quinta-feira, 4 de março de 2021

Papa aos iraquianos:

“sou peregrino penitente, de paz e de esperança"

Na sua mensagem ao povo iraquiano antes da sua Viagem Apostólica o Santo Padre se apresenta como peregrino de paz e de esperança. E recordando o pai Abraão, afirma “confiando em Deus, deu vida a uma descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu”. E faz um convite a todos os irmãos e irmãs: “caminhem com esperança e nunca deixem de olhar para as estrelas. Ali está a nossa promessa”.

Jane Nogara - Vatican News O Papa Francisco enviou uma mensagem em vídeo ao povo iraquiano poucos dias antes de sua partida. O Papa fará sua Viagem Apostólica ao país de 5 a 8 de março. Na saudação inicial o Santo Padre se apresenta como peregrino penitente e de paz:

Peregrino penitente e de paz

“Desejo muito encontrar todos vocês, ver seus rostos e visitar sua terra, antigo e extraordinário berço da civilização. Venho como peregrino, como peregrino penitente, para implorar perdão e reconciliação do Senhor depois de anos de guerra e terrorismo, para pedir a Deus consolo para os corações e cura para as feridas. E venho até vocês como peregrino de paz, para repetir: "Sois todos irmãos" (Mt 23,8). Sim, venho como peregrino da paz em busca de fraternidade, animado pelo desejo de rezar juntos e caminhar juntos, também com irmãos e irmãs de outras tradições religiosas, unidos pelo pai Abraão, que reúne em uma só família muçulmanos, judeus e cristãos”.

Aos irmãos cristãos

Francisco afirma que se sente honrado em conhecer uma Igreja mártir: "Obrigado pelo seu testemunho. Que os muitos, demasiados mártires que vocês conheceram nos ajudem a perseverar na humilde força do amor."  E oferece o amor da Igreja de todo o mundo: 

“Gostaria de lhes trazer a carícia afetuosa de toda a Igreja, que está próxima de vocês e ao mortificado Oriente Médio e os encoraja a seguir em frente. Não permitamos que prevaleçam os terríveis sofrimentos que vocês sofreram e que tanto me afligem. Não desistamos diante da propagação do mal: as antigas fontes de sabedoria de suas terras nos guiam para outro lugar, para fazer como Abraão que, embora tenha deixado tudo, nunca perdeu a esperança (cf. Rm 4,18); e, confiando em Deus, deu vida a uma descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu. Caros irmãos e irmãs, vamos olhar para as estrelas. Ali está a nossa promessa”.

Peregrino de esperança

Recordando os sofrimentos do povo iraquiano todos, cristãos, muçulmanos e povos Yazidi pelas guerras e também da força de vontade de não desistirem o Papa os anima:  "Agora venho à sua terra abençoada e ferida como peregrino de esperança. Da sua terra, Nínive, ressoou a profecia de Jonas, que impediu a destruição e trouxe uma nova esperança, a esperança de Deus”.

Por fim o Santo Padre encoraja todos os irmãos: “Deixemo-nos contagiar por esta esperança, que nos encoraja a reconstruir e a recomeçar". "Irmãos e irmãs de todas as tradições religiosas. Desta terra, há milênios, Abraão começou a sua viagem. Hoje cabe a nós continuá-la, com o mesmo espírito, caminhando juntos pelos caminhos da paz! Por esta razão, invoco sobre vocês toda a paz e a bênção do Altíssimo. E peço a todos vocês que façam o mesmo que Abraão: caminhem com esperança e nunca deixem de olhar para as estrelas. E peço a todos vocês, por favor, me acompanhem com a oração. Shukran! [Obrigado!]

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                                                                                                                             Fonte: vaticannews.va

quarta-feira, 3 de março de 2021

Comissão para a Juventude disponibiliza subsídio para

a Jornada Diocesana da Juventude (JDJ) 2021

Já está disponível para download o subsídio de preparação para a Jornada Diocesana da Juventude 2021. Os jovens de todas as expressões juvenis são os protagonistas deste grande momento da Igreja, mas todos são convidados a conhecerem e estudarem este material, afim de que compreendam o que são as JDJs e como devem ser realizadas nas dioceses do Brasil.

A partir do tema proposto para a JDJ (At 26, 16), todos são levados a refletir sobre a necessidade de se levantar, testemunhar e anunciar Cristo que é amor, partilha, esperança e ressurreição.

“[…] Não prives a tua juventude desta amizade (do Senhor). Poderás senti-Lo ao teu lado, e não só quando rezas. Reconhecerás que caminha contigo em todos os momentos. Procura descobri-Lo e viverás a experiência estupenda de saber que estás sempre acompanhado. Foi o que viveram os discípulos de Emaús: enquanto caminhavam e conversavam desiludidos, Jesus fez-Se presente e “pôs-Se com eles a caminho” (Lucas 24, 15). Um santo dizia que “o cristianismo não é um conjunto de verdades em que é preciso acreditar, de leis que se devem observar, de proibições, apresentado assim, repugna. O cristianismo é uma Pessoa que me amou tanto que reclama o meu amor. O cristianismo é Cristo” (cf. Christus Vivit, 156).

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Clique (aqui) e faça o download do material.

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JDJ

As JDJ são uma atividade realizada no mundo todo, uma espécie de JMJ que acontece em cada Igreja Particular e surgiu também no ano de 1985 com a criação da Jornada Mundial da Juventude – este ano foi proclamado pela ONU como Ano internacional da Juventude. Para padre Toninho Ramos, assessor Nacional da CEPJ, quando se realiza a JDJ entra-se em sintonia com o mundo inteiro, “isso nos faz ser Igreja universal, diferente do DNJ – Dia Nacional da Juventude que se realiza somente no Brasil”.

Tradicionalmente, a JDJ é celebrada no Domingo de Ramos ou no Tempo Pascal conforme organização das dioceses. Em 2020, o Papa Francisco transferiu a data para a Solenidade de Cristo Rei do Universo, em novembro. No Brasil, contudo, esta edição ainda será celebrada a JDJ como nos anos anteriores.

A JDJ é o rosto da Igreja Jovem, e deve ser preparada pela força viva da Juventude em cada Diocese. “O processo de construção coletiva é fundamental, especialmente com a presença efetiva e comunhão dos movimentos, pastorais, novas comunidades, congregações e grupos jovens paroquiais que trabalham com jovens. Deve acontecer com envolvimento dos grupos de base e, o quanto possível, com os grupos de crisma”.

Para saber mais sobre as Jornadas Diocesanas de Juventude, acesse o site especial: https://jovensconectados.org.br/jdj/

                                                                                                             Por Jovens Conectados

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                                                                                                                              Fonte: cnbb.org.br

Arcebispo de Salvador, Primaz do Brasil, cardeal Sergio da Rocha

é nomeado para a Congregação para os Bispos

O Papa Francisco nomeou o Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, cardeal Dom Sergio da Rocha, como membro da Congregação para os Bispos, na manhã desta quinta-feira, dia 4 de março. Na ocasião, também foi nomeado para a mesma função o cardeal americano Joseph William Tobin, de Newark.

“Recebo esta nomeação com humildade e gratidão ao Papa Francisco, esperando contar com a graça de Deus e as orações de todos, para poder cumprir de modo fiel e generoso esse serviço à Igreja”, afirmou o cardeal Sergio da Rocha.

A Congregação para os Bispos é um dos principais organismos da Cúria Romana, que cuida da criação das dioceses, da nomeação de bispos, das visitas “ad Limina” e dos encontros de bispos novos. Portanto, tem um campo de atuação vasto e de especial importância na Igreja.

O Papa Francisco nomeou o Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, cardeal Dom Sergio da Rocha, como membro da Congregação para os Bispos, na manhã desta quinta-feira, dia 4 de março. Na ocasião, também foi nomeado para a mesma função o cardeal americano Joseph William Tobin, de Newark.

“Recebo esta nomeação com humildade e gratidão ao Papa Francisco, esperando contar com a graça de Deus e as orações de todos, para poder cumprir de modo fiel e generoso esse serviço à Igreja”, afirmou o cardeal Sergio da Rocha.

A Congregação para os Bispos é um dos principais organismos da Cúria Romana, que cuida da criação das dioceses, da nomeação de bispos, das visitas “ad Limina” e dos encontros de bispos novos. Portanto, tem um campo de atuação vasto e de especial importância na Igreja.

“A nomeação representa um gesto de bondade do Papa em relação a mim e, sobretudo, de grande estima e consideração pelo episcopado brasileiro e pela Igreja no Brasil. A nomeação para ser membro da Congregação para os Bispos não é uma honraria, mas sim um serviço muito exigente que sou chamado a prestar à Igreja, a pedido do Papa, continuando minha missão de Arcebispo de Salvador”, disse Dom Sergio.

O atual prefeito da Congregação para os Bispos é o cardeal canadense Marc Ouellet e o Secretário é o bispo brasileiro Dom Ilson Montanari. É importante recordar que Dom Lucas Moreira Neves, que foi Arcebispo de Salvador de 1987 a 1998, desempenhou o ofício de prefeito da Congregação para os Bispos.

Com informações da arquidiocese de São Salvador

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Papa na Catequese desta quarta-feira:

Jesus diz-nos
com a sua vida até que ponto Deus é Pai

"Jesus diz-nos com a sua vida até que ponto Deus é Pai", disse o Papa em sua reflexão na catequese da audiência geral desta quarta-feira (03/03) dedicada à oração e à Trindade: “É difícil para nós imaginar de longe o amor com que a Santíssima Trindade está repleta, e que abismo de benevolência recíproca existe entre Pai, Filho e Espírito Santo. Os ícones orientais deixam-nos intuir algo deste mistério que é a origem e alegria de todo o universo”, frisou Francisco.

Raimundo de Lima - Vatican News -  “No nosso caminho de catequeses sobre a oração, hoje e na próxima semana queremos ver como, graças a Jesus Cristo, a oração nos abre à Trindade, ao imenso mar de Deus-Amor.” Com essas palavras, o Papa Francisco introduziu sua catequese na audiência geral desta quarta-feira (03/03), na Biblioteca do Palácio, no Vaticano, dando continuidade a suas reflexões sobre a oração, discorrendo sobre a oração e a Trindade.

Foi Jesus que nos abriu o Céu e nos projetou para uma relação com Deus. É isto que o apóstolo João afirma na conclusão do prólogo do seu Evangelho: “Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer” (1, 18), destacou o Pontífice. "Jesus nos revelou a identidde, esta identidde de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo."

Senhor, ensina-nos a rezar

Francisco observou que realmente não sabíamos como se pudesse rezar: que palavras, que sentimentos e que linguagem eram apropriados para Deus.

“Naquele pedido dirigido pelos discípulos ao Mestre, que temos recordado frequentemente no decurso destas catequeses, há toda a hesitação do homem, as suas repetidas tentativas, muitas vezes infrutíferas, de se dirigir ao Criador: ‘Senhor, ensina-nos a rezar’ (Lc 11, 1)”.

O Papa observou que nem todas as orações são iguais e que nem todas são convenientes:

“A própria Bíblia atesta o mau resultado de muitas orações, que são rejeitadas. Talvez por vezes Deus não esteja satisfeito com as nossas orações e nós nem sequer nos apercebemos disso. Deus olha para as mãos daqueles que rezam: para as purificar não é necessário lavá-las, quando muito é preciso abster-se de ações malignas.”

A este ponto de sua catequese, o Santo Padre evidenciou que São Francisco rezava de forma radical: “nenhum homem é digno de te nomear”, lembrou, citando o “Cântico do Irmão Sol” do pobrezinho de Assis.

A pobreza da nossa oração

O Papa acrescentou que “talvez o reconhecimento mais tocante da pobreza da nossa oração tenha vindo dos lábios do centurião romano que um dia implorou Jesus que curasse o seu servo doente (cf. Mt 8, 5-13).

Sentia-se totalmente inadequado – observou Francisco: “não era judeu, era um oficial do odiado exército de ocupação. Mas a sua preocupação com o seu servo o faz ousar, e ele diz: ‘Senhor... eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e o meu servo será curado’ (v. 8)”.

É a frase que também repetimos em todas as liturgias eucarísticas, disse o Pontífice, evidenciando que dialogar com Deus é uma graça: “não somos dignos dela, não temos o direito de a reivindicar, “manquejamos” com cada palavra e pensamento... Mas Jesus é uma porta que se abre”.

Porque deveria o homem ser amado por Deus ? – perguntou o Santo Padre, acrescentando que não há razões óbvias, não há proporção. A este ponto de sua catequese, fez uma observação pertinente:

“Em grande parte das mitologias não se contempla o caso de um deus que se preocupa com os assuntos humanos; pelo contrário, eles são irritantes e aborrecidos, completamente insignificantes.”

Até para Aristóteles, prosseguiu o Papa, Deus só pode pensar em si mesmo. No máximo, somos nós, humanos, que procuramos conquistar a divindade e ser agradáveis aos seus olhos. “Disto brota o dever de ‘religião’, com o corolário de sacrifícios e devoções a oferecer continuamente para ter como aliado um Deus mudo e indiferente.”

Dialogar com Deus é uma graça

“Não há diálogo. Foi somente Jesus, foi somente a revelação de Deus a Moisés antes de Jesus, quando Deus se apresentou; foi somente a Bíblia a abrir-nos o caminho do diálogo com Deus para nós. Lembramos: ‘Qual povo tem seus deuses próximos de si como tu tens a Mim próximo de ti?’ Esta proximidade de Deus que nos abre ao diálogo com Ele.” 

Francisco ressaltou que um Deus que ama o homem, nunca teríamos acreditado nisto, se não tivéssemos conhecido Jesus. “É o escândalo que encontramos esculpido na parábola do pai misericordioso, ou na do pastor que vai em busca da ovelha perdida (cf. Lc 15). Histórias como estas não poderiam ter sido concebidas, nem sequer compreendidas, se não tivéssemos encontrado Jesus”, observou ainda.

Dito isso, Francisco propôs alguns questionamentos: “Que tipo de Deus está disposto a morrer pelas pessoas? Que tipo de Deus ama sempre e pacientemente, sem pretender por sua vez ser amado? Que Deus aceita a tremenda falta de gratidão de um filho que pede antecipadamente a sua herança e sai de casa a esbanjar tudo? (cf. Lc 15, 12-13)”.

Proximidade, compaixão e ternura: o estilo de Deus

Assim, Jesus diz-nos com a sua vida até que ponto Deus é Pai, frisou o Papa. “A paternidade que é proximidade, compaixão e ternura. Não esqueçamos estas três palavras que são o estilo de Deus: proximidade, compaixão e ternura. É a maneira de expressar a Sua paternidade conosco”, acrescentou, concluindo sua reflexão nesta catequese dedicada à oração e à Trindade: 

“É difícil para nós imaginar de longe o amor com que a Santíssima Trindade está repleta, e que abismo de benevolência recíproca existe entre Pai, Filho e Espírito Santo. Os ícones orientais deixam-nos intuir algo deste mistério que é a origem e alegria de todo o universo.”

Acima de tudo, tínhamos dificuldade em acreditar que este amor divino se dilatasse, chegando até ao humano: somos o termo de um amor que não encontra igual na terra, disse o Papa, citando o Catecismo, que explica: “A santa humanidade de Jesus é, pois, o caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a orar a Deus nosso Pai” (n. 2664).

“É a graça da nossa fé. Verdadeiramente não podíamos esperar uma vocação mais excelsa: a humanidade de Jesus pôs à nossa disposição a própria vida da Trindade”, disse por fim o Santo Padre.

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Assista na íntegra:

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terça-feira, 2 de março de 2021

Itinerário Espiritual da Quaresma:

Acompanhe
e viva os Exercícios Espirituais com o Papa

Especialmente nos chamados “tempos fortes”, o cristão é chamado de forma especial à oração e à conversão. O Papa Francisco, por exemplo, retirou-se nestes dias das atividades cotidianas para fazer os Exercícios Espirituais. Habitualmente realizados na localidade de Ariccia, distante cerca de 45 km de Roma, neste ano, devido à pandemia, estão sendo realizados no Vaticano.

Dando continuidade a série: “Quaresma, Tempo de Conversão”, nesta terceira matéria, Padre Paulo de Souza, monge beneditino do Mosteiro de São Geraldo, São Paulo, nos ajuda a entender o sentido dos Exercícios Espirituais. Em entrevista ao Vatican News ele destacou que, “vida no Espírito, devemos ter a todo e qualquer momento”, e que os retiros espirituais, “devem sempre fomentar o nosso ser de Cristo e para Cristo”, “exercitar em nós o desejo de receber com mais fervor a Jesus na Santa Eucaristia”, e nos levar a ver e encontrar “a Jesus em todos aqueles que são imagens e reflexo de Deus”:

“Todos sabemos o quanto é importante fazer exercício corporal, mantemos o corpo saudável, bonito, renovado. Ora, nós que temos fé e vivemos da fé, sabemos que não temos apenas o corpo para cuidar, temos o espírito, a alma que Deus nos deu. É importante também manter o espírito saudável. Não é difícil perceber que o amor, sem dúvida, a realidade mais importante da nossa vida, aliás, o grande mandamento de Jesus, amor a Deus e ao próximo, muito mais do que do corpo, depende essencialmente do espírito”.

O que é um exercício espiritual?

Segundo o padre Paulo, o exercício espiritual é o alimento da fé, da alma e do amor. “Quem vive sem alimentar o corpo? Da mesma forma, como é possível a vida sem o alimento do Espírito?  Nos exercícios espirituais, o Pai Celeste fecunda e fortalece a nossa fé e a nossa capacidade de amar”, diz.

“Exercícios espirituais são, em linhas gerais, os retiros e recolhimentos nos quais silenciamos, ouvimos, meditamos, oramos e contemplamos as coisas de Deus. Pois é importante deixar ao menos algumas vezes o turbilhão deste mundo, para nos dedicar totalmente à vida no Espírito. São excelentes ocasiões para examinar detidamente a nossa consciência e trabalhar a nossa conversão, de modo especial, na Quaresma”.

Deste modo, segundo o padre, à luz da palavra de Cristo e da doutrina e espiritualidade da Igreja, nós nos distanciamos do pecado, entregamo-nos a Deus e deixamos que Ele transforme o nosso espírito numa escola de santidade que foi praticada pelo próprio Jesus.

“Normalmente dizemos que não se pode perder uma oportunidade como esta, oportunidade de nos aproximar com as devidas disposições do santo tribunal da Penitência. Pedir contritos o perdão dos nossos pecados, voltar a Deus e depois retomar o nosso cotidiano, lavados e renovados pela graça dos Sacramentos”, afirma.

Portanto, de acordo com ele, esses chamados “exercícios espirituais”, são grande contributo à vida de fé e de amor a Cristo e aos irmãos e irmãs. São grande estímulo à vida no Espírito.

“O Papa emérito Bento XVI dizia, ao deixar a sede de São Pedro, que queria viver da oração, da meditação da Palavra de Deus e da Santa Eucaristia, realidades estas, que encontramos em grande escala em nossos exercícios espirituais e nesses momentos em que fazemos uma bela e eficaz experiência de Deus”, salienta padre Paulo.

O monge beneditino diz que deve-se recomendar, portanto, que todos se empenhem em aproveitar esses momentos da graça para santificar não apenas a si mesmos, mas a Igreja, pois todos são membros do Corpo Místico de Cristo.

“Fique claro, entretanto, que o exercício espiritual vai muito além de um retiro, ou de um grande espaço de silêncio em nossa vida. Com efeito, quem não consegue, ou na sua casa, ou no seu trabalho, ou no seu ofício, ou no seu descanso, ou mesmo no seu lazer, recolher-se ao menos um instante e elevar o coração a Deus através da oração e dar um bonito testemunho da fé”, aponta.

Como fazer um bom exercício espiritual?

“Quem não consegue enquanto está, por exemplo, na agitação da grande cidade, entrar numa igreja e fazer alguns minutos de adoração diante de Jesus Sacramentado?

Quem não consegue dar sequer uma palavra, um sorriso, um estímulo de vida de esperança a Jesus que está continuamente no nosso caminho, vestido de pobre, de mendigo, de adoentado, de morador de rua?”

Para o padre Paulo todos devem ter vida no Espírito a todo e qualquer momento. “Aliás, nossos retiros espirituais devem sempre fomentar o nosso ser de Cristo e para Cristo, numa vida autenticamente evangélica. Devem exercitar em nós o desejo de receber com mais fervor a Jesus na Santa Eucaristia e devem nos levar, com certeza, à excelente espiritualidade de ver e de encontrar a Jesus em todos aqueles que são imagens e reflexo de Deus”.

“Uma antiga Campanha da Fraternidade da Igreja tinha como tema: “Eras tu Senhor Jesus, escondido no irmão. E agora nos convidas ao amor, à conversão”. Desejamos, portanto, que não só na Quaresma, mas em toda nossa caminhada, estejamos sempre praticando nossos exercícios espirituais, revelando a todos o Cristo amigo, que nos espera na sua feliz eternidade!”, finalizou o padre.

Ciclo de Meditações

Na semana de exercícios espirituais do Papa e da Cúria Romana, o Vatican News propôs um ciclo de meditações preparadas pelo arcebispo Giacomo Morandi, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé.

Confira quais são:

Meditação sobre o Batismo e a tentação de Jesus

Meditação sobre enfermidades e o Evangelho de Marcos

Meditação sobre Jesus e a transfiguração

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segunda-feira, 1 de março de 2021

Ratzinger repete:

"Não há dois Papas"

Entrevista do Pontífice Emérito Bento XVI ao jornal italiano Corriere della Sera: a renúncia foi uma "escolha difícil", mas feita "em plena consciência e acredito que fiz muito bem".

A renúncia ao pontificado, feita oito anos atrás, foi uma "escolha difícil", mas feita "em plena consciência", da qual ele não se arrependeu de forma alguma. Mais uma vez o  Papa emérito Bento XVI, embora em voz baixa, repete o que já disse várias vezes para desmentir os "amigos um tanto fanáticos" que continuam a ver "teorias conspiratórias" por trás da decisão de deixar a Cátedra de Pedro, retirando-se por razões de velhice. Isto foi reiterado por Joseph Ratzinger em uma entrevista ao jornal Corriere della Sera.

"Foi uma decisão difícil", explicou o Papa emérito, "mas tomei-a em plena consciência, e acredito que fiz muito bem". Alguns de meus amigos um tanto "fanáticos" ainda estão irritados, eles não quiseram aceitar minha escolha. Acreditam nas teorias de conspiração: alguns disseram que foi por causa do escândalo Vatileaks, outros por causa de um complô da lobby gay, outros ainda por causa do caso do teólogo conservador Lefebvrian Richard Williamson. Eles não querem acreditar em uma escolha feita conscientemente. Mas minha consciência está limpa".

Bento XVI também falou sobre a iminente viagem do Papa ao Iraque: "Creio que seja uma viagem muito importante". "Infelizmente estamos em um momento muito difícil que torna a viagem perigosa: por razões de segurança e por causa da Covid. E também pela situação instável do Iraque. Acompanharei Francisco com minha oração".

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Iniciamos o Mês de nosso querido Padroeiro neste

“Ano de São José”

Para celebrar os 150 anos da declaração do Esposo de Maria como Padroeiro da Igreja Católica, o Papa Francisco convoca o "Ano de São José" com a Carta apostólica “Patris corde – Com coração de Pai”.

Vatican News - Pai amado, pai na ternura, na obediência e no acolhimento; pai com coragem criativa, trabalhador, sempre na sombra: com estas palavras, o Papa Francisco descreve São José. E o faz na Carta apostólica “Patris corde – Com coração de Pai”, publicada hoje por ocasião dos 150 anos da declaração do Esposo de Maria como Padroeiro da Igreja Católica.

Com o decreto Quemadmodum Deus, assinado em 8 de dezembro de 1870, o Beato Pio IX quis dar este título a São José. Para celebrar esta data, o Pontífice convocou um “Ano” especial dedicado ao Pai putativo de Jesus a partir de hoje até 8 de dezembro de 2021.

Protagonismo sem paralelo

A Carta apostólica traz os sinais da pandemia da Covid-19, que – escreve Francisco – nos fez compreender a importância das pessoas comuns, aquelas que, distantes dos holofotes, exercitam todos os dias paciência e infundem esperança, semeando corresponsabilidade. Justamente como São José, “o homem que passa desapercebido, o homem da presença cotidiana discreta e escondida”.

E mesmo assim, o seu é “um protagonismo sem paralelo na história da salvação”. Com efeito, São José expressou concretamente a sua paternidade ao ter convertido a sua vocação humana “na oblação sobre-humana de si mesmo ao serviço do Messias”. E por isto ele “foi sempre muito amado pelo povo cristão” (1).

Nele, “Jesus viu a ternura de Deus”, que “nos faz aceitar a nossa fraqueza”, através da qual se realiza a maior parte dos desígnios divinos. Deus, de fato, “não nos condena, mas nos acolhe, nos abraça, nos ampara e nos perdoa” (2). José é pai também na obediência a Deus: com o seu ‘fiat’, salva Maria e Jesus e ensina a seu Filho a “fazer a vontade do Pai”, cooperando “ao grande mistério da Redenção” (3).

Exemplo para os homens de hoje

Ao mesmo tempo, José é “pai no acolhimento”, porque “acolhe Maria sem colocar condições prévias”, um gesto importante ainda hoje – afirma Francisco – “neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher”. Mas o Esposo de Maria é também aquele que, confiante no Senhor, acolhe na sua vida os acontecimentos que não compreende com um protagonismo “corajoso e forte”, que deriva “da fortaleza que nos vem do Espírito Santo”.

Através de São José, é como se Deus nos repetisse: “Não tenhais medo!”, porque “a fé dá significado a todos os acontecimentos, sejam eles felizes ou tristes”. O acolhimento praticado pelo pai de Jesus “convida-nos a receber os outros, sem exclusões, tal como são”, com “uma predileção especial pelos mais frágeis” (4).

“Patris corde” evidencia, ainda, “a coragem criativa” de São José, “o qual sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência”. Ele enfrenta os “problemas concretos” da sua Família, exatamente como fazem as outras famílias do mundo, em especial aquelas migrantes. Protetor de Jesus e de Maria, José “não pode deixar de ser o Guardião da Igreja”, da sua maternidade e do Corpo de Cristo: todo necessitado é “o Menino” que José continua a guardar e de quem se pode aprender a “amar a Igreja e os pobres i” (5).

A dignidade do trabalho

Honesto carpinteiro, o Esposo de Maria nos ensina também “o valor, a dignidade e a alegria” de “comer o pão fruto do próprio trabalho”. Esta acepção do pai de Jesus oferece ao Papa a ocasião para lançar um apelo a favor do trabalho, que se tornou uma  “urgente questão social” até mesmo nos países com certo nível de bem-estar.

“É necessário tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica”, escreve Francisco, que “torna-se participação na própria obra da salvação” e “oportunidade de realização” para si mesmos e para a própria família, “núcleo originário da sociedade”. Eis então a exortação que o Pontífice faz a todos para “redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho”, para “dar origem a uma nova «normalidade», em que ninguém seja excluído”. Em especial, diante do agravar-se do desemprego por causa da pandemia da Covid-19, o Papa pede a todos que se empenhem para que se possa dizer: ”Nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!” (6).

“Não se nasce pai, torna-se tal”

“Não se nasce pai, torna-se tal”, afirma ainda Francisco, porque “se cuida responsavelmente” de um filho assumindo a responsabilidade pela sua vida. Infelizmente, na sociedade atual, “muitas vezes os filhos parecem ser órfãos de pai” que sejam capazes de “introduzir o filho na experiência da vida”, sem  prendê-lo “nem subjugá-lo”, mas tornando-o “capaz de opções, de liberdade, de partir”.

Neste sentido, José recebeu o apelativo de “castíssimo”, que é “o contrário da posse”: ele, com efeito, “soube amar de maneira extraordinariamente livre”, “soube descentralizar-se” para colocar no centro da sua vida Jesus e Maria. A sua felicidade está no “dom de si mesmo”: nunca frustrado e sempre confiante, José permanece em silêncio, sem lamentações, mas realizando “gestos concretos de confiança”. A sua figura, portanto, é exemplar, evidencia o Papa, num mundo que “precisa de pais e rejeita os dominadores”, rejeita quem confunde “autoridade com autoritarismo, serviço com servilismo, confronto com opressão, caridade com assistencialismo, força com destruição”.

Na décima nota, “Patris corde” revela também um hábito da vida de Francisco: todos os dias, o Pontífice reza uma oração ao Esposo de Maria “tirada dum livro francês de devoções, do século XIX, da Congregação das Religiosas de Jesus e Maria”. Trata-se de uma oração que “expressa devoção e confiança” a São José, mas também “certo desafio”, explica o Papa, porque se conclui com estas palavras: “Que não se diga que eu Vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder”. A Carta apostólica “Patris corde” é acompanhada da publicação do Decreto da Penitenciaria Apostólica, que anuncia o “Ano de São José” especial convocado pelo Papa e a relativa concessão do “dom de Indulgências especiais”.

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