"Reverter a lógica do 'cada um por si'"
Corpus Christi
nos convida a renovar a surpresa e a alegria pelo maravilhoso dom do Senhor que
é a Eucaristia: "não a recebamos de forma passiva e habitual; façamos a
comunhão sempre como se fosse a nossa primeira comunhão", disse.
Cidade do Vaticano - Ao meio dia
deste primeiro domingo de verão na Itália, milhares de pessoas foram à Praça
São Pedro para ver o Papa e ouvir suas palavras. Na Solenidade do
Corpo e Sangue de Cristo, o Santo Padre fez uma breve reflexão sobre a
origem desta festividade, narrada nos quatro evangelhos canônicos.
O Evangelho de
Lucas
Jesus estava
curando doentes no lago da Galileia. Quando caiu a noite, os discípulos
disseram que o lugar era deserto e que estava na hora de se despedir da
multidão, para que fossem aos povoados e lugares vizinhos procurar hospedagem e
comida. O mestre surpreende e diz: "Não precisam ir; deem-lhes de comer".
Os discípulos retrucaram: “Só temos cinco pães e dois peixes" e Jesus
pediu que lhe levassem o que havia.
“Jesus convida
seus discípulos a fazer uma verdadeira conversão, passando da lógica do cada um
por si para a da partilha, a partir do pouco que a Providência nos põe à
disposição. E imediatamente mostra que tem uma ideia clara do que quer fazer.”
Ordena aos
discípulos que se sentem em círculos de cinquenta; toma nas mãos os cinco pães
e dois peixes e olhando para o céu, agradece e reparte os pães e os peixes,
entregando-os aos discípulos, para que os distribuíssem ao povo. Todos puderam
comer e se satisfizeram.
Sacramento
oferecido pela salvação
Este milagre
mostra o poder do Messias e, ao mesmo tempo, a sua compaixão pelo povo. Esse
gesto prodigioso não só permanece como um dos grandes sinais da vida pública de
Jesus, mas antecipa o que será então, no final, a memória do seu sacrifício,
isto é, a Eucaristia, sacramento do seu Corpo e Sangue oferecidos para a
salvação do mundo.
Eucaristia,
memória perpétua da Páscoa
Francisco
explicou aos fiéis que “a Eucaristia é a síntese de toda a existência de Jesus,
que foi um único ato de amor ao Pai e aos irmãos. Também ali, como no milagre
da multiplicação dos pães, Jesus tomou o pão nas mãos, elevou ao Pai a oração
da bênção, partiu o pão e deu-o aos discípulos; e fez o mesmo com o cálice do
vinho. Mas naquele momento, na véspera da sua Paixão, quis deixar naquele gesto
o Testamento da nova e eterna Aliança, memória perpétua da sua Páscoa de morte
e ressurreição.
Sol e calor
iluminaram o Papa
Milhares de fiéis durante a Oração do Angelus |
E antes de se
despedir, lembrou que como em muitos lugares, também aqui em Roma se realizam
procissões no dia de Corpus Christi, e ele mesmo irá ao bairro romano
de Casal Bertone celebrar a Missa e fazer a procissão.
Após conceder a
bênção, Francisco falou sobre a beatificação de um grupo de religiosas mártires
da Ordem Franciscana da Imaculada Conceição, na guerra civil espanhola:
“Seu martírio é
um convite a todos nós para sermos fortes e perseverantes, especialmente na
hora da provação”
E ainda saudou
os peregrinos do Brasil, desejando a todos um feliz domingo e um bom almoço, e
como é tradição, pedindo orações para si.
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Assista:
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Papa na Missa deste Domingo de Corpus Christi na Europa:
"Com
bênção e partilha, nunca estaremos sozinhos!"
Celebrando a
missa de Corpus Christi no bairro romano de Casal Bertone, Francisco lembrou
que "o nosso pouco é sempre tanto aos olhos de Jesus, se não o guardarmos
para nós e o colocarmos em jogo".
Papa celebra missa por ocasião da solenidade de Corpus Christi em Casal Bertone, periferia de Roma |
Cidade do
Vaticano - Domingo, 23 de junho, às 18 horas, horário de Roma, o Papa
Francisco celebrou a Santa Missa da solenidade do Santíssimo Corpo e
Sangue de Cristo no adro da Igreja de Santa Maria Consoladora, no bairro
de Casal Bertone, zona leste de Roma. Após a Celebração Eucarística,
Francisco encabeçou a procissão com o Santíssimo Sacramento pelas ruas do
bairro, e concedeu a bênção eucarística à multidão.
Melquisedec como
Jesus, transformar a palavra em dom
Analisando as
leituras do dia, o Papa ressaltou dois verbos em particular, por ele
considerados simples e essenciais para a vida de cada dia: dizer e dar.
Importante receber palavras que fazem bem |
Sobre o Dizer,
Francisco lembrou o relato da Genesis, quando Melquisedec diz: «Abençoado seja
Abrão pelo Deus Altíssimo, e bendito seja o Deus Altíssimo». Aquele ‘dizer’ de
Melquisedec é bendizer, abençoar.
“Tudo parte da bênção: as palavras de bem
geram uma história de bem. Por que faz bem abençoar? Porque é transformar a
palavra em dom. Quando se abençoa, não se faz uma coisa para si mesmo, mas para
os outros. Abençoar não é dizer palavras bonitas, nem usar palavras de
circunstância; mas é dizer bem, dizer com amor”.
Importante
receber palavras que fazem bem
Lembrando como é
importante para fiéis e pastores também receber palavras que nos fazem bem, ou
um sinal da cruz na fronte, e ressaltando que ‘a Eucaristia é uma escola de
bênção’, Francisco exortou os sacerdotes a não terem medo de abençoar, e fez um
chamado:
“É triste ver
hoje quão facilmente se amaldiçoa, despreza, insulta. Atacados por demasiado
frenesi, não nos contemos, desafogando a raiva sobre tudo e todos. Muitas
vezes, infelizmente, é quem grita mais e mais forte, é quem está mais irritado
que parece ter razão e obter consensos. Não nos deixemos contagiar pela
arrogância, não nos deixemos invadir pela amargura, nós que comemos o Pão que
em si contém toda a doçura”.
Pão, recurso de
partilha
Francisco então
passou ao segundo verbo: Dar e citou Abrão que, abençoado por
Melquisedec, «deu-lhe o dízimo de tudo»; e Jesus que, depois de pronunciar a
bênção, dava o pão para ser distribuído, desvendando assim o seu significado
mais belo: o pão não é apenas produto de consumo, mas recurso de partilha.
Comunhão, pão eucarístico |
“No mundo,
procura-se sempre aumentar os lucros, aumentar o volume de negócios... Sim, mas
com que finalidade? É o dar ou o ter? O partilhar ou o acumular? A «economia»
do Evangelho multiplica partilhando, alimenta distribuindo; não satisfaz a
voracidade de poucos, mas dá vida ao mundo. O verbo de Jesus não é ter, mas
dar”.
Comunhão, pão
eucarístico
O Papa concluiu
sua homilia recordando que o nosso pouco é sempre tanto aos olhos de Jesus, se
não o guardarmos para nós e o colocarmos em jogo. Não estamos sozinhos: temos a
Eucaristia, o Pão do caminho, o Pão de Jesus.
“Também nesta tarde, seremos alimentados pelo
seu Corpo entregue. Se o recebermos com o coração, este Pão irradiará em nós a
força do amor: sentir-nos-emos abençoados e amados, e teremos vontade de
abençoar e amar, a começar daqui, da nossa cidade, das estradas que vamos
percorrer nesta tarde. O Senhor passa pelas nossas estradas para dizer-bem de
nós e para nos dar coragem. A nós, pede-nos também para sermos bênção e dom”.
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Homilia integral
do Papa Francisco na Solenidade de Corpus Christi
Casal Bertone,
Santa Maria Consoladora - Roma, 23 de junho de 2019
Hoje, a Palavra
de Deus ajuda-nos a descobrir dois verbos simples e essenciais para a vida de
cada dia: dizer e dar.
Dizer. Na
primeira leitura, Melquisedec diz: «Abençoado seja Abrão pelo Deus Altíssimo, e
bendito seja o Deus Altíssimo» (Gn 14, 19-20). O dizer de Melquisedec é
bendizer. Abençoa Abrão, em quem serão abençoadas todas as famílias da terra
(Gn 12, 3; Gal 3, 8). Tudo parte da bênção: as palavras de bem geram uma
história de bem. O mesmo acontece no Evangelho: antes de multiplicar os pães,
Jesus abençoa-os: «tomou os cinco pães, ergueu os olhos ao Céu, pronunciou
sobre eles a bênção, partiu-os e foi-os dando aos discípulos» (Lc 9, 16). De
cinco pães, a bênção faz alimento para uma multidão: faz brotar uma cascata de
bem.
Por que faz bem
abençoar? Porque é transformar a palavra em dom. Quando se abençoa, não se está
a fazer uma coisa para si mesmo, mas para os outros. Abençoar não é dizer
palavras bonitas, nem usar palavras de circunstância; mas é dizer bem, dizer
com amor. Assim fez Melquisedec: espontaneamente diz bem de Abrão, sem que este
tenha dito ou feito algo por ele. Assim fez Jesus, mostrando o significado da
bênção com a distribuição gratuita dos pães. Quantas vezes fomos abençoados,
também nós, na igreja ou nas nossas casas! Quantas vezes recebemos palavras que
nos fizeram bem, ou um sinal da cruz na fronte! Fomos abençoados no dia do
Batismo e, no final de cada Missa, somos abençoados. A Eucaristia é uma escola
de bênção. Deus diz bem de nós, seus filhos amados, encorajando-nos assim a
continuar. E nós bendizemos a Deus nas nossas assembleias (cf. Sal 68, 27),
reencontrando o gosto do louvor, que liberta e cura o coração. Vimos à Missa
com a certeza de ser abençoados pelo Senhor, e saímos para, por nossa vez,
abençoarmos, para sermos canais de bem no mundo.
É importante que
nós, Pastores, nos lembremos de abençoar o povo de Deus. Queridos sacerdotes,
não tenhais medo de abençoar! O Senhor quer dizer bem do seu povo; fica feliz
em fazer-nos sentir o seu carinho por nós. E só depois de abençoados é que
podemos abençoar os outros com a mesma unção de amor. Entretanto, é triste ver
hoje quão facilmente se amaldiçoa, despreza, insulta. Assaltados por demasiado
frenesi, não nos contemos, desafogando a raiva sobre tudo e todos. Muitas
vezes, infelizmente, é quem grita mais e mais forte, é quem está mais irritado
que parece ter razão e obter consensos. Não nos deixemos contagiar pela
arrogância, não nos deixemos invadir pela amargura, nós que comemos o Pão que
em si contém toda a doçura. O povo de Deus ama o louvor, não vive de
lamentações; está feito para a bênção, não para a lamentação. Diante da
Eucaristia, de Jesus que Se fez Pão, deste Pão humilde que contém a totalidade
da Igreja, aprendamos a bendizer o que temos, a louvar a Deus, a abençoar e não
a amaldiçoar o nosso passado, a dar boas palavras aos outros.
O segundo verbo
é dar. Ao «dizer», segue-se o «dar», como no caso de Abrão que, abençoado por
Melquisedec, «deu-lhe o dízimo de tudo» (Gn 14, 20); como no caso de Jesus que,
depois de pronunciar a bênção, dava o pão para ser distribuído, desvendando
assim o seu significado mais belo: o pão não é apenas produto de consumo, mas
recurso de partilha. De facto, na narração da multiplicação dos pães,
surpreendentemente nunca se fala de multiplicar. Na verdade, os verbos usados
são «partir, dar, distribuir» (cf. Lc 9, 16). Em suma, não se destaca a
multiplicação, mas a partilha. É importante: Jesus não realiza uma magia, não
transforma os cinco pães em cinco mil, para depois dizer: «Agora distribuí-os».
Não. Jesus reza, abençoa aqueles cinco pães e começa a parti-los, confiando no
Pai. E não se esgotam mais aqueles cinco pães… Isto não é magia, mas confiança
em Deus e na sua providência.
No mundo,
procura-se sempre aumentar os lucros, aumentar o volume de negócios... Sim, mas
com que finalidade? É o dar ou o ter? O partilhar ou o acumular? A «economia»
do Evangelho multiplica partilhando, alimenta distribuindo; não satisfaz a
voracidade de poucos, mas dá vida ao mundo (cf. Jo 6, 33). O verbo de Jesus não
é ter, mas dar.
E a solicitação
que Ele faz aos discípulos é categórica: «Dai-lhes vós de comer» (Lc 9,13).
Tentemos imaginar os raciocínios que terão feito os discípulos: «Não temos pão
para nós, e devemos pensar nos outros? Por que devemos dar-lhes de comer, se
eles vieram para escutar o nosso Mestre? Se não trouxeram comida, voltem para
casa, ou então deem-nos dinheiro e nós compraremos». Não é que sejam errados
estes raciocínios, mas não são os de Jesus, que não ouve razões: dai-lhes vós
mesmos de comer. Aquilo que temos só produz fruto se o dermos (isto é o que nos
quer dizer Jesus!); e não importa se é pouco ou muito. O Senhor faz grandes
coisas com o nosso pouquinho, como no caso dos cinco pães. Ele não realiza
prodígios com ações espetaculares, mas com coisas humildes, partindo com as
mãos, dando, distribuindo, partilhando. A omnipotência de Deus é humilde, feita
apenas de amor; e o amor faz grandes coisas com as coisas pequenas. Assim no-lo
ensina a Eucaristia: n’Ela, está Deus encerrado num bocado de pão. Simples e
essencial, pão partido e partilhado, a Eucaristia que recebemos transmite-nos a
mentalidade de Deus. E leva a darmo-nos, a nós mesmos, aos outros. É antídoto
contra afirmações como «lamento, mas não me diz respeito», «não tenho tempo,
não posso, não é da minha conta».
Na nossa cidade
faminta de amor e solicitude, que sofre de degradação e abandono, perante
tantos idosos sozinhos, famílias em dificuldade, jovens que dificilmente
conseguem ganhar o pão e alimentar os seus sonhos, o Senhor diz-te: «Dá-lhes tu
de comer». E tu podes retorquir: «Tenho pouco, não sou capaz». Não é verdade! O
teu pouco é tanto aos olhos de Jesus, se não o guardares para ti mas o
colocares em jogo. E não estás sozinho: tens a Eucaristia, o Pão do caminho, o
Pão de Jesus. Também nesta tarde, seremos alimentados pelo seu Corpo entregue.
Se o recebermos com o coração, este Pão irradiará em nós a força do amor:
sentir-nos-emos abençoados e amados, e teremos vontade de abençoar e amar, a
começar daqui, da nossa cidade, das estradas que vamos percorrer nesta tarde. O
Senhor passa pelas nossas estradas para dizer-bem de nós e para nos dar
coragem. A nós, pede-nos também para sermos bênção e dom.
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Fonte: vaticannews.va
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