O convite de Deus
José Antonio Pagola
Ao que parece, a Parábola do Banquete foi
muito popular entre as primeiras gerações cristãs, pois consta no Evangelho de
Lucas, Mateus e também no evangelho apócrifo de Tomé. Mas as versões são tão
diferentes e as aplicações extraídas dela tão diversas que só podemos abordar
os elementos essenciais do relato original.
Deus está preparando uma última festa para
todos os seus filhos, pois a todos quer ver sentados, junto com Ele, em torno
de uma mesma mesa, desfrutando para sempre de uma vida plena. Esta foi
certamente uma das imagens mais queridas por Jesus para “sugerir” o desfecho
final da história humana. Ele não se contentava só em dizê-lo com palavras, mas
se sentava à mesa com todos e comia até com pecadores e indesejáveis, pois
queria que todos pudessem ver figurativamente algo do que Deus desejava levar a
cabo.
Por isso Jesus entendeu sua vida como um
grande convite em nome de Deus. Não impunha nada, não pressionava ninguém.
Anunciava a boa notícia de Deus, despertava a confiança no Pai, acabava com os
medos, avivava a alegria e o desejo de Deus. A todos devia chegar seu convite,
sobretudo aos mais necessitados de esperança.
Jesus era realista. Sabia que o convite
podia ser recusado. Na versão de Mateus são descritas diversas reações. Uns o
recusam de maneira consciente: “não queremos ir”. Outros respondem com a
indiferença: “não fizeram caso”. Importam-lhes mais suas terras e negócios.
Houve também aqueles que reagiram de maneira hostil contra os criados.
São muitos os que já não escutam mais algum
convite de Deus. Basta-lhes responder de si para si mesmos. Sem talvez tomar
consciência disto, vivem uma vida “solitária”, encerrados num monólogo perpétuo
consigo mesmos. O risco é sempre o mesmo: viver cada dia mais surdos a todo
apelo que possa transformar radicalmente sua vida.
Talvez uma das tarefas mais importantes da
Igreja hoje seja criar espaços e facilitar experiências onde as pessoas possam
escutar de maneira simples, transparente e alegre o convite de Deus proclamado
no Evangelho de Jesus.
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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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