sábado, 18 de julho de 2026

Reflexão de frei Almir Guimarães para este sábado:

Jesus, contador de histórias

♦ Continuamos a leitura do evangelho de Mateus em nossas liturgias dominicais. Jesus aparece hoje como um contador de histórias com três de suas saborosas parábolas: joio e trigo, grãozinho de mostarda e fermento que a mulher coloca na massa que descrevem o Reino, o mundo novo cuja inauguração o Pai confiou a Jesus. Para falar do assunto curiosamente Jesus se serve de imagens “culinárias”, coisas do campo e da cozinha.

♦ Por detrás dessas figurações-historietas e das outra leituras somos convidados a corrigir a rota de nosso caminhar. O texto do Livro da Sabedoria exalta a excelsa grandeza do Senhor e a certeza de que o olhar que o Senhor nos dirige é benigno e bondoso. Paulo lembra que em nossa oração o Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. Deus mesmo reza em nós. Nesse pano de fundo vamos colaborando na construção do Reino.

♦ Reino, Reino de Deus, mundo novo, mundo segundo os sonhos do Altíssimo. Jesus veio anunciar e inaugurá-lo. Colocou depois, em nossas mãos sobre nossos ombros a continuação de sua obra, reino de justiça e de paz, de vida e verdade, de amor e de graça. Somos artesãos do Mundo segundo o coração de Deus.

♦ Não podemos ir rápido demais na construção e aperfeiçoamento do Reino. Será preciso dar tempo ao tempo. Vivemos, damos nossos testemunho de amigos e discípulos do Senhor. A experiência está sempre a nos dizer a erva daninha que não lançamos à terra cresce e abafa o trigo. Há santos caminhando por ai, mas há aproveitadores, gente que destrói a beleza dos inocentes, pessoas que ardilosamente inventam meios e modos em derrubar os outros, que contaminam com o veneno da maldade.

♦ Não dá para separar os bons dos maus antes da hora. Jesus veio como Pastor e não aquele que condena. Nenhum pecado pode cortar irremediavelmente as pontes de comunicação com de Deus. Trigo e joio estão misturados. A parábola fala da paciência de Deus, do dar tempo ao tempo. “Não nos deve perturbar o escândalo de uma Igreja medíocre, comprometida, distante do ideal evangélico de pureza, de santidade, de desapego. Sendo feita de homens e vivendo mergulhada no mundo, a Igreja corre sempre o risco de se contaminar com o mundo e ver crescer em suas fileiras o joio ao lado do trigo” (Missal da Paulus, p.750). Sempre houve na Igreja a tentação de cortar e queimar o joio antes: hereges condenados à fogueira, excomunhões, anátemas. A parábola do joio e do trigo fala da paciência de Deus.

♦ Construção do Reino: esforços de semear a verdade, recolher os jogados à beira do caminho, dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, entrar no silêncio do quarto, fazer com que os inimigos se deem as mãos. Para que isso aconteça com pequenos gestos: uma palavra amiga, um serviço prestado, uma dívida perdoada, um generosidade demonstrada, os pés de alguém lavados. O Reino é semelhante a coisa pequenas. Cuidado com os grandes êxitos nesse terreno. Podem ocultar poder. Somos operários do Reino no cotidiano das coisas pequenas.

♦ “Para seguir a Jesus não é preciso sonhar com coisas grandiosas. Que seus seguidores busquem uma Igreja poderosa que se imponha às outras é um erro. O ideal não é o exaltado cedro no alto da montanha, mas o arbusto de mostarda que cresce junto aos caminhos e acolhe os pintassilgos. Deus não esta no êxito, no poder, ou na superioridade. Para descobrir sua presença salvadora será preciso prestar atenção ao pequeno, ao comum e cotidiano. A vida não é apenas aquilo que se vê. É muito mais. Assim pensava Jesus” (Pagola, Mateus, p. 161)

♦ Irradiação é a palavra que pode ajudar a compreender a imagem do fermento. Algo minúsculo em relação ao todo. Quando juntado ao trigo a tudo penetra escondidamente. Assim, os discípulos de Jesus estão em todas em todas partes: são doutores e padeiros, políticos e empregados domésticos, são pais, mães, novos e idosos. Vivem no mundo, mas carregam em si os germes do mundo novo. Não são apenas pessoas de missa de domingo mas gente de discretamente coloca o “vírus” de Jesus por onde passam. Quando pensamos na missão do laicato no mundo de hoje temos em mente ações concretas em prol da humanização do humano, mas sobretudo no testemunho, no força do fermento, do sal e da luz. Os cristãos são fermento de um mundo novo.

Como são importantes essas histórias que Jesus contava!!

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Oração

Olhar-te lentamente,
isto é tudo.
Olhar-te lentamente.
E desta forma
algo se move dentro de mim.
Olhar-te lentamente,
nada mais e isto é tudo,
olhar-te lentamente.
Que tenho eu de mim
se não o que me concedeste,
teu fogo, teu amor,
teu ar, teu vento? (J. Zubiaurre)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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