Jesus, contador de histórias
♦ Continuamos a leitura do evangelho de
Mateus em nossas liturgias dominicais. Jesus aparece hoje como um contador de
histórias com três de suas saborosas parábolas: joio e trigo, grãozinho de
mostarda e fermento que a mulher coloca na massa que descrevem o Reino, o mundo
novo cuja inauguração o Pai confiou a Jesus. Para falar do assunto curiosamente
Jesus se serve de imagens “culinárias”, coisas do campo e da cozinha.
♦ Por detrás dessas figurações-historietas e
das outra leituras somos convidados a corrigir a rota de nosso caminhar. O
texto do Livro da Sabedoria exalta a excelsa grandeza do Senhor e a certeza de
que o olhar que o Senhor nos dirige é benigno e bondoso. Paulo lembra que em
nossa oração o Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. Deus mesmo
reza em nós. Nesse pano de fundo vamos colaborando na construção do Reino.
♦ Reino, Reino de Deus, mundo novo, mundo
segundo os sonhos do Altíssimo. Jesus veio anunciar e inaugurá-lo. Colocou
depois, em nossas mãos sobre nossos ombros a continuação de sua obra, reino de
justiça e de paz, de vida e verdade, de amor e de graça. Somos artesãos do
Mundo segundo o coração de Deus.
♦ Não podemos ir rápido demais na construção
e aperfeiçoamento do Reino. Será preciso dar tempo ao tempo. Vivemos, damos
nossos testemunho de amigos e discípulos do Senhor. A experiência está sempre a
nos dizer a erva daninha que não lançamos à terra cresce e abafa o trigo. Há
santos caminhando por ai, mas há aproveitadores, gente que destrói a beleza dos
inocentes, pessoas que ardilosamente inventam meios e modos em derrubar os
outros, que contaminam com o veneno da maldade.
♦ Não dá para separar os bons dos maus antes
da hora. Jesus veio como Pastor e não aquele que condena. Nenhum pecado pode
cortar irremediavelmente as pontes de comunicação com de Deus. Trigo e joio
estão misturados. A parábola fala da paciência de Deus, do dar tempo ao tempo.
“Não nos deve perturbar o escândalo de uma Igreja medíocre, comprometida,
distante do ideal evangélico de pureza, de santidade, de desapego. Sendo feita
de homens e vivendo mergulhada no mundo, a Igreja corre sempre o risco de se contaminar
com o mundo e ver crescer em suas fileiras o joio ao lado do trigo” (Missal da
Paulus, p.750). Sempre houve na Igreja a tentação de cortar e queimar o joio
antes: hereges condenados à fogueira, excomunhões, anátemas. A parábola do joio
e do trigo fala da paciência de Deus.
♦ Construção do Reino: esforços de semear a
verdade, recolher os jogados à beira do caminho, dar a César o que é de César e
a Deus o que é de Deus, entrar no silêncio do quarto, fazer com que os inimigos
se deem as mãos. Para que isso aconteça com pequenos gestos: uma palavra amiga,
um serviço prestado, uma dívida perdoada, um generosidade demonstrada, os pés
de alguém lavados. O Reino é semelhante a coisa pequenas. Cuidado com os
grandes êxitos nesse terreno. Podem ocultar poder. Somos operários do Reino no
cotidiano das coisas pequenas.
♦ “Para seguir a Jesus não é preciso sonhar
com coisas grandiosas. Que seus seguidores busquem uma Igreja poderosa que se
imponha às outras é um erro. O ideal não é o exaltado cedro no alto da
montanha, mas o arbusto de mostarda que cresce junto aos caminhos e acolhe os
pintassilgos. Deus não esta no êxito, no poder, ou na superioridade. Para
descobrir sua presença salvadora será preciso prestar atenção ao pequeno, ao
comum e cotidiano. A vida não é apenas aquilo que se vê. É muito mais. Assim
pensava Jesus” (Pagola, Mateus, p. 161)
♦ Irradiação é a palavra que pode ajudar a
compreender a imagem do fermento. Algo minúsculo em relação ao todo. Quando
juntado ao trigo a tudo penetra escondidamente. Assim, os discípulos de Jesus
estão em todas em todas partes: são doutores e padeiros, políticos e empregados
domésticos, são pais, mães, novos e idosos. Vivem no mundo, mas carregam em si
os germes do mundo novo. Não são apenas pessoas de missa de domingo mas gente
de discretamente coloca o “vírus” de Jesus por onde passam. Quando pensamos na missão
do laicato no mundo de hoje temos em mente ações concretas em prol da
humanização do humano, mas sobretudo no testemunho, no força do fermento, do
sal e da luz. Os cristãos são fermento de um mundo novo.
Como são importantes essas histórias que
Jesus contava!!
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Oração
Olhar-te lentamente,isto é tudo.Olhar-te lentamente.E desta formaalgo se move dentro de mim.Olhar-te lentamente,nada mais e isto é tudo,olhar-te lentamente.Que tenho eu de mimse não o que me concedeste,teu fogo, teu amor,teu ar, teu vento? (J. Zubiaurre)
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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.
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