Na Audiência
Geral na Praça São Pedro, o Papa Leão comentou o quarto capítulo da
Constituição Pastoral Gaudium et spes, que trata da missão da Igreja no mundo
atual. Esta missão se realiza principalmente pelo testemunho da fé e da
caridade, no empenho pela justiça, paz e fraternidade.
A missão da
Igreja no mundo contemporâneo foi o tema da catequese do Papa Leão na Audiência
Geral desta quarta-feira, 7 de outubro. O Pontífice retomou o ciclo sobre os
documentos do Concílio Vaticano II, comentando esta semana o quarto capítulo da
Constituição conciliar Gaudium et spes (GS).
Nosso coração
foi feito para olhar para o alto
Em primeiro
lugar, o Concílio recorda que a Igreja não está "acima" nem "ao
lado" do mundo, mas sim enraizada nele: "a Igreja é o mundo já
reconciliado com Deus; somos peregrinos na terra e partilhamos com este mundo a
fragilidade e a beleza", explicou o Santo Padre.
Como se lê na
Magnifica humanitas, a missão eclesial tem um alcance histórico e implica
responsabilidade no que diz respeito à maneira como se tecem as relações
sociais. Assim, a primeira tarefa é ajudar as pessoas a estarem atentas às
questões profundas da vida, sobre a nossa origem e destino, bem como sobre o
sentido do amor e da dor:
“A lógica do lucro a todo o custo e a manipulação da informação correm o risco de exercer uma pressão indevida para que as pessoas se conformem a um estilo de vida centrado no consumo de bens materiais, mas o nosso coração foi feito para olhar para o alto.”
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O cristão não
pode aceitar a injustiça
Os Padres do
Concílio recordam ainda que a missão da Igreja se concretiza também na
contribuição para a construção da cidade terrena. Não significa uma tarefa de
natureza política, mas consiste no testemunho da fé e da caridade, juntamente
com o empenho pela justiça, pela paz e pela fraternidade.
“Ao adorar Cristo, o Justo que morreu pelos injustos, o fiel não pode aceitar a opressão dos pequenos e dos pobres, nem as estruturas injustas que perpetuam condições de dependência e de injustiça.”
Para orientar a
ação dos cristãos existe a Doutrina Social da Igreja. De modo especial, os
leigos são chamados a animar o mundo com o espírito cristão e a visão do
Evangelho, sobretudo na família e na atividade profissional. Isso exige, acima
de tudo, coerência. Pois como recordam os Padres conciliares, o distanciamento
entre a fé professada e a vida quotidiana "deve ser contado entre os mais
graves erros do nosso tempo" (GS, 43).
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Anunciar com
firmeza, sem se sujeitar às modas culturais
O desejo da
Igreja, segundo expresso na Gaudium et spes, é "poder desenvolver-se
livremente sob qualquer regime que reconheça os direitos fundamentais da pessoa
e da família e os imperativos do bem comum". Para isso, está sempre atenta
ao que acontece e se desenvolve na sociedade, sem se deixar levar por modas
culturais. "Com efeito, não é certamente diluindo os conteúdos e
suavizando as exigências que se pode tornar o cristianismo atraente",
acrescentou o Santo Padre.
O convite final
do Pontífice aos fiéis é para que nos tornemos dóceis à ação do Espírito Santo,
"para que Ele nos ajude a viver em santidade e caridade, de modo que o
mundo possa acreditar e ter esperança".
Bianca Fraccalvieri - Vatican News
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