que é capaz de salvar as vossas almas” (Tiago 1, 21). De fato, quem tem fé no Filho de Deus, não a usa, nem sua pertença religiosa, para enganar, como à vezes acontece também na política, e sim para se firmar no que é verdadeiro para servir a comunidade com sua posição pessoal e social.
                                Dom José Alberto Moura - Arcebispo Metropolitano de Montes Claros
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sábado, 1 de setembro de 2018

Mensagem do Papa Francisco
"O meu desejo é que as comunidades cristãs contribuam cada vez mais concretamente para que todos possam usufruir desse recurso indispensável, no cuidado respeitoso dos dons recebidos do Criador, em particular dos cursos de água, mares e oceanos", escreve o Papa Francisco na mensagem em que chama a atenção para a água, um elemento tão simples e precioso.
Cidade do Vaticano - Celebra-se neste 1° de setembro o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da criação. Eis a mensagem do Santo Padre para esta ocasião:
Caros irmãos e irmãs!
Neste Dia de Oração desejo, em primeiro lugar, agradecer ao Senhor pelo dom da casa comum e por todos os homens de boa vontade que estão comprometidos em protegê-la. Agradeço também pelos numerosos projetos que visam promover o estudo e a proteção dos ecossistemas, pelos esforços destinados a desenvolver uma agricultura mais sustentável e uma alimentação mais responsável, pelas diversas iniciativas educacionais, espirituais e litúrgicas que envolvem muitos cristãos em todo o mundo no cuidado da criação.
Devemos reconhecê-lo: não soubemos proteger a criação com responsabilidade. A situação ambiental, quer a nível global, quer em muitos lugares específicos, não pode ser considerada satisfatória. Com razão, surgiu a necessidade de uma relação renovada e saudável entre a humanidade e a criação, a convicção de que apenas uma visão do homem autêntica e integral nos permitirá cuidar melhor do nosso planeta para o benefício das gerações presentes e futuras, pois «não há ecologia sem uma adequada antropologia» (Carta Enc. Laudato si’, 118).
Rezemos com  o Papa pela Criação
Neste Dia Mundial de Oração pelo cuidado da criação, que a Igreja Católica há alguns anos celebra em união com os irmãos e irmãs ortodoxos, e com o apoio de outras Igrejas e Comunidades cristãs, gostaria de chamar a atenção para a questão da água, elemento tão simples e precioso, cujo acesso infelizmente é difícil para muitos, se não impossível. No entanto, «o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável» (ibid., 30).
A água nos convida a refletir sobre as nossas origens. A maior parte do corpo é composta de água; e muitas civilizações, na história, surgiram nas proximidades de grandes cursos de água que marcaram sua identidade. É sugestiva a imagem utilizada no início do Génesis, em que se diz que nas origens o espírito do Criador «pairava sobre as águas» (1,2).
Pensando em seu papel fundamental na criação e no desenvolvimento humano, sinto a necessidade de dar graças a Deus pela «irmã água», simples e útil sem nada de parecido para a vida no planeta. Precisamente por esse motivo, cuidar de fontes e bacias hídricas é um imperativo urgente. Hoje, mais do que nunca, é necessário um olhar que  ultrapasse o imediato (cf. Carta Enc. Laudato si’, 36), além de «critério utilitarista de eficiência e produtividade para lucro individual» (ibid., 159). Precisa-se urgentemente de projetos conjuntos e de ações concretas, tendo em conta que é inaceitável qualquer privatização do bem natural da água que seja contrária ao direito humano de poder ter acesso a ela.
Para nós cristãos, a água é um elemento essencial de purificação e de vida. O pensamento vai imediatamente para o Batismo, sacramento do nosso renascimento. A água santificada pelo Espírito é a matéria pela qual Deus nos vivificou e nos renovou; é a fonte abençoada de uma vida que não morre mais.
O Batismo representa também, para os cristãos de diferentes confissões, o ponto de partida real e indispensável para viver uma fraternidade cada vez mais autêntica no caminho da plena unidade. Jesus, durante a sua missão, prometeu uma água capaz de saciar para sempre a sede do homem (cf. Jo 4,14), e profetizou: «Se alguém tem sede, venha a mim e beba» (Jo 7,37). Ir a Jesus, beber d’Ele significa encontrá-Lo pessoalmente como Senhor, haurindo da sua Palavra o sentido da vida. Que possam ressoar em nós com força as palavras que Ele pronunciou na cruz: «Tenho sede» (Jo 19, 28).
O Senhor continua a pedir para ser saciado na sua sede, pois tem sede de amor. Ele nos pede para dar-Lhe de beber nos muitos sedentos de hoje, para então nos dizer: «Eu estava com sede e me destes de beber» (Mt 25,35). Dar de beber, na aldeia global, não envolve apenas gestos pessoais de caridade, mas escolhas concretas e compromisso constante de garantir a todos o bem primário da água.
A terra é nossa casa comum
Gostaria também de tocar na questão dos mares e dos oceanos. Devemos agradecer ao Criador pelo dom imponente e maravilhoso das grandes águas e de quanto elas contêm (cf.Gen 1,20-21; Sl 146,6), e louvá-Lo por ter coberto a terra com os oceanos (cf. Sl 104,6). Orientar os nossos pensamentos para as imensas extensões marinhas, em constante movimento, representa também, em certo sentido, uma oportunidade para pensar em Deus, que acompanha constantemente a sua criação, fazendo com que siga adiante, mantendo-a na existência (cf. S. João Paulo II, Catequese, 7 de Maio de 1986).
Proteger esse bem inestimável todos os dias representa hoje uma responsabilidade imperiosa, um desafio real: é necessária uma cooperação eficaz entre os homens de boa vontade para colaborar na obra contínua do Criador. Infelizmente, muitos esforços desaparecem devido à falta de regulamentação e de controles efetivos, especialmente no que diz respeito à proteção das áreas marinhas para além das fronteiras nacionais (cf. Carta Enc. Laudato si’, 174).
Não podemos permitir que os mares e oceanos se preencham com extensões inertes de plástico flutuante. Também para essa emergência somos chamados a nos comprometer, com uma mentalidade ativa, rezando como se tudo dependesse da Providência divina e agindo como se tudo dependesse de nós.
Rezemos para que as águas não sejam um sinal de separação entre os povos, mas de encontro para a comunidade humana. Rezemos para que sejam protegidas aquelas pessoas que arriscam suas vidas em meio às ondas em busca de um futuro melhor. Peçamos ao Senhor e àqueles que realizam o alto serviço da política que as questões mais delicadas da nossa época, tais como as relacionadas com a migração, com a mudança climática, com o direito para todos de usufruírem dos bens primários, sejam encaradas com responsabilidade, com previsão olhando para o amanhã, com generosidade e com espírito de cooperação, especialmente entre os países que têm maior disponibilidade.
Rezemos por aqueles que se dedicam ao apostolado do mar, por aqueles que ajudam a refletir sobre os problemas com que se debatem os ecossistemas marítimos, por aqueles que contribuem para o desenvolvimento e a aplicação de regulamentos internacionais sobre os mares que possam tutelar as pessoas, os Países, os bens, os recursos naturais – penso, por exemplo, na fauna e na flora marinha, bem como nos recifes de coral (cf. ibid., 41) ou nos fundos marinhos – e garantindo um desenvolvimento integral na perspectiva do bem comum de toda a família humana e não de interesses particulares.
Lembremos também de quantas pessoas trabalham para a proteção das áreas marítimas, para a tutela dos oceanos e sua biodiversidade, para que possam realizar essa tarefa com responsabilidade e honestidade.
Por fim, preocupemo-nos com as jovens gerações e rezemos por elas, para que cresçam no conhecimento e no respeito pela casa comum e no desejo de cuidar do bem essencial da água para o benefício de todos. O meu desejo é que as comunidades cristãs contribuam cada vez mais concretamente para que todos possam usufruir desse recurso indispensável, no cuidado respeitoso dos dons recebidos do Criador, em particular dos cursos de água, mares e oceanos.
Vaticano, 1 de Setembro de 2018
FRANCISCO
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  Fonte: vaticannews.va  Banner: arquidiocesedecuritiba.org.br  1ª ilustração: paroquiadocalvario.org.br

Edições CNBB lança coletânea de reflexões

para o Ano Nacional do Laicato, a “Sal e Luz”
Recentemente a editora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou uma coletânea de reflexões para o Ano Nacional do Laicato, a “Sal e Luz”. A ação em conjunto entre as Comissões Episcopais Pastorais da Conferência tem se esforçado em contribuir com reflexões e encaminhamentos sobre a Igreja e a sociedade, enriquecendo as temáticas do Ano Nacional do Laicato. O lema “Vós sois sal da terra e luz do mundo” tem despertado e aprofundado a fé cristã nos volumes publicados.
É possível um sujeito eclesial?
Volume 1 da coleção “Sal e Luz”
No volume 1 da coleção “Sal e Luz”, intitulado “É possível um sujeito eclesial?”, o estudo de autoria do sacerdote jesuíta Mario de França Miranda, busca refletir mais a fundo sobre os pressupostos para que a meta visada pelos bispos na Assembleia Geral da CNBB, ao almejar um Igreja toda ela missionária, possa ser alcançada. E, mais ainda, examinar se certa crise que hoje experimenta-se na Igreja também aflorou na Assembleia e se ela evoca mudanças importantes para o futuro da Igreja.  
Deste modo, os eixos principais do estudo configuram-se em quatro questões. Primeiramente surge o questionamento se a “Igreja de hoje” possibilita ou impede a existência de um autêntico sujeito eclesial. Em seguida, são abordados alguns questionamentos eclesiológicos que permitem e favorecem o surgimento de uma “mentalidade” necessária ao emergir do sujeito eclesial. Numa terceira parte, é analisado, sob o ponto de vista da organização social, as estruturas eclesiais requeridas para que o indivíduo na Igreja possa realmente alcançar esse status de sujeito. Na parte final, o autor aborda como a fé cristã, constitutivamente teologal, não pode prescindir da Igreja.
O brilho dos cristãos leigos e leigas
Volume 2 da coleção “Sal e Luz”
O volume 2 da coleção “Sal e Luz”, intitulado “O brilho dos cristãos leigos e leigas – “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14) é escrito por dom Severino Clasen, presidente da Comissão para o Laicato da CNBB. Em sua reflexão, ele busca despertar nos batizados o dom da fé, o dom do serviço, como discípulos de Jesus Cristo. No estudo, o bispo enfatiza que a verdadeira luz ilumina os corações e as mentes humanas, os preenche de entusiasmo, encanto, atraindo para o convívio todos os que desejam seguir a proposta de felicidade anunciada por Cristo.
Na primeira parte do volume apresentado por dom Severino, ele procura alertar que a comunhão de vida se encontra na participação da vida eclesial, sendo presença servindo nas pastorais e nos movimentos eclesiais. Na sequência, o bispo faz um alerta sobre a cultura e a educação, que de acordo com ele são espaços para desenvolver a fé e transformar com brilho a capacidade de criar, inventar e enfeitar o saber e a cultura humana. Em outra parte, dom Severino fala sobre a ação transformadora dos cristãos leigos e leigas na sociedade, quando esses participam dos conselhos paritários, das organizações sociais, testemunhando pelo conhecimento e pela consciência crítica, o diálogo fecundo e promissor, amenizando conflitos e alertando sobre atitudes de programas de exclusão na sociedade. Por último, dom Severino aponta que a paciência, a maturidade, a firmeza e a esperança são atitudes que favorecem a implantação da verdadeira luz de Cristo ao mundo.
Os fiéis também sabem: o sentido da fé (sensus fidei) na Igreja
Volume 3 da coleção “Sal e Luz”
O último volume lançado, o 3, é intitulado “Os fiéis também sabem: o sentido da fé (sensus fidei) na Igreja” e contou com a colaboração do presidente da Comissão para a Doutrina da Fé da CNBB, dom Pedro Carlos Cipollini. Nesse estudo, o bispo trata do documento publicado pela Comissão Teológica Internacional, em 2014, intitulado “Osensus fidei na vida da Igreja”, comentando-o e procurando explicitá-lo com o pensamento de outros teólogos, comparando-o com os demais documentos do Magistério e a vivência do povo fiel. 
Na primeira parte é abordado o enfoque eclesiológico pelo qual foram tratados os temas no Concílio Vaticano II. O segundo capítulo apresenta a natureza do sensus fidei. O terceiro aborda várias aspectos do sensus fidei: o seu papel no desenvolvimento da doutrina e da prática cristã, as relações entre o sensus fidei e o Magistério e entre o sensus fidei e a teologia; bem como de alguns aspectos ecumênicos do sensus fidei. O quarto fala sobre os requisitos para uma participação autêntica no sensus fidei, e por último, sua aplicação prática.
A coletânea está disponível para venda no site da Edições CNBB: https://www.edicoescnbb.com.br
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