A Igreja celebra
a festa da Apresentação do Senhor após quarenta dias do Natal. Este
acontecimento é narrado pelo evangelista Lucas no capítulo 2. No Oriente, a
celebração desta festa remonta ao século IV e, desde o ano 450, é chamada
"Festa do Encontro", porque Jesus “encontra” os sacerdotes do Templo,
mas também Simeão e Ana, que representam o povo de Deus. Por volta de meados do
século V, esta festa era celebrada também em Roma. Com o passar do tempo, foi
acrescentada a esta festa a “bênção das velas”, recordando que Jesus é a
"Luz dos Gentios".
«Concluídos os dias da sua purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram o Menino a Jerusalém, para apresentá-lo ao Senhor, conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito de sexo masculino será consagrado ao Senhor” (Ex 13,2); eles ofereceram um par de rolas ou dois pombinhos como sacrifício prescrito pela Lei do Senhor. Ora, em Jerusalém havia um homem chamado Simeão: um homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Movido pelo Espírito Santo, ele também foi ao Templo, porque não queria morrer sem primeiro ter visto o Cristo do Senhor. Tendo seus pais apresentado o Menino Jesus ao Templo, para cumprir os preceitos da Lei, ele o tomou em seus braços e louvou a Deus nestes termos: “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação, que preparastes diante de todos os povos, luz para iluminar as nações e glória do vosso Povo de Israel”» (cf. Lc 2, 22-40).
Oferta
Segundo a Lei de
Moisés, o primogênito de sexo masculino era propriedade do Senhor e destinado
ao serviço do Templo. Mais tarde, quando os descendentes de Levi, os levitas,
assumiram o serviço do Templo, esta prescrição caiu em desuso, mas o
primogênito devia ser resgatado com uma oferta em dinheiro, para a manutenção
do sacerdote.
Encontro com
Simeão
“Movido pelo
Espírito, foi ao Templo”. Deve-se evidenciar um detalhe: Simeão foi inspirado
pelo Espírito Santo, que o levou também ao “reconhecimento” de Jesus, como o
Esperado, a Luz dos Gentios. Devemos colocar-nos diante desta Luz: “A
verdadeira luz veio ao mundo; a luz que ilumina cada homem... mas o mundo não o
reconheceu" (Jo 1,9-10).
Maria guardava
tudo em seu coração
Simeão abençoou
os pais, mas suas palavras são dirigidas apenas à mãe: seu Filho será sinal de
contradição. Jesus é a Luz do mundo, mas será rejeitado, admirado e amado, mas
também crucificado, derrotado; morrerá e ressurgirá. Um caminho repleto de
contradições, que ficou impresso no coração da Mãe.
Encontro com Ana
A profetisa Ana
também foi ao Templo. Segundo os detalhes do evangelista, nota-se quanto ela
também era uma mulher de Deus, muito idosa, viúva. Como "profetisa"
conseguiu entender o que os outros tanto queriam ver: a presença de Deus! Ela
soube ir para além das aparências e viu que aquele Menino era o “Esperado pelos
Gentios”.
Esperança
Na época de
Jesus, a idade média de vida era de aproximadamente 40 anos. Mas, o evangelista
diz que Simeão e Ana eram “idosos". Os idosos, geralmente, vivem de
recordações, saudades dos tempos idos, enquanto os jovens vivem de esperança,
olham para frente. Neste caso, estamos diante de dois idosos que, porém, ao ver
o Menino, olham para frente, aguardam, se surpreendem, cantam de alegria e
esperança. Tais detalhes demonstram quanto eram jovens de coração, repletos de
Deus e de suas promessas: e Deus não decepciona!
Profetas
Todos nós também
somos envolvidos por esta "visão", pois quem aceita viver o Evangelho
torna-se sinal de contradição. Colocar-se diante do Senhor Jesus, Luz dos
Gentios, requer muita coragem, mas, ainda mais e antes de tudo, ser "de
Deus", como Simeão e Ana; requer também a consciência de nem sempre ver
tudo claramente, como José e Maria, que ficaram “admirados” com o que diziam de
seu Filho, mas, depois, sabemos que Maria “guardava e meditava” tudo em seu
coração.
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