domingo, 19 de julho de 2026

Reflexão para este domingo:

Fermento de uma vida mais humana

José Antonio Pagola

Surpreende ver com que frequência Jesus se dirige a seus discípulos para adverti-los contra uma falsa “impaciência messiânica” que não sabe respeitar o ritmo da ação discreta, mas vigorosa, de Deus.

Aos que esperam que Ele dê início a um movimento contundente e arrojado, capaz de terminar com outras correntes e alternativas, Jesus lhes fala de uma ação mais humilde e respeitosa de Deus. O mundo é um campo de sementeiras opostas. E o Reino de Deus cresce aí na densidade dessa vida às vezes tão ambígua e complexa.

Aí está Deus salvando o ser humano: nesses comportamentos coletivos, animados umas vezes por grandes ideais e outras vezes por obscuros egoísmos; nesses mil gestos que fazemos cada dia e onde se mescla a generosidade com as mesquinharias mais inconfessáveis.

Àqueles que esperam o desenrolar imediato de algo espetacular e poderoso, Jesus lhes fala de um reinado de Deus mais simples e discreto. Algo que não visa desencadear movimentos grandiosos de massa. O Reino de Deus já está atuando, mas a modo de um grão de mostarda minúsculo e quase irrisório que germina com humildade, ou como uma porção quase imperceptível de fermento que se perde na massa fermentando-a totalmente.

Não é lançando excomunhões sobre outros grupos, partidos ou ideologias, nem condenando tudo o que não coincide com o nosso pensamento que vamos abrir caminho ao Reino de Deus. Não o implantaremos na sociedade concentrando grandes massas ou conseguindo o aplauso passageiro das multidões.

O Reino de Deus é um “fermento de humanidade” que cresce em qualquer rincão obscuro do mundo, onde se ama o ser humano e onde se luta por uma humanidade mais digna. Só abriremos caminho ao Reino de Deus deixando que a força do Evangelho transforme nosso modo de viver, amar, trabalhar, desfrutar, lutar e ser.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

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