Talvez não
tenham dito a vocês, mas a maioria dos romeiros que buscam Aparecida, em grande
parte vai lá também para INTERCEDER. Vai rezar por um outro!
Muitos vão para
agradecer, outros para pedir, mais um grande número vai lá pensando num filho,
numa filha, na esposa, no esposo, nos amigos, num parente, e em geral, para
alguma cura.
99% são
católicos devotos e generosos que oram por quem precisa! Pensam nos outros!
No caminho
trocam sorrisos, alegria, gentilezas e encontram os grupos de apoio, também
eles gentis e acolhedores.
Romaria é ir lá
por alguém não pode ir e em companhia de alguém que decidiu caminhar 100, 300,
400 kms por penitência ou simplesmente para ORAR como católico, já que, pelo
próprio termo KAT HOLOS, fazemos parte de um grande todo, somos inclusivos, não
excluímos ninguém, e rezamos até por quem vive nos excluindo …
Muitos também
vão pedir pela conversão de um parente.
Aquele
confessionário já viu muitos milagres. Aqueles bancos já testemunharam muitas
curas. Aquele altar já deu forças para muitos que foram comungar pedindo a quem
pode nos ajudar!
Naquela basílica
está Jesus, como está em todas as igrejas católicas do mundo.
Mas em Aparecida
a imagem fica lá no fundo. Ao lado há algum crucifixo e o sacrário.
É ali que o
romeiro ganha forças para sua fé sincera!
Frequento
parecida há mais de 70 anos eu já vi muitas mudanças de vida, lindas
conversões. Em muitos casos quem foi interceder voltou para ver o parente que
se curou naqueles dias. É claro que ali há curas, mas sem alarde. Ninguém grita
na hora.
Humildemente
depois testemunha que foi ali que recebeu aquela graça!
Foi Maria? Não
foi ela. Mas ela intercedeu e quem fez a cura foi JESUS, o filho dela.
É por isso que
Aparecida tem um altar no meio. É ali que as coisas acontecem. Mas a imagem, lá
do fundo, lembra a mãe Intercessora.
Afinal, nós
também somos intercessores, já que não podemos operar milagres.
Então nós
pedimos, e alguém que sabe orar melhor do que nós intercede conosco e as curas
e as conversões acontecem.
Se outras
igrejas não acreditam nisso nós acreditamos. Santos também não tem poder, mas
sabem interceder e pedir. Não é o que fazem os pastores na televisão? Eles
também intercedem. “Dizem na TV - ESTAREI ORANDO POR CURAS E REVELAÇÕES!”
Eles rezam pelos
seus santos na TV e nos seus templos, e nós rezamos pelos santos que já estão
Céu.
E quem está no
céu tem muito mais capacidade de interceder do que nós, que ainda somos
pecadores aqui embaixo.
É verdade que
Maria não faz milagres, mas ela ensina como se reza. Foi que ela fez a vida
inteira. E continua fazendo lá, ao lado do filho.
***
Tenho pena
daquele pregador que anda dizendo que Maria está dormindo. Quem ainda não
acordou é ele!
Na verdade, ele
está dizendo que Jesus ainda não conseguiu levar nem mesmo a mãe dele para o Céu.
Que tipo de igreja é essa? Afinal, Jesus tem ou não tem poder de salvar e
curar? Levou ou não levou a mãe dele para o céu?
Os católicos vão
em Romaria para aprender a interceder do jeito como Maria fez, sabendo que quem
PODE é o Filho e que quem PEDE é a mãe. Que nós também podemos pedir ao Deus
que pode!
Leão XIV fez um
novo apelo pelas populações atingidas pelas consequências do conflito e pediu
às partes que garantam o transporte seguro de cereais pelo Mar Negro. Após o
Angelus, o Pontífice recordou ainda as vítimas de acidentes de trabalho, a nova
beata Maria Inácia Isacchi e saudou os devotos do Senhor dos Milagres,
agradecendo pelas orações em vista de sua próxima visita ao Peru.
“O pão de cada
dia de milhões de pessoas não pode ficar refém da guerra.” Foi o apelo do Papa
Leão XIV neste domingo, 11 de outubro, ao voltar o olhar para a atormentada
Ucrânia e, desta vez, também para as consequências do conflito que chegam muito
além de suas fronteiras.
Após a oração do
Angelus, na Praça São Pedro, o Pontífice destacou sobretudo a situação dos
países mais pobres, onde muitas pessoas dependem da importação de cereais, e
pediu às partes envolvidas na guerra que permitam o transporte seguro desses
alimentos pelo Mar Negro.
O pão não pode
ser refém da guerra
“A guerra na
martirizada Ucrânia continua a causar sofrimento muito além das suas
fronteiras, sobretudo nos países mais pobres, onde tantas pessoas dependem da
importação de cereais. Dirijo um sentido apelo às partes em conflito para que
permitam o transporte seguro de cereais no Mar Negro. O pão de cada dia de
milhões de pessoas não pode ficar refém da guerra.”
O apelo chama a
atenção para um dos efeitos da guerra que atinge diretamente populações
distantes da região do conflito: a insegurança alimentar, especialmente nos
países economicamente mais frágeis e dependentes da importação de cereais.
Prevenção para
proteger vidas no trabalho
Leão XIV dirigiu
também seu pensamento às pessoas que perderam a vida ou sofreram acidentes
durante o exercício de suas atividades profissionais. Neste domingo, a Itália
celebra o Dia das Vítimas de Acidentes de Trabalho, ocasião em que o Papa
reforçou a importância da prevenção:
“Hoje celebra-se
em Itália o Dia das Vítimas de Acidentes de Trabalho. Saúdo a Associação
Nacional dos Mutilados e Inválidos do Trabalho e encorajo os esforços em prol
da prevenção.”
O exemplo de uma
nova beata
Entre as
saudações após o Angelus, o Papa recordou ainda a beatificação, celebrada no
sábado em Mântua, da irmã Maria Inácia Isacchi, fundadora da Congregação das
Irmãs Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus. A religiosa dedicou sua vida
especialmente à educação e à assistência das pessoas mais necessitadas. Leão
XIV apontou sua caridade como exemplo para os cristãos de hoje:
“Ontem, em
Mântua, foi beatificada a Irmã Maria Inácia Isacchi, fundadora da Congregação
das Irmãs Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus. Entre o final do século XIX e
as primeiras décadas do século XX, dedicou-se com corajosa caridade aos
necessitados e desfavorecidos. Que o seu exemplo reavive em todos nós o desejo
de ser, no mundo, testemunhas do amor evangélico para com todos.”
Senhor dos
Milagres e a próxima visita ao Peru
Um momento
particularmente ligado à história pessoal de Leão XIV foi a saudação aos
membros da Hermandad del Señor de los Milagros presentes em Roma. Os fiéis
participaram de uma procissão com a venerada imagem do Cristo crucificado, uma
das devoções mais populares do Peru.
“Saúdo os
membros da Hermandad del Señor de los Milagros em Roma e todos os que
participaram na procissão com a venerada imagem do Crucificado. Obrigado pelas
vossas orações em vista da Visita pastoral que realizarei ao Peru.”
Conhecida também
como devoção ao “Cristo Moreno”, sua origem remonta ao século XVII, em Lima,
quando uma imagem de Cristo crucificado foi pintada por um escravo angolano em
uma parede de adobe. A imagem permaneceu de pé após fortes terremotos que
atingiram a capital peruana, dando origem a uma devoção que, todos os anos no
mês de outubro, leva multidões às ruas vestidas com o tradicional hábito roxo.
A devoção não é
desconhecida de Leão XIV. Durante os anos em que viveu no Peru, Robert Prevost
participou diversas vezes das celebrações em honra ao Senhor dos Milagres. Em
outubro de 2020, por exemplo, presidiu uma celebração dedicada à devoção quando
era bispo de Chiclayo e administrador apostólico do Callao. Já como cardeal, em
outubro de 2024, participou em Roma da celebração na Basílica de São Pedro e da
procissão do Cristo Moreno. A saudação deste domingo ganha ainda mais
significado diante da próxima viagem de Leão XIV ao país onde exerceu por anos
seu ministério pastoral. O Papa chegará a Lima em 11 de novembro e, ao longo da
visita, passará também por Chiclayo, Cusco e Pucallpa, antes de retornar a Roma
em 16 de novembro.
Ao final do
Angelus, Leão XIV anunciou aos fiéis que deverá passar por uma intervenção
médica para retirar um nódulo “circunscrito no pulmão”, identificado “em uma
fase muito inicial” e “bem localizado” durante alguns exames. A cirurgia será
realizada nos próximos dias no Hospital Policlínico Gemelli.
O Papa Leão XIV
anunciou, ao final do Angelus deste domingo, 11 de outubro, que deverá se
submeter a uma cirurgia para retirar um nódulo circunscrito no pulmão. Diante
das numerosas pessoas reunidas na Praça São Pedro, o Papa explicou:
“Recentemente,
durante alguns exames, os médicos encontraram em mim um nódulo circunscrito no
pulmão. Foi identificado em uma fase muito inicial e está bem localizado. Os
médicos consideram oportuno intervir. E então, seguindo os conselhos deles,
decidi me submeter a uma cirurgia para retirá-lo.”
A intervenção já
está programada para os próximos dias no Hospital Policlínico Gemelli.
Leão XIV
agradeceu a todos os fiéis, tanto os presentes na Praça São Pedro quanto
aqueles que acompanhavam o Angelus de várias partes do mundo, “pela proximidade
espiritual”. “Confio-me às suas orações! Bom domingo!”, concluiu o Papa.
Em resposta às
perguntas dos jornalistas, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo
Bruni, esclareceu “que a intervenção está prevista para os primeiros dias da
próxima semana e que o período previsto de internação pós-operatória é de cerca
de uma semana”.
Ao que parece, a Parábola do Banquete foi
muito popular entre as primeiras gerações cristãs, pois consta no Evangelho de
Lucas, Mateus e também no evangelho apócrifo de Tomé. Mas as versões são tão
diferentes e as aplicações extraídas dela tão diversas que só podemos abordar
os elementos essenciais do relato original.
Deus está preparando uma última festa para
todos os seus filhos, pois a todos quer ver sentados, junto com Ele, em torno
de uma mesma mesa, desfrutando para sempre de uma vida plena. Esta foi
certamente uma das imagens mais queridas por Jesus para “sugerir” o desfecho
final da história humana. Ele não se contentava só em dizê-lo com palavras, mas
se sentava à mesa com todos e comia até com pecadores e indesejáveis, pois
queria que todos pudessem ver figurativamente algo do que Deus desejava levar a
cabo.
Por isso Jesus entendeu sua vida como um
grande convite em nome de Deus. Não impunha nada, não pressionava ninguém.
Anunciava a boa notícia de Deus, despertava a confiança no Pai, acabava com os
medos, avivava a alegria e o desejo de Deus. A todos devia chegar seu convite,
sobretudo aos mais necessitados de esperança.
Jesus era realista. Sabia que o convite
podia ser recusado. Na versão de Mateus são descritas diversas reações. Uns o
recusam de maneira consciente: “não queremos ir”. Outros respondem com a
indiferença: “não fizeram caso”. Importam-lhes mais suas terras e negócios.
Houve também aqueles que reagiram de maneira hostil contra os criados.
São muitos os que já não escutam mais algum
convite de Deus. Basta-lhes responder de si para si mesmos. Sem talvez tomar
consciência disto, vivem uma vida “solitária”, encerrados num monólogo perpétuo
consigo mesmos. O risco é sempre o mesmo: viver cada dia mais surdos a todo
apelo que possa transformar radicalmente sua vida.
Talvez uma das tarefas mais importantes da
Igreja hoje seja criar espaços e facilitar experiências onde as pessoas possam
escutar de maneira simples, transparente e alegre o convite de Deus proclamado
no Evangelho de Jesus.
JOSÉ ANTONIO PAGOLAcursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.
Um dos inimigos
mais insidiosos e difusos da fé, mais temível que o ateísmo e a oposição aberta
é a indiferença. (Luciano Manicardi)
Almoço do Papa com pessoas pobres
Neste período do
tempo litúrgico, eis-nos ouvindo parábolas recolhidas pelo evangelista Mateus.
Algumas são claras e meridianas. Outras requerem amplo e profundo conhecimento
da história do Povo de Israel para serem corretamente compreendidas. A historieta
da vez fala da festa de casamento do filho do rei. O rei quer ver a sala cheia.
Trata-se da convocação para um banquete final.
O que está por
detrás da imagem do banquete? Reunião de pessoas que se estimam e fazem juntas
uma refeição diferente, festiva. Para descrever e dar ideia do final, Jesus
fala de uma imensa mesa de refeição: júbilo pelo encontro, uns perto dos
outros, a alegria do vinho, o convívio carinhoso. Um final feliz.
De início, uma
nota negativa. Deus, o belo, o generoso, o amor quer reunir homens e mulheres
em torno de si. Ele os convoca por meio de seus enviados. Os empregados voltam
dizendo que as pessoas não aceitaram o convite. Que se repita o convite, afinal
contas os animais cevados já foram abatidos. A comida está pronta. Que venham à
festa do amor daquele que a todos ama e sonha com o banquete. Nada de
respostas: um foi para o campo, outro para seus negócios. Pior ainda: houve os
que mataram os enviados do rei. Mortos são os profetas…os mensageiros do Amor.
O Senhor tem
seus caminhos para chegar ao coração das pessoas. Há momentos em que o apelo
acontece quando o coração do homem experimenta um vazio. Outras vezes no meio
de uma alegria incontida. Outras vezes ainda numa viagem feita ao silêncio ou
depois de sair de uma terrível tempestade. Ele tem seus caminhos. Chama-nos
também pelos profetas de hoje e pelos sinais dos tempos.
Tudo indica que
a porta está aberta para a festa do amor quando há uma sede que não se consegue
dessedentar. Os autores de espiritualidade costumam lembrar que as respostas ao
convite à intimidade e o labor evangelizador acontece quando o homem tem o coração
contrito. Seres sequiosos de ventura, mas conscientes de suas incoerências.
Estes balbuciam baixinho: “Olha Senhor para a fragilidade de teu amigo”. Nesses
seres sinceros a Palavra produz seus frutos. É o começo da festa.
O desgosto do
rei foi tão grande em ver a sala vazia que mandou que seus mensageiros
convidassem todos os que encontrassem. Forçassem a entrar na sala. Talvez
aqueles que nunca frequentaram religiões e templos, os que não tinham muito
valor aos olhos de ninguém. Gente solta no espaço.
Sempre
entusiasmante e ao mesmo tempo desafiador é o trabalho evangelizar, de chamar
homens e mulheres para a sala do banquete. Se o Senhor não fizer seu trabalho
em muitos corações nada acontece. Chamamos a atenção para alguns obstáculos. Há
os que não quiseram, simplesmente porque não quiseram. Não basta que as pessoas
sejam convidadas, mas é preciso corresponder por sua vontade ao serviço do
chamamento. Há a negligência e a superficialidade, de quem não estima, não dá
valor ao dom oferecido ou proposto. A pessoa fecha-se em seus afazeres e a vida
passa. A parábola fala de pessoas que chegaram a matar os que lhe trouxeram o
convite em mãos.
“Um dos inimigos
mais insidiosos e difusos na fé, mais temível mesmo que o ateísmo e a oposição
aberta, é a indiferença”. Não dar peso algum ao convite, preferir a rotina
cotidiana, seus negócios, seus interesses. O grave é que esta indiferença deixa
o que crê numa crise aguda porque denota que para ele a vida de fé é
irrelevante e insignificante. Seriam, em parte, os mornos de que fala o
Apocalipse.
Pode ser que
muitos de nós tenhamos sido chamados e aceito o convite, mas circulemos nos
espaços da sala do banquete sem a veste nupcial, quer dizer, não basta apenas
ser chamado. O convite é gratuito, mas é preciso correspondência ao dom ao
longo da vida. Deixar que a graça atue.
Fidelidade,
reconhecimento, vontade de sempre começar tudo de novo.
FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.
O Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos. Ele removerá, neste monte, a ponta da cadeia que ligava todos os povos, a teia em que tinha envolvido todas as nações.
O Senhor Deus eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra; o Senhor o disse.
Naquele dia, se dirá: “Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado; vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo”. E a mão do Senhor repousará sobre este monte.
— O Senhor é o pastor que me conduz;/ não me falta coisa alguma./ Pelos prados e campinas verdejantes/ ele me leva a descansar./ Pelas águas repousantes me encaminha,/ e restaura as minhas forças.
— Ele me guia no caminho mais seguro,/ pela honra de seu nome./ Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso,/ nenhum mal eu temerei; estais comigo com bastão e com cajado;/ eles me dão a segurança!
— Preparais à minha frente uma mesa,/ bem à vista do inimigo,/ e com óleo vós ungis minha cabeça;/ o meu cálice transborda.
— Felicidade e todo bem hão de seguir-me/ por toda a minha vida;/ e na casa do Senhor habitarei/ pelos tempos infinitos.
Irmãos: Sei viver na miséria e sei viver na abundância. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me dá força. No entanto, fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades.
O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza a todas as vossas necessidades, em Cristo Jesus. Ao nosso Deus e Pai a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus
Jesus voltou a falar em parábolas aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo. Ele dizia: «O Reino do Céu é como um rei que preparou a festa de casamento do seu filho. E mandou seus empregados chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir. O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Falem aos convidados que eu já preparei o banquete, os bois e animais gordos já foram abatidos, e tudo está pronto. Que venham para a festa’. Mas os convidados não deram a menor atenção; um foi para o seu campo, outro foi fazer os seus negócios, e outros agarraram os empregados, bateram neles, e os mataram. Indignado, o rei mandou suas tropas, que mataram aqueles assassinos, e puseram fogo na cidade deles.
Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não a mereceram. Portanto, vão até as encruzilhadas dos caminhos, e convidem para a festa todos os que vocês encontrarem’. Então os empregados saíram pelos caminhos, e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí alguém que não estava usando o traje de festa. E lhe perguntou: ‘Amigo, como foi que você entrou aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu. Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrem os pés e as mãos desse homem, e o joguem fora na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes’. Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos.»
Há quem ensine que o número dos “eleitos” é limitado, preestabelecido. Os eleitos vivem conforme sua eleição, e os outros … se danem. Mas a Bíblia acentua a universalidade da salvação. Todos são chamados. O profeta Isaías descreve a felicidade do fim dos tempos como um banquete universal na montanha de Deus, em Jerusalém (1ª leitura). Inspirando-se nesta imagem, Jesus, no evangelho, fala de um rei que oferece um banquete para o casamento do seu filho (o Messias “esposo do povo”). Manda vir primeiro os convidados de praxe (os chefes de Israel), mas estes se esquivam. Então manda convidar todo o mundo: miseráveis, estropiados, aleijados … (a Igreja convocada entre toda espécie de gente). Depois, porém, Jesus acrescenta uma segunda parábola: um dos convidados não vestiu traje de festa … é expulso.
Todos são convidados, e os que declinam o convite perdem sua vez. Agora convidam-se até os mais pobres, mas isso não quer dizer que podem se apresentar dum jeito qualquer. No mínimo têm que vestir a melhor roupa: a fé e a prática que Cristo espera de nós. O convite é universal, feito sem acepção de pessoas, mas não sem exigências!
Os que recusam o convite não são apenas os chefes de Israel, mas todos aqueles que, bem instalados e satisfeitos consigo mesmos, são incapazes de se alegrarem com o convite universal. Ficam de cara feia, agora que a Igreja convida os pobres para serem realmente “sujeitos” na comunidade eclesial.
Por outro lado, até dos mais simples se exige que “vistam a camiseta”. Trata-se de combinar a disponibilidade para o convite do Senhor (a simplicidade, a alegria), com o empenho por corresponder à sua expectativa. O traje mais bonito que temos é a caridade. Quantas pessoas usam este traje para participar do “banquete eucarístico”?
“Muitos são chamados, nem todos são escolhidos”. Jesus quer dizer que o fato de ser chamado – que vale para todos – não é suficiente para contar com a eleição. Ora, o que decide se seremos eleitos ou não é a nossa disposição. Quem se alegra com o que Deus faz e revela em Jesus, quem na prática adere a esse modo de viver, sem dúvida poderá participar da festa. Deus convida a todos, mas os admitidos são aqueles que, por sua vida, correspondem ao convite. A “seleção” não é preestabelecida por Deus, mas é o efeito de nosso modo de responder dignamente ao apelo universal.
PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.
O termo
“desenvolvimento integral” foi amplamente trabalhado pelo Papa Paulo VI em sua
Carta encíclica Populorum Progressio, sobre o desenvolvimento dos povos,
publicada em 26 de março de 1967, na esteira das preocupações sociais já
apresentadas por seus predecessores Leão XIII, Pio XI, Pio XII e João XXIII.
Assim, Paulo VI iniciou sua Encíclica:
“O
desenvolvimento dos povos, especialmente daqueles que se esforçam por afastar a
fome, a miséria, as doenças endêmicas, a ignorância; que procuram uma
participação mais ampla nos frutos da civilização, uma valorização mais ativa
das suas qualidades humanas; que se orientam com decisão para o seu pleno
desenvolvimento, é seguido com atenção pela Igreja” (PP, 1).
Para justificar
que a missão da Igreja abrange também as questões socioeconômicas, Paulo VI
declarou: “Depois do Concílio Ecumênico Vaticano II, uma renovada
conscientização das exigências da mensagem evangélica traz à Igreja a obrigação
de se pôr ao serviço dos homens, para os ajudar a aprofundarem todas as
dimensões de tão grave problema e para os convencer da urgência de uma ação
solidária neste virar decisivo da história da humanidade” (PP, 1).
Após apresentar
as principais aspirações do ser humano, o texto analisa a realidade da
colonização e do colonialismo, constatando um desequilíbrio crescente. Em
contrapartida, percebe-se uma tomada de consciência cada vez maior
dessa realidade. Isso gera “o choque entre as civilizações tradicionais e as
novidades da civilização industrial”, que acaba por quebrar “as estruturas que
não se adaptam às novas condições” (PP, 10).
O Papa apresenta
a visão cristã do desenvolvimento, que “não se reduz a um simples crescimento
econômico. Para ser autêntico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os
homens e o homem todo” (PP, 14). Um pouco mais à frente, Paulo VI explica melhor
esse conceito: “O desenvolvimento integral do homem não pode realizar-se sem o
desenvolvimento solidário da humanidade (…). Por isso, sugerimos a busca de
meios de organização e de cooperação, concretos e práticos, para pôr em comum
os recursos disponíveis e realizar, assim, uma verdadeira comunhão entre todas
as nações” (PP, 43).
Recentemente, o
Papa Leão XIV retomou o conceito de desenvolvimento integral, inserindo-o no
debate socioambiental diante dos desafios que enfrentamos, e nos advertiu: “a
qualidade do desenvolvimento mede-se pela sua capacidade de manter juntas, sem
as separar, a justiça para com as pessoas e a salvaguarda da Casa comum,
favorecendo condições de vida dignas, acesso aos bens essenciais, relações
sociais justas, cuidado da criação e atenção às gerações futuras” (MH,
84).
Há um sério
risco de se gerar um pretenso desenvolvimento para uma pequena classe de
privilegiados, deixando cair apenas migalhas para a enorme multidão de
explorados e descartados da sociedade. Continua o Papa: “Daí se conclui que não
é verdadeiro progresso o que aumenta o bem-estar de alguns degradando os
ecossistemas, descarregando os custos nas comunidades mais vulneráveis ou
prejudicando as condições de vida de quem virá depois de nós” (MH, 84).
Como Igreja,
desejamos que a história da humanidade seja uma história de prosperidade,
justiça, dignidade humana, compromisso socioambiental, concórdia e paz.
Queremos que todos os seres humanos trilhem o caminho do desenvolvimento
integral. Com os Titãs, cantamos e parafraseamos: “a gente não quer só comida,
quer comida, diversão e arte” (Comida).
A gente não quer
só emprego; a gente quer emprego, respeito e justiça social.
A gente não quer
só um ar de desenvolvimento; a gente quer ar sem cheiro de explosivos e de
contaminação de grandes empresas;
A gente não quer
só propaganda enganosa e migalhas; a gente quer acesso ao direito à saúde
pública e tratamento adequado para nossas crianças e pessoas atingidas pelas
explorações.
A gente não quer
só emprego; a gente quer emprego e desenvolvimento sustentável para todos,
especialmente para as famílias e comunidades impactadas por aqueles que dizem
trazer o desenvolvimento para nossas cidades.
A gente não quer
moradia só para alguns privilegiados; a gente quer que todos tenham direito à
moradia digna, sem rachaduras; com suas mesas e chão sem poeira geradas pelas
mineradoras e queimadas da monocultura.
A gente não quer
apenas retirada de nossas riquezas, deixando buracos revirados; a gente quer
respeito ao meio ambiente, aos territórios de nossas comunidades tradicionais,
aos nossos rios, matas e animais.
Continuando a
citar Titãs: “A gente não quer só dinheiro. A gente quer dinheiro e felicidade.
A gente não quer só dinheiro. A gente quer inteiro e não pela metade”
(Comida).
Na abertura do
encontro internacional pelos dez anos da Amoris laetitia, o Papa reafirma a
beleza do plano de Deus para o matrimônio e a família, reconhece a “distância
crescente” entre a forma como sexualidade e intimidade são vividas e a visão
cristã do matrimônio e convida a Igreja a se interrogar sobre sua linguagem e
suas práticas pastorais. “Conseguimos reconhecer a ação da graça mesmo em
situações marcadas por limites, feridas e aparentes fracassos?”, questiona o
Pontífice.
“Que tipo de
Igreja as pessoas encontram precisamente quando estão mais frágeis?” A pergunta
do Papa Leão XIV está no centro do desafio lançado nesta quarta-feira, 7 de
outubro, na abertura do encontro “Dez anos após Amoris laetitia: anunciar o
Evangelho com as famílias hoje”, que reúne no Vaticano hierarcas das Igrejas
Orientais, presidentes de Conferências Episcopais, casais, especialistas e
representantes da pastoral familiar. O encontro, que prossegue até 14 de
outubro, tem caráter global e reúne 187 participantes dos cinco continentes.
Entre eles está a delegação brasileira, composta pelo arcebispo de Porto Alegre
e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime
Spengler; pelo bispo de Ponta Grossa (PR) e presidente da Comissão Episcopal
para a Vida e a Família, dom Bruno Elizeu; e pelo casal coordenador nacional da
Pastoral Familiar, Alisson e Solange Schila.
Ao abrir os
trabalhos na Sala Paulo VI, Leão XIV convidou os participantes a olhar para o
caminho percorrido pela Igreja desde a publicação, há dez anos, da Exortação
Apostólica Amoris laetitia, do Papa Francisco, e a discernir, à luz do Espírito
Santo, o que essa experiência tem ensinado à Igreja sobre o matrimônio, a
família e os novos desafios pastorais.
A família
continua sendo fundamental
Ao recordar o
percurso da Igreja desde o Concílio Vaticano II, o Papa destacou que a vida
familiar oferece “um ponto de entrada privilegiado” para as grandes questões
culturais, econômicas, sociais e políticas do nosso tempo, inclusive para a
promoção da paz. Leão XIV reafirmou, ao mesmo tempo, a visão cristã do
matrimônio:
“A
interdependência dessas questões tornou-se ainda mais evidente hoje, sempre à
luz da Palavra de Deus: ‘Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará
seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher’ (Mc 10,6-7). A família continua
sendo fundamental para uma abordagem que una o local e o global, guiada pela
busca de uma fraternidade universal em Cristo, que o Evangelho nos chama a
construir com todos.”
Para o
Pontífice, os dez anos transcorridos desde a publicação de Amoris laetitia
fazem agora parte da própria vida das Igrejas particulares, em diferentes
culturas e contextos pastorais. O objetivo destes dias, explicou, é reunir as
experiências vividas, as dificuldades encontradas e os frutos surgidos ao longo
desse caminho.
Aprender a
escutar
O Papa ressaltou
que as próprias famílias participam da missão da Igreja na vida cotidiana, por
meio do amor e da fidelidade, do cuidado e do perdão, da educação dos filhos,
da transmissão da fé e da atenção aos idosos e às pessoas vulneráveis. Aos
pastores, recordou a responsabilidade de proclamar “a beleza do plano de Deus
para o matrimônio e a família e o seu apelo ao amor e à ternura”, sem deixar de
acompanhar as pessoas nas circunstâncias concretas em que procuram viver sua
vocação:
“Este ministério
coloca-nos também numa escola de escuta. A sabedoria do Povo de Deus chega até
nós através da nossa fé comum, que ilumina todas as famílias, incluindo as
situações marcadas por dificuldades, solidão e, por vezes, até mesmo por um
aparente fracasso. Temos certamente muito a aprender com as famílias e, quando
dedicamos tempo a ouvir, o próprio Senhor pacientemente nos ensina.”
Sexualidade,
intimidade e os jovens
Foi justamente a
partir da experiência concreta das famílias que o Santo Padre apontou algumas
das questões que, segundo ele, precisam ser enfrentadas “com coragem”. Entre
elas, está a “distância crescente” que, em muitos contextos, se verifica entre
as formas como a sexualidade e a intimidade são vividas e a visão cristã do
matrimônio:
“Os jovens
continuam a desejar o amor, a fidelidade e o sentimento de pertencimento, mas
muitos têm dificuldade em compreender como essa visão do amor pode
concretizar-se em suas próprias vidas ou em acreditar que um compromisso para
toda a vida é a condição para alcançar aquilo que desejam. A insegurança
econômica, a migração, a violência, a solidão e outras formas de fragilidade
emocional também moldam as escolhas que as pessoas fazem e as possibilidades
que conseguem imaginar para o seu futuro.”
Diante desse
cenário, o Papa pediu que a Igreja não se limite a observar as transformações
culturais, mas tenha a coragem de se deixar questionar por elas, inclusive
sobre a capacidade de sua própria linguagem pastoral de alcançar as pessoas.
“Estas
realidades suscitam uma série de questões que devemos enfrentar com coragem. O
que as pessoas procuram verdadeiramente por trás dessas mudanças culturais? O
que suas alegrias e esperanças, suas tristezas e angústias nos revelam? Em que
aspectos nossa linguagem e nossas práticas pastorais conseguem abrir caminho e
onde não conseguem tocar o coração das pessoas nem apoiar seus esforços para
fazer o bem? O que nos ensina a experiência vivida pelas famílias — uma
experiência da qual ainda não aprendemos plenamente? O que podemos oferecer em
termos de formação para uma vida familiar saudável e santa? Em particular, o
que podemos aprender com os pais, que procuram acompanhar seus filhos, e com os
jovens nesses contextos?”
Uma Igreja
próxima nas fragilidades
Outro ponto
central do discurso foi a fragilidade. Segundo Leão XIV, ela pode marcar
profundamente a maneira como uma pessoa olha para si mesma, para o futuro e até
para sua relação com Deus e com a Igreja. Por isso, é preciso perguntar se
somos capazes de permanecer próximos uns dos outros quando “a vida já não
corresponde ao que se esperava” e de reconhecer a ação da graça mesmo em
situações marcadas “por limites, feridas e aparentes fracassos”.
“Também a este
respeito, a experiência das famílias tem algo a ensinar a todos, uma vez que a
fragilidade pertence à nossa condição humana comum e, por isso, também à vida
da Igreja. Todos conhecemos a distância entre o bem que desejamos e aquilo que
somos capazes de viver. Precisamos de graça, perdão e novos começos para
cumprir a vontade de Deus, e aprendemos que a fidelidade é, ela própria, uma
graça a receber e um caminho a renovar gradualmente, muitas vezes através da
provação.”
Foi nesse
contexto que o Papa dirigiu à Igreja algumas das perguntas mais incisivas de
seu discurso: “Que tipo de Igreja as pessoas encontram precisamente quando
estão mais frágeis? Nossas comunidades ajudam-nas a descobrir que ainda têm um
lugar, uma responsabilidade e dons para oferecer? A verdade que proclamamos
pode ser encontrada através da paciência, da proximidade e da misericórdia da
nossa presença pastoral? Como podemos anunciar-lhes a plenitude do ensinamento
do Evangelho sobre a família?”
Novas formas de
anunciar o Evangelho
Para o Santo
Padre, a resposta a essas questões passa por uma Igreja capaz não apenas de
interpretar a realidade, mas de permitir que ela interpele sua própria
responsabilidade pastoral. O Espírito Santo, afirmou, fala também “através das
próprias situações que nos desafiam”, ajudando a reconhecer como a misericórdia
de Deus e a graça de Cristo podem alcançar as famílias em suas fraquezas,
esperanças, desilusões e busca de sentido. A tarefa da Igreja, acrescentou o
Papa, é encontrar “formas renovadas de proclamar o Evangelho, oferecer as
graças sacramentais, acompanhar as famílias e tornar visível a ternura com que
Cristo continua a caminhar entre o seu povo”.
Ao concluir,
Leão XIV pediu que os dias de encontro sejam vividos na escuta, na oração e no
discernimento, permitindo que as experiências provenientes dos diferentes
contextos culturais ajudem toda a Igreja a reconhecer novos caminhos:
“Que o Senhor
nos conceda a liberdade de nos ouvirmos uns aos outros, a sabedoria para
reconhecer a sua obra entre o seu povo e a coragem para seguir por onde Ele nos
conduz, para que, dia após dia, o Evangelho se torne cada vez mais plenamente
uma boa notícia para as famílias em todo o mundo.”