na visão de Santo Agostinho
Santo Agostinho
afirmou a necessidade da meditação e prática de vida a respeito das
bem-aventuranças. A pessoa encontrará um programa perfeito de vida cristã
destinado à direção dos costumes.
Dom Vital
Corbellini, Bispo de Marabá – PA.
Santo Agostinho
comentou as bem-aventuranças em São Mateus. Jesus é o realizador, o primeiro
bem-aventurado na qual Ele revelou-nos o Pai e Ele coloca um ideal de vida para
ser seguido para ganhar a graça da vida eterna, iniciada aqui e um dia na
eternidade. Jesus sendo o novo Moisés proclamou uma série de bem-aventuranças
no sentido de viver a felicidade, a caridade, o amor. Vejamos a seguir a
meditação que o Bispo de Hipona fez em relação as bem-aventuranças por parte de
Jesus.
Programa de vida
cristã
Santo Agostinho
afirmou a necessidade da meditação e prática de vida a respeito das
bem-aventuranças. A pessoa encontrará um programa perfeito de vida cristã
destinado à direção dos costumes[1]. O fato é que nas bem-aventuranças
encontram-se os preceitos necessários à vida cristã. Toda a palavra de Deus, em
Jesus deve produzir frutos bons para a vida do mundo e à glória de Deus. A
pessoa edificará a sua casa, a sua vida sobre a rocha, que é Jesus (cfr. Mt
7,24-27).
Jesus foi para a
montanha
O evangelista
Mateus colocou Jesus na montanha, simbolizando o Novo Moisés, que era o Senhor.
As multidões estavam se aproximando dele, de modo que Ele começou a ensiná-las
com sabedoria e amor. Jesus colocou uma série de bem-aventuranças e de
preceitos para a glória de Deus[2]. Jesus falou das bem-aventuranças para que a
vida decorra em unidade com os mandamentos da Lei de Deus. Jesus foi para a
montanha onde Ele ensinou como único Mestre, porque só Ele é idôneo para
ensinar-nos todas as verdades, divinas e humanas[3].
A primeira
bem-aventurança
Ela trata dos
pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus (cfr. Mt 5,3). A
compreensão desta bem-aventurança fala das pessoas humildes e tementes a Deus,
das desprovidas de todo espírito que incha a pessoa[4]. Esta primeira
bem-aventurança coloca o princípio da sabedoria que é o temor de Deus (cfr.
Eclo 1,16). Já o princípio do pecado é a soberba (cfr. Eclo 10,15) e os
soberbos procuram os reinos da terra, enquanto são bem-aventurados os pobres em
espírito, porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5,3)[5].
A segunda
bem-aventurança
Ela trata dos
mansos, porque herdarão a terra (cfr. Mt 5,4). Na bem-aventurança está a
afirmação do salmista que diz que o Senhor é a esperança, a porção na terra dos
viventes (cfr. 142 (141), 6). A compreensão fala da estabilidade da herança
eterna. A alma descansará como em seu lugar próprio, assim como o corpo
descansará na terra[6]. Os mansos são todas as pessoas que lutam diante das
injustiças de que são vítimas, que elas se opõem diante do mal, e elas vencem o
mal pelo bem (cfr. Rm 12,21). Desta forma bem-aventurados os mansos, porque
possuirão a terra (Mt 5,4), da qual não poderão ser despojados, ser retirados à
força, porque possuirão a terra[7]
A terceira
bem-aventurança
Ela trata das
pessoas que choram, porque serão consoladas (cfr. Mt 5,5). Santo Agostinho
afirmou que o luto é devido à tristeza que a pessoa sente pela perda de algum
ente querido, amado. O fato é que quando a pessoa se converte a Deus, perde as
alegrias fáceis deste mundo de que tanto a pessoa amava[8]. Quando a pessoa não
se inflama pelo amor das coisas eternas, ver-se-á aflita por certa tristeza.
Mas o Espírito Santo consolará a pessoa, de modo que Ele é chamado Consolador.
Em lugar da alegria passageira, que vai se perdendo, o Espírito Santo fará a
pessoa entrar na posse da eterna alegria[9].
A quarta
bem-aventurança
Ela trata das
pessoas que têm fome e sede de justiça, porque elas serão saciadas (cfr. Mt
5,6). Segundo Santo Agostinho designava Jesus todas as pessoas que procuram com
empenho o verdadeiro e imutável bem, o amor. Elas serão saciadas com o manjar
com o qual o Senhor mesmo disse que o seu alimento é fazer a vontade daquele
que o enviou (cfr. Jo 4,34). As pessoas também serão saciadas com a água que
produz em todo o que a beber uma fonte de agua que jorra para a vida eterna
(cfr. Jo 4,14)[10].
A quinta
bem-aventurança
Ela diz respeito
aos misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (cfr. Mt 5, 7). O Senhor
Jesus Cristo proclama as pessoas com felicidade por socorrerem as mais
necessitadas, pois elas receberão em troca a libertação de seus próprios
males[11].
A sexta
bem-aventurança
Ela focaliza os
puros de coração, porque verão a Deus (cfr. Mt 5,8). Segundo Santo Agostinho
disse que Deus é visto com os olhos do coração, não com os olhos dos
insensatos. A Escritura também diz que o Senhor deixa-se encontrar com a
simplicidade de coração (cfr. Sb 1,1). O que faz um coração puro? É a
simplicidade. Assim os olhos do corpo sendo sadios fazem-se ver a luz do dia,
da mesma forma é necessária a purificação dos olhos do coração para contemplar
o Senhor Deus[12].
A sétima e a
oitava bem-aventuranças
A sétima diz
respeito as pessoas pacíficas, porque serão chamados filhos e filhas de Deus
(cfr. Mt 5,9). O Bispo de Hipona afirmou que a perfeição está na paz, porque
nela não existe luta alguma. Os pacíficos são chamados filhos de Deus, porque
neles nada se opõe a Deus. Santo Agostinho tem presente a paz exterior, entre
os povos a nós que é fundamental que as pessoas, os governantes lutem pelo
mesmo dom e também a paz interior, a vida do ser humano perfeito, consumado em
sabedoria. No Reino dos Céus onde reina a paz e a ordem está lançado fora o
príncipe deste mundo, o mal, porque no Reino está somente a paz duradoura[13].
Santo Agostinho tem presente também nesta bem-aventurança a oitava que diz
respeito aos perseguidos por causa da justiça, porque deles, destas pessoas é o
Reino dos Céus (cfr. Mt 5, 10). O Senhor teve presentes as pessoas perseguidas
por causa da justiça evangélica, que é a paz, o dom do amor dado a Deus, ao
próximo como a si mesmo.
A última
bem-aventurança é dirigida também aos discípulos. Ela refere-se aos apóstolos
quando serão injuriados, perseguidos por causa do Senhor Jesus (cfr. Mt 5,11).
O seguimento a Jesus exigirá muitas vezes dos discípulos e das discípulas a
injúria, a perseguição. O Reino dos Céus será o prêmio das pessoas que buscarem
a prática do bem, da justiça e do amor. Nós somos chamados a prática das
bem-aventuranças que são um projeto de vida a ser seguido, amado na vida
familiar, comunitária, social para um dia participar do Reino de Deus.
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[1] Cfr; O Sermão da Montanha, Livro 01, 1. Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 2017, pg. 21. [2] Cfr. Idem, 01,pg. 22. [3] Cfr. Ibidem, 02, pg. 23. [4] Cfr. Ibidem, 3, pgs.23- 24. [5] Cfr. Ibidem, pg..24. [6] Cfr. Ibidem, 4, pg. 25. [7] Cfr. Ibidem, 4, pg. 25. [8] Cfr. Ibidem, 5, pg. 25 [9] Cfr. Ibidem, 5, pg. 25. [10] Cfr. Ibidem, 6, pg. 26. [11] Cfr. Ibidem, 7, pg. 26. [12] Cfr. Ibidem, 8, pgs. 26-27. [13] Cfr. Ibidem, 9, pgs. 27-28.
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