quinta-feira, 3 de julho de 2025

Catequese com o padre Zezinho:

Escolhi viver da notícia.

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Tenho 84 anos e desde os vinte comecei a pensar a sério sobre e a vocação de repercutidor. Foi durante o noviciado devoniano numa leitura de uma página do Padre Dehon, excelente advogado, sociólogo, escritor.

Quis viver da notícia e comentá-las porque, desde que o mundo existe, as sociedades querem saber o que aconteceu, acontece e acontecerá nas pessoas e no mundo. A comunicação humana passa pela NOTÍCIA. E jornalistas, repórteres, comentaristas, redatores e padres que diariamente sobem ao púlpito vivem dessa mística!

Jesus se proclamou O FILHO que viera do PAI e mostraria o ESPÍRITO que, desde o começo de tudo, estava lá “dando sentido” a toda a CRIAÇÃO!

Tudo faz sentido quando levamos a sério as notícias do cotidiano.

Ficou claro para mim que ser padre era repercutir esta notícia: Katechein é exatamente isto REPERCUTIR, que, em português é CATEQUIZAR.

A notícia não é minha. Veio de longe, eu apenas a transmito do jeito católico (KAT HOLOS: para todos) E não devemos fazer exceção! Somos catequistas para todo o ser humano que tem olhos e ouvidos: as palavras são OUÇAM E VEJAM: VINDE E VEDE! Vivemos disso!

E porque acredito na BOA NOTÍCIA chamada EVANGELHO: (eu anguelion) quis e quero viver para espalhar esta notícia >

“Deus existe e nos ama, é compassivo e misericordioso e o ser humano e o mundo têm conserto”!

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Há quem pregue e noticie com severidade, todos os dias falando de demônio, satanás e inferno.

Há quem pregue e noticie com gentileza todos os dias falando de Céu e chances de salvação.

E entre a boa e a má notícia escolhi, com tristeza, divulgar também a má porque infelizmente o mal existe,

Mas estudei pedagogia o suficiente para divulgar mais a boa notícia sempre com otimismo e com esperança.

Aprendi isso em livros, missas, retiros e encontros e entrando na Internet. Lá eu posso escolher o que divulgar! Estudei o CIC, o DSI, e o CVII. São textos realistas e mais otimistas do que pessimistas.

Assim, todos os dias escolhi e escolho repercutir ser mais um dos repórteres da fé! Eu faço isso do meu ângulo de padre católico. Os bons jornalistas e comunicadores o fazem do seu ângulo! Mas, sem realismo e otimismo ninguém faz bom jornalismo nem bom cristianismo! Pz

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                                                                                         Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Missa em ação de graças pelos 59 anos de sacerdócio

do padre Rudy Antônio Mildner, scj

Nesta quarta-feira, às 19h, na matriz de São José, mesmo com vento e frio, muitas pessoas participaram da missa em ação de graças pelos 59 anos de ordenação sacerdotal do padre Rudy Antônio Mildner, scj, presidida pelo aniversariante.

Logo que se iniciou a proclamação do evangelho, houve a queda da energia elétrica, que ocorreu em dezenas de cidades do Sul de Minas. Sob a luz de velas, a celebração prosseguiu normalmente. O mais importante era a luz do Cristo vivo e ressuscitado presente na Palavra e na Eucaristia.

Na homilia, após a reflexão do evangelho, expressou sua alegria e gratidão a Deus por tê-lo chamado ao sacerdócio e pelo fato de ter sido ordenado presbítero exatamente na data de aniversário da querida e saudosa ursulina, Maria Midner, sua irmã.

No final da missa, o responsável por este blog, em nome da comunidade paroquial e da direção da Escola Profissionalizante Maria Mãe da Igreja, fez uma saudação ao sacerdote, enaltecendo sua humildade e disponibilidade em servir nossa paróquia. No mesmo sentido o vigário paroquial, padre Carlos Cézar, dirigiu-se ao padre Rudy, agradecendo-o pelas atividades ministeriais exercidas em nossa paróquia e pelo testemunho edificante de sua vida.

O sacerdote recebeu também os cumprimentos da assembleia com os “parabéns a você”. Agradecendo as homenagens, ressaltou que tudo que realizou nas diversas paróquias e funções que assumiu não foi obra de seu mérito próprio, mas fruto da graça e da bondade de Deus.

Após a missa recebeu os cumprimentos de muitos dos participantes da Eucaristia.

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Alguns dados da vida do padre Rudy

Nascimento em Boa Vista do Buricá-RS em 14 de julho de 1938
Votos Perpétuos na cidade de Taubaté-SP em 2 de fevereiro de 1964
Ordenação Diaconal também em Taubaté em 27 de março de 1966
Ordenação Presbiteral em sua cidade natal no dia 2 de julho de 1966

Exerceu seu ministério inicialmente como vigário cooperador nas paróquias Sagrado Coração de Jesus em Joinville-SC, São Vicente Férrer em Formiga-MG e Nossa Senhora da Candelária em São Paulo-SP.

Pároco do Santuário São Judas Tadeu em São Paulo e da Catedral de Ituiutaba e administrador diocese de Ituiutaba. Em seguida, exerceu a função de conselheiro provincial, foi pároco na paróquia Santa Rita de Cássia em Curitiba-PR; vigário paroquial na paróquia Nossa Senhora do Rosário em Varginha-MG, capelão hospitalar durante vinte anos no Instituto Pazannese na capital paulista.

Desde 2023, reside na Casa Dom Couto em Taubaté-SP.

Com informações dos site dos Dehonianos

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Celebramos hoje

o Centenário de Nascimento da Irmã Maria

O tempo. Nele nascemos, vivemos e por ele passamos. Deus está acima do tempo, é eterno. E nos deu o tempo para vivenciarmos um aprendizado na busca da realização e santificação.

Há pessoas que se deixam conduzir pelo tempo, sem deixar legado aos que provisoriamente continuam no tempo. Outras fazem do tempo lindas páginas, onde escrevem belas histórias. É o caso da querida e saudosa Ir. Maria Mildner.

Nascida no município gaúcho de Estrela no dia 2 de julho de 1925, fez de sua vida brilhante luz, que iluminou e ilumina o caminho de tantos que com ela conviveram ou ouviram falar dela.

Deus a chamava à santidade, ao Paraíso, o celeste, e, atendendo ao convite, tornou-se religiosa consagrada da Ordem de Santa Úrsula. E, pelos desígnios divinos, viveu o caminho do serviço aos irmãos, em especial os mais necessitados e doentes em nosso Paraíso.

Louvamos a Deus pelos 100 anos de nascimento da querida religiosa, que, por meio de seu testemunho de vida e pela sua obra, nos convida a trilhar o mesmo caminho de santidade que ela trilhou.

Luiz Gonzaga da Rosa

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Morre padre Dri, o cardeal confessor

que "ensinou" a misericórdia ao Papa Francisco

O frade capuchinho que Jorge Mario Bergoglio sempre indicava como exemplo no confessionário, citando sua famosa frase de "desculpa" a Jesus por ter "perdoado demais": "Foste tu que me deste o mau exemplo", faleceu em 30 de junho, aos 98 anos, em Buenos Aires. O Pontífice argentino o havia criado cardeal no Consistório de 2023, o mesmo em que recebeu a púrpura Prevost. Os restos mortais estão expostos no Santuário de Nossa Senhora de Pompeia. As exéquias serão realizadas esta quarta-feira.

“Ele? É ótimo!” Na expressão coloquial e imediata com que o Papa Francisco definiu o padre Luis Pascual Dri, o confessor capuchinho argentino que se tornou cardeal aos 96 anos, havia toda a estima e o carinho que ligavam o Pontífice argentino àquele que foi seu “mestre” de misericórdia. A misericórdia que o frade dispensou “abundantemente” no confessionário, indo depois pedir desculpas a Jesus: “Senhor, perdoa-me porque perdoei demais. Mas foste tu que me deste o mau exemplo!” O padre Dri faleceu na segunda-feira, 30 de junho, em Buenos Aires. Tinha 98 anos e usava o hábito franciscano desde 1945. Seus restos mortais estão expostos no Santuário de Nossa Senhora de Pompeia, onde se encontrava retirado desde 2007; as exéquias têm lugar esta quarta-feira, 2 de julho, com a Eucaristia presidida pelo arcebispo Jorge Ignacio García Cuerva. “Com a certeza do grande bem realizado pelo padre Dri em nossa Arquidiocese de Buenos Aires – lemos em nota oficial –, acompanhamos sua família religiosa e todos os seus entes queridos neste momento de profunda dor, mas ao mesmo tempo de esperança no Senhor”.

“Misericordiando” a exemplo do Padre Pio e de São Leopoldo

Sim, esperança. A mesma que o cardeal nascido em Federación, província de Entre Ríos (Argentina), em 17 de abril de 1927, em uma família onde 8 de 9 filhos se consagraram à vida religiosa, seminarista no Uruguai e missionário nas favelas, oferecia aos penitentes em um confessionário com isolamento acústico feito por painéis brancos. Naquele espaço estreito, que aqueles que tiveram a oportunidade de visitá-lo descrevem como semelhante a um antigo estúdio de rádio, o padre Dri, inspirando-se no exemplo do padre Pio e de São Leopoldo Mandić, que teve a oportunidade de conhecer na década de 1960, esteve “misericordiando” por horas e horas. "Até o apagar das velas", disse ele.

O Consistório de 2023

É por esse ministério incansável que o Papa Francisco quis conceder a púrpura ao capuchinho em seu penúltimo Consistório, de 30 de setembro de 2023, o mesmo em que Robert Francis Prevost, o atual Papa Leão XIV, também foi criado cardeal. O frade não pôde comparecer à cerimônia na Basílica de São Pedro devido à idade e ao estado de saúde, mas recebeu as insígnias cardinalícias na Argentina, durante uma cerimônia na catedral de Buenos Aires. Foi-lhe concedido o título de cardeal diácono de Sant'Angelo in Pescheria. Não um prêmio, mas sim uma "carícia" para este idoso sacerdote, aliás, uma "delicadeza", como o próprio Dri teve a oportunidade de afirmar em conversa telefônica com a mídia vaticana, durante a qual sublinhou certamente a grande emoção na escolha do Papa, mas, ao mesmo tempo, o fato de que para ele "não fazia diferença" ter sido incluído no Colégio cardinalício.

Com seu hábito marrom e solidéu vermelho, mesmo como cardeal, Dri continuou a fazer o que sempre fizera: administrar o sacramento da Reconciliação. E rezar, é claro, porque a atitude de compaixão e caridade que sempre o caracterizou ("A primeira coisa é reconhecer que sou tão pecador quanto aquele que se aproxima de mim", dizia ele) nascia substancialmente do estar de joelhos diante do Tabernáculo.

A recordação de Francisco

Com um toque de emoção, o Papa Francisco pronunciou seu nome da janela do Palácio Apostólico no Angelus de 9 de julho, ao final do qual anunciou o Consistório de setembro. Último da lista, mas certamente não no coração do Pontífice, que se lembrou de Dri com estas palavras: “Recordo-me de um grande confessor, um padre capuchinho, que exerceu seu ministério em Buenos Aires. Certa vez, ele veio me encontrar e quis conversar. Disse-me: ‘Peço-te ajuda, sempre tenho tanta gente em frente ao confessionário, gente de todos os tipos, humildes e menos humildes, mas também tantos padres... Eu perdoo muito e às vezes tenho um escrúpulo, o escrúpulo de ter perdoado demais’. Conversamos sobre misericórdia e perguntei-lhe o que ele fazia quando sentia esse escrúpulo. Ele me respondeu assim: ‘Vou à nossa capelinha, diante do sacrário, e digo a Jesus: Senhor, perdoa-me porque perdoei demais. Mas foste tu que me deste o mau exemplo!’. Nunca me esquecerei disso. Quando um padre vive a misericórdia consigo mesmo dessa maneira, pode dá-la aos outros”.

“Confesso muito, por muitas horas, de manhã e à noite”

A primeira vez que Francisco apresentou o padre Dri ao mundo foi em 6 de março de 2014, durante o encontro com os párocos de Roma. Também em 2014, ele o citou no livro "O Nome de Deus é Misericórdia" e, em 2016, durante o encontro com os confessores do Jubileu. Em 2017, o Papa quis doar aos párocos de Roma um exemplar do livro "Não tenham medo de perdoar", com a biografia do padre Luís e o prefácio do Pontífice. Naquele volume, o frade falava de seu vínculo com Bergoglio: “Quando ele era cardeal aqui em Buenos Aires, eu tinha muita confiança nele, ia falar com ele e uma vez lhe confiei tudo isso. Ele me disse: ‘Perdoa, perdoa, devemos perdoar’. E eu disse: sim, eu perdoo, mas depois fico com uma certa inquietação e por isso depois vou até Jesus e lhe digo que foi Ele quem me ensinou, que me deu o mau exemplo, porque Ele perdoou tudo, nunca rejeitou ninguém. É claro que essas palavras marcaram Bergoglio, ficaram gravadas nele. Ele sabe que eu confesso muito, por muitas horas, de manhã e à noite. E mais de uma vez ele aconselhou alguns padres, por algum problema, a virem falar comigo. Eu os escutei e agora somos grandes amigos, com alguns deles vindo com frequência, conversamos e eles se dão muito bem espiritualmente”.

O ensinamento da vida

O cardeal Dri disse estar grato ao Papa pela confiança "imerecida" concedida com a criação cardinalícia: "Não sou um padre, um frade que estudou, não tenho doutorado, não tenho nada. Mas a vida me ensinou muito, a vida me marcou e, como nasci muito pobre, sinto que devo sempre ter uma palavra de misericórdia, de ajuda, de proximidade para quem quer que chega aqui. Ninguém deve sair pensando que não foi compreendido, que foi desprezado ou rejeitado".

Salvatore Cernuzio – Vatican News

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                                                            Fonte: vaticannews.va       Foto: (@Vatican Media)

terça-feira, 1 de julho de 2025

Missa em ação de graças pelo centenário de nascimento:

da irmã Maria Mildner

A missa das 15h, desta terça-feira, na matriz de São José, revestiu-se da celebração festiva em ação de graças pelos 100 anos do nascimento da irmã Maria Mildner, que tanto bem realizou em Paraisópolis e região durante mais de 40 anos.

Após a motivação inicial, feita pelo responsável por este blog, iniciou-se a procissão de entrada, abrilhantada pela música composta por dona Rosa Pinto Ribeiro, que juntamente com a equipe de canto, a interpretaram.

Participaram desse momento a primeira e a atual presidente da Escola da Irmã Maria, as senhoras Marilurdes Lima Santos e Elismara Nunes da Silveira Braga, que conduziram o banner do Jubileu, as irmãs Maria José Rosa e Cecília Vieira Célio, ursulinas do Colégio Santa Ângela, onde a Irmã Maria viveu em nossa cidade, que levaram ao altar um quadro de Santa Ângela

Seguiu-se a entrada de uma das últimas cuidadoras da religiosa e voluntária na escola, Luzia de Fátima Batista, que, juntamente com a ex-presidente da instituição, Sueli Silva Braga Barros, representando professores e alunos, levaram ao presbitério alguns dos trabalhos realizados na Escola da Ir. Maria. Também fizeram parte da entrada quatro anjinhos de Nossa Senhora e um soldadinho do Sagrado Coração de Jesus, que representaram as crianças assistidas pela religiosa.

Em seguida, a assembleia recebeu o presidente da Eucaristia e irmão da querida consagrada, o padre Rudy Antônio Mildner e o concelebrante, nosso vigário, padre Carlos César, com a equipe de celebração. Após a saudação inicial, foi lida uma bela mensagem do pároco, padre Leandro Carvalho, que não pode estar na celebração.

Na homilia, padre Rudy, dirigindo-se às centenas de fiéis participantes da missa e aos que acompanharam pelas redes sociais, entre as quais, o face da Pastoral da Saúde do Instituto Dante Pazzanese de São Paulo, refletiu sobre o evangelho do dia e sobre a vida da e obra da irmã Maria, convidando a todos para seguirem o exemplo de doação ao serviço de Deus e ao próximo que marcaram a vida religiosa.




Os participantes receberam no final este belo postal da irmã Maria, oferecido por um dos seus sobrinhos e sua esposa, residentes no Rio Grande do sul.

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Reflita com o cardeal dom Jaime Spengler:

Lágrimas da Casa Comum 

“Ninguém pode enfrentar a vida isoladamente; precisamos de uma comunidade que nos apoie, que nos auxilie e dentro da qual nos ajudemos mutuamente a olhar em frente. Como é importante sonhar juntos! Sozinho, corre-se o risco de ter miragens, vendo aquilo que não existe; é junto que se constroem os sonhos” (Papa Francisco). 

Na tragédia climática que se abateu sobre o Rio Grande do Sul em maio de 2024, nos tornamos testemunhas e participantes da, talvez, maior onda de solidariedade da história recente do Brasil. Após aquela tragédia, distintos setores da sociedade manifestaram-se publicamente sobre a necessidade de investimentos para proteger cidades e populações de semelhantes situações. Não faltaram manifestações sobre a liberação de auxílio financeiro ao Estado e aos municípios. Também não faltaram promessas sobre a construção de casas para quem tudo perdeu. 

Passaram-se 13 meses e as chuvas voltaram intensas! Desabrigados; estradas e pontes destruídas! Novamente, os mesmos discursos: “choveu acima da média”; “infelizmente, não se pode prever este tipo de situação”; “estamos empenhados em ir ao encontro de quem necessita de auxílio”. Certamente, tais observações têm sua razão de ser. No entanto, há de se reconhecer: o tempo urge. A burocracia, a morosidade e, talvez, a falta de transparência em alguns setores colaboram para a morosidade diante do que necessita ser feito. 

Até um passado não muito distante, se falava da “sociedade do cansaço”. Atualmente, se fala da “sociedade do medo”! De fato, não faltam sinais de que o medo está presente em amplos setores da sociedade. E são, sobretudo, os mais pobres que sentem no cotidiano tal situação. Não bastasse a falta de trabalho, segurança, transporte digno, acesso à educação com qualidade, agora, mais uma vez, o medo de que a natureza produza nova tragédia. 

“A natureza chora dores de parto”, afirma S. Paulo. Cientistas de distintos países têm alertado para a necessidade de atenção particular para com o meio ambiente. Não faltam expressões da sociedade – também da comunidade de fé! – que negam a necessidade de respeito, cuidado e promoção do meio ambiente. Expoentes da fé cristã – e, de modo especial, o Papa Francisco! – se fizeram voz das lágrimas da natureza. Os discípulos e discípulos do Homem de Nazaré têm a missão de cuidar, promover e proteger a Casa Comum. Ela é obra divina! Não basta se lamentar do acontecido ou do modo de proceder do poder público. Urge que cada um colabore para deixar o mundo um pouco melhor para as futuras gerações. A colaboração passa por atitudes como, por exemplo, seleção do lixo, cuidado para manter ruas, esgotos, arroios e bueiros limpos. Pode parecer pouco; no entanto, se cada um se empenhar por colaborar, todos certamente poderemos sonhar com dias melhores. 

Cardeal Jaime Spengler - Arcebispo de Porto Alegre (RS)

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                                                                   Fonte: cnbb.org.br      Foto: (@Vatican Media)

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Papa em mensagem à FAO:

é preciso abandonar os slogans
e partir para ações concretas contra a fome

Na mensagem enviada à 44ª Conferência da FAO, Leão XIV denuncia o uso da fome como arma de guerra, critica a polarização global e exorta a comunidade internacional a agir com coragem e fraternidade para erradicar a fome no mundo.

Refugiados palestinos na fila para receber comida

“A tragédia persistente da fome e da má nutrição, que ainda afeta muitos países atualmente, é ainda mais triste e vergonhosa quando nos damos conta de que, embora a Terra tenha capacidade para produzir alimentos suficientes para todos os seres humanos, tantos pobres no mundo continuam sem o pão nosso de cada dia.”

Foi com estas palavras que o Papa Leão XIV se dirigiu, pela primeira vez desde o início de seu pontificado, aos participantes da 44ª Sessão da Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que celebra este ano seu 80º aniversário.

Na mensagem, dirigida ao Diretor-Geral da FAO, Qu Dongyu, e às delegações presentes, o Santo Padre manifesta profunda preocupação com o agravamento da insegurança alimentar no mundo e alerta que “a segurança alimentar global continua a se deteriorar, tornando cada vez mais improvável o alcance do objetivo de ‘Fome Zero’ da Agenda 2030”.

A fome como arma de guerra

Entre os trechos mais contundentes da mensagem, o Papa denuncia o uso crescente da fome como instrumento de guerra. “Matar de fome a população é uma forma muito barata de fazer guerra”, afirma. E acrescenta: “Hoje, quando a maioria dos conflitos não é travada por exércitos regulares, mas por grupos de civis armados com poucos recursos, queimar plantações, roubar gado, bloquear a ajuda humanitária são táticas cada vez mais utilizadas por aqueles que pretendem controlar populações inteiras e indefesas.”

O Pontífice também critica duramente a lógica que permite que, enquanto “os civis emagrecem pela miséria, as elites políticas engordam com a corrupção e a impunidade”. Diante disso, faz um forte apelo: “É hora de o mundo adotar limites claros, reconhecíveis e consensuais para sancionar esses abusos e perseguir seus autores e executores.”

Superar a era dos slogans

Leão XIV alerta para a urgência de abandonar as promessas vazias: 

“Adiar uma solução para esse cenário dilacerante não ajudará; ao contrário, as angústias e os sofrimentos dos necessitados continuarão a se acumular. Portanto, é imperativo passar das palavras às ações, encerrando de vez a era dos slogans e das promessas enganadoras.”

O Papa reforça que a responsabilidade é também intergeracional: “Mais cedo ou mais tarde, teremos que prestar contas às futuras gerações, que herdarão uma carga de injustiças e desigualdades se não agirmos agora com sensatez.”

A crise climática e a fome: um círculo perverso

Ao abordar a estreita relação entre crise climática, sistemas alimentares e desigualdade social, o Pontífice explica que “os sistemas alimentares têm grande influência sobre as mudanças climáticas — e vice-versa”, e destaca que sem uma “ação climática decidida e coordenada”, não será possível garantir alimentos para uma população mundial em crescimento.

O Papa propõe um modelo de desenvolvimento que una ecologia integral e justiça social: “Não basta produzir alimentos; também é fundamental garantir que os sistemas alimentares sejam sustentáveis e proporcionem dietas saudáveis e acessíveis para todos.”

Recursos desviados para armas

Leão XIV chama a atenção para a contradição ética que permeia o cenário atual: “Recursos financeiros e tecnologias inovadoras, que deveriam ser destinados à erradicação da pobreza e da fome no mundo, são desviados para a fabricação e o comércio de armas.”

O Papa também denuncia a crescente polarização internacional, que, segundo ele, “fomenta ideologias questionáveis, enquanto as relações humanas esfriam, o que deteriora a comunhão, afasta a fraternidade e destrói a amizade social.”

Artesãos da paz e da fraternidade

A mensagem conclui com um apelo à comunidade internacional: “Jamais foi tão urgente como agora que nos tornemos artesãos da paz, trabalhando para isso em prol do bem comum — do que beneficia a todos e não apenas a alguns poucos, que, aliás, são quase sempre os mesmos.”

Leão XIV assegura que a Santa Sé “estará sempre a serviço da concórdia entre os povos e não se cansará de cooperar para o bem comum da família das nações, especialmente em favor dos seres humanos mais provados — aqueles que passam fome e sede —, assim como daquelas regiões remotas, que não conseguem se erguer de sua miséria devido à indiferença”.

Com esperança e fé, o Santo Padre invoca a bênção de Deus sobre os trabalhos da FAO, “para que sejam plenamente frutíferos e revertam em benefício dos desvalidos e de toda a humanidade”.

Thulio Fonseca - Vatican News

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