terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Papa aos milhares de católicos em Abu Dhabi:

Sejam oásis de paz
A missa no estádio Zayed, em Abu Dhabi, foi o último compromisso do Papa nos Emirados Árabes Unidos. Milhares de fiéis acompanharam a homilia em que Francisco tratou das Bem-aventuranças como "um mapa de vida", já que "não são para super-homens", mas para quem enfrenta a santidade diária. Ao citar São Francisco, o Papa lembrou "que o cristão parte armado apenas com a sua fé humilde e o seu amor concreto".

Cidade do Vaticano O estádio Zayed, em Abu Dhabi, recebeu nesta terça-feira (5) milhares de fiéis para a missa com o papa Francisco num momento culminante para a comunidade católica na Península Arábica. O local, com capacidade para receber 45 mil pessoas, ficou pequeno para a presença de tantos fiéis: caldeus, coptas, greco-católicos, greco-melquitas, latinos, maronitas, sírio-católicos, siro-malabarenses e siro-malancareses, tanto que foram distribuídos cerca de 135 mil bilhetes para que a cerimônia fosse acompanhada do lado de fora, por telões. As autoridades locais informaram que no total estavam presentes à celebração (dentro e fora do estádio), cerca de 180 mil pessoas.
“Sejam felizes”, disse o Papa
Na homilia, proferida em italiano pelo Pontífice, mas traduzida simultaneamente em língua árabe, o Papa Francisco começou dando um conselho fundamental para se viver como cristão: ser feliz, a mensagem basilar de Jesus, que não é prescrição para se cumprir, nem conjunto complexo de doutrinas para se conhecer. “Amados irmãos e irmãs, na alegria de encontrar vocês, esta é a palavra que vim lhes dizer: Felizes!”, disse o Pontífice, ao nos fazer refletir que, para Jesus, felizes são os pobres, mansos e que permanecem justos, e não os ricos e poderosos.

Homilia
“Quem tem razão: Jesus ou o mundo? Para compreender, vejamos como viveu Jesus: pobre de coisas e rico de amor, curou muitas vidas, mas não poupou a sua. Veio para servir e não para ser servido; ensinou que não é grande quem tem, mas quem dá. Justo e manso, não opôs resistência e Se deixou condenar injustamente. E, assim, Jesus trouxe o amor de Deus ao mundo. Só assim derrotou a morte, o pecado, o medo e o próprio mundanismo: unicamente com a força do amor divino.”
“Peçamos hoje, aqui juntos, a graça de voltar a descobrir o encanto de seguir Jesus, de O imitar, de nada mais procurar senão a Ele e seu amor humilde. Com efeito, é na comunhão com Ele e no amor pelos outros que está o sentido da vida na terra. Acreditam nisso?”
A polifonia da fé
O Papa, então, descreveu e agradeceu o modo como é vivida a “polifonia da fé” dos católicos nos Emirados Árabes, “que edifica a Igreja”. Lembrou que seguir o caminho de Jesus não significa estar sempre alegre e, por isso, reconhece que não é fácil “viver longe de casa e talvez sentir, além da falta das afeições mais queridas, a incerteza do futuro”. Enfrentando a provação, “pode acontecer de pensar que estamos sozinhos”, nesses momentos, porém, o Senhor “caminha ao nosso lado”, “é especialista em fazer coisas novas, sabe abrir caminhos mesmo no deserto (cf. Is 43, 19)”.
Viver as Bem-aventuranças
Francisco, então, falou das Bem-aventuranças que, para vivê-las, seguindo o exemplo de Jesus, não necessitam de “feitos extraordinários”, basta realizarmos a “única obra de arte, possível a todos: a da nossa vida”.
Ternura e Bênção 
“As Bem-aventuranças são um mapa de vida: não pedem ações sobre-humanas, mas a imitação de Jesus na vida de cada dia. Convidam-nos a manter puro o coração, a praticar a mansidão e a justiça venha o que vier, a ser misericordiosos com todos, a viver a aflição unidos a Deus. É a santidade da vida diária, que não precisa de milagres nem de sinais extraordinários. As Bem-aventuranças não são para super-homens, mas para quem enfrenta os desafios e provações de cada dia. Quem as vive à maneira de Jesus torna puro o mundo. É como uma árvore que, mesmo em terra árida, diariamente absorve ar poluído e restitui oxigênio.”
“Faço votos de que sejam assim, bem enraizados em Jesus e prontos a fazer o bem a quem está perto de vocês. Que as comunidades de vocês sejam oásis de paz.”
Felizes os mansos e pacificadores
O Papa finalizou se detendo brevemente em duas Bem-aventuranças. Sobre a primeira, «Felizes os mansos» (Mt 5, 5), Francisco convidou a não agredirmos, mas mantermos o comportamento de Jesus, de sermos mansos, mesmo diante dos acusadores. Então, o Pontífice citou São Francisco:
Momento da Consagração
“Nem lutas nem disputas: naquele tempo em que muitos partiam revestidos de pesadas armaduras, São Francisco lembrou que o cristão parte armado apenas com a sua fé humilde e o seu amor concreto. É importante a mansidão: se vivermos no mundo à maneira de Deus, vamos nos tornar canais da sua presença; caso contrário, não daremos fruto.”
Sobre a segunda Bem-aventurança, «Felizes os pacificadores» (Mt 5, 9), o Papa incentivou a promover a paz, começando pela comunidade em que vivemos. Uma Igreja que persevera na palavra de Jesus e no amor fraterno, disse Francisco, produz frutos.
“Para vocês, peço a graça de preservar a paz, a unidade, de cuidar uns dos outros numa bela fraternidade, onde não haja cristãos de primeira classe e de segunda. Jesus, que lhes chama «felizes», conceda a graça de caminharem sempre diante sem se desencorajar, crescendo no amor «uns para com os outros e para com todos» (1 Ts 3, 12).”
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Papa Francisco despede-se dos Emirados Árabes
O Papa Francisco deixou Emirados Árabes Unidos. A cerimônia de conclusão de sua viagem apostólica realizou-se no Aeroporto presidencial em Abu Dhabi, onde ele foi recebido e cumprimentado pelo príncipe herdeiro, o xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan.

Cidade do VaticanoO Papa despediu-se dos Emirados Árabes Unidos na manhã desta terça-feira. Após presidir a celebração da Santa Missa para os milhares de fiéis reunidos no Zayed Sports City, Francisco seguiu para o Aeroporto de Abu Dhabi onde foi recebido pelo Príncipe herdeiro xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan na entrada da Sala VIP, onde permaneceu alguns minutos.
Depois de ter saudado as delegações do Vaticano e dos Emirados Árabes Unidos, e passado em revista a Guarda de Honra, o Pontífice embarcou no avião B787 da Ethiad, que decolou às 10h23min com destino ao aeroporto Ciampino, em Roma, onde deverá chegar por volta das 17 horas (hora local), depois de sobrevoar Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Iraque, Turquia, Bulgária, Sérvia, Bósnia-Herzegovina, Grécia e Itália.

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Assista:
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Papa Francisco retornou dos Emirados Árabes Unidos
Às 16h14, o voo da Etihad Airways proveniente de Abu Dhabi pousou no aeroporto de Ciampino. Assim termina a 27ª viagem apostólica de Francisco.

Cidade do VaticanoAntes da hora marcada, o avião da Etihad Airways, a companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos, aterrissou no aeroporto de Roma-Ciampino. Às 16h14 (hora loca) concluiu-se a 27ª viagem apostólica do Papa Francisco, cujo lema foi inspirado no início da famosa oração de São Francisco de Assis: "Fazei-me instrumento da vossa paz".
Os telegramas aos países sobrevoados
Imediatamente após a partida de Abu Dhabi, uma série de telegramas foram enviados aos responsáveis dos países sobrevoados. Em um telegrama, o Papa enviou a Sua Alteza, o xeque Khalifa Bin Zayed Al-Nahyan, seu "profundo apreço" pela calorosa acolhida e hospitalidade recebidas nos Emirados Árabes Unidos. Ao rei do Bahrein, o xeque Hamad Bin Isa Al-Khalifa, Francisco assegurou suas orações. No telegrama ao rei da Arábia Saudita, Salman Bin Abdul Aziz Alsaud invocou abundantes bênçãos. Orações pelo Egito na mensagem ao Presidente Abdel Fattah Al-Sisi e votos de paz ao presidente grego Prokopis Pavlopoulos. Finalmente, ao chefe do Estado italiano, Sergio Mattarella, o Papa assegurou uma oração especial "no retorno – lê-se no telegrama - da viagem apostólica aos Emirados Árabes Unidos, onde encontrei cristãos e representantes de outras religiões testemunhando o compromisso de um caminho comum de concórdia e solidariedade".
O Santo Padre, como já é habitual fazer, depois de deixar o aeroporto de Ciampino e antes retornar ao Vaticano foi à Basílica de Santa Maria Maior, onde se deteve em oração.
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Papa em entrevista no voo de retorno:
A Declaração que assinei com o Grão Imame aplica o Concílio
Francisco no voo de retorno dos Emirados, conversa com os jornalistas: o Documento sobre a Fraternidade Humana é um passo avante que vem do Vaticano II. Sobre a carta de Maduro: ainda não li, mas toda mediação deve ser aceita pelas duas partes.

Do voo de Abu Dhabi a Roma “Foi uma viagem muito breve, mas para mim foi uma experiência grande. Penso que toda viagem seja histórica e também que cada dia nosso seja para escrever a história cotidiana. Nenhuma história é pequena. Toda história é grande e digna. E mesmo se for feia, a dignidade está escondida e sempre pode emergir.”
Com estas palavras o Papa Francisco introduziu a sua longa conversa com os jornalistas que o acompanharam aos Emirados. O Papa falou muito sobre o diálogo com os muçulmanos, mas também respondeu a perguntas sobre a Venezuela e sobre a carta enviada, ao Vaticano, por Nicolás Maduro, bem como sobre os abusos dos clérigos contra religiosas.
Pergunta: Quais serão os resultados imediatos dessa viagem e que impressão teve no país?
Papa Francisco: “Vi um país moderno, fiquei impressionado com a cidade. Até mesmo com a limpeza da cidade. Perguntei-me como fazem para regar as flores neste deserto. É um país moderno, acolhe muitos povos e é um país que olha para o futuro: por exemplo, a educação das crianças. Eles educam olhando para o futuro. Depois, me surpreendeu o problema da água: eles estão procurando para o futuro próximo, pegar a água do mar e torná-la potável, e também a água da umidade e torná-la potável. Sempre procurando por coisas novas. Também ouvi dizer deles: nos faltará o petróleo e estamos nos preparando. Pareceu-me um país aberto, não fechado. Também religiosidade: é um Islã aberto, de diálogo, um Islã fraterno, de paz. Sublinho a vocação para a paz que eu senti ter, não obstante os problemas de algumas guerras na área. Para mim, foi muito tocante o encontro com os sábios do Islã, um encontro profundo. Eram de diferentes lugares e de várias culturas. Isto também indica a abertura desse país a um diálogo regional, universal e religioso. Fiquei impressionado com a conferência inter-religiosa: foi um forte evento cultural. Mencionei isso no discurso, o que fizeram ali, no ano passado, sobre a proteção das crianças na Internet. A pornografia infantil hoje é uma “indústria” que dá muito dinheiro e aproveita das crianças. Esse país percebeu isso. Haverá também coisas negativas, mas obrigado pelo acolhimento”.
Pergunta: Como será aplicada no futuro a Declaração sobre a fraternidade?
Papa Francisco: “O documento foi preparado com muita reflexão e também oração. Tanto o Grão Imame com a sua equipe, quanto eu com a minha, rezamos muito para conseguir fazer esse documento. Para mim existe somente um grande perigo neste momento: a destruição, a guerra, o ódio entre nós. Se nós fiéis não somos capazes de nos dar as mãos, abraçar-nos, beijar-nos e também rezar, a nossa fé será vencida. Esse documento nasce da fé em Deus que é Pai de todos e Pai da paz. Condena toda destruição, todo terrorismo, desde o primeiro terrorismo da história que é o de Caim. É um documento que se desenvolveu em quase um ano, com ida e volta, orações. Ficou para amadurecer, um pouco confidencial, para não dar à luz a criança antes do tempo. Para que seja maduro.”
Pergunta:Foi uma viagem cheia de encontros, impressões e imagens. Ficou na minha mente a chegada: o senhor foi acolhido com honras militares, com aviões militares que fizeram a trilha com as cores do Vaticano no céu. O que isso tem a ver com o Papa Francisco, que vem com uma mensagem de paz? E em relação ao apelo pela paz no Iêmen, que reações recebeu e quais reações fazem esperar pela paz?
Papa Francisco: “Eu interpreto todos os gestos de boas-vindas como gestos de boa vontade. Cada um os realiza segundo as próprias culturas. Encontrei um acolhimento muito grande: queriam fazer de tudo, pequenas e grandes coisas porque sentiam que a visita do Papa era uma coisa boa. Alguém disse até uma bênção, Deus sabe. Queriam fazer sentir que eu era bem-vindo. Sobre o problema das guerras: você mencionou uma. Sei que é difícil dar uma opinião depois de dois dias, e depois de ter falado sobre o assunto com poucas pessoas. Digo que encontrei boa vontade no iniciar processos de paz. Isso eu achei como um denominador comum nas coisas das quais eu falei a propósito das situações bélicas. Você mencionou a do Iêmen.”
Pergunta: Após a assinatura histórica de ontem, na sua opinião, quais serão as consequências no mundo islâmico, pensando sobretudo no Iêmen e na Síria? E quais consequências haverá entre os católicos, visto que há uma parte dos católicos que acusa o senhor de deixar-se instrumentalizar pelos muçulmanos?
Papa Francisco: “Acusam-me de deixar-me instrumentalizar não apenas pelos muçulmanos! Por todos, até mesmo pelos jornalistas! Faz parte do trabalho. Uma coisa quero dizer e repito com clareza: do ponto de vista católico, o documento não foi um milímetro além do Concílio Vaticano II. O documento foi feito no espírito do Vaticano II. Antes de tomar a decisão de dizer: está bem assim, vamos encerrar assim, pedi que um teólogo e também o Teólogo da Casa Pontifícia, que é um dominicano com a bela tradição dominicana, que fosse não atrás das bruxas, mas encontrasse a coisa justa. E ele aprovou. Se alguém se sente mal, eu compreendo, não é algo de todos os dias e não é um retrocesso. É um passo avante que vem de 60 anos atrás, o Concílio que deve se desenvolver. Os históricos dizem que para que um Concílio tenha consequências na Igreja, são necessários 100 anos, estamos na metade do caminho. Aconteceu também comigo. Li uma frase do documento que me surpreendeu e disse a mim mesmo: não sei se é segura. Ao invés, era uma frase do Concílio! No mundo islâmico, existem vários pareceres, alguns mais radicais, outros não. Ontem, no Conselho dos sábios, havia pelo menos um xiita, e falou bem. Haverá discrepâncias entre eles… mas é um processo, os processos devem amadurecer, como as flores, como a fruta».
Pergunta: O senhor acaba de concluir a visita aos Emirados e daqui a pouco irá ao Marrocos. Parece-me compreender que o senhor escolheu falar com interlocutores bem específicos do Islã. O seu documento é ambicioso quanto à educação, pode tocar os fiéis…
Papa Francisco: «Ouvi dizer de alguns muçulmanos que deveria ser estudado nas universidades, pelo menos em Al-Azhar certamente, e nas escolas. Deve ser estudado, não imposto. A proximidade entre as duas viagens é um pouco casual. Eu queria ir para o encontro em Marrakech (a Conferência intergovernamental sobre as migrações, em dezembro de  2018, ndr), mas havia questões protocolares, não podia ir ao encontro sem fazer um visita ao país. E por isso adiamos a visita e agora coincide com esta viagem. E o Secretário de Estado foi a Marrakech. Foi uma questão diplomática e de educação, a proximidade das datas não foi algo planejado. Mas também ao Marrocos eu sigo as pegadas de São João Paulo II, que foi o primeiro a ir lá. Será uma viagem prazerosa. Recebi convites de outros países árabes, veremos no próximo ano, eu ou outro Pedro. Alguém irá.
Pergunta: A diplomacia vaticana com seus pequenos passos tem uma longa história. Em 1978 mediou entre Argentina e Chile: João Paulo II evitou uma guerra entre os dois países. Soubemos ontem que, da Venezuela, Nicolás Maduro enviou uma carta para reiniciar o diálogo. O que senhor está fazendo ou planeja fazer? O senhor está disposto a mediar?
Papa Francisco: "A mediação entre a Argentina e o Chile foi um ato corajoso de São João Paulo II, que evitou uma guerra. Há pequenos passos, e o último é a mediação. Há passos iniciais, facilitadores, não apenas para o Vaticano, mas em toda a diplomacia. Faz-se isso na diplomacia. Eu acredito que a Secretaria de Estado será capaz de explicar todos os passos. Eu soube antes da viagem que chegara com a mala diplomática uma carta de Maduro. Eu ainda não a li, vamos ver o que pode ser feito. Mas, para que ocorra uma mediação, é necessária a vontade de ambas as partes, ambas as partes pedindo. A Santa Sé na Venezuela esteve presente no momento do diálogo em que havia (o ex-primeiro-ministro espanhol) Zapatero e dom Tscherrig e depois continuou com dom Celli. E ali nasceu um ratinho. Agora vou ver essa carta, vou ver o que pode ser feito. Mas com a condição de que ambas as partes solicitem. Eu estou sempre disposto. Quando as pessoas vão até ao padre é porque há um problema entre o marido e a mulher, primeiro vai um deles. Mas se pergunta: a outra parte quer ou não quer? Também para os países, essa é uma condição que deve fazê-los pensar antes de pedir uma facilitação ou uma mediação. E irei à Espanha».
Pergunta: No encontro com os anciãos, sobre o que os senhores falaram? Sua mensagem chegou até eles?
Papa Francisco: "Os idosos são realmente sábios. O Grande Imame falou primeiro, depois cada um deles, começando pelo mais ancião que falava espanhol porque era da Mauritânia e ali aprendera. Até o mais jovem que é o secretário, mas disse tudo em um vídeo. Eu gostei, a especialidade de dois comunicadores. As palavras-chave são sabedoria e fidelidade. Depois eles enfatizaram um caminho de vida no qual esta sabedoria cresce e a fidelidade se torna forte, e daí nasce a amizade entre os povos. Um deles era xiita, outros com diferentes nouances. O caminho de sabedoria e fidelidade leva você a construir a paz, que é verdadeira obra de sabedoria e fidelidade. Fiquei com a impressão de estar entre verdadeiros sábios. Fiquei muito satisfeito".
Pergunta: Hoje uma menina passou por entre as barreiras e correu até o senhor para lhe entregar uma carta. Queríamos saber se já leu a carta?
Papa Francisco: "Eu ainda não tive tempo. As cartas estão ali, e eu vou lê-la. Aquela menina é uma menina corajosa! Essa menina tem futuro e eu ouso dizer: pobre marido! Corajosa, gostei. E depois outra menina a seguiu! Que bonito... »
Pergunta: O Grande Imame Al-Tayyib enfatizou o tema da islamofobia. Por que não ouvimos também alguma coisa sobre a “cristianofobia”, sobre a perseguição aos cristãos?
Papa Francisco: "Eu falei sobre isso. Não naquele momento, mas estou falando disso com frequência. Eu acredito que o documento fosse mais de unidade e de amizade. Mas ele condena a violência e alguns grupos que se dizem islâmicos - mesmo que os sábios digam que isso não é islamismo – e perseguem os cristãos. Eu me lembro daquele pai em Lesbos com seus filhos. Trinta anos de idade, ele chorava e me disse: eu sou muçulmano, minha esposa era cristã e vieram os terroristas do ISIS, eles viram a sua cruz, pediram a ela para se converter e depois de sua recusa eles a degolaram na minha frente. Este é o pão cotidiano dos grupos terroristas: a destruição da pessoa. É por isso que o documento foi de forte condenação”.
Pergunta: O senhor fala sobre liberdade religiosa e recordou que a liberdade religiosa vai além da liberdade de culto. Hoje estamos voltando de um país conhecido por sua tolerância, mas muitos dos católicos que estavam no estádio hoje, pela primeira vez desde que chegaram aos Emirados, puderam celebrar abertamente sua fé.
Papa Francisco: "Todo processo tem princípios, existe um antes e um depois, mas sem parar. Fiquei impressionado com uma conversa com um adolescente de 13 anos que tive em Roma. Ele me disse: "algumas coisas que o senhor diz me parecem interessantes, mas eu quero lhe dizer que sou ateu: o que devo fazer como ateu para me tornar um homem de paz?". Eu disse a ele: faça o que você sente, falei com ele um pouquinho. Eu gostei da coragem dele. Ele é ateu, mas busca o bem, e isso também é um processo. Devemos respeitar e acompanhar todos os processos, sejam das cores que forem. Eu acredito que estes são passos avante”
Pergunta: A revista feminina do jornal l’Osservatore Romano publicou um artigo denunciando o abuso sexual de mulheres consagradas na Igreja por parte do clero. Há alguns meses, a União das Superioras Gerais fez uma denúncia pública. Sabemos que o próximo encontro no Vaticano será sobre abusos sobre menores, mas podemos pensar que a Santa Sé possa fazer algo para enfrentar também esse problema com um documento ou diretrizes?
Papa Francisco: "É verdade, é um problema. O maus-tratos das mulheres são um problema. Atrevo-me a dizer que a humanidade ainda não amadureceu: a mulher é considerada de "segunda classe". Vamos começar daqui: é um problema cultural. Depois chega-se até aos feminicídios. Há países onde dos maus-tratos das mulheres chega-se ao feminicídio, e antes de chegar à sua questão concreta, uma curiosidade. Vocês façam a pesquisa para saber se é verdade, mas me disseram que o início da história das joias femininas ocorreu em um país muito antigo do Oriente, onde havia a lei para expulsar a mulher. Se o marido - não sei se é verdade – lhe dizia: vá embora, naquele momento com o que estava vestindo, ela tinha que ir sem pegar nada. E então começaram a fazer joias de ouro e pedras preciosas, para ter algo para sobreviver. É verdade, dentro da Igreja, houve clérigos que fizeram isso. Em algumas civilizações de modo mais fortes que em outras. Havia sacerdotes e até bispos que fizeram isso. E eu acho que se faça ainda: não é que a partir do momento em que você percebe isso, isso acaba. A coisa continua. Estamos trabalhando nisso há algum tempo. Suspendemos alguns clérigos, mandamos embora outros e também - não sei se o processo acabou - dissolvemos algumas congregações religiosas femininas que estavam muito ligadas a esse fenômeno, uma corrupção. Deve ser feito algo mais? Sim. Nós temos a vontade? Sim. Mas é um caminho que vem de longe. O Papa Bento teve a coragem de dissolver uma congregação feminina que tinha um certo nível, porque tinha entrado nessa escravidão, até mesmo sexual, da parte dos clérigos ou da parte do fundador. Às vezes o fundador tira a liberdade das irmãs. Pode chegar a isso. Gostaria de sublinhar que Bento XVI teve a coragem de fazer muitas coisas sobre essa questão. Há uma anedota: ele tinha todos os documentos sobre uma organização religiosa que tinha dentro corrupção sexual e econômica. Ele tentava falar sobre isso e havia filtros, ele não conseguia chegar lá. No final, o Papa, com o desejo de ver a verdade, fez uma reunião e Joseph Ratzinger, foi à reunião com uma pasta e todos os seus documentos. Quando voltou, disse ao seu secretário: coloque-a no arquivo, venceu a outra parte. Não devemos nos escandalizar com isso, são etapas de um processo. Mas assim que ele se tornou Papa, a primeira coisa que ele disse foi: traga-me a pasta do arquivo. O folclore o faz ver como fraco, mas de fraco ele não tem nada. Ele é um homem bom, um pedaço de pão é pior do que ele, mas ele é um homem forte. Sobre esta questão: reze para que possamos seguir em frente, eu quero seguir em frente. Existem casos. Estamos trabalhando».
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Papa Francisco em Abu Dhabi:

Religiões ajudem a família humana amadurecer itinerários de paz
"Quanto ao futuro do diálogo inter-religioso, a primeira coisa que devemos fazer é rezar. Rezar uns pelos outros: somos irmãos! As religiões não podem renunciar à tarefa urgente de construir pontes entre povos e culturas", disse Francisco.

Cidade do Vaticano - O Papa Francisco encontra-se em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e nesta segunda-feira (04/02), participou do Encontro inter-religioso sobre a “Fraternidade Humana”, no Founder’s Memorial (Memorial do Fundador), onde proferiu o seu discurso.
O Founder’s Memorial é um monumento nacional que comemora a vida, a herança e os valores do xeique Zayed bin Sultan Al Nahyan, fundador e primeiro presidente dos Emirados Árabes Unidos.
O Papa agradeceu ao xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan, e ao Grande Imame de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib, por suas palavras, e também ao Conselho Muçulmano de Anciãos pelo encontro realizado antes na Grande Mesquita do xeique Zayed. Saudou cordialmente as autoridades civis e religiosas e o Corpo Diplomático.
 “Permitam-me também um agradecimento sincero pela calorosa recepção que todos reservaram a mim e à nossa delegação. Agradeço também a todas as pessoas que contribuíram para tornar possível esta viagem e que trabalharam com dedicação, entusiasmo e profissionalismo para este evento”, disse Francisco.
Condenar toda forma de violência
“De ânimo reconhecido ao Senhor, aproveitei o ensejo do VIII centenário do encontro entre São Francisco de Assis e o sultão al-Malik al-Kamil para vir aqui como fiel sedento de paz, como irmão que procura a paz com os irmãos. Desejar a paz, promover a paz, ser instrumentos de paz: para isto, estamos aqui”.
Segundo o Papa, hoje, para salvaguardar a paz, “precisamos entrar juntos, como uma única família, numa arca que possa sulcar os mares tempestuosos do mundo: a arca de fraternidade”.
“O ponto de partida é reconhecer que Deus está na origem da única família humana. Funda-se nas raízes da nossa humanidade comum, a fraternidade como «vocação contida no desígnio criador de Deus». Esta fraternidade nos diz que todos temos igual dignidade. Portanto, ninguém pode ser dono ou escravo dos outros”, frisou Francisco.
“Em nome de Deus Criador, é preciso condenar toda forma de violência, porque seria uma grave profanação do Nome de Deus utilizá-Lo para justificar o ódio e a violência contra o irmão. Religiosamente, não há violência que possa ser justificada.
Religiões: construir pontes entre povos e culturas
A seguir, o Papa manifestou seu apreço pelo compromisso dos Emirados Árabes Unidos de “tolerar e garantir a liberdade de culto, contrapondo-se ao extremismo e ao ódio”.
“A coragem da alteridade é a alma do diálogo, que se baseia na sinceridade de intenções”, disse ainda o Pontífice, ressaltando que em tudo isso a “oração é indispensável”, pois “ao mesmo tempo em que encarna a coragem da alteridade em relação a Deus, na sinceridade da intenção, purifica o coração de fechar-se em si mesmo. Quanto ao futuro do diálogo inter-religioso, a primeira coisa que devemos fazer é rezar. Rezar uns pelos outros: somos irmãos! As religiões não podem renunciar à tarefa urgente de construir pontes entre povos e culturas.”
“Chegou o tempo de as religiões se gastarem mais ativamente, com coragem e ousadia e sem fingimento, em ajudar a família humana a amadurecer a capacidade de reconciliação, a visão de esperança e os itinerários concretos de paz.”
A paz precisa das asas da educação e da justiça
Segundo o Papa, “a paz, para levantar voo, precisa de asas que a sustentem: as asas da educação e da justiça. Investir na cultura favorece a diminuição do ódio e o aumento da civilidade e prosperidade”.
“A justiça é a segunda asa da paz. Uma justiça circunscrita apenas aos familiares, aos compatriotas, aos fiéis da mesma fé é uma justiça claudicante… uma injustiça disfarçada!”
“Que as religiões sejam voz dos últimos, que não são estatísticas, mas irmãos, e estejam da parte dos pobres; velem como sentinelas de fraternidade na noite dos conflitos, sejam apelos diligentes à humanidade para que não feche os olhos perante as injustiças e nunca se resigne com os dramas sem conta no mundo”.
“Este país, em que se tocam areia e arranha-céus, continua sendo uma importante encruzilhada entre Ocidente e Oriente, entre Norte e Sul do planeta, um lugar de desenvolvimento, onde espaços outrora inóspitos proporcionam empregos a pessoas de várias nações.”
“Mas o desenvolvimento também tem os seus adversários. E, se o inimigo da fraternidade é o individualismo, como obstáculo ao desenvolvimento apontaria a indiferença, que acaba por converter as realidades florescentes em áreas desertas.”
Caminho de desenvolvimento fecundo
A seguir, Francisco recordou o primeiro Fórum da Aliança inter-religiosa por Comunidades mais seguras, realizado em Abu Dhabi, em novembro passado, sobre o tema da dignidade da criança na era digital.
“Este evento retomou a mensagem lançada um ano antes, em Roma, no Congresso internacional sobre o mesmo tema, ao qual dei todo o meu apoio e encorajamento. Agradeço, pois, a todos os líderes que estão empenhados neste campo e asseguro o apoio, a solidariedade e a participação da Igreja Católica nesta causa importantíssima da proteção dos menores em todas as suas expressões.”
“Aqui, no deserto, abriu-se um caminho de desenvolvimento fecundo que, a partir do trabalho, dá esperança a muitas pessoas de vários povos, culturas e credos. Dentre elas, contam-se também muitos cristãos, cuja presença na região remonta séculos atrás tendo contribuído significativamente para o crescimento e bem-estar do país”, disse ainda o Papa.
Segundo o Pontífice, “a convivência fraterna, fundada na educação e na justiça, e o desenvolvimento humano, construído sobre a inclusão acolhedora e sobre os direitos de todos, constituem sementes de paz, que as religiões são chamadas a fazer germinar”.
Guerra: miséria e morte
“A corrida aos armamentos, o alargamento das respectivas áreas de influência, as políticas agressivas em detrimento dos outros nunca trarão estabilidade. A guerra nada mais pode criar a não ser miséria e morte”, disse o Papa, recordando que os representantes das religiões tem “o dever de banir toda nuance de aprovação da palavra guerra”.
Lembrando as consequências nefastas da guerra, Francisco lembrou países como Iêmen, Síria, Iraque e Líbia.
“Comprometamo-nos contra a lógica da força armada, contra a monetarização das relações, o armamento das fronteiras, o levantamento de muros, o amordaçamento dos pobres. Oponhamos a tudo isto a força suave da oração e o compromisso diário no diálogo.”
“Que o nosso estar juntos hoje seja uma mensagem de confiança, um encorajamento a todos os homens de boa vontade para que não se rendam aos dilúvios da violência nem à desertificação do altruísmo. Deus está com o homem que procura a paz. E, do céu, abençoa cada passo sobre a terra que se realiza nesta direção”, concluiu o Papa.
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domingo, 3 de fevereiro de 2019

Secretário-Geral da CNBB

fala sobre a Campanha da Fraternidade 2019
O tema da Campanha da Fraternidade 2019 (CF) nos convida a refletir sobre “Fraternidade e Políticas Públicas”. De acordo com o texto-base, esta CF tem como objetivo “estimular a participação em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”.
Dom Leonardo Steiner
(foto de Ivan Simas)
Segundo Dom Leonardo, a CNBB quer estimular os cristãos na participação, elaboração e execução de políticas públicas.
Para trazer luz às nossas reflexões, o bispo auxiliar de Brasília (DF) e Secretário-Geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, OFM, conversou com o A12 sobre os principais pontos em torno do tema da campanha deste ano.
A12: O que a temática da CF 2019 quer despertar nas pessoas?
Dom Leonardo Steiner: A Quaresma, caminho pascal, nos convoca e provoca a viver como pessoas libertas e redimidas em Cristo. É um itinerário de conversão. Nesse tempo precioso, a Igreja no Brasil apresenta a Campanha da Fraternidade como proposta de seguimento Jesus Cristo que pede contínua mudança de vida. O cultivo do seguimento a Jesus Cristo deveria  despertar em nós a necessidade da conversão, da partilha e da fraternidade.
Neste ano, ao propor como tema “Fraternidade e Políticas Públicas”, a Igreja no Brasil quer estimular nos cristãos uma participação e uma responsabilização na discussão, elaboração e execução de políticas públicas.
Ela são ações e programas desenvolvidos pelo Estado ou pelos governos para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis. Refletir e discutir políticas públicas é falar de uma realidade que afeta a vida de milhões de brasileiros. Elas expressam o interesse pelo bem comum, pela inserção social, pela oportunidade de direitos e deveres de toda pessoa. 
O Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, é uma política pública de acesso gratuito à saúde, assegurado a todos os brasileiros. Saber para onde vai e fiscalizar a qualidade e como é gasto o recurso arrecadado de impostos é um caminho para fortalecer o compromisso com as reais necessidades da população. 
A12: Como a CF 2019 deve ser partilhada nas paróquias, grupos e comunidades pelo Brasil?
Dom Leonardo Steiner: A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, preparou um texto-base e uma série de subsídios para as paróquias, as comunidades, os grupos de família e as pastorais visando conhecer e aprofundar a realidade das políticas públicas. No site da Edições CNBB é possível encontrar este material. As comunidades, as famílias, os grupos e as escolas poderão, com os subsídios, realizar um bonito caminho quaresmal. O mais importante é percorrer o caminho que inspira a Igreja no Brasil: ver, julgar e agir.
No ver, buscar aprofundar o tema e compreender o que são as políticas públicas nos diferentes níveis e contextos de atuação, sobretudo localmente. Entender também, localmente, quais políticas públicas funcionam ou não e que problemas da população ainda nem sequer foram contemplados nos planejamentos locais.
Ao julgar, deixar-se iluminar pelo que diz o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja; e, como decorrência de nossa fé, no agir, buscar ações concretas que apontem para mudanças de realidade: cobrar maior qualidade nos serviços e políticas públicas oferecidas localmente. Mas sempre é bom lembrar que o tempo da quaresma é tempo de oração, jejum e esmola.
A12: Quais são as ações que nós cristãos podemos fazer para colocar a CF 2019 em prática? Pode citar alguns exemplos?
Dom Leonardo Steiner: Há a necessidade de romper o preconceito comum de que a política é coisa suja e de nos conscientizarmos de que ela é essencial para a transformação da sociedade.Dom Leonardo Steiner: É necessário lembrar que, por políticas públicas, se entende o cuidado que o Estado e as diversas instâncias de governo devem ter em relação ao cidadão em todas as dimensões. No texto-base, há várias sugestões de pistas de ação. É importante despertar para a importância das políticas públicas, mas também perceber a nossa responsabilidade na discussão e elaboração das mesmas.
Os cristãos, individualmente e em grupos, podem estimular a participação dos membros da comunidade nas instâncias colegiadas de controle social das políticas públicas (conselhos de saúde, educação, entre outros), fiscalizar para onde vai o recurso público, acompanha de perto como as leis são elaboradas em municípios e nos estados, etc. Cobrar dos gestores públicos maior qualidade na oferta das políticas públicas.
A12: Como estimular a participação das pessoas de forma ativa nas políticas públicas em um cenário de descontentamento com a política?
Dom Leonardo Steiner: A Doutrina Social da Igreja busca estimular a participação dos cristãos, como decorrência de sua missão, na construção do bem comum, entendido como o conjunto das condições da vida de uma sociedade que favorecem o bem-estar e o desenvolvimento humano de todos. Os cristãos vivem da grandeza da Se há o desencanto, é por meio da participação e do testemunho coerente de uma atuação voltada para o cuidado de todas as pessoas, especialmente das mais necessitadas, que revitalizaremos o verdadeiro sentido da política.manifestação do Reino de Deus em sua plenitude. Toda a política é um trabalho para o bem de todos.
Há, como reafirma o texto-base desta CF 2019, a necessidade de romper o preconceito comum de que a política é coisa suja e de nos conscientizarmos de que ela é essencial para a transformação da sociedade.
Como nos lembra Papa Francisco: “Envolver-se na política é uma obrigação para os cristãos. Nós, cristãos, não podemos nos fazer de Pilatos e lavar as mãos. Não podemos! Devemos nos envolver na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, porque ela procura o bem comum. (...) Trabalhar pelo bem comum é um dever cristão. (Papa Francisco, 07 de junho de 2013).
Se há o desencanto, é por meio da participação e do testemunho coerente de uma atuação voltada para o cuidado de todas as pessoas, especialmente das mais necessitadas, que revitalizaremos o verdadeiro sentido da política: servir ao bem comum, como propõe a Doutrina Social da Igreja. Visibilizarmos a vida do Reino de Deus!
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                                                                                                                          Fonte: a12.com

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Políticas Públicas: o que significa?

CF 2019 incentiva
participação dos cidadãos na construção de políticas públicas

Anualmente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a Campanha da Fraternidade (CF) como caminho de conversão quaresmal. Nesse contexto de participação cidadã, a CNBB definiu ‘Fraternidade e Políticas Públicas’ como tema da Campanha da Fraternidade 2019. A conferência escolheu ainda como lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27).
Para entender melhor o tema da CF deste ano, é preciso, primeiramente, diferenciar o que é ‘política’ do que é ‘política pública’. Segundo o texto-base da CF, a palavra ‘política’ vem do grego ‘politikós’, que refere-se a ‘polís’, que era o lugar onde os gregos tomavam as decisões na busca pelo bem comum.
“Era o espaço para garantir a ordem e estabilizar a sociedade de maneira pacífica, sendo marcada pelo conjunto de interações e conflito de interesses. Nesse sentido, polís é a cidade, isto é, o conjunto das relações, das organizações que possibilitam a concordância”, descreve o texto-base.
Já as políticas públicas são um conjunto de ações e programas que são desenvolvidos pelo Estado para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis.
Refletir sobre políticas públicas é importante para entender a maneira pela qual elas atingem a vida cotidiana e o que pode ser feito para melhor formatá-las, bem como quais as possibilidades de fiscalizá-las.
Citando a definição da Doutora Maria das Graças Rua Para, o cientista político e especialista em Processo Legislativo Murilo Carvalho traz o conceito de políticas públicas como um“conjunto de procedimentos formais e informais que expressam relações de poder e que se destinam à resolução pacífica dos conflitos quanto a bens públicos".
 “Ou seja, podemos entender como um ciclo que passa por procedimentos formais (seguem um rito, regimento) e informais (reuniões, acordos) e que, nesse ambiente, existem relações de poder, sejam elas financeiras e/ou morais, tendo como objetivo principal resolver, por meio do consenso, assuntos públicos”, completou.
Murilo Carvalho ainda explicou que, antes de tudo, é importante frisar que o conceito de políticas públicas existe apenas nas sociedades modernas e que o papel do Estado e da sociedade é de suma importância em cada etapa do ciclo das políticas públicas.
“Em uma sociedade bastante complexa e variada no que diz respeito a valores, raça, etnia, credo, etc., pode parecer complexo implementar uma relação entre sociedade e Estado. No entanto, cabe aqui registrar que cada setor da sociedade tem seu papel específico e sua relação de poder - mais alto ou baixo - pode interferir no melhor resultado de uma política pública. Não se trata apenas de uma decisão do Estado, mas uma soma de várias decisões para atender o máximo dos setores da sociedade”.
Caminhos para 2019
Participar efetivamente das políticas públicas requer mais do que votar nas eleições.O cientista político nos explica também as perspectivas da condução das políticas públicas no Brasil neste ano de 2019. “Após as eleições de 2018, tivemos uma mudança, não apenas no sentido de renovação do Congresso Nacional e Presidência da República. Isso certamente mudará o foco das políticas públicas que estavam sendo implementadas pelo governo nos últimos anos”.
Murilo Carvalho destacou que essa não será uma tarefa fácil: “Teremos um Congresso bastante fragmentado, ou seja, com bastante partidos e com uma oposição disposta a travar alguns debates. Pelo perfil do novo congresso, poderemos ter um foco na segurança pública e economia. A expectativa é que algumas políticas públicas sejam revistas para ser mais efetivas e mais fiscalizadas. Sendo assim, o caminho para 2019 será ter a consciência de uma boa relação com o Congresso e buscar consenso nas principais pautas, além de tentar diálogo com a oposição”.
Participação da população
A CF sugere a participação em audiências públicas, conselhos, fóruns e reuniões, além de organizações da sociedade civil e movimentos sociais.
Murilo Carvalho reforça que, nos dias atuais, é de suma importância a participação popular em todos os processos de gestão. “O cidadão deve saber que não é apenas o eleitor que deve ir às urnas periodicamente, mas é, sobretudo, um agente de inovação buscando a transparência e boas práticas de seus representantes. Costumo dizer que não há democracia sem informação, e não há informação sem transparência”.
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                                                                                                                          Fonte: a12.com

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Leituras do

4º Domingo do Tempo Comum
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1ª Leitura: Jr 1,4-5.17-19 
Livro do Profeta Jeremias:
Nos dias de Josias, rei de Judá, foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: “Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações. Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão, eu te farei tremer na presença deles.
Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor.
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Salmo: 70
- Minha boca anunciará todos os dias vossas graças incontáveis, ó Senhor.
- Minha boca anunciará todos os dias vossas graças incontáveis, ó Senhor.
- Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor:/ que eu não seja envergonhado para sempre!/ Porque sois justo, defendei-me e libertai-me!/ Escutai a minha voz, vinde salvar-me!
- Sede uma rocha protetora para mim,/ um abrigo bem seguro que me salve!/ Porque sois a minha força e meu amparo,/ o meu refúgio, proteção e segurança!/ Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.
- Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança,/ em vós confio desde a minha juventude!/ Sois meu apoio desde antes que eu nascesse,/ desde o seio maternal, o meu amparo.
- Minha boca anunciará todos os dias/ vossa justiça e vossas graças incontáveis./ Vós me ensinastes desde a minha juventude,/ e até hoje canto as vossas maravilhas.
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2ª Leitura: 1Cor 12,31-13,13
Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:
Irmãos: Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior. Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine.
Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada.
Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria.
A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo.
A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá. Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito.
Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança.
Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora, conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido.
Atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade.
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Evangelho: Lc 4,21-30
Evangelho de São Lucas:
Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.
Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?”
Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”.
E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria.
De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.
E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”.
Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.
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