a festa do
encontro e da alegria
“Eu vos anuncio
uma grande alegria que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, nasceu
para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor.” (Lc 2,10-11)
Celebramos a festa mais esperada e comemorada por povos e em nações de todo o
mundo. Mesmo sendo um evento de motivação cristã, o Natal fala a pessoas e
comunidades de diferentes crenças e credos, pois a mensagem do nascimento de
Jesus sobrepõe-se aos limites das inúmeras confissões religiosas espalhadas
pelo planeta. É para todos os homens de boa vontade, para todos que aspiram à
paz e à convivência fraterna.
Do presépio da Matriz de São José - Paraisópolis - MG |
O que o Natal
tem a nos dizer mais uma vez hoje, o que tem a nos ensinar? O Deus Criador de
todos e de tudo, que é essencialmente amor, quis e quer ser e estar próximo de
cada homem, cada mulher, de todos nós. Quer encontrar-se com a humanidade toda
para permanecer e caminhar conosco. Para isso, na ternura e simplicidade de uma
pobre gruta dos arredores de Belém, um esquecido povoado da Judeia, assume o
humano por inteiro, torna-se um de nós. Despoja-se da grandeza do “Único que é”
e se faz uma frágil criança, um menino, que abraça a humanidade toda.
Em um mundo de
desencontros, conflitos e guerras, o Natal é a festa da reconciliação, do
encontro, da paz. Em uma sociedade, que, acima de tudo, valoriza o ter, o poder
e apenas o que é prazeroso, o Natal se contrapõe com a valorização das
dimensões do servir, do partilhar e do fazer o outro feliz, especialmente o pobre,
o esquecido, o excluído da mesa da dignidade e da vida.
Jesus nasce
para, em meio às alegrias e tristezas, conquistas e fracassos, luzes e sombras,
caminhar conosco. Quer que sua proposta de “vida e vida em plenitude” (Cf. Jo
10,10) seja assumida por todos. Deseja que deixemos nosso comodismo para sair
não apenas para as periferias geográficas, mas também, nas palavras do Papa
Francisco, para as “periferias existenciais”, onde esperam nossa proximidade,
afeto e solidariedade os sofridos no corpo, na alma e nos corações, os
solitários, sem carinho, esperanças e perspectivas.
O Natal
convida-nos a resgatar a beleza e a profundidade do nascimento do Filho de
Deus. Festejar o Natal em sua essência é valorizar a vida no despojamento do
que é acessório, na partilha do que somos e temos, na incessante busca do
encontro com o outro, da redescoberta da dignidade e de valores esquecidos e da
felicidade para todos.
E,
providencialmente, as festividades natalinas veem nascer sete dias após, o Novo
Ano, com expectativas e esperanças de renovação. O genuíno ensinamento do
encontro de Deus com seus filhos e filhas transborda-se na geração do novo no
tempo, para mais uma etapa de vida da humanidade, nas 365 páginas que somos
chamados a escrever em 2015.
Que o Natal e o
Ano Novo tenham o brilho da simplicidade e da ternura daquela distante e
nostálgica noite na pequenina Belém! Que, nas famílias, corações e almas se
encontrem e se abracem na generosidade da vida! Que famílias encontrem famílias
e fortaleçam laços de amizade e carinho! Que povos e nações construam pontes de
entendimento, concórdia e paz! Que a humanidade permanentemente se renove com a
seiva do amor de Deus, que quer renascer no coração e na vida dos homens e das
mulheres de nosso tempo! Que hoje e sempre se cante a “Glória de Deus nas
alturas e paz na terra aos homens por Ele amados” (Lc 2,14).
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Luiz Gonzaga da
Rosa
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