Construir
fraternidade
A
construção da verdadeira fraternidade entre as
pessoas depende, e muito, de envolvimento e cultivo
dos laços de afeto, de solidariedade e de amor ao
próximo. Para isto é necessário superar
as diferenças existentes no campo das ideologias e de uma
sociedade que exclui, portanto, injusta. Supõe cuidado e
proximidade dos mais vulneráveis para assim
promover uma cultura da paz.
Praticar a
fraternidade depende da ousadia das pessoas, e da sabedoria, que vem
de Deus. É escolher fazer o bem ou fazer o mal, amar ou
desprezar o outro, ou ficar numa atitude de ostracismo, indiferente no espaço de convivência. Não foi esta a prática de Jesus, que incomodava quem convivia com ele. Jesus manifestava
apreço pelas pessoas, de modo especial com os mais
sofridos e desprezados.
Construir a fraternidade é envolver e cultivar laços de afeto,
solidariedade e amor ao próximo, superando
diferenças ideológicas e
culturais para criar uma sociedade mais justa e inclusiva. Envolve o diálogo, a partilha, o perdão e o
compromisso comum com o bem-estar coletivo, frequentemente manifestado em ações concretas de cuidado com os mais vulneráveis e na promoção da cultura da paz.
A prática da
fraternidade é feita por opção livre, sabendo que isto é uma
identificação com a sabedoria divina. Portanto, é sábio todo aquele que
faz escolha, com bom senso e ama o próximo, pois, é
sabedoria que vem de Deus, que quer que tenhamos vida humana na
fraternidade. Neste contexto está o sentido da existência de uma comunidade
cristã, onde há calor humano na convivência.
A
construção da fraternidade depende muito de abertura à vontade de Deus
e é uma importante missão diante de uma cultura
com profundas marcas de individualismo. O fechamento, isto é, a falta
de discernimento da razão, provoca isolamento, que é um fato
natural e generalizado do distanciamento. Assim se torna
impossível a construção de uma sociedade fraterna e local de
solidariedade.
A fraternidade comunitária é espaço propício para o encontro com Deus. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20). Significa, que as agressões e as palavras ofensivas impedem o diálogo, desorganizam e dificultam a harmonia comunitária e levam ao distanciamento de Jesus Cristo. Fica então difícil a construção da fraternidade.
Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)
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